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terça-feira, 13 de outubro de 2026

Faltam só ajustes

A seleção feminina da Holanda (Países Baixos) foi tão dominante contra a Hungria, na primeira fase da repescagem por vaga na Copa do Mundo, que ficou a impressão de que apenas alguns ajustes são necessários para a decisão contra a Eslovênia (Dijks Media/MB Media/Getty Images)

É difícil imaginar que uma seleção que tenha vencido sua adversária por 11 a 0, no "placar agregado" (8 a 0 na ida, 3 a 0 na volta), precise de muitas correções. É precisamente o caso da seleção feminina da Holanda (Países Baixos), na primeira fase da repescagem europeia por vaga na Copa do Mundo Feminina de 2027. Nos dois jogos contra a Hungria, as Leoas Laranjas foram muito bem, fazendo a disputa ser menos difícil para elas do que se pensava. Só o técnico Arjan Veurink colocou alguns ajustes necessários para a disputa final que virá, na segunda fase, contra a Eslovênia. Após a goleada da ida, Veurink elogiou alertando: "Foi mais fácil do que eu pensava. Só precisamos ser mais constantes". E depois da nova vitória da volta, manteve o alerta: "Podíamos ter marcado mais gols no segundo tempo, criamos muitas chances".

Com a Hungria sem sua principal jogadora, a atacante Anna Csiki, esperava-se que as magiares tivessem uma postura muito defensiva, com quatro zagueiras, mais uma volante - possivelmente sempre recuando para ser uma "quinta zagueira". Só que ficou muito claro, desde o primeiro minuto de bola rolando na Pancho Arena de Felcsút, que a Holanda poderia superar isso facilmente, com a rapidez na troca de passes e na chegada ao ataque. Esmee Brugts quase abriu o placar aos 8', de cabeça. E quando Lineth Beerensteyn fez o primeiro de seus três gols no jogo, aos 12', completando passe de Damaris Egurrola Wienke em profundidade... foi como o próprio técnico Arjan Veurink comentou após o jogo, à emissora NOS: "O jogo já acabou depois do 1 a 0". Até porque, dois minutos depois, num bonito voleio de primeira, Beerensteyn já fez 2 a 0.

Estava aberto um caminho amplamente aproveitado por Victoria Pelova, que logo faria o terceiro gol (chute desviado na zagueira Hanna Németh, aos 26'), faria mais dois, seria muito criativa e rápida nas jogadas de ataque, seria talvez a melhor do jogo, levando uma bola para casa com seus três gols, assim como Beerensteyn, novamente tendo o esforço recompensado pela seleção. Mesmo coadjuvantes, também deixaram seus gols Esmee Brugts (aos 45' + 1, aproveitando rebote de chute de Pelova) e Damaris Egurrola Wienke (aos 49', logo após o intervalo, de cabeça). Nomes vindos do banco, como Lotte Keukelaar, também ajudaram na postura massiva e ofensiva das Leoas Laranjas - foram 20 chutes a gol. E a goleada por 8 a 0 abriu caminho para que testes fossem feitos no jogo de volta, em Tilburg, praticamente um "amistoso de luxo" com vantagem tão grande.

Pelova e Beerensteyn, três gols cada uma na ida contra as húngaras, se sobressaíram na goleada por 8 a 0 (Marcel Bonte/Soccrates/Getty Images)

Essa vantagem grande ficou maior ainda já aos oito minutos do primeiro tempo do jogo de volta, quando Van de Donk cruzou, e Esmee Brugts cabeceou para fazer 1 a 0. Foi um jeito de achar espaço, diante de uma defesa húngara, aí sim, bem fechada, tentando bloquear de todo jeito os chutes. Restavam às Leoas Laranjas os cruzamentos, principalmente pela direita - como aos 15', quando Lynn Wilms cruzou e Beerensteyn cabeceou para fora. A seleção da casa cedeu até espaço para um único contra-ataque, aos 16', terminado num chute de Emöze Pápai, para fora. No mais, a ofensividade holandesa se mantinha constante, em jogadas até repetitivas, agora mais alternadas nos dois lados: ir à linha de fundo e, a partir daí, ou chutar (como Janou Levels fez, para fora, aos 26'), ou cruzar para que alguém viesse de trás e finalizasse (como Wieke Kaptein fez, também errando o alvo, aos 37').

As bolas aéreas deram certo de novo aos 40', quando Wilms cruzou da direita e Beerensteyn completou para fazer 2 a 0. Ainda antes do intervalo, Victoria Pelova arriscou o chute de fora da área, a goleira Lauren Brzykcy espalmou para escanteio, e na cobrança subsequente, Damaris Egurrola Wienke mostrou sua habitual competência nos cabeceios, fazendo 3 a 0. Já com três alterações no intervalo, as Leoas Laranjas se deram ao luxo até de nem buscarem mais gols, mesmo com oportunidades como um chute de Pelova, defendido por Brzykcy logo aos 51'. 

As neerlandesas só cercaram o ataque húngaro. Até tiveram Ella Peddemors mandando uma bola no travessão. Mas já não precisavam mais de gols. A boa impressão já estava garantida na primeira fase. Agora, é esperar algumas semanas até disputar a vaga na Copa contra a Eslovênia, a partir do fim de novembro. A viagem ao Brasil em 2027 está muito próxima das Leoas Laranjas, ainda mais se os pequenos ajustes derem certo.

Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina da FIFA - Europa - Repescagem (primeira fase)

Hungria 0x8 Holanda
Data: 9 de outubro de 2026
Local: Pancho Arena (Felcsút)
Árbitra: Olga Blotskaya (Belarus)
Gols: Lineth Beerensteyn, aos 12', aos 14' e aos 90' + 1, Victoria Pelova, aos 26', aos 58' e aos 62', Esmee Brugts, aos 45' + 1, e Damaris Egurrola Wienke, aos 49'

HUNGRIA
Lauren Brzykcy; Viktória Nagy (Luca Papp, aos 70'), Hanna Németh, Laura Palakovics e Borbála Vincze; Fanni Nagy, Henrietta Csiszar e Sára Pusztai (Evelin Fenyvesi, aos 80'); Zsófia Mayer (Cecília Meszaros, aos 80'), Vanessza Nagy (Emöke Pápai, aos 46') e Zsanett Kaján (Dóra Zeller, aos 70'). Técnica: Alexandra Szarvas

HOLANDA
Lize Kop; Lynn Wilms (Kerstin Casparij, aos 62'), Veerle Buurman, Dominique Janssen (Caitlin Dijkstra, aos 72') e Marisa Olislagers; Damaris Egurrola Wienke, Wieke Kaptein (Ella Peddemors, aos 62') e Daniëlle van de Donk (Lotte Keukelaar, aos 62'); Victoria Pelova, Lineth Beerensteyn e Esmee Brugts (Jill Roord, aos 62'). Técnico: Arjan Veurink


Holanda 3x0 Hungria
Data: 13 de outubro de 2026
Local: Koning Willem II (Tilburg)
Árbitra: Franziska Wildfeuer (Alemanha)
Gols: Esmee Brugts, aos 8', Lineth Beerensteyn, aos 40', e Damaris Egurrola Wienke, aos 45' + 4

HOLANDA
Lize Kop; Lynn Wilms (Kerstin Casparij, aos 46'), Veerle Buurman (Isa Kardinaal, aos 70'), Dominique Janssen e Janou Levels; Damaris Egurrola Wienke (Ella Peddemors, aos 46'), Wieke Kaptein e Daniëlle van de Donk (Lotte Keukelaar, aos 55'); Victoria Pelova, Lineth Beerensteyn e Esmee Brugts (Jill Roord, aos 46'). Técnico: Arjan Veurink

HUNGRIA
Lauren Brzykcy; Viktória Nagy (Bárbára Zágonyi, aos 46'), Fanni Nagy, Laura Palakovics e Georgina Pataki (Csilla Savanya, aos 77'); Evelin Fenyvesi (Dóra Zeller, aos 66'), Luca Papp e Henrietta Csiszar; Sára Pusztai (Cecilia Meszáros, aos 66'), Emöke Pápai (Vanessza Nagy, aos 66') e Borbála Vincze. Técnica: Alexandra Szarvas


quarta-feira, 7 de outubro de 2026

O futuro nas mãos das jovens

Algumas veteranas, várias jovens: com ausências de nomes estratégicos, a Holanda (Países Baixos) terá de ver várias novatas se sobressaindo, no começo da repescagem para tentar ir à Copa de 2027 (Pro Shots)

"A realidade é que, nestas datas FIFA, não temos tempo para cuidar da recuperação da forma física das jogadoras." Assim Arjan Veurink, técnico da seleção feminina da Holanda (Países Baixos), justificou algumas ausências da convocação para os dois jogos decisivos contra a Hungria - nesta sexta, 9, às 15h de Brasília, na cidade húngara de Felcsút, e na próxima terça, 13, às 15h45 de Brasília, em Tilburg, no estádio do Willem II -, válidos pela primeira fase da repescagem europeia por vaga na Copa do Mundo de 2027. Tais ausências abriram espaço para várias jovens, e a elas caberá a importante tarefa de ampliar as chances das Leoas Laranjas emplacarem presença no quarto Mundial seguido.

Também, pudera. As ausências começam no gol, em que Daphne van Domselaar ainda se recupera de lesão no joelho. Seguem na zaga, onde Renée van Asten até já retornou aos trabalhos no Barcelona, mas foi poupada - assim como no meio-campo, com Jackie Groenen, também fora dos primeiros jogos da repescagem. Arjan Veurink até comentou que Van Asten "ficou muito triste", mas foi firme na justificativa: "Elas [Van Asten e Groenen] não estão completamente em condições, e por isso ficaram de fora. Elas se machucaram no fim de agosto, e não estão prontas para jogarem noventa minutos, que dirá duas partidas". Finalmente, no ataque, estão fora Romée Leuchter e Vivianne Miedema.

Para cada jogadora, as perspectivas são diferentes. Van Domselaar atrai mais otimismo do técnico: "Ela está no bom caminho, no caminho de volta. Dizem [Arsenal] que será em outubro. Espero que seja". Leuchter, idem: "Espero que ela esteja à disposição nas próximas datas FIFA [novembro/dezembro]". Só o estado de Miedema causa mais desconfiança: "Neste momento, me parece que [a volta dela] demorará mais um pouco". De todo modo, diante das rodadas regulares das Eliminatórias da Copa, até que Veurink se disse mais tranquilo, na coletiva de imprensa concedida na segunda-feira passada: "Em abril [jogos contra a França], a gente estava contente só por ter um time para jogar. Agora, estamos até numa situação de luxo, contando com todas as convocadas em 100% de condições".

Sophie Proost (à frente) é uma das estreantes na convocação das Leoas Laranjas (ANP/Pro Shots)

Entre as várias jovens presentes nas lacunas abertas, duas estreantes. Nome que nem aparecia tanto no Twente, a atacante (pelas pontas) Sophie Proost chamou a atenção do Bayern de Munique, foi-se para o clube alemão... e lá recebeu a primeira convocação. Claro, muito comemorada: "Eu recebi um telefonema no avião [com a delegação do Bayern]. Quando eu vi quem era - Arjan Veurink -, eu comecei a tremer. Foi um momento especial, ainda tive tempo de ligar para falar com a minha família uns dois minutos (...) Eu sempre via os vídeos das convocadas se apresentando no bosque [do KNVB Campus, concentração da federação, na cidade de Zeist], e agora é bem legal que seja eu mesma". Outra estreante, a zagueira Isa Kardinaal (sólida desde os tempos do Ajax, agora no London City Lionesses) brincou sobre uma colega mais experiente: Daniëlle van de Donk. "Numa brincadeira lá no clube, eu tive de dizer que era fã dela... mas talvez eu seja, mesmo".

Por falar em Van de Donk, ela ampliou a satisfação expressada por Arjan Veurink sobre a frequência de lesões. Até porque, depois de vários problemas, a meio-campista de 35 anos está (até surpreendentemente) muito bem no London City Lionesses, com três gols e dois passes para gol nas primeiras rodadas da Super League, o campeonato inglês de mulheres: "Em relação à temporada passada, é um mundo de diferença. Estou muito feliz por poder treinar e jogar regularmente. Na primeira vez em que completei 90 minutos de novo, minhas colegas de time nem entenderam porque eu estava tão feliz". Sobraram até elogios para uma colega de seleção, também jogando bem na liga inglesa, embora num time (Tottenham) com mais dificuldades: "Acho que Viccy [Pelova] deve jogar. É bom que ela tenha sido convocada".

Van de Donk, a capitã Dominique Janssen, Jill Roord (também de volta às convocações, após o problema estomacal que a tirou da reta final da temporada passada com o Twente), a supracitada Pelova, Lineth Beerensteyn, até mesmo Kerstin Casparij (embalada pela indicação à Bola de Ouro feminina). São as poucas veteranas, diante de tantas jovens - Veerle Buurman, Wieke Kaptein, Ella Peddemors, Lotte Keukelaar, Esmee Brugts... - que terão de tomar a responsabilidade de justificar o favoritismo diante da Hungria, para manter o sonho da vaga na Copa, indo à próxima fase da repescagem, contra a vencedora de Turquia x Eslovênia.

As 24 convocadas da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

GOLEIRAS: Lize Kop (Tottenham Hotspur-ING), Daniëlle de Jong (Juventus-ITA), Femke Liefting (Ajax) e Regina van Eijk (Bayern de Munique-ALE)

DEFENSORAS: Lynn Wilms (Aston Villa-ING), Kerstin Casparij (Manchester City-ING), Veerle Buurman (Chelsea-ING),  Dominique Janssen (Manchester United-ING), Isa Kardinaal (London City Lionesses-ING), Caitlin Dijkstra (Tottenham Hotspur-ING), Janou Levels (Wolfsburg-ALE) e Marisa Olislagers (Brighton-ING)

MEIO-CAMPISTAS: Damaris Egurrola Wienke (OL Lyonnes-FRA), Wieke Kaptein (Chelsea-ING), Victoria Pelova (Tottenham Hotspur-ING), Ella Peddemors (Wolfsburg-ALE), Lotte Keukelaar (Real Madrid-ESP) e Daniëlle van de Donk (London City Lionesses-ING)

ATACANTES: Lineth Beerensteyn (Wolfsburg-ALE), Jill Roord (Twente), Esmee Brugts (Barcelona-ESP), Lotte Keukelaar (Real Madrid-ESP), Chasity Grant (Aston Villa-ING), Sophie Proost (Bayern de Munique-ALE) e Liz Rijsbergen (PSV)

terça-feira, 9 de junho de 2026

Não era para ser assim

A seleção feminina da Holanda (Países Baixos) tinha plenas condições de já se garantir na Copa do Mundo de 2027. Desnecessariamente, se colocou em dificuldades, e terá de jogar sua sorte na repescagem (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

A seleção feminina da Holanda (Países Baixos) chegou às últimas rodadas das Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina de 2027 com a faca e o queijo na mão: bastariam duas vitórias para assegurar a vaga direta na competição, sem precisar da repescagem. Porém, as Leoas Laranjas, novamente, fizeram do jeito mais difícil: se jogaram bem na vitória final, os 3 a 1 na Polônia, ficou na memória a dura derrota por 3 a 2 para a Irlanda, na penúltima rodada, quando repetiram erros que se julgavam superados - lentidão, dificuldade de adaptação ao jogo, perda de chances - e perderam a condição de controlar o próprio destino nas Eliminatórias. Ficou a pesarosa impressão de que, por melhor que o time seja, não precisava ser assim.

Até porque já se sabia de antemão que o cenário do primeiro jogo seria adverso às holandesas: o estádio Páirc Uí Chaoimh teria suas dimensões diminuídas ao mínimo exigido pela FIFA, o gramado estaria afetado pelo mau tempo, a Irlanda mostraria o esforço e a força física de sempre (além do talento vindo de Katie McCabe). Mas as holandesas em campo pareceram ignorar tais problemas, com lentidão, com desatenção defensiva... tiveram o castigo rápido, aos 19', quando Lynn Wilms perdeu a bola para Abbie Larkin, esta passou a Kyra Carusa, e sua finalização, mesmo lenta, passou pela goleira Lize Kop para o 1 a 0 irlandês.

Mesmo lenta, a bola do primeiro gol da Irlanda passou pela goleira Lize Kop, considerada um dos "bodes expiatórios" da derrota por 3 a 2 (Brendan Moran/Sportsfile/Getty Images)

Só mesmo em desvantagem é que a Holanda começou a tentar. Vieram boas chances, como um cabeceio de Romée Leuchter que mandou a bola para fora, aos 23', ou um chute de Wieke Kaptein que mandou a bola na trave, pouco depois. Ainda assim, a lentidão e a pouca força nas disputas de bola mantinham as Leoas Laranjas abaixo no jogo, mesmo criando bem mais chances de ataque. Cenário pouco auspicioso, num ambiente que ganhava um fator complicador adicional: a fortíssima chuva que caiu sobre Cork no segundo tempo. Diante disso, entraram as veteranas: somaram-se a Dominique Janssen Daniëlle van de Donk e Jackie Groenen. Pois viria delas a efetividade. Jackie Groenen quase acertou, aos 65', num chute da entrada da área (a goleira Courtney Brosnan pegou). E aos 70', elas participaram da jogada do empate: Groenen recebeu a bola de Lineth Beerensteyn, foi derrubada por Aoife Mannion na área, pênalti marcado, e Dominique Janssen cobrou para o 1 a 1. 

Seria aliviante... se a Holanda não cometesse o pecado crônico da desatenção: Groenen era atendida e demoraria um minuto para voltar a campo - são as novas regras da FIFA -, Larkin recebeu cruzamento logo na saída de bola, superou Janssen na corrida e fez o 2 a 1 irlandês. Talvez o baque tivesse sido definitivamente superado com a excelente entrada de Victoria Pelova: vinda do banco, superando o terrível drama particular da morte da mãe no começo da semana, a meio-campista fez boa jogada individual para empatar. E a Holanda, cercando o ataque diante da fechada defesa irlandesa, seguia rondando o gol. Porém, num escanteio no minuto final, a defesa fracassou ao rebater a bola, um cruzamento, e a atacante Amber Barrett coroou a impressionante eficiência irlandesa: três arremates a gol, três gols, 3 a 2, o sonho holandês de manter a liderança do grupo virava queda para o terceiro lugar.

E pelo menos no primeiro tempo, as Leoas Laranjas passaram algum sufoco contra a Polônia. É verdade que tinham mais a posse de bola, e rondavam mais o ataque. Às vezes, até tentavam, como em dois chutes sequenciais, de Romée Leuchter e Lynn Wilms, logo aos 4'. Ainda assim, o espaço para contra-ataques era aproveitado por nomes como Paulina Tomasiak (que tentou o gol aos 17', com Lize Kop defendendo) e Ewelina Kamczyk, que arriscou chute de fora aos 27'. Pelo menos, a essa altura, a Holanda já tinha 1 a 0 no placar, graças a Wieke Kaptein, a melhor da partida em Almelo, que cabeceou para as redes o cruzamento de Esmee Brugts. Ainda assim, sem aproveitar as chances, o risco de empate existia. Está certo que a vitória não adiantaria para a vaga direta, já que a França vencia a Irlanda e garantia a liderança do grupo e a vaga direta na Copa. Mas tropeçar de novo seria pior.

Contra a Polônia, as Leoas Laranjas se recompuseram. E Kaptein se destacou na vitória por 3 a 1 (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Quase piorou para as neerlandesas, mesmo, aos 48', quando só o impedimento de Kamczyk causou a anulação do gol que marcaria o empate. Só então o time deslanchou. Se Kaptein seguia bem, Romée Leuchter enfim fazia boa atuação novamente vestindo laranja. Quase levou a um gol contra, aos 53', quando seu cruzamento levou a zagueira polonesa Oliwia Wos a "espirrar o taco". E enfim, aos 61', Leuchter fez o gol do desafogo holandês, em grande estilo, num belo voleio, após cruzamento de Kerstin Casparij.

Só aí a Holanda ficou leve em campo. Os espaços para atacar surgiram, com a Polônia aberta. Lineth Beerensteyn, por exemplo, quase fez seu gol, aos 73'. E Liz Rijsbergen, em sua segunda partida pelas Leoas Laranjas, conseguiu o terceiro gol, aos 81'. Nem mesmo o gol de honra polonês - Kamczyk, aos 83', de pênalti surgido de falta de Damaris Egurrola Wienke sobre Tomasiak - abalou as donas da casa em Almelo. Que deixaram claro: podem jogar bem, como se ouviu em quase todas as entrevistas pós-jogo. 

Além de jogar bem, será preciso ter mais atenção e competitividade em cenários adversos na repescagem de outubro. Porque a Holanda já poderia ter se livrado do trabalho de tentar a vaga na Copa do Mundo Feminina.

Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina da FIFA - Europa - Grupo A2

Irlanda 3x2 Holanda
Data: 5 de junho de 2026
Local: Páirc Uí Chaoimh (Cork)
Árbitra: Katalin Kulcsár (Hungria)
Gols: Kyra Carusa, aos 19', Dominique Janssen, aos 70', Abbie Larkin, aos 71', Victoria Pelova, aos 80', e Amber Barrett, aos 90'

IRLANDA
Courtney Brosnan; Aoife Mannion, Anne Patten, Caitlin Hayes, Megan Connolly (Saoirse Noonan, aos 85') e Chloe Mustaki; Abbie Larkin (Leanne Kiernan, aos 76'), Marissa Sheva, Ruesha Littlejohn (Jessica Ziu, aos 46') e Katie McCabe; Kyra Carusa (Amber Barrett, aos 76'). Técnica: Carla Ward

HOLANDA
Lize Kop; Lynn Wilms, Veerle Buurman, Dominique Janssen e Janou Levels (Marisa Olislagers, aos 56'); Damaris Egurrola Wienke (Jackie Groenen, aos 56'), Wieke Kaptein (Victoria Pelova, aos 74') e Ella Peddemors (Daniëlle van de Donk, aos 56'); Lineth Beerensteyn, Romée Leuchter (Liz Rijsbergen, aos 74') e Esmee Brugts. Técnico: Arjan Veurink


Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina da FIFA - Europa - Grupo A2

Holanda 3x1 Polônia
Data: 9 de junho de 2026
Local: Polman/Asito Stadion (Almere)
Árbitra: Fabienne Michel (Alemanha)
Gols: Wieke Kaptein, aos 24', Romée Leuchter, aos 61', Liz Rijsbergen, aos 81', e Ewelina Kamczyk, aos 83'

HOLANDA
Lize Kop; Lynn Wilms (Kerstin Casparij, aos 60'), Veerle Buurman, Dominique Janssen (Renée van Asten, aos 46') e Marisa Olislagers; Damaris Egurrola Wienke, Wieke Kaptein e Daniëlle van de Donk (Victoria Pelova, aos 60'); Lineth Beerensteyn (Liz Rijsbergen, aos 75'), Romée Leuchter e Esmee Brugts. Técnico: Arjan Veurink

POLÔNIA
Kinga Seweryn (Kinga Szemik, aos 67'); Wiktoria Zieniewicz, Paulina Dudek, Oliwia Wos e Jagoda Cyraniak (Julia Walentowicz, aos 79'); Adriana Achcínska (Wiktoria Zawistowka, aos 46'), Patrycja Sarapata (Gabriela Grzybowska, aos 67') e Milena Kokosz; Paulina Tomasiak, Ewelina Kamcyzk e Nadia Krezyman (Claudia Macjaska, aos 67'). Técnica: Nina Patalon

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Duas gerações por uma vaga

A Holanda (ou os Países Baixos) está focada na Copa do Mundo masculina. Mas a seleção feminina, contando com as veteranas junto às novatas, está muito perto da vaga no Mundial feminino (KNVB/Divulgação)

Está certo que o foco, para quem acompanha futebol na Holanda (Países Baixos), já está na seleção masculina que caminha para disputar a Copa do Mundo, na América do Norte. Entretanto, um pouco do foco está na seleção feminina neerlandesa, também. Afinal de contas, a vaga direta na Copa do Mundo de 2027 está mais perto do que se pensava. Em primeiro lugar no grupo A2 das Eliminatórias Europeias, bastará que as Leoas Laranjas vençam Irlanda (sexta-feira, 5, às 15h45 de Brasília, na cidade irlandesa de Cork) e Polônia (próxima terça, 9, às 16h de Brasília, em Almelo) - no caso do jogo contra a Irlanda, uma vitória holandesa e outra da Polônia, contra a França, também resolve tudo por antecipação - para garantirem a vinda ao Brasil no ano que vem. E elas estão divididas claramente em duas gerações, na convocação para as duas decisões.

Se os grandes resultados contra a França nas duas rodadas passadas - vitória em 2 a 1 e empate por 1 a 1 - dependeram em grande parte das novatas (a estreante Renée van Asten na defesa; Wieke Kaptein no meio; Esmee Brugts no ataque), agora várias das veteranas estão de volta. E várias delas, superando problemas pessoais. Se Dominique Janssen retornou naturalmente ao se recuperar de lesão, Daniëlle van de Donk reconheceu o quanto a demora para voltar de problemas físicos no London City Lionesses, clube em que joga, a afetou mentalmente: "Na última vez [em que me machuquei], estava com minha esposa quando ouvi a notícia. Eu não aguentava mais, só queria chorar, foi muito duro, acho que foi o período mais duro da minha vida". Mesmo mais alegre, Jackie Groenen - também de volta à seleção - reconheceu os problemas com lesões no Paris Saint Germain: "Eu precisava passar tempo na academia, não entrava em campo. Então, isso me fazia sentir menos parte do grupo. Mas estou em forma, posso jogar". Além delas, também voltaram - e também podem jogar - Kerstin Casparij e Caitlin Dijkstra.

O técnico Arjan Veurink celebrou o retorno dos nomes experientes. Mas alertou, diante do ótimo resultado com as novatas contra a França: elas precisarão garantir a vaga (KNVB/Divulgação)

O técnico Arjan Veurink comemorou os retornos: "Experiência sempre é importante, que dirá para os jogos desta semana. Jogadoras acostumadas com partidas importantes podem ajudar. Daí, o valor de nomes como Van de Donk". Ao mesmo tempo, o treinador se valeu das grandes atuações das mais novas - e da boa fase delas, que o diga Veerle Buurman, eleita revelação da temporada na Inglaterra - para alertar: "Elas [veteranas] não estão todas garantidas de seus lugares, não importa o quanto sejam experientes". Além do mais, dois nomes importantes para as Leoas Laranjas ficarão fora dos jogos. Ainda sofrendo com dores renitentes no tornozelo, Daphne van Domselaar passou por cirurgia no local, e novamente desfalcará a Holanda (Países Baixos). E Vivianne Miedema, às voltas com problemas particulares - acompanha a mãe, em tratamento de problema de saúde -, falou com Arjan Veurink e foi liberada pelo próprio: "Se teve uma coisa que aprendi nos últimos anos, é que boa forma física e mental são importantes em jogos cruciais".

De fato, são jogos cruciais. Ainda mais a partida contra a Irlanda, nesta sexta: também podendo ter a vaga direta na Copa (está em terceiro lugar no grupo, com 6 pontos, só dois abaixo da Holanda), a equipe anfitriã conta com o destaque absoluto de Katie McCabe - a capitã fez cinco gols nos últimos sete jogos pelas irlandesas. Foi adversária dura nas rodadas de março, quando a Holanda só fez 2 a 1 nos minutos finais. E tentará impor seu jogo até em medidas pequenas, como reduzir as dimensões do estádio Páirc Uí Chaoimh, em Cork, ao mínimo exigido pela FIFA. O técnico Arjan Veurink minimizou tal medida ("Se elas acham que conseguem ganhar assim, tudo bem"), mas também manteve o alerta alto: "A Irlanda é um time com muita velocidade pelo meio, e muito difícil de ser superado quando recua". Parte de uma conclusão básica do técnico da Holanda: "Não há mais seleções pequenas, não na Europa. O que é ótimo, mostra como o futebol feminino se desenvolveu. Não há mais jogos fáceis".

Se é assim, é com as veteranas e as novatas que as Leoas Laranjas vão para as duas rodadas finais. Todas por uma vaga direta na Copa. Até para que continuem ouvindo elogios como os que o técnico ouviu de alguém que conhece bem: Sarina Wiegman, de quem foi auxiliar entre 2017 e 2025. "Ela tem achado a campanha ótima. Mandou uma mensagem e disse que está orgulhosa de mim".

As 23 convocadas da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

GOLEIRAS: Lize Kop (Tottenham Hotspur-ING), Daniëlle de Jong (Juventus-ITA) e Regina van Eijk (Ajax)

DEFENSORAS: Lynn Wilms (Aston Villa-ING), Kerstin Casparij (Manchester City-ING), Veerle Buurman (Chelsea),  Dominique Janssen (Manchester United-ING), Renée van Asten (Ajax), Ilse van der Zanden (Fiorentina-ITA), Caitlin Dijkstra (Wolfsburg-ALE, se transferindo para o Tottenham Hotspur-ING), Janou Levels (Wolfsburg-ALE) e Marisa Olislagers (Brighton-ING)

MEIO-CAMPISTAS: Damaris Egurrola Wienke (OL Lyonnes-FRA), Wieke Kaptein (Chelsea-ING), Victoria Pelova (Arsenal-ING), Ella Peddemors (Wolfsburg-ALE), Lotte Keukelaar (Real Madrid-ESP), Daniëlle van de Donk (London City Lionesses-ING), Jackie Groenen (Paris Saint Germain-FRA) e Nina Nijstad (PSV)

ATACANTES: Lineth Beerensteyn (Wolfsburg-ALE), Romée Leuchter (Paris Saint Germain-FRA), Esmee Brugts (Barcelona-ESP) e Liz Rijsbergen (PSV)

sábado, 18 de abril de 2026

Testadas e aprovadas

Com um time jovem, a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) se saiu muito bem contra a França, nas Eliminatórias da Copa do Mundo. Até melhor do que as expectativas. Está na frente, na disputa pela vaga direta (Tobias Kleuver/ANP/Getty Images)

Com jogadoras tão jovens, tendo de substituir nomes de experiência indiscutível, seria até esperado ver a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) fraquejando nas duas partidas contra a França, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina. Só que a nova geração deu a impressão de que já está pronta. Deu ao técnico Arjan Veurink uma daquelas "dores-de-cabeça" de que todo treinador gosta. Porque várias jogadoras jovens aproveitaram a chance para se afirmar: de Veerle Buurman, na defesa, a Esmee Brugts, no ataque, passando por Wieke Kaptein e Damaris Egurrola Wienke, no meio. E tanto a vitória por 2 a 1, em casa, quanto o empate por 1 a 1 contra as francesas, fora, deixaram grande satisfação em quem acompanha o futebol de mulheres nos Países Baixos.

No primeiro jogo, em Breda, o começo deu a impressão de que as desatenções decisivas seguiriam: um erro de Veerle Buurman, e Marie-Antoinette Katoto ficou livre - perdeu o gol, mas de qualquer forma, estava impedida. Porém, aos poucos a Holanda ousou mais. Como num chute de Victoria Pelova, por cima do gol, aos 7'. Ou como no minuto seguinte, quando Esmee Brugts já deu o sinal do destaque ofensivo que teria, arriscando o gol chutando antes do meio-campo - a bola foi para fora. E finalmente, aos 11', uma jogada de bola parada foi aproveitada, consolidando um "conto de fadas": Lynn Wilms mandou a bola para a área, em falta, e Renée van Asten - justamente ela, justamente a estreante em convocações, justamente a titular pela primeira vez - completou para fazer 1 a 0 para as Leoas Laranjas. Os abraços de todas as companheiras de time, celebrando o gol de Van Asten, poderia ter sido um final feliz. Mas havia muito jogo pela frente.

Van Asten (de frente): a estreante viveu um conto de fadas no primeiro jogo contra as francesas, ao começar como titular e marcar o primeiro gol (Marcel van Dorst/EYE4IMAGES/NurPhoto/Getty Images)

E neste jogo, aos poucos, a França ficou com a bola, como até esperado para um time tão ofensivo, com atacantes experientes. Porém, também se viu uma Holanda organizada defensivamente, como poucas vezes. Além das quatro defensoras escaladas, as meio-campistas retornavam frequentemente, com Damaris Egurrola sendo muito elogiada pela atenção e precisão nos desarmes. Era organização... mas também era risco. Por mais que a equipe dos Países Baixos resistisse, por mais que a França só houvesse criado uma chance de gol em todo o primeiro tempo (aos 26', Kadidiatou Diani cruzou e Katoto cabeceou para fora), era necessário ter uma saída para contra-atacar - até porque Wieke Kaptein, atenta no meio-campo, poderia acelerar a jogada para Brugts ou mesmo Lineth Beerensteyn. Ela não surgiu, e depois do intervalo, um azar de Daphne van Domselaar - de volta ao gol das Leoas Laranjas - abriu o caminho do empate francês, aos 54': Sandy Baltimore passou por Lynn Wilms na direita da área, chutou quase sem ângulo, mas a bola bateu na perna esquerda da goleira holandesa e entrou.

Noutros tempos, o empate teria aberto o caminho para a França crescer. Não abriu no primeiro jogo, porque Van Domselaar se recuperou da falha no gol, do melhor jeito possível: duas excelentes defesas, aos 61' (bloqueando chute de Diani à queima-roupa, após cruzamento de Anaële Le Moguedec) e aos 66' (Baltimore arriscou de fora da área, no ângulo). As Leoas Laranjas seguiam concentradas defensivamente. E num lance que uniu três das melhores holandesas em campo, veio o gol da vitória: Van Asten dominou e tocou, Kaptein lançou em profundidade, Brugts dominou, correu livre até a área e chutou cruzado para fazer 2 a 1. Com espaço aberto, os Países Baixos até poderiam ter feito o terceiro gol (aos 82', Wilms lançou, Chasity Grant completou, mas Griedge Mbock-Bathy conseguiu bloquear na pequena área). Ainda assim, conseguiram bloquear todo e qualquer espaço das francesas para chute. E após onze anos, festejaram em Breda a primeira vitória sobre as Azuis. Já era muita coisa. Poderia ser mais.

Para que fosse mais, a vitória seria necessária em Auxerre. Só que a França, novamente, começou pressionando desde o começo. A Holanda se ancorava demais em Brugts para acelerar suas (raras) tentativas de ataque - Lineth Beerensteyn só tentou algo aos 8', num cruzamento para fora. Pelo menos, houve uma boa chance das Leoas Laranjas, aos 11': Wieke Kaptein cruzou, Brugts finalizou de primeira (da entrada da área), e a goleira Pauline Peyraud-Magnin espalmou para fora. 

De todo modo, as francesas seguiam pressionando mais. Tiveram uma boa chance aos 16', quando Clara Matéo arriscou chute da entrada da área, e a bola só saiu após desvio em Brugts, para escanteio. Contudo, não só a defesa holandesa seguia bem postada, como aos poucos, havia espaço para Wieke Kaptein aparecer e tentar acelerar as saídas de bola para Brugts, ou Beerensteyn, ou mesmo para Romée Leuchter (das três atacantes, a que menos se destacou). Só aí a França decidiu voltar a usar uma de suas principais qualidades ofensivas: as bolas paradas. Assim conseguiu fazer 1 a 0, nos acréscimos do 1º tempo: após escanteio ensaiado, Sandy Baltimore - novamente com boa atuação - cruzou, e Marie-Antoinette Katoto cabeceou para as redes.

Pelo menos no começo do segundo tempo, a pressão francesa foi a mesma. Só que, na hora da finalização, na hora de acertar o gol, as Azuis perdiam chances. Foi assim com Grace Geyoro, logo aos 49'; com Sandy Baltimore, aos 61'; e com Sakina Karchaoui (fazendo 100 jogos pela seleção francesa), aos 74'. Por mais que a saída da Holanda para os contra-ataques tivesse sérias dificuldades - Beerensteyn caiu de produção no segundo tempo -, a França perdia suas chances de resolver a partida. Teve a punição.

Crescendo no decorrer do jogo, muito segura no meio-campo, capitã por alguns minutos (aos 20 anos de idade!): Wieke Kaptein se credenciou como líder das Leoas Laranjas (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Porque, aos 76', Élisa de Almeida transformou uma jogada que seria tiro de meta (a bola sairia pela linha de fundo após Brugts cruzar) em sequência. Brugts correu, dominou pela esquerda, cruzou, e Wieke Kaptein coroou um dia marcante em sua carreira - capitã das Leoas Laranjas aos 20 anos, após a substituição de Beerensteyn -, cabeceando ("Acho que foi meu primeiro gol de cabeça, sou ruim nisso", brincou com a ESPN holandesa) para empatar o jogo. O valioso ponto poderia ser posto a perder logo após o gol, aos 78', após a própria Kaptein errar na saída de bola, mas Geyoro mandou a bola no travessão. Cada vez mais nervosas, as francesas erraram a maioria dos ataques. E só tiveram chance numa jogada polêmica, já nos acréscimos, em que Renée van Asten puxou Mélvine Malard, que a pisou na área... e o suposto pênalti de Van Asten foi ignorado pela juíza italiana Maria Caputi.

Nada mais perturbaria os dois ótimos resultados, que deixaram a Holanda no controle de sua condição para ir à Copa do Mundo Feminina, em 2027, líder isolada que agora é de seu grupo. A impressão final era indiscutível: as jovens tinham sido testadas e aprovadas. Estão prontas para as partidas decisivas de junho, contra Irlanda (dia 5, fora de casa) e Polônia (dia 9, em casa), que valem a vaga no Mundial.

Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina da FIFA - Europa - Grupo A2

Holanda 2x1 França
Data: 14 de abril de 2026
Local: Rat Verlegh (Breda)
Árbitra: Marta Huerta de Aza (Espanha)
Gols: Renée van Asten, aos 11', Sandy Baltimore, aos 54', e Esmee Brugts, aos 67'

HOLANDA
Daphne van Domselaar; Lynn Wilms, Veerle Buurman, Renée van Asten e Marisa Olislagers (Janou Levels, aos 60'); Victoria Pelova (Ella Peddemors, aos 69'), Damaris Egurrola Wienke e Wieke Kaptein; Lineth Beerensteyn, Romée Leuchter (Chasity Grant, aos 60') e Esmee Brugts (Lotte Keukelaar, aos 90' + 1). Técnico: Arjan Veurink 

FRANÇA
Pauline Peyraud-Magnin; Melween N'Dongala (Kelly Gago, aos 87'), Griedge Mbock-Bathy, Maëlle Lakrar e Mélvine Malard (Clara Matéo, aos 78'); Sandy Baltimore, Anaële Le Moguedec e Oriane Jean-François (Grace Geyoro, aos 61'); Marie-Antoinette Katoto, Sakina Karchaoui (Naomie Feller, aos 87') e Kadidiatou Diani. Técnico: Laurent Bonadei


França 1x1 Holanda
Data: 18 de abril de 2026
Local: Abbé-Deschamps (Auxerre)
Árbitra: Maria Caputi (Itália)
Gols: Marie-Antoinette Katoto, aos 45' + 1, e Wieke Kaptein, aos 76'

FRANÇA
Pauline Peyraud-Magnin; Alice Sombath (Laurina Fazer, aos 85'), Élisa de Almeida, Griedge Mbock-Bathy e Sandy Baltimore; Grace Geyoro, Oriane Jean-François (Kelly Gago, aos 85') e Sakina Karchaoui; Clara Matéo (Delphine Cascarino, aos 61'), Marie-Antoinette Katoto (Mélvine Malard, aos 71') e Kadidiatou Diani (Thiniba Samoura, aos 61'). Técnico: Laurent Bonadei

HOLANDA
Daphne van Domselaar; Lynn Wilms, Veerle Buurman, Renée van Asten e Janou Levels; Wieke Kaptein, Damaris Egurrola Wienke e Victoria Pelova; Esmee Brugts (Ella Peddemors, aos 90' + 2), Romée Leuchter (Chasity Grant, aos 46') e Lineth Beerensteyn (Lotte Keukelaar, aos 64'). Técnico: Arjan Veurink 


sexta-feira, 10 de abril de 2026

A hora da provação

Com a maioria das jogadoras veteranas fora da convocação por estarem machucadas, as jovens serão provadas nos difíceis jogos da Holanda (Países Baixos) contra a França, nas Eliminatórias da Copa Feminina (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Dominique Janssen, escolhida como capitã? Está fora, machucada. Daniëlle van de Donk, de volta? Nada: também lesionada. Vivianne Miedema? Novamente e lamentavelmente, com problemas físicos. Assim como Jackie Groenen e Jill Roord, também veteranas. Dias depois da apresentação das convocadas no centro de treinamentos da federação, na cidade de Zeist, Caitlin Dijkstra também foi cortada. E a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) terá várias jogadoras jovens - não necessariamente inexperientes, mas jovens - para se provarem justamente nos dois momentos mais cruciais de seu grupo nas Eliminatórias Europeias da Copa do Mundo Feminina de 2027: os jogos contra a França, considerada favorita à vaga direta, em casa (na próxima terça, 14, às 15h45 de Brasília, em Breda) e fora (no sábado, 18, às 16h10 de Brasília, na cidade francesa de Auxerre).

Ter tantas jogadoras importantes e experientes machucadas foi um fator obviamente lamentado pelo técnico Arjan Veurink, na entrevista coletiva da quarta-feira passada: "Toda vez que a médica da comissão me telefonava, eu me arrependia de atender. O fato de perdermos nomes experientes e precisarmos de novas convocações fala por si. Mas tento seguir calmo, e manter o foco nas jogadoras que estão aqui, porque isso abre espaço para elas". E Veurink repetiu uma queixa feita muitas vezes por seu antecessor, Andries Jonker: o perigo de lesões a que o suposto excesso de jogos leva. "Há jogadoras que, a estas alturas, já jogaram mais minutos do que na temporada passada inteira. O calendário está se desenvolvendo muito rápido (..) Temos pouca influência nisso. Precisamos ser ouvidos, porque é pelo bem estar das jogadoras. Não que não nos ouçam, mas podemos ser mais ouvidos".

De todo modo, antes mesmo das ausências (ou até por causa delas), Veurink abre caminho para mais jovens nas convocações. Como duas estreantes nelas, a defensora Renée van Asten, do Ajax - joga como zagueira, mas pode ser colocada na lateral esquerda - e a atacante Liz Rijsbergen, do PSV (ainda estreia a zagueira Linde Veefkind, do OH Leuven belga, chamada com o corte de Dijkstra). Van Asten mostrou o tamanho de sua alegria com uma frase na chegada: "É realmente uma sensação maravilhosa. Quando recebi a ligação do técnico, atendi com a mão tremendo. Foi incrível. Ainda é difícil acreditar, mas estou muito grata". Já Rijsbergen, um pouco mais experiente, vinda de passagem pelo Twente para o PSV líder da liga holandesa feminina, foi mais serena em sua celebração: "Claro que é um sonho realizado. Ao ver que estou indo bem, só me dá mais autoconfiança".

Porém, se há jogadoras jovens estreantes, há outras que, mesmo ainda com tempo pela frente, já começam a ocupar lugar de destaque por força das lesões. Será o caso de Veerle Buurman: cada vez mais elogiada por suas atuações no Chelsea, a zagueira deve ter papel importante nos jogos contra as francesas. Aliás, segundo Buurman opinou à ESPN holandesa, o peso está nas próprias partidas em si: "Acho que são os jogos mais importantes sob o novo técnico, até agora. A França é uma das principais seleções que se tem". Outra jovem que já tem grande experiência pelas Leoas Laranjas, Esmee Brugts, ainda mantém reservas quanto a ser uma líder: "Não sou muito de falar, prefiro deixar que meus pés falem por mim". Mas reconheceu que sua importância e suas condições cresceram, com a boa fase que vive no Barcelona: "Fui escalada três vezes, e nas três joguei os noventa minutos [em sequência de três jogos do Barcelona contra o Real Madrid, por Liga dos Campeões e Campeonato Espanhol feminino]. É pesado. Mas estou um pouco mais forte para isso".

Em boa fase no Barcelona, Esmee Brugts pode ser uma das líderes, muito embora se defina como de poucas palavras (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

É com Brugts e com outras "jovens experientes" em ótima fase, como a goleira Daphne van Domselaar (ficou um dia sem treinar, adoentada, mas já voltou aos treinos e já está em ritmo de jogo no Arsenal), a lateral direita Lynn Wilms (em grande momento no Aston Villa) e a atacante Romée Leuchter (ainda no Paris Saint-Germain, mas já cogitada em outros clubes competitivos), que as Leoas Laranjas contam para tentarem superar as más memórias de jogos recentes contra a França, como Brugts reconheceu, lembrando os 5 a 2 pespegados pelas francesas que selaram a eliminação na fase de grupos da Euro feminina passada. Até porque Arjan Veurink sinalizou confiança: "Quero mostrar a essas jogadoras que também podemos desafiar a França com este grupo". Pois bem: é a hora da provação para todas elas.

As 24 convocadas da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

GOLEIRAS: Lize Kop (Tottenham Hotspur-ING), Daphne van Domselaar (Arsenal-ING) e Daniëlle de Jong (Juventus-ITA)

DEFENSORAS: Lynn Wilms (Aston Villa-ING), Veerle Buurman (Chelsea), Linde Veefkind (OH Leuven-BEL), Ilse van der Zanden (Fiorentina-ITA), Marisa Olislagers (Brighton-ING), Janou Levels (Wolfsburg-ALE) e Renée van Asten (Ajax)

MEIO-CAMPISTAS: Damaris Egurrola Wienke (OL Lyonnes-FRA), Wieke Kaptein (Chelsea-ING), Victoria Pelova (Arsenal-ING), Ella Peddemors (Wolfsburg-ALE), Lotte Keukelaar (Real Madrid-ESP), Lynn Groenewegen (Twente), Kayleigh van Dooren (Milan-ITA) e Nina Nijstad (PSV)

ATACANTES: Lineth Beerensteyn (Wolfsburg-ALE), Romée Leuchter (Paris Saint Germain-FRA), Esmee Brugts (Barcelona-ESP), Chasity Grant (Aston Villa-ING) e Liz Rijsbergen (PSV)

segunda-feira, 9 de março de 2026

Começaram as dificuldades

Após o respiro dos amistosos, a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) teve seus problemas nas primeiras rodadas das Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina. Mas até que se saiu bem (Marcel Bonte/Soccrates/Getty Images)

A seleção feminina da Holanda (Países Baixos) tinha começado bem sua passagem sob o comando do novo técnico, Arjan Veurink, com um empate e três vitórias nos quatro amistosos que fecharam o turbulento 2025. Mas se sabia: as duas primeiras rodadas das Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina, nestas datas FIFA, é que mostrariam o grau de dificuldade a ser encarado pela equipe. E o grau foi relativamente grande. De todo modo, se é para animar, a equipe neerlandesa de mulheres conseguiu superá-lo. Se não no empate em 2 a 2 contra a Polônia, certamente na vitória por 2 a 1 sobre a Irlanda.

Para que as dificuldades começassem, praticamente bastou a bola rolar na Plus Arena de Gdansk, para a estreia nas Eliminatórias, na terça passada, contra a Polônia. Pressionando a saída de bola, a seleção da casa colocou as holandesas em dificuldades (como até já fizera no amistoso em 0 a 0 entre ambos). Tanto que, aos 8', teve a primeira chance, com Tanja Pawollek cabeceando a bola no travessão. E aos 24', coube a quem poderia trazer mais perigo fazer 1 a 0: Ewa Pajor pressionou na esquerda, roubou a bola de Vivianne Miedema, superou a marcação de Caitlin Dijkstra, chegou à área e bateu forte, no ângulo de Lize Kop - seguindo titular no gol, mesmo com a volta de Daphne van Domselaar. Com a primeira chance real de gol só vindo aos 34' (chute de Jill Roord, defendido pela goleira Kinga Szemik), a Holanda voltava a passar dificuldades. Que só não foram maiores por causa do empate, pouco antes do intervalo: num escanteio mal rebatido, Damaris Egurrola Wienke ajeitou, e Veerle Buurman bateu para o 1 a 1. 

Na estreia pelas Eliminatórias, as Leoas Laranjas até mostraram capacidade ofensiva, mas a defesa teve dificuldades contra a Polônia no empate em 2 a 2 (Mateusz Slodkowski/UEFA/Getty Images)

O empate após primeiro tempo tão problemático deu tranquilidade para que certos erros fossem corrigidos - como a entrada de Lynn Wilms, melhor defensivamente, no intervalo, para a lateral direita. E melhor ainda foi ver a virada logo nos primeiros lances do segundo tempo: com apenas dois minutos de bola voltando a rolar, Lineth Beerensteyn deu a bola para que Jill Roord fizesse 2 a 1, chutando da entrada da área. O que não quer dizer que as Leoas Laranjas se impuseram definitivamente. A defesa seguiu dando espaços dentro da área, e as chances contrárias apareciam: Ewelina Kamczyk teve chute bloqueado por Wilms, e Ewa Pajor cabeceou a bola no travessão (outra vez!) aos 55'. Aos poucos, a pressão polonesa amainou, nomes como Jackie Groenen entraram, os Países Baixos até tiveram suas chances (Miedema forçou a defesa de Szemik, aos 71'), a vitória parecia assegurada... até novo erro render o empate, a seis minutos do fim: Roord perdeu a bola, Kamczyk e Paulina Tomasiak tabelaram no meio da defesa, Tomasiak driblou Lize Kop e fez 2 a 2. 

Era uma dor de cabeça que precisaria ser neutralizada no jogo do sábado, contra a Irlanda - que perdeu por 2 a 1 para a França em sua estreia, mas fez jogo duro. E também começou fazendo jogo duro em Utrecht: dois cruzamentos (um escanteio aos 4', e um cruzamento com bola rolando, aos 7'), dois cabeceios de Caitlin Hayes, e a bola passou perto do gol em ambos. Além do mais, as irlandesas faziam o esperado: se fechavam na defesa, evitando as trocas de passes holandesas. Restavam chutes de fora da área, como o de Wieke Kaptein, aos 9', que passou rente à trave. Ou uma jogada individual, como a que Lineth Beerensteyn tentou aos 10', vindo pela esquerda, entrando na grande área e demorando para finalizar, com a goleira Courtney Brosnan pegou. Só aos 20 minutos é que houve espaço para troca de passes. E saiu o gol das Leoas Laranjas: Jill Roord passou, Lynn Wilms cruzou, e Beerensteyn completou na pequena área. Podia não ser uma superioridade tão grande, mas era uma superioridade.

A Irlanda se protegeu em sua defesa, e coube a Beerensteyn (centro) aparecer de novo para garantir a primeira vitória neerlandesa na qualificação (Sonny Lensen/ANP/Getty Images)

Que passou a correr riscos quando a Irlanda conseguiu uma chance: após falta cobrada para a área, a goleira Lize Kop saiu do gol, acertou a zagueira Anna Patten, e o pênalti foi marcado - talvez com certo exagero, mas foi marcado. Destaque absoluto das visitantes, a capitã Katie McCabe cobrou, fez 1 a 1 aos 50', e seria duro para os Países Baixos conseguirem voltar à frente do placar. Não que não tentassem: Romée Leuchter cobrou falta aos 54' (Brosnan pegou), novamente a dupla Roord-Wilms funcionou na direita, com esta cruzando para Vivianne Miedema perder boa chance aos 58'. Só que a Irlanda estava muito bem postada defensivamente. Até que, a oito minutos do fim do tempo regulamentar, um escanteio cobrado, e Beerensteyn novamente apareceu quando era necessário: Brosnan rebateu na primeira trave, a atacante se virou e aproveitou a sobra para fazer 2 a 1.

Ou seja: mesmo com dificuldades, a Holanda conseguiu se manter invicta, conseguiu vencer, conseguiu ocupar o segundo lugar de seu grupo nas Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina. De certa forma, cumpriu o que o técnico Arjan Veurink esperava: "Na semana passada, falamos sobre controlar os jogos. Cumprimentei a equipe por isso. Futebol bonito não conta tanto, mas os resultados contam". A ver se os resultados virão nas rodadas de abril, com os dois jogos contra a França, favorita do grupo. Se vierem, a Copa fica mais perto...

Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina da FIFA - Europa - Grupo A2

Polônia 2x2 Holanda
Data: 3 de março de 2026
Local: Plus Arena (Gdansk)
Árbitra: Ivana Projkovska (Macedônia do Norte)
Gols: Ewa Pajor, aos 24', Veerle Buurman, aos 44', Jill Roord, aos 47', e Paulina Tomasiak, aos 84'

POLÔNIA
Kinga Szemik; Wiktoria Zieniewicz, Oliwia Wos, Paulina Dudek e Martyna Wiankowska; Adriana Achcinska, Ewelina Kamczyk (Gabriela Grzybowska, aos 90') e Tanja Pawollek (Milena Kokosz, aos 66'); Nadia Krezyman (Weronika Zawistowska, aos 66'), Ewa Pajor e Paulina Tomasiak (Natalia Padilla, aos 90' + 3). Técnica: Nina Patalon

HOLANDA
Lize Kop; Kerstin Casparij (Lynn Wilms, aos 46'), Veerle Buurman, Dominique Janssen e Caitlin Dijkstra; Damaris Egurrola Wienke (Jackie Groenen, aos 62'), Vivianne Miedema e Wieke Kaptein; Jill Roord, Lineth Beerensteyn (Romée Leuchter, aos 74') e Esmee Brugts (Chasity Grant, aos 62'). Técnico: Arjan Veurink 


Holanda 2x1 Irlanda
Data: 7 de março de 2026
Local: De Galgenwaard (Utrecht)
Árbitra: Frida Klarlund (Dinamarca)
Gols: Lineth Beerensteyn, aos 20' e aos 82', e Katie McCabe, aos 50'

HOLANDA
Lize Kop; Lynn Wilms, Veerle Buurman, Dominique Janssen e Marisa Olislagers; Wieke Kaptein (Jackie Groenen, aos 65'), Vivianne Miedema (Chasity Grant, aos 90' + 1) e Damaris Egurrola Wienke; Lineth Beerensteyn, Romée Leuchter (Daniëlle van de Donk, aos 65') e Jill Roord (Esmee Brugts, aos 65'). Técnico: Arjan Veurink 

IRLANDA
Courtney Brosnan; Aoife Mannion, Caitlin Hayes, Anna Patten e Chloe Mustaki; Marissa Sheva (Saoirse Noonan, aos 90' + 1), Megan Connolly e Katie McCabe; Emily Murphy, Kyra Carusa  (Abbie Larkin, aos 84') e Lucy Quinn (Amber Barrett, aos 65'). Técnica: Carla Ward

sábado, 28 de fevereiro de 2026

À espera da confirmação

As expressões no treino podem até ser sérias, mas a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) está de bem com a vida. E quer provar isso no começo das eliminatórias da Copa (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Foram só quatro jogos amistosos, no fim do ano passado. Mas vencer três deles, tomar só um gol neles (para uma seleção que sempre teve a defesa como seu ponto fraco... é algo notável), mostrar o nascimento de algum entrosamento aqui e ali, superar seleções de algum respeito como Canadá e Portugal, enfim, tudo isso serviu para trazer de volta uma boa impressão em torno da seleção feminina da Holanda (Países Baixos). Mas amistosos apenas amistosos são. E a melhor confirmação de que as Leoas Laranjas entraram em novos tempos sob o técnico Arjan Veurink viria com atuações categóricas nas primeiras datas FIFA de mulheres neste 2026, abrindo as eliminatórias da Copa de 2027, contra Polônia - dia 3 de março, na cidade polonesa de Gdansk, às 14h de Brasília - e Irlanda - 7 de março, às 16h45 de Brasília, em Utrecht.

Nesse começo da caminhada para tentar garantir uma vaga no Mundial a ser sediado no Brasil, há dois reforços que havia muito tempo não vestiam laranja. Uma delas, talvez, nem vestisse mais: era a possibilidade mais forte. Mas Daniëlle van de Donk aproveitou um fato (a homenagem a ser feita a ex-jogadoras da seleção holandesa, como Sherida Spitse e Lieke Martens, após o jogo contra a Irlanda) para anunciar seu retorno, com uma brincadeira: "Como vocês sabem, algumas das ex-jogadoras estarão em Utrecht para uma despedida. Eu também estarei... mas não é para me despedir!". Pois é: aos 34 anos - completará 35 em 5 de agosto -, recuperada de lesão que atrapalhou seus primeiros tempos no London City Lionesses, Van de Donk se colocou à disposição de Arjan Veurink para as convocações. 

Van de Donk "desistiu de desistir": uma conversa com o técnico Arjan Veurink bastou para que a veterana meio-campista decidisse seguir nas Leoas Laranjas (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Falando mais seriamente, na data da convocação, "Daantje" justificou: "Acho que ainda há algo especial que posso dar para este time". Sem sinalizar se ela ficará mais no banco ou jogará, Veurink celebrou: "Estou muito feliz por ela estar no grupo. Depois da Euro [2025], conversamos, ela estava machucada, e decidimos esperar para conversar de novo, até ela se recuperar. Isso aconteceu, nos falamos, e ela está se recuperando, está voltando a ter ritmo de jogo". Na coletiva de apresentação, no centro de treinamentos da federação, a meio-campista se aprofundou: "O foguinho se acendeu de novo em mim. É bom demais [estar na seleção] para já encerrar tudo. Deixei minhas colegas quietas, senão é claro que elas diriam que eu deveria voltar, e isso nunca é um bom conselho. Você deve se focar em você: é isso mesmo que quer?". Arjan Veurink facilitou: "Fomos abertos e honestos um com o outro. Estou feliz que o 'fogo' dela esteja aceso de novo, é sempre bom contar com alguém com as qualidades dela".

Outro nome importante a retornar é Daphne van Domselaar. Enfim livre das dores de um tendão no tornozelo, lesão que dificultou a sua situação desde antes da Euro ("Uma lesão assim não se cura antes de algumas semanas. E continua causando atenção, mas agora estou me sentindo bem, completamente pronta para estar aqui"). Voltando a ter ritmo de jogo - e alguma segurança, após falhas aqui e ali - no Arsenal, Van Domselaar chega com Lize Kop tendo sido titular nos primeiros amistosos sob Arjan Veurink. Mas a titular habitual do gol das Leoas Laranjas não só demonstrou boa impressão do clima entre as convocadas, à ESPN holandesa ("Ouvi boas histórias das outras, e mal posso esperar para estar nos jogos e viver isso"), como também mostrou tranquilidade sobre qual será a goleira titular ("Lize está indo bem, então, dependerá do treinador").

Van Domselaar é outro retorno para a seleção neerlandesa de mulheres (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Mas é possível que seja Vivianne Miedema o grande símbolo da impressão promissora que causa a seleção feminina neerlandesa. Até porque, depois de muitos anos de lesões, enfim ela retoma o ritmo de jogo, enfim ela retoma as boas atuações (agora, jogando mais recuada, como uma "camisa 10"), enfim ela retoma o brilho no Manchester City, em que renovou seu contrato até 2027. E a capitã das Leoas Laranjas comemora tudo isso, também à ESPN NL: "Eu me sinto em forma, posso jogar bastante e estou nos campos com um sorriso no rosto. Isso é o mais importante. Sinto que posso ajudar em algo de novo". Vieram elogios ao novo técnico ("Arjan [Veurink] nos traz experiência. Ele teve muito sucesso, tanto como auxiliar técnico aqui, como depois na Inglaterra. Acho muito bacana ver o crescimento pessoal dele ao longo dos anos"). E vieram até palavras amenas sobre como prefere jogar, se como atacante - Miedema fez quatro gols no amistoso contra a Coreia do Sul, vale lembrar - ou como meia ("Antes das lesões eu só jogava como atacante, no City jogo de '10' ou até mais recuada (...) Eu disse ao Arjan 'pode me escalar onde você quiser', a escolha é dele").

Nem mesmo uma polêmica em potencial tirou a paz do grupo de convocadas. Principalmente das veteranas, mais relacionadas ao fato: em sua autobiografia, Open Kaart ("Cartão aberto", em holandês), lançada nesta semana, Sherida Spitse contou que uma convocada da Holanda na Euro feminina passada - nome não revelado - levou ao técnico daquela vez, Andries Jonker, críticas sobre ela e Van de Donk. Envolvida na história, esta reconheceu ("Sabia que meu nome estaria no livro"), mas fez questão de deixar tudo no passado ("Por mim, isso não precisava vir para a mídia. Tem coisas que acontecem num grupo, e se resolvem internamente. Aí você deixa para lá, e segue em frente. Nem penso mais nisso"). Arjan Veurink foi compreensivo ("Sempre há chateadas no grupo, porque você trabalha com 23 jogadoras, 22 integrantes na comissão... sempre tem algo, mesmo quando está tudo bem. Mas o que aconteceu no passado não me importa"). E Miedema encerrou de vez ("A gente reconhece que a Euro foi ruim, foi difícil. Mas o grupo atual combinou manter tudo entre quatro paredes. É começar de novo").

Então, neste começo, as Leoas Laranjas esperam confirmar a boa impressão que os amistosos de 2025 passaram. Para isso, vencer Polônia e Irlanda já será de grande serventia.
 
As 23 convocadas da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

GOLEIRAS: Daphne van Domselaar (Arsenal-ING), Lize Kop (Tottenham Hotspur-ING) e Daniëlle de Jong (Juventus-ITA)

DEFENSORAS: Kerstin Casparij (Manchester City-ING), Lynn Wilms (Aston Villa-ING), Dominique Janssen (Manchester United-ING), Caitlin Dijkstra (Wolfsburg-ALE), Veerle Buurman (Chelsea-ING), Janou Levels (Wolfsburg-ALE), Ilse van de Zanden (Fiorentina-ITA) e Marisa Olislagers (Brighton-ING)

MEIO-CAMPISTAS: Jackie Groenen (Paris Saint Germain-FRA), Daniëlle van de Donk (London City Lionesses-ING), Victoria Pelova (Arsenal-ING), Damaris Egurrola Wienke (OL Lyonnes-FRA), Ella Peddemors (Wolfsburg-ALE), Wieke Kaptein (Chelsea-ING) e Nina Nijstad (PSV)

ATACANTES: Vivianne Miedema (Manchester City-ING), Lineth Beerensteyn (Wolfsburg-ALE), Esmee Brugts (Barcelona-ESP), Jill Roord (Twente), Romée Leuchter (Paris Saint Germain-FRA) e Chasity Grant (Aston Villa-ING)

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Passos foram dados

Miedema sendo saudada por seus gols, como fazia tempo que não acontecia. Também fazia tempo que as impressões sobre a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) não eram tão promissoras (ProShots)

"Passos foram dados", resumiu alegremente a meio-campista Ella Peddemors, na entrevista à repórter Rivkah op het Veld, da emissora NOS. "Terminamos com um bom sentimento", comemorou o técnico Arjan Veurink, também à NOS. De fato, inegavelmente, a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) terminou 2025 com uma impressão boa como havia tempos que não deixava. Com as duas vitórias nos dois últimos amistosos do ano - 2 a 1 em Portugal, em Braga, e 5 a 0 na Coreia do Sul, em Waalwijk -, ainda sem perder sob o comando de Arjan Veurink (quatro jogos, três vitórias, um empate - e só um gol sofrido), de fato se confirmaram as evoluções ensaiadas neste começo de trabalho, mesmo com problemas aqui e ali.

Com algumas ausências - entre elas, Vivianne Miedema, preservada para evitar a piora de dores leves -, as Leoas Laranjas tiveram experiências na escalação contra Portugal. Por exemplo, Ella Peddemors começando como titular pela primeira vez, no meio-campo. Ou Ilse van der Zanden na lateral esquerda. Ou a experiência de mais sucesso: Lynn Wilms na lateral direita. Com Chasity Grant e Romée Leuchter (outra titular incomum) muito ativas no ataque, o trio colaborou para um bom começo da Holanda. Foi com triangulação de ambas que Leuchter fez gol anulado por impedimento, aos 17'. Foi assim que saíram os dois gols holandeses: aos 21', Wilms lançou, Leuchter cruzou e Grant completou para o 1 a 0, e dois minutos depois, foi Grant quem cruzou, da esquerda, para Wilms fazer 2 a 0, após Peddemors desviar.

Porém, esse ótimo começo, com um time mais dinâmico e eficiente no ataque, foi perturbado com as desatenções ainda persistentes da defesa. Começaram com um chute de Telma Encarnação, aos 27', que Lize Kop (novamente titular no gol) agarrou firme. Aos 32', Dominique Janssen, a nova capitã, falhou no meio-campo, e Telma arriscou o gol do meio-campo, mas a goleira das Leoas Laranjas estava atenta. Depois, Portugal sofreu o duro golpe aos 35': lesão aparentemente grave de Francisca "Kika" Nazareth, ao torcer o joelho esquerdo. Entretanto, aos 42', Kerstin Casparij (atuando pela esquerda) deixou espaço para Beatriz Fonseca cruzar, e Andreia Faria cabecear, diminuindo para 2 a 1. Foi a senha para Portugal deixar quaisquer abatimentos pela lesão de "Kika" Nazareth e buscar o empate na etapa final. 

Com Telma Encarnação, como quase sempre foi no jogo em Braga: aos 48' (voleio para fora), aos 54' (chute bloqueado por Wilms) e, principalmente, aos 57' (cabeceio, após escanteio, para grande defesa de Kop). Aí entrou o mérito de Arjan Veurink: suas alterações surtiram efeito, com as boas entradas de Nina Nijstad, dominando bem a bola e fazendo jogadas na esquerda, e Danique Tolhoek (outra estreante), retendo mais a bola no ataque. Com isso, a Holanda neutralizou mais Portugal, que só teve chances com Dolores Silva, aos 77' (Kop espalmou o chute, com desvio em Nijstad), e Jéssica Silva (aos 86', finalizando por cima do gol). No mais, a Holanda também apareceu com Tolhoek, finalizando contra-ataque por cima do gol, aos 89'. Com Nijstad, também errando a finalização. E as Leoas Laranjas puderam celebrar vitória duplamente importante: por ser contra rival de qualidade e por mostrar algumas jogadoras aproveitando a chance que tiveram, como Peddemors e Leuchter.

Peddemors já deixou boa impressão contra Portugal, e a confirmou contra a Coreia do Sul (Stan Oosterhof/Soccrates/Getty Images)

Por sinal, tais chances continuaram sendo aproveitadas no amistoso para fechar as datas FIFA (e o ano de 2025 como um todo), contra a Coreia do Sul. Algumas vezes, por necessidade: com Jackie Groenen e Kaptein cortadas por preservação para dores leves, o meio-campo teve novamente Damaris e Peddemors. Outras vezes, por oportunidade. Enfim podendo jogar - escalada, a princípio, como "falsa 10", partindo do meio-campo e se alternando de posições com Pelova -, Miedema já mostrou do que é capaz aos nove minutos de jogo, fazendo 1 a 0 num chute da entrada da área. Colaborava como meio-campista também, aos 12', ao passar para Leuchter bater na trave. Mas foi na finalização, em que é tão capacitada, que "Viv" mostrou sua qualidade como havia tempos não fazia. Aos 18', fez o segundo gol holandês, ao receber passe de Peddemors e driblar Kim Mi-yeoh. Aos 32', o terceiro de Miedema, em chute da entrada da área. E aos 38', seu quarto, complementando triangulação iniciada por Pelova e continuada por Lynn Wilms. Pela primeira vez, uma atacante da seleção feminina neerlandesa fez quatro gols no primeiro tempo. Sinal inequívoco do que Miedema ainda pode dar. E ainda poderia ser mais: a goleira Kim Min-jung pegou firme o arremate da camisa 9, aos 27 minutos.

Mesmo com o destaque absoluto de Miedema, outras reapareceram. Como Peddemors, com um passe para gol, ela mesma fazendo o quinto e completando a goleada ainda antes do intervalo, aos 42'. Ou Pelova, que quase fez, já no segundo tempo, chutando no travessão aos 50'. Ou até Leuchter, que mesmo perdendo muitas chances, teve novamente boa atuação. Ou Chasity Grant, oferecendo velocidade pela ponta esquerda. 

Enfim, várias jogadoras fundamentaram a boa impressão que a Holanda deu nestas datas FIFA femininas que encerraram 2025. No ano que vem, será necessário crescer já no começo, com o início das eliminatórias da Copa de 2027. E a impressão é de que as Leoas Laranjas já crescerão. 

Amistosos

Portugal 1x2 Holanda
Data: 28 de novembro de 2025
Local: Estádio Municipal (Braga)
Árbitra: Laura Mauricio (Suíça)
Gols: Chasity Grant, aos 21', Lynn Wilms, aos 24', e Andreia Faria, aos 42'

PORTUGAL
Patrícia Morais; Beatriz Fonseca (Lúcia Alves, aos 60'), Carole Costa, Diana Gomes e Catarina Amado; Dolores Silva, Tatiana Pinto (Fátima Pinto, aos 61') e Andreia Faria (Érica Cancelinha, aos 79'); Francisca Nazareth (Andreia Jacinto, aos 39'), Ana Capeta (Carolina Santiago, aos 79') e Telma Encarnação (Jéssica Silva, aos 61'). Técnico: Francisco Neto

HOLANDA
Lize Kop; Lynn Wilms (Caitlin Dijkstra, aos 61'), Dominique Janssen (Lieske Carleer, aos 61'), Ilse van der Zanden (Veerle Buurman, aos 61') e Kerstin Casparij; Damaris Egurrola Wienke, Wieke Kaptein (Lynn Groenewegen, aos 84') e Ella Peddemors; Victoria Pelova (Nina Nijstad, aos 61'), Romée Leuchter e Chasity Grant (Danique Tolhoek, aos 84'). Técnico: Arjan Veurink


Holanda 5x0 Coreia do Sul
Data: 2 de dezembro de 2025
Local: Mandemakers Stadion (Waalwijk)
Árbitra: Frederikke Sokjaer (Dinamarca)
Gols: Vivianne Miedema, aos 9', aos 18', aos 31' e aos 38', e Ella Peddemors, aos 42'

HOLANDA
Lize Kop; Lynn Wilms (Kerstin Casparij, aos 64'), Caitlin Dijkstra (Veerle Buurman, aos 64'), Dominique Janssen (Lieske Carleer, aos 70') e Marisa Olislagers; Damaris Egurrola Wienke, Vivianne Miedema (Lynn Groenewegen, aos 64') e Ella Peddemors (Nina Nijstad, aos 64'); Chasity Grant, Romée Leuchter e Victoria Pelova (Kayleigh van Dooren, aos 80'). Técnico: Arjan Veurink

COREIA DO SUL
Kim Min-jung; Kim Jin-hui, Kim Min-ji (Kang Chae-rim, aos 46'), Kim Mi-yeon e Hoh Jin-young; Lee Min-hwa, Ji So-yun (Lee Eun-young, aos 82') e Lee Su-bin (Choe Joo-ri, aos 64'); Son Hwa-yeon (Casey Phair Yu-jin, aos 70'), Park Soo-jeong (Soo Jae-eun, aos 64') e Cho Hyo-joo. Técnica: Shin Sang-woo