segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Um jogo, um vídeo, um parágrafo: a 19ª rodada da Eredivisie

Zwolle 3x3 Utrecht (sexta-feira, 17 de janeiro)

No primeiro jogo do Campeonato Holandês em 2020, o Zwolle iniciou jogando com cinco na zaga, para tentar fazê-la mais forte. Mas foi um zagueiro que acabou falhando e abrindo caminho para o Utrecht: aos 24', Sam Kersten pulou para tentar cortar um escanteio, desviou a bola com o braço, o juiz viu o vídeo, e marcou o pênalti que Simon Gustafson converteu para o 1 a 0 do Utrecht. Vantagem que não durou muito: aos 27', Gustavo Hamer lançou, e Mike van Duinen foi rápido e esperto para superar Mark van der Maarel na corrida, empatando o jogo. E no começo do segundo tempo, o mais badalado jogador em campo fracassou: afinal, em seu primeiro jogo após ser emprestado pelo PSV, o goleiro Jeroen Zoet nada pôde fazer para evitar o chute forte de Kenneth Paal, aos 53', virando o jogo para os mandantes. Aí, o forte ataque do Utrecht ajudou. Adrián Dalmau já quase tinha marcado aos 48', Gyrano Kerk quase empatou aos 68'... e coube a Kerk o empate, aos 71', após bate-rebate na área dos Zwollenaren. No fim, quando Issah Abass virou de novo para o Utrecht - aos 86', após bom passe de Urby Emanuelson -, tudo pareceu acabado. Yuta Nakayama disse não: três minutos depois, o zagueiro japonês do Zwolle decretou o empate. Partida animada para começar 2020...



Fortuna Sittard 1x3 Vitesse (sábado, 18 de janeiro)

Tendo um novo técnico "semi-interino" (o bom e velho Edward Sturing, treinando pela quinta vez a equipe, que comandará até o fim da temporada), o Vitesse dominou o Fortuna Sittard desde o começo. O gol já poderia ter vindo aos 21', quando o goleiro Alexei Koselev defendeu finalizações de Bryan Linssen e Tim Matavz, em sequência. O Fortuna até trouxe algum perigo aos 23', com Felix Passlack chutando. Mas logo vieram os gols do Vites: aos 26', Oussama Tannane cobrou falta, e Koselev falhou no 1 a 0, enquanto Tim Matavz completou para o segundo gol aos 39', após belo toque de Riechedly Bazoer. Matavz reapareceu no segundo tempo para encaminhar a vitória: aos 64', o esloveno fez 3 a 0, tocando por baixo de Koselev após lançamento de Linssen em profundidade. Ao Fortuna Sittard, só restou o gol de honra de Amadou Ciss, de cabeça, aos 72'. Vitalie Damascan ainda teve chance aos 76', mas o Vitesse pôde comemorar a terceira vitória seguida na temporada.



Twente 0x0 Groningen (sábado, 18 de janeiro)

Com um reforço por empréstimo já jogando (o lateral direito Giovanni Troupée) e outro assistindo ao jogo da tribuna do Grolsch Veste (o atacante Noa Lang), o começo até foi equilibrado: aos 18', em cruzamento de Deyovaisio Zeefuik, Ramon-Pascal Lundqvist quase fez para o Groningen, mas desviou por cima do gol. No minuto seguinte, o Twente retrucou: o estreante Jelle Bosch lançou, e Aitor Cantalapiedra finalizou para a defesa de Sergio Padt. E ficou nisso, pois o resto da partida correu com pouquíssimas emoções. A única, talvez, foi aos 59': Kaj Sierhuis caiu após contato com Troupée na área, e o juiz Dennis Higler marcou o pênalti. Só que Hrustic perdeu a chance de dar a vantagem ao Groningen: bateu na trave. Assim, o marasmo seguiu em Enschede. Um daqueles jogos sobre os quais pode se dizer: o 0 a 0 ainda foi muito, pela qualidade (não) mostrada em campo.



Feyenoord 3x1 Heerenveen (sábado, 18 de janeiro)

Até que o Heerenveen começou tentando mais o gol (como com Mitchell van Bergen, aos 7', chutando na rede pelo lado de fora). Mas o Feyenoord fez 1 a 0 logo na sua primeira chegada à área - e que chegada: Steven Berghuis cruzou, e Luis Sinisterra ajeitou a bola para mandá-la às redes de meia-bicicleta. Chidera Ejuke ainda assustou para os visitantes da Frísia (aos 12' e aos 16'), mas logo o Stadionclub ficou tranquilo no placar, pelo alívio de Nicolai Jorgensen. Aos 17', o dinamarquês fez 2 a 0, num chute cruzado após Jens Toornstra cruzar; e aos 26', Jorgensen fez 3 a 0, completando de cabeça escanteio de Leroy Fer. Mas logo o Heerenveen conseguiu o gol que até merecia: aos 31', Toornstra falhou na saída de bola, Joey Veerman ficou com a esférica e tocou, sem ângulo, por baixo de Justin Bijlow - novo goleiro titular, com a saída de Kenneth Vermeer. E o restante do jogo ficou nisso: o Heerenveen tentava, o Feyenoord respondia com perigo. Foi assim no fim do 1º tempo: Chidera Ejuke buscou o gol aos 37' (Bijlow pegou), Toornstra mandou na trave no minuto seguinte. Na etapa complementar, aos 63', Tyrell Malacia cruzou, mas Jorgensen escorou, para fora, enquanto aos 65', Hicham Faik tentou por cobertura, mas Bijlow pulou a tempo e espalmou. O Feyenoord teve mais chances no fim (Kökcü tentou aos 76' e aos 89'), e ganhou de novo. Há oito rodadas sem perder, com seis vitórias e dois empates, o Stadionclub já sonha com o terceiro lugar. Está vivo para isso.



AZ 1x3 Willem II (sábado, 18 de janeiro)

Mesmo sem o goleiro titular (suspenso, Marco Bizot deu lugar a Rody de Boer), o AZ parecia preparado para superar o Willem II, num dos jogos mais equilibrados da rodada. Pelo menos, foi o que se viu na etapa inicial. Foi Jonas Svensson tendo chance aos 12' (o lateral direito recebeu cruzamento de Owen Wijndal, mas seu chute desviou na defesa do Willem II), foi uma sequência de bolas na trave aos 19' (Wijndal mandou de primeira no travessão, e Calvin Stengs bateu a sobra rasteiro, no pé do poste)... e veio o gol dos Alkmaarders em casa, aos 27', com Idrissi fazendo sua jogada habitual, vindo pela esquerda e chutando colocado. O jogo parecia dominado. Tão dominado que o Willem II reagiu. Ainda no primeiro tempo, aos 38', Freek Heerkens arriscou, forçando boa defesa de De Boer. E já na etapa final, com o relaxamento dos mandantes, os Tricolores buscaram a virada. Começaram a tê-la aos 65', com o empate: Vangelis Pavlidis chutou, De Boer rebateu, mas Mats Köhlert empatou. Quando acordou, o AZ perdeu o controle do jogo. E os visitantes de Tilburg brilharam, virando em grande estilo. Aos 78', Pavlidis fez 2 a 1, encobrindo De Boer sutilmente. E aos 85', com um fortíssimo chute, Mike Trésor Ndayishimiye marcou o terceiro, tão bonito quanto. Quem veio ao AFAS Stadion ver o AZ, viu o Willem II, surpresa agradável, de volta ao 3º lugar.



VVV-Venlo 1x1 PSV (domingo, 19 de janeiro)

Com o VVV-Venlo cuidando da defesa, o PSV já começou a partida buscando o gol. Logo aos 2', Steven Bergwijn roubou a bola e chegou à área, mas escorregou na hora de chutar. Depois, aos 6', Cody Gakpo fez jogada individual, chutou da entrada da área, o goleiro Thorsten Kirschbaum rebateu, e Bruma perdeu a chance. Os Venlonaren só se arriscaram a partir dos 15': o estreante Oussama Darfalou aproveitou erro de Ryan Thomas no recuo, driblou Timo Baumgartl, passou pelo goleiro Lars Unnerstall na entrada da área, e deixou a bola com Jerome Sinclair. Aí Baumgartl consertou: em cima da linha, evitou o gol de Sinclair. E a partida seguiu assim, o PSV dominando (aos 26', Gakpo cruzou e Bruma completou na pequena área, mas Kirschbaum fez grande defesa), o VVV-Venlo perturbando aos poucos (aos 39', em cabeceio de Nils Röseler para grande defesa de Unnerstall, e aos 41', num chute de Darfalou). No segundo tempo, o PSV até tentou mais (Bergwijn aos 46', Dumfries aos 58'). E o VVV até queria atacar, mas faltava talento. Só que a chance apareceu aos 68': Olivier Boscagli derrubou Simon Janssen, o pênalti foi marcado, e Johnatan Opoku bateu forte para o 1 a 0. Porém, quando a torcida já saudava o que seria uma tremenda vitória na luta contra a zona de repescagem/rebaixamento, aos 90' + 2, último dos acréscimos, a defesa se descuidou, Boscagli cruzou, e Dumfries cabeceou para o 1 a 1. Anticlímax no VVV, preocupação no PSV.



Ajax 2x1 Sparta Rotterdam (domingo, 19 de janeiro)

O primeiro minuto de jogo em Amsterdã já trouxe um tremendo susto para o Ajax: após contra-ataque, Ragnar Ache veio livre com a bola e chutou cruzado, rente à trave. Mas logo os Ajacieden se recompuseram, para fazerem o goleiro Ariel Harush trabalhar. E como o arqueiro israelense trabalhou: aos 4' (pegou chute de Donny van de Beek), aos 11' (grande defesa, espalmando à queima-roupa arremate de Dusan Tadic, após o estreante Ryan Babel ajeitar). Mas aos 15', não houve jeito: de novo, uma sobra de bola pôs Van de Beek na frente do gol, e ele fez 1 a 0. O domínio dos Godenzonen só não era maior porque André Onana assustava: deixou a bola escapar por duas vezes no primeiro tempo (sem consequências, para sua sorte). Já Harush trabalhou pelo resto do primeiro tempo, defendendo vários chutes. No segundo tempo, a lesão de Ziyech prejudicou o Ajax. Pelo menos, o 2 a 0 não demorou: aos 60', Tadic passou, Jurgen Ekkelenkamp ajeitou, Ryan Gravenberch chutou cruzado e fez. Jogo acabado? Nada disso. Porque Abdou Harroui chutou na trave, aos 73'. No minuto seguinte, Joël Piroe ajeitou longo lançamento e finalizou para diminuir: 2 a 1. E porque o Sparta assustou mais ainda aos 84' (voleio de Adil Auassar, que Lisandro Martínez tirou em cima da linha - a bola ainda bateu na trave) e aos 87' (Ache driblou Onana, chutou, e Joël Veltman tirou em cima da linha). Mas o Ajax pôde se aliviar no fim de jogo: três pontos, seis de vantagem para o AZ.



Emmen 1x0 Heracles Almelo (domingo, 19 de janeiro)

O Emmen recebeu o Heracles em sua "fortaleza", o estádio De Oude Meerdijk (dos 21 pontos que tem na temporada, ganhou 20 em casa). E não se defendeu contra o ataque dos Heraclieden, somente: também atacou. Poderia ter marcado aos 18', em cabeceio de Luciano Slagveer, e aos 25', em grande chance de Michael de Leeuw. Não fizera, e chegou a tomar aos 42', quando Mauro Júnior pôs a bola na rede. Mas o time da casa se aliviou: por revisão do VAR, o gol do Heracles foi anulado (Mauro Júnior dominara com a mão). E o azar dos visitantes de Almelo foi a sorte do Emmen: nos acréscimos do primeiro tempo, o lateral Lorenzo Burnet deixou Marko Kolar na cara do gol, e ele aproveitou, fazendo 1 a 0. Na etapa final, o goleador Cyriel Dessers quase marcou de meia-bicicleta, mas o goleiro Dennis Telgenkamp o impediu aos 57'. Mais, ainda: no minuto final, mais um gol do Heracles foi anulado, por impedimento de Dessers. Com sorte e esforço, o Emmen conseguiu mais uma vitória tipicamente sua: em casa, surpreendendo um time melhor colocado e mais técnico. 



ADO Den Haag 2x0 RKC Waalwijk (domingo, 19 de janeiro)

Num jogo nervoso (afinal, eram o último e o penúltimo colocados da Eredivisie frente à frente), o nervosismo só rendeu duas chances no começo. Pelo Den Haag, Tomas Necid cabeceou nas mãos do goleiro Etiënne Vaessen, aos 18'. Logo depois, aos 20', Sylla Sow teve todo o espaço para fazer o gol do RKC Waalwijk, mas finalizou em cima do arqueiro Luuk Koopmans. Quem tivesse mais eficiência, despontaria. E coube ao time da casa despontar: aos 32', John Goossens cobrou para a área em cobrança de falta, e o zagueiro Shaquille Pinas desviou de cabeça para fazer 1 a 0. Já na etapa complementar, precisando demais da vitória no jogo direto, o lanterna RKC quase chegou ao empate aos 53', em chute do estreante Tijjani Reijnders. A tensão seguiu até os 80', quando veio o lance decisivo: após Lex Immers ajeitar a bola, Crysencio Summerville veio com ela até ser derrubado por Hannes Delcroix, perto da área. Falta, cartão vermelho para Delcroix, e Aaron Meijers cobrou com precisão: 2 a 0. O ADO Den Haag respira: foi ao 16º lugar (o da repescagem), abrindo cinco pontos de vantagem para a lanterna. De fato, é como a faixa da torcida dos auriverdes estampou,  lembrando um filme para saudar o novo técnico Alan Pardew: quando se está em perigo, quem você chama? "Caça-fantasmas" - no caso, o "fantasma" do rebaixamento...

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Parada obrigatória: Ajax

A dupla Ziyech-Promes deu certo, e o Ajax segue firme buscando o bicampeonato holandês. Mas ele (e uma boa campanha na Liga Europa) não virão sem esforço (Getty Images)

Posição: 1º colocado, com 44 pontos
Técnico: Erik ten Hag
Time-base: Onana; Dest (Mazraoui), Veltman, Blind e Tagliafico; Álvarez (Marin) e Martínez; Ziyech, Van de Beek e Promes; Tadic
Maior vitória: Ajax 6x1 ADO Den Haag (18ª rodada)
Maior derrota: Ajax 0x2 Willem II (16ª rodada)
Copa da Holanda: classificado para as oitavas de final, nas quais enfrentará o Spakenburg (terceira divisão), em 22 de janeiro
Competição europeia: Liga dos Campeões (eliminado na fase de grupos) e Liga Europa (classificado para a segunda fase, na qual enfrentará o Getafe-ESP)
Artilheiro: Quincy Promes (atacante), com 10 gols
Objetivo do início: Título
Avaliação: O Ajax cumpre seu objetivo, até aqui: segue como o grande favorito ao título na Eredivisie. Entretanto, vários percalços tornam o caminho mais turbulento do que se esperava para os Ajacieden
Fez os treinos da pausa de inverno em... Doha, no Catar, de 4 a 12 de janeiro
E amistosos? Venceu o Eupen-BEL, por 2 a 0, e o Club Brugge-BEL, por 3 a 1

De certa forma, dá para dizer que o primeiro jogo do Ajax neste Campeonato Holandês 2019/20 resume bem o que foi a primeira metade da temporada do atual campeão da Eredivisie: sua força dentro de campo o torna favorito destacado à conquista do bicampeonato, mas os sustos estão à espreita, e podem prejudicar os Godenzonen. Foi assim naquele 2 a 2 com o Vitesse, quando os Ajacieden sofreram com a equipe de Arnhem. Foi assim em tantas outras partidas, que renderam consequências indesejadas. Claro, pelo menos na liga holandesa, isso ocorreu menos vezes: o normal era o Ajax impor seu amplo favoritismo, em casa e fora. Mesmo em partidas nas quais não ia tão bem. Se há dúvidas, basta ver o 4 a 1 no Sparta Rotterdam, na quinta rodada. Ou o 4 a 1 no Heerenveen, na rodada seguinte. Mesmo sem jogar bem, a superioridade era tamanha que a goleada acabava acontecendo, diante dos clubes menores.

Entretanto, o rendimento do Ajax mostrava previsivelmente maior inconsistência do que na incrível temporada passada. Havia acertos: por exemplo, Lisandro Martínez - o argentino chegou para a zaga, mas mostrou tanta qualidade nos passes que já foi para o meio-campo, sem prejuízo da utilidade. Quincy Promes demorou algumas rodadas, mas logo destronou David Neres (inconstante, mesmo antes da lesão que o tirou dos campos no fim de 2019) para criar grande parceria de ataque com Hakim Ziyech - daí, os dez gols de Promes na Eredivisie, tornando-o goleador do Ajax. Por falar no marroquino, ele seguiu mostrando como já é grande demais para o futebol da Holanda: preciso nos passes para gol (foram 12), preciso nos chutes, habilidoso ao extremo... se houve um destaque dos Amsterdammers, foi Ziyech, acima de Donny van de Beek - ele teve ótimos momentos - e Dusan Tadic - menos inspirado do que na temporada anterior, mas ainda muito útil (foi quem mais passes para gol deu neste campeonato - 13). E André Onana é cada vez mais confiável no gol.

Só que havia erros e gente decepcionando, como Razvan Marin e Noussair Mazraoui. Desde a terceira fase preliminar, a campanha na Liga dos Campeões foi feita de altos (os triunfos contra Lille, na Johan Cruyff Arena, e Valencia, em pleno Mestalla) e baixos (a queda para o Chelsea em Amsterdã, e as crônicas fragilidades defensivas que transformaram um 4 a 1 em 4 a 4 no Stamford Bridge - sim, isso inclui as expulsões). Pior: temporada passa, temporada chega, e o "estilo de jogo" às vezes segue uma camisa-de-força para o Ajax, como se viu na decepcionante eliminação na Champions - um time ineficiente no ataque foi parado por um Valencia eficiente na frente e insuperável atrás. Pior ainda: com algumas lesões no fim do ano (Promes, David Neres), mais o desafortunado problema cardíaco que transformou a carreira de Daley Blind em incógnita, o Ajax começou a engripar na Eredivisie. E as derrotas para Willem II e AZ permitiram a chegada do clube de Alkmaar na disputa do título. Pelo menos, na última rodada de 2019, veio um massacre tipicamente Ajacied - 6 a 1 no ADO Den Haag -, enquanto o AZ era derrotado pelo Sparta Rotterdam. E o Ajax segue favorito ao título holandês. Segue podendo fazer bom papel na Liga Europa. Mas encontra mais dificuldades do que imaginava.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Parada obrigatória: AZ

Os gols de Boadu (à direita), a velocidade e a habilidade de Stengs (à esquerda), a firmeza da defesa, a solidez de um time: é o AZ, sonhando com o título holandês - que só virá com atenção máxima (Pro Shots)

Posição: 2º colocado, com 41 pontos
Técnico: Arne Slot
Time-base: Bizot; Svensson, Vlaar (Hatzidiakos), Wuytens e Wijndal; Midtsjo, Koopmeiners e De Wit (Clasie); Stengs, Boadu e Idrissi
Maior vitória: AZ 5x1 Sparta Rotterdam (6ª rodada)
Maior derrota: Sparta Rotterdam 3x0 AZ (18ª rodada)
Copa da Holanda: classificado para as oitavas de final, nas quais enfrentará o FC Oss (segunda divisão), em 22 de janeiro
Competição europeia: Liga Europa (classificado para a segunda fase, na qual enfrentará o LASK Linz-AUT)
Artilheiro: Myron Boadu (atacante), com 11 gols
Objetivo do início: vaga nos play-offs pela Liga Europa/vaga direta na Liga Europa
Avaliação: Com um ataque invejável e a melhor defesa da Eredivisie, o AZ conseguiu concretizar o que já ensaiava há algumas temporadas: entrou de vez na disputa do título. Entretanto, se quiser fazer história, não terá o direito de tropeçar 
Fez os treinos da pausa de inverno em... Oliva, balneário na Espanha, de 5 a 11 de janeiro
E amistosos? Goleou o Mechelen-BEL, por 5 a 1

O AZ já estava se preparando. Fora de campo, já há alguns anos, é um clube que sabe andar com as próprias pernas, cuidando das categorias de base, apostando num estilo de jogo, sendo inteligente para buscar reforços baratos. Nos gramados, fora terceiro colocado da Eredivisie em 2017/18, quarto colocado em 2018/19... e já começou com tudo este campeonato: nas primeiras dez rodadas, sete vitórias. Mais do que isso: a defesa já se credenciava como a mais forte do campeonato - solidez no miolo de zaga, velocidade (e ofensividade!) de Jonas Svensson e Owen Wijndal nas laterais e, acima de tudo, a segurança do goleiro Marco Bizot, o menos vazado da Eredivisie, só tendo levado oito gols. No meio-campo, Teun Koopmeiners ditava o ritmo com tremenda categoria, e Dani de Wit foi aposta certa de contratação, para ajudar na criação de jogadas. Afinal de contas, o ataque precisava da bola, para que o trio Calvin Stengs-Myron Boadu-Oussama Idrissi se confirmasse como o que é hoje: insinuante nos dribles, ofensivo, criando chances (e só aí há um defeito: a falta de pontaria), enfim, o melhor ataque deste Campeonato Holandês.

Nem a lesão no joelho que tirou o zagueiro Pantelis Hatzidiakos da temporada, nem mesmo a queda de parte da cobertura do AFAS Stadion que forçou o time a mandar jogos em Haia entre a 3ª e a 16ª rodadas, nada disso perturbava o AZ. Se havia tropeços aqui e ali (como a derrota para o Vitesse, no último minuto, na 5ª rodada), uma primeira demonstração de força veio no jogo atrasado da 4ª rodada: um inapelável 3 a 0 no Feyenoord, em pleno De Kuip, com Stengs brilhando. Ainda assim, seguia a dúvida: o AZ impressionava, mas... como seria quando tivesse de enfrentar PSV e Ajax? Pois bem: pelo menos contra os de Eindhoven, veio uma resposta com autoridade gigante, na 11ª rodada - mesmo tendo um homem a mais desde o 1º tempo, os Alkmaarders tiveram volúpia ofensiva, chegando ao ataque como queriam, fascinando com o 4 a 0 no Philips Stadion, mais uma vitória maiúscula como visitante - é o segundo melhor da liga fora de casa. Dentro da "casa momentânea" - o Cars Jeans Stadion, do ADO Den Haag -, vitórias com mais (3 a 0 no Twente, 3 a 0 no Emmen) ou menos sossego (1 a 0 no VVV-Venlo). Paralelamente, na Liga Europa, o time também impunha respeito, só tendo dificuldades nos jogos contra Partizan e Manchester United.

Mas as grandes provas da força do AZ nesta temporada vieram na reta final de 2019. Em 28 de novembro, o time de Alkmaar só precisava de um empate contra o Partizan para se classificar na Liga Europa - e ele veio, mas com muito esforço (2 a 2 nos acréscimos, após sofrer 2 a 0 em casa). E em 15 de dezembro, na 17ª rodada que fechava o 1º turno da Eredivisie, enfim o duelo contra o Ajax - com volta ao AFAS Stadion. E houve dificuldades, mas afinal veio a vitória sobre os Ajacieden, com o 1 a 0 que igualou a pontuação de ambos. Sim, Alkmaar pode sonhar com o terceiro título holandês da história de seu clube, após 11 anos. Todavia, a derrota na rodada seguinte - 3 a 0 para o Sparta Rotterdam - deixa claro: para fazer história, a atenção precisa ser máxima, o AZ não poderá tropeçar uma rodada sequer na segunda metade da temporada. Difícil? Pois era difícil outro clube sonhar em desafiar o Ajax na disputa do título, e o AZ consegue, até agora. É o preço a se pagar para conseguir grandes feitos.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Parada obrigatória: PSV

A cara feia de Malen, após sofrer lesão, descreve bem a decepção que é o PSV na atual temporada: mau planejamento da diretoria e más decisões em campo diminuíram quase a zero as expectativas de título (Pro Shots)

Posição: 3º colocado, com 34 pontos
Técnico: Mark van Bommel (até a 17ª rodada) e Ernest Faber
Time-base: Unnerstall (Zoet); Dumfries, Baumgartl (Schwaab), Viergever e Sadílek (Boscagli); Rosario, Ihattaren e Gakpo (Doan); Bergwijn, Malen e Bruma
Maiores vitórias: PSV 5x0 Vitesse (6ª rodada) e PSV 5x0 Fortuna Sittard (16ª rodada) 
Maior derrota: PSV 0x4 AZ (11ª rodada)
Copa da Holanda: classificado para as oitavas de final, nas quais enfrentará o NAC Breda, em 23 de janeiro
Competições europeias: Liga dos Campeões (eliminado pelo Basel-SUI, na terceira fase preliminar) e Liga Europa (eliminado na fase de grupos)
Artilheiro: Donyell Malen (atacante), com 11 gols
Objetivo do início: Título
Avaliação: O PSV se revelou despreparado para seguir após importantes perdas em campo, sem reposições de qualidade. A demissão de Van Bommel, embora até necessária, foi traumática. E os Boeren seguem sem muitas perspectivas de comemoração
Fez os treinos da pausa de inverno em... Doha, no Catar, de 4 a 12 de janeiro
E amistosos? Perdeu para o Club Brugge-BEL, por 2 a 1, e para o Eupen-BEL, também por 2 a 1

Mesmo com a perda do título da Eredivisie na reta final da temporada passada, o PSV deixara uma boa impressão: caso mantivesse seus destaques, teria tudo para ser o mais forte desafiante do arquirrival Ajax na disputa pela salva de prata dada ao campeão nos Países Baixos. Boa impressão que começou a diminuir com as perdas vindas na janela de transferências: Luuk de Jong se transferiu para o Sevilla, vários gols depois, Hirving Lozano foi para o Napoli (esta já era prevista, e até demorou), Angeliño foi recomprado pelo Manchester City. Três perdas que já bastaram para desestruturar taticamente o time de Eindhoven, que já começou a temporada sob pressão, após a queda na Liga dos Campeões, para o Basel suíço, e a derrota inquestionável para o Ajax, na Supercopa da Holanda (que ainda tirou de combate o lesionado Sam Lammers, aposta no ataque)

Os Boeren aparentaram se assentar com um bom começo de temporada: ficaram invictos durante as nove primeiras rodadas da Eredivisie (dois empates, sete vitórias), começaram com duas vitórias na fase de grupos da Liga Europa, viam o ataque se remontar bem com o trio Steven Bergwijn-Donyell Malen-Cody Gakpo - sem contar Ritsu Doan, reforço do Groningen que se entrosou bem. Aí, na 10ª rodada, a derrota para o Utrecht (3 a 0, fora de casa) começou a desnudar todos os problemas existentes: com dois jogadores expulsos, a defesa virou presa fácil. Para piorar, Bergwijn e Malen se lesionaram, e ficaram ausentes nas rodadas seguintes. Mais uma rodada (contra o AZ, em pleno Philips Stadion), mais uma expulsão (Ryan Thomas, ainda no 1º tempo!), e aí ficou impossível evitar a crise no PSV: os Alkmaarders impuseram um vexatório 4 a 0. Na defesa, Jeroen Zoet parecia mais inseguro no gol; Denzel Dumfries apoiava tanto que fraquejava na marcação; na parceria a Nick Viergever, nem Timo Baumgartl nem Daniel Schwaab davam confiança; e a lateral esquerda sofria sem um nome de ofício, com o improvisado Michal Sadílek sem nunca contentar. No meio-campo, apenas Mohamed Ihattaren agradava na criação de jogadas, enquanto Pablo Rosario ficava sobrecarregado na marcação. No banco, Mark van Bommel fracassava ao tentar achar soluções para tantos problemas.

E o PSV desmoronou: caiu inesperadamente na fase de grupos da Liga Europa, com a defesa sendo caminho aberto para Sporting-POR e LASK Linz-AUT se classificarem. Na Eredivisie, Van Bommel fez a escolha certa do jeito errado: barrou Zoet e fez de Lars Unnerstall o novo goleiro titular, mas suas palavras exageradas expuseram desnecessariamente o defenestrado Zoet. Mais críticas vieram, as vitórias contra Heerenveen e Fortuna Sittard não amenizaram a crise... e a derrota para o Feyenoord, na rodada final do turno (3 a 1, na 17ª rodada), foi o gatilho para a traumática decisão de sua demissão - além de causar a grave lesão que tirará o goleador Malen da temporada. Na Copa da Holanda, então, por muito pouco o time não precisou dos pênaltis para eliminar o amador GVVV. Caberá a Ernest Faber, técnico que ficará até o fim da temporada, tentar reconstruir uma equipe que já está sete pontos atrás do vice-líder AZ, que está sem opções ofensivas confiáveis, que tem uma defesa inconstante, em busca de um returno menos decepcionante. Nos treinos da pausa de inverno, mais derrotas nos amistosos. Por esse temor, definitivamente, a torcida dos Eindhovenaren não esperava.

domingo, 12 de janeiro de 2020

Parada obrigatória: Willem II

Foi com a rapidez de gente como Ndayishimiye (braço erguido) e um time firme que o Willem II se constituiu como a grande surpresa desta Eredivisie (Pro Shots)

Posição: 4º colocado, com 33 pontos
Técnico: Adrie Koster
Time-base: Wellenreuther; Heerkens, Holmén, Peters e Nelom (Nieuwkoop); Llonch, Ndayishimiye e Saddiki; Nunnely (Vrousai), Pavlidis e Köhlert
Maior vitória: Willem II 4x0 Sparta Rotterdam (15ª rodada)
Maior derrota: Heracles Almelo 4x1 Willem II (6ª rodada)
Copa da Holanda: classificado para as oitavas de final, nas quais enfrentará o Heerenveen em 22 de janeiro
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Vangelis Pavlidis (atacante), com 9 gols
Objetivo do início: meio da tabela
Avaliação: O ótimo trabalho de Adrie Koster teve continuidade, os reforços para o ataque deram certo, e o resultado é este: os Tricolores são a mais agradável surpresa da temporada na Holanda, até aqui
Fazendo os treinos da pausa de inverno em... Marbella, balneário na Espanha, de 4 a 11 de janeiro
E amistosos? Perdeu para o Hibernian-ESC, por 2 a 1

Mesmo que a campanha no Campeonato Holandês passado tenha se encerrado num simples 10º lugar, o Willem II ficou muito em alta com a torcida na temporada 2018/19, graças à campanha na Copa da Holanda, concluída com a vaga na final. Ser goleado pelo Ajax na decisão passou quase em branco: para a torcida, poder sonhar com um troféu e ter um time ofensivo já valera a pena. Se o desempenho pudesse ser repetido na atual temporada, nem era necessário que os Tricolores ganhassem nada para que ela se satisfizesse. Melhor: o técnico Adrie Koster continuaria tendo à disposição boa parte dos destaques em campo - Marios Vrousai, Vangelis Pavlidis, Dries Saddiki... era um sinal da consistência do trabalho da dupla de diretores fora de campo: o diretor geral Martin van Geel (experiente nome do futebol holandês nos bastidores), e o diretor técnico Joris Mathijsen (sim, o ex-zagueiro, titular da Laranja nas Copas de 2006 e 2010).

Somados a eles, vieram novos nomes: só no ataque, tanto Ché Nunnely quanto Mats Köhlert poderiam dar grande velocidade nas jogadas ofensivas pelos lados. Na defesa, o reforço do sueco Sebastian Holmén auxiliaria os experientes Freek Heerkens e Jordens Peters - além do goleiro Timon Wellenreuther voltar a demonstrar firmeza sob as traves. O começo de Eredivisie foi mediano: quatro vitórias e quatro derrotas. Mas Pavlidis despontava como um dos goleadores do campeonato, os reforços se entrosavam aos poucos... a torcida acreditou no trabalho: talvez fosse só questão de paciência, que o sonhado embalo viria, levando o clube de Tilburg a melhores posições na tabela. Dito e feito: a partir da nona rodada, a ascensão dos Tilburgers foi irresistível. Houve uma derrota, sim (para o Groningen, 2 a 0, na 12ª rodada). Mas enfim, o time criou casca para se tornar a grande surpresa da temporada na Eredivisie.

Um time firme fora de casa (o terceiro melhor visitante da liga, só atrás de Ajax e AZ). Velocidade ofensiva que deixava o adversário tonto - foi o que se viu contra o PSV, na 13ª rodada, quando os ataques rápidos levaram à vitória por 2 a 1, num grande dia de Nunnely. Mais importante: velocidade aliada à precisão no aproveitamento das chances - foi o que aconteceu na 16ª rodada, quando a equipe assombrou ao vencer o Ajax em plena Johan Cruyff Arena (2 a 0), eficiente nos contra-ataques, com Mike Trésor Ndayishimiye como grande destaque. Na rodada, inclusive, a equipe superaria o PSV e assumiria a terceira posição do campeonato. É certo que na 18ª rodada, a derradeira de 2019, houve um tropeço: empate sem gols com o Fortuna Sittard, permitindo que o PSV reassumisse o 3º lugar. Porém, os Tricolores seguem dando à torcida a otimista impressão de que têm força para ficarem na zona dos play-offs por vaga na Liga Europa. No mínimo. Sem contar que já estão nas oitavas de final da Copa da Holanda... 

sábado, 11 de janeiro de 2020

Parada obrigatória: Feyenoord

O Feyenoord tentou embalar com Jaap Stam, mas o time tropeçou e o ex-zagueiro fracassou. Chegou Dick Advocaat, o time ficou organizado... e vem subindo (Pro Shots)

Posição: 5ª colocado, com 31 pontos
Técnico: Jaap Stam (até a 11ª rodada) e Dick Advocaat
Time-base: Vermeer; Geertruida (Karsdorp), Eric Botteghin, Senesi (Edgar Ié) e Haps (Malacia); Toornstra, Kökcü e Fer; Larsson (Jorgensen), Berghuis e Sinisterra 
Maior vitória: Feyenoord 5x1 Twente (8ª rodada)
Maior derrota: Ajax 4x0 Feyenoord (11ª rodada)
Copa da Holanda: classificado para as oitavas de final, nas quais enfrentará o Fortuna Sittard, em 21 de janeiro
Competição europeia: Liga Europa (eliminado na fase de grupos)
Artilheiro: Steven Berghuis (atacante), com 11 gols
Objetivo do início: Vaga nas competições europeias
Avaliação: Sob Jaap Stam, o Feyenoord começou estranho e terminou desastroso. Chegou Dick Advocaat, o time se aprumou... e mostra capacidade e qualidade para ir buscar seu objetivo, com um pouco de atraso
Fazendo os treinos da pausa de inverno em... Marbella, balneário na Espanha, de 6 a 11 de janeiro
E amistosos? Ganhou do Hoffenheim-ALE por 3 a 2, e perdeu para o Borussia Dortmund-ALE, por 4 a 2

Desde que foi anunciada, a contratação de Jaap Stam para treinar o Feyenoord, sucedendo a marcante passagem de Giovanni van Bronckhorst, pareceu estranha, mas... aceitável. Por menos que Stam tivesse feito na carreira - viera mais pelo impulso que dera no Zwolle, salvando o clube do rebaixamento em 2018/19 -, dava para esperar que sua habitual vontade no banco tornasse mais fácil o caminho do Stadionclub, sem duas de suas referências: o mencionado "Gio", e Robin van Persie, de carreira encerrada. Até que o começo foi promissor, chegando à fase de grupos da Liga Europa sem problemas. Mas no Campeonato Holandês, as coisas preocuparam um pouco: quatro empates nas quatro primeiras rodadas. Tudo bem, começo de trabalho... mas logo deveriam vir as melhoras. Bem, alguns resultados até foram satisfatórios, como o triunfo sobre o Willem II, na quinta rodada, e a goleada sobre o Twente, na oitava. Para nem citar a comovente vitória sobre o Porto, na fase de grupos da Liga Europa.

Todavia, logo se viu que o Feyenoord tinha problemas em campo. Steven Berghuis andava sobrecarregado demais no ataque, sem que os companheiros melhorassem. Na defesa, indecisão no miolo de zaga: Eric Botteghin falhava, e não se sabia quem seria seu companheiro de zaga (Sven van Beek? Jan-Arie van der Heijden? Edgar Ié? Marcos Senesi?) - e fosse qual fosse, estava falhando. As laterais até tinham bons nomes, mas a propensão deles a lesões assustava. Começaram a vir os maus resultados: um 3 a 3 com o Emmen (7ª rodada) que quase foi derrota, com o empate vindo no último lance do jogo, um vexatório 3 a 0 sofrido para o AZ em pleno De Kuip (4ª rodada), levar o 4 a 2 que era a primeira vitória do Fortuna Sittard nesta temporada da Eredivisie (9ª rodada), as derrotas para Rangers-ESC e Young Boys-SUI na Liga Europa... e finalmente, o tiro de misericórdia no trabalho de Stam: um humilhante 4 a 0 sofrido para o arquirrival Ajax, que marcou todos os gols ainda no primeiro tempo, e poderia ter feito mais, tal era a fragilidade defensiva do Feyenoord. Ficou impossível segurar Stam, que foi demitido - e, tempos depois, reconheceu que por muito pouco não recusara o cargo antes.

Só restou à diretoria - e à torcida, diga-se de passagem - baixarem a cabeça e chamarem justamente o nome indesejado antes da temporada, pelo excesso de cautela: Dick Advocaat. E o "Pequeno General" fez o que já está acostumado a fazer há alguns anos: apagar incêndios com sucesso, organizando o time. Na defesa, Botteghin enfim ganhou algum entrosamento, já que teve o parceiro fixado em Senesi. Nas laterais, já que Rick Karsdorp e Ridgeciano Haps seguem lesionados, os jovens Lutsharel Geertruida e Tyrell Malacia cresceram de produção. O meio-campo enfim se estabilizou, com o trio Jens Toornstra-Orkun Kökcü-Leroy Fer. E no ataque, se Nicolai Jorgensen segue devendo, Sam Larsson e Luis Sinisterra cresceram, liberando Berghuis para brilhar mais. Resultado: desde a 12ª rodada, o Feyenoord está invicto no Campeonato Holandês - seis vitórias, dois empates. Conseguiu triunfos alentadores, como a emocionante virada sobre o RKC Waalwijk (3 a 2, na 13ª rodada) e o animado 2 a 1 no Utrecht (18ª rodada). E se faltava uma prova da reação, o 3 a 1 no clássico contra o PSV (17ª rodada) deixou claro: se foi impossível evitar a queda na Liga Europa, sim, o Feyenoord está vivo no Campeonato Holandês. Muito vivo. Talvez não para buscar o título. Mas certamente para cumprir o objetivo de ter vaga nas competições europeias. Merece respeito.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Parada obrigatória: Vitesse

Os gols de Linssen ajudaram o Vitesse a esconder a crise interna enquanto foi possível. Crise resolvida, quem sabe continuem ajudando (VI Images)

Posição: 6º colocado, com 30 pontos
Técnico: Leonid Slutsky (até a 15ª rodada), Joseph Oosting (interino, até a 18ª rodada - Edward Sturing assumiu em 1º de janeiro)
Time-base: Pasveer; Lelieveld (Dasa), Obispo, Doekhi e Clark; Bazoer, Bero, Foor e Grot (Dicko); Matavz e Linssen 
Maior vitória: VVV-Venlo 0x4 Vitesse (10ª rodada)
Maior derrota: PSV 5x0 Vitesse (6ª rodada)
Copa da Holanda: classificado para as oitavas de final, nas quais enfrentará o Heracles Almelo em 22 de janeiro
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Bryan Linssen (atacante), com 11 gols
Objetivo do início: vaga nos play-offs pela Liga Europa/vaga direta na Liga Europa
Avaliação: Só as turbulências internas atrapalharam o Vites na primeira metade da temporada. Em campo, o time teve lá seus lampejos, e pode embalar de novo, se estiver pacificado
Fará os treinos da pausa de inverno em... Alcantarilha, balneário em Portugal, de 3 a 12 de janeiro
E amistosos? Ganhou do Servette-SUI (2 a 0), e pegará o MSV Duisburg-ALE em 11 de janeiro

No primeiro jogo da temporada, o Vitesse deu a impressão de que falaria muito grosso no campeonato: já tendo o duro desafio contra o campeão Ajax, se impôs em casa, chegou a estar duas vezes na frente do placar, foi ofensivo (como já vinha sendo desde a temporada passada), talvez merecesse até melhor sorte do que o 2 a 2. 17 rodadas depois, é possível dizer que o Vites faz um bom papel na Eredivisie. Agrada mais do que o Utrecht, por exemplo. Todavia, não preencheu todo seu potencial por turbulências que só vieram à tona no final do primeiro turno. Curiosamente, tais turbulências foram amenizadas por um ótimo desempenho nas dez primeiras rodadas: uma derrota, dois empates, e de resto, só vitórias.

Além do mais, gente boa não faltava na equipe de Arnhem. No gol, Remko Pasveer não só fazia defesas, mas também "lançamentos" - quatro chutões seus viraram "passes" para gols na temporada. Armando Obispo e Danilho Doekhi se entrosaram bem no miolo de zaga. No meio, Riechedly Bazoer deu qualidade à saída de bola, enquanto Matus Bero e Jay-Roy Grot sabiam chegar ao ataque para ajudarem a dupla Tim Matavz-Bryan Linssen, responsável pelos gols - principalmente Linssen, ocupando bem os espaços e se mexendo na área (até jogar no meio jogava). Com todos esses, a equipe ficava fixa na quarta posição - chegou até a ocupar o 3º lugar, em duas rodadas.

Só que havia problemas. Bastou uma sequência ruim - quatro derrotas, entre a 11ª e a 15ª rodadas - para eles aparecerem a quem via de fora. Primeiro, uma indisciplina de Bazoer durante um treino o fez ser punido com a exclusão temporária do grupo principal, mas deixou claro que Leonid Slutsky não conseguia dominar as vaidades dos jogadores. Depois, a estranha e curtíssima passagem de Keisuke Honda por Arnhem - tão rápido quanto chegou, o japonês saiu. E finalmente, a demissão voluntária de Slutsky, após a 15ª rodada, assumindo que já não conseguia mais tirar nada dos jogadores e nem comandá-los direito. Bastou: Bazoer voltou ao grupo de jogadores e, nas últimas rodadas de 2019, sob o interino Joseph Oosting, um empate e duas vitórias. Pacificado, o Vitesse anda. E pode voltar a subir se continuar assim sob Edward Sturing, habituado ao clube (já foi interino por três vezes). Jogadores para fazer isso, tem.