domingo, 27 de novembro de 2016

810 minuten: como foi a 14ª rodada da Eredivisie

 
O Feyenoord conseguiu: tanto fez, tanto lutou, que Kramer empatou aos 99' e manteve o time na liderança (feyenoord.nl)


Go Ahead Eagles 0x1 Willem II (sexta-feira, 25 de novembro)

Envolvendo dois times que pelejavam na zona de repescagem/rebaixamento, o jogo tinha tudo para ser empolgado, mesmo com falta de qualidade técnica. E até começou assim. Já aos quatro minutos, um erro do zagueiro Jordens Peters deu a primeira chance ao Go Ahead Eagles: Peters saiu jogando errado e deu a bola nos pés de Jarchinio Antonia. Este cruzou, e Randy Wolters chegou pouco após a bola passar do ponto para a finalização. Aos 14', o Willem II trouxe perigo numa falta cobrada por Jordy Croux, que mandou a bola por cima, perto do gol. Depois disso, até pelo temor das duas equipes em arriscarem e pagarem o preço, a partida caiu demais de nível.

As coisas só se reanimaram no estádio de Deventer quando os visitantes de Tilburg abriram o placar, logo que o segundo tempo começou. E o 1 a 0 veio com uma aposta do técnico Erwin van de Looi: o atacante Jari Schuurman, que substituiu Erik Falkenburg entre os titulares. Schuurman recebeu passe de Thom Haye aos 47', chutou, o goleiro Theo Zwarthoed rebateu, mas o próprio atacante conferiu para as redes. Precisando de um gol, o Go Ahead Eagles recebeu as entradas de Leon de Kogel e Sam Hendriks para povoar o ataque. Num cabeceio do zagueiro Sander Fischer, aos 84', Pele van Anholt até tirou a bola em cima da linha. Mas a pressão foi insuficiente para tirar a vitória do Willem II, que se viu mais aliviado na peleja contra a repescagem/o rebaixamento. Pelo menos, nesta rodada.

Vitesse 2x2 Excelsior (sábado, 26 de novembro)

Pelo modo como se iniciou a partida no estádio Gelredome, em Arnhem, parecia que o Vites novamente desagradaria sua própria torcida em casa, como tem sido hábito desagradável para o time aurinegro. Em quinze minutos, o Excelsior fez 2 a 0. Com o mesmo jogador: Hicham Faik. Aos sete minutos, o atacante recebeu passe em profundidade de Nigel Hasselbaink, e tocou livre na saída do goleiro Eloy Room. Aos 15', novamente Hasselbaink deu a Faik, e novamente este arriscou. Mas desta vez, foi de fora da área, de longe, mandando a bola no ângulo de Room.

Pelo menos, a reação do Vitesse foi mais rápida. Aos 25', o atacante Arshat Koryan, estreante entre os titulares, foi derrubado na área por Jürgen Mattheij. Pênalti, que Ricky van Wolfswinkel converteu para marcar o primeiro dos mandantes. No segundo tempo, as entradas de Milot Rashica e Adnane Tighadouini aumentaram o poder ofensivo do Vites. Que, enfim, conseguiu o empate aos 73', justamente com os dois vindos do banco: em rápido contragolpe após escanteio, Rashica deixou com Tighadouini, que fez o 2 a 2. Ainda assim, não alivia muito a má fase do Vitesse: são apenas duas vitórias em casa nesta temporada, e seis jogos sem vencer. Pelo menos, a equipe de Arnhem segue num seguro 8º lugar. Já o Excelsior sofre em 13º.

O Zwolle criou chances, mas o Groningen fez os gols: 4 a 0 fora de casa (Henry Dijkman/VI Images)

Zwolle 0x4 Groningen (sábado, 26 de novembro)

Após um começo atribulado, as duas equipes tentavam dar sequência a uma ensaiada reação dentro da tabela. E logo no começo da partida, o Groningen teve o sinal de que era o seu dia: bastaram 40 segundos de partida para o primeiro gol dos visitantes. Simon Tibbling partiu do meio-campo com a bola, tabelou com Ruben Yttegaard Jenssen, recebeu de volta e arrematou forte para as redes. A partir daí, o Zwolle começou a pressionar em busca do empate: o volante Wout Brama mandou a bola perto do gol, e o arqueiro Sergio Padt impediu a igualdade ao defender chutes de Queensy Menig e Kingsley Ehizibue. Como os Zwollenaren não fizeram, tomaram: aos 39', o lateral direito Hans Hateboer arriscou cruzamento para a área, a bola foi inesperadamente para a trave, e Tom van Weert estava a postos (em posição duvidosa, no mínimo) para desviar o rebote e fazer 2 a 0.

Ainda assim, não só o Zwolle continuou arriscando na etapa complementar (foram dezessete chutes, cinco a mais do que o Groningen), mas também se tornou mais ofensivo, com as entradas de Anass Achahbar, no ataque, e Django Warmerdam, pela lateral esquerda. Porém, a ineficiência continuou, com várias chances perdidas pelos anfitriões. Sorte do Groningen, que deu tantos chutes a gol quanto os mandantes - cinco -, mas foi bem mais preciso para consolidar a goleada. Aos 78', Albert Rusnák puxou rápido contra-ataque, deixou com Mimoun Mahi, e este devolveu a bola para o eslovaco fazer 3 a 0. Finalmente, aos 87', o próprio Mahi decretou o placar final, com um chute colocado. Van Weert até teve chance de aumentar a goleada com um pênalti aos 90' + 1, mas mandou para fora. Nada que perturbasse a animação pela segunda vitória seguida do Groningen neste Campeonato Holandês.

Luuk de Jong já quase acabara com seu jejum, no segundo gol do PSV. Acabou de fato, ao fazer o terceiro gol, nesta foto (ANP/Pro Shots)


PSV 3x1 ADO Den Haag (sábado, 26 de novembro)

Havia um clube sob pressão no jogo em Eindhoven: era o PSV, que vinha de semana altamente preocupante, com empate pelo Holandês e dura derrota na Liga dos Campeões. E dentro do PSV, havia um jogador sob pressão adicional: Luuk de Jong, colocado no banco contra o Atlético de Madrid, pelo torneio continental, e sem marcar havia 855 minutos nos jogos em que atuou. A partida começou, Luuk de Jong voltava a ser titular (junto do irmão Siem, por sinal), e pelo menos os Boeren não demoraram para criar chances. Já aos 4', em cobrança ensaiada de escanteio, Santiago Arias deixou a Gastón Pereiro, que cruzou. Daniel Schwaab, escalado na zaga, cabeceou para fora. Aos 9', ainda houve chute relativamente perigoso de Bart Ramselaar, também pela linha de fundo.

E a pressão inicial rapidamente rendeu um gol para acalmar a torcida - e pôr fim a um trauma dos Eindhovenaren nesta temporada. Escalado na lateral esquerda (Jetro Willems está em recuperação da pancada na cabeça sofrida contra o Atlético de Madrid), Héctor Moreno cruzou a bola, Pereiro dominou na área, foi acossado por Tyronne Ebuehi e caiu. O juiz Bjorn Kuipers deu pênalti, e o próprio uruguaio afastou o primeiro fantasma do dia: cobrou, deslocou o goleiro Ernestas Setkus para o outro canto, e marcou o primeiro gol que o PSV fez da marca fatal nesta temporada.

Mais calmo, o time da casa foi tendo algumas possibilidades de marcar, embora não brilhasse em campo. Aos 22', Oleksandr Zinchenko lançou em profundidade Arias, que dominou e driblou um zagueiro antes de arrematar. Seu chute cruzado e alto assustou Setkus, mas foi para fora. Ao ADO Den Haag, concentrado na defesa, restavam os esparsos chutes de fora da área, surgidos em contragolpes - como um de Hector Hevel, aos 20', ou outro de Gervane Kastaneer, colocado, aos 36'. A melhor possibilidade para o 2 a 0 veio aos 43': Zinchenko  fez passe por cima, e Ramselaar entrou livre na área. De cabeça, desviou a bola e encobriu Setkus, mas ela saiu sobre a meta.

Tão logo a segunda etapa começou, o PSV tentou ampliar a vantagem em chutes de fora da área. Num deles, saiu um escanteio. Que foi o estopim do fim do segundo trauma que estava em campo, aos 50'. Zinchenko bateu o córner citado, da direita, e Luuk de Jong se antecipou na primeira trave para desviar. O zagueiro Tom Beugelsdijk foi junto, ambos desviaram, e a bola foi para o gol, no contrapé do guarda-metas. Era o segundo gol dos mandantes - mas foi atribuído a Beugelsdijk. O fim do jejum de 910 minutos sem marcar gols só veio aos 55', quando o capitão dos Boeren fez 3 a 0 sem que houvesse dúvidas sobre a autoria. E novamente, Zinchenko participou da jogada: lançou em profundidade Luuk de Jong para a área, e o camisa 9 apareceu livre na direita para tocar na saída de Setkus.

Ainda houve um momento de tensão aos 57', com o gol dos visitantes de Haia. Kastaneer invadiu a área com a bola, mas antes de chegar, foi derrubado por Jeroen Zoet na área. Bjorn Kuipers marcou o pênalti claro, e Beugelsdijk neutralizou o seu gol contra marcando um a favor, ao converter a cobrança com categoria. No minuto seguinte, em jogada individual, Kastaneer arrematou cruzado, mas Moreno espanou pela linha de fundo. Depois, nova chance dos visitantes, só aos 79', quando Mike Havenaar cabeceou a bola na trave, com Zoet pegando rápido o rebote. E mais nada ameaçou o triunfo do PSV, comemorado com alívio óbvio por Luuk de Jong: "Foi um período duro, com muitas críticas". Críticas que serão mais leves. A temporada continua.

Jay-Roy Grot começa a se destacar: dribla Van der Lely para fazer 1 a 0 e começar a vitória do NEC (ANP/Pro Shots)

NEC 3x2 Twente (sábado, 26 de novembro)

Depois da dura goleada sofrida para o Ajax na rodada passada da Eredivisie, vencer seria um alívio dentro da temporada altamente irregular que o NEC faz. E se nos últimos bons resultados do clube de Nijmegen, o destaque foi o turco Ferdi Kadioglu, 17 anos, que marcou contra Utrecht e Groningen, outra vez os Nijmegenaren contaram com um adolescente para encaminharem a vitória. Agora, Jay-Roy Grot, 18 anos, fez os dois primeiros gols do NEC. Aos 27', Grot driblou o lateral esquerdo Jeroen van der Lely antes de finalizar para o 1 a 0; aos 36', o driblado foi o volante Mateusz Klich, com uma finta rápida, e o arremate de Grot ainda desviou no zagueiro Stefan Thesker, tirando qualquer chance de defesa do goleiro Nick Marsman. Contudo, nem mesmo o ótimo dia de Grot impediu que os erros defensivos dos mandantes (uma constante na temporada) novamente trouxessem perigo.

Começou aos 51': o cruzamento de Dylan Seys não ameaçaria, mas ao dominá-lo, o lateral esquerdo André Fomitschow bobeou na saída de bola. Perdeu a posse para Enes Ünal, e o turco não perdoou: marcou o primeiro do Twente no jogo, seu nono no campeonato, isolando-se no topo da tabela de goleadores. O temor do empate só não foi maior porque, aos 59', após bola rolada em cobrança de falta, Dario Dumic chutou com força para o 3 a 1. Aí, Robin Buwalda entrou em campo, e os anfitriões ficaram com a defesa mais protegida. Mas ainda houve tempo para um susto do Twente aos 79': Bersant Celina mandou a bola para a área, Seys desviou, e a bola bateu em Mikael Dyrestam, superando o goleiro Joris Delle e indo para as redes - Dumic ainda tirou, mas o juiz Dennis Higler alegou que ela já passara totalmente da linha. Mas enfim, o NEC pôde comemorar uma vitória, minorando um pouco o temor da zona de repescagem/rebaixamento.

Sparta Rotterdam 2x2 Roda JC (domingo, 27 de novembro)

Havia quatro jogos somente empatando, ocupando por um tempo cada vez mais preocupante a última colocação do campeonato, o Roda JC já entrou na fase de encarar cada partida como a chance decisiva para reagir. Nem vinha jogando tanto assim contra o Sparta Rotterdam - que, por sua vez, também não impressionava, resultando num primeiro tempo aborrecido em Het Kasteel. Pelo menos, até os acréscimos da etapa inicial: aos 45' + 1, Mikhail Rosheuvel cruzou a bola, a defesa do Sparta ficou parada, e o caminho ficou aberto para Christian Kum completar e fazer 1 a 0 para os Koempels visitantes. O começo do segundo tempo, então, foi melhor ainda para o time de Kerkrade: logo aos 50', Nestoras Mytides recebeu a bola e concluiu com precisão no canto do guarda-valas Roy Kortsmit para fazer 2 a 0.

Enfim, a reação esperada que o Roda precisava? O Sparta disse não: aos 63', saíram do banco para o ataque o belga Loris Brogno e... Pogba - claro, não Paul, mas Mathias, irmão do meio-campista do Manchester United. Bastou um minuto para participarem da jogada do primeiro gol dos Kasteelheren: cruzamento, Pogba escorou de cabeça, e Brogno chutou forte para o 2 a 1. Aos 81', veio o empate merecido: de calcanhar, Brogno ajeitou a bola na entrada da área, para Kenneth Dougall bater colocado e decretar a igualdade, que salvou a invencibilidade do Sparta em casa (são cinco jogos sem perder em Het Kasteel). Pelo menos, restará ao Roda JC, que jogou uma vitória importante fora, o consolo de passar a semana fora da lanterna: nos gols marcados, deixou o incômodo posto com o Go Ahead Eagles.

AZ 5x1 Heracles Almelo (domingo, 27 de setembro)

Inegavelmente, o AZ chegava reanimado para a rodada, graças à vitória sobre o Dundalk-IRL, pela Liga Europa, que lhe devolveu as chances de depender das próprias forças para avançar à segunda fase do torneio. Tal animação foi rapidamente notada no AFAS Stadion: em cinco minutos, o AZ fez 1 a 0 sobre o Heracles, em rápido ataque. Iliass Bel Hassani lançou Ben Rienstra, e o meio-campista cruzou a bola para Robert Mühren conferir. Depois, aos 12', Brahim Darri ainda teve chances para empatar, mas chutou por cima. Sorte dos mandantes, que ampliaram para 2 a 0 aos 21', com uma jogada feita por gente que estava nos visitantes de Almelo até a temporada passada: Bel Hassani alçou a bola na área, e Wout Weghorst complementou de cabeça. Mais quatro minutos, e o lateral esquerdo Ridgeciano Haps fez boa jogada individual, deixando Mühren apenas com a tarefa de fazer 3 a 0. O primeiro tempo poderia até terminar em 4 a 0, mas Weghorst errou a cobrança de pênalti que teve aos 45' + 1: chutou muito acima do gol.

O que se seguiu no começo da etapa complementar poderia ter animado o Heracles. Logo aos 52', foi a vez de os Heraclieden terem um pênalti a favor deles (falta de Ron Vlaar), mas desta vez Samuel Armenteros aproveitou o chute de 9,15m, diminuindo a vantagem dos mandantes. Todavia, o AZ continuou criando chances aqui e ali. E acabou com as esperanças de empate dos Almelöers aos 73', quando fez o quarto gol: Mattias Johansson cruzou da direita, e Dabney dos Santos completou na segunda trave. Ainda houve tempo para Alireza Jahanbakhsh sacramentar o 5 a 1, aos 90' + 2, num chute forte, mandando a bola no ângulo defendido por Bram Castro. Com chances na Liga Europa, e de volta à quarta posição da Eredivisie, graças à própria vitória e à derrota do Heerenveen: o AZ não pode reclamar da semana que passou.

Klaassen faz o gol e quer ouvir: quem já está empatado em pontos com o Feyenoord? É, é o Ajax (Maurice van Steen/VI Images)

Heerenveen 0x1 Ajax (domingo, 27 de setembro)

Entrando com sua força máxima após poupar os destaques contra Panathinaikos, pela Liga Europa (e ainda assim vencer, por 2 a 0), o Ajax entrou no gramado do estádio Abe Lenstra tendo a boa notícia de que Stijn Schaars não estaria em campo, ainda se recuperando de lesão. Mas bastaram poucos minutos para que o Heerenveen exibisse sua marcação bem feita e sua boa postura tática, impedindo a pressão massiva dos Amsterdammers. O que não impediu as primeiras chances dos visitantes em Heerenveen.

A primeira nem foi nada impressionante: aos 9', Lasse Schone cruzou, e Kasper Dolberg cabeceou muito por cima. Mas aos 12', o perigo foi inegável. Amin Younes fez o comum dele: jogada pela esquerda, com a bola dominada. Até deixar a pelota com Daley Sinkgraven, que bateu cruzado e rasteiro. Mas o goleiro Erwin Mulder estava atento, e mandou a bola para fora. E aos 16', Davy Klaassen deixou a bola com Bertrand Traoré, que a carregou até as proximidades da área. Foi derrubado, mas na vantagem concedida, Klaassen retomou a posse, entrou na área e chutou para outra boa defesa de Mulder.

Já começando a subir suas linhas táticas, o Ajax foi deixando os previsíveis espaços na defesa. Aí, o Heerenveen se valeu de um elemento surpresa para chegar mais ao ataque: o volante Pelle van Amersfoort, supostamente mais defensivo. Foi ele quem deu os dois primeiros chutes perigosos do time da Frísia. Aos 18', Van Amersfoort superou Daley Sinkgraven na disputa de corpo, mas chegou atrasado na bola, e André Onana defendeu. Na jogada seguinte, Sam Larsson deixou o volante bem posicionado para o chute, à esquerda da grande área. Todavia, o arremate do volante mandou a bola pela linha de fundo. E o Fean ainda teve chances de abrir o placar com Reza Ghoochannejhad: aos 29, o iraniano recebeu bem de Larsson e entrou pela área, mas o chute cruzado foi para fora.

A partir daí, o jogo se animou. Se até ali a disputa era mais tática e as disputas pela bola no meio-campo rendiam muitas faltas, os times começaram a buscar mais o ataque. Coube ao Ajax dar a primeira cartada: aos 32', Sinkgraven lançou Amin Younes pela esquerda. O alemão de ascendência libanesa dominou, chegou à área e cruzou rasteiro para Kasper Dolberg. O dinamarquês completou de primeira, por cima do gol. Seguiu-se a ofensiva do Heerenveen, aos 34': Van Amersfoort arriscou da entrada da área, e Onana fez grande defesa, espalmando por cima. Ainda houve tempo para boa chance dos Ajacieden nos acréscimos (45' + 1): Hakim Ziyech fez inesperada jogada individual pela esquerda, driblando toda a zaga. Cruzou quase sem ângulo, e Klaassen concluiu com força para ótima intervenção de Mulder, espalmando a bola pela linha de fundo.

Na segunda etapa, o Ajax teve a primeira chance numa bola parada: aos 47', Ziyech - atuação prejudicada por uma gripe - cobrou falta, mandando a bola aos pés da meta defendida por Mulder. Voltando a atuar com mais cuidados defensivos, o Heerenveen só tentou mais uma vez, aos 50'. De novo, com Van Amersfoort, aparecendo até mais do que Younes Namli: o volante recebeu de Larsson, perto da área, e concluiu, mandando a bola perto do gol.

E os visitantes foram impondo o estilo que gostam de impor: controlando a posse de bola e atacando incessantemente. Perderam boa chance aos 67', quando Schöne fez bom lançamento em profundidade, mas Traoré, pela direita, bateu torto. No lance seguinte, ofereceram o contragolpe, que Larsson quase aproveitou para o 1 a 0 do Heerenveen: o atacante sueco bateu colocado no canto esquerdo, forçando Onana a encaixar sem dar rebote. Mas o clima de "ataque contra defesa" estava claro. E não demorou para que o Ajax, de tanto bater, furasse a defesa e fizesse o 1 a 0: aos 71', Klaassen fez o um-dois com Dolberg, recebeu a bola de volta na área, driblou Mulder e tocou para as redes.

Imediatamente após o gol, Jurgen Streppel mandou o Heerenveen à frente: colocou o meio-campista Simon Thern e, pouco depois, o atacante Henk Veerman, para ser a referência na grande área. Todavia, o Ajax já estava no controle. O segundo gol quase saiu com Younes, aos 81', que tocou em cima de Mulder após carregar a bola pela esquerda. Klaassen também teve sua chance aos 85', mas seu chute de longe foi espalmado pelo goleiro do Heerenveen (mais uma boa atuação). Aos 90' + 4, Mateo Cassierra, substituto de Traoré, ainda forçou Mulder a mais uma defesa. E assim, jogando no ataque, o Ajax garantiu uma importante vitória, tornando-se o único integrante do trio de ferro holandês que não tropeçou contra o Fean. E acumula 18 partidas invicto em todas as competições (15 vitórias, 3 empates). Decadente, quem?

Utrecht 3x3 Feyenoord (domingo, 27 de setembro)

Se Heerenveen x Ajax já havia sido um jogo tenso, cheio de possibilidades, o começo do jogo derradeiro da 14ª rodada  fez prever 90 minutos frenéticos. Aos dois minutos, o Utrecht surpreendeu o líder da Eredivisie, graças ao seu destaque de sempre: Sébastien Haller. O atacante francês saiu da marcação, tabelou com Nacer Barazite, recebeu livre na área e tocou sem chances para o goleiro Brad Jones. De novo, o Feyenoord saía atrás no placar - isso, numa semana em que sofreu goleada até injusta para o Manchester United, na Liga Europa.

Como reagiria? Do melhor jeito possível: empatando rapidamente. Aos 4', Rick Karsdorp chegou pela direita, cruzou a bola para a área. Mark van der Maarel ainda cortou parcialmente, mas Dirk Kuyt estava na hora e lugar certos para novamente alegrar a torcida que tanto o admira: completou de primeira a sobra, na primeira trave, e fez 1 a 1. Com dois gols antes dos cinco minutos de jogo, a partida só poderia ser empolgante, certo? Errado: nada de mais notável aconteceu no resto da etapa inicial.

No começo do segundo tempo, as duas equipes voltaram ainda retraídas em campo, esperando uma chance para atacarem. Porém, uma falha inesperada da defesa do Feyenoord rendeu o segundo gol do Utrecht. Aos 52', Richairo Zivkovic alçou a bola para a área. Eljero Elia cortou meio no susto, e o rebote ficou com Sofyan Amrabat. O volante, irmão de Nordin Amrabat (lembra?), arriscou o chute, Brad Jones rebateu, e o lateral direito Giovanni Troupée chegou na frente de Elia para aproveitar a sobra e fazer 2 a 1.

Aí, sim, o Feyenoord pareceu sentir o impacto do golpe. Tanto que os Utregs anfitriões quase fizeram 2 a 1, aos 58': em chute de fora de Zivkovic. Depois, Jens Toornstra ainda tentou um cruzamento aos 61', mas Troupée cortou. Algumas perdas desnecessárias de bola também ofereceram contragolpes ao Utrecht - como aos 66', quando Barazite foi atento, desarmou Tonny Vilhena e chegou perto da área, mas chutou fraco, e Jones defendeu.

O momento exato da assustadora lesão de Ruiter (Pro Shots)

Porém, o jogo caiu de velocidade aos 71', com um lance assustador. Em disputa aérea o goleiro Robbin Ruiter, do Utrecht, subiu para pegar a bola. Nicolai Jorgensen se abaixou enquanto Ruiter caía, e este foi de cabeça ao chão, desmaiando imediatamente e parando o jogo por sete minutos. A equipe médica do Utrecht entrou rapidamente em campo, aos pedidos dos jogadores, e até o médico do Feyenoord, Casper van Eijck, cedeu um colar cervical para que Ruiter (consciente, felizmente) deixasse o gramado. Goleiro substituído - o reserva David Jensen fazia sua estreia pelo Campeonato Holandês -, os visitantes de Roterdã também arriscaram levar o time ao ataque, com a entrada de Bilal Basaçikoglu, aos 72'.

Porém, a defesa dos Feyenoorders continuava cedendo espaços demais para os ataques do Utrecht. Num deles, saiu o gol decisivo. Aos 84', Yassin Ayoub dominou a bola no meio-campo, e Karsdorp escorregou na marcação. Com três contra dois zagueiros (Eric Botteghin e Jan-Arie van der Heijden), Ayoub chegou livre na área, mas seu chute foi rebatido por Jones. A sobra ficou de novo com Ayoub, ainda em boas condições de finalização, mas de novo o goleiro do Feyenoord salvou os visitantes, rebatendo. Só então Haller chegou à área e aproveitou a sobra para fazer 3 a 1.

Com o desespero do Stadionclub para tentar o empate, o jogo subiu de novo. Ainda mais aos 90', com o segundo gol visitante: Basaçikoglu cruzou da direita, e Jorgensen disputou a bola com dois zagueiros antes de chutar na pequena área e fazer 3 a 2 (seu nono gol, igualando Enes Ünal na liderança da lista de goleadores). Pela lesão de Ruiter, o jogo teve longos nove minutos de acréscimo. Giovanni van Bronckhorst usou sua arma para as bolas aéreas: Michiel Kramer, que substituiu Van der Heijden. E a arma foi precisa: no último minuto - isso mesmo, 99' -, em escanteio cobrado para a área, Botteghin escorou na segunda trave, e Kramer completou para as redes, fazendo o 3 a 3 que manteve o Feyenoord na liderança do Campeonato Holandês (empatado com o Ajax, mas liderando no saldo de gols). No fim das contas, de fato, o jogo foi emocionante como se supunha, por quê não?

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Grama sintética: como rola a bola?

Eis a "grama" do Mac³Park Stadion, a casa do Zwolle: um dos alvos de polêmica na discussão dos gramados (peczwolle.nl)

Neste mês que já vai se encerrando, por mais de uma vez se ouviram discussões a respeito da adoção da grama sintética em estádios brasileiros de futebol. Motivadas, principalmente, a partir dos problemas que o Palmeiras vive para reabilitar a relva de sua Allianz Parque, após os shows realizados ali. O presidente palestrino, Paulo Nobre, já descartou a medida, por mais que a WTorre, construtora, analise a possibilidade. Por sinal, já adotada desde fevereiro pelo Atlético Paranaense. Que enfrenta contestações sobre ela – em setembro, Sallim Emed, presidente do rubro-negro paranaense, alfinetou os queixosos: “Eles tem que jogar melhor aqui para poder ganhar”.

Se no Brasil a opção do gramado artificial ainda engatinha, na Holanda ela já está bem avançada. O signatário deste blog até escreveu, em sua coluna na Trivela, sobre o uso cada vez mais frequente dela nos estádios, principalmente por parte dos clubes pequenos. Até pelas condições bem mais adversas do clima holandês para o crescimento da grama natural, equipes como Heracles Almelo, Zwolle e Excelsior passaram a apostar em tal medida, até para baixarem os custos de manutenção do estádio. O que causou protestos dos clubes maiores, reclamando da desigualdade de condições de jogo – sempre levando em conta que é bem mais fácil manter o gramado de um De Kuip, ou de uma Amsterdam Arena (que até sofreu com problemas semelhantes aos da Allianz Parque, em seu início).

Já no ano passado, as discussões sobre o gramado sintético – e sua influência no jogo propriamente dito – foram potencializadas pelo ótimo início de temporada que o Heracles fez nos jogos em casa, vencendo as quatro primeiras partidas disputadas no estádio Polman. Pois bem: no meio da crise generalizada que explodira com o fracasso da seleção nas eliminatórias da Euro, entre várias reuniões, a federação holandesa tornou essa questão o tema de um dos encontros, em dezembro de 2015. 

Ali ficou clara a cisão existente. De um lado, Marcel Brands, diretor técnico do PSV, deu de ombros para a diferença: “Pesquisas mostraram que os resultados têm pouca ou nenhuma dependência do jogo em grama artificial. A ideia de desnivelamento da competição não é cientificamente comprovada”. Do outro, Gijs de Jong, então diretor de competições (e hoje diretor de futebol profissional) da KNVB, desejava a extinção da alternativa encontrada pelos clubes pequenos, mesmo sendo realista: “A preferência é que todos os estádios tenham uma ótima grama natural, como De Kuip, mas ao mesmo tempo precisamos levar em conta as realidades econômicas e financeiras”.

O encontro realizado em Papendal, o centro de treinamentos do Vitesse, pensou em alternativas (um formato híbrido, unindo as gramas natural e artificial), mas não chegou a muitas conclusões. E nem se deu valor a outra queixa costumeira dos partidários da relva original: gramado sintético costuma causar mais contusões. Tal opinião foi contestada por Michel Brands: “Não houve grandes mudanças. Por um lado, houve mais lesões de tornozelo; por outro, menos lesões de joelho”.

Pensou-se, então, numa pesquisa da própria federação, coordenada por Marcel Brands, cujos resultados levariam à meta pretendida: até 2020, todos os clubes holandeses deveriam adotar o mesmo gramado, fosse natural, fosse artificial. E assim a situação estava, até o início desta temporada, quando começaram novas queixas. Vindas justamente de quem mais tem contato com o relvado: os jogadores. Começou com Daniel Schwaab. Em agosto, pouco tempo após chegar ao PSV, o zagueiro alemão estranhou a alternância, conforme comentou em entrevista: “Haver grama artificial em alguns estádios é esquisito, preciso admitir. É artificial. Acho que, num estádio, o que cabe é a grama natural”. 

Depois, Davy Klaassen também reclamou: após a vitória do Ajax sobre o Heracles, fora de casa, o camisa 10 do time de Amsterdã opinou: “Não deu para trocar passes rápidos [no jogo]. Mas é quase impossível um passe assim, num gramado como esse. Não é bom”. E a onda de lesões no joelho ocorridas no estádio do Zwolle piorou as coisas. Entre 2014 e 2016, seis jogadores tiveram problemas que foram de torções a rompimentos de ligamento nos domínios dos Zwollenaren. Mas mesmo tendo perdido quatro jogadores do grupo, o técnico Ron Jans minimizou: “Não podemos entrar em pânico. Embora a grama natural seja melhor, eu e o clube estamos contentes ao treinar e jogar no tapete artificial”.

E a situação estava assim, até o início do mês passado. O programa jornalístico Zembla, exibido pela emissora holandesa de tevê VARA, exibiu um especial somente sobre a cizânia. E revelou: as borrachas existentes no gramado artificial, feitas de pneus velhos, possuem substâncias cancerígenas. Além do mais, o programa contestava o relatório divulgado em 2006, feito pelo RIVM (Instituto Rijks de Saúde Pública e Meio Ambiente), liberando os jogos em grama sintética, dizendo que os testes então haviam sido feitos somente com jogadores adultos.

Bastou para que mais de 30 jogos em campeonatos amadores fossem cancelados. E para que a federação tivesse novamente de passar uma posição sobre o assunto. Dois dias depois da exibição do programa, em nota, a KNVB lembrou novamente o relatório do RIVM que liberava a prática, mas prometeu pesquisas adicionais. Ministra holandesa da Saúde, do Bem Estar e do Esporte, Edith Schippers também quis um novo relatório. Que logo foi prometido pelas duas partes, federação e poder público, até o fim do ano.

Enquanto isso, o futebol holandês segue em compasso de espera sobre a discussão. Porque se ela apenas começa aqui no Brasil, país ainda se acostumando a novos estádios e custos de manutenção, na Holanda a situação é avançada a ponto de pensar no caminho de volta, para fazer a bola continuar rolando.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 25 de novembro de 2016)

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Temporada quase perdida

Sofrendo com lesões e má fase ofensiva, o PSV se pergunta: como melhorar? (Paul White/AP Photo)

Era bastante previsível saber que o PSV teria vida curta nesta temporada da Liga dos Campeões, enfrentando dois times como Bayern de Munique e Atlético de Madrid. E tão logo o torneio continental europeu começou, tornou-se previsível também que o Rostov-RUS, considerado candidatíssimo a saco de pancadas do grupo, mesmo sem chances de vaga, poderia surpreender em algum momento. Essas duas possibilidades cruzaram-se na quinta rodada do grupo D, nesta quarta. E por isso, o time de Eindhoven está em sérios apuros na Champions League.

Afinal de contas, por mais que o Rostov tenha se mostrado um time valoroso e merecedor do mínimo de respeito, pouco se esperava que o time russo conseguisse a façanha de vencer o Bayern, nesta quarta. Foi merecido, até, pelo nível técnico razoável que têm apresentado alguns destaques do time de Rostov-do-Don na competição, como os atacantes Sardar Azmoun e Dmitri Poloz. E deixou a equipe holandesa na última colocação da chave, colocando mais lenha na fogueira que já arde levemente em Eindhoven. Decepcionando no Campeonato Holandês, os Boeren ganhavam a "obrigação" de protagonizarem uma zebra no Vicente Calderón.

Bem difícil: pegariam o melhor time desta edição atual da Liga dos Campeões, o vice-campeão atual da competição, já classificado para as oitavas de final. E embora o Atleti tivesse eliminado os Eindhovenaren a duríssimas penas nas oitavas de 2015/16, precisando de uma renhida disputa de chutes da marca do pênalti, a situação agora era bem diferente. Até porque o PSV vem de séria crise ofensiva, com inapetência assustadora nas finalizações. A tal ponto que Phillip Cocu ousou no 5-3-2 com que escalou a equipe: tirou de Luuk de Jong a braçadeira de capitão (Jeroen Zoet ficou com ela) e a titularidade (Gastón Pereiro e Steven Bergwijn formaram a dupla de ataque).

Alteração justificável: afinal de contas, o mais novo dos irmãos De Jong já não marca gols há 855 minutos na temporada. E Cocu preferiu preservá-lo, como comentou ao canal de tevê Ziggo Sport, antes mesmo do jogo no Vicente Calderón: "Está difícil para ele nos últimos tempos. [Luuk] tem tentado de tudo, trabalha duro. Às vezes é melhor deixar passar um jogo, para poupar energia e daí retomar o fio da meada". Por outro lado, no meio-campo, Cocu repetia a experiência feita na rodada passada da Eredivisie, contra o Willem II: Daniel Schwaab era improvisado como volante, convertendo o 5-3-2 num 4-1-3-2, além de nova oportunidade dada a Oleksandr Zinchenko entre os titulares, mais a volta de Davy Pröpper.

Pelo modo como a partida começou em Madri, porém, parecia que o PSV seria presa fácil, como fora ao visitar o Bayern em Munique. Priorizando as jogadas pelos lados - principalmente pela esquerda, onde Yannick Ferreira-Carrasco atormentou Santiago Arias, a ponto de fazer um drible desqualificante no colombiano -, o Atlético de Madrid controlava as ações ofensivas com tranquilidade. Não era uma pressão irrespirável. Mas era uma pressão que fatalmente levaria a algum gol. Quase levou aos 12', quando Kévin Gameiro desviou torto, à queima-roupa, uma bola cruzada por Koke. No lance seguinte a essa chance dos Colchoneros, um rápido contra-ataque puxado pelo meio-campo deixou Pereiro na cara do gol, com a chance para um gol que seria valioso. Mas o uruguaio tocou fraco, facilitando a defesa de Jan Oblak. 

Ainda assim, o perigo trazido serviu para o PSV impor um pouco mais de respeito, ficando mais com a posse de bola (até por estratégia própria do Atlético, diga-se de passagem). Mas sempre que chegava ao ataque, o time da casa trazia perigo. Até involuntário: numa bola cruzada na área aos 26', Zoet saiu para defender e seu cotovelo chocou-se acidentalmente com o rosto de Jetro Willems. O lateral caiu desacordado por alguns momentos. Despertou depois, e jogou normalmente o resto do primeiro tempo, mas foi substituído no intervalo - Jordy de Wijs entrou pela esquerda. Com o rosto inchado após o jogo, Willems virou mais um incluído na lista de lesionados do PSV. Que contém desfalques importantes: Joshua Brenet, Andrés Guardado, Jorrit Hendrix, Jürgen Locadia...

Em parte, essa longa lista explica o mau momento do PSV, que tem de se virar com o que tem no grupo de jogadores. E ajuda a explicar até o que se viu no segundo tempo: uma equipe que tentava manter a posse de bola, que segurou-se por algum tempo, que até tentava ir ao ataque (principalmente com Bart Ramselaar, o melhor jogador dos PSV'ers em campo). Mas que no primeiro erro cometido na etapa final, atrasando a recomposição defensiva, viu Gameiro enfim colocar uma das várias chances que teve na rede, fazendo 1 a 0 aos 55'. Depois, Antoine Griezmann marcou o segundo aos 66'.

A crise é clara em Eindhoven, com a distância para Ajax e Feyenoord na Eredivisie e, agora, com a última posição no grupo D da Liga dos Campeões. A temporada só não está completamente perdida porque resta uma tarefa para tentar a vaga na Liga Europa. Uma tarefa tão simples quanto traiçoeira, como sintetizou Phillip Cocu após a derrota: "Como o Rostov gosta de jogar no contra-ataque, para eles é ótimo que precisemos vencer".

domingo, 20 de novembro de 2016

810 minuten: como foi a 13ª rodada da Eredivisie

Kasper Dolberg levou a bola de Ajax x NEC para o vestiário: prêmio merecido para estupenda atuação (@Jeroen_Grueter/Twitter)

Heracles Almelo 2x1 Go Ahead Eagles (sábado, 19 de novembro)

Motivação não faltava para o Go Ahead Eagles, após ter encerrado surpreendentemente a invencibilidade do Feyenoord no Campeonato Holandês. E jogando nos contragolpes, ainda na fase inicial do jogo, as Águias conseguiram abrir o placar sobre o Heracles, em pleno estádio Polman, em Almelo. Aos 17', após tiro de meta cobrado rapidamente, o lateral direito Joey Groenbast lançou Jarchinio Antonia em profundidade, e o atacante tocou na saída do goleiro Bram Castro para fazer o 1 a 0 dos visitantes aurirrubros. Com um ataque tímido, que rendeu vaias da torcida ao fim do primeiro tempo, o Heracles precisava de algo. Ainda mais porque pouco mudou, no começo da etapa complementar. 

Nos contra-ataques, o GAE pressionava - Leon de Kogel, vindo do banco, quase fizera 2 a 0. Restou ao técnico John Stegeman mudar o time: tirou o volante Thomas Bruns, colocando o atacante Vincent Vermeij, aos 66'. Bastaram apenas dois minutos, e veio o empate dos Heraclieden: Vermeij fez o pivô, ajeitando de cabeça para que Samuel Armenteros, de voleio, empatasse o jogo em Almelo. A pressão seguiu, até que aos 84', veio o esperado gol. Armenteros fez jogada individual e ao invés de tocar, arriscou chute colocado, mandando a bola no canto do goleiro Theo Zwarthoed. Um tento que rendeu a primeira vitória do Heracles em casa, após três tropeços.

Heerenveen 1x1 Vitesse (sábado, 19 de novembro)

Um clube que atua melhor em casa do que fora - no caso, o Heerenveen, ainda invicto no Abe Lenstra pela Eredivisie -, contra um clube que atua melhor fora do que em casa (o Vitesse volta e meia é pressionado pela torcida por decepcionar em Arnhem). Porém, dois fatores alteraram um pouco o rumo que a partida em Heerenveen tomou. No time da casa, Stijn Schaars estava lesionado, ficou de fora, e a entrada de Younes Namli tirou um pouco da força defensiva do time da Frísia. E após um primeiro tempo de hesitações - o técnico Henk Fräser até fez alterações antes do intervalo, tirando o meio-campo brasileiro Nathan -, o Vitesse começou a trazer mais perigo, criando mais chances de gol. Principalmente no segundo tempo. Lewis Baker e Ricky van Wolfswinkel quase marcaram, em sequência, aos 50'; Navarone Foor arriscou e mandou a bola por cima, aos 57'. 

Aí, o Heerenveen quase fez aos 65', quando Arber Zeneli recebeu a bola livre, mas tocou para fora. E só num belíssimo lance saiu o gol dos visitantes, aos 72': a pelota sobrou com Baker, que a dominou e encobriu o goleiro Erwin Mulder com toque sutil para o 1 a 0. Precisando atacar, Jurgen Streppel colocou Henk Veerman, para ser na área a referência que Reza "Gucci" Ghoochannejhad não vinha sendo. A alteração foi aos 78', e seis minutos depois Veerman justificou a confiança: foi dele o gol do empate dos mandantes. Veerman quase virou o jogo nos acréscimos, ainda: chutou na trave, logo após Stefano Marzo ter exigido boa defesa de Eloy Room. Ficou o 1 a 1 no placar: se vê a 4ª posição na tabela ameaçada pelo AZ, o Heerenveen pelo menos mantém a invencibilidade jogando em seu estádio.

Luuk de Jong saiu novamente sem marcar. E PSV saiu de campo novamente tropeçando (ANP/Pro Shots)

Willem II 0x0 PSV (sábado, 19 de novembro)

Após a pausa das datas FIFA, o PSV precisava voltar a vencer. E poucas chances seriam maiores do que fazer isso contra o penúltimo colocado do campeonato. Além do mais, se vencesse em Tilburg, o time de Eindhoven igualaria marca histórica do Ajax campeoníssimo de 1995: venceria seus primeiros quinze jogos no ano solar (ou seja, de janeiro a dezembro). Assim, os visitantes tentaram algo. A partir dos dois minutos, quando Gastón Pereiro arriscou chute de fora da área. E aos cinco, tiveram boa chance: Luciano Narsingh cruzou, Pereiro escorou, Luuk de Jong cabeceou, e o goleiro Kostas Lamprou tentou agarrar em dois tempos, antes da zaga afastar pela linha de fundo. Parecia promissor? Pois ficou na promessa.

O Willem II é que começou a arriscar depois disso. Aos 8', Jordy Croux cruzou, e Fran Sol Ortiz quase conseguiu chegar para completar. Aos 17', Thom Haye se livrou da marcação de Santiago Arias com um giro de corpo, e bateu, exigindo que Jeroen Zoet encaixasse a bola na defesa. A grande chance dos mandantes Tricolores veio aos 31': Anouar Kali lançou a bola do meio, e Croux a dominou livre e em posição legal. Zoet saiu do gol rápido, mas o camisa 14 do Willem II tocou por cima (e ainda se chocou com o goleiro). A bola foi na rede pelo lado de fora. O PSV só voltou aos 39', num lance fortuito: Joshua Brenet cruzou a bola, da esquerda. Ela foi para perto do travessão, mas Kostas Lamprou defendeu sem problemas.

O primeiro tempo terminou assustando pela falta de emoções no jogo. Tentando minorar o impacto das ausências de Jorrit Hendrix e Andrés Guardado jogando num 4-3-3 com cara de 4-1-4-1 (Daniel Schwaab foi escalado como volante improvisado, enquanto Oleksandr Zinchenko ganhou a primeira chance como titular), o PSV continuou apostando demais nas jogadas pelos lados. Por outro lado, o Willem II ficou seguro na defesa, jogando com muita proximidade entre as linhas da zaga e do meio-campo. Mas isso abriu um clarão no meio, impedindo que a bola chegasse frequentemente ao ataque. Exatamente para preencher esse clarão, Erik Falkenburg entrou após o intervalo, para criar jogadas.

O PSV até chegou perto do gol aos 50', quando Narsingh recebeu a bola e bateu colocado, mas Lamprou defendeu sem dar rebote. Só que foram os mandantes que trouxeram a primeira boa chance da etapa final, aos 54': Croux mandou da direita, Fran Sol foi buscar a bola quase na lateral, e deixou-a com Haye, que chutou forte. Zoet enfim precisou trabalhar bem, espalmando por cima do gol. Aos poucos, os Boeren foram trabalhando. Um chute de Pereiro aqui, outro de Luuk de Jong ali, as entradas de Jetro Willems (Brenet lesionou o tornozelo) e Steven Bergwijn... e surgiam as chances. Aos 70', Zinchenko cobrou escanteio, Schwaab escorou e Héctor Moreno cabeceou em cima da zaga. Dois minutos depois, Bart Ramselaar veio pela esquerda, cortou para o meio e deixou a bola para Zinchenko arriscar um chute colocado, que mandou a bola nas mãos de Lamprou.

Finalmente, aos 74', veio a chance esperada para que Luuk de Jong terminasse o seu jejum de gols. Pereiro cruzou da direita, e o capitão dos PSV'ers estava livre, na primeira trave. Mas cabeceou para fora, perdendo a oportunidade - agora, já são 855 minutos (9 jogos e meio!) sem o camisa 9 balançar as redes. Davy Pröpper ainda entrou para dar mais criatividade ao meio-campo. Mas o fato é que os Eindhovenaren não mereciam a vitória. E o jogo ficou mesmo no 0 a 0, segundo empate seguido dos atuais bicampeões da Eredivisie. Que sofrem com a inapetência do ataque e a dificuldade que as lesões causam ao meio-campo. Por essas e outras, decepcionam na temporada, como reconheceu Luuk de Jong após o jogo: "Devíamos nos envergonhar". Talvez não seja para tanto, mas de fato podiam estar bem melhores.

Excelsior 3x2 Sparta Rotterdam (sábado, 19 de novembro)

Sete jogos sem vitória. Nestes mesmos sete jogos, apenas dois gols marcados. Atuando em casa, há quase dois meses não balançava as redes. O Excelsior tinha grandes desafios para o jogo entre os "primos pobres" de Roterdã. E a julgar pelo começo da partida no estádio Woudestein, esses desafios não seriam superados. Porque aos 22', Thomas Verhaar deixou a bola com Stijn Spierings, que cruzou para a finalização certeira de Loris Brogno: 1 a 0 para o Sparta Rotterdam. Grande frustração para o Excelsior, até porque o zagueiro Bas Kuipers colocara uma bola na trave, nos primeiros minutos de jogo.

Mas surpreendentemente, os gols que não vinham havia tempo enfim saíram. Aos 26', Stanley Elbers já empatou, em grande estilo: de voleio, completando cruzamento de Khalid Karami. Mais quatro minutos, a dupla de zaga do Sparta Rotterdam (Bart Vriends e Michel Breuer) ficou no "deixa que eu deixo", o angolano Fredy Ribeiro aproveitou e virou o jogo. No segundo tempo, veio mais um: Verhaar derrubou Hicham Faik na área, o juiz Bjorn Kuipers apitou o pênalti, e Nigel Hasselbaink converteu para o 3 a 1. Denzel Dumfries ainda diminuiu para o Sparta, aos 72', mas era dia de o Excelsior voltar a comemorar uma vitória. Pelo menos, a queda livre dos Kralingers parou.

Groningen 2x1 ADO Den Haag (sábado, 19 de novembro)

Não bastasse ser afligido pela ameaça das últimas posições - era o penúltimo colocado, quando a rodada começou -, o Groningen ainda teve péssima notícia durante as datas FIFA da semana passada: titular absoluto, o lateral direito Hans Hateboer já alertou que não renovará o contrato que expira ao fim desta temporada. Por esse cenário, o primeiro gol dos Groningers foi altamente auspicioso. Até porque foi feito pelo próprio Hateboer: aos 10', o lateral recebeu do zagueiro Etienne Reijnen e finalizou de voleio. A bola desviou no volante Tom Trybull, tirando qualquer chance de defesa para o goleiro Ernestas Setkus.

Para ampliar as dificuldades dos visitantes de Haia, um dos destaques (o meio-campista Édouard Duplan) levou cartão amarelo que o tira da próxima partida, e outro (Mike Havenaar) lesionou-se e saiu ainda na etapa inicial. Mas não estava morto quem peleava: aos 42', Duplan aproveitou rebote dado pelo arqueiro Sergio Padt e fez 1 a 1. Mas Reijnen apareceu de novo no segundo tempo, aos 54', para colaborar no gol da vitória dos mandantes: o zagueiro deixou Tom van Weert na cara do gol, e o atacante concluiu bem para decretar o 2 a 1 da terceira vitória do Groningen nesta Eredivisie. Uma apresentação para honrar o ilustre visitante: cria do clube, Arjen Robben estava nas arquibancadas do estádio.

Ron Vlaar temeu o pior após falhar no gol do Roda JC, mas o gol de Weghorst salvou AZ (ANP/Pro Shots)

Roda JC 1x1 AZ (domingo, 20 de novembro)

O Roda JC recebia o AZ em baixa incômoda: últimos colocados na tabela, os Koempels sequer venceram em seu próprio Parkstad Limburg Stadion nesta temporada - na verdade, sequer estiveram em vantagem por um minuto que fosse. Se serviu de consolo, os visitantes de Alkmaar também não exibiram bom nível técnico. Mantiveram maior posse de bola, mas não fizeram muita coisa com isso. E numa desatenção de Ron Vlaar, justo o nome mais confiável da defesa Alkmaarder, o Roda fez o primeiro gol, aos 39': Vlaar recuou mal a bola, Abdul Ajagun estava atento, dominou, correu e completou para o 1 a 0. Foi o suficiente para o experiente zagueiro lamentar o próprio erro à FOX Sports holandesa: "Estupidez, não me acontece sempre. Assumo a responsabilidade".

Mais do que a desvantagem, a falta de ação ofensiva do AZ exasperava Dennis Haar, auxiliar do suspenso John van den Brom. Então, trocas foram feitas no ataque. Primeiro, Muamer Tankovic, que já entrara no intervalo. Depois, aos 55', entrou Mats Seuntjens. E este foi mais importante, no lance do empate, aos 59': com um passe pelo alto, Seuntjens deixou Wout Weghorst livre, e o atacante bateu com força para igualar o placar. Ainda assim, o resultado final desagradou a ambos os times. O Roda JC segue a via-crúcis, com mais uma temporada brigando para não cair; o AZ perdeu a chance de se aproximar de Heerenveen e PSV. 

Ajax 5x0 NEC (domingo, 20 de novembro)

Bastou a bola rolar na Amsterdam Arena para que se tivesse uma noção do que aconteceria: o NEC teria de jogar compactado na defesa. Só assim evitaria a massiva pressão do Ajax na saída de bola. Por outro lado, com os espaços que obviamente os donos da casa deixariam na defesa, o time de Nijmegen tentou apostar nos contragolpes. Assim conseguiu dois chutes relativamente perigosos. O primeiro, com Kévin Mayi, aos seis minutos; o segundo, com Mohamed Rayhi, aos 16'.

Ainda assim, estava claro: o Ajax só precisava de uma boa chance de gol para se impor definitivamente em campo. Ela veio aos 17': Hakim Ziyech arrematou de fora da área, e o goleiro Joris Delle teve de espalmar pela linha de fundo, em boa defesa. Mais dois minutos, e veio o gol. E foi até bonito: após tabelar com Lasse Schöne, Kasper Dolberg dominou a bola, entrou na área pela direita e bateu forte, no ângulo, sem chances de defesa para Delle.

O NEC ainda tentou reagir. Aos 21', de fora da área, Rayhi mandou a bola perto do gol de André Onana. Dois minutos mais tarde, a oportunidade de empate foi até maior: Mayi recebeu bola lançada em profundidade por André Fomitschow, superou Davinson Sánchez na corrida e bateu cruzado, mas Onana estava atento e rebateu - a defesa espantou a sobra. As esperanças de qualquer bom resultado acabaram por aí para os Nijmegenaren.

Aos 24', começou a se consolidar o destaque supremo do jogo. Novamente, a troca de passes pelo meio funcionou. Ziyech deixou a vola com Davy Klaassen, pela direita da grande área. O camisa 10 Ajacied cruzou, e Dolberg entrou livre para fazer 2 a 0, marcando pela segunda vez no jogo. Aí, voltou a avalanche ofensiva dos Ajacieden: aos 28', Sánchez arriscou de fora, e forçou Delle a rebater a bola. Na sobra, Ziyech completou forte demais, para fora. No minuto seguinte, mais uma boa chance, em outra troca veloz de passes: Ziyech fez jogada individual pela esquerda, deixou com Vaclav Cerny, e deste a bola foi para Bertrand Traoré, que bateu por cima do gol.

Mas Kasper Dolberg estava credenciado a se tornar o destaque máximo do jogo. E confirmou isso aos 37'. Em cobrança de falta ensaiada, Ziyech rolou a bola para Daley Sinkgraven. O lateral esquerdo cruzou, e quem estava lá para conferir? O dinamarquês de sempre, cujo nome você já sabe. Cabeceio no canto direito de Delle, 3 a 0 e topo alcançado na tabela de goleadores do campeonato. Em 37 minutos, um hat-trick de Dolberg - para a torcida do Ajax, já apelidado "Golberg". Desde 2010 um atacante do clube não fazia três gols no primeiro tempo (Luis Suárez, nos 7 a 0 contra o VVV-Venlo). Desde 2001 um atacante tão jovem não deixava a bola três vezes na rede pelo Ajax (Rafael van der Vaart, contra o Vitesse). E só em 1984 um avante do Ajax marcou três gols mais rapidamente: Marco van Basten conseguiu um hat-trick em 22 minutos, contra o DS'79, na última rodada da Eredivisie 1983/84. Já é fato: Dolberg faz uma primeira metade de temporada muito promissora.

Vitória praticamente garantida, o Ajax até ameaçava diminuir o passo no segundo tempo. Mas a troca de passes continuava entontecendo o perdido NEC. Não foi difícil chegar aos 4 a 0 assim. Eles vieram aos 55': Sánchez - zagueiro cada vez mais imponente - roubou a bola no meio-campo e já lançou Traoré em profundidade. O atacante fez semelhante ao que fizera contra o AZ, há duas semanas, na rodada passada: dominou, chegou à área e tocou com classe para o fundo das redes. As únicas diferenças foram na finalização (aquela foi no ângulo; esta, no canto direito) e no placar. Mais três minutos, e o quinto gol saiu.  Dolberg deixou a bola com Lasse Schöne, e o camisa 20 mandou um sinuoso chute de fora da área para as redes.

Até cabia mais. Aos 59', Traoré chutou depois de bela jogada de Ziyech, mas Delle espalmou pela linha de fundo. Depois, oportunidade digna de nota só saiu aos 75', quando novamente Ziyech chutou de fora para Delle defender. Mas a vitória já estava garantida de modo tão tranquilo que deu até para estrear na Eredivisie mais um atacante vindo das categorias de base: Pelle Clement. Mais um triunfo categórico do Ajax. Contra um adversário pequeno, é verdade. Mas já são 16 jogos de invencibilidade (9 pelo Holandês, quatro pela Liga Europa, três pela Copa da Holanda). Que diferença para 2015/16...

Twente 1x1 Utrecht (domingo, 20 de novembro)

Um jogo entre duas equipes do pelotão médio da liga, cada uma com alguns jogadores elogiáveis, poderia render momentos interessantes no Grolsch Veste. Até rendeu. Mas depois que o juiz Allard Lindhout interferiu decisivamente, com atuação polêmica. Que começou já aos nove minutos de jogo: o lateral direito Ramon Leeuwin derrubou Enes Ünal perto da área, e Lindhout não só deu pênalti, mas também expulsou Leeuwin, deixando o Utrecht com um homem a menos para os 81 minutos restantes - Lindhout até foi convencido de que a falta havia sido fora da área e voltou atrás nisso, mas manteve o cartão vermelho.

Com vantagem numérica, o Twente foi se impondo ofensivamente. E com um erro da defesa dos Utregs, conseguiu o primeiro gol, aos 22': Robbin Ruiter repôs errado a bola, após passe longo do zagueiro Peet Bijen, e o lateral esquerdo Hidde ter Avest aproveitou a sobra para encobrir Ruiter, fazendo bonito gol. Pelo menos, um erro dos mandantes recolocou rapidamente o Utrecht no jogo: aos 26', o zagueiro Stefan Thesker tentava recomeçar jogada na área de defesa, mas perdeu a bola para Yassin Ayoub, que chutou. O goleiro Nick Marsman ainda rebateu, mas Richairo Zivkovic foi imperdoável da segunda vez: 1 a 1.

No segundo tempo, as duas equipes tiveram ótimas chances para marcar com seus destaques. Se Enes Ünal forçou Ruiter a uma boa defesa após chute de bicicleta, Sébastien Haller não deixou por menos e perdeu gol cara a cara com Marsman. As decisões polêmicas de Lindhout continuaram desagradando, também: o Twente reclamou de dois pênaltis não marcados sobre Ünal, o Utrecht criticava cada impedimento duvidoso. E o jogo ficou num agradável 1 a 1 - agradável, menos para as equipes, bem entendido: o Utrecht descolou das equipes mais acima, e o Twente perdeu a chance de superar o AZ na pontuação.

Estava difícil para o Feyenoord superar um fechado Zwolle. Kuyt achou um espaço, fez 1 a 0, e o resto foi mais fácil (Jasper Ruhe/ANP)

Feyenoord 3x0 Zwolle (domingo, 20 de novembro)

Com um empate e uma derrota nas duas partidas anteriores pelo Campeonato Holandês, o Feyenoord sabia que precisava voltar a vencer para minorar a desconfiança crescente - ainda mais depois da goleada do Ajax. Pelo menos, só teria um desfalque importante: Terence Kongolo, fora até o início de 2017 por lesão muscular. Miquel Nelom o substituiu na lateral esquerda, e assim o Stadionclub foi enfrentar o Zwolle.

Pela vez deles, os Zwollenaren fizeram opção declarada pela defesa, como se viu na escalação: o 4-2-3-1 habitual do time foi transmutado num 5-3-2, com a entrada de Bart Schenkeveld na lateral direita, deslocando o capitão Bram van Polen para o miolo de zaga - sem contar o meio-campo com dois volantes, Wout Brama e Danny Holla. Com tanta gente defendendo, não é de se impressionar que a parte inicial do jogo em De Kuip tenha sido bem fraca em emoções. O Feyenoord tocava, tocava, tocava, mas nada de arranjar espaços na defesa dos "Dedos Azuis".

Só aos 25 minutos é que os espaços começaram a aparecer. E o Feyenoord teve uma boa chance: Dirk Kuyt recebeu a bola pela direita, e arriscou chute cruzado e alto, que Mickey van der Hart mandou pela linha de fundo. No escanteio subsequente, uma polêmica: Rick Karsdorp cobrou escanteio, e Nicolai Jorgensen completou de cabeça. Wout Brama tirou em cima da linha - e como a tecnologia "olho-de-gavião", já conhecida da Holanda, não estava sendo usada, não houve como saber se a bola entrara (aparentemente, não entrou).

Com as oportunidades aparecendo, uma delas o Feyenoord precisaria aproveitar para o 1 a 0. Conseguiu, aos 39': Jorgensen deu a Jens Toornstra, pela direita, e este cruzou. Na área, Kuyt subiu sozinho e cabeceou no canto direito, sem chances para Van der Hart. Obviamente, as coisas ficaram mais fáceis depois: em desvantagem e sem poderio ofensivo, o Zwolle abriu mais espaços. Que foram usados pelos Feyenoorders. Da esquerda, quase saiu o segundo gol: aos 43', Eljero Elia cruzou, a bola pegou efeito e bateu de leve na junção do travessão com a trave direita.

Para a etapa complementar, veio a previsível mudança tática do Zwolle (Schenkeveld saiu, e o meio-campista Ryan Thomas recolocou o esquema tático no 4-3-3). E os espaços seguiram aparecendo para o Feyenoord. Quase renderam dois gols logo no começo: aos 48', Elia chegou livre à grande área, mas Van der Hart saiu bem do gol e espalmou a bola tocada pelo atacante. No minuto seguinte, novamente Elia fez boa jogada individual, cruzou, e Jorgensen cabeceou para fora, sem marcação.

Enfim, também, o Zwolle começou a dar preocupações aos defensores Feyenoorders. Primeiro, num arremate colocado de Queensy Menig, de fora da área, defendido por Brad Jones; depois, aos 59', Van Polen arriscou forte e cruzado, também de fora, pela direita, e a bola passou rente à trave. A entrada de Anass Achahbar (jogador do Feyenoord até a temporada passada) fazia até prever uma pressão maior. Antes que isso acontecesse, o time da casa resolveu o jogo. Aos 72', em triangulação, Jorgensen recebeu a bola de Toornstra na direita e a escorou para Karim El Ahmadi. O meio-campista bateu forte e preciso, no ângulo esquerdo de Van der Hart, colocando o 2 a 0 no placar. E aos 76', outra triangulação, em outro lado, rendeu o terceiro gol. Elia deu a Kuyt, que segurou a bola até Toornstra chegar. Passe dado, o camisa 28 bateu rasteiro, no canto esquerdo, para definir a vitória que devolveu o Stadionclub à liderança da Eredivisie. Pode até estar mais difícil mantê-la, mas confiança em De Kuip, não falta.

sábado, 19 de novembro de 2016

A temporada “começou”

Começo de temporada do Ajax foi preocupante. Mas time se aprumou, e reage a olhos vistos (Matty van Wijnbergen)
Certo, a temporada 2016/17 começara oficialmente para o Ajax em 7 de agosto, quando a equipe de Amsterdã fizera 3 a 1 no Sparta Rotterdam, pela primeira rodada do Campeonato Holandês. Contudo, após apenas dezessete dias, a temporada já parecia perdida para os Ajacieden. A razão? Claro, a humilhação passada em Rostov-do-Don, no jogo de volta dos play-offs por um lugar na fase de grupos da Liga dos Campeões. O empate por 1 a 1 em casa já fora mau resultado. Mas nem nos piores sonhos podia supor que sofreria um revés tão duro: vexaminosos 4 a 1 sofridos para o Rostov, que garantiu a vaga na fase de grupos.

Não bastasse isso, os Godenzonen vinham de outro incômodo, ocorrido na Eredivisie: quatro dias antes, haviam perdido para o Willem II, pela terceira rodada, em plena Amsterdam Arena. Sem contar a pré-temporada bem preocupante: somente uma vitória. E em meio ao começo turbulento, houve a perda de dois destaques do grupo de jogadores: Arkadiusz Milik foi vendido ao Napoli por uma oferta que parecia extravagante (mas que vinha sendo plenamente justificada até a grave lesão do atacante polonês), e Jasper Cillessen foi surpreendentemente buscado pelo Barcelona para ser o goleiro reserva – surpreendentemente até para o próprio, diga-se de passagem.

Mas se todos achavam que ele estava derrotado, deviam saber que ainda estavam rolando os dados. Três meses depois, é possível dizer que os Ajacieden renasceram. Já são os vice-líderes da liga, dois pontos atrás do Feyenoord (que, enfim, encara tropeços: nas duas últimas partidas, um empate e uma derrota). Na Liga Europa, então, o contraste com a temporada passada é notável: o time já está garantido na segunda fase, após quatro rodadas. E principalmente, o estilo técnico da equipe é bem mais elogiado do que o visto em campo nos últimos momentos da temporada passada.

É possível creditar a demissão de Frank de Boer a um desgaste natural, pelos quase seis anos de trabalho. E uma das principais provas desse desgaste era o modo cada vez mais repetitivo com que a equipe jogava sob o comando do ex-zagueiro: o 4-3-3 velho de guerra, com lenta troca de passes para manutenção da posse de bola, com raros avanços ao ataque. A prova de que algo precisava mudar veio exatamente na rodada final da Eredivisie passada: ao ver o De Graafschap empatar um jogo que parecia controlado, Frank de Boer tirou de campo Milik, colocando Anwar El Ghazi e o zagueiro Mike van der Hoorn, apostando nas jogadas pelas pontas e na bola aérea. O abafa fracassou, e o Ajax colocou um título que parecia ganho nas mãos no PSV.

Se era necessário reaproximar o clube de seu estilo técnico (ainda mais em tempos onde a lembrança de Johan Cruyff é gigantesca), foi exatamente isso que o Ajax tentou fazer, ao apostar na contratação de Peter Bosz. E após o necessário tempo de adaptação, Bosz enfim parece conseguir fazer isso. Onde havia o estático 4-3-3, agora há... bem, continua havendo o 4-3-3, mas agora com variação constante para o 4-1-4-1, possibilitada por medidas como a escalação de um meio-campo recuado (pode ser Lasse Schöne, para um estilo mais ofensivo, ou Jaïro Riedewald, quando se quer proteger mais a defesa). E mais importante: mostrando uma velocidade tremenda.

Se havia dúvidas disso, elas acabaram na rodada passada da Liga Europa, há cerca de duas semanas. Contra o Celta de Vigo, o Ajax fez um ótimo jogo. Atuou como a torcida gosta – e como faz prever o estereótipo (várias vezes falso, como todo estereótipo) que se tem até hoje da equipe: toques rápidos, postura massivamente ofensiva, pressão constante. Tudo, graças principalmente a três reforços que chegaram ao clube nesta temporada: Hakim Ziyech, Kasper Dolberg e Bertrand Traoré.

Ziyech já foi citado aqui várias vezes, desde os tempos em que era o protagonista supremo no Twente. Pelo que anda jogando, merece cada citação: não só arma o jogo, mas chega para finalizar e também dá passes rápidos, acelerando as jogadas. O meio-campo marroquino já era desejado pela torcida antes do vexame na Liga dos Campeões, e justifica plenamente esse desejo dentro de campo: nos primeiros 11 jogos pelo Ajax, já foram cinco gols e sete assistências.

Se a torcida tinha em Ziyech o sonho que se realizou, Peter Bosz contava com Bertrand Traoré, figura em quem confiava desde os tempos em que ambos estiveram juntos no Vitesse. Empréstimo conseguido com o Chelsea, o atacante burquinense tem surpreendido positivamente: ao invés de jogar mais na área, volta para a direita, onde mostra velocidade até insuspeita para o que se conhecia dele. E mesmo quando finaliza, o faz com calma, como no belo gol marcado no empate contra o AZ, pela rodada passada da Eredivisie.

Porém, a grande surpresa do Ajax é mesmo Kasper Dolberg. Jovem dinamarquês de 18 anos, comprado junto ao Silkeborg, Dolberg foi entrando aos poucos. Recebia menos atenção até do que outro jovem atacante, o colombiano Mateo Cassierra. Pouco a pouco, foi recebendo as chances de Bosz. E tem se revelado um atacante com notável capacidade de finalizar e driblar com classe. Mostras disso foram dois golaços – um no clássico contra o Feyenoord, outro contra o Celta de Vigo. Um começo tão impressionante que já lhe rendeu a primeira convocação para a Dinamarca, nestas datas Fifa recém-ocorridas.

Significa que o Ajax virou um supertime? Claro que não. Até porque a defesa segue correndo riscos: as laterais são frágeis na marcação, tanto com Joël Veltman, na direita, quanto com o improvisado Daley Sinkgraven, na esquerda. Ainda assim, o impacto é minorado pelas atuações muito promissoras do colombiano Davinson Sánchez, muito rápido no retorno (como provam esses desarmes contra Utrecht e ADO Den Haag). No gol, o camaronês André Onana agrada, até tendo defendido pênaltis na Eredivisie. E faz pensar: como escalar Tim Krul, enfim recuperado de lesão, e já ganhando ritmo de jogo com a equipe B?

Armar uma equipe veloz assim tem seu preço. Metafórica e literalmente falando. No primeiro sentido, Bosz já entrou em rota de colisão com três jogadores, que haviam sido colocados no banco de reservas. Ainda antes do jogo contra o Feyenoord, El Ghazi brigou com Peter Bosz (fala-se até em troca de empurrões), e foi barrado do time titular, indo passar uma temporada na equipe B, que disputa a segunda divisão holandesa. Há duas semanas, Nemanja Gudelj se disse desmotivado por estar no banco de reservas: bastou para também ser afastado do elenco. E Riechedly Bazoer já conversa com a direção do clube para arrumar uma transferência em janeiro. 

Overmars e Van der Sar sabem o caminho que querem para o Ajax. Mas será difícil alcançá-lo no futebol atual (Orange Pictures)

No sentido literal, a razão é a ambição da direção. Diretor de futebol, Marc Overmars prometeu mais movimentação nas transferências: “Naturalmente, cometeremos erros, faremos maus negócios. Mas quem não arrisca, não petisca”. E pensou alto até demais: “Eu ainda tenho um sonho: realizar como diretor no Ajax tudo que consegui aqui como jogador”. Enfim isolado como diretor geral do clube, concretizando projeto traçado para ele desde 2012, Edwin van der Sar lembrou do vexame de agosto para prometer falar grosso: “Pelo meu papel como membro do conselho da Associação Europeia de Clubes, eu precisava estar numa reunião, e no dia de Rostov x Ajax havia um churrasco com todos os clubes presentes, mais representantes da Uefa. Depois do jogo, conversaram comigo, me perguntaram o porquê daquilo, e também me demonstraram apoio. Essas demonstrações foram o que mais doeu: como esportista de alto nível, você quer que sintam tudo de você, menos pena”. 

Dificilmente o Ajax conseguirá ser muito respeitado a curto e a médio prazo. Mas por todas as mudanças vistas dentro e fora de campo, dá para dizer: a temporada começou para o Ajax. A ver como termina. Será interessante.

(Coluna publicada na Trivela, em 18 de novembro de 2016)

domingo, 13 de novembro de 2016

Foi por muito pouco

Hoje Memphis Depay mereceu ouvir elogios: salvou a Holanda do vexame (AP)
Jogadores holandeses se maravilhavam. A mesma coisa com os jornalistas holandeses, que noticiaram a façanha com destaque. E vários torcedores se derramaram redes sociais afora. Seleção holandesa de futebol? Que nada. O valor mais alto que se alevantou neste domingo, em relação ao esporte dos Países Baixos, foi outra atuação corajosa de Max Verstappen na Fórmula 1: nem mesmo uma desastrada parada nos boxes inibiu o piloto da Red Bull Racing, que persistiu num Grande Prêmio do Brasil muito chuvoso, até conseguir um impressionante terceiro lugar no pódio.

Por esse primeiro parágrafo, já é possível ter uma noção do desalento com que holandeses se referem à seleção masculina de futebol, na atualidade. E o que se viu neste domingo, no estádio Josy Barthel, em Luxemburgo, pelas eliminatórias da Copa de 2018, justificou mais uma vez o desânimo. A vitória por 3 a 1 pode até ter devolvido à Laranja o segundo lugar no grupo A da qualificação europeia para o mundial, mas não enganou ninguém quanto à qualidade do jogo: a equipe novamente decepcionou. Aliás, bordejou um vexame histórico, como se comentará aqui. O pior é que a ameaça de vexame esteve presente desde o começo da partida.

A Holanda até atacou, contando sempre com seu único jogador que ainda pode ser chamado de craque: Arjen Robben. Sempre que pegava a bola, o camisa 11 tentava alguma jogada - e quase sempre trazia perigo. Como aconteceu aos 10 minutos, quando quase marcou, exigindo boa defesa do goleiro Ralph Schon. No rebote, Wesley Sneijder demorou para chutar: passou a Davy Klaassen, que arrematou em cima da defesa. Esporadicamente, outros jogadores também ajudavam Robben na criação. Como Georginio Wijnaldum, que finalizou de fora da área aos 13', para outra boa defesa de Schon.

Todavia, outra vez, o meio-campo esteve espaçado demais, dificultando a rapidez nas jogadas. O que levava a dois efeitos colaterais. Primeiro, as repetitivas escolhas de sempre recuar a bola para que Jeffrey Bruma e Virgil van Dijk recomeçassem a jogada de trás, ou lançar a bola a Daley Blind, para que este tentasse um cruzamento da esquerda - na maioria das vezes, infrutífero. Depois, sem nenhum meio-campista com grande capacidade na marcação, cada bola perdida dava espaço para que Luxemburgo tentasse contragolpes. Nada que tenha atormentado muito a defesa (que até esteve bem). Mas de vez em quando trazia umas escaramuças. Como num chute de Stefano Bensi, fora da área, aos 14', rebatido por Bruma. Ou um arremate perigoso de David Turpel, aos 29', que Maarten Stekelenburg defendeu em dois tempos.

A Holanda tinha cerca de 70% da posse de bola, mas não fazia quase nada de útil com ela. Só voltou a trazer perigo aos 31'. Em jogada envolvendo... Robben, claro. Após Bart Ramselaar ajeitar, o nativo de Bedum dominou, finalizou, e Schon rebateu com o pé - na sobra, Klaassen cabeceou por cima do gol. Finalmente, aos 36', um gol que só exemplificou a importância mastodôntica que o ponta direita ainda tem na seleção holandesa: Wijnaldum lançou em profundidade, Klaassen ajeitou rápido e tocou para que Robben (impedido...) invadisse a área e concluísse com calma no canto direito de Schon., marcando o quarto gol em seus últimos cinco jogos pela seleção.

Pelo menos, algo havia sido feito. Mas os espaços continuavam existentes. E foram sobrecarregando cada vez mais a defesa, ainda mais com as atuações razoáveis de Turpel e Daniel da Mota. Até os 44 minutos, quando Da Mota recebeu a bola pela esquerda e foi empurrado atabalhoadamente por Joshua Brenet. Caiu na área, o juiz inglês Anthony Taylor marcou o pênalti claro, e Maxime Chanot converteu com categoria para marcar o primeiro gol de Luxemburgo contra a seleção holandesa desde a histórica vitória do país nas eliminatórias para a Euro 1964, há 53 anos.

Só empatar com Luxemburgo já seria um vexame tremendo. Pior ainda foi ver que a Laranja voltaria para o segundo tempo sem Arjen Robben nem Wesley Sneijder: Danny Blind decidiu colocar em campo Memphis Depay e Steven Berghuis. No caso da troca de Robben por Berghuis, mais do que compreensível: cada sinal de problema físico é razão suficiente para poupá-lo, e o próprio Robben confirmou que sentira leves dores no intervalo, e que o problema não era grande: "Eu senti cãibras na parte posterior da coxa. No intervalo, olhamos, não parecia grave, e eu obviamente queria continuar, mas o médico não quis correr riscos. Até porque o gramado estava uma vergonha". Verdade: a chuva e o frio prejudicaram a grama do Josy Barthel.

Mas se Robben saiu por mera precaução, Sneijder deixou o campo por opção tática. Não rendeu bem na ponta esquerda - e criticou naturalmente a escalação ali, após sofrer com a compactação do 4-5-1 luxemburguês: "Eu ficaria entre as linhas, mas nem linhas havia. Aí eu fiquei de ponta esquerda, e ponta esquerda eu não sou. Estava bem, não teve nada a ver com lesão. Fiquei meio chateado, mas tomei banho, me vesti e fui para o banco. E conseguimos o que viemos conseguir. Levamos os três pontos, e isso é o mais importante". Até porque o protagonista da vitória holandesa foi justamente o substituto de Wesley.

Curioso: sem Robben nem Sneijder, com um empate incômodo, quando o risco de vexame parecia gigante, a vitória veio com um destaque inesperado. Memphis Depay nem pareceu o jogador cada vez mais subutilizado no Manchester United: foi bastante ativo pela ponta esquerda, deu trabalho à defesa, foi o destaque que ainda pode ser neste grupo de jogadores. Marcar não só o segundo gol (aos 58', completando de cabeça o cruzamento de Daley Blind), mas também o terceiro (cobrança de falta perfeita, aos 84'), além de ter criado várias jogadas, foi a massagem no ego necessária para um jogador que caiu tão acentuadamente de produção nos últimos tempos. Na entrevista coletiva, Danny Blind exultou: "Para mim, não foi surpresa nenhuma a boa atuação dele. Ele deu uma impressão de estar determinado. É uma ótima recompensa para ele". E o próprio Memphis transmitiu a sensação de querer reagir, em suas palavras à NOS, emissora pública holandesa de tevê, após o jogo: "Desde meu primeiro toque na bola, me senti bem. Eu ainda consigo. É um sentimento maravilhoso".

Final feliz? Longe disso. Tudo bem, a Holanda venceu, evitou o vexame, voltou à segunda posição do grupo A, onde ficará até voltar a jogar, em março do ano que vem. Mas sabe-se que as coisas não estão boas. E quem foi mais claro sobre isso no time foi Arjen Robben, à NOS: "Precisamos ser realistas: a seleção não está mais alcançando o nível com que nos acostumamos. Temos um problema de qualidade pelas pontas. O gramado não prestava, mas às vezes [nosso jogo] era horrível. Não estamos bem em muita coisa. Cometemos muitos erros com a posse de bola. Estou feliz com os três pontos, mas precisamos ser realistas. Não posso dizer que jogamos bem. Dá para melhorar, precisa melhorar". Bem mais razoável do que Danny Blind, que preferiu valorizar o adversário na entrevista coletiva: "É a melhor geração da história de Luxemburgo. Eles perderam só de 1 a 0 para a Suécia, conseguiram um ponto em Belarus, e a Bulgária precisou fazer 4 a 3. Não se pode fechar os olhos para a realidade".

É verdade: não se pode fechar os olhos para a realidade, mesmo. Foi por muito pouco que a Holanda não passou por um vexame até pior do que ficar fora da Euro 2016. Se houve alegria aos holandeses no esporte, neste domingo, ela veio de Max Verstappen.

Eliminatórias para a Copa de 2018 - Europa
Luxemburgo 1x3 Holanda
Data: 13 de novembro de 2016
Local: Estádio Josy Barthel, em Luxemburgo
Juiz: Anthony Taylor (Inglaterra)
Gols: Arjen Robben, aos 36', Memphis Depay, aos 58' e 84'; Maxime Chanot, aos 44'

Holanda
Maarten Stekelenburg; Joshua Brenet, Jeffrey Bruma, Virgil van Dijk e Daley Blind; Bart Ramselaar (Marten de Roon, aos 89'), Davy Klaassen e Georginio Wijnaldum; Arjen Robben (Steven Berghuis, no intervalo), Bas Dost e Wesley Sneijder (Memphis Depay, no intervalo). Técnico: Danny Blind

Luxemburgo
Ralph Schon; Laurent Jans (Mathias Jänisch, aos 26'), Kevin Malget, Maxime Chanot, Enes Mahmutovic e Daniel da Mota (Kevin Kerger, aos 75'); Florian Bohnert, Stefano Bensi (Vincent Thill, aos 82'), Chris Philipps e Mario Mutsch; David Turpel. Técnico: Luc Holtz


sábado, 12 de novembro de 2016

Dias piores (talvez) virão

Danny Blind pensativo: qual o melhor esquema para a Laranja? Enquanto não se decide, o time sofre (VI Images)
Exatamente na semana passada, mais precisamente em 4 de novembro, o jornalista Thijs Zonneveld escreveu uma coluna, no diário em que trabalha, o Algemeen Dagblad. O título: “Para nós, ainda é 1974”. Nessa coluna, Zonneveld lamentava o fato de já não haver mais técnicos holandeses atuando com importância em cenários de ponta do futebol – com Ronald Koeman, fazendo bom trabalho no Everton, como única exceção. Partindo disso, o jornalista criticava acidamente o anacronismo tático que levou a tal cenário: “Na Holanda, nós ainda nos agarramos aos êxitos dos anos 1970 e à ‘escola holandesa’ – o que dá no mesmo. Tudo é uma questão de posse de bola, jogar ‘em triângulos’, jogar como nas peladas de rua. Treinadores que atuam ofensivamente contra o Ajax e veem seus times tomarem de 5 a 0 são elogiados, porque tentaram jogar”. E finalizava: “No resto do mundo, já é 2016; aqui, ainda é 1974”.

A coluna saiu antes da primeira participação da seleção holandesa nestas datas Fifa, na última quarta, no empate em 1 a 1 contra a Bélgica, em Amsterdã. Tivesse saído depois, e provavelmente seria ainda mais crítica. Porque a Oranje mostra uma indecisão tática impressionante. Ao mesmo tempo em que hesita deixar de lado o 4-3-3 que lhe deixou conhecida (a ponto de surgir a ‘lenda urbana’ de que todo técnico da seleção deveria escalar os jogadores no esquema), também não assume de todo o 5-3-2 experimentado com êxito na Copa de 2014.

Aliás, o problema talvez seja ainda mais básico do que a indecisão. Conceitos postos em prática por qualquer equipe de destaque, no futebol de altíssimo nível, parecem passar longe da equipe laranja. Se ouvir coisas como “compactação” ou “intensidade” já parece até repetitivo em alguns casos, basta ver qualquer atuação recente da Holanda para notar como ainda não é o bastante. Em pouquíssimas vezes é possível notar uma linha de jogadores na defesa – seja de quatro ou cinco jogadores.

De quebra, o combate do meio-campo na marcação ainda é raro. Tomando-se por exemplo a escalação inicial no clássico contra a Bélgica, Stijn Schaars era o único meio-campo com características mais defensivas – e ainda saiu de campo aos 15 minutos de jogo, dando início à onda de lesões que vitimou a Oranje (três machucados, dois no primeiro tempo!). Entrou em seu lugar Jordy Clasie: mais um armador, assim como Georginio Wijnaldum e Davy Klaassen. 

Com tanto espaço entre o meio-campo e a defesa, não foi nada difícil para a Bélgica ter maior posse de bola. Só não foram criadas mais chances de gol pelos Diabos Vermelhos porque o nível técnico de atuação variou de jogador para jogador: por exemplo, se Eden Hazard apareceu bastante na partida, Kevin de Bruyne em nada lembrou o jogador fundamental que tem sido no Manchester City. 

Embora indesejável, essa falha na marcação seria um problema contornável, caso a seleção holandesa tivesse criado muitas chances. Não foi o caso: nem Klaassen, nem Wijnaldum, nem mesmo Wesley Sneijder (atuando na esquerda, pelo ataque) apareceram com destaque no jogo. Como Vincent Janssen – nos poucos 27 minutos em que atuou – não tem capacidade suficiente para voltar e buscar a bola, e seu substituto Bas Dost é ainda menos habilidoso nisso, o resultado foi o que se viu: segundo o site OptaJohan (ala do Opta dedicada ao futebol holandês), nenhum dos dois finalizou, nenhum dos dois criou chances, e só tocaram a bola uma vez dentro da área de defesa belga.

A timidez – ou incapacidade, mesmo – para atacar era tamanha que só mesmo numa jogada individual podia surgir algo. Como surgiu, quando Jeremain Lens sofreu o pênalti convertido por Klaassen para abrir o placar. Vantagem assegurada, o 5-3-2 que já se notava timidamente foi assumido no segundo tempo. Ainda mais com a entrada de Joshua Brenet na lateral direita, mandando Joël Veltman para o miolo de zaga. Todavia, nas raríssimas vezes que tinha a bola, a Holanda continuava tentando coisas pelas pontas. Principalmente pela direita, com Jeremain Lens – antes da lesão... – ou Memphis Depay. O resto foi pressão belga. Até o gol de Yannick Ferreira-Carrasco.

Num 5-3-2, a aposta pelas pontas rendia um estilo de jogo frouxo, com muito espaço para os adversários. Enfim, era um 5-3-2 com cara de 4-3-3. Poderia até ter dado certo, se estivéssemos em 2014, a defesa estivesse treinada e sincronizada, e um dos pontas fosse Arjen Robben, com a forma ostentada na Copa daquele ano. Mas agora é 2016. Robben é preservado como um bibelô, pela histórica propensão às lesões (ficou fora contra a Bélgica, para poder ser escalado contra Luxemburgo, neste domingo, pelas eliminatórias da Copa de 2018). E a Holanda reconhece, com pesar, que simplesmente não tem quem possa substituí-lo. Por isso, sabe que precisa marcar. E até consegue, como reconheceu Danny Blind: “Nós nos defendemos com muita disciplina, antes das chances de Lukaku [no segundo tempo]”.

Ainda assim, há um extremo receio em assumir que o 5-3-2 pode ser uma opção a ser adotada. Afinal, o 4-3-3 é visto na Holanda como “coisa dela” - ainda mais em tempos de lembranças cada vez mais saudosas de Johan Cruyff. Por isso, adotar um estilo defensivo seria visto como “traição” ao jeito holandês de enxergar futebol. Mesmo em tempos nos quais a geração de bons jogadores está visivelmente emperrada no país, a Holanda insiste em não ter humildade para reconhecer isso – falha apontada por gente como Ruud Gullit e Clarence Seedorf.

Para piorar, a geração de técnicos também não é de se elogiar muito. Danny Blind tem experiência de menos para uma tarefa dura demais. Porém, quem poderia sucedê-lo também tem seus esqueletos dentro do armário. Frank de Boer precisa ampliar os horizontes, como mostra o modo repetitivo de trabalho nos últimos tempos de Ajax, para nem falar de sua passagem malograda pela Internazionale (onde não se ajudou, por mais que o ambiente em Appiano Gentile seja caótico). Phillip Cocu é promissor, sabe variar suas táticas, mas começa a encarar desafios no PSV. Magoado por ter sido ignorado em detrimento de Guus Hiddink, depois da Copa passada, Ronald Koeman não quer a seleção agora – talvez depois de 2018. Frank Rijkaard encerrou a carreira de técnico. Em baixa após o trabalho decepcionante no Manchester United, Louis van Gaal não quer trabalhar com seleções - até foi convidado pela KNVB para ser o diretor técnico da entidade, mas declinou.

Geração mediana de jogadores. Técnicos cada vez mais coadjuvantes. E indecisão tática. Somados esses fatores, o final não costuma ser bom, como a Holanda viu nas eliminatórias para a Euro 2016. Ou a equipe toma um rumo na qualificação para a Copa, ou dias ainda piores virão. Pelo menos, o adversário da próxima rodada é Luxemburgo...

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 11 de novembro de 2016)

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

O gol e os golpes

A expressão de Janssen reflete bem a decepção com a seleção holandesa. Pelo empate e pelas lesões (Gerrit van Keulen/VI Images)

Em geral, é preciso tomar muito cuidado com certas estatísticas. Afinal de contas, se jogadas a esmo dentro da análise de um jogo, não significam coisa alguma - aliás, só servem para chatear. Ainda assim, fica impossível não citar o que aconteceu com a seleção da Holanda no amistoso contra a Bélgica, nesta quarta, em Amsterdã. Na sua história de 111 anos, jamais a Laranja perdera três jogadores por lesão numa mesma partida. E isso, de certa forma, colaborou para o estilo de jogo altamente defensivo que se viu na Amsterdam Arena, por parte do time holandês - que quase deu certo, não fosse o gol fortuito de Yannick Ferreira-Carrasco que decretou o 1 a 1 final.

Quando a partida começou, estava tudo mais ou menos delineado. Joël Veltman novamente escalado na lateral direita, como atua no Ajax, e Stijn Schaars recebendo a chance de começar jogando no meio-campo - liberando Wesley Sneijder para atuar na esquerda do ataque, como tem acontecido nas partidas mais recentes das eliminatórias para a Copa. Na direita, com Arjen Robben poupado, Jeremain Lens teve a esperada titularidade. E assim, no 4-3-3 básico, os holandeses receberam uma Bélgica que ainda tenta escolher o melhor esquema - seja o 4-3-3, seja o 3-4-2-1 com que Roberto Martínez escalou os Diabos Vermelhos nesta quarta.

Bastaram apenas 15 minutos para esses planos irem por água abaixo: sentindo dores na panturrilha, Schaars viu fracassada sua volta à seleção, precisando dar lugar a Jordy Clasie - o que deixava o meio-campo com menor poder de marcação, já que nenhum dos três jogadores - além de Clasie, Davy Klaassen e Georginio Wijnaldum - era especialista em desarmes. As dores na panturrilha de Schaars nem eram tão graves assim, mas visando os jogos seguintes do Heerenveen, o volante foi cortado do grupo a ser relacionado para o jogo contra Luxemburgo, no próximo domingo, pelas eliminatórias da Copa de 2018.

Vincent Janssen teve o mesmo azarado destino do corte: pouco antes de Schaars ser substituído, subindo para disputa aérea num cruzamento, o atacante se chocou involuntariamente com o goleiro da Bélgica, Simon Mignolet. A pancada na cabeça foi forte, mas Janssen ainda tentou atuar mais doze minutos antes de sucumbir à leve concussão: também precisou sair de campo, dando lugar a Bas Dost. Sem Janssen, a Holanda, que já vinha sendo bem apagada ofensivamente, rareou ainda mais nas investidas em busca do gol. Para piorar, a Laranja mostrava seu principal pecado: a falta crônica de compactação e organização entre os setores. 

Trocando passes e tocando a bola com rapidez, a Bélgica ia chegando perto do gol - só faltava finalizar, já que Maarten Stekelenburg nem precisou fazer defesas difíceis no primeiro tempo. Somente uma bola chegou perto do gol, em cabeceio de Dries Mertens, aos 28'. Além do mais, os belgas também tinham atuações irregulares, individualmente: se Eden Hazard chamava o jogo para si, Kevin de Bruyne atuava muito discretamente. Assim, num dos raros avanços, Jeremain Lens conseguiu a jogada tão desejada: aos 38', entrou na área e foi derrubado por Jan Vertonghen. Pênalti caído do céu para a Laranja, que Klaassen converteu com segurança para dar à equipe anfitriã uma vantagem de 1 a 0 tão imerecida quanto bem vinda.

Se uma alteração tática para o 5-3-2 já era visível no primeiro tempo, ela ficou escancarada na etapa final - até pela estreia de Joshua Brenet na Oranje, entrando no intervalo, indo para a lateral direita e empurrando Veltman de vez para a zaga. Curiosamente, foi aí que a seleção se revelou mais segura. Não atacava muito (só em dois lançamentos em profundidade para Bas Dost, aos 49' e 53'), mas a falta de eficiência da Bélgica para criar chances mantinha o 1 a 0 seguro. Ainda assim, a postura sempre mais ofensiva dos rivais surpreendia e até assustava, como reconheceu Danny Blind após o jogo, à SBS6, emissora holandesa de tevê: "Eles jogaram diferente do que costumam fazer, foram muito ofensivos. Tivemos de nos adaptar a isso".

De fato, a Bélgica já procurava mais o empate - num chute de Axel Witsel aos 54', e numa falta de De Bruyne que Stekelenburg espalmou para a linha de fundo aos 60'. Essa postura ofensiva foi ainda mais fortalecida com as entradas de Romelu Lukaku e Thorgan Hazard. E a adaptação defensiva da Holanda ficou ainda mais necessária depois da terceira lesão na equipe, aos 67'. Outro problema grave: Jeremain Lens distendeu o músculo da coxa direita, precisou dar lugar a Memphis Depay, e também foi desligado da delegação para domingo. Aí, sim, a Holanda abdicou completamente de tentar o gol. Até houve uma jogada que podia ter coroado a estreia de Brenet na Laranja com um lindo gol: aos 74', o lateral partiu do campo de defesa em velocidade, driblou Laurent Ciman, chegou perto da área e arrematou para fora.

Mas a despeito desse lance isolado de Brenet, a hora era de ataques da Bélgica. O gol dos visitantes até demorou: poderia ter vindo nas chances de Lukaku, quase seguidas, aos 78' (primeiro, num chute cruzado que resvalou em Veltman; depois, chance incrivelmente perdida na pequena área, com o atacante tocando de canela por cima do gol). Depois, Ciman até colocou a bola nas redes aos 80', mas estava impedido. Só no minuto seguinte os belgas conseguiram o gol merecido, com Carrasco chutando, a bola desviando em Veltman e encobrindo Stekelenburg, deixando-o sem ação. Foi até sorte não ter saído a virada belga após a defesa de Stekelenburg em chute de Thorgan Hazard, aos 86', após tabelar com Lukaku.

Com uma Amsterdam Arena com lotação atipicamente abaixo do esperado e os golpes do destino que foram as lesões, o empate foi a "cereja do bolo" em mais um dia decepcionante para a seleção holandesa. Sneijder lamentou: "Deixamos a vitória escapar entre os dedos, não estávamos dando chances após o gol". Na Bélgica (que completou seis jogos sem perder para a Holanda, desde 1997), Mertens se impressionou: "Eles foram defensivos demais". A atuação foi criticada sem dó pelo diário Volkskrant: "Mais do que heróis esforçados em campo, a Holanda precisa de gente talentosa com a bola nos pés. Jogadores tecnicamente capacitados, com visão de jogo, que possam trabalhar bem a bola com os dois pés". Eis, talvez, o grande motivo de lamentação: talvez a Holanda só precise jogar assim, tão defensivamente, apenas no erro do adversário... porque seu talento no ataque, momentaneamente, não é o mesmo. É preciso reconhecer. Se é que já não foi reconhecido, tendo em vista que a Bélgica foi melhor tecnicamente.

Amistoso

Holanda 1x1 Bélgica
Data: 9 de novembro de 2016
Local: Amsterdam Arena
Juiz: Szymon Marciniak (Polônia)
Gols: Davy Klaassen, aos 38'; Yannick Ferreira-Carrasco, aos 82'

Holanda
Maarten Stekelenburg; Joël Veltman, Jeffrey Bruma, Virgil van Dijk e Daley Blind; Davy Klaassen (Joshua Brenet, no intervalo), Stijn Schaars (Jordy Clasie, aos 15') e Georginio Wijnaldum (Bart Ramselaar, aos 89'); Jeremain Lens (Memphis Depay, aos 67'), Vincent Janssen (Bas Dost, aos 27') e Wesley Sneijder (Tonny Vilhena, aos 75'). Técnico: Danny Blind

Bélgica
Simon Mignolet; Christian Kabasele, Laurent Ciman e Jan Vertonghen; Thomas Meunier (Thomas Foket, no intervalo), Steven Defour (Youri Tielemans, aos 83'), Axel Witsel e Yannick Ferreira-Carrasco; Kevin de Bruyne (Thorgan Hazard, aos 64') e Dries Mertens (Romelu Lukaku, aos 64'); Eden Hazard. Técnico: Roberto Martínez.