sábado, 20 de junho de 2026

Um dia bestial e eficiente

Brobbey (camisa 19) foi uma mudança de Ronald Koeman que, desta vez, deu certo. E o ataque holandês aproveitou as chances para a goleada contra a Suécia, que motiva de vez para a Copa (Julian Finney/FIFA/Getty Images)

Oto Glória (1917-1986), técnico brasileiro de sucesso aqui e em Portugal - foi o treinador do terceiro lugar dos Tugas em 1966, estreia portuguesa em Copas -, tinha uma frase até conhecida no meio do futebol: "Técnico, quando ganha, é um bestial [em Portugal, gíria para "genial"]; quando perde, é uma besta". Ronald Koeman viveu seu dia de "besta", após a estreia da Holanda (Países Baixos) na Copa do Mundo, domingo passado: suas alterações foram consideradas dramáticas para a queda holandesa e o empate sofrido contra o Japão. Pois Koeman fez mais algumas mudanças para o jogo contra a Suécia, neste sábado. Elas deram muito certo, desta vez, tornando-o "bestial" no dia. E com a eficiência que o ataque da Laranja teve, veio a goleada por 5 a 1 que motiva os neerlandeses para o resto da Copa.

Se a escalação de Brian Brobbey causou certa surpresa quando ela foi anunciada, bastaram cinco minutos de bola rolando para ela se justificar: o atacante fez o gol precoce, participando de jogada encaixada (ajeitou no meio-campo, Tijjani Reijnders lançou, Cody Gakpo cruzou da esquerda e o camisa 19 alcançou para o complemento na pequena área). Claro, logo na saída de bola, os suecos "lembraram" do perigo que poderiam trazer - Viktor Gyökeres recebeu a bola na área, se virou finalizando, e o goleiro Bart Verbruggen espalmou. Mas o começo era o melhor possível para a Laranja.

E continuou assim por vários minutos. Com Frenkie de Jong dominando o meio-campo, sem muitas chances perdidas, as chances de gol apareceram. Um cabeceio fraco de Ryan Gravenberch aos 11' (o goleiro Kristoffer Nordfeldt pegou), um chute prensado de Reijnders para fora aos 15'... mas uma delas virou bola na rede, como se buscava. Aos 17', Donyell Malen ajeitou a bola, Denzel Dumfries cruzou da direita, e Brobbey, novamente, desviou para as redes. O 2 a 0 simbolizava bem o domínio holandês em Houston. Até a pausa para hidratação...

Até que a Suécia atacou. Mas quando ela o fez, Verbruggen estava a postos para boas defesas (Molly Darlington/Getty Images)

Na volta, com algumas mudanças táticas, os suecos passaram a ter mais a bola. E a criarem mais chances. A primeira dlas, séria, aos 33': Alexander Isak passou, e Gyökeres finalizou fraco, com Verbruggen pegando firme. Minutos depois, aos 37', Gabriel Gudmundsson lançou, Gyökeres novamente bateu, e Verbruggen rebateu. Chance holandesa, só aos 40' - e uma ótima chance, com Donyell Malen chutando cruzado para fora após De Jong roubar a bola. De resto, os suecos deixavam claro o crescimento, em lances como o chute de Yasin Ayari (evoluiu bem no 1º tempo) aos 41'. Aos 44', quando Gustaf Lagerbielke só não teve seu gol validado por impedimento. E nos acréscimos, Gyökeres forçou Verbruggen a trabalhar seguidamente, aos 45' + 3, em falta espalmada, e aos 45' + 4, passando para Ayari finalizar e o goleiro holandês rebater.
 
A Laranja precisava mudar. Mudou, com Crysencio Summerville vindo a campo no lugar de Malen. E os resultados vieram com apenas dois minutos de bola rolando na etapa final: o camisa 24, pela direita, ajeitou para Denzel Dumfries cruzar, a bola bateu em Cody Gakpo, e era o 3 a 0 para tranquilizar as coisas laranjas. Só restou aos suecos tentarem novamente o ataque. Porém, aos 54', uma bola perdida perto do ataque abriu o campo para o contra-ataque neerlandês. O resultado foi o desejado: Summerville ajeitou, Gakpo dominou, trouxe a bola da esquerda para o meio, chutou rasteiro, Países Baixos 4 a 0.

Summerville veio a campo depois do intervalo. E ajudou a Laranja a garantir de vez a vitória (Ronaldo Schemidt/AFP/Getty Images)

A Suécia mudou imediatamente depois, com três nomes vindo a campo para acelerar o ataque. E um deles conseguiu o gol: Anthony Elanga, aos 59', aproveitando passe de Isak e acelerando a jogada até chegar à área e tocar na saída de Verbruggen. E Elanga seguiu com boa atuação - tendo pelo menos um excelente drible em Micky van de Ven. Mas foi só, diante de uma Laranja que já tinha o placar sob controle e nunca deixava a Suécia à vontade. Quando os suecos tentavam, logo havia quem impedisse - como Verbruggen impediu novamente, aos 84', em ótima defesa num arremate colocado de Isak. E para completar o bom dia, Summerville conseguiu marcar o quinto gol, com velocidade no contra-ataque, como tem jogado.

Na entrevista pós-jogo, Virgil van Dijk repetiu uma frase já dita após os 2 a 2 contra o Japão: "Agora, é continuar". E agora, num tom bem mais aliviado. Graças à grande eficiência do ataque holandês, e ao dia "bestial" do técnico.

COPA DO MUNDO FIFA 2026 - GRUPO F

Holanda 5x1 Suécia

Data: 20 de junho de 2026
Local: Houston Stadium/NRG Stadium (Houston, Texas)
Árbitro: Michael Oliver (Inglaterra)
Gols: Brian Brobbey, aos 5' e aos 17', Cody Gakpo, aos 47' e aos 54', Anthony Elanga, aos 59', e Crysencio Summerville, aos 89'

HOLANDA
Bart Verbruggen; Denzel Dumfries, Virgil van Dijk, Jan Paul van Hecke e Micky van de Ven; Ryan Gravenberch, Tijjani Reijnders (Guus Til, aos 59') e Frenkie de Jong (Teun Koopmeiners, aos 59'); Donyell Malen (Crysencio Summerville, aos 46'), Brian Brobbey (Memphis Depay, aos 72') e Cody Gakpo (Noa Lang, aos 90' + 2). Técnico: Ronald Koeman

SUÉCIA
Kristoffer Nordfeldt; Alexander Bernhardsson (Antony Elanga, aos 55'), Gustav Lagerbielke, Isak Hien, Victor Nilsson Lindelöf e Gabriel Gudmundsson (Elliot Stroud, aos 90' + 3); Benjamin Nygrén (Lucas Bergvall, aos 55'), Jesper Karlstrom (Besfort Zeneli, aos 55') e Yasin Ayari (Taha Ali, aos 78'); Alexander Isak e Viktor Gyökeres. Técnico: Graham Potter

domingo, 14 de junho de 2026

Se mudar, estraga

Na equilibrada estreia na Copa, contra o Japão, a Holanda mostrou capacidade técnica, evoluiu e chegou a ter a vantagem. Mas as mudanças do técnico Ronald Koeman deram errado, e o castigo foi duro, com o empate japonês (Jose Breton/Pics Action/NurPhoto/Getty Images)

O empate por 2 a 2 com o Japão, marcando a estreia da Holanda (Países Baixos) nesta Copa do Mundo, pode ser visto de duas maneiras. Há o lado positivo: ao contrário das preocupações que os amistosos trouxeram, a Laranja cresceu em ambiente competitivo, melhorou, até fez por merecer a vitória. Mas há o lado negativo visto no estádio de Dallas (mais precisamente, de Arlington, subúrbio): ele está focado nas alterações do técnico Ronald Koeman, que tiraram a velocidade neerlandesa e permitiram que o Japão crescesse na reta final, até o empate que conquistou.

Como se pensava, a Laranja começou tendo mais a bola nos pés. Mas como não se pensava, a primeira chance veio rapidamente: Cody Gakpo fez sua jogada habitual pela esquerda aos 3', passou a Donyell Malen, e este só não fez o gol pela excepcional defesa de Zion Suzuki. Além do mais, a equipe neerlandesa logo impôs seu ritmo: não tinha muito espaço para atacar, mas também não dava espaço para os temidos e velozes contragolpes do Japão. Que no início, só teve qualquer coisa parecida com uma oportunidade de gol aos 15', quando Shogo Taniguchi avançou e cruzou, e Daizen Maeda (opção nova no ataque) desviou para fora, acossado por Jan Paul van Hecke. Ou aos 27', quando Hiroki Ito, outro defensor a ter avançado, aproveitou um chute e mandou muito acima do gol.

Só que os holandeses só voltariam a chegar perto do gol aos 30', sem muito perigo (cabeceio desajeitado de Denzel Dumfries). O perigo veio, sim, aos 34': num escanteio, Malen cabeceou e Suzuki rebateu - na sequência da jogada, ainda, Tijjani Reijnders mandou a bola para fora. Aos 36', a chance poderia ter sido perigosa, mas Gakpo escorregou na hora de finalizar, errando a meta. O Japão se continha, ficava nos contra-ataques... mas só ficou perto do gol quando "cortou caminho", com lançamentos longos. Foi assim aos 43', quando Daichi Kamada cruzou, e Keito Nakamura dominou bem, mas chutou para fora. Ou aos 45': a bola saiu dos pés de Taniguchi, chegou a Ayase Ueda, mas o atacante finalizou na rede pelo lado de fora. As duas seleções se protegiam bastante. Faltava alguma ser mais aguda em campo.

Summerville e Gravenberch (de frente) foram responsáveis por fazerem a Holanda crescer de produção no segundo tempo. Poderiam ter ficado em campo... (Jose Breton/Pics Action/NurPhoto/Getty Images)

A Holanda decidiu ser isso, tão logo o segundo tempo começou. Com menos de um minuto de segundo tempo, Summerville tentou uma jogada, cruzou a bola para a área, mas ninguém finalizou. Virgil van Dijk fez isso, da melhor maneira possível para os holandeses: aos 50', Ryan Gravenberch cruzou, e o capitão da Laranja cabeceou para o primeiro gol dela nesta Copa do Mundo. Claro que o Japão teria mais espaço e obrigação para atacar, e também não demorou muito para empatar: já aos 57', com a bola circulando perto da defesa holandesa, Nakamura bateu de média distância, a bola desviou em Daizen Maeda (ou terá sido em Van Hecke?), e o 1 a 1 japonês estava garantido.

De todo modo, mesmo com o empate, a Laranja seguiu calma, sem se abalar. Gravenberch, especialmente, seguia como desafogo na direita. Assim como... Summerville. E os dois teriam participação decisiva no segundo gol holandês, com bola no pé, aos 64'. Primeiro, o meio-campo fez excelente jogada, e deu sequência a ela entregando a pelota para que o camisa 24, praticamente novato - só dois jogos pela Laranja - fizesse 2 a 1, aos 64'. Desde então, a seleção europeia começou a se recuar, gradativamente, para jogar com três zagueiros. Mostras disso foram as alterações no segundo tempo, logo após a pausa para hidratação na etapa final: mesmo jogando bem, ambos, Reijnders e Summerville foram substituídos. E Memphis Depay, enfim entrando em campo, reduziu a velocidade que o ataque tinha com Malen.

O excessivo recuo holandês fez com que o Japão crescesse na etapa final. Até conseguir o empate que tanto buscou (Charlotte Wilson/Getty Images)

Resultado: o Japão voltou a atacar, na reta final do jogo. Começou a criar mais chances, com nomes conhecidos do Campeonato Holandês que vieram a campo. Como o ala Yukinari Sugawara, que chutou para a defesa de Verbruggen, aos 79'. E como, finalmente, Koki Ogawa: no penúltimo minuto do tempo regulamentar, em escanteio, o atacante que se destacou pelo NEC na temporada recente do Campeonato Holandês, sozinho na área, desviou escanteio de cabeça. Daichi Kamada também completou. E o Japão conseguiu o 2 a 2 que buscou bem mais na reta final.

E buscou bem mais porque as mudanças de Ronald Koeman estragaram o que poderia ter sido uma vitória. Mas "agora é continuar", como Van Dijk completou após a partida.

COPA DO MUNDO FIFA 2026 - GRUPO F

Holanda 2x2 Japão

Data: 14 de junho de 2026
Local: Dallas Stadium/AT&T Stadium (Arlington, Dallas)
Árbitro: Ismail Elfath (Estados Unidos)
Gols: Virgil van Dijk, aos 51', Keito Nakamura, aos 57', Crysencio Summerville, aos 64', e Daichi Kamada, aos 89'

HOLANDA
Bart Verbruggen; Denzel Dumfries, Virgil van Dijk, Jan Paul van Hecke e Micky van de Ven; Ryan Gravenberch (Nathan Aké, aos 81'), Tijjani Reijnders (Quinten Timber, aos 68') e Frenkie de Jong; Crysencio Summerville (Teun Koopmeiners, aos 68'), Donyell Malen (Memphis Depay, aos 68') e Cody Gakpo (Brian Brobbey, aos 84'). Técnico: Ronald Koeman

JAPÃO
Zion Suzuki; Tsuyoshi Watanabe (Takehiro Tomiyasu, aos 75'), Shogo Taniguchi e Hiroki Ito; Ritsu Doan (Yukinari Sugawara, aos 75'), Kaichi Sano, Daichi Kamada e Keito Nakamura; Takefusa Kubo (Koki Ogawa, aos 75'), Ayase Ueda (Kento Shiogai, aos 84') e Daizen Maeda (Junya Ito, aos 66'). Técnico: Hajime Moriyasu

terça-feira, 9 de junho de 2026

Não era para ser assim

A seleção feminina da Holanda (Países Baixos) tinha plenas condições de já se garantir na Copa do Mundo de 2027. Desnecessariamente, se colocou em dificuldades, e terá de jogar sua sorte na repescagem (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

A seleção feminina da Holanda (Países Baixos) chegou às últimas rodadas das Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina de 2027 com a faca e o queijo na mão: bastariam duas vitórias para assegurar a vaga direta na competição, sem precisar da repescagem. Porém, as Leoas Laranjas, novamente, fizeram do jeito mais difícil: se jogaram bem na vitória final, os 3 a 1 na Polônia, ficou na memória a dura derrota por 3 a 2 para a Irlanda, na penúltima rodada, quando repetiram erros que se julgavam superados - lentidão, dificuldade de adaptação ao jogo, perda de chances - e perderam a condição de controlar o próprio destino nas Eliminatórias. Ficou a pesarosa impressão de que, por melhor que o time seja, não precisava ser assim.

Até porque já se sabia de antemão que o cenário do primeiro jogo seria adverso às holandesas: o estádio Páirc Uí Chaoimh teria suas dimensões diminuídas ao mínimo exigido pela FIFA, o gramado estaria afetado pelo mau tempo, a Irlanda mostraria o esforço e a força física de sempre (além do talento vindo de Katie McCabe). Mas as holandesas em campo pareceram ignorar tais problemas, com lentidão, com desatenção defensiva... tiveram o castigo rápido, aos 19', quando Lynn Wilms perdeu a bola para Abbie Larkin, esta passou a Kyra Carusa, e sua finalização, mesmo lenta, passou pela goleira Lize Kop para o 1 a 0 irlandês.

Mesmo lenta, a bola do primeiro gol da Irlanda passou pela goleira Lize Kop, considerada um dos "bodes expiatórios" da derrota por 3 a 2 (Brendan Moran/Sportsfile/Getty Images)

Só mesmo em desvantagem é que a Holanda começou a tentar. Vieram boas chances, como um cabeceio de Romée Leuchter que mandou a bola para fora, aos 23', ou um chute de Wieke Kaptein que mandou a bola na trave, pouco depois. Ainda assim, a lentidão e a pouca força nas disputas de bola mantinham as Leoas Laranjas abaixo no jogo, mesmo criando bem mais chances de ataque. Cenário pouco auspicioso, num ambiente que ganhava um fator complicador adicional: a fortíssima chuva que caiu sobre Cork no segundo tempo. Diante disso, entraram as veteranas: somaram-se a Dominique Janssen Daniëlle van de Donk e Jackie Groenen. Pois viria delas a efetividade. Jackie Groenen quase acertou, aos 65', num chute da entrada da área (a goleira Courtney Brosnan pegou). E aos 70', elas participaram da jogada do empate: Groenen recebeu a bola de Lineth Beerensteyn, foi derrubada por Aoife Mannion na área, pênalti marcado, e Dominique Janssen cobrou para o 1 a 1. 

Seria aliviante... se a Holanda não cometesse o pecado crônico da desatenção: Groenen era atendida e demoraria um minuto para voltar a campo - são as novas regras da FIFA -, Larkin recebeu cruzamento logo na saída de bola, superou Janssen na corrida e fez o 2 a 1 irlandês. Talvez o baque tivesse sido definitivamente superado com a excelente entrada de Victoria Pelova: vinda do banco, superando o terrível drama particular da morte da mãe no começo da semana, a meio-campista fez boa jogada individual para empatar. E a Holanda, cercando o ataque diante da fechada defesa irlandesa, seguia rondando o gol. Porém, num escanteio no minuto final, a defesa fracassou ao rebater a bola, um cruzamento, e a atacante Amber Barrett coroou a impressionante eficiência irlandesa: três arremates a gol, três gols, 3 a 2, o sonho holandês de manter a liderança do grupo virava queda para o terceiro lugar.

E pelo menos no primeiro tempo, as Leoas Laranjas passaram algum sufoco contra a Polônia. É verdade que tinham mais a posse de bola, e rondavam mais o ataque. Às vezes, até tentavam, como em dois chutes sequenciais, de Romée Leuchter e Lynn Wilms, logo aos 4'. Ainda assim, o espaço para contra-ataques era aproveitado por nomes como Paulina Tomasiak (que tentou o gol aos 17', com Lize Kop defendendo) e Ewelina Kamczyk, que arriscou chute de fora aos 27'. Pelo menos, a essa altura, a Holanda já tinha 1 a 0 no placar, graças a Wieke Kaptein, a melhor da partida em Almelo, que cabeceou para as redes o cruzamento de Esmee Brugts. Ainda assim, sem aproveitar as chances, o risco de empate existia. Está certo que a vitória não adiantaria para a vaga direta, já que a França vencia a Irlanda e garantia a liderança do grupo e a vaga direta na Copa. Mas tropeçar de novo seria pior.

Contra a Polônia, as Leoas Laranjas se recompuseram. E Kaptein se destacou na vitória por 3 a 1 (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Quase piorou para as neerlandesas, mesmo, aos 48', quando só o impedimento de Kamczyk causou a anulação do gol que marcaria o empate. Só então o time deslanchou. Se Kaptein seguia bem, Romée Leuchter enfim fazia boa atuação novamente vestindo laranja. Quase levou a um gol contra, aos 53', quando seu cruzamento levou a zagueira polonesa Oliwia Wos a "espirrar o taco". E enfim, aos 61', Leuchter fez o gol do desafogo holandês, em grande estilo, num belo voleio, após cruzamento de Kerstin Casparij.

Só aí a Holanda ficou leve em campo. Os espaços para atacar surgiram, com a Polônia aberta. Lineth Beerensteyn, por exemplo, quase fez seu gol, aos 73'. E Liz Rijsbergen, em sua segunda partida pelas Leoas Laranjas, conseguiu o terceiro gol, aos 81'. Nem mesmo o gol de honra polonês - Kamczyk, aos 83', de pênalti surgido de falta de Damaris Egurrola Wienke sobre Tomasiak - abalou as donas da casa em Almelo. Que deixaram claro: podem jogar bem, como se ouviu em quase todas as entrevistas pós-jogo. 

Além de jogar bem, será preciso ter mais atenção e competitividade em cenários adversos na repescagem de outubro. Porque a Holanda já poderia ter se livrado do trabalho de tentar a vaga na Copa do Mundo Feminina.

Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina da FIFA - Europa - Grupo A2

Irlanda 3x2 Holanda
Data: 5 de junho de 2026
Local: Páirc Uí Chaoimh (Cork)
Árbitra: Katalin Kulcsár (Hungria)
Gols: Kyra Carusa, aos 19', Dominique Janssen, aos 70', Abbie Larkin, aos 71', Victoria Pelova, aos 80', e Amber Barrett, aos 90'

IRLANDA
Courtney Brosnan; Aoife Mannion, Anne Patten, Caitlin Hayes, Megan Connolly (Saoirse Noonan, aos 85') e Chloe Mustaki; Abbie Larkin (Leanne Kiernan, aos 76'), Marissa Sheva, Ruesha Littlejohn (Jessica Ziu, aos 46') e Katie McCabe; Kyra Carusa (Amber Barrett, aos 76'). Técnica: Carla Ward

HOLANDA
Lize Kop; Lynn Wilms, Veerle Buurman, Dominique Janssen e Janou Levels (Marisa Olislagers, aos 56'); Damaris Egurrola Wienke (Jackie Groenen, aos 56'), Wieke Kaptein (Victoria Pelova, aos 74') e Ella Peddemors (Daniëlle van de Donk, aos 56'); Lineth Beerensteyn, Romée Leuchter (Liz Rijsbergen, aos 74') e Esmee Brugts. Técnico: Arjan Veurink


Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina da FIFA - Europa - Grupo A2

Holanda 3x1 Polônia
Data: 9 de junho de 2026
Local: Polman/Asito Stadion (Almere)
Árbitra: Fabienne Michel (Alemanha)
Gols: Wieke Kaptein, aos 24', Romée Leuchter, aos 61', Liz Rijsbergen, aos 81', e Ewelina Kamczyk, aos 83'

HOLANDA
Lize Kop; Lynn Wilms (Kerstin Casparij, aos 60'), Veerle Buurman, Dominique Janssen (Renée van Asten, aos 46') e Marisa Olislagers; Damaris Egurrola Wienke, Wieke Kaptein e Daniëlle van de Donk (Victoria Pelova, aos 60'); Lineth Beerensteyn (Liz Rijsbergen, aos 75'), Romée Leuchter e Esmee Brugts. Técnico: Arjan Veurink

POLÔNIA
Kinga Seweryn (Kinga Szemik, aos 67'); Wiktoria Zieniewicz, Paulina Dudek, Oliwia Wos e Jagoda Cyraniak (Julia Walentowicz, aos 79'); Adriana Achcínska (Wiktoria Zawistowka, aos 46'), Patrycja Sarapata (Gabriela Grzybowska, aos 67') e Milena Kokosz; Paulina Tomasiak, Ewelina Kamcyzk e Nadia Krezyman (Claudia Macjaska, aos 67'). Técnica: Nina Patalon

segunda-feira, 8 de junho de 2026

A desconfiança cresce

A Holanda até conseguiu vencer o Uzbequistão, no último amistoso antes da estreia da Copa. Mas foi insuficiente para amenizar o baixo astral que impactou a Laranja. Na verdade, até aumentou a desconfiança (Maurice van Steen/ANP/Getty Images)

Não se pode falar que a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) chegará em crise para a sua estreia na Copa do Mundo, no próximo domingo, contra o Japão. Ainda assim, a vitória por 2 a 1 sobre o Uzbequistão, em amistoso tão leve que passou a impressão de jogo-treino, aumentou ainda mais as desconfianças sobre o que a Laranja pode fazer no Mundial. Diante de um clima obviamente abalado pelo corte de Jurriën Timber, anunciado cerca de uma hora antes do início do jogo, a repetição de alguns erros vistos na derrota para a Argélia, bem como outro susto de gol sofrido no final, só aprofundaram os olhares cada vez mais tortos de torcida e imprensa para a seleção neerlandesa.

Também como na partida contra os argelinos, a Laranja começou bem. Com escalação prévia bem próxima ao que se pretende para o enfrentamento contra o Japão (com o par Denzel Dumfries-Crysencio Summerville como o mais esperado pelo técnico Ronald Koeman), até que o começo foi seguro. Sem sofrer na defesa, houve velocidade no ataque, e dela surgiu a primeira chance, aos 9', quando Donyell Malen lançou e Crysencio Summerville só não finalizou porque o goleiro Utkir Yusupov saiu da meta. 

Com isso, surgiram as chances. E também os problemas, porque todas elas foram perdidas. Aos 10', logo após Yusupov impedir a finalização de Summerville, Cody Gakpo cruzou e Donyell Malen (outra partida em que não deu sequência à fase esplendorosa na Roma...), na pequena área, desviou pessimamente para fora. Aos 13', outra boa chance perdida: Gakpo cruzou da esquerda, Dumfries ajeitou já na área e Tijjani Reijnders completou por cima do gol. Depois, vieram dois chutes para fora (Ryan Gravenberch, aos 21', e Reijnders, aos 28'). Até que, finalmente, viesse o gol. De bola parada: aos 32', Summerville só teve a corrida parada por um carrinho do zagueiro Jakhongir Urozov. Pênalti marcado, que Gakpo transformou no 1 a 0.

Gakpo, com dois pênaltis e dois gols, novamente se mostrou decisivo no ataque (Maurice van Steen/ANP/Getty Images)

No segundo tempo, mesmo com o Uzbequistão chegando mais, mesmo lenta, a Laranja seguiu mais perigosa. Aos 51', Reijnders cobrou escanteio, e Virgil van Dijk cabeceou perto do gol; aos 55', Malen ajeitou, e Gakpo mandou a bola por cima da meta. Só que os problemas, pouco a pouco, aumentaram. Numa queda brusca aos 54', ao defender a bola pelo alto e se chocar com Abdukodir Khusanov, Bart Verbruggen sentiu dores lombares - e só aguentou mais alguns minutos, antes de ser substituído por Mark Flekken. Aos 62', outra chance de gol perdida: Malen cruzou, e Summerville escorou mal. Até mesmo o azar apareceu, num gol anulado de Brian Brobbey, aos 69'.

Os problemas seguiram, com o calor afetando mais e mais o ritmo de jogo. Ampliaram-se mais ainda com outra inesperada expulsão em amistoso: aos 85', Guus Til (substituto de Frenkie de Jong) desviou um longo lançamento com a mão, e tomou o cartão vermelho da juíza Alyssa Pennington. Se o que poderia ter sido pênalti virou falta fora da área - e desperdiçada por Otabek Shukurov -, o Uzbequistão conseguiu empatar, já nos acréscimos, quando um passe de Akmal Mozgovoy, dividido acidentalmente com Summerville, deixou a bola à feição para Igor Sergeev empatar. Seria um impacto a aumentar o baixo astral - só não piorado porque ainda houve tempo para mais uma chance (aos 90' + 4, cruzamento de Van de Ven, Summerville escorou na pequena área, Reijnders completou e Khusanov conseguiu bloquear). E também houve tempo para Gakpo, em outro pênalti surgido, conseguir garantir uma vitória para os holandeses antes da Copa do Mundo.

Mas até a estreia no próximo domingo, há muito a fazer para que as desconfianças não cresçam ainda mais do que já cresceram com os últimos amistosos.

Amistoso

Holanda 2x1 Uzbequistão
Data: 8 de junho de 2026
Local: Icahn Stadium (Nova Iorque)
Juíza: Alyssa Pennington (Estados Unidos)
Gol: Cody Gakpo, aos 32' e aos 90' + 8, e Igor Sergeev, aos 90' + 2

HOLANDA
Bart Verbruggen (Mark Flekken, aos 67'); Denzel Dumfries, Jan Paul van Hecke, Virgil van Dijk e Micky van de Ven; Ryan Gravenberch, Tijjani Reijnders e Frenkie de Jong (Guus Til, aos 71'); Crysencio Summerville, Donyell Malen (Brian Brobbey, aos 65') e Cody Gakpo. Técnico: Ronald Koeman

UZBEQUISTÃO
Utkir Yusupov; Abdukodir Khusanov, Jakhongir Urozov e Rustam Ashurmatov; Farrukh Sayfiev, Otabek Shukurov, Akmal Mozgovoy e Sherzod Nasrullayev; Abbosbek Fayzullaev (Djamshid Iskandarov, aos 77'), Eldor Shomurodov (Igor Sergeev, aos 77') e Oston Urunov (Dostonbek Khamdamov, aos 54'). Técnico: Fabio Cannavaro

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Duas gerações por uma vaga

A Holanda (ou os Países Baixos) está focada na Copa do Mundo masculina. Mas a seleção feminina, contando com as veteranas junto às novatas, está muito perto da vaga no Mundial feminino (KNVB/Divulgação)

Está certo que o foco, para quem acompanha futebol na Holanda (Países Baixos), já está na seleção masculina que caminha para disputar a Copa do Mundo, na América do Norte. Entretanto, um pouco do foco está na seleção feminina neerlandesa, também. Afinal de contas, a vaga direta na Copa do Mundo de 2027 está mais perto do que se pensava. Em primeiro lugar no grupo A2 das Eliminatórias Europeias, bastará que as Leoas Laranjas vençam Irlanda (sexta-feira, 5, às 15h45 de Brasília, na cidade irlandesa de Cork) e Polônia (próxima terça, 9, às 16h de Brasília, em Almelo) - no caso do jogo contra a Irlanda, uma vitória holandesa e outra da Polônia, contra a França, também resolve tudo por antecipação - para garantirem a vinda ao Brasil no ano que vem. E elas estão divididas claramente em duas gerações, na convocação para as duas decisões.

Se os grandes resultados contra a França nas duas rodadas passadas - vitória em 2 a 1 e empate por 1 a 1 - dependeram em grande parte das novatas (a estreante Renée van Asten na defesa; Wieke Kaptein no meio; Esmee Brugts no ataque), agora várias das veteranas estão de volta. E várias delas, superando problemas pessoais. Se Dominique Janssen retornou naturalmente ao se recuperar de lesão, Daniëlle van de Donk reconheceu o quanto a demora para voltar de problemas físicos no London City Lionesses, clube em que joga, a afetou mentalmente: "Na última vez [em que me machuquei], estava com minha esposa quando ouvi a notícia. Eu não aguentava mais, só queria chorar, foi muito duro, acho que foi o período mais duro da minha vida". Mesmo mais alegre, Jackie Groenen - também de volta à seleção - reconheceu os problemas com lesões no Paris Saint Germain: "Eu precisava passar tempo na academia, não entrava em campo. Então, isso me fazia sentir menos parte do grupo. Mas estou em forma, posso jogar". Além delas, também voltaram - e também podem jogar - Kerstin Casparij e Caitlin Dijkstra.

O técnico Arjan Veurink celebrou o retorno dos nomes experientes. Mas alertou, diante do ótimo resultado com as novatas contra a França: elas precisarão garantir a vaga (KNVB/Divulgação)

O técnico Arjan Veurink comemorou os retornos: "Experiência sempre é importante, que dirá para os jogos desta semana. Jogadoras acostumadas com partidas importantes podem ajudar. Daí, o valor de nomes como Van de Donk". Ao mesmo tempo, o treinador se valeu das grandes atuações das mais novas - e da boa fase delas, que o diga Veerle Buurman, eleita revelação da temporada na Inglaterra - para alertar: "Elas [veteranas] não estão todas garantidas de seus lugares, não importa o quanto sejam experientes". Além do mais, dois nomes importantes para as Leoas Laranjas ficarão fora dos jogos. Ainda sofrendo com dores renitentes no tornozelo, Daphne van Domselaar passou por cirurgia no local, e novamente desfalcará a Holanda (Países Baixos). E Vivianne Miedema, às voltas com problemas particulares - acompanha a mãe, em tratamento de problema de saúde -, falou com Arjan Veurink e foi liberada pelo próprio: "Se teve uma coisa que aprendi nos últimos anos, é que boa forma física e mental são importantes em jogos cruciais".

De fato, são jogos cruciais. Ainda mais a partida contra a Irlanda, nesta sexta: também podendo ter a vaga direta na Copa (está em terceiro lugar no grupo, com 6 pontos, só dois abaixo da Holanda), a equipe anfitriã conta com o destaque absoluto de Katie McCabe - a capitã fez cinco gols nos últimos sete jogos pelas irlandesas. Foi adversária dura nas rodadas de março, quando a Holanda só fez 2 a 1 nos minutos finais. E tentará impor seu jogo até em medidas pequenas, como reduzir as dimensões do estádio Páirc Uí Chaoimh, em Cork, ao mínimo exigido pela FIFA. O técnico Arjan Veurink minimizou tal medida ("Se elas acham que conseguem ganhar assim, tudo bem"), mas também manteve o alerta alto: "A Irlanda é um time com muita velocidade pelo meio, e muito difícil de ser superado quando recua". Parte de uma conclusão básica do técnico da Holanda: "Não há mais seleções pequenas, não na Europa. O que é ótimo, mostra como o futebol feminino se desenvolveu. Não há mais jogos fáceis".

Se é assim, é com as veteranas e as novatas que as Leoas Laranjas vão para as duas rodadas finais. Todas por uma vaga direta na Copa. Até para que continuem ouvindo elogios como os que o técnico ouviu de alguém que conhece bem: Sarina Wiegman, de quem foi auxiliar entre 2017 e 2025. "Ela tem achado a campanha ótima. Mandou uma mensagem e disse que está orgulhosa de mim".

As 23 convocadas da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

GOLEIRAS: Lize Kop (Tottenham Hotspur-ING), Daniëlle de Jong (Juventus-ITA) e Regina van Eijk (Ajax)

DEFENSORAS: Lynn Wilms (Aston Villa-ING), Kerstin Casparij (Manchester City-ING), Veerle Buurman (Chelsea),  Dominique Janssen (Manchester United-ING), Renée van Asten (Ajax), Ilse van der Zanden (Fiorentina-ITA), Caitlin Dijkstra (Wolfsburg-ALE, se transferindo para o Tottenham Hotspur-ING), Janou Levels (Wolfsburg-ALE) e Marisa Olislagers (Brighton-ING)

MEIO-CAMPISTAS: Damaris Egurrola Wienke (OL Lyonnes-FRA), Wieke Kaptein (Chelsea-ING), Victoria Pelova (Arsenal-ING), Ella Peddemors (Wolfsburg-ALE), Lotte Keukelaar (Real Madrid-ESP), Daniëlle van de Donk (London City Lionesses-ING), Jackie Groenen (Paris Saint Germain-FRA) e Nina Nijstad (PSV)

ATACANTES: Lineth Beerensteyn (Wolfsburg-ALE), Romée Leuchter (Paris Saint Germain-FRA), Esmee Brugts (Barcelona-ESP) e Liz Rijsbergen (PSV)