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sexta-feira, 1 de junho de 2018

Análise da temporada 2017/18


Num campeonato turbulento, o PSV se valeu de sua regularidade para conseguir mais um título holandês (Pim Ras Fotografie)
(Originalmente publicado na Trivela, em 1º de junho de 2018)

Por mais que demissões de técnicos sejam coisas cada vez mais frequentes no decorrer da temporada europeia, o Campeonato Holandês ainda mostra mais aposta na continuidade: o comum é ver técnicos só saindo entre uma temporada e outra. Até era para ser assim, nesta Eredivisie 2017/18 recém-encerrada. Todavia, por vários motivos, os demissionários decidiram antecipar suas demissões – e junto às saídas repentinas, tivemos sete técnicos que perderam seus empregos durante a temporada, o maior índice dos últimos anos. Foi uma mostra das várias turbulências por que passaram os clubes, no que talvez tenha sido o primeiro campeonato em que a Holanda se viu como um país desimportante no futebol, após algum tempo. 

Mesmo dentro de campo essa turbulência foi vista. O Ajax terminou a temporada cheio de pressão, mesmo sendo vice-campeão. O Feyenoord também deu várias razões para irritação da torcida, e só diminuiu as críticas na fase final da temporada. Mesmo a campanhas elogiáveis, como as de AZ e Utrecht, faltou algo. Na busca da repescagem pela Liga Europa, a disputa pelas vagas foi equilibrada – e quem ficou com o lugar foi o Vitesse, graças a uma evolução tardia. Na zona de rebaixamento, o Twente caiu diretamente, mas Roda JC e Sparta Rotterdam também acabaram perdendo a chance na repescagem, dando acesso a três novidades (o Fortuna Sittard, fora da elite desde 2000/01; o De Graafschap, de volta após dois anos; e o estreante Emmen).

Só o PSV escapou dessas turbulências. Talvez por isso, só ele mereceu o título que conquistou. É o que se verá, nesta análise final da coluna para a temporada 2017/18.

Lozano era a grande aposta do PSV antes da Eredivisie começar. Justificou cada centavo de euro gasto nele - e ainda teve o auxílio de Van Ginkel (Pro Shots)
PSV

Colocação final: Campeão, com 83 pontos
Time-base: Zoet; Arias, Schwaab, Isimat-Mirin e Brenet; Hendrix, Van Ginkel e Ramselaar (Pereiro); Bergwijn, Luuk de Jong e Lozano
Técnico: Phillip Cocu
Maior vitória: Utrecht 1x7 PSV (6ª rodada) 
Maior derrota: Willem II 5x0 PSV (27ª rodada)
Principais jogadores: Marco van Ginkel (meio-campo) e Hirving Lozano (atacante)
Artilheiro: Hirving Lozano (atacante), com 17 gols
Quem mais partidas jogou: Jorrit Hendrix (meio-campo), com 33 partidas
Copa nacional: eliminado nas quartas de final, pelo Feyenoord
Competição continental: Liga Europa (eliminado na terceira fase preliminar, pelo Osijek-CRO)

Assim como o Ajax, o PSV também começou a temporada sob pesadas críticas após um vexame – a queda para o Osijek, na Liga Europa. Mas ao contrário do rival de Amsterdã, tiveram foco. E se recompuseram para um turno fulgurante no Campeonato Holandês, que praticamente os encaminhou para o título: 17 jogos, 14 vitórias (e duas derrotas). No time, a eventual insegurança da dupla de zaga – Daniel Schwaab e Nicolas Isimat-Mirin – era compensada por vários fatores: a calma de Jeroen Zoet no gol, a firmeza de Jorrit Hendrix na marcação pelo meio, a velocidade de Santiago Arias na lateral direita, a regularidade conhecida de Marco van Ginkel no meio e no ataque, a aposta certeira na velocidade cheia de técnica que Hirving Lozano teve, a melhor fase da carreira de Jürgen Locadia... certo, havia falhas no estilo tático de Phillip Cocu, apostando nos contra-ataques. Às vezes, dava errado – como na derrota para o Ajax. Mas o PSV seguiu.

Na volta da pausa de inverno, a coisa seguiu a mesma. Se Locadia tomou o caminho do Brighton (onde já estava Davy Pröpper, que deixara os Eindhovenaren no começo da temporada), Luuk de Jong estava pronto para retomar o seu lugar no meio do ataque, afastando a pecha de “bode expiatório” do vexame do começo e marcando 12 gols. Coisa semelhante aconteceu com Gastón Pereiro: criticado pela falta de gana, ameaçado pelo bom surgimento do brasileiro Mauro Júnior, o uruguaio se recompôs no returno e voltou a ter importância. A segurança era tão grande que nem mesmo o forte solavanco dos 5 a 0 inesperados para o Willem II, na 27ª rodada, abalou o time ou deixou o título a perigo. A grande virada sobre o AZ, na 30ª rodada, foi a introdução perfeita para a apoteose: o título ganho exatamente em cima do Ajax. A prova de que o PSV soube se recompor dos erros para se recuperar e ganhar a Eredivisieschaal com domínio incontestável.

David Neres foi dos únicos a dominar alguma coisa, numa temporada em que os problemas saíram do controle do Ajax (ANP/Pro Shots)
Ajax

Colocação final: Vice-campeão, com 79 pontos
Time-base: Onana; Veltman, De Ligt, Wöber (Frenkie de Jong) e Tagliafico (Viergever); Ziyech, Schöne e Van de Beek; David Neres, Huntelaar e Justin Kluivert (Younes)
Técnico: Marcel Keizer (até a 17ª rodada), Michael Reiziger (interino, na 18ª rodada) e Erik ten Hag (a partir da 19ª rodada)
Maior vitória: NAC Breda 0x8 Ajax (12ª rodada)
Maior derrota: PSV 3x0 Ajax (31ª rodada)
Principais jogadores: Hakim Ziyech (meio-campista) e David Neres (atacante)
Artilheiro: David Neres (atacante), com 14 gols
Quem mais partidas jogou: Donny van de Beek (meio-campista) e Hakim Ziyech (meio-campista), que jogaram todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado nas oitavas de final, pelo Twente
Competição continental: Liga dos Campeões (eliminado na terceira fase preliminar, pelo Nice-FRA) e Liga Europa (eliminado nos play-offs preliminares, pelo Rosenborg-NOR)

A tragédia ocorrida com Abdelhak Nouri, ainda durante a pré-temporada na Áustria, já tornaria esta temporada dramática para o Ajax (não é exagero: mesmo no final dela, os jogadores eram unânimes em dizer como o trauma da ausência de “Appie” ainda os perturbava). A turbulenta saída de Peter Bosz não ajudava muito, colocando pressão sobre o sucessor Marcel Keizer. E se a eliminação na fase preliminar da Liga dos Campeões até era previsível, a queda inesperada nos play-offs para a Liga Europa, menos de cem dias após decidi-la, foi a prova final: os Ajacieden já começariam a temporada num clima nada agradável. E isso se confirmou durante o primeiro turno: por melhores que fossem as atuações, os problemas se avolumavam. A começar pela derrota para o Heracles Almelo, logo na primeira partida da Eredivisie. E isso porque, dos titulares, só haviam saído Davinson Sánchez, Davy Klaassen e Bertrand Traoré...

Os Ajacieden até figuraram na disputa do título. Alguns nomes causavam ótima impressão, como Matthijs de Ligt, Frenkie de Jong, Hakim Ziyech e David Neres. Mas a queda para o Twente na Copa da Holanda representou novo solavanco, com a sumária demissão não só de Marcel Keizer, mas do “conselheiro técnico” Dennis Bergkamp (perdedor na briga com a diretoria, com o diretor de futebol Marc Overmars ganhando). A aposta em Erik ten Hag, tirando o técnico do Utrecht, foi certa – mas feita do jeito errado, às pressas. A contratação de Nicolás Tagliafico, para a lateral esquerda, deu muito certo. E a evolução de Justin Kluivert foi impressionante no returno. No entanto, o PSV já estava quase inalcançável – e era melhor, como se provou no 3 a 0 do clássico que rendeu o título aos Boeren. Uma derrota inquestionável, que justificou por que o Ajax mereceu as críticas. E por que a temporada deve ser esquecida, apesar do vice-campeonato. O foco já é na reformulação, com Ten Hag e sem alguns destaques.

Alireza trazia a habilidade, Weghorst trazia a força física, e os dois trouxeram gols à excelente campanha do AZ (Pro Shots)
AZ 

Colocação final: 3º lugar, com 71 pontos
Time-base: Bizot; Svensson, Stijn Wuytens (Vlaar), Hatzidiakos e Ouwejan; Til, Midtsjo e Koopmeiners (Van Overeem); Alireza Jahanbakhsh, Weghorst e Mats Seuntjens
Técnico: John van den Brom
Maior vitória: AZ 6x0 Zwolle (34ª rodada) 
Maior derrota: AZ 0x4 Feyenoord (7ª rodada)
Principais jogadores: Alireza Jahanbakhsh (atacante) e Wout Weghorst (atacante) 
Artilheiro: Alireza Jahanbakhsh (atacante)
Quem mais partidas jogou: Marco Bizot (goleiro), que jogou todas as 34 partidas
Copa nacional: vice-campeão
Competição continental: nenhuma

Duas derrotas para o Ajax. Duas derrotas para o Feyenoord – uma delas, humilhante 4 a 0 sofrido em pleno AFAS Stadion de Alkmaar. Duas derrotas para o PSV – uma delas, na 30ª rodada, quase incrível: já no segundo tempo, o time fizera 2 a 0, mas tomou a virada para 3 a 2 entre os 29 e os 34 minutos. A rigor, foram estes os únicos resultados que impediram o AZ de se intrometer entre os grandes e sonhar com o título holandês. Capacidade técnica para disputar a liderança, não faltou aos Alkmaarders, que justificaram plenamente a razão de serem considerados a melhor equipe fora do Trio de Ferro.

Para começo de conversa, a defesa mostrou solidez invejável – a ponto do goleiro Marco Bizot já merecer convocações para a seleção holandesa, sob Ronald Koeman. A mesma coisa acontece com Guus Til, revelação que simboliza o ótimo nível técnico do meio-campo, com os três do setor (Til, Teun Koopmeiners e Fredrik Midtsjo) apresentando força para marcar e ajudar o ataque. Na frente, basta dizer que o AZ teve dois jogadores superando os 15 gols na temporada, se completando: a referência e a força física de Wout Weghorst (18 gols) com a velocidade e a habilidade de Alireza Jahanbakhsh, o goleador da temporada (21 gols). Bem em casa e fora dela – como visitante, só ficou abaixo do Ajax -, o AZ tinha tudo para ousar buscar a primeira posição. Nem mesmo a final da Copa da Holanda serviu de consolo: de novo, um grande se impôs (o Feyenoord). E o time de Alkmaar, embora excelente, poderia ter sido ainda melhor. Se não fossem os clássicos...

Só Berghuis teve razões para sorrir durante todo o ano no Feyenoord. A torcida só se alegrou no fim, pelo consolo do título da Copa da Holanda (ANP/Pro Shots)
Feyenoord 

Colocação final: 4º lugar, com 66 pontos
Time-base: Jones; Diks, Van Beek, Van der Heijden (Tapia/St. Juste) e Haps (Malacia); Toornstra (Van Persie), El Ahmadi e Vilhena; Berghuis, Jorgensen e Boëtius
Técnico: Giovanni van Bronckhorst
Maior vitória: Feyenoord 5x0 Excelsior (29ª rodada)
Maior derrota: Feyenoord 1x4 Ajax (9ª rodada)
Principal jogador: Steven Berghuis (atacante)
Artilheiro: Steven Berghuis (atacante), com 18 gols
Quem mais partidas jogou: Tonny Vilhena (meio-campista), com 33 partidas
Copa nacional: campeão
Competição continental: Liga dos Campeões (eliminado na fase de grupos)

Se o AZ foi bem, mas poderia ter sido melhor, o Feyenoord seguiu o caminho oposto: decepcionou, mas o final deixou a torcida até aliviada. No primeiro turno, alguns resultados assustaram no Campeonato Holandês, como a derrota para o NAC Breda, e a campanha na Liga dos Campeões não deixou a menor razão para esperança da torcida, sem nem mesmo render a vaga de consolação na Liga Europa. De quebra, as lesões sucessivas atrapalharam demais a defesa (Eric Botteghin, Jerry St. Juste, Sven van Beek, Jan-Arie van der Heijden). Alguns jogadores fundamentais no título de 2016/17 decepcionavam, como Brad Jones e Nicolai Jorgensen. E a pressão sobre Giovanni van Bronckhorst só aumentava.

Até a virada de ano, os únicos destaques eram Steven Berghuis e Jens Toornstra – que ganharam um tremendo nome para lhes ajudar, com Robin van Persie chegando para o returno. Não que as coisas tenham melhorado muito na Eredivisie (só para ficar num dado: jamais o Stadionclub perdera todos os jogos contra Ajax e PSV, como ocorreu neste campeonato), mas pelo menos as coisas melhoraram no fim, até com uma arrancada – sete vitórias nas sete últimas rodadas. De quebra, o título na Copa da Holanda serviu para acalmar de vez o tom das (justas) críticas. A ansiedade pelo futuro de Van Persie foi aliviada com o anúncio de sua renovação por mais um ano. Mas, mesmo com outro título e participação garantida em competições continentais, o Feyenoord sabe: precisa melhorar. Senão, a pressão retornará ainda mais forte.

Mesmo com a decepção de perder a vaga na Liga Europa, para a qual era favorito, o Utrecht teve a impressão de que a temporada valeu. E as atuações de Labyad (esquerda) e Ayoub ajudaram nisso (ANP/Pro Shots)
Utrecht 

Colocação final: 5º lugar, com 54 pontos
Time-base: Jensen; Troupée, Van der Maarel, Willem Janssen e Emanuelson; Strieder, Klaiber, Ayoub e Van de Streek; Labyad e Kerk (Dessers)
Técnico: Erik ten Hag (até a 18ª rodada) e Jean-Paul de Jong (a partir da 19ª rodada)
Maior vitória: Utrecht 5x1 Vitesse (27ª rodada)
Maior derrota: Utrecht 1x7 PSV (6ª rodada)
Principal jogador: Zakaria Labyad (atacante)
Artilheiro: Zakaria Labyad (atacante), com 15 gols
Quem mais partidas jogou: David Jensen (goleiro) e Sander van de Streek (meio-campo), ambos com 37 partidas
Copa nacional: eliminado na segunda fase, pelo VVV-Venlo
Competição continental: Liga Europa (eliminado nos play-offs, pelo Zenit-RUS)

É possível dizer que o Utrecht respondeu positivamente à grande pergunta que ficou, após a primeira temporada e antes do returno: a regularidade seria mantida? Não que a participação no primeiro turno tivesse sido ruim. Ao contrário: o time estava tranquilo, na sexta posição, tivera participação honrosa nas fases preliminares da Liga Europa, reagira bem à saída de Sébastien Haller, não faltavam destaques (Yassin Ayoub, Urby Emanuelson, Sander van de Streek, Zakaria Labyad), o técnico Erik ten Hag tinha o trabalho muito bem estabelecido. Mas o Ajax, em meio à crise, fez a proposta a Ten Hag, ele se interessou e tomou o rumo de Amsterdã tão logo 2018 começou. Como seria? Pois foi tranquilo o returno dos Utregs. 

O auxiliar Jean-Paul de Jong foi prontamente promovido a treinador, manteve a linha de trabalho, os destaques continuaram jogando bem... A bem da verdade, o time até melhorou no início da segunda metade da temporada: encontrando o Ajax treinado pelo antigo comandante, segurou um empate por 0 a 0; conseguiu ficar oito jogos sem perder (quatro vitórias e quatro empates); viu o ataque antes dependente de Haller manter a produtividade com mais destaques; e retornou à tentativa de se classificar para a Liga Europa. Bobeou quando não podia: perdeu o jogo de ida da decisão contra o Vitesse nos últimos minutos, e decepcionou na volta em casa, deixando a vaga com os visitantes. Para piorar, Ayoub está rumando ao Feyenoord, e Labyad, ao Ajax. Uma pequena reformulação será necessária. Se serve de consolo, o Utrecht provou poder superá-la.

O Vitesse decepcionava. Parecia cair pelas tabelas. Mas o técnico antecipou a saída, o interino foi prático, os destaques cresceram no fim - com destaque para Mason Mount, na foto - e o resultado foi um lugar na Liga Europa (ANP)
Vitesse 

Colocação final: 6º lugar, com 49 pontos
Time-base: Houwen (Pasveer); Karavaev (Faye), Kashia, Miazga e Dabo (Büttner); Foor, Serero e Mount; Linssen, Matavz (Castaignos) e Bruns
Técnico: Henk Fräser (até a 30º rodada) e Edward Sturing
Maior vitória: Vitesse 7x0 Sparta Rotterdam (31ª rodada) 
Maior derrota: Utrecht 5x1 Vitesse (27ª rodada)
Principais jogadores: Mason Mount (meio-campista), Bryan Linssen (atacante) e Tim Matavz (atacante)
Artilheiro: Bryan Linssen (atacante), com 17 gols
Quem mais partidas jogou: Bryan Linssen (atacante), com 37 partidas
Copa nacional: eliminado pelo AVV Swift (quinta divisão), na primeira fase
Competição continental: Liga Europa (eliminado na fase de grupos)

A volúpia ofensiva do Zwolle, a regularidade do Utrecht, a força do AZ: todos esses pareciam times destinados à Liga Europa. E o Vitesse? Fazia uma temporada tranquilamente ruim. Tranquila, porque sempre manteve seu lugar na zona da repescagem para tentar a Liga Europa (zona da qual nunca saiu, em nenhuma das 34 rodadas). Ruim, porque nunca o Vites conseguia agradar à torcida por suas atuações. Pior: até cometia vexames – campeão da Copa da Holanda, foi eliminado logo na primeira fase, por um clube amador, o AVV Swift. E sequer mostrou resistência, na campanha na Liga Europa.
Decepcionava, porque alguns jogadores mostravam que o Vitesse tinha capacidade para mais: Mason Mount, Navarone Foor, Bryan Linssen, Tim Matavz... E assim, por algum tempo, o Vitesse seguia empurrando com a barriga suas atuações na temporada.

No entanto, alguns resultados do returno indicavam que algo acontecia, como as vitórias sobre Feyenoord e, principalmente, sobre Ajax (o clube de Arnhem foi o único a conseguir superar os Ajacieden no turno e no returno). Vendo que seu trabalho não dava resultado, o técnico Henk Fräser anunciou que sairia ao final da temporada – e decidiu antecipar a saída, a quatro rodadas do fim. Aí, entrou o auxiliar Edward Sturing. Algumas mudanças tranquilizaram a equipe, como a troca de goleiro, com Jeroen Houwen no lugar de Remko Pasveer. O reforço Vyacheslav Karavaev, enfim, deu mais segurança na lateral direita. Após punição por sua falta de foco, enfim Alexander Büttner reagiu e tomou a lateral esquerda. Os destaques assumiram sua responsabilidade, como o capitão Guram Kashia, Matavz, Linssen... e Mason Mount, o nome dos play-offs, que conduziu o Vitesse à vaga na Liga Europa. O russo Leonid Slutsky chega num ambiente inesperadamente calmo. Quem diria...

Se o ADO Den Haag conseguiu uma arrancada para ainda tentar lugar na Liga Europa, Johnsen foi o grande responsável por isso, ao marcar gols nas últimas rodadas (Pro Shots)
ADO Den Haag 

Colocação final: 7º lugar, com 47 pontos
Time-base: Zwinkels; Ebuehi, Beugelsdijk, Kanon e Meijers; Immers, El Khayati e Bakker; Becker, Johnsen e Hooi
Técnico: Alfons “Fons” Groenendijk
Maior vitória: ADO Den Haag 4x0 Zwolle (18ª rodada)
Maior derrota: ADO Den Haag 0x3 Utrecht (1ª rodada), ADO Den Haag 0x3 Groningen (14ª rodada), PSV 3x0 ADO Den Haag (17ª rodada) e ADO Den Haag 0x3 AZ (29ª rodada)
Principal jogador: Bjorn Johnsen (atacante)
Artilheiro: Bjorn Johnsen (atacante), com 19 gols
Quem mais partidas jogou: Danny Bakker (meio-campista) e Bjorn Johnsen (atacante), ambos com 36 partidas
Copa nacional: eliminado na primeira fase, pelo Feyenoord
Competição continental: nenhuma

É até engraçado: o Den Haag conseguiu encontrar certa regularidade em ser irregular, ao longo da temporada. Nunca deixou a zona de classificação para a repescagem rumo à Liga Europa – mas quase sempre ficou em 8º lugar, última posição que levava aos play-offs (em algumas rodadas com mau resultado, até caiu na tabela). Não era um time capaz de encantar, mas alguns jogadores mostraram bom desempenho. No gol, Robert Zwinkels liderou o grupo e fez algumas atuações espetaculares – como contra o Feyenoord, ainda no primeiro turno, e contra o Ajax, já na 25ª rodada, ajudando o time de Haia a segurar o empate sem gols em plena Johan Cruyff Arena.

Finalmente, o meio-campo ajudava, com a boa temporada de Nasser El Khayati. E no ataque, além dos confiáveis Erik Falkenburg e Sheraldo Becker, o fim da temporada trouxe a ascensão de Bjorn Johnsen. O norueguês de ascendência norte-americana já era titular, mas foi irresistível nas últimas rodadas, sendo o grande adversário de Alireza Jahanbakhsh na disputa da artilharia. Com seu destaque, o time auriverde superou Heerenveen e Zwolle na rodada final: de nono lugar, saltou para o sétimo, e garantiu lugar nos play-offs pela Liga Europa. Neles, a estratégia de apostar nos contra-ataques fracassou, diante de um Vitesse que também arrancou no final. Ainda assim, o saldo final da participação na Eredivisie foi muito positivo, diante de alguns momentos passados.

Kik Pierie retrata bem o que foi a temporada do Heerenveen: cansada, estagnada (Pro Shots)
Heerenveen 

Colocação final: 8º lugar, com 46 pontos
Time-base: Hansen; Dumfries, Hoegh, Pierie e Woudenberg; Kobayashi, Schaars (Van Amersfoort) e Thorsby; Odegaard (Rojas), Ghoochannejhad e Zeneli
Técnico: Jürgen Streppel
Maior vitória: Twente 0x4 Heerenveen (12ª rodada)
Maior derrota: Heerenveen 0x4 Vitesse (9ª rodada)
Principal jogador: Reza Ghoochannejhad (atacante)
Artilheiro: Reza Ghoochannejhad (atacante), com 9 gols
Quem mais partidas jogou: Daniel Hoegh (zagueiro), com 36 partidas
Copa nacional: eliminado na segunda fase, pelo Willem II
Competição continental: nenhuma

O Heerenveen até buscou um lugar na Liga Europa, via repescagem – logo, a temporada não foi totalmente perdida. Porém, só o fato de ter ganho a vaga nos play-offs por causa da queda do Zwolle (até porque, na última rodada da temporada regular, ambos foram derrotados) dá a ideia de como a temporada do time da Frísia foi apenas e tão somente correta, sem as ousadias de outros tempos. Um nome que provou esse marasmo em campo foi Reza Ghoochannejhad: se foi um dos principais goleadores da Eredivisie em 2016/17, o iraniano passou longe da movimentada disputa pela artilharia desta vez. 

No meio-campo, as atuações eram normais, sem impressionar nem para o bem, nem para o mal – o que acabava sendo “mal”. Houve quem evoluísse, como Denzel Dumfries (promissor lateral direito), Marco Rojas e Martin Odegaard (útil até a fratura no pé). De mais a mais, na repescagem pela Liga Europa, o Fean até fez o Utrecht sofrer antes de ser eliminado. Ainda assim, fracassou ao tentar afastar a impressão de que a temporada foi sem graça. O trabalho estagnado causou a saída do técnico Jürgen Streppel. Seu sucessor, Jan Olde Riekerink, terá a missão de reanimar o time, com as mudanças previsíveis.

Após primeiro turno esplendoroso, a queda do Zwolle foi célere no returno. A má consequência demorou, mas enfim puniu péssimo retrospecto nas últimas rodadas (Jasper Ruhe)
Zwolle 

Colocação final: 9º lugar, com 44 pontos
Time-base: Boer; Ehizibue, Marcellis, Sandler (Freire) e Van Polen; Saymak, Dekker e Thomas; Namli, Parzyszek e Mokhtar
Técnico: John van’t Schip
Maiores vitórias: Zwolle 2x0 Twente (2ª rodada), NAC Breda 0x2 Zwolle (9ª rodada), Zwolle 2x0 ADO Den Haag (10ª rodada) e Zwolle 2x0 Sparta Rotterdam (29ª rodada) 
Maior derrota: AZ 6x0 Zwolle (34ª rodada)
Principal jogador: Younes Namli (atacante)
Artilheiro: Mustafa Saymak (atacante), com 11 gols
Quem mais partidas jogou: Diederik Boer (goleiro) e Kingsley Ehizibue (meio-campo/atacante), ambos com 33 partidas
Copa nacional: eliminado nas quartas de final, pelo AZ
Competição continental: nenhuma

Diante do sofrimento incomum da temporada passada, pode ser considerada decepcionante uma temporada em que a salvação foi garantida sem problemas? Pode. Pelo menos no caso do Zwolle, pode. Diante do que os “Dedos Azuis” jogaram no primeiro turno, era possível esperar até a repetição dos desempenhos admiráveis de há alguns anos, com o título da Copa da Holanda e a consequente aparição em fases preliminares da Liga Europa. Empate contra o Feyenoord, derrota imerecida para o futuro campeão PSV, velocidade no ataque – a partir de vários destaques (Younes Namli, Youness Mokhtar, Mustafa Saymak): não faltavam razões para os Zwollenaren serem dos times mais agradáveis na Holanda.

Tudo isso desapareceu no returno. A primeira partida dele – goleada sofrida por 4 a 0 para o ADO Den Haag, na 18ª rodada – já era mostra disso. E o Zwolle foi ladeira abaixo, do quarto lugar que ocupava no final do turno: somente três vitórias nas 17 rodadas derradeiras, campanha só melhor que a do rebaixado Twente. A habilidade ofensiva já não conseguia esconder os buracos pelas laterais, convites aos ataques adversários. Só a pontuação conquistada na fase inicial mantinha a equipe ainda na zona dos play-offs para a Liga Europa. Até que veio o desastre final: três derrotas nas três últimas partidas, incluindo 6 a 0 sofrido para o AZ na última rodada, e a perda do lugar que o faria sonhar com os torneios continentais. O Zwolle é um clube pequeno, e a temporada não deixa de ser elogiável. Mas diante do que parecia ser, o final foi amargo demais.

O Heracles poderia até ter ido melhor na temporada. Mas Kuwas indica: há chances de melhora (ANP/Pro Shots)
Heracles Almelo

Colocação final: 10º lugar, com 42 pontos
Time-base: Castro; Droste, Pröpper, Dries Wuytens e Breukers (Hardeveld); Van Ooijen, Niemeijer e Jamiro; Kuwas, Gladon (Vermeij) e Peterson
Técnico: John Stegeman
Maior vitória: Sparta Rotterdam 2x5 Heracles Almelo (34ª rodada) 
Maior derrota: NAC Breda 6x1 Heracles Almelo (22ª rodada)
Principal jogador: Brandley Kuwas (atacante)
Artilheiros: Vincent Vermeij (atacante) e Reuven Niemeijer (meio-campista), ambos com 8 gols 
Quem mais partidas jogou: Bram Castro (goleiro) e Jamiro Monteiro (meio-campista), que jogaram todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado nas oitavas de final, pelo Feyenoord
Competição continental: nenhuma

Assim como o Heerenveen, o Heracles mostrou ser uma equipe estagnada na temporada. A impressão da primeira rodada – vencendo o Ajax pela primeira vez na Eredivisie desde 1965 – se dissipou rapidamente. Por mais talento que tenha mostrado, e por mais regular que a campanha tenha sido, os Heraclieden nunca deram a impressão de que poderiam ousar coisa melhor na temporada. Algo que até desapontava. Porque, se não era uma equipe de encher os olhos, pelo menos o time de Almelo tinha alguns talentos.

No meio-campo, tanto Jamiro quanto Reuven Niemeijer causaram boa impressão. E o ataque veloz perturbava os adversários, com os gols de Vincent Vermeij e o destaque de Brandley Kuwas, que só não deu mais passes para gol no campeonato do que Hakim Ziyech. Mas, se tal “tranquilidade” era admirável no Excelsior, que sofria com a ameaça do rebaixamento, o Heracles tinha time para fazer mais do que fez. Talvez a saída do técnico John Stegeman dê o chacoalhão de que o grupo necessite.

Diante do sofrimento de outras temporadas, até que o Excelsior teve algo a comemorar, com a manutenção tranquila na Eredivisie (Pro Shots)
Excelsior 

Colocação final: 11º lugar, com 40 pontos
Time-base: Kristinsson; Massop, Mattheij, De Wijs e Karami; Faik, Koolwijk e Messaoud (Fortes); Elbers, Van Duinen e Luigi Bruins
Técnico: Mitchell van der Gaag
Maior vitória: Twente 1x3 Excelsior (10ª rodada)
Maior derrota: Feyenoord 5x0 Excelsior (29ª rodada)
Principal jogador: Ryan Koolwijk (meio-campista)
Artilheiro: Mike van Duinen (atacante), com 8 gols
Quem mais partidas jogou: Jürgen Mattheij (zagueiro) e Hicham Faik (meio-campista), ambos com 33 partidas
Copa nacional: eliminado na primeira fase, pelo Heerenveen
Competição continental: nenhuma 

Por mais que tenha alcançado o 12º lugar na temporada passada, o Excelsior havia sofrido demais para garantir a manutenção na Eredivisie. Assim como nas duas temporadas anteriores – em ambas, ficara na 15ª posição, primeira acima da zona perigosa. Pois bem, parece que o clube de Roterdã aprendeu a lição. Fazia tempo que não se via uma temporada tão tranquila feita pelo time do bairro de Kralingen. Talvez o mérito tenha vindo da continuidade. 

Enfim, o técnico Mitchell van der Gaag teve um grupo que já conhecia, com jogadores que já haviam mostrado alguma capacidade – casos de Khalid Karami, Ryan Koolwijk e Mike van Duinen. Se houve pequena queda no returno, ela foi controlada. O péssimo desempenho em seu estádio (pior time em casa na Eredivisie) foi plenamente compensado como visitante: jogando fora, o Excelsior só não foi melhor do que o AZ e do que os três grandes. Assim, permaneceu no meio da tabela, sem correr riscos. Mas só a temporada 2018/19 revelará se a lição foi realmente aprendida, com um novo técnico.

Diante dos perigos por que o Groningen de Ritsu Doan passou, até que a temporada terminou calmamente. Mas equipe precisa de melhoras (Getty Images)
Groningen 

Colocação final: 12º lugar, com 38 pontos
Time-base: Padt; Zeefuik, Te Wierik, Memisevic e Warmerdam; Hrustic e Bacuna; Doan, Jesper Drost e Mahi; Van Weert
Técnico: Ernest Faber
Maiores vitórias: Groningen 4x0 Sparta Rotterdam (18ª rodada) e Groningen 4x0 Excelsior (33ª rodada)
Maior derrota: Feyenoord 3x0 Groningen (22ª rodada)
Principais jogadores: Sergio Padt (goleiro), Ritsu Doan (meio-campista) e Tom van Weert (atacante)
Artilheiro: Tom van Weert (atacante), com 12 gols
Quem mais partidas jogou: Sergio Padt (goleiro), que jogou todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado na segunda fase, pelo Roda JC
Competição continental: nenhuma

Mais uma vez, o time do norte holandês deixou impressão ruim na temporada: a de que, se é um clube “mais ou menos” no país, está mais para “menos”. No primeiro turno, sofreu com a irregularidade de desempenho. Pior: viu alguns de seus destaques técnicos, como Mimoun Mahi e Oussama Idrissi, causarem transtornos indisciplinares – a ponto de Idrissi ter saído para o AZ no começo do ano, tão inviável estava sua permanência em Groningen. O único ponto indiscutível de destaque era o goleiro Sergio Padt, sempre garantindo segurança – depois, despontaram Ritsu Doan e Tom van Weert.

No returno, as coisas ficaram mais tranquilas, com a equipe se estabilizando numa região ainda segura da tabela. Mas o nível técnico seguiu desagradando demais a torcida – tanto que era comum ver muitos lugares vazios no estádio Noordlease, rodada após rodada. E algumas derrotas doeram – como para o Ajax, na 29ª rodada, quando o 2 a 1 veio no lance final do jogo. Pelo menos, àquela altura, o técnico Ernest Faber já antecipara que deixaria o clube tão logo a temporada terminasse. E a sequência das últimas rodadas (três empates, duas vitórias) permitiu um fim normal de temporada. Mas os adeptos esperam melhoras.

Destaque no começo da temporada; convalescente de um tumor nos testículos; voltou e continuou fazendo gols; há como não considerar Fran Sol um símbolo da temporada lutadora do Willem II? (Pro Shots)
Willem II 

Colocação final: 13º lugar, com 37 pontos
Time-base: Wellenreuther (Branderhorst); Heerkens (Lewis), Lachman, Van der Linden e Tsimikas; Chirivella, Ben Rienstra e Lieftink; Haye, Fran Sol e Croux
Técnico: Erwin van de Looi (até a 26ª rodada) e Reinier Robbemond
Maior vitória: Willem II 5x0 PSV (27ª rodada) 
Maior derrota: Feyenoord 5x0 Willem II (3ª rodada)
Principal jogador: Fran Sol (atacante)
Artilheiro: Fran Sol (atacante), com 16 gols
Quem mais partidas jogou: Konstantinos Tsimikas (lateral esquerdo) e Thom Haye (meio-campista), ambos com 33 partidas
Copa nacional: eliminado nas semifinais, pelo Feyenoord
Competição continental: nenhuma

Durante muito tempo, o Willem II viveu angustiado na temporada. Terminou o primeiro turno em situação dramática: só um ponto o fazia escapar da zona de repescagem/rebaixamento, e o desempenho em casa era muito ruim. Ainda assim, a equipe demonstrava capacidade de poder escapar, até pelo bom desempenho de alguns jogadores – por mais que o melhor deles, Fran Sol, se recuperasse de um tumor. Pois bem: as coisas seguiram turbulentas em Tilburg (tanto que a anunciada saída do técnico Erwin van de Looi foi antecipada), mas o objetivo foi alcançado. 

Sob o comando do interino Reinier Robbemond, Fran Sol voltou e continuou fazendo gols aos borbotões (disputou a artilharia até a última rodada da Eredivisie). Alguns outros jogadores ajudaram – como Konstantinos Tsimikas e Ben Rienstra. e os Tricolores conseguiram até uma inimaginável goleada sobre o futuro campeão PSV. De quebra, a campanha na Copa da Holanda não foi de se jogar fora, com a chegada às semifinais. Enfim, mesmo sofrendo, o Willem II conseguiu provar em campo que não era time para cair. Só tem a necessidade da reformulação para ficar mais tranquilo em 2018/19.

Já antes da melhora, o NAC Breda mostrava esforço. E foi isto que o levou a conseguir a permanência, antes de mais nada (ANP/Pro Shots)
NAC Breda 

Colocação final: 14º lugar, com 34 pontos (na frente pelo melhor saldo de gols)
Time-base: Bertrams (Birighitti); Sporkslede, Mets, Pablo Marí e Angeliño; Manu García e Verschueren; El Allouchi, Rai Vloet e Ambrose; Sadiq Umar
Técnico: Stijn Vreven
Maior vitória: NAC Breda 6x1 Heracles Almelo (22ª rodada) 
Maior derrota: NAC Breda 0x8 Ajax (12ª rodada)
Principal jogador: Angeliño (lateral esquerdo)
Artilheiro: Thierry Ambrose (atacante), com 10 gols
Quem mais partidas jogou: Angeliño (lateral esquerdo) e Manu García (meio-campista), que jogaram todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado na primeira fase, pelo Achilles ’29 (terceira divisão)
Competição continental: nenhuma

Por tudo que viveu na temporada, o NAC Breda merecia ter sofrido menos do que sofreu durante todo o Campeonato Holandês. Sempre transitou entre as posições derradeiras da tabela (terminou o turno em 16º lugar, primeira posição que iria à repescagem), foi vítima em goleadas típicas da Eredivisie – como o 8 a 0 do Ajax, na 12ª rodada -, mas a torcida sempre lotava o estádio Rat Verlegh para alegrar as chamadas “Avondjes NAC” (em holandês, as “noitinhas do NAC”). De mais a mais, claramente havia jogadores tecnicamente capazes de compensar falhas como a inconstância no gol – foram três arqueiros utilizados.

Se os clubes rebaixados foram prejudicados por quedas de produção justamente quando não podiam tê-las, os aurinegros de Breda se valeram do efeito oposto: nas 17 rodadas finais, viram os destaques crescerem (muitos, egressos da parceria com o Manchester City). Angeliño foi dos melhores laterais esquerdos do campeonato; no meio-campo, Manu García jogou bem; e o ataque contou com gols importantes tanto de Thierry Ambrose quanto de Sadiq Umar. Suficientes para resultados como a vitória sobre o Feyenoord, na 26ª rodada. Ou para os quatro triunfos nas nove últimas rodadas, que contrabalançaram as quatro derrotas no mesmo período – e que, somados aos tropeços dos concorrentes diretos, ajudaram o NAC Breda a realizar seu objetivo: conseguir ficar na Eredivisie, após a volta da segunda divisão. Agora, é ganhar sequência na elite.

Com grande mérito de Lennart Thy, o VVV-Venlo garantiu precocemente que ficaria na Eredivisie. Nem por isso precisava fazer o péssimo fim de temporada que fez (ANP/Pro Shots)
VVV-Venlo 

Colocação final: 15º lugar, com 34 pontos
Time-base: Unnerstall; Rutten, Röseler, Promes e Labylle; Post, Seuntjens e Leemans; Van Crooy, Thy e Hunte (Castelen)
Técnico: Maurice Steijn
Maior vitória: VVV-Venlo 3x0 Sparta Rotterdam (1ª rodada)
Maior derrota: VVV-Venlo 2x5 PSV (8ª rodada)
Principais jogadores: Lars Unnerstall (goleiro), Clint Leemans (atacante) e Lennart Thy (atacante)
Artilheiro: Clint Leemans (atacante), com 10 gols
Quem mais partidas jogou: Nils Röseler (zagueiro), que jogou todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado nas oitavas de final, pelo PSV
Competição continental: nenhuma

Se NAC Breda e Willem II se valeram de pequenas arrancadas para conseguirem a salvação, o time aurinegro sofreu com a trajetória oposta. Nem era para sofrer tanto assim, no final da temporada. Afinal de contas, voltando como campeões da segunda divisão, os Venlonaren haviam feito um primeiro turno elogiável. E até seguiram regulares em boa parte do returno – com direito a vitória sobre o Feyenoord -, sonhando em alcançar a zona da repescagem pela Liga Europa.

De quebra, a contratação do experiente Romeo Castelen foi muito útil no ataque, para ajudar os já conhecidos Clint Leemans e, principalmente, Lennart Thy (este, além de se destacar em campo, recebeu elogios unânimes pelo auxílio a uma vítima de leucemia fora dele). No gol, Lars Unnerstall foi tão bem que mereceu a contratação pelo PSV. E o VVV garantiu a permanência na primeira divisão. Foi seu mal: tranquilo, desacelerou. E não só perdeu a chance de buscar os play-offs, como teve péssima sequência final: sete derrotas e um empate nas últimas oito rodadas. Já estava salvo. Mas não pode repetir este erro na próxima temporada – até porque alguns destaques já não vestirão mais preto e amarelo.

O Roda JC nem foi tão desesperado quanto em outras temporadas em que sofreu a ameaça do rebaixamento. Mas caiu assim mesmo (Pro Shots)
Roda JC 

Colocação final: 16ª lugar, com 30 pontos – rebaixado na repescagem
Time-base: Jurjus; Kum, Banggaard, Auassar e Vansteenkiste; Ndenge e Gnjatic; Rosheuvel, Gustafson e Avdijaj; Schahin
Técnico: Robert Molenaar
Maior vitória: VVV-Venlo 1x4 Roda JC (33ª rodada)
Maior derrota: Feyenoord 5x1 Roda JC (18ª rodada)
Principal jogador: Simon Gustafson (meio-campista)
Artilheiro: Dani Schahin (atacante) e Simon Gustafson (meio-campista), com 10 gols
Quem mais partidas jogou: Hidde Jurjus (goleiro), que jogou todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado nas quartas de final, pelo Willem II
Competição continental: nenhuma

Curioso: o Roda JC até fugiu dos defeitos costumeiros nas temporadas passadas. Certo, foi mal como de costume na primeira metade da temporada, com a penúltima posição. Mas nem por isso a diretoria dos Koempels apelou para a tradicional “bacia” de reforços na janela de transferências de inverno. Talvez nem tivesse condição para tanto, já que o mecenas Aleksei Korotaev amarga a detenção. Mas talvez nem tivesse razão: havia nomes em quem a torcida pudesse confiar, como Hidde Jurjus, Chris Kum, Simon Gustafson e Dani Schahin.

Todavia, o segundo turno começou muito mal. Após superar o Excelsior na 20ª rodada, o Roda JC só foi vencer na 28ª rodada – com uma sequência de quatro derrotas no meio. Mas aí, o time de Kerkrade obteve a sequência que o salvou para a repescagem: três vitórias sobre adversários acima na tabela (NAC Breda, Vitesse e Zwolle), mais um empate com o PSV e uma goleada no VVV-Venlo. Porém, já no primeiro jogo buscando a manutenção na Eredivisie, um arriscado empate sem gols fora de casa, contra o Almere City. Pior: assim como o Sparta Rotterdam, a derrota e o consequente rebaixamento veio em casa, com falha de um destaque - Jurjus rebateu mal a bola num dos gols do Almere. E de tanto perigar nas temporadas recentes, enfim o Roda caiu. Mesmo sem cometer os mesmos erros.

O Sparta teve azar, mas também faltou talento. E na repescagem, veio o rebaixamento merecido (Carla Vos)
Sparta Rotterdam 

Colocação final: 17º lugar, com 27 pontos – rebaixado na repescagem
Time-base: Huth (Kortsmit); Holst, Fischer, Chabot e Floranus; Duarte, Mühren e Sanusi (Spierings); Brogno (Verhaar), Friday e Spierings (Ahannach)
Técnicos: Alex Pastoor (até a 17ª rodada) 
Maior vitória: Roda JC 0x2 Sparta Rotterdam (27ª rodada) 
Maior derrota: Feyenoord 7x0 Sparta Rotterdam (17ª rodada) e Vitesse 7x0 Sparta Rotterdam (31ª rodada)
Principal jogador: Robert Mühren (atacante)
Artilheiro: Robert Mühren (atacante), com 7 gols
Quem mais partidas jogou: Ryan Sanusi (meio-campista), com 33 partidas
Copa nacional: eliminado na primeira fase, pelo RKC Waalwijk (segunda divisão)
Competição continental: nenhuma

Durante boa parte da temporada, a impressão foi de que o Sparta repetiria o mesmo roteiro de 2016/17: lutaria arduamente contra a queda, mas por fim conseguiria se safar. Motivos para pensar assim, não faltavam. Afinal, mesmo que as atuações fossem ruins (como esquecer o 7 a 0 sofrido para o rival citadino Feyenoord, na 17ª rodada?!), dava para se encontrar alguns jogadores que conseguissem ajudar. Como Loris Brogno ou Robert Mühren, já conhecidos. Como Roy Kortsmit, que vinha sendo um dos melhores goleiros da Eredivisie antes de se lesionar. Mas o cenário era desesperador para a pior equipe das primeiras 17 rodadas.

Para o segundo turno, era de se esperar que Dick Advocaat, de passado no Sparta e experiência inquestionável, conseguisse melhorar uma equipe que até ganhou nomes úteis – como Fred Friday e Dabney dos Santos, emprestados pelo AZ. Os Kasteelheren tentaram, dramaticamente. Até ofereceram dificuldades contra PSV e Ajax. E conseguiram, afinal, deixar o Twente para trás, ganhando a sobrevida na repescagem. Nela, porém, mostraram um defeito incomum na temporada regular: apatia. Somada à falta de técnica, bastou para já terem dificuldades ao superar o Dordrecht, na segunda fase. Finalmente, a vantagem ganha no jogo de ida da decisão da vaga, contra o Emmen, foi humilhantemente jogada fora na volta, diante da própria torcida: derrota por 3 a 1. E rebaixamento. Esforço não faltou – faltou foi talento. E tenacidade na hora decisiva.

Não faltou esforço ao jovem time do Twente. Mas os problemas eram demais. E enfim, anos de crise resultaram no rebaixamento (Pro Shots)
Twente 

Colocação final: 18º colocado, com 24 pontos – rebaixado diretamente
Time-base: Drommel (Brondeel); Ter Avest (Van der Lely), Lam, Thesker, Bijen e Cuevas; Maher, Holla e Fredrik Jensen; Boere (Slagveer) e Assaidi 
Técnicos: René Hake (até a 8ª rodada), Gertjan Verbeek (da 11ª à 28ª rodada) e Marino Pusic (interino, entre a 9ª e a 10º rodada e a partir da 29ª rodada)
Maior vitória: Twente 4x0 Utrecht (5ª rodada)
Maior derrota: Vitesse 5x0 Twente (33ª rodada)
Principal jogador: Oussama Assaidi (atacante)
Artilheiro: Oussama Assaidi (6 gols)
Quem mais partidas jogou: Peet Bijen (zagueiro), com 32 partidas
Copa nacional: eliminado na semifinal, pelo AZ 
Competição continental: nenhuma

Estava demorando, mas, enfim, a dura realidade que o Twente vive há alguns anos foi vista dentro de campo. Nas primeiras rodadas, até que os Tukkers se esforçaram para mostrar que, novamente, ficariam na elite da Holanda. Por mais que o grupo de jogadores tivesse perdido nomes importantes (Enes Ünal é um bom exemplo), havia uma base jovem da temporada passada, já conhecida do técnico René Hake. Foi justamente o primeiro a pagar o preço, sendo demitido já na 8ª rodada. Pode ter sido este o primeiro passo rumo à queda: mesmo que o nível técnico já fosse irregular, dava para melhorar.

Apoiadora do esforço dos jogadores e de Hake, a torcida passou a entrar em rota de colisão com a diretoria. Gertjan Verbeek chegou, e a emenda ficou pior do que o soneto: a fragilidade defensiva seguiu no Twente, por mais que o esforço do time fosse inquestionável (merecem destaque defensores como Stefan Thesker e Peet Bijen, além de Fredrik Jensen, no meio). Para atacar, ainda chegaram nomes como Adam Maher, para ajudar Luciano Slagveer e Oussama Assaidi. Não adiantou: o Twente foi o pior time do returno. É até sintomático que sua pior derrota na temporada tenha justamente sido os 5 a 0 para o Vitesse, confirmando o que poderia ter vindo antes: o rebaixamento. Triste.

sábado, 12 de maio de 2018

Melhor do que a Eredivisie

Mount (à esquerda) foi o destaque de uma das surpresas das repescagens: a fácil vitória do Vitesse (vitesse.nl)
Sabe-se que a temporada de futebol não acaba na Holanda com a 34ª e última rodada do Campeonato Holandês. Já nesta semana, estão acontecendo as duas repescagens. Uma em cima: pela vaga na segunda fase preliminar da Liga Europa, a última à disposição do país nas competições continentais, entre o quinto e o oitavo colocados da Eredivisie - a rigor, entre o quarto e o sétimo colocados, mas o Feyenoord, ocupante da quarta posição, já tinha seu lugar, campeão da Copa da Holanda que é. A outra é mais dramática, na qual Roda JC (antepenúltimo colocado) e Sparta Rotterdam (penúltimo) jogam a salvação contra outros seis times, vindos da segunda divisão. Pois bem: as duas começaram de modo surpreendente. Para muitos, até mais do que a temporada toda.

Buscando o lugar na Liga Europa, estão Utrecht, Vitesse, ADO Den Haag e Heerenveen. E as partidas que fizeram, na quarta recente, já esquentaram inesperadamente o clima que parecia morno. Vitesse e ADO Den Haag abriram a disputa, com o jogo de ida, em Haia. Mesmo terminando uma posição abaixo (7º lugar), o Den Haag parecia num crescimento mais promissor: com o atacante Bjorn Johnsen marcando muitos gols – foram dois do norueguês de ascendência americana nos 3 a 2 contra o Roda JC, na última rodada, ficando como vice-goleador da temporada –, Nasser El Khayati chamando a responsabilidade na criação das jogadas e uma zaga extremamente esforçada e fisicamente forte, o favoritismo leve pendia para os auriverdes, contra um Vitesse meio irregular, tentando se refazer em meio à reta final, até com troca de técnico (já com demissão anunciada, Henk Fräser deixou o time rodadas antes do fim da Eredivisie, e o auxiliar Edward Sturing assumiu).

Só que, mesmo numa montanha-russa de desempenho em campo, o Vites possui bons jogadores, também. O defeito no gol, com as falhas do veterano Remko Pasveer, foi minorado: o reserva Jeroen Houwen substituiu Pasveer nas oito rodadas finais e não decepcionou. No ataque, os gols são tarefa cumprida tanto por Tim Matavz quanto por Bryan Linssen. Finalmente, do meio-campo do time de Arnhem saiu o homem que definiu o jogo de ida. Emprestado pelo Chelsea, como se espera: Mason Mount. O armador inglês de 19 anos fez três gols, Matavz e Linssen ajudaram com um tento cada, o Vitesse abriu 4 a 0 já no primeiro tempo... e o 5 a 2 deixa o time aurinegro em excelentes condições para a volta, neste sábado, em seu GelreDome. 

Se o primeiro jogo para definir o finalista do play-off “de cima” surpreendeu pela facilidade, o segundo surpreendeu duplamente. Afinal, o Utrecht não é considerado só franco favorito contra o Heerenveen, mas também à própria vaga na Liga Europa (quando nada, porque decidiu a repescagem nas duas últimas temporadas – e ganhou a vaga, na passada). Pois bem: no primeiro tempo da ida, mais eficiente e sortudo, o Heerenveen fez 2 a 0, com um gol de falta contando com desvio (Yuki Kobayashi) e outro com erro dos Utregs na saída de bola (Reza “Gucci” Ghoochannejhad). Mais do que isso: fez 3 a 0 no início do segundo tempo (Daniel Hoegh).

Utrecht batido? Nada disso: o time visitante diminuiu para 3 a 1 logo após sofrer o terceiro gol, com Zakaria Labyad. Veio um revés até pior: a expulsão de Yassin Ayoub, exatamente um minuto depois do gol da esperança, de modo tolo (Ayoub fez falta, levou o primeiro amarelo, aplaudiu ironicamente o juiz Ed Janssen, e levou o segundo amarelo). Mas os Utregs cresceram... e empataram, com dez jogadores: Labyad fez de falta, e um arremate de Urby Emanuelson com desvio na zaga rendeu o 3 a 3. Aí, tentando manter um resultado que seria até admirável, o quinto colocado da temporada se fechou na defesa. Mas não adiantou: o Heerenveen fez 4 a 3 no final do jogo, com Denzel Dumfries. Seja como for, a partida de volta, neste sábado, em Utrecht, para definir o outro “finalista” pelo lugar na Liga Europa é altamente promissora.

O Dordrecht quebrou a banca nos play-offs pela vaga na Eredivisie: reverteu a grande vantagem do Cambuur (Pro Shots)
Se um mata-mata mais “normal” como o da parte superior da tabela já rendeu duas partidas empolgantes, o da definição de promovidos/mantidos/rebaixados tem fornecido momentos dignos das melhores finais de campeonato – como é comum na repescagem para tal fim, diga-se de passagem. Tome-se por exemplo a primeira fase, na qual Cambuur e Dordrecht fizeram uma das partidas. Na ida, fora de casa, o Cambuur pareceu encaminhar sua classificação à segunda fase, goleando os mandantes por 4 a 1. 

Como se não bastasse, no primeiro tempo da partida de volta, sábado passado, a equipe de Leeuwarden abriu o placar. O que aconteceu? Isso mesmo: o Dordrecht protagonizou uma emocionante reação. No segundo tempo, em 25 minutos, os “Cabeças de Cabra” viraram exatamente para 4 a 1, causando a necessidade de prorrogação, de disputa por pênaltis... e nela fizeram o impressionante: 5 a 3 nas cobranças, e classificação merecidamente comemorada.

As dificuldades do Dordrecht seguem na segunda fase: afinal, o time pega o Sparta Rotterdam, vindo da Eredivisie. E mesmo em casa, a equipe era superada até com facilidade pelo adversário de Roterdã, que fazia 1 a 0 e controlava o jogo... até o “golaço contra” de Stijn Spierings, dando o 1 a 1 de graça aos mandantes em Dordrecht. Pelo menos, o Sparta consertou as coisas, com o 2 a 1 que lhe devolveu vantagem para a volta, no que pode ser o jogo final da carreira do técnico Dick Advocaat, em caso de rebaixamento dos “Spartanen” (pelo menos, é o que o próprio promete).

Também mereceu destaque a alta movimentação das coisas em Telstar x De Graafschap. Há 40 anos sem jogar a Eredivisie, o Telstar fez 2 a 0 no primeiro tempo – e ainda ficou com um homem a mais. Novamente, outro jogo que parecia definido tomou o caminho inverso: em dois minutos da etapa final, entre os 27 e os 29 minutos, os visitantes da cidade de Doetinchem empataram. O Telstar ainda fez 3 a 2, mas já se anseia pelo que poderá vir do estádio De Vijverberg, no próximo domingo.

Assim como certamente será cercado de tensão o Roda JC x Almere City da volta, com o empate sem gols que se viu na cidade de Almere. E até mesmo o FC Emmen, que nunca jogou na elite, e viu o sonho de disputar uma das vagas aumentar com a goleada sobre o experiente NEC (4 a 0 num time que jogou a Eredivisie em 2016/17!), deve manter cautela. É o que também recomendou Edward Sturing para a repescagem pela Liga Europa, ao Vitesse que comanda: “O Cambuur também pensava que estava tudo definido”. Razões para essas precauções, não têm faltado.

E é por isso, até, que a “Nacompetitie” (nome que os holandeses dão às repescagens) tem empolgado. A ponto de haver quem brinque, mídias sociais afora, que ela está sendo melhor do que a própria Eredivisie. Ou quem sugira a adoção do mata-mata...

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 11 de maio de 2018)

terça-feira, 8 de maio de 2018

Play-offs pela Liga Europa: reação para quem?

Haller se despediu do Utrecht colocando o time na Liga Europa, via repescagem. E os Utregs estão lá de novo (Gerrit van Keulen/VI Images)
Como já se sabe, para seis clubes do Campeonato Holandês, a temporada ainda não acabou. Sparta Rotterdam e Roda JC começarão a disputar sua sobrevivência, na repescagem de acesso/manutenção/descenso. Mas o que ainda chamará alguma atenção no futebol do país são os play-offs que rendem a última vaga da Holanda num torneio continental: na segunda fase preliminar da Liga Europa, em 2018/19.

E curiosamente, de um modo ou de outro, a decisão envolvendo do quinto ao oitavo colocado (originalmente do quarto ao sétimo, mas o Feyenoord, quarto lugar, já está na Liga Europa) terá várias equipes tentando consolidar a recuperação que experimentam, na reta final da temporada. Há uma exceção - por sinal, justamente a equipe que venceu a repescagem continental em 2017/18. Mas ela pode ser vitimada, por essas reações. Elas serão descritas no miniguia a seguir.

Utrecht x Heerenveen

Jogo de ida: nesta quarta, às 15h45, em Heerenveen
Jogo de volta: sábado (15h45), em Utrecht

Ayoub está de saída para o Feyenoord. Mas pode se destacar, ajudando o Utrecht a ir à Liga Europa outra vez (Pieter Stam de Jonge/VI Images)
Utrecht (5º colocado na Eredivisie regular)

Quando Erik ten Hag tomou o caminho do Ajax, por vontade própria, em janeiro, durante a pausa de inverno, ficou a pergunta: faria diferença no bom caminho que o Utrecht fazia até aquele momento, em quarto lugar? A resposta? Não fez. Principalmente, por causa do ótimo início de returno feito sob o técnico promovido: Jean-Paul de Jong, auxiliar de Ten Hag (foram oito jogos de invencibilidade - quatro empates e quatro vitórias). A regularidade foi mantida - apenas três derrotas. Os destaques seguiram jogando bem, com Yassin Ayoub e Zakaria Labyad. Outros cresceram de produção, como Sander van de Streek e o "reserva habitual", Cyriel Dessers. E os Utregs voltaram a um cenário que conhecem: a repescagem pela Liga Europa. De novo, como favoritos a pegarem a vaga.

Numa temporada irregular, o Heerenveen pode consertar tudo. E os gols de Reza podem ajudar nisso (Ronald Bonestroo/VI Images)
Heerenveen (8º colocado na Eredivisie regular)

Eis que, por linhas tortas, o Heerenveen acabou escrevendo certo. Não faltaram irregularidades no desempenho técnico do time, na temporada. O trabalho de Jürgen Streppel no banco pareceu estagnado - a tal ponto que o treinador anunciou sua saída com o returno em andamento. Para piorar, as lesões que tiraram da temporada dois personagens importantes: Martin Odegaard e Stijn Schaars. Pelo menos, alguns jogadores se mantiveram bem, como Denzel Dumfries, na lateral direita, e Reza Ghoochannejhad, no ataque. E a queda brusca de desempenho do Zwolle permitiu que o Fean chegasse à repescagem, mesmo com duas derrotas nas duas rodadas finais. De novo, o adversário na "semifinal" será o Utrecht, como em 2017/18. De novo, o clube entra como azarão.

Vitesse x ADO Den Haag

Jogo de ida: nesta quarta, às 13h30, em Haia
Jogo de volta: sábado (12.05), às 13h30, em Arnhem

Linssen foi garantia de gols nos bons momentos do Vitesse. Pode ajudar a equipe a fechar bem temporada irregular (Ronald Bonestroo/VI Images)
Vitesse (6º colocado na temporada regular)

Outro time que terá nos play-offs a chance de dar um final honroso a uma temporada irregular. Afinal de contas, o Vitesse é o mesmo time que venceu por duas vezes o Ajax (2 a 1 em Amsterdã, 4 a 2 em Arnhem) e caiu para uma equipe amadora na Copa da Holanda. É o mesmo time que viu a saída antecipada do técnico - Henk Fräser não só já anunciara deixar o clube quando a temporada acabasse, como saiu antes mesmo do fim da Eredivisie - e viu boas atuações em campo, como as dos atacantes Bryan Linssen e Tim Matavz. O interino Edward Sturing ainda fez outras alterações na equipe, como efetivar Viacheslav Karavaev na lateral direita e Jeroen Houwen no gol, tornando a defesa mais segura. Deu para se manter na zona da repescagem. Será suficiente para a vaga?

Johnsen (à esquerda) marca os gols; El Khayati faz as jogadas; e o ADO Den Haag sonha vê-los brilhando na repescagem (Gerrit van Keulen/VI Images)
ADO Den Haag (7º colocado na temporada regular)

Eis, talvez, o caso mais notável de reação na Eredivisie. Não que o ADO Den Haag tenha patinado em posições inferiores e subido irresistivelmente: o time de Haia sempre frequentou a zona segura da tabela durante a temporada. No entanto, o único nome digno de destaque era Nasser El Khayati, criador das jogadas no meio-campo - junto a outros ídolos da torcida, como o goleiro Robert Zwinkels e o zagueiro Tom Beugelsdijk (este, mais pela fidelidade ao clube do que pelo nível técnico). Aos poucos, os atacantes melhoraram. Bjorn Johnsen, então, começou a marcar até se tornar vice-artilheiro da Eredivisie. E o Den Haag alcançou os play-offs, contando com a força individual para superar o Vitesse.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

810 minuten: como foi a última rodada da Eredivisie

O êxtase de Alireza: três gols para frustrar o Zwolle, impulsionar a goleada do AZ e se tornar o goleador máximo da Eredivisie na temporada (Ed van de Pol/az.nl)
AZ 6x0 Zwolle (domingo, 6 de maio)

O Zwolle era o segundo pior time do returno do Campeonato Holandês. Mas ainda tinha uma chance de evitar a decepção: caso ganhassem do AZ, em Alkmaar, os Zwollenaren garantiriam a vaga na repescagem pelo lugar na Liga Europa. Não foram necessários mais do que treze minutos para que o AZ mostrasse a inevitabilidade da tristeza para os "Dedos Azuis". Por outro lado, Alireza Jahanbakhsh começou a brilhar: chutou forte, o goleiro Diederik Boer deixou a bola passar, e os Alkmaarders fizeram 1 a 0. Era o 19º gol do iraniano, na disputa para ser o goleador da Eredivisie - e  o 20º quase veio aos 21', quando Guus Til lançou a bola e ele perdeu por pouco. Independentemente do destaque, a superioridade do terceiro colocado da Eredivisie era gigante ao final do primeiro tempo: muitas chances criadas com os 72 por cento de posse de bola.

Mas na etapa final, a atuação melhor do AZ ficaria indiscutivelmente clara. Aos 52', Alireza marcou o segundo no jogo - e o 20º na temporada -, ao completar cruzamento de Teun Koopmeiners. Mais dez minutos, e numa jogada de noruegueses, veio o 3 a 0: Jonas Svensson tocou, e Fredrik Midtsjo conferiu para o filó adversário. Totalmente atarantado e abatido em campo, o Zwolle foi ferido de morte por Wout Weghorst: com dois gols em dois minutos (aos 76' e aos 77'), o atacante levou o placar a 5 a 0. Mas faltava o toque final na boa vitória do time da casa, o golpe final no decepcionante Zwolle, fora das competições europeias. Não faltou mais, aos 88': Alireza marcou o terceiro gol no jogo. O sexto da goleada do AZ. O 21º gol do iraniano, o primeiro asiático artilheiro da história da Eredivisie.

Johnsen (à esquerda) cumpriu sua tarefa: fazer gols. E mesmo com a pressão no fim, o ADO Den Haag tentará um lugar na Liga Europa (ANP/Pro Shots)
Roda JC 2x3 ADO Den Haag (domingo, 6 de maio)

O lance do primeiro gol do Den Haag, logo aos três minutos de bola rolando, deixou claro como o dia seria bom para Bjorn Johnsen. Afinal, o primeiro tento do norueguês no jogo veio na sorte: o goleiro Hidde Jurjus demorou para repor a bola em jogo - e quando a repôs, ela ricocheteou em Johnsen e foi direto às redes, colocando-o na disputa pela artilharia: era seu 18º gol no campeonato. O Roda JC até trouxe perigo aos 20' - Dani Schahin cabeceou, e a bola foi rente à trave do goleiro Indy Groothuizen. Mas o Den Haag já encaminhou o triunfo que lhe daria o lugar na repescagem pela Liga Europa: aos 23', Lex Immers cabeceou escanteio de Nasser El Khayati para o 2 a 0, e Johnsen marcou o 19º gol na temporada aos 34', fazendo 3 a 0 ao completar a bola cruzada por Sheraldo Becker.

Parecia garantido um dia tranquilo para os visitantes de Haia. Mas os Koempels mandantes foram atrás dos gols, para trazer mais perturbação. Aos 56', Schahin errou e acertou na sequência: o alemão primeiro mandou a bola no travessão, para depois fazer o primeiro gol do Roda JC, completando passe de Tsiy William Ndenge com um toque, encobrindo Groothuizen. Mais cinco minutos, e o Roda trouxe o placar para 3 a 2: Simon Gustafson, de pênalti. Pouco depois, Becker e Johnsen foram substituídos. E o ADO Den Haag se concentrou em conter a pressão dos mandantes na fase final do jogo, em busca do empate. Conseguiu. E a temporada continua para os Hagenaren, sétimos colocados, que pegam o Vitesse na primeira fase da repescagem por um lugar na Liga Europa.

Berghuis tentou chegar à artilharia da Eredivisie, com seus dois gols. Não conseguiu. Mas mereceu os cumprimentos, de qualquer jeito: destaque em outra vitória do Feyenoord (ANP/Pro Shots)
Heerenveen 2x3 Feyenoord (domingo, 6 de maio)

Ao contrário do habitual, este jogo envolvendo um grande na Holanda foi animado. O Feyenoord buscou rápido o gol: logo aos dois minutos, Jean-Paul Boëtius finalizou duas vezes em sequência - a primeira foi rebatida pelo goleiro Martin Hansen, a segunda saiu. O Heerenveen ainda tentou aos 9', quando Arber Zeneli driblou para o meio, bateu, e Justin Bijlow (de novo tendo chance no gol Feyenoorder) rebateu. Mas seriam os visitantes que sairiam na frente, aos dez minutos, por obra e graça do destaque deles na temporada. Bijlow chutou para longe, Kevin Diks ajeitou, Berghuis dominou e decidiu arriscar de fora da área. No alvo: canto esquerdo de Hansen, bola nas redes, 1 a 0 Feyenoord - 17º gol do camisa 19 na liga.

O Fean só reagiu aos 19 minutos, quando Yuki Kobayashi mandou a bola na trave. Pois aos 26', Berghuis tratou de mostrar porque estava na disputa pela artilharia: em alguns segundos, mandou a bola na trave direita de Hansen (num chute colocado), e ainda forçou o goleiro dinamarquês a rebater outra tentativa, na área. Seguiu-se um momento de equilíbrio no jogo, até que, aos 41', a lei da vantagem ajudou Berghuis a marcar pela segunda vez no jogo - e pela 18º na Eredivisie. Amrabat passou a bola,  sendo derrubado após choque. Mas o juiz Danny Makkelie mandou seguir a jogada, pela esférica já estar com Vente, na direita. E foi do atacante que ela passou para Berghuis, que vinha pelo meio e concluiu no canto esquerdo para o 2 a 0 do Stadionclub.

Em dois minutos, no final do jogo, o Heerenveen ainda se animou com o empate. Mas ainda tomou mais um gol (sc-heerenveen.nl)
O Heerenveen voltou do intervalo com duas mudanças mais ofensivas: Doke Schmidt, para acelerar o jogo na lateral esquerda, e Jordy Bruijn, para dar mais mobilidade na frente. E até que deu certo: Zeneli quase marcou aos 65' - seu chute mandou a bola rente à trave direita de Bijlow. Mas o Feyenoord seguia tranquilo, e também buscou fortalecer o ataque, com as entradas de Bilal Basaçikoglu e Robin van Persie (este, aplaudido por toda a torcida, pela expectativa sobre a possibilidade de ter sido o último jogo da carreira do atacante). Só que a tranquilidade acabou com o primeiro gol do Heerenveen, aos 79'. Zeneli recebeu a bola de Kobayashi na esquerda, cruzou, e Bruijn entrou de carrinho, sozinho, para diminuir. Estava iniciado o frenético final de jogo no estádio Abe Lenstra. Que só ficaria mais incendiário com o empate do Fean, só dois minutos depois: Denzel Dumfries mandou a esférica para a área, e Jan-Arie van der Heijden tentou desviar para escanteio. Desviou para as próprias redes, tirando as chances de defesa de Bijlow no 2 a 2.

Já no contra-ataque seguinte, o Feyenoord quase passou à frente, com Hansen defendendo chutes de Berghuis e Basaçikoglu em sequência. Finalmente, aos 82', o ponto culminante dos minutos eletrizantes: Haps derrubou Bruijn na área, e Danny Makkelie marcou o pênalti. Poderia ser a virada consagradora do Heerenveen (mesmo que nem precisasse, com a goleada que o Zwolle sofria). Mas Bijlow negou: o goleiro do Feyenoord defendeu a cobrança de Zeneli. Foi a vez do Feyenoord se reanimar. Aos 83', quase Basaçikoglu marcou - Daniel Hoegh tirou a bola na pequena área, após o turco finalizar. Aos 88', Van Persie quase coroou sua entrada, ao completar passe encobrindo Hansen, mandando por cima do gol. E no último minuto, os visitantes conseguiram o 3 a 2 da vitória, com Basaçikoglu fazendo até melhor do que na chance anterior: um arremate colocado, no canto esquerdo de Hansen, que só ficou olhando. Mas mesmo com a derrota, até o Heerenveen teve razão para festejar: afinal, com a derrota do Zwolle, garantiu a última vaga na repescagem por Liga Europa.

Ritsu Doan (à direita) foi dos raros a criar chances, num 0 a 0 em clima de férias entre PSV e Groningen (Pro Shots)
PSV 0x0 Groningen (domingo, 6 de maio)

O jogo em Eindhoven teve a alegria típica do fim de temporada. Pelo menos antes do começo - e no intervalo, quando Davy Pröpper e Jürgen Locadia se despediram da torcida no Philips Stadion. Dentro, o começo teve pouco de animação. Só impressionaram mesmo as duas alterações forçadas que o PSV teve de fazer - a primeira, aos 21', quando Bart Ramselaar, golpeado na cabeça numa dividida aérea, deu lugar a Mauro Júnior. O Groningen ainda tentou algo aos 25', quando Tommie van de Looi cruzou da direita, e a bola passou pouco à frente de Tom van Weert na área, saindo pela linha de fundo. A resposta dos Boeren veio aos 28': Joshua Brenet mandou a bola para a área, e Steven Bergwijn tentou o domínio, mas a defesa conseguiu evitar.

Mais perigoso foi o que se viu no contra-ataque aos 29': Mauro Júnior lançou do meio, Brenet pegou na direita, cruzou, e Hirving Lozano desviou, mandando a bola em cima do goleiro Sergio Padt - no escanteio seguinte, Derrick Luckassen cabeceou rente à trave direita. Aos 34', de novo, Brenet mandou a bola do lado, e Jorrit Hendrix cabeceou no contrapé de Padt, que ainda se esticou para espalmar a bola, em boa defesa. Todavia, aos 41', o próprio Hendrix foi mais um do time campeão holandês a sair cedo: com lesão muscular, dando lugar a Pablo Rosario. De todo modo, o fim da etapa inicial teve uma boa chance dos Eindhovenaren, no último minuto: Mauro Júnior arriscou o que parecia um cruzamento - e se tornou chute perigoso, encobrindo Zoet e saindo sobre o gol.

Phillip Cocu teve de mudar duas vezes o time ainda no primeiro tempo, com as lesões de Ramselaar (foto) e Hendrix. Pelo menos, não havia muita coisa em disputa (Jeroen Putmans/VI Images)
No segundo tempo, até que as chances apareceram mais. Os visitantes do norte holandês tiveram boa oportunidade aos 51': Ritsu Doan chegou à área com a bola, pela direita, e chutou, mas Zoet saiu providencialmente para o rebote. Dois minutos depois, o PSV devolveu: Mauro Júnior cruzou, e Bergwijn escorou à direita do gol, sem equilíbrio. A partir de então, os Eindhovenaren cresceram em busca do gol. Aos 58', Kenneth Paal cruzou, e Pereiro completou desviando. Padt só pôde olhar, mas a bola saiu sobre o travessão, passando perto. E depois, aos 65', Brenet alçou a bola, e Mauro Júnior completou de primeira, quase sem ângulo - para Padt espalmar, resultando em escanteio.

A partir daí, foi a vez do Groningen pressionar, até com mais perigo. Aos 73', após cobrança de escanteio, Van Weert desviou de cabeça, e Zoet foi buscar no canto direito - ainda ajudado por Lozano, que bloqueou a bola em cima da linha antes da defesa definitiva. Cinco minutos depois, um chute de Ritsu Doan, defendido por Zoet em dois tempos. E a última chance para tirar o zero do placar foi para o dono da Eredivisieschaal: aos 87', Pereiro ajeitou para Mauro Júnior, mas o brasileiro arrematou para fora, à direita de Padt. Só aí, os times puderam celebrar o que pareceram desejar durante os noventa minutos: a chegada das férias. Que sejam boas.

Provavelmente tendo Ziyech pela última vez, o Ajax encarou dificuldades, pelo azar de um gol contra. Mas conseguiu virar para 2 a 1 contra Excelsior e teve sossego (ANP/Pro Shots)
Excelsior 1x2 Ajax (domingo, 6 de maio)

O ambiente do Ajax anda tenso: críticas à diretoria, a alguns jogadores, ao técnico... mas era o último jogo. Ocasião propícia para estreias tranquilas - como a de Kostas Lamprou, substituindo André Onana no gol, e de Azor Matusiwa, titular pela primeira vez no meio-campo. E o time de Amsterdã mostrava o de sempre: mais posse de bola, diante de um rival fechado. Mas que também ousava avançar: aos 7', Hicham Faik chutou de primeira, após receber bola do lado esquerdo. Mas o arremate em diagonal saiu pela linha de fundo. Os Ajacieden trouxeram mais perigo na primeira vez em que se aproximaram do gol. Aos 15', do meio-campo, Ziyech lançou a bola em profundidade. Kluivert pegou, já na área, e concluiu para a boa defesa do goleiro Ögmundur Kristinsson.

Porém, uma falha de comunicação rendeu ao Excelsior o surpreendente 1 a 0. Aos 20 minutos, após um lançamento alto da direita, Matthijs de Ligt dominou, e recuou a bola visando Lamprou. Só que o arqueiro grego já saía do gol. Resultado: tentou voltar correndo, para pegar a esférica que ia rumo ao gol vazio. Não conseguiu, e ela entrou lenta nas redes, no gol contra involuntário de De Ligt. Começava aí nova onda de protestos da torcida que saiu de Amsterdã a Roterdã, com Erik ten Hag como o principal alvo: o técnico do Ajax tinha de ouvir coros como "Erik, rot op" ("Erik, f***-se") e "Nooit zo'n slechte team gezien" ("Nunca vimos um time tão fraco"). Para piorar, Klaas-Jan Huntelaar já tivera de sair no primeiro tempo: lesionado, o atacante deu lugar a David Neres.

O Excelsior sequer chutou a gol no primeiro tempo. Mas um recuo de De Ligt, que pegou o goleiro Lamprou saindo do gol... e 1 a 0 para o Kralingers (Den Breejen/VI Images)
Para resolver a situação preocupante, tão logo a partida recomeçou, o Ajax se mostrou mais acelerado. Já aos 47', David Neres fez a triangulação com Van de Beek, recebeu já na área, e tentou finalizar mesmo sem ângulo. Mas Kristinsson rebateu para fora. Segundos depois, veio o empate Ajacied. De novo, graças a um primor de lançamento de Ziyech: da direita, o marroquino cruzou para a área. A bola foi com precisão na cabeça de Justin Kluivert, que estava bem colocado para cabecear e fazer 1 a 1. Depois, aos 51', Ziyech tentou ele mesmo finalizar, aos 51', mas o arremate saiu à esquerda de Kristinsson. Mais dois minutos, e a blitz ofensiva dos visitantes rendeu a virada. Kasper Dolberg arriscou o chute, e Kristinsson rebateu; na sobra, David Neres tentou, e Jürgen Mattheij tirou em cima da linha; aí, Ziyech foi derrubado na área, e o juiz Bas Nijhuis marcou o pênalti. Escalado como titular para ganhar ritmo de jogo (quem sabe, rumo a uma eventual convocação para a seleção da Dinamarca que jogará a Copa do Mundo), Dolberg bateu e fez 2 a 1.

A partir de então, o jogo teve algum equilíbrio. Aos 56', dois lances mostraram algum equilíbrio. Justin Kluivert finalizou em cima de Jürgen Mattheij - para muitos, a bola bateu no braço do zagueiro. Na sequência, o Excelsior contra-atacou, e Van Duinen cabeceou para a defesa de Lamprou. Depois, o Ajax chegou mais perto do terceiro gol. Dolberg ainda tentou aos 70': dominou a bola vinda de Ziyech e completou, para Kristinsson rebater com os pés. E aos 74', Donny van de Beek tentou encobrir o goleiro islandês do Excelsior, mas este ainda espalmou por cima do gol. Nos dez minutos finais, os Kralingers mandantes é que tiveram boas chances para empatar - aos 88', num cabeceio de Mattheij, que Lamprou agarrou em cima da linha, e no minuto seguinte, quando Mike van Duinen cabeceou e Ziyech evitou o gol junto à trave. Mas o Ajax conseguiu segurar a vitória para encerrar a campanha. Agora, é lidar com os problemas - como as virtuais saídas de Ziyech e Kluivert. O Excelsior, pelo menos, se despediu tranquilamente do técnico Mitchell van der Gaag. Afinal, fazia tempo que o time não se livrava do rebaixamento com algum sossego.

O Heracles Almelo ficou duas vezes atrás no placar, mas ainda correu atrás da goleada no Sparta (Harry Broeze/heracles.nl)
Sparta Rotterdam 2x5 Heracles Almelo (domingo, 6 de maio)

Já sabendo que jogará tudo na repescagem, em busca da manutenção na Eredivisie, o Sparta abriu o placar aos 25 minutos: Miquel Nelom cruzou da direita, e Fred Friday completou para o 1 a 0 dos "donos do Kasteel". O Heracles demorou apenas 60 segundos para empatar: Kristoffer Peterson fez jogada individual antes de finalizar para o gol. Já na etapa complementar, os Spartanen passaram novamente à frente aos 50', quando Stijn Spierings completou após bate-rebate na área.

Aí, os Heraclieden acabaram com a brincadeira em Roterdã. Vincent Vermeij saiu do banco para o ataque aos 60' - e aos 61', já justificava sua entrada com o 2 a 2, também depois de disputa pela bola na área. E aos 78', Tim Breukers mandou a esférica no barbante adversário com um chute forte. Estava virado o placar para os visitantes de Almelo, que ainda transformaram a vitória em goleada com dois gols nos acréscimos (Vermeij, de novo, e Paul Gladon) para terem um final tranquilo.

A interrupção do jogo no segundo tempo foi o símbolo da triste interrupção do caminho do Twente na Eredivisie (Tom Bode/VI Images)
Twente 1x1 NAC Breda  (domingo, 6 de maio)

A despedida do Twente da primeira divisão já era carregada de certa melancolia no Grolsch Veste. Correu-se o risco de ficar pior ainda aos 16 minutos: Mitchell te Vrede deixou a bola a Menno Koch, e o volante arriscou chute forte para fazer 1 a 0. Só então o Twente partiu para buscar o empate: Ryan Trotman (estreante) e Adam Maher tentaram o gol em arremates distantes, mas o goleiro Nigel Bertrams estava a postos. Só não foi possível impedir o empate, aos 39': Manu García perdeu a bola para Maher, e o meio-campista cruzou para Dylan George colocar o 1 a 1 no placar.

Porém, a melancolia voltou a ser vista na volta do intervalo. E carregada de tensão: com a torcida da Vak-P (setor atrás de um dos gols do Grolsch Veste) atirando bombinhas e sinalizadores no gramado, o juiz Edwin van de Graaf parou o jogo por cerca de cinco minutos, ainda no início do segundo tempo. Na volta, o único momento de mais perigo foi o chute de Pablo Marí na trave. E o único time a comemorar algo no empate foi mesmo o visitante, que ficará mais um ano na elite, enquanto o Twente verá como é a segunda divisão. Pelo menos, a torcida terá desconto no sócio-torcedor.

O Utrecht ainda garantiu mais uma vitória antes da repescagem pela vaga continental (Maurice van Steen/VI Images)
Utrecht 1x0 VVV-Venlo (domingo, 6 de maio)

O Utrecht corria um pequeno risco: perder a quinta posição, caso fosse derrotado pelos Venlonaren, somando-se a eventual vitória do Vitesse. Passou longe de ser o caso. No primeiro tempo, os Utregs mandaram duas bolas na trave - a primeira num cabeceio de Dario Dumic, a segunda num chute de Cyriel Dessers, após jogada individual.

A superioridade seguiu no segundo tempo, mas só aos 71' veio o gol da vitória, com Mateusz Klich assegurando três pontos e a quinta posição. Assim, os Utregs seguirão a Heerenveen, para tentarem chegar à Liga Europa via play-offs pela segunda temporada seguida. E o VVV-Venlo passou mais sustos do que o necessário: com seis derrotas e um empate nas sete últimas rodadas, terminou na 15ª posição, primeira acima da zona de rebaixamento.

O Willem II até começou melhor no jogo, mas o Vitesse conseguiu empatar duas vezes (ANP/Pro Shots)
Willem II 2x2 Vitesse (domingo, 6 de maio)

O Willem II já poderia ter aberto o placar aos três minutos, se o goleiro do Vitesse fosse menos ágil: após arremate de Elmo Lieftink, Jeroen Houwen soltou a bola perto da linha, e ela quase entrou, mas o arqueiro conseguiu agarrar firme antes do gol. Mas aos 29', não houve como evitar: Ismail Azzaoui veio pelo lado e chutou na trave, mas Konstantinos Tsimikas estava perto o suficiente para aproveitar o rebote e colocar os mandantes na frente em Tilburg.

Já depois do intervalo, poderia ter vindo o segundo gol: Lieftink chegou à área em condições de chute, mas preferiu passar a Fran Sol, que buscava o posto de goleador. E o espanhol finalizou em cima de Houwen. Azar: aos 63', o Vitesse empatou, num cabeceio de Matt Miazga. Aos 70', Ben Rienstra ainda recolocou os Tricolores na frente, num bonito chute. Porém, aos 83', após Mason Mount tocar, Tim Matavz saiu da marcação e decretou o empate no Willem II Stadion, rendendo um ponto ao Vites antes de iniciar a repescagem pela Liga Europa.