Foram só quatro jogos amistosos, no fim do ano passado. Mas vencer três deles, tomar só um gol neles (para uma seleção que sempre teve a defesa como seu ponto fraco... é algo notável), mostrar o nascimento de algum entrosamento aqui e ali, superar seleções de algum respeito como Canadá e Portugal, enfim, tudo isso serviu para trazer de volta uma boa impressão em torno da seleção feminina da Holanda (Países Baixos). Mas amistosos apenas amistosos são. E a melhor confirmação de que as Leoas Laranjas entraram em novos tempos sob o técnico Arjan Veurink viria com atuações categóricas nas primeiras datas FIFA de mulheres neste 2026, abrindo as eliminatórias da Copa de 2027, contra Polônia - dia 3 de março, na cidade polonesa de Gdansk, às 14h de Brasília - e Irlanda - 7 de março, às 15h45 de Brasília, em Utrecht.
Nesse começo da caminhada para tentar garantir uma vaga no Mundial a ser sediado no Brasil, há dois reforços que havia muito tempo não vestiam laranja. Uma delas, talvez, nem vestisse mais: era a possibilidade mais forte. Mas Daniëlle van de Donk aproveitou um fato (a homenagem a ser feita a ex-jogadoras da seleção holandesa, como Sherida Spitse e Lieke Martens, após o jogo contra a Irlanda) para anunciar seu retorno, com uma brincadeira: "Como vocês sabem, algumas das ex-jogadoras estarão em Utrecht para uma despedida. Eu também estarei... mas não é para me despedir!". Pois é: aos 34 anos - completará 35 em 5 de agosto -, recuperada de lesão que atrapalhou seus primeiros tempos no London City Lionesses, Van de Donk se colocou à disposição de Arjan Veurink para as convocações.
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| Van de Donk "desistiu de desistir": uma conversa com o técnico Arjan Veurink bastou para que a veterana meio-campista decidisse seguir nas Leoas Laranjas (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images) |
Falando mais seriamente, na data da convocação, "Daantje" justificou: "Acho que ainda há algo especial que posso dar para este time". Sem sinalizar se ela ficará mais no banco ou jogará, Veurink celebrou: "Estou muito feliz por ela estar no grupo. Depois da Euro [2025], conversamos, ela estava machucada, e decidimos esperar para conversar de novo, até ela se recuperar. Isso aconteceu, nos falamos, e ela está se recuperando, está voltando a ter ritmo de jogo". Na coletiva de apresentação, no centro de treinamentos da federação, a meio-campista se aprofundou: "O foguinho se acendeu de novo em mim. É bom demais [estar na seleção] para já encerrar tudo. Deixei minhas colegas quietas, senão é claro que elas diriam que eu deveria voltar, e isso nunca é um bom conselho. Você deve se focar em você: é isso mesmo que quer?". Arjan Veurink facilitou: "Fomos abertos e honestos um com o outro. Estou feliz que o 'fogo' dela esteja aceso de novo, é sempre bom contar com alguém com as qualidades dela".
Outro nome importante a retornar é Daphne van Domselaar. Enfim livre das dores de um tendão no tornozelo, lesão que dificultou a sua situação desde antes da Euro ("Uma lesão assim não se cura antes de algumas semanas. E continua causando atenção, mas agora estou me sentindo bem, completamente pronta para estar aqui"). Voltando a ter ritmo de jogo - e alguma segurança, após falhas aqui e ali - no Arsenal, Van Domselaar chega com Lize Kop tendo sido titular nos primeiros amistosos sob Arjan Veurink. Mas a titular habitual do gol das Leoas Laranjas não só demonstrou boa impressão do clima entre as convocadas, à ESPN holandesa ("Ouvi boas histórias das outras, e mal posso esperar para estar nos jogos e viver isso"), como também mostrou tranquilidade sobre qual será a goleira titular ("Lize está indo bem, então, dependerá do treinador").
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| Van Domselaar é outro retorno para a seleção neerlandesa de mulheres (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images) |
Mas é possível que seja Vivianne Miedema o grande símbolo da impressão promissora que causa a seleção feminina neerlandesa. Até porque, depois de muitos anos de lesões, enfim ela retoma o ritmo de jogo, enfim ela retoma as boas atuações (agora, jogando mais recuada, como uma "camisa 10"), enfim ela retoma o brilho no Manchester City, em que renovou seu contrato até 2027. E a capitã das Leoas Laranjas comemora tudo isso, também à ESPN NL: "Eu me sinto em forma, posso jogar bastante e estou nos campos com um sorriso no rosto. Isso é o mais importante. Sinto que posso ajudar em algo de novo". Vieram elogios ao novo técnico ("Arjan [Veurink] nos traz experiência. Ele teve muito sucesso, tanto como auxiliar técnico aqui, como depois na Inglaterra. Acho muito bacana ver o crescimento pessoal dele ao longo dos anos"). E vieram até palavras amenas sobre como prefere jogar, se como atacante - Miedema fez quatro gols no amistoso contra a Coreia do Sul, vale lembrar - ou como meia ("Antes das lesões eu só jogava como atacante, no City jogo de '10' ou até mais recuada (...) Eu disse ao Arjan 'pode me escalar onde você quiser', a escolha é dele").
Nem mesmo uma polêmica em potencial tirou a paz do grupo de convocadas. Principalmente das veteranas, mais relacionadas ao fato: em sua autobiografia, Open Kaart ("Cartão aberto", em holandês), lançada nesta semana, Sherida Spitse contou que uma convocada da Holanda na Euro feminina passada - nome não revelado - levou ao técnico daquela vez, Andries Jonker, críticas sobre ela e Van de Donk. Envolvida na história, esta reconheceu ("Sabia que meu nome estaria no livro"), mas fez questão de deixar tudo no passado ("Por mim, isso não precisava vir para a mídia. Tem coisas que acontecem num grupo, e se resolvem internamente. Aí você deixa para lá, e segue em frente. Nem penso mais nisso"). Arjan Veurink foi compreensivo ("Sempre há chateadas no grupo, porque você trabalha com 23 jogadoras, 22 integrantes na comissão... sempre tem algo, mesmo quando está tudo bem. Mas o que aconteceu no passado não me importa"). E Miedema encerrou de vez ("A gente reconhece que a Euro foi ruim, foi difícil. Mas o grupo atual combinou manter tudo entre quatro paredes. É começar de novo").
Então, neste começo, as Leoas Laranjas esperam confirmar a boa impressão que os amistosos de 2025 passaram. Para isso, vencer Polônia e Irlanda já será de grande serventia.
As 23 convocadas da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA
GOLEIRAS: Daphne van Domselaar (Arsenal-ING), Lize Kop (Tottenham Hotspur-ING) e Daniëlle de Jong (Juventus-ITA)
DEFENSORAS: Kerstin Casparij (Manchester City-ING), Lynn Wilms (Aston Villa-ING), Dominique Janssen (Manchester United-ING), Caitlin Dijkstra (Wolfsburg-ALE), Veerle Buurman (Chelsea-ING), Janou Levels (Wolfsburg-ALE), Ilse van de Zanden (Fiorentina-ITA) e Marisa Olislagers (Brighton-ING)
MEIO-CAMPISTAS: Jackie Groenen (Paris Saint Germain-FRA), Daniëlle van de Donk (London City Lionesses-ING), Victoria Pelova (Arsenal-ING), Damaris Egurrola Wienke (OL Lyonnes-FRA), Ella Peddemors (Wolfsburg-ALE), Wieke Kaptein (Chelsea-ING) e Nina Nijstad (PSV)
ATACANTES: Vivianne Miedema (Manchester City-ING), Lineth Beerensteyn (Wolfsburg-ALE), Esmee Brugts (Barcelona-ESP), Jill Roord (Twente), Romée Leuchter (Paris Saint Germain-FRA) e Chasity Grant (Aston Villa-ING)



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