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sexta-feira, 8 de junho de 2018

Um tempo para respirar

O blog vai parar um pouquinho. Mas ele tem tanta garra quanto Van der Sar. E vai continuar (European Press Agency)

Hoje a coluna do blog será diferente. Ao contrário de uma sexta-feira habitual, o blog não reproduzirá simplesmente o texto publicado na Trivela, porque ele será diferente. Nela, a coluna acabou, após quase dez anos: era uma "data redonda", um bom momento para fazer reavaliações - e dentro dessas, o faz-tudo do blog (também conhecido como eu) notou(ei) que o espaço no site já dera o que tinha de dar, que era hora de mudar, e que era melhor parar por cima, deixando saudades lá - como Edwin van der Sar, jogador holandês preferido deste que vos escreve. Este blog não acabou. E não acabará.

No entanto, certas coisas acontecem nas nossas vidas - por "coisas", entenda-se "necessidade de arranjar emprego". E elas merecem prioridade, até por serem mais importantes (ou alguém acha que se ganha dinheiro falando de um campeonato em queda livre na Europa?). Por isso, será necessária uma pausa no blog. Não se sabe de quanto tempo, mas o blog ficará em "banho-maria", por enquanto. Pode ser por um ano, ou por dois meses, mas parar é necessário. Até para ter mais condições financeiras de levar esta paixão paralela. O leitor há de perguntar: ora, então por quê não apela para uma "vaquinha" (ou para o nome moderno dela, o "crowdfunding")? Por que não convidar colaboradores para continuarem tocando o site neste momento de pausa? 

Aí entra a necessidade de se olhar realisticamente para as coisas. Este não é um site de um campeonato/país com popularidade perene no futebol, como é o Calciopedia sobre a Itália ou o PL Brasil sobre a Inglaterra, ou o Alemanha FC sobre a Alemanha. O futebol holandês só interessa em caso de boa fase da seleção (não é o caso atual), ou de algum clube (quase foi o caso, quando o Ajax foi finalista da Liga Europa, mas não durou). Logo, poucos se arriscariam a investir dinheiro num programa de financiamento coletivo para um site sobre futebol holandês, porque há coisas mais importantes em que gastar, no momento atual. Sobre os textos, se há uma razão da qual me orgulho, nos quase três anos regulares deste site, é dos elogios pela qualidade e profundidade do que se escreve aqui. Tenho todo o controle sobre isso: estudei holandês, comprei livros sobre o assunto, e seria difícil para mim perder o controle do nível. 

Por essas duas razões, vem a pausa momentânea. Mas há mais motivos. Motivos como o cansaço com as críticas clubísticas (sim, elas existiram, no Twitter). Como o cansaço com a má fase do futebol holandês - a decisão da pausa veio com a ausência na Copa de 2018, e só continuei com a descrição dos jogos da Eredivisie para terminar a temporada profissionalmente. Como o cansaço em ter de escrever sobre os nove jogos por rodada, angustiado pela obrigação - para ver que poucas pessoas leriam. Como a vontade de curtir os jogos do país batavo... apenas como um curtidor, sem obrigação nem fanatismo por um time em geral. Até porque, na Holanda, só torço pela seleção - e mesmo assim, sem deixar de torcer pelo Brasil. Não tenho clube na Holanda, por incrível que pareça: tenho camisetas do Ajax, do Feyenoord, do PSV, do AZ, e teria de quantos mais pudesse. Além do mais, quero mudar a plataforma do site (do Blogger para o Wordpress). E penso se vale a pena continuar com o Facebook.

Enfim, por tudo isso, o blog vai parar. Precisa de um tempo para respirar. Mas ele vai continuar. Até porque, neste junho, o título da Eurocopa completa 30 anos, que serão contemplados com um especial de vários textos - viram só como a pausa não vai demorar? Até porque, no Twitter, nada mudará: continuarei ativo nele. E tem mais: no fim, quando a situação melhorar, tenho certeza de que sentirei vontade de escrever aqui. Tenho certeza de que vou querer escrever os guias da temporada, analisar a seleção feminina prestes a ir à Copa, acompanhar a seleção masculina caso ela reaja...

Então, ficamos assim: a coluna na Trivela? Acabou. O perfil no Twitter? Seguirá muito ativo. O blog? Precisa de um tempo para respirar. Mas o Espreme a Laranja continuará. Estejam certos. 

We zullen nóóit opgeven - em holandês, "nunca desistiremos"!

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Hora de voltar, né?

A volta do Espreme a Laranja é tão celebrada que até Robben e Van Persie demonstraram júbilo. Opa, espera: esta foto aí é de um jogo desimportante em Salvador, em 13 de junho de 2014 (Tony Gentile/Reuters)

A Eurocopa de 2012 já se foi há muito tempo. A Copa do Mundo de 2014 também já passou, nem faz tanto tempo. E nada do Espreme a Laranja aparecer - aliás, era para ser "Espremendo a Laranja", mas o domínio já foi ocupado no Blogspot. Quem sabe um dia no Wordpress... Acontece. Afinal de contas, o faz-tudo (signatário, mantenedor, voluntário e, se bobear, o único visitante) deste blog tinha uma coisa muito mais útil a ser cumprida, chamada faculdade.

Agora que ela está concluída - quase, quase... -, dá para haver postagens com maior assiduidade. E só se fará uma pequena alteração nesta declaração de intenções publicada pelo blog, em março de 2011 (quanto tempo!). Como o número de interessados brasileiros pela Eredivisie é baixo, e o de interessados brasileiros pelas divisões inferiores do futebol holandês só não é mais baixo do que o nível técnico das partidas, o foco principal será (ão) as seleções holandesas.

Obviamente, não quer dizer que o "810 minuten", a resenha dos jogos da rodada, não será feita. E periodicamente também aparecerão aqui textos relativos aos clubes que forem se destacando, seja domesticamente ou em competições continentais. Ainda assim, esses quase quatro anos de hibernação (para ser exato, três anos, 11 meses e 11 dias) deixaram claro: o interesse aqui é a velha e boa camisa da Oranje. Então, onde ela estiver, no futebol masculino e feminino, em amistosos ou eliminatórias, haverá um texto aqui. A começar desta semana, obviamente, com as "decisões" contra Islândia e Turquia, pela qualificação da Euro 2016. Fora isso, há umas novidades, que o blog ainda está caraminholando.

Ainda assim, não dá para garantir que o blog terá um texto por dia. Afinal de contas, isto aqui é um serviço voluntário de um sujeito que escolheu outra coisa para sustentá-lo. Mas em momentos agudos do futebol holandês, podem ter certeza: ele estará aqui. Até porque, se não estiver, ninguém estará... Qualquer hibernação será anunciada via Twitter do blog.

Feito este longo preâmbulo, vamos ao que interessa. Bem-vindos de volta ao Espreme a Laranja! (Neste momento, ouvem-se grilos. Cri, cri, cri...)

segunda-feira, 14 de março de 2011

Declaração de intenções






Sem este time, a história do futebol holandês não seria a mesma. Só que ele já jogou há 37 anos (holland74.net)


Já há muitos blogs feitos no Brasil falando sobre o futebol mundial. Falando, aliás, de países incomparavelmente mais tradicionais. Itália, Espanha, Inglaterra, Alemanha. Todos muito bem feitos. No entanto, havia uma falta: o futebol holandês. Não que ninguém falasse sobre ele: alguns blogs já haviam sido começados. E as comunidades existem: no Orkut, no Twitter, no Facebook. Nada que fizesse os blogs continuarem regularmente.

E, então, fica a lacuna. Que sempre é preenchida pelos velhos estereótipos, como lembrar da "Laranja Mecânica" da Copa de 1974, Cruyff, Van Basten, Gullit, as épocas em que Romário e Ronaldo estiveram no PSV, o Ajax do início dos anos 1970, o Ajax de Louis van Gaal... de fato, todos elementos justamente reconhecidos na história do futebol batavo. Mas que, no entanto, estão longe de refletir o que é o futebol holandês em seu todo.

Continuava, então, o mistério. De quatro em quatro anos, a Oranje aparecia nas Copas do Mundo; de vez em quando, um time holandês se destacava; mas ninguém se preocupava em acompanhá-los a par e passo. Mesmo no cenário atual: o país tem a seleção vice-campeã do mundo. E mesmo assim, pelo nível relativamente baixo, o campeonato nacional continua sendo pouco acompanhado.

E é por isso que esse blog foi criado. Para se focar sobre um país pequeno, mas dono de uma escola futebolística facilmente reconhecida mundo afora - não só reconhecida, mas cujas influências são sentidas até hoje. Até mesmo no estilo de jogo da Espanha, atual campeã mundial. Para tentar compreendê-lo um pouco mais - sim, compreendê-lo: afinal de contas, por mais que o autor goste dele, ele não é um holandês, e sim um brasileiro que apenas gosta de futebol holandês.

E, se gosta, essa paixão tem um cupido. E o nome dele é Edwin van der Sar. Acompanho sua carreira desde que tomei conhecimento da existência dele pela primeira vez, no guia que a revista Placar organizou para a Copa de 1994 - havia uma foto de VDS, como reserva que foi de De Goey naquela Copa. É o maior ídolo que tenho no futebol. E, a partir dele, passei a acompanhar a seleção holandesa - com mais proximidade, a partir de 2006. Para seguir mais proximamente os campeonatos nacionais, foi um pulo.

E este blog é a concretização de um velho projeto. Que começa com uma só pessoa. Mas que pode ter mais. Caso você se interesse, escreva para espremealaranja@gmail.com. Teremos um tom mais analítico do que noticioso, fazendo análises da rodada, análises de times e da seleção, relembrando campeonatos, equipes e jogadores - de Puck van Heel a Sneijder, de Harry Vos a John de Wolf. E vamos começar, porque Cruyff já se aposentou há 27 anos e alguém precisa continuar falando sobre futebol holandês. Welkom!