sexta-feira, 28 de abril de 2017

Copa da Holanda: AZ, Vitesse e as boas consequências

A taça da Copa da Holanda será um prêmio aos bons momentos de AZ ou Vitesse (ANP)

Já se sabe que o cansaço pela desgastante partida de volta das quartas de final da Liga Europa cobrou do Ajax um duro preço: a justa derrota por 2 a 0 para o PSV, no clássico da 32ª rodada do Campeonato Holandês. Já se sabe que o Feyenoord cumprira seu papel antes mesmo dessa partida: ao fazer 2 a 0 no Vitesse, o Stadionclub viu sua vantagem na liderança aumentar para quatro pontos. Uma vitória contra o Excelsior, em Roterdã mesmo (mas “fora de casa”, no estádio Woudestein), iniciará a festa que já é preparada: a explosão que deixa Het Legioen – como é chamada a torcida do Feyenoord - insuportavelmente ansiosa, para celebrar o virtual título da Eredivisie e o fim do jejum de 18 anos.

Mas... essa mistura de ansiedade e tensão é assunto para a próxima semana. Neste final de semana, os olhos de quem acompanha futebol na Holanda estarão voltados para De Kuip. Não para um jogo do Feyenoord, já que a liga terá uma pausa. Mas sim porque o mais tradicional estádio do país é a sede da final da Copa da Holanda, a ser disputada neste domingo. E disputarão a KNVB Beker dois clubes que podem, junto do Utrecht, ser considerados os melhores e mais sólidos exemplos do que é ser um clube “autossustentável” na Holanda: AZ e Vitesse. Então os finalistas da copa holandesa são dois times tão elogiáveis quanto o Utrecht (já garantido na quarta posição da Eredivisie) vem sendo? Não necessariamente, pelo menos dentro de campo.

Para começo de conversa, o AZ já viveu melhores momentos na primeira parte da temporada. Atualmente, a decepção com o estilo de jogo é clara – e o símbolo óbvio disso foi a vexatória eliminação para o Lyon na segunda fase da Liga Europa. Embora seja mais fraco do que os Gones, o time de Alkmaar também não é ridículo a ponto de tomar o 7 a 1 que tomou em Lyon, após o 4 a 1 já levado na ida. Aliás, a goleada também foi a principal mostra da fragilidade da defesa dos Alkmaarders. Enfim emprestado a um time onde pode jogar e recuperar ritmo, Tim Krul começou tendo atuações temerárias – tomou 24 gols em seus primeiros nove jogos pelo clube – até melhorar. Tanto que ele foi o herói da classificação do AZ à final da Copa da Holanda, ao defender a cobrança decisiva (só podia ser...) na disputa de pênaltis ganha sobre o Cambuur – 3 a 2, após 0 a 0 nos 120 minutos. Porém, é justo dizer que Krul só foi tão vazado porque o miolo de zaga também caiu de produção no returno. Sofrendo de novo com lesões, Ron Vlaar tem se alternado com Rens van Eijden, na zaga, sem que isso traga segurança. Assim como na lateral direita, com o norueguês Jonas Svensson tomando a titularidade do sueco Mattias Johansson.

Inclusive, não faltam boatos de que a relação entre o técnico John van den Brom e os principais diretores – leiam-se o diretor técnico Max Huiberts e o diretor geral Robert Eenhoorn – não anda em seus melhores momentos. Então, ora bolas, como o AZ pode estar bem? Explique-se: a situação financeira do clube está agradavelmente tranquila. A ponto de ter sido anunciada, na semana passada, a reaquisição do AFAS Stadion, estádio que fora cedido à AFAS (empresa eletrônica patrocinadora do clube). Pois a verdade é que o AZ esteve perigosamente perto de repetir a história de ascensão e queda meteóricas do Twente.

É possível se lembrar: na década passada, entre 2005 e 2009, o AZ foi patrocinado pelo banco DSB – cujo proprietário, Dirk Scheringa, foi o mecenas que impulsionou os Alkmaarders a façanhas como a semifinal da Copa Uefa em 2004/05 e, principalmente, o histórico título da Eredivisie em 2008/09. Porém, no mesmo ano da conquista, o DSB faliu, Scheringa obviamente deixou o clube, as turbulências entraram em campo (com participação muito ruim na fase de grupos da Liga dos Campeões e um mau trabalho de Ronald Koeman, técnico demitido poucos meses após chegar), e o cofre ficou vazio.

Aí deu-se a diferença que fez o AZ superar a crise em poucos anos. Ao invés de acreditar em planos mirabolantes, o clube baixou a cabeça e refez seu planejamento. Teve a sorte de fazer uma parceria menos dependente com um patrocinador. Vendeu aos poucos, e bem, os destaques do título de 2008/09 (Sergio Romero, Stijn Schaars, Moussa Dembélé, Mounir El Hamdaoui). Manteve um ideário tático que fez com que a equipe mantivesse uma regularidade dentro de campo – regularidade premiada com o título da Copa da Holanda, em 2012/13, marco da reação. Reorganizou o organograma e planejou melhor suas contratações – como indica a vinda de Billy Beane, o homem por trás da conhecida história com o Oakland Athletics que rendeu o livro “Moneyball”. Aprimorou ainda mais suas vendas, como indicam os 22 milhões de euros ganhos na transferência de Vincent Janssen para o Tottenham. Cuidou da base, com a revelação de gente como o promissor volante Derrick Luckassen. Bancou o trabalho de Van den Brom, a despeito das rusgas. Jogadores como o meio-campo Joris van Overeem e os atacantes Alireza Jahanbakhsh e Wout Weghorst agradam. Por isso, o AZ soube sobreviver à turbulência.

Assim como o Vitesse fez. É verdade que a passagem do georgiano Merab Jordania como dono do clube, entre 2010 e 2013, foi uma faca de dois gumes: havia a ambição de fazer a equipe disputar o título holandês, mas era temerária a ligação de Jordania com o empresário russo Shalva Chigrinskiy – e de ambos com Roman Abramovich, dono do Chelsea. Se isso rendeu (e rende) um intercâmbio de jogadores dos Blues no Vites, também rendeu boatos controversos, como a suspeita de que o Chelsea não queria o Vitesse disputando o título holandês, para não correr risco de enfrentá-lo na Liga dos Campeões. Tal suspeita esteve por trás da polêmica demissão do técnico Fred Rutten, em 2013.

Depois de tal ano, as coisas ficaram mais claras. Jordania foi barrado do clube, dando lugar a Aleksander Chigrinskiy, irmão de Shalva. Joost de Wit, mais integrado ao futebol holandês, tornou-se o diretor geral do clube. Mais importante: seguiu a relação com o Chelsea, que possibilitou a vinda de jogadores como Bertrand Traoré a Arnhem. E na corda bamba em que viveu, o Vitesse conseguiu se equilibrar definitivamente, mantendo posições costumeiramente seguras na tabela. Mais: também manteve uma ideia tática clara. Ideia que foi implantada por Peter Bosz, que fez bom trabalho enquanto esteve no clube. E que foi aperfeiçoada por Henk Fräser, dando mais atenção à defesa, após a atuação decepcionante do técnico Rob Maas no returno da temporada passada.

O resultado disso tudo? Um time que conta com uma defesa mais sólida, tendo como destaques o goleiro curaçalino Eloy Room e o zagueiro georgiano Guram Kashia (capitão e ídolo da torcida), além das recentes voltas de dois laterais esquerdos que despontaram no clube, Alexander Büttner e Kevin Diks. Que se beneficia dos empréstimos do Chelsea: por exemplo, o atacante brasileiro Nathan – também pertencente aos Blues – cresceu em seu novo empréstimo. No meio-campo, colaboram bastante o volante zimbabuano Marvelous Nakamba, com muita força física e poder de marcação (sem ser violento), e Adnane Tighadouini, velho conhecido emprestado pelo Málaga, que chega bastante ao ataque. Ainda há Navarone Foor, "saboroso" reforço: tirado do arquirrival NEC, Foor é outro que costuma começar armando as jogadas, para também ajudar nas finalizações vez por outra.

No entanto, o destaque maior do Vites é outro cedido pelo Chelsea: o meio-campista inglês Lewis Baker, 22 anos e nove gols marcados, com habilidade incomum nas bolas paradas. Baker só não é mais importante por causa de uma contratação: Ricky van Wolfswinkel, cumprindo a expectativa de marcar gols num clube que conhece tão bem, com o auxílio do albanês Milot Rashica, muito útil pela esquerda. 

Assim AZ e Vitesse têm a chance do título na Copa da Holanda. Para os alvirrubros de Alkmaar, seria a quarta conquista da KNVB Beker, após 2012/13; para os aurinegros de Arnhem, o primeiro título de sua história desde a segunda divisão, em 1988/89. Se não bastasse, ambos também fazem campanhas satisfatórias na Eredivisie, ficando na zona dos play-offs pela Liga Europa. Fizeram opções controversas, mas, no limite, souberam ficar com as boas consequências delas, tendo sobriedade para superar os momentos ruins.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 28 de abril de 2017)

terça-feira, 25 de abril de 2017

Tudo por meio da prática

Cruyff não teve diploma nenhum. Mas sua inteligência prática o levou a estar para sempre entre os grandes do futebol (Popperfoto/Getty Images)
"Eu não tenho diploma: tudo que conquistei foi por meio da prática".

Pode parecer que tal frase não seja de Hendrik Johannes Cruyff, que nasceu há exatos 70 anos. Afinal de contas, o maior jogador da história do futebol holandês será conhecido para sempre por sua genialidade dentro de campo, como se soubesse de todos os rumos que eram tomados durante uma partida. Genialidade que sempre lhe permitiu ter um ideário próprio sobre o futebol, que já lhe tornou um dos maiores teóricos que o esporte já teve.

No entanto, é aquela frase do começo que inicia a autobiografia do "Nummer 14" - sem edição brasileira (ainda). E é a mais apropriada das frases. Porque foi a prática simples do futebol que levou Cruyff onde ele foi. 

Foi praticando futebol nas ruas de Betondorp, o bairro de Amsterdã onde nasceu e cresceu, que ele desenvolveu seu estilo fluido de jogar. Foi jogando com os amigos, nas peladas sem regra e sem medo, que ele criou seu estilo destemido de ser. Foi assim que ele virou sócio do Ajax. Que ele foi subindo, até a estreia na equipe adulta, em 1964. Que ele estreou pela seleção holandesa, num amistoso contra a Hungria, em 7 de setembro de 1966. Que ele virou o primeiro jogador da história da Oranje a ser expulso de campo - na segunda partida, contra a então Tchecoslováquia, em 6 de novembro daquele 1966.

Foi assim que Cruyff simbolizou, junto de Rinus Michels, a transformação do Ajax no começo dos anos 1970: de clube de bairro a potência europeia e mundial. Foi assim, baseado na prática, na fluidez e entrosamento com os companheiros, que ele idealizou o Futebol Total - que durou mais tempo no Ajax, mas teve apenas os sete jogos da Holanda na Copa de 1974 para se tornar inesquecível. Foi assim, leal ao sogro e agente Cor Coster, que Cruyff se tornou um dos primeiros craques da história a saber de seu valor - e a capitalizá-lo com propagandas mil.

Foi assim que Cruyff chegou ao Barcelona para colorir definitivamente a história do clube catalão, que andava triste pelos 13 anos sem títulos espanhóis - jejum encerrado na primeira temporada de Jopie, em 1973/74. Foi assim, fazendo o que desejava, como uma criança, que Cruyff já deixava claro: por vários motivos, 1974 seria sua primeira e última Copa. Foi assim que ele pensou ter encerrado a carreira, em 1978, jogando um amistoso com as cores de seu primeiro amor, o Ajax.

Depois, graças a péssimos investimentos, perdeu boa parte do que tinha amealhado na carreira. Talvez porque não soubesse mesmo fazer outra coisa que não fosse ter uma bola nos pés. Por isso, voltou. Mesmo que para recuperar seu dinheiro, voltou. Los Angeles Aztecs, Washington Diplomats, Levante, a passagem de apenas um jogo pelo Milan. Quando voltou ao Ajax, em 1981, o marido de Danny nem jogaria: seria auxiliar técnico de Leo Beenhakker. Oras, e o capitão lá aguentaria ficar sem jogar?! Disse Cruyff em sua biografia: "Eu fui muito mais um técnico do que um treinador. E fui muito mais um jogador do que um técnico". Pois voltou ao lado de dentro do campo já em 1981. Foi campeão holandês, em 1981/82 e 1982/83. Foi ignorado pelo Ajax - e decidiu jogar no arquirrival Feyenoord. Não chegou a estar em casa quando jogou em Roterdã, mas foi campeão (1983/84). 

Enfim, saiu do campo. Mas continuava tendo suas ideias. Por elas, tornou-se técnico do Ajax, a partir de 1985, levando comandados com quem jogara (Marco van Basten, Frank Rijkaard, Gerald Vanenburg) e gente que surgiu com ele (Dennis Bergkamp, Frank Verlaat, Aron Winter, Rob Witschge) ao título da Recopa Europeia. Por elas, brigou com quase todo mundo na Holanda, país que sempre pareceu contestar o mais contestador e genial de seus jogadores. Que se cansou, e a partir de 1988 foi viver na cidade que mais amou na vida: Barcelona. Onde levou os Culés ao tetracampeonato espanhol, e ao primeiro título europeu da história azul-grená.

Claro, Cruyff uma hora cansou-se. Brigou com o presidente Josep Lluis Núñez, já vinha desgastado do infarto sofrido em 1991, e deixou Les Corts em 1996. Já tinha o nome marcado na história do futebol. E de lá para cá, isso continuou. Sempre por meio da prática - se não gostasse de jogar futebol acima de tudo, Cruyff não questionaria, não incentivaria o jogo com suas Cruyff Courts (quadras que fazia em projetos beneficentes, mundo afora). 

E continuará para sempre, enquanto se olhe para a imagem de um sujeito vestindo laranja, ou alvirrubro, ou azul-grená, com a camisa 14, apontando rumos ou tendo a serena expressão de quem sempre soube o que fazer.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

810 minuten: como foi a 32ª rodada da Eredivisie

Larsson (terceiro da esquerda para a direita) é festejado após o gol; Heerenveen conseguiu vencer seguramente (Photo News)

Heerenveen 1x0 Willem II (sexta-feira, 21 de abril)

Mais do que para se recuperar da pesada goleada sofrida para o Ajax, na rodada passada, o Heerenveen precisava vencer para manter seguro o seu lugar na zona dos play-offs por vaga na Liga Europa. Fazer isso na abertura da antepenúltima rodada do Campeonato Holandês, contra o Willem II, um adversário direto para tomar o último lugar que leva à repescagem, era bem recomendável. E o time da Frísia cumpriu o que precisava. Principalmente no primeiro tempo, quando foi francamente superior aos visitantes de Tilburg. Aos 11', o gol poderia ter vindo num chute de Yuki Kobayashi; aos 25', também, num voleio de Sam Larsson; e finalmente chegou, aos 40', com o próprio Larsson, driblando o zagueiro Dries Wuytens e tocando na saída do goleiro Kostas Lamprou.

O domínio tranquilo do Fean seguiu no segundo tempo. Em um minuto, duas chances foram perdidas: aos 52', Reza Ghoochannejhad chegou atrasado para completar um cruzamento, e logo depois, outra bola alçada na área (por Lucas Bijker) encobriu Lamprou, mas ninguém a alcançou. O Willem II só criou sua primeira chance de gol em todo o jogo aos 68', num arremate de Fran Sol que passou perto do gol. Sem problemas: no minuto seguinte, o Heerenveen voltou a chegar, com Lamprou fazendo boa defesa em finalização de Arber Zeneli. Aos 88', ainda houve tempo para um chute de Larsson, de longe, com outra intervenção do arqueiro do Willem II. Mesmo sem fazer o segundo gol, o Heerenveen controlou o jogo, e mereceu a vitória que o coloca em ótimas condições para ficar nos play-offs, mantendo no mínimo três pontos de vantagem para o Heracles Almelo.

O momento da punição ao defensivo NEC: Van Duinen cabeceia e faz o gol da vitória do Excelsior (Pro Shots)
NEC 0x1 Excelsior (sábado, 22 de abril)

NEC e Excelsior entraram em campo com algo sério a disputar: aumentar a chance de ficar na Eredivisie - principalmente os mandantes de Nijmegen, com a irregularidade transformada na péssima sequência de seis derrotas seguidas que o condenou a brigar contra o rebaixamento. Assim, o primeiro tempo teve chances de parte a parte. Pelo Excelsior, Stanley Elbers bateu para fora, e Henrico Drost cabeceou acidentalmente, também mandando a bola pela linha de fundo, aos 20'. O NEC atacou numa bola parada: André Fomitschow cobrou, Wojciech Golla fez o pivô, e Robin Buwalda chutou para fora. Depois, Julian von Haacke mandou a bola acima do gol, aos 40'. Porém, depois dessa pressão, os mandantes preferiram voltar para o campo de defesa, tentando jogar no contra-ataque. Decisão muito vaiada por uma torcida que levou faixas e mais faixas para o estádio De Goffert, pressionando pela má campanha.

E que deu errado: aos 58', Khalid Karami fez cruzamento preciso, colocando a bola na cabeça de Mike van Duinen, que subiu entre dois zagueiros para cabecear e fazer 1 a 0. Após sofrer o gol, o NEC até fortaleceu seu ataque, com as entradas de Ferdi Kadioglu e Kévin Mayi, mas não criou nada que impedisse os visitantes de Roterdã de celebrarem a vitória - e a manutenção garantida na Eredivisie, com mais tranquilidade do que nas últimas temporadas. Sorte do Feyenoord, que pode garantir o título no "clássico citadino" da próxima rodada. Enquanto isso, o NEC vê a situação cada vez mais dramática: são sete derrotas seguidas, adversários que ainda têm o que disputar nas rodadas finais (AZ e Heerenveen), permanência na zona de repescagem/rebaixamento...

O que Armenteros faz, além de gol nesta Eredivisie? (ANP/Pro Shots)
Zwolle 1x2 Heracles Almelo (sábado, 22 de abril)

Jogando em casa, uma vitória aproximaria o Zwolle de garantir a manutenção na primeira divisão. Por isso, os Zwollenaren foram escalados numa formação mais ofensiva (três atacantes, ao invés do 4-2-3-1 habitual no time), e começaram a atacar cedo. Aos 9', Thomas Bruns falhou na área, e a bola sobrou para Nicolai Brock-Madsen mandar rente ao gol defendido por Bram Castro. Depois, aos 23', Bart Schenkeveld chutou mal, mas Queensy Menig aproveitou sobra e também finalizou com perigo. O Heracles só se aproximou do gol numa chance: aos 36', num cabeceio de Reuven Niemeijer. Mas logo no início do segundo tempo, apareceu o mais confiável dos jogadores do Heracles quando o assunto é marcar gols: Samuel Armenteros. Aos 55', Kristoffer Peterson cruzou para o sueco completar e fazer seu 17º tento neste Campeonato Holandês.

Foi um golpe certeiro: o Zwolle desanimou, e só voltou a chegar dez minutos depois do gol, quando Mustafa Saymak chutou nos pés de Castro, e Brock-Madsen perdeu o rebote. Na chance seguinte que teve no jogo, Armenteros não perdoou: marcou o 2 a 0, aos 80', encaminhando a vitória dos Heraclieden e marcando seu 18º gol na Eredivisie, um abaixo do goleador Nicolai Jorgensen. De cabeça, aos 86', o zagueiro Ted van de Pavert marcou para o Zwolle em seu primeiro toque na bola (substituíra Ouasim Bouy), mas foi insuficiente para evitar a derrota que manteve o time da casa sob tensão, em 14º, só quatro pontos acima da zona de repescagem/rebaixamento - e o Heracles, com chances de entrar nos play-offs pela Liga Europa.

Fred Friday é abraçado após a virada nos acréscimos; com espírito de luta, AZ conseguiu aumentar o otimismo para a final da Copa da Holanda (Pro Shots)
AZ 2x1 Twente (sábado, 22 de abril)

A última partida do AZ antes da final da Copa da Holanda, no próximo fim de semana, prometia ser agradável, pelo estilo ofensivo que os dois times mostram. Além do mais, apenas um ponto os separava na zona dos play-offs por Liga Europa (por mais que o Twente não tenha direito a participar deles). E pelo modo como o jogo começou, parecia que seria assim mesmo, no ataque. Afinal, a primeira chance dos mandantes apareceu já aos 4'. Pela esquerda, Ridgeciano Haps tabelou com Wout Weghorst, retomou e chutou. O desvio providencial do goleiro Nick Marsman mandou a bola por cima do gol. Depois, aos 9', houve um cruzamento de Alireza Jahanbakhsh, que encobriu a área, muito alto para alguém alcançar.

Porém, o ímpeto ofensivo durou pouco: o AZ não conseguia achar espaço nem tinha velocidade contra um Twente postado defensivamente. Tão defensivamente que a primeira chance dos Tukkers visitantes veio somente aos 23': após cobrança ensaiada de escanteio, Fredrik Jensen pegou a bola e finalizou para fora, à esquerda do gol de Tim Krul. De resto, quase nenhuma chance de gol nos primeiros 45 minutos. A única coisa que remeteu levemente a isso foi um arremate de Alireza, fora da área, longe do gol, aos 38'.

No segundo tempo, enfim as boas expectativas foram cumpridas. A começar pelo Twente, que saiu da defesa para buscar o gol. Logo aos 50', Enes Ünal recebeu perto da área, entrou e passou de calcanhar para Yaw Yeboah, que forçou Tim Krul a fazer boa defesa com seu chute. Na sequência, Van Overeem puxou contragolpe com uma defesa vazia pela frente, mas seu cruzamento saiu errado: direto nas mãos de Marsman. Por sua vez, com mais espaço para atacar, enfim o AZ pôde fazer as jogadas pelas pontas, como gosta. E também foi chegando. Aos 52', Luckassen apareceu para cruzar da esquerda, e Marsman falhou ao tentar encaixar, mas a defesa do Twente afastou antes que o perigo fosse maior. Aos 59', Jahanbakhsh pegou a bola livre pela direita, e cruzou rasteiro. Foi veloz demais para Weghorst conseguir chegar, mas antes que ela saísse, Dabney dos Santos correu e escorou quase sem ângulo, mas Marsman defendeu firme na pequena área. Ainda houve tempo para uma cobrança de falta de Dabney dos Santos, para fora, aos 61'.

Porém, o Twente ia se animando com os espaços para contragolpes. E conseguia se aproximar também nas bolas paradas - como aos 63', quando teve dois escanteios em sequência. De tantos cruzamentos em sequência, um deles (com bola rolando) rendeu o gol dos visitantes de Enschede, aos 65': da direita, Mateusz Klich cruzou com precisão, e Joachim Andersen subiu livre para cabecear a esférica no canto direito de Krul, fazendo 1 a 0.

Andersen no seu extremo positivo, marcando o gol do Twente. Depois, o extremo negativo: foi expulso (ANP/Pro Shots)
Se já desagrada no returno, de modo geral, perder seria um péssimo augúrio para o AZ antes da partida mais importante da temporada. Assim, o ataque foi buscado logo após sofrer o gol. Aos 68', Dabney dos Santos lançou Jahanbakhsh pelo alto, e o iraniano tentou ajeitar. Fracassou, mas a bola sobrou limpa para Weghorst tentar finalizar. O atacante bateu em cima do zagueiro Peet Bijen, mas a esférica ficou à feição para nova tentativa de Jahanbakhsh - que bateu por cima, perdendo grande chance. O Twente agia como franco-atirador: aos 75', Enes Ünal bateu falta para fora, por cima, sem o menor perigo.

A pressão ia aumentando. Aos 77', Haps passou a Weghorst, que passou a Iliass Bel Hassani (substituto de Van Overeem), e deste a bola foi para Luckassen arriscar um chute que Marsman agarrou em dois tempos. Dois minutos depois, o AZ perdeu grande chance de empatar: Fred Friday cruzou, Alireza fez o corta-luz, e Stijn Wuytens dominou para passar a Weghorst. Só que, quando efetivamente passou, a bola foi rápida demais, direto pela linha de fundo. Mas se a intenção não valeu, um gol totalmente fortuito rendeu o empate aos mandantes, pouco depois. Aos 81', em cobrança de falta, a bola foi cruzada para a área, bateu acidentalmente em Bijen e foi direto balançar as redes, no canto direito de Marsman.

O cartão vermelho levado por Andersen aos 87' (empurrou Friday e tomou o segundo amarelo) só fez recrudescer a busca do AZ pelo gol. Na cobrança da falta, Bel Hassani mandou chute forte, mas Marsman defendeu com segurança. Aos 89', Ron Vlaar cabeceou torto; e no último minuto, uma mesma jogada teve três chutes. Weghorst bateu em cima de Marsman, Friday tocou de calcanhar no rebote para Bijen salvar em cima da linha, e novamente Weghorst tentou, finalmente batendo para fora. Nos acréscimos (90' + 2), num contra-ataque, a pressão tardia do AZ deu o resultado esperado: a virada no placar. Bel Hassani ajeitou no meio para Friday, o nigeriano dominou e veio livre pela direita. Chegando à área, foi só dar um drible seco no lateral Jeroen van der Lely e chutar cruzado e preciso, no canto direito de Marsman, para a virada que firmou o AZ na zona dos play-offs. Mais do que isso: deixou o clima positivo, a uma semana da final da Copa da Holanda. Se o time ficou devendo um pouco em habilidade, espírito de luta não faltou.

O Go Ahead Eagles tentou, mas sucumbiu ao Groningen: rebaixamento quase certo (ANP/Pro Shots)
Go Ahead Eagles 2x3 Groningen (sábado, 22 de abril)

Na situação dramática que vive, com a última posição (e o rebaixamento direto) cada vez mais próximos, vencer era a única chance para o Go Ahead Eagles ter esperanças de, no mínimo, ainda escapar da repescagem. E o Kowet quase abriu o placar em casa, com Elvis Manu - chute bloqueado, aos 10' - e Sam Hendriks - chute para fora, perto do gol, aos 13'. Mas a maior qualidade técnica do Groningen se fez sentir logo na primeira chance: um arremate de Bryan Linssen, desviado pelo goleiro Theo Zwarthoed, que ainda atingiu a trave aos 24'. Depois, uma batida de Mimoun Mahi, que também mandou a bola na trave, aos 30'. Sete minutos depois, e veio o gol dos visitantes: o próprio Mahi completou um cruzamento de Ruben Yttegaard Jenssen com precisão para o 1 a 0.

Obviamente, o GAE buscaria a virada quase a qualquer custo no segundo tempo - como mostrou chute de longe de Joey Suk, aos 55', que passou perto. Mais obviamente, os espaços deixados pelos mandantes foram aproveitados pelo Groningen - Juninho Bacuna também tentou um arremate próximo ao gol. Porém, foi o time da casa que conseguiu o empate buscado, aos 74': Manu deu a Hendriks, que bateu à queima-roupa para recolocar o Go Ahead Eagles no jogo. Mas o empate durou pouco: já aos 80', Bacuna passou a Jesper Drost, que fez 2 a 1, recolocando os visitantes na frente. E os últimos minutos foram eletrizantes. Aos 89', Sébastien Locigno cruzou, e Darren Maatsen devolveu as esperanças para os mandantes, empatando o jogo. Mas o "abafa" pela virada rendeu um doloroso castigo: num contra-ataque, aos 90' + 3, Mahi driblou Zwarthoed e fez o gol da vitória do Groningen, que segue com chances de play-offs na Liga Europa. E o Go Ahead Eagles já está, no mínimo, condenado à repescagem contra a queda. Mais do que isso: cinco pontos atrás do NEC, penúltimo colocado, pode cair na penúltima rodada. O adversário? Ajax, fora de casa. Quase não há mais esperanças.

Utrecht e Roda JC insistiram aqui e ali, até Labyad (à esquerda) resolver as coisas no jogo (Gerrit van Keulen/VI Images)
Utrecht 1x0 Roda JC (domingo, 23 de abril)

Para o Utrecht, vencer era garantir-se em ótima posição: assegurava-se o quarto lugar do campeonato (e a vaga nos play-offs pela Liga Europa). O Roda JC nem queria tanto: um empate já servia, para dar um ponto que abriria pequeno respiro na fuga da zona de repescagem/rebaixamento. Porém, do jeito que o primeiro tempo transcorreu, as duas equipes pareciam no limbo típico de quem nada mais tem a fazer na temporada. Tanto que o primeiro chute a gol saiu apenas aos 33', do Utrecht: Yassin Ayoub arriscou, para a defesa do goleiro Benjamin van Leer.

Na etapa final, a situação foi diferente, literalmente, a partir do primeiro minuto: o Roda chegou num chute de Mikhail Rosheuvel, fazendo o goleiro David Jensen trabalhar para os mandantes, que reagiram prontamente. Aos 55', Sébastien Haller finalizou à queima-roupa para boa intervenção de Van Leer, e Gyrano Kerk fez até melhor aos 58', mandando a bola na trave. Em momentos esparsos, as chances reapareciam: Rosheuvel apareceu livre aos 78' e quase fez (Jensen defendeu), e Daryl Werker salvou os Koempels visitantes aos 83', tirando em cima da linha a bola vinda após Kerk driblar o goleiro e finalizar. Enfim, aos 87', Zakaria Labyad resolveu as coisas: cobrança de falta perfeita, no ângulo direito, dando a vitória (e o quarto lugar) para o Utrecht. O Roda JC sofrerá por mais um tempo.

El Khayati (à frente de todos) mereceu os abraços: fizera um golaço para a vitória salvadora do ADO Den Haag (Ronald Bonestroo/VI Images)
Sparta Rotterdam 0x1 ADO Den Haag (domingo, 23 de abril)

Na rodada, era o "jogo dos desesperados". Nem tanto para o ADO Den Haag: a sequência de quatro partidas sem perder (três vitórias e um empate) fortaleceu a possibilidade de salvação para o time de Haia. Mas o Sparta não poderia perder a chance: após as derrotas de Roda JC, NEC e Go Ahead Eagles, os três pontos levariam os Kasteelheren a sair da zona de perigo, com duas rodadas para o fim do campeonato. Ainda assim, o Den Haag é que teve motivo para sorrir logo no começo. E que motivo: o gol de Abdenasser El Khayati que abriu o placar, aos 9', foi um dos mais bonitos da rodada - o chamado "pombo sem asa", um chute de 25 metros direto para as redes de Roy Kortsmit. No primeiro tempo, os visitantes auriverdes ainda reclamaram de duas bolas na mão (Mart Dijkstra, e depois Michel Breuer), supostos pênaltis ignorados pelo juiz Dennis Higler.

Após o intervalo, obviamente, o Sparta foi para cima. Aos 59', o volante David Mendes da Silva conseguiu ótima chance para o empate, mas seu chute foi bloqueado na hora exata por Thomas Meissner. Pouco depois, aos 64', o próprio Mendes da Silva deu lugar a Mathias Pogba, para povoar mais o ataque dos mandantes. Ainda assim, quase nada de mais notável aconteceu no gramado de Het Kasteel - só um chute de Martin Pusic, aos 84', bem defendido por Robert Zwinkels. E após o nervosismo de cinco minutos de acréscimo, o Den Haag segurou a vitória decisiva, que lhe valeu a garantia da manutenção na Eredivisie. Depois das crises dentro e fora de campo, um fim de temporada mais tranquilo. Graças à reação na hora certa.


O sonho é quase real: Feyenoord venceu Vitesse com autoridade, e título holandês ficou bem próximo (Pieter Stam de Jonge/VI Images)
Vitesse 0x2 Feyenoord (domingo, 23 de abril)

Mesmo jogando fora de casa, o Feyenoord tinha boas razões para otimismo. O retrospecto não queria dizer muita coisa, mas o líder do Campeonato Holandês perdera em apenas uma das últimas treze partidas visitando o Vitesse (6 vitórias, 7 empates). Mais importante era o fator de campo: quase todos os titulares absolutos do Stadionclub na temporada estavam à disposição - e o único que não estava, Rick Karsdorp, surpreendia ao estar no banco de reservas, voltando de uma lesão no joelho grave a ponto de fazer crer que o lateral direito não jogaria mais na temporada. Já o Vitesse tinha uma motivação: mostrar que está pronto para a final da Copa da Holanda. E um problema: seu destaque, Ricky van Wolfswinkel, estava suspenso. Restou ao chinês Zhang Yuning ocupar o meio do ataque. De resto, os Arnhemmers tinham condições de ser adversários traiçoeiros para os visitantes ilustres.

Todavia, demorou pouco para o primeiro colocado da Eredivisie mostrar seu valor. Em ótimo dia, os jogadores das pontas mostravam muito entrosamento nos passes, criando várias jogadas ofensivas diante de um Vitesse acanhado. Numa delas, surgiu a primeira boa chance. Aos 9', após cobrança de lateral na direita, Jens Toornstra tabelou com Berghuis, chegou à área e chutou cruzado. Com leve desvio, a bola passou perto do gol de Eloy Room. Na cobrança do escanteio que surgiu, veio o gol do Feyenoord, aos 10'. O córner alto de Karim El Ahmadi foi insuficientemente desviado por Room, e Toornstra pegou a sobra na direita, perto da pequena área. Cruzou rasteiro, e Nicolai Jorgensen estava a postos na pequena área para escorar e fazer seu 20º gol no campeonato.

O gol ampliou ainda mais o domínio Feyenoorder em campo. As jogadas pelas pontas seguiram rendendo chances. Aos 14', nova bola alçada na área, da direita. Room rebateu, e Eljero Elia mandou o rebote por cima do gol. No minuto seguinte, El Ahmadi lançou Jorgensen em profundidade, pela esquerda, mas o atacante escorregou na hora do chute. Depois, aos 22', Berghuis cobrou escanteio curto para Elia. O camisa 11 cruzou rasteiro, e a bola só não foi para o filó adversário porque não havia pé de jogador do Feyenoord na pequena área. Coube ao zagueiro Arnold Kruiswijk afastar o perigo para o Vitesse.

A superioridade continuava clara. E em mais uma rápida jogada pelas pontas, aos 28', veio o segundo gol. Num rápido contra-ataque, Jorgensen veio pelo meio e serviu a bola a Toornstra. O camisa 28 perdeu um pouco o ângulo, mas conseguiu cruzar. E o goleador da Eredivisie cabeceou firme - Room defendeu rebatendo, mas a bola já tinha passado claramente da linha, representando o 2 a 0. Só para tirar qualquer dúvida, Berghuis colocou a sobra nas redes, e então o juiz Siemen Mulder confirmou o que todos já sabiam, apontando o meio de campo para validar o gol.

Jorgensen cabeceia para o segundo gol: a bola já tinha entrado, mas Berghuis preferiu assegurar (ANP/Pro Shots)
O Vitesse só fez Brad Jones trabalhar de verdade aos 33'. E ainda assim, a cobrança de falta de Lewis Baker chegou fácil para a defesa do goleiro do Feyenoord. Após essa reação, seguiu a categórica exibição dos visitantes, que quase marcaram o terceiro aos 37', quando Elia deixou Berghuis em ótima condição, para o chute cruzado que bateu na trave esquerda de Room. No minuto seguinte, quase Bart Nieuwkoop fez seu primeiro gol pela equipe adulta do Feyenoord: o lateral direito tabelou com Berghuis, saiu na cara do gol, mas chutou para ótima defesa de Room, que fechou o ângulo e espalmou. Berghuis repetiu a dose aos 39': chute livre, defesa de Room. A blitz só parou num arremate de Tonny Vilhena, para fora, aos 40'. Dava para o placar estar maior. Ainda assim, a vaia maciça da torcida do Vitesse ao final do primeiro tempo era medida precisa do quão melhor eram os Feyenoorders em campo.

Para tentar resolver isso, o técnico Henk Fräser fortaleceu o ataque, ao colocar no intervalo Lassana Faye e Nathan, nos lugares respectivos de dois jogadores em mau dia (Kruiswijk e Alexander Büttner - este, irreconhecível na ponta esquerda). Até começou a funcionar. Aos 54', Faye veio pela esquerda, e cruzou rasteiro. Van der Heijden interceptou, a bola subiu e ficou perigosamente na área, mas o ataque do Vites foi perdido por falta em Jones. Chance mais real veio aos 60': um chute de longe, de Baker, bem defendido pelo goleiro Feyenoorder. Aos 63', uma jogada dos dois que vieram do banco: Faye lançou da esquerda, mas antes que Nathan chegasse à bola, Jones saiu bem do gol para defender. Aos poucos, as chances foram ficando mais perigosas. Como aos 67', quando Milot Rashica arriscou de fora, e exigiu que Jones se esticasse e espalmasse pela linha de fundo.

Para não correr riscos desnecessários, o Feyenoord reagiu e voltou a aparecer. Aos 71', Vilhena cobrou falta, a bola desviou na barreira, passou por Berghuis, e Jorgensen só não chegou para fazer o 3 a 0 porque Marvelous Nakamba protegeu Room, que agarrou. E aos 80', Toornstra deu a bola para finalização colocada de Vilhena, mandando a bola rente à trave direita de Room. Respeito ganho de novo, só foi necessário ao Feyenoord controlar o jogo até o apito final de uma vitória com autoridade e categoria de... "quase" campeão. O domínio em campo se estendeu às arquibancadas, quando se viram até torcedores nos setores destinados aos adeptos do Vitesse se levantarem para comemorar a perspectiva cada vez mais sólida e palpável do título sonhado, que acabará com o tabu de 18 anos. Não falta muito: uma vitória contra o Excelsior, na próxima rodada, resolverá a parada e fará Het Legioen explodir, extravasar todas as frustrações de tanto tempo. Se a Eredivisie pausará por duas semanas, elas durarão 18 anos para o Feyenoord.

Um motivo para o PSV comemorar, enfim: a vitória no clássico diminuiu demais as chances do Ajax para o título (ANP/Pro Shots)
PSV 1x0 Ajax (domingo, 23 de abril)

O cansaço era óbvio no Ajax. Não se sai ileso de uma partida desgastante e empolgante, como a volta das quartas de final da Liga Europa, contra o Schalke 04. Ainda assim, não só o vice-líder foi para o clássico em Eindhoven com força máxima, como também promoveu o retorno de Kasper Dolberg aos titulares, com Bertrand Traoré voltando à sua posição original, a ponta direita. O PSV já tinha mais surpresas na escalação. Precisamente, no ataque: os dois irmãos De Jong, Luuk e Siem, ficaram no banco, enquanto Jürgen Locadia foi para o meio da área, com Steven Bergwijn também titular.

Se a partida no Philips Stadion começou ainda lenta, os donos da casa mostraram mais eficiência com a bola nos pés. Logo aos 2', de fora da área, Locadia arriscou chute que saiu, sem trazer muito perigo à meta de André Onana. No minuto seguinte, duas tentativas. Primeiro, Bart Ramselaar chutou na área, em cima de Davinson Sánchez; na sequência, Joshua Brenet cruzou para Locadia cabecear sem rumo. Nada que empolgasse muito, mas eram tentativas.

Diante de uma defesa bem postada (embora não fechada), o Ajax era mais lento. Mas deu suas estocadas. Aos 5', da esquerda, Amin Younes inverteu o jogo, mandando a bola para a área. No domínio pela direita, Bertrand Traoré já se livrou da marcação de Brenet, mas a bola escapou do atacante burquinense, ficando para Jeroen Zoet defender. Depois, aos 9', Joël Veltman cruzou, e Traoré tentou achar o espaço para bater, mas chutou em cima dos defensores. E a partida foi ficando mais equilibrada. As chances iam aparecendo. Aos 13', Bergwijn chegou pela direita, e seu toque de cabeça foi interceptado por Matthijs de Ligt. Mas a sobra ficou para Locadia arriscar um voleio. Quicando no chão, a bola perdeu força, saindo sem perigo.

O Ajax respondeu aos 15': após falta de Andrés Guardado em Dolberg na entrada da área, Hakim Ziyech cobrou em cima da barreira. Porém, aos 17', o que poderia ter sido grande chance rendeu consequências. Traoré dominou a bola no campo de defesa, e saiu livre até o ataque. Porém, justamente quando chegava à área, o atacante do Ajax tropeçou e caiu no gramado, num lance involuntariamente engraçado - e prejudicial também: o camisa 9 começou a sentir dores na virilha, logo após a queda. No frigir dos ovos, o PSV seguia (um pouco) mais perigoso. Foi justamente quem mais aparecia nos Boeren o autor do gol, aos 25'. Após De Ligt cometer falta sobre Bergwijn, perto da grande área, Locadia cobrou. E bateu com perfeição: chute seco, por cima da barreira, no canto direito, sem chances de defesa para Onana, fazendo 1 a 0.


O gol de falta foi merecido para Locadia, provavelmente o melhor do jogo (Jeroen Putmans/VI Images)

Só ao ficar em desvantagem no placar é que os Ajacieden aceleraram um pouco mais. Aos 32', Dolberg foi derrubado de novo (por Brenet), e Ziyech cobrou melhor a falta: forçou Zoet a espalmar para escanteio. Pouco depois, aos 34', Lasse Schöne arrematou perigosamente para fora, perto da grande área. O PSV voltou aos 42', quando Davy Pröpper dominou da direita e arriscou voleio forte, rendendo defesa de Onana. Depois, a entrada de Kluivert fazia prever um Ajax tentando as jogadas pelas pontas no segundo tempo. Porém, nos acréscimos, aos 45' + 3, ainda houve tempo para Zoet se atrapalhar com um recuo de Nicolas Isimat-Mirin, quase perdendo a bola para Dolberg. Mas o goleiro do PSV se safou.

A aposta dos visitantes em mais velocidade ficou ainda mais clara com a entrada de David Neres no lugar de Younes, no intervalo - assim como o PSV também fez, com Gastón Pereiro entrando para o segundo tempo no lugar de Ramselaar. Porém, foi a alteração de Peter Bosz que quase deu resultado, já aos 49', em boa jogada do Ajax. Neres recebeu de Klaassen em profundidade, livre na grande área, e cruzou da linha de fundo. Mas a bola bateu em Brenet antes de chegar a Dolberg, alvo do cruzamento. O empate ficou até mais perto aos 51', também com David Neres: o brasileiro chegou à área, driblou Zoet (que saiu apressadamente do gol), mas chutou para fora.

Contudo, a pressão do Ajax foi abortada por um protesto perigoso de parte da torcida do PSV: acionando sinalizadores, a fumaça subiu para os setores superiores do Philips Stadion, atrapalhando outros torcedores (alguns até deixaram momentaneamente os lugares) e forçando o juiz Kevin Blom a parar o jogo por um minuto. Enquanto a fumaça atrapalhava o ambiente no Philips Stadion, os donos da casa chegaram ao ataque. Aos 55', Gastón Pereiro (substituto de Ramselaar) driblou Viergever antes da batida colocada, mas seu chute saiu sem força, fácil para Onana defender.

O protesto de alas da torcida do PSV até era compreensível, mas atrapalhou demais o jogo (Rik Elfrink/Twitter)
Tranquilizado o ambiente após o estranho protesto (motivo até justo: as proibições da federação holandesa aos torcedores), o jogo voltou ao seu ritmo lento. Aos 61', um contra-ataque poderia ter rendido ótima chance ao Ajax, após passe primoroso de Ziyech que deixou Kluivert na cara do gol. Porém, o jovem falhou no domínio, e a bola saiu pela linha de fundo. No minuto seguinte, outra boa chance: Schöne bateu rasteiro de fora da área, e Zoet defendeu. O PSV reapareceu aos 68'. No seu último lance antes de dar lugar a Siem de Jong, Steven Bergwijn quase fez gol: Matthijs de Ligt se atrapalhou, recuando curto demais para Onana. Bergwijn passou à frente na área e quase chegava, mas o goleiro camaronês foi mais ágil e deu um chutão para afastar o perigo. Depois, aos 71', Marco van Ginkel passou a Siem de Jong, que bateu para fora, à esquerda de Onana. No escanteio em sequência, já aos 72', o mais velho dos De Jong no PSV deu um voleio, para longe do gol.

O cansaço do Ajax era cada vez mais claro. As últimas tentativas dos vice-líderes foram inócuas. Aos 79', Donny van de Beek fez o pivô para Klaassen arriscar. Mas o chute do capitão Ajacied saiu, sem o menor perigo. Dez minutos depois, um chute de De Ligt pela direita foi o último suspiro. Depois, aos 90' + 1, antes de sair do jogo (Sam Lammers o substituiu), Locadia ainda perdeu grande chance: o atacante ficou livre na pequena área, após cruzamento de Pereiro e desvio de Van Ginkel, mas mandou para longe. De quebra, aos 90' + 3, Brenet desperdiçou oportunidade ainda maior: no contragolpe, o lateral esquerdo teve caminho livre para chegar à área, mas chutou primeiro em cima de Sánchez, depois para a defesa de Onana.

O cansaço cobrou seu preço: lento, Ajax não criou muito no clássico. E se afasta da Eredivisieschaal (Jeroen Putmans/VI Images)
Sem problemas: a torcida do PSV festejou a vitória no clássico. Que aumentou levemente a chance de vice-campeonato. Mas que, principalmente, diminuiu demais as possibilidades do Ajax para o título holandês: são quatro pontos para o líder Feyenoord, a duas rodadas do fim. Vencer o Go Ahead Eagles na próxima rodada é provável, mas a tendência é que, após muito tempo, o Ajax veja o seu arquirrival de Roterdã desfilar como o maior da Holanda.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Uma deliciosa limonada

Quem diria: o Ajax alquebrado do começo da temporada virou semifinalista da Liga Europa (Ronald Bonestroo/VI Images)

Rostov do Don, Rússia, 24 de agosto de 2016. Após já ter saído da Amsterdam Arena com um mau resultado (empate em 1 a 1), no jogo de ida da terceira fase preliminar da Liga dos Campeões, o Ajax é humilhado pelo Rostov, na volta. Com ótimas atuações de Sardar Azmoun, Dmitri Poloz e Cristian Noboa, era o caso de dizer que o time russo merecia até mais do que o 4 a 1 que conseguiu pespegar no time de Amsterdã.

Não era a primeira eliminação vexatória do Ajax numa terceira fase preliminar da Liga dos Campeões – na década passada, a equipe já perdera para Kobenhavn e Sparta Praga. Mesmo assim, parecia um sinal de que uma melancólica temporada estava à espera. Ainda mais porque já houvera derrota para o Willem II, no final de semana anterior, pela 3ª rodada do Campeonato Holandês (1 a 2, em plena Amsterdam Arena).

Quase oito meses depois daquele aziago 24 de agosto, é impossível não se impressionar ao ver a deliciosa limonada que o Ajax fez daquele amaríssimo limão “recebido” em Rostov do Don. Disputar o título holandês? Tudo bem, é ótimo ter reagido e ser um arquirrival ferrenho do líder Feyenoord até o final da competição, mas para o Ajax, isso é quase obrigatório a cada temporada. Mas chegar à primeira semifinal de competição europeia em 20 anos, como os Ajacieden chegaram na Liga Europa, não estava no roteiro – e simboliza como a equipe entrou nos eixos ao longo da temporada.

Quando Peter Bosz chegou para substituir Frank de Boer, causou (e causa até hoje) certa estranheza, visto que se trata de um personagem pouco conhecido fora da Holanda, com mais cancha fora das quatro linhas, como diretor, do que dentro, como técnico – embora tenha feito bom trabalho no Vitesse. Ainda assim, era difícil compreender porque o Ajax se interessara pelo ex-atacante a ponto de trazê-lo do Maccabi Tel Aviv para comandar a reformulação de um grupo que se mostrara taticamente repetitivo e pouco vibrante, nos últimos tempos sob Frank de Boer. Além do mais, o começo trôpego na temporada não ajudava.

Agora já não é mais tão difícil compreender. Como fizera no Vitesse – e foi exatamente pela boa experiência tida ali com Bertrand Traoré que Bosz pediu o empréstimo do atacante -, o técnico conseguiu dar ao Ajax uma cara ofensiva de verdade. Sim, a defesa corre riscos desnecessários. Mas é inegável que fazia falta um time Ajacied que realmente procura o gol. Com velocidade, toques rápidos, entrosamento. E é isso que a equipe está fazendo. Com Davy Klaassen, Hakim Ziyech, Lasse Schöne, o supracitado Traoré, Kasper Dolberg, Amin Younes, Justin Kluivert, David Neres...

Dos citados, Dolberg, Traoré, Younes, Klaassen e Schöne já faziam parte do grupo de jogadores do Ajax na goleada sofrida para o Rostov (Klaassen, aliás, foi o autor do gol de honra). Até como consequência indireta da eliminação, dias depois, o clube gastava 11 milhões de euros para trazer Hakin Ziyech. Isto é: a equipe ainda estava sendo reformulada. Custou uma possibilidade de vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões – e isso prejudicou, inclusive financeiramente. Mas era daquelas situações em que engolir o sapo e continuar trabalhando era o mais prudente a ser feito. A prova disso não vem com a vaga nas semifinais da Liga Europa. E sim, com as atuações cada vez mais seguras e melhores no nível técnico, dentro do Campeonato Holandês. Basta citar que as três últimas vitórias na Eredivisie foram goleadas (4 a 1 no AZ e dois 5 a 1, em NEC e Heerenveen).

O que não quer dizer que o Ajax esteja perfeito. Longe disso. Aliás, na derrota “celebrada” para o Schalke 04 em Gelsenkirchen, não seria injustiça nenhuma dizer que perder a vaga nas semifinais seria castigo merecido, pelas tantas chances perdidas no jogo de ida. Ao invés de ter frieza e jogar mais cautelosamente – e o Ajax até fez isso na temporada -, a equipe tentou criar vários ataques, já no primeiro tempo. Talvez fosse hora de deixar o próprio estilo ofensivo de lado. Até porque a defesa esteve caótica nas laterais, tanto com Joël Veltman (não à toa, justamente expulso, tais os problemas que teve com Sead Kolasinac) quanto com Nick Viergever. E Davinson Sánchez arriscou demais em seus desarmes.

Bastaram os dois gols tomados em quatro minutos, e o Ajax se desmontou. A expulsão de Veltman e o mau retrospecto do clube em tempos extras (em competições continentais, jamais os Ajacieden venceram disputas de pênalti – e foram eliminados cinco vezes dessa maneira nelas) só preconizavam o melancólico fim que pareceu irremediável com o gol de Daniel Caligiuri. De novo, um clube holandês decepcionaria. Daria motivos para risada. Perderia uma vantagem grande. Faria um clube alemão mostrar como, mesmo no meio de tabela da Bundesliga, tem poder de decisão incomparavelmente maior do que um holandês.

Mas, quando menos se esperava, veio o gol salvador de Viergever (“Eu nem vi a bola entrando, estava com cãibras, só soube porque vieram me abraçar”, riu o lateral após o jogo). Depois, no desespero do Schalke, Younes aproveitou sua chance. E o Ajax conseguiu dar sequência à reação notável que teve na temporada. Não sem sequelas: seguirá cansado para o fundamental clássico contra o PSV, neste domingo, pela 32ª rodada da Eredivisie, como indicou ironicamente o diretor de futebol Marc Overmars: “Nós estamos muito felizes, e o Feyenoord também deve estar”.

Ainda assim, se um time talentoso precisava ser provado nas emoções de um mata-mata para mostrar sua raça, o Ajax mostrou. Passou na prova – com sofrimento, mas passou. De quebra, ainda favorece a Holanda no ranking de coeficientes da Uefa: se o país perderá sua vaga na fase de grupos em 2017/18, sai em vantagem para recuperá-la na temporada posterior, pelos pontos que a equipe vai ganhando.

Agora, na reta final, além da habilidade que aumenta a autoestima da torcida, talvez caiba ao Ajax ter algo que sobra na equipe do arquirrival Feyenoord, muito perto do título holandês: raça. De certa forma, já mostrou que teve, nesta quinta. Para uma equipe que parecia entregue quando a temporada começou, após o vexame contra o Rostov, os resultados já são um tremendo prêmio de consolação. Com ou sem qualquer título.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 21 de abril de 2017)

segunda-feira, 17 de abril de 2017

810 minuten: como foi a 31ª rodada da Eredivisie

Weghorst marcou o primeiro, após ficar com a bola em lance de sorte. E o AZ rumou para a vitória (ANP/Pro Shots)
Heracles Almelo 1x2 AZ (sexta-feira, 14 de abril)

Após ser frustrado pela ótima atuação do goleiro Van Leer, no empate com o Roda JC, o AZ abriu a rodada buscando o triunfo desde o começo. Os visitantes de Alkmaar criaram chances e mais chances de abrir o placar em Almelo. Com dois minutos de jogo, Wout Weghorst (no Heracles até a temporada passada) chutou perto do gol. Aos 6', Dabney dos Santos perdeu oportunidade até mais perigosa: cara a cara com Castro, chutou para fora. Aos 11', o zagueiro Mike te Wierik falhou, e Weghorst bateu para outra defesa de Castro. Cinco minutos depois, Dabney finalizou errado de novo. E depois de um arremate perigoso de Alireza Jahanbakhsh (Castro agarrou), os Heraclieden mandantes puderam arriscar, numa bola de Brandley Kuwas que passou perto do gol. Ainda assim, estava claro: os Alkmaarders mereciam a vantagem, pelo maior volume ofensivo.

E enfim a conseguiram, já no segundo tempo. Foi aos 53', num lance de certa sorte: Ridgeciano Haps cruzou da esquerda, e Joris van Overeem escorregou na hora de chutar, mas a bola sobrou limpa para Weghorst, enfim, colocá-la no filó adversário. Três minutos depois, voltou o perigoso desperdício: Van Overeem também apareceu livre, apenas com Castro à frente, mas tocou para fora, enlouquecendo o técnico John van den Brom. Pelo menos, o time da casa não era tão perigoso: tudo que fez foi apenas um chute de Kuwas, na rede pelo lado de fora, aos 79'. E aos 82', Jahanbakhsh definiu a vitória, em chute colocado que deu após tabelar com Weghorst. Nem mesmo o gol de honra dos Almelöers mandantes - Kuwas, aos 90' + 2, cobrando falta - impediria que os visitantes voltassem às vitórias na Eredivisie, após três jogos. Ambiente mais tranquilo, no caminho para a final da Copa da Holanda.

Ananou sendo abraçado no primeiro gol: dos dois desesperados, o Roda JC se deu melhor e respirou mais (ANP/Pro Shots)

Roda JC 3x1 Sparta Rotterdam (sábado, 15 de abril)

As duas equipes tentam fugir da zona de repescagem/rebaixamento, e já chegou o momento da temporada em que cada ponto vale. Não que o retrospecto decidisse qualquer coisa, mas o Roda JC ganhava mais esperanças com ele - afinal, ganhara as quatro últimas partidas jogadas contra o Sparta no Parkstad Limburg Stadion, sua casa. E não demorou muito para a torcida de Kerkrade ter a impressão de que o fim seria satisfatório, novamente. Já aos 5', Mikhail Rosheuvel quase marcou, após falha da defesa dos Kasteelheren. Aos 12', quase Rick van Drongelen colocou o Sparta em apuros, num recuo mal dado que forçou o goleiro Roy Kortsmit a se esforçar para consertar. Dois minutos depois, o Roda fez 1 a 0: Rosheuvel cruzou, e Abdul Ajagun cabeceou na casinha adversária.

No resto do primeiro tempo, os Koempels mandantes mostraram mais chances de chegarem ao gol - culminando num chute de Tom van Hyfte, que mandou de longe na trave, já nos acréscimos. No Sparta, o técnico Alex Pastoor não só teve de mudar já na etapa inicial (Thomas Verhaar sucedeu Loris Brogno aos 34'), mas também fez o time voltar até mais cedo do intervalo. Não adiantou muito: aos 61', Mart Dijkstra falhou na zaga, e Ajagun fez seu segundo no jogo. Só aí os Spartanen reagiram: a entrada de Mathias Pogba deu mais opções, Paco van Moorsel melhorou na armação de jogadas, e enfim o gol veio, aos 77', com Verhaar finalizando da entrada da área. Todavia, qualquer suspense sobre o resultado final acabou aos 89', com Rosheuvel dando números finais à vitória que deu um bom respiro ao Roda JC - e que torna a situação do Sparta dramática: em 16º, empatado em pontos com o NEC, antepenúltimo colocado.

De novo, o PSV tropeça no fim do jogo. E de novo, parecem acabadas as esperanças de título (ANP/Pro Shots)
ADO Den Haag 1x1 PSV (sábado, 15 de abril)

Diante da lentidão vista na maior parte da goleada contra o Willem II, Phillip Cocu decidiu fazer mudanças no PSV. Sobrou para Luuk de Jong, surpreendentemente: após 55 jogos seguidos começando como titular no Campeonato Holandês, o capitão dos Boeren deu lugar ao irmão Siem no meio da área, enquanto Marco van Ginkel ia para o meio. Tudo para visitar um ADO Den Haag motivado como havia muito não se via: com três vitórias seguidas, a esperança de escapar da repescagem nunca esteve tão viva. E poucos testes seriam tão bem vindos quanto receber os visitantes de Eindhoven, novamente sonhando com o tricampeonato após a rodada passada.

Para evitar qualquer susto, o PSV começou o jogo mantendo a posse de bola e tentando trocar passes, para abrir o compactado time anfitrião de Haia. Até houve tentativas de fora da área - como num chute de Gastón Pereiro, aos 5', encaixado pelo goleiro Robert Zwinkels. Mas seria mesmo numa troca de passes que viria o gol, logo aos 7'. Ótima troca de passes, aliás: pela direita, Santiago Arias fez a tabela com Van Ginkel, recebeu a bola de volta e cruzou. Na área, Jürgen Locadia dominou, girou e deixou Davy Pröpper com o domínio, totalmente à feição para driblar Thomas Meissner e concluir no canto esquerdo de Zwinkels, fazendo 1 a 0.

Bastou: já na saída de bola, a equipe auriverde já mostrava que iria se abrir mais para tentar o empate. Era o que o PSV queria: mais espaço para chegar. E quase chegou para o segundo gol aos 12': Pereiro dominou a bola, chegou à pequena área e bateu à queima-roupa. Zwinkels rebateu, e a sobra foi aproveitada por Van Ginkel - Meissner impediu que a bola cruzada pelo meio-campista tivesse consequências. Minutos depois, aos 24', Arias alçou na área, Locadia escorou, e Andrés Guardado bateu cruzado, mandando perto da meta defendida por Zwinkels. Aos 26', Siem de Jong cruzou, e Locadia cabeceou para Zwinkels defender.

O Den Haag só começou a aparecer aos poucos. Abdenasser El Khayati até teve chance aos 30', mas chutou por cima do gol. Só aos 36' veio uma chance digna do nome para os comandados do técnico Fons Groenendijk: Sheraldo Becker mandou a bola para a área, da direita, e Mike Havenaar cabeceou rente à trave direita de Jeroen Zoet. Bastou para o PSV tentar impor respeito de novo, no espaço de um minuto. Aos 43', Siem de Jong dominou entrando na área, mas perdeu o equilíbrio para o chute, e a bola ficou para Zwinkels. E aos 44', Arias ficou livre na área, mas demorou para mandar a bola no meio dela; quando mandou, Meissner tirou-a na pequena área, salvando o Den Haag.

Quando o segundo tempo começou, porém, o time de Haia mostrou mais rapidez. Parecia que a instrução, no intervalo, fora ouvir que ou se aproveitava com mais eficiência a posse de bola muito menor (30%), ou a derrota seria certa. Assim, o Den Haag partiu para cima. E já quase deu certo aos 50': Becker cruzou da direita, e Havenaar entrou livre na pequena área, cabeceando de peixinho e balançando as redes. A torcida comemorou, e o atacante nipo-holandês já se levantava para comemorar... mas o juiz Bas Nijhuis anulou o gol, apontando impedimento (corretamente).

Frustrado pelo gol anulado no começo do segundo tempo, Havenaar comemorou no fim: fez o gol do empate (Gerrit van Keulen/VI Images)

 frustração foi clara. De quebra, nos minutos seguintes, o PSV assustou. Aos 52', Arias recebeu em condição legal pela direita, driblou Zwinkels e cruzou, mas Wilfried Kanon tirou de cabeça. Na sequência, Van Ginkel chutou para fora. Pior: aos 55', em outro cruzamento, o gol perdido dos anftriões seria inacreditável: em velocidade, Becker recebeu pela direita, cruzou rasteiro, e Havenaar entrou livre na pequena área. Mas tocou fraco demais, e Zoet defendeu em cima da linha.

Enfim desafiado no jogo, o PSV correu atrás para tentar ampliar a vantagem. Aos 57', Pereiro ajeitou de calcanhar, e Pröpper entrou chutando cruzado, rente à trave direita. O camisa 6 voltou a bater perigosamente aos 59', de fora da área: forçou Zwinkels a espalmar para fora. E ainda participou de uma triangulação aos 62': Arias deu a bola a ele, que devolveu ao lateral colombiano - e este finalizou na rede pelo lado de fora. Só aos 70' os mandantes deram sinal de vida: logo após El Khayati cair na área em choque com Siem de Jong (e pedir pênalti não dado), Becker arrematou, e a bola foi para fora, após desvio.

Aí, começou o que a torcida do ADO Den Haag chama de "Haags Kwartiertje" (em má tradução, "os quinze minutinhos de Haia"), referindo-se ao hábito das emoções que ocorrem nos últimos quinze minutos de jogos do Den Haag. Porém, elas pareciam ser mais benéficas ao PSV. Aos 74', Siem de Jong estava impedido - caso não estivesse, teria perdido tremenda chance, ao sair na cara de Zwinkels e chutar muito por cima do gol. Aos 76', Arias concluiu cruzado, Zwinkels rebateu, e Van Ginkel mandou de voleio para fora. E aos 79', em virada, Luuk de Jong concluiu rasteiro para o goleiro do ADO Den Haag defender.

Contudo, aos poucos surgiram sinais de que o Den Haag conseguiria o empate nos seus "15 minutinhos". Primeiro, aos 85', quando Guyon Fernandez perdeu boa chance. Depois, no escorregão que impediu Locadia de finalizar na grande área, no minuto seguinte. Finalmente, aos 87', a torcida da casa explodiu em Haia: após escanteio rebatido pela defesa do PSV, Meijers mandou num voleio de fora da área, Zoet rebateu, e Havenaar estava a postos para aproveitar a sobra de cabeça, na pequena área, para o 1 a 1 que rendia um ponto valioso aos mandantes.

E que rendeu desespero nos minutos finais ao PSV. Dentro de campo, quando Guardado tentou o gol num voleio, aos 90' (Zwinkels defendeu). E fora, com Phillip Cocu reclamando do erro da comissão técnica: ele pretendia tirar Guardado para colocar Steven Bergwijn, mas quem saiu foi Locadia. O desapontamento ainda foi expresso por uma ala da torcida, pedindo a saída de Cocu. Até precipitado. Mas compreensível: afinal, era mais um tropeço nos últimos minutos. Que dificulta novamente a situação dos Eindhovenaren na disputa do título holandês.

Hasselbaink disse presente, de novo: o atacante marcou o gol da vitória valiosa sobre o Vitesse (Den Breejen/VI Images)
Excelsior 1x0 Vitesse (sábado, 15 de abril)

O Excelsior, novamente lutando com todas as forças para evitar a repescagem de acesso/descenso (no mínimo); o Vitesse, com duas vitórias seguidas, cada vez mais ofensivo e animado rumo à final da Copa da Holanda. Mesmo com o jogo no estádio Woudestein, em Roterdã, o Vites era favorito para atropelar, certo? Errado: Nigel Hasselbaink apareceu de novo como destaque do Excelsior. Aos 13', o atacante abriu o placar para os Kralingers, completando forte um cruzamento de Mike van Duinen. Era o primeiro lance num jogo que seria bastante animado. No primeiro tempo, surgiram chances tanto para o empate dos visitantes de Arnhem (aos 28', Guram Kashia cabeceou nas mãos do goleiro Warner Hahn) quanto para o segundo gol dos anfitriões (livre após cruzamento de Stanley Elbers, Hasselbaink finalizou em cima do arqueiro Eloy Room, aos 32').

Na etapa complementar, os dois times seguiram criando chances. O Excelsior deu a primeira estocada, aos 54': Hasselbaink cruzou, e Elbers mandou bonito de voleio, para grande defesa de Room. Depois, o Vitesse até pressionou mais. Aos 62', Milot Rashica chutou cruzado, e o zagueiro Jürgen Mattheij salvou os anfitriões em cima da linha. No fim do jogo, o chinês Zhang Yuning (que entrara no lugar de Lewis Baker) quase marcou. Mas os mandantes de Roterdã saíram de um jogo da Eredivisie sem serem vazados, pela primeira vez desde agosto do ano passado. Ótimo momento para acontecer: a equipe saltou para a 14ª posição, ganhando um respiro valioso na fuga da queda. Vão escapar, de novo?


Celina (esquerda) e Enes Ünal (centro) marcaram. E Klich (direita) cruzou para um dos gols na vitória do Twente (Peter Lous/VI Images)
Twente 3x0 NEC (sábado, 15 de abril)

Se há embalo para cima, há também para baixo. É o que se nota no NEC, numa queda cada vez mais perigosa e célere rumo à zona de repescagem/rebaixamento. Queda que já tivera um capítulo marcante com o 5 a 1 do Ajax em plena Nijmegen, na semana passada. Que viveu novo ponto baixo nesta semana, com a demissão do auxiliar técnico Danny Hoekman, após críticas pesadas deste ao técnico Peter Hyballa, em entrevista à revista Voetbal International. Para animar os jogadores, um grupo de torcedores foi em paz ao vestiário do Grolsch Veste de Nijmegen, antes da partida, e fez um discurso de incentivo. Não adiantou muito: já aos 12', Mateusz Klich cobrou escanteio e Enes Ünal cabeceou a bola para as redes. 16º gol do turco na Eredivisie, comemorado em frente à parte vazia do estádio - em protesto à entrada inesperada da polícia durante o jogo contra o PSV, os membros da Vak-P (torcida organizada do Twente) só ocuparam seus lugares no estádio após alguns minutos.

Já no primeiro tempo, era o caso de falar que os visitantes de Nijmegen tinham sorte em não perderem o jogo por um placar irrecuperável. Primeiro, porque o goleiro Joris Delle impediu a bola de entrar, num arremate de Bersant Celina. Depois, pela bola de Yaw Yeboah ter atingido o travessão, aos 34'. Na etapa complementar, o zagueiro Dario Dumic até tentou algo para os Nijmegenaren, ao chutar de longe, perto do gol defendido por Nick Marsman, aos 54'. Todavia, qualquer chance de reação dos visitantes acabaria aos 58': numa tabela com Ünal, Fredrik Jensen retomou a bola e finalizou com classe para o segundo gol do Twente. O domínio dos Tukkers seguiu indiscutível, e o terceiro gol até demorou: surgiu só nos acréscimos, aos 90' + 2, num belíssimo arremate de Ünal, no ângulo, para seu segundo tento na partida. A vitória ampliou a tranquilidade do Twente, que não tem muito a fazer na temporada - e também o desespero já previamente considerável do NEC, agora penúltimo colocado.

Schuurman sai para comemorar o gol da vitória: Willem II aproveitou as chances no final (willem-ii.nl)
Willem II 2x0 Go Ahead Eagles (domingo, 16 de abril)

Cada vez mais desesperado na lanterna, o Go Ahead Eagles atacou mais no primeiro tempo. Começou num cabeceio de Xandro Schenk, aos 14', para fora. Mais dois minutos, e um voleio de Sam Hendriks mandou a bola perto do gol. Bastou para animar os visitantes de Deventer, que partiram de vez para pressionarem os mandantes em Tilburg, no Willem II Stadion. Num chute de Marcel Ritzmaier, aos 32', para fora; em outro arremate, de Jarchinio Antonia, defendido pelo goleiro Kostas Lamprou aos 38'; e num toque à queima-roupa, de Hendriks, aos 44'. Era até mais justo que o Kowet estivesse ganhando. A torcida da casa também achava - tanto que vaiou o Willem II, ao final do primeiro tempo.

Os Tricolores ouviram os apupos - e voltaram melhores no segundo tempo. Já aos 49', Jordy Croux tentou uma jogada individual, mas errou no chute. E aos 64', Thom Haye cobrou falta, forçando o arqueiro Theo Zwarthoed a fazer boa defesa. No minuto seguinte, o GAE reclamou: Pedro Chirivella alegou ter sido agarrado na área, mas o juiz Jeroen Manschot não ligou para o pedido de pênalti. Azar: aos 72', Croux tentou mais uma jogada pela ponta, cruzou, e Fran Sol (substituto de Elmo Lieftink, no intervalo) apenas desviou de cabeça para o 1 a 0. O golpe final dos anfitriões veio aos 82', num belo voleio de Jari Schuurman. E o Willem II segue disputando a vaga nos play-offs. Ao Go Ahead Eagles, resta o desespero: afundado na lanterna, cinco pontos atrás do antepenúltimo colocado, com uma queda direta cada vez mais provável

Mahi (de costas) e Linssen (segundo da esquerda para a direita) chamaram a responsabilidade na goleada do Groningen (ANP/Pro Shots)
Groningen 5x1 Zwolle (domingo, 16 de abril)

Ainda tentando alcançar os play-offs pela Liga Europa, o Groningen começou rapidamente a mostrar que seria o dono do jogo. Mais do que isso: que teria dois protagonistas destacados na partida contra os Zwollenaren. Eles apareceram aos 14': Bryan Linssen tabelou com Mimoun Mahi, recebeu de volta e bateu de pé direito para o 1 a 0 dos Groningers. Mais cinco minutos, e Mahi foi quem mexeu no placar, completando uma triangulação: Jesper Drost lançou Oussama Idrissi pela esquerda, e este cruzou para Mahi concluir de cabeça. Não tinha acabado ainda: aos 38', Idrissi cobrou escanteio, e Linssen, mero 1,70m de altura, subiu para cabecear, fazer 3 a 0 e encaminhar a vitória.

Ainda assim, o Zwolle reagiu. Um erro da defesa mandante abriu a oportunidade: no primeiro lance do segundo tempo, Juninho Bacuna errou no recuo, forçando o goleiro Sergio Padt a mandar para escanteio. E neste, a cobrança alcançou os pés de Nicolai Brock-Madsen, para o dinamarquês marcar o gol dos "Dedos Azuis". Mais alguns minutos, e Padt salvou o Groningen: defendeu não só um chute de Brock-Madsen, mas também o rebote pego por Queensy Menig. Antes que a pressão visitante ficasse maior, Mahi reapareceu: pegou a bola vinda de Drost e marcou seu segundo gol no jogo, aos 53'. No final, aos 88', Ajdin Hrustic (vindo do banco) completou a goleada que mantém o Groningen vivo na disputa pelos play-offs. E o Zwolle volta com certos cuidados a serem tomados, para garantir a salvação definitiva da zona de repescagem/rebaixamento.

Foi um jogo duro,  mas Elia e Toornstra aliviaram o Feyenoord: vitória valiosa na reta final (Peter Lous/VI Images)
Feyenoord 2x0 Utrecht (domingo, 16 de abril)

Após um bom tempo, enfim o Feyenoord tinha somente boas notícias na sua escalação. Recuperado de lesão muscular, Terence Kongolo ocupava novamente a lateral esquerda. Nicolai Jorgensen não assustou desta vez: foi o titular no meio do ataque. A não ser pela ausência de Rick Karsdorp, fora da temporada, era o que de melhor o líder do Campeonato Holandês tinha, para enfrentar um adversário muito traiçoeiro - que jogaria no seu estilo conhecido: um 4-4-2 com losango no meio, muito ofensivo, fora ou dentro de casa.

E isso foi provado com a primeira chance dos Utregs, logo aos 3': Sofyan Amrabat veio pela esquerda, cortou e arriscou o chute que bateu na rede pelo lado de fora. Porém, logo um erro abriu espaço para o Stadionclub, aos 5'. Yassin Ayoub errou no recuo de bola, deixando Elia livre na entrada da área. O ponta deixou com Jens Toornstra, mas este concluiu em cima da defesa. Na sobra, Steven Berghuis chutou cruzado, para fora. Depois, aos 8', Karim El Ahmadi chegou roubando a bola, mas arrematou fraco, para fora.

Aos 17', na lateral direita, Bart Nieuwkoop correu com a bola, tabelou com Jorgensen e recebeu quase na linha de fundo, mas seu cruzamento passou direito. Porém, havia claras dificuldades, com a ótima postura tática dos visitantes. Do ataque, a bola voltava para o meio-campo - e para a defesa, que reiniciava a jogada, com a falta de espaço para tocar a bola. E a posse de bola nem era tão grande assim: 59% - pouca, comparada com o que um grande holandês chega a ter. Ainda assim, os Feyenoorders chegavam pouco a pouco. Aos 24', Nieuwkoop lançou, o lateral Kevin Conboy cabeceou errado, e a bola sobrou para El Ahmadi bater rente à trave esquerda da meta de David Jensen. Pouco depois, o Utrecht ofereceu espaços de novo: Tonny Vilhena serviu a bola a Jorgensen, que chutou por cima do gol. E aos 28', Toornstra teria ótima chance: tabelou com Jan-Arie van der Heijden, entrou na área e bateu forte, para ótima defesa de Jensen.

Vilhena e Troupée disputam bola: Feyenoord e Utrecht se alternaram em chances no primeiro tempo (Photo News)
Avançando tanto, uma hora o Feyenoord deu espaço para um perigoso contra-ataque dos Utregs visitantes. Foi aos 31': Barazite lançou ainda do campo de defesa, e Gyrano Kerk saiu livre da linha de impedimento. Chegou à grande área pela esquerda, driblou Brad Jones, mas concluiu na trave, perdendo ótima chance. No escanteio que se seguiu, Willem Janssen ainda cabeceou perto do gol. Aos 33', de novo os Utregs estocaram: Giovanni Troupée cruzou da direita, Van der Heijden ainda desviou de cabeça tentando tirar, mas a bola ficou mesmo para Barazite dar um voleio que passou perto.

Os anfitriões voltaram aos 38', quando Berghuis fez jogada semelhante à de um dos gols marcados por ele contra o Zwolle: veio da esquerda para o meio e bateu, para a defesa de Jensen. Dois minutos depois, numa triangulação entre Elia, Jorgensen e Vilhena, este último até quase marcou, mas o juiz Dennis Higler já marcara falta em Elia. E a cobrança de Toornstra forçou Jensen a espalmar para a linha de fundo, em excelente defesa. O Utrecht assustou do outro lado aos 42', num chute cruzado de Conboy que passou perto da trave esquerda. Ainda houve tempo para uma finalização de Vilhena que talvez só não tenha entrado por bater em Toornstra e sair, aos 45' + 1.

No intervalo de um jogo relativamente equilibrado, a pergunta que ninguém fazia (e na qual todos pensavam) exalava tensão: seria possível o Feyenoord tropeçar em casa? Bastou um lançamento longo, aos 48', logo no começo do segundo tempo, para tudo isso mudar, a torcida esquecer o medo e se aliviar com o gol. Eric Botteghin mandou da defesa, a bola foi direto para a área, e Jorgensen apenas ajeitou de cabeça para Toornstra chutar no canto direito de Jensen, fazendo 1 a 0 - seu nono gol nas últimas sete partidas em De Kuip.

Toornstra sai para comemorar o seu gol: abrir o placar no início do segundo tempo foi providencial (Peter Lous/VI Images)

Restou ao Utrecht atacar em busca do empate, aos 53': em troca de passes, Barazite deu a bola a Haller, e deste ela foi para Amrabat, que arrematou para providencial defesa de Jones. Todavia, com menos pressão, o Feyenoord ia mais à frente. Aos 59', Elia recebeu na esquerda, escapou do carrinho que Barazite armou e chegou rápido, mas cruzou nas mãos de Jensen. Jogada semelhante ocorreria aos 61', com Elia pegando a bola vinda de Kongolo. Desta vez, o cruzamento do camisa 11 encontrou Jorgensen, que bateu para fora. Pouco depois, aos 63', Berghuis cobrou falta perto, à direita de Jensen.

E a partida na "banheira" seguia mais morna no segundo tempo. Até que Sébastien Haller enfim apareceu, aos 73'. O atacante francês escapou da marcação de Kongolo, arrematou, e o desvio em Botteghin quase enganou Jones, saindo pela linha de fundo. No córner seguido, Janssen quase empatou: na pequena área, o zagueiro chutou em cima de Jorgensen, perdendo grande chance. O Stadionclub nem corria muitos riscos, mas deixava espaços para contragolpe. Uma hora, isso poderia trazer resultado desagradabilíssimo.

Só não aconteceu porque, aos 80', Elia desafogou de vez o time da casa. E como: pegou a bola na esquerda, virou-se e bateu colocado, da ponta da área, no canto esquerdo de Jensen. Um belíssimo gol, para tranquilizar de vez a torcida, confirmar uma vitória importante e decretar: o Feyenoord continua líder no Campeonato Holandês. O otimismo cauteloso que toma conta da torcida foi perfeitamente expresso nas palavras de Elia: "Pelo que sinto, não vai mais escapar da gente, mas não se pode colocar o carro na frente dos bois".

O Ajax se assustou no começo. Mas o gol da virada, de De Ligt, iniciou o caminho suave para mais uma goleada (Maurice van Steen/VI Images)
Ajax 5x1 Heerenveen (domingo, 16 de abril)

O retorno de dois personagens importantes ao time titular era a melhor notícia para as duas equipes. No Ajax, Kasper Dolberg voltava a começar uma partida, para ganhar ritmo rumo à volta das quartas de final da Liga Europa, contra o Schalke 04; no Heerenveen, Stijn Schaars também retornava à posição de volante. Caberia aos mandantes controlarem a badalação após a vitória da quinta passada, contra os visitantes da Frísia, numa Amsterdam Arena com muitas presenças ilustres: vários ex-jogadores do Ajax foram convidados a ver o jogo. Entre eles, Arkadiusz Milik (enfim se despedindo oficialmente da torcida) e Patrick Kluivert - ironicamente, num dia em que o filho Justin ficou na reserva.

Contra um Fean previsivelmente fechado na defesa, o Ajax tentou primeiro as bolas altas. Aos 5', Davy Klaassen cruzou da esquerda, e a bola foi parar do outro lado. Coube a David Neres buscá-la, se livrar da marcação de Stefano Marzo e bater para a defesa de Erwin Mulder. Porém, aos 8', logo após o Ajax perder uma chance, no primeiro contra-ataque que criou, o Heerenveen balançou o filó adversário. Sam Larsson dominou pouco antes do meio-campo, correu até as proximidades da área e deixou na direita, onde corria Reza Ghoochannejhad. Coube a "Gucci" bater firme, no canto esquerdo de André Onana, para fazer 1 a 0 e colocar os visitantes da Frísia na frente.

Bem compactado, o Heerenveen impedia o principal trunfo do Ajax: as trocas de passe velozes, que tanto impressionaram contra o Schalke 04, pela Liga Europa. Restavam as jogadas individuais - como a de Amin Younes, aos 12', impedido por um zagueiro. Ou as bolas aéreas - num escanteio, aos 13', Kasper Dolberg até cabeceou na trave, mas cometera falta. As tentativas se sucediam: aos 15', Younes lançou em profundidade, deixando Hakim Ziyech em boas condições para chutar, mas o meio-campista bateu em cima de Mulder. No minuto seguinte, Ziyech passou a Younes, e deste para Dolberg, que finalizou cruzado. Mulder estava atento e defendeu. Simultaneamente, seguiam espaços para os contra-ataques dos visitantes. Aos 17', recebendo passe de Yuki Kobayashi, Larsson arrematou para fora. Kobayashi apareceu de novo aos 20': da meia-lua, o meio-campista japonês serviu Ghoochannejhad, que arrematou em cima de Matthijs de Ligt. Na sobra, Kobayashi chutou para fora.

Foi necessário que os defensores aparecessem para que os anfitriões empatassem na Amsterdam Arena. Primeiro, Matthijs de Ligt arriscou de longe, forçando Mulder a espalmar para escanteio. No tiro de canto, aos 24', veio o gol do Ajax: Ziyech cobrou, Davinson Sánchez escorou e Nick Viergever completou na segunda trave para o 1 a 1. Já houve uma animação maior, mas o Heerenveen não estava batido, e continuava chegando - como num chute de Ghoochannejhad, aos 27', que Onana agarrou. Porém, o empate fora a senha para o crescimento do Ajax. Aos 29', em cobrança de escanteio rebatida, Younes fez o pivô, para Schöne bater, por cima do gol. E uma rápida triangulação, como só acontecer, bastou para a virada, aos 32'. De Ligt partiu com a bola dominada desde a defesa, chegou à frente e lançou Dolberg. Da esquerda, o dinamarquês cruzou, e o zagueiro entrou completando para o 2 a 1 - gol muito bem vindo para mostrar que a vida continua, após De Ligt ficar no olho do furacão pelas falhas em sua estreia na seleção.

Viergever empata o jogo: aí começou a reação do Ajax no jogo (ANP)
Só então, veio a superioridade clara que o Ajax tem imposto em suas partidas mais recentes, com chances e mais chances. Aos 40', Schöne fez um lançamento alto para Younes. O alemão dominou e passou a Klaassen, que tentou achar espaço para arrematar, até recuar para a batida de Schöne, que desviou na zaga, facilitando a defesa de Mulder. Não demorou muito, veio o terceiro gol, aos 42', para encaminhar a vitória. Ziyech passou a Klaassen, e o capitão imediatamente deixou a bola com David Neres. O brasileiro foi bloqueado na hora do chute, mas a bola ficou limpa na pequena área, com o gol vazio para Klaassen fazer 3 a 1.

Com mais um triunfo a caminho após começo de sustos, o Ajax seguiu superior e ofensivo no segundo tempo. Logo aos 47', Younes cruzou da esquerda, e Klaassen completou. A bola resvalou num zagueiro, e saiu pela linha de fundo. A única aparição digna de nota do Heerenveen veio aos 49', numa cobrança de falta de Kobayashi, defendida por Onana. Depois, continuou a rotina. Com Hakim Ziyech ganhando destaque. Aos 56', Ziyech dominou, na frente do zagueiro Wout Faes, e arrematou para fora. O camisa 22 também participou de bela jogada aos 59': cortou da esquerda para o meio, passou a David Neres, e o brasileiro deixou Klaassen na cara do gol. Porém, o camisa 10 Ajacied não dominou bem, e Mulder ficou com a bola. Finalmente, a jogada mais perigosa veio aos 62': uma cobrança de falta quase precisa de Ziyech, na trave esquerda.

E enfim, vieram os gols para transformar a vitória em goleada. Aos 68', Dolberg livrou-se da marcação de Jeremiah St. Juste com um giro, seguiu para a área com a bola e só parou após Morten Thorsby derrubá-lo com um carrinho. O juiz Danny Makkelie marcou o pênalti, que o próprio camisa 25 cobrou para coroar sua recuperação, marcando seu 14º gol no campeonato. Era um placar mais do que suficiente para Peter Bosz dar descanso a alguns jogadores com vistas ao jogo da próxima quinta: logo após o quarto gol, Klaassen deu lugar a Donny van de Beek, enquanto Nick Viergever abriu lugar para a estreia do lateral Deyovaisio Zeefuik, 19 anos.

Mas ainda houve tempo para David Neres marcar seu terceiro gol, na terceira partida em que começou como titular do Ajax, aos 83': Younes tocou, o camisa 7 saiu da marcação, driblou Mulder e tocou para confirmar a goleada do Ajax. Que até poderia ter sido maior (Van de Beek teve duas chances, aos 88' e 89'), mas já servia para o vice-líder da Eredivisie continuar com chances, à espera de um tropeço do Feyenoord. Boa vitória, na entrada de uma semana que promete ser árdua, com a decisão na Liga Europa e o clássico contra o PSV.