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domingo, 7 de janeiro de 2024

Parada obrigatória: Vitesse

Room e Manhoef fazem o que podem em campo. Mas está difícil para o Vitesse contentar sua torcida e sair da última posição (Bart Stoutjesdijk/ANP/Getty Images)

Posição: 18º lugar, com 11 pontos (atrás pelo menor número de gols pró)
Técnicos: Phillip Cocu (até a 12ª rodada) e Edward Sturing (interino, depois efetivado, desde a 13ª rodada) 
Time-base: Room; Arcus, Oroz (Hendriks), Isimat-Mirin e Cornelisse; Meulensteen e Van Ginkel; Manhoef, Tielemans (De Regt) e Kozlowski; Hamulic (Boutrah) 
Maior vitória: NEC 1x3 Vitesse (7ª rodada)
Maior derrota: Ajax 5x0 Vitesse (13ª rodada) e Almere City 5x0 Vitesse (16ª rodada)
Copa da Holanda: enfrentará o AFC (terceira divisão), nas oitavas de final
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Marco van Ginkel (meio-campista) e Million Manhoef (atacante), ambos com 4 gols
Objetivo do início: meio de tabela
Avaliação: O círculo vicioso em que o Vites está desde o ano passado enfim se faz sentir em campo. Do pior jeito possível: um time estagnado, que parece incapaz de sair da última posição, por mais que tente

A péssima primeira metade da temporada que o Vitesse faz, incomum para um time do "subtopo" do Campeonato Holandês, começa na burocracia que impede o clube de Arnhem de ter a confirmação de seu novo dono. Explica-se: em 2022, com o começo da guerra entre Rússia e Ucrânia, o ucraniano Valeriy Oyf vendeu o clube. Logo, o norte-americano Coley Parry se interessou em adquirir o Vites. E o fez, em julho do ano retrasado. Só que, desde então, a federação holandesa ainda não autorizou que Parry assuma o clube abertamente, exigindo o planejamento do clube, que já é olhado com desconfiança em relação às suas finanças. E começou o círculo vicioso. Sem novo dono, não poderia se planejar financeiramente. Sem dinheiro, não poderia contratar muito. Ou seja: o Vitesse viu muitos nomes saindo, sem poder responder com contratações.

O resultado foi o que se viu neste primeiro turno: após uma vitória somente na primeira rodada, diante de um clube que se tornou concorrente direto contra o rebaixamento (2 a 1 no Volendam), derrotas e mais derrotas. Pouquíssimos nomes se destacaram: o goleiro Eloy Room - três pênaltis pegos em duas rodadas seguidas, na 14ª e na 15ª rodadas -, o meio-campo Marco van Ginkel (sempre experiente) e o atacante Million Manhoef. Mas era pouco para conter a crise. Escancarada a partir dos 5 a 1 sofridos para o Go Ahead Eagles (11ª rodada), depois da qual o técnico Phillip Cocu se demitiu, após protestos da torcida. Surgiu, então, Edward Sturing, velho ídolo, para sua sexta (!) passagem como técnico interino. Ela iria até dezembro. Agora, irá até o fim da temporada. Já teve mais pressão na última rodada de 2023, com a goleada sofrida (5 a 0 para o Almere City - após o jogo, Manhoef e Van Ginkel foram acalmar a torcida). O avanço às oitavas de final da Copa da Holanda é só um pequeno ânimo, para um time que precisa melhorar ofensivamente (é o pior ataque do campeonato, com 12 gols). Mas que, a rigor, precisa melhorar muita coisa para evitar o rebaixamento, após 43 anos.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Guia da Eredivisie 2023/24: Vitesse

Mattijs Tielemans é um nome que chega para ajudar um Vitesse que segue precisando melhorar - mas já parece com um caminho mais visível (vitesse.nl/Divulgação)

Stichting Betaald Voetbal Vitesse

Cidade: Arnhem  
Estádio: GelreDome (capacidade para 21.248 torcedores) 
Apelidos: Vites, Arnhemmers 
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (1 Copa da Holanda) 
Patrocínio: BetCity (site de apostas online)
Técnico: Phillip Cocu
Destaques: Million Manhoef (meio-campo/atacante)
Fique de olho: Mathis Tielemans (meio-campista) e Miliano Jonathans (atacante) 
Temporada passada: 10º colocado
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: meio de tabela
Amistosos de pré-temporada:
8 de julho - VV Duno (amador) 0x9 Vitesse
15 de julho - De Graafschap 3x5 Vitesse
22 de julho - Stuttgart-ALE 2x1 Vitesse
28 de julho - Vitesse 1x1 Eintracht Frankfurt-ALE
1º de agosto - Vitesse 2x2 Patro Eisden-BEL
5 de agosto - Getafe-ESP 4x1 Vitesse
Principais chegadas: Eloy Room (G, Colorado Rapids-EUA), Ramon Hendriks (D, Feyenoord), Mica Pinto (D, Sparta Rotterdam), [Daan Huisman (M, VVV-Venlo)], Amine Boutrah (M, Concarneau-FRA), Mathijs Tielemans (M, PSV), Kacper Kozlowski (M/A, Brighton-ING), Joel Persson (A, Lecce-ITA) e [Thomas Buitink (A, Fortuna Sittard)] e Said Hamulic (A, Toulouse-FRA)
Principais saídas: Jeroen Houwen (G, RKC Waalwijk), Daan Reiziger (G, Cambuur), [Kjell Scherpen (G, Brighton-ING)][Ryan Flamingo (D, Sassuolo-ITA)], Tomas Hajek (D, Panserraikos-GRE), Maximilian Wittek (D, Bochum-ALE), Mitchell Dijks (D, Fortuna Sittard), Daan Huisman (M, Haugesund-NOR), Romaric Yapi (M, Bastia-FRA), Matus Bero (M, Bochum-ALE), [Gabriel Vidovic (A, Bayern de Munique-ALE)], Sondre Tronstad (M, Blackburn-ING), [Mohamed Sankoh (A, Stuttgart-ALE) e [Bartosz Bialek (A, Wolfsburg-ALE)]

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
[transferência em definitivo após empréstimo]

Certo, o Vitesse conseguiu contornar uma temporada que teve períodos ameaçadores, antes de garantir mais um ano de Eredivisie. E agora, o técnico Phillip Cocu teve uma pré-temporada à disposição para trabalhar e preparar tudo com mais calma, após pegar a equipe aurinegra no meio do caminho em 2022/23. O que não quer dizer que as dificuldades não continuem. Nomes importantes no Vites, como os meio-campistas Matus Bero e Sondre Tronstad, deixaram o clube. E fora de campo, ainda há certas hesitações sobre qual será o grau de investimento do norte-americano Coley Parry, novo proprietário, no clube - até porque Parry ainda não teve a homologação da federação holandesa, cerca de um ano depois. De quebra, os resultados da pré-temporada foram pouco animadores. Pelo menos, Cocu tem alguns velhos conhecidos para lhe ajudar em campo. 

Alguns, velhos conhecidos da vitoriosa passagem pelo PSV: Nicolas Isimat-Mirin no miolo de zaga, Marco van Ginkel no meio-campo - e no mesmo setor, Davy Pröpper, quando se recuperar do rompimento de ligamento cruzado de joelho por que passou. Outras novidades são velhas conhecidas do Vitesse, independente de treinador: após cinco anos e dois clubes no meio, o goleiro Eloy Room volta ao clube em que começou a carreira, para ser um titular que traga mais segurança ao gol após as turbulências da posição na temporada passada. Titulares como Carlens Arcus, Melle Meulensteen e Million Manhoef já trazem um entrosamento maior. E valerá prestar atenção em novatos como o meio-campo Mattijs Tielemans (vindo da base do PSV) e o atacante Miliano Jonathans. Podem ajudar um Vitesse já com um trabalho encaminhado a ter um campeonato mais tranquilo do que o passado, embora distante dos sonhos de tempos anteriores.

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Análise da temporada: Vitesse

O Vitesse teve medo na primeira metade da temporada. Com mudanças na hora certa, e destaques como Manhoef (em primeiro plano na foto), o medo passou (Pro Shots)

Colocação final: 10º lugar, com 40 pontos (na frente pelo melhor saldo de gols)
No turno havia sido: 14º lugar, com 15 pontos
Time-base: Scherpen; Arcus, Flamingo, Isimat-Mirin (Oroz) e Wittek; Van Ginkel (Tronstad) e Meulensteen; Manhoef, Bero e Kozlowski; Bialek (Vidovic)
Técnico: Thomas Letsch (até a 7ª rodada) e Phillip Cocu (a partir da 8ª rodada)
Maior vitória: Vitesse 6x0 Groningen (33ª rodada)
Maior derrota: Vitesse 2x5 Feyenoord (1ª rodada)
Principal jogador: Million Manhoef (atacante) 
Artilheiro: Million Manhoef (atacante), com 6 gols
Quem deu mais passes para gol: Maximilian Wittek (lateral esquerdo), com 3 passes
Quem mais partidas jogou: Ryan Flamingo (lateral direito) e Million Manhoef (atacante), ambos com 31 partidas
Copa nacional: eliminado pelo Spakenburg (terceira divisão), na primeira fase
Competições continentais: nenhuma

Uma temporada difícil já estava no horizonte do Vitesse, a bem da verdade. Em meio à troca de donos (do ucraniano Valeriy Oyf para o norte-americano Coley Parry), a diminuição de investimentos que decorreu disso, as saídas dos destaques da temporada passada - Riechedly Bazoer e Loïs Openda, por exemplo. Ainda assim, o desempenho do primeiro turno assustou a torcida em Arnhem. Três derrotas nas três primeiras rodadas, e a primeira vitória veio só na quinta rodada (1 a 0 no Groningen). Os poucos reforços não engrenavam. E o técnico alemão Thomas Letsch decidiu concretizar o que já se falava: preferiu retornar ao país natal, para comandar o Bochum - e até fazer um bom papel, ajudando o time a se salvar do rebaixamento na Bundesliga. Voltando ao Vitesse, assunto principal, que precisava de um técnico, a saída foi dar uma chance a Phillip Cocu, surgido no clube como jogador, que vinha parado como treinador. 

O começo manteve as intranquilidades da torcida. Já sob Cocu, a queda para o semiamador Spakenburg, já na primeira fase da Copa da Holanda, foi vexatória. Mas pouco a pouco vieram indícios de que logo o Vites viveria tempos mais tranquilos - como no 2 a 2 tirado do Ajax em Amsterdã, na 12ª rodada. Na pausa de inverno, inspirado por Cocu, o clube aurinegro foi buscar velhos conhecidos do técnico nos tempos de bicampeonato holandês no PSV (2014/15 e 2015/16): Nicolas Isimat-Mirin para a zaga, Marco van Ginkel e Davy Pröpper (reativando a carreira cujo fim anunciara no ano passado) para o meio-campo. Se Pröpper logo rompeu o ligamento cruzado anterior de seu joelho e pôde ajudar pouco, Isimat-Mirin e Van Ginkel logo se firmaram no time. Certas mudanças táticas de Cocu, como adiantar o zagueiro Melle Meulensteen para ser volante, deram certo. Million Manhoef catapultou seu nível técnico, começando a mostrar habilidade no ataque. E o Vitesse, se não mudou da água para o vinho, conseguiu a permanência na primeira divisão de maneira bem mais tranquila do que se avizinhava. Culminando com uma vitória para entrar em férias de bem com a torcida: 1 a 0 no campeão Feyenoord. Resultado que deu uma certeza: de fato, poderia ter sido bem pior.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Parada obrigatória: Vitesse

Bialek: um dos únicos nomes a trazer pontos positivos, num período de dificuldades do Vitesse (Ben Gal/Orange Pictures/BSR Agency/Getty Images)

Posição: 13ª colocação, com 13 pontos (na frente pelo maior saldo de gols) 
Técnico: Thomas Letsch (até a 7ª rodada) e Phillip Cocu
Time-base: Reiziger (Scherpen); Flamingo (Ferro), Meulensteen e Cornelisse; Arcus, Kozlowski, Bero, Tronstad (Manhoef) e Wittek; Bialek e Vidovic
Maior vitória: Cambuur 0x3 Vitesse (10ª rodada)
Maiores derrotas: Vitesse 0x4 Heerenveen (3ª rodada) e Vitesse 0x4 Sparta Rotterdam (13ª rodada)  
Copa da Holanda: eliminado pelo Kozakken Boys (terceira divisão), na primeira fase
Competição europeia: nenhuma
Artilheiros: Matus Bero (meio-campista) e Million Manhoef (meio-campista), ambos com 3 gols 
Objetivo do início: vaga nos play-offs pela Conference League/meio de tabela
Avaliação: os vários problemas na preparação da temporada, dentro e fora de campo, cobraram seus preços. E o Vites só espera que a segunda metade seja um pouco mais tranquila

Vendo com calma, era previsível. Desde o final da temporada passada, o Vitesse vinha no processo de uma troca de donos - do ucraniano Valeriy Oyf para um grupo norte-americano -, e isso acarretaria uma contenção de gastos até esperada. O que levou ao segundo revés: muitas perdas de destaques no mercado de transferências. O zagueiro Danilho Doekhi, o "líbero" Riechedly Bazoer, o atacante Loïs Openda... todos eles deixaram o clube de Arnhem. Com tudo isso, era muito difícil esperar uma repetição da honrosa temporada passada, em que o Vites não só disputou com o AZ (e perdeu) a vaga na Conference League desta temporada, como teve papel digno na Conference passada, caindo com resistências para a campeã Roma nas oitavas de final. Esses dois fatores, somados, renderam um começo de temporada preocupante. Três derrotas nas três primeiras rodadas - duas delas, goleadas sofridas em casa: 5 a 2 para o Feyenoord (1ª rodada) e 4 a 0 para o Heerenveen (3ª rodada). 

A primeira vitória só viria na 5ª rodada: 1 a 0 no Groningen. Ainda assim, o Vitesse parecia sem rumo, bordejando perigosamente a 16ª posição que obriga a disputa de repescagem de acesso/descenso. Diante disso, a saída do técnico Thomas Letsch, em meio às datas FIFA de setembro, foi adequada - e até esperada, já que eram duradouros os boatos o ligando ao Bochum-ALE para o qual foi. Caminho aberto para Phillip Cocu, que começara no Vites como jogador, ter ali a chance para reativar uma carreira estagnada como treinador. Em meio às mudanças táticas - o Vitesse voltou a jogar com quatro na defesa, após muito tempo -, houve sofrimento: Cocu estreou com duas derrotas, o time é o terceiro pior mandante, e o Vitesse ainda amargou um vexame (cair para o amador Kozakken Boys na Copa da Holanda, nos pênaltis). Pelo menos, alguns nomes cresceram de produção: Matus Bero, Gabriel Vidovic, Bartosz Bialek. Rivais diretos contra o rebaixamento foram vencidos (Emmen, na 10ª rodada, e Cambuur, na 11ª). O empate contra o Ajax - 2 a 2, na 12ª rodada - trouxe algum ânimo. E o Vitesse controla seus problemas, por enquanto. Ainda assim, segue a necessidade de mais segurança.

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Guia da Eredivisie 2022/23: Vitesse

Ferro é uma das raras contratações de um Vitesse que começa a notar algumas dificuldades vindouras (vitesse.nl/Divulgação)


 Stichting Betaald Voetbal Vitesse

Cidade: Arnhem  
Estádio: GelreDome (capacidade para 21.248 torcedores) 
Apelidos: Vites, Arnhemmers 
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (1 Copa da Holanda) 
Patrocínio: eToro (empresa de investimentos online em criptomoedas)
Técnico: Thomas Letsch
Destaques: Matus Bero (meio-campista) 
Fique de olho: Melle Meulensteen (zagueiro)
Temporada passada: 6º colocado
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: vaga nos play-offs pela Liga das Conferências/meio de tabela
Amistosos de pré-temporada:
2 de julho - Seleção da região de Westervoort 0x7 Vitesse
8 de julho - Vitesse 0x0 Westerlo-BEL
12 de julho - Vitesse 1x0 Maccabi Haifa-ISR
17 de julho - KV Oostende-BEL 2x0 Vitesse
22 de julho - Vitesse 2x2 VVV-Venlo
26 de julho - Vitesse 1x2 OFI Creta-GRE
30 de julho - Vitesse 1x2 Atromitos-GRE
Principais chegadas: Kjell Scherpen (G, Brighton-ING), Melle Meulensteen (D, RKC Waalwijk), Carlens Arcus (D, Auxerre-FRA), Ferro (D, Benfica-POR), Ryan Flamingo (D, Sassuolo-ITA), Mitchell Dijks (D, Bologna-ITA), Gabriel Vidovic (M, Bayern de Munique-ALE), Kacper Kozlowski (Brighton-ING) e Mohamed Sankoh (A, Stuttgart-ALE)
Principais saídas: Riechedly Bazoer (D/M, AZ), Danilho Doekhi (D, Union Berlin-ALE), Eli Dasa (D/M, fim de contrato), Patrick Vroegh (M, RKC Waalwijk), [Jacob Rasmussen (D/M, Fiorentina-ITA)], Daan Huisman (M, VVV-Venlo)[Loïs Openda (A, Club Brugge-BEL)], [Adrian Grbic (A, Lorient-FRA)], [Yann Gboho (A, Rennes-FRA)] e Oussama Darfalou (A, fim de contrato)
Legenda
Jogador (posição, clube) 
Transferência 
[Retorno de empréstimo] 
Empréstimo

Eis a maior incógnita do Campeonato Holandês. Na verdade, talvez incógnita nem seja o nome mais adequado: desconfiança descreve melhor as perspectivas do Vites para esta temporada. Todos os grandes destaques de uma atuação honrosa na temporada passada deixaram Arnhem: Danilho Doekhi, Riechedly Bazoer, Jacob Rasmussen, o grande destaque Loïs Openda. O cenário fica ainda mais duvidoso ao se pensar o que pode acontecer em termos de investimentos, agora que o russo Valeriy Oyf deseja vender suas ações do clube - e não se pode esquecer que, em 2023, acaba o contrato de aluguel do estádio GelreDome, sem que o clube consiga encaminhar a solução da pendenga.

Fica ainda mais complicado pensar numa boa campanha para o Vitesse ao se notar que as contratações foram poucas, até agora. E a maioria delas, para a zaga: Melle Meulensteen chega de uma boa temporada no RKC Waalwijk, e tanto o português Francisco "Ferro" quanto Ryan Flamingo podem ganhar ritmo de jogo antes de voltarem a seus clubes. Na reta final da janela, vieram nomes que, quem sabe, possam ajudar, como Kjell Scherpen e Mitchell Dijks. Alguns nomes frequentes nos últimos anos continuam, como Eli Dasa, Matus Bero e Maximilian Wittek. E pelo menos, o técnico Thomas Letsch seguirá no clube. Mas precisará de um trabalho bem mais profundo para igualar o desempenho razoável de 2021/22, diante da perspectiva de queda brusca de investimentos para esta.

domingo, 19 de junho de 2022

Análise da temporada: Vitesse

O Vitesse fez uma boa temporada na Eredivisie, com Openda despontando no ataque. Mas ele sairá. E o impacto de sua ausência não é o único problema com que o Vites lidará (Pro Shots)

Colocação final: 6º lugar, com 51 pontos
No turno havia sido: 5º colocado, com 30 pontos
Time-base: Schubert (Houwen); Doekhi, Bazoer e Rasmussen; Dasa, Bero, Tronstad, Huisman e Wittek; Openda e Buitink (Frederiksen)
Técnico: Thomas Letsch
Maior vitória: Cambuur 1x6 Vitesse (15ª rodada)
Maior derrota: Ajax 5x0 Vitesse (3ª rodada) e Vitesse 0x5 PSV (22ª rodada)
Principal jogador: Loïs Openda (atacante)
Artilheiro: Loïs Openda (atacante), com 19 gols
Quem deu mais passes para gol: Eli Dasa (ala direito), com 5 passes
Quem mais partidas jogou: Loïs Openda (atacante), com 37 partidas - 33 pela temporada regular, mais quatro na repescagem pela Conference League
Copa nacional: eliminado pelo Ajax, nas quartas de final
Competições continentais: Conference League (eliminado nas oitavas de final, pela Roma-ITA)

O Vitesse até começou bem na Eredivisie, fazendo 1 a 0 no Zwolle fora de casa. Todavia, é possível dizer que o Vites impressionava mais na Conference League do que propriamente na liga doméstica. A começar pelos play-offs rumo à fase de grupos, na qual garantiu a vaga eliminando o Anderlecht-BEL, bem mais tradicional em termos europeus. No grupo propriamente dito, o time de Arnhem até venceu o Tottenham (1 a 0), e viu a negativa do clube inglês em jogar passando por um surto de COVID-19 render a ele a vaga na segunda fase. Era um avanço que, de certa forma, mostrava à Europa o que a Holanda (Países Baixos) já conhecia: um time taticamente sólido, com os destaques de Riechedly Bazoer e Danilho Doekhi no trio de zaga; dos alas Eli Dasa, na direita, e Maximilian Wittek, na esquerda; e principalmente, de Loïs Openda, no ataque, rápido e bom finalizador. Porém, o começo do ano - e da segunda metade da temporada - trouxe dúvidas dentro e fora de campo para o Vitesse. 

Fora, a guerra Rússia-Ucrânia trouxe uma consequência: o magnata russo Valery Oyf vendeu suas ações do clube (ainda sem comprador). Dentro, uma sequência negativa de três derrotas entre a 20ª (Groningen 3 a 1 em pleno GelreDome) e a 22ª rodadas (PSV 5 a 0, também em Arnhem) minimizou as perspectivas de uma posição ainda melhor para o time na Eredivisie. A eliminação na Conference League foi agridoce: contra a Roma, excessivas chances perdidas na ida (Roma 1 a 0), empate sofrido nos minutos finais da volta (1 a 1). E o fim de campeonato foi relativamente decepcionante: nas últimas sete rodadas, quatro derrotas, tirando as chances de vaga direta em competições europeias, por mais que Openda se esforçasse, com atuações destacadas (como o 2 a 1 no Go Ahead Eagles, pela 31ª rodada). Os play-offs pela vaga na Conference League ofereciam uma segunda chance, que começou a ser aproveitada com o triunfo sobre o Utrecht, nas "semifinais". Vencer o AZ na ida da decisão (2 a 1 - mais um gol de Openda) aumentou as perspectivas de salvação da temporada. Mas a goleada sofrida na volta - AZ 6 a 1 - deu a impressão de que o Vitesse começou suas férias antes do que a torcida queria. E agora, ficam as dúvidas: sem Valery Oyf custeando, Openda voltando ao Club Brugge após empréstimo, Doekhi já indo para o Union Berlin-ALE, Bazoer saindo com o fim de contrato... o Vitesse escorregará? Qual será a dimensão desse escorregão, se vier? A próxima temporada responderá.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Parada obrigatória: Vitesse

A foto é de comemoração pelo triunfo sobre o Anderlecht, nos play-offs da Conference League. Mas o Vitesse também é celebrado pelo que faz na Eredivisie: mais uma temporada firme e elogiável (VI Images)

Posição: 4ª colocação, com 39 pontos
Técnico: Thomas Letsch
Time-base: Houwen (Schubert); Doekhi, Bazoer e Rasmussen; Dasa, Bero, Huisman, Tronstad e Wittek; Openda e Frederiksen (Buitink)
Maior vitória: Cambuur 1x6 Vitesse (15ª rodada)
Maior derrota: Ajax 5x0 Vitesse (3ª rodada)
Copa da Holanda: classificado para as oitavas de final, nas quais enfrentará o DVS'33 Ermelo (quarta divisão)
Competição europeia: Conference League (enfrentará o Rapid Viena-AUT, na segunda fase)
Artilheiros: Loïs Openda (atacante), com 10 gols
Objetivo do início: vaga nos play-offs pela Conference League/vaga direta na Liga Europa
Avaliação: Até aqui, o Vitesse mostra exatamente o que é - um time sólido, firme, que pode não brilhar mas é muito consistente. E os resultados acima do esperado, principalmente na Conference League, provam a capacidade elogiável do time de Arnhem

De certa forma, a ótima temporada (mais uma) que o Vitesse faz se deve a uma correção de rota - pequena, mas talvez providencial - logo no início deste Campeonato Holandês. Não que a crise fosse grande: havia um crédito pelo vice-campeonato na Copa da Holanda e pela 4ª colocação na liga passada. Além do mais, a alegria da torcida já era aumentada pela chegada à fase de grupos da Conference League, superando o tradicional Anderlecht-BEL nos play-offs. Porém, começar a liga nacional com três derrotas em cinco jogos não era o início mais auspicioso. Muito menos tendo dois dos destaques em 2020/21, Oussama Tannane e Riechedly Bazoer, assumidamente insatisfeitos por não terem deixado Arnhem antes desta temporada. Após as três rodadas iniciais, o técnico Thomas Letsch se pacificou com Bazoer, mas puniu Tannane: desde então, o atacante está treinando com a equipe B do clube aurinegro. Por mais que fosse apenas um jogador, servia como aviso de Letsch aos outros: era hora de foco, já que o Vitesse teria coisa séria a disputar. Bastou para o time se aprumar em campo. Da quarta rodada para cá, só mais duas derrotas - e oito vitórias. 

Nas laterais, tanto Eli Dasa (direita) quanto Maximilian Wittek (esquerda) foram opções confiáveis de ataque. Mais atrás, Bazoer recolocou a cabeça no lugar, e continuou dando muita qualidade à saída de bola, como o "líbero" em que se converteu nos campos. E na frente, o belga Loïs Openda mostrou velocidade e boa finalização para seguir sendo nesta Eredivisie o que já fora na passada: garantia de bola na rede para o time de Arnhem. Até mesmo no gol, houve mudança correta: as falhas do alemão Markus Schubert deram a chance que Jeroen Houwen, há algum tempo no banco, esperava. E após o solavanco inicial, o Vitesse se recompôs e voltou a ostentar a solidez habitual em campo, para ascender e voltar a ser o "melhor do resto" no Campeonato Holandês, por enquanto. Além do mais, acabou tendo outro prêmio na Conference League: a volúpia e o esforço mostrados na fase de grupos tornaram a equipe respeitada. Provas definitivas disso foram o empate diante do Rennes-FRA, na quinta rodada (de 3 a 1 para 3 a 3, na reta final) e, principalmente, o 1 a 0 diante do Tottenham-ING. Os descaminhos do Tottenham renderam, por linhas tortas, o certo: uma vaga até inesperada na segunda fase da competição. Mais uma prova de que a correção de rota, na hora certa, não foi para mudar tanto. Foi para devolver o Vitesse ao caminho certo que ele vem traçando.

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Guia da Eredivisie 2021/22: Vitesse

Bazoer simbolizou a ótima temporada 2020/21 que o Vitesse fez. Pode ajudar o clube, se ficar. Mas ele quer sair. E o clube já enfrenta dificuldades... (Pro Shots)

Stichting Betaald Voetbal Vitesse

Cidade: Arnhem  
Estádio: GelreDome (capacidade para 21.248 torcedores) 
Apelidos: Vites, Arnhemmers 
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (1 Copa da Holanda) 
Patrocínio: eToro (empresa de investimentos online em criptomoedas)
Técnico: Thomas Letsch
Destaques: Riechedly Bazoer (zagueiro/meio-campista) e Oussama Tannane (meio-campista/atacante)
Fique de olho: Thomas Buitink (atacante) 
Temporada passada: 4º colocado
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Copas europeias: Liga das Conferências/Conference League (enfrentando o Dundalk-IRL, pela terceira fase preliminar)
Objetivo: vaga nos play-offs pela Liga das Conferências/vaga direta na Liga Europa
Amistosos de pré-temporada:
30 de junho - Vitesse 1x3 AEK Atenas-GRE
2 de julho - Vitesse 1x3 Lokomotiva Zagreb-CRO
6 de julho - Vitesse 0x5 Nordsjaelland-DIN
13 de julho - Vitesse 2x0 OFI Creta-GRE
16 de julho - Schalke 04-ALE 3x2 Vitesse
23 de julho - Go Ahead Eagles 0x0 Vitesse
24 de julho - Vitesse 0x1 Lommel-BEL
29 de julho - Vitesse 2x1 Bochum-ALE
6 de agosto - Vitesse x Team VVCS (amador) - CANCELADO
Principais chegadas: Markus Schubert (G, Schalke 04-ALE), Daan Reiziger (G, Jong Ajax), Romaric Yapi (D, Brighton-ING), Toni Domgjoni (M, FC Zürich-SUI), Yann Gboho (A, Rennes-FRA), Loïs Openda (A, Club Brugge-BEL), Julian von Moos (A, Basel-SUI), [Thomas Buitink (A, Zwolle)] e Nikolai Baden Frederiksen (A, Juventus-ITA)
Principais saídas: Remko Pasveer (G, Ajax), [Idrissa Touré (M/A, Juventus-ITA)], Thomas Bruns (M, dispensado) e [Armando Broja (A, Chelsea-ING)] 
Legenda
Jogador (posição, clube) 
Transferência 
[Retorno de empréstimo] 
Empréstimo

O Vitesse impressionou na temporada passada. Foi um dos times mais sólidos vistos no Campeonato Holandês: com um jogo incomum para os Países Baixos (três zagueiros), contou com vários destaques - de Remko Pasveer a Loïs Openda, passando por Riechedly Bazoer e Oussama Tannane -, foi finalista da Copa da Holanda, teve competência indiscutível para superar o Feyenoord e garantir vaga direta na terceira fase preliminar da Conference League. O Ajax pode até ter sido o campeão, mas o clube de Arnhem mereceu a badalação - a ponto do alemão Thomas Letsch ser considerado um dos melhores treinadores da Eredivisie passada. Porém, já era previsível que o Vites teria de passar por mudanças forçosas para esta temporada. Até agora, elas ficaram restritas ao gol: já veterano, Pasveer recebeu uma oferta praticamente irrecusável do Ajax - e sua ida para Amsterdã recebeu parabéns até do próprio Vitesse.  

Nada que não tenha sido resolvido: na falta de um, dois candidatos confiáveis para a posição vieram, com o alemão Markus Schubert sendo o titular, e Daan Reiziger (com passagens pelas seleções de base da Holanda) vindo justamente do time B do... Ajax, para onde Pasveer foi. Na linha, fora o retorno do emprestado Armando Broja ao Chelsea, nenhum jogador importante deixou o clube de Arnhem. Bazoer e Tannane, figuras fundamentais, até quiseram - Bazoer, inclusive, reclamou acidamente por recusa do clube a suposta oferta do Olympique de Marselha. Mas os dois ficaram. E o Vitesse teve uma ótima compensação, chegando à fase de grupos da Conference League. Se conseguir manter a coesão vista na temporada passada, é candidato a surpresa...

terça-feira, 25 de maio de 2021

Análise da temporada: Vitesse

Contando com achados como Bazoer atuando de "líbero", o Vitesse fez uma temporada consciente, dentro de suas possibilidades - e fez isso primorosamente (Peter Lous/Soccrates/Getty Images)

Colocação final: 4º lugar, com 61 pontos
No turno havia sido: 4º colocado, com 29 pontos
Time-base: Pasveer; Doekhi, Bazoer e Rasmussen; Dasa, Tannane, Bero, Tronstad e Wittek; Openda e Broja
Técnico: Thomas Letsch
Maiores vitórias: Emmen 1x4 Vitesse (17ª rodada) e Vitesse 4x1 VVV-Venlo (24ª rodada) 
Maior derrota: VVV-Venlo 4x1 Vitesse (19ª rodada)
Principal jogador: Riechedly Bazoer (zagueiro/líbero) 
Artilheiro: Armando Broja (atacante), com 10 gols
Quem deu mais passes para gol: Eli Dasa (lateral direito), com 6 passes
Quem mais partidas jogou: Remko Pasveer (goleiro) e Loïs Openda (atacante), ambos com 33 partidas
Copa nacional: vice-campeão
Competições continentais: nenhuma

Desde o começo da temporada, o Vitesse já impôs a impressão de que era "o melhor do resto": se não o melhor, pelo menos o time mais consciente de suas limitações e de suas capacidades para desafiar o Trio de Ferro (mais o AZ, diga-se de passagem). Nas oito primeiras rodadas, foram sete vitórias do Vites - e mesmo a única derrota, um 2 a 1 para o Ajax em Amsterdã (3ª rodada), foi sofrida a duras penas, como s visitantes de Arnhem pressionando o time da casa. Rapidamente ficou claro como o técnico Thomas Letsch trabalhou bem com os jogadores à disposição. Em primeiro lugar, ao invés do 4-3-3 habitual do futebol holandês, jogou com três zagueiros. A partir daí, em segundo lugar, potencializou o desempenho de Riechedly Bazoer: recuado para jogar como "líbero", ele voltou a viver uma boa fase na carreira, ensaiando deixar de ser a decepção após passagens discretas por Porto e Wolfsburg. Em terceiro lugar, nomes como o lateral direito Eli Dasa cresceram de produção, ajudando mais o ataque. 

Se fosse necessário, na defesa, o goleiro Remko Pasveer confirmava porque é, temporada após temporada, um dos melhores da Eredivisie. E mais à frente, Oussama Tannane vencia o seu lado temperamental para ser um ótimo meio-campista. Além do mais, no ataque, sobravam posições capazes de fazer os gols: Loïs Openda, Armando Broja, Oussama Darfalou... e o Vitesse terminou o turno na vice-liderança, voltando a ter perspectivas de título após sete anos. No returno, é verdade, elas se enfraqueceram: os Arnhemmers chegaram a ficar três rodadas sem vencerem, e algumas surpresas sofridas foram desagradáveis - como o empate sem gols com o ADO Den Haag (29ª rodada) e o 3 a 0 sofrido para o Sparta Rotterdam (32ª rodada). Ainda assim, quando necessário, o Vitesse jogou bem. Bastou para chegar até a final da Copa da Holanda. É verdade que ela foi perdida nos acréscimos do 2º tempo para o Ajax. Mas esta dor foi suplantada pela regularidade e pela firmeza elogiáveis vistas na Eredivisie. Que renderam um merecido prêmio: ficar com a quarta posição, garantindo diretamente um lugar na terceira fase preliminar da Conference League. Dentro das suas possibilidades, o clube aurinegro merece aplausos.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Parada obrigatória: Vitesse

A reação de Bazoer simboliza a reação do Vitesse: firme na temporada, é o "médio" mais capacitado para desafiar o Trio de Ferro e sonhar com um título surpreendente (Pro Shots/VI Images)

Posição: 4º colocação, com 29 pontos (atrás pelo menor saldo de gols)
Técnico: Thomas Letsch 
Time-base: Pasveer; Doekhi, Bazoer e Rasmussen; Dasa, Tannane, Bero, Tronstad e Wittek; Openda e Broja (Darfalou)
Maior vitória: Vitesse 3x0 Heracles Almelo (4ª rodada)
Maior derrota: AZ 3x1 Vitesse (14ª rodada)
Copa da Holanda: classificado para as oitavas de final, nas quais enfrentará o ADO Den Haag
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Loïs Openda (atacante) e Oussama Darfalou (atacante), ambos com 6 gols
Objetivo do início: vaga nos play-offs pela Liga das Conferências/vaga direta na Liga das Conferências 
Avaliação: Com um time muito firme e com os destaques se sobressaindo, o Vitesse teve desempenho notável. Não só cumpre o objetivo, como ganhou o direito de sonhar com uma surpresa, ainda que muito de leve

Regular frequentador do "sub-topo" da tabela do Campeonato Holandês (ou seja, aquela faixa de clubes médios que raramente sonham com o título, mas quase sempre fazem boas campanhas e até participam de uma Liga Europa da vida), o Vitesse andava mais enfraquecido nos últimos anos. E colocou relativa expectativa no que faria em 2020/21. Pois bem: está fazendo bonito, muito bonito. Fazia algum tempo que o Vites não mostrava a firmeza que está exibindo em campo. Méritos, em parte, para o técnico alemão Thomas Letsch, que supera percalços - como um surto de COVID-19 - para ajudar na formação de um time forte na defesa e rápido nos contra-ataques. Em outra parte, até maior, os méritos vão para os jogadores. Até porque, sem eles, não há como melhorar um time. E boa parte dos nomes trazidos pelo clube de Arnhem justificam plenamente as apostas.

Quem mais as justifica é um nome que andava em baixa: Riechedly Bazoer. O meio-campista sempre foi talentoso, mas seus problemas disciplinares periódicos já o colocavam na categoria do "já era" para muitos. Sob Letsch, Bazoer virou "líbero" no esquema com três zagueiros - e tem feito tal função com categoria, bem nos lançamentos e nos avanços. No meio, Oussama Tannane é a chegada surpresa ao ataque, para ajudar Loïs Openda e Armando Broja, dupla confiável na frente (com um reserva tão confiável quanto ambos, Oussama Darfalou). De quebra, Remko Pasveer segue um dos melhores goleiros da Eredivisie, aos 37-para-38 anos. Provas desse desempenho elogiável do Vitesse? Só ver os jogos contra o Trio de Ferro: vitórias contra PSV e Feyenoord, e derrota vendida a preço caríssimo para o Ajax. Há pontos a melhorar, claro: o time tem tendências a expulsões desnecessárias, e a derrota para o AZ, adversário direto, prejudicou um pouco. Mas, se continuar assim na segunda metade, o Vitesse seguirá sendo osso muito duro de roer, como o médio a desafiar o Trio de Ferro e sonhar alto.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Guia da Eredivisie 2020/21: Vitesse

O atacante Armando Broja é o empréstimo da vez que o "parceiro oficioso" Chelsea fez para o Vitesse - que tentará superar problemas internos para, enfim, decolar (Divulgação/Pro Shots/vitesse.nl)

Stichting Betaald Voetbal Vitesse

Cidade: Arnhem
Estádio: GelreDome (capacidade para 21.248 torcedores)
Apelidos: Vites, Arnhemmers 
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (1 Copa da Holanda) 
Patrocínio: Openlucht Museum (propaganda de museu em Arnhem - apenas na camisa titular), Burger Zoo (propaganda de zoológico em Arnhem - apenas na camisa reserva) e Prins (fabricante de comida para animais - apenas nas costas da camisa)
Técnico: Thomas Letsch
Destaques: Remko Pasveer (goleiro) e Oussama Tannane (meio-campista/atacante)
Fique de olho: Thomas Buitink (atacante) 
Quando a temporada passada foi interrompida, estava na... 7ª colocação
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: vaga nos play-offs pela Liga das Conferências/vaga direta na Liga das Conferências
Amistosos de pré-temporada:
18 de julho - Vitesse 3x3 Jong Utrecht
26 de julho - Volendam 0x5 Vitesse
31 de julho - Vitesse 4x2 Westerlo-BEL
7 de agosto - Heerenveen 1x2 Vitesse
15 de agosto - PSV 1x1 Vitesse
22 de agosto - ADO Den Haag 2x2 Vitesse
28 de agosto - Vitesse 2x2 Fortuna Düsseldorf-ALE
5 de setembro - Vitesse 2x2 Darmstadt-ALE
Principais chegadas: Jacob Rasmussen (D, Fiorentina-ITA), Maximilian Wittek (D, Greuther Fürth-ALE), [Thomas Bruns (M, VVV-Venlo)], [Oussama Tannane (M, Saint Etienne-FRA)], Loïs Openda (A, Club Brugge-BEL) e Armando Broja (A, Chelsea-ING)
Principais saídas: Kostas Lamprou (G, RKC Waalwijk), Julian Lelieveld (D, De Graafschap), [Armando Obispo (D, PSV)], Bryan Linssen (A, Feyenoord), Tim Matavz (A, Al Wahda-EAU) e [Charly Musonda (A, Chelsea-ING)]
Grupo de jogadores
Valor de mercado: 20,15 milhões de euros (via Transfermarkt)

Legenda
Jogador (posição, clube)
Transferência definitiva
[Transferência definitiva após empréstimo]
Empréstimo
[retorno de empréstimo]

Há pelo menos duas temporadas que o Vitesse tem tudo para dar certo, tudo para ser outro clube a chegar esperançosamente perto do topo do Campeonato Holandês... mas se perde. Por vários fatores: a própria timidez quando enfrenta os grandes clubes, problemas internos (por sinal, fator que encurtou a permanência do russo Leonid Slutsky à frente do time), a inconstância dos destaques. E nesta temporada, por sinal, as perspectivas não são de destaque imediato. Até porque o Vites perdeu, talvez, os dois mais representativos nomes de seu ataque com as saídas de Tim Matavz e Bryan Linssen.

No entanto, a maior parte da base do time de Arnhem segue lá. Na defesa, o goleiro Remko Pasveer (experiente, dos melhores do campeonato) e o zagueiro Danilho Doekhi; no meio-campo, Matus Bero, Riechedly Bazoer - novamente, mais uma chance ao volante de inconstante temperamento - e Oussama Tannane, agora em definitivo. No ataque, o novato Thomas Buitink, centroavante promissor, deve se tornar o titular, ao lado dos emprestados Loïs Openda e Armando Broja (este, o empréstimo "de sempre" do Chelsea). Com todos esses nomes, o alemão Thomas Letsch chegou, para tentar manter a ofensividade típica do clube aurinegro, ano após ano. A ver se o Vitesse consegue viver uma melhor temporada.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Parada obrigatória: Vitesse

Os gols de Linssen ajudaram o Vitesse a esconder a crise interna enquanto foi possível. Crise resolvida, quem sabe continuem ajudando (VI Images)

Posição: 6º colocado, com 30 pontos
Técnico: Leonid Slutsky (até a 15ª rodada), Joseph Oosting (interino, até a 18ª rodada - Edward Sturing assumiu em 1º de janeiro)
Time-base: Pasveer; Lelieveld (Dasa), Obispo, Doekhi e Clark; Bazoer, Bero, Foor e Grot (Dicko); Matavz e Linssen 
Maior vitória: VVV-Venlo 0x4 Vitesse (10ª rodada)
Maior derrota: PSV 5x0 Vitesse (6ª rodada)
Copa da Holanda: classificado para as oitavas de final, nas quais enfrentará o Heracles Almelo em 22 de janeiro
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Bryan Linssen (atacante), com 11 gols
Objetivo do início: vaga nos play-offs pela Liga Europa/vaga direta na Liga Europa
Avaliação: Só as turbulências internas atrapalharam o Vites na primeira metade da temporada. Em campo, o time teve lá seus lampejos, e pode embalar de novo, se estiver pacificado
Fará os treinos da pausa de inverno em... Alcantarilha, balneário em Portugal, de 3 a 12 de janeiro
E amistosos? Ganhou do Servette-SUI (2 a 0), e pegará o MSV Duisburg-ALE em 11 de janeiro

No primeiro jogo da temporada, o Vitesse deu a impressão de que falaria muito grosso no campeonato: já tendo o duro desafio contra o campeão Ajax, se impôs em casa, chegou a estar duas vezes na frente do placar, foi ofensivo (como já vinha sendo desde a temporada passada), talvez merecesse até melhor sorte do que o 2 a 2. 17 rodadas depois, é possível dizer que o Vites faz um bom papel na Eredivisie. Agrada mais do que o Utrecht, por exemplo. Todavia, não preencheu todo seu potencial por turbulências que só vieram à tona no final do primeiro turno. Curiosamente, tais turbulências foram amenizadas por um ótimo desempenho nas dez primeiras rodadas: uma derrota, dois empates, e de resto, só vitórias.

Além do mais, gente boa não faltava na equipe de Arnhem. No gol, Remko Pasveer não só fazia defesas, mas também "lançamentos" - quatro chutões seus viraram "passes" para gols na temporada. Armando Obispo e Danilho Doekhi se entrosaram bem no miolo de zaga. No meio, Riechedly Bazoer deu qualidade à saída de bola, enquanto Matus Bero e Jay-Roy Grot sabiam chegar ao ataque para ajudarem a dupla Tim Matavz-Bryan Linssen, responsável pelos gols - principalmente Linssen, ocupando bem os espaços e se mexendo na área (até jogar no meio jogava). Com todos esses, a equipe ficava fixa na quarta posição - chegou até a ocupar o 3º lugar, em duas rodadas.

Só que havia problemas. Bastou uma sequência ruim - quatro derrotas, entre a 11ª e a 15ª rodadas - para eles aparecerem a quem via de fora. Primeiro, uma indisciplina de Bazoer durante um treino o fez ser punido com a exclusão temporária do grupo principal, mas deixou claro que Leonid Slutsky não conseguia dominar as vaidades dos jogadores. Depois, a estranha e curtíssima passagem de Keisuke Honda por Arnhem - tão rápido quanto chegou, o japonês saiu. E finalmente, a demissão voluntária de Slutsky, após a 15ª rodada, assumindo que já não conseguia mais tirar nada dos jogadores e nem comandá-los direito. Bastou: Bazoer voltou ao grupo de jogadores e, nas últimas rodadas de 2019, sob o interino Joseph Oosting, um empate e duas vitórias. Pacificado, o Vitesse anda. E pode voltar a subir se continuar assim sob Edward Sturing, habituado ao clube (já foi interino por três vezes). Jogadores para fazer isso, tem.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Guia da Eredivisie 2019/20: Vitesse

Matavz (à esquerda) e Linssen (centro) são dois dos mais capacitados jogadores a fazerem o Vitesse continuar como uma boa equipe (vitesse.nl)
Stichting Betaald Voetbal Vitesse


Cidade: Arnhem
Estádio: GelreDome (capacidade para 21.248 torcedores)
Apelidos: Vites, Arnhemmers 
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (1 Copa da Holanda) 
Patrocínio: Openlucht Museum (propaganda de museu em Arnhem - apenas na camisa titular), Burger Zoo (propaganda de zoológico em Arnhem - apenas na camisa reserva) e Prins (fabricante de comida para animais - apenas nas costas da camisa)
Técnico: Leonid Slutsky
Destaque: Bryan Linssen (atacante)
Fique de olho: Thomas Buitink (atacante) e Armando Obispo (zagueiro/volante)
Temporada passada: 5º colocado
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: vaga nos play-offs pela Liga Europa/vaga direta na Liga Europa
Amistosos de pré-temporada:
3 de julho - Midtsjylland-DIN 4x3 Vitesse
6 de julho - Korona Kielce-POL 1x1 Vitesse
9 de julho - Lech Poznan-POL 2x0 Vitesse
12 de julho - Pogon Szczecin-POL 2x1 Vitesse
21 de julho - SV Darmstadt-ALE 0x1 Vitesse
24 de julho - Vitesse 1x1 Sivasspor-TUR
28 de julho - Bayer Leverkusen-ALE 1x1 Vitesse
Principais chegadas: Kostas Lamprou (G, Ajax), Eli Dasa (D, Maccabi Tel-Aviv-ISR), Armando Obispo (D, PSV), Riechedly Bazoer (M, Wolfsburg-ALE), [Thomas Bruns (M, Groningen)], Oussama Tannane (A, Saint Étienne-FRA), Charly Musonda (A, Chelsea-ING) e Jay-Roy Grot (A, Leeds United-ING)
Principais saídas: [Eduardo (G, Chelsea-ING)], Vyacheslav Karavaev (D, Zenit-RUS), Khalid Karami (D, Sparta Rotterdam), [Jake Clarke-Salter (D, Chelsea-ING)], Maikel van der Werff (D, Cincinnati-EUA), Arnold Kruiswijk (D, encerrou a carreira), Alexander Büttner (D/M, dispensado), Thulani Serero (M, Al Jazira-EAU), Thomas Bruns (M, Zwolle), [Martin Odegaard (M, Real Madrid-ESP)] e [Mohammed Dauda (A, Anderlecht-BEL)]
Valor de mercado: 32,25 milhões de euros (via Transfer Markt)
Orçamento: 26 milhões de euros (via Voetbal International)


Legenda
Jogador (posição, clube)
Transferência definitiva
[Transferência definitiva após empréstimo]
Empréstimo
[retorno de empréstimo]

De novo, o Vitesse fez boa temporada: sempre frequentou a parte de cima da tabela, mostrou ótimos desempenhos individuais durante o Campeonato Holandês (Thulani Serero, Bryan Linssen e, principalmente, Martin Odegaard), novamente teve chances de chegar à Liga Europa pela repescagem. Porém, o time de Arnhem perdeu o gás na reta final: até sobrepujou o Groningen na "semifinal" da repescagem, mas foi presa fácil para o Utrecht na decisão da vaga. De todo modo, o time de Arnhem chega para esta temporada 2019/20 sabendo: novamente tem plenas condições de ficar logo abaixo das três primeiras posições - quem sabe, sonhando em fazer algum dos grandes tropeçar. Claro que muitos nomes da temporada passada se foram. Após o empréstimo previsível do Chelsea, o zagueiro Jake Clarke-Salter voltou a Stamford Bridge. Com a carreira reabilitada pelas ótimas atuações na Eredivisie passada, Odegaard preferiu voltar à Espanha (passará a temporada na Real Sociedad). Frágil defensivamente - e causando alguns problemas disciplinares -, Alexander Büttner foi dispensado.

Todavia, o Vites foi atrás de reforços que podem manter o nível técnico razoável da equipe. Na defesa, Armando Obispo foi cedido pelo PSV para ganhar ritmo de jogo durante a temporada - e tem bom porte físico, podendo se entrosar com Danilho Doekhi. No meio, Riechedly Bazoer ganha nova chance de reabilitar a carreira, enquanto Thomas Bruns volta do Groningen com capacidade para disputar posição. E no ataque, tanto Oussama Tannane quanto Jay-Roy Grot podem trazer velocidade pelas pontas, possibilitando que o técnico Leonid Slutsky possa escalar a equipe aurinegra com três jogadores na frente. Melhor ainda: alguns destaques seguirão nos Arnhemmers. Viacheslav Karavaev mostra capacidade na lateral direita, Navarone Foor e Matus Bero ajudam na criação de jogadas, Bryan Linssen é o melhor do time, Tim Matavz tem capacidade para voltar a marcar gols (está definitivamente recuperado de fratura na fíbula), e Thomas Buitink também é promessa de bolas na rede. Enfim, o Vitesse é outro médio capaz de viver grandes momentos nesta temporada.

domingo, 23 de junho de 2019

Análise da temporada: Vitesse

O gesto e a expressão do destaque Odegaard descrevem bem a temporada do Vitesse no Campeonato Holandês: decepção, pela queda na repescagem pela Liga Europa, mas um campeonato merecedor de aplausos (VI Images)

Colocação final: 5º colocado, com 53 pontos (na frente pelo melhor saldo de gols) - derrotado pelo Utrecht na decisão dos play-offs por vaga na Liga Europa
No turno havia sido: 5º colocado, com 26 pontos
Time-base: Pasveer (Eduardo); Karavaev, Doekhi, Clarke-Salter (Van der Werff) e Clark; Odegaard, Serero, Foor (Bero) e Büttner; Linssen e Darfalou (Buitink/Dauda/Matavz)
Técnico: Leonid Slutsky
Maior vitória: Vitesse 6x1 De Graafschap (34ª rodada)
Maior derrota: Vitesse 0x4 Ajax (4ª rodada)
Principais jogadores: Martin Odegaard (meio-campista/atacante) e Bryan Linssen (atacante)
Artilheiro: Bryan Linssen (atacante), com 12 gols
Quem deu mais passes para gol: Martin Odegaard (meio-campista), com 12 passes para gol
Quem mais partidas jogou: Viacheslav Karavaev (lateral direito), com 37 partidas - 33 pela temporada regular, quatro pela repescagem por vaga na Liga Europa
Copa nacional: eliminado nas quartas de final, pelo AZ
Competição continental: Liga Europa (eliminado na terceira fase preliminar, pelo Basel-SUI)

Quando o Campeonato Holandês da temporada passada começava, a goleada do Ajax sobre o Vitesse (4 a 0, na 4ª rodada) assustou. Não pela derrota em si: afinal, os Ajacieden são e sempre serão favoritos sobre os aurinegros de Arnhem, em qualquer circunstância. Mas pelo placar: por mais inferior que seja, o Vites não tinha time para sofrer derrota tão acachapante. E comprovou isso no decorrer da temporada: foi uma equipe firme. Dificultou as coisas para os times grandes - como esquecer o emocionante 3 a 3 contra o PSV, um dos melhores jogos do campeonato, colocando o Ajax na rota do título? Sobressaiu-se contra times do mesmo tamanho. E sobrepujou as equipes pequenas com facilidade. Mesmo com a decepção final, perdendo o lugar na Liga Europa, o Vitesse fez outra temporada para ser elogiada.

Até porque motivos para elogio sobraram. Em casa, o Vitesse foi soberano: o "melhor do resto", só tendo menos pontos do que os três grandes. No banco, Leonid Slutsky mostrou inteligência para acomodar o que tinha de melhor no grupo, se alternando entre um time com três atacantes (menos vezes) e um com dois (mais vezes), e também mostrou rapidez para mudar o que não dava certo. Claro, de nada adiantaria se os jogadores não justificassem a confiança. E o fizeram. O melhor exemplo disso foi no ataque. O esloveno Tim Matavz sofreu seríssima fratura na tíbia e na fíbula, contra o Feyenoord, na 7ª rodada? Pois bem: o argelino Oussama Darfalou entrou na posição e amenizou a falta que Matavz fazia, com sete gols. Mais rápido e de movimentação maior no ataque, Bryan Linssen foi ainda melhor, colocando a bola na rede por 12 vezes nesta Eredivisie. E até um novato promissor, Thomas Buitink, impôs respeito, marcando sete gols.

Havia ainda um ótimo meio-campo, muito equilibrado. Enquanto o sul-africano Thulani Serero se mostrava incansável na marcação, o eslovaco Matus Bero e o holandês Navarone Foor se esmeravam na criação de jogadas - sem contar Alexander Büttner, que de lateral frágil defensivamente virou um rápido ala, ao ser escalado no meio. As posições com falhas foram consertadas a tempo: no gol, tão logo começou a falhar, o português Eduardo deu lugar a Remko Pasveer. E acima de todos, houve Martin Odegaard. Longe da badalação do seu surgimento, o norueguês partiu da meia-direita para virar um dos melhores nomes do campeonato: fez gols (9), foi ofensivo, foi criativo, mostrou que tem seu talento (não é grande a ponto de torná-lo craque, mas pode salvá-lo da pecha de "foguete molhado).

Enfim, o Vitesse acabou tendo um fim de temporada mais desgastante, algo já lamentado por Leonid Slutsky. Isso cobrou seu preço na repescagem pela vaga na Liga Europa, quando o time ficou entregue no jogo de volta da decisão, diante do Utrecht, mesmo em casa. Mesmo perdendo a repescagem ganha em 2017/18, o Vites já conquistara o mais importante: mais um ótimo desempenho.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Parada obrigatória: Vitesse

No meio de muitos destaques ofensivos, Odegaard conseguiu se destacar no Vitesse (ANP/Pro Shots)
Posição: 5º lugar, com 26 pontos (na frente pelo melhor saldo de gols)
Técnico: Leonid Slutsky
Time-base: Eduardo; Karavaev, Van der Werff, Clarke-Salter (Doekhi) e Büttner; Bero, Serero e Foor (Beerens); Odegaard, Darfalou (Matavz) e Linssen
Maior vitória: Vitesse 5x1 Groningen (1ª rodada)
Maior derrota: Vitesse 0x4 Ajax (4ª rodada)
Copa da Holanda: classificado para as quartas de final, nas quais enfrentará o AZ
Competição europeia: Liga Europa (eliminado na terceira fase preliminar, pelo Basel-SUI)
Artilheiros: Matus Bero (meio-campista), Tim Matavz (atacante) e Roy Beerens (atacante), todos com 5 gols 
Destaque: Martin Odegaard (atacante) 
Objetivo do início: vaga nos play-offs da Liga Europa
Avaliação: Demorou algumas rodadas para o Vitesse se assentar, mas o entrosamento não demorou. E o time de Arnhem, mostrando estilo ofensivo, segue bem na busca de seu objetivo principal na temporada
Intertemporada em... Algarve, região de Portugal

A goleada por 5 a 1 sobre o Groningen, na primeira rodada, deu a impressão de que o Vitesse chegava forte para a temporada 2018/19, já pronto para impor desde o início um ritmo capaz de fazer do time aurinegro "o melhor do resto" - posto até provado na temporada passada, com a conquista da vaga na Liga Europa via repescagem. Isso até ocorreu, mas demorou um pouco. E a goleada fácil do Ajax na quarta rodada (4 a 0, em pleno GelreDome) mostrou que havia muito a ser consertado pelo técnico russo Leonid Slutsky.

Pelo menos, também havia alguns pontos que já ajudavam o trabalho. No gol, o veterano português Eduardo (emprestado pelo Chelsea) trouxe a segurança que faltou em alguns momentos da temporada passada. Já nas primeiras rodadas, o esloveno Tim Matavz indicava que seria competidor sério pelo posto de artilheiro do campeonato, antes da grave fratura na tíbia que sofreu durante o jogo contra o Feyenoord. Sem ele, o argelino Oussama Darfalou também foi útil no ataque - sem contar Bryan Linssen e Roy Beerens, tradicionais opções pelas pontas, velozes e capazes de bons passes e finalizações. De quebra, no meio-campo, também foi opção "surpresa" o eslovaco Matus Bero.

Mas poucos nomes simbolizaram tanto a evolução do Vites na temporada quanto Martin Odegaard. Não, o norueguês não virou o "craque" esperado quando foi ainda adolescente para o Real Madrid. Mas enfim ganhou ritmo de jogo, soube se transformar num jogador útil, que tanto pode criar no meio-campo quanto pode finalizar, se escalado na ponta esquerda. Com tudo isso, o time de Arnhem cresceu: fez jogo duro contra o líder PSV (perdeu só por 1 a 0), superou o concorrente direto Utrecht  (2 a 1), enfim se estabilizou onde queria se estabilizar - na zona de repescagem pela Liga Europa. Terminou o primeiro turno com uns solavancos, é verdade: não se esperavam derrota para NAC Breda e empate com De Graafschap. Mas o Vitesse tem sido um time agradável de se ver no Campeonato Holandês, e tem plenas condições de cumprir seu objetivo.

domingo, 5 de agosto de 2018

Guia da Eredivisie 2018/19: Vitesse

Os gols de Matavz podem ajudar bastante o Vitesse na temporada (Broer van den Boom/VI Images)
Stichting Betaald Voetbal Vitesse


Cidade: Arnhem
Estádio: GelreDome (capacidade para 21.248 torcedores)
Apelidos: Vites, Arnhemmers 
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (1 Copa da Holanda) 
Patrocínio: Swoop (revendedora de eletrônicos usados)
Técnico: Leonid Slutsky
Destaque: Bryan Linssen (atacante)
Fique de olho: Khalid Karami (atacante)
Temporada passada: 6º colocado
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Copas europeias: Liga Europa - eliminado na terceira fase preliminar, pelo Basel-SUI
Objetivo: vaga nos play-offs pela Liga Europa
Amistosos de pré-temporada:
6 de julho - Wolfsberger-AUT 2x1 Vitesse
9 de julho - Shakhtar Donetsk-UCR 4x1 Vitesse
13 de julho - Arsenal Tula-RUS 2x2 Vitesse
17 de julho - Lokomotiv Moscou-RUS 0x3 Vitesse
Principais chegadas: Eduardo (G, Chelsea-ING), Rasmus Thelander (D, Zürich-SUI), Khalid Karami (D, Excelsior), Jake Clarke-Salter (D, Chelsea-ING), Matus Bero (M, Trabzonspor-TUR), Hilary Gong (A, AS Trencín-ESQ), Martin Odegaard (A, Real Madrid-ESP)Charly Musonda (A, Chelsea-ING) e Oussama Darfalou (A, USM Alger-ALG)
Principais saídas: Guram Kashia (D, San Jose Earthquakers-EUA), Thomas Oude Kotte (D, Excelsior), [Matt Miazga (D, Chelsea-ING)], [Fankaty Dabo (D, Chelsea-ING)], [Mason Mount (M, Chelsea-ING)] e [Luc Castaignos (A, Sporting-POR)]
Valor de mercado: 26,08 milhões de euros (via Transfer Markt)


Legenda
Jogador (posição, clube)
Transferência definitiva
[Transferência definitiva após empréstimo]
Empréstimo
[retorno de empréstimo]

A temporada passada terminou de modo até mais prazeroso do que se esperava para o Vitesse. Com um time irregular (podia tanto vencer o Ajax no turno e no returno quanto fraquejar costumeiramente na própria casa), a pressão da torcida aumentava, e o técnico Henk Fräser antecipou a saída já anunciada. Restou ao interino Edward Sturing apagar o incêndio. E deu certo, da melhor maneira possível: o time aurinegro melhorou na reta final da Eredivisie passada, viu jogadores fundamentais crescerem de produção - destaque para a trinca formada por Tim Matavz, Bryan Linssen e, principalmente, Mason Mount - e conseguiu surpreender nos play-offs pós-temporada, superando o Utrecht contra as expectativas e garantindo lugar na Liga Europa. Já era um cenário bem melhor para receber o russo Leonid Slutsky, novo técnico do Vites.

Porém, entre uma temporada e outra, houve aquele cenário com que o clube da cidade de Arnhem já se acostumou, parceiro oficioso que é do Chelsea: ver emprestados voltarem a Stamford Bridge, e outros chegarem para uma temporada. Porém, o clube saiu perdendo, na troca para 2018/19: saíram titulares absolutos, como Miazga e Mount, e o único nome notável a ter vindo dos Blues foi o veterano goleiro português Eduardo (titular da seleção de seu país na Copa de 2010), para ocupar uma posição vitimada pelas falhas de Remko Pasveer e as desconfianças sobre o jovem Jeroen Houwen. De quebra, Guram Kashia fará falta na zaga e na torcida, indo embora após oito anos de clube. Pelo menos, no meio-campo e no ataque seguem bons jogadores: Thulani Serero, Thomas Bruns, Tim Matavz, Bryan Linssen... é com eles que a torcida conta para que a temporada já possa começar bem. Superar o Basel, no difícil duelo da Liga Europa, já ajudará - além de um bom começo no Campeonato Holandês.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

O lado bom do futebol holandês

Dessers mostra condições de virar goleador no Utrecht, ajudando na boa campanha que se avizinha (ANP)

O leitor talvez queira um texto sobre a crise no Ajax. Pois ficará querendo, pelo menos nesta semana. Porque talvez o vexame dos Ajacieden (já se sabe, fora de competições continentais pela primeira vez desde 1990/91, eliminado que foi pelo Rosenborg nos play-offs da Liga Europa) seja apenas o primeiro capítulo daquela que pode ser a pior semana do futebol holandês em muito tempo. Afinal, começou com as eliminações de Ajax e Utrecht na Liga Europa, e pode terminar na próxima quinta, caso a seleção holandesa perca para a França na sétima rodada do grupo A das eliminatórias da Copa de 2018 – o que deixaria a Laranja seis pontos atrás da segunda posição, virtualmente fora do Mundial. 

De mais a mais, já se falou muito aqui dos motivos que fizeram o otimismo do clube de Amsterdã decair velozmente, nestes 93 dias passados desde a final da Liga Europa contra o Manchester United: os desacertos da diretoria, o apego excessivo ao “estilo Ajax” que rendeu a saída de Peter Bosz, o planejamento desorganizado para a temporada etc. Então, ao invés de chover no molhado, é melhor começar citando outro clube holandês que, embora também eliminado da Liga Europa, deixou boa impressão, além de fazer bom começo de Campeonato Holandês: o Utrecht.

Poucas situações no futebol podem ser mais honrosas do que um time derrotado que recebe os parabéns do vitorioso. Foi exatamente o que ocorreu nesta quinta, via Twitter: o perfil oficial do Utrecht lamentou a queda (“Demos tudo, mas infelizmente não foi o bastante”), e o perfil do Zenit não só retuitou, mas também consolou (“Obrigado pelo grande jogo, vocês não poderiam ter deixado as coisas mais difíceis para nós”). De fato: para um clube atuando na frágil Eredivisie, os Utregs fizeram jogo duríssimo para o time de São Petersburgo nos play-offs. Ganharam o primeiro jogo (1 a 0), e na volta só se renderam na prorrogação (2 a 0, após 1 a 0 em 90 minutos). Chegaram até a ameaçar o Zenit, com chutes de fora da área.

Como se não bastasse, o início de Eredivisie do Utrecht mostra a sequência da boa temporada 2016/17: dois jogos, duas vitórias, sem gols sofridos (3 a 0 no NAC Breda, 2 a 0 no Willem II). Um estilo de jogo que segue mais moderno do que o envelhecido padrão tático do futebol holandês: um 4-2-3-1 relativamente forte na defesa, pelas boas atuações do goleiro David Jensen e do esforçado zagueiro/volante Willem Janssen, capitão da equipe. E que tem força e talento no meio e no ataque. A chegada de Urby Emanuelson turbinou os avanços pela esquerda (Edson Braafheid fica na lateral), enquanto Sander van de Streek, outro reforço, tem cuidado bem da marcação.

Na armação das jogadas, Zakaria Labyad, que já ganhava espaço paulatinamente na temporada passada, virou titular absoluto após a saída de Nacer Barazite – e emplacou, com a ajuda de Yassin Ayoub. Assim como outra aposta, Cyriel Dessers. O atacante belga de ascendência nigeriana chamara a atenção na repescagem de acesso/descenso, ao marcar seis gols em quatro jogos e ser o destaque na promoção do NAC Breda. Foi prontamente contratado para substituir Sébastien Haller, e não tem decepcionado: dois jogos, três gols de Dessers pelo Utrecht. A comandar isso tudo, um Erik ten Hag já sendo considerado o melhor técnico da Eredivisie, há algum tempo – e que merecerá atenção, numa eventual reformulação da seleção holandesa. Mostra modernidade e sabe impor um estilo ofensivo, tão ao gosto de torcida e imprensa, sem descuidar da defesa.

Matavz foi contratado para ser o goleador do Vitesse, líder temporário do Holandês. Está cumprindo a tarefa (vitesse.nl)

Mas se o Utrecht começou tão bem assim, porque não lidera o Campeonato Holandês? Porque outro time acertou ainda mais nas contratações, e se mostra ainda mais ofensivo: o Vitesse. Entre os reforços para a temporada, já se esperava bastante do atacante Tim Matavz e do meio-campista Thomas Bruns. Pois estão trazendo: nos dois jogos, cada um marcou o seu gol. O que ajudou o time da cidade de Arnhem a conseguir bons resultados – como na goleada da estreia, 4 a 1 sobre o NAC Breda.

Outro importante reforço foi mais útil para o esquema tático do técnico Henk Fräser: com sua velocidade e vitalidade, Thulani Serero consegue se desdobrar na marcação, para liberar Thomas Bruns e Navarone Foor, dentro do 4-3-3 típico com que o Utrecht joga. Some-se a isso o bom começo de gente que já estava vestindo aurinegro na temporada passada, como o atacante albanês Milot Rashica e o zagueiro Guram Kashia - capitão e ídolo da torcida -, e o Vitesse mostra capacidade para voltar a ser um clube médio logo abaixo do topo. Nem mesmo a saída do goleiro Eloy Room, agora reserva de Jeroen Zoet no PSV (pelo menos se Zoet não sair), perturba.

Sim, ainda é o começo. Sim, por piores que estejam, os três grandes devem monopolizar a disputa do título – e estar pior nem é o caso do Feyenoord, que também venceu os dois jogos e garantiu grande contratação (para o nível do futebol holandês, claro) com Sam Larsson, atacante do Heerenveen. Ainda assim, pelo começo e pelo que têm, Utrecht e Vitesse podem sonhar em desafiar os graúdos e fazerem boas campanhas. Claro, boas campanhas para o padrão técnico cada vez mais baixo do futebol holandês.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 25 de agosto de 2017)

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Copa da Holanda: AZ, Vitesse e as boas consequências

A taça da Copa da Holanda será um prêmio aos bons momentos de AZ ou Vitesse (ANP)

Já se sabe que o cansaço pela desgastante partida de volta das quartas de final da Liga Europa cobrou do Ajax um duro preço: a justa derrota por 2 a 0 para o PSV, no clássico da 32ª rodada do Campeonato Holandês. Já se sabe que o Feyenoord cumprira seu papel antes mesmo dessa partida: ao fazer 2 a 0 no Vitesse, o Stadionclub viu sua vantagem na liderança aumentar para quatro pontos. Uma vitória contra o Excelsior, em Roterdã mesmo (mas “fora de casa”, no estádio Woudestein), iniciará a festa que já é preparada: a explosão que deixa Het Legioen – como é chamada a torcida do Feyenoord - insuportavelmente ansiosa, para celebrar o virtual título da Eredivisie e o fim do jejum de 18 anos.

Mas... essa mistura de ansiedade e tensão é assunto para a próxima semana. Neste final de semana, os olhos de quem acompanha futebol na Holanda estarão voltados para De Kuip. Não para um jogo do Feyenoord, já que a liga terá uma pausa. Mas sim porque o mais tradicional estádio do país é a sede da final da Copa da Holanda, a ser disputada neste domingo. E disputarão a KNVB Beker dois clubes que podem, junto do Utrecht, ser considerados os melhores e mais sólidos exemplos do que é ser um clube “autossustentável” na Holanda: AZ e Vitesse. Então os finalistas da copa holandesa são dois times tão elogiáveis quanto o Utrecht (já garantido na quarta posição da Eredivisie) vem sendo? Não necessariamente, pelo menos dentro de campo.

Para começo de conversa, o AZ já viveu melhores momentos na primeira parte da temporada. Atualmente, a decepção com o estilo de jogo é clara – e o símbolo óbvio disso foi a vexatória eliminação para o Lyon na segunda fase da Liga Europa. Embora seja mais fraco do que os Gones, o time de Alkmaar também não é ridículo a ponto de tomar o 7 a 1 que tomou em Lyon, após o 4 a 1 já levado na ida. Aliás, a goleada também foi a principal mostra da fragilidade da defesa dos Alkmaarders. Enfim emprestado a um time onde pode jogar e recuperar ritmo, Tim Krul começou tendo atuações temerárias – tomou 24 gols em seus primeiros nove jogos pelo clube – até melhorar. Tanto que ele foi o herói da classificação do AZ à final da Copa da Holanda, ao defender a cobrança decisiva (só podia ser...) na disputa de pênaltis ganha sobre o Cambuur – 3 a 2, após 0 a 0 nos 120 minutos. Porém, é justo dizer que Krul só foi tão vazado porque o miolo de zaga também caiu de produção no returno. Sofrendo de novo com lesões, Ron Vlaar tem se alternado com Rens van Eijden, na zaga, sem que isso traga segurança. Assim como na lateral direita, com o norueguês Jonas Svensson tomando a titularidade do sueco Mattias Johansson.

Inclusive, não faltam boatos de que a relação entre o técnico John van den Brom e os principais diretores – leiam-se o diretor técnico Max Huiberts e o diretor geral Robert Eenhoorn – não anda em seus melhores momentos. Então, ora bolas, como o AZ pode estar bem? Explique-se: a situação financeira do clube está agradavelmente tranquila. A ponto de ter sido anunciada, na semana passada, a reaquisição do AFAS Stadion, estádio que fora cedido à AFAS (empresa eletrônica patrocinadora do clube). Pois a verdade é que o AZ esteve perigosamente perto de repetir a história de ascensão e queda meteóricas do Twente.

É possível se lembrar: na década passada, entre 2005 e 2009, o AZ foi patrocinado pelo banco DSB – cujo proprietário, Dirk Scheringa, foi o mecenas que impulsionou os Alkmaarders a façanhas como a semifinal da Copa Uefa em 2004/05 e, principalmente, o histórico título da Eredivisie em 2008/09. Porém, no mesmo ano da conquista, o DSB faliu, Scheringa obviamente deixou o clube, as turbulências entraram em campo (com participação muito ruim na fase de grupos da Liga dos Campeões e um mau trabalho de Ronald Koeman, técnico demitido poucos meses após chegar), e o cofre ficou vazio.

Aí deu-se a diferença que fez o AZ superar a crise em poucos anos. Ao invés de acreditar em planos mirabolantes, o clube baixou a cabeça e refez seu planejamento. Teve a sorte de fazer uma parceria menos dependente com um patrocinador. Vendeu aos poucos, e bem, os destaques do título de 2008/09 (Sergio Romero, Stijn Schaars, Moussa Dembélé, Mounir El Hamdaoui). Manteve um ideário tático que fez com que a equipe mantivesse uma regularidade dentro de campo – regularidade premiada com o título da Copa da Holanda, em 2012/13, marco da reação. Reorganizou o organograma e planejou melhor suas contratações – como indica a vinda de Billy Beane, o homem por trás da conhecida história com o Oakland Athletics que rendeu o livro “Moneyball”. Aprimorou ainda mais suas vendas, como indicam os 22 milhões de euros ganhos na transferência de Vincent Janssen para o Tottenham. Cuidou da base, com a revelação de gente como o promissor volante Derrick Luckassen. Bancou o trabalho de Van den Brom, a despeito das rusgas. Jogadores como o meio-campo Joris van Overeem e os atacantes Alireza Jahanbakhsh e Wout Weghorst agradam. Por isso, o AZ soube sobreviver à turbulência.

Assim como o Vitesse fez. É verdade que a passagem do georgiano Merab Jordania como dono do clube, entre 2010 e 2013, foi uma faca de dois gumes: havia a ambição de fazer a equipe disputar o título holandês, mas era temerária a ligação de Jordania com o empresário russo Shalva Chigrinskiy – e de ambos com Roman Abramovich, dono do Chelsea. Se isso rendeu (e rende) um intercâmbio de jogadores dos Blues no Vites, também rendeu boatos controversos, como a suspeita de que o Chelsea não queria o Vitesse disputando o título holandês, para não correr risco de enfrentá-lo na Liga dos Campeões. Tal suspeita esteve por trás da polêmica demissão do técnico Fred Rutten, em 2013.

Depois de tal ano, as coisas ficaram mais claras. Jordania foi barrado do clube, dando lugar a Aleksander Chigrinskiy, irmão de Shalva. Joost de Wit, mais integrado ao futebol holandês, tornou-se o diretor geral do clube. Mais importante: seguiu a relação com o Chelsea, que possibilitou a vinda de jogadores como Bertrand Traoré a Arnhem. E na corda bamba em que viveu, o Vitesse conseguiu se equilibrar definitivamente, mantendo posições costumeiramente seguras na tabela. Mais: também manteve uma ideia tática clara. Ideia que foi implantada por Peter Bosz, que fez bom trabalho enquanto esteve no clube. E que foi aperfeiçoada por Henk Fräser, dando mais atenção à defesa, após a atuação decepcionante do técnico Rob Maas no returno da temporada passada.

O resultado disso tudo? Um time que conta com uma defesa mais sólida, tendo como destaques o goleiro curaçalino Eloy Room e o zagueiro georgiano Guram Kashia (capitão e ídolo da torcida), além das recentes voltas de dois laterais esquerdos que despontaram no clube, Alexander Büttner e Kevin Diks. Que se beneficia dos empréstimos do Chelsea: por exemplo, o atacante brasileiro Nathan – também pertencente aos Blues – cresceu em seu novo empréstimo. No meio-campo, colaboram bastante o volante zimbabuano Marvelous Nakamba, com muita força física e poder de marcação (sem ser violento), e Adnane Tighadouini, velho conhecido emprestado pelo Málaga, que chega bastante ao ataque. Ainda há Navarone Foor, "saboroso" reforço: tirado do arquirrival NEC, Foor é outro que costuma começar armando as jogadas, para também ajudar nas finalizações vez por outra.

No entanto, o destaque maior do Vites é outro cedido pelo Chelsea: o meio-campista inglês Lewis Baker, 22 anos e nove gols marcados, com habilidade incomum nas bolas paradas. Baker só não é mais importante por causa de uma contratação: Ricky van Wolfswinkel, cumprindo a expectativa de marcar gols num clube que conhece tão bem, com o auxílio do albanês Milot Rashica, muito útil pela esquerda. 

Assim AZ e Vitesse têm a chance do título na Copa da Holanda. Para os alvirrubros de Alkmaar, seria a quarta conquista da KNVB Beker, após 2012/13; para os aurinegros de Arnhem, o primeiro título de sua história desde a segunda divisão, em 1988/89. Se não bastasse, ambos também fazem campanhas satisfatórias na Eredivisie, ficando na zona dos play-offs pela Liga Europa. Fizeram opções controversas, mas, no limite, souberam ficar com as boas consequências delas, tendo sobriedade para superar os momentos ruins.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 28 de abril de 2017)