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terça-feira, 1 de novembro de 2016

Até que demorou

O PSV se esforçou, povoou a defesa... mas como impedir Lewandowski? (ANP/Pro Shots)

Diante da dimensão do massacre que se vira nos primeiros minutos de Bayern de Munique 4x1 PSV, na rodada passada da fase de grupos da Liga dos Campeões, a partida desta quarta rodada mostrou um cenário bem mais honroso. Afinal de contas, desta vez até que o PSV resistiu bem mais à equipe alemã. Mas nem mesmo essa postura mais valorosa dos Boeren sobrepujou o poderio técnico inegavelmente maior dos bávaros. Resultado: o 2 a 1 que impede a equipe holandesa de realizar outra proeza como a da temporada passada, ao eliminá-la da Liga dos Campeões.

Grande parte dessa resistência maior se deveu inegavelmente ao retorno à velha tática que Phillip Cocu costuma usar para o time nas competições europeias. Indo de 4-3-3 na Allianz Arena, o PSV levou 2 a 0 do Bayern em apenas 20 minutos - e só não levou mais porque os Roten não aproveitaram todas as chances. Assim, Cocu voltou a usar o 5-3-2 velho de guerra, com Daniel Schwaab sendo escalado de novo. Alteração, só no gol, onde uma lesão muscular tirou Jeroen Zoet do jogo, abrindo espaço para Remko Pasveer jogar numa competição europeia, uma semana antes de completar 33 anos (e 37 anos após o próprio pai, o ex-goleiro Eddie Pasveer, atuar pelo Twente nas antigas Recopa e Copa da UEFA).

O problema é que não importa o esquema, seja 4-3-3, 5-3-2 ou 7-2-6, se o adversário é francamente superior e pode achar um jeito de lhe superar. Era o caso do Bayern de Munique. Ainda mais num dia em que Robert Lewandowski estava com tudo. Começou a partir dos quatro minutos, quando o atacante polonês cabeceou a bola no travessão. E foi continuando, com "Lewa" atormentando Héctor Moreno e Nicolas Isimat-Mirin. E o resto do Bayern, mantendo a posse de bola e alugando o meio-campo.

Ao PSV, restava apenas apostar em espaços para contra-ataques - e que Davy Pröpper e Bart Ramselaar os puxassem, com a ajuda de Gastón Pereiro. Surpreendentemente, deu resultado, aos 14': Ramselaar avançou pela direita, cruzou, e Pröpper desviou de cabeça. Manuel Neuer ainda conseguiu rebater, mas Santiago Arias (impedido, diga-se de passagem) aproveitou a sobra para fazer 1 a 0. Aumentou a esperança da torcida no Philips Stadion. Seria possível a surpresa? Seria possível superar o poderoso Bayern e fazer renascer as chances de classificação às oitavas de final da Champions League?

Pacientemente, o time vermelho mostrou que não, não era possível. Como a área do PSV estava cheia pelos três zagueiros, o Bayern começou a tocar a bola - e sempre procurava as laterais, fosse com Philipp Lahm, fosse com David Alaba. Numa dessas, aos..., Arjen Robben (destaque menor no jogo, hoje) cruzou, e Lewandowski cabeceou pela segunda vez na trave. Mas os cruzamentos continuaram. E a água mole tanto bateu na pedra dura que furou: aos 34', Lahm mandou a bola da direita, Joshua Kimmich desviou, e a bola foi na mão de Andrés Guardado. Daqueles pênaltis polêmicos, dependentes de interpretação. O italiano Gianluca Rocchi marcou, Lewandowski bateu, 1 a 1.

Se já estava na defensiva mesmo em vantagem, o PSV ficou ainda mais retraído com o empate. Afinal, ainda mantinha alguma chance de classificação. Bastava "apenas" segurar a pressão do Bayern no segundo tempo. Mas estava difícil: com uma posse de bola que terminou em 70%, o time alemão dominava plenamente as ações, embora fosse menos vistoso e acelerado do que se vira em Munique. Não importava, porque as chances vinham. Fossem em chutes de fora da área, como num de Alaba que Pasveer espalmou, aos 54'. Ou em nova defesa de Pasveer, aos 62', em arremate de Arturo Vidal - na sobra, Thomas Müller tentou mandar para a rede, mas Moreno tirou em cima da linha.

No minuto seguinte, Carlo Ancelotti colocou Douglas Costa em campo (o substituído Robben saiu sob aplausos da torcida do PSV). O técnico italiano parecia saber: se continuasse apelando para cruzamentos, talvez "consagrasse" o trio de zagueiros do adversário. Era preciso apostar nas jogadas com bola no chão. Assim saiu o gol da virada, aos 74', quando o brasileiro superou facilmente Moreno e cruzou para Lewandowski conferir, na pequena área.

Até que demorou, mas a derrota - e a eliminação - estavam sacramentadas. Poderiam ter ficado até piores: aos 86', Lewandowski quase marcou um golaço, livrando-se de Schwaab com um giro de corpo na área e já batendo de primeira, mandando na trave pela terceira vez nos 90 minutos. Mas já se sabia: o PSV teria (e terá) de se conformar em tentar uma vaga na Liga Europa. De um modo diferente, provava-se o que Luuk de Jong reconheceu após o jogo: "Esse Bayern é grande demais para a gente".

Se serve de consolo para os Eindhovenaren, pelo menos o Rostov-RUS levou o 2 a 1 do Atlético de Madrid nos acréscimos. Também está eliminado. E a tendência é que o jogo direto entre ambos, em Eindhoven, na última rodada da fase de grupos, decida a vaga na Liga Europa. Pelo menos, isso.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O sinal amarelo acendeu

Luuk de Jong sai de cabeça baixa. Compreensível: PSV rendeu-se facilmente ao Bayern (psv.nl)

Geralmente, o PSV tem uma reconhecida variação tática. Para o Campeonato Holandês, vai com o 4-3-3 velho de guerra; quando o jogo é pela Liga dos Campeões, Phillip Cocu coloca o time num 5-3-2 mais conservador. Nada mais lógico: afinal de contas, uma coisa é enfrentar os Go Ahead Eagles e Roda JC da vida, outra é encarar Bayern de Munique e Atlético de Madrid. Por isso, talvez, tanta estranheza quando foi anunciada a escalação da equipe de Eindhoven para o jogo contra o Bayern, na quarta passada, pela terceira rodada da fase de grupos da Champions League: afinal, os Eindhovenaren viriam à Allianz Arena num 4-3-3 normal, com Daniel Schwaab formando a zaga junto de Héctor Moreno.

Não deu certo, agora se sabe. E a goleada sofrida para os bávaros (4 a 1) deixou clara a má fase que o PSV vive atualmente: não bastasse deixar claro que é mais plausível pensar apenas em conseguir vaga na Liga Europa, foi a terceira partida sem vitórias. Tudo porque a equipe se enrolou nas duas rodadas mais recentes do Holandês: dois empates por 1 a 1, contra Heerenveen e Heracles Almelo. Com isso, o atual bicampeão nacional já se vê a nove pontos de distância do líder Feyenoord - para quem perdeu em casa, coisa que não acontecia havia muito tempo. Já se pode dizer: há algum tempo tempo o clube alvirrubro de Eindhoven não vivia período tão turbulento.

E a derrota pela Liga dos Campeões foi mostra desse momento turbulento - e de mais uma curiosidade: mesmo com esses problemas, o PSV não tem jogado irremediavelmente mal. Joga apenas com falta de cuidados defensivos. A prova se viu nos primeiros 25 minutos de jogo: por mais que o técnico agora seja Carlo Ancelotti, o Bayern ainda parecia nos tempos de Josep Guardiola, tal a volúpia ofensiva com que aproveitou os espaços deixados pela equipe holandesa. Principalmente na lateral direita: Joshua Brenet pavimentou uma avenida pela qual David Alaba jogou à vontade.

Se fosse só com o lateral/meio-campista austríaco, quem sabe a defesa pudesse ter dado algum jeito. Não deu, porque Arjen Robben, enfim recuperado, voltou a ser o que se sabe que ele é: o único jogador holandês da atualidade capaz de ser considerado entre os melhores do  mundo. E porque Robert Lewandowski e Thomas Müller aproveitaram (ou pelo menos tentaram) as chances que apareceram, com os espaços que Schwaab, Moreno e Jetro Willems deixaram na defesa. Com 20 minutos do primeiro tempo, o placar estava em 2 a 0 para os mandantes na Allianz Arena. 13 chances dos bávaros, nenhuma do PSV, acuado que estava na sua área de defesa. Era o caso de dizer que cabia mais.

Aí veio a surpresa. Quando começou a jogar nos vazios defensivos que o Bayern abre - e abre deliberadamente, porque correr riscos faz parte do estilo de jogo ofensivo -, o PSV mostrou algum talento. Principalmente pelas pontas: se Luuk de Jong ficou apagado no meio da área, se o irmão Siem de Jong foi ainda mais apagado na armação das jogadas, coube a Gastón Pereiro e Luciano Narsingh procurarem algo. Assim o PSV melhorou no final do primeiro tempo, assim veio o gol de Narsingh (aos 40'), assim Luuk de Jong recebeu bola para grande chance de empatar aos 48', assim Pereiro também teve possibilidade de igualar o placar aos 52'.

Ainda assim, tal melhora pareceu muito mais permitida pelo Bayern do que algo que realmente ameaçasse a vitória do campeão alemão. Tanto que bastou uma ótima jogada de Robben (desnecessário dizer como era a jogada...) para Lewandowski fazer 3 a 1. Aí, como bem comentou Cocu após o jogo, "foi o tiro de misericórdia". Sem contar que Jeroen Zoet continuava sendo exigido, fazendo pelo menos três ótimas defesas na etapa complementar. Era tarde para os Eindhovenaren sonharem, e ficou mais tarde ainda quando Robben consumou a goleada - aplaudido pela torcida do PSV que defendeu entre 2002 e 2004, o camisa 10 dos bávaros comentou a relação com o antigo empregador: "Se jogarei de novo [pelo PSV]? Não sei. Não iria tão longe. Estou ocupado com o Bayern. Depois desta temporada, meu contrato acaba. Mas minha relação com o Bayern é boa. Não estou preocupado com o futuro ou com um novo contrato, só em continuar em forma. (...) Também sinto algo pelo PSV, conheço muita gente lá".

Não deveria ter impressionado a irregularidade da defesa do PSV: afinal, foi justamente num erro de Siem de Jong, na saída de bola, que o Heracles Almelo conseguiu o gol de empate no 1 a 1 da 9ª rodada. Nem mesmo a boa atuação do ascendente Pereiro: fez o gol do clube, na partida pelo Holandês. Nem a inferioridade diante do Bayern: Joshua Brenet comentou impressionado à revista Voetbal International que "[o Bayern] foi o melhor time contra o qual já joguei". Não deveria impressionar nem mesmo a dura derrota sofrida pelo PSV: afinal, o sinal de alerta já está aceso há algum tempo em De Herdgang, com apenas três vitórias nos últimos dez jogos. Se antes o Bayern estava precisando reagir, agora a pressão passou a pairar sobre Eindhoven. Pelo menos, ainda há chance de ficar para a Liga Europa...