segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

810 minuten: como foi a 22ª rodada da Eredivisie

O Zwolle tomava sufoco do NEC em casa. Mas Brock-Madsen apareceu e... enfim, vitória no estádio próprio (Henry Dijkman/VI Images)

Zwolle 2x0 NEC (sexta-feira, 10 de fevereiro)

Jogar em casa não tem sido uma boa para os Zwollenaren: ao iniciarem a 22ª rodada do Campeonato Holandês, a equipe alviazul não vencia no Mac³Park Stadion desde a 11ª rodada, em outubro passado, ao superar o Go Ahead Eagles. E pelo jeito como a peleja começou, parecia que os mandantes veriam a festa alheia de novo, porque foi o NEC que criou chances mais perigosas. Já aos dois minutos de jogo, o zagueiro Wojciech Golla cabeceou, forçando o goleiro Mickey van der Hart a fazer boa defesa. Aos 30', Jordan Larsson teve grande chance: recebeu livre na área, mas chutou fraco para Van der Hart. Depois, no minuto final do primeiro tempo, foi o lateral direito Dario Dumic que arrematou, levando o arqueiro dos "Dedos Azuis" mandantes a fazer outra boa intervenção. Ao Zwolle, a única chance digna de nota foi uma finalização de Queensy Menig, na trave, aos 43'.

Os 45 minutos finais começaram com animação. Já aos 47', Taiwo Awoniyi (substituto do lesionado Jay-Roy Grot, no primeiro tempo) ficou cara a cara com Van der Hart, mas perdeu a chance; no minuto seguinte, do outro lado, Kingsley Ehizibue perdeu daqueles gols aparentemente impossíveis de serem perdidos, chutando por cima. Pelo menos, Nicolai Brock-Madsen estava a postos para dar sequência à boa forma que exibe no returno. O atacante dinamarquês fez 1 a 0, aos 57', com sorte: chutou, a bola resvalou no volante Gregor Breinburg e enganou o arqueiro Joris Delle. As alternâncias, porém, continuaram: Ryan Thomas quase ampliou a vantagem dos mandantes com uma bola no travessão aos 63', e Mohamed Rayhi também acertou o travessão para o NEC, aos 70'. Deu azar: justamente na jogada seguinte, o Zwolle fez 2 a 0. Menig recebeu cruzamento na área, se atrapalhou ao tentar o voleio, mas conseguiu ajeitar a bola e bater alto, sem chances para Delle, garantindo uma valiosa vitória para o Zwolle. Não só pelo fim do jejum em casa, mas por ser a segunda consecutiva, levando a equipe a ganhar um respiro na disputa contra o rebaixamento.

Parecia que o Roda JC voltaria a vencer. Armenteros e seus gols negaram a possibilidade (Peter Lous/VI Images)

Heracles Almelo 2x2 Roda JC (sábado, 11 de fevereiro)

No intervalo do jogo em Almelo, a FOX Sports filmou dois torcedores tirando um cochilo em suas cadeiras. Prova cabal de como os primeiros 45 minutos no estádio Polman foram chatos. Apenas quatro lances de relativo perigo. Começaram aos 14', quando, após lançamento de Mohamed El Makrini, Mitchel Paulissen dominou, mas seu chute foi travado. Depois, aos 20', Samuel Armenteros errou cabeceio, após lançamento, Na sequência, Brandley Kuwas chutou para fora. E só uma chance vinda no minuto final merece menção, depois disso: aos 45', Daryl Werker cabeceou, e Thomas Bruns tirou a bola em cima da linha. No rebote, El Makrini arriscou de fora da área, mandando pela linha de fundo. E ficou nisso. Àquela altura, parecia melhor que o jogo não tivesse ocorrido - risco que se correu horas antes, com queda de energia em Almelo.

Todavia, o que o primeiro tempo teve de monótono, o segundo teve de animado. Nem demorou muito para o Heracles ir à frente: aos 53', Kristoffer Peterson tabelou com Thomas Bruns, recebeu a bola de volta e arriscou de fora, mandando perto do gol defendido por Benjamin van Leer. Depois, os Heraclieden quase tiveram a sorte ajudando aos 62', quando Peter van Ooijen deixou a esférica com Kuwas. Este cruzou, e o zagueiro Frédéric Ananou tentou cortar. Mandou acidentalmente no travessão. Parecia que os mandantes de Almelo sofreriam no jogo. E isso ficou ainda mais aparente aos 65', quando o Roda abriu o placar contando com azar de um jogador anfitrião. Da direita, Paulissen arriscou o chute. E petiscou: a bola resvalou no zagueiro Justin Hoogma, e foi direto para as redes. Mais três minutos, e os Koempels visitantes fizeram o 2 a 0: ao ganhar a bola de graça, Tom van Hyfte bateu rasteiro e seco no canto esquerdo, sem chances de defesa para o goleiro Bram Castro.

Até ali pouco ativo ofensivamente, o Roda JC ia saindo com uma vitória valiosa para contentar o suíço-russo Aleksei Korotaev - novo acionista, como o blog escreveu ontem. E quase ampliou para 3 a 0 aos 78', quando Dani Schahin desviou para fora. Então, foi a vez do Heracles repetir o que já fizera na semana passada: sair brilhantemente de uma situação adversa para reagir. Começou aos 79', com o primeiro gol: escanteio cobrado, e Robin Pröpper desviou de cabeça para Armenteros completar chutando. A pressão dos mandantes aumentou, e afinal veio o gol do empate, aos 87'. Não houve desvio algum para o autor ser o mesmo: Brahim Darri avançou, cruzou, e Armenteros mandou novamente de cabeça para finalizar seu 11º gol na temporada (com o que igualou sua marca no Willem II, há duas temporadas). Novamente, o Heracles saiu de campo de cabeça erguida. Ao contrário do Roda JC: o que poderia ser a terceira vitória na temporada virou o décimo empate. Assim fica difícil deixar as últimas posições.

O Groningen prometia ser adversário duro. Mas Toornstra e Berghuis trabalharam e... mais uma vitória do Feyenoord (Pro Shots)
Feyenoord 2x0 Groningen (sábado, 11 de fevereiro)

"Precisamos de três meio-campistas de origem". Assim Giovanni van Bronckhorst explicou à FOX Sports holandesa, antes do jogo, por que deixara Dirk Kuyt no banco, fazendo Jens Toornstra começar ao lado de Tonny Vilhena e Karim El Ahmadi no meio-campo. De fato, a escolha se mostraria necessária. Tão logo Dennis Higler apitou o começo do jogo, o Groningen se postou numa feroz retranca: um 5-4-1 muito compactado, com defesa e meio-campo próximos. Só mesmo o toque de bola incessante do Feyenoord poderia furar a barreira.

Nos visitantes do norte, só mesmo Mimoun Mahi estava liberado para atacar. Foi o que ele começou a fazer, aos quatro minutos, chutando para fora. Depois, aos 8', teve ajuda: após dominar bola vinda de lateral cobrado, Bryan Linssen deixou a bola em boas condições para Mahi bater, pela direita, forçando Brad Jones a defender. Ao mesmo tempo em que se fechava, o Groningen mostrava capacidades para aproveitar os contragolpes. Além de paciência, o Feyenoord precisaria ter esse cuidado.

Teve os dois. E não demorou para que o Stadionclub criasse as chances em De Kuip, aproveitando os confiáveis pontas. Primeiro, Eljero Elia, pela esquerda: aos 9', ele cruzou, mas mandou a bola direto para as mãos do arqueiro Sergio Padt. E aos 16', Elia progrediu de novo pela canhota, cruzou para a área, e Nicolai Jorgensen escorou pela linha de fundo. Ainda assim, o Groningen seguia assustando: aos 25', Yoëll van Nieff avançou pela direita até a linha de fundo, cruzou, e Jones defendeu, tirando da área antes que um problema maior ocorresse.

A partir de então, começou a aparecer um dos grandes destaques do jogo: Steven Berghuis, que apareceu em duas ótimas chances. Aos 28', perto da área, Jens Toornstra deixou a bola com o ponta-direita, que bateu perto da trave direita de Padt. No minuto seguinte, Elia passou a Vilhena, e o meio-campista cruzou rasteiro na grande área para Berghuis bater de primeira, por cima do gol, em outra boa oportunidade. Depois, aos 31', Berghuis chegou à pequena área para arrematar, mas Samir Memisevic cortou na hora exata. No escanteio subsequente, a defesa tirou da área, mas a sobra ficou com El Ahmadi, que bateu para boa defesa de Padt.

Só que continuavam os contragolpes perigosos do Groningen. E um deles quase calou a torcida, aos 35'. Mahi carregou a bola pela esquerda, chegou à linha de fundo, e mandou rente ao chão para a área. Livre, pelo meio, chegou Ruben Yttegaard Jenssen. Mas o desvio do meio-campista norueguês foi torto, mandando a bola pela linha de fundo,  numa daquelas chances que não podem ser perdidas. Até porque, aos 38', o Feyenoord aproveitou a chance dele. Novamente, Berghuis fez jogada pela linha de fundo. O camisa 19 carregou a bola, colocou-a por baixo das pernas de Van Nieff, e cruzou rasteiro na área. Toornstra entrou livre para escorar, no canto direito de Padt, e fazer 1 a 0.

Toornstra sai para comemorar o primeiro gol: um Feyenoord incontrolável, mesmo diante de um time fechado (Maurice van Steen/VI Images)

A partir dali, estava definido. Tranquilizado pelo gol, e com posse de bola massiva (chegou a 70%), o Feyenoord dominaria de maneira ainda mais categórica. Teve uma boa chance aos 44': quando Toornstra cobrou escanteio, Eric Botteghin e Jorgensen chegaram juntos para o cabeceio, mas nenhum deles chegou com força à bola; ela saiu pela linha de fundo. Já no segundo tempo, aos 51', Berghuis cruzou de novo, agora pelo alto. Mas nem Jorgensen, nem Elia conseguiram alcançar. E ficava nisso: os Rotterdammers sempre circundando a área, o Groningen cerrado em seu 5-4-1, prensado na defesa.

Ainda assim, a resistência dos Groningers já havia sido furada. E ruiria definitivamente aos 66', com o segundo gol do Feyenoord, surgido da dupla que se destacou na partida. Berghuis alçou a bola para a área em cobrança de falta, a defesa rebateu, mas a sobra ficou na área, com Jan-Arie van der Heijden. E com um inesperado e incrível toque de calcanhar, o zagueiro deixou Toornstra livre para concluir com um chute alto, fazendo 2 a 0. Berghuis fazia mais uma boa atuação; e Toornstra justificava plenamente a aposta de Van Bronckhorst em deixar o capitão Kuyt no banco. O terceiro gol quase veio aos 68', em rápido contra-ataque (após suposto pênalti não marcado em Alexander Sorloth, do Groningen): Toornstra saiu com a bola pela direita. Cruzou, e pegou Berghuis vindo pelo meio. O atacante bateu forte, no canto direito, mas Padt espalmou pela linha de fundo.

Aos 71', mais uma oportunidade: Jorgensen dominou no meio da área, e deixou a Toornstra. Deste, a bola foi para Rick Karsdorp, que bateu para boa defesa de Padt. E se havia ainda algum perigo de surpresa do Groningen, ele acabou de vez na expulsão do volante Juninho Bacuna, aos 75', após carrinho no tornozelo de Terence Kongolo. E o Feyenoord pôde seguir tranquilo rumo à quinta vitória seguida no returno. À quinta vitória seguida sem gols sofridos. E à oitava vitória seguida, somando-se os resultados do primeiro turno. Segue em alta o otimismo de um time que parece determinado e incontrolável. Bem disse a manchete do site do diário Algemeen Dagblad para o relato do jogo: quem quiser superar este Feyenoord atual, terá de estar num dia ainda melhor.

Sam Hendriks foi para a galera. E mereceu, com os dois gols da vitória (ANP/Pro Shots)

Go Ahead Eagles 3x1 ADO Den Haag (sábado, 11 de fevereiro)

Encontraram-se no estádio Adelaarshorst duas equipes que, além de penarem com a ameaça do rebaixamento, ajudaram-se mutuamente na última janela de transferências, com uma troca (o atacante Randy Wolters foi para o time de Haia, enquanto o ponta-de-lança Ludcinio Marengo tomou o caminho do Kowet). Porém, o ADO Den Haag parece estar numa fase em que tudo dá errado - e o capítulo mais recente da via-crúcis foi a demissão do técnico Zeljko Petrovic, na quarta-feira passada. Até pelo pouco tempo que o sucessor Alfons Groenendijk teve para dar sua cara ao Den Haag, o Go Ahead Eagles foi francamente superior em todo o jogo.

Os mandantes aurirrubros chegaram ao ataque já aos nove minutos da primeira etapa, quando Jarchinio Antonia deixou Sam Hendriks em boas condições para o chute, mas o atacante bateu por cima, perdendo a primeira oportunidade do jogo. Os visitantes tentaram algo aos 18': em ataque pela direita, a bola foi mandada para a área. Guyon Fernandez dominou e quase colocou o ADO Den Haag na frente, mas perdeu a posse de bola na hora do chute. Depois, o GAE voltou a avançar: aos 29', em cruzamento para a área, Sander Duits veio desde o meio-campo, cabeceando de "peixinho" para defesa do arqueiro Ernestas Setkus. Todavia, aos 38', não houve jeito de evitar o 1 a 0: em nova bola alçada na área, por Antonia, Setkus rebateu, a bola ricocheteou no joelho de Sam Hendriks e foi direto para as redes, colocando o Kowet na frente.

Já dominante, o time da casa deslanchou com a vantagem no placar. Diante de um adversário entregue, o Go Ahead Eagles fez o segundo aos 57'. Após lançamento justamente do emprestado Marengo, Hendriks dominou na área, passou como quis pela dupla de zaga dos visitantes e tocou na saída de Setkus para marcar pela segunda vez no jogo. Já era dificílima a situação do Den Haag, e ficou pior aos 72': Hendriks chegou livre à grande área, foi derrubado por Setkus, e o goleiro lituano levou o cartão vermelho do juiz Ed Janssen. Como o clube de Haia já fizera as três alterações, um jogador de linha precisou ir para o gol, e até nisso houve problemas: o lateral Wilfried Kanon já vestia luvas e a camisa de Setkus, quando Groenendijk pediu que o volante Dion Malone o fizesse.

Malone teve de quebrar galho no gol; símbolo de dia difícil para o ADO Den Haag (ANP/Pro Shots)

Pelo menos, houve gol de honra, aos 84'. Em jogada aérea, Tom Beugelsdijk foi agarrado por Rochdi Achenteh, e o juiz marcou pênalti - que Abdenasser El Khayati converteu sem problemas. Mas para não deixar dúvidas de qual equipe foi superior, o Go Ahead Eagles fez 3 a 1 aos 90', em chute de fora da área arriscado por Marcel Ritzmaier, que confirmou um feito: desde outubro o GAE não tinha duas vitórias em sequência. O triunfo deste sábado é mais um ponto na derrocada do ADO Den Haag - agora, último colocado da Eredivisie.

Vitesse 0x1 Willem II (sábado, 11 de fevereiro)

Se o Zwolle venceu em casa após longa sequência sem o fazer, o Vitesse vivia o oposto: desde outubro, a equipe só tivera uma derrota no GelreDome, em Arnhem (e ainda assim, a derrota foi para o líder Feyenoord). E pelo caminhar do jogo, o Vites tinha boas chances de manter a sequência, sob o teto fechado do estádio (nevou muito na Holanda, neste fim de semana). Mesmo num primeiro tempo relativamente calmo, as maiores chances foram dos mandantes aurinegros. Aos 31', Adnane Tighadouini escorou cruzamento de Kevin Diks no travessão; aos 42', uma bola alta de Guram Kashia encobriu o goleiro dos visitantes, Kostas Lamprou, e só a intervenção do zagueiro Jordens Peters em cima da linha evitou o gol dos Arnhemmers.

A pressão do Vitesse continuou na etapa final. De novo, um zagueiro do Willem II precisou tirar a bola em cima da linha: foi aos 51', quando Lewis Baker chutou, a bola passou de Lamprou, mas Darryl Lachman salvou-a antes que entrasse. Somente aos 68' os visitantes de Tilburg tiveram uma chance, num arremate de Pele van Anholt, para fora. Depois, o Vitesse ainda chegou num arremate de Nathan, aos 73', na rede pelo lado de fora. Finalmente, quando parecia que o empate sem gols ficaria no placar final, o Willem II surpreendeu. Aos 84', em bola na área, o meia-esquerda Dico Koppers chegou a reclamar que Kashia havia tocado com a mão dela, mas seguiu na jogada e foi premiado: dominou a bola e bateu forte e colocado, no canto oposto do goleiro Eloy Room, fazendo 1 a 0. Só restou ao Vitesse ir para o ataque desesperadamente. Espaço aberto para o contragolpe, os Tilburgers aproveitaram nos acréscimos: aos 90' + 4, Obbi Oularé teve campo livre para correr com a bola e fazer o 2 a 0 que levou os Tricolores à 11ª posição na tabela.

O Excelsior de Koolwijk e o Twente de Enes Ünal fizeram jogo agradável (ANP/Pro Shots)

Excelsior 1x1 Twente (domingo, 12 de fevereiro)

Jogando com um uniforme diferente (camisa verde, com o logotipo de uma campanha de pesquisas contra o câncer de pâncreas), o Excelsior também se mostrou diferente em campo: impôs respeito desde o começo, contra o Twente. Tanto que aos 14', criou boa chance: Nigel Hasselbaink balançou as redes após cobrança de falta, mas o gol foi anulado, por impedimento. Sem problemas: no minuto seguinte: Khalid Karami cruzou da direita, e Hasselbaink cabeceou livre para as redes - agora, para valer o 1 a 0 dos mandantes. Aos 17', Karami ainda perdeu a chance do segundo gol. Ao Twente, restava esperar e resistir à pressão dos mandantes.

A pressão passou, e os Tukkers puderam avançar. Da primeira, aos 33', após escanteio, a bola sobrou com Yaw Yeboah, que bateu para fora. E da segunda, aos 35', já veio o 1 a 1 dos visitantes de Enschede: Yeboah cruzou na área, Fredrik Jensen dominou na pequena área e concluiu à queima-roupa para empatar. Aí, o cenário se inverteu no estádio Woudestein, em Roterdã: o Twente é que teve mais chances. A virada quase veio logo aos 37': Enes Ünal dominou a bola, e chutou rente à trave, para fora, perto do gol.

No segundo tempo, o que se viu foi constante equilíbrio, com chances para os dois lados. No começo, o Excelsior voltou a rondar a defesa adversária. Aos 50', em contra-ataque veloz, Stanley Elbers cruzou, e Hasselbaink completou perto do gol; quatro minutos depois, após falha da defesa do Twente, Terell Ondaan ficou com a posse da bola, mas chutou para fora. Então, o Twente voltou a crescer, não só com as entradas de Enis Bunjaki e Chinedu Ede, no ataque, mas também com oportunidades como o chute de Jensen, que rendeu boa defesa de Warner Hahn, aos 60'. Os anfitriões ainda responderam aos 81', quando Mike van Duinen arriscou chute de longe e exigiu boa defesa de Nick Marsman, que voou no ângulo para espalmar. E o placar ficou mesmo num empate, que poderia ter sido até maior - e que foi lamentado pelo Twente, que poderia ter se aproximado da parte de cima da tabela, e comemorado pelo Excelsior, que respirou em relação às últimas posições na rodada.

Ajax dominava, mas nada de gols. Até Traoré chamar a responsabilidade (Maurice van Steen/VI Images)

Ajax 2x0 Sparta Rotterdam (domingo, 12 de fevereiro)

O dia era propício para que os Amsterdammers mostrassem o estilo ofensivo que caracterizava o homenageado e pranteado do dia: o antológico ex-atacante Piet Keizer, falecido no sábado e lembrado com tarja preta na camisa, minuto de silêncio e discurso do diretor geral Edwin van der Sar, antes do jogo. E o time bem que tentou avançar. Já aos 6', após tabelar com Kasper Dolberg, Lasse Schöne passou a Bertrand Traoré (de volta após jogar a Copa Africana de Nações). O burquinês cruzou, mas Sherel Floranus prensou a bola, mandando-a pela linha de fundo. Já no minuto seguinte, a primeira grande chance dos Ajacieden para abrir o placar: Hakim Ziyech cruzou da direita, e Nick Viergever entrou livre pelo meio da área. Porém, o desvio do zagueiro saiu por cima do gol.

Estava tão fácil que o Ajax dominava o jogo sem acelerar o ataque, avançando lentamente. Aos 10', após outra tabela, Davy Klaassen saiu com a bola dominada e chegou livre à área, mas o toque providencial de Denzel Dumfries tirou a bola do domínio do camisa 10 Ajacied. Klaassen voltou a aparecer aos 17': Traoré deixou a bola com Joël Veltman, o lateral direito cruzou, e o capitão dos Amsterdammers tentou o domínio, mas a bola saiu pela linha de fundo. Aos 20', Ziyech trouxe mais perigo: um chute de fora da área, que passou rente ao gol. O Sparta só ousou aos 22': um passe em profundidade alcançou Zakaria El Azzouzi livre. O atacante (emprestado aos Spartanen pelo próprio Ajax) entrou na grande área, mas na hora da finalização, André Onana saiu bem do gol e fechou o ângulo do atacante com o peito.

O domínio era mantido, mas o Ajax jogava lentamente. Tanto que só voltou a ter chances aos 26', quando Klaassen tentou mais um chute - e mais uma vez, foi bloqueado. Depois, só aos 36', numa velha arma: após falta cometida por Michel Breuer sobre Dolberg, Schöne partiu para a cobrança. E o dinamarquês novamente mandou chute venenoso, forçando o goleiro Roy Kortsmit a espalmar, dando rebote. Porém, quando a facilidade fazia crer que o primeiro tempo terminaria num 0 a 0 letárgico, Traoré arriscou e conseguiu um golaço, no minuto final. Em córner cobrado que passou por cima da área, Dolberg dominou a sobra pela direita, e deixou a esférica com o camisa 9, que decidiu sozinho: fez jogada individual, driblando Mart Dijkstra e Rick van Drongelen, até achar um espaço pequeno. Dali, Traoré bateu. E mandou a bola no contrapé esquerdo de Kortsmit, que ficou sem ação para evitar o 1 a 0 Ajacied.

O intervalo veio, mas o Ajax deu a impressão de que não havia parado. Afinal, bastaram quatro minutos do segundo tempo para ampliar a vantagem. Amin Younes deixou a bola com Ziyech, e o camisa 22 organizou tudo: pela esquerda, deu uma meia-lua em Breuer, cruzou rasteiro, e Dolberg apareceu livre na primeira trave para escorar e fazer 2 a 0. O Ajax "alugava o meio-campo"; o Sparta não conseguia respirar. A facilidade era tamanha que dava margem até para lances desnecessários, como a gracinha inútil que Joël Veltman fez pela lateral direita, aos 52'.

Ajax ficou no 2 a 0 marcado por Dolberg. Poderia ter ido além, mas faltou velocidade (ANP/Pro Shots)
Para o Ajax, era melhor continuar criando chances. Isso foi acontecendo ao longo da etapa complementar. Aos 58', Younes cruzou rasteiro da esquerda, e Klaassen apareceu bem para o chute, mas não conseguiu dominar. No minuto seguinte, Traoré recebeu a bola na área, pela direita, e arrematou na trave esquerda de Kortsmit. Aos 60', houve cobrança de falta de Ziyech, rebatida por Kortsmit. Na sequência, Dolberg dominou e tocou para o meio da pequena área, mas não havia nenhum Ajacied ali para colocar a bola no gol. O Sparta só despertou num fortuito contragolpe aos 76', em que Dumfries chutou para Onana defender. Aí, continuou o recital Ajacied: aos 86', Viergever cabeceou em escanteio, e Breuer tirou a bola em cima da linha. Aos 90', o novato Frenkie de Jong arrematou para a defesa de Kortsmit. Na sequência, aos 90' + 1, talvez a maior chance do terceiro gol: Younes veio pela esquerda, passou entre dois marcadores, mas seu toque saiu caprichosamente para fora, rente à trave.

Os extravagantes 77% de posse de bola (estatísticas oficiais da Eredivisie) deixam claro como o Ajax dominou o jogo. O que não quer dizer que a equipe foi brilhante; jogou até com mais preguiça do que em outras partidas. E Peter Bosz criticou isso indiretamente, na entrevista coletiva após o jogo: "Precisávamos ter avançado em busca do terceiro, do quarto, do quinto gol". A torcida não reclamará, contudo, se tal volúpia ofensiva tiver sido guardada para a próxima quinta, no jogo de ida da segunda fase da Liga Europa, contra o Legia Varsóvia.

Eficiência do AZ nos contra-ataques definiu vitória contra Heerenveen (ANP/Pro Shots0

Heerenveen 1x2 AZ (domingo, 12 de fevereiro)

Mesmo tendo sido derrotado pelo Utrecht na rodada passada, o Heerenveen teria outra boa chance de se agigantar na disputa pelo posto de "melhor do resto" no Campeonato Holandês - quando nada, porque o time da Frísia não vencia havia quatro rodadas. Bastou o jogo começar no Abe Lenstra para pressão começar. Já aos sete minutos, Arber Zeneli chutou pela primeira vez, para defesa de Tim Krul. Mais dois minutos, e Zeneli apareceu de novo: fez o cruzamento, Martin Odegaard finalizou, e Krul novamente agarrou.

Mas se o Heerenveen ia mais ao ataque, o AZ foi mais eficiente. No primeiro avanço dos Alkmaarders, bola na rede. Aos 17', Alireza Jahanbakhsh fez jogada pela direita, cruzou para a área, e Wout Weghorst completou. O goleiro Erwin Mulder defendeu, mas cedeu o rebote, e aí Muamer Tankovic estava atento: o atacante sueco ficou com a sobra e completou para o 1 a 0. Sofrer o gol quando era melhor foi duro golpe para o Fean, que só voltou a carga aos 36'. Zeneli deixou a bola com Luciano Slagveer. Da esquerda, o ponta cruzou para a área, onde chegou Morten Thorsby. E o meio-campista norueguês quase empatou, escorando a bola na trave defendida por Tim Krul. Zeneli participou de novo aos 40': lançou a bola em profundidade, tentando alcançar Slagveer, mas Krul se antecipou ao lançamento e tirou da área com um chutão

No início do segundo tempo, as duas equipes trocaram chances, empolgando a partida. Aos 49', Mulder cobrou errado o tiro de meta, e Alireza dominou a bola livre. O iraniano chutou, mas a defesa do Heerenveen já estava organizada, e bloqueou a finalização. Os anfitriões responderam aos 52': Odegaard e Zeneli tabelaram, e o kosovar deixou a pelota com Stefano Marzo. Porém, o lateral direito cruzou fraco para a área, e a defesa ficou fácil para Krul. Aí, novamente, foi a vez dos visitantes de Alkmaar imporem sua eficiência: aos 57', veio o 2 a 0. Em bola vinda de escanteio, o zagueiro Jerry St. Juste rebateu, e Iliass Bel Hassani bateu forte para o segundo gol.

A desvantagem grande prejudicou o Heerenveen. Só houve nova chegada aos 63', num chute de longe, de Reza Ghoochannejhad, para fora. Todavia, se ânimo era necessário, a injeção desejada veio aos 79', com o gol perseguido havia tantos minutos: Pelle van Amersfoort passou a bola a Reza "Gucci", e o iraniano driblou o zagueiro Pantelis Hatzidiakos para bater forte e diminuir a vantagem do AZ no jogo. O abafa foi inevitável e frenético - com Henk Veerman, vindo do banco, tendo a maior chance aos 88', dominando livre na área e batendo para fora. Todavia, aos 90' + 5, o segundo cartão amarelo e a expulsão de St. Juste (carrinho em Mattias Johansson) decretaram a vitória difícil e saborosa do AZ, aumentando o otimismo para o difícil jogo contra o Lyon, pela Liga Europa.

PSV sofreu no primeiro tempo. Mas Bergwijn entrou, acelerou o jogo, e Luuk de Jong (foto) abriu o caminho da vitória (Pro Shots)

PSV 3x0 Utrecht (domingo, 12 de fevereiro)

Tentando fazer com que a equipe tivesse atuações mais convincentes, Phillip Cocu mudou novamente o PSV. Na zaga, Nicolas Isimat-Mirin formou novamente a dupla titular com Héctor Moreno; no ataque, a mudança era no banco - lesionado, Siem de Jong ficou de fora, abrindo espaço para três atacantes da base do time de Eindhoven (o conhecido Sam Lammers, mais dois estreantes, Dante Rigo e Matthias Verreth). Ainda assim, de nada adiantou. Mesmo jogando no Philips Stadion, os Boeren voltaram a exibir lentidão e previsibilidade no ataque. E a defesa deixava certos espaços, pouco recomendáveis para um time talentoso tecnicamente como o Utrecht. Que poderia ter aproveitado isso aos 21'. Aliás, deveria: num passe em profundidade, a bola passou pela zaga e encontrou Nacer Barazite, que chutou na saída de Jeroen Zoet, marcando o gol. Este foi anulado pelo juiz Dennis Higler; incorretamente, já que Joshua Brenet e Jetro Willems, os dois laterais, davam condição de jogo a Barazite.

Escapando com sorte da desvantagem, o PSV criava esparsas chances. No minuto seguinte ao gol anulado do Utrecht, Luuk de Jong aproveitou sobra da defesa dos Utregs, e cruzou para o cabeceio de Marco van Ginkel, para fora. Depois, aos 36', Van Ginkel apareceu de novo: lançamento rasteiro em profundidade de Andrés Guardado deixaria o camisa 28 em condições perfeitas para finalizar na grande área, mas o goleiro David Jensen saiu do gol com antecipação e cortou a bola antes mesmo que o meio-campista do PSV tentasse chutar.

A morosidade dos mandantes resultou num 0 a 0 temeroso, que pedia por mudanças na etapa complementar. Uma delas veio tão logo o time voltou da pausa: em dia apagado, Gastón Pereiro deu lugar a Steven Bergwijn. E bastaram quatro minutos para o jovem acelerar o jogo pela ponta direita e criar uma ótima chance. Bergwijn recebeu a bola de Brenet, e cruzou. Luuk de Jong cabeceou, e Jensen fez grande defesa, no reflexo, espalmando por cima do gol.

Não demorou muito, e mais ativo, o PSV conseguiu o gol que lhe tranquilizou: aos 52', em escanteio, e Luuk de Jong subiu, cabeceando alto. A bola descaiu lentamente, encobrindo Jensen e indo para a rede. Enfim velozes, os Eindhovenaren se impuseram a tal ponto que o segundo gol veio em três minutos: em rápido contragolpe, Van Ginkel passou a Luuk de Jong. O capitão dos Boeren correu pela esquerda, cruzou rasteiro, e Bergwijn já entrava pelo meio da área para completar de primeira, fazendo 2 a 0.

Bergwijn (na frente da fila) mereceu os abraços; entrou e mudou o jogo (Jeroen Putmans/VI Images)

Com Bergwijn em ótimo dia, enfim as chances começaram a se avolumar para os donos da casa. Principalmente em chutes cruzados na grande área - como o do próprio Bergwijn, aos 59', ou de Jetro Willems, aos 74', ambos para fora. Relativamente abatido com os gols sofridos em sequência (e o tento injustamente invalidado da etapa inicial), o Utrecht só apareceu aos 67', num chute para fora do lateral direito Giovanni Troupée, e aos 70', numa cobrança de falta que Barazite também mandou pela linha de fundo. Aos 68', de fora da área, Davy Pröpper ainda mandou a bola no travessão. Por fim, aos 90' + 3, quando a vitória PSV'er já era uma realidade, ela ganhou o 3 a 0 até exagerado no placar: Willems cruzou da esquerda, Troupée afastou parcialmente, mas Van Ginkel dominou na entrada da área, e bateu seco. Novamente, o PSV não brilhou. Mas abiscoitou os três pontos e fez o que lhe tem sido possível: manter as esperanças remotas do tri, contra os outros dois grandes que também não perdem pontos.


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

De novo, brincando com a sorte

Aposta arriscada do Roda JC: a união do acionista Korotaev e a novidade Anelka como conselheiro técnico (Marcel van Hoorn/ANP)

“Anelka é do Roda”. Calma, Alexandre Kalil não se mudou para Kerkrade, a cidade do mencionado clube holandês (até porque Kalil tem muito a fazer, prefeito belorizontino que se tornou). No entanto, a frase inicial é verdade: o Roda JC é o mais novo empregador do ex-atacante francês, de 37 anos. E é possível dizer que sua chegada, para ser um conselheiro técnico, simboliza que novamente o clube irá apelar para uma situação conhecida nas duas últimas temporadas do Campeonato Holandês: na dificuldade, arrisca-se. Seriamente ameaçado pelo rebaixamento de novo, o Roda contratou nada menos que nove jogadores nesta janela de transferências recém-encerrada. 

Até justificável: o clube seguiu exatamente essa receita em 2015/16. Chegou ao final do turno em 15º lugar, a primeira posição fora da zona de repescagem/queda. Aproveitou a pausa do inverno europeu para contratar oito jogadores (quatro por empréstimo, quatro em definitivo). Alguns deles emplacaram: principalmente no meio-campo, com o cazaque Georgi Zhukov, o turco Ugur Inceman e o espanhol Marcos Gullón. E ainda vale a pena mencionar alguns que estavam nos Koempels desde o começo da temporada, como o atacante Maecky Ngombo. Alguns bons resultados vieram, principalmente na parte final da temporada (como o 2 a 1 no NEC, na penúltima rodada, com golaço do meia Tom van Hyfte). E o Roda conseguiu se salvar.

Salvou-se evitando, por sinal, o retorno à segunda divisão que frequentara em 2014/15 – e da qual só saiu nos play-offs, superando o NAC Breda. E se caiu, foi apenas e tão somente por terminar na última colocação em 2013/14 – e já estivera nos play-offs contra a queda, ao terminar em 16º na temporada anterior. Sem contar a persistente ameaça de falência. Ameaça que quase virou fato em meados de 2015, não fosse Frits Schrouff, empresário de Kerkrade e torcedor fanático do “Orgulho do Sul”, que decidiu virar acionista majoritário, comprando 99,8 por cento das ações do clube. O dinheiro que Schrouff investiu permitiu aquela compra “de baciada” na pausa da temporada 2015/16, que deu certo e impediu novo rebaixamento.

Eis que a temporada atual mostra situação semelhante. Em uma disputa altamente equilibrada contra o rebaixamento, o Roda JC terminou o primeiro turno da Eredivisie atual na penúltima posição, apenas um ponto acima do lanterna Go Ahead Eagles. Pior: ficou nove rodadas sem vencer. Pior ainda: entre a 14ª e a 18ª rodada, sequer marcou gols. Para aprofundar ainda mais a crise: a primeira vitória em casa na temporada veio somente há duas rodadas (4 a 0 sobre o Excelsior).

Foi aí que surgiu um novo “salvador da pátria”, como Frits Schrouff já fora. Aliás, o Roda JC já está acostumado a ter alguém com tal papel em sua história, desde os tempos do mecenas Nol Hendriks, conselheiro do clube e diretor técnico entre 1981 e 2006, que não só investia, mas também chegava até a ser “olheiro” do clube (e teve certo êxito – basta lembrar que o Roda foi vice-campeão holandês, em 1994/95). 

Neste janeiro de 2017, o “salvador” surgiu na figura de um empresário suíço de ascendência russa, morador de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos: Aleksei Korotaev. Negociando desde outubro para tornar-se acionista minoritário do clube de Kerkrade, Korotaev afinal foi anunciado, em 24 de janeiro. E a história de sua aproximação com o clube aurinegro é daquelas bizarras, esquisitas, tragicômicas. Empresário em sua cidade adotiva, o suíço desejava investir em futebol havia muito tempo. Aí, o “cupido chegou”, na forma de Stijn Janssen, advogado de 44 anos. Outro torcedor fanático do Roda JC, Janssen foi trabalhar justamente em Dubai, após o escritório para o qual trabalha ter aberto uma filial na cidade emiratense.

Lá, trabalhando e acompanhando o Roda JC de longe, Janssen encontrou Korotaev. E o resto, ele contou à revista Voetbal International: “O assunto das nossas conversas era sempre futebol. Falávamos das últimas notícias de transferências, analisávamos jogos a que havíamos assistido. Aleksei é um amante intenso de esportes. Quando jovem, até atuou na base do Servette [clube suíço], mas uma lesão interrompeu seu sonho”. Juntas a fome de Janssen em fazer o clube do coração melhorar com a vontade de comer (e investir em futebol) de Korotaev, bastou o empresário suíço apresentar-se ao conselho e à direção em Kerkrade para ser aceito no ato.

Obviamente, os olhares de esguelha e desconfiança para chegada tão repentina foram gigantescos. O próprio diretor geral do Roda, Wim Collard, reconheceu isso: “É lógico que compreendemos [o ceticismo]”. Porém, em tempos nos quais um clube da Eredivisie sofre cada vez mais com as rusgas entre conselheiros e o mecenas (o ADO Den Haag, já comentado aqui – e agora, aliás, na zona de repescagem/rebaixamento), Collard se apressou em tentar tranquilizar a torcida sobre o temor de Korotaev ser um “para-quedista”: “Acreditem que estamos muito alertas, com os acontecimentos anteriores no futebol. Fizemos nossa lição de casa. (...). As pessoas ligadas ao Roda JC, e a imprensa, podem ter certeza que não definimos isso em uma noite”.

Chegando no final de janeiro, houve tempo para um pequeno aporte financeiro do novo acionista, que permitiu negociações frenéticas, e a chegada às pressas de nove jogadores antes do final da janela. Um deles, o atacante grego Athanasios Papazoglou, chegou para já ser titular absoluto. Outros dois atacantes, Gyliano van Velzen e Simeon Raykov, entraram na rodada passada. Chegaram a Kerkrade ainda o atacante Beni Badibanga; os meio-campistas Stefan Savic, Ognjen Gnjatic e Mohamed El Makrini; e o zagueiro Bryan Verboom - mais o novato Lyes Houri, que foi para a categoria de base.

Todavia, a apresentação que interessava era mesmo a de Aleksei Korotaev. Ocorrida na semana passada, trouxe um cidadão que repetiu clássicos discursos de mecenas, em vários lugares do mundo, em vários momentos: “É um sonho que se torna realidade. Espero ficar ligado a este clube por 50 anos. Em cinco anos, quero ver o Roda jogando a Liga dos Campeões”. Não bastasse isso, havia ainda a surpreendente contratação de Anelka como conselheiro técnico – o francês foi vizinho de Korotaev em Dubai. E o francês também foi rápido para tentar dirimir as desconfianças sobre sua capacidade para o cargo: “Eu acho que posso reconhecer um jogador talentoso. Joguei muito tempo, em vários lugares. Vi muitos jogadores talentosos. Já fiz esse serviço em Xangai, Mumbai e na Argélia”. Korotaev ainda falou sobre o jogo que ocorreria domingo passado: “O Roda vai ganhar do Ajax por 2 a 1”. 

Não deu – embora os Koempels tenham até vendido caro a vitória, no final os visitantes de Amsterdã conseguiram um 2 a 0 que lhes manteve na vice-liderança do Campeonato Holandês. E o Roda JC segue na penúltima colocação do campeonato. É esperar para ver se a brincadeira com a sorte vai, de novo, render a salvação. E, principalmente, se Korotaev será uma fada madrinha fiel ou um príncipe que abandona a gata borralheira.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 10 de fevereiro de 2017)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

810 minuten: como foi a 21ª rodada da Eredivisie

A imagem descreve bem o que foi o jogo: Vitesse (Baker, no centro) tranquilo, ADO Den Haag preocupado (ANP/Pro Shots)

ADO Den Haag 0x2 Vitesse (sexta-feira, 3 de fevereiro)

Vindo de três derrotas seguidas, o ADO Den Haag começou a 21ª rodada do Campeonato Holandês já apostando em três reforços vindos na janela de transferências recém-fechada: Randy Wolters (vindo do Go Ahead Eagles, por empréstimo) e Guyon Fernandez formaram o ataque ao lado de Ruben Schaken, até pela lesão de Gervane Kastaneer e pela gripe que vitimou Mike Havenaar. No meio-campo da equipe de Haia, o volante Abdenasser El Khayati também já virou titular imediato. Aos 10' e aos 15', em dois cabeceios, Fernandez quase brilhou em sua reestreia na Eredivisie. Mas o primeiro saiu pela linha de fundo, e o segundo foi para as mãos do goleiro Eloy Room. Pior para os donos da casa.

Porque na primeiríssima chance que teve, aos 29', o Vitesse já pespegou o 1 a 0 no placar: Milot Rashica passou a Ricky van Wolfswinkel, e o atacante ajeitou para Adnane Tighadouini bater para as redes. Mais dois minutos, e veio o segundo gol, muito polêmico: Rashica lançou em profundidade, e Van Wolfswinkel, em impedimento claro, deixou a bola passar para Kelvin Leerdam. O lateral direito cruzou, e Van Wolfswinkel, agora em condição, completou para o gol vazio. Com o tento validado (afinal, o autor do gol não participara ativamente da primeira jogada), a ira dos jogadores do Den Haag foi gigante - à FOX Sports, o zagueiro Tom Beugelsdijk disse que a regra era "escandalosa". Impactado, o time da casa não fez muito para tentar reagir no segundo tempo. E amargou o terceiro revés seguido, que pode lhe colocar na zona de repescagem/rebaixamento. E o Vitesse segue à espreita de Heerenveen e AZ.

Nos contra-ataques rápidos, o Go Ahead Eagles superou o NEC (Erik Pasman/ga-eagles.nl)

NEC 1x2 Go Ahead Eagles (sábado, 4 de fevereiro)

Sem rodeios: o NEC era o favorito. E não apenas porque o Go Ahead Eagles tratava-se do último colocado do campeonato, mas também porque os visitantes de Deventer não venciam havia oito rodadas, nem haviam conquistado qualquer triunfo fora de casa nesta temporada do Holandês. Todavia, valia a pena lembrar que os aurirrubros foram os únicos a vencerem o líder Feyenoord (1 a 0). E novamente, o GAE surpreendeu. Por obra e graça de Elvis Manu: já aos 12', o atacante recém-chegado ao clube fez 1 a 0 para os visitantes, completando passe em profundidade de Daniel Crowley, num rápido contra-ataque. Os mandantes de Nijmegen continuaram atacando mais (aos 23', quase veio o empate, num bate-rebate na área), mas outro contragolpe deu o 2 a 0 ao Go Ahead Eagles: o espanhol Pedro Chirivella cruzou, e Jarchinio Antonia chegou à área para concluir, aos 29'.

Na etapa final, então, o técnico Peter Hyballa fortaleceu o ataque. Já após o intervalo, entraram no time da casa Ali Messaoud, para a ponta-de-lança, e Jordan Larsson, para o ataque. A pressão começou já aos 50': Mohamed Rayhi arriscou o chute, o goleiro Theo Zwarthoed rebateu, e Jay-Roy Grot chutou o rebote por cima. Paralelamente, o Go Ahead Eagles seguia tentando os contra-ataques - quase fez o terceiro gol com Antonia, aos 51', e Sam Hendriks, aos 54'. Mas teve de abdicar do avanço aos 63': Manu chegou na área, foi derrubado por Mikael Dyrestam, mas o juiz Bjorn Kuipers julgou que ele se jogara, e deu-lhe o segundo cartão amarelo - logo, o cartão vermelho. Com um homem a menos, o Kowet ficou fechado na defesa. E conseguiu segurar o NEC longe de sua área. Nos acréscimos, Grot até diminuiu (aos 90' + 3, escorando cruzamento de Dario Dumic. Mas foi tarde para evitar o alívio da segunda vitória da equipe de Deventer na temporada.

Willems recebeu os abraços com justiça: dois belos gols (um deles, até golaço) encaminharam a vitória do PSV (Gerrit van Keulen/VI Images)

AZ 2x4 PSV (sábado, 4 de fevereiro)

Enfim, após seis meses inesperadamente ruins pelo Ajax (estava se recuperando de lesão - e uma vez recuperado, não dava mais para tomar a posição de André Onana), Tim Krul encontrou um novo time para jogar. Devolvido ao Newcastle, foi emprestado imediatamente ao AZ. E que estreia Krul teria: aos 28 anos, no primeiro jogo do goleiro pela Eredivisie na sua carreira - Krul ainda estava na base do ADO Den Haag quando foi para os Magpies -, os Alkmaarders receberiam logo um PSV que ainda tinha algo a provar, num começo discreto de returno.

Numa chuva incessante em Alkmaar, o AZ até começou melhor. Aos 8', o trinitário Levi García até caiu na área, mas o juiz Serdar Gözübüyük deixou seguir o lance (acertadamente, aliás). O PSV demorou para se afirmar no jogo. Mas quando o fez, foi bonito. Começou aos 13': Jetro Willems recebeu de Hector Moreno, e decidiu começar uma jogada pela esquerda. A primeira fez "tchan": um corte seco em Pantelis Hatzidiakos. A segunda fez "tchum": já na grande área, outro corte do lateral, sobre Rens van Eijden. E a terceira, "tchan-tchan-tchan-tchan": o chute forte, no alto, sem chances para Krul, confirmando um golaço de Willems para abrir o placar.

Já impressionava ver uma jogada individual dessas de Willems, que não anda brilhando como em momentos passados. Mais impressionante ainda foi ver outra jogada individual dele parando só na rede adversária, aos 16'. o lateral esquerdo quis tentar repetir o que já fizera, havia dois minutos. Desta vez, recebeu a bola no meio-campo, veio com ela dominada desde a esquerda, cortou para o meio, foi chegando e arrematou da entrada da área. Krul ainda tentou, mas só resvalou na bola, que foi firme para o canto esquerdo e para o 2 a 0 visitante.

Jogo terminado? Nem de longe. Já na saída de bola seguinte, o AZ diminuiu a desvantagem. Aos 17', Alireza Jahanbakhsh dominou a bola pela direita, e superou Willems na corrida. Chegando ao ataque, o iraniano cruzou rasteiro, e o nigeriano Fred Friday bateu de chapa, rasteiro, no canto esquerdo de Jeroen Zoet, que só olhou para o primeiro gol dos Alkmaarders. Estava dado o início para uma pressão maior dos donos da casa. Logo no minuto seguinte ao primeiro gol, Iliass Bel Hassani chutou de fora, mas a finalização saiu fraca, fácil para Zoet agarrar. Aos 26', quase a sorte deu o empate: após cruzamento, Santiago Arias escorregou no gramado molhado. A bola bateu no lateral colombiano e quase encobriu Zoet. Saiu por cima do gol, por pouquíssimo. O goleiro só pôde ficar olhando. Aos 33', o novato Owen Wijndal progrediu pela esquerda com a bola, cruzou para a área, ela atravessou-a e chegou a Alireza, que bateu de primeira, no lado externo da rede.

Só aí o PSV subiu um pouco mais. Aos 38'. Andrés Guardado lançou a bola pelo alto, e Bart Ramselaar entrou pelo meio da área. Tentou completar de primeira para o gol, mas tocou errado, e a pelota saiu pela linha de fundo. E aos 41', uma eficiência que ainda não era vista no time de Eindhoven neste returno rendeu o terceiro gol: em cobrança ensaiada, de novo Guardado mandou para a área. Luuk de Jong escorou para o meio, e Gastón Pereiro ficou com a meta livre à sua frente para completar e fazer 3 a 1.

O que o primeiro tempo teve de animado, o segundo teve de moroso. Recolocado taticamente num 4-1-4-1 sem a bola, o PSV conseguia conter facilmente os ataques do AZ. E ainda tinha espaço para os contragolpes - como aos 56', quando Ramselaar partiu pela esquerda, cruzou para a área, e Pereiro chutou em cima de Van Eijden. Ao time anfitrião, ficavam apenas tentativas esparsas - a mais perigosa, aos 62', quando Derrick Luckassen mandou cobrança de falta para fora. E o que já estava difícil virou tarefa hercúlea aos 71', quando Stijn Wuytens levou o segundo amarelo, após falta em Luuk de Jong, e foi expulso.

Os espaços apareceram para o PSV. No primeiro contragolpe após a expulsão, aos 74', Guardado tabelou com Van Ginkel, recebeu de volta e ficou na cara do gol, mas seu chute foi afastado por Van Eijden. Mas aos 80', veio o quarto tento dos Eindhovenaren. Em outrorápido contra-ataque, Guardado deixou a esférica com Van Ginkel. Pela direita, o camisa 28 andou livre e teve todo o espaço do mundo para cruzar. A Luuk de Jong, restou o trabalho de entrar pelo meio da área e finalizar de carrinho para consumar o quarto gol dos Boeren - e, de certa forma, confirmar a vitória dos visitantes.

Que não correu mais riscos nem mesmo com o segundo gol do AZ, aos 85'. Schwaab falhou ao tentar dominar a bola na direita, e perdeu a posse dela para Friday. O atacante entrou livre na área, e chutou cruzado. Ainda assim, o PSV até forçou Krul a trabalhar, duas vezes (aos 87', em cabeceio de Schwaab, e aos 89', em chute de Guardado). Ficou mesmo no 4 a 2, numa atuação convincente como há muito o PSV não tinha. Só restou a Tim Krul lamentar: "Fiquei feliz por poder voltar a jogar após mais de um ano, sem dores. Mas eu esperava poder ser mais importante e conseguir o resultado".


Heracles ficara com um homem a menos e em maus lençóis. Esforçou-se, foi eficiente nas chances, teve sorte, e conseguiu vitória elogiável fora de casa (ANP/Pro Shots)

Willem II 1x3 Heracles Almelo (sábado, 4 de fevereiro)

Antes mesmo que a partida começasse em Tilburg, o Heracles Almelo já tinha algo a lamentar: Samuel Armenteros, o principal atacante, adoeceu e foi substituído na escalação por Vincent Vermeij. A coisa piorou já com bola rolando, aos 24': o atacante Obbi Oulare, estreando pelos Tilburgers, foi derrubado na área pelo goleiro dos visitantes, o belga Bram Castro. Como último homem, Castro levou o cartão vermelho. E Fran Sol cobrou o pênalti com segurança para cravar o 1 a 0 no placar. Em chutes de fora da área, o Willem II quase ampliou a vantagem (com Thom Haye, aos 29', e Elmo Lieftink, aos 32'). Os visitantes de Almelo só chegaram perto aos 45', quando Brandley Kuwas mandou a bola para a área, e Vermeij cabeceou para boa defesa do goleiro da casa, Kostas Lamprou.

Os Almelöers continuavam sem muita força para tentarem entrar na defesa adversária com a bola rolando. Restava, então, tentar chutes de fora da área em busca de um empate aparentemente longínquo. Só aparentemente. Porque aos 62', Peter van Ooijen tirou a sorte grande: mandou um "bólido" de 25 metros, no ângulo de Lamprou, marcando o gol mais bonito da rodada. O 1 a 1 já animava os Heraclieden. Que veriam a coisa melhor ainda, três minutos depois: Brahim Darri deixou Kristoffer Petterson livre na área, e o sueco vindo do Utrecht só completou para a virada antes dificílima. Teve mais: aos 68', Kuwas cobrou córner, Vermeij desviou de cabeça, e Robin Gosens também mandou de testa para as redes. Uma vitória contra um concorrente direto, que foi superado na tabela (Heracles é agora o 11º, um lugar à frente do Willem II). E pelas circunstâncias, daqueles triunfos que massageiam o ego.

O Excelsior tentou mais, após sair atrás contra o Groningen. E conseguiu o empate, com Hadouir, sempre eficiente contra os Groningers (ANP/Pro Shots)

Groningen 1x1 Excelsior (sábado, 4 de fevereiro)

A rigor, o primeiro tempo da partida em Groningen poderia passar em branco neste relato: quase nada de notável aconteceu em campo. Se o Excelsior teve poucas chances dignas do nome, o time da casa também não fez nada de muito melhor. Para não dizer que nenhum dos times arriscou ofensivamente, é possível lembrar de duas chances do Groningen. Aos 23', Yoëll van Nieff recebeu bola vinda de escanteio e bateu para fora; aos 42', Samir Memisevic arriscou chute de fora da área, e forçou o goleiro Warner Hahn a espalmar a esférica pela linha de fundo.

A coisa já ficou mais animada no segundo tempo. Já no começo, veio o gol: aos 48', em jogada de zagueiros, Milan Massop agarrou Etienne Reijnen na área, o juiz Edwin van de Graaf apontou a marca penal, e Mimoun Mahi (que ficou no Groningen, apesar das ofertas de um clube da segunda divisão inglesa - não revelado) bateu para abrir o placar. Porém, quem avançou mais depois do gol foi o Excelsior. Na primeira boa chance, aos 67', Hicham Faik bateu de longe, e acertou o travessão. Na segunda, aos 80', deu certo: vindo do banco - substituiu o zagueiro Jordy de Wijs -, Anouar Hadouir arriscou também de fora, a bola bateu na trave e entrou para o 1 a 1.  Bryan Linssen e Ruben Yttegaard Jenssen ainda tiveram chances depois, mas deu mesmo o empate. Graças a um jogador sempre aziago para o Groningen: foi o 10º gol que Hadouir marcou contra o time do norte, em sua carreira.

Ajax não brilhou. Mas quando precisou, marcou e assegurou a vitória (Maurice van Steen/VI Images)

Roda JC 0x2 Ajax (domingo, 5 de fevereiro)

Antes do jogo, dava para dizer que as tribunas do Parkstad Limburg Stadion, em Kerkrade, já chamariam mais a atenção do que os times a serem vistos, fizessem o que fizessem. Não bastassem as presenças previsíveis da dupla que comanda o Ajax (Marc Overmars na diretoria de futebol, Edwin van der Sar na diretoria geral), já estavam no estádio os diretores chamados para o Roda JC, após o aporte de dinheiro feito pelo russo Aleksei Korotaev - inclua-se aí um tal de Nicolas Anelka, integrante da diretoria dos Koempels, como conselheiro técnico. Aliás, o blog promete para sexta uma coluna sobre essa mudança repentina do clube aurinegro. Também estava no estádio Patrick Kluivert, para assistir ao filho Justin, mais uma vez começando como titular no Ajax.

No gramado, o Roda JC surpreendia de novo. De novo, houve baciada de contratações feita em janela de transferências da intertemporada pelo penúltimo colocado do campeonato: nove jogadores chegaram a Kerkrade, mas apenas um deles jogou neste domingo (o meio-campista Mohamed El Makrini). Mais curioso ainda: o Roda conseguiu conter o Ajax sem muitos problemas nos primeiros 45 minutos. Até criou a primeira chance: aos 14', num chute de Mitchel Paulissen, para defesa de André Onana. Só aos 23' os Amsterdammers falaram mais grosso, num chute de Justin Kluivert, que também saiu.

E aí começou um momento de mais movimentação, com os dois times arriscando. Se aos 24' o Roda JC tentou algo, num cruzamento de El Makrini que Onana defendeu, os Ajacieden responderam imediatamente no minuto seguinte, quando Ziyech arriscou de longe, e Benjamin van Leer espalmou. Ainda assim, a maior chance veio para os mandantes, aos 40'. E ainda assim, inválida: Dani Schahin recebeu a bola na grande área, livre, na cara de Onana... mas foi alarme falso: o juiz Danny Makkelie apenas demorou para apitar o impedimento do atacante alemão.

Anelka é do Roda... como conselheiro (Pro Shots)


O segundo tempo começou com o Roda JC assustando de novo: em rápido ataque aos 50', Paulissen recebeu a pelota e chutou na rede pelo lado de fora. Iria se arrepender, e não demoraria. Porque aos 53', o Ajax fez 1 a 0, da maneira fria e eficiente com que tem jogado fora de casa: cruzamento de Ziyech para a área, Kasper Dolberg ajeitou, e Davy Klaassen bateu de pé direito para as redes. E foi isso: apenas eficiente. Porque os Koempels mandantes é que seguiram atacando mais em busca do empate.

A postura ofensiva do Roda foi notável, até pela entrada de Athanasios Papazoglou (no lugar de Schahin, aos '59). Aos 62' e aos 68', Abdul Ajagun recebeu dois passes em profundidade que lhe deixaram em boas condições para o chute - e nas duas vezes, errou. A entrada de Gyliano van Velzen, aos 73', e Simeon Raykov (mais um reforço), aos 86', só deixava claro: o time da casa iria para o abafa. E o Ajax deixaria espaços, até pela entrada de um jogador ofensivo (Abdelhak Nouri, no lugar de Justin Kluivert, ainda aos 67').

Os minutos finais do jogo deixavam claro: ou o Roda martelaria até conseguir o empate, ou o Ajax iria aproveitar os espaços de maneira cirúrgica. Já nos acréscimos, aos 90' + 3, veio a decisão. E ela favoreceu o time de Amsterdã. Num contra-ataque rápido, após lançamento, Amin Younes dominou a bola na grande área para fazer 2 a 0 e definir que o Ajax seguiria no encalço do Feyenoord. Novamente, numa atuação mediana, como reconheceu o técnico Peter Bosz à FOX Sports holandesa: "Eu estava calmo no banco, mas não me sentia bem. Não jogamos nosso melhor futebol". Ainda assim, veio a vitória. Se o Feyenoord bobear, o Ajax está aí.

O Feyenoord martelou, martelou... e Eric Botteghin, seguro do gol que viria, marcou: alívio e manutenção da liderança (Peter Lous/VI Images)

Twente 0x2 Feyenoord (domingo, 5 de fevereiro)

Neste domingo, 5 de fevereiro, Giovanni van Bronckhorst era mais um personagem ligado ao mundo do futebol que completava anos. E no seu 42º aniversário, o Feyenoord poderia dar um grande presente ao técnico, caso vencesse um adversário sempre árduo de ser batido em seus domínios. Foi justamente o que aconteceu, no Grolsch Veste de Enschede. O Twente foi um adversário duro. Não exatamente ofensivo; os Tukkers apostaram no contra-ataque desde o primeiro minuto de jogo. Mas justamente pela defesa do time da casa ter ficado tão bem postada.

Só aos 22' surgiu a primeira chance dos visitantes de Roterdã, com Eric Botteghin: o zagueiro brasileiro chutou na área, mas o goleiro Nick Marsman defendeu sem grandes problemas. Mais três minutos, e Dirk Kuyt teve possibilidade maior ainda de balançar o filó adversário: o capitão Feyenoorder arrematou, e Joachim Andersen tirou em cima da linha. Só então o Twente assustou um pouco: aos 27', em bola vinda de cruzamento, Dylan Seys finalizou, e Terence Kongolo colocou-se à frente para afastar pela linha de fundo, antes que a bola chegasse ao gol defendido por Brad Jones.

O resto do primeiro tempo foi assim: o Twente apostando em contra-ataques cada vez mais escassos, e o Feyenoord martelando. A última tentativa da etapa inicial foi aos 42', quando Nicolai Jorgensen recebeu bola e ficou em ótimas condições de chute, mas bateu fraco, direto para Marsman. E a primeira tentativa da etapa complementar foi aos 51', quando uma finalização de Karim El Ahmadi (de volta, após jogar a Copa Africana por Marrocos) saiu pela linha de fundo. Kuyt deu lugar a Jens Toornstra, aos 62', para tornar o meio-campo ainda mais ofensivo. Tonny Vilhena e El Ahmadi também ajudavam. Eljero Elia criava jogadas pela esquerda.

Se Botteghin aliviou, Jorgensen deu a certeza de mais uma vitória com seu gol, no final (ANP)

As chances até surgiam - como aos 65', em outro chute de Jorgensen para outra defesa de Marsman. Nada acontecia, a angústia aumentava, e o jogo ia caminhando para o final. Todavia, como em outras vezes na temporada, o Feyenoord martelou... e furou: aos 75', Elia cruzou da esquerda, e Eric Botteghin apareceu no meio da área para desviar e fazer 1 a 0. Valia para aliviar de vez a equipe, embora o zagueiro brasileiro dissesse à revista Voetbal International que tinha a certeza do gol, mais cedo ou mais tarde: "No segundo tempo, eu sentia que sairia. Já vencemos assim outras vezes nessa temporada. Você precisa ser paciente, e as coisas vão acontecer". De fato, aconteceram.

Já com a vantagem garantida, o Stadionclub não correu mais riscos. Ao contrário: criou-os. Aos 80', quase veio o segundo gol, num arremate de Steven Berghuis que o zagueiro Stefan Thesker quase desviou acidentalmente para a própria meta. Tudo bem. Porque aos 87', pela direita, Jorgensen bateu forte para as redes, mostrando novamente sua confiabilidade: 15º gol na temporada. O presente de aniversário para Van Bronckhorst estava garantido com os 2 a 0 no placar. Quatro jogos no returno, quatro vitórias, nenhum gol sofrido, cinco pontos de vantagem mantidos... pois é: o Feyenoord vai pulverizando o fantasma da "queda no início do returno". O sonho de lavar a alma com o fim do tabu está vivo, rodada após rodada.


Zwolle resolveu o jogo com três gols no segundo tempo. Vantagem valiosa, pelo susto do Sparta nos acréscimos (Henny Dijkman/VI Images)

Sparta Rotterdam 2x3 Zwolle (domingo, 5 de fevereiro)

As duas equipes entraram no gramado de Het Kasteel precisando de uma vitória. Embora esteja mostrando atuações mais razoáveis no returno, o Zwolle anda irregular (duas derrotas, uma vitória); o Sparta estava periclitante, sem vencer havia oito jogos, se aproximando perigosamente da zona de repescagem/rebaixamento, e mudando cinco jogadores na escalação titular. Talvez até por isso, pouco de emoção se viu em Roterdã. As primeiras chances só vieram no fim do primeiro tempo. O Sparta, com Ivan Calero, aos 31', em chute por cima; o Zwolle, com Ouasim Bouy, num voleio bem defendido pelo arqueiro Roy Kortsmit, aos 42'.

Na etapa complementar, o Zwolle não demorou muito para resolver o jogo. Já aos 51', Django Warmerdam lançou Queensy Menig, que driblou o goleiro e tocou para o 1 a 0. Aos 62', coube ao dinamarquês Nicolai Brock-Madsen (enfim se entrosando) o segundo gol: em rápido contragolpe, Brock-Madsen tocou na saída de Kortsmit. Nem mesmo a expulsão de Bart Schenkeveld (segundo amarelo, aos 84') evitou que os Zwollenaren fizessem 3 a 0, aos 86', com o islandês Erik Israelsson, de cabeça. Mas talvez a inferioridade numérica influiu no grande susto que o Sparta deu. Ou melhor, que Mathias Pogba deu pelo Sparta: nos acréscimos, aos 91' e 93', o irmão mais velho de Paul marcou dois gols de cabeça. Faltou tempo para o empate. E o Zwolle respirou ao final do jogo, fora da zona de repescagem/rebaixamento. Da qual o Sparta está perigosamente perto, só um ponto acima - e o próximo adversário é o Ajax...

O Utrecht cresceu, cresceu, e chega onde é possível: vitória sobre Heerenveen e 4ª posição (fcutrecht.nl)

Utrecht 1x0 Heerenveen (domingo, 5 de fevereiro)

A derrota do AZ aumentou a importância já considerável da partida no estádio Galgenwaard: o eventual vencedor da partida se tornaria o "melhor do resto" na tabela, subindo à quarta posição atrás do "Trio de Ferro". Jogando em casa e com uma atuação de muita pressão ofensiva, o Utrecht foi mais perigoso desde o começo. Aos 22', Giovanni Troupée cruzou da direita, mas ninguém alcançou; no minuto seguinte, Richairo Zivkovic chegaria livre à área para marcar, não fosse um impedimento. Aos 24', Sébastien Haller saiu em boas condições, mas tentou passar a Zivkovic, e a zaga afastou para escanteio. Na cobrança subsequente, não houve jeito: após um escanteio afastado pela zaga do Heerenveen, Arber Zeneli perdeu a bola para Sofyan Amrabat. O volante deu a bola a Andreas Ludwig, e o meio-campista alemão tocou na saída do goleiro Erwin Mulder para o 1 a 0.

O Heerenveen teve até algumas chances no primeiro tempo - como aos 38', quando Morten Thorsby mandou a bola de voleio na trave, ou aos 44', quando Zeneli cruzou, mas Reza Ghoochannejhad não conseguiu alcançar. O segundo tempo chegou, e o Fean se mexeu mais em busca do empate. Aos 53', o goleiro David Jensen defendeu finalização de Sam Larsson; aos 59', Larsson lançou Yuki Kobayashi, e o meio-campista japonês chutou em cima de Jensen; finalmente, aos 80', Martin Odegaard cruzou, e Lucas Bijker cabeceou para o gol, mas o zagueiro Mark van der Maarel tirou em cima da linha. Quando o empate parecia muito perto, aos 83', veio a ducha de água fria: Larsson foi com os dois pés no tornozelo de Zakaria Labyad, e levou o segundo cartão amarelo, sendo expulso. Nem mesmo a expulsão no Utrecht (Ludwig, aos 87', por carrinho em Odegaard) fechou o caminho para a vitória dos Utregs - agora, os novos "melhores do resto", na quarta posição da Eredivisie.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Apenas cumprindo a promessa

O Ajax espera por David Neres, o símbolo da nova e controversa abordagem da equipe nas transferências (Instagram/Ajax.nl)

“Naturalmente faremos maus negócios, eu também erro. Mas quem não arrisca, não petisca”. Esta declaração foi publicada aqui nesta coluna – mais precisamente, em 18 de novembro, quando o assunto foi a evolução do Ajax nesta temporada, com o técnico Peter Bosz achando aos poucos um jeito tático, com os jogadores exibindo um estilo acelerado em campo, e principalmente, com Marc Overmars, de contrato renovado até 2020 como diretor de futebol, querendo fazer com que o clube da estação Bijlmer Arena fale mais grosso no mercado de transferências – tendo para isso o respaldo do diretor geral, Edwin van der Sar.

O tempo passou. E esta semana trouxe o que talvez seja a grande prova de como a abordagem dos Ajacieden mudou, com os 12 milhões de euros gastos sem dó na contratação de David Neres – simplesmente a segunda negociação mais cara da história da agremiação. Enquanto o São Paulo agradece o dinheiro que vai abater boa parte de sua dívida, e a torcida do clube do Morumbi fica com sensações controversas (há quem ache que o Clube da Fé saiu ganhando no negócio, há quem ache que a ambição esportiva e a aposta no atacante promissor deveriam ter prevalecido), o Ajax mostrou: não vai mais apostar somente nos talentos de sua base sempre frutífera. Vai gastar.

Dará certo? Muito cedo para dizer. Sim, David Neres começou bem na carreira – prova disso foi sua entrada elogiável no time são-paulino de cima, com três gols nos oito jogos feitos pelo Campeonato Brasileiro do ano passado, despontando com a atuação animadora nos 4 a 0 sobre o Corinthians, pela 34ª rodada. Todavia, Neres sequer tinha virado titular, que dirá absoluto – embora tivesse potencial para se tornar isso em pouco tempo. E tudo faz crer que levará algum tempo para que isso ocorra com o brasileiro em Amsterdã. Pensando no setor direito do ataque, local preferencial de atuação de David, Peter Bosz já tem à disposição um titular (Bertrand Traoré, que voltará da atuação por Burkina Faso na Copa Africana de Nações) e um reserva (Justin Kluivert, a nova coqueluche dos Godenzonen). 

Além do mais, a história mostra: quando se mete a gastar, quase sempre o Ajax faz os “maus negócios” a que Overmars se referiu. Olhando a lista organizada pela fonte básica que é o Transfermarkt, é impossível evitar o espanto ao ver que a compra mais vultosa feita pelo Ajax em seus quase 117 anos de história foram os 16,2 milhões de euros pagos em (rufem os tambores...) Miralem Sulejmani, atacante sérvio vindo do Heerenveen para a temporada 2008/09. Na época, parecia um negocião – até porque Sulejmani ascendia na seleção de seu país, pela qual esteve na Copa de 2010. Mas o tempo passou, “Mickey” nunca virou o jogador que se esperava... e o clube de Amsterdã engoliu o prejuízo em julho de 2013, ao ver Sulejmani sair para o Benfica a custo zero.

David Neres, já se sabe, foi o segundo jogador mais caro da história dos Amsterdammers. O terceiro? É outra prova de como o Ajax anda abrindo mais o cofre: foi Hakim Ziyech, tirado do Twente nos últimos dias da janela de transferências do verão europeu passado, por 11 milhões de euros. Pelo menos, Ziyech já se converteu em titular absoluto no time: por enquanto, com 6 assistências e oito gols neste Campeonato Holandês, o marroquino justifica o gasto e o alívio que o Ajax teve ao saber que Hervé Renard o deixou de fora da convocação para a Copa Africana.  Ainda assim, é cedo para cravar que Ziyech foi bom negócio. 

Somente a quarta maior compra da história do Ajax (Klaas-Jan Huntelaar, trazido do Heerenveen por € 9 mi, em janeiro de 2006) deu alguma sensação de lucro posterior, pelas boas atuações de Huntelaar com a camisa alvirrubra e a posterior venda ao Real Madrid. De resto, há mais gastos temerários (Giorgi Kinkladze, Albert Luque, Darío Cvitanich) do que apostas certeiras (Zlatan Ibrahimovic, Luis Suárez). Por isso, ao ver o montante gasto em David Neres, as perguntas básicas da torcida do Ajax foram: “Quem é o garoto? Precisava tanto dinheiro assim?”. Justa, a desconfiança. 

Até porque os balanços do Ajax indicam um clube que arrecada até muito, mas vive uma realidade distante de equipes que podem "rasgar dinheiro". É verdade que os sucessivos títulos holandeses entre 2011 e 2014 - que levaram à fase de grupos da Liga dos Campeões - renderam um dinheiro muito bem vindo. Em 2011/12, foram € 104,1 milhões que entraram no cofre; em 2012/13, 105,6 mi; na temporada seguinte, 103,7 mi; e no ano do tetra Ajacied na Eredivisie, 105,4 milhões de euros. A coisa começou a piorar em 2015/16: sem participação na Liga dos Campeões (e ficando na fase de grupos da Liga Europa), a renda líquida no balanço ficou nos € 93,4 mi. E tudo indica que a salvação para o cofre, em 2016/17, virá das vendas de Jasper Cillessen e Arkadiusz Milik. Ou seja: dinheiro não falta, mas também não sobra.

E dentro de campo, o Ajax continua relativamente bem nesta Eredivisie. Peter Bosz, enfim, conseguiu o que queria: livrou-se de quem ficou descontente com sua mudança para um 4-3-3 com linha altíssima de marcação, quase sempre com a defesa atuando no meio-campo. Riechedly Bazoer e Nemanja Gudelj já tinham saído; neste final de janela, foi a hora da saída para Mitchell Dijks e Anwar El Ghazi. Como o improvisado meio-campista Daley Sinkgraven saiu a contento na canhota, Dijks foi cedido ao Norwich City até o fim da temporada; já tendo problemas com Bosz, El Ghazi até vinha jogando, mas é claro que sua venda ao Lille foi a melhor solução – além de ter rendido caraminguás, sempre bem vindos a clubes holandeses.

Além do mais, repita-se algo já dito aqui: jogar de um modo quase suicida só está dando certo para o Ajax porque alguns jogadores têm brilhado. Na zaga, Davinson Sánchez é o exemplo de aposta certeira: o defensor colombiano veio do Atlético Nacional para virar o elemento-surpresa, e é exatamente o que tem feito, saindo frequentemente com a bola dominada e sendo o ponto inicial dos desarmes no meio-campo. Por falar nele, aí o Ajax impõe seu domínio: Davy Klaassen se credencia como líder da equipe, já se falou de Ziyech, e Lasse Schöne voltou a crescer, com algum poder de criação e muita capacidade nos chutes de fora da área, em faltas ou com bola rolando. No ataque, Kasper Dolberg até se movimentava bem, mas faltavam os gols. Não faltam mais: após 641 minutos sem marcar, o dinamarquês balançou as redes no 3 a 0 sobre o ADO Den Haag. Sem contar o gol, onde o camaronês André Onana teve sua “vitória” definitiva com a devolução de Tim Krul ao Newcastle – e o novo empréstimo, agora ao AZ.

Como se não bastasse, há a boa surpresa do Jong Ajax, o time de aspirantes, que disputa a segunda divisão holandesa de modo elogiável, conseguindo a segunda posição. Obviamente, não poderá ser "campeão de período" - logo, não subirá à Eredivisie (até porque todo jogador lesionado do time de cima pode atuar pelo time B, para ganhar fôlego). Mas vários talentos que começam no Jong Ajax vão sendo promovidos – já ocorreu com o zagueiro Matthijs de Ligt e os atacantes Pelle Clement e... Justin Kluivert, que até titular já foi contra o ADO Den Haag. 

Talvez o time B seja o caminho para David Neres ganhar tempo e entrosamento. Para estar pronto quando vier a promoção esperada ao time principal. E poder justificar a clara mudança de abordagem do clube nas transferências.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 3 de fevereiro de 2017)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

810 minuten: como foi a 20ª rodada da Eredivisie

Thom Haye entrou, a torcida vaiou, e ele calou os apupos do melhor jeito: dando a vitória ao Willem II (ANP/Pro Shots)

Willem II 3x2 Sparta Rotterdam (sexta-feira, 27 de janeiro)

Ambas as equipes vieram com mudanças notáveis para o jogo que abriu a 20ª rodada do Campeonato Holandês. No Sparta Rotterdam, havia uma estreia no campo (o lateral direito finlandês Janne Saksela) e outra no banco (o ex-lateral Michael Reiziger, auxiliar de Alex Pastoor, comandava a equipe, com a suspensão de Pastoor). O Willem II foi a campo com uma alteração tática: lateral esquerdo de origem, Dico Koppers foi jogar no ataque, pela ponta. E justamente assim participou do gol que abriu o placar em Tilburg, aos 18': Koppers cruzou, e Fran Sol cabeceou para fazer 1 a 0. Todavia, a vantagem dos Tricolores, durou pouco: aos 21', Saksela deu a bola a Zakaria El Azzouzi, que mandou a bola na rede com um chute colocado, no ângulo esquerdo, empatando. Restou aos mandantes pressionarem, fosse num arremate de Jordy Croux na trave, fosse numa bola mal dominada por Fran Sol.

Antes ainda do intervalo, enfim, os Tilburgers passaram à frente de novo: no minuto final do primeiro tempo, Koppers cobrou escanteio, e o goleiro Roy Kortsmit (herói da classificação do Sparta à semifinal da Copa da Holanda, no meio da semana) falhou, abrindo espaço para o zagueiro Darryl Lachman dominar e fazer 2 a 1. Na etapa final, os Spartanen nem buscavam tanto o empate, mas afinal igualaram o placar: numa cobrança de falta, Thomas Verhaar deixou tudo na mesma. Buscando novamente a vitória, o técnico Erwin van de Looi surpreendeu: tirou da equipe os dois atacantes mais ativos, Croux e Fran Sol, colocando Thom Haye e Asumah Abubakar. A torcida da casa vaiou tão logo Haye entrou em campo, aos 87', no lugar de Sol. Pois bem: Haye respondeu do melhor jeito possível. Nos acréscimos, aos 90' + 3, Erik Falkenburg fez o pivô, e o meio-campista entrou batendo para dar a primeira vitória do Willem II em 2017 - e frustrar o Sparta, que se preocupa: já não vence na Eredivisie há oito jogos.

Kerk comemorou o gol que nem precisou marcar: Xandro Schenk já tinha desviado por acidente para as redes (Pro Shots)

Go Ahead Eagles 0x1 Utrecht (sábado, 28 de janeiro)

O Utrecht foi ao estádio de Deventer ainda sob certa ressaca, após ser eliminado da Copa da Holanda nos pênaltis, pelo Cambuur. Teve no Go Ahead Eagles um adversário "perfeito": os aurirrubros mandantes sequer criaram uma chance de gol digna do nome no primeiro tempo. E ainda "ajudaram" os Utregs a chegarem ao gol, aos 32': Andreas Ludwig cruzou, e antes mesmo que Gyrano Kerk chegasse na segunda trave para concluir, o zagueiro Xandro Schenk cortou acidentalmente para a própria meta - foi o quarto gol contra para o Utrecht na temporada.

Nos 45 minutos finais, o Go Ahead Eagles até prometeu mais ataques, com a entrada de Darren Maatsen, de mais mobilidade. Porém, Maatsen durou apenas 16 minutos em campo: um empurrão em Mark van der Maarel rendeu ao atacante o cartão vermelho. E aí a coisa se dificultou definitivamente para o Kowet. Jarchinio Antonia até teve chances, num chute pouco depois da expulsão, e Sébastien Locigno mandou a bola no travessão, nos acréscimos, mas nada disso perturbou muito o Utrecht, que obteve sua quarta vitória seguida fora de casa - e trouxe o GAE de volta à lanterna do campeonato.

Pröpper se ajoelhou, após o gol. E os colegas de PSV comemoraram: vitória dramática, outra vez (Pieter Stam de Jonge/VI Images)

Heracles Almelo 1x2 PSV (sábado, 28 de janeiro)

Mesmo como visitante, o PSV deu a impressão de que, enfim, mostraria uma atuação ofensiva. Tão logo se passaram dois minutos, os Boeren tiveram a primeira chance: Gastón Pereiro dominou a bola, tabelou com Davy Pröpper, entrou na área e chutou de pé esquerdo. O goleiro Bram Castro defendeu com os pés. Todavia, aos poucos, foram os Heraclieden que mostraram mais aceleração na troca de passes, chegando mais à defesa do time de Eindhoven.

Não demorou para que isso se convertesse num momento importante do jogo. Aos 10', Samuel Armenteros recebeu a bola na área, num passe em profundidade, deu um corte seco em Santiago Arias, e foi acossado por Daniel Schwaab. Caiu, e o árbitro Kevin Blom marcou o pênalti. O próprio Armenteros foi cobrar... e o chute no canto direito foi espalmado por Jeroen Zoet, que salvou o PSV. Tantas vezes atormentado pelas cobranças da marca penal, desta vez os Eindhovenaren fizeram outra equipe provar do próprio veneno.

Mais animado, o PSV voltou a chegar com perigo. Principalmente nos chutes: aos 13', Andrés Guardado cobrou falta para fora, e aos 15', Guardado deixou a pelota com Pröpper. Da entrada da área, o meio-campista arriscou, e mandou a bola pouco acima do gol de Castro. O Heracles só reapareceu aos 23', também batendo de fora da área: após cruzamento rebatido por Luuk de Jong, Thomas Bruns dominou a sobra, e chutou por cima do gol. No minuto seguinte, os visitantes já reapareceram: Jetro Willems alçou a bola na área, e Luuk de Jong falhou no domínio,

Assim seguiu o resto da primeira etapa: com o PSV chegando mais. Aos 33', Arias carregou a bola pela direita e cruzou rasteiro. Ninguém chegou a tempo para concluir. Mais três minutos, e outra chance: Luuk de Jong retomou a posse, passou por dois zagueiros e arrematou, mandando a esférica de couro na rede, pelo lado de fora. Depois, aos 42', em escanteio, a cabeça de Nicolas Isimat-Mirin (substituto do suspenso Héctor Moreno) foi atingida pela bola, que subiu, Aí, outro zagueiro, Daniel Schwaab, cabeceou, mas ela saiu fraca, fácil para Castro. O arqueiro dos Heraclieden teve outro problema no minuto seguinte: Willems veio pela direita, e passou rasteira a Pröpper, que chutou no canto, exigindo que o goleiro mergulhasse ali para pegar. O Heracles só tentou algo aos 38': de contrato renovado (até 2020), Brahim Darri dominou e mandou de fora da área: a pelota passou perto do gol de Zoet.

Na etapa complementar, não demorou para que a maior eficácia na criação de jogadas ofensivas levasse o PSV. ao gol. Ele veio aos 50'. Após roubar a bola, Luuk de Jong iniciou rápido ataque dos PSV'ers. Deixou a bola com Pröpper, que por sua vez passou rapidamente a Willems, rápido pela esquerda. O lateral cruzou rasteiro, e a zaga do Heracles falhou: três jogadores foram cercar Pröpper, que vinha pela área. Caminho livre para Bart Ramselaar se colocar no meio da grande área e completar o cruzamento com o pé direito. Castro ainda desviou na bola, mas ela entrou lentamente nas redes, decretando o placar aberto no estádio Polman.

Se já dominava a partida antes de fazer 1 a 0, o PSV consolidou isso com o placar aberto. Em dois minutos, chegou a ter dois gols anulados por impedimento (de Pröpper, aos 55', e de Luuk de Jong, de cabeça, aos 57'). Depois, aos 65', uma jogada válida resultou em outra grande chance: em escanteio cobrado por Arias, Marco van Ginkel cabeceou rápido, exigindo boa defesa de Castro, em cima da linha. Outra boa possibilidade surgiu aos 72': aproveitando sobra de escanteio, Ramselaar deixou a bola a Schwaab, na grande área. Da direita, o camisa 5 cruzou, e Luuk de Jong entrou de carrinho na pequena área, desviando para fora e perdendo grande chance.

Mas justamente quando mais os visitantes se impunham em campo, o Heracles conseguiu fazer 1 a 1. Isso, enquanto um jogador se lesionava: instantes antes do gol, Thomas Bruns tivera o tornozelo atingido por Van Ginkel, e caiu no gramado, com a dor. O jogo seguiu, a bola ficou sob a posse do Heracles, e veio o empate inesperado, aos 74': Kristoffer Petterson (recém-contratado junto ao Utrecht) deixou com Brandley Kuwas, pela direita, e este cruzou para Armenteros conferir num belo voleio, na segunda trave, fazendo 1 a 1 - nono gol do sueco de ascendência cubana nesta temporada.

Só restou ao PSV correr atrás, num abafa desesperado, como na rodada passada, contra o Heerenveen. Aos 79' - Joshua Brenet recebeu de Steven Bergwijn, mas chutou muito longe do gol. E aos 81', Arias novamente cruzou da direita, e ao tentar afastar a bola, o zagueiro Mike te Wierik apenas resvalou nela, mandando-a perigosamente perto do gol, pela linha de fundo. 

Quando parecia que o empate ficaria no placar, virtualmente acabando com as esperanças de título para os de Eindhoven (afinal, uma vitória do Feyenoord levaria a diferença para 11 pontos), veio a salvação, assim como viera na semana passada. Aos 87', Brenet cruzou, Luuk de Jong ajeitou a esférica para o irmão Siem, mas este não dominou bem para o chute. Pelo menos, a bola sobrou com Van Ginkel, que recuou para o chute de Pröpper. O arremate desviou caprichosamente no zagueiro Justin Hoogma, tirando as chances de defesa de Castro. 2 a 1: de novo, o PSV era salvo pelo gongo. E igualando um recorde histórico seu - 23 partidas de invencibilidade fora de casa, mesma marca obtida em 2004/05. Ainda há esperança.

Paulissen comandou a vitória do Roda JC, com dois gols. E comandou a festa após o jogo, também: vitória depois de longe tempo (Den Breejen Fotografie/VI Images)

Roda JC 4x0 Excelsior (sábado, 28 de janeiro)

Sem vencer havia dez jogos - ou três meses e 13 dias, como queiram. Sem marcar um gol sequer pelo Campeonato Holandês havia dois meses e dois dias. Enfim, poucas situações poderiam ser mais desesperadoras para o Roda JC. Se havia um único bom sinal antes do jogo começar, era o de que a única vitória conseguida na temporada até agora fora justamente contra o Excelsior (1 a 0, em Roterdã). Contudo, um outro sinal de que as coisas seriam diferentes no sábado veio aos 17': Jürgen Mattheij, zagueiro dos visitantes, falhou na saída de bola, e permitiu que Mitchel Paulissen saísse rumo ao gol. Só restou a Mattheij agarrar Paulissen - e ser expulso pelo juiz Serdar Gözübüyük. Na cobrança de falta subsequente, Dani Schahin bateu, e fez 1 a 0.

A esperança cresceu. E só fez aumentar dali até o fim do jogo. Até porque nos acréscimos do primeiro tempo, Mikhail Rosheuvel cruzou para Paulissen cabecear e fazer 2 a 0. Plenamente superior ao adversário em campo, o Roda conseguiu a goleada esperada no segundo tempo. Aos 62', Abdul Ajagun cruzou, e Athanasios Papazoglou escorou para o terceiro gol dos Koempels. E três minutos depois, veio o quarto gol, quando jogada semelhante teve protagonistas diferentes: Rosheuvel cruzou, Paulissen finalizou. Diante da situação ainda dificílima do time de Kerkrade na temporada, uma goleada assim foi de lavar a alma. Até por ter aberto três pontos de vantagem para o Go Ahead Eagles, de novo o último colocado.

"Gucci" cabeceou, e Padt defendeu: Heerenveen e Groningen fizeram jogo até animado, mas faltou o gol (Pro Shots)

Heerenveen 0x0 Groningen (domingo, 29 de janeiro)

No clássico do norte holandês, o Groningen até começou atacando mais. Todavia, aos poucos o Heerenveen foi ganhando mais força ofensiva em campo. A partir dela, o time da Frísia criou suas primeiras chances. Aos 13', Sam Larsson bateu forte de longe, mandando a bola perto do gol. Mais cinco minutos, e a vez de tentar ficou com Arber Zeneli: Stefano Marzo cruzou, e o kosovar tentou de bicicleta, para fora. Finalmente, aos 31', Reza "Gucci" Ghoochannejhad quase fez seu quarto gol em dois jogos: em outro córner, o atacante iraniano cabeceou livre, e o goleiro Sergio Padt fez ótima defesa, espalmando em cima da linha.

O segundo tempo ficou mais ou menos no mesmo esquema. Os Groningers começaram indo para cima: logo aos 47', Kasper Larsen cabeceou perto do gol. Depois, o Fean retomou o domínio do jogo, mas não criou tantas chances. Aos poucos, fora uma ou outra jogada de efeito (como um "rolinho" de Zeneli, ou uma jogada individual de Larsson), somente chutes de fora traziam algum perigo ao gol. Como com Lucas Bijker, aos 75', ou Bryan Linssen, no minuto seguinte. A última oportunidade veio nos acréscimos: Bijker cruzou da esquerda, mas nem Ghoochannejhad, nem Luciano Slagveer chegaram a tempo para a finalização. E o clássico do norte ficou no 0 a 0 - o primeiro entre Heerenveen e Groningen no Campeonato Holandês desde 2001.


De novo, aplausos para Schöne, que marcou outro belo gol; Ajax venceu com facilidade (Louis van de Vuurst/Ajax.nl)

Ajax 3x0 ADO Den Haag (domingo, 29 de janeiro)

Com Anwar El Ghazi liberado (está em negociação longa com o Lille, desde que a janela começou), Justin Kluivert já começou como titular em seu terceiro jogo pelo time adulto do Ajax. E o filho de Patrick já mostrou serviço desde o começo. Aos dois minutos, fez uma jogada individual, caiu na área, e o pênalti não ocorreu. Na segunda, aos 3', trouxe mais perigo: Kluivert veio pela direita, fez o cruzamento, e Kasper Dolberg escorou. A bola bateu no goleiro Ernestas Setkus, ricocheteou em Tom Beugelsdijk e saiu pela linha de fundo.

Estava claro que os Ajacieden iriam tentar impor a marcação por pressão contra o Den Haag. Claro, deixariam espaços. E todo cuidado era pouco. Cuidado que inexistiu aos 5', quando os visitantes de Haia tiveram sua primeira (e única) chance na etapa inicial: em jogada mal cortada por Davinson Sánchez, Édouard Duplan retomou a posse de bola e passou a Ruben Schaken. Pela esquerda, o atacante entrou livre e em condição legal na grande área, mas chutou por cima.

De resto, o Ajax voltou a se impor contra os fragilizados auriverdes. Para não deixar vacilos perturbarem, precisava fazer o gol logo. E fez. Aos 11', Sánchez saiu jogando e, do meio-campo, passou a Dolberg. O dinamarquês ajeitou e imediatamente deixou Hakim Ziyech na cara do gol. O armador fez o que se espera numa situação assim: tirou do alcance de Setkus com um chute colocado, fazendo 1 a 0.

Doravante, o domínio dos Amsterdammers foi massivo em casa. Aos 13', Joël Veltman deixou Davy Klaassen em boas condições para o chute, mas o camisa 10 preferiu ajeitar a bola para Dolberg. Sem problemas: ao recebê-la, o camisa 25 arrematou cruzado, na trave. E na sequência da jogada, mais uma chance: Ziyech passou a Amin Younes, que entrou na área pela esquerda, driblou Tyronne Ebuehi na pequena área, mas finalizou por cima. Do outro lado, o goleiro André Onana era "espectador privilegiado". E o Ajax até deu-se ao luxo de desacelerar a partida, apenas controlando as ações no meio-campo.

Quando foi preciso criar novas chances, o time da capital também acelerou o jogo quando quis. Isso ocorreu a partir dos 30': Ziyech mandou passe rasteiro para Younes, sozinho no meio da área, mas o alemão de ascendência libanesa bateu pela linha de fundo, perdendo boa chance. Pouco depois, em escanteio aos 33', Nick Viergever cabeceou no travessão de Setkus. Todavia, o segundo gol veio de alguém que já brilhara na rodada passada: Lasse Schöne. Aos 34', após falta cometida sobre Kluivert, Schöne partiu para a cobrança. E o dinamarquês fez o que está acostumado: bateu com maestria, no ângulo direito de Setkus. Um 2 a 0 sem questionamentos - até porque o Den Haag só dera um chute a gol em todos os primeiros 45 minutos de jogo.

No segundo tempo, o ADO Den Haag até tentou voltar com mais movimentação: logo aos 50', houve um chute de Schaken, cruzado, defendido por Onana. Todavia, o Ajax mostrou definitivamente quem mandava, no minuto seguinte. E quase foi daquelas provas para ninguém questionar: Veltman cruzou da direita, Ziyech ajeitou na trave e deixou com Dolberg. O dinamarquês, então, quase fez o gol da rodada: matou no peito e deu uma puxeta. A bola foi no travessão. Depois, os Godenzonen foram apenas mantendo o ritmo, com uma chance aqui e outra ali. Como aos 60', quando Ziyech bateu falta, e Setkus agarrou sem dar rebote. Ou aos 62', em chute de Daley Sinkgraven, que o goleiro lituano também defendeu firmemente. O Den Haag só apareceu de novo aos 74': Duplan carregou a bola pela esquerda, entrou na área, mas bateu na rede por fora.

Todavia, quem merecia mesmo o gol era Kasper Dolberg - ainda mais depois da puxeta que quase rendeu pintura na Amsterdam Arena. De mais a mais, já eram 641 minutos sem o atacante balançar a roseira adversária (homenagem a Carlos Valadares). Jejum que acabou aos 76': Ziyech cobrou escanteio, e Klaassen escorou para Dolberg desviar, posicionado na segunda trave, estampando o 3 a 0 definitivo no placar. E foi pouco, pelo tamanho do domínio do Ajax.

Acima, o golaço do estreante Assaidi: Twente superou desvantagem numérica para superar Zwolle (FOX Sports holandesa/reprodução via @DutchGoalsAMore) 

Zwolle 1x2 Twente (domingo, 29 de janeiro)

Jogando em casa, o Zwolle precisava desgrudar das últimas posições da tabela. Pelas atuações promissoras nas duas primeiras rodadas do returno, poderia fazer isso. Só que teria um adversário respeitável no Twente. E foram os Tukkers que saíram à frente: aos 8', um chute de Dylan Seys, que desviou acidentalmente num defensor do Zwolle, foi para as redes. Todavia, aos poucos os Zwollenaren foram melhorando. E coroaram isso com o empate, aos 31'. Num rápido contragolpe, Kingsley Ehizibue carregou a bola pela direita, e cruzou rasteiro. E Queensy Menig completou com beleza: de primeira, finalizando no ângulo direito do goleiro Nick Marsman. Ainda houve tempo até para Marsman evitar a virada, fazendo grande defesa em arremate de Ehizibue, nos acréscimos.

A coisa prometia ficar melhor ainda para os "Dedos Azuis" aos 49', quando o meio-campista Bersant Celina recebeu cartão vermelho, por chutar um adversário. Todavia, um lance de rara felicidade surpreendeu e pôs os visitantes de Enschede na frente. Aos 55', o goleiro Mickey van der Hart saiu do gol para cortar, mas repôs mal a bola: deu a posse a Oussama Assaidi (estreando pelo Twente), que marcou o 2 a 1 com estilo: pouco depois do meio-campo, arriscou e mandou a bola de lá para as redes, recolocando os visitantes na frente com um golaço. Em desvantagem numérica e vantagem no placar, a única coisa que o time vermelho poderia fazer era conter a pressão certa do Zwolle. Ela veio aos 65', quando Danny Holla desviou longe do gol. Veio aos 88', quando Ehizibue cabeceou na trave. E principalmente, aos 90', quando Bram van Polen só precisava chutar para dentro, livre na área após um cruzamento, mas pegou errado na bola. Sorte do Twente, que venceu as adversidades - e o jogo.

Vitesse x AZ era jogo equilibrado. Mas o gol de Baker (pulando no centro) facilitou o caminho do Vitesse (Pro Shots)

Vitesse 2x1 AZ (domingo, 29 de janeiro)

Um jogo entre dois semifinalistas da Copa da Holanda prometia um ritmo interessante. E até cumpriu a promessa. Já aos seis minutos de jogo no GelreDome, em Arnhem, veio a primeira chance de gol. E foi dos visitantes de Alkmaar: um chute de Ben Rienstra, na trave. Todavia, o Vites é que foi mais eficiente: na primeira possibilidade que teve, aos 10', deixou a bola na rede. Adnane Tighadouini deixou a bola com Lewis Baker, que aproveitou sua melhor qualidade: o chute de longe. Num arremate colocado, o meio-campista inglês mandou para as redes e deixou os Arnhemmers na frente. A partir dali, os aurinegros foram melhores - até tiveram novo gol, de Ricky van Wolfswinkel, anulado por impedimento.

Na etapa complementar, o AZ começou indo com tudo pelo empate. Logo aos 49', Ridgeciano Haps arriscou o chute, mas um desvio num jogador do Vitesse fez a bola ir pela linha de fundo. Mas novamente, repetiu-se a história: os Alkmaarders tiveram uma chance, e o Vitesse aproveitou a sua para o gol. Dois minutos após o chute de Haps, em longo e alto lançamento de Guram Kashia para a área, o brasileiro Nathan dominou a bola e teve calma exemplar: aproveitou a saída atabalhoada do goleiro Sergio Rochet, cortou Haps e chutou com o gol vazio para o 2 a 0. Ainda assim, aos 64', o AZ enfim conseguiu o gol. O trinitário Levi Garcia, substituto de Dabney dos Santos, cabeceou, e Eloy Room defendeu duas vezes, quase caindo. Porém, o rebote bateu acidentalmente em Guram Kashia e foi para as redes - azar supremo de Kashia, que cometeu seu terceiro gol contra nesta temporada da Eredivisie. O final foi mais animado (aos 85', quase os visitantes empataram, em chute de Rienstra), mas quem saiu com a vitória foram mesmo os mandantes, que tinham conseguido feito maior na Copa da Holanda - eliminando o campeão Feyenoord.

Elia e Berghuis brincam ao comemorar o primeiro gol: a vitória do Feyenoord foi até maior do que se previa (ANP/Pro Shots)

Feyenoord 4x0 NEC (domingo, 29 de janeiro)

Para o jogo contra o NEC, o Feyenoord fez uma mudança até surpreendente: Terence Kongolo ficou na reserva, e a lateral esquerda foi ocupada por Miquel Nelom. Antes do jogo, o técnico Giovanni van Bronckhorst explicou que a alteração tinha como meta tornar a equipe mais ofensiva. Porém, o adversário tratava-se de um time contra o qual o Stadionclub cortou um dobrado no turno, vencendo por 2 a 1, de virada, nos acréscimos. E foi justamente pela direita, onde marcava o ofensivo Nelom, que o NEC criou a primeira chance de gol: aos 4', Jay-Roy Grot cruzou da direita, e Mohamed Rayhi completou com um voleio à queima-roupa na grande área. Brad Jones, como quase sempre, estava a postos: no reflexo, espalmou e salvou o Feyenoord.

Depois disso, os visitantes de Nijmegen nem criaram tanto. Porém, estavam bem armados defensivamente: o 4-3-3 se transmutava num 4-1-4-1, com meio e defesa muito compactados, perto da área. Só restava ao Feyenoord tentar bolas aéreas. A primeira mais perigosa só ocorreu aos 19', quando Eljero Elia cruzou da esquerda, a bola ganhou efeito, e Joris Delle teve de espalmar por cima do gol. Depois, aos 21', em cruzamento, Dirk Kuyt tentou ajeitar para Nicolai Jorgensen, mas o goleador do campeonato não dominou bem.

Eliminado da Copa da Holanda no meio da semana, e sem mostrar grandes atuações nas rodadas anteriores, o Feyenoord seguia com dificuldades. Aos 24', foi a vez de Jens Toornstra criar uma jogada: o camisa 28 lançou a bola a Elia, que entrou pela esquerda na grande área, mas chutou para fora. Aos 27', o próprio Toornstra arriscou de fora da área, mas a bola resvalou num defensor do NEC, e saiu pela linha de fundo.

O time da casa precisava de pelo menos um espaço - e, claro, precisava aproveitar a oportunidade. Para sua sorte, aconteceu. Foi aos 30', graças ao melhor jogador da etapa inicial: Elia. Ele cobrou lateral a Dirk Kuyt, que devolveu-lhe a bola. O camisa 11 recebeu, fez belo giro para cima de Mikael Dyrestam e cruzou rasteiro para a área. Lá estava Steven Berghuis, que não fez rodeios: bateu de primeira, rasteiro e veloz, no canto direito, sem defesas para Delle. Enfim, o Feyenoord conseguia o gol de que precisava.

Mesmo com o NEC ainda firme na defesa, os Rotterdammers ficaram mais tranquilos. Tanto que, aos 34', uma bola aérea quase rendeu golaço: em escanteio, Jorgensen tentou o voleio, mas a bola apenas bateu nele. De todo modo, os temores de uma virada dos Nijmegenaren diminuíram ainda mais com o segundo gol, aos 45'. Kuyt tabelou com Jorgensen, recebeu de volta e imediatamente deixou a esférica com Elia. Mesmo com algumas dores musculares (tanto que saiu do jogo no intervalo, dando lugar a Bilal Basaçikoglu), o ponta-esquerda dominou, virou-se na área e bateu no canto direito de Delle.

Na etapa final, o ritmo do jogo caiu bastante. Sem grande poder ofensivo no dia, o NEC foi pouquíssimas vezes ao ataque. A primeira delas, aos 53', quando Rayhi chutou, e Jones defendeu. Depois, só aos  68': Dario Dumic foi ao ataque e arriscou de longe, para fora. No resto do tempo, com uma vantagem já segura no placar, o Feyenoord apenas tocava a bola pelo meio, sem atacar tanto. Porém, nas vezes que atacou, foi bem mais perigoso. Como aos 62'. Num contragolpe veloz, Berghuis apareceu pela direita, livre, com a opção de cruzar para Kuyt ou Jorgensen, ambos ainda mais livres. Preferiu chutar. E finalizou em cima de Delle, perdendo chance valiosa de gol. Dez minutos mais tarde, quase Toornstra fez outro gol de cabeça, como fizera contra o Willem II: Basaçikoglu levantou a bola na área, e o camisa 28 correu, livrando-se da marcação e cabeceando forte, no travessão de Delle. Jens apareceu de novo aos 76': chegou à grande área, driblou um zagueiro, e seu arremate desviou em Kuyt, mas Delle conseguiu a defesa.

Todavia, no final do jogo é que o Feyenoord tranquilizou de vez sua torcida. Aos 87', Bart Nieuwkoop, que acabara de substituir Berghuis, veio pelo lado direito, cruzou a bola, e Jorgensen entrou pelo meio para tocar e garantir seu 13º gol no campeonato. Estava acabado. Ou melhor, não estava. Porque Toornstra lançou Basaçikoglu aos 90', o atacante turco dividiu pelo alto com o goleiro, e a bola ficou solta na área, sozinha para Jorgensen deixar logo seu 14º no filó, transformando a vitória em goleada até exagerada. O Feyenoord segue sua toada: joga para o gasto, mas vence. Melhor: não sofre gols. Melhor ainda: já tem 51 pontos após 20 rodadas, mais do que os seis últimos campeões holandeses tinham a essa altura do campeonato. Eliminado na Copa da Holanda? E daí?