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domingo, 12 de julho de 2026

A Holanda na Copa 2026: a análise sobre quem jogou

A foto da Holanda (Países Baixos) posada antes do jogo da eliminação na Copa do Mundo de 2026, contra Marrocos: a Laranja viveu de altos e baixos no Mundial, mas as más escolhas levaram a uma saída precoce (KNVB Media/Divulgação)

Já se passaram 13 dias desde que Ismael Saibari converteu a última cobrança de Marrocos, na série de chutes da marca do pênalti, fez 3 a 2 na série e decretou que a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) estava eliminada da Copa do Mundo de 2026 já nos 16-avos de final, a pior campanha da Laranja desde 2006. De certa forma, o abatimento pela queda precoce segue, já que a federação não se mexeu rapidamente - e nem dá sinais disso - para uma escolha criteriosa de técnico, como Alemanha e Portugal, também já eliminadas, fizeram tão logo foram vítimas das eliminações.

Então as quatro partidas da Laranja nos Estados Unidos não resultaram em nada? Em alguns momentos, resultaram, claro. Por incrível que possa parecer, nos quatro jogos da Laranja, houve jogadores correspondendo às expectativas, nomes que cresceram, sinais de que há possibilidade de crescimento para os próximos anos. O problema é que quase todos esses sinais foram eclipsados por escolhas erradas, por fragilidades vistas - e sinalizadas antes -, por convocações que se revelaram ruins na Copa, até mesmo pela crença distorcida, e vista nas últimas Copas com participação dos Países Baixos, de que o pragmatismo a qualquer custo levará às vitórias. Claro, não é nem nunca foi assim. Enquanto isso, França, Espanha e Inglaterra, semifinalistas na Euro 2024 como a Laranja foi, voltam à mesma fase na Copa de 2026. Mais do que isso: indicam que estão numa plataforma diferente dos neerlandeses.

E enquanto os holandeses ainda lambem suas feridas, com a incômoda sensação de que elas doerão por mais tempo, é hora de falar de como foram, ou não foram, os 26 convocados da Laranja nesta Copa do Mundo.
Antes da Copa, ainda havia certas desconfianças quanto a Verbruggen. O goleiro as minimizou com sua participação: agora, é titular absoluto da Holanda (Países Baixos) (Joe Buvid/ISI Photos/ISI Photos/Getty Images)

GOLEIROS

1-Bart Verbruggen (4 jogos, 5 gols sofridos): mesmo já vindo como titular da Laranja havia quase três anos, com uma Euro no currículo, Verbruggen ainda atraía certas desconfianças sobre sua segurança. Havia quem achasse - com alguns motivos - que Robin Roefs, mesmo jovem, já poderia ser titular. Além do mais, no amistoso derradeiro antes da estreia, contra o Uzbequistão, uma lesão no quadril fez com que sua preparação fosse encurtada nos treinos em Kansas City. E no 2 a 2 contra o Japão, finalmente, houve quem achasse que o camisa 1 da Laranja poderia ter ido melhor nos dois gols, principalmente no segundo, em que tentou rebater insuficientemente o cabeceio de Daichi Kamada. Pois Verbruggen já começou a minimizar essas desconfianças contra a Suécia: mesmo com a goleada holandesa por 5 a 1, algumas defesas dele impediram que os suecos colocassem dificuldades na vitória. Contudo, mesmo essa atuação já boa na fase de grupos ficou abaixo do que o arqueiro fez contra o Marrocos. Escanteios desviados, saídas providenciais de gol, reflexos em dia: Verbruggen mostrou tudo nos 16-avos de final, e coroou isso com a intervenção no chute à queima-roupa de Soufiane Rahimi, já na prorrogação, na pequena área, das melhores defesas desta Copa. Teve azar nos pênaltis - uma cobrança já tinha sido defendida, mas bateu no seu calcanhar e entrou. Mas se serve de consolo para a eliminação, Verbruggen deixou claro: atualmente, a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) tem um goleiro titular absoluto. E é ele.  

23-Mark Flekken: não jogou

13-Robin Roefs: não jogou

LATERAIS
 
22-Denzel Dumfries (4 jogos): impossível dizer que Dumfries brilhou nesta Copa: o lateral direito da camisa 22 teve lá suas dificuldades de marcação, principalmente, contra Japão e Marrocos. Além do mais, foi menos decisivo em sua segunda Copa do que foi, em alguns momentos de 2022. O que não quer dizer que Dumfries não ajudou. Como esperado, quando teve espaço para atacar, o ala pela destra teve sua marca em bons momentos holandeses nesta Copa. Contra a Suécia, cruzou a bola para um dos gols de Brian Brobbey nos 5 a 1, acelerou contra-ataques, enfim, foi a "válvula de escape" de que a Laranja tanto se beneficia. Além do mais, no decorrer da Copa - já após a eliminação holandesa - se confirmou a transferência dele para o Real Madrid, considerada um "prêmio" para um jogador de dedicação inquestionável em campo. Em suma: se Dumfries ainda quiser a seleção holandesa nos próximos tempos, tem seu espaço mantido. Até porque se considera que ele poderia ganhar a braçadeira de capitão, se Van Dijk deixar a Laranja.

12-Mats Wieffer: não jogou

15-Micky van de Ven (3 jogos): não adiantavam as críticas e alertas sobre Van de Ven ser um zagueiro de origem. Era como lateral esquerdo que ele vinha jogando nos últimos anos pela Laranja, e seria como lateral esquerdo que ele estaria nesta Copa do Mundo. Pois ele também teve suas dificuldades: se Jan Paul van Hecke, de quem se falará daqui a pouco, tinha de trabalhar tanto, era pelos espaços que Van de Ven deixava na esquerda. Certo, sua velocidade o ajudava a recompor rapidamente para defender. Mas nem sempre isso aconteceu. A prova foi contra o Marrocos, com Van de Ven costumeiramente superado por Achraf Hakimi, que criou muitos lances perigosos. Com a possível saída de cena de Nathan Aké, em termos de seleção, quem sabe Van de Ven - que continua convocável - possa atuar em sua posição original.

25-Jorrel Hato (1 jogo): o jovem lateral esquerdo teve sua convocação contestada aqui e ali, mas não causou prejuízos que trouxessem mais críticas. Nem foi o diferencial, justiça seja feita: afinal de contas, Hato só jogou 34 minutos nesta Copa. Tendo entrado aos 41 minutos do segundo tempo dos 90 minutos regulamentares contra Marrocos, não decepcionou, mas não resolveu muito os problemas da Laranja que lhe envolveram na partida da eliminação. Pela pouca idade, segue no radar das convocações holandesas, salvo problemas que ocorram.

Van Hecke foi outro nome a consolidar seu espaço na Laranja, no pouco tempo dela nesta Copa (BSR Agency/Getty Images)

ZAGUEIROS

4-Virgil van Dijk (4 jogos, 1 gol): até que o capitão da Holanda (Países Baixos) apareceu mais do que em 2022. Mas, como na primeira Copa de sua carreira, Van Dijk também teve altos e baixos. Os altos foram mais altos: para começo de conversa, o zagueiro marcou gol, abrindo o placar contra o Japão, além de ter sido o líder esperado para a equipe, em campo - tanto que, na fase de grupos, era apontado como um dos melhores zagueiros da Copa. Porém, os baixos foram tristemente previsíveis: cada vez mais lento, Virgil teve dificuldades ao conter adversários mais velozes, como se viu contra o Japão, ou até mesmo contra a Suécia (no gol de honra na goleada neerlandesa por 5 a 1, Anthony Elanga passou facilmente pelo camisa 4). Teve dificuldades até, vejam só, pelo alto, como se notou no gol de empate do Japão... e no ponto final, uma baixa, quando foi desatento na marcação e permitiu que Issa Diop, vindo de trás, cabeceasse para empatar nos acréscimos do tempo normal a partida dos 16-avos de final para Marrocos. Sem condições físicas - tinha cãibras -, Van Dijk também precisou deixar de lado a cobrança dos pênaltis, no jogo da eliminação. E por mais que tenha se esforçado, por mais que tenha mantido o respeito merecido que tem, talvez tenha chegado ao fim de seu caminho vestindo laranja.

6-Jan Paul van Hecke (4 jogos, 1 gol): não é só por causa da transferência para o Tottenham, confirmada durante a Copa, que Van Hecke fica do lado dos (poucos) holandeses que se saíram bem e têm boas perspectivas para o pós-Copa. Sem perder nenhum minuto da Laranja na Copa, como o colega de defesa Virgil van Dijk, o zagueiro da camisa 6 mostrou vitalidade. Mostrou esforço - e até foi vítima dele: que o digam o hematoma abaixo do olho com que ficou após o empate com o Japão, ou mesmo ter sofrido um corte na cabeça, ainda no primeiro tempo contra Marrocos. Van Hecke mostrou até capacidade para marcar gols - contra a Tunísia, fez seu primeiro pela Laranja na Copa, justo num momento de relativa tensão (os tunisianos tinham acabado de diminuir o placar para 3 a 1). Tudo isso foi reconhecido com seu nome muito presente entre os melhores zagueiros da fase de grupos da Copa. A eliminação precoce pôs um fim nisso, mas com a segurança mostrada em campo, o zagueiro também surge como um forte candidato a titular para os tempos que virão.

5-Nathan Aké (3 jogos): Se em 2022, Aké deu sequência à boa fase que vivia então no Manchester City com boas atuações na Copa do Mundo, agora ele... fez a mesma coisa, mas num cenário mais discreto da carreira. Já na reserva do City, perto da saída - afinal confirmada, dias após a eliminação holandesa, com a ida para o Fenerbahçe também anunciada -, Aké começou a Copa na reserva. E contra o Japão, teve dificuldades ao entrar, a nove minutos do fim: sem conseguir frear a velocidade de Kento Shiogai e Yukinari Sugawara, acabou recuando mais e mais, simbolizando uma Holanda que ficou mais defensiva e foi punida com o empate. Já contra a Tunísia, Aké começou como titular (Van de Ven foi poupado, para não ficar "pendurado" com o cartão amarelo que tinha), e não comprometeu. Contra Marrocos, surpreendentemente escalado para um trio de zagueiros, também passou em branco, sem grandes falhas, mas sem conseguir deter os marroquinos em campo. Enfim, se foi destaque há quatro anos, Aké sai da Copa discretamente agora. Assim como em seu clube.

2-Lutsharel Geertruida: não jogou

De Jong teve atuações oscilantes na Copa do Mundo, mas até que terminou bem. E tem tudo para liderar a seleção holandesa (Joe Buvid/ISI Photos/ISI Photos via Getty Images)

MEIO-CAMPISTAS

21-Frenkie de Jong (4 jogos): eis um nome da Laranja que teve atuações controversas durante a Copa. Na estreia contra o Japão, o camisa 21 nem jogou tão mal assim, mas torcida e imprensa consideraram De Jong defensivo e lento demais - talvez reflexo do empate tardio do Japão. O jogador ficou insatisfeito, até mesmo devolveu as críticas ("Há gente que vê o jogo, mas não enxerga nada"), mas por fim, respondeu como se devia: em campo. Contra a Suécia, fez o que melhor sabe: controlou a saída de bola da Holanda (Países Baixos), acelerou o jogo com passes precisos, enfim, foi um dos melhores em campo nos 59 minutos que atuou. O problema é que a substituição até precoce sinalizou problemas físicos. Vistos novamente contra a Tunísia, quando De Jong, mesmo após outra boa atuação, ficou 72 minutos em campo. Especula-se que ele tenha jogado com dores no joelho, mas nada confirmado. Certo mesmo, só o fato de que, sabedora de que o meio-campista era um dos que mais controlavam o jogo da Holanda, a seleção de Marrocos procurou anulá-lo na segunda fase. E conseguiu: De Jong saiu já com a prorrogação em andamento - foram 110 minutos em campo -, sem se destacar tanto quanto na fase de grupos. Ainda assim, as críticas que começavam foram aplacadas. De Jong deve ter seu papel de líder até mais preponderante nos próximos anos.

14-Tijjani Reijnders (3 jogos): Reijnders saiu desta Copa podendo ser considerado uma vítima - mais pela partida em que não atuou, a bem da verdade. Na fase de grupos, começando todas as partidas da Holanda (Países Baixos) como titular, o camisa 14 oscilou mais do que se esperava. Até ajudava no toque de bola, mas não conseguia avançar ao ataque como costuma fazer, precisando se focar mais na ajuda à marcação, que não é seu forte. Resultado: o meio-campista ficou sem se destacar muito na fase de grupos, nem contra Japão, nem contra Suécia, nem contra Tunísia, substituído nas três partidas, embora tivesse lá sua utilidade, mantendo a posse de bola e cadenciando mais o ritmo quando necessário. Porém, com a citada falta de destaque e a preocupação em não tomar gols, Ronald Koeman fez de Reijnders uma "vítima" algo exagerada: não só o tirou do jogo contra Marrocos, como o deixou no banco pelos 120 minutos de bola rolando, como um espectador. E aí, até que Reijnders saiu "ganhando", se é que é possível numa eliminação. Porque saiu como "vítima", como um nome com quem as coisas da Laranja dentro de campo poderiam ter sido menos defensivas, menos medrosas. Sai com seu espaço na seleção mantido, mesmo que sua Copa tenha sido mediana.

8-Ryan Gravenberch (4 jogos): Dos três meio-campistas titulares habituais da Holanda (Países Baixos), Gravenberch foi quem mais mudou seu nível de jogo no decorrer da participação neerlandesa na Copa. E mudou para melhor. O crescimento holandês no empate com o Japão foi creditado à aparição maior do camisa 8 no segundo tempo - que o diga sua ótima jogada no gol de Crysencio Summerville, tirando dois japoneses da jogada com um só drible. De certa forma, quando tinha espaço, Gravenberch fazia o que se esperava que Tijjani Reijnders fizesse até mais: acelerava as jogadas, dava bom ritmo ao ataque da Laranja. Bem marcado contra Marrocos, rendeu pouco, até por isso sendo substituído. Mas, na primeira Copa de sua carreira (e no primeiro torneio em que teve importância real pela Laranja - foi reserva na Euro 2024), Gravenberch ocupou bem seu espaço.

20-Teun Koopmeiners (4 jogos): e não é que Koopmeiners, de atuações relativamente desinteressantes na passagem pela Juventus, ajudou um pouquinho a Laranja? Pelo menos, foi ele o meio-campista preferencial para as substituições de Ronald Koeman: jamais começou como titular, mas sempre entrou. E foi útil quando seus pontos positivos foram potencializados, coisa que não aconteceu na estreia contra o Japão: substituindo um Crysencio Summerville que vinha muito bem, Koopmeiners reduziu o ritmo de jogo, e possibilitou que os nipônicos começassem a pressionar mais no ataque, até conquistarem o empate. Porém, em contextos mais favoráveis, contra Suécia e Tunísia, o camisa 20 conseguiu manter a ajuda e até trazer auxílio, nas faltas e pênaltis que cobra tão bem. Contra Marrocos, ao vir a campo no lugar de Aké, até mesmo tornou o time menos defensivo, como era altamente necessário. De quebra, converteu sua cobrança na série de chutes. "Koop" não chegou a fazer boa Copa, mas foi mais útil do que se esperava.

7-Justin Kluivert (2 jogos): ao correr contra o tempo para se recuperar de uma lesão e ir à Copa do Mundo, o choro de Justin - defendendo o Bournemouth-ING na partida da volta, com o pai Patrick a assisti-lo - parecia um final feliz de um capítulo, quem sabe para abrir outro de possibilidade de ajuda no decorrer da Copa do Mundo. Não foi. O meio-campista até veio a campo em dois jogos, contra Tunísia e Marrocos. No entanto, ao entrar nos 3 a 1 frente aos tunisianos, a vitória da Laranja já estava encaminhada. E no tenso 1 a 1 contra os marroquinos, ao vir a campo já aos 113', no lugar de um Cody Gakpo esgotado, a intenção era que Kluivert fosse incluído entre os cobradores na disputa da marca do pênalti. Até foi. Mas mandou seu chute, que poderia ampliar uma vantagem nascente da Holanda (Países Baixos), na trave. Se o capítulo da tentativa de ir à Copa foi feliz, o de disputá-la teve um triste fim.

26-Quinten Timber (2 jogos): impossível dizer que a Laranja teve um "vilão" nesta sua participação na Copa do Mundo. Mas Quinten Timber sai da primeira Copa de sua carreira com poucas razões para se lembrar bem dela. A primeira razão saiu antes mesmo da bola rolar em Estados Unidos/México/Canadá: o corte de seu irmão Jurriën Timber, sem condições de se recuperar plenamente de problemas na virilha, inviabilizando que a Laranja tivesse irmãos gêmeos numa mesma Copa, após 28 anos. As segundas vieram em campo. Timber saiu do banco contra Japão (aos 70', substituindo Reijnders) e Marrocos (aos 86', no lugar de Gravenberch), com a ideia de poder ajudar a conter os adversários no meio-campo, mantendo a posse de bola. Nos dois casos, ideia frustrada, com o empate nos acréscimos. Para piorar, contra Marrocos, Timber perdeu sua cobrança, na decisão que acarretou a eliminação. Somente uma sequência poderá deixar as más lembranças para trás. Agora, de preferência, com o irmão Jurriën ao lado.

16-Guus Til (1 jogo): Til foi outro nome que "jogou, mas não jogou". Ao pé da letra, nesta Copa do Mundo, o meio-campo entrou aos 14 minutos do segundo tempo da goleada contra a Suécia. Mas não só não chamou a atenção, apenas cumprindo seu papel tático, como os 31 minutos em campo naquela partida foram seus únicos minutos jogando no Mundial. A ver como Til segue na Laranja, quando outro técnico chegar. Ajudará se a boa fase no PSV seguir.

3-Marten de Roon (1 jogo): o próprio meio-campista comemorou a convocação para a segunda Copa de sua carreira com certa surpresa: afinal de contas, De Roon já não aparecia defendendo a Laranja havia mais de dois anos. Pela experiência e pela disposição para ajudar, ele poderia ser útil, e foi com esse pensamento que Ronald Koeman o incluiu entre os 26 da Copa. Mas De Roon não ajudou muito. Antes mesmo do Mundial começar, a má entrada no amistoso de preparação contra a Argélia o colocou sob foco de algumas críticas. Copa iniciada, o meio-campo só saiu do banco para substituir Frenkie de Jong, nos dez minutos finais da prorrogação contra Marrocos. Sem conseguir tirar em campo o ar de surpresa que ficou por sua convocação.

Summerville era aposta de Ronald Koeman para a Copa do Mundo. Aposta plenamente paga: o atacante foi bem quase sempre que jogou, e nem mesmo a cobrança perdida na eliminação tirou a boa impressão (Stefan Koops/EYE4IMAGES/NurPhoto/Getty Images)

ATACANTES

11-Cody Gakpo (4 jogos, 3 gols): foi até engraçado. Do jeito como começou a Copa, sem empolgar contra o Japão - foi bem marcado, e suas tentativas individuais pela esquerda só trouxeram perigo no segundo tempo -, parecia que Gakpo seria coadjuvante, com a reação de Brian Brobbey, a confirmação de Crysencio Summerville e as expectativas existentes sobre Donyell Malen. Nada mais apressado... já contra a Suécia, o camisa 11 relembrou como cresce em torneios grandes usando a camisa laranja. Teve espaço para driblar, teve precisão para finalizar, teve dois gols marcados na goleada por 5 a 1, reafirmou o seu destaque na seleção. A evolução, porém, sofreu o mais cruel dos golpes, vindo no âmbito privado: a perda de Elijah Rafael, o segundo filho que sua companheira, Noa, esperava, a dois dias do jogo contra Marrocos. Talvez por isso, mais provavelmente pela inanição a que o ataque holandês foi forçado na partida de sua eliminação, Gakpo teve atuação mediana. Mas na única chance que lhe surgiu para finalizar, ele fez o gol holandês - e protagonizou uma das cenas mais emocionantes da Copa, sendo abraçado e acarinhado por todo o grupo de convocados da Laranja, indo às lágrimas. Só não ficou 120 minutos em campo pelas cãibras que o esgotaram completamente, forçando a substituição por Justin Kluivert. Ainda assim, ainda com tanto drama, ficou claro: se não é craque, Cody Gakpo é dos mais importantes jogadores que a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) tem na atualidade. Mais do que isso: com seis gols pela Laranja em Mundiais, está só um abaixo do recordista no quesito, Johnny Rep. Quem duvida que, se nada de errado ocorrer, Gakpo tem condições de buscar o recorde em 2030 - e como um líder da Laranja?

19-Brian Brobbey (4 jogos, 3 gols): com as condições habituais de Cody Gakpo, a história de Memphis Depay, o esforço de Wout Weghorst, Brian Brobbey conseguiria cavar seu espaço na Laranja nesta Copa do Mundo? Nada levava a crer que sim, até porque sua entrada contra o Japão, para os cinco minutos finais, foi anônima. Mas na segunda partida, contra a Suécia... já com Donyell Malen alvo de desconfianças pelo que não fizera contra os japoneses, Brobbey teve a chance de começar jogando. Melhor não poderia ser: em 17 minutos de primeiro tempo, a Holanda (Países Baixos) tinha 2 a 0 no placar, com os dois gols dele, se mexendo na área, sendo veloz, pressionando os marcadores, sendo enfim a referência de área que tanto se esperava desde seu surgimento no Ajax. Atuação tão surpreendentemente boa lhe garantiu nova titularidade, contra a Tunísia - e nela, novamente Brobbey garantiu seu gol, além de ter ajudado até no primeiro gol (sua pressão sobre Ellyes Skhiri fez com que o tunisiano se precipitasse e desviasse contra o próprio patrimônio). Sua atuação contra Marrocos foi prejudicada pela própria postura defensiva da Laranja, e Brobbey foi substituído. Mas nem isso tirou a impressão de que, mais do que os gols, a Copa foi importante para que o atacante recuperasse seu espaço, se consolidasse como uma real opção de ataque dos Países Baixos. A ver se isso será confirmado na sequência, porque agora Brobbey terá a expectativa que tanto buscou.

24-Crysencio Summerville (4 jogos, 2 gols): Tratava-se do grande candidato a revelação que a Laranja trazia para esta Copa. Vale lembrar, agora: mesmo sendo desfalque nos amistosos de março, por estar machucado, Summerville teve a convocação para a Copa praticamente assegurada por Ronald Koeman. Ela veio, de fato, e o atacante já começou a causar boa impressão nos amistosos contra Argélia e Uzbequistão, embora também perdesse muitos gols. Nada que certas conversas e certos trabalhos com Ruud van Nistelrooy, auxiliar técnico - e exímio atacante em tempos idos - não ajudasse. A consequência, "Cry" mostrou quando mais importava: na Copa. Ajudou a Laranja a melhorar no segundo tempo da estreia contra o Japão, coroando a melhora com o seu gol. No segundo jogo, contra a Suécia, ainda começou na reserva, mas bastou vir a campo no intervalo para impulsionar vários contra-ataques holandeses, coroados com o seu gol, que fechou a goleada por 5 a 1. E nem precisou brilhar tanto nos 3 a 1 contra a Tunísia, nos quais também veio do banco (aí, por cautela: estava com um cartão amarelo), para confirmar o acerto de Koeman ao convocá-lo. Contra Marrocos, mesmo na eliminação, Summerville se esforçou: era o único jogador a trazer alguma chance de contra-ataques rápidos, passou para o gol de Cody Gakpo, nem mesmo a cobrança perdida na série de chutes da marca do pênalti apagou a impressão de que há mais reservado para ele, em termos de seleção. Summerville fez por merecer: é outro nome holandês que sai bem da Copa.

10-Memphis Depay (3 jogos): a certa altura de sua entrada na estreia holandesa na Copa, contra o Japão, substituindo Donyell Malen, Memphis recebeu um lançamento alto. Em condições normais, poderia aproveitá-lo e criar uma chance. Porém, ainda voltando de lesão na panturrilha, Memphis recolheu a perna, e a bola se perdeu. De certa forma, o lance simbolizou o que foi a participação discretíssima do camisa 10 no terceiro Mundial de sua carreira. Ainda voltando da lesão, ainda sem garantir a confiança de Ronald Koeman, Memphis servia mais como uma opção para a reta final das partidas, estivessem elas como estivessem, do que um nome que poderia mudar a cara holandesa. Às vezes, deu certo: na goleada contra a Suécia, Depay se integrou relativamente bem, e até deu passe para o segundo gol de Crysencio Summerville. Noutras, deu errado: contra a Tunísia, vindo a campo no lugar de Brobbey para os 13 minutos finais, o atacante foi mais gozado por torcida e imprensa, pela tentativa infrutífera de um voleio. E no momento final, por mais que pudesse ajudar na cobrança de pênaltis, passar os 120 minutos contra Marrocos no banco deu o sinal da falta de confiança de Ronald Koeman na (falta de) intensidade que o atacante poderia oferecer, mesmo sendo o maior goleador que a Laranja tem em 121 anos de história. Mais coadjuvante do que poderia desejar em sua terceira Copa, Memphis até pode seguir sua trajetória na Laranja. Mas será difícil.

18-Donyell Malen (3 jogos): Vindo de (metade de) temporada fulgurante na Roma - agora é difícil lembrar, mas Malen se tornou vice-goleador do Campeonato Italiano passado em apenas cinco meses -, Malen atraía expectativa grande antes da Copa começar. Até pela falta de condições físicas de Memphis Depay, recaiu sobre ele a responsabilidade de ser o titular no meio da área, no trio de atacantes da Holanda (Países Baixos). Condições técnicas para isso, Malen tinha e mostrava em campo. Até os amistosos de preparação... tanto na derrota para a Argélia quanto na vitória sobre o Uzbequistão, Malen já começou a falhar nas finalizações, perdendo muitas chances de gol. A desconfiança já aumentou, mas não era nada que uma boa estreia na Copa não resolvesse. Só que não resolveu, porque Malen seguiu desperdiçando possibilidades contra o Japão, e já foi substituído por Brian Brobbey aos 70'. Na segunda rodada da fase de grupos, uma mudança de posicionamento poderia ajudá-lo, com o deslocamento para a ponta direita. Mas Malen perdeu outras chances de gol, viu Brian Brobbey marcar dois, saiu no intervalo, viu o substituto Crysencio Summerville (que já marcara na estreia) fazer mais um gol... e ali a paciência com Malen baixou bastante. E se acabou definitivamente após os 3 a 1 contra a Tunísia, quando ele novamente saiu sem gols, com Brobbey marcando mais um. De novo decepcionando num grande torneio, o camisa 18 da Laranja certamente seguirá sendo convocado. Mas agora, terá de recuperar todo o crédito que ganhara no primeiro semestre.

17-Noa Lang (2 jogos): Na Copa de 2022, a primeira de sua carreira, Lang apareceu pouco: só veio a campo para os sete minutos finais da prorrogação contra a Argentina, nas quartas de final. E nesta segunda Copa, o atacante também foi opção muito periférica (aliás, literalmente): mesmo sendo opção pelos lados, Noa Lang viu Crysencio Summerville aproveitar bem suas chances, Cody Gakpo melhorar com a pequena sequência... e ficou para trás. Contra a Suécia, veio a campo apenas nos acréscimos, substituindo Gakpo; e mesmo contra a Tunísia, adversário mais fraco, Lang jogou apenas os últimos seis minutos regulamentares, também no lugar de Gakpo. Nada mais fez na Copa, e nem se fez valer como opção nos treinos. A ver se o retorno ao Napoli, após o empréstimo ao Galatasaray, o faz se mobilizar. Está precisando. A concorrência na Laranja aumentou.

9-Wout Weghorst (1 jogo): ah, se ele fosse técnico... isso é o que vários holandeses pensaram (pensam, ainda, de certa forma) sobre Weghorst, porque já se sabia antes da Copa que o atacante é menos técnico, mas tem um esforço indubitável dentro de campo. Até por isso, mesmo perdendo espaço para Brian Brobbey ou Donyell Malen, o veterano atacante era considerado um dos mais esforçados em treinos da Holanda (Países Baixos) - chegava até a correr após os trabalhos com o grupo. De certa forma, sua única entrada em campo na Copa do Mundo confirmou isso. Vindo a campo no lugar de Brian Brobbey para ser o pivô e ajudar um ataque absolutamente inativo contra Marrocos até aquele momento, Weghorst participou da jogada do gol da Laranja em seu primeiro ato em campo, desviando a bola para Crysencio Summerville conduzir a jogada. Na hora da disputa da marca do pênalti, assim como fizera contra a Argentina em 2022, Weghorst converteu sua cobrança. E até com a eliminação consumada, o seu choro deixou claro como sua dedicação o fez merecedor da convocação. Já aos 34 anos, com a transferência para o Twente assegurada durante a Copa, Weghorst deve sair da seleção. Mas sai de cabeça erguida, com a torcida pensando "ah, se ele fosse técnico"... porque dedicação nunca lhe faltou.

As escolhas de Ronald Koeman fizeram a Laranja ter altos e baixos na Copa. Mas o último capítulo foi de baixos: o exagero defensivista contra Marrocos fez com que o técnico saísse da seleção sob muitas críticas (Alex Pantling/FIFA/Getty Images)

Ronald Koeman (técnico)

Antes mesmo da Copa começar, a convocação de Ronald Koeman já causou polêmicas: foram altamente questionadas escolhas como deixar Jeremie Frimpong de fora, em detrimento de Mats Wieffer, para a lateral direita (Wieffer, meio-campo de origem, tem jogado assim no Brighton), ou mesmo a surpreendente convocação de Marten de Roon. As atuações apagadas nos dois amistosos de preparação - tanto na derrota por 1 a 0 para a Argélia quanto na vitória por 2 a 1 sobre o Uzbequistão - aumentaram a pressão. As escolhas de Koeman ditariam como esta Copa seria lembrada na Holanda (Países Baixos). E o começo não foi dos melhores para o técnico: contra o Japão, a Laranja vinha bem, tinha até chances do terceiro gol, mas se considerou que as entradas de Brian Brobbey e Memphis Depay tiraram chances de contra-ataque, e as de Nathan Aké e Teun Koopmeiners exageraram o recuo defensivo, fazendo o Japão buscar o 2 a 2 que terminou conquistando. Koeman reagiu contra a Suécia: a escolha de Brian Brobbey como atacante de área deu muito certo, Crysencio Summerville também veio bem da reserva, e os 5 a 1 restabeleceram a paz - mantida com os 3 a 1 na Tunísia já previamente eliminada. Porém, tinham sido quatro gols sofridos durante a fase de grupos. Diante de Marrocos, o exigente adversário dos 16-avos de final, Koeman quis tomar cuidados, algo até recomendável. Mas exagerou no remédio: colocar um time com três zagueiros, esquema com que a Laranja não era escalada desde março de 2024, num amistoso contra a Alemanha. Pior: não deu certo. Nem a defesa impedia a superioridade marroquina no ataque, e nem os contra-ataques eram frequentes, pois raramente Summerville e Gakpo tinham a bola, já que o meio-campo estava totalmente neutralizado. As escolhas erradas foram punidas com a eliminação. E Koeman anunciou sua saída da seleção, no dia seguinte, sem vencer nenhuma equipe entre as 25 primeiras colocadas do ranking da FIFA, com a pesarosa impressão de ter feito uma segunda passagem bem pior do que a primeira. 

domingo, 24 de maio de 2026

Análise da temporada: Heracles Almelo

Kulenovic (centro) foi o único destaque restante, num Heracles Almelo que pareceu condenado ao rebaixamento (que afinal aconteceu) por todo o returno (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Colocação final: 18º lugar, com 19 pontos (5 vitórias, 4 empates e 24 derrotas - rebaixado diretamente)
No turno havia sido: 17º lugar, com 14 pontos
Time-base: Jansink (Pasveer); Benita (Te Wierik/Wieckhoff), Mirani, Van Hoorenbeeck (Van der Kust) e Mesik; Hrustic e Zamburek; Limbombe (Ahlstrand), Engels e Ould-Chikh (Bruns); Kulenovic
Técnicos: Bas Sibum (até a 10ª rodada), Hendrie Krüzen (interino, entre a 11ª e a 14ª rodada) e Ernest Faber (a partir da 15ª rodada)  
Maior vitória: Heracles Almelo 8x2 Zwolle (11ª rodada) 
Maior derrota: Heracles Almelo 0x7 Feyenoord (9ª rodada)
Principal jogador: Luka Kulenovic (atacante)
Artilheiro: Luka Kulenovic (atacante), com 5 gols  
Quem deu mais passes para gol: Ajdin Hrustic (meio-campista), com 6 passes
Quem mais partidas jogou: Damon Mirani (defensor), com 33 partidas
Copa nacional: eliminado pelo Go Ahead Eagles, nas oitavas de final
Competições continentais: nenhuma

O Heracles Almelo já dava sinais do que ocorreria desde o primeiro turno: se não era o último colocado, era o penúltimo. Sofria com maus resultados, precisou trocar de técnico para tentar reverter o terrível início (seis derrotas nas seis primeiras rodadas)... mas nada adiantava. Nem mesmo fazer jogo duro para cima do PSV, na 16ª rodada, tirou os Heraclieden do mau caminho: o time saiu atrás com dois gols, buscou o empate, novamente ficou atrás, empatou de novo, mas tomou o 4 a 3 da derrota final. E na pausa de inverno, a coisa piorou: único destaque técnico no ataque, autor de 10 gols pelo clube de Almelo, Jizz Hornkamp tomou o rumo do AZ. Restava tentar melhorar no returno, com poucas perspectivas de que isso acontecesse. Aqui e ai, o Heracles tentou. 

Houve a volta do veteraníssimo Remko Pasveer, 42 anos, para o gol, tentando ajudar. Houve mudanças táticas para três zagueiros. Houve outra contratação, de Lequincio Zeefuik, tentando fazer um ataque menos estática. Houve até uma alteração frustrada de técnico: Ernest Faber se restringiria a ser diretor de futebol, com Vincent Hellmann (trabalhando na base da federação holandesa) Nada adiantou. E a queda literal dos Almelöers foi gradativa e apática, como indicaram algumas derrotas - um bom exemplo foram os 3 a 0 sofridos para o Ajax, na 30ª rodada. Quase todos os piores índices foram empurrados ao clube alvinegro: último colocado, pior do returno, pior mandante, pior visitante, pior ataque - junto a NAC Breda e Volendam -, pior defesa... O rebaixamento deixou a impressão de que o Heracles Almelo ainda não conseguiu se livrar do trauma de outro rebaixamento, anterior, em 2021/22. Terá a passagem pela segunda divisão para tentar começar a fazer isso. É altamente necessário.

Análise da temporada: NAC Breda

O NAC Breda se esforçou, buscou veteranos como André Ayew (foto), mas... o esforço não foi tudo. Na temporada passada, ainda houve como se salvar; agora, o rebaixamento (Olaf Kraak/ANP/Getty Images)

Colocação final: 17º lugar, com 28 pontos (6 vitórias, 10 empates e 17 derrotas - rebaixado diretamente)
No turno havia sido: 18º lugar, com 13 pontos
Time-base: Bielica; Valerius, Odoi, Leemans, Hillen e Kemper; Balard (Paula), Holtby (Nassoh) e Sowah; Talvitie e Brym (Reulen/Soumano)
Técnico: Carl Hoefkens
Maior vitória: NAC Breda 2x0 Heerenveen (33ª rodada)
Maior derrota: Go Ahead Eagles 6x0 NAC Breda (27ª rodada)
Principal jogador: Boy Kemper (defensor) 
Artilheiro: Boy Kemper (defensor), com 5 gols  
Quem deu mais passes para gol: Charles-Andreas Brym (atacante), com 4 passes
Quem mais partidas jogou: Daniel Bielica (goleiro), Boy Kemper (defensor) e Kamal Sowah (meio-campista), que jogaram todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado pelo Heracles Almelo, na primeira fase
Competições continentais: nenhuma

O NAC Breda estava avisado: terminara a temporada 2024/25 numa sequência sem vitórias, ficando parado na 15ª posição. E de quebra, fora o pior time do primeiro turno. Tudo o que o time aurinegro de Breda tinha a seu favor era o esforço, o apoio inesgotável da torcida que lotava o estádio Rat Verlegh. Isso ficou notável nas derrotas: a maioria delas, por apenas um gol de diferença. E mesmo quando o time tomava mais gols, se esforçava. Só que o fim, invariavelmente, era triste. Prova disso foi o jogo contra o NEC, pela 19ª rodada: o NAC saiu atrás com 2 a 0, buscou o empate em 2 a 2, tomou o terceiro gol, ainda conseguiu empatar... mas tomou o 4 a 3 dos visitantes de Nijmegen, nos acréscimos. Ou, então, o empate em 2 a 2 com o tricampeão PSV, na rodada seguinte: em Eindhoven, o time do norte aproveitou falhas defensivas dos Boeren, vencia por 2 a 1... até tomar o empate, também nos descontos.

Dentro de campo, o NAC Breda era isso: um time esforçado, mas deficiente tecnicamente, e até sem sorte. Fora de campo, teve problemas como a ação suspeita do ex-jogador Pierre van Hooijdonk na intermediação da venda do filho Sydney (que teve segunda passagem menos destacada) para o Estrela da Amadora (Portugal) - consultor técnico, Van Hooijdonk pai se desligou do clube. Aí, o NAC se desesperou. Apostou em veteranos como Denis Odoi, Lewis Holtby e André Ayew, sem muito sucesso. Houve ainda a tentativa do clube de ir à Justiça Comum holandesa pedindo a anulação dos 6 a 0 tomados do Go Ahead Eagles, pelas incertezas quanto ao passaporte do lateral esquerdo adversário, Dean James (indonésio ou neerlandês?). Quando o veredito deu ganho de causa à federação holandesa, os "Bredanaren" foram olhados de lado, como se tivessem querido melar o campeonato. Aí, já era tarde. E mesmo ganhando na penúltima rodada - 2 a 0 no Heerenveen -, os resultados de Excelsior, Volendam e Telstar decretaram o rebaixamento, com uma rodada de antecipação. Na temporada passada, o NAC Breda já tivera uma advertência; agora, não houve piedade.

Análise da temporada: Volendam

Robert Mühren se despediu dos campos - e o Volendam se despediu da primeira divisão, perdendo as chances que teve de permanecer (Ron Baltus/Soccrates/Getty Images)

Colocação final: 16º lugar, com 32 pontos (8 vitórias, 8 empates e 17 derrotas - rebaixado via repescagem)
No turno havia sido: 16º lugar, com 14 pontos
Time-base: Van Oevelen; Ugwu, Amevor, Verschuren e Leliendal; Bukala e Yah; Oehlers, Kökcü (Mühren) e Kuwas; Veerman
Técnico: Rick Kruys
Maior vitória: Volendam 3x0 Heracles Almelo (10ª rodada)
Maior derrota: Go Ahead Eagles 3x0 Volendam (5ª rodada), PSV 3x0 Volendam (14ª rodada) e NEC 3x0 Volendam (26ª rodada)
Principal jogador: Robert Mühren (atacante) 
Artilheiro: Robert Mühren (atacante), com 6 gols
Quem deu mais passes para gol: Brandley Kuwas (atacante), com 4 passes
Quem mais partidas jogou: Aurelio Oehlers (atacante), com 33 partidas
Copa nacional: eliminado pelo NEC, nas quartas de final
Competições continentais: nenhuma

Talvez só dois dados expliquem o Volendam precisar jogar sua permanência na primeira divisão: ter feito poucos gols. Pouco? Então, vale lembrar: o time começou a temporada com quatro empates. Depois, duas derrotas (Go Ahead Eagles 3 a 0, na 5ª rodada; Excelsior 2 a 1, na 6ª rodada). E ao longo das 34 rodadas, foi um dos times com menos gols feitos neste Campeonato Holandês: só 35 gols, ao lado de dois outros - talvez não por acaso, os rebaixados NAC Breda e Heracles Almelo. De quebra, foi o segundo clube com mais derrotas na temporada (18). Tudo isso, mesmo tendo sido um dos raros times a ter vencido o tricampeão PSV - 2 a 1, na 23ª rodada. E tendo sido um time que se esforçou, inegavelmente, para ter destino diferente. Afinal, as condições para a equipe eram distantes de um cenário de crise. Para começo de conversa, havia um técnico que teve tempo e prestígio para trabalhar (Rick Kruys), o esquema de jogo era bem conhecido. 

Entre os jogadores, havia regularidade. E até nomes promissores, como o lateral direito Precious Ugwu, campeão europeu sub-19 com a Holanda (Países Baixos) no ano passado. Outros eram um pouco mais experientes, e conheciam o clube, como o goleiro Kayne van Oevelen - sua saída nas últimas rodadas, por lesão, fez falta - Brandley Kuwas e Juninho Bacuna - esses dois irão à Copa do Mundo com Curaçao. Outros, ainda, eram veteranos e confiáveis, como Henk Veerman, a referência ofensiva, e Robert Mühren, que anunciou o fim da carreira ainda durante a temporada, não sem antes ser o goleador da "Outra Laranja" nesta edição da liga. E até seria possível para o Volendam mudar seu destino: afinal, os dois adversários nas duas últimas rodadas eram Excelsior e Telstar, justamente os dois contendentes para escapar da repescagem de acesso/permanência/descenso. E os Volendammers não se ajudaram. Contra o primeiro, na penúltima rodada, empate em 1 a 1; contra o Telstar, jogando em casa, mesmo saindo na frente do placar, o time tomou a virada por 2 a 1. Teve de jogar a repescagem contra o rebaixamento. E o roteiro foi até parecido: na decisão contra o Willem II, ganhou o jogo de ida, fora de casa, mas perdeu chances demais. Castigo: no segundo jogo, o Willem II reverteu a vantagem, levou a decisão às cobranças da marca do pênalti... e nelas rebaixou o Volendam. Que aprendeu a lição, do jeito mais duro.

Análise da temporada: Zwolle

Kostons fez seus gols, e o Zwolle conseguiu a manutenção na Eredivisie. Mas tem de se cuidar demais para o próximo ano (Jeroen van den Berg/Soccrates/Getty Images)

Colocação final: 15º lugar, com 37 pontos (9 vitórias, 10 empates e 15 derrotas - atrás pelo pior saldo de gols) 
No turno havia sido: 14º lugar, com 19 pontos
Time-base: De Graaff; Aertssen (Gooijer), Graves, MacNulty e Floranus; Buurmeester (Monteiro/Fichtinger), Oosting e Thomas; De Rooij, Kostons e Velanas (Shoretire)
Técnico: Henry van der Vegt
Maior vitória: Zwolle 4x1 Telstar (21ª rodada)
Maior derrota: Heracles Almelo 8x2 Zwolle (11ª rodada)
Principal jogador: Koen Kostons (atacante) 
Artilheiro: Koen Kostons (atacante), com 11 gols  
Quem deu mais passes para gol: Koen Kostons (atacante), com 6 passes
Quem mais partidas jogou: Thijs Oosting (meio-campista) e Koen Kostons (atacante), que jogaram todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado pelo AZ, na segunda fase
Competições continentais: nenhuma

No texto para a parada obrigatória de inverno, as palavras sobre o Zwolle terminavam com uma pergunta: até quando? Até quando o Zwolle conseguiria se segurar, ficando diretamente na primeira divisão? Segurou-se até o fim das 34 rodadas, agora se sabe. Porque, se a defesa continuou frágil - 71 gols sofridos, a segunda pior do campeonato -, pelo menos só tomou uma goleada na reta final (o PSV fez 6 a 1, na 31ª rodada). Porque havia times inferiores: mesmo sempre bordejando as últimas posições, os "Dedos Azuis" conseguiam escapar delas. Somente passaram duas rodadas na 16ª posição, que ainda daria a "segunda chance" na repescagem. E bem ou mal, retomaram bem a campanha após a pausa de inverno, empatando com o Twente (1 a 1, 18ª rodada) e vencendo o AZ (3 a 1, 19ª rodada). Além do mais, contra adversários diretos nas últimas posições, os Zwollenaren conseguiram obter bons resultados: 4 a 1 no Telstar (21ª rodada), 2 a 1 no NAC Breda (28ª rodada), 2 a 2 com o Excelsior (29ª rodada), 3 a 0 no Heracles Almelo (32ª rodada).

Isso se devia à relativa qualidade técnica de alguns bons jogadores, como o meio-campo Thijs Oosting e o atacante Koen Kostons. Até mesmo perdas que impactaram o time, como a saída do machucado ponta-esquerda Shola Shoretire, foram minimizadas com a boa entrada de Odysseus "Ody" Velanas. De mais a mais, também ajudou a experiência de dois nomes que estarão na Copa do Mundo, o cabo-verdiano Jamiro Monteiro e o neozelandês Ryan Thomas, ambos no meio-campo. Assim, com méritos próprios e alguma sorte oferecida pelos contextos externos, o Zwolle conseguiu a manutenção na primeira divisão antes mesmo que as últimas rodadas chegassem. De todo modo, tendo em vista algumas saídas que vêm aí - como a de Monteiro -, é bom o clube se preparar para 2026/27. Não é toda temporada que oferece o "perdão".

Análise da temporada: Telstar

Ronald Koeman Jr. (verde) fez as defesas. Ritmeester van de Kamp, Hardeveld e tantos outros criaram as jogadas e fizeram os gols. E o esforço do Telstar rendeu a permanência na primeira divisão (Marcel van Plateringen/BSR Agency/Getty Images)

Colocação final: 14º lugar, com 37 pontos (9 vitórias, 10 empates e 15 derrotas - na frente pelo melhor saldo de gols)
No turno havia sido: 15º lugar, com 15 pontos
Time-base: Koeman Jr.; Neville Ogidi, Offerhaus e Bakker; Noslin, Rossen, Owusu (Hatenboer) e Hardeveld; Van de Kamp (Tejan), Hetli (Van Duijn) e Brouwer
Técnico: Anthony Correia
Maiores vitórias: Fortuna Sittard 1x4 Telstar (26ª rodada) e Telstar 4x1 Sparta Rotterdam (31ª rodada) 
Maior derrota: Zwolle 4x1 Telstar (21ª rodada) e Utrecht 4x1 Telstar (30ª rodada)
Principais jogadores: Ronald Koeman Jr. (goleiro) e Jochem Ritmeester van de Kamp (meio-campista/atacante)
Artilheiros: Patrick Brouwer (atacante) e Jochem Ritmeester van de Kamp (atacante), ambos com 7 gols 
Quem deu mais passes para gol: Jeff Hardeveld (defensor/meio-campista), com 7 passes
Quem mais partidas jogou: Tyrese Noslin (defensor/atacante) e Jeff Hardeveld (defensor/meio-campista), que jogaram todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado pelo AZ, na semifinal
Competições continentais: nenhuma

Qualquer dúvida de que o Telstar seria um time que se esforçaria demais para ficar na primeira divisão, à qual voltara após 47 anos, se acabou logo na quarta rodada, quando os "Leões Brancos" conseguiram, talvez, a maior surpresa da temporada, vencendo o PSV (2 a 0) em pleno Philips Stadion. Nem mesmo uma má sequência de empates tirou o ânimo do Telstar - que, além do esforço, se baseava no (raro) talento de nomes como o meio-campo Jochem Ritmeester van de Kamp e o ala esquerdo Jeff Hardeveld. Terminando o turno na primeira posição fora da zona de repescagem/rebaixamento, com vitória sobre rival direto contra ela - 1 a 0 no NAC Breda, fora de casa -, era um tremendo ânimo, ainda mais tendo em vista que o clube andava discretamente na Copa da Holanda, avançando fase a fase. Para tentar escapar, vieram mais nomes para dar leve evolução técnica, como o meio-campo Cédric Hatenboer e o atacante Sem van Duijn. Até que ajudavam, em campo. Com um time esforçado, até mesmo as derrotas eram "vendidas caro" - que o diga a queda por 3 a 2 para o Ajax, na 18ª rodada (primeira de 2026), quando o Telstar tomava 3 a 0 mas buscou dois gols. 

Porém, ainda afundado na disputa para evitar o rebaixamento direto, contra NAC Breda e Heracles Almelo, o Telstar precisava de vitórias que comprovassem os elogios ao trabalho do técnico Anthony Correia. Elas começaram a aparecer na 25ª rodada - por sinal, contra um adversário direto (3 a 0 no NAC Breda). Na rodada seguinte, goleada: 4 a 1 no Fortuna Sittard. De quebra, uma campanha digna na Copa da Holanda: a eliminação só veio nas semifinais, para o campeão AZ. Dali por diante, o estádio BUKO virou um "aliado": se não chegava a ser um caldeirão, ali cairam o campeão PSV (3 a 1, 28ª rodada - pois é, o PSV não ganhou do Telstar na temporada) e o Sparta Rotterdam (4 a 1, 31ª rodada). Além dos nomes supracitados, crescia de produção o seguro goleiro Ronald Koeman Jr. E na reta final, coroando a arrancada que fez da equipe branca a nona melhor do returno, um empate com o NEC (1 a 1, só sofrido no fim), uma vitória por 3 a 0 sobre o rebaixado Heracles Almelo na penúltima rodada... e o clímax, no jogo direto contra o Volendam pela última rodada, em que o Telstar saiu atrás, evoluiu, empatou, e teve Koeman Jr. ousando cobrar um pênalti - nunca experimentara - para garantir a virada e a permanência na Eredivisie. Anthony Correia, de saída já anunciada para o Utrecht, podia ir em paz. A torcida celebrava com direito. Afinal, o esforço do Telstar tinha sido premiado

Análise da temporada: Excelsior

Yegoian (à esquerda) e Naujoks ajudaram o Excelsior a evitar excessivas sequências negativas, vencer adversários diretos e se garantir na primeira divisão (Hans van der Valk/BSR Agency/Getty Images)

Colocação final: 13º lugar, com 38 pontos (10 vitórias, 8 empates e 16 derrotas - atrás pelo pior saldo de gols)
No turno havia sido: 12º lugar, com 19 pontos
Time-base: Van Gassel; Bronkhorst, Widell, Meissen e Zagré (Schouten); Carlén (Hartjes), Yegoian e Naujoks; Sanches Fernandes, De Regt e Hansson (Bergraaf/Wlodarczyk)
Técnico: Ruben den Uil
Maior vitória: Excelsior 5x0 Utrecht (31ª rodada)
Maior derrota: NEC 5x0 Excelsior (1ª rodada)
Principal jogador: Noah Naujoks (meio-campista)
Artilheiro: Noah Naujoks (meio-campista), com 10 gols
Quem deu mais passes para gol: Gyan de Regt (atacante), com 7 passes
Quem mais partidas jogou: Casper Widell (zagueiro) e Gyan de Regt (atacante), que jogaram todas as 34 partidas 
Copa nacional: eliminado pelo Excelsior Maassluis (terceira divisão), na primeira fase
Competições continentais: nenhuma

Desde o começo da temporada, o Excelsior vivia as agruras a que já acostumado, na tentativa de escapar do rebaixamento. Às vezes, com momentos de baixa, como na queda precoce na Copa da Holanda, para o amador Excelsior Maassluis. Às vezes, com a alta - aqui, a vitória sobre o Ajax (2 a 1, na 13ª rodada), primeiro triunfo dos Kralingers em Amsterdã na história deles na Eredivisie, será sempre um ponto alto quando torcedores se lembrarem desta temporada 2025/26. Todavia, o time já começou o returno em 2026 tomando 5 a 1 do PSV. Mesmo numa sequência de quatro empates, a equipe de Roterdã se segurava nas posições acima da zona de repescagem/rebaixamento, apostando em alguns de seus destaques. Na defesa, o lateral esquerdo Arthur Zagré, praticamente um ala; no meio-campo, Noah Naujoks, sempre um destaque; e no ataque, Derensili Sanches Fernandes cresceu pouco a pouco na temporada.

Contudo, a sequência de cinco derrotas entre a 23ª e a 27ª rodadas jogou o Excelsior na 16ª posição, que forçaria a disputa da repescagem de acesso. Empatar com o Heracles Almelo, lanterna - 1 a 1, na 28ª rodada - e perder do NEC - 2 a 0, na rodada seguinte - mantinha a situação próximo do desesperador. Foi aí que os Kralingers reagiram. Para a sorte deles, a tabela tinha dois jogos contra adversários diretos contra a queda, Zwolle e Volendam. Porém, no meio do caminho das cinco rodadas finais, o Excelsior pegaria dois times na parte de cima da tabela, Utrecht e Excelsior. Pois os Rotterdammers passaram invictos por tudo isso. Contra o Zwolle (30ª rodada), 2 a 2; contra o Utrecht, impuseram incrível goleada por 5 a 0, em grande dia de Sanches Fernandes, aumentando o otimismo da torcida; contra o Groningen, então, vitória eletrizante por 3 a 2, com Gyan de Regt fazendo o gol decisivo nos acréscimos; e ao chegar ao Volendam, na penúltima rodada, o 1 a 1 garantiu mais uma temporada na primeira divisão. Tarefa cumprida, ela foi celebrada com uma vitória em clássico citadino na última rodada (3 a 2 no Sparta Rotterdam). E o Excelsior conseguiu manter sua inconstância - segundo pior mandante, um digno 10º lugar como visitante - sob controle. É preparar os nervos para 2026/27, provavelmente outra temporada de sufoco.

Análise da temporada: Go Ahead Eagles

O Go Ahead Eagles correu riscos de escorregar na primeira metade da temporada, mas contou com Mathis Suray (e outros) para se recuperar da ressaca e emplacar mais um ano de Eredivisie (Dennis Bresser/BSR Agency/Getty Images)


Colocação final: 12º lugar, com 38 pontos (8 vitórias, 14 empates e 12 derrotas - na frente pelo melhor saldo de gols)
No turno havia sido: 13º lugar, com 19 pontos
Time-base: De Busser; Sampsted (Van Zwam), Dirksen (Nauber), Kramer e Adelgaard (James); Meulensteen e Linthorst; Breum (Baeten), Suray e Edvardsen (Tengstedt/Margaret); Sigurdarson (Stokkers)
Técnico: Melvin Boel
Maior vitória: Go Ahead Eagles 6x0 NAC Breda (27ª rodada)
Maior derrota: Go Ahead Eagles 1x4 Twente (26ª rodada) e Go Ahead Eagles 1x4 PSV (33ª rodada)
Principal jogador: Mathis Suray (meio-campista/atacante)
Artilheiro: Mathis Suray (meio-campista/atacante), com 12 gols  
Quem deu mais passes para gol: Victor Edvardsen (meio-campista/atacante), com 7 passes
Quem mais partidas jogou: Jari de Busser (goleiro), Joris Kramer (defensor) e Melle Meulensteen (meio-campista), que jogaram todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado nas quartas de final, pelo Telstar
Competições continentais: Liga Europa (eliminado na fase de liga)

O Go Ahead Eagles já sabia que teria uma certa "ressaca" a encarar ao longo da temporada - até natural, tendo sido 2024/25 a melhor temporada da história do clube de Deventer em muito tempo, com o título da Copa da Holanda (e a consequente vaga na Liga Europa). Ainda assim, a atuação no primeiro turno inspirou certos cuidados. Nada era muito desesperador, mas era preciso se cuidar para que a queda esperada nesta temporada não fosse demasiada. No primeiro turno, até que as Águias se cuidaram, mesmo com a perda de um nome importante: o zagueiro Gerrit Nauber, gravemente machucado na perna. Além do mais, a atuação na fase de liga da Liga Europa foi inesperadamente honrosa, com a vitória em casa (2 a 1) sobre o Aston Villa como grande momento. Mas o começo do returno deixou motivos para tensão: o Go Ahead já vinha de cinco rodadas sem vencer no final de 2025, e retomou os trabalhos na Eredivisie em 2026 com mais seis jogos sem os três pontos (quatro empates, duas derrotas). Caindo para a 15ª posição, primeira acima da zona de repescagem/rebaixamento, cogitou-se seriamente a demissão do técnico Melvin Boel.

Os jogadores, só eles, conseguiram minorar os problemas dali por diante: duas vitórias diretas contra dois ameaçados pelo rebaixamento (goleada por 4 a 0 no Heracles Almelo, na 24ª rodada; na seguinte, 1 a 0 no Excelsior) começaram a dissipar o cenário turvo que ameaçava o "Kowet". Aí, os destaques apareceram: Jari de Busser voltou a trazer segurança ao gol, Julius Dirksen estabilizou a zaga que sofria sem Nauber, Melle Meulensteen - defensor de origem - rendeu bem como volante, Mathis Suray ajudou bem na criação de jogadas (e nos gols), teve a seu lado os coadjuvantes entrosados (Victor Edvardsen, Thibo Baeten, Jakob Breum)... e o Go Ahead Eagles voltou a controlar os riscos que pudesse correr na temporada. Na 27ª rodada, aplicar 6 a 0 no NAC Breda deu à torcida a impressão de que nada mais daria errado. E, de fato, não deu: mesmo com a ressaca, o time aurirrubro emplaca mais uma temporada na Eredivisie.

Análise da temporada: Fortuna Sittard

O Fortuna Sittard contou com os gols de Sierhuis para fazer outra temporada estável (Gabriel Calvino Alonso/BSR Agency/Getty Images)

Colocação final: 11º lugar, com 39 pontos (11 vitórias, 6 empates e 17 derrotas)
No turno havia sido: 11º lugar, com 21 pontos
Time-base: Branderhorst; Ivo Pinto, Adewoye, Márquez e Dahlhaus (Hubner); Brittijn e Michut (Tunjic/Van Ottele); Limnios, Duijvestijn (Ihattaren) e Peterson; Sierhuis (Gladon)
Técnico: Danny Buijs
Maior vitória: Fortuna Sittard 4x3 AZ (17ª rodada)
Maior derrota: PSV 5x2 Fortuna Sittard (11ª rodada)
Principal jogador: Kaj Sierhuis (atacante)
Artilheiros: Kaj Sierhuis (atacante), com 12 gols  
Quem deu mais passes para gol: Mohamed Ihattaren (meio-campista), com 10 passes
Quem mais partidas jogou: Dimitris Limnios (meio-campista) e Kristoffer Peterson (atacante), que jogaram todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado pelo Almere City (segunda divisão), na segunda fase
Competições continentais: nenhuma

Nem a ambição de tempos idos (vale lembrar: o turco Burak Yilmaz chegou a defender o time de Sittard), nem o sofrimento de precisar se esforçar contra o rebaixamento. O Fortuna Sittard foi um clube médio na temporada - e para a torcida, nem foi nada de se queixar tanto. No primeiro turno, nunca conseguiu mais de duas vitórias seguidas, nem duas derrotas. Tinha como destaques então Mohamed Ihattaren, reavivando sua carreira com boas atuações no meio-campo (às vezes, no ataque mesmo), com Kaj Sierhuis crescendo pouco a pouco graças a seus gols. E assim, mesmo sem brilhar - longe disso: que o dissesse a eliminação precoce na Copa da Holanda -, os Fortunezen também mantinham a torcida tranquila. Até mesmo deixavam alguma esperança de entrar na zona de repescagem por vaga na Conference, algo sempre possível para um time que fica no meio da tabela do Campeonato Holandês, bastando uma sequência de bons resultados.

Só que essa sequência também não veio no returno: o máximo que o time auriverde conseguiu foram dois triunfos seguidos (2 a 1 no Excelsior, na 24ª rodada; e, surpresa boa, 3 a 2 no NEC, na 25ª rodada). Derrotas excessivas? Por mais que a queda nas 17 rodadas tenha sido clara - o Fortuna foi o 14º colocado da segunda metade da Eredivisie -, também não foi nada de preocupar a torcida: nada mais de duas derrotas seguidas. Ihattaren e Sierhuis seguiam se destacando, Lance Duijvestijn foi uma boa contratação para o meio-campo, o técnico Danny Buijs mantinha o time do mesmo jeito - o máximo que fazia era somente colocar um terceiro zagueiro, com Syb van Ottele, que passou a estar mais entre os titulares no returno. Com isso, o Fortuna ficou consolidado (e até um pouco acomodado) na tabela: às vezes caía para o 13º lugar, às vezes ia ao 10ª posto, mas sempre estável na metade, sem sofrer risco de rebaixamento. Tinha derrotas, por vezes, tardias: na 32ª rodada, ficou à frente do Feyenoord por um bom tempo, até tomar a virada (2 a 1) nos minutos finais. E, enfim, a temporada do Fortuna Sittard não foi um passo além do seu objetivo inicial para este campeonato: o meio de tabela. Para 2026/27, porém, será necessário mais atenção e prontidão. A começar fora do campo, já que o português Américo Branco, diretor de futebol do clube nas últimas temporadas, considerado importante na estabilização do Fortuna, está de saída.

Análise da temporada: Sparta Rotterdam

O Sparta Rotterdam (com os destaques Drommel e Lauritsen, terceiro e quarto da esquerda para a direita) viveu inconstante, e até por isso, não conseguiu ir muito além. Mudanças vêm aí em Roterdã (Iris van den Broek/ANP/Getty Images)

Colocação final: 10º lugar, com 43 pontos (12 vitórias, 7 empates e 15 derrotas)
No turno havia sido: 10º lugar, com 23 pontos
Time-base: Drommel; Martes (Sambo), Young, Martins Indi e Quintero; Kitolano, Santos e Clement (Baas); Van Bergen, Lauritsen e Mito
Técnico: Maurice Steijn
Maior vitória: Feyenoord 3x4 Sparta Rotterdam (19ª rodada)
Maior derrota: PSV 6x1 Sparta Rotterdam (1ª rodada)
Principais jogadores: Joël Drommel (goleiro) e Tobias Lauritsen (atacante) 
Artilheiro: Tobias Lauritsen (atacante), com 12 gols  
Quem deu mais passes para gol: Tobias Lauritsen (atacante), com 5 passes
Quem mais partidas jogou: Joël Drommel (goleiro) e Tobias Lauritsen (atacante), que jogaram todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado pelo Volendam, nas oitavas de final
Competições continentais: nenhuma

O Sparta Rotterdam passou boa parte do campeonato sofrendo com a inconstância. Principalmente no primeiro turno: era o quinto melhor mandante e o terceiro pior visitante, por exemplo. Contudo, nada como uma boa sequência de resultados para minimizar problemas: na retomada após a pausa de inverno, foram quatro vitórias (entre a 18ª e a 21ª rodadas) que devolveram a equipe à zona de repescagem por vaga na Conference League, em que pesasse a eliminação na Copa da Holanda. Entre essas vitórias, aliás, houve um triunfo no clássico citadino sobre o Feyenoord - 4 a 3, na 19ª rodada -, algo que sempre alegrava a torcida. Contudo, a reação parou por aí: desde então, só mais uma vitória até o fim das 34 rodadas regulamentares. Além disso, as atuações em casa foram inesperadamente decepcionantes: o Sparta foi o quinto pior mandante do campeonato. Então, por quê o clube não despencou na tabela? Simplesmente porque outros clubes foram piores e perderam as chances de superá-lo.

Com isso, mesmo com resultados decepcionantes, um empate aqui, outro ali, e os Spartanen conseguiam se manter na zona de repescagem por vaga na Conference League. Bem ou mal, mantinham alguns bons jogadores - Joël Drommel, confiável como de costume no gol; o jovem cabo-verdiano Ayoni Santos tomou a posição no meio-campo e se tornou protagonista a ponto de já poder ir à Copa do Mundo que vêm aí; e Tobias Lauritsen, mesmo há muito desejando uma transferência, ficou em Roterdã, e seguiu garantindo gols para o clube de Het Kasteel. Entretanto, a campanha seguia sem embalar, a tal ponto que o técnico Maurice Steijn preferiu anunciar, por antecipação, a sua saída ao fim da temporada. Nem isso resolveu: o Sparta seguiu oscilando. E a reta final não foi nem de oscilação: foi de queda, mesmo. Derrota para o campeão PSV (2 a 0, na 30ª rodada); duas goleadas sofridas (na 31ª rodada, Telstar 4 a 1; na 33ª e penúltima, Twente 4 a 0). Com isso, mesmo chegando até a última rodada com chances de retornar à repescagem por vaga na Conference League, o Sparta terminou perdendo a vaga. Nem teve tanta segurança defensiva (quarta pior defesa), nem compensou no ataque (quarto pior ataque). De certa forma, provas de que as coisas precisam mudar em Het Kasteel para 2026/27.

Análise da temporada: Groningen

Contando com nomes como Younes Taha (foto), que ajudaram a minorar o impacto da ausência de Resink por lesão, o Groningen conseguiu fazer uma temporada tranquila (Peter Lous/EYE4IMAGES/NurPhoto/Getty Images)

Colocação final: 9º lugar, com 48 pontos (14 vitórias, 6 empates e 14 derrotas)
No turno havia sido: 5º lugar, com 27 pontos
Time-base: Vaessen; Rente, Blokzijl, Janse e Peersman; De Jonge e Land (Resink); Van der Werff, Taha e Schreuders; Van Bergen (Willumsson)
Técnico: Dick Lukkien
Maior vitória: Groningen 4x0 Heracles Almelo (4ª rodada)
Maior derrota: AZ 4x1 Groningen (1ª rodada)
Principal jogador: Younes Taha (meio-campista)
Artilheiro: Thom van Bergen (atacante), com 9 gols  
Quem deu mais passes para gol: Younes Taha (meio-campista), com 9 passes
Quem mais partidas jogou: Thijmen Blokzijl (defensor), David van der Werff (meio-campista), Jorg Schreuders (meio-campista) e Thom van Bergen (atacante), todos com 35 partidas - as 34 da temporada regular, mais uma na repescagem pela Conference League
Copa nacional: eliminado pelo Sparta Rotterdam, na primeira fase
Competições continentais: nenhuma

No fim do primeiro turno, abaixo do NEC, só o Groningen poderia ser considerado uma boa surpresa dentro do Campeonato Holandês. Afinal, o time do norte dos Países Baixos deixava para trás o trauma da passagem pela segunda divisão (2023/24), fazendo uma campanha que chegou a figurar na quinta posição, terminando bem 2025 - em que pesasse a eliminação precoce na Copa da Holanda. E trazia bons jogadores em campo, como o atacante Thom van Bergen, o goleiro Etienne Vaessen (que passara a defender o Suriname no ano passado) e o meio-campista Stije Resink, que chegou a ser cogitado como reforço para Benfica e Ajax. E ganhar fora de casa o "Dérbi do Norte" - 2 a 0 no Heerenveen, na 19ª rodada - deixava claro para a torcida que os alviverdes estavam no bom caminho. Só que esse bom caminho logo se acabaria. Foram quase dois meses com derrotas no Campeonato Holandês, dos 2 a 1 sofridos em casa para o Fortuna Sittard (20ª rodada) aos 3 a 2 tomados do Volendam nos acréscimos (25ª rodada). 

Tal sequência jogou o time do norte neerlandês para fora da zona de repescagem por vaga na Conference League. Para piorar, na supracitada derrota para o Volendam, Resink - destaque inquestionável do time na temporada até ali - rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho, ficando fora da temporada. Somente uma boa vitória sobre o Ajax - 3 a 1, 26ª rodada - recolocou os Groningers no prumo. E a partir dali, os jogadores evitaram que as coisas desandassem. Younes Taha cresceu no meio-campo, Van Bergen seguiu bem no ataque - com opção confiável no banco, o islandês Brynjólfur "Binni" Willumsson -, Tygo Land (emprestado pelo PSV) pelo menos reforçou a marcação no meio-campo, preenchendo a lacuna da saída forçada de Resink. O título do AZ, na Copa da Holanda, "ajudou", abrindo a possibilidade do 9º lugar também estar na repescagem por vaga na Conference. E o Groningen, mesmo oscilando, chegou a ela. Caiu sem oferecer muita resistência ao Ajax. Mas diante dos temores de outras temporadas, até que esta foi tranquila, sinalizando que o trauma da passagem pela Eerste Divisie já é coisa do passado.

Análise da temporada: Heerenveen

O Heerenveen voltou a ser estável na parte de cima da tabela - e Trenskow foi um dos destaques responsáveis por isso em campo (Andre Weening / BSR Agency/Getty Images)


Colocação final: 8º lugar, com 51 pontos (14 vitórias, 9 empates e 11 derrotas - atrás pelo pior saldo de gols)
No turno havia sido: 9º lugar, com 23 pontos
Time-base: Klaverboer; Braude, Kersten, Willemsen (Petrov) e Zagaritis; Linday e Van Overeem; Trenskow, Meerveld (Brouwers) e Rivera; Vente (Nordås)
Técnico: Robin Veldman
Maior vitória: Heerenveen 4x1 Heracles Almelo (29ª rodada)
Maior derrota: Twente 5x0 Heerenveen (22ª rodada)
Principais jogadores: Jacob Trenskow (meio-campista/atacante) e Ringo Meerveld (meio-campo)
Artilheiro: Jacob Trenskow (meio-campista/atacante), com 12 gols  
Quem deu mais passes para gol: Joris van Overeem (meio-campista), com 9 passes
Quem mais partidas jogou: Vasilis Zagaritis (defensor), com 35 partidas - as 34 da temporada regular, mais uma da repescagem pela Conference League
Copa nacional: eliminado pelo PSV, nas quartas de final
Competições continentais: nenhuma

O começo do Heerenveen foi péssimo, vale lembrar: vitória no Campeonato Holandês, só na sexta rodada. Ainda assim, já no primeiro turno também ficou a impressão de que o time da Frísia começava a encontrar a sua escalação preferencial. Mais do que isso: começava a encontrar os destaques que o ajudariam a melhorar. No meio-campo, o experiente Joris van Overeem, agora como um volante que sabia iniciar bem as jogadas. Mais à frente, Ringo Meerveld, seguramente um dos melhores armadores da Eredivisie, tendo ao lado direito Jacob Trenskow, constante ameaça aos adversários, ponta bom nas finalizações. Já foi o suficiente para se estabilizar no turno. Às vezes subindo ao oitavo lugar, às vezes caindo ao décimo lugar, mas sempre rondando a zona de repescagem por um lugar na Conference League. Era, até, a mesma coisa das temporadas recentes, algo que confirma o trabalho regular do técnico Robin Veldman no Fean. E isso só melhoraria no returno.

Porque o jovem Bernt Klaverboer, feito titular no gol após má fase de Andries Noppert (titular da Holanda/Países Baixos na Copa de 2022, sempre vale lembrar), evoluiu na segunda metade da temporada, a ponto de ser considerado o melhor da posição no campeonato. Porque até posições que estavam ainda sem titulares claros ficaram firmes: por exemplo, na ponta-esquerda, o francês Maxence Rivera foi outro a crescer de produção no returno. Porque algumas contratações se saíram bem, como o norueguês Lasse Nordås, com razoável marca - seis gols em 15 jogos. Tudo isso rendeu, em campo, um time que sabia sair de situações adversas (como na 29ª rodada, quando o Heerenveen saiu atrás do Heracles Almelo, mas conseguiu não só virar, como também golear - 4 a 1). E que fez por merecer chegar aos play-offs por vaga na Conference League. Neles, até pressionou vez por outra o Utrecht, até sucumbir pela maior ofensividade dos Utregs. Ainda assim, o Fean se acostuma a ficar onde prefere e pode na tabela: a metade de cima. Já é alguma coisa, após alguns anos de dificuldades.

Análise da temporada: Utrecht

O Utrecht oscilou perigosamente no meio da temporada, mas guiado pela velocidade de Zechiël, reagiu e quase conseguiu vaga na Conference (Gabriel Calvino Alonso/BSR Agency/Getty Images)

Colocação final: 6º lugar, com 53 pontos (15 vitórias, 8 empates e 11 derrotas)
No turno havia sido: 8º lugar, com 23 pontos
Time-base: Barkas; Horemans (Vesterlund), Didden (Viergever), Van der Hoorn e El Karouani; Engwanda, De Wit e Zechiël; Karlsson (Alarcón/Blake), Stepanov (Min/Haller) e Cathline
Técnico: Ron Jans
Maior vitória: Utrecht 4x0 Heracles Almelo (1ª rodada)
Maior derrota: Excelsior 5x0 Utrecht (31ª rodada)
Principais jogadores: Gjivai Zechiël (meio-campista) e Artem Stepanov (atacante) 
Artilheiro: Gjivai Zechiël (meio-campista), com 8 gols  
Quem deu mais passes para gol: Souffian El Karouani (defensor), com 11 passes
Quem mais partidas jogou: Gjivai Zechiël (meio-campista), com 36 partidas - as 34 da temporada regular, mais as duas da repescagem pela Conference League
Copa nacional: eliminado pelo Twente, nas oitavas de final
Competições continentais: Liga Europa (eliminado na fase de liga)

Mesmo na primeira metade da temporada, o Utrecht já causava motivos para a preocupação de sua torcida. Tivera bons momentos, é verdade, só que já no começo (quatro partidas sem vencer, entre a 5ª e a 8ª rodadas) oscilara. Na Liga Europa, a boa atuação das fases preliminares fora prejudicada pela péssima campanha na fase de liga. Na reta final do primeiro turno, três empates e uma derrota entre a 13ª e a 17ª rodadas. Logo após a pausa de inverno, o técnico Ron Jans anunciou: não só deixaria os Utregs ao fim da temporada, como o clube seria o último trabalho de sua carreira de 35 anos como treinador. E o Utrecht despencou de vez, na fase do meio do Campeonato Holandês: a má sequência do fim de 2025 foi piorada com mais três derrotas e um empate, sem contar a eliminação na Copa da Holanda. Chegando a cair para 9ª/10ª posições, com contratações decepcionantes - como o ídolo Sébastien Haller, que foi para a reserva -, o time estava ameaçado até de ficar fora da repescagem por um lugar holandês na Conference League. Para uma equipe que, enfim, chegara onde queria, com o quarto lugar da temporada passada, seria uma decepção.

Foi aí que houve a ação. Na vinda de nomes emprestados que chegaram para serem titulares, e que de fato colaboraram em campo, como o ponta-esquerda espanhol Ángel Alarcón e o atacante ucraniano Artem Stepanov, rapidamente apelidado "Haaland" (não só pela semelhança fisionômica com o atacante norueguês, mas pelo bom desempenho no ataque). No crescimento de produção do meio-campo Gjivai Zechiël, emprestado pelo Feyenoord, verdadeiro "motor" do time, muito veloz, ajudando no ataque. Na afirmação de outro meio-campo, Dani de Wit, enfim livre de lesões. Com tudo isso, o Utrecht enfim deixou a má fase para trás, a partir da vitória sobre o NEC (3 a 1, jogo atrasado da 18ª rodada). Perdendo apenas três vezes, melhorou a ponto de ser o quarto melhor time do returno da Eredivisie, empatado em pontos com o NEC, bem mais badalado. Conseguiu garantir lugar nos play-offs pelo lugar na Conference. E mesmo derrotado, nos pênaltis, conseguiu terminar a temporada com uma melhor impressão. O técnico Anthony Correia, vindo do Telstar para suceder Ron Jans, terá um ambiente mais pacificado para começar o trabalho. Já é algo.