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terça-feira, 9 de junho de 2026

Não era para ser assim

A seleção feminina da Holanda (Países Baixos) tinha plenas condições de já se garantir na Copa do Mundo de 2027. Desnecessariamente, se colocou em dificuldades, e terá de jogar sua sorte na repescagem (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

A seleção feminina da Holanda (Países Baixos) chegou às últimas rodadas das Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina de 2027 com a faca e o queijo na mão: bastariam duas vitórias para assegurar a vaga direta na competição, sem precisar da repescagem. Porém, as Leoas Laranjas, novamente, fizeram do jeito mais difícil: se jogaram bem na vitória final, os 3 a 1 na Polônia, ficou na memória a dura derrota por 3 a 2 para a Irlanda, na penúltima rodada, quando repetiram erros que se julgavam superados - lentidão, dificuldade de adaptação ao jogo, perda de chances - e perderam a condição de controlar o próprio destino nas Eliminatórias. Ficou a pesarosa impressão de que, por melhor que o time seja, não precisava ser assim.

Até porque já se sabia de antemão que o cenário do primeiro jogo seria adverso às holandesas: o estádio Páirc Uí Chaoimh teria suas dimensões diminuídas ao mínimo exigido pela FIFA, o gramado estaria afetado pelo mau tempo, a Irlanda mostraria o esforço e a força física de sempre (além do talento vindo de Katie McCabe). Mas as holandesas em campo pareceram ignorar tais problemas, com lentidão, com desatenção defensiva... tiveram o castigo rápido, aos 19', quando Lynn Wilms perdeu a bola para Abbie Larkin, esta passou a Kyra Carusa, e sua finalização, mesmo lenta, passou pela goleira Lize Kop para o 1 a 0 irlandês.

Mesmo lenta, a bola do primeiro gol da Irlanda passou pela goleira Lize Kop, considerada um dos "bodes expiatórios" da derrota por 3 a 2 (Brendan Moran/Sportsfile/Getty Images)

Só mesmo em desvantagem é que a Holanda começou a tentar. Vieram boas chances, como um cabeceio de Romée Leuchter que mandou a bola para fora, aos 23', ou um chute de Wieke Kaptein que mandou a bola na trave, pouco depois. Ainda assim, a lentidão e a pouca força nas disputas de bola mantinham as Leoas Laranjas abaixo no jogo, mesmo criando bem mais chances de ataque. Cenário pouco auspicioso, num ambiente que ganhava um fator complicador adicional: a fortíssima chuva que caiu sobre Cork no segundo tempo. Diante disso, entraram as veteranas: somaram-se a Dominique Janssen Daniëlle van de Donk e Jackie Groenen. Pois viria delas a efetividade. Jackie Groenen quase acertou, aos 65', num chute da entrada da área (a goleira Courtney Brosnan pegou). E aos 70', elas participaram da jogada do empate: Groenen recebeu a bola de Lineth Beerensteyn, foi derrubada por Aoife Mannion na área, pênalti marcado, e Dominique Janssen cobrou para o 1 a 1. 

Seria aliviante... se a Holanda não cometesse o pecado crônico da desatenção: Groenen era atendida e demoraria um minuto para voltar a campo - são as novas regras da FIFA -, Larkin recebeu cruzamento logo na saída de bola, superou Janssen na corrida e fez o 2 a 1 irlandês. Talvez o baque tivesse sido definitivamente superado com a excelente entrada de Victoria Pelova: vinda do banco, superando o terrível drama particular da morte da mãe no começo da semana, a meio-campista fez boa jogada individual para empatar. E a Holanda, cercando o ataque diante da fechada defesa irlandesa, seguia rondando o gol. Porém, num escanteio no minuto final, a defesa fracassou ao rebater a bola, um cruzamento, e a atacante Amber Barrett coroou a impressionante eficiência irlandesa: três arremates a gol, três gols, 3 a 2, o sonho holandês de manter a liderança do grupo virava queda para o terceiro lugar.

E pelo menos no primeiro tempo, as Leoas Laranjas passaram algum sufoco contra a Polônia. É verdade que tinham mais a posse de bola, e rondavam mais o ataque. Às vezes, até tentavam, como em dois chutes sequenciais, de Romée Leuchter e Lynn Wilms, logo aos 4'. Ainda assim, o espaço para contra-ataques era aproveitado por nomes como Paulina Tomasiak (que tentou o gol aos 17', com Lize Kop defendendo) e Ewelina Kamczyk, que arriscou chute de fora aos 27'. Pelo menos, a essa altura, a Holanda já tinha 1 a 0 no placar, graças a Wieke Kaptein, a melhor da partida em Almelo, que cabeceou para as redes o cruzamento de Esmee Brugts. Ainda assim, sem aproveitar as chances, o risco de empate existia. Está certo que a vitória não adiantaria para a vaga direta, já que a França vencia a Irlanda e garantia a liderança do grupo e a vaga direta na Copa. Mas tropeçar de novo seria pior.

Contra a Polônia, as Leoas Laranjas se recompuseram. E Kaptein se destacou na vitória por 3 a 1 (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Quase piorou para as neerlandesas, mesmo, aos 48', quando só o impedimento de Kamczyk causou a anulação do gol que marcaria o empate. Só então o time deslanchou. Se Kaptein seguia bem, Romée Leuchter enfim fazia boa atuação novamente vestindo laranja. Quase levou a um gol contra, aos 53', quando seu cruzamento levou a zagueira polonesa Oliwia Wos a "espirrar o taco". E enfim, aos 61', Leuchter fez o gol do desafogo holandês, em grande estilo, num belo voleio, após cruzamento de Kerstin Casparij.

Só aí a Holanda ficou leve em campo. Os espaços para atacar surgiram, com a Polônia aberta. Lineth Beerensteyn, por exemplo, quase fez seu gol, aos 73'. E Liz Rijsbergen, em sua segunda partida pelas Leoas Laranjas, conseguiu o terceiro gol, aos 81'. Nem mesmo o gol de honra polonês - Kamczyk, aos 83', de pênalti surgido de falta de Damaris Egurrola Wienke sobre Tomasiak - abalou as donas da casa em Almelo. Que deixaram claro: podem jogar bem, como se ouviu em quase todas as entrevistas pós-jogo. 

Além de jogar bem, será preciso ter mais atenção e competitividade em cenários adversos na repescagem de outubro. Porque a Holanda já poderia ter se livrado do trabalho de tentar a vaga na Copa do Mundo Feminina.

Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina da FIFA - Europa - Grupo A2

Irlanda 3x2 Holanda
Data: 5 de junho de 2026
Local: Páirc Uí Chaoimh (Cork)
Árbitra: Katalin Kulcsár (Hungria)
Gols: Kyra Carusa, aos 19', Dominique Janssen, aos 70', Abbie Larkin, aos 71', Victoria Pelova, aos 80', e Amber Barrett, aos 90'

IRLANDA
Courtney Brosnan; Aoife Mannion, Anne Patten, Caitlin Hayes, Megan Connolly (Saoirse Noonan, aos 85') e Chloe Mustaki; Abbie Larkin (Leanne Kiernan, aos 76'), Marissa Sheva, Ruesha Littlejohn (Jessica Ziu, aos 46') e Katie McCabe; Kyra Carusa (Amber Barrett, aos 76'). Técnica: Carla Ward

HOLANDA
Lize Kop; Lynn Wilms, Veerle Buurman, Dominique Janssen e Janou Levels (Marisa Olislagers, aos 56'); Damaris Egurrola Wienke (Jackie Groenen, aos 56'), Wieke Kaptein (Victoria Pelova, aos 74') e Ella Peddemors (Daniëlle van de Donk, aos 56'); Lineth Beerensteyn, Romée Leuchter (Liz Rijsbergen, aos 74') e Esmee Brugts. Técnico: Arjan Veurink


Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina da FIFA - Europa - Grupo A2

Holanda 3x1 Polônia
Data: 9 de junho de 2026
Local: Polman/Asito Stadion (Almere)
Árbitra: Fabienne Michel (Alemanha)
Gols: Wieke Kaptein, aos 24', Romée Leuchter, aos 61', Liz Rijsbergen, aos 81', e Ewelina Kamczyk, aos 83'

HOLANDA
Lize Kop; Lynn Wilms (Kerstin Casparij, aos 60'), Veerle Buurman, Dominique Janssen (Renée van Asten, aos 46') e Marisa Olislagers; Damaris Egurrola Wienke, Wieke Kaptein e Daniëlle van de Donk (Victoria Pelova, aos 60'); Lineth Beerensteyn (Liz Rijsbergen, aos 75'), Romée Leuchter e Esmee Brugts. Técnico: Arjan Veurink

POLÔNIA
Kinga Seweryn (Kinga Szemik, aos 67'); Wiktoria Zieniewicz, Paulina Dudek, Oliwia Wos e Jagoda Cyraniak (Julia Walentowicz, aos 79'); Adriana Achcínska (Wiktoria Zawistowka, aos 46'), Patrycja Sarapata (Gabriela Grzybowska, aos 67') e Milena Kokosz; Paulina Tomasiak, Ewelina Kamcyzk e Nadia Krezyman (Claudia Macjaska, aos 67'). Técnica: Nina Patalon

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Duas gerações por uma vaga

A Holanda (ou os Países Baixos) está focada na Copa do Mundo masculina. Mas a seleção feminina, contando com as veteranas junto às novatas, está muito perto da vaga no Mundial feminino (KNVB/Divulgação)

Está certo que o foco, para quem acompanha futebol na Holanda (Países Baixos), já está na seleção masculina que caminha para disputar a Copa do Mundo, na América do Norte. Entretanto, um pouco do foco está na seleção feminina neerlandesa, também. Afinal de contas, a vaga direta na Copa do Mundo de 2027 está mais perto do que se pensava. Em primeiro lugar no grupo A2 das Eliminatórias Europeias, bastará que as Leoas Laranjas vençam Irlanda (sexta-feira, 5, às 15h45 de Brasília, na cidade irlandesa de Cork) e Polônia (próxima terça, 9, às 16h de Brasília, em Almelo) - no caso do jogo contra a Irlanda, uma vitória holandesa e outra da Polônia, contra a França, também resolve tudo por antecipação - para garantirem a vinda ao Brasil no ano que vem. E elas estão divididas claramente em duas gerações, na convocação para as duas decisões.

Se os grandes resultados contra a França nas duas rodadas passadas - vitória em 2 a 1 e empate por 1 a 1 - dependeram em grande parte das novatas (a estreante Renée van Asten na defesa; Wieke Kaptein no meio; Esmee Brugts no ataque), agora várias das veteranas estão de volta. E várias delas, superando problemas pessoais. Se Dominique Janssen retornou naturalmente ao se recuperar de lesão, Daniëlle van de Donk reconheceu o quanto a demora para voltar de problemas físicos no London City Lionesses, clube em que joga, a afetou mentalmente: "Na última vez [em que me machuquei], estava com minha esposa quando ouvi a notícia. Eu não aguentava mais, só queria chorar, foi muito duro, acho que foi o período mais duro da minha vida". Mesmo mais alegre, Jackie Groenen - também de volta à seleção - reconheceu os problemas com lesões no Paris Saint Germain: "Eu precisava passar tempo na academia, não entrava em campo. Então, isso me fazia sentir menos parte do grupo. Mas estou em forma, posso jogar". Além delas, também voltaram - e também podem jogar - Kerstin Casparij e Caitlin Dijkstra.

O técnico Arjan Veurink celebrou o retorno dos nomes experientes. Mas alertou, diante do ótimo resultado com as novatas contra a França: elas precisarão garantir a vaga (KNVB/Divulgação)

O técnico Arjan Veurink comemorou os retornos: "Experiência sempre é importante, que dirá para os jogos desta semana. Jogadoras acostumadas com partidas importantes podem ajudar. Daí, o valor de nomes como Van de Donk". Ao mesmo tempo, o treinador se valeu das grandes atuações das mais novas - e da boa fase delas, que o diga Veerle Buurman, eleita revelação da temporada na Inglaterra - para alertar: "Elas [veteranas] não estão todas garantidas de seus lugares, não importa o quanto sejam experientes". Além do mais, dois nomes importantes para as Leoas Laranjas ficarão fora dos jogos. Ainda sofrendo com dores renitentes no tornozelo, Daphne van Domselaar passou por cirurgia no local, e novamente desfalcará a Holanda (Países Baixos). E Vivianne Miedema, às voltas com problemas particulares - acompanha a mãe, em tratamento de problema de saúde -, falou com Arjan Veurink e foi liberada pelo próprio: "Se teve uma coisa que aprendi nos últimos anos, é que boa forma física e mental são importantes em jogos cruciais".

De fato, são jogos cruciais. Ainda mais a partida contra a Irlanda, nesta sexta: também podendo ter a vaga direta na Copa (está em terceiro lugar no grupo, com 6 pontos, só dois abaixo da Holanda), a equipe anfitriã conta com o destaque absoluto de Katie McCabe - a capitã fez cinco gols nos últimos sete jogos pelas irlandesas. Foi adversária dura nas rodadas de março, quando a Holanda só fez 2 a 1 nos minutos finais. E tentará impor seu jogo até em medidas pequenas, como reduzir as dimensões do estádio Páirc Uí Chaoimh, em Cork, ao mínimo exigido pela FIFA. O técnico Arjan Veurink minimizou tal medida ("Se elas acham que conseguem ganhar assim, tudo bem"), mas também manteve o alerta alto: "A Irlanda é um time com muita velocidade pelo meio, e muito difícil de ser superado quando recua". Parte de uma conclusão básica do técnico da Holanda: "Não há mais seleções pequenas, não na Europa. O que é ótimo, mostra como o futebol feminino se desenvolveu. Não há mais jogos fáceis".

Se é assim, é com as veteranas e as novatas que as Leoas Laranjas vão para as duas rodadas finais. Todas por uma vaga direta na Copa. Até para que continuem ouvindo elogios como os que o técnico ouviu de alguém que conhece bem: Sarina Wiegman, de quem foi auxiliar entre 2017 e 2025. "Ela tem achado a campanha ótima. Mandou uma mensagem e disse que está orgulhosa de mim".

As 23 convocadas da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

GOLEIRAS: Lize Kop (Tottenham Hotspur-ING), Daniëlle de Jong (Juventus-ITA) e Regina van Eijk (Ajax)

DEFENSORAS: Lynn Wilms (Aston Villa-ING), Kerstin Casparij (Manchester City-ING), Veerle Buurman (Chelsea),  Dominique Janssen (Manchester United-ING), Renée van Asten (Ajax), Ilse van der Zanden (Fiorentina-ITA), Caitlin Dijkstra (Wolfsburg-ALE, se transferindo para o Tottenham Hotspur-ING), Janou Levels (Wolfsburg-ALE) e Marisa Olislagers (Brighton-ING)

MEIO-CAMPISTAS: Damaris Egurrola Wienke (OL Lyonnes-FRA), Wieke Kaptein (Chelsea-ING), Victoria Pelova (Arsenal-ING), Ella Peddemors (Wolfsburg-ALE), Lotte Keukelaar (Real Madrid-ESP), Daniëlle van de Donk (London City Lionesses-ING), Jackie Groenen (Paris Saint Germain-FRA) e Nina Nijstad (PSV)

ATACANTES: Lineth Beerensteyn (Wolfsburg-ALE), Romée Leuchter (Paris Saint Germain-FRA), Esmee Brugts (Barcelona-ESP) e Liz Rijsbergen (PSV)

segunda-feira, 9 de março de 2026

Começaram as dificuldades

Após o respiro dos amistosos, a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) teve seus problemas nas primeiras rodadas das Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina. Mas até que se saiu bem (Marcel Bonte/Soccrates/Getty Images)

A seleção feminina da Holanda (Países Baixos) tinha começado bem sua passagem sob o comando do novo técnico, Arjan Veurink, com um empate e três vitórias nos quatro amistosos que fecharam o turbulento 2025. Mas se sabia: as duas primeiras rodadas das Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina, nestas datas FIFA, é que mostrariam o grau de dificuldade a ser encarado pela equipe. E o grau foi relativamente grande. De todo modo, se é para animar, a equipe neerlandesa de mulheres conseguiu superá-lo. Se não no empate em 2 a 2 contra a Polônia, certamente na vitória por 2 a 1 sobre a Irlanda.

Para que as dificuldades começassem, praticamente bastou a bola rolar na Plus Arena de Gdansk, para a estreia nas Eliminatórias, na terça passada, contra a Polônia. Pressionando a saída de bola, a seleção da casa colocou as holandesas em dificuldades (como até já fizera no amistoso em 0 a 0 entre ambos). Tanto que, aos 8', teve a primeira chance, com Tanja Pawollek cabeceando a bola no travessão. E aos 24', coube a quem poderia trazer mais perigo fazer 1 a 0: Ewa Pajor pressionou na esquerda, roubou a bola de Vivianne Miedema, superou a marcação de Caitlin Dijkstra, chegou à área e bateu forte, no ângulo de Lize Kop - seguindo titular no gol, mesmo com a volta de Daphne van Domselaar. Com a primeira chance real de gol só vindo aos 34' (chute de Jill Roord, defendido pela goleira Kinga Szemik), a Holanda voltava a passar dificuldades. Que só não foram maiores por causa do empate, pouco antes do intervalo: num escanteio mal rebatido, Damaris Egurrola Wienke ajeitou, e Veerle Buurman bateu para o 1 a 1. 

Na estreia pelas Eliminatórias, as Leoas Laranjas até mostraram capacidade ofensiva, mas a defesa teve dificuldades contra a Polônia no empate em 2 a 2 (Mateusz Slodkowski/UEFA/Getty Images)

O empate após primeiro tempo tão problemático deu tranquilidade para que certos erros fossem corrigidos - como a entrada de Lynn Wilms, melhor defensivamente, no intervalo, para a lateral direita. E melhor ainda foi ver a virada logo nos primeiros lances do segundo tempo: com apenas dois minutos de bola voltando a rolar, Lineth Beerensteyn deu a bola para que Jill Roord fizesse 2 a 1, chutando da entrada da área. O que não quer dizer que as Leoas Laranjas se impuseram definitivamente. A defesa seguiu dando espaços dentro da área, e as chances contrárias apareciam: Ewelina Kamczyk teve chute bloqueado por Wilms, e Ewa Pajor cabeceou a bola no travessão (outra vez!) aos 55'. Aos poucos, a pressão polonesa amainou, nomes como Jackie Groenen entraram, os Países Baixos até tiveram suas chances (Miedema forçou a defesa de Szemik, aos 71'), a vitória parecia assegurada... até novo erro render o empate, a seis minutos do fim: Roord perdeu a bola, Kamczyk e Paulina Tomasiak tabelaram no meio da defesa, Tomasiak driblou Lize Kop e fez 2 a 2. 

Era uma dor de cabeça que precisaria ser neutralizada no jogo do sábado, contra a Irlanda - que perdeu por 2 a 1 para a França em sua estreia, mas fez jogo duro. E também começou fazendo jogo duro em Utrecht: dois cruzamentos (um escanteio aos 4', e um cruzamento com bola rolando, aos 7'), dois cabeceios de Caitlin Hayes, e a bola passou perto do gol em ambos. Além do mais, as irlandesas faziam o esperado: se fechavam na defesa, evitando as trocas de passes holandesas. Restavam chutes de fora da área, como o de Wieke Kaptein, aos 9', que passou rente à trave. Ou uma jogada individual, como a que Lineth Beerensteyn tentou aos 10', vindo pela esquerda, entrando na grande área e demorando para finalizar, com a goleira Courtney Brosnan pegou. Só aos 20 minutos é que houve espaço para troca de passes. E saiu o gol das Leoas Laranjas: Jill Roord passou, Lynn Wilms cruzou, e Beerensteyn completou na pequena área. Podia não ser uma superioridade tão grande, mas era uma superioridade.

A Irlanda se protegeu em sua defesa, e coube a Beerensteyn (centro) aparecer de novo para garantir a primeira vitória neerlandesa na qualificação (Sonny Lensen/ANP/Getty Images)

Que passou a correr riscos quando a Irlanda conseguiu uma chance: após falta cobrada para a área, a goleira Lize Kop saiu do gol, acertou a zagueira Anna Patten, e o pênalti foi marcado - talvez com certo exagero, mas foi marcado. Destaque absoluto das visitantes, a capitã Katie McCabe cobrou, fez 1 a 1 aos 50', e seria duro para os Países Baixos conseguirem voltar à frente do placar. Não que não tentassem: Romée Leuchter cobrou falta aos 54' (Brosnan pegou), novamente a dupla Roord-Wilms funcionou na direita, com esta cruzando para Vivianne Miedema perder boa chance aos 58'. Só que a Irlanda estava muito bem postada defensivamente. Até que, a oito minutos do fim do tempo regulamentar, um escanteio cobrado, e Beerensteyn novamente apareceu quando era necessário: Brosnan rebateu na primeira trave, a atacante se virou e aproveitou a sobra para fazer 2 a 1.

Ou seja: mesmo com dificuldades, a Holanda conseguiu se manter invicta, conseguiu vencer, conseguiu ocupar o segundo lugar de seu grupo nas Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina. De certa forma, cumpriu o que o técnico Arjan Veurink esperava: "Na semana passada, falamos sobre controlar os jogos. Cumprimentei a equipe por isso. Futebol bonito não conta tanto, mas os resultados contam". A ver se os resultados virão nas rodadas de abril, com os dois jogos contra a França, favorita do grupo. Se vierem, a Copa fica mais perto...

Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina da FIFA - Europa - Grupo A2

Polônia 2x2 Holanda
Data: 3 de março de 2026
Local: Plus Arena (Gdansk)
Árbitra: Ivana Projkovska (Macedônia do Norte)
Gols: Ewa Pajor, aos 24', Veerle Buurman, aos 44', Jill Roord, aos 47', e Paulina Tomasiak, aos 84'

POLÔNIA
Kinga Szemik; Wiktoria Zieniewicz, Oliwia Wos, Paulina Dudek e Martyna Wiankowska; Adriana Achcinska, Ewelina Kamczyk (Gabriela Grzybowska, aos 90') e Tanja Pawollek (Milena Kokosz, aos 66'); Nadia Krezyman (Weronika Zawistowska, aos 66'), Ewa Pajor e Paulina Tomasiak (Natalia Padilla, aos 90' + 3). Técnica: Nina Patalon

HOLANDA
Lize Kop; Kerstin Casparij (Lynn Wilms, aos 46'), Veerle Buurman, Dominique Janssen e Caitlin Dijkstra; Damaris Egurrola Wienke (Jackie Groenen, aos 62'), Vivianne Miedema e Wieke Kaptein; Jill Roord, Lineth Beerensteyn (Romée Leuchter, aos 74') e Esmee Brugts (Chasity Grant, aos 62'). Técnico: Arjan Veurink 


Holanda 2x1 Irlanda
Data: 7 de março de 2026
Local: De Galgenwaard (Utrecht)
Árbitra: Frida Klarlund (Dinamarca)
Gols: Lineth Beerensteyn, aos 20' e aos 82', e Katie McCabe, aos 50'

HOLANDA
Lize Kop; Lynn Wilms, Veerle Buurman, Dominique Janssen e Marisa Olislagers; Wieke Kaptein (Jackie Groenen, aos 65'), Vivianne Miedema (Chasity Grant, aos 90' + 1) e Damaris Egurrola Wienke; Lineth Beerensteyn, Romée Leuchter (Daniëlle van de Donk, aos 65') e Jill Roord (Esmee Brugts, aos 65'). Técnico: Arjan Veurink 

IRLANDA
Courtney Brosnan; Aoife Mannion, Caitlin Hayes, Anna Patten e Chloe Mustaki; Marissa Sheva (Saoirse Noonan, aos 90' + 1), Megan Connolly e Katie McCabe; Emily Murphy, Kyra Carusa  (Abbie Larkin, aos 84') e Lucy Quinn (Amber Barrett, aos 65'). Técnica: Carla Ward

sábado, 28 de fevereiro de 2026

À espera da confirmação

As expressões no treino podem até ser sérias, mas a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) está de bem com a vida. E quer provar isso no começo das eliminatórias da Copa (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Foram só quatro jogos amistosos, no fim do ano passado. Mas vencer três deles, tomar só um gol neles (para uma seleção que sempre teve a defesa como seu ponto fraco... é algo notável), mostrar o nascimento de algum entrosamento aqui e ali, superar seleções de algum respeito como Canadá e Portugal, enfim, tudo isso serviu para trazer de volta uma boa impressão em torno da seleção feminina da Holanda (Países Baixos). Mas amistosos apenas amistosos são. E a melhor confirmação de que as Leoas Laranjas entraram em novos tempos sob o técnico Arjan Veurink viria com atuações categóricas nas primeiras datas FIFA de mulheres neste 2026, abrindo as eliminatórias da Copa de 2027, contra Polônia - dia 3 de março, na cidade polonesa de Gdansk, às 14h de Brasília - e Irlanda - 7 de março, às 16h45 de Brasília, em Utrecht.

Nesse começo da caminhada para tentar garantir uma vaga no Mundial a ser sediado no Brasil, há dois reforços que havia muito tempo não vestiam laranja. Uma delas, talvez, nem vestisse mais: era a possibilidade mais forte. Mas Daniëlle van de Donk aproveitou um fato (a homenagem a ser feita a ex-jogadoras da seleção holandesa, como Sherida Spitse e Lieke Martens, após o jogo contra a Irlanda) para anunciar seu retorno, com uma brincadeira: "Como vocês sabem, algumas das ex-jogadoras estarão em Utrecht para uma despedida. Eu também estarei... mas não é para me despedir!". Pois é: aos 34 anos - completará 35 em 5 de agosto -, recuperada de lesão que atrapalhou seus primeiros tempos no London City Lionesses, Van de Donk se colocou à disposição de Arjan Veurink para as convocações. 

Van de Donk "desistiu de desistir": uma conversa com o técnico Arjan Veurink bastou para que a veterana meio-campista decidisse seguir nas Leoas Laranjas (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Falando mais seriamente, na data da convocação, "Daantje" justificou: "Acho que ainda há algo especial que posso dar para este time". Sem sinalizar se ela ficará mais no banco ou jogará, Veurink celebrou: "Estou muito feliz por ela estar no grupo. Depois da Euro [2025], conversamos, ela estava machucada, e decidimos esperar para conversar de novo, até ela se recuperar. Isso aconteceu, nos falamos, e ela está se recuperando, está voltando a ter ritmo de jogo". Na coletiva de apresentação, no centro de treinamentos da federação, a meio-campista se aprofundou: "O foguinho se acendeu de novo em mim. É bom demais [estar na seleção] para já encerrar tudo. Deixei minhas colegas quietas, senão é claro que elas diriam que eu deveria voltar, e isso nunca é um bom conselho. Você deve se focar em você: é isso mesmo que quer?". Arjan Veurink facilitou: "Fomos abertos e honestos um com o outro. Estou feliz que o 'fogo' dela esteja aceso de novo, é sempre bom contar com alguém com as qualidades dela".

Outro nome importante a retornar é Daphne van Domselaar. Enfim livre das dores de um tendão no tornozelo, lesão que dificultou a sua situação desde antes da Euro ("Uma lesão assim não se cura antes de algumas semanas. E continua causando atenção, mas agora estou me sentindo bem, completamente pronta para estar aqui"). Voltando a ter ritmo de jogo - e alguma segurança, após falhas aqui e ali - no Arsenal, Van Domselaar chega com Lize Kop tendo sido titular nos primeiros amistosos sob Arjan Veurink. Mas a titular habitual do gol das Leoas Laranjas não só demonstrou boa impressão do clima entre as convocadas, à ESPN holandesa ("Ouvi boas histórias das outras, e mal posso esperar para estar nos jogos e viver isso"), como também mostrou tranquilidade sobre qual será a goleira titular ("Lize está indo bem, então, dependerá do treinador").

Van Domselaar é outro retorno para a seleção neerlandesa de mulheres (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Mas é possível que seja Vivianne Miedema o grande símbolo da impressão promissora que causa a seleção feminina neerlandesa. Até porque, depois de muitos anos de lesões, enfim ela retoma o ritmo de jogo, enfim ela retoma as boas atuações (agora, jogando mais recuada, como uma "camisa 10"), enfim ela retoma o brilho no Manchester City, em que renovou seu contrato até 2027. E a capitã das Leoas Laranjas comemora tudo isso, também à ESPN NL: "Eu me sinto em forma, posso jogar bastante e estou nos campos com um sorriso no rosto. Isso é o mais importante. Sinto que posso ajudar em algo de novo". Vieram elogios ao novo técnico ("Arjan [Veurink] nos traz experiência. Ele teve muito sucesso, tanto como auxiliar técnico aqui, como depois na Inglaterra. Acho muito bacana ver o crescimento pessoal dele ao longo dos anos"). E vieram até palavras amenas sobre como prefere jogar, se como atacante - Miedema fez quatro gols no amistoso contra a Coreia do Sul, vale lembrar - ou como meia ("Antes das lesões eu só jogava como atacante, no City jogo de '10' ou até mais recuada (...) Eu disse ao Arjan 'pode me escalar onde você quiser', a escolha é dele").

Nem mesmo uma polêmica em potencial tirou a paz do grupo de convocadas. Principalmente das veteranas, mais relacionadas ao fato: em sua autobiografia, Open Kaart ("Cartão aberto", em holandês), lançada nesta semana, Sherida Spitse contou que uma convocada da Holanda na Euro feminina passada - nome não revelado - levou ao técnico daquela vez, Andries Jonker, críticas sobre ela e Van de Donk. Envolvida na história, esta reconheceu ("Sabia que meu nome estaria no livro"), mas fez questão de deixar tudo no passado ("Por mim, isso não precisava vir para a mídia. Tem coisas que acontecem num grupo, e se resolvem internamente. Aí você deixa para lá, e segue em frente. Nem penso mais nisso"). Arjan Veurink foi compreensivo ("Sempre há chateadas no grupo, porque você trabalha com 23 jogadoras, 22 integrantes na comissão... sempre tem algo, mesmo quando está tudo bem. Mas o que aconteceu no passado não me importa"). E Miedema encerrou de vez ("A gente reconhece que a Euro foi ruim, foi difícil. Mas o grupo atual combinou manter tudo entre quatro paredes. É começar de novo").

Então, neste começo, as Leoas Laranjas esperam confirmar a boa impressão que os amistosos de 2025 passaram. Para isso, vencer Polônia e Irlanda já será de grande serventia.
 
As 23 convocadas da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

GOLEIRAS: Daphne van Domselaar (Arsenal-ING), Lize Kop (Tottenham Hotspur-ING) e Daniëlle de Jong (Juventus-ITA)

DEFENSORAS: Kerstin Casparij (Manchester City-ING), Lynn Wilms (Aston Villa-ING), Dominique Janssen (Manchester United-ING), Caitlin Dijkstra (Wolfsburg-ALE), Veerle Buurman (Chelsea-ING), Janou Levels (Wolfsburg-ALE), Ilse van de Zanden (Fiorentina-ITA) e Marisa Olislagers (Brighton-ING)

MEIO-CAMPISTAS: Jackie Groenen (Paris Saint Germain-FRA), Daniëlle van de Donk (London City Lionesses-ING), Victoria Pelova (Arsenal-ING), Damaris Egurrola Wienke (OL Lyonnes-FRA), Ella Peddemors (Wolfsburg-ALE), Wieke Kaptein (Chelsea-ING) e Nina Nijstad (PSV)

ATACANTES: Vivianne Miedema (Manchester City-ING), Lineth Beerensteyn (Wolfsburg-ALE), Esmee Brugts (Barcelona-ESP), Jill Roord (Twente), Romée Leuchter (Paris Saint Germain-FRA) e Chasity Grant (Aston Villa-ING)

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Que demora!

A Holanda (Países Baixos) está cada vez mais perto da vaga na Copa de 2026. Conseguiu sair com um ponto, no empate contra a Polônia. Mas ainda deve em campo (ANP)

A seleção masculina da Holanda (Países Baixos) está perto da vaga na Copa de 2026. Há muito tempo - talvez desde que o (fácil) grupo G das eliminatórias tenha começado. Entretanto, exatamente por ser um grupo fácil, era de se supor que o domínio da Laranja fosse maior do que está sendo. E o empate em 1 a 1 com a Polônia, até previsível num jogo tenso - era o "tudo ou nada" da Polônia em busca da vaga direta e de alcançar a liderança -, foi recebido com chateação justificada, porque a confirmação matemática está demorando demais para chegar.

Como se esperava pelo cenário citado acima, a Polônia começou o jogo empurrada por sua torcida. E também apostando numa jogada de ataque que deu certo no 1 a 1 de setembro, em Roterdã: lançamentos para Matty Cash fazer algo com a bola. O lateral direito tentou fazer logo aos 2', quando cruzou, e Nicola Zalewski, livre na área, completou para fora, finalizando até mal. Depois, ainda na pressão inicial, Michal Skoras tentou o chute aos 6', mas o goleiro Bart Verbruggen pegou.

E é bom que se faça justiça: após os primeiros dez minutos, até que a Holanda controlou o jogo. Com Frenkie de Jong mantendo a posse de bola; com calma ao trocar passes; até com mais intensidade nas divididas; enfim, com tudo isso, a Laranja foi esfriando o ânimo polonês. Teve até algumas tentativas (o goleiro Kamil Grabara rebateu cobrança de Memphis Depay, aos 18'; Donyell Malen, muito ativo, bateu da entrada da área, por cima do gol, aos 24'). No entanto, mesmo dominando a posse de bola, mesmo até pressionando mais uma Polônia recolhida, faltavam os ataques. Faltava fazer Grabara trabalhar de fato.

De tão recolhida, a Polônia parecia mesmo era esperar uma chance para contra-atacar. Ela surgiu, aos 43', após uma bola perdida por Memphis. E aí, Robert Lewandowski, o grande jogador da seleção da casa, fez o que dele se espera: foi referência, ajudou. Ajeitou perfeitamente a bola, para Jakub Kaminski aproveitar o caminho livre que tinha à frente, tocar a bola na saída de Verbruggen e fazer o 1 a 0 que alegrou e motivou os poloneses. A Holanda nem jogara tão mal, mas tinha sua falha (fragilidade nos contra-ataques) punida do pior jeito possível.

Lewandowski nem brilhou tanto assim. Mas ajudou a Polônia a trazer até mais perigo no ataque ao longo dos 90 minutos (Marcel ter Bals/DeFodi Images/Getty Images)

A punição só não foi pior porque, já aos 47', logo após o intervalo, veio o empate, na única jogada de ataque minimamente certa: Cody Gakpo (que muito tentou no jogo, às vezes certo, outras errado) cruzou, Malen cabeceou para o gol vazio, Grabara tentou rebater após sair mal do gol, e a bola sobrou para Memphis Depay, de novo, marcar pela seleção. O que não quer dizer que a Polônia se amuou: com Matty Cash novamente dando trabalho a Micky van de Ven, o time da casa teve três chances em sequência. Logo após o empate, aos 48', Verbruggen fez grande defesa em desvio de Lewandowski; aos 55', Nicola Zalewski arriscou, e o camisa 1 holandês pegou firme; e aos 57', Kaminski dominou lançamento longo, quase fez seu segundo, mas Verbruggen espalmou para fora após desvio.

Estranho foi ver um sinalizador jogado no gramado, forçando a interrupção do jogo por quase cinco minutos, num momento em que a Polônia até estava mais perto do gol. Então, a Laranja cresceu. E enfim, teve algumas chances de gol mais próximas: Ryan Gravenberch quase fez aos 68' (Grabara rebateu na pequena área), Memphis cabeceou para fora aos 69'... só na reta final a Polônia ainda tentou algo, com Michal Skoras, aos 82' (nos acréscimos, Lewandowski tentou de cabeça - Verbruggen pegou). Depois, Gravenberch ainda arriscou chute aos 86', defendido por Grabara.

Só que as duas equipes acabaram se contentando com o empate. Que deixa a Holanda ainda mais perto da Copa do que já estava: na segunda-feira, em Amsterdã, bastará um empate (ou, óbvio, a vitória) contra a Lituânia para que a Laranja viaje à América Central/do Norte no meio de 2026. Mas o aborrecimento unânime de jogadores e do próprio técnico Ronald Koeman na saída de campo deixa claro: a vaga poderia estar garantida há muito tempo. E a culpa talvez seja da própria Holanda.

Eliminatórias para a Copa de 2026 - Europa - Grupo G

Polônia 1x1 Holanda 
Data: 14 de novembro de 2025
Local: PGE Narodowy (Varsóvia)
Juiz: Maurizio Mariani (Itália)
Gols: Jakub Kaminski, aos 43', e Memphis Depay, aos 47'

POLÔNIA
Kamil Grabara; Matty Cash (Pawel Wszolek, aos 81'), Tomasz Kedziora, Jan Ziolkowski e Jakub Kiwior; Michal Skoras, Piotr Zielinski, Sebastian Szymanski (Bartosz Kapustka, aos 13') e Nicola Zalewski (Kamil Grosicki, aos 81'); Jakub Kaminski (Filip Rozga, aos 90' + 2); Robert Lewandowski (Adam Buksa, aos 90' + 2). Técnico: Jan Urban

HOLANDA
Bart Verbruggen; Lutsharel Geertruida (Jan Paul van Hecke, aos 74'), Jurriën Timber, Virgil van Dijk e Micky van de Ven; Frenkie de Jong, Justin Kluivert (Tijjani Reijnders, aos 74') e Ryan Gravenberch (Jerdy Schouten, aos 88'); Donyell Malen, Memphis Depay (Emmanuel Emegha, aos 88') e Cody Gakpo. Técnico: Ronald Koeman


quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Entre o hoje e o amanhã

A seleção masculina da Holanda (Países Baixos) está muito perto da vaga na Copa de 2026. Mas sempre é bom conquistá-la dentro de campo antes dos próximos passos (Pro Shots)

A situação é cômoda: há a liderança no grupo G das eliminatórias europeias (16 pontos, três à frente da Polônia) e vantagem gigante no saldo, primeiro critério de desempate (+19, contra +6 da Polônia). Está muito perto. Na prática, basta uma vitória, nas últimas duas rodadas da qualificação, para que a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) garanta vaga na Copa de 2026. Essa vitória pode vir contra a Polônia (nesta sexta, 14, às 16h45 de Brasília, em Varsóvia) ou contra a Lituânia (na segunda, 17, também às 16h45 de Brasília, em Amsterdã). Entretanto, a delegação da Laranja apresentada para os dois jogos se alterna entre a tranquilidade de até abrir espaço para novidades, como se fossem amistosos de preparação, e a ênfase na ideia de que é melhor e mais recomendável resolver a vaga na Copa contra os poloneses do que arriscar a larga vantagem no saldo - nunca se sabe se ela seguirá - contra os lituanos.

Foi este o tom das palavras do técnico Ronald Koeman, na entrevista coletiva de apresentação na segunda passada: "Precisamos nos classificar, e espero que façamos isso já na sexta-feira". Cada vez mais importante no grupo, em alta após a renovação de contrato com o Barcelona ("Quando assinei meu primeiro contrato lá, minha intenção era ficar dez ou doze anos jogando lá. Pois bem, pode ser que aconteça"), Frenkie de Jong seguiu ressaltando a necessidade da Laranja resolver as coisas já em Varsóvia, à revista Voetbal International: "Acho que só chegando à Copa é que saberemos nossa [Holanda] real situação (...) Mas, primeiro, precisamos nos classificar".

Mas nem mesmo o foco total no jogo desta sexta, com muita pressão esperada dos poloneses - o estádio em Varsóvia deverá ter lotação total, 70 mil lugares ocupados -, tira a oportunidade para experiências nas convocações da Oranje, aqui e ali. Na lista original de 25 jogadores, o novato da vez foi o meio-campista Luciano Valente, do Feyenoord. Entrevistado há algumas semanas pelo diário De Telegraaf, Valente (filho de pai italiano e mãe holandesa, presente na Euro sub-21 do meio do ano, em que os Países Baixos foram às semifinais) sinalizou: embora a Laranja fosse sua seleção de preferência para defender, se a federação italiana se aproximasse ou mesmo se ele fosse convocado para a Azzurra, pensaria com carinho. Pois bem, Ronald Koeman se apressou, chamou Valente e elogiou a evolução do meio-campo, que estava na segunda divisão holandesa com o Groningen há apenas dois anos e agora já está na Laranja: "Dar um passo desses, do Groningen para o Feyenoord, significa algo. Ele tem se comportado muito bem. Não podemos nos esquecer que ele nem foi titular na Euro sub-21, com alguns jogadores as coisas acontecem rápido. Gosto de como ele se comporta, com e sem a bola".

Luciano Valente já entrou na lista original de Koeman para as datas FIFA (Pro Shots)

Enquanto Valente exultava por estar ao lado de seu jogador preferido ("Frenkie de Jong é meu exemplo, ele nunca perde a bola!"), Koeman sinalizava que mais um estreante poderia se juntar à Laranja. Bem no Racing Strasbourg francês - mal voltou de lesão e fez os dois gols dos 2 a 0 no Lille, na rodada passada do Campeonato Francês -, a caminho do Chelsea na virada de ano, o atacante Emmanuel Emegha já era pedido nas convocações holandesas havia tempos. Não estava na lista original, mas Koeman já alertava: "Temos cinco jogadores pendurados, que ficarão suspensos se tomarem cartão contra a Polônia. Então, Emegha é uma opção no ataque, claro que é". 

O destino deu seu empurrão: convocado, Wout Weghorst já chegou ao centro de treinamentos da federação holandesa, na cidade de Zeist, com dores leves. Mas fortes o suficiente para obrigarem Koeman a antecipar a convocação de Emegha, para o caso de precisar cortar Weghorst (de fato, precisou). Alegre - também poderia defender a Nigéria, mas já dissera que a Holanda era sua escolha -, Emegha chegou comentando como soube de sua estreia: "O médico do Strasbourg me perguntou o que eu achava de não ser convocado. Eu disse que estava triste, mas talvez fosse chamado em março, porque tinha feito dois gols e sabia que tinham visto isso na comissão. Aí, fui para casa... e me ligaram dizendo que eu tinha de me apresentar". E a alegria se transformou em promessa: "Acho que posso ter impacto na seleção". É o que muitos acreditam, também.

Muitos pediam, ele queria... e enfim o atacante Emmanuel Emegha (com dois "m") está na Laranja, com uma força das circunstâncias (ProShots)

Assim como se acredita que o próximo na fila de estreantes é o meio-campista Kees Smit, revelação do AZ, destaque do título da Holanda no Campeonato Europeu Sub-19 disputado em junho. Começou com elogios fartos de Ronald Koeman a ele, na segunda: "Eu nem quero falar muito, porque vão causar confusão. Mas eu treinei Pedri, e vejo coisas de Pedri nele... o que ele joga com tão pouca idade é incrível. Está na lista". Frenkie de Jong pôs água na fervura ao ainda elogiar o colega de Barcelona ("Ninguém tem um Pedri, a não ser a Espanha"), mas ampliou o alarido sobre Smit: "Eu já comentei com o pessoal lá sobre ele". Só restou ao próprio, ainda com a seleção sub-21, agir humildemente: "É legal ser elogiado, seria legal ir à Copa, mas não fico pensando muito nisso".

Até porque, para Kees Smit ou qualquer outro neerlandês ser convocado à Copa de 2026... a Holanda precisa estar nela. E embora a vaga esteja muito perto mesmo em caso de derrota para a Polônia, é bom cumprir a "lei do menor esforço": cumprir a tarefa de hoje, garantir um lugar no Mundial, para poder abrir espaço aos candidatos de destaque do amanhã.

Os 26 convocados da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

Goleiros: Bart Verbruggen (Brighton-ING), Mark Flekken (Bayer Leverkusen-ALE) e Robin Roefs (Sunderland-ING)

Defensores: Denzel Dumfries (Internazionale-ITA), Lutsharel Geertruida (Sunderland-ING), Micky van de Ven (Tottenham Hotspur-ING), Nathan Aké (Manchester City-ING), Quilindschy Hartman (Burnley-ING), Virgil van Dijk (Liverpool-ING), Jurriën Timber (Arsenal-ING), Matthijs de Ligt (Manchester United-ING) e Jan Paul van Hecke (Brighton-ING)

Meio-campistas: Frenkie de Jong (Barcelona-ESP), Ryan Gravenberch (Liverpool-ING), Tijjani Reijnders (Manchester City-ING), Justin Kluivert (Bournemouth-ING), Xavi Simons (Tottenham Hotspur-ING), Jerdy Schouten (PSV), Quinten Timber (Feyenoord) e Luciano Valente (Feyenoord)

Atacantes: Memphis Depay (Corinthians), Cody Gakpo (Liverpool-ING), Donyell Malen (Aston Villa-ING), Noa Lang (Napoli-ITA) e Emmanuel Emegha (Strasbourg-FRA)

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Uma coisa de cada vez

A despedida de Sherida Spitse já dava um tom agradável às datas FIFA femininas da Holanda (Países Baixos). Ver a seleção de mulheres mais organizada, no 0 a 0 contra a Polônia e no 1 a 0 contra o Canadá, melhorou a sensação (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Seria exagerado achar que a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) já tinha a obrigação de esbanjar talento e mostrar atuações soberanas, nas primeiras datas FIFA sob o comando do novo técnico, Arjan Veurink. Contudo, seria bom que algumas características aparecessem nos amistosos contra Polônia e Canadá. E até que elas apareceram, tanto no 0 a 0 contra as polonesas, na sexta passada, quanto na vitória por 1 a 0 sobre as canadenses, nesta terça: inegavelmente, as Leoas Laranjas mostraram mais organização. Não brilharam, mas é um começo.

E pelo menos do jeito como a partida contra a Polônia começou, parecia que seria novo tempo com velhos erros: logo aos 3', um cruzamento rasteiro passou por toda a defesa holandesa, só sendo afastado na a pequena área, por Veerle Buurman. Tentando atacar pelo chão, as Leoas Laranjas tinham dificuldades, contra uma defesa bem posicionada. Restavam, então, as jogadas pelos lados. Como aos 10', quando Lineth Beerensteyn (novamente bem no jogo) cruzou, a lateral Wiktoria Zieniewicz errou ao tentar afastar, mas a goleira Kinga Szemik pegou.

Depois, começaram os lançamentos altos. Por exemplo, aos 24', quando Jill Roord tocou por cima, e Vivianne Miedema tocou na saída de Szemik, mas a zagueira Emilia Szymczak afastou - como fez aos 25', em outro lançamento pelo alto, no qual a bola chegou a Kerstin Casparij, que cruzou da direita para Beerensteyn completar. Depois, as chances escassearam. Do lado polonês, só um chute de Nadia Krezyman, aos 29'; aos 36', um chute de Roord para fora, após tabelar com Miedema.

No segundo tempo é que as chances vieram: uma cobrança de falta de Miedema aos 53', um arremate de Brugts aos 56', ambos defendidos por Szemik. Curiosamente, até, as chances mais concretas vieram na reta final. Do lado laranja (aos 80', num escanteio, Szemik saiu mal do gol, a capitã Dominique Janssen cabeceou, e só a zagueira Oliwia Wos evitou o gol, tirando em cima da linha) e do polonês (em rápido contra-ataque aos 84', Wiktoria Zawistowska saiu cara a cara com a goleira Lize Kop, mas Kop evitou o gol). 

As Leoas Laranjas atacaram contra a Polônia, mas também sofreram (Mateusz Slodkowski/Getty Images)

Enfim, mesmo com o 0 a 0, se viu tranquilidade holandesa, nas palavras de Jill Roord ("No segundo tempo, fomos melhores, mais calmas") e do próprio técnico Arjan Veurink ("Eu sabia que seria difícil hoje"). E a tranquilidade foi respondida pela melhor atuação das Leoas Laranjas. Principalmente no primeiro tempo, com velocidade pela direita, com Lynn Wilms e Wieke Kaptein começando bem no jogo. Aos 16', Marisa Olislagers - titular na lateral esquerda - cobrou escanteio e quase fez gol olímpico; Lineth Beerensteyn teve chances aos 22' (cabeceou para fora) e aos 25' (completou para fora cruzamento de Kaptein). Rondando o gol, uma hora ele saiu, aos 28', quando Esmee Brugts cruzou, a bola passou por Beerensteyn, mas não por Lynn Wilms, que fez seu primeiro gol com a camisa laranja.

Houve coisas a consertar, claro. Tantos avanços pelos lados abriram chance para o Canadá contra-atacar, ainda antes do intervalo (aos 38', Adriana Leon cabeceou e Lize Kop defendeu no gol; aos 44', Julia Simis carregou a bola pela esquerda, chegou à área, mas chutou para fora). Mas o importante era homenagear Sherida Spitse, substituída aos 48' - referência a 248 jogos - por Veerle Buurman, na zaga, sendo saudada pelo "corredor de honra" para não voltar mais às Leoas Laranjas das quais se transformou em símbolo. Jogo retomado, com algumas alterações, o ritmo da Holanda caiu, o Canadá cresceu um pouco (Jordyn Huitema teve boa chance aos 66', num cabeceio). Mas logo a seleção laranja se restabeleceu, teve mais chances - Damaris Egurrola Wienke cabeceando para fora aos 70', Lotte Keukelaar tentando o arremate aos 80' para a defesa da goleira canadense Sabrina D'Angelo...

E a Holanda terminou sem sofrer gols em dois jogos seguidos, pela primeira vez desde 2023. Não é nada demais, mas dá a mostra saudável da organização que Arjan Veurink quer ver nas Leoas Laranjas, além de certas medidas táticas como colocar Vivianne Miedema mais recuada, quase como uma "armadora", mesmo escalada no ataque. De fato, houve motivos para Veurink dizer que tem "uma boa sensação para o sorteio das eliminatórias europeias da Copa de 2027 [no próximo dia 5]". Mas há o que melhorar. Uma coisa de cada vez...

Amistosos

Polônia 0x0 Holanda
Data: 24 de outubro de 2025
Local: Plus Arena (Gdansk)
Árbitra: Debora Anex (Suíça)

POLÔNIA
Kinga Szemik; Wiktoria Zieniewicz, Emilia Szymczak, Oliwia Woś e Martyna Wiankowska (Aleksandra Zaremba, aos 90' + 2); Milena Kokosz, Adriana Achcińska e Ewelina Kamczyk (Patrycja Sarapata, aos 90' + 2); Natalia Padilla-Bidas (Gabriela Grzybowska, aos 80'), Paulina Tomasiak e Nadia Krezyman (Weronika Zawistowska, aos 80'). Técnica: Nina Patalon

HOLANDA
Lize Kop; Kerstin Casparij, Veerle Buurman (Caitlin Dijkstra, aos 46'), Dominique Janssen e Janou Levels (Marisa Olislagers, aos 46'); Jackie Groenen (Damaris Egurrola Wienke, aos 62'), Wieke Kaptein (Ella Peddemors, aos 77') e Jill Roord; Lineth Beerensteyn, Vivianne Miedema (Lotte Keukelaar, aos 62') e Esmee Brugts (Victoria Pelova, aos 62'). Técnico: Arjan Veurink


Holanda 1x0 Canadá
Data: 28 de outubro de 2025
Local: De Goffert (Nijmegen)
Árbitra: Rasa Grigone (Lituânia)
Gol: Lynn Wilms, aos 28'

HOLANDA
Lize Kop; Lynn Wilms, Sherida Spitse (Veerle Buurman, aos 48'), Dominique Janssen (Caitlin Dijkstra, aos 81') e Marisa Olislagers; Jackie Groenen, Wieke Kaptein (Damaris Egurrola Wienke, aos 62') e Jill Roord; Lineth Beerensteyn (Romée Leuchter, aos 46'), Vivianne Miedema (Victoria Pelova, aos 62') e Esmee Brugts (Lotte Keukelaar, aos 62'). Técnico: Arjan Veurink

CANADÁ
Sabrina D'Angelo; Jade Rose, Shelina Zadorski, Ashley Lawrence (Gabrielle "Gabby" Carle, aos 66') e Jayde Riviére (Marie Levasseur, aos 85'); Jessie Fleming (Marie Yasmine "Mimi" Alidou, aos 66'), Emma Regan (Évelyne Viens, aos 85') e Julia Grosso; Janine Sonis (Holly Ward, aos 74'), Jordyn Huitema e Adriana Leon (Nichelle Prince, aos 66'). Técnica: Casey Stoney


quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Ainda é só o começo

Nas primeiras datas FIFA após a eliminação precoce na Euro, a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) terá uma saída cheia de homenagens a Sherida Spitse. E um começo ainda tranquilo para o novo ciclo (Stan Oosterhof/Soccrates/Getty Images) 

Só o fato de ser a primeira convocação (e serem as primeiras partidas) sob o comando do novo técnico, Arjan Veurink, já atrairia mais atenção para a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) nestas datas FIFA. A insinuação de tempos de mais renovação, após a má campanha na Euro de mulheres - que indicou inevitáveis fins de ciclo -, também atrairia alguma ansiedade pelo que as Leoas Laranjas podem fazer neste novo ciclo. E de fato, a renovação já começou. Só que ainda é só um início, pelo que se verá nos amistosos contra Polônia (na próxima sexta, 24, às 13h de Brasília, na cidade polonesa de Gdansk) e Canadá (na terça, dia 28, às 16h45 de Brasília, em Nijmegen). 

Até porque a maior atração entre os dois amistosos - na verdade, em apenas um deles, ao pé da letra - é uma despedida. Pois é: antes mesmo da convocação sair, na quarta-feira, 15, os perfis oficiais da seleção feminina neerlandesa divulgaram um vídeo em que Sherida Spitse oficializava o fim de sua história como jogadora pelas Leoas Laranjas, após 19 anos e 247 jogos (sempre vale lembrar: nenhum outro profissional europeu de futebol, homem ou mulher, jogou tanto por uma seleção). A meio-campista/zagueira se integrará à delegação apenas para a partida contra as canadenses, mas foi o principal tema das declarações surgidas na apresentação das 24 convocadas ao centro de treinamentos da federação, na cidade de Zeist - eram 26, mas Daphne van Domselaar (problema leve no joelho) e Chasity Grant (contusão sofrida no domingo passado) foram cortadas. E todas, declarações elogiosas.

Começou com o próprio Arjan Veurink: "Após quase 20 anos de seleção com ela, vai ficar um buraco (...) Ela merece uma saída pela porta da frente, com pódio e tudo". O técnico, inclusive, teve de se defender, na entrevista coletiva, das suspeitas de que suas conversas particulares com Spitse teriam um "leve empurrão" para que ela decidisse parar de jogar pela Holanda: "Ela mesma tomou a decisão. Tivemos boas conversas, sempre foram abertas e honestas. Vimos o curto e o longo prazo, e ela decidiu parar com base nisso". Tudo esclarecido, a homenagem seguiu com Jackie Groenen, cotada para ser uma das líderes da nova geração que terá espaço na seleção: "Vou sentir falta dela, das brincadeiras dela, é um ícone. Aproveitei todos esses anos com ela, e aprendi muito. Não sei se conseguirei preencher a lacuna que ela deixará". Kerstin Casparij acrescentou as suas loas, ao site Sportnieuws: "Quando eu comecei na seleção, ela já era famosa. Ela definiu os padrões". E a própria Spitse, entrevistada pelo site oficial das seleções holandesas, foi previsível sobre seu maior momento nesses 19 anos: "2017. Nunca nada será tão bonito quanto este ano. Fomos campeãs europeias, e meu filho Jens nasceu".

O técnico Arjan Veurink já mudou algumas coisas em sua estreia nas Leoas Laranjas. E mudará ainda mais (Divulgação/KNVB Media)

Só que, Spitse à parte, há outros fatores importantes nestas datas FIFA. Arjan Veurink já indicara em sua apresentação o que deseja ver nas jogadoras: "Há muita criatividade neste time, mas precisamos trazer mais intensidade e espírito de luta sem a bola. Isso pode melhorar, sem dúvida". Falando ao diário Trouw, foi ainda mais enfático: "A Holanda precisa ter uma defesa difícil de ser superada. E as jogadoras precisam merecer estar aqui, esta seleção não é de base". Até por isso, já começaram algumas mudanças. Na própria defesa, por exemplo, oferecendo a estreia em convocações a Lieske Carleer, zagueira do Twente ("É uma honra estar aqui", celebrou Carleer na apresentação), e trazendo de volta duas laterais esquerdas havia muito não convocadas, Janou Levels e Marisa Olislagers ("Vou fazer o meu melhor esta semana, tentar agarrar a minha chance", celebrou Olislagers, que já tem até a Euro feminina de 2022 no currículo). A chamada de Levels e Olislagers, inclusive, abre a possibilidade de Esmee Brugts, em grande começo de temporada no Barcelona, poder jogar na sua posição original, a ponta-esquerda, no ataque. Outro nome mais novo que volta é a ponta-de-lança Lotte Keukelaar, badalada desde a chegada ao Real Madrid, como a mais cara transferência que o futebol feminino dos Países Baixos já teve ("Lá eu vou precisar ir ainda melhor do que ia no Ajax, não posso bobear", reconheceu Keukelaar ao diário De Telegraaf).

Mas Veurink, mesmo olhando para a frente, deixa uma porta entreaberta atrás. Não para Renate Jansen, na última temporada da carreira, também anunciando o fim de sua era na seleção ("Fora de campo, ela sempre foi um nome de força, um elo de ligação, sempre tentou unir todo mundo", elogiou Arjan Veurink a atacante que, mesmo na reserva, esteve em todos os momentos das Leoas Laranjas nos últimos 10 anos, com 15 anos de passagem). Mas, talvez, para Daniëlle van de Donk. Após a eliminação na Euro, a meio-campista indicou que tinha sido seu último grande torneio pelos Países Baixos, mas não se opôs a seguir convocada nos momentos posteriores. Arjan Veurink deixou a continuidade de "Daan" nas Leoas Laranjas em suspenso, aproveitando uma dificuldade atual da meio-campista do London City Lionesses: "Nesse momento, ela não está em condições [contundida], e está fazendo de tudo para voltar a campo o mais rápido possível. Logo, está sem condições de pensar bem se ainda quer jogar pela seleção". Se quiser, porém, Veurink já alertou: "Para mim, é importante ter jogadoras em condições de irem à Copa de 2027. Combinamos que, assim que ela estiver em condições, voltamos a conversar".

Mas isso é para depois. Agora, em campo, a seleção feminina da Holanda quer boas atuações contra Polônia e Canadá. Para homenagear Sherida Spitse. E para comprovar o que Jackie Groenen comentou na entrevista coletiva: "Estamos sentindo algo muito novo. É sempre legal sentir a energia de uma nova fase". Que ainda está só no começo. Haverá muitas mudanças nas Leoas Laranjas, ainda.

As 24 convocadas da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

Goleiras: Lize Kop (Tottenham Hotspur-ING), Daniëlle de Jong (Juventus-ITA) e Regina van Eijk (Ajax)

Defensoras: Kerstin Casparij (Machester City-ING), Lynn Wilms (Aston Villa-ING), Sherida Spitse (Ajax - só se integrará para o jogo contra o Canadá), Ilse van der Zanden (Fiorentina-ITA), Veerle Buurman (Chelsea-ING), Dominique Janssen (Manchester United-ING), Caitlin Dijkstra (Wolfsburg-ALE), Lieske Carleer (Twente), Marisa Olislagers (Brighton-ING) e Janou Levels (Wolfsburg-ALE)

Meio-campistas: Jackie Groenen (Paris Saint Germain-FRA), Victoria Pelova (Arsenal-ING), Wieke Kaptein (Chelsea-ING), Damaris Egurrola Wienke (Lyon-FRA) e Ella Peddemors (Wolfsburg-ALE)

Atacantes: Vivianne Miedema (Manchester City-ING), Lineth Beerensteyn (Wolfsburg-ALE), Esmee Brugts (Barcelona-ESP), Jill Roord (Twente), Romée Leuchter (Paris Saint Germain-FRA) e Lotte Keukelaar (Real Madrid-ESP)

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

As críticas voltaram

A Holanda (Países Baixos) achava ter tudo sob controle, no jogo contra a Polônia e nas eliminatórias da Copa de 2026. Não é bem assim... (Dean Mouhtaropoulos/Getty Images)

Por mais contestado que o trabalho de Ronald Koeman seja (e é) à frente da seleção masculina da Holanda (Países Baixos), havia um inegável "cessar-fogo" com as boas atuações contra a Espanha, na Liga das Nações, e o começo seguro nas eliminatórias da Copa de 2026. Porém, o jogo contra a Polônia, nesta quinta, encerrou esse "armistício". O empate em 1 a 1 não chega a ser desastroso, mas foi desnecessário e tira um pouco da "margem de erro" que a Laranja tem para garantir a vaga direta no Mundial.

No começo do jogo, o que se viu foi o que se esperava, mesmo. A Holanda atacando, principalmente pelos lados - e principalmente pela direita, com Denzel Dumfries, que já tentou um cabeceio aos 3', para fora. Pouco depois, aos 6', um passe em profundidade, Memphis Depay ajeitou, mas Virgil van Dijk bateu para fora. E aos 13', duas chances em poucos segundos: na primeira, Tijjani Reijnders mandou a bola na trave, de fora da área (com leve desvio em Jakub Kaminski, verdade), e na segunda, Cody Gakpo arriscou o chute colocado, e o goleiro Lukasz Skorupski pegou a bola, mas quase a deixou escapar.

Porém, se avançava muito, até mesmo com Van Dijk, a Laranja deixava alguns espaços. E a Polônia, mesmo muito defensiva, dava alguns sinais de vida. Por exemplo, aos 17', quando Jakub Kiwior veio com a bola, passou em contra-ataque, e Matty Cash só não finalizou porque Micky van de Ven (titular na lateral esquerda) bloqueou a tentativa. Ou mesmo aos 32', quando Piotr Zielinski arriscou de fora da área, mandando a bola até perto do gol defendido por Bart Verbruggen. Ou aos 38', quando Sebastian Szymanski, livre, cabeceou para fora. Mas a esta altura, a Holanda já fizera 1 a 0: aos 28', Memphis Depay cobrou escanteio, Skorupski saiu mal do gol, e Dumfries cabeceou para fazer 1 a 0.

Até por isso, a Polônia tentou voltar trocando passes com mais rapidez no segundo tempo. Foi a primeira a alterar em campo, com um atacante (Karol Swiderski, no lugar de Robert Lewandowski). E conseguia se segurar diante da Holanda, que ora tentava cruzamentos - principalmente no começo do segundo tempo -, ora tentava circular com a bola perto da área, mesmo sem muito espaço. Porém, chance de gol, mesmo, só o chute de Xavi Simons, aos 68', para fora. E a Polônia acreditava, dava alguns sinais de vida (Matty Cash arrematou aos 73', a bola desviou em Jan Paul van Hecke e foi para fora)...

Matty Cash é abraçado por Zielinski após o gol de empate: a Polônia teve espaços, e numa hora, os aproveitou (Alex Bierens de Haan/UEFA/Getty Images)

Até que, aos 80', veio o desastre. Numa rara vez que a Polônia saiu para o ataque - pela esquerda, com Pawel Wszolek, conseguindo superar a marcação de Donyell Malen -, a bola passou para Kiwior, que ajeitou para Matty Cash, como já fizera na Liga das Nações 2022/23, brilhar em De Kuip. Há três anos, num empate em 2 a 2, o lateral naturalizado chutou forte, de trivela, para abrir o placar para a Polônia. Agora, o chute de Cash foi forte, no ângulo esquerdo, para estufar as redes no 1 a 1.

A Laranja nem pôde usar todas as alterações para o ataque (com um corte no nariz, Van Hecke teve de sair). E amargou um empate desnecessário. Está na liderança do grupo G das eliminatórias, ainda - em empate triplo com Polônia e Finlândia, tem saldo de gols (bem) maior. Tem adversária muito acessível na Lituânia, no próximo domingo. Ainda assim, a falta de criatividade e de segurança foi duramente punida na quinta-feira. E a torcida voltou a contestar Ronald Koeman. Até porque, de fato, mesmo que haja momentos positivos, só ter ganho de três seleções entre as 40 primeiras do ranking da FIFA até agora não depõe muito a favor. As críticas voltaram. E não sairão tão cedo de cena...

Eliminatórias para a Copa de 2026 - Europa - Grupo G

Holanda 1x1 Polônia
Data: 4 de setembro de 2025
Local: De Kuip (Roterdã)
Juiz: Simone Sozza (Itália)
Gols: Denzel Dumfries, aos 28', e Matty Cash, aos 80'

HOLANDA
Bart Verbruggen; Denzel Dumfries, Virgil van Dijk, Jan Paul van Hecke (Stefan de Vrij, aos 87') e Micky van de Ven; Frenkie de Jong (Quinten Timber, aos 83'), Tijjani Reijnders (Justin Kluivert, aos 83') e Ryan Gravenberch; Xavi Simons (Donyell Malen, aos 78'), Memphis Depay (Wout Weghorst, aos 78') e Cody Gakpo. Técnico: Ronald Koeman

POLÔNIA
Lukasz Skorupski; Matty Cash, Przemyslaw Wisniewski (Tomasz Kedziora, aos 83'), Jan Bednarek e Jakub Kiwior; Bartosz Slisz e Piotr Zielinski (Bartosz Kapustka, aos 71'); Jakub Kaminski, Sebastian Szymanski (Kamil Grosicki, aos 71') e Nicola Zalewski (Pawel Wszolek, aos 71'); Robert Lewandowski (Karol Swiderski, aos 63'). Técnico: Jan Urban


terça-feira, 2 de setembro de 2025

A gente não quer só vitória

A seleção masculina da Holanda (Países Baixos) está em plenas condições de se aproximar da Copa de 2026. Nem isso tira a exigência de renovação das convocações de Koeman (Ben Gal/BSR Agency/Getty Images)

Dois jogos, duas vitórias, dez gols marcados, nenhum sofrido. Está certo que a campanha da seleção masculina da Holanda (Países Baixos) nas eliminatórias da Copa de 2026 ainda está no início, mas este é muito promissor. E caso venham as vitórias contra Polônia (nesta quinta, 4, às 15h45 de Brasília, em Roterdã) e Lituânia (no próximo domingo, 7, às 13h de Brasília, na cidade lituana de Kalmas), a vaga direta no Mundial do ano que vem estará muito bem encaminhada. Até porque são duas vitórias bem possíveis. Só que a torcida não parece se contentar muito com elas, somente.

Motivos para crise, não há. Ronald Koeman terá os 25 jogadores convocados à disposição, todos eles se apresentaram no centro de treinamentos da federação holandesa (na cidade de Zeist), todos eles estão treinando desde a segunda-feira passada, muitos deles jogando agora na Premier League (são 35 holandeses ao todo, mais do que brasileiros - 34). Entretanto... é exatamente na convocação repetida de Koeman que estão as maiores reclamações. Está certo que uma das novidades mais pedidas, enfim, aconteceu: Sem Steijn, convocado pela primeira vez para a Laranja. Goleador do Campeonato Holandês passado (24 gols pelo Twente - desde Jari Litmanen, em 1993/94, nenhum meio-campista marcava tantos gols numa só temporada da Eredivisie), Steijn já tem dois gols em três partidas pelo Feyenoord. É meio-campo de origem, mas de tanto avançar para finalizar, parece até atacante. Só que não convencia Koeman, pelo menos enquanto estava no Twente - o treinador sempre alegava que preferia ver Sem num time maior.

Viu o bom começo do ainda jovem - 23 anos, a fazer 24 em novembro - Steijn no Feyenoord. E bastou para chamá-lo. E mostrar ansiedade na entrevista coletiva: "Eu quero vê-lo, eu quero falar com ele, eu quero ver como ele se dá no grupo". Ainda assim, com o voto de confiança, Koeman manteve o tom cauteloso: "Sem é um jogador com muito rendimento, que escolhe bem o posicionamento, que tem senso de gol. [Mas] ainda há algumas coisas que ele precisa mostrar em alto nível. É o próximo passo que ele terá de dar. Nesse sentido, é ruim que o Feyenoord não tenha alcançado a [fase de liga da] Liga dos Campeões".

Sem Steijn é o único sinal das novidades pedidas (Ben Gal/BSR Agency/Getty Images)

Porém, de novidade, quase que foi só isso. É certo que também há como estreante o goleiro Robin Roefs, recém-chegado ao Sunderland, titular da Laranja Jovem que alcançou a semifinal do Europeu sub-21 (e nem seria - Roefs substituiu o machucado Rome-Jayden Owusu-Oduro). Começando bem no clube novo, Roefs, surgido no NEC, está exultante com a convocação de estreia ("Não poderia desejar muita coisa melhor para os últimos meses", comemorou à emissora NOS). Mas tem papel terciário na convocação, terceiro goleiro da Laranja que é - o titular seguirá Bart Verbruggen, de volta após uma lesão deixá-lo de fora das primeiras rodadas.

E pelo que Koeman indicou, as novidades serão raras nas convocações da seleção masculina dos Países Baixos. "Acho que, quanto mais tempo você trabalha com os mesmos jogadores, mais chances de sucesso você tem. Quanto menos mudanças, melhor". Por isso, Koeman segue sem dar chances a nomes pedidos para o ataque, como Joël Piroe, Thijs Dallinga ou Emanuel Emegha. O que leva a crer que Cody Gakpo, Wout Weghorst e Memphis Depay (já na convocação, mesmo recém-retornado de lesão muscular no Corinthians) terão novamente tempo de jogo.

Para alguma chateação da torcida, que não quer só vitória. Quer vitória e novidade. Bem, se as vitórias vierem contra Polônia e Lituânia, a vaga na Copa fica mais perto, e quem sabe essas novidades apareçam...

Os 25 convocados da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

Goleiros: Bart Verbruggen (Brighton-ING), Mark Flekken (Bayer Leverkusen-ALE) e Robin Roefs (Sunderland-ING).

Defensores: Denzel Dumfries (Internazionale-ITA), Nathan Aké (Manchester City-ING), Virgil van Dijk (Liverpool-ING), Jan Paul van Hecke (Brighton-ING), Matthijs de Ligt (Manchester United-ING), Jurriën Timber (Arsenal-ING), Micky van de Ven (Tottenham Hotspur-ING) e Stefan de Vrij (Internazionale-ITA).

Meio-campistas: Ryan Gravenberch (Liverpool-ING), Frenkie de Jong (Barcelona-ESP), Teun Koopmeiners (Juventus-ITA), Tijjani Reijnders (Manchester City-ING), Jerdy Schouten (PSV), Sem Steijn (Feyenoord) e Quinten Timber (Feyenoord).

Atacantes: Memphis Depay (Corinthians), Cody Gakpo (Liverpool-ING), Justin Kluivert (Bournemouth-ING), Noa Lang (Napoli-ITA), Donyell Malen (Aston Villa-ING), Xavi Simons (Tottenham Hotspur-ING) e Wout Weghorst (Ajax).