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terça-feira, 21 de novembro de 2023

Giro de 360º

Com a goleada esperada contra Gibraltar, a Holanda terminou 2023 sabendo que pode se aprimorar para tentar uma boa campanha na Euro - e sabendo que é capaz disso (KNVB Media/Divulgação)

Quando a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) se classificou para a Copa de 2022, a revista semanal Voetbal International estampou na capa: "Missão cumprida - agora é formar um bom time". Nesta terça-feira em que a Laranja goleou Gibraltar por 6 a 0, no último jogo da campanha de sucesso nas eliminatórias da Euro 2024 (sucesso porque, afinal de contas, a vaga estava garantida), a edição da Voetbal International estampou na capa... "Agora é formar um bom time". Praticamente a mesma mensagem de dois anos atrás. Porque a situação da Oranje é, de fato, semelhante à da qualificação para o Mundial passado: a classificação foi conseguida, mas o time parece precisar de mais para aspirar a grandes objetivos dentro do grande torneio. E se deve reconhecer: alguns passos foram dados para isso.

Porque, se Gibraltar é talvez a seleção mais fraca de toda a Europa (que o digam os 14 a 0 sofridos para a França no sábado passado), é bem verdade que na primeira partida entre ambas, em março, a Holanda só fizera 3 a 0 - e mesmo assim, passando impressão preocupante. Nesta terça, na cidade portuguesa de Faro-Loulé, até pelo clima leve, foi possível testar mais jogadores. Foi possível até ver uma Holanda explorando mais seu lado ofensivo, jogando no 4-3-3 velho de guerra, até para tentar acelerar o jogo e achar espaços diante de uma seleção gibraltarina que seria previsivelmente fechada, enquanto pudesse.

Entre os sete titulares que foram diferentes do time que começou jogando no sábado passado, dificilmente alguém aproveitou mais suas chances do que Calvin Stengs. Enfim convocado para valer de novo (só entrara nas datas FIFA passadas pelo corte de Cody Gakpo), enfim começando como titular da Laranja após três anos e alguns dias (o último jogo fora a vitória contra a Polônia, na Liga das Nações, em 18 de novembro de 2020), o ponta-direita recebeu a oportunidade. E aproveitou: não só pelos três gols, mas pela velocidade e pela movimentação que mostrou jogando na direita, fazendo boas jogadas e até diminuindo eventual impacto da ausência do poupado Denzel Dumfries. Se o jogo contra Gibraltar serviu para algo, foi para trazer Stengs definitivamente de volta às disputas por vaga nas convocações.

Com sete novos titulares para um jogo pouco exigente, Stengs foi quem mais aproveitou a chance: três gols, indicando volta definitiva às convocações (KNVB Media/Divulgação)

Também mereceu destaque a atuação do meio-campo, como um todo. Foi contra um adversário fragílimo, é verdade, mas o trio Mats Wieffer-Teun Koopmeiners-Joey Veerman fez exatamente o que devia: acelerou o jogo, aproximou a Holanda do ataque, criou mais jogadas para o gol. É verdade que os gols poderiam ter vindo até em maior quantidade (e Ronald Koeman lembrou isso, na entrevista pós-jogo à emissora NOS), mas o jeito da Holanda jogar pareceu mais seguro - em que pesem algumas chances perdidas, na maioria das vezes por Wout Weghorst (aos 30') e Donyell Malen (aos 32').

Enfim: se era Gibraltar, e se a Holanda precisava comprovar sua superioridade, ela o fez. Não quer dizer que a Laranja está pronta para a Euro 2024: há muito a melhorar - até porque estar no pote 3, para o sorteio do próximo dia 2, indica que são grandes os perigos de um "grupo da morte". Novamente, como para a Copa passada, há a necessidade da Holanda se tornar competitiva para um grande torneio, numa espécie de "giro de 360º" - aquele que, como se sabe, para no mesmo lugar do começo. Mas com as opções testadas, os machucados que ainda voltarão (Nathan Aké, Frenkie de Jong, Memphis Depay), com um trabalho já mais consistente e adiantado de Ronald Koeman... a Holanda passa uma impressão mais otimista do que no começo do ano. Já é algo.

Eliminatórias da Euro 2024
Gibraltar 0x6 Holanda
Data: 21 de novembro de 2023
Local: Algarve (Faro/Loulé, em Portugal - estádio Victoria, em Gibraltar, está sendo reformado)
Juiz: Arda Kardeşler (Turquia)
Gols: Calvin Stengs, aos 10', aos 50' e aos 62', Mats Wieffer, aos 23', Teun Koopmeiners, aos 38', e Cody Gakpo, aos 81'

Gibraltar
Dayle Coleing; Lee Casciaro (Jamie Coombes, aos 66'), Aymen Mouelhi, Joseph Chipolina (Mohamed Badr, aos 66'), Jayce Olivero e Roy Chipolina; John Sergeant, Liam Walker (Ayoub El Hmidi, aos 66'), Evan de Haro e Nicholas Pozo (Ethan Jolley, aos 14'); Tjay de Barr. Técnico: Julio Ribas

Holanda
Bart Verbruggen; Jordan Teze, Stefan de Vrij, Virgil van Dijk (Jorrel Hato, aos 46') e Quilindschy Hartman (Xavi Simons, aos 63'); Mats Wieffer, Teun Koopmeiners e Joey Veerman (Tijjani Reijnders, aos 46'); Calvin Stengs, Wout Weghorst (Thijs Dallinga, aos 46') e Donyell Malen (Cody Gakpo, aos 77'). Técnico: Ronald Koeman

terça-feira, 14 de novembro de 2023

Vem a bonança?

A seleção masculina da Holanda tem o lugar na Euro muito perto, quase garantido. Até por isso, os problemas parecem mais amenos, embora continuem (KNVB Media/Divulgação)

Diz o ditado que "depois da tempestade vem a bonança". E o 2023 da seleção masculina da Holanda (Países Baixos) tem sido tempestuoso: o começo preocupante nas eliminatórias da Euro 2024, a decepção na Liga das Nações em casa, muitos machucados ao longo das convocações... mas de um jeito ou de outro, a Laranja cumpriu as tarefas que precisava cumprir na qualificação. A bonança deve vir nestas datas FIFA: tem totais condições de garantir a vaga na Euro, contra as duas seleções pior colocadas no grupo B: a Irlanda (neste sábado, 18, em Amsterdã) e Gibraltar (na terça, 21 - no balneário português do Algarve, por reformas no estádio Victoria, onde os gibraltinos mandam suas partidas em casa). 

A situação da Holanda é extremamente cômoda, aliás. Em segundo lugar no grupo B, com 12 pontos, basta uma vitória, em qualquer uma dessas partidas supracitadas, para ter vaga direta na Euro. Se a Grécia, terceira colocada, também tem 12 pontos, o primeiro critério de desempate usado pela UEFA (confronto direto) traz vantagens em caso de mesma pontuação - a Holanda venceu os dois jogos nas eliminatórias (3 a 0 em Eindhoven, 1 a 0 em Atenas). E os gregos só têm mais um jogo na campanha, no dia 21, novamente em Atenas, contra... a França, a grande seleção do grupo, já garantida na Euro. Caso os Azuis superem os helênicos no dia 21, bastarão dois empates para a Holanda. E mesmo em caso de duas derrotas holandesas e uma derrota grega, as duas equipes seguiriam com 12 pontos - e a regra do confronto direto entraria em ação. Somente uma vitória grega, sem nenhum triunfo holandês, faria com que os neerlandeses precisassem da repescagem - na qual já estão garantidos, como vencedores do seu grupo na Liga das Nações passada. Em suma: a Laranja precisará ser muito incompetente para ficar de fora da Euro.

O que não quer dizer que os problemas acabaram. Novamente, muitas lesões impedem que Ronald Koeman tenha o melhor que poderia à sua disposição para os treinos no KNVB Campus, o centro da federação, na cidade de Zeist. Para começar "apenas" com dois nomes fundamentais para a equipe, tanto Frenkie de Jong quanto Memphis Depay ainda se recuperam dos problemas que já os tiraram dos jogos de outubro (De Jong no tornozelo direito, Memphis no músculo posterior da coxa), e nem foram convocados. De lá para cá, a zaga perdeu Matthijs de Ligt (que voltou de contusão e já sofreu outra) e Micky van de Ven (o problema no músculo posterior da coxa deverá tirá-lo de campo pelo resto do ano). Já no domingo passado, antes mesmo das apresentações da delegação, foi anunciado o corte de Nathan Aké, talvez o melhor defensor da seleção no ano - provavelmente por uma lesão leve. Na segunda, mais dois desligamentos: tanto Brian Brobbey quanto Steven Bergwijn foram dispensados logo após chegarem, por problemas leves. Nos treinos de quinta-feira, Jeremie Frimpong se machucou, e foi mais um a deixar o grupo por causa disso - de quebra, Lutsharel Geertruida também sofreu lesão, ainda ficou mais um dia com o grupo, mas foi cortado definitivamente na sexta.

Só restou a Koeman apelar, novamente, para estreantes na convocação. O mais falado foi Jorrel Hato, defensor de 17 anos, que deverá ficar na reserva de Daley Blind (também elogiado, como parte da impressionante campanha do Girona, líder do Campeonato Espanhol). Até compreensível, diante da precocidade de Hato, dos raros nomes a causar sorrisos numa temporada problemática do Ajax. Em janeiro, ele estreou pelo time principal Ajacied; em 20 de fevereiro, a primeira partida pelo Campeonato Holandês, em goleada contra o Cambuur; em abril, o defensor se tornou titular de vez; em setembro, estreou pela seleção sub-21; e agora, está convocado para a equipe principal da Holanda. De quebra, mesmo novo, Hato já mostra alguma versatilidade, jogando tanto no miolo de zaga quanto na lateral esquerda. Koeman reconheceu a importância de um nome para a decisão: Michael Reiziger, técnico da seleção sub-21. "Falamos sobre os jovens da sub-21. Eu procurava um canhoto, era importante (...). Eu até previ, já que Aké foi dispensado. Vi que tinha razão".

Em meio a muitas ausências na zaga da Laranja, Jorrel Hato é a novidade da vez (KNVB Media/Divulgação)

Outra novidade da Holanda era até pedida aqui e ali. E as ausências do ataque - Memphis Depay, Brobbey, Bergwijn, Noa Lang (este, voltando de problema muscular, mas ainda sem condições) - abriram caminho para Thijs Dallinga, 23 anos, mostrando alguma qualidade pelo Toulouse no Campeonato Francês e pela Liga Europa. Outra presença costumeira na seleção sub-21, Dallinga pode ter chance de jogar, dependendo dos resultados que a Holanda conseguir. Embora tenha deixado bem claro que ainda não o conhece a fundo, Ronald Koeman abriu a possibilidade: "Minha escolha por Wout [Weghorst] e [Brian] Brobbey seguia e segue firme. Mas pelas ausências, você olha mais coisas. Daí ele [Dallinga] entrou no cenário".

Mas mesmo as várias lesões já são vistas com mais resignação por Koeman: "Você se acostuma. Sabemos que há muitas contusões por aí. No nosso caso, tem sido mais extremo". Além do mais, algumas alternativas encontradas meio à força começaram a agradar na Holanda. No gol, por exemplo, por mais que Justin Bijlow e Mark Flekken tenham voltado às convocações, o jovem Bart Verbruggen se saiu discreta e normalmente nos jogos de outubro - e provavelmente será o titular contra Irlanda e Gibraltar. Na lateral esquerda, Quilindschy Hartman já agrada a ponto de se pensar que ele pode ser para o lado canhoto o que Denzel Dumfries é no destro: ou seja, um ala que é constante opção de ataque e aumenta a velocidade do jogo holandês. E no meio-campo, se Frenkie de Jong fará falta, Tijjani Reijnders vive fase boa o suficiente para ser considerado opção natural, sem muitos problemas. Até mesmo um nome que retorna foi destacado: o volante Jerdy Schouten, chamado pela última vez na fase de grupos da Liga das Nações (2022), que veio do Bologna ao PSV querendo um espaço na seleção holandesa, afinal conseguido ("É natural que tenha sido chamado, pelo que vem jogando", elogiou Ronald Koeman). E isso, sem contar Xavi Simons, jovem cada vez mais - e corretamente - badalado...

Enfim, como se trata da seleção masculina da Holanda, de histórico que causa desconfianças, até se pode desconfiar que Irlanda (principalmente) e Gibraltar podem perturbar o caminho rumo à Euro 2024. Mas o clima visto nos treinos indica que, para os jogadores, o pior já passou. Depois das tempestades, a bonança da vaga no torneio continental está ao alcance da mão para a Laranja. A não ser que ela falhe de novo e dê razão à versão "errada" do ditado, creditada a Vicente Matheus (1908-1997), ex-presidente do Corinthians, segundo a qual, depois da tempestade, vem a "ambulância"...

Os 23 convocados da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

Goleiros: Bart Verbruggen (Brighton-ING), Mark Flekken (Brentford-ING) e Justin Bijlow (Feyenoord)

Laterais: Denzel Dumfries (Internazionale-ITA), Jordan Teze (PSV), Quilindschy Hartman (Feyenoord) e Daley Blind (Girona-ESP)

Zagueiros: Virgil van Dijk (Liverpool-ING), Stefan de Vrij (Internazionale-ITA) e Jorrel Hato (Ajax)

Meio-campistas: Tijjani Reijnders (Milan-ITA), Marten de Roon (Atalanta-ITA), Teun Koopmeiners (Atalanta-ITA), Joey Veerman (PSV), Jerdy Schouten (PSV) e Mats Wieffer (Feyenoord)

Atacantes: Donyell Malen (Borussia Dortmund-ALE), Xavi Simons (RB Leipzig-ALE), Cody Gakpo (Liverpool-ING), Calvin Stengs (Feyenoord), Wout Weghorst (Hoffenheim-ALE) e Thijs Dallinga (Toulouse-FRA)

segunda-feira, 27 de março de 2023

Vitória preocupante

A vitória contra Gibraltar foi útil para a campanha nas eliminatórias da Euro 2024. Só que a Holanda nem comemorou muito: sabe que decepcionou mesmo diante de um adversário fraco (John Thys/AFP/Getty Images)

Como pode uma vitória ser preocupante? Afinal de contas, os três pontos foram conseguidos - em tese, não há nada de problemas. Contudo, não é bem assim, quando se trata de uma seleção bem mais forte contra uma bem mais fraca. Eis o caso da seleção da Holanda (Países Baixos), nas eliminatórias da Euro 2024: tendo goleado Gibraltar nas eliminatórias da Copa do Mundo passada (7 a 0 e 6 a 0), ganhou por 3 a 0. Só que a atuação dos jogadores da Laranja em De Kuip deixou claro que há muita coisa a ser melhorada, para tentar a classificação ao torneio europeu de seleções.

Não que se pudesse esperar caminho aberto dos gibraltarinos, diante de uma anfitriã escalada para buscar o ataque desde o começo (tanto que só um volante, o estreante Mats Wieffer, foi escalado). O que se viu nos primeiros minutos - bem, talvez na partida toda - foi o previsível: a seleção visitante totalmente fechada, enquanto a Holanda buscava algum espaço. Já havia sinais de boas atuações: Memphis Depay aparecia mais, Xavi Simons tinha vontade com a bola nos pés, Nathan Aké era opção constante na esquerda. 

Só que, na hora de finalizar... os problemas apareciam. O primeiro era a natural falta de espaço para entrar na área com troca de passes: as chances da Holanda vinham em chutes de média distância (Steven Berghuis aos 9', Aké aos 10', Wieffer aos 16'). Até aí, mérito dos jogadores de Gibraltar. O segundo, porém, já era demérito da Holanda: falta de precisão. Passes errados, chutes descuidados... jogadas que poderiam virar chances de gol eram desperdiçadas. Só mesmo o cruzamento de Denzel Dumfries que Memphis Depay cabeceou para as redes, aos 23', foi oportunidade aproveitada. De resto, a Holanda seguiu estéril no ataque. Talvez, nem por falta de capacidade: Georginio Wijnaldum, por exemplo, pode justificar as três chances perdidas (aos 28', 32' - poderia ser bonito voleio - e aos 42') pela falta de ritmo. Já Wout Weghorst, nem isso pode falar: mal teve a bola nos pés. E quando teve, não brilhou, perdendo uma chance aos 41' e "jogando de zagueiro" num desvio de escanteio, aos 45'.

Diante de tamanha imprecisão, as alterações de Ronald Koeman até que deram certo no segundo tempo. Novamente, Donyell Malen teve lá sua utilidade ao jogar: trouxe mais velocidade pela direita, com a bola nos pés. Mesmo voltando do problema estomacal, Cody Gakpo também garantiu mais técnica pela esquerda, com Xavi Simons recuando para o meio. Bastou isso para um começo mais promissor na etapa complementar, com Gakpo tendo chance aos 48' e, quase na sequência, o gol de Nathan Aké, após jogada feita na área adversária. Mais um minuto, e com a expulsão de Liam Walker (falta que pareceu mais séria do que de fato foi sobre Wieffer), parecia que o caminho se abriria para a goleada esperada.

Com voluntariedade no apoio ao ataque e dois gols, Aké talvez tenha sido o único da Laranja com algo a comemorar (Pro Shots/Icon Sport/Getty Images)

Que nada. Novamente, a Holanda teve a bola, cercou mais a área de ataque, teve Virgil van Dijk e Matthijs de Ligt comumente avançando para ajudar... e não passou disso. Quando passou, os chutes foram acertados nos defensores de Gibraltar. E quando eles eram superados, até o goleiro Dayle Coleing apareceu, fazendo pelo menos três boas defesas. Coleing só foi superado quando um chute de Aké desviou em John Sergeant e foi direto para as redes - o terceiro gol foi computado até merecidamente para o lateral esquerdo, muito provavelmente o melhor holandês em campo.

E a vitória esperada veio. Só que as declarações dos próprios jogadores da Laranja deixaram claro: esperava-se muito mais. Começando por Van Dijk ("É óbvio que a gente devia ter feito melhor", à emissora NOS, ainda no gramado), continuando por De Ligt ("Esperávamos uma goleada para a torcida se divertir, mas infelizmente não aconteceu") e terminando por Ronald Koeman, que lamentou não só a vitória discreta, mas também a semana turbulenta ("Precisamos melhorar, em absoluto. Estou chocado com alguns momentos nos jogos"). 

É bom lembrar que a situação da Holanda está sob controle. Melhor ainda lembrar que, se tudo der errado nas eliminatórias "normais", a Laranja está garantida na repescagem por vaga na Euro, por ter vencido seu grupo na Liga das Nações. Só que as atuações apagadas deixaram claro: sem criatividade nem intensidade, a Holanda sofrerá nas semifinais da Nations League, em junho, contra a Croácia. Sofrerá ainda mais contra Grécia e Irlanda, seleções tradicionalmente aguerridas. Que podem causar mais problemas do que Gibraltar jamais poderia.

Por incrível que pareça, foi uma vitória preocupante da Holanda.

Eliminatórias da Euro 2024
Holanda 3x0 Gibraltar
Data: 27 de março de 2023
Local: De Kuip (Roterdã)
Juiz: Morten Krogh (Dinamarca)
Gols: Memphis Depay, aos 23', e Nathan Aké, aos 50' e aos 82'

Holanda
Jasper Cillessen; Denzel Dumfries, Matthijs de Ligt (Tyrell Malacia, aos 77'), Virgil van Dijk e Nathan Aké; Georginio Wijnaldum (Cody Gakpo, aos 46'), Mats Wieffer (Daley Blind, aos 63') e Memphis Depay (Davy Klaassen, aos 63'); Steven Berghuis (Donyell Malen, aos 46'), Wout Weghorst e Xavi Simons. Técnico: Ronald Koeman

Gibraltar
Dayle Coleing; Graeme Torrilla (Niels Hartman, aos 86'), Jayce Olivero, John Sergeant e Kian Ronan (Aymen Mouelhi, aos 76'); Roy Chipolina, Bernardo Lopes e Lee Casciaro (Julian Valarino, aos 86'); Liam Walker, Jamie Coombes (Ethan Jolley, aos 65') e Ethan Britto. Técnico: Julio Ribas

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Pouca coisa a falar

Van Dijk pôde comemorar seu gol com gracinha. De fato, golear Gibraltar foi uma brincadeira - levada a sério - para a Holanda (Pro Shots)

Para a imprensa e a torcida que acompanham a seleção masculina da Holanda (Países Baixos), a única pergunta relacionada ao jogo contra Gibraltar, pelas eliminatórias da Copa de 2022, era se a goleada esperada alcançaria os dois dígitos de gols. Havia até expectativa de igualar a maior goleada da história da Laranja dos homens - 11 a 0 contra San Marino, nas eliminatórias da Euro 2012. Bem, isso foi impossível. Mas o domínio da Holanda na goleada por 6 a 0 sobre os gibraltarinos em De Kuip foi tão grande que tornou impossível fazer qualquer comparação ou análise técnica. Houve pouca coisa a se falar do que se jogou em Roterdã.

A qualidade do ataque holandês? Já é relativamente conhecida - e só se comprovou com a rapidez da troca de passes e a pressão que encurralou os visitantes no campo de defesa, desde o apito inicial. A monopolização de Memphis Depay como grande destaque desse ataque? É talvez o assunto mais abordado sobre o time neerlandês - e ficou clara não só nos dois gols marcados, como até em outros (a começar pelo escanteio que gerou o gol de cabeça com que Virgil van Dijk abriu o placar - primeiro gol do zagueiro, após 935 dias). De quebra, Depay também apareceu na maioria das jogadas de perigo, trocando passes com Davy Klaassen e Steven Berghuis, ambos bem. A fragilidade de Gibraltar? Também era conhecida desde antes do apito inicial - e ficou clara nos dois pênaltis cometidos de modo ingênuo, com Roy Chipolina subindo com os braços erguidos aos 19', e Julian Valarino estendendo os seus um pouco demasiadamente, no pênalti marcado nos acréscimos.

Contra os gibraltarinos, fragílimos futebolisticamente, Danjuma Groeneveld justificou quem pediu sua convocação: um gol, vários dribles, esquentando de novo um jogo sob controle (KNVB Media)

O que não quer dizer que o jogo não teve destaque nenhum. A começar por Bradley Banda: mesmo sofrendo seis gols, bem que o goleiro gibraltarino se esforçou para evitar algo mais próximo de um recorde na Holanda. Defendeu alguns chutes colocados (Berghuis aos 42', Georginio Wijnaldum aos 52' e aos 73'), e terá uma grande história para contar - o primeiro pênalti cobrado por Memphis, que Banda espalmou aos 19'. Do lado da Holanda, Noa Lang justificou a titularidade recebida: não raro, o ponta-esquerda se apresentou para tabelar com Depay, participou de jogadas perigosas, quase teve o seu gol feito. E Arnaut Danjuma Groeneveld também deu razões aos alaridos que o pediam na Laranja: convocado às pressas para suceder Cody Gakpo, cortado pelos sintomas de uma concussão, o ponta-direita do Villarreal deu muito trabalho, fez ótimos dribles, e fez um gol para abrilhantar sua ótima entrada, aos 75'. Louis van Gaal reconheceu: "Ele mereceu todos os elogios".

Alguns nomes que viveram histórias dignas de menção, num jogo que seguiu o planejado. E mantém a Holanda no controle de sua situação para tentar a vaga direta na Copa. As duas vitórias serviram para dar a segurança de que a seleção neerlandesa dos homens está capacitada para manter a liderança do grupo G - e nem precisará vencer as duas partidas em novembro (uma vitória e um empate já bastam). De quebra, a equipe mostrou até mais concentração do que a vista contra a Letônia. Algo muito útil para os jogos contra Montenegro e, principalmente, Noruega, nas duas últimas rodadas das eliminatórias, quando todo cuidado e atenção serão poucos. Certamente, tais "decisões" trarão mais assuntos a serem falados do que a goleada esperada contra Gibraltar.

Eliminatórias para a Copa de 2022 - Europa
Holanda 6x0 Gibraltar
Data: 11 de outubro de 2021
Local: De Kuip (Roterdã)
Juiz: Vitali Meshkov (Rússia)
Gols: Virgil van Dijk, aos 9', Memphis Depay, aos 21' e aos 45' + 3, Denzel Dumfries, aos 48', Arnaut Danjuma Groeneveld, aos 75', e Donyell Malen, aos 86'

Holanda
Justin Bijlow; Denzel Dumfries, Virgil van Dijk, Stefan de Vrij e Daley Blind; Davy Klaassen, Frenkie de Jong (Wout Weghorst) e Georginio Wijnaldum; Steven Berghuis (Arnaut Danjuma Groeneveld), Memphis Depay e Noa Lang (Donyell Malen). Técnico: Louis van Gaal

Gibraltar
Bradley Banda; Jayce Olivero, Louie Annesley, Scott Wiseman e Roy Chipolina; Liam Walker (Mohamed Badr), Jamie Bosio (Kian Ronan) e Joseph Chipolina (Ethan Britto); Reece Styche (Lee Casciaro), Graeme Torrilla (Aymen Mouelhi) e Julian Valarino Técnico: Julio Cesar Ribas

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Tentativas para o acerto

Com o grupo de jogadores tranquilo, o foco na seleção masculina da Holanda vai todo para Louis van Gaal. E ele aproveita para tentativas de renovação - como Noa Lang, a quem aconselhou (Pro Shots)

Louis van Gaal assume: ele é o que na Holanda (Países Baixos) chamam "procescoach". Ou seja: é um técnico do processo, dos trabalhos de longo prazo, de acompanhar o mesmo grupo por alguns anos. Tudo o que ele não pode ter, nesta terceira passagem pela seleção masculina neerlandesa, quando está conhecendo um grupo de jogadores no meio do caminho. Em duro cenário: no fogo das eliminatórias de uma Copa do Mundo. Nem por essas limitações Van Gaal está deixando de lado as experiências. Para sua sorte, terá nestas datas FIFA jogos em que esse "laboratório" é mais permitido: Letônia (nesta sexta-feira, em Riga, às 15h45 de Brasília) e Gibraltar (na próxima segunda, em Roterdã, também às 15h45 no horário brasileiro). Justamente os dois adversários considerados mais fracos no grupo G da qualificação europeia para o Mundial de 2022. 

É o que Van Gaal está tentando fazer, aqui e ali, num grupo de 26 convocados que se apresentou em ambiente tranquilo, no centro de treinamentos de Zeist - até porque o crédito aumentou, com a goleada contra a Turquia, na rodada passada. Tanto que os jogadores pouco tiveram a falar. Os únicos a aparecerem mais foram dois nomes que vêm de um cenário caótico no Barcelona: Memphis Depay e Frenkie de Jong (sem contar Luuk de Jong, que não falou - e voltará a ser assunto), dois dos únicos a escaparem mais das críticas que cobrem o time azul e grená de cima a baixo. Ambos foram firmes na crença de que, uma hora, o Barcelona deixaria a situação. Falando à ESPN neerlandesa, Memphis foi enfático ao negar o arrependimento na mudança de time: "Oras, nem se pergunta uma coisa dessas. É o Barcelona, cara". Frenkie, um pouco mais resumido, também foi mais otimista: "Estamos em má fase, agora. Mas quando se olha para os nossos jogadores, temos um time bom. (...) Pelos nomes, podemos não ser um dos três, ou quatro, melhores times da Europa. Mas estamos logo abaixo".

Enfim, numa seleção com 26 nomes treinando calmamente, Van Gaal (e seu grande carisma) chamaram mais a atenção. Até pela tentativa que o técnico faz de tentar renovar a seleção, numa e noutra posição. Ele próprio reconheceu essa necessidade, na entrevista coletiva do começo da semana, ainda nos Países Baixos. Por isso aumentou a convocação - foram 23 nomes nas datas FIFA passadas, são 26 nesta: "Quero sentir, ouvir, ver novos jogadres. Sempre estou à procura de melhores jogadores para a seleção". Por isso surpreendeu com algumas escolhas - até previstas, na verdade. 

A mais falada delas foi Noa Lang. Ponta direita, considerado um dos responsáveis pelo começo promissor do Club Brugge na temporada (tanto no Campeonato Belga quanto na Liga dos Campeões), Lang teve sua primeira convocação para a seleção adulta - esteve na fase de grupos da Euro sub-21 passada, mas foi cortado por um problema muscular. Mais do que seu talento, seu temperamento quente é o assunto mais falado sobre o atacante. A tal ponto que Van Gaal confirmou, na entrevista coletiva: "Já tive uma conversa boa com ele. Eu fiz um alerta para que ele não fizesse provocações". Noa Lang confirmou, mas... "faz parte, um pouco, de quem eu sou. Seria chato se todo mundo fosse igual. Só preciso levar para o lado positivo". E Van Gaal indicou, já em Riga, nesta quinta-feira: "Eu estou revirando o mundo atrás de um ponta-direita. Só Quincy Promes e Steven Bergwijn podem jogar por ali. Mas precisaremos de Lang ali". Como titular, perguntou um jornalista? Van Gaal: "Pode ser".

Mark Flekken já merecera comentários de Van Gaal antes mesmo de ser convocado. Pelo que faz no Freiburg, o goleiro mereceu a primeira chamada para a seleção (Pro Shots/onsoranje.nl)

Outra novidade já tinha sido indicada por Van Gaal desde a entrevista coletiva após a goleada contra a Turquia: "Eu preciso vê-lo melhor, mas tenho ouvido que ele é muito bom". Ele, quem? Mark Flekken: o goleiro é um dos destaques do Freiburg, que começou muito bem o Campeonato Alemão (4º colocado, uma das defesas menos vazadas da Bundesliga). Aos 28 anos, Flekken nunca defendeu nenhum clube holandês - nascido em Kerkrade, fez toda a carreira adulta na Alemanha, país vizinho. Chegou como um dos quatro goleiros convocados, estreando na Laranja, sob elogios de Van Gaal, na entrevista coletiva na Holanda ("Ele é incrivelmente bom com o jogo nos pés") e na outra coletiva, já na Letônia ("Frans [Hoek, treinador de goleiros] é quem fica mais em contato com eles, mas já notei que é um rapaz bem aberto"). Embora Flekken chegue abaixo dos outros três na hierarquia - o provável titular Justin Bijlow, Joël Drommel e Tim Krul -, mostra o otimismo esperado de um estreante: "Eu nem tenho palavras".

Até mesmo quem ficou de fora da convocação causa cobranças a Van Gaal. Caso de Arnaut Danjuma Groeneveld: iniciando bem no Villarreal, o atacante de ascendência nigeriana (que já jogou na Laranja sob Ronald Koeman, em 2018) esteve ausente. Muitos cobraram, em imprensa e torcida: por quê Danjuma fora e Luuk de Jong - considerado um símbolo da má fase do Barcelona - chamado? Só aí o técnico da seleção reaqueceu sua velha relação de amor e ódio com os jornalistas. Primeiramente, justificou: "Ele mudou de clube tardiamente [no fim da janela de transferências]. Só melhorou nos últimos quatro jogos". E, aí sim, ligou a velha metralhadora: "Ele poderia estar, decidi não chamá-lo, mas isso não significa que ele não estará nas próximas. Não preciso de vocês [jornalistas] para dizerem que ele está jogando bem. Vocês acham que a federação não tem olheiros?"

No mais, nada de problemas, nada de polêmicas. Em que pese frases atravessadas como as recém-citadas, Van Gaal anda mais sorridente, de fato. E mesmo treinando modos alternados de jogar (em Zeist, além do 4-3-3 habitual, o técnico praticou um esquema com dois atacantes, dando preferência às bolas altas), ele já tem muitos titulares inquestionáveis. Denzel Dumfries, Virgil van Dijk, Daley Blind Frenkie de Jong, Memphis Depay, Steven Berghuis... todos esses são nomes certos. Por enquanto, Stefan de Vrij também o é, na zaga, segundo o técnico: "De Ligt melhorou, está cada vez mais perto da titularidade, mas De Vrij anda numa fase extraordinária". Só há uma preocupação: Georginio Wijnaldum. Primeiro, por estar ausente contra a Letônia, cumprindo suspensão por cartões amarelos. Depois, pelas atuações discretas no Paris Saint-Germain. Mas nada com que se importar muito, de acordo com Louis: "Eu tenho muita confiança em alguns jogadores. Ele [Wijnaldum] estava machucado antes da Copa de 2014, mas foi convocado, e jogou quase tudo".

Por tudo isso, Van Gaal está tranquilo para fazer as tentativas, em meio a uma Holanda cuja escalação está encaminhada. Porém, essas tentativas não podem ser "tentativa e erro": só o acerto manterá a tranquilidade que a Laranja vive. Ainda mais diante dos dois adversários mais frágeis do grupo. Quaisquer resultados que não sejam duas vitórias voltarão a fechar o horizonte que se abriu para a Copa.

terça-feira, 30 de março de 2021

Alívio aumentado

Luuk de Jong cumprimentando Berghuis após o segundo gol: a Holanda demorou, mas conseguiu a goleada - e a rodada das eliminatórias deixou a situação melhor do que a encomenda (Pro Shots)

A vitória da seleção masculina da Holanda (Países Baixos) sobre Gibraltar era tão previsível que o próprio técnico Frank de Boer apregoava: queria mais de cinco gols, para aumentar o saldo de gols e fazer a Laranja ter algum tipo de força na disputa equilibrada do grupo G das eliminatórias da Copa de 2022. No começo, a história problemática vista no 2 a 0 contra a Letônia foi repetida: muitas chances, poucos gols. Porém, com os gibraltarinos se cansando, a maior capacidade técnica neerlandesa foi enfim estampada no placar, em forma de 7 a 0 - a maior goleada holandesa fora de casa desde 1993 (contra San Marino, também em eliminatórias de Copa). E com resultados como o 3 a 3 inesperado entre Turquia e Letônia, a Oranje voltou de vez ao páreo pela vaga na Copa. Veio o alívio - e ele foi aumentado pelos problemas dos adversários.

Necessário. Porque, se dependesse do que se viu no primeiro tempo, as críticas seguiriam grandes. Diante de uma seleção obviamente defensiva como a de Gibraltar (nenhum chute a gol dado), novamente se viu excessiva lentidão na troca de passes - ou seja, raramente os holandeses se viam cara a cara com o goleiro Dayle Coleing. E quando isso acontecia, a pontaria continuava lamentável: Owen Wijndal aos 14', Memphis Depay aos 21', o cabeceio torto de Denzel Dumfries aos 23'... todas essas chances, para fora. Quando a bola ia para o gol, aí Coleing se destacava: defendeu tentativas de Steven Berghuis e Memphis Depay em sequência (17'), e espalmou chutes de Georginio Wijnaldum (25') e Davy Klaassen (40')

A situação foi tão parecida com a que se viu no jogo de sábado passado, que até mesmo o gol do desafogo foi parecido. O autor do 1 a 0 foi o mesmo (Berghuis), e a finalização foi semelhante - só que, desta vez, o chute colocado no canto direito foi mais próximo do gol. Ainda assim, estava claro que os Países Baixos precisavam melhorar no ataque. E não só pelas chances perdidas: Luuk de Jong aparecera pouquíssimo nas finalizações, por exemplo. Frank de Boer notou isso - e, sabendo que Gibraltar não ofereceria perigo no ataque (Tim Krul não teve de defender uma bola em 90 minutos), colocou Ryan Gravenberch no lugar de Dumfries. Já eram quatro meio-campistas, melhorando o toque de bola - ainda mais porque Gravenberch teve boa atuação.

No primeiro tempo ou no segundo (como nesta chance da foto, de Wijnaldum), a Holanda continuou com um defeito: a falta de pontaria nos chutes a gol (EPA)

Pelo menos no começo, os ataques seguiram lentos. Mas já eram mais organizados, a bola passava mais pelo pé de alguns jogadores. Foi assim que o segundo gol veio, aos 55', com Luuk de Jong enfim finalizando, completando cruzamento de Berghuis. Depois, Coleing ainda teve mais um brilho inesperado, evitando gol de Berghuis aos 57'. Mas a goleada holandesa começou a tomar forma pouco depois. Primeiro, numa falta de Memphis Depay com desvio, aos 61'; um minuto depois, e Wijnaldum aproveitou rebote de um cabeceio dele mesmo; e aos 64', Donyell Malen, vindo do banco para substituir Daley Blind (lesão perigosa no tornozelo), fez 5 a 0.

E as chances seguiram, justificando o que Wijnaldum falou após o jogo ("O placar poderia ter sido maior ainda"). Malen teve chances aos 70' e 75' - esta, defendida por Kyle Goldwin, substituto de Coleing, que sofreu lesão muscular após tiro de meta. Mas no fim do jogo, ainda houve tempo para mais mudanças no ataque (Ryan Babel, Calvin Stengs). E mais dois gols: Donny van de Beek chutou em diagonal aos 85', e Depay completou cruzamento de Wijndal nos acréscimos.

Diante de um começo preocupante - de jogo e de campanha nas Eliminatórias -, a Holanda terminava as datas FIFA com o saldo de gols inflado (+7), já na segunda posição do grupo G das eliminatórias. Nada perfeito, mas conseguiu se recompor e voltar ao páreo. Na próxima rodada, em setembro, é que as falhas serão quase proibidas: Noruega (fora), Montenegro (casa) e Turquia (casa). 

Aí, a pressão voltará. E terá de ser respondida com vitórias. Ah, sim: e ainda há uma tal de Eurocopa no meio.

Eliminatórias para a Copa de 2022 - Europa
Gibraltar 0x7 Holanda
Data: 30 de março de 2021
Local: Victoria (Gibraltar)
Juiz: João Pinheiro (Portugal)
Gols: Steven Berghuis aos 42', Luuk de Jong aos 55', Memphis Depay, aos 61' e 88', Georginio Wijnaldum aos 62', Donyell Malen aos 64' e Donny van de Beek aos 85'.

Holanda
Tim Krul; Denzel Dumfries (Ryan Gravenberch), Matthijs de Ligt, Daley Blind (Donyell Malen) e Owen Wijndal; Frenkie de Jong, Davy Klaassen (Donny van de Beek) e Georginio Wijnaldum; Steven Berghuis (Calvin Stengs), Luuk de Jong (Ryan Babel) e Memphis Depay. Técnico: Frank de Boer

Gibraltar
Dayle Coleing (Kyle Goldwin); Jack Sergeant, Scott Wiseman, Roy Chipolina, Aymen Mouelhi e Ethan Jolley (Antony Moulds); Lee Casciaro (Julian Valarino), Louie Annesley (Graeme Torrilla), Kian Ronan e Liam Walker; Tjay de Barr. Técnico: Julio Cesar Ribas