quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Laranja Mecânica, primeira e única: 7º capítulo: o maior momento

Cada vez mais confiante em campo, cada vez mais relaxada fora dele, a Holanda viveu o grande momento de sua campanha na Copa de 1974 goleando a Argentina (Sepia Times/Universal Images Group/Getty Images)

Introdução







Quase toda grande equipe da história do futebol - masculino, feminino, não importa - tem um grande jogo em sua história. Uma daquelas atuações que justificam (e até exemplificam) plenamente a razão dela ser tão reconhecida ao longo da trajetória do jogo de bola. Para se dar um exemplo: qualquer comentário sobre a Seleção Brasileira da Copa de 1970 cita normalmente o 1 a 0 sobre a Inglaterra, exemplo da competitividade dela, e os 4 a 1 da final contra a Itália, apoteose técnica daquele time. O Barcelona campeão europeu duas vezes em três anos (2008/09 e 2010/11) será exemplificado, principalmente, pelos 3 a 1 contra o Manchester United, na final de 2011. Pois bem: no caso da Holanda (Países Baixos) da Copa de 1974, para sempre o maior exemplo em campo daquela campanha histórica será a goleada por 4 a 0 sobre a Argentina, na estreia da Laranja na segunda fase da Copa.

Talvez uma atuação tão brilhante seja exemplificada pelo ambiente vivido pela delegação no Waldhotel-Krautkrämer, quartel-general da Holanda na Copa, sediado na cidade alemã de Hiltrup. No dia 24 de junho, o dia seguinte à goleada sobre a Bulgária, permitiu-se a visita de algumas esposas de jogadores. Algumas delas, muito marcadas pela proximidade que tinham de seus companheiros, como Danny Cruyff, companheira fiel de Johan desde 1968 até que a morte deste os separasse em 2016. Outras, menos citadas, como "Titia" Haan e Trudy Rep. Não que as famílias estivessem constantemente juntas, ou até hospedadas com os 22 convocados. Mas a convivência periódica existia, e era inegavelmente mais aberta, por exemplo, do que a concentração brasileira, na cidade de Feldberg, totalmente isolada.

Havia essa abertura, no aspecto de comportamento. No aspecto futebolístico, a Holanda estava cada vez mais confiante. A vitória contra a Bulgária deixara clara a escalação a seguir. Com isso, o entrosamento aumentava. Com o entrosamento crescente, era facilitada a troca de posições e a variação de jogadas, pontos-chaves daquela seleção holandesa. E isso seria colocado à prova contra um adversário acessível e já superado. Vale lembrar: em 26 de maio, semanas antes da estreia na Copa, num amistoso, a Laranja goleara a Argentina, por 4 a 1. E se a participação no Mundial mostrava uma Albiceleste razoável o suficiente para superar a Itália e ter uma das vagas do grupo 4 na segunda fase, ela também tinha seu lado confuso: havia bons jogadores, como o zagueiro Roberto Perfumo, o meia René Houseman e o atacante Héctor Yazalde, mas o time não embalava. Para piorar, no cenário social, a Argentina vivia o impacto da agonia do presidente Juán Domingo Perón, que morreria em 1º de julho de 1974, dias depois do jogo contra a Holanda.

Podia ser pior - para a Argentina

Bastou a bola rolar, ainda com dia claro no Parkstadion de Gelsenkirchen (lotado por uma torcida holandesa jovem e estridente, quase sempre cantando o "Hup, Holland, Hup", tema tradicional dos adeptos laranjas), para um lance mostrar o que a Argentina teria de encarar. Logo no primeiro minuto, o atacante Rubén Ayala dominou a bola após Johan Neeskens a perder - só que Neeskens a retomou com velocidade, antes mesmo de Ayala iniciar a jogada. Mais três minutos, e uma tabela já foi feita entre Neeskens e Cruyff. Aos 5', Robert Rensenbrink arriscou chute por cima do gol. Sim, a Argentina tinha alguma preparação para pegar os holandeses - tanto que até repetia a linha de impedimento que a Laranja fazia (por isso, até, Cruyff fez gol anulado por posição ilegal dele, aos 7'). Mas a velocidade holandesa era muito acima da equipe sul-americana. Tanto que, aos 9', após triangulação com Johnny Rep e Neeskens (este, como sempre, acelerando as jogadas no meio), Van Hanegem só não fez o gol porque o goleiro Daniel Carnevali se antecipou e pegou.

Numa de suas fotos mais conhecidas, eis Cruyff pronto para fazer 1 a 0 na Argentina, após driblar o goleiro Carnevali (STF/AFP/Getty Images)

Mas aos 11', não houve como a Argentina escapar. Um lançamento de Van Hanegem pelo alto enganou a linha de impedimento argentina, e Cruyff ficou livre para driblar Carnevali e, mesmo um pouco desajeitado, fazer 1 a 0. Era a senha para o melhor momento holandês naquela Copa de 1974: com espaço constante pela direita, as chances de gol se avolumaram. Aos 14', Neeskens cruzou, Cruyff demorou para finalizar e chutou em cima da defesa (a bola sobrou para Rensenbrink depois, mas seu chute foi afastado por Francisco Sá, em cima da linha). Aos 16', Neeskens driblou Carnevali e novamente cruzou, mas o cabeceio de Wim Jansen - aparecendo bem mais - foi bloqueado por Sá. Aos 21', Neeskens até fez gol, mas Rensenbrink, que cruzara a bola, estava impedido. E finalmente, aos 25', o 2 a 0 da Laranja: após um escanteio rebatido por Carnevali, Ruud Krol chutou forte na sobra. A bola passou por todos na área até estufar as redes.

Era injusto dizer que a Argentina estava retraída. Quando tinha a bola, a seleção alviceleste tentava acelerar contra-ataques - como fez aos 28', quando Carlos Squeo tabelou com Yazalde, chutou e forçou escanteio, que o goleiro Jan Jongbloed rebateu. Além do mais, era inegável o esforço que o meia-direita Enrique "Quique" Wolff fazia em campo, sendo quem mais aparecia entre os argentinos. Mas a defesa sul-americana se abalava à menor pressão. Basta lembrar um símbolo daquele jogo - e daquela Holanda: aos 20', Wolff cobrou falta (cometida por Haan), e quando a bola bateu na barreira holandesa, todos os jogadores dela foram pressionar até roubarem a bola. Momento imortalizado na foto abaixo. E também numa história vivida entre dois jogadores argentinos, ainda no 1º tempo.. Na hora de cobrarem tiros de meta, ora Carnevali fazia isso, ora os zagueiros se encarregavam da tarefa. Capitão da Argentina, Roberto Perfumo (1942-2016) - apelidado "El Mariscal" ("O Marechal"), nome histórico de Racing e Cruzeiro, zagueiro muito técnico - notou que Carnevali se apressava demais. E acalmou o goleiro. Algumas fontes dizem que Perfumo foi calmo, falando coisas do tipo "podia estar pior". Outras apontam que ele foi mais enfático com Carnevali: "Calma, quer que façam oito gols na gente?!". O fato é que o 2 a 0 podia estar bem pior para a Argentina. Para a Holanda, não podia estar melhor.

A pressão que a Holanda fez, apenas para recuperar a bola após uma cobrança de falta da Argentina na barreira, simboliza a volúpia da equipe (Sérgio Sade/Abril Imagens/Arquivo Placar)

Faltas e posse de bola

Ainda no primeiro tempo, além da pressão e da ofensividade, outra característica da Holanda na Copa de 1974 ficou clara: sim, aquele time se valia das faltas para parar jogadas - até para a defesa não ser tão testada. Tanto que a Holanda fez mais faltas do que a Argentina na partida (17 contra 11). E começou a fazer isso já no primeiro tempo, para impedir que o adversário ousasse mais do que tentou timidamente. Ruud Krol que o diga: aos 31', o lateral esquerdo entrou duro em "Quique" Wolff. Falta revidada, de certa forma, pelo zagueiro Ramón Heredia, que derrubou Neeskens aos 37', com violência tamanha que o meio-campo precisou ser atendido. Mas isso foi no primeiro tempo. No segundo, a Holanda mostraria outra coisa.

Até porque a Argentina passou por mudanças, com a entrada do zagueiro Rubén Glaria no intervalo. E melhorou, impedindo mais a Holanda de chegar ao ataque. Tentando sair mais para o jogo, os argentinos tiveram a entrada de mais um atacante - um jovem de 20 anos em 1974, chamado Mario Kempes, que seria mais importante contra a Holanda na Copa de 1978 (mas essa já é outra história). As chances laranjas vieram só em bolas altas, no começo do segundo tempo. Aos 47', Cruyff cobrou falta e Neeskens cabeceou para fora; aos 51', Rensenbrink cruzou, Carnevali antecipou a saída do gol e pegou. Mas foi aos 64', quando Perfumo saiu com a bola dominada até a área da Holanda, e só Arie Haan o desarmou, que a Holanda notou precisar de algo para impedir que a Argentina "gostasse do jogo". Ainda mais porque a chuva pesada sobre Gelsenkirchen, iniciada por volta dos 65', impediria a tremenda velocidade vista na etapa inicial.

Então, a Laranja apostou na posse de bola. Cadenciou o jogo, com Van Hanegem e Rijsbergen aparecendo um pouco mais, sempre mantendo a bola nos pés. Contou com um Cruyff crescendo ainda mais do que no primeiro tempo, comandando posicionamentos, apontando sempre aos colegas como a jogada deveria seguir, sendo uma "eminência parda" laranja de tão importante que era para aquele time. Tanto que partiu do camisa 14 - já encharcado de chuva, como todos os outros - a outra chance holandesa, após muito tempo: Johan puxou contra-ataque, chegou à área com a bola, mas Carnevali saiu do gol e rebateu a conclusão dele. E partiu dele o cruzamento para o terceiro gol - do jogo e de Johnny Rep na Copa: aos 73', Cruyff cruzou, e Rep passou por trás da marcação, aparecendo na pequena área e cabeceando sem que Carnevali pudesse fazer muito. Um gol muito comemorado pela comissão técnica, nas imagens que a tevê mostrou.

Com seu gol, Johnny Rep definiu de vez que a Holanda venceria a Argentina, minimizando de vez as tentativas alvicelestes (Masahide Tomikoshi)

Voltava na reta final o domínio inquestionável da Holanda - até porque a Argentina ficaria com dez em campo: já com as duas substituições permitidas na época feitas, a seleção sul-americana perdeu Roberto Telch, machucado seriamente aos 35 minutos, saindo de maca. Depois, vieram mais chances. Aos 81', Wim Suurbier cruzou, e a bola passou perto da trave. No minuto seguinte, Krol (que também apareceu mais no segundo tempo) chutou de fora e para fora. Aos 86', Cruyff quase marcaria, se não estivesse impedido. O capitão holandês faria o segundo gol só nos acréscimos: após tabelar com Jansen, Van Hanegem finalizou, Carnevali (o goleiro argentino se esforçou muito) rebateu, e o camisa 14 completou de cabeça, de primeira, quase sem ângulo.

Ótimo complemento para a melhor atuação de Cruyff naquela Copa, provavelmente - a tal ponto que Van Hanegem reconheceu, à revista Voetbal International: "Eu achava que Cruyff era um dos melhores jogadores de todos os tempos. Eu estava errado. Ele é o melhor. Ele é imprevisível". Era também a melhor atuação da Holanda naquela Copa. Tão melhor que a revista El Gráfico, talvez o mais histórico veículo vinculado a futebol na Argentina, reconheceu: "A Holanda passou por cima de nós". E a maioria da imprensa internacional também bradava coisas como "Depois do jogo de quarta-feira, só um time já se pode dizer na final: a Holanda" (Daily Express, jornal inglês).

Era o maior momento do Futebol Total, em termos de seleção.


COPA DO MUNDO FIFA 1974 - SEGUNDA FASE - GRUPO A

Holanda 4x0 Argentina

Data: 26 de junho de 1974
Local: Parkstadion (Gelsenkirchen)
Árbitro: Bob Davidson (Escócia)
Gols: Johan Cruyff, aos 11' e aos 90' + 1, Ruud Krol, aos 25', e Johnny Rep, aos 73'

HOLANDA
Jan Jongbloed; Wim Suurbier (Rinus Israël, aos 84'), Arie Haan, Wim Rijsbergen e Ruud Krol; Wim Jansen, Willem van Hanegem e Johan Neeskens; Johan Cruyff; Robert Rensenbrink e Johnny Rep. Técnico: Rinus Michels

ARGENTINA
Daniel Carnevali; Enrique Wolff, Ramón Heredia, Roberto Perfumo e Francisco Sá; René Houseman (Mario Kempes, aos 63'), Carlos Squeo, Rubén Ayala (Rubén Glaria, aos 46') e Roberto Telch; Héctor Yazalde e Agustín Balbuena. Técnico: Vladislao Cap

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Laranja Mecânica, primeira e única: 6º capítulo - o Carrossel começa a girar

Se havia qualquer dúvida sobre a Holanda ser uma sensação na Copa de 1974, ela se acabou com a goleada contra a Bulgária, para fechar a fase de grupos (Werner Otto/ullstein bild/Getty Images)


Sim, a seleção da Holanda (Países Baixos) já era assunto na Copa de 1974. Já chamava a atenção como não fizera na preparação para o torneio. Ainda assim, sendo um pouco chato, era possível ter dúvidas sobre ela, após o empate contra a Suécia. O próprio Suurbier comentava ao diário De Telegraaf de 22 de junho, véspera da partida: "A Laranja, favorita? Não me faça rir!". Por mais que o 0 a 0 contra os suecos tivesse sido encarado com tranquilidade pelo time ("Fazer gols e jogar bem são coisas diferentes. Jogamos bem, mas o gol não saiu", minimizou Cruyff), qual era a da Laranja? O time irresistível que dominara completamente o Uruguai na estreia ou o time que insistira sem conseguir o gol (e até tomara alguns sustos na defesa) contra a Suécia? A resposta viria com a goleada por 4 a 1 e uma atuação segura contra a Bulgária, no último jogo do grupo 3 daquela Copa.

Contudo, para que aquela atuação fosse segura, era necessário ter alguma atenção. Primeiro, porque a Holanda não tinha vaga garantida na segunda fase daquela Copa, ainda. Segundo, porque a Bulgária tinha lá seu talento técnico: estivera nas duas Copas anteriores, 1966 e 1970, tinha jogadores experientes e até talentosos (principalmente o meio-campo Hristo Bonev, dos melhores da história do país). De mais a mais, o CSKA Sofia, principal equipe búlgara da época, tinha eliminado o Ajax nas oitavas de final da temporada 1973/74 da Copa dos Campeões - o formato antigo da Liga dos Campeões, sempre bom lembrar.

Foi principalmente sobre esse assunto, a qualidade da Bulgária, que o auxiliar Cor van der Hart procurou Rinus Michels para uma conversa. Nela, fez sugestões sobre como a seleção holandesa poderia pará-los. Em primeiro lugar, indicou possibilidades de alteração no time titular, como a entrada de Ruud Geels no centro do ataque. Em segundo lugar, recomendou: os holandeses precisariam parar os búlgaros, fosse como fosse. Se precisasse ser com faltas, paciência. Tudo para evitar que os búlgaros pressionassem uma defesa sobre a qual ainda restavam dúvidas - também é bom lembrar: o miolo de zaga da Laranja em 1974 era formado por um zagueiro com somente duas partidas pela seleção (Wim Rijsbergen) e um meio-campo recuado, quase um "líbero" (Arie Haan). E ambos só tinham jogado juntos por 45 minutos antes da Copa começar, no amistoso de preparação contra a Romênia.

Rinus Michels ouviu Cor van der Hart, seu colega de time na carreira de jogador, tanto no Ajax quanto numa passagem pela França. Concordou com a segunda ponderação. Mas discordou da primeira: "Precisamos dar força à formação que já está jogando". No máximo, Michels fez uma mudança, até esperada: tirou Piet Keizer, que decepcionara contra a Suécia (e não voltaria mais a jogar naquela Copa), trazendo Robert Rensenbrink (1947-2020) de volta aos titulares. De resto, o time que já começara nas duas primeiras partidas daria o pontapé inicial também em 19 de junho, novamente no Westfalenstadion de Dortmund, cidade que já começava a se acostumar com a invasão de torcedores holandeses, que chegavam em número cada vez maior, na empolgação da estreia marcante no Mundial.

Melhor, impossível

Se o objetivo holandês era evitar dores de cabeça da Bulgária, melhor começo de jogo foi impossível. Logo no primeiro minuto, Johan Neeskens (1951-2024) iniciou atuação excelente - mais uma dele naquela Copa -, recebendo passe em profundidade e chutando de fora da área, forçando o goleiro Stefan Staykov a fazer defesa. E logo aos cinco minutos, veio o primeiro gol. Cruyff (ditando o jogo, como sempre) carregou a bola pela esquerda, até ser parado por um carrinho do volante Tsonyo Vasilev. Coube a Neeskens, cobrador principal das penalidades no Ajax, fazer a cobrança. Precisou bater duas vezes. Na primeira, acertou o ângulo direito de Staykov, mas o juiz australiano Tony Boskovic ordenou que a cobrança voltasse, por invasão de Jansen (que até levou amarelo, por reclamação) e Van Hanegem. Sem problemas: na segunda, Neeskens bateu forte, no meio do gol, enquanto Stoykov mal escolheu um canto. Ficou parado, diante da força da bola, que estufou as redes. 

Neeskens já se impôs como um dos destaques do jogo no começo, com um gol de pênalti. Faria mais um (Werner Otto/ullstein bild/Getty Images)

Era só o começo de uma atuação que daria respostas mais definitivas sobre o que a Holanda faria na Copa de 1974. Jogando preferencialmente pela direita, a Laranja teria na velocidade de suas jogadas o ponto para dominar a Bulgária. Caberia a Cruyff (como sempre, ditando o jogo) e a Van Hanegem (com dores no tornozelo, sem poder correr muito) darem lançamentos, pelo alto ou por baixo. Para alcançar a bola, tanto Johan Neeskens quanto Johnny Rep sempre tinham fôlego a mais. E as chances de gol começaram a se avolumar. Algumas, afastadas pelo goleiro Staykov (aos 11', um chute de Neeskens, após escanteio; aos 13', desviando outro escanteio, cobrado por Cruyff). Outras, mais agudas: aos 14', Neeskens acertou a trave após passe de Cruyff, e aos 19', Rijsbergen lançou em profundidade, e Rensenbrink chutou cruzado, rente à trave.

Depois, no restante do primeiro tempo, a Holanda diminuiu o ritmo. Como se esperava, a Bulgária passou a pressionar em busca do empate. E ele quase aconteceu, por algumas vezes: o goleiro Jan Jongbloed fez boa defesa em finalização de Pavel Panov aos 22', Bonev mandou a bola na trave em cobrança de falta aos 26', Jongbloed apareceu de novo aos 28' ao defender outro chute de Panov. Mesmo tentativas mais leves faziam a defesa trabalhar: Rijsbergen afastou para escanteio uma tentativa de cruzamento de Voin Voinov, aos 25'.

Só então a Holanda voltou a aparecer. Com os dois "cérebros" de seu jogo, Van Hanegem e Cruyff: aos 32', este tabelou com aquele e bateu, da entrada da área, para Staykov pegou. E finalmente, conseguiu o segundo gol, de maneira até surpreendente: nos acréscimos (45' + 1), Cruyff puxou contra-ataque e passou a bola a Rep, que foi derrubado na área. Pênalti, Neeskens cobrando com a força de sempre, 2 a 0.

Domínio com mudanças

Para o segundo tempo, os dois times tiveram de mudar. Pelas dores - e por um cartão amarelo que já tinha no primeiro tempo, por reclamação -, Van Hanegem deu lugar a Rinus Israël. Naturalmente, isso já diminuiria o ímpeto holandês visto no primeiro tempo: zagueiro de origem, Israël ajudaria mais a defesa. E somente nos primeiros dez minutos da etapa final, a Bulgária já teve dois atacantes vindo a campo (Atanas Mihaylov e Krasimir Borisov - este cobrou falta para fora, aos 57', logo após substituir Panov).

Mas a Holanda teve até mais chances do que tivera no primeiro tempo. Johnny Rep que o diga: só nos primeiros minutos, o atacante da camisa 16 quase fez aos 47' (mandou para fora cruzamento de Cruyff) e aos 51' (outro arremate para fora). Com campo cada vez mais livre para os contra-ataques, outros nomes apareciam. Como Rensenbrink, que aos 55', mandou a bola na trave (após cruzamento de Wim Jansen, o camisa 15 demorou para driblar o goleiro), cabeceando-a para fora aos 60'. Mais seis minutos, e Cruyff fez tudo sozinho aos 66': puxou contra-ataque, chegou à área e finalizou - Staykov pegou em dois tempos.

No segundo tempo, Rensenbrink apareceu um pouco mais, perdendo duas boas chances de gol (Heinz Wieseler/picture alliance/Getty Images)

Todavia, gol, mesmo, só aos 71': uma cobrança de falta, rebatida parcialmente pela defesa búlgara, foi bem aproveitada por Rep, que fez 3 a 1, de voleio. Mas as chances seguiam: Staykov espalmou chute de Neeskens por cima do gol aos 75', Suurbier perdeu a chance no minuto seguinte... e aí, com os espaços aparecendo, a Bulgária conseguiu o seu gol. Por sinal, gol contra: cruzamento da esquerda passou por Jongbloed, Krol tentou afastar na pequena área... e seu carrinho mandou a bola contra o patrimônio.

Nada que abalasse a Holanda - àquela altura, já com Theo de Jong no ataque. Mais alguns ataques, agora já com cruzamento, e veio o quarto gol, aos 87': Cruyff cruzou, De Jong cabeceou no canto esquerdo de Staykov, e a Laranja garantia a goleada. Mais do que isso: garantia o primeiro lugar no grupo 3. Mais ainda: garantia-se como uma sensação daquela Copa. Falando à uma emissora de rádio, Rinus Michels minimizava a quantidade de cartões que a Oranje tomara já naquela fase: "Cartões amarelos fazem parte. Se não tomássemos tantos cartões, num torneio desses, eu daria uma multa a todos, por não terem feito o que se deve".

Mas era melhor ler o que os jogadores falavam a respeito. Wim Rijsbergen exultava: "Do jeito como jogamos, podemos superar qualquer adversário aqui. Estamos em grande forma". Suurbier voltava atrás da opinião dada no capítulo inicial deste texto: "Assim seremos campeões do mundo". Cruyff era mais cauteloso, mas nem tanto: "Se mostrarmos este nível na segunda fase, podemos chegar à final". E muito tempo depois, em sua autobiografia, Johan Neeskens reconheceu: "Vendo em perspectiva, aquele jogo contra a Bulgária fez a gente se tocar que tínhamos um grande time".

Pois é. O Carrossel começara a girar.



COPA DO MUNDO FIFA 1974 - FASE DE GRUPOS - GRUPO 3

Holanda 4x1 Bulgária

Data: 23 de junho de 1974
Local: Westfalenstadion (Dortmund)
Árbitro: Tony Boskovic (Áustria)
Gols: Johan Neeskens, aos 5' e aos 45' + 1, Johnny Rep, aos 71', Ruud Krol (contra), aos 78', e Theo de Jong, aos 87'

HOLANDA
Jan Jongbloed; Wim Suurbier, Arie Haan, Wim Rijsbergen e Ruud Krol; Wim Jansen, Willem van Hanegem (Rinus Israël, aos 46') e Johan Neeskens (Theo de Jong, aos 79'); Johan Cruyff; Robert Rensenbrink e Johnny Rep. Técnico: Rinus Michels

BULGÁRIA
Stefan Staykov; Stefan Velichkov, Bozhil Kolev e Dimitar Penev; Voin Voinov, Ivan Stoyanov (Atanas Mihaylov, aos 45'), Georgi Denev, Tsonyo Vasilev e Kiril Ivkov; Hristo Bonev e Pavel Panov (Krasimir Borisov, aos 56'). Técnico: Hristo Mladenov

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Fichário das mulheres: os jogos e os vídeos da 11ª rodada da Eredivisie feminina 2024/25

Zwolle 2x2 Heerenveen (sábado, 21 de dezembro de 2024)

Local: Sportpark De Vegtlust (Zwolle)
Árbitra: Sterre Bijlsma
Gols: Kelly Pruim, aos 34', Evi Maatman, aos 38', Aymée Altena, aos 61', e Mayke Lindner, aos 90' + 2
Jogo resumido: O Heerenveen estava muito perto da vitória fora de casa, para fechar a campanha na primeira metade da liga, mas o Zwolle conseguiu um ponto com o empate nos acréscimos

ZWOLLE
Inge Tijink; Jasmijn Dijsselhof (Mayke Lindner, aos 80'), Maud Rutgers, Vita van der Linden e Inske Weiman (Melissa Schilder, aos 80'); Nayomi Buikema, Senne van de Velde (Sterre Kroezen, aos 60') e Kelly Pruim; Sophie van Vugt (Hanna Huizenga, aos 46'), Naomi Hilhorst e Zoë Zuidberg. Técnico: Jim Brinkhof

HEERENVEEN
Jasmijn Resink; Ana Nassette (Elize van Vilsteren, aos 77'), Eef Smits, Fenna Meijer e Iris Teijema; Jet van Beijeren, Eef Kerkhof (Chantal Schouwstra, aos 83') e Elfi Maass; Aymée Altena (Lyanne Iedema, aos 77'), Evi Maatman (Britt Udink, aos 83') e Hester Algra (Slije Stockmar, aos 83'). Técnico: Niklas Tarvajärvi


Feyenoord 1x4 PSV (sábado, 21 de dezembro de 2024)

Local: De Kuip (Roterdã)
Árbitra: Marisca Overtoom
Gols: Melanie Bross, aos 12', Riola Xhemaili, aos 15', Chimera Ripa, aos 18' e aos 51', e Jada Conijnenberg, aos 76'
Jogo resumido: Mesmo em De Kuip, o PSV justificou plenamente porque terminará 2024 como líder da liga feminina holandesa. Em seis minutos, fez três gols, encaminhando a vitória e dominando plenamente o Feyenoord

FEYENOORD
Jacintha Weimar; Esmee de Graaf (Dechamaily Lont, aos 79'), Toko Koga, Celainy Obispo e Noëlle van der Sluijs (Bridget Baptiste, aos 71'); Sanne Koopman (Emma Pijnenburg, aos 46'), Maruschka Waldus (Kirsten van de Westeringh, aos 71') e Jarne Teulings; Romée van de Lavoir (Jada Conijnenberg, aos 46'), Ella van Kerkhoven e Esther Buabadi. Técnica: Jessica Torny

PSV
Nicky Evrard; Sara Thrige, Gwyneth Hendriks, Veerle Buurman (Emma Frijns, aos 82') e Melanie Bross; Riola Xhemaili (Zera Hulswit, aos 86'), Nina Nijstad e Sisca Folkertsma; Chimera Ripa (Ranneke Derks, aos 86'), Joëlle Smits (Fleur Stoit, aos 63') e Renate Jansen (Shanique Dessing, aos 82'). Técnico: Roeland ten Berge


Utrecht 4x1 Telstar (sábado, 21 de dezembro de 2024)

Local: Het Sportpark Zoudenbalch (Utrecht)
Árbitro: Dan Schaper
Gols: Dieke van Straten, aos 11', Chinatsu Kira, aos 12', Gera op den Kelder, aos 20', Elisha Kruize, aos 30', e Lotte de Keijzer, aos 45'
Jogo resumido: As Utregs até tomaram o empate rápido, mas se recompuseram mais rapidamente ainda, terminando o ano com goleada e seguindo com a excelente campanha

UTRECHT
Femke Bastiaen; Kyra Koopman (Naomi Piqué, aos 83'), Gera op den Kelder, Ilse van der Zanden e Joni Paliama; Nurija van Schoonhoven, Marthe Munsterman (Sophie Cobussen, aos 62') e Dieke van Straten (Sam de Jong, aos 76'); Maxime Snellenberg (Judith Roosjen, aos 62'); Elisha Kruize (Tami Groenendijk, aos 62') e Lotte de Keijzer. Técnica: Linda Helbling

TELSTAR
Kelly Steen; Pauline van de Pol (Tess Tiebie, aos 65'), Puck Donker, Esmée Daalman e Nikki Ridder; Sydney Blomqvist (Joy Vader, aos 46'); Lieke Vis (Yesmine Khanchouch, aos 72'), Chinatsu Kira (Akari Takeshige, aos 72'), Mila Lagcher (Yasmin Kleef, aos 65') e Nicci Berrevoets; Jannette van Belen. Técnica: Marelle Worm


Fortuna Sittard 0x0 ADO Den Haag (domingo, 22 de dezembro de 2024)

Local: Sportpark In de Bandert (Echt-Susteren)
Árbitro: Alwin Steeg
Jogo resumido: Num jogo entre duas equipes no meio de tabela, as duas goleiras apareceram bem (Dinkla, do Fortuna Sittard, até apareceu mais), e o placar ficou sem mudanças

FORTUNA SITTARD
Claire Dinkla; Moïsa van Koot (Femke Pietersma, aos 70'), Amber van Heeswijk, Nicole Stoop e Isabel Kopp; Rosa van Wershoven, Isa Dekker e Briony Stauffenberg (Sanne Peereboom, aos 79'); Lakeesha Eijken (Sanne Arons, aos 70'), Femke Prins e Maud van Berlo. Técnica: Glenda van Vlieshout 

ADO DEN HAAG
Barbara Lorsheyd; Bo Vonk, Daniëlle Noordermeer, Cato Pijnacker Hordijk e Jill van den Ende (Pleun Raaijmakers, aos 86'); Louise van Oosten (Quinty Dupon, aos 64'), Cheyenne van den Goorbergh e Anouk Boshuizen; Manon van Raay, Floortje Bol e Anne van Egmond (Gina Viehoff, aos 64'). Técnico: Marten Glotzbach

(Vídeo em https://eyecons.com/videos/fortuna-ado-den-haag-1-1-36003?utm_medium=share)

AZ 0x1 Twente (domingo, 22 de dezembro de 2024)

Local: AFAS Trainingscomplex (Wijdewormer)
Árbitro: Aron Ulijn
Gol: Ella Peddemors, aos 88'
Jogo resumido: Justo na sua despedida do Twente (a transferência para o Wolfsburg, que só seria no fim da temporada, foi antecipada para janeiro), a meio-campista Peddemors foi responsável pelo gol de uma vitória difícil do Twente

AZ
Femke Liefting; Pleun Groot (Camie Mol, aos 68'), Karlijn Woons (Djoeke de Ridder, aos 83'), Maudy Stoop e Ginia Caprino; Romaïssa Boukakar, Jasmijn van Uden (Bo op de Weegh, aos 41') e Manique de Vette; Floor Jolijn Spaan (Kealyn Thomas, aos 83'), Desirée van Lunteren e Fieke Kroese. Técnico: Wouter de Vogel

TWENTE
Daniëlle de Jong; Anna Knol, Lieske Carleer, Sophie te Brake e Alieke Tuin (Imre van der Vegt, aos 73'); Ella Peddemors e Danique van Ginkel; Kayleigh van Dooren (Nikée van Dijk, aos 77'); Rose Ivens, Jaimy Ravensbergen e Charlotte Hulst. Técnico: Joran Pot


Ajax 3x1 Excelsior (domingo, 22 de dezembro de 2024)

Local: De Toekomst (Amsterdã)
Árbitro: Marouan Achammachi
Gols: Danique Tolhoek, aos 14', Sabrine Ellouzi, aos 17', e Quinty Sabajo, aos 25' e aos 28'
Jogo resumido: Em que pese o rápido susto do empate do Excelsior, último colocado (embora, como sempre, esforçado em campo), o Ajax se recompôs e contou com o destaque d Sabajo - titular de novo, após algum tempo - para terminar 2024 vivo na disputa pela liderança, com o PSV

AJAX
Regina van Eijk; Daliyah de Klonia (Inessa Kaagman, aos 46'), Sherida Spitse, Roos van de Veen (Deau den Turk, aos 46')e Jonna van de Velde (Kay-lee de Sanders, aos 69'); Nadine Noordam, Rosa van Gool e Danique Noordman; Quinty Sabajo, Danique Tolhoek (Tiny Hoekstra, aos 61') e Lotte Keukelaar (Bente Jansen, aos 81'). Técnica: Hesterine de Reus

EXCELSIOR
Anouk van der Klooster; Yentl van Goch (Nikki Vrij, aos 46'), Lieke de With, Robine de Ridder e Yael Mollink (Jikke de Raaff, aos 46'); Katelyn Hendriks (Marilyn van de Burgt, aos 88'), Lynn Groenewegen, Mare Westerink e Shi-Jona Martina (Bonny Lammers, aos 46'); Sabrine Ellouzi e Chelsea Homan (Dana Breewel, aos 66'). Técnico: Mathijs Kreugel

Fichário: os jogos e os vídeos da 17ª rodada da Eredivisie 2024/25

RKC Waalwijk 1x1 Zwolle (sexta-feira, 20 de dezembro de 2024)

Local: Mandemakers Stadion (Waalwijk)
Árbitro: Erwin Blank
Gols: Oskar Zawada, aos 10', e Dylan Vente, aos 41'
Jogo resumido: Entre o bom começo do RKC Waalwijk e o empate do Zwolle, o fim de jogo é que trouxe emoções, na pressão do time da casa. E trouxe polêmicas: um gol do Zwolle foi anulado nos acréscimos, em erro gigante do VAR, que apontou impedimento num escanteio

RKC WAALWIJK
Joey Kesting; Fayssal Al-Mazyani, Liam van Gelderen, Roshon van Eijma (Julian Lelieveld, aos 75') e Luuk Wouters (Aaron Meijers, aos 75'); Godfried Roemeratoe (Kevin Felida, aos 54') e Yassin Oukili; Silvester van der Water (Denilho Cleonise, aos 54'), Mohamed Ihattaren e Richonell Margaret (Michiel Kramer, aos 86'); Oskar Zawada. Técnico: Henk Fräser

ZWOLLE
Jasper Schendelaar; Eliano Reijnders, Nick Fichtinger, Anselmo García MacNulty e Damian van der Haar; Anouar El Azzouzi e Davy van den Berg; Dylan Mbayo (Filip Krastev, aos 32'), Jamiro Monteiro e Odysseus Velanas; Dylan Vente. Técnico: Johnny Jansen

Go Ahead Eagles 2x1 NAC Breda (sábado, 21 de dezembro de 2024)

Local: De Adelaarshorst (Deventer)
Árbitro: Bas Nijhuis
Gols: Saná Fernandes, aos 10', Victor Edvardsen, aos 56', Oliver Edvardsen, aos 60'
Jogo resumido: Num jogo entre duas equipes que surpreendem com ótimas campanhas, o NAC Breda começou pressionando e abriu o placar. Foi a senha para o Go Ahead devolver a pressão, insistindo no ataque até conseguir a virada, no segundo tempo

GO AHEAD EAGLES
Luca Plogmann; Mats Deijl, Gerrit Nauber, Joris Kramer e Dean James; Evert Linthorst e Enric Llansana (Calvin Twigt, aos 90' + 1); Oliver Antman (Mathis Suray, aos 90' + 1), Jakob Breum (Robbin Weijenberg, aos 90' + 1) e Oliver Edvardsen; Victor Edvardsen. Técnico: Paul Simonis 

NAC BREDA
Daniel Bielica; Boy Lucassen (Raul Paula, aos 73'), Enes Mahmutovic (Adam Kaied, aos 90'), Jan van den Bergh e Terence Kongolo; Fredrik Oldrup Jensen (Lars Mol, aos 46') e Maximilien Balard; Saná Fernandes (Dion Versluis, aos 73'), Clint Leemans (Dominik Janosek, aos 82') e Leo Sauer; Elias Már Ómarsson. Técnico: Carl Hoefkens


Almere City 3x0 Heerenveen (sábado, 21 de dezembro de 2024)

Local: Yanmar Stadion (Almere)
Árbitro: Martijn Vos
Gols: Adi Nalic, aos 52', Joey Jacobs, aos 56', e Álex Balboa, aos 90' + 2
Jogo resumido: Foi até surpreendente. Com técnico interino após a demissão de Hedwiges Maduro, o Almere City pressionou continuamente o Heerenveen, que vencera o líder PSV na rodada passada. "Presente de Natal" das "Cabeças de Cabra" para a torcida: o time saiu da última posição

ALMERE CITY
Nordin Bakker; Hamdi Akujobi, Joey Jacobs, Théo Barbet (James Lawrence, aos 84') e Vasilis Zagaritis; Anas Tahiri (Álex Balboa, aos 84') e Thom Haye (Álex Carbonell, aos 62'); Jochem Ritmeester van de Kamp, Adi Nalic (Ruben Providence, aos 73') e Junior Kadile (Kornelius Hansen, aos 73'); Thomas Robinet. Técnico: Anoush Dastgir (interino)

HEERENVEEN
Mickey van der Hart; Denzel Hall, Nikolai Hopland, Sam Kersten e Oliver Braude (Jacob Trenskow, aos 70'); Espen van Ee e Luuk Brouwers; Alireza Jahanbakhsh, Levi Smans e Ilias Sebaoui (Ché Nunnely, aos 46'); Dimitris Rallis (Ion Nicolaescu, aos 46'). Técnico: Robin van Persie


AZ 1x0 Twente (sábado, 21 de dezembro de 2024)

Local: AFAS Stadion (Alkmaar)
Árbitro: Joey Kooij
Gol: Troy Parrott, aos 48'
Jogo resumido: Mesmo sendo entre duas equipes que disputam até um torneio continental (a Liga Europa), o primeiro tempo foi de pouquíssimas emoções e pouquíssimas chances de gol em Alkmaar. Na etapa final, o AZ teve competência, saiu na frente e controlou o jogo para ir ao quinto lugar da liga

AZ
Rome-Jayden Owusu-Oduro; Seiya Maikuma (Denso Kasius, aos 76'), Alexandre Penetra, Wouter Goes (Zico Buurmeester, aos 60') e David Möller Wolfe; Jordy Clasie (Mees de Wit, aos 89'), Sven Mijnans e Peer Koopmeiners; Ernest Poku (Dave Kwakman, aos 76'), Troy Parrott (Mexx Meerdink, aos 89') e Ruben van Bommel. Técnico: Maarten Martens

TWENTE
Lars Unnerstall; Bart van Rooij, Gustaf Lagerbielke (Gijs Besselink, aos 80'), Alec van Hoorenbeeck e Anass Salah-Eddine (Bas Kuipers, aos 57'); Youri Regeer (Sam Lammers, aos 72'), Sem Steijn e Michal Sadílek (Mitchell van Bergen, aos 57'); Daan Rots (Sayf Ltaief, aos 80'), Ricky van Wolfswinkel e Michel Vlap. Técnico: Joseph Oosting


Sparta Rotterdam 0x2 Ajax (domingo, 22 de dezembro de 2024)

Local: Het Kasteel (Roterdã)
Árbitro: Allard Lindhout
Gols: Kenneth Taylor, aos 77', e Bertrand Traoré, aos 87'
Jogo resumido: Entrando em campo com três zagueiros, o Ajax teve dificuldades no primeiro tempo. Com alterações no segundo, até melhorou, mas sofreu para marcar os gols. A vitória foi mais suada do que possa parecer, mas afinal veio, e os Ajacieden terminarão 2024 na segunda colocação da liga

SPARTA ROTTERDAM
Nick Olij; Saïd Bakari (Kayky, aos 79'), Rick Meissen, Marvin Young e Patrick van Aanholt; Julian Baas, Joshua Kitolano e Arno Verschueren (Charles-Andreas Brym, aos 79'); Shunsuke Mito (Camiel Neghli, aos 57'), Tobias Lauritsen e Pelle Clement (Mohamed Nassoh, aos 66'). Técnico: Maurice Steijn

AJAX
Remko Pasveer; Devyne Rensch, Daniele Rugani e Youri Baas; Anton Gaaei (Bertrand Traoré, aos 46'), Jordan Henderson, Kenneth Taylor (Steven Berghuis, aos 78') e Jorrel Hato; Davy Klaassen (Kian Fitz-Jim, aos 58'); Chuba Akpom (Mika Godts, aos 46') e Wout Weghorst (Brian Brobbey, aos 58'). Técnico: Francesco Farioli


PSV 3x0 Feyenoord (domingo, 22 de dezembro de 2024)

Local: Philips Stadion (Eindhoven)
Árbitro: Serdar Gözübüyük
Gols: Noa Lang, aos 19', Luuk de Jong, aos 27', e Malik Tillman, aos 63'
Jogo resumido: Um começo de jogo irresistível, com marcação pressionando a saída de bola do Feyenoord, foi a senha para o PSV marcar dois gols, se impor no clássico e conseguir vitória tranquila para encerrar 2024 e ir à pausa de inverno com a liderança do campeonato, seis pontos acima do Ajax

PSV
Walter Benítez; Richard Ledezma (Fredrik Oppegard, aos 90'), Ryan Flamingo, Olivier Boscagli e Mauro Júnior (Matteo Dams, aos 83'); Jerdy Schouten (Joey Veerman, aos 75'), Malik Tillman e Ismael Saibari (Guus Til, aos 75'); Ivan Perisic (Hirving Lozano, aos 90'), Luuk de Jong e Noa Lang. Técnico: Peter Bosz

FEYENOORD
Justin Bijlow; Bart Nieuwkoop (Givairo Read, aos 71'), Gernot Trauner (Thomas Beelen, aos 80'), Dávid Hancko e Hugo Bueno; Ramiz Zerrouki (Calvin Stengs, aos 65'), Antoni Milambo (Gjivai Zechiel, aos 80') e Quinten Timber; Anis Hadj-Moussa (Ibrahim Osman, aos 65'), Santiago Giménez e Igor Paixão. Técnico: Brian Priske


Utrecht 2x5 Fortuna Sittard (domingo, 22 de dezembro de 2024)

Local: De Galgenwaard (Utrecht)
Árbitro: Alex Bos
Gols: Nick Viergever, aos 6', Luka Tunjic, aos 56', Yoann Cathline, aos 57', Jasper Dahlhaus, aos 75', Ezequiel Bullaude, aos 78', Alessio da Cruz, aos 85', e Édouard Michut, aos 90' + 6
Jogo resumido: Com o gol precoce e uma atuação superior na etapa inicial, o Utrecht parecia encaminhar a vitória. Mas o Fortuna Sittard teve alterações, aproveitou contra-ataques pelas laterais e bolas paradas e cresceu no segundo tempo para uma surpreendente goleada. O Ajax "agradece"

UTRECHT
Vassilis Barkas; Niklas Vesterlund, Mike van der Hoorn, Nick Viergever e Souffian El Karouani; Zidane Iqbal e Alonzo Engwanda (Oscar Fraulo, aos 76'); Miguel Rodríguez (Adrian Blake, aos 65'), Victor Jensen (Jens Toornstra, aos 76') e Yoann Cathline; David Min (Anthony Descotte, aos 83'). Técnico: Ron Jans

FORTUNA SITTARD
Luuk Koopmans; Ivo Pinto, Syb van Ottele, Rodrigo Guth e Mitchell Dijks (Jasper Dahlhaus, aos 59'); Samuel Bastien (Ezequiel Bullaude, aos 70') e Loreintz Rosier; Alen Halilovic (Luka Tunjic, aos 46'), Ryan Fosso (Shawn Adewoye, aos 83') e Kristoffer Peterson (Édouard Michut, aos 46'); Alessio da Cruz. Técnico: Danny Buijs


Willem II 4x1 NEC (domingo, 22 de setembro de 2024)

Local: Willem II Stadion (Tilburg)
Árbitro: Richard Martens
Gols: Iván Márquez (contra), aos 20', Koki Ogawa, aos 24', Jeremy Bokila, aos 33', Ringo Meerveld, aos 63', e Boris Lambert, aos 86'
Jogo resumido: O Willem II conseguiu a goleada mudando seu jeito de jogar ao longo da partida. No primeiro tempo, atacou bastante; no segundo, apostou nos contra-ataques. Teve o prêmio de terminar o ano entrando de vez na disputa pela repescagem por vaga na Conference League

WILLEM II
Thomas Didillon-Hödl; Nick Doodeman, Raffael Behounek, Tommy St. Jago e Rúnar Tór Sigurgeirsson; Jesse Bosch, Ringo Meerveld (Amar Fatah, aos 89') e Amine Lachkar; Erik Schouten, Jeremy Bokila (Boris Lambert, aos 78') e Patrick Joosten (Emilio Kehrer, aos 67'). Técnico: Peter Maes

NEC
Robin Roefs; Lefteris Lyratzis (Kento Shiogai, aos 79'), Iván Márquez, Calvin Verdonk e Thomas Ouwejan; Dirk Proper, Rober González (Lasse Schöne, aos 64') e Kodai Sano (Sami Ouaissa, aos 64'); Vito van Crooij, Koki Ogawa e Basar Önal (Brayann Pereira, aos 87'). Técnico: Rogier Meijer


Heracles Almelo x Groningen (sábado, 21 de dezembro de 2024) - suspenso aos 80', retomado em 28 de janeiro de 2025

Local: Polman/Asito Stadion (Almelo)
Árbitro: Rob Dieperink
Gols: Luka Kulenovic, aos 20', e Romano Postema, aos 50'
Jogo resumido: Nos primeiros 80 minutos, ainda em 2024, o Heracles Almelo até começara melhor, mas foi surpreendido pelo empate do Groningen que teve um jogador expulso (o zagueiro Rente). Partida retomada em 2025, os Groningers se aguentaram para conseguirem um ponto

ESCALAÇÃO ORIGINAL

HERACLES ALMELO
Fabian de Keijzer; Mimeirhel Benita, Damon Mirani, Ivan Mesik e Lorenzo Milani (Ruben Roosken, aos 78'); Suf Podgoreanu, Sem Scheperman, Brian de Keersmaecker e Mario Engels; Jizz Hornkamp e Luka Kulenovic. Técnico: Erwin van de Looi

GRONINGEN
Etienne Vaessen; Marvin Peersman, Thijmen Blokzijl, Marco Rente e Finn Stam; Joey Pelupessy, Jorg Schreuders (Romano Postema, aos 46'), Johan Hove e Luciano Valente (Wouter Prins, aos 64'); Thijs Oosting (Thom van Bergen, aos 46') e Brynjólfur Willumsson. Técnico: Dick Lukkien

ESCALAÇÃO NA RETOMADA

HERACLES ALMELO 
Fabian de Keijzer; Mimeirhel Benita, Damon Mirani, Ivan Mesik e Daniël van Kaam; Sem Scheperman e Thomas Bruns; Suf Podgoreanu, Luka Kulenovic e Mario Engels (Bryan Limbombe, aos 88'); Jizz Hornkamp. Técnico: Erwin van de Looi

GRONINGEN
Etienne Vaessen; Marvin Peersman, Finn Stam, Thijmen Blokzijl e Wouter Prins; Tika de Jonge, Johan Hove e Thom van Bergen; Romano Postema e Brynjólfur Willumsson. Técnico: Dick Lukkien

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

O Brasil x Holanda de 1989: sobre expectativa e realidade

Van Breukelen cai lamentando, Romário comemora: Careca tinha acabado de fazer o gol da vitória do Brasil, num amistoso contra a Holanda que poderia ter sido muito mais (Arquivo)

Nos idos de 1989, um amistoso entre as seleções de Brasil e Holanda (Países Baixos) era de causar ansiedade em quem acompanhasse futebol. Ainda mais no final daquele ano. Também, pudera. Tratar-se-ia - bela mesóclise - do encontro entre o campeão sul-americano e o campeão europeu daquela época. De um lado, Ronald Koeman, Frank Rijkaard, Ruud Gullit, Marco van Basten e companhia bela; do outro, Careca, Romário, Bebeto, Branco, Taffarel e outra companhia não menos capacitada. Essa era a expectativa. A realidade do amistoso ocorrido há exatos 35 anos, para celebrar os 100 anos de fundação completados então pela KNVB (Koninklijk Nederlandse Voetbalbond, a federação holandesa), com vitória brasileira (1 a 0), foi um pouco diferente.

E foi diferente, principalmente, pelo lado da Laranja. Em primeiro lugar, porque o time neerlandês já não brilhava como na Euro 1988. O técnico Thijs Libregts enfrentava dificuldades no relacionamento com os jogadores - seria demitido antes mesmo da Copa de 1990. Um pouco por isso, um pouco pela autossuficiência dos jogadores, a campanha nas eliminatórias da Copa foi inferior ao que se esperava: mesmo com a classificação garantindo a volta da Oranje a um Mundial, após 12 anos de ausência, ela marcou menos gols na qualificação do que a Alemanha Ocidental, adversária de grupo (e futura campeã mundial). Para completar, vários dos destaques holandeses acabariam ausentes do amistoso em De Kuip, o estádio do Feyenoord. 

Em primeiro lugar, Ruud Gullit ficaria fora de qualquer maneira: a "Tulipa Negra" se recuperava de uma cirurgia no joelho, que perturbaria até sua participação na Copa do Mundo. Também por cirurgia no joelho, o atacante (ponta) Gerald Vanenburg seria mais um ausente. Marco van Basten e Frank Rijkaard até foram convocados, mas três dias antes do amistoso, disputaram pelo Milan a final do Mundial Interclubes, contra o Atlético Nacional colombiano. Final difícil, mas vencida (Milan 1 a 0, na prorrogação, gol marcado a um minuto do fim), a federação esperava que a dupla fosse liberada pelo clube italiano - mas, até obviamente, o Milan censurou, e os dois foram desfalques. No caso de Ronald Koeman, se dependesse de Johan Cruyff (técnico do Barcelona, onde Koeman jogava), o zagueiro também teria de ficar no clube. Por fim, Koeman foi liberado, mas só jogaria o primeiro tempo. 

Já que não era possível contar com Gullit, nem com Rijkaard, nem com Van Basten, a Holanda teve estreantes contra o Brasil: Laamers (à esquerda) e Sturing, por exemplo (Arquivo ANP)

De todo modo, Thijs Libregts usaria mais o jogo para testar novidades, como o lateral direito Edward Sturing e o atacante Bart Latuheru, ambos do Vitesse, ambos convocados pela primeira vez. Outro estreante era o meio-campista Adri van Rooy, do Antuérpia-BEL. Que motivou até uma gafe: Van Rooy já tinha agendada uma operação na virilha, o Antuérpia cobrou que a federação bloqueasse a convocação, e Van Rooy foi liberado (nunca mais voltaria a ser convocado). De quebra, mais dois seriam dispensados pelo mesmíssimo caso (operação na virilha): o meio-campo Henk Fräser e o atacante Pieter Huistra. Para repor a lacuna do corte deste, aliás, foi chamado outro atacante: o ponta-esquerda Frank Berghuis, do Volendam, pai de Steven Berghuis, atual atacante do Ajax.

Para o Brasil, que nunca tinha vencido a Holanda (dois jogos oficiais e duas derrotas até ali), também haveria cansados. Mais precisamente, dois: Bebeto e Ricardo Rocha. Se do lado europeu, o Milan disputara a final do Mundial Interclubes, o lado brasileiro teve a final do Campeonato Brasileiro, em 16 de dezembro, sábado anterior, com um nome de cada lado - Bebeto pelo Vasco (que seria campeão), Ricardo Rocha pelo São Paulo. Ambos seriam os únicos liberados para viajarem aos Países Baixos: Mazinho, lateral esquerdo vascaíno e da Seleção, também chegou a ser liberado, mas o clube da Colina negou que a CBF o convocasse, momentos antes da viagem. Ainda assim, a impressão brasileira era de otimismo. Quando nada, porque o título da Copa América tinha minimizado bastante as desconfianças sobre o trabalho de Sebastião Lazaroni à frente da Seleção - incluindo suas novidades, como jogar com três zagueiros, algo (muito) incomum no futebol brasileiro da época. Além do mais, em outubro, o Brasil já vencera outro amistoso badalado naquele ano: 1 a 0 na Itália, sede da Copa-1990, em Bolonha.

Além do mais, 13 dos 16 convocados brasileiros (lista abaixo) já tinham trajetória elogiada em clubes europeus. Bastava citar Careca, só abaixo de Maradona em importância no badalado Napoli, campeão da Copa da UEFA naquele 1989 - também contando com o meio-campo Alemão. Ou Dunga, já então estabilizado na Fiorentina e na Seleção. Ou Mozer, bem no Olympique de Marselha francês, que teria sua chance como líbero entre os três zagueiros, já que Mauro Galvão (titular sob Lazaroni, na maioria das vezes) estava machucado. Ou alguns reservas, como o zagueiro Júlio César (elogiado na Copa de 1986, convocado pela primeira vez por Lazaroni, atuava pelo Montpellier-FRA, e iria para a Juventus no ano seguinte) e o meio-campo Geovani (que tivera chances aqui e ali na Seleção, fora o destaque no torneio olímpico de Seul-1988, e estava no Bologna-ITA). Ou... Romário, a grande estrela justamente do Campeonato Holandês naquela época, pelo PSV. Aliás, Romário elogiou um adversário holandês que era seu colega de clube em Eindhoven: o atacante Juul Ellerman. "É um craque".

Entre tantos brasileiros jogando no exterior em 1989, Romário era o mais marcante do amistoso. Também, pudera: brilhava no PSV (Jeroen van Bergen/Soccrates Images)

Antes do jogo, Sebastião Lazaroni ansiava, ao Jornal do Brasil, querendo que Van Basten e Rijkaard jogassem: "Os dois são estrelas no clube e na seleção. Quero ver como nossa defesa cerca o caminho deles. No último jogo que fizemos contra o Milan [empate em 0 a 0, amistoso em junho de 1989], Mozer acabou com Van Basten. Quero ver Mozer novamente contra ele". Viagem feita para terras holandesas, as baixas temperaturas - Roterdã teve temperatura de dois graus positivos - preocupavam Lazaroni, que lembrou experiência anterior com frio, num amistoso do Flamengo, que treinava, contra a Fiorentina ("Com dez minutos, já perdíamos de 3 a 0. Depois reagimos, fizemos dois gols, mas não houve como empatar"). Por isso, sua escalação traria Dunga e Alemão para proteger o meio-campo. E Lazaroni elogiava a Holanda para justificar a cautela: "É uma seleção forte, técnica, criativa e que marca muito bem. Está no mesmo nível de 1974".

De todo modo, após um longo pré-jogo (incluiu até cumprimentos dos jogadores das duas equipes à rainha Beatriz, monarca dos Países Baixos na época), o começo da partida em De Kuip chamou mais a atenção pela placa de propaganda da Opel que mencionava Romário (a fabricante de carros perguntava "Romário, hoe bevalt je nieuwe Opel?" - em holandês, "Romário, o que achou do seu novo Opel?") do que pelo nível técnico. Se alguma equipe chamou mais a atenção, foi o Brasil. Primeiro, pelos vários avanços de Jorginho na lateral direita. Depois, pelo entrosamento do ataque - que causou as primeiras chances, como aos 6', num chute cruzado de Careca, para fora, após passe de Romário. Essas duas características vistas em De Kuip também se fizeram notar aos 24', quando Jorginho cruzou, Careca tentou completar para o gol, mas chegou atrasado. 

A placa de publicidade que evocava Romário: "O que achou do seu novo Opel?" (Reprodução)

No meio-campo, a Holanda já desfalcada sofreu ainda mais: aos 17', Ellerman se machucou ao ser atingido por Dunga, tentou seguir por mais alguns minutos, mas não aguentou e teve de dar lugar a Aron Winter, tornando o meio mais defensivo. Do lado holandês, perigo só ocorreu aos 37': Berghuis chutou cruzado, Taffarel soltou a bola na área, e Mozer afastou. Mas a última chance brasileira, aos 41', pode ser considerada até "premonitória". Afinal, Branco bateu falta de fora da área, e o goleiro Hans van Breukelen rebateu forte, meio no susto. Uma falta de Branco, contra a Holanda (Países Baixos). Cinco anos depois, seria exatamente assim que sairia o gol da vitória brasileira, por 3 a 2, no marcante jogo entre ambas, pelas quartas de final da Copa de 1994.

Antes do intervalo, Pelé (comentando o jogo na transmissão da TV Globo), até alertou que, para o gosto dele, o Brasil tinha "atacado demais pela direita". Ainda assim, a impressão da atuação brasileira tinha sido melhor do que a da holandesa. Melhoraria ainda mais no segundo tempo. Porque, em que pese o começo da chuva em Roterdã, a substituição de Ronald Koeman (que iniciava todas as saídas de bola holandesas) fez a qualidade pequena da Laranja naquele amistoso cair ainda mais. E logo após uma tentativa de Romário, aos 51', após falta cobrada por Branco, surgiu o gol: aos 54', Dunga acelerou a jogada com um lançamento para Jorginho. O lateral direito cruzou, e Careca cabeceou no contrapé de Van Breukelen para o 1 a 0 brasileiro.

Foi, praticamente, o último lance de emoção no amistoso. Mesmo com as entradas de alguns nomes importantes, como John van't Schip e Danny Blind, a Holanda seguiu mostrando pouco em campo, vitimada por tantos desfalques. O Brasil, mesmo sem pressionar demais, teve mais atacantes entrando (Bebeto e Muller) e até teve chances para ampliar (aos 75', Bebeto chutou de fora da área, forçando a defesa de Van Breukelen). Chegou à vitória que ampliou ainda mais o otimismo com que a Seleção terminou 1989 rumo à Copa: na edição do dia seguinte, em sua coluna no jornal O Globo, Juca Kfouri comentou que "o tetra está tão perto que dá até medo".

Ainda assim, a impressão tinha sido de um jogo monótono. A opinião mais frequente era citada no Jornal do Brasil, também de 21 de dezembro de 1989: "Todos afirmaram que, estivesse a Holanda com seu time completo, mesmo com o frio, as duas equipes teriam realizado um dos melhores jogos do ano". Mas a expectativa tinha se chocado com a realidade: os machucados e os não liberados tinham inviabilizado isso. E as duas seleções decepcionariam na Copa de 1990. Só que dessa realidade ninguém tinha como saber ainda...


(Os melhores momentos de Brasil 1x0 Holanda, amistoso, na transmissão da TV Globo, com a narração de Galvão Bueno, e os comentários de Pelé e Arnaldo Cezar Coelho. Postado no YouTube por Flávio Baccarat)

FICHA DO JOGO

Holanda 0x1 Brasil

Data: 20 de dezembro de 1989
Local: De Kuip (Roterdã)
Árbitro: Werner Föckler (Alemanha Ocidental)
Gol: Careca, aos 54'

BRASIL
Taffarel; Aldair (Júlio César, aos 46'), Mozer e Ricardo Rocha; Jorginho, Dunga (Silas, aos 74'), Alemão, Valdo e Branco; Romário (Bebeto, aos 58') e Careca (Müller, aos 74'). Técnico: Sebastião Lazaroni
 
HOLANDA
Hans van Breukelen; Edward Sturing, Ronald Koeman (Martin Laamers, aos 46') e Adri van Tiggelen; Berry van Aerle, Jan Wouters (Danny Blind, aos 69'), Rob Reekers e Frank Berghuis (John van't Schip, aos 58'); Bart Latuheru, Wim Kieft (John van Loen, aos 78') e Juul Ellerman (Aron Winter, aos 21'). Técnico: Thijs Libregts

OS CONVOCADOS

BRASIL (em negrito, os cortados)
Goleiros: Taffarel (Internacional) e Zé Carlos (Flamengo)
Defensores: Jorginho (Bayer Leverkusen-ALE), Aldair (Benfica-POR), Mozer (Olympique de Marselha-FRA), Ricardo Rocha (São Paulo), Júlio César (Montpellier-FRA), Branco (Porto-POR), Mazinho (Vasco) e Dida (Palmeiras)
Meio-campistas: Dunga (Fiorentina-ITA), Alemão (Napoli-ITA), Valdo (Benfica-POR), Silas (sem clube na época) e Geovani (Bologna-ITA)
Atacantes: Careca (Napoli-ITA), Romário (PSV-HOL), Bebeto (Vasco) e Muller (Torino-ITA)

HOLANDA (em negrito, os cortados)
Goleiros: Hans van Breukelen (PSV) e Joop Hiele (Feyenoord)
Defensores: Berry van Aerle (PSV), Edward Sturing (Vitesse), Danny Blind (Ajax), Ronald Koeman (Barcelona-ESP), Frank Rijkaard (Milan-ITA), Rob Reekers (Bochum-ALE) e Adri van Tiggelen (Anderlecht-BEL)
Meio-campistas: Jan Wouters (Ajax), Aron Winter (Ajax), Adri van Rooy (Antuérpia-BEL), Martin Laamers (Vitesse) e Henk Fräser (Roda JC)
Atacantes: Marco van Basten (Milan-ITA), Wim Kieft (PSV), Frank Berghuis (Volendam), Bart Latuheru (Vitesse), Juul Ellerman (PSV), John van't Schip (Ajax) e John van Loen (Roda JC)