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sábado, 16 de novembro de 2024

Sustos, só fora de campo

Passado o susto que foi além do futebol, a Holanda (Países Baixos) logo impôs sua superioridade contra a Hungria, foi bem e se classificou (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Susto. Era este o principal temor da seleção masculina da Holanda (Países Baixos) antes do jogo contra a Hungria, neste sábado, pela Liga das Nações. A Laranja era favorita, mas um problema, um mau resultado, poderia trazer uma crise que seria até inesperada para uma semifinalista de Eurocopa. O susto veio, mas acabou sendo pior, indo além do futebol, com a convulsão que vitimou o auxiliar técnico húngaro Ádám Szalai logo no começo, deixando o ambiente tenso em Amsterdã. Mitigado o problema de saúde, pelo menos, a Holanda superou algumas falhas defensivas, melhorou, dominou, goleou e garantiu sua classificação com o 4 a 0 nos magiares, clara e obviamente assustados com o ocorrido.

Mal começara a partida na Johan Cruyff Arena, a Holanda começou mostrando fragilidades perigosas na defesa. No primeiro lance, o ala esquerdo Loïc Négo jogou rápido com Roland Sallai, entrou livre na área com a bola, e a jogada só não causou mais males por causa do impedimento de Négo. Aos 3', o perigo húngaro valeu: em erro de Jan Paul van Hecke (titular da Laranja pela primeira vez), Dominik Szoboszlai puxou contragolpe pela esquerda, chutou, e após rebote da defesa, András Schäfer mandou por cima do gol. O começo era o mais preocupante possível para a Holanda - dentro de campo.

Porque, fora de campo, aos sete minutos de jogo, aconteceu um fato que preocupou além do futebol. Ex-jogador da seleção (meio-campo com duas Eurocopas no currículo, 2016 e 2020+1), atual auxiliar do treinador Marco Rossi, Ádám Szalai convulsionou no banco de reservas. No ato, os primeiros socorros foram solicitados e chegaram rapidamente ao banco. Era o início de 15 minutos de tensão na Johan Cruyff Arena, incluindo a ida de Denzel Dumfries e dos goleiros reservas neerlandeses (Mark Flekken e Nick Olij) para auxiliar o "cordão humano" a proteger o atendimento a Szalai. Felizmente, o húngaro recobrou a consciência, foi colocado numa ambulância, que o levou prontamente a um hospital, e a seleção visitante se sentiu apta a seguir jogando. Teve de seguir em desvantagem. 

A convulsão com Ádám Szalai assustou todo o estádio (Roy Lazet/Soccrates/Getty Images)

Porque antes mesmo do mal estar de Szoboszlai, um cruzamento tinha sido interceptado por Tamás Nikitscher, com a mão. Suficiente para o VAR alertar, o juiz Jesús Gil Manzano rever o lance logo após autorizar o reinício do jogo, e marcar o pênalti para a Holanda. Pênalti que Wout Weghorst converteu para o 1 a 0 (e cuja comemoração teve críticas aqui e ali, por ser considerada efusiva demais, depois de um drama tão recente com a Hungria). Até demorou para a Laranja se tranquilizar - Roland Sallai quase empatou logo aos 12', em cabeceio que Bart Verbruggen pegou firme. Mas quando se tranquilizou, passou a dominar o jogo. As tantas defesas que o goleiro Dénes Dibusz precisou fazer são a prova: um cabeceio de Tijjani Reijnder aos 13', um chute de Dumfries aos 18', um arremate de Cody Gakpo aos 41', um voleio de Donyell Malen aos 45' + 2 (o segundo dos treze minutos de acréscimo). De quebra, a Hungria teve uma ousadia para tentar empatar: Szoboszlai arriscou toque do meio-campo, aos 45' + 6, mas Verbruggen estava atento e pegou. Pouco depois, o gol foi da Holanda, em outro pênalti, no penúltimo minuto do primeiro tempo: Malen foi derrubado por Zsolt Nagy na área, Gakpo bateu no alto, 2 a 0.

Segundo tempo iniciado, pressionando cada vez mais a Hungria (Van Hecke e Van Dijk avançavam ao campo de ataque), a Holanda continuou criando chances: já aos 47', Gakpo ajeitou, e Wout Weghorst teve o chute bloqueado. Pouco depois, outra jogada que indicou o bom desempenho da dupla de ataque: aos 50', tabela entre ambos, e Weghorst mandou a bola no travessão. Além dos dois, havia Malen, também satisfatório. E o trio de meio-campo, De Jong-Reijnders-Gravenberch, comprovando as boas expectativas existentes sobre ele antes da partida. Tudo isso seguia fazendo as chances holandesas se avolumarem, assim como as defesas de Dibusz: num chute de Reijnders fora da área aos 53', num cabeceio de Dumfries aos 56', num arremate de Jurriën Timber aos 59'... a Hungria só chegou perto do gol num chute de Sallai em diagonal, para fora, aos 48'.

Entre um meio-campo que se destacou como um todo, Frenkie de Jong já deixou claro em sua volta que dá um toque diferente ao setor na Laranja (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

O gol laranja até demorava. Mas quando veio, aos 64', num estiloso voleio de Denzel Dumfries, o domínio da dona da casa se consolidou em campo. A vitória estava garantida a ponto de Koeman poder poupar nomes como Frenkie de Jong, fazendo experiências com as alterações. Coube a uma delas, Noa Lang, fazer Dibusz novamente trabalhar. E coube a outra - outro retorno - fazer o gol que transformou a vitória em goleada: Teun Koopmeiners, que fez 4 a 0 de cabeça, aos 86'. Além da goleada, a atuação da Laranja trouxe de volta às boas impressões. Em que pese alguma demora na recomposição defensiva, para se proteger dos contra-ataques, os neerlandeses foram bem. Estão nas quartas de final da Liga das Nações, serão cabeças-de-chave nas eliminatórias europeias da Copa de 2026... enfim, foi um bom dia para a Laranja. Os sustos ficaram fora de campo - e também terminaram bem, já que Ádám Szalai está sendo atendido num hospital de Amsterdã, consciente, fora de perigo.


Liga das Nações da UEFA - Liga A - Grupo 3

Holanda 4x0 Hungria

Data: 16 de novembro de 2024
Local: Johan Cruyff Arena (Amsterdã)
Árbitro: Jesús Gil Manzano (Espanha)
Gols: Wout Weghorst, aos 9', Cody Gakpo, aos 45' + 12, Denzel Dumfries, aos 64', e Teun Koopmeiners, aos 86'

HOLANDA
Bart Verbruggen; Denzel Dumfries, Jan Paul van Hecke, Virgil van Dijk e Jurriën Timber (Jorrel Hato, aos 68'); Frenkie de Jong (Teun Koopmeiners, aos 68'), Tijjani Reijnders e Ryan Gravenberch (Mats Wieffer, aos 79'); Donyell Malen (Jeremie Frimpong, aos 84'), Wout Weghorst e Cody Gakpo (Noa Lang, aos 79'). Técnico: Ronald Koeman

HUNGRIA
Dénes Dibusz; Márton Dárdai, Botond Balogh e Willi Orbán; Zsolt Nagy, András Schäfer (Ádám Nagy, aos 74'), Tamás Nikitscher e Loïc Négo (Dániel Gera, aos 75'); Roland Sallai (Kevin Csoboth, aos 80'), Barnabás Varga (Levente Szabo, aos 60') e Dominik Szoboszlai. Técnico: Marco Rossi

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Para acabar com os sustos

A boa impressão que se tinha da seleção da Holanda se dissipou nas rodadas anteriores da Liga das Nações. Para trazê-la de volta, só vencendo e evitando perigos (Robin van Lonkhuijsen/ANP/Getty Images)

Ah, a montanha-russa que é acompanhar a seleção masculina da Holanda (Países Baixos)... se antes das datas FIFA de outubro, a impressão era de consistente evolução na Laranja, agora ela chega para as últimas rodadas da fase de grupos da Liga das Nações sob forte desconfiança. Também, pudera: as más atuações no empate com a Hungria e, principalmente, na derrota para a Alemanha jogaram a equipe neerlandesa numa situação longe de estar garantida, no grupo 3 da Liga A. do qual é segunda colocada. Se quiser ir sem sofrimento às quartas de final do "torneio europeu de amistosos", em março, terá de vencer a Hungria (sábado, 16, às 15h45 de Brasília, em Amsterdã). Se não vencer, precisa no mínimo empatar, para manter chances de avançar na última rodada, enfrentando a Bósnia (terça-feira, 19, às 16h45 de Brasília, em Zenica). Caso contrário, a Laranja terá de disputar os play-offs contra o rebaixamento de liga. 

Para tentar eliminar esses riscos, a Holanda segue com um problema: seu ataque. Em primeiro lugar, pela ausência de um nome da posição acima de qualquer suspeita: deve seguir o rodízio entre Joshua Zirkzee e Brian Brobbey, visto nas rodadas anteriores da Liga das Nações. Em segundo lugar, porque ambos estão inconstantes: se foram bem nos jogos de setembro, foram mal nos de outubro - e o mesmo se pode dizer sobre seus desempenhos em clubes, já que Zirkzee anda na reserva do Manchester United e Brobbey segue sem gols pelo Ajax, após 12 rodadas de Campeonato Holandês (até tem um, na Liga Europa). Sendo assim, além da possibilidade de se escalar Wout Weghorst - quase sempre opção confiável -, há sempre a persistente pergunta a Ronald Koeman: e Memphis Depay, volta? Se volta, quando? O técnico foi um pouco mais definitivo sobre o atacante do Corinthians, na coletiva da segunda passada: "Memphis ainda não está bem o bastante, nem em forma o bastante. Mas se tem um jogador de seleção com quem tenho mais contato, é ele - e Virgil [van Dijk], que é o capitão. Se ele continuar assim, estará no radar em março [próximas datas FIFA]".

Se serve de consolo para a seleção, o meio-campo já parece ter uma variedade de bons jogadores quase tão grande quanto a defesa holandesa (esta, desfalcada de Nathan Aké, poupado desta vez). O próprio Koeman reconheceu isso, aliás, na coletiva de segunda: "É bacana, o que se quer é sempre ter variedade de ótimos jogadores em casa posição". Ainda mais quando a maioria deles vive boa fase. Tijjani Reijnders é o principal nome do Milan, na atualidade; Ryan Gravenberch é fundamental no Liverpool, líder do Campeonato Inglês; Teun Koopmeiners, enfim livre de lesões, volta a se estabelecer na Juventus; e por último, mas não menos importante, Frenkie de Jong.

Entre tantos bons meio-campistas que a Laranja possui, Frenkie de Jong atrai o maior destaque desta convocação. Até óbvio: é sua volta, após mais de um ano (Robin van Lonkhuijsen/ANP/Getty Images)

433 dias após seu jogo mais recente pela seleção masculina da Holanda (Países Baixos), sete meses depois de uma lesão no tornozelo que teve recuperação lenta - a ponto de tirá-lo da Eurocopa -, enfim aquele que é considerado o melhor meio-campo holandês dos anos recentes teve de falar muito sobre suas incertezas à imprensa. Incertezas que nem foram tantas assim, segundo De Jong - agora pai - falou à revista Voetbal International: "Nunca duvidei se eu jogaria. Eu sei que rapidamente comparam quem machuca o tornozelo com Van Basten, mas não sei o que ele teve na época. Ouvi que ele foi operado várias vezes, e que nunca deu certo. Não foi assim comigo". Mas que vinham à cabeça vez por outra, como o meio-campo reconheceu ao diário De Telegraaf: "Passou pela minha cabeça o medo de que a lesão fosse crônica. Sempre confiei que voltaria a jogar. Mas houve incertezas sobre o quanto a recuperação duraria, e se o tornozelo ficaria completamente como era. Ele está bem, está melhorando, não tenho problema para jogar".

É bem verdade que outros três meio-campistas estão machucados (raramente a Laranja pode contar com todos os seus convocáveis...): Joey Veerman, Jerdy Schouten e Xavi Simons são as ausências da vez. Ainda assim, repita-se: o meio tem uma variedade de jogadores quase tão generosa para a seleção neerlandesa quanto a defesa tem. Falta o ataque render. E ele precisa. Afinal de contas, uma eliminação da Liga das Nações, até inesperada, traria um efeito que poderia respingar até no técnico Ronald Koeman. Afinal de contas, agora se pode dizer que, em qualquer tropeço mais sério da Laranja, haverá aqui e ali quem pense na hipótese de sondar Erik ten Hag para a seleção masculina - embora Koeman faça um trabalho razoável, ainda que longe da perfeição. 

É exatamente para evitar esses sustos que a Holanda tem de se impor contra Hungria e Bósnia.
 
Os 25 convocados da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

Goleiros: Bart Verbruggen (Brighton-ING), Mark Flekken (Brentford-ING) e Nick Olij (Sparta Rotterdam)

Defensores: Denzel Dumfries (Internazionale-ITA), Devyne Rensch (Ajax), Virgil van Dijk (Liverpool-ING), Matthijs de Ligt (Manchester United-ING), Jurriën Timber (Arsenal-ING), Stefan de Vrij (Internazionale-ITA), Jan Paul van Hecke (Brighton-ING) e Jorrel Hato (Ajax)

Meio-campistas: Tijjani Reijnders (Milan-ITA), Quinten Timber (Feyenoord), Ryan Gravenberch (Liverpool-ING), Justin Kluivert (Bournemouth-ING), Frenkie de Jong (Barcelona-ESP), Teun Koopmeiners (Juventus-ITA) e Mats Wieffer (Brighton-ING)

Atacantes: Joshua Zirkzee (Manchester United-ING), Brian Brobbey (Ajax), Cody Gakpo (Liverpool-ING), Donyell Malen (Borussia Dortmund-ALE), Wout Weghorst (Ajax), Noa Lang (PSV) e Jeremie Frimpong (Bayer Leverkusen-ALE)

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Dificuldades (in)esperadas

A Hungria freou a Holanda, que teve muitas dificuldades para arrancar um empate (Attila Kisbenedek/AFP/Getty Images)

Ferenc Puskas Arena, o estádio principal de Budapeste, a capital da Hungria. Nele, a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) sofre contra uma seleção que aposta muito em se fechar na defesa, encurtando espaço para troca de passes, e que consegue surpreender assim a Laranja, que ainda teve um jogador expulso. Foi este o cenário na eliminação para a Tchéquia (República Tcheca), nas oitavas de final da Eurocopa retrasada - jogo disputado em Budapeste, num torneio de várias sedes pela Europa. E quase foi este o cenário na terceira partida da Laranja pela Liga das Nações, contra a Hungria. Pelo menos, a seleção visitante foi atrás do empate em 1 a 1, que minorou o prejuízo causado pelas dificuldades (in)esperadas que a seleção magiar ofereceu.

Inesperadas, porque, pelo bom nível técnico demonstrado pela Holanda nos dois primeiros jogos da Nations League, esperava-se mais talento e mais capacidade para superar a Hungria. E aí está o lado "esperado": sendo um time de poucos jogadores de técnica notável - somente Dominik Szoboszlai e Roland Sallai, já que Barnabás Varga é mais um nome de finalização -, a Hungria se defenderia como poderia. E como pôde! Cometeu faltas, é verdade, mas trancou os espaços que a Laranja (jogando de azul) esperava ter para trocar passes. Tanto que, na maior parte do primeiro tempo, só havia recuos de um lado e de outro, tentando achar espaços pelas pontas. Que não vinham - só vieram, a bem da verdade, aos 13', quando Tijjani Reijnders tabelou com Cody Gakpo, tentou o cruzamento, mas o goleiro Dénes Dibusz rebateu. De resto, chutes de fora: como o de Quinten Timber, aos 16'.

Na verdade, para ser justo, a Hungria é que teve mais chances de gol, embora tenham sido pouquíssimas. Aos 17', em cobrança ensaiada de escanteio, Sallai mandou a bola na trave. E aos 32', surgiu a chance esperada pela seleção magiar. Ryan Gravenberch foi desarmado facilmente no meio-campo, a bola foi passada a Tamás Nikitscher, que teve espaço para avançar pela esquerda e cruzar a bola. Sallai estava livre na área, escapando das marcações de Gravenberch e Micky van de Ven. E completou, de cabeça, para fazer o 1 a 0. De nada adiantavam os 78% de posse de bola que a Holanda teve no primeiro tempo, se a eficiência e a velocidade eram pouquíssimas para tentar superar o adversário. No duro, ela só esteve perto do gol num inesperado tiro livre indireto: Dibusz deu "dois toques" ao cobrar tiro de meta, mas o próprio goleiro húngaro pegou a cobrança de Gakpo, aos 40'.

A Laranja (que jogou de azul) pressionou mais no segundo tempo, mas a expulsão de Van Dijk só dificultou mais as coisas (Sebastian Frej/MB Media/Getty Images)

Se estava assim, o caminho foi pelo alto, pelo menos no começo do segundo tempo. E começaram os cruzamentos. Alguns, pelos avanços de Denzel Dumfries: como aos 47', em que Reijnders e Joshua Zirkzee passaram da bola. Ou aos 56', quando o próprio Dumfries tentou na pequena área, mas mandou a bola sem rumo. Ou mesmo aos 68', quando o lateral direito cruzou, Xavi Simons ajeitou, mas Van de Ven errou o chute. As cobranças de falta tambem trouxeram chances: nelas, Stefan de Vrij cabeceou para fora, aos 53'. Houve até mesmo espaço para chutes, como o de Reijnders, para fora, aos 63'.

Ronald Koeman demorou para fazer mudanças, mas quando as fez, foram de uma vez: Donyell Malen para acelerar as jogadas pelos lados, Brian Brobbey para tentar segurar a bola no ataque. E Brobbey quase empatou, de cabeça, aos 78'. Justamente no minuto anterior à expulsão de Virgil van Dijk: minutos após tomar amarelo por reclamar de falta com o juíz suíço Lukas Fähndrich, o capitão derrubou Kevin Csoboth por baixo (e por cima também), e levou o segundo amarelo. A coisa só não ficou pior porque, aos 83', veio o empate, enfim, num cabeceio de Dumfries - que teria a braçadeira de capitão -, após cobrança de Gakpo.

Dos males, ficou o menor para a Laranja. Por enquanto, já que a Alemanha será adversária extremamente exigente na segunda-feira, ainda mais jogando em casa. Tudo pelas dificuldades (in)esperadas que a Hungria trouxe.
 

Liga das Nações da UEFA - Liga A - Grupo 3

Hungria 1x1 Holanda

Data: 11 de outubro de 2024
Local: Ferenc Puskas Arena (Budapeste)
Árbitro: Lukas Fähndrich (Suíça)
Gols: Roland Sallai, aos 32', e Denzel Dumfries, aos 83'

HUNGRIA
Dénes Dibusz; Attila Fiola, Willi Orbán e Márton Dárdai (Endre Botka, aos 50'); Bendegúz Bolla (Daniel Gera, aos 89'), Tamás Nikitscher, András Schäfer e Zsolt Nagy; Dominik Szoboszlai e Roland Sallai (Kevin Csoboth, aos 65'); Barnabás Varga (Ádám Nagy, aos 78'). Técnico: Marco Rossi

HOLANDA
Bart Verbruggen; Denzel Dumfries, Stefan de Vrij (Donyell Malen, aos 75'), Virgil van Dijk e Micky van de Ven; Quinten Timber (Guus Til, aos 75'), Tijjani Reijnders e Ryan Gravenberch; Xavi Simons (Matthijs de Ligt, aos 81'), Joshua Zirkzee (Brian Brobbey, aos 75') e Cody Gakpo. Técnico: Ronald Koeman

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

A melhor homenagem

A seleção da Holanda quer seguir as atuações promissoras que se viram dela no começo da Liga das Nações. Seria uma "homenagem" a Johan Neeskens, mais um ícone que faz falta (Stefan Koops/Eye4images/NurPhoto/Getty Images)

Que a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) é competitiva, a Eurocopa recente já deixou claro. O objetivo nesta nova fase do trabalho é ser competitiva e jogar de modo mais ousado, que contente mais a torcida. As duas primeiras atuações na Liga das Nações indicaram um bom caminho: tanto no 5 a 2 contra a Bósnia quanto no empate em 2 a 2 com a Alemanha, o desempenho da Laranja foi satisfatório, em que pesem erros defensivos aqui e ali. É este caminho que o time nacional neerlandês quer seguir na 3ª e 4ª rodadas da Liga das Nações, nestas datas FIFA, ambas fora de casa: contra a Hungria (nesta sexta-feira, 11, em Budapeste, às 15h45 de Brasília) e contra a Alemanha (na segunda, 11, também às 15h45, em Munique).

De todo modo, todo o contexto atual ficou em segundo plano, pelo triste fato ocorrido na segunda-feira passada: a repentina morte de Johan Neeskens (1951-2024), um dos grandes símbolos do antológico time vice-campeão mundial em 1974 e 1978, que colocou o Reino dos Países Baixos no mapa do futebol mundial. O assunto dominou o futebol no país, até mais do que a apresentação dos 24 convocados - a tal ponto que o técnico Ronald Koeman começou a entrevista coletiva falando sobre ele. E falando com profundidade e emoção sobre a memória que "Nees" deixou e a falta que o ex-meia já faz: "Quando eu era garotinho, ele era o meu ídolo. Gostava muito do jeito dele jogar, como o espírito de luta dele. Além do mais, ele era um especialista em cobranças de pênaltis". Nada mais justo, para um dos melhores jogadores que já vestiu laranja, homenageado no minuto de silêncio feito por todos no gramado do centro de treinamento da federação holandesa, na cidade de Zeist, ainda na segunda.

Mas a vida precisava - e precisa - seguir. Até porque há outras questões a serem resolvidas pelo técnico da Laranja. Uma delas, envolvendo um atacante que se tornou inesperadamente relacionado com o futebol brasileiro: Memphis Depay, de chegada badalada ao Corinthians, paulatinamente virando titular para tentar ajudar o clube do Parque São Jorge a se livrar do rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Transferência tão incomum para um jogador holandês que causa a divisão da opinião de quem acompanhe futebol por lá sobre Memphis. Para alguns, sua ida para o Brasil - e o bom desempenho de atacantes como Joshua Zirkzee e Brian Brobbey pela Laranja nas datas FIFA de setembro - trazem dúvidas se o camisa 94 corintiano não será passado na Oranje como agora são Daley Blind (oficialmente) e Georginio Wijnaldum (provavelmente). Para outros, por mais promissores que os jovens atacantes sejam, ainda não se pode prescindir do segundo maior goleador da história da seleção neerlandesa, aos 30 anos de idade. 

Ronald Koeman parece estar no segundo grupo. Se confessou completo desconhecimento do Campeonato Brasileiro quando a notícia se confirmou, na coletiva da segunda passada o técnico foi receptivo quanto às chances de Memphis voltar à seleção, embora siga sem prestar tanta atenção na Série A: "Eu vi o primeiro tempo do jogo do Corinthians [as partidas corintianas em casa no Campeonato Brasileiro são exibidas nos Países Baixos pela ESPN] no sábado passado. Já era tarde [o 2 a 2 contra o Internacional começou à meia-noite de domingo passado, no horário de Amsterdã]. então eu fui dormir. Mas foi um jogo ótimo. Memphis continua no meu radar, mas ele precisa estar em forma e ter mais ritmo de jogo".

Memphis Depay ainda não voltou à seleção da Holanda. Ainda... (Ettore Chiereguini/AGIF)

Se Depay ainda é uma incógnita, outros problemas parecem mais perto de solução, embora sejam pesados. Como o impacto do calendário lotado na forma dos jogadores: mesmo sem perder tantos jogadores, a convocação teve a defecção de Teun Koopmeiners, com lesão muscular sofrida na partida passada da Juventus pelo Campeonato Italiano. Joey Veerman, outro meia, sequer foi incluído, vindo de outro problema muscular. E até mesmo nomes em forma foram poupados por Koeman desta vez: "Schouten virou pai durante a Euro, foram muitos jogos em sequência. Ele estava sem condições, me explicou isso". Claro, o treinador entrou no tiroteio entre clubes e seleções sobre o calendário - alfinetando o lado clubístico, embora a Liga das Nações também não seja dos torneios mais prestigiosos para a opinião pública: "Eu fiquei contente por alguns [jogadores] dizerem que não aceitam mais isso. Se não for assim, nada acontecerá. Só existem jogos e mais jogos. Agora inventaram o Mundial de Clubes. É tudo por dinheiro".

Pelo menos, se faltam Koopmeiners e Veerman, há opções de alta qualidade no meio-campo holandês, como Tijjani Reijnders (já considerado titular absoluto da Laranja), Ryan Gravenberch (em plena recuperação de seu status, com o ótimo começo de temporada que faz no Liverpool) ou mesmo Mats Wieffer, de volta após uma lesão tirá-lo da Eurocopa ("Todos os meio-campistas aqui estão bem, preciso mostrar meu valor", reconheceu Wieffer à emissora NOS) - isso, sem contar Frenkie de Jong, começando a voltar aos campos pelo Barcelona. Na defesa, se não há o machucado Nathan Aké, há Micky van de Ven, também elogiado pelo bom começo no Tottenham ("Prefiro jogar na zaga, como jogo no Tottenham, mas posso jogar na lateral esquerda, sem problemas", tranquilizou o veloz defensor). Há Stefan de Vrij, veterano ainda presente e confiável, que pode ocupar o lugar de um Matthijs de Ligt pressionado por erros nas primeiras rodadas da Liga das Nações. E no já citado ataque da Laranja, há uma disputa de posição: escolher Brian Brobbey, que foi bem contra a Alemanha mas anda inconstante no Ajax? E Joshua Zirkzee, voltará a ter chances após bom momento contra a Bósnia? 

Seja quem for o escolhido, o fato é que a Holanda deseja exibir contra Hungria e Alemanha atuações boas, como foram as de setembro. Certamente será a melhor homenagem a Johan Neeskens, que tanta falta já faz.

Os 24 convocados da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

Goleiros: Bart Verbruggen (Brighton-ING), Mark Flekken (Brentford-ING) e Nick Olij (Sparta Rotterdam)

Defensores: Denzel Dumfries (Internazionale-ITA), Lutsharel Geertruida (RB Leipzig-ALE), Virgil van Dijk (Liverpool-ING), Matthijs de Ligt (Manchester United-ING), Stefan de Vrij (Internazionale-ITA), Jorrel Hato (Ajax), Ian Maatsen (Aston Villa-ING) e Micky van de Ven (Tottenham-ING)

Meio-campistas: Tijjani Reijnders (Milan-ITA), Quinten Timber (Feyenoord), Ryan Gravenberch (Liverpool-ING), Justin Kluivert (Bournemouth-ING), Xavi Simons (RB Leipzig-ALE), Mats Wieffer (Brighton-ING) e Guus Til (PSV)

Atacantes: Joshua Zirkzee (Manchester United-ING), Brian Brobbey (Ajax), Cody Gakpo (Liverpool-ING), Donyell Malen (Borussia Dortmund-ALE) e Jeremie Frimpong (Bayer Leverkusen-ALE)

quarta-feira, 30 de março de 2011

Uma vitória bem instrutiva


Holanda, finalmente, teve de se esforçar. E conseguiu um triunfo que deixa ensinamentos (AP)


Pelo começo do jogo na Amsterdam ArenA (que teve bonita homenagem a Van Bronckhorst, antes de seu início), a Holanda repetiria, na segunda partida contra a Hungria, pelas eliminatórias da Euro 2012, o passeio dado na última sexta, em Budapeste. Afinal de contas, a Oranje iniciou chegando constantemente ao ataque. E o gol que abriu o placar, feito por Van Persie, parecia o prenúncio de uma partida fácil.

Não foi. E não foi porque, achando que a partida estava definida, a equipe treinada por Bert van Marwijk cometeu aquele que talvez seja o seu pior erro: jogar esperando o adversário, oferecendo espaços a ele no ataque. Poderia até ser uma estratégia possível, caso a seleção tivesse uma defesa acima de qualquer suspeita. Não tem. Pior: não só a escalação contraindicava isso, uma vez que Van der Vaart não tem o poder de marcação de Van Bommel, como alguns defensores tiveram atuação frágil. Como Pieters e Van der Wiel, pelas laterais.

A consequência era óbvia: cada vez mais, os húngaros começaram a aproveitar os espaços oferecidos e a chegar perigosamente ao ataque, contando com as boas atuações de Gergely Rudolf e Zoltán Gera - auxiliados por Dzsudzsák, mais discreto dessa vez, mas sempre útil. O empate já poderia ter saído no final do primeiro tempo, quando os visitantes eram francamente melhores. Saiu no início do segundo, quando Rudolf teve até sorte, com o chute que desviou em dois defensores. E, com a Holanda aturdida, Gera fez o segundo gol. Parecia o golpe final na invencibilidade de nove jogos - que é maior, quando se lembra de jogos na Amsterdam ArenA. E maior ainda, em termos de jogos pelas eliminatórias da Euro (46 jogos!).

Parecia. Porque, aí sim, a Holanda tratou de justificar porque é uma das grandes seleções do mundo, atualmente. Com Afellay aparecendo no jogo, junto do esforço de Kuyt e de Sneijder, a Oranje chegou à virada - e contando também com a experiência de um personagem especial. Ao fazer o terceiro gol, Ruud van Nistelrooy empatou com Faas Wilkes, tornando-se o terceiro maior goleador da história da Oranje, com 35 gols. O nativo de Oss pode ser reserva, pode não aguentar mais o ritmo de uma partida completa, mas sua experiência e capacidade de finalização é algo de que não se pode prescindir.

A defesa até voltou a falhar, oferecendo o empate a Gera. Mas a confiança e a consciência de que precisava se esforçar para chegar à vitória continuavam grandes. E resultaram numa reação rápida, com os dois gols de Kuyt que deram a continuação da invencibilidade e a aproximação maior ainda da Euro. Numa vitória mais árdua do que se esperava, mas merecida.

Não só merecida, mas muito instrutiva. Porque mostra que a Holanda não pode se dar ao luxo de achar que jogar cautelosamente sempre dará resultado. E mostra que mesmo um adversário fraco exige todo o esforço possível. Caso aprenda isto, a Holanda continuará apta a exercer o domínio que hoje exerce no Grupo E das eliminatórias da Euro 2012.


sábado, 26 de março de 2011

E não vai mudar nada


Restam poucas dúvidas: a Holanda nada de braçada em seu grupo nas eliminatórias da Euro (AP)


Quando os grupos das eliminatórias para a Euro 2012 foram sorteados, já dava para se ver que a Holanda teria um caminho tão fácil como foi o da qualificação para a Copa de 2010. Até por ser cabeça de chave, pela terceira colocação no ranking da UEFA para as seleções europeias, a Oranje certamente teria um grupo sem adversários que pudessem causar grandes dores de cabeça.

O que não se esperava é que ele fosse mais fácil ainda. Afinal de contas, o time de Bert van Marwijk teria dois países um pouco mais tradicionais pela frente, Suécia e Hungria. É certo que haveria o alívio de pegar equipes como Moldávia e San Marino - este último, um saco de pancadas reconhecido. Ainda assim, dava para pensar na hipótese de suecos e húngaros fazendo alguma pressão contra a Laranja.

Pois foram justamente estes dois rivais tradicionais que sofreram duas das goleadas aplicadas pela equipe na qualificação para a Euro. A Suécia já havia sido destroçada com um 4 a 1. E, nesta sexta, foi a vez da Hungria sentir a ampla superioridade batava no Grupo E. O que só prova uma coisa: a solidez do elenco com que Van Marwijk trabalha, atualmente, é tão grande que a regularidade das atuações continua, sejam quais forem os jogadores.

Para começar, no gol, Michel Vorm foi bem sempre que exigido, como em chutes de Rudolf e Dzsudzsák. Já em boa fase há algum tempo, o goleiro do Utrecht se credencia, cada vez mais, como o reserva imediato de Stekelenburg. Mas é no meio-campo que se dá a grande revelação da boa fase que vive a Oranje. O personagem dessa revelação é Van der Vaart.

O meia do Tottenham foi o homem do jogo em Budapeste. Não só deu qualidade na saída de bola, como ainda assumia o papel de armador (como no terceiro gol, quando seu passe pegou a defesa húngara desprevenida, deixando Van Persie e Kuyt livres), ou até chegava ao ataque - resultando no primeiro gol, após bom passe de Sneijder.

Paralelamente a isso, depois de sofrer nos dez primeiros minutos de jogo, a linha de quatro defensores ficou absolutamente tranquila. O que deu liberdade para que Van der Wiel pudesse avançar o quanto quisesse, sem causar a menor preocupação na parte de trás. Enquanto isso, os coadjuvantes fizeram bem o seu serviço. Por exemplo, sem muitas preocupações na marcação, De Jong mal usou de força nas tentativas de repelir as subidas húngaras.

Com a vitória, a Holanda solidifica mais ainda um ciclo bastante seguro. É verdade que o grupo não é dos mais fortes. E as atuações do time tampouco são exuberantes a ponto de merecer os elogios derramados que Marco van Basten proferiu, comentando o jogo pela TV Veronica ("Foi agradável de se ver, lembrou algo do Barcelona", falou San Marco). Mas, assim como já fizera no caminho para a África do Sul, o time de Van Marwijk vai passando pelos rivais sem dificuldades.

E, após a derrota na final da Copa do Mundo, já consegue uma nova sequência invicta: desde o empate contra a Ucrânia, em agosto de 2010, já são oito partidas sem derrota. Sete vitórias seguidas (duas por amistosos, cinco nas eliminatórias da Euro). Cem por cento de aproveitamento na qualificação.

Ou seja: pode até ser que haja um empate, quem sabe uma derrota, em Amsterdã, na próxima terça. Mas nada indica que a Holanda deixará de estar na Polônia ou na Ucrânia para disputar a Eurocopa pela nona vez, no ano que vem. Com ou sem Robben, com Van Bommel ou Van der Vaart como parceiros de De Jong na dupla de marcadores no meio... nas eliminatórias para 2010, 2012... não vai mudar nada.