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sábado, 18 de abril de 2026

Testadas e aprovadas

Com um time jovem, a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) se saiu muito bem contra a França, nas Eliminatórias da Copa do Mundo. Até melhor do que as expectativas. Está na frente, na disputa pela vaga direta (Tobias Kleuver/ANP/Getty Images)

Com jogadoras tão jovens, tendo de substituir nomes de experiência indiscutível, seria até esperado ver a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) fraquejando nas duas partidas contra a França, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina. Só que a nova geração deu a impressão de que já está pronta. Deu ao técnico Arjan Veurink uma daquelas "dores-de-cabeça" de que todo treinador gosta. Porque várias jogadoras jovens aproveitaram a chance para se afirmar: de Veerle Buurman, na defesa, a Esmee Brugts, no ataque, passando por Wieke Kaptein e Damaris Egurrola Wienke, no meio. E tanto a vitória por 2 a 1, em casa, quanto o empate por 1 a 1 contra as francesas, fora, deixaram grande satisfação em quem acompanha o futebol de mulheres nos Países Baixos.

No primeiro jogo, em Breda, o começo deu a impressão de que as desatenções decisivas seguiriam: um erro de Veerle Buurman, e Marie-Antoinette Katoto ficou livre - perdeu o gol, mas de qualquer forma, estava impedida. Porém, aos poucos a Holanda ousou mais. Como num chute de Victoria Pelova, por cima do gol, aos 7'. Ou como no minuto seguinte, quando Esmee Brugts já deu o sinal do destaque ofensivo que teria, arriscando o gol chutando antes do meio-campo - a bola foi para fora. E finalmente, aos 11', uma jogada de bola parada foi aproveitada, consolidando um "conto de fadas": Lynn Wilms mandou a bola para a área, em falta, e Renée van Asten - justamente ela, justamente a estreante em convocações, justamente a titular pela primeira vez - completou para fazer 1 a 0 para as Leoas Laranjas. Os abraços de todas as companheiras de time, celebrando o gol de Van Asten, poderia ter sido um final feliz. Mas havia muito jogo pela frente.

Van Asten (de frente): a estreante viveu um conto de fadas no primeiro jogo contra as francesas, ao começar como titular e marcar o primeiro gol (Marcel van Dorst/EYE4IMAGES/NurPhoto/Getty Images)

E neste jogo, aos poucos, a França ficou com a bola, como até esperado para um time tão ofensivo, com atacantes experientes. Porém, também se viu uma Holanda organizada defensivamente, como poucas vezes. Além das quatro defensoras escaladas, as meio-campistas retornavam frequentemente, com Damaris Egurrola sendo muito elogiada pela atenção e precisão nos desarmes. Era organização... mas também era risco. Por mais que a equipe dos Países Baixos resistisse, por mais que a França só houvesse criado uma chance de gol em todo o primeiro tempo (aos 26', Kadidiatou Diani cruzou e Katoto cabeceou para fora), era necessário ter uma saída para contra-atacar - até porque Wieke Kaptein, atenta no meio-campo, poderia acelerar a jogada para Brugts ou mesmo Lineth Beerensteyn. Ela não surgiu, e depois do intervalo, um azar de Daphne van Domselaar - de volta ao gol das Leoas Laranjas - abriu o caminho do empate francês, aos 54': Sandy Baltimore passou por Lynn Wilms na direita da área, chutou quase sem ângulo, mas a bola bateu na perna esquerda da goleira holandesa e entrou.

Noutros tempos, o empate teria aberto o caminho para a França crescer. Não abriu no primeiro jogo, porque Van Domselaar se recuperou da falha no gol, do melhor jeito possível: duas excelentes defesas, aos 61' (bloqueando chute de Diani à queima-roupa, após cruzamento de Anaële Le Moguedec) e aos 66' (Baltimore arriscou de fora da área, no ângulo). As Leoas Laranjas seguiam concentradas defensivamente. E num lance que uniu três das melhores holandesas em campo, veio o gol da vitória: Van Asten dominou e tocou, Kaptein lançou em profundidade, Brugts dominou, correu livre até a área e chutou cruzado para fazer 2 a 1. Com espaço aberto, os Países Baixos até poderiam ter feito o terceiro gol (aos 82', Wilms lançou, Chasity Grant completou, mas Griedge Mbock-Bathy conseguiu bloquear na pequena área). Ainda assim, conseguiram bloquear todo e qualquer espaço das francesas para chute. E após onze anos, festejaram em Breda a primeira vitória sobre as Azuis. Já era muita coisa. Poderia ser mais.

Para que fosse mais, a vitória seria necessária em Auxerre. Só que a França, novamente, começou pressionando desde o começo. A Holanda se ancorava demais em Brugts para acelerar suas (raras) tentativas de ataque - Lineth Beerensteyn só tentou algo aos 8', num cruzamento para fora. Pelo menos, houve uma boa chance das Leoas Laranjas, aos 11': Wieke Kaptein cruzou, Brugts finalizou de primeira (da entrada da área), e a goleira Pauline Peyraud-Magnin espalmou para fora. 

De todo modo, as francesas seguiam pressionando mais. Tiveram uma boa chance aos 16', quando Clara Matéo arriscou chute da entrada da área, e a bola só saiu após desvio em Brugts, para escanteio. Contudo, não só a defesa holandesa seguia bem postada, como aos poucos, havia espaço para Wieke Kaptein aparecer e tentar acelerar as saídas de bola para Brugts, ou Beerensteyn, ou mesmo para Romée Leuchter (das três atacantes, a que menos se destacou). Só aí a França decidiu voltar a usar uma de suas principais qualidades ofensivas: as bolas paradas. Assim conseguiu fazer 1 a 0, nos acréscimos do 1º tempo: após escanteio ensaiado, Sandy Baltimore - novamente com boa atuação - cruzou, e Marie-Antoinette Katoto cabeceou para as redes.

Pelo menos no começo do segundo tempo, a pressão francesa foi a mesma. Só que, na hora da finalização, na hora de acertar o gol, as Azuis perdiam chances. Foi assim com Grace Geyoro, logo aos 49'; com Sandy Baltimore, aos 61'; e com Sakina Karchaoui (fazendo 100 jogos pela seleção francesa), aos 74'. Por mais que a saída da Holanda para os contra-ataques tivesse sérias dificuldades - Beerensteyn caiu de produção no segundo tempo -, a França perdia suas chances de resolver a partida. Teve a punição.

Crescendo no decorrer do jogo, muito segura no meio-campo, capitã por alguns minutos (aos 20 anos de idade!): Wieke Kaptein se credenciou como líder das Leoas Laranjas (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Porque, aos 76', Élisa de Almeida transformou uma jogada que seria tiro de meta (a bola sairia pela linha de fundo após Brugts cruzar) em sequência. Brugts correu, dominou pela esquerda, cruzou, e Wieke Kaptein coroou um dia marcante em sua carreira - capitã das Leoas Laranjas aos 20 anos, após a substituição de Beerensteyn -, cabeceando ("Acho que foi meu primeiro gol de cabeça, sou ruim nisso", brincou com a ESPN holandesa) para empatar o jogo. O valioso ponto poderia ser posto a perder logo após o gol, aos 78', após a própria Kaptein errar na saída de bola, mas Geyoro mandou a bola no travessão. Cada vez mais nervosas, as francesas erraram a maioria dos ataques. E só tiveram chance numa jogada polêmica, já nos acréscimos, em que Renée van Asten puxou Mélvine Malard, que a pisou na área... e o suposto pênalti de Van Asten foi ignorado pela juíza italiana Maria Caputi.

Nada mais perturbaria os dois ótimos resultados, que deixaram a Holanda no controle de sua condição para ir à Copa do Mundo Feminina, em 2027, líder isolada que agora é de seu grupo. A impressão final era indiscutível: as jovens tinham sido testadas e aprovadas. Estão prontas para as partidas decisivas de junho, contra Irlanda (dia 5, fora de casa) e Polônia (dia 9, em casa), que valem a vaga no Mundial.

Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina da FIFA - Europa - Grupo A2

Holanda 2x1 França
Data: 14 de abril de 2026
Local: Rat Verlegh (Breda)
Árbitra: Marta Huerta de Aza (Espanha)
Gols: Renée van Asten, aos 11', Sandy Baltimore, aos 54', e Esmee Brugts, aos 67'

HOLANDA
Daphne van Domselaar; Lynn Wilms, Veerle Buurman, Renée van Asten e Marisa Olislagers (Janou Levels, aos 60'); Victoria Pelova (Ella Peddemors, aos 69'), Damaris Egurrola Wienke e Wieke Kaptein; Lineth Beerensteyn, Romée Leuchter (Chasity Grant, aos 60') e Esmee Brugts (Lotte Keukelaar, aos 90' + 1). Técnico: Arjan Veurink 

FRANÇA
Pauline Peyraud-Magnin; Melween N'Dongala (Kelly Gago, aos 87'), Griedge Mbock-Bathy, Maëlle Lakrar e Mélvine Malard (Clara Matéo, aos 78'); Sandy Baltimore, Anaële Le Moguedec e Oriane Jean-François (Grace Geyoro, aos 61'); Marie-Antoinette Katoto, Sakina Karchaoui (Naomie Feller, aos 87') e Kadidiatou Diani. Técnico: Laurent Bonadei


França 1x1 Holanda
Data: 18 de abril de 2026
Local: Abbé-Deschamps (Auxerre)
Árbitra: Maria Caputi (Itália)
Gols: Marie-Antoinette Katoto, aos 45' + 1, e Wieke Kaptein, aos 76'

FRANÇA
Pauline Peyraud-Magnin; Alice Sombath (Laurina Fazer, aos 85'), Élisa de Almeida, Griedge Mbock-Bathy e Sandy Baltimore; Grace Geyoro, Oriane Jean-François (Kelly Gago, aos 85') e Sakina Karchaoui; Clara Matéo (Delphine Cascarino, aos 61'), Marie-Antoinette Katoto (Mélvine Malard, aos 71') e Kadidiatou Diani (Thiniba Samoura, aos 61'). Técnico: Laurent Bonadei

HOLANDA
Daphne van Domselaar; Lynn Wilms, Veerle Buurman, Renée van Asten e Janou Levels; Wieke Kaptein, Damaris Egurrola Wienke e Victoria Pelova; Esmee Brugts (Ella Peddemors, aos 90' + 2), Romée Leuchter (Chasity Grant, aos 46') e Lineth Beerensteyn (Lotte Keukelaar, aos 64'). Técnico: Arjan Veurink 


sexta-feira, 10 de abril de 2026

A hora da provação

Com a maioria das jogadoras veteranas fora da convocação por estarem machucadas, as jovens serão provadas nos difíceis jogos da Holanda (Países Baixos) contra a França, nas Eliminatórias da Copa Feminina (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Dominique Janssen, escolhida como capitã? Está fora, machucada. Daniëlle van de Donk, de volta? Nada: também lesionada. Vivianne Miedema? Novamente e lamentavelmente, com problemas físicos. Assim como Jackie Groenen e Jill Roord, também veteranas. Dias depois da apresentação das convocadas no centro de treinamentos da federação, na cidade de Zeist, Caitlin Dijkstra também foi cortada. E a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) terá várias jogadoras jovens - não necessariamente inexperientes, mas jovens - para se provarem justamente nos dois momentos mais cruciais de seu grupo nas Eliminatórias Europeias da Copa do Mundo Feminina de 2027: os jogos contra a França, considerada favorita à vaga direta, em casa (na próxima terça, 14, às 15h45 de Brasília, em Breda) e fora (no sábado, 18, às 16h10 de Brasília, na cidade francesa de Auxerre).

Ter tantas jogadoras importantes e experientes machucadas foi um fator obviamente lamentado pelo técnico Arjan Veurink, na entrevista coletiva da quarta-feira passada: "Toda vez que a médica da comissão me telefonava, eu me arrependia de atender. O fato de perdermos nomes experientes e precisarmos de novas convocações fala por si. Mas tento seguir calmo, e manter o foco nas jogadoras que estão aqui, porque isso abre espaço para elas". E Veurink repetiu uma queixa feita muitas vezes por seu antecessor, Andries Jonker: o perigo de lesões a que o suposto excesso de jogos leva. "Há jogadoras que, a estas alturas, já jogaram mais minutos do que na temporada passada inteira. O calendário está se desenvolvendo muito rápido (..) Temos pouca influência nisso. Precisamos ser ouvidos, porque é pelo bem estar das jogadoras. Não que não nos ouçam, mas podemos ser mais ouvidos".

De todo modo, antes mesmo das ausências (ou até por causa delas), Veurink abre caminho para mais jovens nas convocações. Como duas estreantes nelas, a defensora Renée van Asten, do Ajax - joga como zagueira, mas pode ser colocada na lateral esquerda - e a atacante Liz Rijsbergen, do PSV (ainda estreia a zagueira Linde Veefkind, do OH Leuven belga, chamada com o corte de Dijkstra). Van Asten mostrou o tamanho de sua alegria com uma frase na chegada: "É realmente uma sensação maravilhosa. Quando recebi a ligação do técnico, atendi com a mão tremendo. Foi incrível. Ainda é difícil acreditar, mas estou muito grata". Já Rijsbergen, um pouco mais experiente, vinda de passagem pelo Twente para o PSV líder da liga holandesa feminina, foi mais serena em sua celebração: "Claro que é um sonho realizado. Ao ver que estou indo bem, só me dá mais autoconfiança".

Porém, se há jogadoras jovens estreantes, há outras que, mesmo ainda com tempo pela frente, já começam a ocupar lugar de destaque por força das lesões. Será o caso de Veerle Buurman: cada vez mais elogiada por suas atuações no Chelsea, a zagueira deve ter papel importante nos jogos contra as francesas. Aliás, segundo Buurman opinou à ESPN holandesa, o peso está nas próprias partidas em si: "Acho que são os jogos mais importantes sob o novo técnico, até agora. A França é uma das principais seleções que se tem". Outra jovem que já tem grande experiência pelas Leoas Laranjas, Esmee Brugts, ainda mantém reservas quanto a ser uma líder: "Não sou muito de falar, prefiro deixar que meus pés falem por mim". Mas reconheceu que sua importância e suas condições cresceram, com a boa fase que vive no Barcelona: "Fui escalada três vezes, e nas três joguei os noventa minutos [em sequência de três jogos do Barcelona contra o Real Madrid, por Liga dos Campeões e Campeonato Espanhol feminino]. É pesado. Mas estou um pouco mais forte para isso".

Em boa fase no Barcelona, Esmee Brugts pode ser uma das líderes, muito embora se defina como de poucas palavras (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

É com Brugts e com outras "jovens experientes" em ótima fase, como a goleira Daphne van Domselaar (ficou um dia sem treinar, adoentada, mas já voltou aos treinos e já está em ritmo de jogo no Arsenal), a lateral direita Lynn Wilms (em grande momento no Aston Villa) e a atacante Romée Leuchter (ainda no Paris Saint-Germain, mas já cogitada em outros clubes competitivos), que as Leoas Laranjas contam para tentarem superar as más memórias de jogos recentes contra a França, como Brugts reconheceu, lembrando os 5 a 2 pespegados pelas francesas que selaram a eliminação na fase de grupos da Euro feminina passada. Até porque Arjan Veurink sinalizou confiança: "Quero mostrar a essas jogadoras que também podemos desafiar a França com este grupo". Pois bem: é a hora da provação para todas elas.

As 24 convocadas da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

GOLEIRAS: Lize Kop (Tottenham Hotspur-ING), Daphne van Domselaar (Arsenal-ING) e Daniëlle de Jong (Juventus-ITA)

DEFENSORAS: Lynn Wilms (Aston Villa-ING), Veerle Buurman (Chelsea), Linde Veefkind (OH Leuven-BEL), Ilse van der Zanden (Fiorentina-ITA), Marisa Olislagers (Brighton-ING), Janou Levels (Wolfsburg-ALE) e Renée van Asten (Ajax)

MEIO-CAMPISTAS: Damaris Egurrola Wienke (OL Lyonnes-FRA), Wieke Kaptein (Chelsea-ING), Victoria Pelova (Arsenal-ING), Ella Peddemors (Wolfsburg-ALE), Lotte Keukelaar (Real Madrid-ESP), Lynn Groenewegen (Twente), Kayleigh van Dooren (Milan-ITA) e Nina Nijstad (PSV)

ATACANTES: Lineth Beerensteyn (Wolfsburg-ALE), Romée Leuchter (Paris Saint Germain-FRA), Esmee Brugts (Barcelona-ESP), Chasity Grant (Aston Villa-ING) e Liz Rijsbergen (PSV)

domingo, 13 de julho de 2025

Fim de festa

A Holanda bem que tentou, neste último jogo da fase de grupos. Mas o pessimismo se confirmou: sem resistência diante do poderoso ataque da França, as Leoas Laranjas estão fora da Euro (Image Photo Agency/Getty Images)

Depois de tomar a goleada para a Inglaterra, o clima de fim de festa já se inseriu dentro da impressão sobre a campanha da Holanda (Países Baixos) na Eurocopa feminina. Só o que era chamado de "Milagre de Basileia" poderia causar uma reação. Ela até foi ensaiada, só que os velhos problemas apareceram de novo: com a França goleando por 5 a 2, as Leoas Laranjas voltam a ser eliminadas numa fase de grupos de torneio grande, após 12 anos (tinham caído na Euro 2013). De certa forma, até confirmando as más expectativas que se tinham antes do torneio, por todos os fatores - a saída anunciada do técnico Andries Jonker, a desorganização defensiva, a simples inferioridade técnica em relação a França e Inglaterra... se serve de consolo, pelo menos a torcida foi animada como sempre, e o último jogo trouxe esforço real antes da eliminação.

Já aos 40 segundos de bola rolando, com um cruzamento de Kerstin Casparij, quase alcançado por Chasity Grant, ficou claro que a Holanda teria mais intensidade do que a vista contra a Inglaterra. E se ainda restasse qualquer dúvida, se acabou na primeira chance real de gol holandesa: um chute de Victoria Pelova, espalmado por Pauline Peyraud-Magnin, aos 2'. Só que a França tinha um ataque poderoso, até pelas titulares que voltaram a campo após a goleada sobre o País de Gales. E já lembrou disso na chance seguinte de gol: Delphine Cascarino chutou aos 7', Daphne van Domselaar rebateu, e Selma Bacha ainda fez a goleira holandesa trabalhar de novo.

Assim seguia a Holanda: com Pelova e Daniëlle van de Donk (titular de novo) muito intensas no meio, tentava o gol (como aos 16', em cabeceio de Van de Donk). Só que o talento da França fluía mais em campo. Aproveitando os espaços nas laterais, as Azuis buscavam o gol. E afinal o conseguiram, aos 23', após cruzamento de Marie-Antoinette Katoto, completado num voleio de Sandie Toletti, aniversariante do dia. Poderia ter sido desastroso. Não foi, porque o empate laranja veio logo depois: Van de Donk cruzou, Chasity Grant completou de primeira e fez a goleira Peyraud-Magnin rebater, a jogada seguiu, e foi concluída num indefensável arremate de Pelova, no ângulo direito.

Já animada, já esforçada em campo, a Holanda ficou ainda mais empolgada em busca da virada. A tal ponto que a força nas divididas causou até cartões amarelos a Sherida Spitse (se alternando entre defesa e meio) e Jackie Groenen. Mas as chances apareciam. Como num lançamento de Lynn Wilms, titular na lateral direita, que Lineth Beerensteyn teria alcançado não fosse a zagueira francesa Alice Sombath interceptar aos 34'. Mais ataques holandeses significavam mais riscos na defesa das Leoas Laranjas, o que se viu no chute de Selma Bacha aos 36' (Van Domselaar agarrou firme) e num cabeceio de Katoto, para fora, aos 40'. Contudo, numa jogada carregada por Victoria Pelova, veio a virada holandesa no placar: ela cuzou, Beerensteyn desviou, e a bola bateu em Bacha, na pequena área, antes de entrar. Ainda faltava muito para as Leoas Laranjas, mas ir para o intervalo vencendo era um ânimo, sem dúvidas.

Muito veloz no primeiro tempo, autora de belo gol, Pelova talvez tenha sido a única jogadora holandesa a se destacar minimamente na Euro (Noemi Llamas/Sports Press Photo/Getty Images)

Só que o ânimo acabou rapidamente. Já no começo da etapa final, pareceu claro que a França pressionaria a Holanda enquanto pudesse, a partir dos 52' (sete minutos do segundo tempo), quando Sandy Baltimore cruzou, Van Domselaar falhou na saída de bola, mas Delphine Cascarino errou redondamente. Coisa que a atacante francesa não faria mais, depois. Porque, aos 60', Pelova e Dominique Janssen falharam na troca de passes, Cascarino dominou e lançou a pelota para Katoto empatar. Quatro minutos depois, a própria Cascarino recolocou as francesas na frente do placar, em grande estilo: chute de fora da área, no ângulo esquerdo, indefensável para Van Domselaar.

Aí, se esgotou o ligeiro otimismo que se tinha sobre a Holanda quando o primeiro tempo acabara. A França jogou como quis no ataque, diante dos problemas defensivos crônicos que as Leoas Laranjas têm. Prova deles foi a "linha de passe" no quarto gol, logo aos 67' (22 minutos do segundo tempo), até Sakina Karchaoui chutar, a bola bater nas duas traves e voltar para o arremate de Cascarino, se credenciando como a melhor do jogo. Nem mesmo com a saída de algumas titulares a França reduziu o ritmo - até porque entre as que saíram da reserva, estavam Kadidiatou Diani e Clara Matéo, que aos 80' deu a bola para Baltimore chutar, e Van Domselaar, defender. 

O pênalti cometido por Kerstin Casparij em Melween N'Dongala, nos acréscimos, e convertido por Karchaoui foi só o capítulo final da festa, pelo menos, para as holandesas. A Eurocopa continua. Agora, o foco é na expectativa das reformulações que talvez venham com o futuro técnico, Arjan Veurink - que segue na Euro, auxiliar técnico que ainda é de Sarina Wiegman. Quem sabe, ele ajude a Holanda a superar defeitos gritantes em campo. Tão gritantes que, apesar de se tratar do "Grupo da Morte", era até previsível supor que as holandesas não seriam páreo para França e Inglaterra. Infelizmente...

Euro feminina 2025 - Fase de grupos - Grupo D

Holanda 2x5 França
Data: 13 de julho de 2025
Local: St. Jakob-Park (Basileia)
Juíza: Ivana Martincic (Croácia)
Gols: Sandie Toletti, aos 23', Victoria Pelova, aos 26', Selma Bacha (contra), aos 41', Marie-Antoinette Katoto, aos 60', Delphine Cascarino, aos 64' e aos 67', e Sakina Karchaoui, aos 90' + 2

HOLANDA
Daphne van Domselaar; Lynn Wilms, Sherida Spitse (Caitlin Dijkstra, aos 84'), Dominique Janssen e Kerstin Casparij; Victoria Pelova (Renate Jansen, aos 89'), Daniëlle van de Donk (Damaris Egurrola Wienke, aos 84') e Jackie Groenen; Chasity Grant (Esmee Brugts, aos 68'), Lineth Beerensteyn e Jill Roord (Wieke Kaptein, aos 68'). Técnico: Andries Jonker

FRANÇA
Pauline Peyraud-Magnin; Élisa de Almeida, Thiniba Samoura, Alice Sombath (Melween N'Dongala, aos 79') e Selma Bacha (Lou Bogaert, aos 71'); Sandie Toletti (Grace Geyoro, aos 58'), Sakina Karchaoui e Oriane Jean-François; Sandy Baltimore, Marie-Antoinette Katoto (Clara Matéo, aos 71') e Delphine Cascarino (Kadidiatou Diani, aos 71'). Técnico: Laurent Bonadei

sexta-feira, 21 de junho de 2024

Na conta do chá

A Holanda chegou muito perto de vencer a França na jogada da foto, mas teve o gol de Xavi Simons anulado. Ainda assim, o empate não foi tão ruim (Ralf Ibing/Firo Sportphoto/Getty Images)

A seleção masculina da Holanda (Países Baixos) já teve sua tarefa facilitada no que seria um dificílimo jogo contra a França, pela fase de grupos da Euro 2024: afinal de contas, Kylian Mbappé foi mesmo poupado, por causa do nariz machucado. E até começou pressionando tanto quanto a França, no primeiro tempo. Contudo, aos poucos o tempo passou, as duas seleções caíram de ritmo, um lance empolgante foi anulado (corretamente), e o 0 a 0 acabou sendo um resultado que ficou bom para as duas seleções, muito próximas de se classificarem às oitavas de final. Talvez até melhor para a Laranja, que afinal segue liderando o grupo D.

Em boa parte do primeiro tempo na Red Bu... melhor dizendo, no estádio de Leipzig, os dois times pareceram indicar que a saída era pela direita. Bastaram apenas alguns segundos para a Holanda fazer isso, aliás: um lançamento de Xavi Simons, do meio-campo, e Jeremie Frimpong já superou Théo Hernández na corrida, chegando à área com a bola (e mostrando por quê começava jogando: para forçar mais o lateral francês a ficar na defesa). A finalização saiu fraca, mas o goleiro Mike Maignan precisou desviar para escanteio. Se foi assim com a Laranja, a França não deixou por menos, embora tentasse a esquerda: logo aos 4', Adrien Rabiot ajeitou, Antoine Griezmann mandou de fora da área, e Bart Verbruggen precisou trabalhar, mandando para escanteio. Começo tão frenético fazia crer num jogo bastante ofensivo.

Diante disso, foi até previsível que a chance mais próxima de gol viesse... pela direita. Só que foi da França: aos 14', Marcus Thuram ajeitou, Rabiot entrou pela área livre (Tijjani Reijnders parou de persegui-lo), tocou para o lado, e Antoine Griezmann entrava na pequena área. Só que, na hora de chutar, o destaque ofensivo da França - afinal, Kylian Mbappé seguia no banco - falhou, se desequilibrou, e permitiu que Stefan de Vrij afastasse parcialmente (segundos depois, o próprio Griezmann bateu para fora). Os Países Baixos? Até criaram chances. Principalmente quando tinham espaço para o contra-ataque, ou mesmo em lançamentos longos, que tentassem aproveitar a velocidade de Frimpong, ou de Cody Gakpo. Mas quando houve a hora do chute, ou Maignan impediu - como aos 16', em chute de Gakpo -, ou se cometeram erros - como aos 26', quando Memphis, Frimpong e Gakpo tabelaram, mas o camisa 11 mandou para fora. 

Tais erros eram sinal de que o ritmo ia diminuindo ao longo do primeiro tempo. E continuou diminuindo no decorrer da segunda etapa. Se alguém tentava acelerar - pelo menos, até a metade da etapa complementar -, era a França. Não que causasse muitos problemas, mas tinha mais a bola, começava a acuar mais a Laranja... e tentava mais o gol. Primeiro, em chutes de fora - como os de N'Golo Kanté (novamente muito ativo ao correr pelo meio com a bola), aos 52', e Marcus Thuram, aos 60'. Depois, uma tentativa na área: Kanté passou, Ousmane Dembélé cruzou, mas Rabiot desviou sem rumo. Até que, aos 65', veio a grande chance francesa de abrir o placar: após um erro de Marcus Thuram, Kanté dominou a bola já na área, passou a Griezmann, este tentou, mas Bart Verbruggen - cada vez mais considerado um goleiro já seguro, mesmo com a pouca idade - evitou o gol. 

Verbruggen nem foi tão acionado no gol. Mas quando foi, evitou o gol da França (Maurice van Steen/ANP/Getty Images)

Para uma equipe apostando cada vez mais nos contra-ataques, a Holanda preocupava muito: não tinha espaço, não dominava a bola, não tinha nem velocidade. Só teve uma vez. E quando a teve... quase conseguiu a vitória. Aos 69', logo após um escanteio francês, Memphis Depay (muito criticado pela falta de velocidade e pelos erros de passe) chutou, e Maignan rebateu. Na sequência, Xavi Simons bateu... e fez o que lhe seria um gol consagrador, não fosse a posição irregular de Denzel Dumfries, desde a origem da jogada, terminando por estar à frente de Maignan quando a bola entrou. Discutível se sua posição atrapalhou... mas a regra assim diz, e o gol foi anulado de fato.

Pelo menos, a Holanda neutralizou as ofensivas francesas. Mostrou segurança defensiva. E se não conseguiu vencer, pelo menos minimizou os perigos de uma eliminação na fase de grupos, que seriam (bem) maiores em caso de derrota para a Áustria, na próxima terça-feira. Conseguiu um ponto, conseguiu controlar a França... e a vida segue, mesmo que se reclame do gol anulado aqui e ali.

UEFA Euro 2024 - fase de grupos - Grupo D

Holanda 0x0 França
Local: Red Bull Arena/Leipzig Stadium (Leipzig)
Data: 21 de junho de 2024
Árbitro: Anthony Taylor (Inglaterra)

HOLANDA
Bart Verbruggen; Denzel Dumfries, Stefan de Vrij, Virgil van Dijk e Nathan Aké; Jerdy Schouten (Joey Veerman, aos 73') e Tijjani Reijnders; Jeremie Frimpong (Lutsharel Geertruida, aos 73'), Xavi Simons (Georginio Wijnaldum, aos 73') e Cody Gakpo; Memphis Depay (Wout Weghorst, aos 79'). Técnico: Ronald Koeman

FRANÇA
Mike Maignan; Jules Koundé, William Saliba, Dayot Upamecano e Théo Hernández; Ousmane Dembélé (Kingsley Coman, aos 75'), Aurélien Tchouaméni, N'Golo Kanté e Adrien Rabiot; Antoine Griezmann e Marcus Thuram (Olivier Giroud, aos 75'). Técnico: Michal Probierz

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Continuava no roteiro

Ainda no começo (e em todo o jogo), Mbappé exemplificou que a França está acima da Holanda. Mas nem por isso a Laranja jogou mal, nem há motivos para desespero (ANP/HH)


Desde a entrevista coletiva de segunda-feira passada, Ronald Koeman deixava claro: o jogo contra a França era importante e vencê-lo seria bom, mas era a partida contra a Grécia, na próxima segunda-feira, que seria mais decisiva para os destinos da seleção masculina da Holanda (Países Baixos) nas eliminatórias da Euro 2024. Torcida, imprensa, implicitamente até o próprio Koeman: todos assumiam que a seleção da França é melhor - talvez, até, bem melhor - e era favorita para vencer o jogo desta sexta em Amsterdã. E foi o que aconteceu. Se serve de consolo, aqui e ali a Laranja mostrou qualidades. E algumas delas vieram de nomes que começaram pela primeira vez como titulares.

O problema é que alguns problemas continuam insistentes e desagradáveis. Como, por exemplo, a lentidão e a desatenção com que a Holanda começa suas partidas. Algo que é "prato feito" para uma seleção de alto nível, como a França, aproveitar quando surgem erros. Ainda mais quando quem os aproveita é um craque indubitável como Kylian Mbappé: logo aos sete minutos, Lutsharel Geertruida o deixou livre na área, Randal Kolo Muani ajeitou, Antoine Griezmann cruzou, e o camisa 10 francês completou para o 1 a 0. Pior: pela direita, o duo Griezmann-Kolo Muani dava muito trabalho a Quilindschy Hartman, um titular pela primeira vez, e o segundo gol parecia muito mais próximo de acontecer. Pior ainda: após choque com Ibrahima Konaté, Wout Weghorst (que já não conseguia aparecer muito no ataque) ficou com dores no joelho. Insistiu em continuar, mas virou mais um machucado, precisando ser substituído antes do intervalo.

Só que, ainda no primeiro tempo, a Holanda conseguiu deixar de lado a aposta apenas nas jogadas de bola aérea, que não estavam dando certo. Com a bola mais nos pés, tanto Tijjani Reijnders quanto Joey Veerman mostraram alguma capacidade - principalmente o primeiro, elogiado por muitos. E a Laranja até teve chances, como numa finalização ruim de Veerman, aos 27'. Ou num chute de Xavi Simons, aos 39', defendido por Mike Maignan. Ou mesmo em chute de Hartman, no qual Maignan conseguiu "pegar o frango" antes que ele escapasse, aos 45'. Enfim, a Holanda dava indícios de que poderia pensar num empate. E Koeman até colaborou com isso, tirando Marten de Roon (mal no jogo) e colocando Mats Wieffer no intervalo. De quebra, aos 49', nova tentativa, com Donyell Malen - só que o chute saiu fraco.

Contudo... Ronald Koeman reconheceu, na entrevista pós-jogo à emissora NOS: "Não temos um craque como ele". Como Mbappé. Que mostrou, sozinho, que a Holanda não conseguiria empatar, por mais que se esforçasse. Com apenas um lance: o belíssimo gol que fez, aos 53', após receber a bola de Théo Hernandez, tabelar com Adrien Rabiot e chutar colocado, da entrada da área, no ângulo, inalcançável para Bart Verbruggen, goleiro estreante na Holanda (e que foi discreto, no bom sentido). E de fato, a Holanda se esforçou. No gol anulado de Malen, aos 55' - Nathan Aké estava impedido ao cruzar. No chute de Malen para fora, aos 81'. E aos 83', na bonita jogada do gol de Hartman, que se destacou no segundo tempo até mais do que no primeiro: dominou a bola, correu com ela até a área, tabelou com Steven Bergwijn e chutou sem ângulo, talvez tentando cruzar, com trabalho facilitado por Maignan abrir seu canto e tomar o primeiro gol sofrido pelos franceses na qualificação para a Euro.

Entre as atuações dignas dos titulares novos na Holanda, a melhor foi a de Hartman, o autor do gol (Koen van Weel/ANP)

Mas o tempo todo a França esbanjava sua superioridade à Holanda. Bastava a seleção da casa assustar, que os sustos dos Azuis eram ainda maiores - no chute em que Mbappé mandou a bola no travessão aos 86', e no arremate que Verbruggen pegou após tabela de Marcus Thuram com Olivier Giroud (vindo no banco, no lugar de Kingsley Coman). Ainda assim, o esforço neerlandês foi indiscutível. E quase foi premiado nos acréscimos, em outra disparada de Hartman, que cruzou a bola que passou rápida demais por Bergwijn. 

E se a Holanda perdeu, viu a França comemorar a vaga assegurada no torneio continental de seleções e viu a Grécia passar à segunda posição do grupo B das eliminatórias (vitória sobre a Irlanda, 2 a 0), não há motivo nenhum para pânico. Sim, o jogo da próxima segunda será num ambiente fervilhante em Atenas: afinal, é o "tudo-ou-nada" para os gregos tentarem ir à Euro, ainda mais após tomarem 3 a 0 em Eindhoven. Só que, mesmo se perder, a Holanda ainda terá Irlanda (em casa) e Gibraltar nas últimas rodadas. Mesmo se tudo isso der errado, ainda estará na repescagem das eliminatórias, vencedora que foi de seu grupo na Liga das Nações. A Laranja sabe que terá uma "final" (palavras de Ronald Koeman) na segunda-feira, e pode escolher ir à Euro sem sofrimento. 

Só não pode com a França, seleção um estágio acima. A derrota continuava no roteiro.

Eliminatórias da Euro 2024
Holanda 1x2 França
Data: 13 de outubro de 2023
Local: Johan Cruyff Arena (Amsterdã)
Juiz: Felix Zwayer (Alemanha)
Gols: Kylian Mbappé, aos 7' e aos 53', e Quilindschy Hartman, aos 83'

Holanda
Bart Verbruggen; Lutsharel Geertruida, Virgil van Dijk e Nathan Aké (Micky van de Ven, aos 80'); Denzel Dumfries (Jeremie Frimpong, aos 62'), Tijjani Reijnders, Marten de Roon (Mats Wieffer, aos 46'), Joey Veerman e Quilindschy Hartman; Xavi Simons (Steven Bergwijn, aos 80') e Wout Weghorst (Donyell Malen, aos 38'). Técnico: Ronald Koeman

França
Mike Maignan; Jonathan Clauss (Malo Gusto, aos 80'), Ibrahima Konaté, Lucas Hernandez e Théo Hernandez; Aurélien Tchouameni, Adrien Rabiot e Antoine Griezmann (Youssouf Fofana, aos 87'); Kingsley Coman (Olivier Giroud, aos 70'), Randal Kolo Muani (Marcus Thuram, aos 80') e Kylian Mbappé. Técnico: Didier Deschamps

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Os desafios continuam. As lesões também

Não haverá De Jong, nem De Ligt, nem Memphis Depay, nem Gakpo... mas Van Dijk é um dos "sobreviventes" de uma Holanda que pegará França e Grécia com muitos machucados (Rene Nijhuis/BSR Agency/Getty Images)

As vitórias contra Grécia e Irlanda, nas rodadas mais recentes das eliminatórias da Euro 2024, deram a leve impressão de que a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) começou a encontrar caminhos para melhorar, após o mau começo de ano. Entretanto, a certeza do momento atual da Laranja só virá mesmo após as rodadas que vêm por aí na qualificação. Rodadas que têm um jogo dificílimo - contra a França, nesta sexta (13), em Amsterdã - e outro traiçoeiro - contra a Grécia, na segunda (16), em Atenas. E se os desafios continuam, os problemas também seguem para a equipe neerlandesa. Problemas que podem ser resumidos numa palavra: lesões. De novo, o técnico Ronald Koeman tem muitos desfalques machucados, em relação ao que pode ser considerado uma convocação "ideal". 

A começar pelo gol, posição por si só problemática (daqui a pouco se falará disso): titular contra Grécia e Irlanda, Mark Flekken pediu dispensa das datas FIFA, por estar adoentado. Na zaga, de uma vez só, três desfalques: além de Jurriën Timber - este fica fora até 2024, com o rompimento do ligamento cruzado anterior do joelho direito -, Matthijs de Ligt (choque) e Sven Botman (joelho) também ficaram fora da convocação. Pior ainda foi o impacto no meio-campo: um problema no tornozelo deixará de fora das partidas Frenkie de Jong, cada vez mais indispensável para a Holanda - e um possível substituto, Teun Koopmeiners, foi cortado logo após a apresentação, sem condições físicas de jogo. No ataque, além de Memphis Depay ser ausência de novo por problema muscular na coxa, Cody Gakpo - outro nome cuja importância aumenta - também está fora, por causa de contusão no joelho. E bastou Steven Berghuis se apresentar na segunda-feira para ser prontamente desligado da delegação, pela lesão na panturrilha que já o afastara da partida do Ajax na rodada passada do Campeonato Holandês.

Só restou a Ronald Koeman fazer piada, na entrevista coletiva da data de apresentação, ao já começá-la informando o corte de Koopmeiners: "Já temos um time inteiro de ausências". Depois, falando sério, Koeman colocou sua opinião, na relação sempre tensa entre datas de clubes e datas de seleções: "A culpa é puramente do calendário. Já reclamamos há anos. Veja como todo mundo se machucou. A França perdeu três jogadores no fim de semana, na última hora". No entanto, na hora de resolver o problema, o técnico reconheceu: "Este é um trabalho que ainda não começou". 

De novo, os goleiros: entre o estreante Olij (esquerda), o provável titular Verbruggen (de costas, com o treinador da posição, Patrick Lodewijks) e o contestado Noppert (direita), a Laranja segue com problemas (Rene Nijhuis/BSR Agency/Getty Images)

Por falar em trabalho, os problemas da Holanda vão além dos machucados. E estão focados numa posição (há muito tempo, por sinal): o gol. Como já citado, Flekken fora o titular contra Grécia e Irlanda - e não só não passou a impressão mais segura, principalmente contra os irlandeses, como pediu dispensa, adoentado que estava. E a roda-viva debaixo das três traves continuará, para desalento de Ronald Koeman: "Não é bacana [a alternância], mas preciso continuar fazendo escolhas". Até porque Andries Noppert, o mais experiente dos três presentes, dificilmente jogará: em primeiro lugar, porque continua falhando vez por outra no Heerenveen, e em segundo lugar, porque já não fora originalmente convocado, só entrando após o corte de Flekken ("Patrick Lodewijks [treinador de goleiros] veio com algumas sugestões, quando os goleiros se machucaram. Daí, escolhemos", explicou Koeman). Então, sobram dois nomes que nunca jogaram pela Holanda: Bart Verbruggen e Nick Olij. Aí, pelo menos, começam alguns alívios. Porque tanto um quanto o outro se mostram merecedores da provável chance. 

Um dos titulares do Brighton que chama alguma atenção no Campeonato Inglês, considerado o candidato mais preponderante a ser titular, Verbruggen é considerado promissor: surgido na base do NAC Breda (não jogou em nenhum dos clubes grandes), começou a se destacar no Anderlecht, na temporada passada. Foi um raro nome a escapar ileso da má campanha da Holanda na Euro sub-21 deste anos. E mostra talento nas defesas cara-a-cara, com bom posicionamento, além da capacidade no jogo com os pés - Ronald Koeman até brincou com isso, na coletiva: "Ele só precisa sair jogando com passes menos curtos na área, porque aí o treinador fica mais tranquilo no banco". Já Nick Olij, o primeiro jogador convocado para a Holanda atuando pelo Sparta Rotterdam desde 1996, é uma convocação que até tardou. Olij, 28 anos, surgido na base do AZ, vive grande ascensão nos últimos dois anos: eleito o melhor goleiro da segunda divisão holandesa em 2021/22, pelo NAC Breda, transferiu-se para o Sparta Rotterdam... e se estabeleceu como um dos melhores goleiros da Eredivisie, com boa impulsão e bons reflexos. Qualidades que faziam a torcida do Sparta gritar "Olij in Oranje, o-o-o-o-o" ("Olij na Laranja", com a melodia de "Vamos a la playa"). Que faziam o arqueiro esperar pela convocação. Que afinal veio, e foi comemorada por ele ao diário Algemeen Dagblad: "É incrível, se você vê de onde eu vim".

Outra convocação comemorada foi a de Jeremie Frimpong. Enfim, o lateral direito foi anistiado de seu "castigo" por recusar a convocação para disputar a Euro sub-21 ("Não foi a melhor ideia, não foi bom da minha parte. Mas agora quero seguir em frente", reconheceu Frimpong ao perfil oficial da seleção holandesa). E ele chega embalado, como o melhor de sua posição na atualidade, no Campeonato Alemão - são dois gols e três passes para gol no Bayer Leverkusen, atual líder da Bundesliga. Reserva na Copa passada, Frimpong só não será titular porque tem como "concorrente" na posição Denzel Dumfries, participante das jogadas nos últimos cinco gols que a Holanda fez, nome fundamental quando o time joga com três zagueiros, já apelidado pela imprensa ("A locomotiva de Barendrecht", em referência à cidade onde começou a jogar). 

Constrangimentos superados, Frimpong está de volta à seleção da Holanda. E em grande fase. Só não será titular porque há Dumfries (Rene Nijhuis/BSR Agency/Getty Images)

Há outros nomes que deixam uma boa impressão. Tijjani Reijnders, de bom começo no meio-campo do Milan ("Minha paciência foi premiada", celebrou o meio-campo à revista Voetbal International); Xavi Simons, mostrando plenamente no RB Leipzig o destaque que apenas começa a ter na seleção; Calvin Stengs, de volta à seleção após dois anos, ostentando bom momento no Feyenoord - agora jogando no meio-campo; Wout Weghorst, que sempre aproveita muito bem as chances de jogar pela Laranja e, por causa dos desfalques, deverá ter a titularidade que reclamou contra a Irlanda ("Ele se desculpou, mas nem liguei tanto para isso. Quero mais é que todos os reservas fiquem tristes por não jogar. Ele é um ótimo jogador para se trabalhar", perdoou Ronald Koeman). Serão esses nomes que tentarão ajudar a Holanda contra uma França que, mesmo oscilando, é a melhor seleção europeia - basta citar que, nas eliminatórias da Euro, são cinco jogos e cinco vitórias dos Azuis, sem nenhum gol sofrido. E que, mais importante, tentarão vencer a Grécia - esta, sim, adversária mais direta da Holanda por uma vaga na Euro.

Ganhar a partida da próxima segunda, aliás, encaminharia de vez a Holanda ao torneio europeu, tendo em vista as rodadas finais (contra Irlanda, em casa, e Gibraltar). E apesar dos pesares, é por isso que a Laranja supera os problemas rumo aos desafios. Além do mais, se as lesões grassam por lá, a França também não terá William Saliba, Jules Koundé, Dayot Upamecano, e Kylian Mbappé teve lá suas contusões. Quem sabe...

Os 23 convocados da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

Goleiros: Andries Noppert (Heerenveen), Bart Verbruggen (Brighton-ING) e Nick Olij (Sparta Rotterdam)

Laterais: Denzel Dumfries (Internazionale-ITA), Jeremie Frimpong (Bayer Leverkusen-ALE), Quilindschy Hartman (Feyenoord) e Daley Blind (Girona-ESP)

Zagueiros: Virgil van Dijk (Liverpool-ING), Micky van de Ven (Tottenham-ING), Stefan de Vrij (Internazionale-ITA), Lutsharel Geertruida (Feyenoord) e Nathan Aké (Manchester City-ING)

Meio-campistas: Tijjani Reijnders (Milan-ITA), Marten de Roon (Atalanta-ITA), Joey Veerman (PSV) e Mats Wieffer (Feyenoord)

Atacantes: Donyell Malen (Borussia Dortmund-ALE), Xavi Simons (RB Leipzig-ALE), Steven Bergwijn (Ajax), Calvin Stengs (Feyenoord), Brian Brobbey (Ajax), Wout Weghorst (Hoffenheim-ALE) e Ian Maatsen (Chelsea-ING)

sexta-feira, 24 de março de 2023

Estava (quase) no roteiro

Bastaram 21 minutos terríveis defensivos para a Holanda se ver perdida contra a França, nas eliminatórias da Euro. Era previsível, mas não precisava de tanto (Pro Shots)

É um fato: a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) é inferior à da França, em condições normais. Com a Laranja tendo cinco desfalques em razão de infecção alimentar - dois dos desfalques, Matthijs de Ligt e Cody Gakpo, prováveis titulares -, mais Denzel Dumfries suspenso, então, era óbvio cravar os franceses como favoritos para a primeira partida das eliminatórias da Euro 2024. Nem mesmo nos Países Baixos se apostava numa vitória da própria seleção no Stade de France. E foi exatamente o que aconteceu nesta sexta-feira. Só que a goleada sofrida por 4 a 0 talvez tenha sido uma pancada mais dolorosa do que se esperava.

E foi mais dolorosa por causa de alguns problemas. O primeiro deles é quase crônico em relação à Holanda: a pouca intensidade. Nos primeiros minutos, só restou aos jogadores, pressionados pela França, trocarem passes no campo de defesa. Situação em que erros seriam punidos. Coube a um jogador em posição crucial - Kenneth Taylor, substituindo o lesionado Frenkie de Jong - errar, ao permitir o roubo de bola por Randal Kolo Muani, perto da área. Com Kylian Mbappé e Antoine Griezmann à disposição, livres. O resultado: passe para Mbappé, ele cruzou, Griezmann completou, França 1 a 0. Se fosse só isso, já seria difícil: a Holanda receberia mais espaço para avançar, continuaria com a bola, mas qualquer erro deixaria campo livre para os contra-ataques de uma França veloz por natureza (como se não bastasse a habilidade aos azuis). 

Nem foi necessário isso acontecer: uma falta na direita, bola cobrada para a área, má saída de gol de Jasper Cillessen - voltando ao gol da seleção -, e Dayot Upamecano fez o 2 a 0 "sem querer". Mas "sem querer" também era gol. E mesmo que Georginio Wijnaldum tenha tido uma chance, aos 20', "furando" na hora da finalização, o minuto seguinte trouxe a tentativa seguinte dos franceses: passe em profundidade de Aurélien Tchouaméni (dominando o meio-campo, como sempre), com Mbappé livre para fazer o que melhor sabe - chegar com a bola, em velocidade, à área, e fazer o terceiro gol da França. Com apenas 21 minutos. Desde 1919 a Laranja não tomava tantos gols em tão pouco tempo numa só partida. Ficava clara, por exemplo, a falta que De Jong fazia no meio-campo.

Weghorst substituiu Taylor ainda no primeiro tempo: com a falha no primeiro gol da França, o meio-campo acabou pagando pelas falhas do meio e da defesa (Pro Shots)

É justo reconhecer que houve pontos positivos aqui e ali. No meio, se não pôde fazer muita coisa, pelo menos Xavi Simons tentou criar jogadas - como no cruzamento aos 33', perdido por Memphis Depay. Na defesa, Nathan Aké se mostrou bastante seguro: evitou um gol de Kingsley Coman com carrinho perfeito na pequena área, aos 36'. Lutsharel Geertruida, que estreava na seleção, pelo menos não tinha erros que pudessem ser atribuídos a ele. E Ronald Koeman, pelo menos, tentou mexer no que não dava certo, trocando Taylor por Wout Weghorst já aos 33 minutos de jogo, deixando o atacante como uma referência que pudesse reter mais a bola no ataque.

Desde então, no segundo tempo, a Holanda conteve seus danos. Tomou contra-ataques, de vez em quando, é verdade. Mas até evoluiu, passou a circular mais perto da área da França. Teve até chances, com as entradas de Donyell Malen (que acelerou mais o ataque) e Daley Blind (que ajudou mais na marcação). Porém, Memphis Depay foi centro de duas jogadas que exemplificaram as falhas da Holanda no jogo. Primeiro, na defesa: uma bola perdida por ele foi aproveitada por Kylian Mbappé para virar o quarto gol francês. Depois, no ataque: mesmo tendo boa chance para um gol que a Holanda fez por merecer, no pênalti surgido nos acréscimos, sua cobrança foi fraca demais para perturbar Mike Maignan, que defendeu e ainda teve agilidade para evitar o rebote.

Claro, é só o começo para esta nova fase. Claro, a Holanda não é pior do que Irlanda e Grécia, outras adversárias nas eliminatórias da Euro. Claro, é bem provável que contra Gibraltar, na segunda-feira, venha uma vitória fácil. Mas a Holanda precisará melhorar, ser mais dinâmica em campo, se não quiser sofrer na qualificação. A sorte é que ainda há tempo para isso. Com até uma chance de título, via Nations League, no meio do caminho.

Eliminatórias da Euro 2024
França x Holanda
Data: 24 de março de 2023
Local: Stade de France (Saint-Dénis)
Juiz: Maurizio Mariani (Itália)
Gols: Antoine Griezmann, aos 2', Dayot Upamecano, aos 8', Kylian Mbappé, aos 21' e aos 88'

França
Mike Maignan; Jules Koundé, Ibrahima Konaté, Dayot Upamecano e Théo Hernández; Antoine Griezmann (Youssouf Fofana, aos 77'), Aurélien Tchouameni (Eduardo Camavinga, aos 76') e Adrien Rabiot (Khéphrén Thuram, aos 89'); Kingsley Coman (Moussa Diaby, aos 67'), Randal Kolo Muani (Olivier Giroud, aos 77') e Kylian Mbappé. Técnico: Didier Deschamps

Holanda
Jasper Cillessen; Jurriën Timber, Lutsharel Geertruida (Tyrell Malacia, aos 87'), Virgil van Dijk e Nathan Aké; Marten de Roon (Daley Blind, aos 67'), Georginio Wijnaldum e Kenneth Taylor (Wout Weghorst, aos 33'); Steven Berghuis (Donyell Malen, aos 68'), Memphis Depay e Xavi Simons (Davy Klaassen, aos 68'). Técnico: Ronald Koeman

sábado, 23 de julho de 2022

De onde menos se espera... nada

A Holanda se segurou contra a França, se esforçou, teve pontos positivos... mas não escapou da derrota e da eliminação que eram esperadas para ela na Euro (Jonathan Moscrop/Getty Images) 

Aparício Torelly (1895-1971), apelidado "Barão de Itararé", foi um pioneiro brasileiro na análise política - com bom humor. Algumas de suas frases são notáveis e engraçadas ironias. Uma das melhores: "De onde menos se espera... aí é que não sai nada mesmo". Descreve perfeitamente o comportamento da seleção feminina da Holanda (Países Baixos) nas quartas de final da Euro feminina, contra a França. As francesas eram as favoritas, a maioria reconhecia. Temeu-se até um vexame das Leoas Laranjas, para alguns. E a Holanda, mesmo se esforçando, mesmo se segurando na defesa - quase inacreditavelmente, até -, mesmo tendo a confirmação de que Daphne van Domselaar é uma valiosa alternativa para o gol... foi pior mesmo do que as Azuis. Teve a esperada derrota - por pouco, só 1 a 0, mas teve. E está fora da Euro.

Aliás, pelo que se viu no primeiro tempo, houve risco não só da esperada derrota, mas de vexame. A escalação de Mark Parsons teve uma aposta: Victoria Pelova na direita do ataque, Daniëlle van de Donk como a "criadora de jogadoras" no meio-campo, Jill Roord no banco. Aposta errada, pelo que se viu nos primeiros 45 minutos. A Holanda teve apenas uma chance relativamente digna de nota (um chute de Sherida Spitse, aos 9', que foi para fora após desvio em Charlotte Bilbaut). De resto, o ataque laranja foi quase inativo. Por causa do meio-campo, de atuação terrível no tempo inicial. Spitse, Jackie Groenen, Van de Donk: não só falharam na marcação do bom meio-campo francês como, lentas, permitiram várias inversões de jogo e avanços da França pelos lados. Resultado: tudo estourou na defesa holandesa, como sempre tinha sido nesta Euro. Começando pelas laterais, com falhas de Lynn Wilms, na direita (mais), e Kerstin Casparij, na esquerda (menos).

As chances da equipe gaulesa, então, se avolumaram. Um chute de Kadidiatou Diani, aos 15'; outro arremate, de Delphine Cascarino, aos 22', uma tentativa de Sandie Toletti, no minuto seguinte. Por quê, então, o primeiro tempo terminou ainda em 0 a 0? Porque dois nomes da defesa da Holanda foram soberanos. Stefanie van der Gragt mostrou que, mesmo contestada, é a mais esforçada das zagueiras holandesas: salvou duas bolas em cima da linha (complemento de Melvine Malard, aos 37', e de Grace Geyoro, aos 41'). E Daphne van Domselaar, de certa forma, se confirmou como a melhor goleira da Euro, até agora. Várias defesas - dez ao todo, a maior quantidade de uma goleira nesta Euro até agora -, coroadas por uma sequência impressionante de duas intervenções, aos 17', evitando um gol contra de Dominique Janssen e se recuperando rápido para pegar o rebote de Bilbaut. Tudo isso, com agilidade e elasticidade como havia tempos a Holanda não via em suas goleiras.

A Holanda caiu, Van Domselaar subiu: a bola do pênalti da vitória francesa foi a única em que a goleira das Leoas Laranjas fracassou, em atuação valorosa (Marcio Machado/Eurasia Sports Images/Getty Images)

Se Van Domselaar era o grande destaque, ao mesmo tempo em que isso indicava seu mérito, mostrava como a Holanda precisava melhorar no segundo tempo. Melhorou. A entrada de Roord, no lugar de Lineth Beerensteyn, estabilizou mais o meio-campo, ao colocar tanto ela quanto Van de Donk nas suas posições preferenciais. E a equipe holandesa viveu alguns momentos de perspectiva de reação: um chute de Pelova bloqueado por Griedge Mbock Bathi aos 47', uma chance de Miedema aos 56' (voleio por cima), um cabeceio de Van der Gragt aos 59'... mas logo a França cresceu no ataque, novamente. A entrada de Selma Bacha trouxe mais velocidade - e mais perigo à Holanda. Aí, Van Domselaar também reapareceu. Defesa em dois chutes próximos (Bacha aos 65', Grace Geyoro aos 90' + 2), imponência... e tudo culminou na impressionante espalmada em cabeceio de Wendie Renard, no lance final do tempo normal.

Ao mesmo tempo em que continuava inferior à França, atacando mais esporadicamente, era justo reconhecer que a Holanda melhorara. Se Spitse seguia sem velocidade, melhorara nos desarmes - assim como Groenen. Casparij estava um pouco mais segura na lateral esquerda, até avançando de vez em quando. E Esmee Brugts, vinda para o jogo no fim do tempo normal, tentava algo (como num chute, aos 97'). Todavia, bastou um lance de desorganização defensiva, num avanço da França, para vir, enfim, o gol que as Azuis tanto buscaram. Janssen cometeu pênalti, derrubando Diani na área. A falta clara passou em branco a princípio, mas o VAR alertou a árbitra Ivana Martincic. O pênalti foi marcado. E Éve Perisset bateu para o 1 a 0, na única bola que Van Domselaar não pôde defender (embora tivesse acertado o canto).

Mais desgastada do que a França - que tinha mais alterações a fazer -, a Holanda tentou atacar mais na garra do que na capacidade. Como sempre foi nesta Euro, de certa forma. Mas isso não era suficiente para evitar a eliminação, embora ela tenha se dado de uma maneira digna. Sobrou esforço, Vivianne Miedema mereceu elogios por sua dedicação (jogar 120 minutos, vinda de COVID...), Van Domselaar foi a grande revelação do gol na Euro... mas a Holanda está fora da Euro. Poucos esperavam coisa diferente. E ela tentou, mas não conseguiu fugir de sua expectativa.

Euro feminina 2022 - quartas de final
França 1x0 Holanda
Data: 23 de julho de 2022
Local: New York Stadium (Rotherham)
Juíza: Ivana Martincic (Sérvia)
Gol: Éve Perisset, aos 102'

França
Pauline Peyraud-Magnin; Éve Perisset (Marion Torrent, aos 106'), Griedge Mbock-Bathy, Wendie Renard e Sakina Karchaoui; Sandie Toletti (Ella Palis, aos 106'), Charlotte Bilbaut e Grace Geyoro (Clara Matéo, aos 87'); Kadidiatou Diani (Ouleymata Sarr, aos 106'), Melvine Malard (Selma Bacha, aos 62') e Delphine Cascarino. Técnica: Corinne Diacre

Holanda
Daphne van Domselaar; Lynn Wilms (Damaris Egurrola, aos 115'), Stefanie van der Gragt, Dominique Janssen e Kerstin Casparij (Aniek Nouwen, aos 106'); Jackie Groenen, Daniëlle van de Donk (Esmee Brugts, aos 72') e Sherida Spitse (Romée Leuchter, aos 106'); Lineth Beerensteyn (Jill Roord, aos 46'), Vivianne Miedema e Victoria Pelova. Técnico: Mark Parsons

terça-feira, 3 de março de 2020

Para experimentar... e ganhar

O ar do quarteto Roord-Van de Sanden-Spitse-Van de Donk deixa claro: ganhar é importante, mas o torneio amistoso é encarado tranquilamente para a Holanda. Intenção maior é experimentar algumas novas caras (AFP)

A impressão agradável que a seleção feminina da Holanda deixou na Copa do Mundo, ano passado, faz com que seja grande a expectativa sobre o que as Leoas Laranjas podem fazer no torneio amistoso da França, iniciado nesta quarta - com a estreia laranja contra o Brasil, em Valenciennes, às 15h de Brasília. Expectativa talvez maior do que os objetivos claros para o quadrangular com Brasil, Canadá e França. Claro, ganhá-lo será bom, será uma mostra de que a equipe continua confiável. No entanto, um objetivo tão importante quanto as vitórias serão as experiências feitas com vistas aos jogos contra Kosovo e Estônia, em abril, pelas Eliminatórias da Euro 2021, e para o próprio torneio olímpico.

Foi exatamente o que a treinadora Sarina Wiegman comentou à emissora NOS, na segunda-feira de apresentação das 24 convocadas antes da viagem à França: "É uma ótima chance para desenvolvermos o time, tentarmos coisas". E foi exatamente com essas intenções que ela convocou quatro jogadoras pouco habituais nas convocações. O quadrangular na França será a oportunidade para que possam despontar a zagueira Lynn Wilms, do Twente; a lateral Aniek Nouwen, do PSV; e as atacantes Ashleigh Weerden, também do Twente, e Joëlle Smits, do PSV.

Por sinal, Nouwen é a primeira tentativa de Sarina para resolver um problema inexistente durante a Copa: quem será a lateral direita das Leoas Laranjas em Tóquio? Afinal, Van Lunteren, a titular no vice-campeonato mundial, deixou a seleção no fim do ano passado, preferindo se focar somente no Ajax. Sua reserva imediata, Liza van der Most, estava pronta para ocupar a posição, mas uma séria lesão no joelho tirou Van der Most da temporada - e muito provavelmente, dos Jogos Olímpicos. À NOS, Wiegman reconheceu: "É um desafio. É tentar mexer aqui e ali, até as coisas darem certo de novo". Assim como também reconheceu que "não esperava" ver a goleira e capitã Sari van Veenendaal, de atuações estupendas na Copa, na reserva do Atlético de Madrid.

Após a lesão renitente no pé, Lieke Martens está otimista (BSR Agency)

Se umas foram, outras voltaram. E outras importantes. Enfim recuperada dos problemas no joelho após cirurgia, Stefanie van der Gragt retornou às convocações - e imediatamente deverá voltar ao miolo de zaga, para a parceria com Anouk Dekker. E retornando bem ao Barcelona após a cirurgia no pé que tanto a atrapalhou durante a Copa, Lieke Martens já mostrou nas palavras o quanto está entusiasmada para voltar a jogar vestindo laranja: "Estou com muita vontade. É muito bom ver as meninas de novo". Falando ao jornal De Telegraaf nesta terça, Martens se lembrou dos problemas que o dedo do pé operado lhe causava: "Foi um período duro, eu sentia dores em todo jogo. Mesmo quando andava normalmente pela cidade, sentia um incômodo. Estou feliz que tenha acabado. Eu me sinto bem, já joguei partidas: no começo vinha do banco, e agora estou começando como titular". Começando bem, vale lembrar: foram dois gols pelo Barcelona, nas últimas semanas do Campeonato Espanhol feminino.

E entre preocupações e confianças (Vivianne Miedema, titularíssima no ataque, já tem 14 gols em 12 jogos pelo Arsenal, na Women Super League inglesa), a seleção feminina da Holanda está confiante e tranquila. Mesmo a ameaça do coronavírus, preocupando a Europa, é monitorada com calma, como Sarina Wiegman comentou: "Ouvimos conselhos do RIVM (instituto de saúde pública) e do comitê olímpico holandês. Recebemos a recomendação de evitarmos abraços, talvez até recusar presentinhos como bichos de pelúcia. E se alguém se sentir mal, terá imediatamente um quarto isolado".

Assim, o torneio amistoso é encarado de modo até feliz, numa França que tão boas lembranças deixou às Leoas Laranjas em 2019. Sarina Wiegman celebra: "Jogaremos contra seleções que também estarão nos Jogos Olímpicos. E se perdermos, não haverá consequências". Exatamente por isso, a treinadora deu a certeza: "Ganhar é legal, mas quero experimentar acima de tudo". As experiências serão ainda mais aceitas em caso de vitórias...

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A reação está confirmada

Frenkie de Jong, Depay, Blind, De Roon, Vilhena, Wijnaldum, Aké... todos tiveram o final merecidamente feliz, com uma tremenda vitória da Holanda sobre a França (ANP)
A vitória por 3 a 0 sobre a Alemanha, na rodada passada da Liga das Nações, em outubro, já dava a impressão de que a seleção da Holanda estava recuperada e pronta para seguir em frente. No entanto, nada impedia que houvesse uma derrota para a França, nesta sexta-feira, em Roterdã, colocando o triunfo anterior na conta da "sorte de principiante". Afinal, o adversário era a seleção campeã mundial. Pois bem: depois do que se viu em 90 minutos, fora os acréscimos, já não são necessárias mais dúvidas ou desconfianças. A Laranja reagiu. Voltou a ser uma seleção de destaque. E provou isso no 2 a 0 sobre os Bleus, aumentando as chances de ir à fase final do torneio europeu de seleções.

Desde os primeiros minutos do jogo em De Kuip, já era notório que o time titular (o mesmo do triunfo sobre a Alemanha) tinha condições técnicas de causar problemas aos franceses - até porque o goleiro Hugo Lloris teve de aparecer bem já aos dois minutos, quando Memphis Depay cruzou a bola na área, da direita, e Georginio Wijnaldum arrematou forte para o rebote do arqueiro e capitão da seleção visitante. Parecia o começo de uma pressão irrespirável, diante de um estádio lotado. Não foi bem assim. Por causa da opção tática da França.

Os Bleus apostaram no estilo que tão certo deu na Copa vencida há alguns meses: deixavam a posse de bola (e até algum espaço) para a Holanda. Nos contra-ataques, bastava confiar na velocidade e na técnica de Kylian Mbappé - e nos avanços de Lucas Digne, pela esquerda. Foi assim que Antoine Griezmann teve uma chance (cabeceio pego por Jasper Cillessen, aos 11'). Foi assim que os gauleses passaram a ter mais posse de bola, no meio da etapa inicial - culminando no perigoso chute de Benjamin Pavard, por cima do gol de Cillessen, aos 28'.

O que não significava que a Holanda jogasse mal. Como já dito, o time da casa tinha espaços e tinha chances - como o chute de Depay, aos 15', para fora. Não faltava quem se destacasse: as seguras atuações de Virgil van Dijk, Denzel Dumfries e Daley Blind na defesa, o destaque sobressalente de Frenkie de Jong e Georginio Wijnaldum no meio, Memphis Depay enfim sendo o protagonista que sempre pôde ser no ataque. Só faltavam chances, num primeiro tempo que ia terminando meio sem emoções. 

Memphis Depay ouvirá elogios cada vez maiores: vive o grande momento de sua carreira. E Wijnaldum ouvirá: enfim, se destaca no meio-campo holandês (Peter Lous/Soccrates/Getty Images)
Mas veio uma, aos 44 minutos. Foi suficiente. Com um toque de sorte: após o cruzamento de Frenkie de Jong, Steven N'Zonzi desviou levemente na bola. E facilitou o domínio de Memphis, para chutar. Lloris fez a segunda de várias defesas notáveis no jogo em Roterdã. Mas deu o rebote. E Wijnaldum, livre para chegar ao ataque, pôde aproveitar e fazer 1 a 0. Nada estava definido, mas a vantagem era valiosa: dava tranquilidade. Até para tentar resistir à ofensiva francesa que talvez viesse no segundo tempo.

Surpresa: não veio. Os 45 minutos finais mostraram uma Holanda como não se via havia muito tempo: segura, imperturbável, ofensiva. Foram mais notáveis as defesas de Hugo Lloris (evitando dois chutes de Dumfries aos 62', espalmando falta de Memphis aos 73', outro arremate do camisa 10 aos 74', e finalmente, tentativa de Frenkie de Jong, já nos acréscimos) do que qualquer tentativa da seleção francesa. Graças à segurança esbanjada por Van Dijk, Blind, Matthijs de Ligt e Dumfries - este, cada vez mais firme na lateral direita. E também, diga-se de passagem, às atuações menos inspiradas de Griezmann e Mbappé.

Preciso nos desarmes, preciso nos passes: Frenkie de Jong teve uma atuação para justificar por que seu nome é cada vez mais falado (John Thys/ANP)
O final do jogo aumentou a pressão francesa, com N'Golo Kanté e Tanguy Ndombelé indo mais à frente, trazendo a bola. Mas a Holanda seguiu apostando nos contra-ataques. Memphis Depay mostrava maturidade insuspeita em outros tempos - segurando a bola, trazendo perigo, sendo o grande destaque da partida. Enfim, já nos acréscimos, veio o pênalti de Moussa Sissoko em Frenkie de Jong, outro luminar da partida. E a "cavadinha" de Memphis para o 2 a 0, rebaixando a Alemanha na Liga das Nações, tornando a Holanda a grande favorita em seu grupo na Liga A, levando De Kuip à loucura (15ª vitória seguida da seleção no estádio), motivando grande comemoração dos próprios jogadores.

Tão grande, aliás, que eles mesmos não sabiam como descrevê-la. "Estou sem palavras", exclamou Wijnaldum à emissora NOS. Discreto, Ronald Koeman só elogiou: "Eu não esperava que este grupo tivesse uma leitura tão boa do jogo, que jogasse tão maduro. A França não veio aqui para jogar bonito, então seria difícil ter paciência e esperar o momento certo. Por isso, merecem muitos cumprimentos". Depay mantinha a cabeça fria: "Por essas atuações, nota-se que estamos no caminho certo. Mas nada está ganho ainda".

De fato, a Holanda ainda precisa de um ponto para avançar à fase final da Liga das Nações. E uma vitória alemã em Gelsenkirchen, na terça, é bem possível. Mas já dá para dizer: será difícil conter a Laranja. Antes ainda havia incertezas se ela podia fazer frente. Agora não há mais: ela pode. A reação está confirmada.

Liga das Nações da UEFA - Liga A - Grupo 1
Holanda 2x0 França
Local: De Kuip (Roterdã)
Data: 16 de novembro de 2018
Árbitro: Anthony Taylor (Inglaterra)
Gols: Georginio Wijnaldum, aos 44'; Memphis Depay, aos 90' + 5

Holanda
Jasper Cillessen; Denzel Dumfries, Matthijs de Ligt, Virgil van Dijk e Daley Blind; Marten de Roon, Frenkie de Jong e Georginio Wijnaldum (Nathan Aké); Steven Bergwijn (Quincy Promes), Ryan Babel (Tonny Vilhena) e Memphis Depay. Técnico: Ronald Koeman

França
Hugo Lloris; Benjamin Pavard, Raphaël Varane, Presnel Kimpembe e Lucas Digne; N'Golo Kanté e Steven N'Zonzi (Tanguy Ndombélé); Kylian Mbappé, Blaise Matuidi (Moussa Sissoko) e Antoine Griezmann; Olivier Giroud (Ousmane Dembélé). Técnico: Didier Deschamps

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Otimismo antes das decisões

Passeio de bicicleta até o treino, tranquilidade, sorrisos: mesmo antes de jogos importantes, há quanto tempo não se via a seleção da Holanda assim? (Pim Ras Fotografie)
Bem disse o jornalista Freek Jansen, da revista Voetbal International, ao falar sobre o clima na seleção holandesa antes das partidas pela Liga das Nações da UEFA, contra França (nesta sexta, em Roterdã) e Alemanha (na próxima terça, dia 19, em Gelsenkirchen): "Há um tempo, 'Laranja' era quase um palavrão para os jogadores. Agora, todos querem estar lá, todos gostam de estar lá". Fazia tempo que a Holanda não comovia tanto sua torcida quanto comoveu no 3 a 0 sobre a Alemanha, em outubro. E o clima de otimismo continua alto na Oranje para as últimas datas FIFA deste 2018.

Razões para isso, não faltam. Primeiramente, o técnico Ronald Koeman terá os 24 jogadores convocados à disposição e em forma (ao contrário da França, que viu os cortes de Paul Pogba e Anthony Martial, e da Alemanha, que não terá Marc-Andre ter Stegen, Jérôme Boateng, Julian Draxler e Mark Uth - e tem dúvidas sobre as possibilidades de Marco Reus). Depois, porque só o fato de chegar à fase decisiva no grupo 1 da Liga A ainda em condições de ganhar a vaga na fase final da Nations League já anima uma seleção que andava em baixa. Koeman falou sobre isso, numa das entrevistas coletivas: "Quando veio o sorteio dos grupos, para muitos, estávamos fadados a sermos rebaixados. Parece que há mais em jogo do que o terceiro lugar do grupo...".

Koeman aproveita a calma do centro de treinamentos da Holanda - e vai formando uma equipe entrosada (VI Images)
De fato. Basta dizer que, mesmo se não se classificar, a Holanda tem grandes chances de se garantir como cabeça-de-chave das eliminatórias da Euro 2020. De quebra, a fase de "reformulação" parece encerrada. Koeman reconheceu: "Os jogadores já sabem o esquema, já sabem como atuar". Comemorou a calma maior oferecida pelo centro de treinamentos da federação, na bucólica Zeist: "Nós pedalamos juntos para os treinos. Todo mundo cresce junto. Isso deixa o time mais forte".  Símbolo disso foram as palavras de um dos mais experientes do grupo atual, Georginio Wijnaldum: "Se os resultados não vêm, a sensação naturalmente fica ruim. Agora, a sensação é muito boa. Nota-se que estamos todos do mesmo lado, que não há mais 'grupinhos'". 

Para os destaques técnicos, a própria boa fase de cada um amplia a confiança. Envolvido em oito dos últimos dez gols da Laranja, Memphis Depay confirma isso, bem que está dentro de campo (no Lyon) e fora: "Agora mostro o que acho importante, o que me deixa em paz. (...) Ainda quero ser o melhor, isso ainda está na minha cabeça, mas não vem antes de tudo. (...) E as coisas vêm juntas. Meu papel em campo também influencia isso. Não sou mais só o ponta, que joga pelos lados e vem para dentro. Ainda faço isso, mas em combinação com outras coisas. Semana passada [contra o Guingamp, pelo Campeonato Francês], eu joguei como '10', e foi ainda melhor".

Claro, ainda há coisas a resolver. Ronald Koeman, por exemplo, ainda teve de responder a perguntas sobre os porquês da convocação de Kenny Tete para a lateral direita, mesmo que Denzel Dumfries tenha ampliado as boas opiniões sobre ele, com a ótima atuação contra a Alemanha (e a sequência da boa fase no PSV): "Na minha lista de candidatos a lateral direito para a seleção, ele é, talvez, o mais completo. Todos os jogos em que atuou comigo, foi bem". 

Dilrosun, o único estreante na convocação da seleção: pode estrear, mas o alarido incomoda seu técnico no Hertha Berlin (ANP)
E há a indecisão no ataque, ainda sem um nome indiscutível (até por isso, a movimentação maior de Memphis Depay). Indecisão prejudicada pela lesão de Arnaut Danjuma Groeneveld, bem no amistoso contra a Bélgica. Restou chamar um estreante: Javairô Dilrosun, que começou bem a temporada no Hertha Berlin. Só que o húngaro Pál Dardai, técnico do Hertha, criticou a suposta precipitação: "Fico feliz pela convocação dele, mas acho que há festa demais. Se ele tivesse jogado até a pausa de inverno como fez no início, tudo bem. Mas precisa mudar muito e se desenvolver". Enquanto espera pelas perspectivas de estreia, Dilrosun só desconversou: "Continuo fazendo tudo normalmente".

Mas só o fato de Koeman ter falado mais sobre o desequilíbrio técnico no Campeonato Holandês do que propriamente justificado qualquer coisa sobre a seleção já dá uma sensação de que algo mudou na seleção holandesa. E as partidas contra França e Alemanha podem consolidar o que o capitão dos Bleus, Hugo Lloris, já reconheceu: "Acho que Holanda voltou ao mais alto nível". Quaisquer resultados que não sejam duas derrotas comprovarão isso.