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quarta-feira, 27 de maio de 2026

A Holanda na Copa de 2026: a comissão técnica

AUXILIARES

(KNVB Media/Divulgação)

Erwin Koeman (20 de setembro de 1961)

Antes mesmo de começarem seus caminhos no futebol, Erwin esteve sempre ao lado do técnico Ronald Koeman. Aliás, chegou até antes mesmo dele, irmão dois anos mais velho que é. Durante a infância, o futebol sempre foi o passatempo preferido da dupla de irmãos - algo também previsível, sendo o pai de ambos, Martin Koeman (1938-2013), também jogador profissional. O começo de carreira de Erwin, meio-campista mais recuado, foi no mesmo Groningen onde o irmão mais novo iniciaria a carreira profissional. Aí, o decorrer da carreira de ambos foi diferente. Mas mesmo que Erwin Koeman tenha ficado mais restrito a clubes do país natal (três passagens pelo Groningen, outras duas pelo PSV, e uma destacada no Mechelen, da Bélgica, onde foi campeão da antiga Recopa Europeia 1987/88), os dois irmãos Koeman se encontraram na seleção da Holanda (Países Baixos), em duas grandes competições. Juntos comemoraram o título da Euro 1988. Juntos amargaram a decepção da Laranja na Copa de 1990. Mas se Ronald foi um dos grandes símbolos daquela geração da Laranja, na defesa, Erwin teve trajetória um pouco mais discreta no meio-campo: 31 jogos e dois gols, entre 1983 e 1994 - esteve cotado, esteve até no álbum, mas ficou fora da Copa do Mundo daquele ano.

Carreira encerrada dentro de campo, fora dele Erwin Koeman também teve passagens mais discretas do que Ronald no banco, como técnico. Feyenoord (2005 a 2007), seleção da Hungria (2008 a 2010), Utrecht (2011)... até que o irmão mais novo decidiu trazer o mais velho para ser seu auxiliar técnico constante. Nas andanças de Ronald treinando times ingleses, por Southampton (2014 a 2016) e Everton (2016 a 2017), Erwin Koeman era seu auxiliar. Mas ficou de fora da primeira passagem de Ronald Koeman pela seleção holandesa: trabalhou então junto a Phillip Cocu, na curta passagem deste pelo Fenerbahçe-TUR, em 2018. Aí, voltou a ser treinador, comandando a seleção do Omã rapidamente, em 2019. Porém, no ano seguinte, também como o irmão, a saúde lhe deu um susto: problemas cardíacos forçaram Erwin a passar por uma cirurgia. Recuperado, ainda teve passagem treinando o Beitar Jerusalém (Israel) em 2021, mas preferiu encerrar ali sua carreira como técnico. Só voltaria à beira do campo como auxiliar. Quem lhe deu a chance? O irmão Ronald Koeman: ao montar sua comissão técnica para a volta à Holanda, em 2023, Ronald fez de Erwin seu auxiliar. E ambos irão juntos à Copa de 2026. Mais um capítulo de uma união consolidada até em estátuas: a família Koeman - além dos dois, o pai Martin - está imortalizada à frente do estádio do Groningen, onde tudo começou.

(KNVB Media/Divulgação)

Wim Jonk (12 de outubro de 1966)

Quando jogador, Wim Jonk era bom meio-campista. Capaz de marcar e atacar, tendo no chute de fora da área sua principal qualidade, teve passagens elogiáveis por Ajax - campeão da antiga Copa da UEFA, em 1991/92 -, Internazionale - mais um título de Copa da UEFA, em 1993/94 - e PSV - no time de Eindhoven, Jonk jogou com Vampeta e Ronaldo. Seu bom nível técnico o levou à seleção da Holanda (Países Baixos). E não foi para ser coadjuvante, pelo menos em Copas do Mundo (foi reserva na Euro 1992). No Mundial de 1994, Jonk jogou todos os minutos da Laranja em campo, fez dois gols - ambos em chutes de fora da área, nos 2 a 1 na Arábia Saudita, na fase de grupos, e nos 2 a 0 na Irlanda, nas oitavas de final. Na França, em 1998, Jonk só ficou de fora das oitavas de final, contra a Iugoslávia. Ou seja: Jonk esteve em duas partidas marcantes da Holanda contra o Brasil. Nas quartas de final da Copa de 1994, inclusive, cometeu em Branco a falta que resultaria no terceiro gol brasileiro; na semifinal da Copa de 1998, só saiu de campo já no segundo tempo da prorrogação, aos seis minutos.

Terminada a carreira nos campos, Jonk ficou muito vinculado a trabalhos internos. Principalmente quando o assunto era categorias de base. Trabalhando bem com jovens, ele foi um dos indicados por ninguém menos que Johan Cruyff a reestruturar a base do Ajax, em 2011, ficando quatro anos no clube de Amsterdã, só saindo por discordâncias com a direção de futebol de então, que desejava voltar a apostar em contratações mais ousadas. Só voltaria a trabalhar justamente no clube em que surgiu: o Volendam, que o trouxe em 2019, para seu primeiro trabalho como treinador de um time principal. Trabalho de sucesso: após paciente reação, Jonk comandou a campanha que levou os Volendammers de volta à primeira divisão holandesa, na temporada 2021/22. Na temporada seguinte da Eredivisie, ainda foi técnico dos Volendammers em campo; já em 2023/24, em rota de colisão com a diretoria do clube, preferiu voltar aos gabinetes, como diretor de futebol, deixando o auxiliar Matthias Kohler em seu lugar. Sem sucesso: o Volendam foi rebaixado, e Jonk, demitido. Só que, justamente na mesma época - meados de 2024 -, Ronald Koeman ficara sem outro auxiliar técnico, com a saída de Dwight Lodeweges. Decidiu trazer o ex-meio-campista. Assim como foi na Copa de 1994, quando ambos foram titulares absolutos da Laranja, Koeman e Jonk estarão lado a lado nos Estados Unidos. No Canadá e no México também, claro.

(KNVB Media/Divulgação)

Ruud van Nistelrooy (1º de julho de 1976)

Nem é nada tão incomum que Ruud van Nistelrooy esteja numa comissão técnica da seleção masculina da Holanda (Países Baixos). Já em 2014, carreira de atacante encerrada havia três anos, Van Nistelrooy foi chamado para ser auxiliar de Guus Hiddink, trazendo seu respeitável currículo - duas Euros, uma Copa do Mundo, nono maior goleador da história da Liga dos Campeões, oitavo maior goleador da história da seleção holandesa (35 gols, entre 1998 e 2011). Mas o ex-atacante viu de perto uma malograda era da Laranja, com a demissão de Hiddink, a promoção de seu colega Danny Blind a treinador, o fracasso nas eliminatórias da Euro 2016. Àquela altura, Ruud já começara suas aspirações a virar técnico também em clubes, trabalhando na base do PSV em que começara a se destacar. Sua primeira passagem pela comissão técnica da Holanda acabou em 2017, mas sua ascensão no PSV continuou, alcançando a equipe B do clube em 2021. Não sem antes uma breve volta à Laranja: para a Euro 2020+1, foi chamado às pressas pelo técnico de então, Frank de Boer, e o auxiliou no torneio. Não demorou muito, e em 2022, antes mesmo do que queria, Van Nistelrooy foi confirmado para treinar o time principal do PSV. Até que seu trabalho teve pontos elogiáveis, culminando no ápice do título da Copa da Holanda, na temporada 2022/23. Contudo, foi considerado técnico exigente demais, a ponto de entrar em rota de colisão com alguns jogadores (o esforço e o foco extremos de Ruud eram notáveis desde seus tempos de atacante destacado). 

A caminho de romper até com o diretor de futebol do PSV então, John de Jong, Van Nistelrooy foi demitido antes mesmo da temporada 2022/23 acabar. Ficou um tempo inativo, até ser chamado por Erik ten Hag, em 2024, para ser seu auxiliar técnico em outro clube no qual marcou época: o Manchester United (é o 11º maior goleador da história dos Diabos Vermelhos, com 150 gols feitos entre 2001 e 2006). Com a demissão de Ten Hag, chegou mesmo a ser técnico interino do United, em quatro jogos. Saindo após a chegada do português Rúben Amorim, Van Nistelrooy teria chance para valer no Leicester City, ainda na temporada 2024/25. Sem sucesso: as Raposas foram rebaixadas na Premier League, e Van Nistelrooy rescindiu contrato. Estava inativo. Mas sua imagem no futebol holandês ainda era forte a ponto de lhe render respeito contínuo das gerações posteriores. Em janeiro, Ronald Koeman lhe convidou. E o ex-atacante aceitou voltar para a terceira passagem como auxiliar técnico da Holanda, sendo uma espécie de "ouvidor" dos atletas, que também o respeitam. Falando ao site oficial da seleção, Van Nistelrooy comemorou: "É ótimo estar de volta". E espera ter como auxiliar, em 2026, uma lembrança melhor de Copas do que quando jogou, em 2006, quando, mesmo marcando um gol, teve problemas com o técnico Marco van Basten.

TREINADOR DE GOLEIROS

(KNVB Media/Divulgação)

Patrick Lodewijks (21 de fevereiro de 1967)

Patrick Lodewijks surgiu num bom momento do PSV: como reserva de Hans van Breukelen no gol, fez parte da campanha histórica da Tríplice Coroa do clube de Eindhoven, na temporada 1987/88. Mas não seria por lá que sua carreira de goleiro ganharia regularidade, e sim no Groningen, onde Lodewijks passaria nove anos. Nunca chegaria à seleção da Holanda (Países Baixos) como jogador, mas ganharia respeito o suficiente para não só voltar ao PSV e ainda passar pelo Feyenoord, como ser - pouca gente sabe - incluído na pré-convocação da Holanda para a Copa de 2006, já aos 39 anos de idade. Ao final da temporada 2006/07, carreira encerrada, prontamente Lodewijks começou a ser treinador de goleiros, no próprio Feyenoord. Passaria ainda pelo Groningen, e também teria sua primeira experiência na seleção masculina da Holanda, durante a fugaz passagem de Guus Hiddink, entre 2014 e 2015.

Mas Lodewijks só conheceu (e se tornou membro de confiança das comissões técnicas de) Ronald Koeman a partir de 2016, quando trabalhou sob o comando do técnico no Everton-ING. Ganhou a confiança suficientemente para se voltar a ser treinador de goleiros da Laranja quando Koeman teve sua primeira passagem por lá, entre 2018 e 2020. Nem mesmo a saída para o Barcelona colocou risco à sua passagem: o sucessor, Frank de Boer, também manteve Lodewijks como seu treinador de goleiros. Somente após a Euro 2020+1 é que ele deu lugar a outro - Frans Hoek, o treinador preferencial para os arqueiros de Louis van Gaal, que voltava então à seleção holandesa. Mas com a saída de Van Gaal e a volta de Ronald Koeman à Laranja, Lodewijks também voltou a treinar os goleiros do selecionado neerlandês. Adotando um estilo prático, conseguiu ajudar a solucionar a roda-viva na posição. E pela primeira vez, viverá a experiência de um grande torneio com a seleção holandesa. Ainda que no banco.

DEMAIS INTEGRANTES

Preparadores físicos - Jan Kluitenberg e Martin Cruijff
Chefe de logística - Cor Asp
Cientista esportivo - David van Maurik
Fisioterapeutas - Ricardo de Sanders, Gert-Jan Goudswaard e Luc van Agt
Médicos - Edwin Goedhart e Rien Heijboer
Massagistas - Rob Koster
Analistas de desempenho - Cees Lok, Gert Aandewiel e Dennis Demmers

sábado, 21 de junho de 2025

O guia da Holanda na Euro feminina 2025: Comissão técnica

TÉCNICO
(KNVB Media/Divulgação)

Andries Jonker 

Ficha técnica
Nome: Andries Jonker
Data e local de nascimento: 22 de setembro de 1962, em Amsterdã (Holanda)
Carreira como treinador: ZFC (clube amador, 1987 a 1988), DRC (clube amador, 1989 a 1991), Volendam (1999 a 2000), seleção feminina da Holanda (2001, como interino, e 2022 a 2025 - saída já anunciada para depois da Euro), MVV Maastricht (2004 a 2006), Willem II (2007 a 2009, acumulando com o cargo de diretor técnico), Bayern de Munique-ALE (2011, interino, e 2011 a 2012, treinando o time B), Wolfsburg-ALE (2017) e Telstar (2019 a 2022, acumulando com o cargo de diretor técnico)
Carreira como auxiliar: Volendam (1997 e 1999), Barcelona-ESP (2002 a 2003), Willem II (2006 a 2007), Bayern de Munique (2009 a 2011) e Wolfsburg-ALE (2012 a 2014)
Carreira como diretor: Federação holandesa (1990 a 1997 e 2000 a 2003, como diretor de seleções regionais e categorias de base) e Arsenal-ING (2014 a 2017, como diretor das categorias de base)

Impossível dizer que Andries Jonker fez um trabalho ruim comandando a seleção feminina da Holanda (Países Baixos). Desde que chegou, em setembro de 2022, Jonker até conseguiu atender à intenção da federação - e das principais jogadoras do grupo: deixar a equipe um pouco mais ofensiva, mais livre das amarras vistas nos curtos tempos sob o comando de Mark Parsons. A prova disso foi a campanha razoável na Copa do Mundo de 2023: se as Leoas Laranjas não brilharam, tiveram um papel mais vistoso por mudanças táticas, como escalar nas laterais Victoria Pelova e Esmee Brugts, meio-campista e atacante de origem, ou fazer a seleção neerlandesa jogar com três zagueiras (uma delas, Sherida Spitse, que já perdia velocidade como meio-campista). Conseguir superar a Inglaterra na fase de grupos da Liga das Nações 2023/24, à custa de muito esforço, para ter a perspectiva de uma vaga no torneio olímpico de Paris-2024, também abria perspectivas para o trabalho de Jonker.

Porém, 2024 fez a seleção neerlandesa cair na real. Entre os "quatro finalistas" da Liga das Nações, duas derrotas, nenhum gol marcado, nada de vaga olímpica. As eliminatórias da Eurocopa, no primeiro semestre do ano passado, também indicaram a séria dificuldade laranja para marcar gols. Mais do que isso: indicavam que as soluções táticas encontradas no trabalho de Jonker estavam com o prazo de validade perto do fim. Se ensaiou saudável renovação nas convocações dos amistosos do fim de 2024, Jonker deixou tudo isso de lado quando 2025 chegou. Talvez por isso, talvez pelas limitações cada vez mais claras do trabalho, o anúncio de sua saída quando a Eurocopa acabasse (e seu contrato com a federação holandesa, também) foi compreensível. Jonker até lamentou nas primeiras datas FIFA ("Fiquei surpreso e triste", respondeu em fevereiro), mas agora já segue. Já pensa no que fará. E está otimista pelo que pode ser esta Euro, capítulo final de seu trabalho: "Elas [jogadoras] mostraram muita energia e entusiasmo, isso se viu já no primeiro treino para a Euro. Férias ajudam nisso". Que ajudem numa boa campanha, para que Andries Jonker se despeça da seleção de forma razoável como seu trabalho foi até agora.

(KNVB Media/Divulgação)

Janneke Bijl (auxiliar técnica)

Quando foi escolhida para ser auxiliar de Andries Jonker, em 2022, logo após Jessica Torny sair da federação holandesa para o Feyenoord (o qual ainda treina), Janneke Bijl parecia em formação: rumava para ser a quinta mulher nascida na Holanda/Países Baixos a ter o diploma da UEFA e estar apta a treinar equipes e seleções. Três anos depois, Bijl avançou. Não só pela capacidade tática - fala-se que a ideia de fazer a equipe holandesa jogar com três zagueiras partiu dela -, mas também por saber fazer o "meio-de-campo" com o grupo de jogadoras. Talvez por isso, também deixará a seleção holandesa depois da Eurocopa. Não exatamente para uma experiência como técnica principal, mas para aprender ainda mais com outra holandesa que já tem o diploma da UEFA: Bijl será auxiliar de Sarina Wiegman na Inglaterra. De certa forma, justifica o elogio de Andries Jonker, no podcast Vrouwen 1, do site NU Sport: "Já falei que Bijl, e Renée Slegers [técnica campeã europeia com o Arsenal], são as pérolas do futebol feminino holandês".

(KNVB Media/Divulgação)

Arvid Smit (auxiliar técnico)

Se sua carreira como jogador foi de circulação por vários clubes, principalmente dentro da Holanda/Países Baixos, Arvid Smit ficou mais restrito ao futebol feminino na sua faceta como treinador. Mais precisamente, desde que se tornou auxiliar fixo da seleção holandesa, em 2019, ainda nos tempos de Sarina Wiegman como técnica. Isso o fez conhecedor da modalidade, dentro das fronteiras nacionais, a ponto de muita gente considerar que ele poderia ser o treinador da Holanda (Países Baixos) algum dia. Talvez seja. Mas não agora, porque Smit é mais um nome da comissão técnica das Leoas Laranjas que deixará seu cargo quando a Eurocopa acabar - e como a colega Janneke Bijl, ele também rumará para auxiliar Sarina Wiegman na Inglaterra. Por sinal, o mesmo caminho que fez Arjan Veurink, o técnico que vem aí para os Países Baixos. Quem sabe Arvid repita o mesmo caminho, daqui a uns anos...

(KNVB Media/Divulgação)

Erskine Schoenmakers (treinador de goleiras)

Eis um nome que fará falta. Afinal de contas, Erskine é mais um que deixará a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) após a Euro que vem aí. E após oito anos de trabalho, o treinador de guarda-metas deixou sua marca. Num país que vem mostrando uma crescente criação de boas goleiras, coube a Schoenmakers aprimorar nomes como Loes Geurts, Sari van Veenendaal e Daphne van Domselaar assim que chegavam à equipe principal. Isso, sem contar goleiras menos conhecidas que também já passaram por suas mãos, como Lize Kop e Femke Liefting - esta, eleita a melhor goleira do Mundial Sub-20 de mulheres, no ano passado. Fica a curiosidade sobre como será a sequência de um trabalho tão bom com suas comandadas como Erskine desenvolveu com as goleiras holandesas.

quarta-feira, 29 de maio de 2024

O guia da Holanda na Euro 2024: a comissão técnica

TÉCNICO


Ronald Koeman

Ficha técnica
Nome: Ronald Koeman
Data e local de nascimento: 21 de março de 1963, em Zaandam
Carreira como treinador: Vitesse (2000 a 2001), Ajax (2001 a 2005), Benfica-POR (2005 a 2006), PSV (2006 a 2007), Valencia-ESP (2007 a 2008), AZ (2009), Feyenoord (2011 a 2014), Southampton-ING (2014 a 2016), Everton-ING (2016 a 2017), seleção (masculina) da Holanda (2018 a 2020 e desde 2023) e Barcelona-ESP (2020 a 2021)

(Para saber mais sobre Ronald Koeman, clique aqui para ver o texto feito sobre ele, quando completou 60 anos de idade, em 2023)

Ronald Koeman é um treinador de altos e baixos em sua carreira no banco de reservas (jogando, sabe-se que foi um dos melhores zagueiros europeus de sua geração). E suas duas passagens pela seleção masculina da Holanda (Países Baixos) são uma prova disso, de certa forma. Na primeira, entre 2018 e 2020, Koeman foi decisivo na reabilitação de uma Laranja que andava em fossa abissal, após as ausências na Euro 2016 e na Copa de 2018. Comandou uma equipe intensa, que se beneficiou do salto que deram nomes já conhecidos (Virgil van Dijk), da geração que surgiu e brilhou no Ajax semifinalista da Liga dos Campeões 2018/19 (Matthijs de Ligt e Frenkie de Jong à frente), e provou sua reação indo à final da Liga das Nações, em 2019, e garantindo a vaga na Euro 2020 sem muitos problemas no grupo - com direito a vitória sobre a Alemanha, fora de casa. Certo, o time não era perfeito: Koeman ouvia muitas reclamações sobre escalar Ryan Babel no ataque, por exemplo. Mas era um time consistente, que crescia e poderia ir longe na Euro. Mas veio a pandemia de COVID-19, a Euro 2020 foi adiada, Ronald chegou a ser internado em maio de 2020 (por uma arritmia cardíaca), o Barcelona foi eliminado humilhantemente nas quartas de final da encurtada Liga dos Campeões 2019/20, sondou Koeman pela terceira vez... e ele preferiu realizar o sonho de treinar o clube em que fez história como jogador, deixando a seleção da Holanda. Decisão até bem compreendida no país: sonho é sonho.

O trabalho no clube blaugrana foi mediano, na melhor das hipóteses: bem ou mal, mesmo sem um bom nível de jogo, Koeman treinou o time no título da Copa do Rei (2020/21). E na pior das hipóteses, foi traumático, com as saídas conturbadas de Luis Suárez - por escolha de Koeman - e, acima de todas, Lionel Messi. Demitido do time catalão ainda em 2021, estava claro desde que Louis van Gaal voltou à seleção com prazo de validade (até a Copa de 2022): se Koeman fosse convidado, voltaria a treinar a Laranja, até como um modo de "terminar o que começara". De fato, houve pouca surpresa quando seu retorno foi anunciado, em abril de 2022, para (re)começar em 2023. Ainda assim, até agora, o trabalho de Koeman fica longe de ser promissor como na primeira passagem. O discurso de retomar o jeito ofensivo de jogar, após as críticas ao excesso de pragmatismo visto na Copa, foi superado por uma realidade preocupante, ao patinar nas eliminatórias da Euro e decepcionar nas decisões da Liga das Nações, terminando-a em 4º lugar. Aí, Koeman voltou atrás, voltou a escalar a Holanda com três zagueiros, voltou a tomar mais cuidados defensivos... e a vaga na Euro foi garantida sem muitos problemas. De mais a mais, o comando de Koeman dentro da Holanda deve ser respeitado: quando nada, trata-se do único nome a ter treinado e jogado nos três grandes do país, além de ter sido capitão da Laranja em duas Copas (1990 e 1994). E pelo menos, agora não há clube que o faça desistir do único objetivo que ainda tem: treinar a Laranja numa Copa do Mundo.

AUXILIARES


Erwin Koeman

De um certo modo, Erwin Koeman sempre andou perto de Ronald. Até pelo motivo imaginável, irmão dois anos mais velho que é. De mais a mais, ambos sempre jogaram juntos na infância (quando nada, porque o falecido pai de ambos, Martin Koeman, também era jogador). Começaram a carreira juntos, no Groningen. E mesmo que os caminhos tenham se separado em clubes - o meio-campista Erwin ficou mais postado no Groningen, onde passou por três vezes, além de também ter jogado pelo PSV e pelo Mechelen-BEL -, juntaram-se na seleção: os irmãos Koeman foram titulares na conquista da Euro 1988 (Ronald na zaga, Erwin no meio), e figuraram na decepção da Copa de 1990. 

O tempo passou, ambos pararam de jogar, fizeram carreira como técnicos... e o irmão mais velho fez trabalhos mais discretos do que o irmão. Feyenoord (2005 a 2007), seleção da Hungria (2008 a 2010), Utrecht (2011)... até que Ronald decidiu fazer de Erwin o seu braço-direito. Juntos, ambos trabalharam nas duas passagens inglesas do irmão mais novo, por Southampton e Everton (Ronald treinando, Erwin auxiliando). Depois, Erwin ainda foi auxiliar do curto trabalho de Phillip Cocu no Fenerbahçe-TUR, em 2018. Logo após um trabalho treinando o Omã, ele teve um susto em 2020: como o irmão, teve problemas cardíacos, passando por uma cirurgia. Plenamente recuperado, ainda comandou o Beitar Jerusalém, em Israel. Mas decidiu, pouco depois: preferiria ser auxiliar. Ficou inativo até 2023, quando o irmão o convidou para voltar a acompanhá-lo. Desta vez, na seleção masculina da Holanda (Países Baixos). E não deixa de ser especial que ambos voltem juntos a uma Euro, na Alemanha, 36 anos depois de conquistarem o título jogando. 


Dwight Lodeweges

No primeiro trabalho de Ronald Koeman pela Holanda (Países Baixos), ficou marcante um bilhete, entregue a Virgil van Dijk, orientando como o time deveria jogar nos minutos finais do 2 a 2 contra a Alemanha, na última rodada da fase de grupos da Liga das Nações, em novembro de 2018. Pois bem: o autor daquele bilhete, muitos dizem, foi Dwight Lodeweges, já auxiliar de Koeman naquela primeira passagem. Até ali, Lodeweges - holandês nascido no Canadá, zagueiro durante a carreira nos campos - se consolidara como um treinador de passagens esparsas, sem ficar muito tempo em clubes (Go Ahead Eagles, Zwolle, Groningen, Heerenveen, trabalhos no Japão, uma passagem como interino no PSV), mas que tinha um olhar experiente para futebol e sabia ajudar, discretamente. Por isso, foi o escolhido de Koeman para ser seu braço-direito na primeira passagem pela seleção. 

E quando Koeman rumou para o Barcelona, coube a Dwight, até, ser técnico interino da Holanda, nas duas primeiras rodadas da Liga das Nações (uma vitória sobre a Polônia, uma derrota para a Itália), em setembro de 2020, entre a saída do antecessor e a chegada de Frank de Boer. Trabalho feito, Lodeweges seguiu seu caminho anônimo: auxiliar no Zwolle (2021), treinando equipes amadoras (VVOP e VVOG, entre 2022 e 2023)... até que ficou inativo. Assim continuaria. Até que Sipke Hulshoff, auxiliar técnico de Koeman na segunda passagem (e também de Arne Slot, no Feyenoord), foi acompanhar Slot exclusivamente no Liverpool, semanas atrás. Cargo vago, em quem Koeman pensou para ser outro auxiliar, às pressas? No velho conhecido Dwight Lodeweges, que estará a seu lado na Euro. É verdade este bilhete...



Michael Reiziger

Experiência em campo, Michael Reiziger teve: titular da lateral direita da seleção da Holanda (Países Baixos) por 10 anos, presença no histórico Ajax campeoníssimo entre 1994 e 1996, passagens por Milan (discreta) e Barcelona (razoável), uma Copa do Mundo e três Euros no currículo... enfim, uma trajetória muito apresentável e apreciável. Mas está começando como treinador. Até agora, Reiziger passou grande parte dos últimos anos no Ajax que tão bem conhece: técnico da equipe B entre 2017 e 2019 - com um jogo treinando interinamente a equipe principal, em 2017 -, auxiliar técnico do time principal entre 2019 e 2023, o ex-lateral decidiu cuidar da própria vida no ano passado. Teve uma grande chance, recebendo o convite para treinar a seleção sub-21 masculina da Holanda, iniciando a preparação para a Euro da categoria, em 2025, na Eslováquia. Até agora, Reiziger aproveita muito bem: a Laranja Jovem está na rota da vaga, perfeita nas eliminatórias da Euro jovem (7 jogos, 7 vitórias, 21 gols marcados, só dois sofridos). Ronald Koeman prestou atenção. E fará de Reiziger um "auxiliar de luxo" na Euro principal. Até para que ele possa levar mais lições para sua carreira que está começando.

TREINADOR DE GOLEIROS


Patrick Lodewijks

Lodewijks já foi experiente como goleiro: começando a carreira no PSV (era reserva de Hans van Breukelen no título europeu do clube de Eindhoven, em 1988), jogou a maior parte do tempo no Groningen (1989 a 1998), e teve papel importante já veterano, no Feyenoord - pouco se sabe, mas Lodewijks fez parte da pré-convocação da Holanda para a Copa de 2006, aos 39 anos. No ano seguinte, carreira encerrada, ele já se tornou imediatamente treinador de goleiros do próprio Stadionclub. Por lá ficou nove anos. Teve uma primeira passagem treinando os arqueiros da seleção na fugaz volta de Guus Hiddink, entre 2014 e 2015. Mas só conheceu (e se tornou homem de confiança das comissões de) Ronald Koeman ao trabalhar com ele no Everton-ING, entre 2016 e 2017. Já bastou para que fosse o treinador dos guarda-metas da Laranja na primeira passagem de Koeman como treinador por lá. Koeman saiu, Frank de Boer chegou... e Lodewijks ficou. Só saiu com a chegada de Louis van Gaal, que trouxe a tiracolo seu treinador de goleiros preferido, Frans Hoek. Mas Koeman retornou, e Lodewijks voltou. E tentará fixar algum titular absoluto, numa posição sofrendo com tanta inconstância, baseado em seu estilo prático de treinos.

DEMAIS INTEGRANTES

Jan Kluitenberg e Martin Cruijff - preparadores físicos
Ricardo de Sanders, Gert-Jan Goudswaard e Luc van Agt - fisioterapeutas
Edwin Goedhart e Rien Heijboer - médicos
Rob Koster - massagista

sexta-feira, 30 de junho de 2023

A Holanda na Copa feminina - a comissão técnica

AUXILIARES

(KNVB Media/Divulgação)

Janneke Bijl
Há quatro mulheres holandesas que possuem o diploma da UEFA, estando aptas a treinarem equipes - femininas e masculinas - no mundo. E Janneke Bijl está estudando para ser a quinta. Ex-defensora (podia jogar tanto na zaga quanto no meio-campo) com passagens por Twente e PSV, Janneke vinha treinando a seleção sub-16 da Holanda até o ano passado. Foi quando Jessica Torny se cansou. Também ex-jogadora, já frequentando as comissões técnicas da seleção feminina principal desde a passagem de Sarina Wiegman, Torny acumulava o comando da seleção sub-20 ao posto de auxiliar de Mark Parsons. Cogitada para sucedê-lo, Torny não só recusou (achava que ainda tinha o que vivenciar na carreira), como preferiu deixar as seleções no começo deste ano, começando a treinar para valer no Feyenoord. Caminho aberto para Bijl - quatro jogos pela seleção da Holanda, entre 2002 e 2005 - ser escolhida para auxiliar Andries Jonker. E já ganhar certa ascendência sobre o técnico: fala-se que partiu dela a ideia de começar a escalar a Holanda com três zagueiras. Com a experiência, ela já se credencia para se juntar à lista mencionada no começo do texto, que tem nomes como Vera Pauw e Sarina Wiegman.


(KNVB Media/Divulgação)

Arvid Smit
Como meio-campista, Smit teve até uma carreira meteórica. Tendo começado bem pelo Telstar, em 2000, ele logo chamou a atenção do PSV, que o contratou em 2004. Só que Smit jogou pouco em Eindhoven: passou o tempo sendo mais emprestado a outros clubes (De Graafschap, Groningen, Willem II). Só se estabilizou um pouco ao mudar de país: Smit fez boa temporada em Portugal, pelo Marítimo, em 2007/08, passando ainda pelo União Leiria antes de voltar ao país natal, encerrando a carreira precocemente (30 anos), em 2011, no Telstar em que começara. Desde então, começou a ser treinador em equipes amadoras. Mas foi no futebol feminino - e na federação holandesa - que Smit se tornou íntimo dos trabalhos em comissões técnicas. Auxiliar fixo da seleção de mulheres desde 2019, ajudou Sarina Wiegman na reta final de sua passagem. E a proximidade do grupo aumentou tanto que o fez figura importante nos trabalhos de Mark Parsons - e, agora, no de Andries Jonker.

TREINADOR DE GOLEIRAS

(KNVB Media/Divulgação)

Erskine Schoenmakers
Nenhum membro da comissão técnica da seleção feminina da Holanda (Países Baixos) tem vivência tão longa junto das jogadoras quanto Erskine. Treinador de goleiros das Leoas Laranjas desde 2016, ele viveu toda a evolução da equipe de mulheres nos últimos anos. E é considerado nome decisivo por aprimorar nomes como Loes Geurts, Sari van Veenendaal e Daphne van Domselaar. Schoenmakers se vale de rotina pesada de exercícios junto às três guarda-metas costumeiramente convocadas, sejam quais forem. E chama a atenção uma prática pouco usual: além dos treinos básicos de chutes e pênaltis, ele carrega uma tela portátil pela área, pedindo que as três joguem a bola na tela. Que vira um "rebatedor", para que elas possam praticar saltos que busquem a esférica. 

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Os holandeses na Copa: a comissão técnica

AUXILIARES

(Divulgação/KNVB Media)

Danny Blind
O ex-zagueiro tem larga experiência, dentro e fora de campo. Dentro, teve carreira de êxito: ídolo de Sparta Rotterdam e Ajax, foi um dos únicos holandeses a vencer todos os torneios europeus de clubes como jogador. Entretanto, fora, sua faceta como treinador nunca embalou: mais pelo respaldo interno do que pela capacidade, o pai de Daley só comandou Ajax, entre 2005 e 2006, e a própria seleção, entre 2015 e 2017, sem conseguir mudar muito uma péssima fase que a Laranja vivia. Ainda assim, Blind é homem de confiança de Louis van Gaal, desde os tempos de jogador. Em campo, era o capitão do Ajax campeoníssimo dos anos 1990 que o técnico comandou. No banco, foi o auxiliar dele na Copa de 2014. E tão logo se confirmou o retorno de Louis, ele foi nome confirmado de primeira hora na comissão técnica. Também deixará a seleção após a Copa - muito provavelmente, para voltar a ser diretor de futebol do Ajax, clube ao qual sempre esteve vinculado, de um jeito ou de outro.

(Divulgação/KNVB Media)

Edgar Davids
Como jogador, o "Pitbull" dispensa maiores comentários. Foi dos melhores volantes de sua geração (anos 1990/2000), combativo na marcação e capacitado na saída de bola, com bons serviços prestados a muitos grandes clubes - o Ajax em que surgiu, Juventus, Barcelona, Internazionale (nem tanto no Milan, outro gigante em que jogou). Aliás, sua experiência como técnico se iniciou ainda jogando: em 2012, após um período de inatividade, Davids retornou aos campos como "jogador-treinador" do Barnet, da terceira divisão inglesa. Jogando com o número 1 na camisa, lá ficou até 2014. E sua carreira incipiente entrou em hibernação... até 2020, quando ele voltou a uma comissão técnica, trabalhando no Telstar, da segunda divisão da Holanda (Países Baixos). No ano seguinte, a primeira experiência para valer: foram seis meses no Olhanense, de Portugal. Depois, estava à disposição. E a seleção masculina da Holanda precisava de um auxiliar, após Henk Fräser decidir comandar o Utrecht. Quem poderia ser melhor do que um jogador tão referencial para o grupo de hoje? E Davids estará ao lado de Van Gaal no banco de reservas. Com um óculos mais social do que o modelo esportivo que o tornou famoso como jogador, usado para minimizar efeitos de um glaucoma.

TREINADOR DE GOLEIROS

(Divulgação/KNVB Media)

Frans Hoek
Mais do que Louis van Gaal, foi Frans Hoek o responsável pela célebre alteração de Jasper Cillessen por Tim Krul nas quartas de final da Copa de 2018. Goleiro que passou toda a carreira (1973 a 1985) no Volendam, Hoek começou a treinar arqueiros em 1986, convidado por Johan Cruyff para entrar na comissão técnica do Ajax. A partir dali, começou a desenvolver o que ficou conhecido como "Método Hoek", buscando integrar a posição ao jeito de jogar do clube em que ele estava. O trabalho feito na comissão de Van Gaal dentro do Ajax, ajudando Edwin van der Sar a se desenvolver no gol (com as mãos e os pés), começou a catapultar Hoek rumo ao posto de um dos mais prestigiados treinadores de goleiros do mundo, até hoje prestando clínicas e palestras sobre a posição, além de aconselhar outros treinadores da posição. Além disso, Van Gaal ganhou em Hoek mais um "homem de confiança": trabalharam juntos em Ajax, Barcelona (Hoek também foi decisivo na evolução de Victor Valdés), Bayern de Munique, nas duas passagens de Louis pela seleção holandesa. Quando ele foi convidado pela terceira vez para comandar a Laranja, já sabia de antemão qual seria seu treinador de goleiros. 

DEMAIS INTEGRANTES

Jan Kluitenberg e Martin Cruijff - preparadores físicos
Fernando Arrabal - diretor de organização da delegação
David van Maurik - cientista do esporte
Ricardo de Sanders, Gert-Jan Goudswaard e Luc van Agt - fisioterapeutas
Edwin Goedhart e Rien Heijboer - médicos
Rob Koster - massagista
Cees Lok, Gert Aandewiel e Dennis Demmers - analistas de desempenho