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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Guia da Eredivisie 2026/27: Cambuur

O zagueiro Baouf é um dos únicos remanescentes da campanha do acesso, no retorno do Cambuur à Eredivisie (Jeroen van den Berg/Soccrates/Getty Images)

SC Cambuur-Leeuwarden

Cidade: Leeuwarden  
Estádio: Kooi Stadion (capacidade para 15.000 torcedores)
Apelido: SCC
Títulos: 4 títulos da segunda divisão
Ranking histórico: 34º
Patrocínio: Dijkstra Draisma (construtora)
Técnico: Johan Plat
Destaque: Nicky Souren (meio-campista)
Fique de olho: Ismaël Baouf (zagueiro)
Temporada passada: Vice-campeão da segunda divisão
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Copas europeias: nenhuma 
Objetivo: escapar do rebaixamento 
Amistosos de pré-temporada:
30 de junho - Seleção regional de Kootstertille 0x9 Cambuur
4 de julho - Excelsior 3x2 Cambuur
10 de julho - Cambuur 2x1 Roda JC
18 de julho - Cambuur (reservas) 0x3 Cambuur (titular) - jogo organizado às pressas, após cancelamento do Al Wasl (Emirados Árabes Unidos)
24 de julho - Cambuur 0x1 Utrecht
28 de julho - Cambuur 1x2 Volos-GRE
1º de agosto - Bologna-ITA 3x1 Cambuur
Principais chegadas: Luca Plogmann (G, Go Ahead Eagles), Devid Bouah (D, Carrarese-ITA), Lucas Jetten (D, Ajax), Morgan Costarelli (D, Lille-FRA), Ryan van de Pavert (D, Ajax), Rafik El Arguioui (M, Utrecht), Skye Vink (A, Ajax), Sami Bouhoudane (A, PSV) e Ilyes Hamache (A, Schalke 04-ALE)
Principais saídas: [Tomas Gálvez (D, Manchester City-ING)], Billy van Duijl (D, AZ), Mark Diemers (M, fim de contrato), [Ichem Ferrah (A, Lille-FRA)], Oscar Sjöstrand (A, Malmö-SUE), Remco Balk (A, Bali United-IDN), Jort van der Sande (A, Bali United-IDN)

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 

O Cambuur se preparou cuidadosamente para retornar à primeira divisão neerlandesa, após três anos. Parte dessa preparação era a inauguração de sua nova casa, o Kooi Stadion, aberto em 2025, de propriedade do próprio clube - ficando com a bilheteria, afinal, seria uma renda a mais. Dentro de campo, coube ao velho ídolo Henk de Jong, técnico da queda em 2022/23, simbolizar a volta. Superando um sério problema de saúde - um cisto no cérebro, removido durante uma licença -, De Jong ficou no clube da cidade de Leeuwarden e encerrou sua carreira como treinador realizando seu desejo: trazer o Cambuur de volta à Eredivisie, com a plena aclamação da torcida.

Agora como consultor técnico, Henk de Jong terá de auxiliar bastante o novo treinador, Johan Plat. Até porque praticamente todos os destaques do Cambuur deixaram o clube. Alguns, voltando aos clubes que os haviam emprestado, como o ponta Ichem Ferrah, um dos melhores jogadores da temporada passada da segunda divisão. Outros, vendidos, como os atacantes Oscar Sjöstrand e Jort van der Sande. Outros, ainda, dispensados, como o meio-campista e capitão Mark Diemers. Caberá a alguns remanescentes, como o goleiro Thijs Jansen e o zagueiro Ismaël Baouf (destaque de Marrocos campeão mundial sub-20 em 2025, possível nome para a seleção principal marroquina), tentar ajudar o Cambuur a fazer uma campanha sem sustos em seu retorno.

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Análise da temporada: Cambuur

O Cambuur viveu uma longa e gradual queda, rumo ao rebaixamento esperado havia várias rodadas. Pelo menos, a torcida compreendeu e os jogadores se esforçaram (Pro Shots)

Colocação final: 17º lugar, com 19 pontos - rebaixado diretamente
No turno havia sido: 18º lugar, com 9 pontos 
Time-base: Ruiter; Schmidt (Van Wermeskerken), Bergsma (Tol), Smand e Bangura; Van Kaam (Jacobs), Hoedemakers e Breij (Paulissen); Balk, Uldrikis (Johnsen) e Mahi
Técnico: Henk de Jong (até a 10ª rodada), Pascal Bosschaart/Martijn Barto (interinos, até a 14ª rodada) e Sjors Ultee (a partir da 15ª rodada)
Maiores vitórias: Fortuna Sittard 1x4 Cambuur (3ª rodada) e Cambuur 4x1 Go Ahead Eagles (24ª rodada) 
Maior derrota: Cambuur 0x5 Ajax (20ª rodada)
Principal jogador: Mees Hoedemakers (meio-campista) 
Artilheiros: Mees Hoedemakers (meio-campista) e Bjorn Johnsen (atacante), ambos com 3 gols
Quem deu mais passes para gol: Alex Bangura (lateral esquerdo), com 3 passes
Quem mais partidas jogou: Michael Breij (atacante), com 32 partidas
Copa nacional: eliminado pelo De Treffers (terceira divisão), na segunda fase
Competições continentais: nenhuma

Na derrota para o Utrecht (3 a 0, na 31ª rodada), que selou o rebaixamento do Cambuur para a segunda divisão, a torcida do time de Leeuwarden riu da própria desgraça. Começou a gritar um refrão dizendo que ainda é bom estar do lado do clube - mesmo sabendo que, na temporada que vem, o destino é pegar clubes como o Helmond Sport, longe dos holofotes. Essa forma gozadora de se consolar mostra, indiretamente, como o rebaixamento era algo esperado há um bom tempo. Afinal de contas, já no primeiro turno, o time auriazul não passou de 9 pontos em 17 rodadas. Durante toda a temporada, sofreu com o ataque, o pior do campeonato - apenas 26 gols. E a troca indesejada de técnicos afetou. Henk de Jong foi aconselhado por médicos a deixar o clube, pelo cisto na cabeça que já o atrapalhara em 2021/22. Figura marcante no Cambuur, De Jong fez falta. Até porque foi com ele que o Cambuur conseguiu um raro ponto alto na Eredivisie, ainda no começo: a vitória sobre o PSV, por 3 a 0, na 8ª rodada.

Ainda assim, o técnico Sjors Ultee fez o que podia. Pôde ter algumas contratações na pausa de inverno, com nomes que conheciam o Campeonato Holandês: o ponta-de-lança Navarone Foor (ex-Vitesse, ex-NEC), o ponta Silvester van der Water (ex-Heracles Almelo), o atacante Bjorn Johnsen (ex-ADO Den Haag, quase foi goleador da Eredivisie em 2016/17). Nomes como o meio-campo Mees Hoedemakers fizeram o que podiam. O time ia até melhor fora de casa do que dentro - o Cambuur foi o pior mandante da liga, tendo só três vitórias jogando em Leeuwarden. Mas os reveses e a baixa qualidade técnica foram demais, afundando o Cambuur por muito tempo na última posição. E uma péssima sequência logo na reta final - nove derrotas seguidas, da 25ª à 33ª rodada - encaminhou o rebaixamento, confirmado na 31ª rodada, como supracitado. Se serviu de consolo, a última rodada mostrou um time ativo a ponto de até se despedir da primeira divisão com goleada: 4 a 0 no RKC Waalwijk. Pelo menos, deixou claro para a torcida fiel e compreensiva: o Cambuur realmente fez o que pôde. Só que podia pouco.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Parada obrigatória: Cambuur

A vitória sobre o PSV foi o único momento de celebração, num primeiro turno de dificuldades dentro e fora de campo para o Cambuur (Henk Jan Dijks/Orange Pictures/BSR Agency/Getty Images)

Posição: 17ª colocação, com 8 pontos
Técnicos: Henk de Jong (até a 10ª rodada), Pascal Bosschaart (interino, até a 14ª rodada) e Sjors Ultee 
Time-base: João Virgínia; Van Wermeskerken (Schmidt), Bergsma, Mac-Intosch, Tol e Bangura; Jacobs, Breij (Hoedemakers) e Paulissen; Balk (Van der Water) e Uldrikis (Boere)
Maior vitória: Fortuna Sittard 1x4 Cambuur (3ª rodada)
Maior derrota: RKC Waalwijk 5x1 Cambuur (7ª rodada)
Copa da Holanda: enfrentarão o De Treffers (terceira divisão), na segunda fase
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Jamie Jacobs (meio-campo) e Mees Hoedemakers (meio-campo), ambos com dois gols
Objetivo do início: meio de tabela/escapar do rebaixamento
Avaliação: a falta de força ofensiva já perturbava muito o time de Leeuwarden. E a saída do técnico Henk de Jong foi um trauma fora de campo. Só após a pausa de inverno se saberá se o Cambuur o superou

De certa forma, a trajetória do Cambuur no campeonato até agora lembra a do Emmen. O começo também foi ruim - apenas a derrota da 1ª rodada foi menor (2 a 0), embora contra um time mais modesto (o Excelsior). E mesmo com uma goleada promissora - 4 a 1 no Fortuna Sittard, na 3ª rodada -, o time de Leeuwarden também ficou da 4ª à 7ª rodada só amargando derrotas, como os Emmenaren. Até pior, porque foi goleado duas vezes: 4 a 0 do Ajax, na 5ª rodada, e 5 a 1 do RKC Waalwijk, na 7ª rodada. Ali também se notava outra semelhança do penúltimo com o antepenúltimo colocado: o péssimo desempenho ofensivo. O Cambuur ainda é o pior ataque da Eredivisie: em 14 rodadas, só nove gols marcados. Além do mais, os jogos em casa não servem de alívio: só o Volendam é pior mandante.

Houve, é verdade, um momento de muita alegria para a torcida. Na 8ª rodada, o 3 a 0 sobre o PSV mostrou o que a torcida desejava: um time esforçado e dedicado na defesa, e eficiente no ataque - três contra-ataques, três gols. Porém, logo depois houve um baque para os jogadores, dentro e fora de campo: já enfrentando problemas com um cisto na cabeça desde a temporada passada, o técnico Henk de Jong teve de deixar o clube, de vez. E mesmo com boa parte do time que fez bom papel (9ª lugar) na temporada passada, sob o interino Pascal Bosschaart, o Cambuur desandou. Terminou derrotado nas quatro rodadas derradeiras do ano passado. Agora, tem um novo técnico (Sjors Ultee, ex-Fortuna Sittard). Teve quase dois meses para se recompor. Resta reagir em campo. E há um ótimo momento para se diferenciar: as duas primeiras rodadas de 2023 são contra os dois adversários diretos contra o rebaixamento (Volendam, na 15ª rodada; Emmen, na 16ª).

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Guia da Eredivisie 2022/23: Cambuur

Van der Water chega para ajudar o ataque de um Cambuur já relativamente entrosado, procurando outra campanha segura (Cambuur Media)

SC Cambuur-Leeuwarden

Cidade: Leeuwarden  
Estádio: Cambuurstadion (capacidade para 10.250 torcedores) 
Apelido: SCC
Títulos: 4 títulos da segunda divisão
Patrocínio: Dijkstra Draisma (construtora)
Técnico: Henk de Jong
Destaque: Roberts Uldrikis (atacante)
Fique de olho: Silvester van der Water (atacante)
Temporada passada: 9º colocado
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Copas europeias: nenhuma 
Objetivo: meio de tabela/escapar do rebaixamento 
Amistosos de pré-temporada:
1º de julho - Cambuur 2x2 SV Meppen-ALE 
9 de julho - Magdeburg-ALE 4x2 Cambuur
12 de julho - SC Kootstertille (amador) 1x7 Cambuur
16 de julho - Cambuur 2x1 Telstar
22 de julho - Cambuur 1x3 Zwolle
30 de julho - RKC Waalwijk 1x1 Cambuur
Principais chegadas: Robbin Ruiter (G, sem clube), João Virgínia (G, Everton-ING), [Sam Hendriks (D, De Graafschap)], Léon Bergsma (D, Aarau-SUI), Daniël van Kaam (M, Groningen), Remco Balk (A, Utrecht), Felix Mambimbi (A, Young Boys-SUI) e Silvester van der Water (A, Orlando City-EUA)
Principais saídas: Sonny Stevens (G, fim de contrato), Erik Schouten (D, Willem II), Nick Doodeman (M, Willem II), Issa Kallon (A, fim de contrato) e [Patrick Joosten (A, Groningen)]

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 

A saúde tirou e deu do Cambuur. Tirou cruelmente um goleiro que poderia suceder Sonny Stevens: Pieter Bos já até jogara algumas partidas na temporada passada (Stevens estava lesionado), mas descobriu um sério problema cardíaco pouco antes da pré-temporada, precisando encerrar a carreira - o clube da cidade de Leeuwarden já prometeu ajuda. Em compensação, o técnico Henk de Jong, vitimado por um cisto na cabeça que o tirou de boa parte da temporada passada, está de volta aos trabalhos de preparação. E De Jong terá à sua disposição um grupo que perdeu alguns destaques - mas ganhou outros que podem amenizar plenamente o efeito dessas perdas. 

Tome-se, por exemplo, a citada posição de goleiro. Se o contrato de Stevens expirou e o reserva Bos teve a infelicidade de precisar parar de jogar, Robbin Ruiter é uma opção válida, pela experiência que tem (e o português João Virgínia é um reserva capacitado). Na defesa, Sam Hendriks volta de empréstimo podendo preencher a lacuna deixada no miolo de zaga pela saída de Erik Schouten. E o ataque tem opções até mais qualificadas tecnicamente após a saída de Issa Kallon: na falta de um, dois nomes - Silvester van der Water, tentando reeditar a ótima fase dos tempos do Heracles Almelo, e Remco Balk, cedido ao Utrecht para ter ritmo de jogo. E vários nomes que ajudaram na elogiável campanha de 2021/22 ainda estão por lá: Alex Bangura, Mees Hoedemakers, Roberts Uldrikis, Tom Boere... o Cambuur continua capacitado para fazer uma campanha estável, e manter afastados os riscos de sofrer nas últimas posições.

domingo, 19 de junho de 2022

Análise da temporada: Cambuur

No começo, o Cambuur foi uma surpresa impressionante e respeitável na Eredivisie. E no fim, quando os problemas externos atrapalharam, nomes como Uldrikis (foto) ajudaram a manter a calma em campo (Pro Shots)

Colocação final: 9º lugar, com 39 pontos 
No turno havia sido: 8º colocado, com 27 pontos
Time-base: Stevens (Bos); Schmidt, Schouten, Mac-Intosch e Bangura; Maulun, Hoedemakers e Jacobs (Paulissen); Kallon, Boere (Uldrikis) e Joosten
Técnico: Henk de Jong (até a 15ª rodada, e da 19ª até a 25ª rodada, afastado por razões de saúde), Pascal Bosschaart (interino, da 16ª até a 18ª rodada e na 26ª rodada) e Dennis Haar (interino, a partir da 27ª rodada)
Maior vitória: Cambuur 5x2 Go Ahead Eagles (4ª rodada)
Maior derrota: Ajax 9x0 Cambuur (5ª rodada)
Principal jogador: Alex Bangura (lateral esquerdo)
Artilheiro: Roberts Uldrikis (atacante), com 7 gols
Quem deu mais passes para gol: Issa Kallon (atacante), com 8 passes
Quem mais partidas jogou: Calvin Mac-Intosch (defensor) e Issa Kallon (atacante), ambos com 31 partidas
Copa nacional: eliminado pelo NEC, na segunda fase 
Competições continentais: nenhuma

É possível dizer que a temporada do Cambuur se dividiu em duas metades - não necessariamente delimitadas entre primeiro e segundo turno. Na primeira delas, o campeão da segunda divisão se converteu numa das surpresas mais agradáveis no campeonato. Em que pesem os 9 a 0 sofridos pelo Ajax na 5ª rodada - fartamente responsáveis por fazer do time a defesa mais vazada da Eredivisie -, a maior goleada da Eredivisie, o time de Leeuwarden apresentava bons nomes, como o lateral esquerdo Alex Bangura e o atacante Issa Kallon. E quando a conversa era com times médios/do mesmo tamanho que o seu, o Cambuur impressionava positivamente. Basta dizer que, com uma sequência de quatro vitórias seguidas - três delas, fora de casa -, sequência única em sua história na Eredivisie, o clube chegou a atingir a 5ª posição na tabela. Para um time vindo da Eerste Divisie, era algo impressionante, realmente elogiável.

Mas justamente nessa parte, o técnico Henk de Jong passou a sofrer, com o tratamento de um cisto na cabeça. Primeiramente, cedeu espaço ao auxiliar Pascal Bosschaart, para se dedicar à questão pessoal. Depois, ainda tentou voltar. Mas as ordens médicas o forçaram a deixar o trabalho de vez na temporada, e Dennis Haar foi contratado como técnico interino. O rendimento do time Leeuwardse sofreu, a partir do final de 2021. Primeiro, com a eliminação na Copa da Holanda, para o NEC. Depois, mesmo com o atacante letão Roberts Uldrikis embalando, tomando o lugar de Tom Boere para ser a principal referência ofensiva do Cambuur, o desempenho na Eredivisie caiu barbaramente. Mesmo com partidas boas aqui e ali - incluindo uma notável contra o Ajax, na 26ª rodada, sofrendo 2 a 0 e indo buscar o empate antes de tomar a virada nos acréscimos -, o time auriazul só teve duas vitórias no returno (2 a 1 no Fortuna Sittard, na 24ª rodada, e 3 a 2 no Cambuur, na última). O bom desempenho do começo evitou qualquer temor maior de rebaixamento. Mas pela impressão inicial, o destino foi malvado demais com o Cambuur. Que espera manter o desempenho consistente em 2022/23. Com De Jong, recuperado, no banco de reservas.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Parada obrigatória: Cambuur

Com Uldrikis (centro) como destaque no ataque, o Cambuur se agigantou. Até agora, o campeão da segunda divisão mostra capacidade para querer mais, como uma boa surpresa (Pro Shots)

Posição: 8ª colocação, com 28 pontos 
Técnico: Henk de Jong (substituído pelo interino Pascal Bosschaart a partir da 16ª rodada, por motivos de saúde)
Time-base: Stevens; Schmidt, Mac-Intosch, Schouten e Bangura; Maulun, Hoedemakers e Paulissen (Sambissa); Kallon, Uldrikis (Boere) e Jacobs
Maior vitória: Cambuur 5x2 Go Ahead Eagles (4ª rodada)
Maior derrota: Ajax 9x0 Cambuur (5ª rodada)
Copa da Holanda: eliminado pelo NEC, na segunda fase
Competição europeia: nenhuma
Artilheiros: Roberts Uldrikis (atacante) e Jamie Jacobs (atacante), ambos com 5 gols
Objetivo do início: escapar do rebaixamento
Avaliação: Por enquanto, a melhor surpresa da temporada. O campeão da segunda divisão mostrou entrosamento, teve mudanças que o melhoraram ao longo do turno e conseguiu uma ótima sequência, aumentando suas perspectivas

O Cambuur já estava aliviado só por voltar à primeira divisão dos Países Baixos, após cinco anos. Um alívio justo e merecido: afinal, o time de Leeuwarden liderava a segunda divisão quando a disputa foi interrompida em 2019/20, teve de encarar novamente a Eerste Divisie na temporada passada, e passou por ela com louvor, agora sim, sendo campeão. De quebra, mesmo com a perda do principal destaque do título (o atacante Robert Mühren, que foi para o Volendam), seguiram muitos nomes vindos das agruras dos dois últimos anos. A zaga ficou praticamente inalterada, Mees Hoedemakers foi o principal meio-campista, Issa Kallon dava alguma velocidade no ataque... mas bastou os Leeuwarders serem vítimas da maior goleada do campeonato até agora - 9 a 0 para o Ajax, na 5ª rodada - para que houvesse uma forte desconfiança de que seria impacto forte demais para um egresso da segunda divisão.

Eis aí o maior motivo do Cambuur ser, até aqui, a surpresa mais agradável desta Eredivisie. Porque não, o clube auriazul não fraquejou após a goleada sofrida. Mais ainda: se arrumou de vez na temporada. Após tentar um pouco com Tom Boere, o técnico Henk de Jong decidiu fixar o letão Roberts Uldrikis como principal atacante. Na esquerda, o lateral Alex Bangura foi um dos melhores da posição no 1º turno. E os resultados apareceram. Primeiro, uma goleada sobre o Sparta Rotterdam (4 a 0, na 7ª rodada). Depois, um recorde histórico do clube na Eredivisie: pela primeira vez, conseguiu quatro triunfos seguidos fora de casa, entre a 11ª e a 14ª rodadas, e entrou de vez na disputa por vaga nos play-offs pela Conference League. O único impacto veio de fora do campo: ao descobrir um cisto na cabeça (que terá de remover, obviamente), Henk de Jong teve de se afastar momentaneamente do futebol. Pelo menos, comandado pelo auxiliar Pascal Bosschaart, o Cambuur conseguiu manter o nível técnico e a posição. Tem o returno inteiro para não se abater, para seguir jogando bem, e para provar que não é só mais um time que foi goleado sem piedade pelo Ajax.

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Guia da Eredivisie 2021/22: Cambuur

 

O Cambuur manteve boa parte do time que conseguiu o título na segunda divisão, e o acesso. Mas perdeu o principal jogador, Mühren. Restará a Tom Boere tentar fazer os gols (sccambuur.nl)

SC Cambuur-Leeuwarden

Cidade: Leeuwarden  
Estádio: Cambuurstadion (capacidade para 10.250 torcedores) 
Apelido: SCC
Títulos: 4 títulos da segunda divisão
Patrocínio: Dijkstra Draisma (construtora)
Técnico: Henk de Jong
Destaque: Mees Hoedemakers (meio-campista)
Fique de olho: Issa Kallon (atacante)
Temporada passada: Campeão da segunda divisão
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Copas europeias: nenhuma 
Objetivo: escapar do rebaixamento
Amistosos de pré-temporada:
10 de julho -  Cambuur 6x0 Telstar
13 de julho - Cambuur x Dordrecht -CANCELADO
17 de julho - Cambuur 1x0 RWDM-BEL 
24 de julho -  Zwolle 2x1 Cambuur
3 de agosto - Cambuur 4x0 Team VVCS (amador)
7 de agosto - Waasland-Beveren-BEL 2x2 Cambuur
Principais chegadas: Marco Tol (D, Volendam), Maxim Gullit (D, AZ), Sam Hendriks (A, Go Ahead Eagles), Tamas Kiss (A, Puskás Akádemie-HUN), Roberts Uldiriks (A, Sion-SUI) e Tom Boere (A, SV Meppen-ALE)
Principais saídas: Sven Nieuwpoort (D, Excelsior), Giovanni Korte (A, NAC Breda), Delano Ladan (A, dispensado), Jarchinio Antonia (A, NAC Breda), Ragnar Oratmangoen (A, Go Ahead Eagles) e Robert Mühren (A, Volendam)

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
 
Em tese, o time de Leeuwarden tinha tudo para subir motivado à Eredivisie, em sua volta à elite após cinco anos. Até porque suportou a frustração de ver a liderança na segunda divisão 2019/20 ser anulada pela suspensão do campeonato, em meio à pandemia - para fazer uma campanha ótima na Eerste Divisie, repetindo a dose para o acesso. De mais a mais, tinha um time bem entrosado, comandado pelo respaldado Henk de Jong. Quem sabe, fosse possível sonhar com o miolo da tabela. Ficou mais difícil quando o grande nome da campanha da promoção, Robert Mühren, o segundo maior goleador da história da segunda divisão numa só temporada (38 gols em 37 jogos!), preferiu... continuar na segunda divisão, indo para o Volendam.

Ficaram outros nomes. Alguns deles, experientes em clubes pequenos/médios da Eredivisie, como o goleiro Sonny Stevens, o lateral Doke Schmidt e o atacante Issa Kallon. Como destaque, Mees Hoedemakers é o criador da maioria das jogadas na equipe. E nos reforços, caberá a Tom Boere, revelado no Twente, tentar ser opção confiável como o homem-gol do clube auriazul de Leeuwarden. Uma novidade, em meio a uma base que já subirá pronta da segunda divisão, em que pese (e como pesa) a ausência de Mühren, para tentar manter o Cambuur na elite - e quem sabe, sonhar com coisa até melhor do que apenas ficar na Eredivisie.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Agora a decisão é contra o rebaixamento

As boas atuações do goleiro Jurjus são fundamentais na evolução do De Graafschap para fugir da lanterna (Erik Pasman/ANP)

A morte de Johan Cruyff abalou tanto a Holanda – e, claro, o futebol holandês – que até os amistosos da seleção ficaram um pouco em segundo plano. E mesmo a ocorrência deles (tanto a desalentadora derrota para a França quanto a vitória surpreendente contra a Inglaterra) fez com que torcida e imprensa “se esquecessem” que há um Campeonato Holandês em disputa.

Pois bem, ele volta a partir deste sábado, com a 29ª rodada. E terá outra partida decisiva. Mas é na parte de baixo da tabela: se o Ajax virou a disputa pelo título ao vencer o PSV em pleno Philips Stadion na rodada anterior (agora, os Ajacieden é que têm dois pontos de vantagem em relação aos Boeren), agora De Graafschap e Cambuur farão o jogo direto para tentarem escapar da 18ª posição, também conhecida como “lanterna”, a única a causar o rebaixamento direto à segunda divisão.

De fato, aparentemente, não causaria grande interesse – cá entre nós, talvez nenhum interesse – a partida entre o último (Cambuur, 16 pontos) e o penúltimo (De Graafschap, 17 pontos) colocados desta Eredivisie. Todavia, os rumos das duas equipes tornaram mais interessante o jogo de abertura da rodada, neste sábado, às 13h30 de Brasília, no estádio De Vijverberg, na cidade de Doetinchem. E pode-se dizer que o De Graafschap, mandante do jogo, é o “responsável” por isso. Afinal de contas, comparado ao turno, o returno dos “Superboeren” mostra uma mudança admirável.

Claro que essa mudança não ocorreu de uma hora para outra. Mesmo nas 17 rodadas iniciais, quando a equipe de Doetinchem conseguiu ridículos 5 pontos, havia mostras de talento aqui e ali. Para começo de conversa: até pela constante exigência de serviço a que é submetido, o goleiro Hidde Jurjus mostra talento, ao somar explosão nas defesas à queima-roupa e calma no posicionamento. Sua média de gols sofridos (1,96 por jogo – foram 55 em 28 jogos) é alta, mas menor do que a dos dois arqueiros do Cambuur na temporada (o titular Leonard Nienhuis sofreu 2,21 gols por partida; seu reserva, Harm Zeinstra, tem a pior média entre os guarda-metas da temporada da Eredivisie – 2,87 gols sofridos por jogo). E mesmo ao sofrer tantos gols, Jurjus ainda mostra capacidade suficiente para ser constantemente mencionado como um dos melhores da posição neste campeonato – e provável reforço para algumas equipes.

E também há gente promissora nos jogadores de linha. Na zaga, Robin Pröpper (irmão de Davy, o meio-campista do PSV) mostra algum talento na saída de bola. E no meio-campo, cuja importância é potencializada para o time no 4-4-2 “em losango”, o inglês Andrew Driver mostra força física – e sua habilidade, mesmo mediana, já é suficiente para ajudar os atacantes Cas Peters e Vincent Vermeij, dois outros destaques do De Graafschap na temporada. No banco, o belga Nathan Kabasele é costumeira opção vinda do banco de reservas, trazendo velocidade pelas pontas do ataque.

As atuações da equipe contra o trio de ferro no turno mostravam as possibilidades claras de reação: três derrotas vendidas duramente. Contra o Feyenoord, um 1 a 2 apertado; contra o PSV, o De Graafschap levara 3 a 0 no primeiro tempo, mas chegou a conseguir o empate antes de levar o 6 a 3 final; contra o Ajax, chegaram a empatar também, e a vitória dos Amsterdammers (2 a 1) teve algo de injusta.

Com algum tempo para trabalhar na pausa de inverno, veio a “reação” no returno. Entre aspas, obviamente: afinal, são cinco derrotas nos 11 jogos pela Eredivisie em 2016 - entre elas, quedas para PSV (4 a 2) e Feyenoord (3 a 1). Todavia, as três vitórias e os três empates já serviram para os Superboeren conseguirem algo que parecia impossível pela baixíssima pontuação no primeiro turno: deixar a última posição e, pelo menos, ganhar a esperança de permanência na primeira divisão, mesmo que pela repescagem para a qual vão 16º (antepenúltimo) e 17º (penúltimo) colocados do campeonato. 

Por sua vez, a torcida em Doetinchem já era elogiada pela fidelidade, pela animação e pela presença maciça nos jogos. E isso só aumentou com a ligeira ascensão dos alviazuis. Um bom exemplo veio na 27ª rodada, quando a equipe venceu o Roda JC por 3 a 0: a certa altura do primeiro tempo, uma das placas eletrônicas de publicidade ao lado do gramado caiu, forçando a interrupção do jogo por alguns minutos. A torcida não só se prontificou a ajudar os comissários na remontagem da placa, mas também continuou incentivando a equipe enquanto fazia isso. Esse cenário de otimismo justifica plenamente as renovações anunciadas dos contratos com o técnico Jan Vreman e sua comissão técnica, e com o atacante Vermeij, goleador da equipe na Eredivisie (ambos, até 2017). De quebra, Jurjus e Vermeij foram convocados para a seleção holandesa sub-21 que disputou amistosos contra Noruega e Sérvia nesta semana, vencendo ambos (dois 1 a 0 – aliás, Vermeij fez o gol contra os sérvios).

Se a animação no De Graafschap é crescente, o cenário no Cambuur é inverso. Não que a situação no turno estivesse boa: afinal, o time de Leeuwarden o terminou na zona de repescagem/rebaixamento. Além do mais, oferecia menor resistência aos três grandes do país: levou 6 a 0 do PSV em casa, e sofreu 5 a 1 do Ajax (contra o Feyenoord, derrota por “apenas” 2 a 0). Ainda assim, estava em 16º lugar, com 13 pontos, oito acima da última posição. Parecia possível até sair do fundo da tabela: ao começar a pausa de inverno, os Leeuwarders estavam a três pontos do Roda JC, na 15ª posição, primeira a garantir a permanência na Eredivisie. De quebra, havia um protagonista em quem a equipe podia confiar: o atacante nigeriano Bartholomew Ogbeche. Com passagens por Paris Saint Germain, mais futebol inglês e espanhol, sem contar uma Copa do Mundo na carreira (2002), Ogbeche era garantia de gols ao Cambuur: marcara 9 vezes em 15 jogos, no primeiro turno.

Só que 2016 está diminuindo drasticamente as perspectivas de salvação. Primeiro, Ogbeche deixou o clube em janeiro, rumo ao Willem II, um concorrente na disputa para sair das últimas posições (o Willem II é o 15º colocado). Uma sequência de cinco derrotas consecutivas fez o técnico Henk de Jong pagar pela crise com a demissão, dando lugar a Marcel Keizer, vindo do Emmen, da segunda divisão. Por fim, em 11 jogos no ano até agora, uma vitória (1 a 0 no Zwolle, na 25ª rodada) e dez derrotas: é a pior campanha do returno. Sem referências técnicas dentro dos titulares, o Cambuur caiu para a última posição, e agora está a nove pontos da salvadora 15ª colocação. Dentro de campo, cabe ao ponta-de-lança irlandês Jack Byrne e ao atacante Martijn Barto tentarem assumir o protagonismo que Ogbeche suportava sozinho.

Por essa queda, o Cambuur acabou permitindo a aproximação do De Graafschap. Nas últimas rodadas, ambos se alternam na última posição, tentando escapar dela. E assim como Ajax e PSV fizeram na rodada passada, jogarão por um triunfo que pode garantir a salvação na elite ao vencedor, ainda que temporária. Certo, o nível técnico não será lá essas coisas. Mas diga isso aos ansiosos torcedores de ambos…

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 1º de abril de 2016)