quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Inacreditável

A França já vinha melhorando antes deste gol de Griezmann, que abriu o placar. Daí por diante, foi o previsível diante de uma Holanda cada vez pior (Christophe Ena/AP)
O que é inacreditável? Seguramente, não é o fato da França ter vencido a Holanda, no grupo A das eliminatórias europeias para a Copa de 2018, nesta quinta. E diante do que se viu no campo do Stade de France, não é inacreditável nem mesmo a goleada por 4 a 0. Nada mais lógico do que ver uma seleção como a francesa, com vários jogadores cobiçados Europa afora, no último dia da janela de transferências, impondo seu nível técnico diante de uma Laranja cada vez mais desmoralizada.

De modo até curioso, o 4-3-3 com que a seleção holandesa entrou em campo (com a estreia de Timothy Fosu-Mensah pela equipe) até fez alguns minutos calmos, mantendo a posse de bola diante dos Bleus. Todavia, não tinha nenhum espaço para conseguir fazer jogadas, entre as linhas muito bem postadas e treinadas da equipe da casa. Aí, foi o de sempre: a partir dos 10 minutos do primeiro tempo, a equipe azul começou a ter mais a posse de bola. E diante de uma Holanda com incapacidade crônica de se recompor rapidamente na defesa, ditou o jogo como e quando quis.

Opções de jogada para os franceses não faltavam. Na esquerda, Layvin Kurzawa sempre estava à disposição para os ataques; na direita, eram dois jogadores à disposição, com Djibril Sidibé e Kingsley Coman (ótima atuação); pelo meio, N'Golo Kanté mostrava não só a disposição de sempre nos desarmes, mas também alta capacidade para trabalhar a bola. O único problema francês era a atuação deficiente de Paul Pogba. Por sorte, Antoine Griezmann voltava quase sempre ao meio para acelerar o jogo. Assim conseguia fazer jogadas, com o grande espaço que a defesa holandesa oferecia. Assim Griezmann abriu o placar, aos 14', após tabela com Olivier Giroud, passando facilmente por Wesley Hoedt, que apenas prestou atenção na bola.

Para a seleção holandesa, o pior não era perder. Até porque a Bulgária "fazia seu papel", com a vitória momentânea sobre a Suécia na partida simultânea. O pior era notar que não havia como avaliar sua atuação, porque... não havia atuação. Os desarmes eram facilmente feitos já quando Kevin Strootman ou Georginio Wijnaldum tinham a bola. Ou seja, a esférica sequer chegava a Wesley Sneijder ou Arjen Robben, para a criação de jogadas - quando muito, Quincy Promes a tinha nos pés. Para nem falar de Vincent Janssen, escolhido como atacante titular, que tocou na bola apenas nove vezes nos primeiros 45 minutos. Em suma: o goleiro da França, Hugo Lloris, sequer precisou fazer uma defesa digna do nome. Enquanto isso, Jasper Cillessen sempre precisava de atenção na meta holandesa - se falhou no gol de Griezmann, levado por baixo das pernas, fez boa defesa em arremate de Coman, aos 39'. Para piorar, a Suécia empatou contra a Bulgária no fim da etapa inicial.

Algo precisava ser feito. Dick Advocaat tentou fazer: para acelerar o meio-campo holandês, tirou Sneijder e colocou Tonny Vilhena para o segundo tempo. O espaço para jogadas laranjas até apareceu, já que a França começou a avançar. Ainda assim, na hora de perturbar o adversário, os anfitriões eram muito mais efetivos em Saint-Denis. O segundo gol quase veio já aos 53', quando Giroud e Pogba tiveram a bola nos pés, mas chutaram-na em cima da defesa. A velocidade do meio-campo francês desnorteava a Holanda, e o símbolo disso foi Kevin Strootman, expulso em seis minutos: levara o amarelo aos 56', após derrubar Kanté com um carrinho, e recebeu depois o vermelho - até injusto, pelo juiz Gianluca Rocchi ver pisão inexistente do camisa 8 holandês em Griezmann.

Cheia de lamentações como as de Van Persie, a Holanda ainda pode chegar à Copa, por incrível que pareça (Stanley Gontha)
Aí, já não adiantava nada. Nem a entrada de Robin van Persie, substituindo Janssen para tentar fazer o ataque holandês aparecer mais. Nem a grande chance do empate que Robben perdeu aos 69': após erro de Lloris na saída de bola, Promes cruzou da esquerda, e o capitão da Laranja cabeceou na área, em cima de Samuel Umtiti, que estava na pequena área. Não adiantava mais, porque os espaços estavam ainda mais abertos, e a França só precisava aproveitar uma. Aproveitou aos 73', com o belo gol de Thomas Lemar. Jogo definido, até Kylian Mbappé, febre europeia, pôde entrar - e marcar seu primeiro gol, o quarto da França, já nos acréscimos, minutos após Lemar fazer o terceiro. Sem contar outras ocasiões em que Cillessen precisou defender - como em chutes de Mbappé, aos 80', e Alexandre Lacazette, aos 87'.

4 a 0. Não era apenas a pior derrota da Holanda para a França; era também a pior derrota da história holandesa em partidas de competição, excetuando-se os torneios olímpicos. Houve força apenas para declarações humildes de Dick Advocaat, à emissora holandesa NOS: "Nunca estivemos no ritmo do jogo. A França foi muito melhor, em todos os aspectos. E 4 a 0 é um resultado exagerado, estou um pouco chocado". Na zona mista, Kevin Strootman criticou o árbitro sem se esquecer de apontar o dedo para a sua péssima atuação, frouxa na marcação: "O juiz foi do mesmo nível que eu, hoje". E Sneijder foi definitivo: "Precisamos conversar bastante. Não conseguiremos mais chances". Chances? Pois é, a Holanda ainda tem. No fim do jogo, a Bulgária fez 3 a 2 na Suécia - para ânimo repentino de Robben, que soube enquanto falava à NOS: "Sério [que a Bulgária ganhou]? Ótimo, vou contar ao pessoal no vestiário! Parabéns à França, e agora temos de partir para a Bulgária".

Se por um lado o triunfo búlgaro representou a queda laranja para a quarta posição do grupo A, com 10 pontos, abriu possibilidade para superar Bulgária e Suécia nos jogos diretos e ainda conseguir lugar na repescagem - a Bulgária, aliás, já pode ser superada no domingo, em Amsterdã. De mais a mais, a diferença no saldo de gols para a Suécia (7 dos suecos, 3 dos holandeses) ainda é descontável. 

Ou seja: apesar de desmoralizada, a seleção da Holanda ainda depende de suas próprias forças para alcançar a repescagem nas eliminatórias europeias. Não merece chegar à Copa, mas ainda sonha com ela. Isso, sim, é inacreditável. Aliás, quem consegue acreditar que a Holanda ganhará da Bulgária?

Eliminatórias para a Copa de 2018 - Europa
França 4x0 Holanda
Data: 31 de agosto de 2017
Local: Stade de France, em Saint-Denis
Juiz: Gianluca Rocchi (Itália)
Gols: Antoine Griezmann, aos 14'; Thomas Lemar, aos 73' e 88', e Kylian Mbappé, aos 90' + 1

França
Hugo Lloris; Djibril Sidibé, Laurent Koscielny, Samuel Umtiti e Layvin Kurzawa; N'Golo Kanté, Kingsley Coman (Alexandre Lacazette, aos 80'), Paul Pogba e Thomas Lemar; Antoine Griezmann (Nabil Fekir, aos 89') e Olivier Giroud (Kylian Mbappé, aos 75')  Técnico: Didier Deschamps

Holanda
Jasper Cillessen; Timothy Fosu-Mensah, Stefan de Vrij, Wesley Hoedt e Daley Blind; Georginio Wijnaldum e Kevin Strootman; Arjen Robben, Wesley Sneijder (Tonny Vilhena, no intervalo) e Quincy Promes; Vincent Janssen (Robin van Persie, aos 64'). Técnico: Dick Advocaat

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Apostando em tudo que pode

Holanda se prepara com toda a concentração. Afinal, as datas FIFA praticamente definirão o destino nas eliminatórias da Copa (ANP)

Após tantas decepções, principalmente nos últimos dois anos, a seleção da Holanda não recebe muita confiança – e nem a merece, aliás. Todavia, na rodada passada do grupo A das eliminatórias europeias para a Copa de 2018, a vitória sobre Luxemburgo (e a derrota da França para a Suécia) devolveu um pouco a esperança à Laranja. Enfim, chegou a hora de confirmar tal esperança – ou de afundar no desânimo. Porque, a partir destas datas FIFA, todas as partidas serão “decisões”. A primeira, nesta quinta-feira, já é a mais importante de todas: contra a França, em pleno Stade de France. E a Holanda precisa ganhar.

Pode parecer exagero, mas é a única alternativa para a equipe, se ainda quiser depender só de si para ter uma das duas vagas - direta ou na repescagem – e tentar estar na Rússia a partir de 14 de junho de 2018. Além de ser o resultado mais esperado pela maioria, uma derrota para os Bleus (na segunda colocação do grupo, com 13 pontos) seria naturalmente desastrosa para a Oranje (3ª colocada, com 10): a diferença dentro do grupo poderia ir a seis pontos, tanto para os franceses quanto para os suecos (líderes, com 16 pontos), caso estes vençam o jogo direto e simultâneo contra a Bulgária, em Sófia. Ou seja, a Holanda ficaria praticamente fora da Copa, se ausentando de outro torneio grande em sequência, pela primeira vez em 32 anos - não esteve nem na Euro 1984, nem na Copa de 1986. 

Nem mesmo um empate ajudaria: se por um lado, viria um ponto, pelo outro seguiria até o risco de cair para a quarta posição, em caso de vitória búlgara. Vencer seria triplamente importante. Primeiro, porque devolveria a Holanda definitivamente à disputa por uma vaga na Copa, podendo ficar a apenas um ponto da liderança, caso Suécia e Bulgária empatem. Segundo, porque colocaria a equipe laranja numa posição insuspeita de vantagem para as “decisões” seguintes: jogaria em casa contra Bulgária (já no próximo domingo, em Roterdã, às 13h) e Suécia (fechando a campanha nas eliminatórias, às 15h45 de 10 de outubro). Terceiro, e talvez mais importante: daria motivos para confiança na equipe holandesa. 

Para tentar alcançar tal façanha, Dick Advocaat fez uma convocação na qual decidiu apostar em todos os recursos à disposição. Jovens com potencial? Estão lá: apostou-se em Kenny Tete, de ótimo começo pelo Lyon na temporada. Donny van de Beek, que tem mostrado personalidade ao substituir Davy Klaassen no meio-campo do Ajax, foi chamado pela primeira vez - ainda que tenha falhado num dos gols do Rosenborg, na partida que eliminou o Ajax da Liga Europa. Wesley Hoedt, de atuação promissora contra Luxemburgo, também figurou entre os 23 - como Tonny Vilhena, que segue fundamental no Feyenoord, e Matthijs de Ligt, ainda badalado no Ajax. Até mesmo Timothy Fosu-Mensah, chamado para a seleção holandesa sub-21 que também jogará, foi incluído às pressas no elenco principal, caso Tete seja cortado (sente dores no joelho).

As surpresas começaram com alguns retornos. Quase três anos e meio após sua primeira e única partida pela Oranje adulta (justamente contra a França – um amistoso, em março de 2014, também em Saint-Denis), o zagueiro Karim Rekik foi chamado, mesmo ainda iniciando sua passagem pelo Hertha Berlim. Ao chegar à apresentação, no hotel Huis ter Duin, na cidade de Noordwijk, Rekik assumiu: “Eu não contava com isto [a convocação], mas só torna ainda melhor”. Porém, Rekik claramente será reserva. A maior surpresa veio no ataque.

Claro, a convocação de Advocaat não ousaria prescindir de Wesley Sneijder e Arjen Robben – mesmo ainda voltando de lesão lombar sofrida nas férias, bastou Robben jogar confiavelmente pelo Bayern de Munique para estar na lista. O inesperado veio com a presença de Robin van Persie. Que estivesse na lista preliminar, tudo bem – nela estava até mesmo Ryan Babel, presença também surpreendente. Mas pouco se previa que Van Persie ficaria entre os 23 finais. E as evasivas declarações de Dick Advocaat para justificá-la (“Ele ainda é um dos melhores atacantes holandeses, por isso foi convocado. Havia dúvidas sobre sua forma, mas ele tem jogado pelo Fenerbahçe”) não esclareceram a surpresa. Ficou na conta do tempo juntos, no clube turco.

Volta de Van Persie surpreendeu. Seja como for, é a grande chance do atacante ter um novo final em sua trajetória na seleção (ANP)
De todo modo, se há uma ocasião para Van Persie reescrever o final de sua história com a camisa laranja, aos 34 anos recém-completos, é essa. Até porque sua última partida – há quase dois anos, em 13 de outubro de 2015 -, foi justamente a vexatória derrota por 3 a 2 para a República Tcheca, em plena Amsterdam Arena, confirmando a ausência holandesa da Euro 2016, com direito a gol contra “à la Oséas” do próprio atacante. Que, mesmo do alto da fama de maior goleador da história da seleção (50 gols), se apresentou com humildade: “Nem sempre eu estive bem o suficiente para ser convocado, a vida no futebol é assim, eu entendo, não tenho rancor de ninguém [pela ausência]. Estou apenas feliz. Não é a situação ideal para voltar, mas se temos uma chance, temos de buscá-la com tudo”. 

Uma lesão no ombro sofrida contra o Vardar-MCD, pela Liga Europa, quase causou seu corte, mas ter se apresentado e participado dos treinos desde segunda-feira passada faz crer que, se necessário, Van Persie pode até começar jogando. Não é provável, já que Dick Advocaat ainda aposta em Vincent Janssen ou Bas Dost como opções principais. Mas convém pensar que ele possa ser uma surpresa (jogaria junto de Sneijder e Robben pela primeira vez desde novembro de 2014), diante da grande experiência do retornado e das decepcionantes atuações de Janssen e Dost vestindo laranja - ainda mais no caso de Dost, que segue bem no Sporting. Assim como também surpreenderá o retorno do 5-3-2 visto na Copa do Mundo passada, opção experimentada num treino sem a imprensa, em Amsterdã, nesta terça.

De resto, o discurso foi o previsível: cheio de otimismo e vontade. Às vezes com mais introspecção, no caso do estreante Van de Beek, que apenas se disse “lisonjeado” pela confiança de Advocaat. Com mais ousadia, no caso do próprio técnico da seleção: “Por que não podemos vencer? Não devemos ter medo, também temos bons jogadores”. Com reconhecimento dos próprios erros, no caso de Kevin Strootman: "A pressão é grande, mas permitimos que isso acontecesse". E com a confiança digna do capitão que Robben é: “Não podemos pensar que somos menores. Podemos dizer que será difícil, e que a França tem um melhor time. Mas se é para pensar assim, é melhor ficar em casa”.

E chegou a hora da Holanda tentar evitar o destino pessimista que se prevê para ela nas eliminatórias da Copa. Por mais que também tenha muito o que melhorar, a França parece melhor e mais capacitada tecnicamente para deixar a Oranje definitivamente afastada do Mundial. Uma derrota no Stade de France teria até consequências futuras: representaria o fim da geração de Robben, Sneijder e Van Persie, além de transformar as três partidas restantes da qualificação em amistosos potencialmente melancólicos. Mas a Holanda irá a campo apostando em tudo o que pode apostar para tentar surpreender. Se serve de ânimo, também era assim antes de pegar o Brasil, na Copa de 2010, ou a Espanha, na Copa de 2014...

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 30 de agosto de 2017)

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Guia da Eerste Divisie (segunda divisão)

Na curiosa segunda divisão holandesa, objetivo para os clubes "normais" é repetir VVV-Venlo: campeão e promovido diretamente (knvb.nl)
Datas FIFA. Semana para a maioria dos campeonatos europeus parar completamente (motivo de desgosto para alguns)... menos a Eerste Divisie, a segunda divisão holandesa. Mais uma característica pitoresca, num torneio já tão curioso - por motivos que logo serão citados aqui. O próximo final de semana já terá, aliás, a terceira rodada da liga de acesso, na qual 20 clubes sonham com três vagas de promoção à Eredivisie: uma direta, para o campeão, e duas via repescagem (que já foi descrita aqui, e não será descrita de novo, para evitar o nó no cérebro dos leitores).

Aliás, a iniciativa de não parar a segunda divisão enquanto as seleções europeias foi pedido... dos próprios clubes, por meio da CED (Cooperatie Eerste Divisie), entidade que une a maioria das agremiações. De acordo com Maarten van den Broek, porta-voz da CED, a mudança se deu "para tornar possível um começo mais tardio da liga, e para a tabela prever menos jogos às segundas. Foi um desejo forte, tanto de torcedores quanto de clubes. (...) As partidas de sexta são bem mais vistas do que as partidas das segundas. Uma vantagem que vem junto disso é o fato de que quatro jogos da segunda divisão serão transmitidos pela tevê no próximo fim de semana. Fazia tempo que não acontecia".

Se jogar mesmo nas datas FIFA facilita, fica ainda mais fácil chamar alguma atenção quando se joga contra as equipes B dos clubes da Eredivisie, mesmo que essas sejam obviamente impedidas de subirem. E tal fenômeno vai aumentando pouco a pouco na segunda divisão. Se no começo apenas Jong Ajax e Jong PSV eram aceitos, até por pressão da FOX Sports, emissora a cabo que mostra o campeonato - equipes B de clubes grandes já são chamarizes de mais audiência -, agora os méritos são até esportivos. Caso do Jong AZ, equipe B do clube de Alkmaar, campeã da Tweede Divisie (equivalente à terceira divisão) na temporada passada.

Enfim, sem mais delongas, hora de pequenos textos sobre dois tipos de clube: os "times B" dos grandes e aqueles que realmente sonham com um lugar na Eredivisie.

Os "Jong elftallen" (times B)

"Jong elftallen". Em holandês, "times de jovens". Exatamente para isso servem as equipes B dos clubes que jogam a Eredivisie: educarem atletas promissores a figurarem no ambiente de competição, antes de serem promovidos ao time principal. É o que acontece no Jong Ajax, em que o ex-lateral Michael Reiziger (técnico que sucede Marcel Keizer, inesperadamente "promovido" a treinador dos principais) terá as funções de seguir com boas campanhas, como no vice-campeonato de 2016/17, e encaminhar jovens ao time principal, como o zagueiro Damil Dankerlui - já promovido - e os atacantes Kaj Sierhuis e Robert Muric.

Caminho semelhante segue o PSV, no qual o técnico Dennis Haar terá até mais promessas que podem estrear/já estrearam na Eredivisie: o goleiro Yanick van Osch, o zagueiro Armando Obispo, o lateral Kenneth Paal, os meio-campistas Albert Gudmundsson e Mauro Júnior (brasileiro vindo do Desportivo Brasil), e o atacante Matthias Verreth. Capacidade para Haar não falta: afinal, ele vem justamente do Jong AZ, campeão da terceira divisão - e que jogará com destaques como o goleiro Nick Olij e o atacante Jeremy Helmer. No Jong Utrecht, a esperança é o atacante Nick Venema. De quebra, se algum jogador da equipe principal estiver lesionado... ele recupera ritmo de jogo no próprio time B.

Os de sempre

Em geral, time que cai da Eredivisie quase sempre disputa o acesso na temporada seguinte. A não ser algumas exceções - como o RKC Waalwijk, rebaixado em 2014/15 e vivendo grave crise atualmente. De resto, o NEC tem tudo para fazer o bate-e-volta rumo à Eredivisie - até por contar com bons jogadores, como o meio-campista Gregor Breinburg e o atacante Jordan Larsson (sim, filho do ex-atacante sueco Henrik). O Go Ahead Eagles manteve boa parte do time lanterna na temporada passada, com os atacantes Leon de Kogel e Sam Hendriks como destaques, mas terá mais dificuldades. Até porque times que disputaram a repescagem de acesso/descenso, como Volendam e MVV Maastricht, já buscam a volta à elite do futebol holandês há muito tempo. Quem sabe consigam... e ainda há o De Graafschap, também tradicional

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

810 minuten: como foi a 3ª rodada da Eredivisie

Enquanto Ragnar Ache é coberto pelos abraços no empate do Sparta, o NAC Breda lamenta a falta de cuidados (ANP/Pro Shots)

NAC Breda 2x2 Sparta Rotterdam (sexta-feira, 25 de agosto)

Jogando em casa, o NAC Breda buscava seu primeiro ponto na temporada com a equipe jovem de sempre (na rodada passada, contra o PSV, a média de idade era de 21,2 anos). Todavia, o time aurinegro sofreu contra o Sparta, cuja defesa mais experiente controlou a pressão. Até os 42', quando veio o merecido 1 a 0: José Ángel, o "Angeliño", cobrou falta, o capitão Pablo Marí escorou, e o goleiro Roy Kortsmit ainda rebateu antes de Marí conferir de novo, de vez, para o filó da equipe de Roterdã. Já aos 51', no segundo tempo, veio o segundo gol da "Pérola do Sul": Angeliño cobrou escanteio, e Rai Vloet cabeceou forte, sem chances de defesa. 

Animado, o NAC foi em busca de mais gols. Foi seu azar: o Sparta começou a chegar, em perigosos contragolpes. Até que, aos 70', Ragnar Ache puniu o time da casa: Craig Goodwin cobrou córner, Michel Breuer escorou, e Ache diminuiu a vantagem. Ainda assim, o time de Breda seguiu ofensivo. Teve a bola do jogo aos 81', quando Manu García deixou Thierry Ambrose livre para concluir e o atacante chutou para fora. Castigo: aos 84', Ache fez seu segundo e garantiu um ponto valioso para o Sparta - em posição legal, ao contrário do que os jogadores do NAC reclamaram.

A derrota na final da Copa da Holanda tinha passado? Não para Weghorst: fez os dois da vitória do AZ sobre o Vitesse e assumiu se sentir vingado (ANP/Pro Shots)

Vitesse 1x2 AZ (sábado, 26 de agosto)

"Não tenho o sentimento de revanche", foi o que disse o técnico do AZ, John van den Brom, antes do jogo em Arnhem, lembrando a derrota para o Vitesse na final da Copa da Holanda. Mas pelo menos durante o primeiro tempo, pareceu que os visitantes de Alkmaar tinham algo a provar. Porque a superioridade contra o Vites, que vinha de duas vitórias em dois jogos, foi gigante. A começar pelo gol do 1 a 0, aos 3': Marko Vejinovic passou a bola a Wout Weghorst, que concluiu para as redes. E embora o time da casa tenha buscado o empate, as chances mais perigosas foram dos Alkmaarders - destaque para o chute de Alireza Jahanbakhsh que mandou a bola na trave, aos 38'.

Mesmo com o Vitesse recompondo a defesa após o intervalo (Matt Miazga entrou no lugar de Arnold Kruiswijk), o AZ seguiu mais perigoso no segundo tempo. Guus Til quase fez aos 49', o goleiro Remko Pasveer defendeu bem a bola vinda dos pés de Mats Seuntjens aos 53', Jonas Svensson mandou a bola no travessão aos 65'... sem aproveitar as chances, o castigo veio aos 68', com o empate do Vitesse: Bryan Linssen cruzou para Tim Matavz cabecear, fazer 1 a 1 e se fortalecer como o goleador da equipe em potencial (três gols em três jogos, média que não acontecia com alguém do Vitesse desde Pierre van Hooijdonk em 1999/2000). Mas aos 80', jogada semelhante ao primeiro gol deu a vitória aos visitantes: passe de Vejinovic, finalização de Weghorst. Ao vencer aquele que liderava provisoriamente a Eredivisie, o AZ declarou: merece respeito durante a temporada. Ah, sim: e Weghorst comentou que era, sim, vingança ("Finalmente eu tive o que queria").

O jogo em Haia estava monótono. Até Thorsby marcar dois gols e encaminhar a primeira vitória do Heerenveen (ANP/Pro Shots)

ADO Den Haag 1x2 Heerenveen (sábado, 26 de agosto)

Num jogo entre dois times que ainda têm o que mostrar no Campeonato Holandês (o Heerenveen vinha de dois empates; o Den Haag, pior, sequer marcara gols), o primeiro tempo "justificou" os começos ruins: poucas emoções no estádio em Haia. Martin Odegaard e Arber Zeneli ainda tentaram alguns chutes de fora, mas nada que incomodasse o goleiro Robert Zwinkels. Somente nos 45 minutos finais as coisas melhoraram. Aos 56', Morten Thorsby quase fez, mas passou da bola num cruzamento de Denzel Dumfries. No minuto seguinte, alívio: Dumfries cruzou, Thorsby chegou a tempo, desviou, 1 a 0 para os visitantes da Frísia.

Depois, o meio-campista Yuki Kobayashi e o zagueiro Kik Pierie ainda tentaram algo para o Fean. Todavia, uma jogada semelhante à do 1 a 0 traria o 2 a 0 à equipe alviazul, aos 66': Pierie deixou a esférica com Dumfries, o lateral direito cruzou, e Thorsby estava lá na área de novo para balançar o filó dos mandantes. O time de Haia partiu para tentar a salvação no final, e começou bem: aos 78', Bjorn Johnsen completou escanteio e marcou o primeiro dos mandantes auriverdes. A pressão aumentou, e nos acréscimos (90' + 5!), Elson Hooi teve a bola do jogo para o empate, mas Daniel Hoegh tirou em cima da linha para escanteio que não deu em nada. E o Heerenveen comemorou a primeira vitória.

Mokhtar (no alto) simbolizou com seu belo gol a ótima atuação do Zwolle: vitória e alto da tabela (Henry Dijkman/VI Images)

Zwolle 2x0 Twente (sábado, 26 de agosto)

Mesmo empatando com o Sparta Rotterdam, o Zwolle vinha num começo promissor, com quatro pontos em duas rodadas. Já o Twente tinha motivos para se preocupar: estrear perdendo para o Feyenoord era previsível, mas cair para o VVV-Venlo não estava nos planos - assim como foi inesperada a transferência do zagueiro Joachim Andersen para a Sampdoria-ITA, anunciada na sexta. O que se viu no primeiro tempo do jogo no Mac³Park foi a prova dessas duas coisas, a preocupação dos Tukkers e o otimismo dos Zwollenaren. O domínio dos mandantes foi claro (visto desde a bola no travessão de Younes Namli, logo aos 4'), e confirmado com o belo gol de Youness Mokhtar, aos 33': Bram van Polen ajeitou para o chute forte do meio-campista, de fora da área, "na gaveta".

Com a entrada de Isaac Buckley-Ricketts no intervalo, o Twente começou o segundo tempo buscando o empate. Quase o conseguiu com Tom Boere, duas vezes: aos 50', num chute para bela defesa de Diederik Boer, e aos 61', quando o atacante driblou Philippe Sandler, mas chutou muito por cima. Azar: aos 78', Dejan Trajkovski derrubou Kingsley Ehizibue na área, Ed Janssen marcou o pênalti, e Van Polen partiu para cobrar com segurança e fazer o 2 a 0 que colocou os "Dedos Azuis" nas primeiras posições da tabela. Está voltando o surpreendente Zwolle?

O Excelsior saiu atrás, mas conseguiu o empate contra Heracles e teve chances de vencer num bom jogo (ANP/Pro Shots)

Heracles Almelo 2x2 Excelsior (sábado, 26 de agosto)

O Heracles já começava o jogo no gramado sintético do estádio Polman com uma "derrota" simbólica: convocado para a seleção da Suécia que jogará partidas nas eliminatórias para a Copa de 2018, o valorizado Samuel Armenteros ficou de fora dos relacionados, pois está próximo de uma transferência nos últimos dias da janela. Porém, não houve motivos para a torcida dos Heraclieden lamentar: Brandley Kuwas assumiu o destaque que deverá ser dele. Aos 15', Kuwas marcou um belíssimo gol para abrir o placar: chute de fora da área, sem a menor esperança de defesa para Alessandro Damen. Só que a resposta do Excelsior levou apenas um minuto: aos 16', Luigi Bruins fez 1 a 1.

Depois, os visitantes tiveram um duro golpe em seu ataque, com a saída de Stanley Elbers já aos 23', por dores no joelho. O Heracles, por sua vez, perdeu Kuwas no intervalo, dando lugar ao meio-campista Jamiro Monteiro. Ainda assim, aos 52', uma falha do zagueiro Wout Faes recolocou os mandantes na frente: Faes perdeu o tempo de bola, Paul Gladon o driblou e finalizou para o 2 a 1. O equilíbrio voltou aos 63', quando Jinty Caenepeel (substituto de Elbers) empatou de novo, aproveitando bola que batera na trave, em chute de Zakaria El Azzouzi. E o jogo teve mais chances de gol: Bram Castro defendeu bem falta cobrada por Hicham Faik aos 75', Damen salvou o Excelsior em arremate de Joey Pelupessy nos acréscimos. Empate justo para um bom jogo.

O Willem II até sonhou em fazer frente ao Feyenoord. Ilusão: Vilhena e Berghuis marcaram, e a goleada foi fácil (ANP/Pro Shots)

Feyenoord 5x0 Willem II (domingo, 27 de agosto)

O Willem II saiu de Tilburg com um objetivo: apostar nos contra-ataques. Com uma linha de cinco jogadores na defesa, os Tricolores procurariam se fechar, além de sair rapidamente. Serviu para um começo promissor. Logo aos 44 segundos,  Ismail Azzaoui apareceu pela direita, recebeu livre a bola e cruzou. A pelota passou por Brad Jones, mas Kevin Diks estava a postos e tirou da área com um carrinho.

O Feyenoord tinha a bola, mas não conseguia entrar na compactada defesa dos Tilburgers visitantes. Parecia um jogo difícil, mas uma bola parada começou a resolver tudo, aos 13'. Em escanteio, a bola foi para a área, Diks subiu livre para cabecear, e Jens Toornstra fez 1 a 0, ao escorar levemente no canto direito do goleiro Timon Wellenreuther - tão levemente que ainda houve dúvida se o gol fora do meio-campista ou de Diks.

Estavam abertos o caminho e a defesa do Willem II. Irremediavelmente. Aos 15', Toornstra  arriscou, de fora da área, mandando a bola pela linha de fundo. Mas no minuto seguinte, foi a conhecida jogada pela esquerda que rendeu o gol do 2 a 0. Ridgeciano Haps tabelou com Jean-Paul Boëtius, recebeu de volta, cruzou, Nicolai Jorgensen fez o corta-luz na área, e a bola ficou à feição para Steven Berghuis bater forte e fazer o segundo do Stadionclub. A vitória ficou definitivamente encaminhada aos 19', com o terceiro gol. Berghuis passou a bola a Diks, o lateral direito cruzou, a bola passou por toda a área e encontrou Toornstra, que cabeceou no contrapé de Wellenreuther para o 3 a 0.

Dominando plenamente, o Feyenoord ainda teve chances aos 24', quando Nicolai Jorgensen arriscou, mandando por cima do gol. Nem mesmo a saída precoce de Haps (lesão no joelho, dando lugar a Miquel Nelom aos 25') perturbou a equipe em De Kuip. E aos 39', uma jogada ensaiada transformou a vitória em goleada, com o quarto gol. Nelom cobrou escanteio rolando a bola para Boëtius, e deste a esférica foi para Tonny Vilhena, que bateu forte, de fora da área, no canto direito de Wellenreuther.


Com o jogo definido, o segundo tempos serviu apenas para o Feyenoord poupar atletas: Jorgensen cedeu lugar a Michiel Kramer já no intervalo, e aos 66' houve espaço para a estreia de Cheick Tioté, apenas 16 anos (nasceu em 7 de fevereiro de 2001), no lugar de Berghuis. Só aos 75' o Willem II só tentou algo, com chute de Pedro Chirivella que Brad Jones rebateu. Mas o quinto gol apagou qualquer ânimo, aos 80'. Ainda na área após escanteio, Eric Botteghin dominou a bola e foi derrubado por Freek Heerkens. Bas Nijhuis apitou o pênalti, e Boëtius bateu no canto esquerdo, deixando Wellenreuther parado no meio do gol: 5 a 0, continuando o tranquilo começo do campeão holandês na temporada - único clube da Eredivisie com três vitórias em três jogos.

Pressão, sol forte, grama sintética ruim... Ajax superou os obstáculos e a tensão para vencer e minorar a crise (ANP/Pro Shots)

VVV-Venlo 0x2 Ajax (domingo, 27 de agosto)

Após a pesada decepção contra o Rosenborg-NOR, pela Liga Europa, o Ajax precisava de uma vitória para colocar panos quentes na crise interna crescente. Não teria tarefa fácil: afinal, o recém-promovido VVV-Venlo vencera suas duas primeiras partidas, e novo triunfo representaria o melhor começo da história dos Venlonaren no Campeonato Holandês. Até por isso, o time da casa começou pressionando no primeiro tempo. Logo aos 3', em cobrança de escanteio, Jerold Promes cabeceou por cima do gol. Aos 7', Vito van Crooij avançou pela esquerda com a bola, mas Nick Viergever o cortou na hora do chute, para escanteio. No córner subsequente, Nils Röseler trouxe mais perigo: seu cabeceio mandou a bola para fora, rente à trave esquerda de André Onana.

No meio da etapa inicial, enfim os visitantes de Amsterdã começaram a atacar. Aos 18', num contragolpe enfim encaixado, Kasper Dolberg deixou a bola com Vaclav Cerny. Mesmo com dois marcadores à sua frente, o atacante tcheco chutou, e Lars Unnerstall conseguiu agarrar firme, evitando que a bola saísse após desvio num zagueiro. Depois, aos 23', houve um chute de Matthijs de Ligt, de muito longe - e para muito longe. Finalmente, aos 29', Amin Younes tentou duas vezes a jogada pela esquerda. Na segunda vez, cruzou, mas Moreno Rutten tirou da área, de cabeça. Na sequência, o atacante alemão tentou o chute colocado na entrada da área, mas a bola do arremate foi em cima de Promes. Mais um minuto, e aos 30' foi Donny van de Beek quem chegou: o camisa 6 arrematou de fora, perto do gol de Unnerstall.

Na grama sintética do estádio De Koel (grama pessimamente mantida, aliás, tirando grãos de borracha a cada chute e causando reclamações gerais), os dois times se equilibravam. Apostando no contra-ataque, o VVV chegou novamente aos 37': Van Crooij dominou pela direita, e deixou a bola para o chute de Tarik Tissoudali, que vinha mais pelo meio. E Onana agarrou com firmeza a bola vinda de Tissoudali. Depois, aos 43', Danny Post arrematou perto da área, para outra defesa do goleiro camaronês do Ajax. Os Amsterdammers mantinham a posse de bola, como sempre. Mas ainda eram mais tímidos na busca do gol - como aos 40', num leve cabeceio de Dolberg, sem dificuldades para Unnerstall defender. Mais perigo trouxe Younes, com o bonito chute aos 45', perto da trave.

Huntelaar acalmou o time, mas David Neres se destacou mais entre as duas substituições, com o belo gol (Louis van de Vuurst/Ajax.nl)

Para o segundo tempo, o técnico Marcel Keizer decidiu apostar novamente numa mudança tática para o Ajax: o 4-3-3 de sempre virou 3-4-3, com David Neres substituindo o lateral Mitchell Dijks, enquanto Klaas-Jan Huntelaar vinha para o lugar de Cerny. Deu certo, porque as chances dos Godenzonen cresceram. Aos 47', Dolberg bateu de longe, e Unnerstall foi defender no canto direito. No seu primeiro chute, aos 49', quase Neres teve sucesso: o camisa 7 cruzou, a bola resvalou em Leroy Labylle e só não entrou porque Unnerstall, atento, espalmou por cima.

Bastaram algumas jogadas encaixarem para a vitória ser encaminhada. Aos 55', o gol que aliviou um jogo equilibrado. Younes cruzou da esquerda com perfeição, e Huntelaar escorou inteligentemente. Van de Beek, sozinho no meio da área, só teve o trabalho de chutar para as redes e fazer 1 a 0. A chance para fechar a questão na cidade de Venlo veio aos 70', e David Neres aproveitou. Van de Beek lançou a bola em profundidade para o camisa 7, que dominou já entrando na área, em posição legal, e tocou com classe por cima de Unnerstall, fazendo belo gol.

Com a vantagem encaminhada, Younes quase marcou um golaço aos 81': numa só finta driblou Lennart Thy e Promes, chutando para Unnerstall espalmar. O goleiro alemão ainda ficou no caminho de Huntelaar, impedindo o camisa 9 de marcar em sequência no minuto seguinte. Todavia, já não havia mais dúvidas da segunda vitória do Ajax no Campeonato Holandês - que, pelo menos, minora a crise que ronda o clube. E dá a Marcel Keizer uma possibilidade tática, com o êxito do 3-4-3.

O Utrecht é mais time? Teve mais chances? Sem problemas: o Groningen fez os gols e levou a vitória (ANP/Pro Shots)

Groningen 2x1 Utrecht (domingo, 27 de agosto)

Havia tempos o Campeonato Holandês não tinha um resultado tão... injusto. Porque desde o começo do jogo em Groningen, foram os Utregs que impuseram sua previsível superioridade técnica. Só não contavam com a eficiência do time da casa. Um erro do volante Sander van de Streek foi duramente punido já aos 8': Django Warmerdam dominou a bola e chutou para o 1 a 0 do time da casa. Aí sim, começou a pressão real do time de Utrecht pelo empate. Estreante, Jean-Christophe Bahebeck teve duas chances (aos 21' e 31'), e parou no goleiro Sergio Padt; um chute de Willem Janssen foi parar na trave; Dario Dumic, outro estreante nos visitantes, cabeceou para fora. O empate do Utrecht estava maduro, e o que aconteceu? Isso mesmo: o Groningen fez 2 a 0. Numa rara chance, aos 40', Jesper Drost ficou livre e ampliou a vantagem dos mandantes.

Vendo a invencibilidade acabar, o time de Erik ten Hag seguiu ofensivo no segundo tempo, monopolizando o ataque. Zakaria Labyad quase marcou num arremate, até que enfim, aos 64', Bahebeck balançou merecidamente as redes, após jogada confusa na área. Motivado, o Utrecht partiu para o empate, mas aí o goleiro Padt provou por que é considerado o melhor goleiro da Eredivisie na atualidade: impediu o chute de Labyad aos 75', defendeu finalização de Gyrano Kerk aos 80', evitou que a bola vinda da cabeça de Robin van der Meer entrasse nos acréscimos... e caiu mais um invicto das duas primeiras rodadas. Com muita injustiça, segundo as estatísticas (basta citar que o Groningen deu três chutes a gol no jogo, e o Utrecht deu 13). Mas quem disse que os Groningers se importam?

Com o precoce primeiro gol, diante de um fraco adversário, PSV poderia ter goleado. Não o fez (ANP/Pro Shots)

PSV 2x0 Roda JC (domingo, 27 de agosto)

O PSV tinha tudo para entrar em campo atordoado: há muitos jogadores da equipe que ainda causam alarido nestes dias finais da janela de transferências. O goleiro Jeroen Zoet (titular) tem sido ligado ao Newcastle; a imprensa holandesa crava que Luuk de Jong (começou no banco) está destinado ao Bordeaux; e mesmo fora de jogo por uma lesão no tornozelo, não faltou quem lembrasse que Santiago Arias esteve na alça de mira do Swansea.

Mas foi a bola rolar no Philips Stadion para se ver que nada disso perturbaria os Boeren, muito superiores ao Roda JC. Até houve susto aos 4': Zoet saiu mal do gol, e a coisa só não ficou pior porque o atacante Jorn Vancamp estava impedido. Mas aos 9', a vitória já começou a ser encaminhada. Marco van Ginkel lançou com precisão do campo de defesa, e Jürgen Locadia saiu livre da linha de impedimento para dominar a bola, entrar na área pela direita e chutar para o filó, fazendo 1 a 0.

No minuto seguinte, quase veio o segundo gol: Hirving Lozano dominou a bola e fez a jogada de que gosta, vindo pela esquerda, cortando para o meio já na grande área e finalizando. No caso, o goleiro Hidde Jurjus conseguiu agarrar, ainda. Aos 24', mais uma jogada rápida, e veio o segundo gol dos Boeren. Steven Bergwijn puxou rápido o contra-ataque, e passou a bola a Joshua Brenet. Pela direita, o lateral cruzou rasteiro, Locadia concluiu, Jurjus rebateu, mas Hirving Lozano estava a postos na pequena área para aproveitar a sobra. 2 a 0 - terceiro gol do mexicano em três jogos na liga (marcar nos três primeiros jogos nunca acontecera com estreante nenhum no PSV, para corroborar o ótimo começo de "Chucky").

Hirving Lozano vai cumprindo as expectativas iniciais: gols nos três primeiros jogos, já se destaca no PSV (Maurice van Steen/VI Images)

Só aos 30' o Roda deu sinal de vida, numa tentativa de Vancamp, defendida sem problemas por Zoet. O domínio do PSV era muito claro, e quase veio o terceiro gol aos 32', em chute forte e alto de Gastón Pereiro, que saiu à direita de Jurjus. De resto, as chances dos Boeren se avolumavam. Aos 36', Locadia recebeu livre na direita da grande área, driblou um zagueiro com um corte seco, mas chutou em cima de Jurjus. Aos 42', Locadia apareceu de novo, fazendo toda a jogada e cruzando, mas Pereiro demorou demais para concluir e perdeu a bola. Os Eindhovenaren tinham oportunidades para abrirem a goleada, mas não aproveitavam. E os visitantes de Kerkrade até assustaram aos 45', num passe de Mikhail Rosheuvel que pegou Simon Gustafson livre na área (o meia perdeu o domínio).

Segundo tempo iniciado (após uma cerimônia de despedida para Jetro Willems, Héctor Moreno e Andrés Guardado, saudados pela torcida no intervalo), o Roda JC reapareceu. Aos 49', Mitchel Paulissen arriscou chute colocado, mandando a bola perto do gol. Nada que assustasse os mandantes em Eindhoven: no minuto seguinte, Locadia finalizou e Jurjus teve de rebater - Lozano até aproveitou a sobra e chutou por cima, mas estava impedido. Paulissen reapareceu aos 54' (cabeceio defendido por Zoet), mas o domínio estéril seguiu com o PSV - aos 56', Locadia aproveitou sobra na área, mas sua finalização foi por cima do gol. O último sinal dos visitantes foi aos 64'. Mikhail Rosheuvel aproveitou contra-ataque pela direita, avançou com a bola e cruzou para Simon Gustafson (único merecedor de algum destaque positivo no Roda JC) escorar, concluindo, por cima do gol, em boa chance dos Koempels.

Locadia tentou mais uma vez, em chute cruzado aos 69'. Tendo entrado no lugar de Pereiro, Luuk de Jong teve aos 79' a chance de abrilhantar sua provável despedida, ao receber livre na área um passe do camisa 19, mas concluiu a jogada em cima de Jurjus. O goleiro do Roda ainda impediu o terceiro gol aos 82', quando Bart Ramselaar (outro a vir do banco de reservas) saiu na cara do gol. Ainda assim, nada levou muito a crer que a vitória do PSV correria riscos, mantendo o time de Eindhoven como um dos únicos sem perder pontos nas três rodadas do Campeonato Holandês, ao lado do Feyenoord. O que não quer dizer que a vitória foi totalmente celebrada: se ganharam de 2 a 0, os Boeren poderiam ter ganho por 5 ou 6, como ralhou Phillip Cocu ao fim do jogo ("Não fiquei contente, deixamos de obter um grande resultado").

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

O lado bom do futebol holandês

Dessers mostra condições de virar goleador no Utrecht, ajudando na boa campanha que se avizinha (ANP)

O leitor talvez queira um texto sobre a crise no Ajax. Pois ficará querendo, pelo menos nesta semana. Porque talvez o vexame dos Ajacieden (já se sabe, fora de competições continentais pela primeira vez desde 1990/91, eliminado que foi pelo Rosenborg nos play-offs da Liga Europa) seja apenas o primeiro capítulo daquela que pode ser a pior semana do futebol holandês em muito tempo. Afinal, começou com as eliminações de Ajax e Utrecht na Liga Europa, e pode terminar na próxima quinta, caso a seleção holandesa perca para a França na sétima rodada do grupo A das eliminatórias da Copa de 2018 – o que deixaria a Laranja seis pontos atrás da segunda posição, virtualmente fora do Mundial. 

De mais a mais, já se falou muito aqui dos motivos que fizeram o otimismo do clube de Amsterdã decair velozmente, nestes 93 dias passados desde a final da Liga Europa contra o Manchester United: os desacertos da diretoria, o apego excessivo ao “estilo Ajax” que rendeu a saída de Peter Bosz, o planejamento desorganizado para a temporada etc. Então, ao invés de chover no molhado, é melhor começar citando outro clube holandês que, embora também eliminado da Liga Europa, deixou boa impressão, além de fazer bom começo de Campeonato Holandês: o Utrecht.

Poucas situações no futebol podem ser mais honrosas do que um time derrotado que recebe os parabéns do vitorioso. Foi exatamente o que ocorreu nesta quinta, via Twitter: o perfil oficial do Utrecht lamentou a queda (“Demos tudo, mas infelizmente não foi o bastante”), e o perfil do Zenit não só retuitou, mas também consolou (“Obrigado pelo grande jogo, vocês não poderiam ter deixado as coisas mais difíceis para nós”). De fato: para um clube atuando na frágil Eredivisie, os Utregs fizeram jogo duríssimo para o time de São Petersburgo nos play-offs. Ganharam o primeiro jogo (1 a 0), e na volta só se renderam na prorrogação (2 a 0, após 1 a 0 em 90 minutos). Chegaram até a ameaçar o Zenit, com chutes de fora da área.

Como se não bastasse, o início de Eredivisie do Utrecht mostra a sequência da boa temporada 2016/17: dois jogos, duas vitórias, sem gols sofridos (3 a 0 no NAC Breda, 2 a 0 no Willem II). Um estilo de jogo que segue mais moderno do que o envelhecido padrão tático do futebol holandês: um 4-2-3-1 relativamente forte na defesa, pelas boas atuações do goleiro David Jensen e do esforçado zagueiro/volante Willem Janssen, capitão da equipe. E que tem força e talento no meio e no ataque. A chegada de Urby Emanuelson turbinou os avanços pela esquerda (Edson Braafheid fica na lateral), enquanto Sander van de Streek, outro reforço, tem cuidado bem da marcação.

Na armação das jogadas, Zakaria Labyad, que já ganhava espaço paulatinamente na temporada passada, virou titular absoluto após a saída de Nacer Barazite – e emplacou, com a ajuda de Yassin Ayoub. Assim como outra aposta, Cyriel Dessers. O atacante belga de ascendência nigeriana chamara a atenção na repescagem de acesso/descenso, ao marcar seis gols em quatro jogos e ser o destaque na promoção do NAC Breda. Foi prontamente contratado para substituir Sébastien Haller, e não tem decepcionado: dois jogos, três gols de Dessers pelo Utrecht. A comandar isso tudo, um Erik ten Hag já sendo considerado o melhor técnico da Eredivisie, há algum tempo – e que merecerá atenção, numa eventual reformulação da seleção holandesa. Mostra modernidade e sabe impor um estilo ofensivo, tão ao gosto de torcida e imprensa, sem descuidar da defesa.

Matavz foi contratado para ser o goleador do Vitesse, líder temporário do Holandês. Está cumprindo a tarefa (vitesse.nl)

Mas se o Utrecht começou tão bem assim, porque não lidera o Campeonato Holandês? Porque outro time acertou ainda mais nas contratações, e se mostra ainda mais ofensivo: o Vitesse. Entre os reforços para a temporada, já se esperava bastante do atacante Tim Matavz e do meio-campista Thomas Bruns. Pois estão trazendo: nos dois jogos, cada um marcou o seu gol. O que ajudou o time da cidade de Arnhem a conseguir bons resultados – como na goleada da estreia, 4 a 1 sobre o NAC Breda.

Outro importante reforço foi mais útil para o esquema tático do técnico Henk Fräser: com sua velocidade e vitalidade, Thulani Serero consegue se desdobrar na marcação, para liberar Thomas Bruns e Navarone Foor, dentro do 4-3-3 típico com que o Utrecht joga. Some-se a isso o bom começo de gente que já estava vestindo aurinegro na temporada passada, como o atacante albanês Milot Rashica e o zagueiro Guram Kashia - capitão e ídolo da torcida -, e o Vitesse mostra capacidade para voltar a ser um clube médio logo abaixo do topo. Nem mesmo a saída do goleiro Eloy Room, agora reserva de Jeroen Zoet no PSV (pelo menos se Zoet não sair), perturba.

Sim, ainda é o começo. Sim, por piores que estejam, os três grandes devem monopolizar a disputa do título – e estar pior nem é o caso do Feyenoord, que também venceu os dois jogos e garantiu grande contratação (para o nível do futebol holandês, claro) com Sam Larsson, atacante do Heerenveen. Ainda assim, pelo começo e pelo que têm, Utrecht e Vitesse podem sonhar em desafiar os graúdos e fazerem boas campanhas. Claro, boas campanhas para o padrão técnico cada vez mais baixo do futebol holandês.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 25 de agosto de 2017)

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Difícil não falar

De Ligt e Schöne lamentam: a opção eterna pela ofensividade e a fragilidade defensiva impuseram outro vexame ao Ajax (ANP)

A rigor, não é praxe deste blog comentar muito sobre resultados de clubes holandeses nas competições europeias. Em primeiro lugar, porque em tal caso o foco seria mais a Liga Europa do que a Liga dos Campeões - e a Liga Europa raramente interessa mais ao público leitor. Em segundo lugar, porque nem mesmo na Liga Europa os clubes do país costumam ter desempenhos dignos. Quando há uma exceção, o destaque é tamanho que só aí este Espreme a Laranja se mobiliza.

Contudo, mesmo com o adiantado da hora, é difícil para o blog não falar a respeito do que se viu na tarde desta quinta, pelos jogos de volta dos play-offs definindo lugar na fase de grupos da Liga Europa. Nem tanto sobre o Utrecht, que teve queda das mais honrosas para o Zenit-RUS - e da qual se falará mais proximamente nesta sexta-feira. Mas principal e obviamente sobre o Ajax, que até sonhou se recuperar contra o Rosenborg-NOR, mas que viu afinal a derrota por 3 a 2, que o tira de qualquer competição europeia, apenas três meses depois de ser finalista da própria Liga Europa contra o Manchester United, na temporada passada. Pior: os Ajacieden ficarão fora de torneios continentais pela primeira vez desde a temporada 1990/91.

A rigor, a história se repetiu. Como em tantas outras vezes, o Ajax começou ofensivamente. No estádio Lerkendal, em Trondheim, alguns jogadores pressionaram bastante o gol do Rosenborg. Amin Younes criava jogadas sem parar, pela esquerda; nem parecia que ficara fora do jogo contra o Groningen, domingo passado, pelo Campeonato Holandês. No meio-campo, Hakim Ziyech era o destaque de sempre: o camisa 10 era opção constante para jogadas. E assim, o goleiro André Hansen teve de trabalhar bastante. Aos 5', num desvio de Matthijs de Ligt; aos 7', num chute de Ziyech.

Porém, o Rosenborg foi reagindo. Ficou mais com a bola nos pés - por obra e graça da boa atuação de Marius Lundemo, no meio-campo. E a falta de organização que os Godenzonen mostram na recomposição defensiva cobrou o preço aos 25': Donny van de Beek perdeu a bola no círculo central, a equipe norueguesa trocou passes, e um cruzamento encontrou Nicklas Bendtner livre na segunda trave (Joël Veltman falhou na marcação) para cabecear e abrir o placar.

Se desgraça pouca era bobagem, a situação já dramática do Ajax ficou pior com a lesão muscular que forçou Justin Kluivert a sair de campo, aos 38', dando lugar a Vaclav Cerny - aposta do técnico Marcel Keizer no lugar de David Neres, que sequer ficou no banco em Trondheim ("Cerny tem mais profundidade", justificou Keizer à emissora de tevê Ziggo Sport). Nada acontecia. A única alternativa era ousar: Klaas-Jan Huntelaar veio a campo no lugar de Van de Beek, e o Ajax foi para um 3-4-3 ultraofensivo. Se só dois gols resolveriam a situação, era preciso buscá-los, custasse o que custasse.

Podia dar errado. Deu muito certo, a princípio. Os visitantes voltaram ao segundo tempo tão ofensivos quanto haviam sido no começo do jogo: pressionando, forçando Hansen a fazer mais defesas. E Younes, o melhor jogador do Ajax na partida, pareceu se converter no herói da classificação, ao participar de dois gols em um minuto. Aos 59', completando lançamento na área, ele mesmo empatou; no giro seguinte do ponteiro, o alemão fez jogada individual pela esquerda e cruzou para Lasse Schöne virar o jogo para 2 a 1. Uma chegada heróica à fase de grupos da Liga Europa se avizinhava. Principalmente se o Ajax cuidasse de sua defesa.

Não cuidou. Porque o Ajax seguiu sua "maldição": continuou no ataque - quase fez gols com Cerny (defesa de Hansen em chute do tcheco, livre num contra-ataque aos 75') e com Younes (bola na trave aos 77'). Pouco depois, Keizer colocou pressão na defesa: tirou Dolberg para colocar o lateral Deyovaisio Zeefuik, 19 anos e só 21 minutos na equipe principal do Ajax, aos 78'. Aí, o Rosenborg reanimou-se no ataque. E enquanto a defesa do Ajax se reorganizava, o destino foi selado. Samuel Adegbenro, que saíra do banco, se converteu no destaque da classificação da equipe alvinegra à fase de grupos da Liga Europa. Autor do gol da vitória no 1 a 0 de Amsterdã, o atacante nigeriano empatou aos 80', em cabeceio. E só para mostrar como era patética a organização defensiva do Ajax, fez jogada individual para o 3 a 2 do Rosenborg, driblando Zeefuik e Veltman para chutar no canto direito de André Onana.

Depois, foi o de sempre: Marcel Keizer assumindo a culpa pela eliminação, o capitão Veltman reclamando ("Não se pode permitir o empate que nós permitimos, falhamos coletivamente", lamentou à Ziggo Sport), o diretor geral Edwin van der Sar contemporizando ("Você realmente acha que fomos piores nas duas partidas?", indagou irônico ao repórter da FOX Sports holandesa) e lamentando ("A tristeza é grande. Todos devem se olhar no espelho e se questionar: nós, diretores, os jogadores, e o técnico"). E a certeza de que o Ajax precisa, novamente, se reformular, após o período de rara bonança que viveu, definitivamente encerrado pelo vexame gigante.


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

810 minuten: como foi a 2ª rodada da Eredivisie

Matavz já diz a que veio: dois gols em dois jogos, no começo auspicioso do Vitesse (ANP/Pro Shots)

Roda JC 1x3 Vitesse (sexta-feira, 18 de agosto)

Na primeira rodada, já houvera alguns erros na defesa do Roda JC (por parte do goleiro Hidde Jurjus). E eles ocorreram de novo no jogo em Kerkrade. Pior: tiveram consequências. Porque o zagueiro Frédéric Ananou recuou errado a bola, aos 40', deixando Tim Matavz do jeito que gosta: livre, rumo à grande área, pronto para avançar, chutar e deixar o Vitesse na frente. Duro golpe para os Koempels mandantes, que haviam tido boa chance com Jorn Vancamp: cabeceio aos 30', bem defendido por Remko Pasveer, titular no gol do Vites com a saída de Eloy Room para o PSV.

A atuação ofensiva do Roda seguiu na etapa complementar: aos 56', o zagueiro Christian Kum quase igualou o placar, mandando por cima do gol. Enfim, o empate merecido veio aos 64': Mikhail Rosheuvel foi derrubado na área por Milot Rashica, o pênalti foi marcado, e Simon Gustafson confirmou sua boa chegada por empréstimo com mais um gol, na cobrança convertida (o desvio em Pasveer ajudou, verdade). Todavia, a qualidade técnica do promissor time do Vitesse apareceu para definir o jogo. Aos 69', o reforço Thomas Bruns fez 2 a 1 numa cobrança perfeita de falta; e aos 80', o velho conhecido Guram Kashia subiu de cabeça para definir a segunda vitória do Vites na temporada.



Twente 1x2 VVV-Venlo (sábado, 19 de agosto)

Mesmo jogando em casa, o Twente já se viu em má situação aos 6': com dores na virilha, o lateral direito Hidde ter Avest precisou sair, dando lugar a Jeroen van der Lely. Mas o pior seria a surpreendente eficiência dos visitantes de Venlo: com menor posse de bola, aproveitaram as poucas chances que tiveram no primeiro tempo. Como aos 23', com o bonito gol do 1 a 0: Lennart Thy deixou a bola para Vito van Crooij, que arriscou quase sem ângulo e mandou no alto das redes defendidas por Jorn Brondeel. E aos 41': escanteio cobrado, Brondeel saiu mal do gol, e Ralf Seuntjens escorou para o zagueiro Jerold Promes fazer 2 a 0 para o VVV.

No segundo tempo, o Twente melhorou ofensivamente. Escalado desde o começo, o atacante Tom Boere marcou para os Tukkers aos 60', escorando um cruzamento de Van der Lely. Com a entrada de Oussama Assaidi, três minutos após os Tukkers diminuírem a vantagem, a pressão aumentou - assim como o espaço para contra-ataques dos Venlonaren, que quase marcaram com Van Crooij, Promes e Lennart Thy. E mesmo que o time da casa tivesse buscado o gol no Grolsch Veste, a festa foi do VVV, que celebrou sua segunda vitória em dois jogos (melhor começo em sua história na Eredivisie desde 1956/57). O Twente já se preocupa um pouco: duas derrotas - somando-se à edição passada da liga, são cinco derrotas em sequência.

Kanon (à direita) sentiu-se injustiçado com a expulsão a ponto de chorar. Não houve jeito: vitória do AZ (ANP/Pro Shots)

AZ 2x0 ADO Den Haag (sábado, 19 de agosto)

A equipe de Haia tivera até mais chances para abrir o placar fora de casa: aos 10', Ron Vlaar precisara tirar de cima da linha uma bola chutada por Melvyn Lorenzen, enquanto o goleiro do AZ, Marco Bizot, defendeu em sequência um cabeceio de Tom Beugelsdijk e um rebote de Bjorn Johnsen, aos 16'. Todavia, tudo isso mudou após o polêmico pênalti marcado pelo juiz Danny Makkelie aos 28': Wilfried Kanon puxou Vlaar na área, e Makkelie não só apontou para a marca, mas também deu o segundo amarelo a Kanon - logo, expulsando o zagueiro marfinense do Den Haag.

Inconformado com o que julgou ser simulação do capitão dos mandantes de Alkmaar, não só Kanon saiu do campo chorando, amparado por Lex Immers, mas também tuitou logo depois: "Vlaar, você é um ator" (o tuíte foi obviamente deletado). Wout Weghorst, que nada tinha a ver com a briga, cobrou e fez 1 a 0. Com um a menos, ficou difícil para os visitantes auriverdes resistirem aos ataques do AZ. No segundo tempo, após chances de Jonas Svensson - bicicleta aos 53' - e Levi García - chute para fora aos 68' -, Guus Til enfim confirmou a vitória esperada do AZ, de cabeça.

Assim como Robin Pröpper fizera para o Heracles, Mihajlovic salvou o Heerenveen no final do jogo (Pro Shots)

Heerenveen 1x1 Heracles Almelo (sábado, 19 de agosto)

Durante o primeiro tempo, até que o Heerenveen foi mais perigoso jogando em casa. Pressionara mais o Heracles, protagonista da surpresa da primeira rodada com a vitória sobre o Ajax; tivera mais posse de bola; e tudo isso culminou em duas ótimas intervenções do goleiro Bram Castro, aos 28', defendendo primeiro uma falta cobrada por Stijn Schaars, depois o rebote finalizado por Arber Zeneli. Como mais uma prova de que estatísticas são muito mas não são tudo, os visitantes de Almelo abriram o placar: aos 45' + 1, em escanteio, Robin Pröpper escorou, e a bola ainda bateu em Daniel Hoegh antes de entrar nas redes.

O gol parece ter impulsionado os Heraclieden, como se viu no segundo tempo: Wouter van der Steen, goleiro substituto do lesionado Warner Hahn, salvou o Heracles com duas defesas em sequência (aos 53', em chute de Kristoffer Peterson, e num cabeceio de Paul Gladon aos 54'). O time da casa só reagiu aos 61', quando Reza "Gucci" Ghoochannejhad chutou para fora. Depois, até houve um gol anulado do zagueiro Joost van Aken. E assim como no primeiro tempo, o final surpreendeu: todos achavam que o Heracles sairia com os três pontos do estádio Abe Lenstra, mas o atacante Nemanja Mihajlovic, vindo do banco, deixou o 1 a 1 definitivo no placar, aos 90' + 2.

Boëtius chuta para marcar o gol da vitória do Feyenoord: raro momento de emoção em Kralingen (Pro Shots)

Excelsior 0x1 Feyenoord (domingo, 20 de agosto)

Mais de três meses após sofrer lá o susto definitivo antes do título holandês, o Feyenoord voltava ao Van Donge & De Roo Stadion, no bairro de Kralingen, em Roterdã, para enfrentar o Excelsior. Obviamente, o clima era outro. Tanto pelas palavras tranquilas de Giovanni van Bronckhorst antes do jogo, à FOX Sports holandesa ("O interesse é o mesmo, vencer, mas o clima é totalmente diferente"), quanto pela calma vista nos dois times, num clássico citadino sem muitas emoções.

Pouco a pouco, o atual dono da Eredivisieschaal foi à frente. Aos 15', a primeira chance, em cobrança de falta ensaiada, na qual Nicolai Jorgensen cobrou para fora, com desvio em Luigi Bruins. Na sequência, veio o escanteio, e Kevin Diks cabeceou para fora. E logo veio o gol, aos 18'. Em jogada individual, Tonny Vilhena driblou três pela esquerda, e só deixou a Jean-Paul Boëtius. Entrando pela área, o camisa 7 finalizou cruzado, no canto esquerdo do goleiro Alessandro Damen.

Aos 21', depois de córner cobrado, a bola ficou rondando a área pelo alto, até sobrar para Jorgensen. Aparentemente achando que estava impedido, só isso explica o erro incomum do atacante dinamarquês, que concluiu torto, para fora, à esquerda de Damen, perdendo grande chance para o segundo gol. Àquela altura, o domínio do Stadionclub era claro. Numa jogada esporádica, porém, aos 30', quase veio o empate do Excelsior: Massop lançou Kevin Vermeulen em profundidade, e o atacante cruzou rasteiro. Stanley Elbers entrou livre pelo meio da área, mas escorou torto, perdendo ótima oportunidade de gol. Os donos da casa tentaram de novo aos 39', num chute de longe de Hicham Faik, que Brad Jones agarrou sem muitos problemas.

No segundo tempo, seguiu o ritmo lento de jogo. O Excelsior tentou timidamente aos 63': a bola foi mandada para a área em falta, e Wout Faes cabeceou fraco para Jones defender. O Feyenoord respondeu sem muito perigo aos 66', numa finalização sem rumo de Boëtius - assim como aos 68', após bom lançamento de Eric Botteghin. Só aos 72' as coisas ficaram mais promissoras. Após nova falta, a bola foi lançada para a área, e Massop escorou para uma atenta defesa de Jones, que fechou as pernas e evitou o empate. O goleiro australiano salvou o Feyenoord de novo aos 77', quando Jürgen Mattheij cabeceou à queima-roupa. De resto, a segunda vitória dos visitantes maiores de Roterdã quase não correu riscos - e os Feyenoorders ainda tiveram chances nos acréscimos, com Karim El Ahmadi e Sofyan Amrabat, substituto de Jens Toornstra.

3026 dias após seu último gol pelo Ajax, Huntelaar abriu o caminho da primeira vitória da equipe na temporada (ANP)

Ajax 3x1 Groningen (domingo, 20 de agosto)

Após a derrota para o Rosenborg, na Liga Europa, o ambiente pré-crise ficou claro no Ajax. E Marcel Keizer escalou a equipe com algumas alterações. Duas delas, por opção técnica: no meio-campo, Frenkie de Jong ganhou a vaga de Lasse Schöne, enquanto Klaas-Jan Huntelaar finalmente começava um jogo como titular após sua volta ao Ajax, substituindo Kasper Dolberg. E desde o começo da partida na Amsterdam Arena, ficou claro que seria um jogo de ataque contra defesa. O Groningen apostava nos contra-ataques, e o Ajax avançava pela esquerda. Como aos 7', na primeira chance: Mitchell Dijks cruzou, Django Warmerdam rebateu na pequena área, e a sobra ficou para Vaclav Cerny (outra mudança, forçosa - substituto do adoentado Amin Younes) driblar Kasper Larsen e arrematar. O goleiro Sergio Padt desviou com o pé, e a bola saiu pela linha de fundo.

Como já dito, o Groningen só tentava o ataque quando via espaço. Como aos 11', numa tentativa do atacante Lars Veldwijk, que bateu de fora da área para André Onana defender. De resto, aos poucos os Ajacieden traziam mais perigo, sempre pela esquerda. Aos 17', Dijks passou a Hakim Ziyech, que estava no meio. O camisa 10 driblou um defensor e chutou firme, mandando a esférica na trave direita de Padt. Todavia, também não era nenhuma pressão irrespirável, com erros na finalização - como aos 34', numa tentativa de bicicleta por Huntelaar, sem rumo nenhum, e aos 37', quando Joël Veltman cruzou, e Donny van de Beek, mesmo puxado por Jesper Drost, cabeceou por cima da meta.

Ainda assim, o Ajax conseguiu terminar o primeiro tempo na frente. E a jogada do gol, aos 39', só podia vir da esquerda: Dijks deixou com Ziyech, o meio-campista cruzou na medida, e quem apareceu no meio da área? Huntelaar, para fazer o que sabe: gol. Cabeceio no canto esquerdo de Padt, e 1 a 0, no primeiro gol do atacante pelo Ajax após dez anos. Ainda houve tempo para um chute de Ziyech, para fora, aos 45'.

No começo do segundo tempo, o ritmo do Ajax acelerou no ataque. Logo no primeiro minuto, Cerny deixou a pelota com Justin Kluivert, e o ponta esquerda cortou para o meio e bateu da meia-lua, exigindo que Padt espalmasse. Aos 49', mais um gol: Dijks passou a Cerny, e deste a bola foi para Ziyech, que vinha sozinho pelo meio. O armador passou por Reijnen e finalizou cruzado, no contrapé de Padt, para o 2 a 0 Ajacied. A vitória dos Godenzonen estava encaminhada - mesmo com erros como um chute torto de Ziyech, aos 51'. Aos 62', em contra-ataque, Ziyech tentou retribuir Cerny: serviu a bola ao atacante tcheco, mas sua finalização parou nas mãos de Padt.

Só houve um susto para os mandantes: aos 73', num momento de marasmo, veio o gol dos vistantes Groningers. Oussama Idrissi progrediu pela esquerda, driblou Veltman e bateu colocado, no ângulo de Onana, para fazer belíssimo gol e movimentar um pouco o jogo. Para afastar de vez os temores e evitar qualquer susto, o terceiro gol do Ajax foi ainda mais bonito, aos 79'. Lasse Schöne (que acabara de entrar no lugar de De Jong) recebeu de Cerny, driblou Ruben Yttegaard Jenssen com um giro e já bateu, forte, no ângulo esquerdo de Padt. Uma finalização para ressaltar como Schöne é bom nos chutes de fora da área - e para confirmar a primeira vitória dos Godenzonen na temporada.

Antes do jogo fundamental na Liga Europa, o Utrecht seguiu o bom começo - com mais um gol de Dessers (ANP/Pro Shots)
Utrecht 2x0 Willem II (domingo, 20 de agosto)

Se quisesse, o Utrecht poderia muito bem se poupar no jogo. Afinal, terá coisa mais importante na quinta-feira: a volta contra o Zenit, em São Petersburgo, valendo vaga na fase de grupos da Liga Europa (e levando na bagagem uma grande vantagem). Que nada: os Utregs começaram com tudo. Em dois minutos, já tinham feito 1 a 0 no Willem II: Zakaria Labyad chutou, o goleiro Timon Wellenreuther rebateu, e o próprio Labyad apareceu para conferir na sobra e balançar o filó.

Mais cinco minutos, e já estava 2 a 0. O Utrecht comemorou, o Willem II protestou para o juiz Serdar Gözübüyük: na disputa aérea pela bola, os visitantes de Tilburg alegaram que Wellenreuther estaria com a bola firme nas mãos, e que Lukas Görtler o obstruiu à força, antes de Cyriel Dessers aproveitar a sobra e fazer o segundo gol (seu terceiro na temporada). Para Gözübüyük, o goleiro rebatera a bola, e o gol fora legal. Uma goleada dos donos da casa parecia à vista, e o técnico Erwin van de Looi tirou o meio-campista Daniel Crowley já aos 19', para fortalecer a defesa com Freek Heerkens (Crowley saiu do campo insatisfeito). Não veio a goleada, mas o Utrecht manteve sua vitória facilmente.

Van Ginkel chamou a responsabilidade de novo: seu gol começou a resolver o jogo para o PSV (ANP/Pro Shots)
NAC Breda 1x4 PSV (domingo, 20 de agosto)

Diante de uma torcida empolgada pelo primeiro jogo do NAC Breda em casa após a volta à Eredivisie, o time da casa começou com tudo, pressionando o PSV. Com alguns segundos, Mounir El Allouchi cruzou da esquerda, e o goleiro Jeroen Zoet teve de encaixar para defender. Após o primeiro minuto se completar, a chance foi ainda mais concreta: Menno Koch cabeceou, e Steven Bergwijn tirou em cima da linha. O time de Eindhoven só apareceu aos 11' no ataque. Após troca de passes, Gastón Pereiro bateu da entrada da área, mandando a bola próxima à trave direita.

Diante da defesa compactada do NAC, o PSV precisava mesmo trocar passes. E assim conseguiu algo. Aos 17', Jorrit Hendrix lançou em profundidade para a área, e Marco van Ginkel escorou para a chegada de Santiago Arias. O lateral colombiano chutou, e o goleiro Andries Noppert desviou para escanteio. Na cobrança do tiro de canto, ainda aos 17', veio o gol de que os visitantes precisavam. Van Ginkel cobrou, Jürgen Locadia ajeitou de cabeça, o zagueiro Pablo Marí ainda tentou afastar, mas a bola ficou à feição para Bergwijn bater forte no meio do gol, fazendo 1 a 0.

O gol dos Boeren diminuiu um pouco o ímpeto do NAC. Ainda assim, o time de Breda voltou a pressionar. Como aos 22', quando Paolo Fernandes cruzou, e El Allouchi cabeceou quase pegando Zoet no contrapé - ainda assim, o goleiro pegou. Ou numa tentativa de Manu García para encobrir o goleiro, que mandou a bola para fora aos 26'. Mas quando o PSV podia, mostrava quem mandava. Como aos 31', em bonita jogada individual de Bergwijn: o autor do gol driblou James Horsfield e arrematou colocado, para fora, perto do gol.

Todavia, aos 41', a torcida anfitriã conseguiu o que queria: o gol. Num rápido contra-ataque, Thierry Ambrose chegou à área com a bola, chocou-se com Derrick Luckassen e caiu. O juiz Pol van Boekel considerou o choque faltoso, marcou o pênalti, e Ambrose bateu no ângulo esquerdo de Zoet, sem chances de defesa, para empatar e novamente esquentar o ambiente no estádio Rat Verlegh.

O segundo tempo voltou equilibrado, com chances de parte a parte. Aos 54', Manu García lançou Rai Vloet, e o meio-campista dominou antes de bater, perto do travessão, movimentando de novo o jogo. O PSV respondeu com mais perigo ainda: aos 55', Arias cruzou da direita, Angeliño rebateu, e Hendrix aproveitou de primeira, sem deixar cair, forçando grande defesa de Noppert, que espalmou por cima do gol. Alguém precisava aproveitar a sua chance para entrar na rota da vitória. E foi o PSV, que passou à frente do placar. Aos 60', Hirving Lozano cobrou escanteio, e Van Ginkel cabeceou no canto esquerdo de Noppert para o 2 a 1 dos Boeren - segundo gol do camisa 10 na temporada, cada vez mais absoluto como destaque da equipe de Eindhoven.

Se Van Ginkel começou, Lozano (à direita) terminou o serviço, levando a vitória do PSV para a goleada (Maurice van Steen/VI Images)

Só restou aos Bredanaren voltar a buscar o empate. Aos 62', em grande jogada individual, Angeliño deu um chapéu em Luckassen, chegou à área e bateu em diagonal para a defesa de Zoet. Porém, aos 69', uma saída errada do NAC Breda rendeu o gol decisivo para o rumo do jogo. Manu García perdeu a bola no meio-campo para Locadia, o atacante lançou Lozano, o atacante cortou para o meio e arrematou da entrada da área, no canto direito de Noppert, também marcando seu segundo gol neste Campeonato Holandês e encaminhando a segunda vitória dos Boeren na temporada.

Aos 85', Luuk de Jong (novamente vindo do banco) ainda tentou o seu, frustrado por uma defesa de Noppert. Sem problemas, porque o camisa 9 participou da jogada do quarto gol, dois minutos depois: recebeu o passe e fez o pivô na entrada da área para Hendrix chutar rasteiro e fazer 4 a 1. Dois jogos, seis pontos, uma dupla despontando (Van Ginkel e Lozano): mesmo com certo sufoco, o PSV cumpre seu papel.

Mühren chegou durante a semana, estreou e já fez gol: utilidade para o empate do Sparta (Tom Bode/VI Images)

Sparta Rotterdam 1x1 Zwolle (domingo, 20 de agosto)

Contratado por empréstimo junto ao Zulte Waregem da Bélgica, o atacante Robert Mühren foi escalado imediatamente como titular no Sparta Rotterdam. Reforço exatamente para uma área carente no grupo dos Kasteelheren (o meio da área, como atacante), Mühren foi ainda mais solicitado após o Zwolle abrir o placar no Kasteel, aos 13', em rápida triingulação: Mustafa Saymak cruzou, Piotr Parzyszek ajeitou, Youness Mokhtar finalizou para o gol.

Pois Mühren cumpriu as expectativas. E nem demorou tanto: aos 22', após passe de Loris Brogno, o atacante concluiu para marcar o seu primeiro gol pelo Sparta (no clube, um estreante não marcava em sua primeira partida desde 2007, com Charles Dissels). Motivado, o time da casa teve várias chances para virar o jogo no restante dos 90 minutos - a mais perigosa delas aos 53', quando Brogno chutou na trave. Mesmo assim, já serviu pelo primeiro ponto ganho na temporada.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

O sonho acabou

A derrota para o Rosenborg escancarou as razões de preocupação para o Ajax de Veltman (Pim Ras)

Saber olhar as coisas em perspectiva é uma característica valiosa no jornalismo. Característica que esta coluna, definitivamente, não possui. Pela terceira vez numa temporada recém-começada, ela falará do Ajax, mostrando certa irregularidade de opiniões. Porque, em junho, o assunto foi a saída de Peter Bosz – e a forte impressão de que tal fato acabava com a fase “iluminada” do clube da estação Bijlmer Arena. Em julho, acontecidas todas as turbulências da pré-temporada, o empate fora de casa, no jogo de ida contra o Nice, pela terceira fase preliminar da Liga dos Campeões, mostrara uma equipe dedicada, capaz de se recuperar dos baques. E este texto voltará ao começo. Porque o sonho acabou: aparentemente, o Ajax voltou à fase ruim que sonhava deixar para trás.

A volta contra o Nice, em 2 de agosto, já deixara uma decepção incômoda. Na Amsterdam Arena (Johan Cruyff Arena a partir de 25 de outubro), os Amsterdammers repetiram uma história vista há muitos e muitos anos. Engoliram ofensivamente o adversário, criaram chances, jogaram bem, até colocaram a bola na rede... mas os descuidos com a defesa custaram caro: no final do jogo – 34 minutos do segundo tempo -, um contra-ataque rápido dos visitantes do Mediterrâneo rendeu belo passe de calcanhar de Jéan Michaël Séri, o gol de Vincent Marcel, o empate em 2 a 2 e a classificação dos Aiglons, pelos gols fora de casa.

Era duro não poder contar, novamente, com o dinheiro da Liga dos Campeões. Ainda assim, voltar à Liga Europa mantinha as coisas no lugar – sem contar que o início do Campeonato Holandês já estava no horizonte. Pois bem: o que se vê hoje é um Ajax preocupadíssimo, que se atrapalhou no planejamento para a temporada. Resultado fora de campo: as ofertas de transferência vêm, e o clube não tem nem alternativas para as posições, que dirá reforços contratados. Resultado dentro de campo: estreia com vexame na Eredivisie (2 a 1 para o Heracles Almelo – primeira vitória dos Heraclieden sobre o Ajax na liga desde 1965!), e a queda para o Rosenborg em casa, na ida dos play-offs da Liga Europa (1 a 0), aumentando o temor de que, assim como o PSV, os Amsterdammers também passarão a temporada fora de competições continentais.

Até parece curiosa tal situação muito próxima da crise, apenas 86 dias após o Ajax ter sonhado com um título continental, na final da Liga Europa. Todavia, as situações se avolumaram – e até o momento, foram pessimamente conduzidas pelo triunvirato formado por Edwin van der Sar (diretor geral), Marc Overmars (diretor de futebol) e Dennis Bergkamp (espécie de diretor técnico). Para começar, vale lembrar rapidamente: Peter Bosz só saiu porque seus métodos iam de encontro ao pensamento da comissão técnica do clube, liderada por Bergkamp e sempre ciosa de manter as tradições do Ajax: 4-3-3, troca de passes, o estilo quase suicida de tão ofensivo. Antes que a diferença de ideias se aprofundasse, Bosz preferiu aceitar a proposta do Borussia Dortmund.

Marcel Keizer foi promovido do Jong Ajax (equipe B), para comandar um grupo com vários membros conhecidos: André Onana, Matthijs de Ligt, David Neres, Justin Kluivert. Além do mais, dos titulares na temporada passada, haviam saído apenas Davy Klaassen e Bertrand Traoré. Situação tranquila, certo? Errado. Porque, no planejamento para a temporada, o Ajax se desfez com excessiva facilidade de jogadores que poderiam ser úteis, mesmo sem a titularidade. Casos claros são Kenny Tete e Jaïro Riedewald: o lateral direito e o zagueiro haviam perdido espaço sob Peter Bosz, mas poderiam retomá-lo. Que nada: foram respectivamente despachados para Lyon e Crystal Palace, deixando os titulares Joël Veltman e De Ligt sem reservas imediatos.

Habituado aos cânones táticos do Ajax, Marcel Keizer foi promovido do time B - mas peleja para arrumar o time (Louis van de Vuurst/Ajax.nl)

O erro ficou ainda mais sério e claro a partir da semana passada, quando foi revelado o interesse concreto do Tottenham na contratação de Davinson Sánchez. Inicialmente, o Ajax nem quis conversa. Mas o zagueiro colombiano ficou a fim de se transferir, após conversas com Mauricio Pochettino. E se era dinheiro que os Godenzonen queriam, os Spurs colocaram na mesa: 40 milhões de euros, no que foi a maior venda da história da Eredivisie. Sánchez foi afastado do jogo contra o Heracles Almelo, sábado passado. A solução foi deslocar Nick Viergever da lateral esquerda para a zaga – e na canhota, à força, reabilitar Mitchell Dijks, que voltara de empréstimo do Norwich City e sequer era considerado como nome para ficar no grupo, durante a pré-temporada.

Com a falta de preparação, não podia dar certo. E não deu. A virada do Heracles no sábado passado começou a mostrar isso. E a indecisão ficou ainda mais clara na derrota para o Rosenborg pela Liga Europa, com a repetição da velha rotina. O Ajax teve mais posse de bola, buscou mais o ataque (principalmente com Amin Younes, pela esquerda), esbarrou numa defesa bem postada... e a defesa deixou espaços mortais atrás. Um contra-ataque, mau posicionamento – e erro de Veltman, no tempo de bola, após tiro de meta do goleiro André Hansen -, e a bola ficou à feição para Samuel Adegbenro chutar e fazer o gol da vitória da equipe norueguesa, no final do jogo (32 minutos do segundo tempo). Quatro jogos oficiais do Ajax na temporada: dois empates, duas derrotas.

Claro, as críticas vieram tão logo Craig Thomson apitou o fim do jogo. Em seu perfil no Twitter, o jornalista Willem Vissers tascou: “Típico caso de relaxo: deixar um técnico inexperiente com um grupo incompleto. Vergonhoso”. Torcedor do Ajax e ex-colaborador da Opta, Martijn Hillhorst foi ainda mais virulento: “Jogo importante, e no banco você tem [o meia Carel] Eiting, [o zagueiro Deyovaisio] Zeefuik e [o zagueiro Damil] Dankerlui. Nenhum deles jogou sequer pela Eredivisie. Sabe-se que agosto é um mês crucial na temporada, e esse é seu grupo”. 

À emissora de tevê Ziggo Sport, Hakim Ziyech alfinetou: “Sim, acho [necessárias contratações]. Um defensor, um meio-campista e um atacante. É melhor começar a temporada com um elenco o mais completo possível. É duro ver que eles [os diretores] não aprenderam com seus erros”. Para piorar, a mudança de cenário pode levar à saída de mais gente que prometera a Peter Bosz não deixar Amsterdã. Sánchez foi o primeiro. E há riscos de defecções de Onana, Dolberg e do próprio Ziyech, por mais que Marc Overmars prometa que "ninguém mais sai".

O Ajax até ganha muito dinheiro com suas vendas, agora. Mas continua ficando para trás do mesmo jeito.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 18 de agosto de 2017)