A cabeça baixa de Romée Leuchter indica: as últimas rodadas da Liga das Nações deixaram muita preocupação sobre a seleção feminina da Holanda, com vistas à Euro (Stan Oosterhof/Soccrates/Getty Images)
Desde que saiu o sorteio dos grupos da Eurocopa feminina, as perspectivas sobre a seleção da Holanda (Países Baixos) são mistas. Ao mesmo tempo em que enfrentar Inglaterra (atual campeã) e França já será certeza de grandes desafios desde a fase de grupos, ficavam as esperanças de que as Leoas Laranjas teriam, sim, condições de vencerem o equilíbrio e irem às quartas de final, por terem um time entrosado, com boas jogadoras - a começar do gol, com Daphne van Domselaar em ótima forma, e seguindo até a esperança de que Vivianne Miedema se livre das lesões. Pois é: as esperanças diminuíram bastante, com as últimas rodadas da fase de grupos da Liga das Nações. Já teriam diminuído só com os 4 a 0 sofridos para a Alemanha, na sexta-feira passada. O empate em 1 a 1 com a Escócia - lanterna do grupo 1 da Liga A, sem pontos até esta terça-feira - apenas deixou mais dúvidas sobre as capacidades neerlandesas. Dúvidas despertadas desde o primeiro minuto de bola rolando contra as alemãs.
Nem demorou tanto assim para a Alemanha começar a acelerar a troca de passes, começar a envolver a defesa holandesa, começar a chegar perto do gol. Foi assim já aos 8', quando Giulia Gwinn recebeu passe de calcanhar de Klara Bühl e chutou. Daquela vez, Dominique Janssen bloqueou. No minuto seguinte, após rebote parcial de escanteio, não houve jeito: Bühl cruzou, Janina Minge ajeitou, e Linda Dallmann completou com precisão, no ângulo esquerdo de Lize Kop, para fazer 1 a 0. Era só o começo: as alemãs acuavam as holandesas na defesa, tentavam cruzamentos pelos dois lados, não davam espaço para a Holanda tentar a troca de passes (e nem a Holanda tentava, a bem da verdade). Jeroen Elshoff, narrador da emissora NOS, lamentava: "Het is bijna niet te stoppen" - em holandês, "quase não dá para parar".
A única menção leve de ataque holandês foi aos 21': em escanteio cobrado por Jill Roord, a zagueira Buurman cabeceou, mas a goleira Ann-Katrin Berger pegou. Nada que a Alemanha não restabelecesse rapidamente. Primeiro, aos 23', quando Lea Schüller cabeceou para fora. Depois, com o segundo gol, aos 25': Kerstin Casparij (atuação muito frágil na marcação) perdeu a bola, Sjoeke Nüsken passou para Jule Brand, esta cruzou, e Lea Schüller desviou rasteiro. E foram mais jogadas alemãs, diante de uma Holanda frágil na defesa - principalmente nas laterais, com Casparij e Esmee Brugts sem conseguirem conter nem Minge, nem Gwinn, nem Bühl (talvez o nome do jogo). Com a fragilidade, vieram os espaços que normalmente vêm quando as Leoas Laranjas jogam mal. E foram aproveitados no último minuto do primeiro tempo, quando Minge lançou e Sarai Linder veio da lateral esquerda para, livre, correr com a bola até a área, tocar na saída de Kop e fazer 3 a 0.
Vieram alterações ao final do intervalo. Sherida Spitse para, quem sabe, fortalecer a saída de bola da defesa; Lynn Wilms para fortalecer a marcação na direita, no lugar de Casparij; e Victoria Pelova tentando manter a bola no meio-campo, nas poucas vezes em que a Holanda a tivesse. Mudanças? Antes mesmo que elas talvez tivessem efeito, Dallmann deu passe de calcanhar que deixou Gwinn livre para cruzar a bola na cabeça de Schüller, superando Spitse na marcação para transformar a vitória por 3 a 0 em goleada (4 a 0). Goleada que poderia ter ficado maior ainda aos 56', quando Bühl, onipresente, cobrou escanteio, e Roord tirou em cima da linha para evitar o gol olímpico. Ou mesmo aos 65', quando Kop rebateu chute da meio-campista alemã. Chances, para a Holanda, somente nos minutos finais - mais precisamente, nos acréscimos, quando Wilms cruzou e Daniëlle van de Donk (substituta de Roord) completou para fora. Notas de rodapé numa goleada que fez das alemãs semifinalistas antecipadas da Liga das Nações.
A goleada fez mais: mostrou como a seleção feminina neerlandesa seguia com alguns pontos frágeis rumo à Eurocopa. Claro, haveria mudanças na escalação contra a Escócia, dentro de um cenário em que a preparação para a Eurocopa era mais importante. Tão importante que Vivianne Miedema foi desligada da delegação, nesta segunda, com o técnico Andries Jonker antecipando: a atacante já entrará em preparação, combinada e preparada com o fisiologista da delegação, para chegar ao dia 19, data da apresentação das convocadas para a Euro, em condições de participar do torneio continental. Andries Jonker até evocou uma lembrança masculina: Arjen Robben, machucado no último amistoso holandês antes da Copa de 2010, que só jogou aquele torneio ao se preparar, dia e noite, na semana anterior. "Vivianne é do mesmo tipo dele, e vai fazer de tudo para estar lá no dia 19. Acho que vai dar certo. Ela quer muito estar na Euro, e isso mostra a jogadora de alto nível que é".
Jill Roord foi quem mais apareceu nos (poucos) bons momentos das Leoas Laranjas contra a Escócia (Alex Bierens de Haan/Getty Images)
O alto nível até começou sendo visto no time holandês que enfrentou a Escócia, em Tilburg. Curiosamente, duas conhecidas apareciam mais nas jogadas de ataque: Van de Donk (agora titular) e, principalmente, Jill Roord. Que, desta vez, abriu o placar, aos 10', após tentar uma primeira vez - a goleira Lee Alexander Gibson rebatera a primeira, mas Van de Donk cruzou na sobra. Tendo em vista os espaços que a Holanda tinha para avançar e chutar da entrada da área - Esmee Brugts fez isso aos 16', e Roord, aos 21' e aos 26', com Gibson pegando as duas tentativas -, era de se prever vitória tranquila das Leoas Laranjas.
Previsão que se acabou aos 27', num erro da defesa: Caitlin Dijkstra mandou a bola nos pés de Emma Lawton, que cruzou com precisão para Kathleen Mary McGovern cabecear e fazer 1 a 1 (de volta ao gol, Daphne van Domselaar tentou rebater, mas a bola entrou). A partir dali, a Escócia começou a avançar mais, como se notou no chute cruzado de Mia McAuley, aos 38', para fora, em jogada originada de mais um erro de passe. Pelo menos, a Holanda ainda teve chances na reta final da etapa inicial: novo chute de Roord aos 34', um desvio de Romée Leuchter completando escanteio aos 38', um cabeceio de Victoria Pelova (aniversariante do dia) aos 39', todos rebatidos pela goleira escocesa.
Ficaria pior, para a Holanda. Porque se a Escócia atacou mais nos contragolpes durante os primeiros 45 minutos, no segundo tempo ela dominou. A começar aos 49', quando McAuley forçou Van Domselaar a defender seu chute. Aos 63', Erin Cuthbert arrematou, e com um desvio, a bola passou perto da trave esquerda. E Van Domselaar mostrou a boa fase que vive no gol, na reta final: aos 83', defendeu o arremate de Kirsty Howat, e aos 88', após Brugts errar mais um passe, gerando contra-ataque escocês, Martha Thomas bateu para a camisa 1 holandesa evitar à queima-roupa. A Holanda? Só teve chance digna de nome aos 80', num chute de Roord rente à trave.
Nada que evitasse a incômoda impressão de que a esperança de uma boa Eurocopa ficou menor para a Holanda, após estas datas FIFA. E que o sinal está praticamente vermelho. Só se espera que, após alguns dias de férias, a preparação a partir do dia 19 volte a abri-lo.
Liga das Nações da UEFA - Liga A - Grupo 1
Alemanha 4x0 Holanda
Data:30 de maio de 2025
Local:Weserstadion (Bremen)
Árbitra:Alina Pesu (Romênia)
Gols:Linda Dahlmann, aos 9', Lea Schüller, aos 25' e aos 48', e Sarai Linder, aos 45'
ALEMANHA
Ann-Katrin Berger; Giulia Gwinn (Carlotta Wamser, aos 81'), Janina Minge (Kathrin Hendrich, aos 56'), Rebecca Knaak e Sarai Linder; Elisa Senss (Sara Däbritz, aos 68') e Sjoeke Nüsken; Jule Brand, Linda Dallmann e Klara Bühl (Selina Cerci, aos 68'); Lea Schüller (Giovanna Hoffmann, aos 57'). Técnico: Christian Wück
HOLANDA
Lize Kop; Kerstin Casparij (Lynn Wilms, aos 46'), Dominique Janssen, Veerle Buurman e Esmee Brugts (Sherida Spitse, aos 46'); Jackie Groenen, Wieke Kaptein e Damaris Egurrola Wienke (Victoria Pelova, aos 46'); Chasity Grant, Jill Roord (Daniëlle van de Donk, aos 69') e Romée Leuchter (Katja Snoeijs, aos 84'). Técnico: Andries Jonker
Holanda 1x1 Escócia
Data:3 de junho de 2025
Local:Koning Willem II Stadion (Tilburg)
Árbitra:Silvia Gasperotti (Itália)
Gols:Jill Roord, aos 10', e Kathleen Mary McGovern, aos 27'
HOLANDA
Daphne van Domselaar; Kerstin Casparij (Lynn Wilms, aos 74'), Sherida Spitse (Dominique Janssen, aos 68'), Caitlin Dijkstra e Esmee Brugts; Victoria Pelova (Katja Snoeijs, aos 85'), Wieke Kaptein e Jackie Groenen; Daniëlle van de Donk (Chasity Grant, aos 68'); Jill Roord (Damaris Egurrola, aos 85') e Romée Leuchter. Técnico: Andries Jonker
ESCÓCIA
Lee Alexander Gibson; Emma Louise Lawton, Sophie Howard (Rachel MacLauchlan, aos 46'), Jenna Clark e Amy Muir; Kirsty MacLean (Emma Watson, aos 90' + 4), Erin Cuthbert e Caroline Weir; Mia McAuley (Kirsty Howat, aos 56'), Kathleen Mary McGovern (Martha Thomas, aos 56') e Freya Gregory (Kirsty Smith, aos 46'). Técnico: Melissa Andreatta
A seleção feminina da Holanda (Países Baixos) até terá seu interesse em avançar às semifinais da Liga das Nações, mas encara as datas FIFA pensando na preparação para a Eurocopa (Reprodução)
"Só uma coisa importa. Usaremos este período para nos prepararmos rumo à Eurocopa." Por estas frases do técnico Andries Jonker, na entrevista coletiva de apresentação, já fica claro: a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) estará nas duas últimas rodadas da fase de grupos da Liga das Nações, tem até chance de ainda avançar às semifinais... mas pensará principalmente nos últimos ajustes para a convocação e a reta final da preparação para a Euro feminina, na Suíça, em julho. É com esse espírito, pensando (um pouco) menos em vencer e mais em se aprumar, que as Leoas Laranjas enfrentarão a Alemanha - nesta sexta, 30 de maio, às 15h30 de Brasília, na cidade alemã de Bremen - e a Escócia, fechando o grupo 1 da liga A - na próxima terça, 3 de junho, em Tilburg, também às 15h30 de Brasília.
De certa forma, a convocação para as duas partidas já indicou: ao contrário do que pareceu em 2024, Andries Jonker ainda apostará em boa parte da "geração Euro-2017" para a próxima edição do torneio europeu de seleções de mulheres. Um indício quase gritante disso está no retorno de mais uma veterana às convocações: após um ano e três meses, a atacante Shanice van de Sanden foi novamente relacionada. À primeira vista, pode parecer (e até é) apego excessivo ao passado. Nem tanto, ao se reparar que Van de Sanden marcou sete gols nos últimos quatro jogos que fez pelo Toluca, clube em que atua no México desde janeiro. E como a Liga MX Femenil já tem uma outra representante veterana entre as holandesas (Merel van Dongen, nas Rayadas de Monterrey), fica relativamente justificada a presença da veterana, que avaliou à emissora NOS a roda-viva por que passou nos últimos anos: "Eu me tornei mãe, tive algumas lesões no tornozelo, no tendão de Aquiles (...) Agora está tudo certo: me sinto em forma e posso entregar o que sou capaz de entregar em campo". E foi além: "Fiz isso [jogar no México] também para tentar ir à Euro".
Talvez também tenha sido a vontade de deixar "tudo certo" o motivo para uma mudança que foi tema na coletiva de imprensa de Andries Jonker: a atacante Jill Roord voltando (inesperadamente) ao Twente em que começou a jogar, oito anos depois de deixar os Países Baixos. Roord voltara de séria lesão - ligamento cruzado anterior do joelho - mostrando boas atuações no Manchester City, teria espaço nas Citizens... mas preferiu voltar. O motivo foi até compreensível, explicado no vídeo em que comentou seu retorno ao recém-coroado bicampeão holandês entre as mulheres: "Joguei por clubes fantásticos no exterior, dei tudo de mim por oito anos... mas nos últimos anos, perdi mais o meu prazer de jogar futebol, a minha felicidade. E já acho que vou recuperá-la aqui [no Twente]". Mesmo assim, o técnico até brincou com a surpresa que Roord causou, ao deixar a mais competitiva liga europeia da atualidade para voltar à sua "casa": "Eu quase caí da cadeira, por essa eu não esperava".
Jonker foi mais sério ao criticar o calendário das datas FIFA femininas - com alfinetada especial à própria Liga das Nações ("Essas mulheres sempre precisam continuar jogando. Sempre. As pessoas pensam que elas nunca precisam descansar. Uma hora o gás acaba"). Criticou até mesmo a antecipação da revelação de que Arvid Smit e Janneke Bijl, seus atuais auxiliares técnicos, deixarão a Holanda após a Eurocopa feminina ("Tenho minhas opiniões, mas acho melhor nem falar nada"), rumando para trabalharem ao lado de Sarina Wiegman na comissão técnica da Inglaterra, adversária na fase de grupos da Euro. Em sentido contrário, aliás, virá... Arjan Veurink, atual auxiliar de Sarina (não só nas Lionesses, mas desde os tempos em que ela era a treinadora holandesa), para comandar as Leoas Laranjas após a Eurocopa.
Jonker ressaltou que a Euro é o foco: "Claro, se pudermos vencer na Nations League, pode ser legal, mas tudo gira em torno da Euro". Até por isso, não pestanejará em poupar contra a Alemanha Vivianne Miedema, ainda voltando da lesão muscular sofrida justamente nas últimas datas FIFA ("Espero poder jogar alguns minutos contra a Escócia", desejou a atacante à ESPN holandesa), nem Lineth Beerensteyn, atual goleadora da Liga das Nações, também machucada. Jonker também deixará de fora outra titular absoluta - e muito motivada: a goleira Daphne van Domselaar, celebrada no Arsenal campeão europeu de mulheres. Vinda da festa da vitória em Londres direto para a concentração no centro da federação, na cidade de Zeist, Van Domselaar era só alegria na apresentação ("É fantástico, ainda parece mentira"). Mas até por ainda vir de lesão no tornozelo - para jogar as fases decisivas da Champions, foi poupada nas últimas rodadas da Super League inglesa -, a goleira verá Lize Kop titular contra as alemãs. Entre a dupla holandesa do Arsenal campeão, talvez só jogue Victoria Pelova, também com as memórias da festa na cabeça ("O que vou dizer mais? Foi incrível, foi inesquecível").
Pelova (centro) demorou mais para voltar da festa do título do Arsenal campeão europeu de mulheres, mas vai jogar. Ao contrário de Van Domselaar, que voltou antes, mas está fora contra a Alemanha (KNVB Media/Soccrates Images/Divulgação)
No entanto, mesmo que a Eurocopa importe mais... jogo competitivo é jogo competitivo. E o próprio Andries Jonker lembrou isso, na entrevista coletiva: "Nesta semana, o que importa é a Euro. Mas claro que queremos ganhar". Até porque, na Liga das Nações, nem o empate bastará: com dez pontos no grupo 1 da Liga A, como a Alemanha, a Holanda está atrás no saldo de gols. Então, para tentar ir às semifinais, não há jeito: é necessário ganhar em Bremen para passar à liderança e depender só de si. Ou seja: o que importa é a Eurocopa. Mas se a Holanda avançar na Liga das Nações, ninguém vai chorar. Nem mesmo com um calendário cada vez mais lotado...
As 23 convocadas da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA
Goleiras: Daphne van Domselaar (Arsenal-ING), Lize Kop (Tottenham Hotspur-ING) e Daniëlle de Jong (Twente) - Regina van Eijk (Ajax) estará no grupo contra a Alemanha, substituindo Van Domselaar, que não será relacionada
Defensoras: Kerstin Casparij (Manchester City-ING), Lynn Wilms (Wolfsburg-ALE), Sherida Spitse (Ajax), Dominique Janssen (Manchester United-ING), Caitlin Dijkstra (Wolfsburg-ALE), Veerle Buurman (PSV), Ilse van der Zanden (Utrecht) e Merel van Dongen (Rayadas de Monterrey-MEX)
Meio-campistas: Daniëlle van de Donk (Lyon-FRA), Jackie Groenen (Paris Saint Germain-FRA), Damaris Egurrola Wienke (Lyon-FRA), Wieke Kaptein (Chelsea-ING), Jill Baijings (Aston Villa-ING) e Victoria Pelova (Arsenal-ING)
Atacantes: Lineth Beerensteyn (Wolfsburg-ALE), Jill Roord (Manchester City-ING), Vivianne Miedema (Manchester City-ING), Esmee Brugts (Barcelona-ESP), Renate Jansen (PSV), Katja Snoeijs (Everton-ING), Chasity Grant (Aston Villa-ING), Romée Leuchter (Paris Saint Germain-FRA) e Shanice van de Sanden (Toluca-MEX).
Beerensteyn já vinha em boa fase na seleção feminina da Holanda (Países Baixos) em 2024. Começou este ano do mesmo jeito, na Liga das Nações (Hans van der Valk/BSR Agency/Getty Images)
Ah, Lineth Beerensteyn. A atacante já está há muito tempo na seleção feminina da Holanda (Países Baixos). Acompanhou seus altos - o título europeu em 2017, o vice mundial em 2019 - e seus baixos - a campanha apagada na Euro passada, em 2022-valendo-por-2021. Algumas vezes, foi titular. Na maioria, porém, não só era reserva, como quase sempre era contestada: não tinha o talento para finalização que Vivianne Miedema mostra, não tinha a técnica de Lieke Martens, para muitos é apenas uma "operária", uma esforçada - e mesmo assim, dispensável. Pois é: a humilhada está sendo exaltada. Pois Beerensteyn começou 2025 sendo o principal destaque neerlandês nas duas rodadas iniciais da Liga das Nações - tanto no empate em 2 a 2 com a Alemanha, quanto na vitória por 2 a 1 sobre a Escócia.
No primeiro jogo, até que a Alemanha começou melhor, com suas saídas em bloco para o ataque, carregadas principamente por Jule Brand, no meio-campo. Entretanto, a defesa holandesa não só estava atenta, com bons começos de Caitlin Dijkstra e Veerle Buurman, como as Leoas Laranjas fizeram o primeiro gol logo na primeira chance: aos 13', Buurman lançou em profundidade, Lineth Beerensteyn ganhou a disputa na corrida, chegou à área com a bola e tocou na saída da goleira Ann-Katrin Berger. Começava aí o melhor momento da Holanda no jogo, com o segundo gol quase vindo já aos 16', quando Dijkstra desviou a bola para fora, após Jill Roord cobrar falta. Mesmo assim, convinha prestar atenção na Alemanha. Que continuava atacando, em tentativas de Laura Freigang - aos 30', em chute por cima do gol, e aos 41', cabeceando para fora após Giulia Gwinn cobrar falta. Sjoeke Nüsken também tinha sua tentativa, aos 39'. Até que nos acréscimos, veio enfim o empate, em boa troca de passes: Klara Bühl (ativa na esquerda) cruzou, Lea Schüller superou Esmee Brugts (sem muita capacidade defensiva) e cabeceou para o 1 a 1.
Era visível: a Alemanha já tinha envolvido a Holanda, por ter rapidíssimas trocas de passe, além dos supracitados avanços com muitas jogadoras. Numa dessas, já no começo da etapa final, saiu o 2 a 1 alemão: Brand fez a jogada pela direita, passou a bola e Nüsken ficou livre para marcar. No minuto seguinte, Daphne van Domselaar fez excelente defesa, voando para espalmar cabeceio de Schüller - e a goleira apareceria de novo aos 55', agarrando firme chute de Bühl. Só depois de todos esses sustos o time dos Países Baixos se recompôs. Com Chasity Grant (substituta de Daniëlle van de Donk, machucada ainda no 1º tempo) aparecendo bem na direita, os ataques voltaram a fluir. E logo veio o gol de empate, novamente com Beerensteyn, de cabeça. Aberto o caminho para chances de parte a parte, o segundo tempo terminou com chances de um lado (chute de Bühl para fora, aos 70', cabeceio da zagueira Rebecca Knaak para fora aos 77') e de outro (Grant cruzou, e a bola passou pouco à frente de Renate Jansen, que poderia ter virado aos 86'). E a impressão geral foi positiva em Breda.
E seguiu positiva no começo do jogo contra a Escócia. Bem mais ofensiva do que contra as alemãs, a Holanda criou muitas chances. Começou num cabeceio de Jill Roord para fora, aos 6'. Depois, aos 11', o cabeceio foi de Miedema, e a goleira Lee Alexander Gibson precisou espalmar. Chegaram a ser duas chances em um minuto: aos 21', Chasity Grant chutou após Esmee Brugts cruzar, e Gibson pegou, enquanto Beerensteyn recebeu a bola em profundidade no minuto seguinte,e chutou cruzado. As Leoas Laranjas tinham mais a bola, encurralavam a Escócia, que só teria chance numa jogada de bola parada. Bem, ela apareceu. E as escocesas aproveitaram: aos 34', um escanteio rebatido parcialmente, Rachel MacLauchlan bateu, a bola ricocheteou na defesa e sobrou para Emma Louise Lawton fazer o 1 a 0 surpreendente. As escocesas se animaram tanto que quase fizeram o segundo gol, nos acréscimos, quando Lauren Davidson cruzou, Kirsty Hanson completou à queima-roupa na área, e Daphne van Domselaar evitou. Estava claro: a seleção dos Países Baixos não tivera intensidade nem no ataque (tinha a bola, mas perdia as chances), nem na defesa (dava espaços crescentes). Precisava melhorar no segundo tempo, se não quisesse ser vítima de uma zebra.
A Holanda conseguiu ganhar o jogo, mas a Escócia bem que assustou ao sair na frente (Ian MacNicol/Getty Images)
As Leoas Laranjas começaram a mostrar isso no segundo tempo. Azar de Lee Gibson: a goleira escocesa trabalhou duas vezes em seis minutos (evitando gol olímpico de Roord aos 48' e chute de Miedema aos 53'). Miedema - ainda algo sem ritmo nestas datas FIFA - teve chance ainda aos 51', desviando para fora cruzamento de Brugts. Mas coube a quem tirar a Holanda do desafogo? Quem? Isso mesmo: Beerensteyn. Que fez seu segundo gol nesta Liga das Nações - o nono, no total de edições, fazendo dela goleadora histórica do torneio até o momento -, em boa jogada individual aos 54', driblando três defensoras pela esquerda antes do chute. A Escócia bem que tentou assustar (Lauren Davidson tentou aos 61'), Miedema perdeu boa chance aos 63' (chutou por cima a bola, após saída errada de Gibson), mas o gol da virada e da vitória veio ao 64', em triangulação. Que contou com Beerensteyn, claro: ela passou, Miedema cruzou, Grant completou na pequena área para seu primeiro gol pela seleção feminina holandesa. De quebra, Beerensteyn ainda mandou o terceiro gol na trave, aos 67' - Roord teve mais chances por sua vez, aos 71' e aos 75'.
Mas se a seleção da Holanda teve resultados até previsíveis nestas primeiras rodadas, ela tem um destaque esperado por poucos. Enfim, depois de muitas críticas, Lineth Beerensteyn tem seu valor reconhecido. Já não era sem tempo.
Liga das Nações da UEFA - Liga A - Grupo 1
Holanda 2x2 Alemanha
Data:21 de fevereiro de 2025
Local:Rat Verlegh (Breda)
Árbitra:Maria Caputi (Itália)
Gols:Lineth Beerensteyn, aos 13' e aos 66', Lea Schüller, aos 45' + 1, e Sjoeke Nüsken, aos 50'
HOLANDA
Daphne van Domselaar; Kerstin Casparij, Caitlin Dijkstra (Sherida Spitse, aos 71'), Veerle Buurman (Dominique Janssen, aos 71') e Esmee Brugts; Jackie Groenen, Daniëlle van de Donk (Chasity Grant, aos 43') e Wieke Kaptein (Renate Jansen, aos 83'); Lineth Beerensteyn, Vivianne Miedema (Katja Snoeijs, aos 71') e Jill Roord. Técnico: Andries Jonker
ALEMANHA
Ann-Katrin Berger; Giulia Gwinn, Elisa Senss, Rebecca Knaak e Sarai Linder (Felicitas Rauch, aos 88'); Janina Minge e Sjoeke Nüsken; Jule Brand (Vivien Endemann, aos 77'), Laura Freigang (Linda Dallmann, aos 64') e Klara Bühl (Selina Cerci, aos 77'); Lea Schüller. Técnico: Christian Wück
Escócia 1x2 Holanda
Data:25 de fevereiro de 2025
Local:Hampden Park (Glasgow)
Árbitra:Stéphanie Frappart (França)
Gols:Emma Louise Lawton, aos 34', Lineth Beerensteyn, aos 54', e Chasity Grant, aos 64'
ESCÓCIA
Lee Alexander Gibson; Rachel McLauchlan, Sophie Howard, Jenna Clark (Samantha Kerr, aos 75') e Emma Louise Lawton (Kirsty Smith, aos 86'); Leah Eddie, Caroline Weir e Kirsty MacLean; Lauren Davidson (Claire Emslie, aos 69'), Eilidh Adams (Martha Thomas, aos 69') e Kirsty Hanson (Freya Gregory, aos 69'). Técnico: Michael McArdle
HOLANDA
Daphne van Domselaar; Kerstin Casparij, Sherida Spitse, Dominique Janssen e Esmee Brugts; Wieke Kaptein, Jackie Groenen e Jill Roord; Chasity Grant (Romée Leuchter, aos 65'), Vivianne Miedema (Katja Snoeijs, aos 72') e Lineth Beerensteyn. Técnico: Andries Jonker
Na abertura dos trabalhos da seleção feminina da Holanda (Países Baixos) em 2025, Andries Jonker é um técnico demissionário - que reclamou do isolamento na notícia (Stan Oosterhof/Soccrates/Getty Images)
Várias convocadas novatas, atuações promissoras nos amistosos que fecharam 2024 (até mesmo na derrota para os Estados Unidos)... a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) tinha tudo para ter um começo de ano impondo respeito nas datas FIFA que vêm aí, abrindo a fase de grupos da Liga das Nações, contra Alemanha - nesta sexta, dia 21, em Almelo, às 16h45 de Brasília - e Escócia - em Glasgow, na terça, 25, às 16h30 de Brasília. Até porque impor respeito é necessário, em ano de Eurocopa feminina, na qual as Leoas Laranjas terão um grupo dificílimo, encarando Inglaterra e França. Só que a convocação feita pelo técnico Andries Jonker ignorou, em grande parte, toda essa renovação promissora. E talvez isso seja indicativo de mais problemas.
Problemas resumidos num fato, confirmado no mês passado pela federação holandesa: a saída de Jonker, cujo contrato iria até o fim da Euro, sem ter a renovação. Diretor de "futebol de alto nível" (as aspas não são irônicas), o ex-jogador Nigel de Jong justificou a decisão da dispensa de Jonker pelo desejo da federação de colocar a equipe de mulheres "numa nova fase". Compreensível, até: o trabalho de quase três anos do treinador pode ser considerado razoável (quartas de final na Copa de 2023, semifinalista na Liga das Nações passada, vaga na Eurocopa assegurada), mas diante do crescimento da nova geração e do fim gradual da "geração 2017-2019" - Lieke Martens parou com a seleção, Sherida Spitse e Daniëlle van de Donk deverão parar após a Euro -, era desejável abrir espaço para mais novatas, junto às veteranas que ficarão para tentar levar a equipe à Copa de 2027.
Saída em comum acordo, certo? Errado, conforme Andries Jonker deixou claro na entrevista coletiva de abertura dos trabalhos, no centro de treinamentos da federação, em Zeist: "Fiquei surpreso e triste. (...) Foi uma decisão da federação, e não cabe a mim explicá-la. Fui perguntado o que pensava do meu futuro, e após pensar bem, tinha dito que eu ainda queria seguir mais dois anos. Aí, a federação teria tempo para avaliar um novo substituto". Conflito aberto, nem assim Nigel de Jong quis deixar claras as razões da saida: "As razões não interessam agora, porque ainda estamos explicando. Tudo que se falar agora será uma carga extra para as jogadoras e a comissão técnica".
E as jogadoras também se afastaram de quaisquer comentários a respeito da saída vindoura de Jonker. A começar por Sherida Spitse, que falou ao lado do técnico na coletiva: "Geralmente temos contato com a direção, mas não soubemos de nada disso [demissão]. Pessoalmente, achei chato, pois tenho uma ótima relação com ele, adoraria passar mais dois anos sob seu comando". Mais amenas ainda foram, falando à emissora NOS, Daniëlle van de Donk ("Claro que é chato, mas assim são as coisas no futebol. Posso achar muitas coisas, mas não sou eu quem decide, não estamos envolvidas nisso") e Jackie Groenen ("Tenho uma opinião, mas não acho que preciso dizê-la. Posso deixar claro que tenho boa relação com Andries, mas essas são coisas que fogem do meu controle").
As jogadoras treinam normalmente, se eximindo dos debates sobre a saída de técnico que vem aí (KNVB Media/Divulgação)
Se suposta má relação com as comandadas é um motivo totalmente afastado para a troca de técnico, talvez a razão esteja numa postura meio temerosa demais de Jonker nas convocações. Se as novatas deram bom resultado, talvez fosse o caso de dar mais espaço a elas. Entretanto, o que se viu foram alguns retornos. Merel van Dongen, agora uma feliz mãe (até recebeu um uniforme das Leoas Laranjas para bebês, de presente da federação); Caitlin Dijkstra, recuperada de lesão, assim como... Vivianne Miedema, enfim ganhando algum ritmo de jogo no Manchester City, já com cinco gols na liga inglesa, expressando confiança ao site oficial da seleção neerlandesa: "'Estou bem. Estou aqui de novo, finalmente. Já faz um tempo, espero poder estar aqui com mais frequência. (...) Acho que estou razoavelmente em forma".
O otimismo segue em Esmee Brugts, que não só diz querer um título ("A Nations League é mais uma chance"), como também lembra que a Alemanha tirou das holandesas a chance de estar no torneio olímpico passado, em Paris: "Ficamos tão perto... foi duro". E será bom se esse otimismo significar um pouco mais de coragem da Holanda, em campo e nas convocações. Afinal de contas, é um caminho de se impor, rumo a uma Eurocopa em que imposição será necessária desde o começo.
As 24 convocadas da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA
Goleiras: Daphne van Domselaar (Arsenal-ING), Lize Kop (Tottenham-ING) e Daniëlle de Jong (Twente)
Defensoras: Kerstin Casparij (Manchester City-ING), Lynn Wilms (Wolfsburg-ALE), Sherida Spitse (Ajax), Dominique Janssen (Manchester United-ING), Caitlin Dijkstra (Wolfsburg-ALE), Veerle Buurman (PSV), Ilse van der Zanden (Utrecht) e Merel van Dongen (Rayadas de Monterrey-MEX)
Meio-campistas: Daniëlle van de Donk (Lyon-FRA), Jackie Groenen (Paris Saint Germain-FRA), Wieke Kaptein (Chelsea-ING), Jill Baijings (Aston Villa-ING) e Jill Roord (Manchester City-ING)
Atacantes: Lineth Beerensteyn (Wolfsburg-ALE), Vivianne Miedema (Manchester City-ING), Esmee Brugts (Barcelona-ESP), Renate Jansen (PSV), Chasity Grant (Aston Villa-ING), Chimera Ripa (PSV) e Chasity Grant (Aston Villa-ING) - Romée Leuchter (Paris Saint Germain-FRA). adoentada, foi cortada temporariamente entre sexta e domingo, dando lugar a Fenna Kalma (PSV)
A atuação da Holanda (Países Baixos) não foi das melhores. Mas, pelo menos, a goleada veio na reta final (Roy Lazet/Soccrates/Getty Images)
Ao se olhar a vitória por 4 a 0 contra a Escócia, no amistoso que foi o primeiro jogo de 2024, pode-se pensar que a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) dominou plenamente os 90 minutos - mais acréscimos - em Amsterdã, e que os testes feitos na escalação deram certo. O próprio capitão Virgil van Dijk já foi claro sobre isso, na entrevista pós-jogo à emissora NOS: "Não era jogo para 4 a 0". De fato, a atuação da Laranja foi de altos e baixos. Num certo momento, mais baixos do que altos. Pelo menos, a equipe nacional neerlandesa se segurou na defesa, tendo até sorte, e melhorou com as alterações na reta final da partida para conseguir o placar elástico.
Nem é o caso de dizer que a Holanda esteve mal no primeiro tempo. O trio de zagueiros teve segurança. Goleiro do dia no rodízio forçoso, Mark Flekken causou boa impressão - principalmente na excelente defesa que fez aos 17', rebatendo o cabeceio à queima-roupa de Ryan Christie (a bola ainda bateu no travessão). Quando a bola chegava no ataque, havia tentativas. Porém, justamente no meio-campo, a Escócia foi superior. Aproveitava a lentidão e a postura mais passiva dos jogadores da Holanda para ganhar mais a bola. E ser mais perigosa nos primeiros 45 minutos. Antes da chance de Christie, Lawrence Shankland - titular até surpreendente, vindo de boa fase no Hearts escocês - já tinha cabeceado para fora, aos 10'. Depois, aos 35', John McGinn completou cruzamento de Christie mandando a bola pouco acima do gol.
Eram sustos demais para a Holanda. Que teve apenas a sorte de ter o melhor jogador da partida de seu lado. Desde o começo, Tijjani Reijnders foi o único nome regular no meio-campo, enquanto Georginio Wijnaldum apareceu pouco sem a bola nos pés, e Mats Wieffer teve dia ruim, perdendo a bola muitas vezes e sendo lento nos avanços. Tão lento que chegou a impressionar a timidez da Holanda, por volta dos 39': Cody Gakpo, Lutsharel Geertruida e Wieffer trocaram passes tentando achar espaço para finalizar... sem conseguir. Ato contínuo, a bola seguiu circulando, e parou nos pés de Reijnders. Que arriscou o chute fora da área... e fez um golaço, mandando a bola no ângulo do goleiro Angus Gunn. Teve toda a razão de celebrar, também após o jogo: "Foi um dos gols mais bonitos da minha carreira".
Reijnders mereceu as aclamações: meio-campista da Laranja que mais apareceu, foi o melhor da partida (Roy Lazet/Soccrates/Getty Images)
E do jeito como o segundo tempo começou, parecia que a Holanda continuaria correndo perigo. O empate continuou à espreita. Aos 47', Scott McTominay quase fez (seu chute foi interceptado por Reijnders, ficando mais fácil para Flekken defender; aos 49', Billy Gilmour arriscou de média distância para o goleiro holandês outra vez defender. Aos 52', Flekken rebateu tentativa de McGinn - e na sobra, após cruzamento, Christie cabeceou para fora. Dois minutos depois, Reijnders errou na saída de bola, Gilmour tentou... para fora. Mas a gota d'água foi aos 62': Wieffer perdeu a bola à beira da área, Shankland ficou cara a cara com Flekken, pronto para o empate... mas chutou no travessão.
Praticamente na sequência, a Holanda (que até tivera boas chances com Memphis Depay, aos 50', e Gakpo, aos 55') passou por alterações. Que estabilizaram a equipe. Mais acostumado a ser lateral direito do que Frimpong, Denzel Dumfries saiu do banco; e Joey Veerman foi fazer a dupla do meio com Reijnders, substituindo Wieffer. Foi o bastante. A partir dali, sim, a Holanda passou a dominar. E se a Escócia não fazia, passou a tomar - a partir do 72', com cruzamento preciso de Gakpo para Wijnaldum fazer 2 a 0, de cabeça. Mais relaxada em campo, a Laranja teve a entrada de dois nomes que transformariam a vitória em goleada: Wout Weghorst fez 3 a 0 aos 84' (cabeceando sozinho escanteio cobrado por Veerman), e Donyell Malen marcou o quarto gol, dois minutos depois (grande passe em profundidade de Reijnders, melhor da partida).
Ainda assim, o técnico Ronald Koeman deixou claro na entrevista coletiva: "Não é porque terminou 4 a 0 que estou satisfeito". E tinha razões para irritação. A Holanda ganhou, mas terá de ser mais atenta desde o começo, no amistoso contra a Alemanha, na próxima terça. Pelo menos, o final feliz aconteceu.
Amistoso
Holanda 4x0 Escócia
Data: 22 de março de 2024
Local: Johan Cruyff Arena (Amsterdã)
Juiz: Erik Lambrechts (Bélgica)
Gols: Tijjani Reijnders, aos 40', Georginio Wijnaldum, aos 72', Wout Weghorst, aos 84', e Donyell Malen, aos 86'
HOLANDA
Mark Flekken; Jeremie Frimpong (Denzel Dumfries, aos 62'), Lutsharel Geertruida, Virgil van Dijk e Nathan Aké; Mats Wieffer (Joey Veerman, aos 62'), Georginio Wijnaldum (Teun Koopmeiners, aos 82') e Tijjani Reijnders; Cody Gakpo (Daley Blind, aos 82'), Memphis Depay (Wout Weghorst, aos 78') e Xavi Simons (Donyell Malen, aos 78'). Técnico:Ronald Koeman
ESCÓCIA
Angus Gunn; Ryan Porteous, Jack Hendry e Kieran Tierney (John Souttar, aos 68'); Nathan Patterson, Billy Gilmour (Lewis Ferguson, aos 69'), Scott McTominay e Andrew Robertson (Anthony Ralston, aos 74'); John McGinn (Kenny McLean, aos 85') e Ryan Christie (Stuart Armstrong, aos 74'); Lawrence Shankland (Ché Adams, aos 68'). Técnico:Steve Clarke
Não é só o clima na Holanda que está bom, como indicam Ronald Koeman (à esquerda) e o treinador de goleiros Patrick Lodewijks; é o crescimento de muitos jogadores, levando à promessa de uma seleção melhor (Pro Shots/Icon Sport/Getty Images)
A seleção masculina da Holanda (Países Baixos) terminou o ano de 2023 dando a impressão de que estava no mesmo lugar em que terminara a Copa de 2022: uma equipe estável, razoável, mas um escalão abaixo das melhores do mundo. Era melhor do que o preocupante primeiro semestre do ano passado - só uma vitória em quatro jogos -, mas nada que causasse impressão notável. De lá para cá, contudo, alguns desempenhos vistos em clubes dão a saudável impressão de que pode haver uma evolução bem recomendável, em ano de Eurocopa. Quem sabe isso seja visto nos amistosos que abrem 2024 para a equipe neerlandesa, contra Escócia (nesta sexta, às 16h45 de Brasília, em Amsterdã) e Alemanha, país-sede da Euro (na próxima terça, 26, também às 16h45 do horário brasileiro, em Frankfurt).
O tom do técnico Ronald Koeman na entrevista coletiva de apresentação, na segunda-feira, manifestou essa esperança crescente: "Se estivermos completos, teremos um time muito bom. Seremos difíceis de vencer. E teremos uma boa preparação até a Euro. (...) Há países que têm mais qualidade individual, como a França, com Mbappé. Mas em muitas posições, nós temos jogadores mundialmente reconhecidos. Temos muitos defensores e meio-campistas que jogam por grandes clubes. Muitos países têm ciúme da gente". Que o diga a defesa holandesa, de fato: não é qualquer seleção que pode contar com Virgil van Dijk e Nathan Aké fazendo excelentes temporadas (sem contar as opções na reserva). E o que dizer da ala direita? Se o titular Denzel Dumfries continua tendo seu papel na Internazionale à beira do bicampeonato italiano, anda difícil deixar de fora da Laranja um Jeremie Frimpong impressionante no Bayer Leverkusen, próximo de lavar a alma com o título alemão. Em todas as competições de 2023/24 pelo time das Aspirinas, Frimpong já conta com dez gols e dez passes para gol. Desempenho bom a ponto de fazer Koeman pensar em colocá-lo como titular num trio de ataque: "Ele poderia jogar assim, com Dumfries. É quase como um ponta no Leverkusen".
Nem mesmo as ausências machucadas tiram o sono do treinador, desta vez. Pelo menos, no meio-campo. A princípio, claro que Frenkie de Jong - fora por entorse no tornozelo, sofrida há algumas semanas pelo Barcelona - faz falta. Mas Ronald Koeman acalmou: "Acho que sei quem pode jogar bem com De Jong. Podem ser vários jogadores. Craques sempre se entendem". E de fato, as opções parecem mais confiáveis atualmente do que vinham sendo para o meio-campista ausente. Basta citar Teun Koopmeiners: o meio-campo da Atalanta faz por merecer nova chance como titular. Se desde os tempos do AZ ele já era conhecido pela capacidade defensiva (até mesmo como zagueiro teve seus momentos), agora mostra um salto impressionante no desempenho no ataque: Koopmeiners é o goleador do time italiano na temporada - só no Campeonato Italiano, são 12 gols feitos -, sendo o cobrador principal de faltas e pênaltis, cada vez mais desenvolto na criação de jogadas.
Como Koopmeiners, há mais opções para o meio-campo. Como Xavi Simons, igualmente destacado no RB Leipzig, com 11 passes para gol e sete gols no Campeonato Alemão, já podendo ser considerado titular absoluto da Holanda mesmo aos 20 anos. Como Tijjani Reijnders, constante no Milan. Como Joey Veerman, talvez o melhor jogador do atual Campeonato Holandês, nome que dita o jogo no meio-campo do PSV, líder invicto da Eredivisie. Como o estreante Quinten Timber, irmão do zagueiro Jurriën, elogiado pela combatividade na marcação pelo Feyenoord (onde está um outro meio-campo convocado, Mats Wieffer). Como... Georginio Wijnaldum. Pois é: oito meses depois de sua última aparição vestindo laranja em campo, pela Liga das Nações, o meio-campo de 32 anos (fará 33 em novembro) foi relacionado por Ronald Koeman.
Wijnaldum está de volta às convocações da Laranja. O que não quer dizer que seu lugar está garantido na Euro (Broer van den Boom/BSR Agency/Getty Images)
Uma lembrança que veio aos poucos: primeiro, o técnico - e Nigel de Jong, diretor de futebol da federação holandesa - foram visitar o meio-campo no Al-Ettifaq saudita em que joga atualmente. Depois, a convocação. Por fim, o treinador deixou bem claro que, embora considere "Gini" um possível lider para a seleção, ele não tem vaga garantida na Euro, e terá nos amistosos um teste: "Ele jogou mais de noventa partidas [pela seleção]. Agora está aqui, por dois jogos. Para ele, e para todo mundo, é um teste. (...) Preciso de gente que pense mais no 'nós'. Digo por experiência própria: a Euro 1988 foi fantástica, a Copa de 1990 foi terrível, e o grupo daquela Copa não era o mesmo grupo da Euro".
Pelo banco de reservas da Holanda também deverá passar um velho conhecido, que andava distante das convocações há um ano, por várias lesões: o atacante Memphis Depay. Que faz uma temporada até razoável: mesmo predominantemente na reserva do Atlético de Madrid, Memphis faz seus gols vez por outra (somados todos os campeonatos que os Colchoneros disputam atualmente, são nove), foi muito importante na classificação às quartas de final da Liga dos Campeões, e está de volta à seleção. Não sem antes ouvir o alerta de Koeman: também não será titular ("Foi importante, acho que está voltando à sua melhor forma. Ainda não está lá, ainda não jogou o bastante. Acho que não poderá jogar as duas partidas completas").
De qualquer forma, a presença de Depay - e de outros, como Cody Gakpo e Donyell Malen (este, crescendo no Borussia Dortmund) - ameniza o prejuízo da Holanda não contar com dois atacantes que teriam plenas condições de se destacarem nos dois amistosos, se não fossem problemas musculares. Um, Joshua Zirkzee, talvez o maior responsável em campo pela excelente campanha que o Bologna faz no Campeonato Italiano (4º lugar, perto de vaga na Liga dos Campeões 2024/25), marcando dez gols e sendo um dos grandes atacantes da temporada na Bota - Zirkzee estava na pré-convocação antes de se machucar. O outro, Brian Brobbey, de evolução visível mesmo na problemática temporada do Ajax, até foi chamado, mas precisou ser cortado por lesão sofrida defendendo o time de Amsterdã no domingo passado, contra o Sparta Rotterdam, pelo Campeonato Holandês. Ronald Koeman lamentou não poder testar os dois jovens, mas prometeu: "A porta segue aberta tanto para Brobbey quanto para Zirkzee".
Também livre das lesões, Memphis Depay ameniza em campo as ausências promissoras no ataque. Fora dele, tem opiniões criticadas - e, bem, criticáveis... (Robin van Lonkhuijzen/ANP/Getty Images)
A ausência de dois jovens candidatos a revelação da Holanda na Euro é um problema. Assim como a persistente falta de um titular absoluto que acabe com a rotação no gol. Ausência que abriu espaço até para um retorno. Sem aparecer nas convocações havia três anos (foi o terceiro goleiro da Laranja na Euro passada, e figurava nas listas de Frank de Boer e da primeira passagem de Ronald Koeman), Marco Bizot vem muito bem no Brest, segundo colocado do Campeonato Francês. Seguia ausente - "Não faço ideia [da razão]", comentou em entrevista à revista Voetbal International. Mas recentemente foi chamado para conversas com Patrick Lodewijks, treinador de goleiros da seleção ("Foi bom falar com ele de novo", comemorou na entrevista citada). E foi confirmado na convocação. Mas Bizot deverá ver os amistosos do banco, conforme sinalizou Koeman: "Seria maluquice". A tendência é de que o jovem Bart Verbruggen, que terminou 2023 como titular, novamente tenha chances. Embora não se possa descartar Mark Flekken, que vem bem no Brentford. E o treinador da equipe nacional evocou um convocável que só não esteve na lista de agora por (mais uma) lesão: Justin Bijlow. "Vejo potencial em Verbruggen, mas não sei como Bijlow está".
Na roda-viva de goleiros da Holanda, Bizot voltou. Mas Verbruggen deverá seguir titular... (KNVB Media)
Porém, as maiores preocupações vieram de duas observações feitas fora de campo. Vindo da Arábia Saudita, Wijnaldum já atrai desconfianças naturais pela forma física, num campeonato de menor competitividade. Atraiu ainda mais, sendo criticado após comentários considerados alienados sobre o que vê no país em que joga atualmente: "Tem sido um tempo bom. Para mim, as condições de vida lá são extraordinárias. Não vi lá nada do que falam. Todo país tem coisas boas e ruins, até a Holanda".
Memphis Depay foi considerado mais desagradável ainda. Em seu perfil no Instagram, o atacante manifestou solidariedade a Quincy Promes, amigo e ex-colega de seleção, atualmente detido nos Emirados Árabes, perto de uma extradição para cumprir em terras holandesas seis anos de prisão, por envolvimento em tráfico de drogas. Ronald Koeman sinalizou o desconforto, na coletiva: "Eu não faria isso. Vou conversar com ele". Embora receptivo à oposição do treinador ("Entendo que as pessoas de fora pensem diferente. Tudo bem. Todo mundo pode ter a sua opinião"), Memphis seguiu defendendo sua posição, no mínimo, polêmica - e no máximo, inadequada nos tempos atuais ("Sou amigo de outros jogadores com casos assim: Dani Alves, Benjamin Mendy. Se sou amigo de alguém, não deixo essa pessoa na mão nunca. Isso não significa que eu ache bom tudo que essa pessoa faz. Ou que eu saiba de tudo que a pessoa faz ou não faz. O Quincy Promes que eu conheço, vocês [jornalistas] não conhecem").
Ainda assim, a impressão é de que a seleção da Holanda vive leve evolução em campo. Leve, mas perceptível. Dependendo de sua organização em campo e de como Ronald Koeman consiga colocar suas preferências táticas (o treinador disse que sempre terá três meio-campistas - o que pode levar a um time com três ou dois zagueiros), a Laranja conseguirá provar que as coisas estão melhorando. Ou se quem a acompanha é que está pirando...
Os 23 convocados da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA
Goleiros: Bart Verbruggen (Brighton-ING), Mark Flekken (Brentford-ING) e Marco Bizot (Brest-FRA)
Zagueiros: Lutsharel Geertruida (Feyenoord), Virgil van Dijk (Liverpool-ING), Matthijs de Ligt (Bayern de Munique-ALE) e Nathan Aké (Manchester City-ING)
Fosse com a facilidade do jogo em casa ou com a dificuldade do jogo fora, a Holanda conseguiu passar pela Escócia na Liga das Nações feminina - e segue bem decente (KNVB Media/Divulgação)
Em jogos como os dois que fez contra a Escócia, pela Liga das Nações feminina, a seleção de mulheres da Holanda (Países Baixos) precisaria reverter o costume esporádico e ruim que tem: fraquejar contra adversárias menos complicadas, se complicar contra seleções inferiores a ela. Pois as Leoas Laranjas conseguiram fazer isso. Fosse jogando muito bem, como na goleada (4 a 0) da sexta-feira passada, em Utrecht, fosse superando uma partida complicada na base da individualidade como no 1 a 0 da terça-feira, em Glasgow, a equipe neerlandesa prosseguiu dando uma boa impressão. Segue com uma sequência consistente. Como já não lhe acontecia havia muito tempo.
É verdade que os erros na defesa - desde sempre o principal problema da Holanda - ainda assustam. Nem é o caso de dizer que as jogadoras sempre falham. Contudo, o hábito da troca de passes entre o trio de zagueiras, até achar espaço para o lançamento em profundidade, costuma aumentar o perigo de sustos. Foi o que se viu no início do jogo de sexta-feira. Num momento, foi Caitlin Dijkstra recuando para Sherida Spitse... e a bola indo direto para escanteio, de graça. Noutro, aos 18', foi um recuo de Kerstin Casparij (titular na esquerda, com a ausência da machucada Dominique Janssen) em que Daphne van Domselaar teve dificuldades para dominar a bola. Pelo menos, Van Domselaar compensou com sua habitual segurança debaixo das três traves, numa ótima defesa em chute de Kirsty Hanson, aos 30'.
Pelo menos, àquela altura, a Holanda já começara a dominar o jogo no ataque. Com os espaços aparecendo, Casparij começou a se destacar - e fez a jogada do gol de Daniëlle van de Donk, aos 12', cruzando para a meio-campista (muito bem nessas datas FIFA femininas) completar, com desvio no meio do caminho. Com a bola chegando mais ao ataque, alguns nomes se impuseram, como Jill Roord e Esmee Brugts. Foi justamente o segundo gol, aos 32', de Brugts, vindo após boa troca de passes, que tranquilizou de vez a Holanda. Até mesmo Renate Jansen, substituta da adoentada Victoria Pelova na ala direita, aparecia bastante. No segundo tempo, com Escócia aberta de vez e fragilizada, Lineth Beerensteyn conseguiu dois gols, em seu melhor - aproveitando dois belos lançamentos (o primeiro, aos 52', de Damaris Egurrola Wienke; o segundo, aos 70', de Sherida Spitse) para as finalizações. A goleada chegou de jeito tão natural que´o técnico Andries Jonker se sentiu à vontade para satisfazer o desejo da torcida que lotava o estádio De Goffert - e o desejo de acompanhantes de futebol feminino ao redor do mundo: colocar Vivianne Miedema, que jogou os sete minutos finais.
Com a vitória encaminhada no primeiro jogo, o ambiente ficou propício para o que tanto se esperava: a volta de Miedema à seleção (Broer van den Boom/BSR Agency/Getty Images)
Se os 4 a 0 haviam sido tranquilos, Andries Jonker já preconizou na entrevista coletiva da segunda-feira, em Glasgow: "Não espero a mesma Escócia". De fato, foi o que aconteceu no campo do Hampden Park. Não que a Holanda tenha jogado mal, longe disso. Mas para começo de conversa, a Escócia veio com uma escalação mais ambiciosa ofensivamente, em que nomes como Erin Cuthbert e Lisa Evans (esta, começando como titular) trariam mais qualidade técnica. Do lado da Holanda, mesmo que a bola ficasse mais com as jogadoras laranjas, elas tinham grandes dificuldades em finalizar jogadas. Só a muito custo surgiram espaços, como para os cruzamentos que renderam finalizações de Lieke Martens (para fora, aos 25') e Jill Roord - também para fora, aos 27'. E de todo modo, a principal finalização da Holanda foi numa bola parada: aos 31, Spitse cobrou falta quase sem ângulo, e Sandy MacIver - substituta de Lee Gibson no gol - espalmou com dificuldade.
Para dificultar ainda mais as coisas, Lieke Martens saiu machucada, ainda no primeiro tempo. Mesmo que a Holanda já tenha voltado do intervalo criando uma chance, com Beerensteyn acertando a trave aos 47', o jogo continuava sem fluir, diante de uma Escócia que continuava esforçada na defesa. Num jogo complicado (a ponto de ser arriscado demais para Miedema vir novamente a campo), era necessário ter o lance individual. Ele surgiu com Esmee Brugts, usando o que já começa a fazê-la despontar: o chute colocado de fora da área, aos 60', sem chances para MacIver, dando à Holanda um gol fundamental. Até para manter a tranquilidade, mesmo contra a esperada pressão escocesa nos minutos finais, que nem trouxe tantos problemas assim. De chance notável da seleção da casa em Glasgow, só um cabeceio da zagueira Sophie Howard, nos acréscimos, defendido por Van Domselaar. De certa forma, a Holanda esteve até mais perto do segundo gol, como indicaram os chutes de Beerensteyn (na trave, aos 76') e Roord (para fora, aos 88').
Com facilidades ou dificuldades, a Holanda mostrou consistência. Isso, além da habilidade, pode ajudá-la muito nos jogos decisivos contra Inglaterra (fora) e Bélgica (casa), em dezembro. Além do mais, quem sabe Vivianne Miedema já possa voltar a ser titular...
Liga das Nações da UEFA - Liga A - Grupo 1
Holanda 4x0 Escócia
Data:27 de outubro de 2023
Local:De Goffert (Nijmegen)
Árbitra:Ivana Projkovska (Macedônia do Norte)
Gols:Daniëlle van de Donk, aos 12', Esmee Brugts, aos 32', e Lineth Beerensteyn, aos 52' e aos 71'
HOLANDA
Daphne van Domselaar; Caitlin Dijkstra (Merel van Dongen, aos 75'), Sherida Spitse e Kerstin Casparij (Lynn Wilms, aos 75'); Renate Jansen (Vivianne Miedema, aos 83'), Jackie Groenen (Damaris Egurrola Wienke, aos 67'), Daniëlle van de Donk e Esmee Brugts (Victoria Pelova, aos 68'); Jill Roord; Lieke Martens e Lineth Beerensteyn. Técnico: Andries Jonker
ESCÓCIA
Lee Gibson; Rachel MacLauchlan (Jamie-Lee Napier, aos 80'), Sophie Howard, Rachel Corsie e Nicola Docherty; Christy Grimshaw, Amy Rodgers (Jenna Clark, aos 80') e Kirsty MacLean (Lisa Evans, aos 46'); Claire Emslie (Fiona Brown, aos 46'), Martha Thomas (Lauren Davidson, aos 80') e Kirsty Hanson. Técnico: Pedro Martínez
Escócia 0x1 Holanda
Data:31 de outubro de 2023
Local:Hampden Park (Glasgow)
Árbitra:Jana Adamkova (Tchéquia)
Gol:Esmee Brugts, aos 60'
ESCÓCIA
Sandy MacIver; Fiona Brown, Sophie Howard, Jenna Clark e Nicola Docherty; Rachel Corsie, Erin Cuthbert (Christy Grimshaw, aos 61') e Kirsty MacLean (Jennifer Smith, aos 81'); Claire Emslie (Martha Thomas, aos 61'), Kirsty Hanson (Lauren Davidson, aos 72') e Lisa Evans (Jamie-Lee Napier, aos 72'). Técnico: Pedro Martínez
HOLANDA
Daphne van Domselaar; Caitlin Dijkstra, Sherida Spitse e Kerstin Casparij; Victoria Pelova, Jackie Groenen, Daniëlle van de Donk (Wieke Kaptein, aos 75') e Esmee Brugts (Lynn Wilms, aos 85'); Jill Roord; Lieke Martens (Damaris Egurrola, aos 33') e Lineth Beerensteyn (Katja Snoeijs, aos 85'). Técnico: Andries Jonker
Nem mesmo a tentativa de proteger mais a defesa com cinco jogadores deu certo: o empate contra a Escócia deixou claro que a Holanda precisa melhorar até a Euro - e rápido (Pim Ras Fotografie)
A seleção masculina da Holanda tinha um desafio de dificuldade razoável no amistoso contra a Escócia, nesta quarta-feira. Afinal, os escoceses mostram firmeza defensiva capaz de frear a maior capacidade ofensiva da Laranja. E pelo que se viu na cidade portuguesa de Faro, no empate em 2 a 2, a equipe britânica também foi capaz de deixar claro: mesmo supostamente mais protegida num esquema com cinco jogadores na defesa, a equipe neerlandesa ainda está frágil na defesa. Só Memphis Depay evitou a derrota, contra uma seleção sem sete jogadores, afastados por precaução após John Fleck testar positivo para o coronavírus.
Foi até curioso. Afinal de contas, a primeira chance de gol do amistoso foi holandesa - um chute de Denzel Dumfries na rede pelo lado de fora, aos 7'. Todavia, bastou a primeira desatenção para a primeira punição à Holanda: aos 11', tentando sair para o jogo, Marten de Roon passou a bola a Memphis Depay, este demorou... e deixou Jack Hendry livre com a bola, para chutar de fora e fazer 1 a 0 (terceiro gol de fora da área sofrido por Tim Krul nos últimos quatro jogos). Aí, os minutos seguintes deixaram claro como os treinos precisam ser intensivos para fazer os jogadores se acostumarem ao 5-3-2. Com Dumfries e Owen Wijndal deixando espaços nas respectivas laterais, a Escócia chegou mais perto da área logo após abrir o placar. Lyndon Dykes (boa atuação) poderia até ter feito o segundo aos 12', mas Krul fez boa defesa.
Pelo menos, a Holanda jogou água fria na fervura ao empatar com relativa rapidez, aos 17'. Por sinal, o lance do empate trouxe alguns raros nomes que se destacaram pela Oranje em Faro. Primeiro, Jurriën Timber: em sua primeira partida pela seleção adulta na carreira, o zagueiro não só foi o melhor da linha de cinco, como fez lançamento preciso para o ataque. Se só atuou meia hora (como Frenkie de Jong), só para Frank de Boer vê-lo jogando, Georginio Wijnaldum colaborou, escorando. E Memphis Depay fez o que se espera dele: chamou a responsabilidade, chutando para o 1 a 1.
Além da boa estreia de Timber na zaga, Memphis Depay foi o único ponto positivo da Holanda no amistoso (Pim Ras Fotografie)
O que não quer dizer que as coisas melhoraram para os Países Baixos no amistoso. Na verdade, nem para a Escócia: com duas equipes se resguardando (não só no jogo, mas para a Euro), quase não se viram lances de perigo no resto do primeiro tempo: um cruzamento de Dumfries aos 22', outro de Kieran Tierney aos 36', e nada mais. Na etapa complementar, a situação seguiu a mesma. Nem mesmo a dupla Ryan Gravenberch-Davy Klaassen, entrosada dos tempos de Ajax, fazia coisa que chamasse a atenção, mesmo vindo a campo logo após a primeira meia hora de jogo. Pelo lado da Holanda, a única jogada que mereceu ser chamada de "chance" foi um cabeceio sem rumo de Dumfries, aos 53'.
Pelo lado da Escócia, se as chances também eram poucas, pelo menos o espaço nas laterais seguia. Bastou mais competência nas jogadas para o segundo gol, aos 64': um rápido lançamento, um cruzamento preciso de Andrew Robertson, e Kevin Nisbet fez 2 a 1 como seu primeiro ato no jogo (acabara de substituir Sykes). Só aí a Holanda pareceu ganhar mais movimentação. Curiosamente, foi com as entradas de Steven Berghuis e Patrick van Aanholt, fazendo a seleção voltar a jogar com três atacantes, que a seleção laranja pressionou mais a Escócia. Foram mais cruzamentos, mais chegadas à área - a mais perigosa, com Van Aanholt chutando, e o desvio dificultando a defesa do goleiro Craig Gordon, aos 80'.
Diante disso, foi até curioso que, com tantas jogadas pelas pontas, o empate tenha saído só numa bola parada, aos 89', quando Memphis Depay cobrou falta sofrida por Berghuis. Foi um empate salvador. Mas não adiantou para melhorar a preocupante impressão que a Holanda deixou, em seu penúltimo amistoso antes da Euro. Se o muro da Escócia se revelou forte na defesa, o muro neerlandês imaginado com os cinco zagueiros ainda tem certas fragilidades. E só faltam nove dias para a Euro...
Amistoso
Holanda 2x2 Escócia Data: 2 de junho de 2021 Local: Estádio Municipal do Algarve (Faro-Loulé) Árbitro:Vitor Ferreira (Portugal) Gols: Memphis Depay, aos 17' e 89'; Jack Hendry, aos 11', e Kevin Nisbet, aos 63'
Holanda Tim Krul; Denzel Dumfries, Jurriën Timber (Steven Berghuis), Stefan de Vrij (Luuk de Jong), Matthijs de Ligt e Owen Wijndal (Patrick van Aanholt); Marten de Roon, Georginio Wijnaldum (Ryan Gravenberch) e Frenkie de Jong (Davy Klaassen); Memphis Depay e Wout Weghorst. Técnico: Frank de Boer
Escócia Craig Gordon; Kieran Tierney (Scott McKenna), Jack Hendry, Liam Cooper (Declan Gallagher) e Andy Robertson (Greg Taylor); Stuart Armstrong, Callum McGregor e David Turnbull (Billy Gilmour); James Forrest (Ryan Fraser), Lyndon Dykes (Kevin Nisbet) e Ryan Christie. Técnico: Steve Clarke
A celebração do gol de Memphis Depay foi o único motivo de animação da Holanda, num amistoso vagaroso (Pro Shots)
Não era muito difícil imaginar que Escócia x Holanda seria um amistoso desanimado - afinal, tratam-se de duas seleções ainda amargando o fato de que não estarão na Copa de 2018. O problema foi assistir ao jogo no estádio Pittodrie, em Aberdeen, e confirmar a expectativa negativa: a partida mostrou uma lentidão irritante por parte da Laranja, e uma seleção escocesa apenas esforçada. Pelo menos, a Oranje continuou uma sequência ironicamente positiva: fez 1 a 0, e conseguiu a quarta vitória consecutiva, mesmo que vá assistir à Copa pela tevê.
Nos primeiros minutos após o juiz francês Ruddy Buquet apitar, até houve o temor de que a Holanda fosse repetir vexames anteriores. Impondo mais velocidade, e tendo mais espaço diante da habitual desorganização das linhas defensivas holandesas, a seleção comandada pelo interino Malky Mackay criou mais chances. Por exemplo, aos 8', quando Matt Philips chegou bem à área, mas chutou em cima de Karim Rekik - na sobra, John McGinn ainda arriscou de novo, mas Nathan Aké fez um corte providencial.
Aos 11', o perigo corrido pela defesa laranja foi ainda maior: após lançamento longo, Philips dominou a bola, e superou a marcação de Virgil van Dijk na área. Para completar, Jasper Cillessen ficara indeciso na saída de gol - mas conseguiu se recompor a tempo de fazer a defesa, em cima da linha. Mesmo errando nos toques finais, os escoceses insistiam. Fosse na cobrança de escanteios, fosse com chutes de fora - como aos 36', quando Kieran Tierney (talvez o melhor escocês em campo) arriscou de fora da área, e Cillessen precisou espalmar para o lado.
Na hora de recuar, a Escócia se fechava num 4-4-2 bem compactado. E a Holanda caía na armadilha da qual não consegue se desvencilhar: ficar sem espaço para trocar passes (o que só aconteceu aos 9', entre Ryan Babel e Quincy Promes - Babel foi desarmado logo que chegou à área). Quando os passes saíam, a zaga estava alerta para evitar - como aos 18', quando Memphis Depay mandou bola alta, mas Tierney impediu a chegada de Promes para a conclusão. Sem contar os erros próprios da Oranje - como aos 28', quando Daley Blind recebeu a bola numa cobrança ensaiada de escanteio e chutou para muito longe.
Van Dijk teve algumas dificuldades com os escoceses, mas conseguiu passar incólume pelo jogo (ANP)
Com a empolgação incipiente da Escócia, aos poucos, o espaço foi aparecendo. Aos 35', enfim, um chute a gol. Promes passou a Memphis Depay, que dominou e finalizou da entrada da área, fraco, para a defesa de Craig Gordon. Pouco depois, aos 40', com o time anfitrião trocando passes no ataque, houve um erro. Era a chance para o contra-ataque, e a Holanda não a perdeu. Depay retomou a posse, serviu a Wijnaldum, este passou a Babel (impedido). Na área, o camisa 9 cruzou para Memphis Depay - também em posição irregular - entrar escorando para as redes, marcando seu quarto gol nos últimos sete jogos que fez pela seleção.
A rigor, o jogo poderia ter terminado aí. Porque no segundo tempo, a Holanda não fez quase nada, só arriscando nos avanços de Nathan Aké (cuja presença no time deverá ser cada vez mais comum). De resto, a Escócia apenas tentou. Com insistentes chutes de fora da área - como o de McGinn, aos 51', que mandou a bola à direita do gol, ou o do estreante Callum McGregor, aos 68', agarrado em dois tempos por Cillessen. E com erros como o do próprio arqueiro holandês - aos 55', se atrapalhou num recuo de Van Dijk, quase permitindo a chegada de Philips.
A não ser num arremate de Kevin Strootman (capitão, com Sneijder no banco), interceptado por Tierney aos 62', a Holanda foi se fechando na área. Tomou algum sufoco aos 73' - logo após entrar em campo, Ryan Fraser dominou pela direita, superou a marcação de Van Dijk e arriscou o chute que saiu fraco, à esquerda de Cillessen. Mesmo mais esforçada, a Escócia não tinha talento para jogadas mais elaboradas. E só se aproximou de novo do gol aos 87', quando outro estreante escocês, Jason Cummings, chutou forçando boa defesa de Cillessen.
Enfim, a vitória valeu pelo recorde pessoal de Dick Advocaat (sob seu comando, foi a 36ª vitória somando as três passagens pela Oranje - igualando o recorde do inglês Bob Glendenning). E, vá lá, pelo esforço demonstrado pelo trio de ataque formado por Promes, Babel e Memphis. Mas o próprio Depay, autor do gol da vitória, reconheceu à FOX Sports holandesa: "Precisamos melhorar". E Kevin Strootman reconheceu, à emissora SBS6: "Sabemos que estamos com pouca confiança". Pelo menos, ninguém se empolgou exageradamente com uma atuação lenta demais. A ponto de dar sono.
Para a imprensa holandesa, Advocaat desconversou. Mas confirmou à escocesa: deixará seleção após amistosos (ANP)
Ficar fora da Copa de 2018 ainda é um impacto duro demais para que a federação holandesa consiga pensar em qualquer forma de recomeçar os trabalhos para a seleção. Sendo assim, é possível dizer que a Laranja disputará os últimos amistosos de 2017, contra a Escócia (nesta quinta, no estádio Pittodrie de Aberdeen, às 17h45 de Brasília) e Romênia (na próxima terça, às 17h de Brasília, na Arena Nationala de Bucareste), apenas para cumprir tabela. Não é a intenção fazer deles marcos do começo de uma reação para os próximos anos.
Até porque o técnico que comandará a Oranje nas duas partidas já é um demissionário. A bem da verdade, já se suspeitava que Dick Advocaat só cumpriria sua obrigação contra Escócia e Romênia, para depois se despedir da equipe. Porém, já depois do jogo derradeiro das Eliminatórias da Copa, contra a Suécia, Advocaat colocou a possibilidade de seguir comandando a seleção em 2018. À revista Voetbal International, ele ponderou: “Depende da federação. Não quero forçar a diretoria a nada”. Ainda à revista, o treinador também colocava dúvidas sobre as alternativas: “Por quê trazer um técnico estrangeiro? E quem está à disposição? Aliás, também vale para os técnicos holandeses. Os principais ou estão empregados, como Ronald Koeman ou Peter Bosz, ou não querem [treinar a seleção], como Louis van Gaal e Frank de Boer, ou estão no primeiro trabalho da carreira”. Neste último caso, o comandante da seleção não falou nada – nem precisava: são imediatas as lembranças de Phillip Cocu, Giovanni van Bronckhorst e Erik ten Hag.
Ainda assim, mesmo com tais dúvidas, a possibilidade de Advocaat seguir como técnico já era muito remota. E a movimentação desde o dia 10 de outubro, quando houve o jogo contra a Suécia, só tornou a saída do veterano mais provável. Primeiro, com a demissão de Ronald Koeman, no Everton, com o ex-zagueiro já deixando Goodison Park como candidato automático à sucessão na Laranja. Depois, com a antecipação do auxiliar Ruud Gullit: só continuaria na comissão técnica se Advocaat seguisse como técnico, sem cogitar eventual promoção a treinador (possibilidade até aventada pelo atual treinador).
Advocaat seguia enigmático com a imprensa holandesa. No anúncio da convocação definitiva, anunciou: “Já sei o que farei, após o jogo contra a Romênia. A decisão está só comigo, não falei nada à KNVB. Ainda me reunirei”. Só que todo o mistério foi por água abaixo na chegada a Aberdeen: abordado por jornalistas escoceses ainda no saguão do aeroporto, o técnico abriu o jogo. “Estes são meus dois últimos jogos, e depois deles deixarei a seleção”. No treino de reconhecimento do estádio Pittodrie, quando foi a vez de falar com os periodistas compatriotas, Advocaat ainda alegou que não queria dizer o que disse... mas a decisão já estava clara para todos.
Sem novidades na convocação, Holanda terá novamente Sneijder. Até quando? (Laurens Lindhout/Getty Images)
Assim como também estava claro que não haveria grandes novidades nas convocações, segundo Advocaat antecipara na citada entrevista à Voetbal International: “Por que chamar um grupo totalmente diferente? (...) Tem lógica substituir alguns por gente mais jovem, só porque uma nova seleção precisa ser formada?”. E não houve mudanças mesmo: entre os 25 convocados iniciais, estavam os nomes constantes nas chamadas mais recentes. Se havia alguma perspectiva de renovação, era no retorno do veterano Michel Vorm, como um dos três goleiros, e na possibilidade de Jürgen Locadia, um dos goleadores do Campeonato Holandês, enfim estrear como titular na Oranje.
Ambas as novidades caíram por terra ainda no final de semana passado. Com dores no joelho, Vorm foi cortado – Sergio Padt, do Groningen, foi prontamente chamado para acompanhar Jasper Cillessen e Jeroen Zoet. Mais impressionante foi o azar de Locadia, desligado por problema muscular: pela terceira vez, o atacante foi impedido de estrear pela seleção graças às circunstâncias. Em novembro de 2015, Locadia estava no grupo chamado por Danny Blind para o amistoso contra a Alemanha – cancelado por ameaça de atentado terrorista em Hannover. Em março de 2016, lembrado para os duelos amistosos contra França e Inglaterra, o atacante foi excluído da delegação por lesão no tornozelo. Segue sua espera pela oportunidade com a camisa laranja.
Não que a oportunidade fosse imperdível. Afinal, bastaram lesões leves para abaterem mais três dos convocados de princípio. Lesionados no joelho, Vincent Janssen e Wesley Hoedt foram cortados – no caso de Janssen, Luuk de Jong foi chamado para repor a lacuna. Bas Dost também foi dispensado, mesmo que a contusão sofrida por ele contra o Braga, na rodada passada do Campeonato Português, fosse leve. E por um triz não se decidiu desligar Wesley Sneijder, que chegou do Nice sentindo dores.
Sem Robben, as responsabilidades de Memphis Depay ficarão maiores (Getty Images)
Chegando aos poucos na habitual concentração do hotel Huis ter Duin, na cidade de Noordwijk, o assunto era mais a troca de técnico do que a crise holandesa – a ponto de Georginio Wijnaldum ter até feito piada: “Eu até convidei Jürgen Klopp para a seleção, mas ele não quis...”. E aqui e ali, há ecos e perguntas lembrando a saudade de Arjen Robben que a Oranje já sente. Steven Berghuis reconheceu: “Ninguém substituirá Robben”. E Memphis Depay, sobre cujos ombros recairão mais responsabilidades, pede clemência: “Não se pode comparar a minha situação à de Robben. Eu só tenho 23 anos, as pessoas se esquecem disso. Robben já alcançou muito na carreira dele”.
Se houvesse alguma polêmica em potencial, ela estaria nas reclamações de Zoet por estar na reserva – à citada Voetbal International, o goleiro lamentou estar na reserva de Cillessen (justo, já que dos três originalmente chamados, Zoet é o único com pleno ritmo de jogo, com as atuações no PSV): “Não entendo [a reserva]. Mas não posso mudar isso. É uma escolha dos técnicos, e devo lidar com isso. É verdade [que outros fatores interferem], e isso é muito chato para mim. Uma hora falam que é por causa do ritmo, e noutra dizem que isso não interfere. É confuso”. Mas Advocaat minimizou as reclamações, com uma leve alfinetada: “Entendo a chateação dele, mas por que reclamar a uma revista? Ele não falou nada comigo a respeito”. E ficou nisso.
Ou seja: a Holanda apenas treina, para jogar dois amistosos que terão apenas a função de fechar a terceira passagem de Dick Advocaat pela seleção holandesa - quem sabe dando a ele o consolo de ser o técnico com o qual a seleção mais venceu, caso haja duas vitórias, que o fariam superar as 36 do inglês Bob Glendenning. Ainda convocado (e sem intenção de abandonar a seleção – pelo menos, por enquanto), Sneijder confirmou que a fase é de fechar para balanço: “Não é um novo começo, apenas o fim de um período”. Fica para depois a resolução sobre qual será o comandante do novo começo da Laranja – mas por via das dúvidas, Ronald Koeman já aguarda um telefonema em seu pequeno período sabático.
(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 9 de novembro de 2017)