Mostrando postagens com marcador Lyon. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lyon. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Susto antes do êxtase

Ajax sofreu demais, como já ocorrera nas quartas de final. Mas suportou pressão e fez história (Ajax Life/Twitter)

Difícil segurar a comemoração de torcida - e até imprensa - na Holanda. Após 15 anos, um clube do país voltou a figurar entre os finalistas de um torneio europeu - e na Liga Europa, sucessora da Copa da UEFA que o Feyenoord levou em 2001/02 sobre o Borussia Dortmund. O jejum do Ajax era até mais longo: havia 21 anos os Amsterdammers não sabiam o que era jogar uma decisão continental, desde a derrota nos pênaltis para a Juventus, na final da Liga dos Campeões 1995/96. Mais: no contexto atual do futebol europeu, passar da fase de grupos já era algo notável para um clube holandês. Por isso, a significância inegável e elogiável da classificação. Mas o fato é que, até chegar à festa, o Ajax sofreu.

E não precisava ter sofrido. Porque no primeiro tempo, o time mostrou que parecia ter aprendido a lição vinda nas dramáticas quartas de final. Suportou a pressão esperada do Lyon, no começo do jogo em um Parc OL previsivelmente lotado - em grande parte, pelas atuações seguras de Davinson Sánchez (unanimemente elogiado pelo posicionamento nas bolas aéreas e pela capacidade no primeiro combate) e André Onana (bem posicionado em várias defesas - como aos 10', em cobrança de falta de Mathieu Valbuena). 

Aos poucos, os visitantes cresceram de produção no ataque. Passaram a tocar a bola - e a criar chances. Como aos 12', quando Kasper Dolberg e Davy Klaassen tiveram dois chutes em sequência, para depois Bertrand Traoré forçar o goleiro Anthony Lopes a espalmar chute sinuoso. Ou aos 14', quando Hakim Ziyech cobrou falta rapidamente, deixando Amin Younes livre com a bola para encobrir Lopes, mandando para fora. Finalmente, aos 27', o gol primoroso de Dolberg (passe de Younes, e o dinamarquês tocou com calma invejável na saída de Lopes, pela esquerda) fazia justiça ao que se via em campo: uma superioridade tamanha que chegava a se ouvir a torcida visitante no Parc OL. De quebra, até havia chances para o segundo gol - como nos chutes de Klaassen, aos 41', e Lasse Schöne, aos 43'.

Foi assim, até a primeira falha da defesa. Desafortunadamente, do destaque Sánchez: o colombiano deixou a bola passar, e Alexandre Lacazette (de volta, já provando seu valor nos Gones) foi mais rápido do que Matthijs de Ligt. O jovem chegou com força excessiva na dividida, o juiz polonês Szymon Marciniak apitou o pênalti, e Lacazette empatou aos 45'. O empate já era prejudicial, mas a pane Ajacied ficou pior ainda aos 45' + 1, quando Nick Viergever deixou Nabil Fekir passar pela direita e cruzar para Lacazette virar o jogo, desviando na pequena área.

O empate de Lacazette: de novo, começando momentos dramáticos para o Ajax (Tom Bode/VI Images)
Ficava a dúvida: novamente, a juventude do Ajax iria se afetar com a pressão do time lionês? A resposta que o segundo tempo forneceu foi afirmativa. Os avanços de Jérémy Morel pela esquerda passaram a assustar; os de Maxwel Cornet pela direita, ainda mais. De quebra, no meio, Fekir e Lacazette chutavam mais e mais contra a meta. O cartão amarelo levado por Joël Veltman aos 48' já preocupava. O único ponto de segurança no Ajax era Sánchez, que continuava seguro nas bolas aéreas.

Os arremates foram se avolumando: Lacazette aos 55' (Onana agarrou), Cornet aos 55' (para fora), Fekir aos 65' (falha de De Ligt na saída de bola, que deixou o francês livre para bater)... o Ajax tentava aumentar a velocidade nos raros contragolpes, tanto com Traoré e Younes quanto com a entrada de Donny van de Beek na vaga de Schöne. Van de Beek até trouxe perigo, quase marcando um belo gol com a bola mandada no travessão aos 79'. E Kenny Tete até entrou em lugar de Veltman, antes que uma expulsão ocorresse. Porém, estava claro: mais gols do Lyon pareciam desastres esperando para acontecerem. A pressão ampliada com as entradas de Maciej Rybus e Rachid Ghezzal só aumentava a sensação.

Sensação concretizada com o gol de Ghezzal, aos 81'. E com a expulsão de Nick Viergever, aos 84', parecia questão de tempo o quarto gol dos Gones, para levar o jogo à prorrogação. Fekir teve chance aos 85'; Lacazette, aos 87'; Cornet talvez tenha perdido a bola do jogo, em finalização cruzada rente à trave de Onana, aos 89'. E o gol... não aconteceu. O Ajax podia comemorar. A final que parecia um devaneio no começo da temporada era real. 

Veio com sustos: a lição das quartas não foi aprendida. Talvez porque o Ajax seja um time feito para atacar, jamais para defender. Talvez porque o Ajax seja um time jovem: seis dos jogadores que terminaram a partida em Lyon nem eram nascidos naquela final de 1996 contra a Juventus. Por tudo isso, o Manchester United (irregular, mas experiente) é favorito para a final de 24 de maio na Friends Arena de Estocolmo.

Mas esses pensamentos ficam para depois. Agora, é hora de ecoar as palavras de Klaassen: "Somos uma máquina de lutar". De Peter Bosz: "Agora, sim, veremos se realmente podemos fazer história". De Matthijs de Ligt: "Foi a mais bonita partida da minha precoce carreira". De Lasse Schöne: "Quando eu falei antes que poderíamos vencer a Liga Europa, acharam que eu estava maluco". De Kasper Dolberg: "Tanta coisa está acontecendo...". De Van de Beek: "Vamos vencer a Liga Europa e também ser campeões holandeses". Numa palavra: é hora do Ajax comemorar. Depois daquela distante derrota para o Rostov-RUS na terceira fase preliminar da Liga dos Campeões, quem diria?

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Como não amar?

Jogadores aplaudiram a torcida ao fim do jogo. O Ajax mereceu muitos aplausos mais (ANP/Pro Shots)

O tremendo sofrimento passado para conseguir superar o Schalke 04 e chegar onde chegou - isto é, nas semifinais da Liga Europa - fazia crer que o Ajax, aparentemente, já conseguira ir longe demais. Recuperar um pouco do respeito, com a primeira semifinal continental em 20 anos, já servia para massagear o ego dos Ajacieden. Seria demais superar o Lyon, com um time tão talentoso quanto é o holandês, e uma geração tão promissora (Corentin Tolisso, Lucas Tousart, Maxwel Cornet, Nabil Fekir) quanto a que se vê na Amsterdam Arena - quase Johan Cruyff Arena -, em que pesasse a ausência de Alexandre Lacazette, começando o jogo no banco por causa de uma lesão. 

Pois é: foi demais. Nem pareceu que seria: mais acelerados pelas laterais nos primeiros 15 minutos de jogo, os Gones conseguiam criar mais chances quando tinham a bola nos pés. Além do mais, com uma defesa inicialmente bem postada, a equipe lionesa continha facilmente as tíbias tentativas dos Godenzonen, mesmo que ela tentasse trocar passes e manter a posse. Já parecia claro para quem lotou a Amsterdam Arena: o Lyon não ofereceria as mesmas facilidades que o Schalke 04 oferecera no jogo de ida das quartas. Mais do que isso: o OL parecia até mais próximo do primeiro gol. Era necessário ter sorte. Aos 25', o Ajax teve, com a cobrança perfeita de falta por Hakim Ziyech, o desvio providencial de Bertrand Traoré, e o gol que abriu o caminho para o 4 a 1 que foi demais.

E foi demais principalmente porque, após abrir o placar, o Ajax impôs seu estilo, como se o Lyon não fosse um time mais experimentado nas lides europeias. A defesa do Ajax passou a dar menos espaços para os jogadores lioneses - principalmente, pelo crescimento visível dos dois laterais em campo e, principalmente, pelas ótimas atuações de Matthijs de Ligt e André Onana. Após as falhas na estreia pela seleção holandesa, De Ligt está voltando a apresentar um nível técnico dos mais promissores - e dos mais invejáveis para alguém com 17 anos (o mais jovem jogador holandês a ter atuado numa semifinal de torneio continental). Onana assusta às vezes nas saídas de gol, mas é suficientemente ágil para fazer defesas salvadoras - como em chutes de Cornet, no primeiro tempo, e Fekir, no segundo.

Com a defesa cuidando bem de suas tarefas, o ataque precisava aproveitar suas chances, para não dar ao Lyon as esperanças que o Schalke 04 teve no jogo de volta. Kasper Dolberg fez isso muito bem, aos 34': num átimo, Mouctar Diakhabi demorou para voltar após má reposição de bola do goleiro Anthony Lopes, e o atacante dinamarquês pegou a bola para o chute cruzado do 2 a 0, seu 5º gol pela Liga Europa. Mas Amin Younes falhou, ao perder chance valiosa para o terceiro gol, aos 44', arrematando para grande defesa de Lopes. Pelo menos, o alemão compensou isso da melhor maneira possível: fazendo 3 a 0, logo no início do segundo tempo (48', mais precisamente), em chute que não daria em gol, não fosse a atenção de um dos auxiliares, que notou a bola passando da linha.

Aí se viu o mais prazeroso: um Ajax destemido, sabendo o que desejava - atacar mais, criar mais chances, para se aproximar bastante da final em Estocolmo. Atacou tanto que o Lyon começou a chegar, lembrando que também é ótimo time. E coroou essas tentativas com o gol de Mathieu Valbuena, em belo chute no ângulo direito de Onana, aos 65'. Susto? Sim. Mas durou pouco, com o segundo gol de Traoré, fecho apropriado para belíssima troca de passes, aos 71'.

Younes insinuante nos dribles; Traoré com dois gols decisivos; Ziyech com três passes para gol. Só podia dar em goleada (ANP/Pro Shots)
Porém, mais do que a goleada empolgante ("Poderia ter sido 8 a 3, ou 7 a 4", reconheceu Peter Bosz), mais do que o clima alegremente incendiário entre os torcedores (no fim do jogo, já se gritava "Wij gaan naar Stockholm" - "Vamos a Estocolmo"), o que agradou foi ver um Ajax destemido, um Ajax ofensivo, um Ajax que parece ter se lembrado: é um time grande, um gigante europeu. Tudo isso expresso em declarações como as do capitão Davy Klaassen após o jogo, à emissora de tevê RTL: "Não vamos deixar escapar. Foi até bom ter passado pelo que passamos contra o Schalke, pois aprendemos a lição. Será idiotice se permitirmos [a virada do Lyon]". 

Até por isso, as reações simpáticas à goleada. Na Holanda e fora dela. Como não amar quando o Ajax se porta como Ajax?

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

E ficou ainda mais duro

Ajax se esforçou e criou chances. Não foi suficiente para superar o Lyon. (Ajax.nl)

Há um ditado chinês que diz: "Há três coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida". Pois bem, a chance de o Ajax ter mais esperança de sobreviver na Liga dos Campeões diminuiu um pouco mais. Porque, mesmo tendo criado chances, sem sofrer tanto na defesa, os Godenzonen não conseguiram fazer o preciso para ter mais esperança: gol.

Quanto ao esquema, não houve surpresas: um 4-3-3, com Frank de Boer escolhendo Boilesen para a lateral esquerda, na vaga de Anita (que até entrou, no final). Ao invés do costumeiro, Siem de Jong jogou menos centralizado, enquanto Theo Janssen, enfim, ganhou a posição que dele esperava-se: no meio, distribuindo as jogadas. E, no primeiro tempo, até deu certo: o Ajax atacou mais, e o Lyon ficou mais conservador no gramado da Amsterdam ArenA.

As chances surgiram, principalmente, com as jogadas de bola parada. A primeira, com Boerrigter. Depois, Vertonghen. E, finalmente, a melhor oportunidade: aos 37 minutos, após bola cruzada por Sigthórsson, Sulejmani cabeceou. Livre, o sérvio mandou ao lado do gol de Lloris. E tudo, com o Lyon só chegando com perigo num toque de Gomis que passou por cima do gol, após cruzamento de Michel Bastos.

No segundo tempo, a pressão dos Ajacieden continuou, de modo mais forte. Primeiramente, com Eriksen, aos 15 minutos, arriscando chute e forçando Lloris a fazer boa defesa. O goleiro dos lioneses teve de agir bem também numa cabeçada de Sigthórsson. Como o gol não vinha, restou a Frank de Boer fortalecer mais o ataque, nos últimos minutos: Sulejmani e Sigthórsson deram lugar, respectivamente, a Ebecilio e Bulykin, mais descansados e capazes de fazer papel semelhante. Janssen, por sua vez, deu lugar a Anita, que ia fortalecer o ataque pela direita.

Não só não deu certo, como a última chance foi do Lyon: aos 42 minutos, Van der Wiel falhou na marcação, e Grenier cruzou a Michel Bastos. O brasileiro tentou chutar, mas Vermeer saiu rapidamente. E salvou o Ajax de sofrer um gol nada desejável.

De qualquer modo, embora tenha conseguido se mostrar capaz de atacar, o Ajax não aproveitou a oportunidade doméstica para passar à frente dos Gones, na disputa por vaga nas oitavas de final - supondo que o Real Madrid é favorito a uma delas. Sabendo-se que o próximo jogo é justamente contra os madridistas, no Santiago Bernabéu, dá para pensar que os lioneses passarão à frente. Agora, é tentar fazer a parte cabível no Gerland.