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terça-feira, 13 de agosto de 2019

Foi só o começo

O Ajax sofreu de novo num jogo eliminatório. Mas Tadic não se acanhou com o pênalti perdido: converteu outros dois, e os Amsterdammers seguiram na Liga dos Campeões (SCS/Sander Chamid)

Depois do empate árduo no jogo de ida, na cidade grega de Tessalônica, o Ajax sabia duas coisas: o 2 a 2 lhe dava uma vantagem razoável em Amsterdã, mas convinha não menosprezar o bom time helênico. Dito e feito: a maior qualidade técnica fez com que os Ajacieden superassem os problemas e conseguissem a classificação aos play-offs da Liga dos Campeões, Mas a vaga não veio sem uma boa dose de sofrimento contra os visitantes alvinegros. Lembrou, ainda que levemente, o sofrimento de alguns jogos na trajetória marcante da Champions passada.

Tal lembrança aconteceu, principalmente, porque os Ajacieden exibiram tanto a melhor qualidade vista em 2018/19 quanto o pior defeito. A melhor qualidade foi nas trocas de passes precisos, curtos ou longos, principalmente entre Hakim Ziyech, Donny van de Beek e Dusan Tadic, os três se sobressaindo na parte ofensiva. Só faltava o gol: Van de Beek teve chances aos 7' e aos 11', mas o arqueiro Alexandros Paschalakis começou a se sobressair, saindo bem do gol para defender. Já o pior defeito foi o espaço gigante que o time de Amsterdã deixava às suas costas, para os contra-ataques do PAOK.

E logo o time grego começou a seguir o conselho dado por José Mourinho, após a final da Liga Europa 2016/17, quando o Manchester United (treinado pelo português) inviabilizou qualquer chance Ajacied: "Para superar o Ajax, é só deixar o jogo desconfortável para eles". Os visitantes de Tessalônica se impunham nas bolas aéreas, pelo porte físico proeminente; mantinham mais a bola no ataque, pela capacidade de Dimitrios Pelkas; e se valiam da velocidade nas pontas, com Léo Jabá e... Diego Biseswar. Coube justamente ao holandês - ex-Feyenoord, sempre útil lembrar - aproveitar isso e fazer 1 a 0, aos 23', ao ter espaço para bater da entrada da área.

Como no jogo de ida, Biseswar perturbou bastante o Ajax (Erwin Spek/Soccrates/Getty Images)

Sim, o gol assustou o Ajax. Assim como perder o primeiro pênalti do jogo, sofrido por David Neres aos 30', após carga um tanto exagerada de Badr El Kaddouri: Tadic bateu, mas Paschalakis confirmou seu destaque no PAOK, espalmando para a direita. Os Amsterdammers insistiam, rondavam a área, mas não havia como entrar na defesa da equipe helênica, muito bem fechada. Para tanto, só um outro pênalti: Daley Blind tentou o lançamento curto, a bola bateu no punho de Biseswar, e o juiz inglês Craig Pawson marcou o pênalti - marcação um tanto quanto exagerada, mas é o que diz a nova regra. E Tadic voltou a bater, desta vez sem problemas, para o 1 a 1.

No segundo tempo, Erik ten Hag tentou corrigir os erros na defesa, com uma alteração: a entrada de Sergiño Dest devolveu Joël Veltman, mal na zaga, à lateral direita, enquanto Noussair Mazraoui ia para o meio. Em parte, ajudou: de fato, o PAOK chegou menos ao ataque. Até porque o Ajax manteve mais a posse de bola, esteve mais perto da área, criou chances - como a bola de Ziyech que quase encobriu Paschalakis aos 47', ou o arremate torto de David Neres aos 63'. Porém, a equipe grega lembrava que estava no jogo, em momentos como o cruzamento de Biseswar que passou por pouco de Pelkas, aos 54'.

Havia tensão. A defesa do Ajax estava mais firme - em grande parte, pela boa atuação de Lisandro Martínez, dominando a zaga com a bola nos pés. Mas nada impedia o PAOK de pensar em manter mais a bola no ataque (até por isso, a entrada de Pawel Swiderski), e, quem sabe, fazer o gol que o aproximaria da vida. Até que, aos 79', Nicolás Tagliafico se viu livre num escanteio - e aproveitou a chance, de cabeça, para a virada. O gol do 2 a 1 quase aliviava o Ajax, mesmo com o oponente cansado: a fragilidade da defesa seguia, porque aos 80', a bola ficou solta no meio da área, até que Veltman a afastasse. Confiança plena de que a vaga viria, só aos 84', em outro pênalti: Léo Matos chegou forte, derrubou Tagliafico na área, e Tadic bateu para o 3 a 1. Resolvido? Nada disso: era Biseswar batendo para Onana defender, era Chuba Akpom mandando a bola na trave aos 90' + 3, e finalmente, era o mesmo Biseswar arriscando de novo, diminuindo para 3 a 2, trazendo o fantasma de outra eliminação nos segundos finais.

Mas Craig Pawson aliviou o Ajax, apitando o fim de jogo pouco depois. Mas ficou o aviso, antes dos play-offs por um lugar na fase de grupos, contra o APOEL, do Chipre: o time de Amsterdã ainda precisa de muitos cuidados. E ainda pode passar por fortes emoções. Esta foi só o começo.

Liga dos Campeões - terceira fase preliminar (jogo de volta)

Ajax 3x2 PAOK
Local: Johan Cruyff Arena (Amsterdã)
Data: 13 de agosto de 2019
Árbitro: Craig Pawson (Inglaterra)
Gols: Diego Biseswar, aos 23', e Dusan Tadic, aos 43'; Nicolás Tagliafico, aos 79', Dusan Tadic, aos 85', e Diego Biseswar, aos 90' + 4

Ajax
André Onana; Noussair Mazraoui, Joël Veltman, Lisandro Martínez e Nicolás Tagliafico; Razvan Marin (Sergiño Dest), Donny van de Beek (Dani de Wit) e Daley Blind; Hakim Ziyech, Dusan Tadic e David Neres (Klaas-Jan Huntelaar). Técnico: Erik ten Hag

PAOK
Alexandros Paschalakis; Léo Matos, José Ángel Crespo, Fernando Varela e Dimitrios Giannoulis; Léo Jabá (Dimitris Limnios), Anderson Esiti (Josip Misic), Badr El Kaddouri e Diego Biseswar; Dimitris Pelkas e Chuba Akpom (Pavel Swiderski) Técnico: Abel Ferreira

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Podia ser pior

O Ajax passou sérios apuros contra o PAOK, mas o empate em 2 a 2 garantido por Huntelaar dá a sensação de que garantir a vaga é bem possível na volta (AP)

Já no 2 a 2 contra o Vitesse, na estreia pelo Campeonato Holandês, o Ajax dava a impressão de que ainda está se aprontando, neste começo de temporada. E a impressão ficou mais forte (e alarmante) nesta terça-feira, com a estreia do time de Amsterdã na Liga dos Campeões. No jogo de ida da terceira fase preliminar (penúltima antes dos grupos), contra o PAOK, os Ajacieden tiveram três momentos ao longo dos 90 minutos. Ao cabo deles, pelo menos a sensação é de que o resultado poderia ter sido bem pior do que o empate em 2 a 2, que deixa boas chances para a volta no dia 13.

Está certo que a sensação poderia ter sido prolongada com uma vitória - Dusan Tadic até se queixou da falta de maturidade do Ajax, à FOX Sports holandesa. Porque os primeiros minutos de jogo no estádio Toumba, em Tessalônica, revelaram uma atuação promissora. Com Hakim Ziyech sendo eficiente no controle de bola e na criação de jogadas, tendo o auxílio dos avanços de Donny van de Beek e até de Nicolás Tagliafico, os Ajacieden evitavam o perigo dos contra-ataques do PAOK, time que tem neles sua grande opção ofensiva. E já aos 10', veio o gol, numa bola parada - Ziyech cobrou falta da direita, e o lateral Dimitris Giannoulis desviou acidentalmente, de cabeça, para as redes. Era a chance valiosa para os Godenzonen controlarem a partida a sel bel-prazer.

Mas se o Ajax atacava e controlava o jogo em Tessalônica, também deixava muitos espaços entre a defesa e o meio-campo. Pior: as lacunas nas laterais ofereciam espaço aos avanços do PAOK, necessários após o primeiro gol. Bastou a desvantagem para o time alvinegro da Grécia começar a chegar ao ataque com perigo. Aos 12', Diego Biseswar (holandês, ex-Feyenoord) arrematou de fora para a defesa de André Onana; aos 15', Joël Veltman evitou um arremate do brasileiro Léo Jabá na hora exata. Pela direita, com Veltman lento na lateral e Noussair Mazraoui escalado como uma tentativa, o citado Biseswar dava trabalho - exatamente como Léo Jabá fazia na direita. Na zaga Ajacied, se Perr Schuurs era cauteloso: Lisandro Martínez exagerava nas divididas.

Logo o PAOK empatou, se valendo da rapidez nos contragolpes: aos 32', Biseswar passou a Giannoulis, que cruzou para Chuba Akpom completar. Mais seis minutos, e a virada: Léo Jabá cobrou falta, e o brasileiro Léo Matos se desvencilhou da marcação homem a homem para cabecear, livre na área. O caos defensivo no time de Erik ten Hag era visível, e faltou pouco para o 3 a 1: aos 40', Veltman tirou a bola na pequena área, enquanto o atacante Dimitrios Pelkas bateu para fora aos 43'. O intervalo vinha no melhor momento possível, porque o Ajax passava sérios apuros.

Léo Matos comemora a virada do PAOK: a pane defensiva do Ajax no fim do primeiro tempo quase inviabiliza a classificação (VI Images/Getty Images)
De fato, eles se resolveram na etapa final. Jogando no meio-campo, Daley Blind ajudou o Ajax a manter mais a posse de bola no campo de ataque, evitando os avanços do PAOK. A entrada necessária de Klaas-Jan Huntelaar (ainda no primeiro tempo, substituindo o lesionado e decepcionante Kasper Dolberg) fez com que a defesa do PAOK tivesse novas preocupações. E após o bom começo e o preocupante final no 1º tempo, o Ajax se assentou em campo. Ficou mais sereno, minorando os riscos de ver a classificação aos play-offs ficar praticamente impossível já no jogo de ida. Todavia, se as chances reapareceram, o gol do 2 a 2 só veio por acaso, aos 57': Van de Beek cruzou, o zagueiro Fernando Varela tentou tirar a bola com um chutão, mas esta ricocheteou em Huntelaar e foi para as redes. Típica mostra de como o camisa 9 Ajacied é goleador - foi seu 55º gol em competições europeias, 19º só pelo clube holandês.

Nos minutos finais, o Ajax ainda buscou o ataque, com as entradas de David Neres e Razvan Marin (deixado na reserva por ser supostamente menos qualificado na marcação do que Mazraoui). Mas ficou mesmo no placar o 2 a 2. Que deixou uma ponta de decepção em Erik ten Hag, conforme ele comentou à Ziggo Sport, emissora holandesa de televisão que mostrou o jogo: "É uma decepção, o jogo foi nosso no segundo tempo. Ainda não estamos prontos". De fato. Por outro lado, a pressão fica bem mais amena para tentar a vaga na Johan Cruyff Arena com um empate. Podia ser pior.

Liga dos Campeões - terceira fase preliminar (jogo de ida)

PAOK 2x2 Ajax

Local: Toumba (Tessalônica)
Data: 6 de agosto de 2019
Árbitro: Zlatko Vincic (Eslovênia)
Gols: Hakim Ziyech, aos 10', Chuba Akpom, aos 32', e Léo Matos, aos 39'; Klaas-Jan Huntelaar, aos 57'

PAOK
Alexandros Paschalakis; Léo Matos, José Ángel Crespo, Fernando Varela e Dimitrios Giannoulis; Léo Jabá (Miroslav Stoch), Anderson Esiti, Badr El Kaddouri e Diego Biseswar (Douglas); Dimitris Pelkas (Dimitris Limnios) e Chuba Akpom Técnico: Abel Ferreira

Ajax
André Onana; Joël Veltman, Perr Schuurs, Lisandro Martínez e Nicolás Tagliafico; Noussair Mazraoui (Razvan Marin), Donny van de Beek e Daley Blind; Hakim Ziyech (David Neres), Kasper Dolberg (Klaas-Jan Huntelaar) e Dusan Tadic. Técnico: Erik ten Hag