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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Guia da Eredivisie 2026/27: Excelsior

Naujoks (camisa 10) é o destaque indiscutível de um Excelsior que, outra vez, deve passar a temporada se esforçando para escapar do rebaixamento (Divulgação/excelsior.nl)

 
Stichting Betaald Voetbal Excelsior

Cidade: Roterdã
Estádio: Woudestein (capacidade para 4.400 torcedores)
Apelidos: Kralingers (referência a Kralingen, bairro de Roterdã onde o clube fica)
Títulos: nenhum
Ranking histórico: 24º
Patrocínio: DSW (seguradora de saúde)
Técnico: Ruben den Uil 
Destaque: Noah Naujoks (meio-campista)
Fique de olho: Noa El Hamdaoui (atacante)
Brasileiros no elenco: nenhum
Temporada passada: 15º
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento/meio de tabela
Amistosos de pré-temporada:
4 de julho - Excelsior 3x2 Cambuur
11 de julho - Dordrecht 0x2 Excelsior
18 de julho - NAC Breda 1x3 Excelsior
20 a 25 de julho - Viagem de pré-temporada
24 de julho - Heracles Almelo 3x5 Excelsior
1º de agosto - De Graafschap 1x5 Excelsior
Principais chegadas: Celton Biai (G, Dordrecht), Jan Plug (D, Feyenoord), [Nolan Martens (D, De Graafschap)], Marlon van de Weteringh (D, FC Eindhoven), Yakub Finey (M, GIF Sundsvall-SUE), Ilano Silva Timas (A, MVV Maastricht), Aymen Sliti (A, Feyenoord) e Kasey Bos (A, Mainz-ALE) 
Principais saídas: Calvin Raatsie (G, Dordrecht), Ilias Bronkhorst (D, Huddersfield Town-ING), [Lewis Schouten (D, AZ)], [Arthur Zagré (D, Utrecht)], Adam Carlén (M, Artis Brno-TCH), Derensili Sanches Fernandes (A, Huddersfield Town-ING), Mike van Duinen (A, liberado), Emil Hansson (A, Zaragoza-ESP)

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
[transferência em definitivo após empréstimo]

Diante do tenso fim de temporada em 2025/26, em que só a superação com duas vitórias nas últimas rodadas trouxe uma arrancada que ajudou na manutenção na primeira divisão, o Excelsior sabe que precisa dar mais calma à sua torcida nesta temporada. Pelo menos no começo, as saídas trouxeram algum temor. Arthur Zagré, Derensili Sanches Fernandes, Emil Hansson: todos eles eram úteis para os Kralingers, todos eles deixaram o clube. Para o técnico Ruben den Uil - recebendo voto de confiança e ficando no clube -, não seria nada fácil tentar remontar a equipe. Mas até que os nomes já desembarcados no estádio Woudestein trouxeram alguma esperança.

Tome-se por exemplo o gol: Stijn van Gassel, velho conhecido da torcida que ajuda bastante, terá opção bem talentosa em Celton Biai, português nascido em Guiné-Bissau, destacado no Dordrecht (segunda divisão holandesa). No miolo da defesa, Jan Plug foi cedido pelo Feyenoord para esta temporada, e pode fazer boa dupla de zaga ao lado do capitão Casper Widell. No ataque, Noa El Hamdaoui é uma promessa que já teve espaço em 2025/26, e poderá despontar definitivamente agora. E principalmente, no meio-campo, segue vestindo a camisa Noah Naujoks, responsável por alguns dos melhores momentos do Excelsior em campo no Campeonato Holandês passado (como a vitória sobre o Ajax em plena Johan Cruyff Arena). A esperança é que momentos assim sejam mais frequentes, para que a temporada seja mais tranquila.

domingo, 24 de maio de 2026

Análise da temporada: Excelsior

Yegoian (à esquerda) e Naujoks ajudaram o Excelsior a evitar excessivas sequências negativas, vencer adversários diretos e se garantir na primeira divisão (Hans van der Valk/BSR Agency/Getty Images)

Colocação final: 13º lugar, com 38 pontos (10 vitórias, 8 empates e 16 derrotas - atrás pelo pior saldo de gols)
No turno havia sido: 12º lugar, com 19 pontos
Time-base: Van Gassel; Bronkhorst, Widell, Meissen e Zagré (Schouten); Carlén (Hartjes), Yegoian e Naujoks; Sanches Fernandes, De Regt e Hansson (Bergraaf/Wlodarczyk)
Técnico: Ruben den Uil
Maior vitória: Excelsior 5x0 Utrecht (31ª rodada)
Maior derrota: NEC 5x0 Excelsior (1ª rodada)
Principal jogador: Noah Naujoks (meio-campista)
Artilheiro: Noah Naujoks (meio-campista), com 10 gols
Quem deu mais passes para gol: Gyan de Regt (atacante), com 7 passes
Quem mais partidas jogou: Casper Widell (zagueiro) e Gyan de Regt (atacante), que jogaram todas as 34 partidas 
Copa nacional: eliminado pelo Excelsior Maassluis (terceira divisão), na primeira fase
Competições continentais: nenhuma

Desde o começo da temporada, o Excelsior vivia as agruras a que já acostumado, na tentativa de escapar do rebaixamento. Às vezes, com momentos de baixa, como na queda precoce na Copa da Holanda, para o amador Excelsior Maassluis. Às vezes, com a alta - aqui, a vitória sobre o Ajax (2 a 1, na 13ª rodada), primeiro triunfo dos Kralingers em Amsterdã na história deles na Eredivisie, será sempre um ponto alto quando torcedores se lembrarem desta temporada 2025/26. Todavia, o time já começou o returno em 2026 tomando 5 a 1 do PSV. Mesmo numa sequência de quatro empates, a equipe de Roterdã se segurava nas posições acima da zona de repescagem/rebaixamento, apostando em alguns de seus destaques. Na defesa, o lateral esquerdo Arthur Zagré, praticamente um ala; no meio-campo, Noah Naujoks, sempre um destaque; e no ataque, Derensili Sanches Fernandes cresceu pouco a pouco na temporada.

Contudo, a sequência de cinco derrotas entre a 23ª e a 27ª rodadas jogou o Excelsior na 16ª posição, que forçaria a disputa da repescagem de acesso. Empatar com o Heracles Almelo, lanterna - 1 a 1, na 28ª rodada - e perder do NEC - 2 a 0, na rodada seguinte - mantinha a situação próximo do desesperador. Foi aí que os Kralingers reagiram. Para a sorte deles, a tabela tinha dois jogos contra adversários diretos contra a queda, Zwolle e Volendam. Porém, no meio do caminho das cinco rodadas finais, o Excelsior pegaria dois times na parte de cima da tabela, Utrecht e Excelsior. Pois os Rotterdammers passaram invictos por tudo isso. Contra o Zwolle (30ª rodada), 2 a 2; contra o Utrecht, impuseram incrível goleada por 5 a 0, em grande dia de Sanches Fernandes, aumentando o otimismo da torcida; contra o Groningen, então, vitória eletrizante por 3 a 2, com Gyan de Regt fazendo o gol decisivo nos acréscimos; e ao chegar ao Volendam, na penúltima rodada, o 1 a 1 garantiu mais uma temporada na primeira divisão. Tarefa cumprida, ela foi celebrada com uma vitória em clássico citadino na última rodada (3 a 2 no Sparta Rotterdam). E o Excelsior conseguiu manter sua inconstância - segundo pior mandante, um digno 10º lugar como visitante - sob controle. É preparar os nervos para 2026/27, provavelmente outra temporada de sufoco.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Parada obrigatória: Excelsior

O Excelsior teve péssimo começo, e não se pode considerar plenamente recuperado ainda. Mas momentos como a vitória contra o Ajax, empurrado por Naujoks (foto), animam para que o time se segure na Eredivisie (Ben Gal/BSR Agency/Getty Images)

Posição: 12º lugar, com 19 pontos (6 vitórias, 1 empate e 9 derrotas) - um jogo a menos
Técnico: Ruben den Uil
Time-base: Van Gassel; Bronkhorst, Widell, Meissen e Zagré; Carlén e Naujoks; Sanches Fernandes, Yegoian e De Regt; Van Duinen (Bergraaf)
Maiores vitórias: Volendam 1x2 Excelsior (6ª rodada), Ajax 1x2 Excelsior (13ª rodada) e Excelsior 2x1 Zwolle (17ª rodada)
Maior derrota: NEC 5x0 Excelsior (1ª rodada)
Copa da Holanda: eliminado pelo Excelsior Maassluis (terceira divisão), na primeira fase
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Noah Naujoks (meio-campista), com 5 gols
Objetivo do início: escapar do rebaixamento
Avaliação: Os Kralingers começaram a temporada, de fato, tentando escapar das últimas posições. Chegaram até a ser lanternas, mesmo. Porém, com o ataque fazendo algumas boas partidas (e uma vitória histórica sobre o Ajax), o time de Roterdã ensaia subir para tentar se estabilizar no meio de tabela

Até agora, a história do Excelsior neste Campeonato Holandês é de uma reação ainda cercada de dificuldades. A começar pela primeira rodada: nela, sofreu 5 a 0 do NEC. Era só o começo para um time que perdeu as três primeiras rodadas, ficando entre a última e a penúltima posições (ambas, causando o rebaixamento). Só deu sinal de vida na quarta rodada: venceu o Twente (1 a 0), viu Heracles Almelo e Heerenveen caírem para as duas últimas posições e foi para a 16ª posição, que ainda garante uma "segunda chance" na repescagem. Não melhorava muito, mas já era um pouco mais confortável. Ainda que nada fosse garantido, como lembram duas derrotas na 7ª (PSV 2 a 1) e 8ª (Heerenveen 2 a 1) que jogaram os Kralingers de volta à penúltima posição. Também, pudera: se defensivamente até que o Excelsior está se aguentando - 27 gols sofridos, menos do que o NEC, quarto colocado -, trata-se do pior ataque do campeonato até agora, somente tendo 16 gols em 17 rodadas.

Até curioso, porque nomes como Gyan de Regt têm lá sua técnica. Jerolldino Bergraaf, mais veloz, começou até a ser experimentado no ataque. Contudo, momentos como a eliminação para o homônimo Excelsior - só que da cidade de Maassluis, na terceira divisão - deixavam claro que as dificuldades seguiam ali. Se houve um momento em que o Excelsior ganhou mais autoconfiança, e até fez história, ele veio na 13ª rodada, sem dúvida: com altíssima eficiência nos contra-ataques, os Kralingers fizeram 2 a 1 no Ajax em plena Johan Cruyff Arena, vencendo o time de Amsterdã fora de casa pela primeira vez na história do Campeonato Holandês. Se tivesse ficado só nisso, já seria algo para a torcida se lembrar. Ficou melhor ainda com duas vitórias sobre outros dois times que tentam escapar das últimas posições (1 a 0 no NAC Breda, na 14ª rodada, e 2 a 1 no Zwolle, na 17ª). Foi aí que o Excelsior se desgarrou um pouco das três últimas posições, ficando no 12º lugar, com um jogo a menos. Será difícil ganhar do AZ, mas se conseguir - e retomar a campanha mantendo a reação -, a equipe terá esperanças de que seu final de Eredivisie não será difícil como foi o começo.

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Guia da Eredivisie 2025/26: Excelsior

O Excelsior gastou muito dinheiro na troca do gramado de seu estádio. Mas até que investiu para trazer o zagueiro Henderikx (Raymond Smit/Newhouse Media/MB Media/Getty Images)

Stichting Betaald Voetbal Excelsior

Cidade: Roterdã
Estádio: Woudestein (capacidade para 4.400 torcedores)
Apelidos: Kralingers (referência a Kralingen, bairro de Roterdã onde o clube fica)
Títulos: nenhum
Ranking histórico: 24º
Patrocínio: DSW (seguradora de saúde)
Técnico: Ruben den Uil 
Destaque: Lennard Hartjes (meio-campista)
Fique de olho: Zach Booth (atacante)
Brasileiros no elenco: nenhum
Temporada passada: vice-campeão da segunda divisão
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento
Amistosos de pré-temporada:
5 de julho - ASWH 3x3 Excelsior
12 de julho - NAC Breda 0x1 Excelsior
19 de julho - Dordrecht 2x2 Excelsior
25 de julho - Heracles Almelo 1x2 Excelsior
2 de agosto - Cambuur 0x1 Excelsior
Principais chegadas: Stijn van Gassel (G, NEC), Lewis Schouten (D, AZ), Stan Henderikx (D, Den Bosch), Adam Carlén (M, IFK Göteborg-SUE), Mathijs Tielemans (M/A, Vitesse), Yoon Do-young (A, Brighton-ING), Szymon Wlodarczyk (A, Sturm Graz-AUT), Szymon Wlodarczyk (A, Sturm Graz-AUT) e Gyan de Regt (A, Vitesse)
Principais saídas: Jürgen Mattheij (D, dispensado), Django Warmerdam (Lyngby-DIN), Serano Seymor (D, Khor Fakkan-EAU) e Lance Duijvestijn (M, Sparta Rotterdam), Richie Omorowa (A, Samsunspor-TUR)

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
[transferência em definitivo após empréstimo]

O Excelsior contou com a sua maior constância, em relação a Cambuur e ADO Den Haag, para conseguir o "bate-e-volta" à Eredivisie: tinha caído em 2023/24, conseguiu o acesso em 2024/25 como vice-campeão da Eerste Divisie (segunda divisão). E está na primeira divisão com duas novidades relacionadas ao seu estádio. A primeira, com gosto de nostalgia: o estádio voltou a ter oficialmente o nome preferido pela torcida, Woudestein, como era antigamente. A segunda, com peso de obrigação: com os clubes da primeira divisão precisando ter gramado 100% natural em seu estádio, os Kralingers passaram boa parte da pré-temporada com a troca da relva no estádio. Aí, foi o caso de "cobertor curto", típico de clubes pequenos da Holanda (Países Baixos): mais investimento no gramado significou menos investimento em contratações.

O que não quer dizer que o jovem - 34 anos! - técnico Ruben den Uil não tenha suas boas opções em campo, para tentar ajudar o clube a voltar e ficar na Eredivisie. No gol, há dois nomes dignos de nota: o jovem Calvin Raatsie e o retornado Stijn van Gassel, destaque mesmo numa temporada de rebaixamento (2023/24), de volta ao Excelsior após uma temporada na reserva do NEC. Mais remanescentes da queda e do acesso com certa técnica, como o zagueiro Kik Pierie e o lateral esquerdo Arthur Zagré. Algumas contratações que podem ajudar, como o defensor Stan Henderikx e o lateral Lewis Schouten. E se Lance Duijvestijn e Mike van Duinen, destaques no acesso, deixaram o clube, o sofrimento do Vitesse tornou mais fácil trazer de lá dois nomes bons para o ataque, o meio-campista Mattijs Tielemans e o atacante Gyan de Regt. Se investiu mais fora de campo, o Excelsior tentará se segurar dentro para seguir na primeira divisão e não bancar o "ioiô".

segunda-feira, 3 de junho de 2024

Análise da temporada: Excelsior

O Excelsior (que teve no goleiro Van Gassel, à direita, um destaque) caiu após um bom começo. E mesmo após todos os notáveis esforços, acabou sendo rebaixado. Com requintes de crueldade (Hans van der Valk/BSR Agency/Getty Images)

Colocação final: 16º lugar, com 29 pontos (atrás pelo pior saldo de gols - 6 vitórias, 11 empates e 17 derrotas) - rebaixado na repescagem de acesso/permanência/descenso
No turno havia sido: 12º lugar, com 12 pontos (na frente pelo maior saldo de gols)
Time-base: Van Gassel; Horemans, Nieuwpoort (Benita), El Yaakoubi e Widell (Zagré); Baas e Sandra (Goudmijn); Sanches Fernandes, Driouech (Duivestijn) e Lamprou; Parrott
Técnico: Marinus Dijkhuizen
Maiores vitórias: Excelsior 4x0 Volendam (30ª rodada) e Excelsior 4x0 Heracles Almelo (33ª rodada) 
Maiores derrotas: AZ 4x0 Excelsior (25ª rodada) e Feyenoord 4x0 Excelsior (34ª rodada) 
Principal jogador: Couhaib Driouech (meio-campista/atacante) 
Artilheiro: Troy Parrott (atacante), com 10 gols  
Quem deu mais passes para gol: Couhaib Driouech (atacante), com 6 passes
Quem mais partidas jogou: Stijn van Gassel (goleiro), com 38 partidas - as 34 da temporada regular, mais as quatro da repescagem de acesso/permanência/descenso
Copa nacional: eliminado pelo Groningen (segunda divisão), nas oitavas de final
Competições continentais: nenhuma

O Excelsior começou a temporada dando a impressão de que seria surpresa tão grande quanto o Go Ahead Eagles foi. Chegou até a frequentar a quinta posição, entre a sétima e a oitava rodada. Só que os caminhos se separaram, a partir daí. Enquanto o time de Deventer partiu para confirmar a surpresa e garantir vaga na Conference League via repescagem, o Excelsior foi para baixo. Não venceria mais no primeiro turno - quatro empates e quatro derrotas. Ainda assim, a queda parecia controlável. Quando nada, porque o time do bairro de Kralingen, em Roterdã, tinha no goleiro Stijn van Gassel um dos melhores do campeonato, com reflexos apurados e grande agilidade. Na frente, havia vários nomes responsáveis por boas jogadas - principalmente Couhaib Driouech, meia habilidoso a ponto de ser considerado como futura contratação do PSV e futura convocação da seleção da Holanda - e responsáveis por gols - como o irlandês Troy Parrott, emprestado pelo Tottenham. Só que nem assim o Excelsior tomou jeito. Uma sequência ruim no início do returno - seis derrotas, entre a 20ª e a 25ª rodadas - jogou de vez o time na luta para escapar do rebaixamento.

Restava ao Excelsior fazer o possível para escapar disso. E o time fez. Se continuou perdendo até jogos em que vendia caro a derrota (como o 2 a 0 sofrido em casa para o futuro campeão PSV, na 28ª rodada), pelo menos ficou invicto contra adversários nas últimas posições, empatando com o RKC Waalwijk (1 a 1, na 26ª rodada) e goleando o Volendam (4 a 0, na 30ª rodada). Como, aliás, Volendam e Vitesse já estavam sendo rebaixados, pelo menos havia a chance de tentar a salvação via repescagem. Com o bom ataque, o clube ainda se animou buscando a salvação direta: empatou com o Ajax (2 a 2, 31ª rodada) e goleou o Heracles Almelo (4 a 0, em casa, na 33ª e penúltima rodada - na volta de Driouech, recuperado de problema muscular). Ainda assim, como antepenúltimo colocado, o Excelsior foi mesmo disputar a permanência no "purgatório" da repescagem. E continuou fazendo o possível. Fez muito bem na "semifinal" contra o ADO Den Haag, vencendo os dois jogos (2 a 1 fora na ida, 7 a 1 em casa na volta). Só que na final, para jogar a permanência contra o NAC Breda - que buscava o acesso após cinco anos -, o desastre de dois jogadores expulsos abriu caminho para uma goleada do time de Breda na ida (6 a 2). Parecia o fim. Na volta, em casa, o Excelsior se esforçou e fez sua parte, abrindo incríveis 4 a 0. Só que um gol sofrido, de Caspar Staring, tornou a goleada dolorosa: mesmo com 4 a 1, o Excelsior enfim caiu. Fez o possível. Mas não ameniza a dor de um rebaixamento que talvez pudesse ser evitado.

domingo, 7 de janeiro de 2024

Parada obrigatória: Excelsior

Nesta foto, ainda era o começo de temporada, e o Excelsior de Parrott e Driouech (pulando) aspirava a ser uma surpresa. Mas o time piorou (Gerrit van Keulen/ANP/Getty Images)

Posição: 12º lugar, com 12 pontos (na frente pelo maior saldo de gols)
Técnico: Marinus Dijkhuizen
Time-base: Van Gassel; Horemans, Widell, Nieuwpoort e Zagré; El Yaakoubi, Sandra e Baas; Lamprou (Sanches Fernandes), Agrafiotis (Parrott/Uddenäs) e Driouech
Maior vitória: Heerenveen 0x3 Excelsior (6ª rodada)
Maiores derrotas: Excelsior 2x4 Zwolle (9ª rodada), Excelsior 2x4 Feyenoord (13ª rodada) e Twente 4x2 Excelsior (15ª rodada)
Copa da Holanda: enfrentará o Groningen (segunda divisão), nas oitavas de final
Competição europeia: nenhuma
Artilheiros: Nikolas Agrafiotis (atacante) e Troy Parrott (atacante), ambos com 5 gols 
Objetivo do início: escapar do rebaixamento
Avaliação: Um ótimo começo, com um ataque rápido e um dos melhores goleiros da liga, fizeram o Excelsior ensaiar ficar na zona de repescagem para os play-offs por vaga na Conference League. Porém, a má sequência das rodadas recentes faz com que o time de Roterdã precise se cuidar

Se fosse feita a pergunta "qual é a melhor surpresa do Campeonato Holandês?" mais cedo, além do Go Ahead Eagles, o Excelsior seria menção obrigatória. O time de Roterdã conseguiu passar as oito primeiras rodadas da Eredivisie com somente uma derrota. Mais do que isso: mostrava entrosamento, com jogadores titulares bem definidos pelo técnico Marinus Dijkhuizen, além de ostentar rapidez no ataque, principalmente pela esquerda. Mais ainda: tinha alguns talentos notáveis no campeonato. Como o goleiro Stijn van Gassel, seguramente um dos melhores da Eredivisie. E até mesmo os reforços (poucos, para o menor orçamento da primeira divisão) se encaixaram bem. Principalmente no ataque: o irlandês Troy Parrott - emprestado pelo Tottenham, os suecos Richie Omorowa e Oscar Uddenäs, todos eles tiveram sua utilidade. Algo notável, principalmente, na sexta rodada: mesmo fora de casa, mesmo tendo menor posse de bola do que o Heerenveen, o Excelsior deu mostra inegável de eficiência, fazendo 3 a 0 em suas únicas três chances.

Só que... a Eredivisie continuou. E se o Go Ahead Eagles seguiu firme como uma grata surpresa, o Excelsior escorregou da 8ª rodada em diante. Não teve mais nenhuma vitória - quatro empates e quatro derrotas. Pior ainda: mostrou má tendência a ceder bons resultados. Foi assim no clássico contra o Feyenoord (13ª rodada), quando tinha o empate em 1 a 1, mas permitiu que o adversário citadino vencesse (4 a 2), e contra o Twente (15ª rodada), ao fazer 2 a 0, ter um jogador expulso ainda no primeiro tempo - o lateral esquerdo Arthur Zagré - e ver os Tukkers pressionarem até a virada para 4 a 2. Resultados que só aumentaram os furos da defesa: já são 32 gols sofridos, meio gol por partida. Além do mais, o excesso de empates (oito, o maior da Eredivisie) causa preocupação. Se o começo fazia crer que a equipe do bairro de Kralingen seria outra agradável surpresa, o momento é de se cuidar para não ver as últimas posições ficarem perigosamente perto.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Guia da Eredivisie 2023/24: Excelsior

Benita (à esquerda) chega para tentar ajudar o Excelsior a superar uma temporada que deve ser novamente difícil (Divulgação/excelsior.nl)

Stichting Betaald Voetbal Excelsior

Cidade: Roterdã
Estádio: Van Donge & De Roo (capacidade para 4.400 torcedores)
Apelidos: Kralingers (referência a Kralingen, bairro de Roterdã onde o clube fica)
Títulos: nenhum
Patrocínio: DSW (seguradora de saúde)
Técnico: Marinus Dijkhuizen 
Destaque: Stijn van Gassel (goleiro)
Fique de olho: Mimeirhel Benita (lateral direito) 
Brasileiros no elenco: nenhum
Temporada passada: 15º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento
Amistosos de pré-temporada:
8 de julho - Excelsior 1x1 time júnior do Shakhtar Donetsk-UCR
15 de julho - FC Luzern-SUI 3x1 Excelsior
22 de julho - NAC Breda 2x0 Excelsior
28 de julho - Heracles Almelo 2x1 Excelsior
5 de agosto - Zulte Waregem-BEL 0x1 Excelsior
Principais chegadas: Casper Widell (D, Helsingborgs-SUE), Mimeirhel Benita (D, Feyenoord), [Kik Pierie (D, Ajax)], [Arthur Zagre (D, Utrecht)], Lennard Hartjes (M, Feyenoord), Kian Fitz-Jim (M, Ajax), Derensili Sanches Fernandes (M/A, Utrecht), Troy Parrott (A, Tottenham-ING), Richie Omorowa (A, Brommapojkarna-SUE) e Oscar Uddenäs (A, BK Häcken-SUE)
Principais saídas: Nathangelo Markelo (D, Fortuna Sittard), Nathan Tjoe-A-On (D, Swansea-GAL), [Peer Koopmeiners (M, AZ)], [Kenzo Goudmijn (M, AZ)], [Marouan Azarkan (M, Feyenoord)] e Reda Kharchouch (A, Al Bukiryah-SAU)

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
[transferência em definitivo após empréstimo]

A permanência na primeira divisão foi muito comemorada no Excelsior. E nem tinha como ser diferente: chegou a ser uma vitória, para um clube com vários problemas ao longo da temporada passada - um dos menores orçamentos da primeira divisão holandesa, problemas internos (a troca da braçadeira de capitão, do zagueiro Rédouan El Yaakoubi para o goleiro Stijn van Gassel, foi um deles, por ter certos traumas), o próprio desempenho frágil da defesa. O problema é que tudo indica que os problemas continuarão em 2023/24. E vários dos responsáveis por ajudar a mitigá-los deixaram o clube. Basta olhar as saídas no ataque. Kenzo Goudmijn, Marouan Azarkan, Reda Kharchouch: todos eles se transferiram.

Tais perdas aumentam ainda mais a responsabilidade de quem ficou no ataque, como Mike van Duinen, Lazaros Lamprou e Couhaib Driouech. Algumas chegadas podem ajudar, como a do sueco Oscar Uddenäs. Na defesa, continuam tanto o goleiro Stijn van Gassel, decisivo em 2022/23, como Rédouan El Yaakoubi. Nomes que ajudaram já emprestados, como o zagueiro central Kik Pierie e o lateral esquerdo Arthur Zagre, ficarão de vez nos Kralingers. E será interessante ver se a safra de emprestados do Feyenoord, representada pelo ala direito Mimeirhel "Mimi" Benita e pelo meio-campo Lennard Hartjes, evoluirá com tempo de jogo. Contudo, a forte impressão é de que outra vez o Excelsior sofrerá demais para seguir na elite do futebol holandês. A torcida só espera que o final seja feliz, outra vez.

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Análise da temporada: Excelsior

Com muitas dificuldades defensivas, o Excelsior se valeu de algumas boas atuações ofensivas e de vitórias contra adversários diretos para se garantir na Eredivisie (Pro Shots)

Colocação final: 15º lugar, com 32 pontos
No turno havia sido: 12º lugar, com 19 pontos
Time-base: Van Gassel; Horemans, Nieuwpoort (Seymor), El Yaakoubi e Tjoe-A-On (Zagre); Baas e Koopmeiners; Azarkan, Goudmijn e Driouech; Lamprou (Van Duinen)
Técnico: Marinus Dijkhuizen
Maior vitória: Excelsior 4x1 Cambuur (26ª rodada)
Maior derrota: Ajax 7x1 Excelsior (10ª rodada)
Principal jogador: Marouan Azarkan (meio-campista/atacante) 
Artilheiro: Kenzo Goudmijn (meio-campista), com 4 gols
Quem deu mais passes para gol: Marouan Azarkan (meio-campista/atacante), com 7 passes
Quem mais partidas jogou: Stijn van Gassel (goleiro), Siebe Horemans (lateral direito) e Kenzo Goudmijn (meio-campista), todos com 33 partidas
Copa nacional: eliminado pelo AZ, na segunda fase
Competições continentais: nenhuma

Duas vitórias nas duas primeiras rodadas? Uma delas, sendo 3 a 1 sobre o Vitesse? O começo de temporada do Excelsior parecia bom demais para ser verdade. De fato, não durou muito tempo: já na partida seguinte, jogo adiantado da 4ª rodada contra o PSV, 6 a 1 sofridos na própria casa. Começava aí uma constante em toda a temporada: os Kralingers sofrendo com as fragilidades da defesa - tratou-se da segunda pior defesa do campeonato (71 gols sofridos, mesma quantidade do Volendam, só inferior ao Groningen) -, mas também contando com algum talento no ataque. Talento vindo dos pés de Marouan Azarkan, se alternando bem entre meio-campo e ataque. Ou mesmo de Kenzo Goudmijn, também ponta-de-lança, emprestado pelo AZ. Era insuficiente para se proteger de certas goleadas, como os 7 a 1 do Ajax (10ª rodada). 

Todavia, ao enfrentar adversários que também pelejavam nas últimas posições, o Excelsior conseguia vencer. Groningen? 1 a 0 (15ª rodada). Cambuur? A primeira rodada já teve um 2 a 0, e viria um 4 a 1 (26ª rodada). Emmen? Vencido por 2 a 1, na 6ª rodada. Esses pontos eram poucos, mas fundamentais na disputa que interessava ao Excelsior - que, de quebra, ainda podia se orgulhar de um 2 a 1 no AZ, na 11ª rodada. Superando algumas rusgas internas (lesões no zagueiro Kik Pierie, a troca de capitão - por se negar a usar uma braçadeira com as cores do arco-íris, Rédouan El Yaakoubi foi defenestrado, com o goleiro Stijn van Gassel sendo o novo capitão), o Excelsior deu sinal da vida na reta final. Com um empate na antepenúltima rodada (0 a 0 com o Heerenveen) e uma vitória na penúltima (3 a 0 no Fortuna Sittard), pôde comemorar como se fosse título. Estava garantido diretamente, na limítrofe 15ª posição. Era uma conquista, após tantas dificuldades. Assim como a viagem do grupo de jogadores ao balneário espanhol de Ibiza, prêmio da diretoria pela salvação...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Parada obrigatória: Excelsior

Reda Kharchouch começou bem, e o Excelsior sonhou rapidamente em ter uma temporada surpreendente. Mas a realidade de lutar contra o rebaixamento se impôs (Jan Mulder/Orange Pictures/BSR Agency/Getty Images)

Posição: 14ª colocação, com 13 pontos (atrás pelo pior saldo de gols)
Técnico: Marinus Dijkhuizen
Time-base: Van Gassel; Horemans, Seymor (Markelo), El Yaakoubi e Tjoe-A-On; Azarkan (Fein), Baas, Ayoub (Eijgenraam) e Goudmijn; Driouech e Van Duinen (Lamprou)
Maior vitória: Excelsior 3x1 Vitesse (2ª rodada) 
Maior derrota: Ajax 7x1 Excelsior (10ª rodada)
Copa da Holanda: enfrentará o AZ na segunda fase
Competição europeia: nenhuma
Artilheiros: Siebe Horemans (lateral direito), Julian Baas (meio-campo), Marouan Azarkan (meio-campo), Kenzo Goudmijn (atacante) e Reda Kharchouch (atacante), todos com 2 gols
Objetivo do início: escapar do rebaixamento
Avaliação: As esperanças do bom começo já se esvaíram. Com uma defesa frágil, os Kralingers terminaram mal a primeira metade da temporada, e precisarão começar bem 2023 para evitarem problemas maiores

O Excelsior começou o Campeonato Holandês vencendo o Cambuur: 2 a 0, na primeira rodada. Mais uma rodada, e 3 a 1 no Vitesse (grande atuação de Reda Kharchouch, com dois gols). Foi suficiente para aumentar as esperanças de que o time do bairro de Kralingen, em Roterdã, pudesse surpreender positivamente na temporada. O jogo seguinte foi a imposição da dura realidade: goleada do PSV, em plena Roterdã - 6 a 1, em jogo antecipado da quarta rodada. Voltando a cumprir a tabela regular na 3ª rodada, os Kralingers enfrentaram o Twente: nova goleada sofrida - 4 a 0. E dali por diante, o destino foi o esperado: tentar se manter acima das últimas posições.

Nem sempre foi fácil. A defesa do Excelsior é a segunda pior da temporada: 37 gols sofridos, só abaixo do lanterna Volendam. Por mais que o jovem Serano Seymor tenha assumido a posição no meio da temporada - e se destacado numa das vitórias, o 2 a 1 de virada no Emmen (6ª rodada), marcando o gol da vitória nos acréscimos -, as laterais do Excelsior atraem muitos espaços para os adversários (que o diga o 7 a 1 do Ajax, sofrido na 10ª rodada). O ataque sofreu com a falta de um protagonista: há alguns atacantes que podem marcar gols - Kharchouch, Goudmijn, Mike van Duinen, Yassin Ayoub -, sem que um deles efetivamente assuma tal papel. Mesmo assim, a confiança na capacidade do Excelsior evitar o rebaixamento segue. De contrato já renovado, o técnico Marinus Dijkhuizen terá de liderar uma equipe que também espera menos sofrimento.

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Guia da Eredivisie 2022/23: Excelsior

Ayoub foi uma contratação que pode ser útil para ajudar o Excelsior a se estabilizar, após a volta à primeira divisão (Excelsior/Divulgação)

Stichting Betaald Voetbal Excelsior

Cidade: Roterdã
Estádio: Van Donge & De Roo (capacidade para 4.400 torcedores)
Apelido: Kralingers (referência a Kralingen, bairro de Roterdã onde o clube fica)
Títulos: nenhum
Patrocínios: DSW (seguradora de saúde)/Beercoo (empresa de limpeza)
Técnico: Marinus Dijkhuizen
Destaque: Reda Kharchouch (atacante)
Fique de olho: Kenzo Goudmijn (meio-campista) 
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum 
Temporada passada: 6º colocado da segunda divisão (promovido na repescagem, ao superar o ADO Den Haag)
Copas europeias: nenhuma 
Objetivo: escapar do rebaixamento
Amistosos de pré-temporada:
2 de julho - Slikkerveer 2x10 Excelsior
5 de julho - Lyra 0x15 Excelsior
9 de julho - NAC Breda 1x1 Excelsior
16 de julho - Excelsior 3x2 Dordrecht
22 de julho - Heracles Almelo 2x1 Excelsior
30 de julho - Heerenveen 3x1 Excelsior
Principais chegadas: Nathangelo "Nathan" Markelo (D, PSV), Kenzo Goudmijn (M, AZ), Adrian Fein (M, Bayern de Munique-ALE), Yassin Ayoub (M, Panathinaikos-GRE), Jacky Donkor (M, Dordrecht), Reda Kharchouch (A, Sparta Rotterdam), Lazaros Lamprou (A, PAOK-GRE) e [Marouan Azarkan (A, Feyenoord)]
Principais saídas: Reuven Niemeijer (M, Brescia-ITA), Mats Wieffer (M, Feyenoord), Luuk Admiraal (A, Spakenburg) e [Thijs Dallinga (A, Groningen)]
Grupo de jogadores

Legenda
Jogador (posição, clube)
Transferência definitiva
[Transferência definitiva após empréstimo]
Empréstimo
[retorno de empréstimo]

Independentemente de como fosse o final da temporada passada, o Excelsior mereceria respeito pelo que fez na segunda divisão. Carregado pelos gols de Thijs Dallinga, goleador da Eerste Divisie na temporada - 32 gols em 37 partidas -, o time de Roterdã conseguiu a "segunda chance" do acesso, via repescagem, e a aproveitou, voltando à Eredivisie após quatro anos, ganhando a vaga numa decisão dramática contra o ADO Den Haag (fora de casa, chegando a estar perdendo por 3 a 0, buscando o empate, tomando 4 a 3 na prorrogação, empatando de novo, e enfim ganhando o acesso nos pênaltis). Retorno à elite confirmado, porém, era previsível que viria a perda de Dallinga, devolvido ao Groningen que o emprestara - e dali vendido para o Toulouse-FRA. Além disso, Mats Wieffer, bom volante na campanha do acesso, também fará lá sua falta. Como resolver tudo isso?

A resposta dos Kralingers, pelo menos até agora, tem sido buscar jogadores mais experientes em termos de Campeonato Holandês. Alguns deles, por empréstimo, como o meio-campista Kenzo Goudmijn, que poderá ter no Excelsior o tempo e a sequência de jogos que não teve ainda no AZ. Outros, em definitivo - e aqui merece respeito a contratação de Yassin Ayoub, capaz de qualificar tecnicamente o ataque do Excelsior, tanto criando jogadas quanto as finalizando, como já fez bem nos tempos de Utrecht. Para não perder o costume, há um nome novo com passagem pelo Feyenoord: o atacante Marouan Azarkan. Mas as perdas (Dallinga, Wieffer, o volante Reuven Niemeijer) impactam demais o Excelsior, que tem na permanência o objetivo inicial. Só o transcorrer da temporada revelará se é possível sonhar com mais coisas.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Análise da temporada: Excelsior

Jeffry Fortes lamenta a queda para o RKC, na repescagem: as falhas defensivas apagaram os benefícios ofensivos, e o Excelsior caiu (VI Images)

Colocação final: 16º colocado, com 33 pontos - rebaixado na repescagem, caindo para o RKC Waalwijk
No turno havia sido: 14º colocado, com 16 pontos
Time-base: Damen; Fortes, Mattheij, Matthys (Oude Kotte) e Burnet; Schouten, Koolwijk e Messaoud; Bruins (Edwards), Omarsson e El Hamdaoui
Técnico: Adrie Poldervaart (até a 28ª rodada), André Hoekstra (interino, apenas na 29ª rodada) e Ricardo Moniz (a partir da 30ª rodada)
Maior vitória: Excelsior 4x2 AZ (33ª rodada)
Maior derrota: Excelsior 1x7 Ajax (12ª rodada)
Principais jogadores: Ali Messaoud (meio-campista/atacante) e Elias Mar Ómarsson (atacante)
Artilheiro: Ali Messaoud (meio-campista/atacante) e Elias Mar Ómarsson (atacante), ambos com 7 gols
Quem deu mais passes para gol: Luigi Bruins (meio-campista/atacante), com 5 passes
Quem mais partidas jogou: Jürgen Mattheij (zagueiro) e Luigi Bruins (meio-campista/atacante), ambos com 34 partidas - 32 pela temporada regular, duas pela repescagem de acesso/descenso
Copa nacional: eliminado na primeira fase, pelo NEC (segunda divisão)
Competição continental: nenhuma

No final do turno, já estava mais ou menos claro: o Excelsior até poderia se salvar, mas teria de tomar cuidado com o desempenho terrível de sua defesa, que tivera alguns desempenhos risíveis (por exemplo, a goleada por 4 a 1 sofrida para o De Graafschap, o 6 a 0 imposto pelo PSV e o 7 a 1 do Ajax). Diante disso, é possível dizer duas coisas sobre a campanha da equipe de Roterdã. Uma é ruim: a defesa continuou sendo garantia de fortes emoções negativas. Levou mais uma goleada do campeão Ajax (6 a 2, na 30ª rodada), levou 4 a 1 do Fortuna Sittard (21ª rodada)... tentou-se de tudo: mudar goleiro - Alessandro Damen passou a ser titular -, mudar zagueiro - vez por outra, Thomas Oude Kotte dividia a defesa com Jürgen Mattheij -, mas os 79 gols sofridos na Eredivisie deram a mostra de que nada adiantou. Azar de Adrie Poldervaart, demitido na reta final.

Porém, a outra coisa ocorrida com o Excelsior foi boa. Se a defesa tomou muitos gols, o ataque balançou bastante as redes. O veterano Mounir El Hamdaoui mostrou muita utilidade como referência de área, enquanto o islandês Elias Mar Omarsson teve capacidade técnica, alguma velocidade (ainda que desengonçada) e fez gols importantes - caso também de Ali Messaoud, meio-campo escalado constantemente no ataque. Veteranos no Excelsior, Luigi Bruins e Ryan Koolwijk também ajudaram. Assim, nas últimas duas rodadas, vieram duas vitórias - uma delas, milagroso 5 a 4 para cima do Heracles Almelo, fora de casa, após estar perdendo por 4 a 2. E os Kralingers ganharam a chance de disputar a repescagem.

Entretanto, justamente quando tinham de mostrar a vitalidade ofensiva insinuada no returno, fracassaram: o RKC Waalwijk impôs o rebaixamento com certa facilidade, vencendo em Waalwijk e empatando em Roterdã. E após cinco temporadas se mantendo na primeira divisão, mesmo com um dos orçamentos mais baixos da Eredivisie, o Excelsior foi vencido por sua falta de resistência defensiva. Pelo menos, o técnico Ricardo Moniz, que chegou já na reta final, terá chance de começar o trabalho.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Parada obrigatória: Excelsior

O gol de Omarsson contra o VVV-Venlo foi uma das razões que davam esperança ao Excelsior. Mas com a defesa fraca, a queda está sendo perigosa (ANP/Pro Shots)
Posição: 14º lugar, com 16 pontos
Técnico: Adrie Poldervaart
Time-base: Stevens; Fortes, Mattheij, Matthys e Burnet; Schouten, Messaoud (Haspolat) e Koolwijk; Mahmudov (El Hamdaoui/Edwards), Omarsson e Bruins
Maiores vitórias: NAC Breda 0x2 Excelsior (1ª rodada) e Excelsior 2x0 Vitesse (9ª rodada)
Maior derrota: Excelsior 1x7 Ajax (12ª rodada)
Copa da Holanda: eliminado na primeira fase, pelo NEC
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Ali Messaoud (meio-campista), com 5 gols
Destaques: Ali Messaoud (meio-campista) e Elias Mar Omarsson (atacante)
Objetivo do início: escapar do rebaixamento/ficar no meio da tabela
Avaliação: A princípio, o Excelsior não tem um time tão ruim assim. No entanto, se continuar com a defesa fragílima como está neste momento da temporada, será difícil escapar das três últimas posições
Fará intertemporada em... Alhaurin, na Espanha, de 6 a 11 de janeiro

Se alguns times sobem, outros descem. É o caso do Excelsior, pelo menos nas rodadas derradeiras de 2018 na Eredivisie. Não que o começo do clube de Roterdã tenha sido excepcional, longe disso: a equipe sempre ficou no começo da metade inferior da tabela, entre o 13º e o 8º lugar (melhor posição a que chegou, na 9ª rodada). Mas, bem ou mal, mostrava alguma capacidade técnica para perturbar os adversários do mesmo nível. Capacidade que vinha, principalmente, do meio-campo e do ataque escalados pelo técnico Adrie Poldervaart - estreante, pois era preparador físico e foi promovido, embora já viesse em preparação pessoal.

Poldervaart teve à disposição nomes como o velho e bom Ryan Koolwijk, com quem a torcida dos Kralingers já está acostumada na marcação e na saída de bola, no meio-campo. Entre algumas alterações, o setor ficou acostumado com Jerdy Schouten tentando ser mais marcador, enquanto Ali Messaoud disparava para ajudar o ataque, com velocidade. A mesma velocidade dada pelo atacante islandês Elias Mar Omarsson, que também mostrou força física - ambas as qualidades serviram para que ele fizesse um bonito gol contra o VVV-Venlo, na 7ª rodada, partindo do próprio campo para só parar nas redes. Além do mais, opções como Luigi Bruins (outro conhecido dos adeptos) e o veterano Mounir El Hamdaoui davam alguma confiança. E resultados como a vitória sobre o Vitesse, na 9ª rodada, davam a impressão de que ficar no meio da tabela seria até mais fácil do que se pensava.

Só que a defesa tornou tudo difícil. Da 10ª rodada por diante, ela mostrou uma fragilidade tão grande que faz até lembrar um time amador. Basta citar as atuações dignas de pena contra Ajax (7 a 1 sofridos em casa) e PSV (6 a 0, em Eindhoven): por mais que sejam os dois "pontos fora da curva" no Campeonato Holandês, a resistência da defesa do Excelsior foi ridícula, dando espaços vastos nas pontas. Mais alarmantes ainda foram outras derrotas, como os 4 a 1 para o De Graafschap e o 3 a 3 com o Utrecht, após estar vencendo por 3 a 0. E a sequência de três derrotas seguidas nas últimas rodadas do primeiro turno deixaram o Excelsior não só em posição perigosa na tabela, mas também com a pior defesa do campeonato (45 gols sofridos). Urge melhorar, mostrar mais firmeza na marcação. Senão, a queda será ainda mais incontrolável do que já parece.

domingo, 29 de julho de 2018

Guia da Eredivisie 2018/19: Excelsior

Com saídas importantes, resta ao novo técnico Poldervaart treinar e praticar para acelerar o entrosamento na reformulação do Excelsior (sbvexcelsior.nl) 
Stichting Betaald Voetbal Excelsior

Cidade: Roterdã
Estádio: Van Donge & De Roo (capacidade para 4.000 torcedores)
Apelido: Kralingers (referência a Kralingen, bairro de Roterdã onde o clube fica)
Títulos: nenhum
Patrocínio: DSW (seguradora de saúde)
Técnico: Adrie Poldervaart
Destaque: Luigi Bruins (meio-campista)
Fique de olho: Denis Mahmudov (atacante)
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Temporada passada: 11º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento/ficar no meio da tabela
Amistosos de pré-temporada:
7 de julho - Westlands Elftal 3x7 Excelsior
10 de julho - ASWH 3x4 Excelsior
14 de julho - Zwolle 5x0 Excelsior
20 de julho - Go Ahead Eagles 0x0 Excelsior
28 de julho - NAC Breda 1x4 Excelsior
4 de agosto  - AZ x Excelsior
Principais chegadas: Maarten de Fockert (G, Heerenveen), Robin van der Meer (D, Utrecht), Thomas Oude Kotte (D, Vitesse), Mikael Andersson (A, Midtjylland-DIN) e Denis Mahmudov (A, Dordrecht)
Principais saídas: Ögmundur Kristinsson (G, não renovou contrato), Khalid Karami (D, Vitesse), [Jordy de Wijs (D, PSV)], [Wout Faes (D, Anderlecht-BEL)], Milan Massop (D, Beveren-BEL), Hicham Faik (M, Zulte Waregem-BEL), Mike van Duinen (A, Zwolle), [Zakaria El Azzouzi (A, Ajax)], [Levi Garcia (A, AZ)] e Stanley Elbers (A, não renovou contrato)
Valor de mercado: 7,95 milhões de euros (via Transfer Markt)


Legenda
Jogador (posição, clube)
Transferência definitiva
[Transferência definitiva após empréstimo]
Empréstimo
[retorno de empréstimo]

Durante algumas temporadas, o Excelsior sofreu muito para se manter na primeira divisão. Em dois anos seguidos (2015 e 2016), chegou até a terminar na 15ª posição, a primeira fora da zona de repescagem/rebaixamento. Em 2016/17, só escapou do mesmo destino por boas atuações nas rodadas finais (um bom exemplo foi o 3 a 0 sobre o campeão e colega citadino Feyenoord), terminando num 12º lugar seguro, mas ligeiramente enganoso. Já na temporada passada do Campeonato Holandês, foi diferente. O clube do bairro de Kralingen mostrou uma solidez tática, teve algumas boas atuações, e garantiu sua permanência na primeira divisão muito antes até do que se imaginava. Não à toa, muitos jogadores da equipe foram elogiados: Elbers, Van Duinen, Luigi Bruins, Faik, Karami, o próprio técnico Mitchell van der Gaag...

Só que veio a preparação para a temporada atual, e os Kralingers viram o grupo que deu certo ser bastante desfigurado - seja pelo retorno de alguns emprestados (Garcia, De Wijs), seja pelas previsíveis vendas (Karami, Faik). De quebra, o próprio técnico Van der Gaag anunciou sua saída. Assim, sobraram apenas alguns remanescentes para o novo comandante: Jürgen Mattheij, Luigi Bruins, Ryan Koolwijk, Ali Messaoud, Jeffry Fortes, Jinty Caenepeel. É com eles que o técnico Adrie Poldervaart (preparador físico promovido) fará uma nova base, junto de algumas contratações promissoras (caso do goleiro De Fockert, presença comum nas convocações da seleção holandesa sub-21, e do atacante Mahmudov, experiente em times pequenos).Os resultados irregulares de pré-temporada mostram que ainda se está em busca do melhor entrosamento. Se ele vier, é possível para o Excelsior se salvar.

sexta-feira, 2 de março de 2018

A redenção dos menores

El Khayati chegou ao ADO Den Haag para ficar seis meses. Ajudou muito a salvar o time, ficou, e é o destaque de uma boa campanha (ANP/Pro Shots)
Está disponível a quem tiver interesse: no guia para esta temporada do Campeonato Holandês, dividido em três partes, apostou-se que ADO Den Haag, Excelsior e VVV-Venlo estavam fadados apenas a tentar fugir das três últimas posições da tabela, cujos ocupantes são condenados a tentarem a manutenção na Eredivisie via repescagem – além, claro, da queda direta para o último colocado. E tal prognóstico não era desprovido de alguma razão. Antes de mais nada, porque são clubes médios/pequenos – o que significa que passam por esporádicos sufocos, ao contrário dos AZ e Utrecht da vida, mais acostumados à parte de cima da tabela.

Depois disso, cada clube tem o seu calvário próprio. Como campeão da segunda divisão e dono de orçamento ínfimo, o VVV provavelmente sofreria com a ameaça de fazer o bate-e-volta rumo à Eerste Divisie, por mais coeso que fosse o time. O ADO Den Haag até mostrava condições de ficar no meio da tabela, mas... e se novamente as incertezas do comando do empresário chinês Hui Wang perturbassem o ambiente e respingassem dentro do campo, como ocorreu na temporada passada? E o Excelsior, que passou duas temporadas seguidas escapando de raspão (em 2014/15 e 2015/16, terminara em 15º, primeira posição acima da zona de repescagem/queda) e só conseguiu escapar por uma arrancada inesperada nas últimas rodadas, chegando a vencer até o campeão Feyenoord?

Pois bem: pelo menos neste momento da temporada, com as coisas entrando na reta final, ADO Den Haag, VVV e Excelsior têm merecido unânimes elogios. Com nove rodadas para o encerramento, estão frequentando o meio da tabela, dando passos firmes para garantir a permanência na divisão de elite por mais um ano, com antecedência. No caso do Den Haag, então, a situação é ainda mais promissora: está em oitavo lugar, dois pontos atrás do Vitesse, o primeiro na zona da repescagem por vaga na Liga Europa – repescagem que parece bem acessível, já que o Feyenoord, como finalista da Copa da Holanda, está à frente na tabela (abrindo, pois, uma vaga, caso ganhe o torneio). Em 10º lugar, o Excelsior se vale de um desempenho até admirável fora de casa, com 32 pontos. Uma posição abaixo, está a equipe de Venlo, mostrando atuações regulares por todo o campeonato.

Mas o que aconteceu para essa mudança brusca? Aí entra o primeiro item em que talvez todos coincidam – talvez o mais importantes: ao contrário de temporadas anteriores, as contratações foram pontuais. Apostou-se numa base. Mais do que isso: apostou-se nos trabalhos dos técnicos. Nem sempre isso dá certo, claro. Mas nos três casos, não mexer no que dava certo (e buscar corrigir o errado) foi fundamental. Mesmo que, para isso, fosse necessário gastar um pouco mais – de dinheiro e de saliva. No caso do ADO Den Haag, isso foi fundamental para conseguir prolongar uma estadia que já dera certo na parte final da temporada passada: a do meio-campista Abdenasser El Khayati.

Ele chegara para a metade final da temporada 2016/17, cedido pelo Queens Park Rangers. E tomou conta do meio-campo, sendo protagonista nas vitórias que garantiram a salvação. “Nasser” voltaria aos Hoops tão logo a temporada se encerrasse, mas como o contrato com o clube já estava se encerrando, e o clube auriverde de Haia estava interessado... veio a solução: três anos de contrato. E ficando na Holanda, El Khayati manteve sua importância para o ADO Den Haag, com ótimos números (marcou sete gols, deu passes para outros sete). 

Como El Khayati sozinho não faria verão, aí entraram os outros jogadores a ajudá-lo. Um deles, outra contratação que deu certo: corpulento, Bjorn Johnsen (nascido em Nova Iorque, mas de nacionalidade norueguesa) tomou conta do ataque, e tem disputado o posto de goleador da Eredivisie, com dez gols. Com isso, os outros atacantes que já estavam lá, como Sheraldo Becker e Erik Falkenburg, tiveram os desempenhos maximizados. Do restante, já se falará.

Entre idas e vindas do clube, Ryan Koolwijk é figura admirada na torcida do Excelsior (Den Breejen/VI Images)

Até porque o restante do ADO Den Haag também tem a ver com o restante do Excelsior e do VVV-Venlo, no sentido de serem apostas em jogadores nos quais a torcida já confia – e dos quais, ela gosta. Tome-se por exemplo o caso do Excelsior: nas temporadas de agruras, o lateral esquerdo Khalid Karami era um dos únicos bálsamos, com desempenho ofensivo e veloz. Assim como o volante e capitão Ryan Koolwijk, de experiência valiosa para o clube do bairro de Kralingen, em Roterdã. Karami chegou a ficar sem contrato no fim da temporada passada, até deixando o grupo do Excelsior. Mas a diretoria correu atrás e acertou um novo compromisso com o lateral. 

Assim, permaneceu no clube a espinha dorsal que o técnico Alfons Groenendijk já tinha à disposição: Karami, Koolwijk, Luigi Bruins, Anouar Hadouir, Mike van Duinen, Stanley Elbers... se o final da temporada passada já dera a esperança de que dias melhores viriam (basta lembrar o 3 a 0 sobre o futuro campeão Feyenoord, na penúltima rodada, frustrando a primeira “festa do título”), 2017/18 tem impressionado. Entre desempenhos péssimos em casa – é o lanterna jogando em seu estádio – e fabulosos fora – é o quarto melhor visitante da Eredivisie, atrás de Ajax, PSV e AZ -, o Excelsior se baseou nessa estranha regularidade para ficar no meio de tabela. E com a rapidez do ataque, ainda sonha subir algumas posições.

Lennart Thy tem sido o responsável pelo protagonismo nos ataques do VVV-Venlo - logo, é um dos destaques da campanha regular (ANP/Pro Shots)
Ao fazê-lo, o Excelsior poderá superar outro clube de entrosamento exemplar na temporada: o VVV-Venlo. Ao contrário do que se poderia supor, o clube aurinegro foi bem conservador na sua volta à primeira divisão. O principal reforço foi manter a base de gente já conhecida dos frequentadores das arquibancadas do aprazível De Koel: a zaga com Jerold Promes e Moreno Rutten, o meio-campo com Ralf Seuntjens e Clint Leemans, o ataque com Torino Hunte... Reforços? Só dois. Mas muito úteis: Lars Unnerstall é o goleiro que o VVV desejava (seguro e regular, coisa rara em goleiros de times menores na Eredivisie), enquanto Lennart Thy, alemão emprestado pelo Werder Bremen, é o mais técnico jogador da equipe na temporada. Resultado: atuações esforçadas, e um time dedicado e focado a ponto de fazer seu técnico, Maurice Steijn, já ser olhado com interesse por clubes maiores.

Também colabora para a boa fase desses três clubes a sintonia existente entre clube e torcida. Aí entra o “restante” supracitado do ADO Den Haag: nele, estão jogadores como o meio-campista Lex Immers, o zagueiro Tom Beugelsdijk e o goleiro Robert Zwinkels. Todos eles, ídolos absolutos dos torcedores – mesmo que sejam mais raça do que técnica, caso de Beugelsdijk. Zwinkels, aliás, é o grande exemplo: não bastasse ser cria da casa, desde 2005 jogando, vive a melhor temporada da carreira (na rodada passada, se o Ajax amargou um 0 a 0 em plena Amsterdam Arena, o goleiro foi o responsável). No mesmo caso, estão figuras como Ryan Koolwijk, capitão que já voltou e saiu do Excelsior, mas tem ligação histórica com a torcida.

Paz para trabalhar, enfim. Medidas “simpáticas” à torcida sem deixarem de ser estimulantes ao clube. Jogadores de certa técnica. Com tudo isso, ADO Den Haag, Excelsior e VVV-Venlo subverteram as expectativas. De surpresas assim se fazem as temporadas, ora, como não?

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 3 de março de 2018)

sexta-feira, 10 de março de 2017

Briga de foice

O equilíbrio ainda permite salvações, mas a expressão de Beugelsdijk deixa claro: o ADO Den Haag está a perigo na Eredivisie (Maurice van Steen/VI Images)

No mês passado, o site Trivela (de certa forma, irmão deste Espreme a Laranja) publicou uma curiosa variante para as típicas tabelas dos campeonatos de futebol. Tratava-se de um gráfico, feito pelo inglês Will Griffiths (disponível aqui), mostrando a pontuação das equipes nas mais tradicionais – e também nas menos - ligas europeias. Claro, os leitores comentaram. E um deles (Roberto Alvarenga) palpitou, com base no que o jornalista Leandro Stein comentou: “A luta contra o rebaixamento na Holanda vai ser uma briga de foice no escuro”. Outro leitor, Lucas Silva, concordou. E ainda acrescentou: “Parece-me que nessas últimas temporadas, as equipes holandesas, excetuando-se PSV e Ajax, estão mais fracas, especialmente Vitesse e Twente”.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Primeiro, porque o Campeonato Holandês tem clubes que não estão nem mais fracos, nem mais fortes; simplesmente, ficam na zona em que se espera que fiquem, no início da temporada. Um bom exemplo disso está na região que dá lugar nos play-offs após a temporada regular, por vaga na Liga Europa: excetuando-se o Twente (que está na 6ª posição, mas não participará dos play-offs, punido que foi pela federação holandesa no ano passado), estão Utrecht, AZ, Heerenveen e Vitesse – todos clubes médios, participantes comuns desses play-offs, que se raras vezes desafiam os três grandes do país para valer, tampouco sofrem com a ameaça de rebaixamento. E até aparecem numa fase preliminar de Liga Europa, aqui e ali. 

Segundo, porque nem os clubes realmente fracos são tão fracos que não consigam surpreender. Que o diga o líder Feyenoord: no domingo passado, o Stadionclub sofreu sua segunda derrota nesta Eredivisie, com o 1 a 0 para o Sparta Rotterdam - promovido nesta temporada, como campeão da segunda divisão. O fenômeno fica ainda mais notável quando se constata que a outra derrota dos Feyenoorders na temporada foi para... o outro clube promovido da Eerste Divisie, o Go Ahead Eagles (outro 1 a 0). Certo, tratam-se de times deficientes (basta lembrar que o Feyenoord pespegara 6 a 1 no Sparta, no turno). Ainda assim, proporcionam surpresas como estas – que tornam o primeiro colocado do Campeonato Holandês o segundo clube com piores resultados ao pegar os clubes que subiram de divisão nesta temporada.

E talvez seja por essa capacidade de pregar peças que a Eredivisie, de fato, esteja extremamente equilibrada na zona de rebaixamento – e de repescagem (o leitor deve-se lembrar do regulamento, no mínimo, intrincado dos play-offs de acesso/descenso – caso não se lembre, eis aqui esta coluna de 2015). Do 15º ao 18º e último colocado, há apenas um ponto de diferença – sendo que há empate triplo entre o 15º e o 17º colocado. E até mesmo clubes mais sossegados ainda precisam tomar cuidados antes de garantirem a salvação na divisão de elite do futebol holandês. Uma possível razão para o equilíbrio é o fato de nenhum dos times ameaçados de queda ser completamente desprovido de talento, ser irremediavelmente ruim – enfim, nenhum deles é “saco de pancadas”, sendo esmurrado rodada após rodada. 

Na verdade, o lanterna atual do Holandês viveu até uma “queda meteórica”. Não que ela não estivesse anunciada: já se abordou aqui o caos interno que vive o ADO Den Haag. A crise já estava indo para dentro de campo, e o início do returno deflagrou isso de vez: nada de vitórias para o clube de Haia, nas oito rodadas disputadas após a pausa de inverno. Foram dois empates e seis derrotas. Já houve consequências: previsivelmente, sobrou para o técnico (Zeljko Petrovic caiu, dando lugar a Alfons Groenendijk). Ainda assim, a sensação é de que o Den Haag pode reagir. Jogadores para isso, tem: na defesa (o duro zagueiro Tom Beugelsdijk, ídolo da torcida) e no ataque (Édouard Duplan, Sheraldo Becker, Ruben Schaken, Guyon Fernandez, até Mike Havenaar).

Do Roda JC, penúltimo colocado, também já se comentou aqui. Só que o ânimo ganho com a injeção de dinheiro do suíço-russo Aleksei Korotaev ainda não resultou em muita coisa dentro das quatro linhas: só duas vitórias no returno, e o time segue transitando entre as últimas posições. Pelo menos, ainda teria chance de segurar-se na Eredivisie, indo para a repescagem. Mesmo caso de outro clube que também é afligido pela ameaça do descenso há várias temporadas, e continua não aprendendo: o Excelsior, em 16º colocado. O clube de Roterdã nem perdeu tanto assim no returno. Mas também não ganhou, exagerando nos empates: quatro, nestas nove rodadas do segundo turno.

Esta é a sorte do Go Ahead Eagles: duas vitórias seguidas já bastaram para o clube de Deventer conseguir ficar no 15º lugar, o primeiro fora da zona de rebaixamento. E é até merecido, já que a equipe tem alguns jogadores de relativo talento – principalmente no ataque, com Jarchinio Antonia e Sam Hendriks, que periodicamente salvam o GAE numa ou noutra partida. No entanto, com o mesmo número de pontos dos dois clubes que vêm logo abaixo (20) e nove rodadas a disputar, sossegar não é uma opção.

Talvez não seja uma opção nem para os clubes que vêm acima dos quatro mais ameaçados pelo rebaixamento. Embora tenha uma equipe muito coesa (e tenha, ora bolas, vencido o líder do campeonato), o Sparta Rotterdam (14º, com 25 pontos) ainda procura afastar o temor. Após passar o turno ameaçado, sendo uma das grandes decepções da Eredivisie, enfim o Zwolle reagiu: alguns jogadores subiram de produção, o técnico Ron Jans anunciou demissão – na moda de “técnicos demissionários tranquilizam o clima no elenco” -, algumas vitórias vieram, e os Zwollenaren foram aos 27 pontos, na 13ª posição. A mesma coisa ocorre com o NEC: a equipe de Nijmegen ainda sofre com a irregularidade dentro de campo, mas está em 12º lugar, com 28 pontos. Todas essas, pontuações que dão mais segurança. Ainda assim, precisando de mais cuidados antes da salvação definitiva. 

Caso contrário, serão mais clubes a se juntar aos quatro que já são afligidos pela necessidade de fazer contas e jogar o futuro a cada rodada. De fato, como preconizou o leitor da Trivela, a disputa contra o rebaixamento na Holanda promete ser uma briga de foice no escuro.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 10 de março de 2017)