sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Por que acreditar no Feyenoord? E por quê não?

Feyenoord tem de matar um leão por jogo para provar que merece valor. Contra Fenerbahçe, não conseguiu (ANP/Pro Shots)

No domingo passado, o Feyenoord enfrentou o Roda JC, pela sétima rodada do Campeonato Holandês. E a goleada de 5 a 0 imposta aos visitantes da cidade de Kerkrade, em De Kuip, representou a sétima vitória para a equipe de Roterdã nesta temporada da Eredivisie. Ter 100 por cento de aproveitamento nas primeiras sete rodadas da liga só acontecera quatro vezes ao Stadionclub: em 1967/68, 1969/70, 1971/72 e 1993/94.

Marca elogiável. Porém, há um pequeno detalhe: ao final de todas essas temporadas supracitadas, o campeão holandês foi... o Ajax. Uma prova de como esse bom início pode ser facilmente posto a perder. Além do mais, após um começo primoroso pela Liga Europa, contra o Manchester United, a equipe de Roterdã “foi trazida de volta à Terra” (palavras do diário Algemeen Dagblad). Jogando contra o Fenerbahçe, teve uma atuação excessivamente tímida na parte ofensiva – e isso inviabilizou o sonho de conseguir a segunda vitória na fase de grupos. Sorte do Fener, que fez 1 a 0.

Tudo isso mostra que é preciso muita, mas muita calma antes de falar que pintou o campeão da Eredivisie. Talvez dê até razão a quem acha que o Feyenoord sucumbirá, cedo ou tarde, ao longo das 34 rodadas. Todavia, é preciso reconhecer que, pelo menos em termos “domésticos”, a equipe treinada por Giovanni van Bronckhorst exibe nível de concentração, velocidade e técnica invejáveis para uma temporada ainda em estágio inicial. Talvez até melhor do que o PSV, no momento.

Não que a equipe de Eindhoven tenha decaído de produção. Muito ao contrário: ela se mantém nas primeiras posições da tabela (para não falar das ascensões notáveis de AZ, Heerenveen e Ajax). Ainda assim, a prova mais clara como o Feyenoord está focado neste começo de campeonato foi exatamente a vitória no clássico, em pleno Philips Stadion - coisa que não acontecia desde a temporada 2003/04. A palavra é exatamente essa: foco. 

Porque o Feyenoord não é um time tecnicamente exuberante. Tem qualidades técnicas, claro: não as tivesse, e não teria duas goleadas para exibir (além dos 5 a 0 no Roda JC, houve os 4 a 1 sobre o Excelsior). Todavia, o que mais salta aos olhos em relação ao time de Giovanni van Bronckhorst é a concentração. Como se todos os jogadores passassem os 90 minutos tendo em mente que não podem cometer erro algum, se realmente querem convencer a torcida das qualidades que têm. E isso tem aumentado a produção dos jogadores. As principais provas estão na defesa e no meio-campo.

Na linha de trás, o goleiro Brad Jones segue seguro, deixando fortes dúvidas sobre a possibilidade do titular Kenneth Vermeer retornar tão logo complete sua recuperação. Sem contar os zagueiros: Eric Botteghin e Jan-Arie van der Heijden exibem solidez notável na marcação, justificando plenamente que o Feyenoord tenha sofrido apenas dois gols até agora. Nas laterais, Rick Karsdorp e Terence Kongolo equilibram melhor apoio e marcação – e até são “premiados” com isso (contra o Roda JC, Karsdorp deu uma assistência, e Kongolo fechou a goleada).

Mas é no meio-campo que estão, talvez, os dois grandes exemplos do belo início do Feyenoord. Nem se fala de Dirk Kuyt: o esforço que o capitão Feyenoorder mostra em campo, ajudando até nas finalizações, já é conhecido e amado pela torcida. Karim El Ahmadi e Tonny Vilhena é que surpreendem positivamente, mostrando velocidade para roubar a bola, armar, voltar para marcar... e ainda marcarem gols. Vilhena foi o autor do tento na vitória sobre o Manchester United; El Ahmadi, com um belo chute de bate-pronto no ângulo, fez bonito na rodada passada do Holandês. Fica até curioso notar que o líder de assistências da equipe é um... atacante, Jens Toornstra – que também coloca a bola nas redes, junto de Nicolai Jorgensen.

Até por toda essa volúpia demonstrada no campeonato nacional, decepcionou tanto a atuação tímida contra o Fenerbahçe, pela Liga Europa. Van Bronckhorst não poupou palavras: “No primeiro tempo, não fomos nós mesmos. Senti falta da autoconfiança. Contra um time como o Fenerbahçe, você precisa ter segurança. Segurança de si e do que vai fazer com a bola nos pés. Nós mal tivemos a bola, não saímos da pressão [que exerceram]”. O curioso é que o Fener também não chegava a pressionar demais a meta defendida por Brad Jones. Mas teve mais velocidade no ataque, com Michael Emenike e Jeremain Lens. Por isso, ficou mais fácil aproveitar uma saída errada de bola (justo do homenageado Kuyt...) para fazer o gol da vitória no Sükrü Saraçoglu.

Enfim, o Feyenoord soube de novo que não é um favorito inquestionável. Se tropeçar contra o Willem II, fora de casa, no domingo, pela 8ª rodada, certamente crescerá a voz dos desconfiados sobre as possibilidades do Stadionclub. E mesmo a maior parte da torcida Feyenoorder provavelmente só acreditará no título se vir o capitão Dirk Kuyt erguer a Eredivisieschaal. Todavia, se há razões para duvidar, justiça seja feita: também há razões para acreditar que o time tem mais forças para disputar o título holandês até o fim. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

PSV continua bem na temporada. Até chegar a hora de cobrar um pênalti... (Erwin Spek/ANP/Pro Shots)

Kut strafschoppen! (tecla SAP: malditos pênaltis!)

Como já dito, não é por ter perdido para o Feyenoord que o PSV deixou de ser um time respeitável. Longe disso: segue tendo qualidade suficiente para superar facilmente os médios e pequenos da Eredivisie (prova disso veio no 3 a 1 infligido ao Excelsior, na rodada passada). E mesmo na Liga dos Campeões, o time de Eindhoven tem tido atuações honrosas. Foi assim contra o Atlético de Madrid, e na quarta passada.

Contra um Rostov novamente elogiável, com Dmitri Poloz e Sardar Azmoun rápidos no ataque, os Boeren começaram mal. Phillip Cocu novamente escalara o time num 5-3-2, mas ele se mostrou desorganizado dessa vez, e o time russo abriu o placar sem dificuldades, logo aos 8'. Aí veio a sorte, no chute de Davy Pröpper que desviou em Vladimir Granat e foi direto para as redes, empatando o placar apenas cinco minutos depois do gol sofrido. Foi o marco para uma reação em campo que tornou o jogo mais equilibrado - até por isso, ficou justificado o 2 a 2. Que poderia ter virado uma vitória para os visitantes com o pênalti (para alguns, controverso) sobre Luuk de Jong, aos 57'.

Mas aí, mostrou-se o principal trauma atual do PSV: os chutes a 9,15m do gol. Davy Pröpper perdeu o segundo penal seguido dos Boeren na Champions. Pior: em nenhuma das quatro cobranças que teve nesta temporada, o PSV acertou a rede. Pior ainda: dos últimos 19 chutes, 12 foram perdidos. O que já dificulta a classificação às oitavas de final do torneio continental: poderia ter quatro pontos (“empate” contra o Atlético de Madrid e “vitória” contra Rostov), mas tem apenas um. De fato, como criticou ironicamente o técnico Phillip Cocu, “parece que converter pênaltis é difícil demais para nós”. Tão difícil que mesmo algo mais sério, como a lesão no joelho que tirou Jorrit Hendrix da partida (e o tirará de alguns jogos), passou em branco.

Pode parecer um problema pequeno numa temporada razoável, mas é um problema. Que está cada vez maior, como se depreende das palavras de Jetro Willems após a partida em Rostov do Don: "Eu preciso ser sincero: não vi a cobrança. Não tive coragem de olhar". E que, no fundo, só tem uma solução, como bem frisou Cocu nesta sexta: "Recebemos tantos convites de psicólogos que poderíamos encher um salão, mas não faremos isso. É necessário tratar o pênalti como uma chance para marcar. Quando convertermos um de novo, podemos recomeçar". Até lá, o PSV continuará na marca do pênalti - quase literalmente.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 30 de setembro de 2016. Atualizada)

domingo, 25 de setembro de 2016

810 minuten: como foi a 7ª rodada da Eredivisie

El Ahmadi pede os aplausos após o segundo gol. O Feyenoord está merecendo, mesmo (Pro Shots)

ADO Den Haag 0x3 Heerenveen (sábado, 24 de setembro)

O Heerenveen começou a temporada meio hesitante: apenas uma vitória nas primeiras quatro rodadas. Nada que o grupo de jogadores do time da Frísia não pudesse reverter, com a razoável qualidade técnica para os padrões do Campeonato Holandês. É o que começa a acontecer, tendo sequência com a boa vitória fora de casa, em Haia. Desde o primeiro tempo, o Fean foi superior ao Den Haag. Na primeira oportunidade de gol, aos 25', Pelle van Amersfoort cruzou e Reza "Gucci" Ghoochannejhad completou no travessão. No minuto seguinte, a bola tomou o rumo certo. Sam Larsson fez jogada individual pela direita, cruzou, e o goleiro Ernestas Setkus deu azar: espalmou em cima do próprio colega de equipe, o lateral Wilfried Kanon. A bola ricocheteou e foi para as redes: 1 a 0 para o Heerenveen.

Pelo resto do jogo, os frísios continuaram dominando os anfitriões auriverdes. Ainda assim, a ampliação da vitória só veio no fim. Aos 79', Arber Zeneli recebeu de Van Amersfoort e só tocou no canto baixo para o 2 a 0; e aos 88', quatro minutos após entrar em campo, Henk Veerman chutou forte para fechar o placar. Quarta vitória seguida dos alviazuis, que já mordem os calcanhares dos ponteiros. E o bom começo do Den Haag na temporada já é coisa do passado: três derrotas seguidas.

Groningen 0x0 Heracles Almelo (sábado, 24 de setembro)

Com cinco triunfos seguidos em casa contra o Heracles nas temporadas recentes da Eredivisie, o Groningen esperava comemorar no estádio Noordlease. Passou longe disso. Pelo menos, os visitantes de Almelo também passaram longe de ameaçar o gol defendido por Sergio Padt. Azar dos torcedores presentes: no primeiro tempo, não houve um chute a gol sequer, fosse dos Groningers, fosse dos Heraclieden.

Na etapa complementar, enfim, o gol ficou mais perto. A maior chance saiu aos 65': desde o primeiro tempo em campo (substituiu o lesionado Lerin Duarte), o meio-campo Peter van Ooijen ficou livre na frente de Padt, mas o arqueiro mandou para fora com o tornozelo. Depois, Samuel Armenteros quase colocou os Almelöers na frente. Só então o Groningen tentou algo, com Bryan Linssen (aos 70') e Oussama Idrissi. Insuficiente para tirar um pálido 0 a 0 do placar.

Klaassen celebra Sánchez (à esquerda) e Ziyech (à direita), dois destaques na goleada do Ajax (Maurice van Steen/VI Images)

Ajax 5x1 Zwolle (sábado, 24 de setembro)

Mesmo que já esteja mais próximo de sua escalação perfeita, Peter Bosz ainda faz alguns experimentos no Ajax. E o time que entrou em campo contra o Zwolle, na Amsterdam Arena, foi prova disso: Mitchell Dijks começou no banco, enquanto Daley Sinkgraven foi experimentado na lateral esquerda (onde nunca jogara na carreira). Nemanja Gudelj também estava na reserva, com Lasse Schöne como titular no meio. Pelo menos no início do jogo, a impressão foi que o Ajax sofreria com isso. Porque o Zwolle, lanterna do Holandês, incorporou o velho tormento que tem sido para os Godenzonen nas últimas temporadas: já aos 4', após cobrança de lateral, Wout Brama recebeu a bola livre (nem Davy Klaassen, nem Davinson Sánchez o acompanharam), correu e chutou no canto direito de André Onana - que poderia estar melhor colocado. Surpreendente 1 a 0 dos Zwollenaren.

O começo de jogo só não foi mais desastroso porque Sánchez corrigiu sua falha no primeiro gol da melhor maneira possível: aos 8', o zagueiro colombiano empatou o jogo, cabeceando uma bola escorada por Klaassen após escanteio. A partir daí, a partida ficou bem agradável. De um lado, o veloz Ajax atacando: aos 13', Bertrand Traoré (em ascensão, jogando bem) chutou cruzado da direita, e o goleiro Mickey van der Hart espalmou, e Amin Younes fez jogada semelhante aos 15', cujo arremate também passou perto do gol dos "Dedos Azuis".

Do outro lado, os visitantes contragolpeavam com perigo. Aos 24', em rápido avanço, Queensy Menig bateu, exigindo boa defesa de Onana; aos 30', após escanteio, o zagueiro Ted van de Pavert ajeitou e chutou da entrada da área, mas o arqueiro camaronês do Ajax apareceu bem de novo. Só aos 38' o Ajax se aliviou definitivamente. Graças à primeira aparição de um destaque do jogo: Hakim Ziyech. O marroquino cobrou escanteio, e Sánchez subiu sozinho no meio da área para cabecear e fazer seu segundo gol no jogo: 2 a 1 Ajax.

Com o Zwolle excessivamente ofensivo no segundo tempo, veio a goleada dos Ajacieden. Aos 55', Ziyech lançou Kasper Dolberg, e o atacante dinamarquês chegou livre na área para marcar o 3 a 1. Mais quatro minutos, e veio o gol mais bonito da partida: Traoré pegou a bola na direita, deu uma meia-lua em Van de Pavert, um corte em Dirk Marcellis, e chutou colocado no canto esquerdo para o quarto gol. Finalmente, aos 64', Dolberg recebeu de Ziyech (quarta assistência no jogo!) e arriscou de longe: a bola bateu no travessão, quicou dentro, e a tecnologia "hawk-eye" do juiz Jochem Kamphuis fez valer o tento que completou a goleada. Quarto triunfo seguido do Ajax na liga - sétimo, contando Liga Europa e Copa da Holanda. O ambiente parece tão pacífico quanto otimista, como Ziyech comemorou: "É sempre bom estar participando dos gols". Agora, é pegar o Standard Liége, na próxima quinta, pela Liga Europa. Ao Zwolle, fica a preocupação pela última posição na tabela.

AZ 2x2 Go Ahead Eagles (sábado, 24 de setembro)

Quando o primeiro tempo terminou no estádio AFAS, em Alkmaar, estava tudo tranquilo para o AZ. A equipe da casa se defendera bem de alguns avanços do Go Ahead Eagles, voltara a se impor ofensivamente e, por fim, conseguira o 1 a 0. Aos 36', pela esquerda, o lateral Ridgeciano Haps foi derrubado por Lars Lambooij, e o atacante Wout Weghorst bateu o pênalti subsequente com segurança para abrir a contagem. Ainda no primeiro tempo, aos 39', o atacante Randy Wolters quase empatou para o GAE, mas seu voleio foi bem defendido pelo goleiro uruguaio Sergio Rochet. E aos 52', a vitória do AZ pareceu assegurada: Iliass Bel Hassani fez jogada individual e deixou Weghorst livre para finalizar e marcar pela segunda vez na partida.

Buscando poupar forças para o jogo contra o Zenit, pela Liga Europa, os Alkmaarders recuaram. Foi o azar deles: o Go Ahead Eagles se animou em busca do empate. Ainda mais depois dos 66', quando Sander Duits fez o primeiro do Kowet, em chute de fora da área. Finalmente, aos 87', Sam Hendriks partiu o coração dos torcedores em Alkmaar: após rebote de Rochet em cabeceio de Kenny Teijsse, Hendriks deu o empate merecido aos visitantes de Deventer. Nos acréscimos, o volante Derrick Luckassen ainda mandou a bola na trave, mas o AZ precisou mesmo engolir um empate com gosto de derrota - como já engolira contra o Dundalk-IRL, na estreia pela Liga Europa.

O PSV temeu, após o empate. Mas o gol de Luuk de Jong (na foto) colocou o time na rota da vitória (ANP/Pro Shots)

Excelsior 1x3 PSV (sábado, 24 de setembro)

Assim como o ADO Den Haag, o Excelsior parece perder o fôlego inicial que lhe rendeu um começo surpreendentemente bom de campanha na Eredivisie. Ao PSV, restava apenas uma opção: voltar a vencer, para apagar o mais rápido possível eventual impacto da derrota para o rival direto Feyenoord, na rodada passada. E o time de Eindhoven mostrou rapidamente que iria fazer isso com facilidade. Desde o começo do jogo, no estádio Woudestein, em Roterdã, os Boeren foram francamente superiores. O primeiro gol até demorou, mas saiu bonito: aos 21', Jetro Willems tocou a bola da esquerda para Luciano Narsingh, que tabelou com Bart Ramselaar (de novo titular), recebeu na área e tocou no contrapé do arqueiro Tom Muyters para o 1 a 0.

Estaria tudo tranquilo para o PSV... não fosse um erro cometido na única jogada perigosa de ataque que o Excelsior possuía: o contra-ataque rápido. Aos 26', Nigel Hasselbaink correu com a bola e lançou Kevin Vermeulen, que dominou na área e foi seguro por Willems. Pênalti apitado por Danny Makkelie, que Luigi Bruins bateu com competência: bola num canto, Jeroen Zoet no outro, 1 a 1. Com um empate inesperado, o time de Eindhoven só podia continuar atacando. Aos 29', Luuk de Jong quase marcou belo gol: em cruzamento, tocou de letra no primeiro pau, mandando a bola na trave oposta. Em outra chance, já nos descontos (45' + 2), Luuk conseguiu aliviar o time visitante: Andrés Guardado cobrou falta, e o atacante chegou livre para desviar de cabeça e fazer 2 a 1.

No segundo tempo, o começo foi desanimado. O Excelsior tentava atacar, mas, espaçado demais, não era páreo para a compactação do PSV - que acelerava os contra-ataques por sua vez, mas parava na rápida recomposição dos Kralingers. Só aos 61' o jogo voltou a ter emoção - involuntariamente: após um rebote de escanteio, Fredy ajeitou a Khalid Karami, e o lateral chutou de primeira, do meio-campo, quase pegando Zoet desprevenido: a bola passou muito perto do gol. Só no final os Eindhovenaren aceleraram o passo de novo. Perderam chances aos 79' (Luuk de Jong cabeceou perto do gol) e aos 82' (Muyters apareceu bem, defendendo à queima-roupa chutes de Davy Pröpper e Narsingh).

Todavia, aos 83', a vitória dos visitantes foi confirmada: Narsingh cruzou da direita, Pröpper dominou do lado oposto, chutou na saída do goleiro, e Hicham Faik desviou acidentalmente para o gol vazio, ratificando o 3 a 1 e a 13ª vitória consecutiva fora de casa do PSV no Campeonato Holandês, quebrando recorde histórico da liga - que pertencia ao próprio clube, em 1987/88. A entrada de Siem de Jong, enfim jogando junto ao irmão Luuk (e fazendo o pivô para o chute dele, última chance, aos 88'), serviu como uma comemoração para a rápida recuperação do vice-líder do campeonato.

NEC 0x0 Willem II (domingo, 25 de setembro)

Cada um dos clubes que entrou em campo no estádio De Goffert, em Nijmegen, tinha uma crise para chamar de sua. O Willem II não ganhava havia três partidas - e no meio de semana, pela Copa da Holanda, foi despachado pelo Ajax com uma sonora goleada em Amsterdã (5 a 0). Com os mandantes, a situação era até pior. Não só dentro de campo (também havia três jogos sem vencer, e sem marcar gol em nenhum deles), mas também fora (a demissão do diretor esportivo do clube, Danny Hoekman, desagradou a torcida, que já critica o trabalho do técnico Peter Hyballa).

Durante o jogo, os Nijmegenaren tiveram mais chances, principalmente nos primeiros 45 minutos. A maior delas, aos 18', com o zagueiro Dario Dumic, que arriscou e mandou a bola na trave. Depois, o juiz Serdar Gözübüyük ainda negou um pênalti claro aos donos da casa (o lateral direito Pele van Anholt, do Willem II, claramente tocou com a mão na bola aos 26'). Na etapa final, outra chance só aos 69': Reagy Baah Ofosu deixou o colega de ataque Taiwo Awoniyi na cara do gol, mas o goleiro Kostas Lamprou salvou os visitantes de Tilburg, desviando o chute de Awoniyi com o tornozelo. E o jogo ficou no 0 a 0 mesmo. Cada time voltou para o seu canto - e em cada canto, uma crise. Talvez maior para o NEC, já sem marcar gols no Holandês há mais de 400 minutos.

Com Ünal em campo, o Twente não passa em branco: o turco marcou de novo, e os Tukkers venceram de novo (Peter Lous/VI Images)

Twente 2x1 Vitesse (domingo, 25 de setembro)

Após golear o ADO Den Haag na rodada passada, o Twente seguia motivado para enfrentar outro clube que anda pelo meio da tabela neste momento inicial da liga holandesa. E teria certas dificuldades, pelo retrospecto do técnico dos visitantes: equipes comandadas por Henk Fräser jamais haviam perdido para a equipe vermelha de Enschede. Até este domingo, quando o tabu teve fim. Foi até curioso: os visitantes criaram mais chances em todo o primeiro tempo, mas quem marcou foram os Tukkers. Ou melhor, o grande destaque deles até agora: Enes Ünal. Aos 16', após cruzamento de Dejan Trajkovski, o atacante turco dominou e bateu sem chances para o goleiro Eloy Room, marcando o sexto gol na temporada - logo, ficando no topo da tábua de goleadores da Eredivisie.

Os mandantes chegaram a marcar o segundo gol ainda antes do intervalo, mas o árbitro Jeroen Manschot anulou controversamente a jogada: antes de finalizar, o atacante Yaw Yeboah dominou limpamente a bola, mas Manschot julgou que ele cometera falta em Ricky van Wolfswinkel. Por isso, durante toda a etapa complementar, a torcida da casa no Grolsch Veste vaiou o juiz. Para sorte do dito cujo, o Twente conseguiu confirmar a vitória no fim: aos 85', Bersant Celina recebeu passe de Chinedu Ede e finalizou no canto baixo de Room, fazendo 2 a 0. Nem mesmo o belo gol que Lewis Baker marcou nos acréscimos (chute fora da área, aos 92'), diminuindo para o Vitesse, evitaria a segunda vitória seguida dos Enschedese. Uma bela e involuntária homenagem a... Hakim Ziyech, que ganhou despedida da torcida no intervalo do jogo.

Utrecht 2x0 Sparta Rotterdam (domingo, 25 de setembro)

O que uma semana não faz... se começara a rodada passada vitimado por inapeláveis 5 a 1 do Groningen em sua própria casa, o Utrecht demonstrara certa reação no meio de semana, avançando na Copa da Holanda ao superar o Twente. E neste fim de semana, deu mais um passo avante, superando o Sparta com facilidade. Tanta facilidade que o primeiro gol já veio aos três minutos de jogo: Sofyan Amrabat avançou pela direita, cruzou, e Sébastien Haller (quem mais?) escorou de calcanhar para Richairo Zivkovic entrar chutando forte, estufando as redes. Não impressionou como o gol que marcara pela Copa da Holanda (correu 100m em 10s96!), mas pelo menos os Utregs estavam sossegados na frente. E poderiam até ter marcado mais, tal a habilidade de Haller, Zivkovic e de Nacer Barazite ao criarem chances.

Isso, porque o Sparta Rotterdam também aparecia de vez em quando. Por exemplo, aos 25', o zagueiro Michel Breuer cabeceou na rede pelo lado de fora - sem contar arremate de Loris Brogno que o goleiro Robbin Ruiter espalmou no reflexo. No segundo tempo, a velocidade do jogo diminuiu. Ainda assim, quando alguma equipe trazia mais perigo ao adversário no estádio Galgenwaard, era a anfitriã: tanto Haller quanto Barazite, novamente, chegaram perto do gol. E ainda houve tempo para Barazite, enfim, transformar a chance em bola na rede. E em grande estilo: aos 80', o ponta-de-lança driblou com classe o zagueiro Rick van Drongelen e tocou para fazer 2 a 0. A primeira vitória do Utrecht pelo Campeonato Holandês atual. De fato, repita-se: o que uma semana não faz...

Feyenoord 5x0 Roda JC (domingo, 25 de setembro)

Com a motivação em alta, era fácil prever uma vitória para o Feyenoord: em casa, enfrentaria o penúltimo colocado do campeonato. Difícil seria superar o compactado 4-4-2 "losango" com que o técnico grego Yannis Anastasiou montara o esquema tático dos Koempels visitantes. Caberia ter muita paciência. E muito toque de bola. Foi assim que veio a primeira chance do Stadionclub diante de sua torcida: aos 5', Rick Karsdorp chegou pela direita, cruzou rasteiro, e Jens Toornstra bateu por cima do gol. Paralelamente, em esporádicos contra-ataques, o Roda trazia algum perigo com o galês Simon Church, que chutou para fora, aos 15'.

Aos poucos, contudo, a clara superioridade Feyenoorder se fez notar. Já aos 17', podia ter vindo um belo gol: Steven Berghuis ajeitou a bola para Dirk Kuyt, que bateu de voleio, exigindo que o goleiro Benjamin van Leer espalmasse. Aos 25', porém, o placar foi aberto, por falhas da defesa visitante de Kerkrade: Eric Botteghin lançou do campo de defesa, o lateral Ard van Peppen desviou tentando cortar, e a bola encobriu o zagueiro Roel Brouwers, sobrando para Nicolai Jorgensen conferir com um toque sutil na pequena área.

Para piorar as coisas, o Roda JC perdeu Church aos 33': vitimado por uma lesão no joelho, o atacante teve de dar lugar a Mikhail Rosheuvel. Mais dois minutos, e veio o segundo gol do Feyenoord - bem bonito: Toornstra recuperou a bola na esquerda, e a deixou para Terence Kongolo. O lateral cruzou, e Jorgensen fez o pivô para Karim El Ahmadi chutar de bate-pronto, no ângulo esquerdo de Van Leer. O jogo estava praticamente decidido. Nem mesmo uma esparsa chance do Roda (aos 43', Mitchel Paulissen cruzou, Adil Auassar bateu, e Botteghin evitou) tirava essa impressão.

Sem precisar forçar na segunda etapa, o Feyenoord apenas criou no começo, com Tonny Vilhena. Aos 48', o meio-campista arriscou de fora, e a bola passou perigosamente por cima; aos 51', Vilhena cruzou, e Karsdorp cabeceou sobre o gol, na segunda trave, mais perto ainda. Só então veio algo próximo de uma boa oportunidade para os oponentes: aos 54', Farshad Noor cortou a marcação na área, bateu, mas o seguro Brad Jones espalmou bem. E a partida seguiu calma, até o fim, quando a vitória se transformou em goleada. Aos 83', novo recuo errado da defesa do Roda JC, pelo alto, e Toornstra dominou na área, deixando Jorgensen livre para fazer 3 a 0. Toornstra apareceu de novo aos 89' - agora fazendo o quarto, de primeira, após cruzamento de Bilal Basacikoglu. E nos acréscimos (90' + 2), Karsdorp cruzou para Kongolo fechar o 5 a 0, de cabeça. Na sétima vitória em sete jogos pela Eredivisie 2016/17, um esperado banho (de bola) na banheira (De Kuip).

sábado, 24 de setembro de 2016

Ronaldo na Holanda: o primeiro grande desafio, o primeiro grande rival

Ronaldo encarou desafios já no PSV. Superou-os com sobras, impondo respeito (ANP)

Ronaldo não é o maior ídolo da história do PSV. Nem o brasileiro que melhores recordações traz aos torcedores do principal clube de Eindhoven. Como se sabe, Romário é o dono desses dois postos, até por ter passado mais tempo no futebol holandês (cinco anos, contra dois de Ronaldo). Ainda assim, e até por não ter jogado em arquirrivais holandeses como fez em Itália e Espanha, há maior orgulho dos Boeren em terem sido o primeiro time europeu onde atuou o carioca do bairro de Bento Ribeiro.

Por isso, o PSV celebra sem traumas os 40 anos de Ronaldo. E relembra a passagem entre 1994 e 1996, em que o atacante teve uma espécie de introdução a tudo o que o esperava em sua carreira turbulenta e próspera. Houve problemas com treinador, houve lesões, mas na Holanda Ronaldo também começou a mostrar do que era capaz em campo. Teve um ótimo companheiro de ataque – o belga Luc Nilis, considerado pelo próprio um dos melhores colegas com quem atuou.

E teve, principalmente, um grande rival na função de marcar gols, protagonizando uma daquelas disputas que fazem ambos crescerem de produção, para alegria das torcidas: Patrick Kluivert. O mais curioso é saber que ambos poderiam ter sido colegas de clube. Afinal, ainda nos tempos de Cruzeiro, o Ajax interessou-se concretamente em buscar o brasileiro que impressionava na Toca da Raposa, cavando uma vaga sem direito a contestações no grupo de jogadores convocados para a Seleção Brasileira na Copa de 1994 – e já recebendo chances de Carlos Alberto Parreira, vez por outra.

Para sorte dos Eindhovenaren, os olheiros Piet de Visser e Frank Arnesen (dois dos mais famosos da Europa na função – não à toa, viraram diretores depois) moveram-se mais rapidamente do que a direção rival. Por 6 milhões de dólares, em agosto de 1994, a nova revelação ia para Eindhoven. Onde já começou fulgurante: logo na primeira rodada do Campeonato Holandês 1994/95, na vitória do PSV sobre o Vitesse (4 a 2, fora de casa), em 28 de agosto de 1994, Ronaldo precisou de apenas nove minutos em campo para marcar seu primeiro gol com a camisa alvirrubra listrada. Na segunda rodada, em 31 de agosto, o PSV recebeu o Go Ahead Eagles, e pespegou 4 a 1 no time de Deventer – com mais dois gols de Ronaldo.

Depois, uma pausa para competições continentais: no caso, a Copa Uefa, em que o time de Eindhoven pegou o Bayer Leverkusen. Levou 5 a 4... com três gols de Ronaldo. O novo reforço havia marcado seis gols em suas primeiras três partidas pelo PSV. Já era suficiente para se ver o quanto Piet de Visser e Frank Arnesen haviam acertado na mosca ao apostarem em Ronaldo. Que por sua vez, já ganhava confiança no seu nível técnico a ponto de ser titular no último amistoso da Seleção Brasileira em 1994: um 2 a 0 sobre a Iugoslávia, em 23 de dezembro, no antigo Olímpico (Porto Alegre), com o clima de celebração pelo tetracampeonato ainda em relativa alta.

Por sinal, também no fim daquele ano, Patrick Kluivert já ganhara sua primeira chance pela seleção holandesa: em 16 de novembro, substituiu Youri Mulder aos 25 minutos do segundo tempo na partida contra a República Tcheca, empatada sem gols, pelas eliminatórias da Euro 1996. Curiosamente, a chance foi dada por Dick Advocaat, que logo treinaria Ronaldo no PSV. Todavia, o técnico mais importante na carreira daquele jovem nascido em 1º de julho de 1976 era, sem dúvida, Louis van Gaal. Foi quem bancou as várias oportunidades do novato naquele time, que já contava com Ronald de Boer, Finidi George e Nwankwo Kanu para o ataque.

Assim como Ronaldo, Kluivert também não demorou a mostrar que seria atacante elogiável. Na primeira rodada daquela Eredivisie, em 28 de agosto, Ajax 3x1 RKC Waalwijk – com um gol do surinamês de 18 anos. 11 de setembro de 1994, segunda rodada, contra o Vitesse: 5 a 0 Ajax, e mais um gol de Kluivert. E se Ronaldo, seu adversário pela artilharia da Eredivisie 1994/95 passou em branco na terceira rodada (PSV 4 a 0 no Dordrecht ‘90), Kluivert não perdeu a chance: marcou o gol no 1 a 1 contra o Roda JC.

Curiosamente, no encontro entre as duas equipes (sétima rodada da Eredivisie 1994/95, em 23 de outubro de 1994), nenhum dos dois brilhou. Coube ao Ajax como um todo ganhar o destaque: mesmo em Eindhoven, goleou o PSV por 4 a 1, começando a se credenciar como a equipe que assombraria o futebol holandês naquela temporada, ganhando a Eredivisie de maneira invicta. Porém, se o Ajax decolava, Kluivert começou a se alternar na titularidade com os colegas. Até brilhou nos 5 a 1 contra o Heerenveen (oitava rodada, 26 de outubro, dois gols), e nos 3 a 1 contra o Groningen, pela 10ª rodada, em 9 de novembro (dois dele). Todavia, estes foram os últimos jogos de Kluivert em 1994.

Ele só voltou a jogar em 13 de janeiro de 1995, pela 16ª rodada – por sinal, já marcando, no 1 a 1 contra o RKC. Finalmente, Ajax e PSV se reencontraram, na rodada seguinte do Campeonato Holandês. Aí, sim, Kluivert se destacou: marcou o único gol da vitória Ajacied (1 a 0). E se não atuou muito mais pela liga (terminou com 18 gols em 25 jogos), o novato começou a consolidar sua reputação num cenário bem mais importante: a Liga dos Campeões. Basta lembrar que foi de Kluivert, com a camisa 15, saindo do banco, o gol do título europeu do Ajax naquela competição. A partir daquele impulso, o hoje diretor técnico do Paris Saint-Germain ganhou espaço na seleção para não mais sair: seguiu sendo convocado em 1995, e esteve na Euro 1996, abrindo caminho para uma trajetória que por muito tempo lhe rendeu o posto de maior goleador da história da Oranje.

O momento em que Kluivert explodiu: o chute para decidir a Liga dos Campeões 1994/95, contra o Milan (Clive Brunskill/Getty Images)

Porém, se Kluivert vencia a disputa em uma frente (maior aparição na Europa), Ronaldo vencia em outra. Com o Ajax pouco a pouco mais concentrado na Liga dos Campeões, o atacante do PSV já se estabelecia definitivamente como titular absoluto na equipe, e um dos únicos destaques de um time esquecível dos Boeren (esquecível a ponto de cair nas oitavas de final da Copa da Holanda, e perder o vice-campeonato holandês para o Roda JC). O forte era a regularidade: quase sempre, Ronaldo deixava o dele nas redes – chegou a marcar por quatro rodadas seguidas, entre a 16ª e a 19ª. Assim, foi fácil abrir vantagem para Kluivert na lista de goleadores da Eredivisie, chegando a uma média espantosa: 30 gols em 33 jogos. Simplesmente o mais jovem atleta da história do PSV a alcançar a marca das três dezenas de gols, até hoje. Com tal desempenho, Ronaldo também aproveitava as chances na Seleção Brasileira: já tinha atuações marcantes em 1995, como no 2 a 0 sobre o Uruguai, em amistoso na Fonte Nova, quando fez os dois gols.

E assim as coisas continuaram em 1995/96. Kluivert também seguiu elogiável no Ajax, mais firme como titular (28 jogos, 15 gols), além de já ser nome certo na seleção holandesa. Ronaldo não pôde atuar em toda a temporada: os joelhos o perturbaram pela primeira vez. Com tendinite em ambos e falta de calcificação no joelho direito, uma operação em fevereiro de 1996 o tirou de campo por dois meses. Àquela altura, já tinha 12 gols em 13 jogos pelo Campeonato Holandês 1995/96, desempenho que chamou a atenção do Barcelona. Ao voltar das lesões, Ronaldo era colocado esporadicamente em campo por Dick Advocaat – às vezes, até no banco ficava. Irritou-se, e o Barcelona aproveitou para levá-lo de Eindhoven tão logo terminou o torneio olímpico de futebol, em Atlanta. Kluivert ficou mais um ano no Ajax: em 1997/98, teve passagem turbulenta e decepcionante no Milan, antes do bom momento que teve pelo Barcelona.

Os caminhos de ambos seguiram paralelamente. Só reencontravam-se em momentos fortuitos, como a inesquecível semifinal da Copa de 1998. Hoje, com as carreiras terminadas e ambos quarentões, é possível dizer: Patrick Kluivert também surgia bem naquele Ajax campeoníssimo de 1994/95. Só não chamou mais atenção na Holanda porque Ronaldo era de uma qualidade superior, como o resto da carreira mostrou. E poucas vezes ele foi tão preciso ao concretizar esse dom (isto é, ao marcar gols) quanto nos tempos de Eredivisie, quando já superava Kluivert, com sobras.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 22 de setembro de 2016)

domingo, 18 de setembro de 2016

810 minuten: como foi a 6ª rodada da Eredivisie

Botteghin aproveitou a chance na hora certa. E o Feyenoord calou o PSV em Eindhoven: líder indiscutível (ANP/Pro Shots)

Utrecht 1x5 Groningen (sexta-feira, 15 de setembro)

As duas equipes abriram a rodada em situação muito parecida: são times médios, cujos grupos de jogadores são capazes de campanhas melhores, mas começam o Campeonato Holandês preocupando a torcida. O jogo no estádio Galgenwaard, em Utrecht, era ótima oportunidade para um recomeço, em busca da primeira vitória na liga. E quem aproveitou a chance foram os visitantes do norte holandês. Graças principalmente a Oussama Idrissi. Aos 13', o atacante abriu o placar para o Groningen, aproveitando recuo errado do lateral Ramon Leeuwin para dominar a bola, driblar o zagueiro Menno Koch e mandar para as redes. Aos 44', Idrissi fez 2 a 0 de maneira mais bonita ainda: um chute da entrada da área, mandando a bola no ângulo.

O Utrecht notara que as alterações promovidas na equipe titular para o jogo (cinco mudanças, incluindo a saída do capitão Willem Janssen) não estavam dando certo. Cabia apenas apostar nas capacidades individuais. E os dois destaques dos Utregs diminuíram a vantagem do Groningen: aos 60', Sébastien Haller - capitão no jogo - lançou Richairo Zivkovic, que tocou na saída do goleiro para marcar. Porém, a esperança do empate durou pouco: aos 66', Danny Hoesen fez 3 a 1 para o Groningen, driblando o goleiro Robbin Ruiter antes de marcar. E a goleada foi confirmada no fim do jogo: aos 80', vindo do banco de reservas, Tom van Weert fez o quarto gol, e Hoesen marcou 5 a 1 nos acréscimos (90' + 3). Fora de casa, o Groningen ganhou ânimo para reagir. Agora, o sinal de alerta fica só com o Utrecht, penúltimo colocado.


Enes Ünal (meio) destacou-se de novo pelo Twente. Surge um novo destaque em Enschede? (Peter Lous/VI Images)

Twente 4x1 ADO Den Haag (sábado, 16 de setembro)

Na vitória do Twente sobre o Groningen, há duas rodadas, o atacante Enes Ünal marcara três gols; na rodada passada, o time da cidade de Enschede perdeu para o Heerenveen, e Ünal não estava, por contusão. Hoje, o jogador turco voltou à equipe titular dos Tukkers. E brilhou de novo, sendo fundamental na vitória contra um difícil adversário, que faz bom começo no Campeonato Holandês. Já aos 13', Ünal fez 1 a 0 em bela cobrança de falta - contando com alguma ajuda do goleiro Ernestas Setkus, diga-se de passagem. Aos 35', o camisa 17 marcou o gol que o torna, por ora, goleador máximo desta temporada da Eredivisie: Kamohelo Mokotjo cruzou, e Ünal (emprestado pelo Manchester City) desviou de cabeça para as redes.

No ADO Den Haag, o técnico Zeljko Petrovic tentou movimentar o setor ofensivo: para o segundo tempo, colocou Kevin Jansen no meio-campo, para ajudar Édouard Duplan na armação das jogadas, e Dennis van der Heijden foi ajudar Mike Havenaar como finalizador, na área. Deu errado: os visitantes de Haia continuaram sem trazer muito perigo ao goleiro Nick Marsman. Segura em campo, a equipe da casa não demorou para fazer 3 a 0: aos 54', outro novato emprestado, Bersant Celina, ampliou a vantagem do Twente. Já nos últimos minutos, aos 88', enfim veio o gol de honra do Den Haag: Jansen, de cabeça, completando bola mandada por Duplan. Sem problemas: aos 90', Jari Oosterwijk chutou a bola na trave, e Mokotjo fez 4 a 1 no rebote. E o Twente impôs a segunda derrota seguida ao ADO Den Haag, com a atuação decisiva de Enes Ünal. Está nascendo quem preencherá a lacuna deixada pela saída de Hakim Ziyech?

Roda JC 0x3 Heerenveen (sábado, 16 de setembro)

Sabe aqueles jogos em que um dos times preferia esquecer que entrou em campo, tantas foram as coisas erradas? Pois bem: o Roda JC viveu um dia aziago desses no sábado. Sorte do Heerenveen, que começou a aproveitar cedo: aos 8', Sam Larsson bateu falta com precisão nas redes defendidas por Benjamin van Leer, deixando o 1 a 0 no placar para o Fean. Com chances perdidas a granel por Simon Church, a torcida já se irritava no Parkstad Limburg Stadion, em Kerkrade. Muito mais irada ficaria no final do primeiro tempo, quando o Roda se viu com dois jogadores a menos. Aos 33', o volante Abdul Ajagun cometeu falta e levou o segundo cartão amarelo - logo, o vermelho. Mais dez minutos, e os Koempels perderam Christian Kum: já com um amarelo sobre si, por agarrar o atacante Arber Zeneli, o zagueiro foi outro a deixar o campo mais cedo, expulso por reclamação. Desnecessário dizer que o árbitro Bas Nijhuis não teve os adjetivos mais amáveis dirigidos contra si, após as duas expulsões (justas, embora algo exageradas).

Se já estava difícil com 11 contra 11, o Heerenveen impôs totalmente seu domínio no segundo tempo, com 11 contra 9. O dia estava tão bom para a equipe da Frísia que esta ampliou a vantagem por obra e graça da sorte. Aos 68', o zagueiro Frédéric Ananou tentou tirar uma bola da área, mas seu chutão bateu no atacante Henk Veerman, e a bola espirrou direto para as redes: 2 a 0. Nem mesmo o fato de também perder jogador por cartão vermelho (o zagueiro Shay Facey levou o segundo cartão amarelo aos 75') tirou o Heerenveen do caminho de sua segunda vitória seguida. Até porque Zeneli ainda fez o último gol, aos 76', em bonito arremate. Estava confirmado o segundo triunfo consecutivo do Heerenveen, enquanto o Roda JC ainda espera pela primeira vitória em 2016/17.

Vitesse 2x0 Go Ahead Eagles (sábado, 16 de setembro)

Havia duas rodadas que o Vitesse não vencia. Pior: havia sete meses, o clube aurinegro não vencia em casa pela Eredivisie. Poucas situações poderiam ser melhores para consertar tudo do que um triunfo no "Airborne wedstrijd": o "jogo de Airborne", ocasião anual em que são lembrados e homenageados os aviadores holandeses que lutaram (e morreram) na Batalha de Arnhem, disputa contra aviões nazistas em 17 de setembro de 1944, no meio da Segunda Guerra Mundial. Voltando ao futebol, porém, nada fazia crer que o Vites conseguiria alegrar a torcida de novo. A atuação no primeiro tempo foi bem discreta, e só duas chances de gol mereceram destaque: um chute do meio-campo Navarone Foor e, principalmente, um toque de Nathan, aproveitando falha do goleiro Theo Zwarthoed - o lateral esquerdo Joey Groenbast salvou o Go Ahead Eagles, tirando em cima da linha.

As coisas só foram melhorar com a entrada de Adnane Tighadouini, substituindo Nathan para o segundo tempo. Aí, sim, o Vitesse se impôs ofensivamente, pressionando mais e mais a defesa dos visitantes da cidade de Deventer. Com tanta pressão, surgiu justamente de uma falha defensiva o gol que abriu o placar; aos 76', a bola bateu na mão do zagueiro Sander Fischer, e o juiz Jochem Kamphuis marcou o pênalti com firmeza. Sorte de Ricky van Wolfswinkel, que cobrou bem e fez 1 a 0. Antes que o Go Ahead Eagles pensasse em reagir, veio o 2 a 0, aos 78': também vindo do banco, o atacante Mitchell van Bergen fez a jogada e deixou a bola com Lewis Baker, que finalizou para garantir a primeira vitória do Vitesse no estádio Gelredome, após um longo tempo.

Willem II 1x1 Excelsior (sábado, 16 de setembro)

Ah, é, o Excelsior começou surpreendentemente bem na temporada? O Willem II não quis saber: marcou rapidinho 1 a 0. Aos 6', Dico Koppers cruzou bem da esquerda, e o espanhol Fran Sol Ortiz cabeceou perfeitamente. Foi o ínicio de um domínio claro dos mandantes, no jogo disputado em Tilburg. Criaram várias chances, e o Excelsior se mostrou assustado na defesa. É o caso de citar o clichê: os Kralingers devem agradecer por terem ido aos vestiários somente com 1 a 0 de desvantagem. Mas a coisa mudou completamente no segundo tempo.

Com a entrada de Danilo Pantic no ataque, o Excelsior passou a ser um pouco mais ativo ao tentar criar chances de gol. Com o Willem II recuando para manter a vantagem, o jogo virou o caso de "ataque contra defesa" (mais um clichê!), e a posse de bola era do time de Roterdã, na maioria das vezes. No fim do jogo, os visitantes aumentaram a pressão, com o atacante Hicham Faik entrando aos 78'. Bastaram dois minutos, e Faik deu o empate merecido ao Excelsior: cobrou falta, a bola desviou na barreira, e o goleiro Kostas Lamprou ficou sem chances de defesa. Restou o arrependimento aos Tilburgers.

Sparta Rotterdam 2x0 NEC (domingo, 17 de setembro)

Mesmo tendo sido o principal destaque no título da segunda divisão, o atacante Thomas Verhaar estava em posição periférica na atual campanha do Sparta Rotterdam (em parte, por lesão; em parte, por opção). Atuara em três partidas, e sempre saindo do banco de reservas. Contra o NEC, enfim, Verhaar ganhou do técnico Alex Pastoor a chance de começar jogando. E aproveitou. Aos 17', o atacante abriu o placar no Kasteel: Denzel Dumfries lançou a bola na área, e o atacante dominou para tocar na saída do goleiro Joris Delle.

A situação dos Spartanen poderia ter ficado mais tranquila ainda no primeiro tempo, mas Zakaria El Azzouzi desperdiçou duas boas chances. Sorte dos visitantes: na etapa complementar, com as entradas de André Formitschow (lateral esquerda) e Reagy Baah Ofosu (atacante), o NEC ficou mais veloz com a bola nos pés. Resultado: as chances mudaram de lado, com os visitantes de Nijmegen tendo a maior delas aos 61', quando Formitschow chutou na trave. Todavia, aos 81', enfim o Sparta se aliviou: Loris Brogno fez jogada individual, e deixou para El Azzouzi finalizar e confirmar o 2 a 0. Um duro golpe para o NEC, sofrendo com crise interna (até demissão houve - do diretor técnico Danny Hoekman). Uma boa vitória do Sparta Rotterdam. Uma nova chance para Verhaar.

Weghorst (à esquerda) participou dos dois gols do AZ: mais uma vitória, e time de Alkmaar já sobe (VI Images)

Zwolle 0x2 AZ (domingo, 17 de setembro)

Após três anos de sonho, o Zwolle enfim encarava uma dura realidade: não vencera ainda na Eredivisie, patinando nas últimas colocações da tabela. Exatamente o oposto do AZ, que já mostra certa evolução técnica, mesmo após as saídas de Vincent Janssen e Markus Henriksen. Com três vitórias seguidas, o time de Alkmaar foi para o jogo com alguns desfalques: além da óbvia ausência de Stijn Wuytens (sofreu concussão contra o Dundalk, na Liga Europa), o técnico John van den Brom decidiu dar uma chance a Wout Weghorst no ataque, deixando o nigeriano Fred Friday no banco. Se nenhuma das duas equipes brilhou em campo, o AZ pelo menos provou sua maior superioridade técnica.

E Weghorst ajudou bastante nisso, começando com seu gol: aos 43', após sobra de escanteio, Joris van Overeem mandou de novo a bola para a área, e o atacante escorou para as redes. Foi o único lance de emoção em muito tempo. Na etapa final, a monotonia imperou: Ron Vlaar teve a única chance mais real de gol, batendo forte na trave, aos 52'. Só no fim, aos 87', Weghorst apareceu de novo. Agora, dando passe para gol: o atacante deixou o jovem reserva Guus Til livre para finalizar e fazer 2 a 0. Quarto triunfo em sequência dos Alkmaarders, que já estão onde se esperava: no alto da tabela, em terceiro lugar. Já o Zwolle enfrenta uma situação inesperada: pena na última colocação.

PSV 0x1 Feyenoord (domingo, 17 de setembro)

Com duas equipes altamente motivadas entrando em campo para o principal jogo da rodada, esperava-se muito do jogo no Philips Stadion. O muito até veio, mas não da maneira que se esperava: ao invés de equipes francas e abertas, o que se viu foi um jogo extremamente estudado e truncado. Com as duas defesas muito bem postadas e se recompondo rapidamente, não havia espaço para grandes chances de gol. Tanto que a primeira vez em que a bola passou perto da trave foi numa bola parada: aos '9, Jetro Willems cobrou falta na entrada da área, e a pelota saiu pela linha de fundo, com certo perigo para o goleiro Brad Jones.

Se era possível dizer que uma equipe era "melhor" num jogo tão equilibrado, era o PSV - que pelo menos tinha mais velocidade pela esquerda, com Luciano Narsingh tentando criar jogadas de ataque. Tanto que dele surgiu a melhor chance da etapa inicial: aos 28', ele arrematou na grande área após passe de Guardado, mas Jones fez ótima defesa. Ainda assim, Luuk de Jong e Gastón Pereiro não o ajudavam muito, em más atuações. No Feyenoord, Dirk Kuyt e Tonny Vilhena mostravam o esforço e a velocidade respectivos de sempre, mas de nada adiantava se não vinham grandes coisas do ataque, onde Steven Berghuis e Nicolai Jorgensen decepcionavam. Além disso, sempre que surgia algo parecido com uma chance, as defesas impediam. Foi assim aos 34', quando Jorgensen se viu livre na área para tentar o chute, mas Willems o impediu na hora certa, com um carrinho preciso que afastou a bola pela linha de fundo. Depois, Narsingh ainda teve uma possibilidade, mas Karim El Ahmadi repetiu o que Willems fizera com Jorgensen: num carrinho seguro, tirou a bola na hora do chute.

No segundo tempo, o ritmo foi o mesmo: um chute aqui e outro ali, mas nada que perturbasse seriamente os goleiros. No primeiro minuto, Davy Pröpper arriscou de fora da área, mas Jones estava atento; aos 49', De Jong podia chutar, mas Jan-Arie van der Heijden o impediu na hora; aos 52', Kuyt cabeceou em escanteio, mas Andrés Guardado tirou a bola quase em cima da linha. Mal em campo, Pereiro deu lugar a Steven Bergwijn, mas o PSV seguiu sem criar grande coisa na frente. Um pouco por má qualidade, um pouco pelo ótimo dia da defesa do Feyenoord: como na vitória contra o Manchester United (Liga Europa), Eric Botteghin e Terence Kongolo viviam ótimo dia. Concentrados, não erravam um bote, por cima ou por baixo. A mesma coisa com Nicolas Isimat-Mirin e Héctor Moreno, no time da casa. Numa contenda tão equilibrada, estava claro: era o caso de dizer que "quem fizesse, ganharia". Qualquer chance precisava ser aproveitada.

E o Feyenoord conseguiu, no momento certo. Aos 82', em cobrança de escanteio, Eric Botteghin se viu livre de marcação. Assim, o zagueiro brasileiro dominou no meio da área e chutou sem chances de defesa para Jeroen Zoet, marcando seu primeiro gol pelo clube de Roterdã. Era o 1 a 0 que premiava, de novo, a atenção que o Stadionclub tinha contra um rival forte. Restou o abafa ao PSV, que teve uma chance no lance final do jogo: aos 90' + 3, Moreno cabeceou à queima-roupa, e Jones fez grande defesa, espalmando por cima. Ato contínuo, Kevin Blom apitou o fim do jogo, e o Feyenoord comemorou uma vitória extraordinária. Segue 100%, com seis vitórias em seis jogos (início bom assim na Eredivisie, os Rotterdammers não viam desde 2003/04), abrindo cinco pontos de distância para o PSV. E vencia fora de casa um rival "do mesmo tamanho" na Holanda, dando mais segurança para frases como a do técnico Giovanni van Bronckhorst à NOS, emissora de tevê: "Candidatos ao título? É, nos somos".

Semana passada, após o 3 a 1 sobre o ADO Den Haag, o blog escreveu: "A semana começou muito bem em De Kuip. Como terminará?". A resposta: final melhor, impossível.

Ajax foi discreto durante a maior parte do jogo. Até Klaassen abrir caminho para vitória contra Heracles (Stanley Gontha/ANP)

Heracles Almelo 0x2 Ajax (domingo, 17 de setembro)

No meio de semana, estreando contra o Panathinaikos pela Liga Europa, o Ajax começou mal (não tinha espaço para sair jogando, e uma falha do goleiro André Onana colocou o time grego na frente), mas terminou bem (o time se assentou, foi melhorando, teve um pênalti a favor, e afinal ganhou por 2 a 1). Foi mais ou menos assim que as coisas transcorreram no jogo final da rodada, em Almelo. Afinal de contas, na maior parte do primeiro tempo, o time de Amsterdã teve desempenho apagado contra o Heracles - que não fazia grande coisa, por sua vez. Somente no final vieram algumas chances: aos 41', o zagueiro Davinson Sánchez cabeceou perto do gol, enquanto Jaïro Riedewald chutou na rede pelo lado de fora aos 44'.

A leve reação do Ajax ajudou também os Heraclieden a tentarem o ataque, no segundo tempo. E o primeiro avanço do time da casa quase resultou em gol: aos 55', uma rápida cobrança de falta pegou a defesa Ajacied desprevenida, e Jaroslav Navratil cruzou para Samuel Armenteros. Livre na área, o atacante sueco escorou, e Onana fez grande defesa. Quando o erro defensivo foi da zaga do Heracles, aos 66', os visitantes de Amsterdã não perdoaram: Mitchell Dijks cruzou da esquerda, Tim Breukers rebateu mal, e Davy Klaassen aproveitou a sobra para fazer 1 a 0. Mais dez minutos, e após receber a bola de Amin Younes, Nemanja Gudelj finalizou com classe para definir a terceira vitória seguida do Ajax na Eredivisie (e também na temporada, juntando todas as competições). Mesmo ainda irregular, o time da estação Bijlmer Arena já divide o segundo lugar na tabela com AZ e PSV. Tão más as coisas não estão, afinal.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

PSV x Feyenoord: turbinados pelo otimismo

Mesmo com bom começo no Holandês, Feyenoord ainda sofre com desconfianças - só que vitória na Liga Europa aumentou ainda mais o ânimo (Matthew Childs/Reuters)

Parece a repetição do filmes de temporadas passadas. Antes de más sequências que dizimam suas chances de título ou vaga em competições continentais, o Feyenoord começa muito bem no Campeonato Holandês, e faz campanhas tranquilas. De novo, é o que acontece nesta edição da liga: o Stadionclub desponta, com um ótimo início de campanha. Mas terá no PSV o maior desafio para provar se merece mais confiança, no clássico entre ambos, neste domingo, pela sexta rodada da Eredivisie, em Eindhoven.

A situação da fase inicial deste Campeonato Holandês é muito parecida com o começo da Eredivisie 2015/16. Agora, o Feyenoord traz até mais brilho: é o único clube com cinco vitórias nas cinco rodadas já disputadas na liga holandesa. Início tão bom não se via no Stadionclub desde a temporada 2005/06. De quebra, somando-se esta temporada à passada, a invencibilidade pelo campeonato já vai para 15 partidas – desde 2003 os Rotterdammers não passavam tanto tempo imunes a derrotas pelo principal torneio nacional.

Algo compreensível, quando o que se vê em campo é um time cada vez mais confiante em sua tática. Após um primeiro ano como técnico em que mostrou certas hesitações, enfim dá para dizer: Giovanni van Bronckhorst tem nas mãos o time que comanda. A ponto de uma aposta tática sua estar dando muito certo: o recuo de Dirk Kuyt para o meio-campo. Ao invés do 4-3-3 habitual na Holanda, o Feyenoord mais se assemelha a um 4-2-1-3: afinal, Kuyt serve como um ponta-de-lança, pegando a bola no meio e trazendo-a para fazer as jogadas de ataque com outros. Isso, quando ele mesmo não finaliza – e bem: já são três gols nesta Eredivisie.

Mas de nada serviria apostar no confiável capitão se ele fosse o único destaque. Longe disso. Ainda no meio-campo dos alvirrubros de Roterdã, Tonny Vilhena tem sido um “motorzinho”: parece estar em todos os lugares do campo. O camisa 10 mostra fôlego admirável não só para voltar e auxiliar na marcação, mas também para ajudar Kuyt na criação de jogadas. Se ainda não foi desta vez que ele conseguiu a sonhada transferência para o exterior (antes de renovar por mais um ano, chegou até a cancelar negociações pela renovação e anunciar a saída do Feyenoord), Vilhena mostra que tem tudo para despontar de vez nesta temporada. Convocações para a seleção, ele já conseguiu.

Mais razões para o bom começo do Feyenoord? A maior regularidade da defesa. Após testar muitas duplas de zaga na temporada passada – nem todas trazendo a segurança necessária -, enfim Van Bronckhorst decidiu (e as contusões permitiram) dois homens de confiança que ganham continuidade no miolo de zaga. Resultado: Eric Botteghin e Terence Kongolo formam, até agora, a defesa menos vazada da Eredivisie, com dois gols sofridos – até a quarta rodada, foram 296 minutos de invencibilidade. Nas laterais, Rick Karsdorp aparenta equilibrar melhor apoio e marcação, enquanto Lucas Woudenberg aproveitou lesão do titular Miquel Nelom e foi grata surpresa.

E o goleiro, além de completar a segura zaga do Feyenoord, também mostra outro acerto do clube: a precisão no mercado de transferências. Sem Kenneth Vermeer, fora até janeiro por romper o tendão de Aquiles, o australiano Brad Jones dava sopa após o fim de seu contrato com o NEC. O Feyenoord aproveitou, e o experiente Jones (34 anos, ex-Middlesbrough e ex-Liverpool) faz bem o seu papel, com segurança e bons reflexos. 

Outro reforço promissor foi Nicolai Jorgensen: vindo do Kobenhavn, o atacante dinamarquês (constante nas novas convocações da seleção de seu país) mostra tanta força física quanto Michiel Kramer, mas tem maior técnica e velocidade do que este. Resultado: Jorgensen já fez três gols, como Kuyt, e sempre aparece como opção para tabelas ou pivôs nos ataques do Feyenoord. Assim como Steven Berghuis, emprestado junto ao Watford e bom substituto para Eljero Elia, que termina recuperação de lesão. E Bilal Basaçikoglu, reserva sempre a postos para entrar.

PSV podia ter tido mais sorte na Liga dos Campeões, mas segue bem na Eredivisie e pode conter Feyenoord (Peter Mous/VI Images)

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas realmente, o jogo da sexta rodada será o maior desafio do Feyenoord. É unânime entre a imprensa e a torcida holandesas: se há um clube que pode ser a “kryptonita” dos Rotterdammers, este é o PSV. Se o tropeço no 0 a 0 contra o Groningen, há duas rodadas, trouxe certas dúvidas sobre o time de Eindhoven, no fim de semana passado as coisas voltaram ao normal: bastaram 24 minutos do primeiro tempo para os Boeren estamparem uma goleada no NEC (4 a 0).

Aliás, a goleada mostrou o que tem sido uma das maiores qualidades do atual bicampeão holandês: o equilíbrio e a confiabilidade de seu grupo de jogadores. Basta dizer que, contra o NEC, Phillip Cocu decidiu dar descanso a Andrés Guardado e Santiago Arias, que voltavam dos compromissos com as seleções de México e Colômbia. Foram escalados como titulares Joshua Brenet, na lateral direita, e Bart Ramselaar, como volante. Pois bem: Brenet e Ramselaar marcaram gols nos 4 a 0.

E a boa atuação do PSV na estreia pela Liga dos Campeões só ampliou a sensação de que os Eindhovenaren serão parada duríssima para o Feyenoord. Está certo que a equipe teve suas falhas contra o Atlético de Madrid (atacou pouco pelas laterais, por exemplo), mas criou tantas chances de gol como os Colchoneros – até pênalti perdido teve (mais um, o 11º dos últimos 18 do PSV!). Apenas faltou aproveitá-las, como Saúl Ñíguez fez para definir o 1 a 0. De quebra, as trapalhadas do juiz Martin Atkinson foram tantas e tão decisivas (como a anulação polêmica de um gol de Luuk de Jong, no começo do jogo, ou a mão na bola de Diego Godín no segundo tempo, pênalti claro que passou em branco) que o capitão De Jong esteve certo ao sugerir: “Eu tenho certeza de que não fomos inferiores”.

Aparentemente, o PSV provara: era o único clube holandês da atualidade capaz de não passar vergonha contra os grandes europeus, mesmo se perdesse. Pois o Feyenoord deu o salto que precisava, nesta quinta. Certo, o Manchester United jogou com uma equipe mista e pouco entrosada. Só que a atuação do time da casa em De Kuip foi tão concentrada, tão esforçada, sem erros, que o 1 a 0 na estreia pela Liga Europa deu pouco espaço para contestações. Mais do que celebrar a vitória, a torcida exultou com a garra vista em campo. E Dirk Kuyt concordou: “Pelo ambiente, dá para dizer que foi uma vitória histórica”. Autor do gol, Vilhena foi além: “Esta vitória é para não se esquecer nunca mais. Jogamos muito”.

Ou seja: se é o líder do Campeonato Holandês mas precisava provar que merecia confiança antes do primeiro grande desafio pela Eredivisie, o Feyenoord provou ao superar o Manchester United. E se precisava mostrar que tem qualidade suficiente para aproveitar o menor deslize do adversário, o PSV mostrou. Os dois times chegam turbinados pelo otimismo, para um clássico com expectativas como há muito não se via na Holanda. Dá até para concordar com as palavras de Karim El Ahmadi, após o jogo pela Liga Europa: “A Eredivisie não é tão fraca assim".

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 16 de setembro de 2016)

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Foi ele! (Mais ou menos...)

O gol de Saúl Ñíguez já abateu o PSV. E os erros do juiz Martin Atkinson só pioraram as coisas (Olaf Kraak/ANP/Getty Images)

Após PSV 0x1 Atlético de Madrid, estreia de ambas as equipes pelo grupo D da Liga dos Campeões, a torcida da equipe de Eindhoven - e parte da imprensa também - foi unânime: o Atkinson que apitara o jogo no Philips Stadion tinha sido outro. Não o inglês Martin, árbitro profissional, mas sim o comediante inglês Rowan Atkinson, intérprete do conhecido Mr. Bean. Afinal de contas, só mesmo um trapalhão para cometer tantos erros e provocar tanta polêmica na vitória dos Colchoneros. Álibi perfeito para os Boeren deixarem de lado suas falhas na partida.

Até porque nem todos os lances polêmicos significaram erro de Martin Atkinson. O primeiro deles, aos 5', realmente foi irregular: não que Luuk de Jong estivesse impedido ao cabecear a bola para as redes defendidas por Jan Oblak, mas de fato Héctor Moreno fez carga um pouco excessiva sob Filipe Luís, ao escorar para De Jong completar. O segundo já foi mais polêmico, de fato, quando Luciano Narsingh caiu na área, aos 21'. Ainda assim, não é daqueles lances que podem ser cravados como pênalti indiscutível: Diego Godín não foi tão acintoso na obstrução a Narsingh. Jogou com certa "malícia", zagueiro experiente que é.

Além do mais, mesmo escalado inteligentemente por Phillip Cocu (o 5-3-2, repetido das oitavas de final da Champions passada, trouxe Daniel Schwaab à zaga e protegeu mais o gol), o PSV era pouco ativo com os laterais. Apenas Narsingh, na esquerda, criava muitas jogadas. Nem mesmo o meio-campo avançava: cautelosos, Andrés Guardado e Davy Pröpper ajudavam mais Jorrit Hendrix, frágil na marcação a Koke e Saúl Ñiguez pelo meio.

Aí, sim, aos poucos, alguns erros de Atkinson interferiram no jogo. Um deles, aliás, influiu em dois momentos capitais. Aos 42', após escanteio, buscando a bola no alto, Pröpper chocou sua cabeça com a de José María Giménez, e ficou com o supercílio sangrando muito. Só que o juiz não parou o jogo com o meio-campista do time de Eindhoven no chão. Resultado: após um primeiro rebote, Saúl finalizou de primeira, com a perna esquerda, para fazer bonito gol. Somente aí, com a desvantagem no placar, é que Pröpper pôde ser atendido.

E enquanto o camisa 6 dos Eindhovenaren estava fora de campo, no primeiro lance com bola em jogo após o gol, Martin Atkinson "compensou" o erro no suposto pênalti de Godín em Narsingh: o camisa 11 dos alvirrubros listrados entrou pela direita da grande área e caiu, após Jiménez chegar perto. O carrinho do zagueiro uruguaio mal passou perto de Narsingh, mas a queda dele levou à "compensação" do juiz inglês, que marcou o pênalti. A torcida exultou: não deveria, ao lembrar que o PSV perdera 10 dos últimos 17 penais para ele, em todas as competições. Eis que Guardado perdeu o 11º: bateu até bem, no canto esquerdo, mas Oblak voou e espalmou, em grande defesa. E falando à Veronica, emissora de tevê holandesa, Cocu citou o grande azar: "Pröpper bateria. É um dos primeiros da nossa lista de cobradores, com [Gastón] Pereiro. Mas ele estava com sangue na camisa, e não podia voltar. Foi uma infeliz coincidência".

Coincidência infeliz: Pröpper teve o supercílio atingido, o Atlético de Madrid fez o gol...


... e Guardado teve de cobrar o pênalti que se seguiu. Mais um chute perdido para o clube (Dean Mouhtaropoulos/Getty Images)

Sem o empate, o PSV mostrou até mais fragilidades no segundo tempo. Desorganizada com a busca do time pelo empate (Pröpper e Guardado avançavam mais ao ataque), a defesa ficava desprotegida nos contragolpes do Atlético. Com alguns erros, os visitantes madrilenhos só não ampliaram a vantagem pela má atuação de Kévin Gameiro, que perdeu gol feito aos 53'. Somente a entrada de Bart Ramselaar no lugar de Hendrix, aos 67', melhorou a proteção à defesa - sem que o ataque perdesse força com isso.

A partir daí, então, a pressão pelo 1 a 1 aumentou. E veio o grande erro de Martin Atkinson, ao não apontar o pênalti - este sim, inquestionável - em mão na bola de Godín, marcando Luuk de Jong em escanteio, aos 75'. E Luuk de Jong carregou nas críticas, à tevê holandesa: "Eles [árbitros] estão em cinco em campo. Nesse caso, alguma coisa você tinha de ver". Ainda houve mais um cabeceio fraco de Gastón Pereiro, na pequena área, em bola cruzada por Jetro Willems, aos 91'. 

E veio a derrota. Que já era previsível: afinal de contas, trata-se do vice-campeão europeu, melhor do que o PSV. Mas os acontecimentos polêmicos provocados pela arbitragem, e a própria atuação, tornaram o revés mais lamentado na saída do campo, como mostram as palavras de De Jong: "Eu tenho certeza de que não fomos inferiores hoje". De fato, foi Martin Atkinson o principal obstáculo dos Boeren nesta estreia pela Liga dos Campeões. Mas não o único, já que o meio-campo foi lento em boa parte do jogo, as chances do segundo tempo foram jogadas fora, e mais um pênalti foi perdido. Aí fazem sentido as palavras maduras do goleiro Jeroen Zoet: "Tivemos chances suficientes para conseguirmos nossa recompensa, e não as aproveitamos".

Se serve de consolo, pelo menos o PSV mostra que é, atualmente, o único time holandês capaz de não passar vergonha em torneios continentais. Resta aceitar os elogios de Diego Simeone: "Eu sabia que o PSV dificultaria as coisas para nós". E seguir o pensamento do capitão Luuk de Jong: "Ainda não jogamos a toalha". Nem há porque fazer isso.

domingo, 11 de setembro de 2016

810 minuten: como foi a 5ª rodada da Eredivisie

Mais um de Dirk Kuyt, imitando Pogba na comemoração. E mais uma vitória do líder Feyenoord (Jeroen Putmans/VI Images)

AZ 2x0 Willem II (sábado, 10 de setembro)

Assim como definira o triunfo contra o NEC, na rodada passada, o iraniano Alireza Jahanbakhsh colocou os Alkmaarders no caminho do triunfo contra o Willem II. E de que maneira: aos 19', após falha do zagueiro Darryl Lachman na saída de bola, a sobra ficou com Alireza, que ajeitou com a perna direita e bateu com a esquerda, forte, no alto do gol defendido por Kostas Lamprou. Um belo gol, mas que não foi tão decisivo quanto se supunha. Por causa de três fatores notados no resto da partida.

Primeiro, porque o Willem II foi até mais ofensivo depois de ficar em desvantagem - tanto que Erik Falkenburg quase empatou, mandando a bola na trave aos 37'. Depois, porque o próprio Alireza deixou o campo ainda antes do intervalo, com algumas dores, sendo substituído pelo trinitário Levi García. Finalmente, porque o AZ continuou jogando para o gasto durante o segundo tempo. Só com a entrada do reforço Iliass Bel Hassani, aos 68', é que o time da casa cresceu ofensivamente. Assim, nos acréscimos (90' + 1), García assegurou a vitória com o segundo gol. Segue o caminho promissor.

Zwolle 1x1 Utrecht (sábado, 10 de setembro)

Depois de somente um ponto ganho em quatro rodadas, parecia que o Zwolle enfim conseguiria sua primeira vitória nesta temporada. Com um gol conseguido em meio a uma polêmica, é verdade: aos 12', Kevin Conboy, lateral esquerdo do Utrecht, ficou no chão, reclamando de um golpe na cabeça. O juiz Siemen Mulder deixou a jogada seguir, e a bola sobrou para Kingsley Ehizibue tocar na saída do arqueiro Robbin Ruiter, marcando seu segundo gol neste campeonato - Ehizibue já marcara o único tento do clube na Eredivisie, no empate por 1 a 1 com o NEC, pela primeira rodada.

Depois, até que os Utregs tentaram mais o empate. Principalmente graças aos dois atacantes: Richairo Zivkovic quase marcou numa jogada, e Sébastien Haller (ele ficou!) cabeceou a bola em cima do goleiro Mickey van der Hart. Só que os Zwollenaren se seguravam ao longo do segundo tempo, garantindo o triunfo esperado... até os descontos do segundo tempo (90' + 2!), quando o lateral Giovanni Troupée foi derrubado na área por Calvin Verdonk. E o desastre se consumou: pênalti na área, Verdonk expulso, e Haller converteu a cobrança para sacramentar o 1 a 1. Que não resolveu a vida de nenhuma das duas equipes, ainda à espera do primeiro triunfo na Eredivisie. Para o Zwolle, doeu mais.

Ramselaar teve a sua chance e aproveitou: abriu o caminho na fácil goleada do PSV (Broer van den Boom/VI Images)

NEC 0x4 PSV (sábado, 10 de setembro)

Com Santiago Arias e Andrés Guardado voltando cansados de seus compromissos por Colômbia e México nas eliminatórias da Copa de 2018, Phillip Cocu fez mudanças na escalação do jogo em Nijmegen: colocou Joshua Brenet na lateral direita, e deu a Bart Ramselaar a estreia no meio-campo. Pois bem: o resultado provou como o elenco do time de Eindhoven se garante em qualidade, sem que os reservas deixem o nível cair. Porque foi justamente Ramselaar quem abriu caminho para a vitória, rapidamente: já aos 4', Luuk de Jong lançou em profundidade, deixando o meio-campo livre para marcar o primeiro gol de uma passagem que pode dar muitos frutos aos Boeren.

Melhor: altamente concentrado em campo, o time de Eindhoven definiu o jogo em 24 minutos. Aos 10', De Jong cruzou, e Davy Pröpper fez o corta-luz, deixando Gastón Pereiro sem marcação para ampliar a vantagem. Mais dez minutos, e Brenet também deixou o seu, de cabeça, completando cruzamento de Pereiro. Finalmente, aos 24, Pröpper deu mais uma assistência: deixou De Jong livre para completar os 4 a 0. Mais importante do que a goleada que mantém o PSV nas primeiras posições foi, segundo Luuk de Jong, manter-se "concentrado" no segundo tempo, mesmo com o placar garantido. Nada mal para manter um certo otimismo, às vésperas da estreia na Liga dos Campeões, contra o Atlético de Madrid.

Excelsior 3x1 Heracles Almelo (sábado, 10 de setembro)

Após a goleada sofrida para o Feyenoord, havia duas semanas, conseguiria o Excelsior se recompor para dar prosseguimento ao seu início elogiável no Campeonato Holandês? Apenas 22 minutos de jogo foram necessários para responder "sim". Antes mesmo do cronômetro marcar um minuto, os Kralingers já estavam com 1 a 0 no placar do estádio Woudestein: Nigel Hasselbaink fez a jogada, e ajeitou para o lateral direito Khalid Karami bater forte, mandando a bola às redes. Aos 19', Ryan Koolwijk fez 2 a 0 numa jogada parecida: o meio-campista Luigi Bruins deixou a bola, e Koolwijk chutou no ângulo. Finalmente, aos 22', um rápido contra-ataque, e o atacante angolano Fredy completou para o terceiro gol dos mandantes. Derrubado pelo início veloz do Excelsior, o Heracles só deu sinal de vida aos 66', com Vincent Vermeij marcando o gol de honra, aproveitando rebote. Passou em branco: a vitória já estava garantida para a equipe de Roterdã.

Heerenveen 3x1 Twente (sábado, 10 de setembro)

Só por ser a primeira partida após a saída de Hakim Ziyech, era de se esperar um certo ar de ressaca no Twente. O que aconteceu no estádio Abe Lenstra, em Heerenveen, só ampliou isso. Porque se a primeira boa chance de gol da partida veio pelos visitantes (Jari Oosterwijk chutou para fora, perto do gol), o Heerenveen já converteu a sua oportunidade em gol: aos 33', o lateral direito Stefano Marzo cruzou, e Reza "Gucci" Ghoochannejhad desviou na primeira trave, de cabeça, fazendo 1 a 0. Sam Larsson quase ampliou antes do fim do primeiro tempo, mas ficou nisso.

Pior: a história se repetiu na etapa complementar. O Twente quase empatou logo depois do intervalo, com o zagueiro Peet Bijen cabeceando para fora; e o Heerenveen aproveitou a jogada imediatamente seguinte para fazer 2 a 0, com Larsson chutando de primeira a bola vinda de novo cruzamento feito por Marzo, aos 66'. Os Tukkers tiveram uma compensação aos 78', com o meio-campista Bersant Celina (vindo no final da janela recém-encerrada) diminuindo o placar para 2 a 1, só que a expulsão do lateral direito Hidde ter Avest, no minuto final, dilapidou qualquer esperança de empate. O tiro de misericórdia foi dado pelo segundo gol de "Gucci", fazendo 3 a 1 aos 92', completando um jogo em que o Twente teve as chances, mas o Heerenveen fez os gols.

Feyenoord 3x1 ADO Den Haag (domingo, 11 de setembro)

Este domingo começou a semana mais marcante do Feyenoord em muito tempo. Na quinta, o Stadionclub receberá o Manchester United, na estreia de ambos pela Liga Europa; domingo que vem, o clássico contra o PSV, em Eindhoven, pela sexta rodada. Mas já neste 11 de setembro, havia um compromisso importante para o líder do Campeonato Holandês. Afinal, vencido o adversário citadino Excelsior, vinha aí o ADO Den Haag, que também não tinha derrotas na temporada (três vitórias, um empate). Pois a vitória do Feyenoord - quinta em cinco rodadas, configurando o único clube a ter 100% nesta Eredivisie - foi até mais fácil do que se vira contra o Excelsior.

No começo do jogo, o que mais marcou foi um simpaticíssimo gesto: a torcida visitante jogou bonecos de pelúcia para as crianças vindas do Sophia Kinderziekenhuis, hospital infantil de Roterdã, que assistiam ao jogo. Voltando a ele: os gols até demoraram. Mas quando vieram, em um minuto os Feyenoorders já tinham 2 a 0 no placar. Aos 33', Jens Toornstra cruzou para a área, e Dirk Kuyt completou; o goleiro Ernestas Setkus ainda rebateu, mas a sobra ficou com o próprio Kuyt, que deixou nas redes - e comemorou imitando Paul Pogba (segundo o próprio Kuyt disse à FOX Sports holandesa, para agradar ao filho aniversariante, fã do meio-campo francês). Mais 71 segundos, e veio o segundo do time treinado por Giovanni van Bronckhorst. De novo, com uma assistência de Toornstra: após driblar o volante Tom Trybull, o camisa 28 lançou Nicolai Jorgensen. Mesmo impedido, a jogada seguiu, e o atacante dinamarquês tocou para as redes.

Na etapa complementar, o Den Haag tentou contragolpear, com a entrada de Mike Havenaar (adoentado, o japonês começara no banco). Ainda assim, a pressão do time de Haia nem surtiu muito efeito, e um gol de honra só veio aos 86': vindo do banco de reservas, Ludcinio Marengo completou um cruzamento, Brad Jones rebateu, e o próprio Marengo bateu de primeira para fazer o gol. Sem problemas: nos acréscimos (90' + 4), Karim El Ahmadi fez o terceiro do Feyenoord. A semana começou muito bem em De Kuip. Como terminará?

Groningen 1x1 Sparta Rotterdam (domingo, 11 de setembro)

O Groningen começara a temporada esperando repetir a regularidade vista na parte final de 2015/16, quando conseguiu superar maus momentos e tentar uma vaga na Liga Europa, via play-offs. Por enquanto, só decepções: antes desta quinta rodada, ainda não vencera. Até por isso, tentou o ataque desde o começo do jogo no Noordlease Stadion. Já nos primeiros minutos, Bryan Linssen teve uma oportunidade de gol, e o zagueiro Samir Memisevic cabeceou a bola na trave. Finalmente, aos 11', o merecido tento dos Groningers: falha do Sparta ao rebater um escanteio, e Mimoun Mahi tocou para o 1 a 0. Que não durou por muito tempo: em rápido contragolpe aos 18', Zakaria El Azzouzi saiu livre na cara do goleiro Sergio Padt para dar o empate aos Spartanen.

Pelo resto do jogo, Groningen e Sparta criaram chances e mais chances pela vitória. Ainda no primeiro tempo, Memisevic desviou na primeira trave, exigindo ótima defesa do goleiro dos visitantes, Roy Kortsmit, no reflexo; pelo Sparta, Loris Brogno cabeceou à queima-roupa exigindo intervenção rápida de Padt, e uma falta cobrada pelo meio-campista Ryan Sanusi foi na trave. Na etapa final, veio a grande oportunidade para os Kasteelheren virarem o jogo: de novo um contra-ataque, e de novo El Azzouzi saiu livre para o arremate. Encobriu o goleiro, mas antes que a bola entrasse, Hans Hateboer tirou em cima da linha. E o placar ficou mesmo no 1 a 1, deixando gosto amargo na torcida anfitriã.

Go Ahead Eagles 2x0 Roda JC (domingo, 11 de setembro)

Jogando novamente em casa, o Go Ahead Eagles novamente teve um pênalti para tentar encaminhar sua primeira vitória no campeonato - como já tivera contra o Ajax. Aliás, um pênalti discutido: aos 25', em jogada aérea, o galês Simon Church tocou com a mão na bola, e o juiz Ed Janssen apontou seguro para a marca da cal, mesmo sob protestos dos jogadores do Roda JC. Como Leon de Kogel perdera a cobrança na rodada passada, abrindo caminho para o triunfo do Ajax, desta vez o batedor foi Kevin Brands. E o meio-campista aproveitou: bola nas redes do goleiro Benjamin van Leer, e 1 a 0 para os aurirrubros em Deventer.

No resto da partida, até pela baixa qualidade técnica das duas equipes, as emoções foram poucas. A bem da verdade, voltaram só no final: aos 89', Darren Maatsen definiu a vitória dos mandantes, aproveitando o tiro de meta cobrado pelo goleiro Theo Zwarthoed para dominar a bola e bater de fora da área. Comemoração para o GAE, com seu primeiro triunfo, que o afastou mais da zona de repescagem/rebaixamento. Exatamente onde segue o Roda JC, ainda somente com empates (três) e derrotas (duas) no Campeonato Holandês.

Ziyech já foi elogiável na estreia pelo Ajax: cruzou para o gol de Viergever, que definiu o jogo (ANP/Pro Shots)

Ajax 1x0 Vitesse (domingo, 11 de setembro)

Por mais que o técnico Peter Bosz houvesse alertado que o reforço Hakim Ziyech ainda precisava se acostumar ao estilo de jogo do Ajax, não havia como prescindir do meio-campista marroquino. E lá foi ele, escalado entre os titulares para o jogo na Amsterdam Arena - com o camaronês André Onana ainda como titular, já que Tim Krul termina a recuperação de grave lesão no joelho. Desde o princípio, o Ajax mandou em casa contra o Vitesse. Nos primeiros dez minutos, duas chances (uma em chute de Nemanja Gudelj, aos 5'; outra, em arremate de Amin Younes, aos 7') exigiram boas defesas do goleiro Eloy Room. Depois, aos 16', após o juiz Richard Liesveld marcar tiro livre indireto na área após recuo irregular a Room, Gudelj teve a chance, mas chutou muito por cima do gol.

Ou seja: ofensivamente, o Ajax pressionava os visitantes. E a defesa estava tranquila contra um inapetente ataque do Vites. Só faltava o gol, que estava demorando. Afinal, aos 55', ele veio. E quem ajudou nele? Justamente o personagem de quem todos esperavam: Ziyech. Foi dele a cobrança de falta que mandou a bola para a área, onde o zagueiro Nick Viergever cabeceou forte, fazendo o gol decisivo. Aos 67', levantando demais o pé na canela de Joel Veltman, o zagueiro Arnold Kruiswijk foi expulso e deixou o Vitesse com dez. A vitória dos Ajacieden estava garantida - e podia até ter sido ampliada aos 89', quando Anwar El Ghazi (substituto de Younes) tocou para fora. Mesmo assim, serviu para o time de Amsterdã manter-se perto dos líderes: com dez pontos, está junto de ADO Den Haag e AZ na tabela. E valeu também pela razoável estreia de Ziyech.



sábado, 10 de setembro de 2016

Mercado razoável

Ziyech (de frente) foi bem recebido pelo Ajax (Louis van de Vuurst/Ajax.nl)

Por mais que esteja distante dos bilhões circulando nas transferências envolvendo clubes do Campeonato Inglês (e por Espanha, França, Itália e Alemanha), o Campeonato Holandês notou que também não tem valor tão baixo assim. Pelo menos, foi o que revelou a janela de transferências recém-encerrada. De acordo com dados oficiais da Fifa, via sistema de registro da entidade, fora as supracitadas ligas – mais a segunda divisão inglesa, em sexto lugar -, a Eredivisie apareceu na tabela de renda obtida com vendas de atletas: com 150 jogadores negociados, pingaram 128,1 milhões de dólares, somados, nos cofres dos 18 clubes da primeira divisão holandesa.

Contribuíram para isso os altos números gastos em gente como Arkadiusz Milik - com bônus, 34 milhões de euros (repita-se, a maior transferência da história do Ajax); Jasper Cillessen, com 13 milhões de euros gastos nele pelo Barcelona; e Vincent Janssen, que só foi para o Tottenham quando este deixou 22,1 milhões na mesa do AZ. Assim, esse dinheiro colaborou para o cenário que os clubes têm em vista para o resto da Eredivisie, a partir da 5ª rodada a ser disputada neste fim de semana. Quem busca o título – ou, pelo menos, competições continentais -, poderá sonhar com isso: ficou com um grupo de jogadores cuja qualidade é elogiável, para os padrões do futebol holandês.

Até mesmo o Ajax, amuado por mais um vexame passado nas fases preliminares da Liga dos Campeões, parece mais otimista. Nem tanto pelo resultado da 4ª rodada (3 a 0 no Go Ahead Eagles), mas principalmente por ter gasto dinheiro generoso, enfim, num reforço respeitável. Que nem era previsto: aparentemente, os Ajacieden contentar-se-iam com o empréstimo de Tim Krul para o gol, a vinda do veterano Heiko Westermann para a zaga e as apostas em Davinson Sánchez (também defesa), Mateo Cassierra e Kasper Dolberg (estes, para o ataque). Até por isso, o clube de Amsterdã anunciara que não tentaria mais contratar Hakim Ziyech.

Nada como um dia após o outro. Bastaram duas coisas para mudar de ideia: cair sem pena nem glória para o Rostov-RUS nos play-offs da Liga dos Campeões, e ver Ziyech despedir-se do Twente com mais uma prova do tamanho da importância que teve pelo clube de Enschede nas últimas temporadas (dois gols nos 3 a 1 dos Tukkers sobre Sparta Rotterdam). A decisão foi tomada: o Ajax voltou com tudo para tentar trazer o meio-campista do Twente.

E mesmo com uma ofensiva de última hora do Swansea, Ziyech tomou o caminho da Amsterdam Arena, por 11 milhões de euros. Não entrará de imediato: o técnico Peter Bosz alertou que “primeiro ele precisa saber de cor e salteado o nosso estilo de jogo”. Mas assim que o fizer, certamente o agora camisa 22 do Ajax promete dar boa ajuda a Davy Klaassen na criação das jogadas. Se der certo, é homem para ser titular absoluto.

Siem de Jong chega a um PSV já bastante entrosado - enfim, com o irmão Luuk como companheiro (Joep Leenen/ANP)

Se a contratação de Ziyech turbinou mais as expectativas do Ajax, antes abúlico, no Campeonato Holandês, o PSV confia na manutenção do grupo de jogadores como seu principal trunfo. Havia muito tempo, um clube campeão holandês – no caso, bicampeão – não passava relativamente incólume pelo mercado de transferências. Pois bem: de perdas, o time de Eindhoven só contabilizou a venda de Jeffrey Bruma ao Wolfsburg. Cogitavam-se as vendas de Jetro Willems e Luciano Narsingh, mas eles ficarão, no mínimo, mais seis meses em De Herdgang, o centro de treinamentos do clube.

Como se não bastasse, houve a útil contratação de Siem de Jong, mais uma opção de ataque, emprestado pelo Newcastle - enfim, atuará junto do irmão Luuk de Jong num clube. Aliás, além de Luuk, ainda seguem à disposição de Phillip Cocu Santiago Arias, Jorrit Hendrix, Davy Pröpper, Andrés Guardado, Jürgen Locadia, Gastón Pereiro... não só o tricampeonato é uma possibilidade das mais plausíveis, tamanho o entrosamento, como dá para pensar em campanha digna no grupo D da Liga dos Campeões – e quem sabe, em algo a mais na Liga Europa. Talvez, o atual dono da Eredivisie só não imponha mais seu favoritismo pelo tropeço na rodada passada: em casa, com um jogador a mais em campo desde os 32 minutos do 1º tempo, pênalti perdido e tudo o mais, os Boeren empataram sem gols com o Groningen. Assim, só um clube ficou com aproveitamento total (quatro jogos, quatro vitórias) no Campeonato Holandês.

Justamente o terceiro time do tripé de grandes holandeses: o Feyenoord. Que também pode comemorar a janela de transferências. Não só manteve no grupo a única perda potencial que parecia previsível (Tonny Vilhena chegara até a anunciar que deixaria o clube, mas renovou por mais um ano), mas já tinha trazido reforços que estão sendo muito úteis ao time. Para repor a lacuna aberta pela lesão que afastou Kenneth Vermeer do gol, veio o australiano Brad Jones, que ficou 296 minutos sem sofrer gols nas quatro primeiras rodadas; o dinamarquês Nicolai Jorgensen foi aposta certa no meio do ataque, empurrando Michiel Kramer para a reserva; e se Eljero Elia lesionou o ombro, Steven Berghuis foi prontamente trazido por empréstimo do Watford-ING para ser sombra de Elia e manter o ritmo que o torna titular da seleção. Com um time regular, “só” falta o clube de Roterdã vencer a desconfiança (justa) sobre o mau hábito de morrer na praia.

Merece destaque ainda o AZ. Se perdeu na janela de transferências quem esperava perder (além de Janssen, deixou Alkmaar o meio-campista Markus Henriksen, rumo ao Hull City), o quarto colocado da temporada passada foi certeiro, enfraquecendo justamente o Heracles Almelo, o outro clube pequeno/médio holandês que se destacara na Eredivisie passada. Para o lugar de Janssen, chegou o atacante Wout Weghorst; e repondo a vaga aberta pela saída de Henriksen, veio de Almelo o meio-campista Iliass Bel Hassani. Dois jogadores que têm tudo para entrarem bem na equipe já montada e entrosada, com fase de grupos da Liga Europa à frente.

Enfim, por mais que o nível técnico siga nivelado por baixo e por menores que sejam os valores, o Campeonato Holandês tem o que comemorar nesta janela de transferências. Agora, cabe aos times comprovarem as expectativas.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 9 de setembro de 2016)