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domingo, 23 de março de 2025

O lado ruim e o lado bom

A Holanda (Países Baixos) perdeu de novo, caindo nas quartas da Liga das Nações. Só que deixou uma impressão das mais promissoras para as eliminatórias. Não só pela técnica, mas principalmente pela vontade (Roy Lazet/Soccrates/Getty Images)

Poderia ter dado muito errado. Quase deu certo. A seleção masculina da Holanda (Países Baixos) amarga mais uma eliminação, contra a Espanha, nas quartas de final da Liga das Nações, e este é um lado sempre ruim. Entretanto, no 3 a 3 do empolgante jogo de volta, só decidido nos 5 a 4 espanhóis nas cobranças da marca do pênalti, a Laranja mostrou algo que havia muito tempo não mostrava: vontade de vencer, esforço, intensidade. E mesmo no momento ruim de mais uma eliminação, sem dúvida nenhuma esse ponto fez com que torcida e imprensa relativizassem o mau resultado. Mais do que isso: esse "lado bom" deu uma indicação das mais promissoras para o que vem por aí.

Não parecia que seria assim, porque o recuo perigoso de Frenkie de Jong, que colocou o goleiro Bart Verbruggen sob risco logo no primeiro minuto de jogo (Verbruggen precisou dar chute às pressas na pequena área), já indicou qual seria o nível de pressão da Espanha logo no começo do jogo. Com lentidão na zaga, a Holanda começava a ficar perigosamente acuada. Não deu outra: logo aos 8', após rápida troca de passes, Mikel Oyarzábal caiu após ser acossado por Jan Paul van Hecke na área, o pênalti foi marcado, e o próprio Oyarzábal bateu para o 1 a 0 espanhol no estádio Mestalla.

Se fosse só isso, já seria difícil. Ficava pior ainda com a falta de intensidade holandesa na marcação no meio (a toda hora, Frenkie de Jong precisava voltar para um "trio de zagueiros", com Van Hecke e Virgil van Dijk), e com a dificuldade de Lutsharel Geertruida na marcação a Nico Williams. Tanto que as chances holandesas se avolumavam: Nico Williams quase fez o segundo aos 12' (grande defesa de Verbruggen, raro ponto positivo laranja), Robin Le Normand tentou de cabeça no minuto seguinte... mesmo lances irregulares mostravam a pressão da Fúria/Roja (Verbruggen fez outra grande defesa em tentativa de Nico Williams aos 24', mas Oyarzábal estava impedido ao passar). Aos poucos, até que a Laranja conseguiu avançar. Conseguiu até algumas chances. Mas só em chutes de fora da área: Tijjani Reijnders na entrada dela aos 15', Justin Kluivert aos 23', Geertruida aos 35'. Nada que perturbasse de fato os donos da casa.

Que poderiam até perturbar mais, logo no começo do segundo tempo, quando Nico Williams cruzou, Dani Olmo completou e só Frenkie de Jong cortou. Mas o começo preocupante começou a ser neutralizado aos 47', numa tentativa até perigosa de Justin Kluivert (Unai Simón saiu do gol e rebateu). E foi definitivamente neutralizado aos 54', quando Memphis Depay foi puxado por Le Normand, o pênalti foi marcado, e o camisa 10 holandês abrilhantou seu 100º jogo pela Laranja fazendo seu 47º gol por ela, cobrando no meio do gol para empatar. O empate animou de vez os neerlandeses, que voltaram a atacar, vivendo o melhor momento no jogo: foi Jeremie Frimpong batendo por cima do gol aos 56', Unai Simón rebatendo nova tentativa de Memphis aos 57'... a Holanda estava empolgada.

Maatsen roubou a cena na lateral esquerda, em sua estreia na Laranja: errou no lance do segundo gol espanhol, mas jogou bem, e foi coroado com o gol do empate no tempo normal. Deixou claro que pode ser titular (Roy Lazet/Soccrates/Getty Images)

Tão empolgada que deixou espaços atrás. Que a Espanha ensaiou aproveitar (chute de Lamine Yamal na entrada da área aos 60', arremate de Nico Williams afastado por Verbruggen aos 61'), até que aproveitou, aos 68'. Um rápido contra-ataque originado de perda de bola de Maatsen deixou Nico Williams livre, o atacante chegou à área e passou para Oyarzábal. Na primeira tentativa, Verbruggen ainda rebateu; na segunda, ele fez o segundo da Espanha. Estava acabado? Não. Porque a Holanda seguiu tentando, duas vezes com Reijnders (a primeira num toque fraco de calcanhar, aos 74', a segunda num chute mais forte, aos 76'; nas duas, defesa de Unai Simón). A vontade de atacar era tanta que vieram Donyell Malen, Noa Lang e Xavi Simons, dois pontas e um ponta-de-lança, a campo. Coube a um deles, Xavi Simons, a jogada do empate, aos 79': após perda de bola de Le Normand, Xavi deixou Maatsen livre, para ele abrilhantar sua estreia na Laranja com chute que estufou a rede para o 2 a 2, aos 79'.

E a partida no Mestalla ficou como se gostava. De um lado, a Espanha ofensiva e atenta, como numa jogada de Yamal que De Jong bloqueou aos 83', ou mesmo na tentativa colocada de Nico Williams (talvez o melhor dos 120 minutos), que Verbruggen defendeu; do outro, uma seleção da Holanda que mostrava espírito de luta como não se via, talvez, desde a Copa de 2014, se defendendo e ainda tentando coisas como um chute perigoso de Reijnders, aos 87'. A prorrogação foi inevitável. E nela, as alternâncias seguiram.

Porque, quando Lamine Yamal fez 3 a 2, aos 104' (14 minutos do primeiro tempo da prorrogação), no seu melhor estilo - recebendo passe de Huijsen, driblando Maatsen e chutando de pé esquerdo, colocado, no canto direito de Verbruggen -, pareceu que a Espanha enfim se veria livre. Não se viu. Porque bastou a segunda parte do tempo extra começar para, numa rápida jogada, Xavi Simons receber de Malen, e ser derrubado pelo goleiro Unai Simón - na sequência, outro pênalti poderia ser marcado (Malen finalizou, e a bola bateu na mão de Pedro Porro), mas foi marcado pela falta de Unai Simón. Fosse como fosse, Xavi bateu e empatou a partida, na primeira vez em que a Holanda corria três vezes atrás do empate num jogo de seleções no futebol masculino desde 1951. O que mostrava o tamanho da vontade laranja, jogando de azul. Que teve a chance da virada, praticamente no último lance do jogo, quando Malen arriscou, mas bateu fraco demais, e Unai Simón perdeu.

Xavi Simons (de costas) empatou na prorrogação e mostrou: o poder de reação da Holanda não tinha acabado. Desde 1951 ela não buscava três vezes o empate (Marcel ter Bals/DeFodi Images/DeFodi via Getty Images)

Nas cobranças da marca do pênalti, os dois goleiros, Unai Simón e Verbruggen, iam bem, mas os cobradores foram ainda melhores. Até Noa Lang perder o quarto chute neerlandês, batendo no travessão. Perda neutralizada por Lamine Yamal também desperdiçar seu chute, batendo fraco para Verbruggen pegar. E as cobranças seguiram, até Malen acrescentar seu capítulo ao rosário de decepções da Laranja, vendo Unai Simón defender a sexta cobrança e, logo depois, Pedri fazer o 5 a 4 que eliminou os neerlandeses.

Mais uma derrota. Mais uma chance de título perdida. Só que o consolo está aí. Mostrando esta intensidade, com os bons jogadores que tem, a Holanda tem plena chance de passar bem pelo grupo E das eliminatórias da Copa de 2026, contra Polônia, Finlândia, Lituânia e Malta. Mais do que isso: tem plena chance de garantir vaga direta, reservada apenas ao líder do grupo. Basta seguir o exemplo que estas datas FIFA deixaram. E, claro, se cuidar para que o final seja diferente.

Liga das Nações da UEFA - Quartas de final - jogo de volta

Espanha 3x3 Holanda - Espanha 5x4 nos pênaltis

Data: 23 de março de 2025
Local: Mestalla (Valência)
Árbitro: Clément Turpin (França)
Gols: Mikel Oyarzábal, aos 8' e aos 67', Memphis Depay, aos 54', Ian Maatsen, aos 79', Lamine Yamal, aos 104', Xavi Simons, aos 109'
Ordem dos pênaltis: Van Dijk (1 a 0), Merino (1 a 1), Koopmeiners (2 a 1), Ferran Torres (2 a 2), Xavi Simons (3 a 2), Áleix García (3 a 3), Noa Lang (3 a 3, chutou no travessão), Lamine Yamal (3 a 3, Verbruggen pegou), Taylor (4 a 3), Áleix Baena (4 a 4), Malen (4 a 4, Unai Simón pegou) e Pedri (5 a 4)

ESPANHA
Unai Simón; Oscar Mingueza (Pedro Porro, aos 94'), Robin Le Normand, Dean Huijsen e Marc Cucurella; Dani Olmo (Pedri, aos 84'), Martín Zubimendi (Áleix García, aos 106') e Fabián Ruiz (Mikel Merino, aos 84'); Lamine Yamal, Mikel Oyarzábal (Ferran Torres, aos 69') e Nico Williams (Álex Baena, aos 117'). Técnico: Luis de la Fuente

HOLANDA
Bart Verbruggen; Lutsharel Geertruida (Donyell Malen, aos 78'), Virgil van Dijk, Jan Paul van Hecke e Ian Maatsen; Tijjani Reijnders (Teun Koopmeiners, aos 110') e Frenkie de Jong (Kenneth Taylor, aos 106'); Jeremie Frimpong, Justin Kluivert (Xavi Simons, aos 78') e Cody Gakpo (Noa Lang, aos 77'); Memphis Depay (Brian Brobbey, aos 101'). Técnico: Ronald Koeman


quinta-feira, 20 de março de 2025

É possível acreditar

O começo preocupou, mas a seleção da Holanda (Países Baixos) cresceu contra a Espanha, na Liga das Nações. O empate abateu um pouco, mas a impressão do 2 a 2 foi positiva (KNVB Media/Divulgação)

Terminada a ida das quartas de final da Liga das Nações, na transmissão da emissora holandesa NOS, o ex-jogador e comentarista Pierre van Hooijdonk exultou: "A atuação da Holanda foi fantástica". Não é para tanto: afinal, a partida contra a Espanha terminou com empate em 2 a 2, em De Kuip. Ainda assim, de fato, a impressão passada pela Laranja foi melhor do que se esperava, ainda mais saindo atrás no placar. Conseguindo reverter o melhor começo da adversária, cresceu em campo, teve jogadores aparecendo em momentos importantes, e trouxe a competitividade que às vezes lhe falta. Só faltou a atenção máxima em momentos decisivos, como mostrou o gol de empate espanhol.

Quando a partida começou, a Espanha tentou rapidamente impor seu estilo de velocidade e eficiência, além da troca de passes. Já tentou o gol aos 2', quando Fabián Ruiz passou, Pedri chutou e Bart Verbruggen teve de defender. Até que a Holanda tentou avançar no lance seguinte, quando Tijjani Reijnders invrteu o jogo, e Cody Gakpo dominou e chutou, para fora. Só que uma infelicidade de Jorrel Hato, tendo a responsabilidade de marcar Lamine Yamal, rendeu o gol que poderia desestabilizar a Laranja. Aos 9', Hato errou, Yamal lhe roubou a bola, passou a Pedri, e este deixou Nico Williams livre na entrada da pequena área para fazer 1 a 0. Começava aí o pior momento da seleção neerlandesa: lenta, permitia a troca de passes, dava espaços aos espanhóis. Que o dissesse Álvaro Morata, que cabeceou para fora aos 19'.

Só que havia quem se esforçasse na Holanda. Tijjani Reijnders e Frenkie de Jong, por exemplo, começavam a ter a bola no meio-campo. Se seu anúncio como titular atraía dúvidas sobre seu posicionamento (lateral direito? Ponta?), Jeremie Frimpong aos poucos deixou claro que iria mais à frente. Foi assim que participou do gol de empate que reabriu os caminhos: aos 28', ele cruzou, a bola foi parcialmente rebatida, e sobrou para Justin Kluivert deixar Gakpo livre para chutar rasteiro e empatar. Começava aí um domínio crescente dos holandeses em De Kuip. Além dos citados, Justin Kluivert também apareceu (como em cruzamento que passou direto pela área, aos 31'). Mesmo sem aparecer tanto, Memphis Depay também teve sua chance na volta à seleção, arriscando aos 36' e forçando o goleiro Unai Simón a rebater. E aos 42', Reijnders teve a grande chance da virada: após cruzamento de Frimpong, bateu da entrada da área, alto, mandando a bola desviar o travessão.

Se Reijnders e De Jong dominaram o meio-campo, Frimpong foi sempre confiável na direita, acelerando os ataques da Laranja (Joris Verwijst/BSR Agency/Getty Images)

Sem problemas. Porque, quando o segundo tempo começou, bastaram cerca de 45 segundos para a jogada se repetir, com final feliz em laranja: Frimpong cruzou da direita, Reijnders bateu da entrada da área (agora, rasteiro, no canto direito), 2 a 1. Com velocidade, a Laranja dominava os espanhóis. Ensaiava fazer o terceiro gol, em momentos como o chute de Justin Kluivert (aos 51', por cima do gol) e um arremate de Gakpo (aos 59', após inversão de jogo de Memphis Depay). E ainda se protegia bem contra o ataque espanhol, com atuação atenta da dupla formada por Virgil van Dijk e Jan Paul van Hecke.

Só a partir das entradas de Ayoze Pérez, Mikel Oyarzábal e, principalmente, Dani Olmo, a Espanha voltou a pressionar mais seriamente. A começar em lances como o chute de Dani Olmo bloqueado por Van Dijk, aos 70'. Já na reta final, um novo erro de Hato fez a pressão espanhola aumentar: num lance com a bola solta no meio, o lateral esquerdo foi tentar dividir com Robin Le Normand, acertou o tornozelo do zagueiro e foi corretamente expulso (para muitos, como o zagueiro Dean Huijsen - nascido na neerlandesa Amsterdã - deveria ter sido ao obstruir Kluivert). Exigido, o goleiro Bart Verbruggen apareceu aos 86' (pegando firme chute de Nico Williams) e aos 89' (um arremate menos perigoso de Huijsen). Porém, já nos acréscimos, uma desatenção tirou a vitória: Nico Williams tentou de novo da entrada da área, Verbruggen rebateu - um pouco atrapalhado por tanta gente na frente -, e Merino empatou na pequena área. Um claro anticlímax em Roterdã.

Anticlímax amenizado pela atuação boa, até inesperadamente boa, da seleção dos Países Baixos. Se nomes como De Jong, Reijnders e Frimpong repetirem o bom nível na volta do próximo domingo, na espanhola Valência, a Holanda pode acreditar. Aliás, pode acreditar até além, nas eliminatórias da Copa de 2026.

Liga das Nações da UEFA - Quartas de final - jogo de ida

Holanda 2x2 Espanha

Data: 20 de março de 2025
Local: De Kuip (Roterdã)
Árbitro: Glenn Nyberg (Suécia)
Gols: Nico Williams, aos 9', Cody Gakpo, aos 28', Tijjani Reijnders, aos 46', e Mikel Merino, aos 90' + 3

HOLANDA
Bart Verbruggen; Lutsharel Geertruida, Virgil van Dijk, Jan Paul van Hecke e Jorrel Hato; Tijjani Reijnders (Mats Wieffer, aos 90' + 1) e Frenkie de Jong (Teun Koopmeiners, aos 74'); Jeremie Frimpong, Justin Kluivert (Xavi Simons, aos 74') e Cody Gakpo; Memphis Depay (Matthijs de Ligt, aos 84'). Técnico: Ronald Koeman

ESPANHA
Unai Simón; Pedro Porro, Robin Le Normand, Pau Cubarsí (Dean Huijsen, aos 40') e Marc Cucurella; Pedri (Dani Olmo, aos 66'), Martín Zubimendi e Fabián Ruiz (Mikel Merino, aos 84'); Lamine Yamal (Mikel Oyarzábal, aos 66'), Álvaro Morata (Ayoze Pérez, aos 66') e Nico Williams. Técnico: Luis de la Fuente

terça-feira, 18 de março de 2025

A paciência está acabando

A seleção da Holanda (Países Baixos) teve treinos tranquilos. Mas precisa deixar o excesso de tranquilidade e ser mais intensa nas quartas da Liga das Nações, para convencer a torcida (Koen van Weel/ANP/Getty Images)

Virgil van Dijk? Está lá. Tijjani Reijnders? Também. Memphis Depay? Está de volta (e daqui a pouco se fala mais sobre ele). Frenkie de Jong? Sua presença teve alguma dúvida, mas está confirmada. Xavi Simons e Cody Gakpo? Presentes. Pois bem: está certo que Denzel Dumfries, Stefan de Vrij e Nathan Aké estão ausentes por lesão, mas o grupo da seleção masculina da Holanda (Países Baixos) tem qualidade. O trabalho de Ronald Koeman já tem dois anos. Há um certo nível técnico, notável pelos resultados: semifinal de Eurocopa em 2024, e, enfim, as quartas de final da Liga das Nações com que a Laranja iniciará este 2025. Por tudo isso, apesar da Nations League não ter a grandeza de uma Eurocopa, muito menos a de uma Copa do Mundo, a Oranje estará sob certa pressão nos dois jogos das quartas, contra a Espanha - a ida, nesta quinta (20), às 16h45 de Brasília, em Roterdã; a volta, no domingo (23), também às 16h45, em Valência. Jogos que, aliás, definem o rumo da equipe nas eliminatórias da Copa de 2026. Indo às semifinais, a Holanda irá para o grupo E da qualificação, contra Turquia, Geórgia e Bulgária; derrotada, encara o grupo G, contra Polônia, Finlândia, Lituânia e Malta.

A pressão é compreensível. Afinal de contas, mesmo podendo ser considerada a melhor seleção europeia da "segunda prateleira" na atualidade, os resultados da Holanda têm sido inconstantes. Basta dizer que, dos 16 jogos da equipe em 2024, só 8 vitórias (de resto, 4 empates e 4 derrotas). O que mais preocupa é que a Laranja sempre tem fraquejado ao pegar seleções da "primeira prateleira", nesta segunda passagem de Koeman. França? Duas derrotas (em 2023, nas eliminatórias da Eurocopa) e um empate (na fase de grupos da própria Euro, em 2024). Alemanha? Um empate e duas derrotas, todos em 2024, num amistoso e nos dois encontros pela fase de grupos da Liga das Nações. Inglaterra? Os 2 a 1 sofridos na semifinal da Euro. Itália? Pouco se lembra, mas houve um 3 a 2 sofrido para a Azzurra, na decisão de 3º e 4º lugares da Liga das Nações passada, em junho de 2023. E se a Croácia também pertence à "segunda prateleira", terceira colocada da Copa do Mundo que foi em 2022 (sem contar o vice na Copa de 2018), a Laranja tomou 4 a 2 dos croatas na semifinal da Nations League 2022/23. 

Ronald Koeman já tem certo tempo de trabalho. Quer seguir. Mas se continuar negando fogo na hora decisiva... (Koen van Weel/ANP/Getty Images)

A falta de intensidade contra grandes adversários irrita a torcida e causa desconfianças da imprensa. Em entrevista à mesa-redonda Studio Voetbal, do canal NOS, Ronald Koeman reconheceu: "Não tenho explicação para isso". Para piorar, houve desempenhos medianos até contra seleções claramente piores, como nos empates contra Hungria e Bósnia (1 a 1, ambos), na fase de grupos desta Liga das Nações. Até mesmo marcos respeitáveis, como alcançar as semifinais da Euro, são creditados muito mais à sorte que a Laranja teve no chaveamento do que propriamente à sua qualidade. O próprio treinador alertou sobre momentos ruins da Holanda na Nations League, em sua entrevista coletiva: "Não podemos ter momentos fracos, como tivemos contra a Alemanha, fora de casa. Ou mesmo contra a Hungria, em casa - foi um milagre não termos saído atrás no placar [a Holanda goleou por 4 a 0]". E mesmo que insinue pensar até em prolongar seu contrato, que vai até a Copa de 2026 ("Não estou certo se a Copa será meu último torneio na seleção"), Koeman sabe que a federação pode pensar diferente ("Ela também decide o que quer"). Uma eliminação para a Espanha, no mínimo, aumentará a pressão.

Se Koeman é o alvo das desconfianças fora de campo, dentro dele o alvo é... Memphis Depay. De volta à Laranja após pouco mais de oito meses de ausência, muito se suspeita do que o atacante do Corinthians (quem imaginaria isso, na época da Eurocopa?!) possa fazer. Alguns têm reservas a Memphis por um motivo, no mínimo, desinformado, e no máximo, preconceituoso, mesmo: o hábito eurocentrista de estranhar que o atacante tenha migrado para o Brasil, destino ainda pouco frequente para jogadores europeus. Ronald Koeman minimizou isto, em sua coletiva: "Eu falei com ele quando ele decidiu [vir para o Corinthians]. Aí acompanho. Tenho uma impressão inicial, e só tenho certeza dela quando o vejo jogar. Quando vi, me convenci de que ele ainda pode ser muito útil para o grupo".  

Preconceitos à parte, algumas desconfianças têm lá suas razões de ser. Para alguns, Koeman foi conservador demais na convocação, e poderia ousar testando nomes como Emanuel Emegha, que desponta na seleção sub-21 dos Países Baixos e tem tido seu destaque no Campeonato Francês (11 gols pelo Strasbourg). Para outros, a última impressão de Memphis vestindo laranja - ou azul - foi ruim: sua participação na Euro 2024 foi negativa, com somente um gol, dificuldades com lesões e críticas à sua falta de intensidade em campo - críticas que já se insinuam em parte da torcida corintiana, aliás. O próprio Memphis foi compreensivo, à emissora NOS, sobre sua longa ausência: "Passei um tempo inativo depois da Euro". 

De volta à Laranja após mais de oito meses, Memphis Depay corre para recuperar o tempo e o espaço perdidos (KNVB Media/Divulgação)

Contudo, é inegável que a nova experiência no Brasil anda remoçando o atacante, elogioso em suas palavras sobre o país de trabalho: "É especial jogar lá. Completamente diferente, as pessoas vivem o futebol de um jeito diferente. Eu já tinha visto um pouco na Copa de 2014, mas agora vejo todo dia". Além disso, faltam opções de ataque para a Holanda: Wout Weghorst se recupera de fratura num dedo do pé, Brian Brobbey faz temporada deficiente pelo Ajax (apenas 7 gols em 38 jogos pelo Ajax nesta temporada 2024/25, em todas as competições), e as desconfianças seguem sobre Joshua Zirkzee (o próprio Ronald Koeman disse à supracitada Studio Voetbal: "Quando estive no Brasil, liguei para ele e comentei que não o tenho achado bem. Em jogos que vi, ele tem errado em algumas opções de jogo"). 

Há ainda a experiência de Depay pela seleção: além de estar perto de se tornar o maior goleador histórico da Oranje, ele está à beira dos 100 jogos pela seleção de seu país natal (os completará se jogar as duas partidas contra a Espanha). Diante de todos esses fatores, Ronald Koeman voltou a apostar em Memphis: "Ele se sente bem e está em forma. Já jogou muitas partidas, pelo campeonato [Paulista] e pela copa [Libertadores]. Está pronto para se juntar aos treinos e jogar. Pode ser já na quinta. Por quê não? Eu também voltei do Brasil, um dia de cansaço e pronto. Fuso horário não é problema".

Além de Memphis ainda poder ser importante, deve-se lembrar: sim, a Holanda tem bons jogadores. Como Tijjani Reijnders, um dos únicos destaques numa apagada temporada do Milan. Como Cody Gakpo, enfim ganhando sequência de jogo e atraindo mais confiança no Liverpool (em que pesem as recentes eliminações). Tem até revelações, como o zagueiro Youri Baas, do Ajax, estreando pela seleção logo na semana de seu aniversário ("Eu não imaginava", reconheceu Baas à NOS). De mais a mais, é o que Ronald Koeman alegou na entrevista coletiva: "A Espanha é a melhor seleção europeia dos últimos anos. Ganhou Liga das Nações, ganhou Eurocopa, então precisamos trabalhar. Mas é um desafio, vejo assim. Podemos ganhar, nem sempre o favorito vence". Então, que vença. A paciência está acabando, e as desculpas para maus desempenhos também. De mais a mais, que modo melhor existe para convencer torcida e imprensa do que superar a atual campeã da Europa?

Os 23 convocados da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

Goleiros: Bart Verbruggen (Brighton-ING), Mark Flekken (Brentford-ING) e Nick Olij (Sparta Rotterdam)

Defensores: Jeremie Frimpong (Bayer Leverkusen-ALE), Lutsharel Geertruida (RB Leipzig-ALE), Virgil van Dijk (Liverpool-ING), Jan Paul van Hecke (Brighton-ING), Matthijs de Ligt (Manchester United-ING), Youri Baas (Ajax) e Ian Maatsen (Aston Villa-ING)

Meio-campistas: Frenkie de Jong (Barcelona-ESP), Teun Koopmeiners (Juventus-ITA), Tijjani Reijnders (Milan-ITA), Kenneth Taylor (Ajax), Mats Wieffer (Brighton-ING) e Justin Kluivert (Bournemouth-ING)

Atacantes: Brian Brobbey (Ajax), Memphis Depay (Corinthians), Xavi Simons (RB Leipzig-ALE), Cody Gakpo (Liverpool-ING), Noa Lang (PSV) e Donyell Malen (Aston Villa-ING)

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Sobrou esforço, faltou decisão

Lieke Martens, se curvando para chorar a eliminação da Holanda na Copa de mulheres: a dedicação foi inquestionável e comovente, mas a Espanha sempre foi melhor (ANP)

Uma coisa deve ficar clara, sem rodeios: a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) foi, como costuma ser, de um esforço comovente. Nas quartas de final da Copa do Mundo de mulheres, a equipe correu riscos de ver a Espanha decidir o jogo muito antes do que acabou acontecendo. Foi técnica e claramente inferior às espanholas. Pela dedicação, as holandesas conseguiram se segurar, empatar, levar o jogo até os estertores da prorrogação. E até tiveram chances de inverter os papéis, de conseguirem o que seria uma vitória extremamente animadora. Só que a Holanda não teve poder de decisão. A Espanha teve. E por isso, as Leoas Laranjas estão eliminadas da Copa.

Como já se escreveu aqui, poderiam estar eliminadas muito antes do que aconteceu. Porque já a partir dos primeiros minutos, ficou claro que a conhecida estratégia espanhola de manter a posse de bola teria bem mais sucesso do que qualquer vontade que a equipe laranja (jogando de azul na quinta/madrugada de sexta) pudesse ter. Pela esquerda, o duo Esther González-Alba Redondo começou a dominar rapidamente Victoria Pelova e Sherida Spitse. E por ali vieram as primeiras chances da Espanha: um chute de Jennifer Hermoso para fora aos 4', um complemento de Alba Redondo por cima do gol aos 6', as incríveis duas bolas na trave da mesma Alba aos 17' (primeiro completando lançamento de Teresa Abelleira, depois tentando no rebote), Esther González aos 22', Mariona Caldentey aos 25', o gol anulado de Esther González aos 36'... o sofrimento holandês já começava no meio-campo, em que a Espanha envolvia fácil e plenamente Jackie Groenen e Damaris Egurrola, a substituta de Van de Donk. Numa frase: era incrível o 0 a 0 ainda estar no placar ao fim dos primeiros 45 minutos.

A pressão da Espanha continuou já nos primeiros segundos da etapa final, num chute colocado de Esther que passou rente à trave. Só restava à Holanda apostar nas bolas longas. Para melhorar isso, Andries Jonker decidiu voltar ao esquema com quatro defensoras, tirando Jill Roord (de fato, discreta), colocando Lynn Wilms na direita e adiantando Victoria Pelova para o meio-campo. Quase teve o prêmio imediato no minuto seguinte à entrada de Wilms, quando Beerensteyn caiu ao ser acossada por Irene Paredes, e a juíza Stéphanie Frappart marcou o pênalti - desmarcado depois, a conselho do VAR e revisão de Frappart. De todo modo, a Holanda melhorou um pouco, com Lieke Martens tendo mais a bola e Lineth Beerensteyn se esforçando muito para segurar a bola e puxar contra-ataques, mesmo sem ter a mesma qualidade nas finalizações.

Porém (ai, porém), a estratégia da Holanda de aguentar a pressão espanhola era arriscada demais. Um erro e tudo se perderia. E o erro veio - da jogadora que talvez mais simbolizasse o esforço: Stefanie van der Gragt, que, como na final da Copa de 2019, cometeu pênalti ingênuo ao esticar a mão na bola em um cruzamento de Salma Paralluelo. Claro, o VAR alertou, Stéphanie Frappart marcou, e Mariona converteu o que parecia o gol da classificação da Espanha. Que só não o foi porque o esforço holandês teve o prêmio, na mais tardia das horas. Com Van der Gragt, no que seria o último jogo de sua carreira, compensando o erro do pênalti feito, da melhor maneira possível: avançando ao ataque com a bola dominada (e aproveitando erro de Ivana Andrés, que voltava de lesão e substituiu a machucada Laia Codina) e finalizando com precisão para o 1 a 1 relativamente milagroso, nos acréscimos - não sem antes quase cometer gol contra, no último lance do tempo normal.

Van der Gragt, talvez a mais dedicada jogadora da Holanda, não merecia encerrar a carreira com a pecha do pênalti que cometeu. E não encerrou: que gol para o empate nos acréscimos! (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Ao mesmo tempo em que a Holanda resistia, porém, permanecia a sensação de que a Espanha seguia melhor, tecnicamente. Assim como era inegável a dedicação holandesa, com as substituições que mudavam posicionamento (Katja Snoeijs entrou e liberou Beerensteyn para as pontas; Damaris deu lugar a Caitlin Dijkstra, volante muito recuada). E uma chance ou outra aparecia para o que seria uma virada de lavar a alma. Só que Beerensteyn perdeu as duas mais visíveis. Aos 110', mesmo puxando contra-ataque, chutou em diagonal para fora; no minuto seguinte, após lateral cobrado, na pequena área, ela completou por cima do gol. Dois erros daqueles pesados, em um jogo tão equilibrado e dramático.

Porque a Espanha tinha, como sempre teve, jogadoras mais capacitadas para acertarem o gol em momentos decisivos. Poderia ser Aitana Bonmatí, destaque espanhol, que saiu antes (e nem se destacou muito). Poderia ser Alexia Putellas, o destaque supremo, que entrou antes. Mas foi Salma Paralluelo, a jovem mais promissora da Espanha - que já fizera gol contra a Holanda, na semifinal do Mundial sub-20 do ano passado. Num contra-ataque, Lynn Wilms veio para o meio, e deixou a direita livre para Paralluelo fazer o que melhor sabe: dominar a bola com campo livre, deixar Nouwen sozinha com um drible excepcional, e arrematar para o 2 a 1 da Espanha. Que, afinal, se classificou merecidamente.

Porque, se a Holanda esbanjou esforço, faltou a ela o que sobrou na Espanha: jogadoras que aproveitaram a chance no momento decisivo.

Copa do Mundo Feminina da FIFA 2023 - quartas de final

Espanha 2x1 Holanda
Data: 10 de agosto de 2023
Local: Estádio Regional (Wellington)
Juíza: Stéphanie Frappart (França)
Gols: Mariona Caldentey, aos 81', Stefanie van der Gragt, aos 90' + 2, e Salma Paralluelo, aos 111'

Holanda
Daphne van Domselaar; Sherida Spitse (Katja Snoeijs, aos 85'), Stefanie van der Gragt (Kerstin Casparij, aos 106') e Dominique Janssen; Jackie Groenen; Victoria Pelova, Jill Roord (Lynn Wilms, aos 61'), Damaris Egurrola  (Caitlin Dijkstra, aos 96') e Esmee Brugts (Aniek Nouwen, aos 89'); Lieke Martens e Lineth Beerensteyn. Técnico: Andries Jonker

Espanha
Cata Coll; Oihane Hernández (Olga Carmona, aos 90'), Irene Paredes, Laia Codina (Ivana Andrés, aos 77') e Ona Battle; Teresa Abelleira, Aitana Bonmatí (Irene Guerrero, aos 87') e Jennifer Hermoso; Alba Redondo (Salma Paralluelo, aos 71'), Mariona Caldentey (Alexia Putellas, aos 100') e Esther González (Eva Navarro, aos 100'). Técnico: Jorge Vilda

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Reação leve até demais

O gol de Van de Beek foi o começo de um bom segundo tempo da Holanda contra a Espanha. Ainda é pouco (BSR Agency)

O amistoso contra a Espanha serviria para duas coisas na seleção masculina da Holanda (Países Baixos): dar chance a reservas e tentar se aproximar da garantia da vaga no pote 1 do sorteio das eliminatórias da Copa de 2022. Porém, o mau nível técnico mostrado pela Laranja nos três jogos sob o comando de Frank de Boer tornava a possibilidade de uma derrota muito grande e preocupante. Pois bem: a derrota não veio. E a reação vista no segundo tempo foi até promissora. Só que a melhora vista no empate em 1 a 1 foi leve. Até demais.

Porque, no primeiro tempo, o que se viu foi uma Holanda repetindo o principal erro visto até aqui sob Frank de Boer: a lentidão excessiva na defesa. Prato cheio para a Espanha atacar - e nem era necessário contar com o apoio do meio-campo: bastava o trio Gerard Moreno-Álvaro Morata-Marco Asensio acelerar os ataques com a bola nos pés para colocar sob riscos a defesa holandesa. Piorando a situação, Nathan Aké foi mais uma vítima da roda-viva de jogos na Europa, sofrendo lesão muscular com cinco minutos de jogo. 

Restou a Daley Blind entrar, para fazer a dupla de zaga com Joël Veltman. Uma dupla de zaga lenta demais. E que ainda errou no gol de Sergio Canales, aos 18': o passe de Morata em profundidade enganou Veltman, que deixou o lado direito completamente aberto para Canales entrar na área e finalizar cruzado ao gol. De quebra, Asensio tinha pleno espaço pela esquerda, em outra má atuação de Hans Hateboer no aspecto de marcação. 

Aké se lesionou com apenas cinco minutos de jogo: como se já não faltassem zagueiros à Holanda (AP)

No meio-campo, Georginio Wijnaldum estava sem espaço para avançar, diante da rápida volta espanhola para a defesa. Frenkie de Jong também via poucos lugares para lançar em profundidade. Resultado: restavam só cruzamentos, de Owen Wijndal (já melhor na esquerda) ou de Hateboer (mais raros). E o ataque quase não causou problemas à Espanha - só se viu um chute a gol da Holanda nos primeiros 45 minutos, com Luuk de Jong. A Espanha rondou bem mais a área. Teve uma boa chance com Morata, aos 34', rebatida por Marco Bizot, goleiro estreante. E a desvantagem de momento deixava claro: ou a Holanda melhorava, acelerava, ou a derrota era praticamente inevitável. 

Frank de Boer notou tudo isso: a fragilidade defensiva, a lentidão do meio-campo, a inação do ataque. E as quatro mudanças feitas no intervalo foram precisas. Principalmente no ataque: no lugar de Steven Berghuis, Calvin Stengs se mexeu mais na frente. Atraiu mais a marcação. E isso já ajudou no lance do empate neerlandês em Amsterdã, aos 47': no meio da área, junto a Depay, Stengs possibilitou que Donny van de Beek estivesse livre para ajeitar a bola cruzada por Wijndal, chutando rasteiro para o 1 a 1.

Na defesa, Stefan de Vrij mostrou mais firmeza ao lado de Veltman, no miolo de zaga, permitindo que Blind avançasse ao meio-campo para auxiliar o setor. Foi necessário, porque o ar mais ofensivo da Holanda causou o efeito colateral esperado: mais espaço para os contra-ataques da Espanha. Aí, Bizot mostrou algum serviço, defendendo chutes de Hector Bellerín (aos 61') e Adama Traoré (aos 66'). E quando nem Bizot conseguiu pegar, Koke errou a finalização, aos 60'.

De quebra, no meio-campo, Klaassen mostrou ser promissor, com muitos lançamentos precisos para acelerar contra-ataques. Pela direita, Stengs e Denzel Dumfries também aumentava o ritmo de jogo da Holanda. E tudo isso levou a pelo menos três chances valiosas que a Holanda teve para ganhar. Aí, houve demérito de quem poderia colocar a esférica no filó adversário. Tanto Memphis Depay (aos 69') quanto Luuk de Jong (aos 88') ficaram na frente do gol, sozinhos na área, após cruzamentos bem medidos de Dumfries. Mas faltou força ao arremate de Memphis, e Unai Simón fez boa defesa. Luuk de Jong fez pior ainda: dominou, quis driblar Simón... e perdeu ângulo para chutar.

De todo modo, essa reação vista no segundo tempo ainda foi pouca para evitar que a Holanda seguisse sem vitórias, no quarto jogo sob Frank de Boer (marca histórica). E já deixa preocupação sobre o que será feito na Liga das Nações, com duas rodadas em que a vitória é necessária para manter alguma chance de avanço às semifinais.  

Amistoso

Holanda 1x1 Espanha
Data: 11 de novembro de 2020
Local: Johan Cruyff Arena (Amsterdã)
Árbitro: Davide Massa (Itália)
Gols: 
Sergio Canales, aos 18'; Donny van de Beek, aos 47'

Holanda
Marco Bizot; Hans Hateboer (Denzel Dumfries), Joël Veltman, Nathan Aké (Daley Blind) e Owen Wijndal; Georginio Wijnaldum (Davy Klaassen), Donny van de Beek e Frenkie de Jong (
Stefan de Vrij); Steven Berghuis (Calvin Stengs), Luuk de Jong e Memphis Depay (Ryan Babel). Técnico: Frank de Boer

Espanha
Unai Simón; Héctor Bellerín, Eric García, Iñigo Martínez (Sergio Ramos) e José Luis Gayà (Sergio Reguilón); Koke, Rodri e Sergio Canales (Marcos Llorente); Gerard Moreno (Ferrán Torres), Álvaro Morata (Dani Olmo) e Marco Asensio (Adama Traoré). Técnico: Luis Enrique