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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Top 10: holandeses na Bundesliga

A passagem de Robben pela Alemanha ainda não acabou. Mas já está definitivamente marcada (EPA)
É inegável: embora dificilmente alguns holandeses confessem isso (afinal, a rivalidade entre os dois países sai das quatro linhas), a Holanda gostaria de ter tudo o que a Alemanha tem no futebol. Com relação à seleção, a Laranja é vista como aquela para a qual sempre falta algo, enquanto a "Mannschaft" tem respeito inquestionável mundo afora e uma estante abarrotada de troféus. Com relação aos clubes, embora a condução das diretorias seja parecida, o nível técnico do Campeonato Alemão é mais respeitado do que o do Holandês. O que não quer dizer que a presença holandesa na Bundesliga seja diminuta. Na verdade, ela até tem aumentado ao longo dos 54 anos em que a liga profissional alemã está constituída. E se eram poucos (e desconhecidos) os jogadores batavos no futebol germânico, cada vez mais estrelas holandesas veem opção no país vizinho. Hoje, há vários representantes: de Jetro Willems (Eintracht Frankfurt) a Riechedly Bazoer (Wolfsburg), passando por Jeffrey Bruma (colega de Bazoer nos Lobos) e Karim Rekik (Hertha Berlim).

O que faz com que já seja possível uma lista com os dez futebolistas holandeses que melhor atuaram na Alemanha. Lista mais surpreendente do que parece, já que não estão entre os dez figuras de carreira marcante - um bom exemplo é Ruud van Nistelrooy, de passagem apagada pelo Hamburgo. Sem contar aqueles que prometiam muito e renderam pouco (inevitável lembrar de Eljero Elia). Ou quem era discreto demais para se destacar, embora tenha tido regularidade (casos de Joris Mathijsen e Nigel de Jong, que pouco apareciam no Hamburgo, mas foram bem nos hanseáticos). Como sempre, foram selecionados dez jogadores que mereciam menção - como Heinz van Haaren, de passagem marcante pelo Schalke 04 entre 1968 e 1972, que o tornou o segundo jogador holandês com mais partidas pela Bundesliga. Mas só os dez da lista terão suas passagens descritas. Confira.

20º - Rob Reekers; 19º - Kees Bregman; 18º - Ruud van Nistelrooy; 17º - Nico-Jan Hoogma; 16º - Nigel de Jong; 15º - Paul Verhaegh; 14º -  Joris Mathijsen; 13º - Dick van Burik; 12º - Erik Meijer; 11º - Heinz van Haaren

Wouters fez papel decente no Bayern de Munique - mas já era tarde para ficar mais tempo na Alemanha (sport.de)
10º - Jan Wouters

Posição: meio-campista
Clube em que atuou: Bayern de Munique (1992 a 1994)
Títulos conquistados: 1 Campeonato Alemão (1993/94)
Prêmios individuais: nenhum

Como volante, Wouters era nome certo na seleção holandesa, entre 1982 e 1994. Sua força na marcação o tornou personagem fundamental para que a Laranja pudesse ser ofensiva, como provam sua titularidade absoluta na campanha vitoriosa da Euro 1988 e na Copa de 1990. Ela também tornou o jogador querido no Utrecht, onde surgiu em 1980, e no Ajax, em que criou fama (a ponto de ser eleito o Jogador Holandês do Ano em 1990). Com tanta raça e dedicação, o volante nascido em 1960 conseguiu boa oportunidade: foi contratado pelo Bayern de Munique, na metade da temporada 1991/92. Porém, já chegando aos 32 anos à Bavária, Wouters não brilhou tanto quanto outros colegas de time (para citar um exemplo, Lothar Matthäus, que também veio para o time de Munique em 1992).

O volante foi titular absoluto somente na temporada 1992/93, com 33 jogos e quatro gols. De resto, embora jogasse constantemente, teve temporadas entrecortadas: fez 17 dos 38 jogos do Bayern em 1991/92, quando chegou, e 18 das 34 partidas em 1993/94, sua última temporada nos Roten, que venceriam a Bundesliga. Aliás, Wouters sequer completou a temporada na Alemanha: já em janeiro de 1994, o atual auxiliar técnico de Giovanni van Bronckhorst no Feyenoord voltou à Holanda, indo para o PSV, onde encerrou a carreira em 1996. Deixando a impressão de que, se tivesse ido mais cedo para a Alemanha, poderia ter feito mais sucesso.

De Kock recebeu aposta do Schalke 04 na fase final da carreira. Deu muito certo (Bongarts/Getty Images) 
9º - Johan de Kock

Posição: zagueiro
Clube em que atuou: Schalke 04 (1996 a 2000)
Títulos conquistados: 1 Copa da UEFA (1996/97)
Prêmios individuais: nenhum

Periodicamente, sempre se veem casos de jogadores de qualidade técnica mediana, que não impressionam nem positiva nem negativamente, mas que alcançam os melhores momentos de suas carreiras justamente na fase final delas. Foi precisamente o que aconteceu com Johan de Kock. Nascido em 1964, o zagueiro fez a maior parte de sua carreira em times médios/pequenos da Holanda: começou no Groningen em 1984, foi para o Utrecht três anos depois, e se transferiu para o Roda JC em 1994. Parecia o fim, com De Kock já contando 30 anos? Pois foi o começo.

Já em 1993, ele começara uma passagem pela seleção holandesa, sob Dick Advocaat. Ficou ausente da Copa de 1994, mas seguiu regularmente convocado sob o comando de Guus Hiddink. Em 1996, o zagueiro conseguiu um lugar entre os 22 convocados para a Euro. De lá, foi diretamente para o Schalke 04, treinado por outro holandês, Huub Stevens. Nos Azuis Reais, De Kock viveu o grande momento da carreira: foi titular absoluto nas campanhas pela Bundesliga e, principalmente, no título da Copa da UEFA, na temporada 1996/97. Em Gelsenkirchen mesmo o zagueiro terminou a carreira, em 2000. Até hoje, De Kock é querido no Schalke. E também tem motivos para lembrar com carinho de sua passagem pela Alemanha.

O Hannover 96 tornou-se um time estável na Bundesliga, e Bruggink ajudou bastante nisso (DPA)
8º - Arnold Bruggink

Posição: meio-campo/atacante
Clube em que atuou: Hannover 96 (2006 a 2010)
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

Após idas e vindas, somente na década passada o Hannover 96 conseguiu alguma regularidade na divisão de elite alemã, após ser promovido em 2001/02. E é possível citar que Arnold Bruggink teve muita utilidade no processo que levou os Vermelhos a virarem um time relativamente estável na Bundesliga. Vindo do Heerenveen em 2006, o meio-campista era constantemente escalado como um ponta-de-lança: não só armando as jogadas, mas também chegando para finalizar. Assim, Bruggink virou figura certa e confiável para a torcida no Hannover 96. Nos quatro anos passados na HDI Arena, foram 111 jogos e 20 gols, além de ser reconhecido pela experiência na equipe.

Já às vésperas de completar 33 anos, o nativo de Almelo voltou à Holanda, para terminar sua carreira no Twente, mas saiu da Alemanha conhecido como um jogador regular (e querido no clube - Bruggink teve demonstrações muito emotivas no traumático suicídio de Robert Enke, com quem passou três anos jogando ali). Tal fama rendeu a ele credibilidade para também participar de mesas-redondas na tevê alemã, além do trabalho principal como comentarista na FOX Sports holandesa. Nada mal para quem tivera uma primeira experiência opaca no Mallorca, antes.

Violento, aplicado, irritante, vencedor: Van Bommel foi tudo isso no Bayern (Pierre-Philippe Marcou/AFP/Getty Images)
7º - Mark van Bommel

Posição: meio-campista
Clube em que atuou: Bayern de Munique (2006 a 2011)
Títulos conquistados: 2 Campeonatos Alemães (2007/08 e 2009/10), 2 Copas da Alemanha (2007/08 e 2009/10), 1 Copa da Liga Alemã (2007) e 1 Supercopa da Alemanha (2010)
Prêmios individuais: nenhum

Embora Mark van Bommel já tivesse algum reconhecimento, é possível dizer que a carreira do meio-campista se divide entre antes e depois de sua passagem pelo Bayern de Munique. Até chegar ao Rekordmeister, em 2006, Van Bommel era considerado um volante até técnico, que dava qualidade na saída de bola - além do esforço nos desarmes. Assim já fora titular na excelente fase do PSV em 2004/05 (campeão holandês, semifinalista na Liga dos Campeões), e no Barcelona campeão europeu na temporada seguinte. No Bayern, com o peso dos anos já se revelando, Van Bommel começou a virar um volante predominantemente marcador, cada vez menos ofensivo. O que teve seu lado bom: o nativo de Maasbracht mostrava dedicação invejável ao desarmar os adversários, e seu profissionalismo o tornou não só querido da torcida bávara, mas também capitão do time.

Mas Van Bommel, cada vez mais, mostrou também um lado ruim: às vezes, o que era aplicação na marcação virava violência. Sem contar a capacidade que tinha para irritar juízes e adversários, com as reclamações e os persistentes cartões. Uma mostra disso, curiosamente, veio ao comemorar um gol: uma "banana" mandada para as arquibancadas do Santiago Bernabéu, ao fazer um gol útil para o Bayern contra o Real Madrid, no jogo de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões 2006/07 (teve até de pedir desculpas públicas depois). Enfim, embora "pentelho", Van Bommel viveu no Bayern os momentos mais gloriosos da carreira. Até porque foi pelo que fazia no clube que virou titular absoluto na Laranja vice-campeã mundial em 2010.

Na sua primeira passagem pelo Hamburgo, Van der Vaart chamou a responsabilidade. Na segunda, viveu a melancolia da decadência (Martin Rose/Bongarts/Getty Images)
6º - Rafael van der Vaart

Posição: meio-campista
Clube em que atuou: Hamburgo (2005 a 2008 e 2012 a 2015)
Títulos conquistados: 2 Copas Intertoto (2005 e 2007)
Prêmios individuais: nenhum

No começo da década passada - circa 2001 -, era possível cravar: Rafael van der Vaart era a maior esperança holandesa. Da geração que se tornaria vice-campeã mundial em 2010, foi o primeiro a ter oportunidades na Laranja. Mesmo com as aparições posteriores de Arjen Robben, Wesley Sneijder e Robin van Persie, o meio-campista seguia como a grande aposta. Tomou conta do seu setor, no Ajax. Atraía a atenção de muitos clubes grandes pela Europa. Mas foi o Hamburgo que o contratou, em junho de 2005. Tal transferência até decepcionou: em sua coluna no De Telegraaf, Johan Cruyff falou que "não sabia o que Van der Vaart estava fazendo em Hamburgo". Fosse como fosse, o fato é que "Raf" chegou fulgurante: em 2005/06, marcou gols em seus primeiros quatro jogos pelos Rothosen, foi o personagem principal na campanha que levou o time à terceira posição no Campeonato Alemão, teve grande importância ao levar o time à Liga dos Campeões.

Já capitão no time hanseático, Van der Vaart seguiu como grande destaque ali, embora sua participação na Copa de 2006 tenha sido discreta - e as atuações em 2006/07 tenham sido perturbadas por várias lesões. O interesse de clubes gigantes seguia, pelo bom nível técnico que o meia exibia. Até que, em 2008, por 13 milhões de euros, ele teve sua chance de ouro no Real Madrid. E a perdeu: no meio de um tempo caótico dos Merengues, VdV decepcionou nas oportunidades que teve. Desde então, em que pese uma boa fase no Tottenham, o meio-campista ficou longe do que um dia prometeu ser. Talvez em busca disso tenha voltado aonde foi tão feliz: a Hamburgo, onde chegou de novo em 2012. Mas o tempo havia passado, o HSV vivia as dificuldades que vive hoje... e Van der Vaart deixou o clube em 2015, sem ser notado. Grande diferença em relação a 2005.

Mesmo holandês, Youri Mulder virou uma bandeira do Schalke 04 (sportnieuws.nl)
5º - Youri Mulder

Posição: atacante
Clube em que atuou: Schalke 04 (1993 a 2002)
Títulos conquistados: 1 Copa da UEFA (1996/97) e 1 Copa da Alemanha (2000/01)
Prêmios individuais: nenhum

Se há um clube da Alemanha no qual holandeses têm um histórico receptivo, provavelmente é o Schalke 04. E se Heinz van Haaren ajudou nisso com os quatro anos passados lá nos anos 1960 e 1970, provavelmente Youri Mulder foi o maior responsável pelo fortalecimento do elo entre os Azuis Reais e os nativos do país da Casa de Orange. Chegando em 1993 a Gelsenkirchen, após passar três anos no Twente, o filho do ex-atacante Jan Mulder teve um ótimo começo de história no Schalke: tornou-se titular absoluto no ataque, o que o fez merecer constantes convocações para a seleção holandesa. Tudo isso foi coroado em 1995/96. Pelo clube, foram 33 jogos e 10 gols na Bundesliga. Pela Laranja, a inclusão no grupo de jogadores para a Euro 1996.

Se houvesse qualquer dúvida da importância de Mulder para o Schalke 04, ela se dissipou em 1996/97, temporada na qual o avante também foi fundamental na conquista da Copa da UEFA: mesmo sem ter atuado na final, fez três gols durante a campanha - um dos quais, na semifinal contra o Valencia-ESP. Dali por diante, porém, a frequência de Youri foi diminuindo: nos últimos quatro anos dele no Schalke, foram mais lesões do que gols (apenas sete). E em 2002, após nove anos de clube, Mulder encerrou a carreira. Mas fora de campo, a relação com o clube alemão segue até hoje. Por duas vezes ele treinou a equipe interinamente, ao lado do colega Mike Büskens, além de ter sido auxiliar técnico na temporada 2008/09. E as portas seguem abertas para Youri Mulder no Schalke 04. Até porque ele as abriu para os holandeses em Gelsenkirchen.

Huntelaar tinha no Schalke 04 a chance de recuperar algum respeito na carreira. Conseguiu (Pro Shots)
4º - Klaas-Jan Huntelaar

Posição: atacante
Clube em que atuou: Schalke 04 (2010 a 2017)
Títulos conquistados: 1 Copa da Alemanha (2010/11) e 1 Supercopa da Alemanha (2011)
Prêmios individuais: Goleador da Bundesliga (2011/12), com 29 gols

Quando chegou ao Schalke 04, em agosto de 2010, Klaas-Jan Huntelaar era um jogador, no mínimo, altamente questionado. O prodígio goleador que era nos tempos de Heerenveen e Ajax havia virado motivo de piada, com os seis meses decepcionantes passados no Real Madrid e o ano ainda mais discreto no Milan. Tais fracassos haviam popularizado, no Brasil, o apelido de "Ruintelaar". Para piorar, a atuação na Copa de 2010 também passou quase em branco: embora fosse um reserva constante, marcara apenas um gol. Era gigante o desafio do nativo de Drempt: provar, no Schalke, que tinha talento - embora talvez menor do que parecia quando ele surgiu. Não demorou muito para Huntelaar recuperar a autoestima e provar isso.

Na Bundesliga, enfim o atacante encontrou um campeonato de nível técnico mais acessível. E retribuiu a confiança do clube e o carinho da torcida com o que sabia fazer: gols. Assim já destacou-se na conquista da Copa da Alemanha, em 2010/11. E também assim viveu seu melhor momento na carreira, sendo o artilheiro da Bundesliga na temporada seguinte, com 29 gols - desempenho tão bom que fez muita gente criticar a escolha do técnico Bert van Marwijk por Robin van Persie no time holandês que fracassou na Euro 2012. E ao longo dos anos, se nunca conseguiu destronar Van Persie no ataque da seleção, Huntelaar foi sempre a grande aposta de gols no Schalke 04. O tempo passou, e em junho passado, após sete anos, ele preferiu voltar ao Ajax em que despontou. Mas desta vez, "Hunter" saiu com a ótima sensação de deixar saudades no Schalke 04. Já é algo.


Lippens jogou num período em que a Bundesliga passava em branco? Pois foi goleador do mesmo jeito (Imago)
3º - Willi Lippens

Posição: atacante
Clube em que atuou: Rot-Weiss Essen (1966 a 1976 e 1979 a 1981) e Borussia Dortmund (1976 a 1979)
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

"Quem é esse?", muita gente há de perguntar. Pois se trata do holandês que mais gols havia marcado no Campeonato Alemão. Aliás, um holandês que conhecia muito o país, por ter nascido nele - afinal, Lippens veio ao mundo na própria Alemanha (em Hau, cidade fronteiriça, no dia 10 de novembro de 1945), e se naturalizou holandês. Ainda assim, jogou na Alemanha em quase toda a carreira - principalmente no Rot-Weiss Essen. Lá começou a atuar, em 1966 - e lá participou da ascensão do clube, promovido pela primeira vez à Bundesliga em 1966/67.

Titular e popular entre os torcedores pelo espírito galhofeiro e pelo andar desengonçado (foi apelidado "Ente" - em alemão, "Pato"), Lippens mereceu até uma chance na seleção holandesa. E marcou gol, nos 6 a 0 sobre Luxemburgo, pelas eliminatórias da Euro 1972. Porém, foi a única partida do naturalizado, que enfrentou oposição de certos colegas (alguns até o chamavam de "meio nazista"). Restou continuar fazendo gols no Rot-Weiss Essen, além da passagem pelo Borussia Dortmund. Gols que tornaram Willi Lippens o segundo holandês a mais vezes colocar a esférica no filó adversário: foram 92 gols de um holandês pouco conhecido fora da Alemanha. Mas lá, foi ídolo.

O gol mais rápido da história da Liga dos Campeões foi uma prova da qualidade que Makaay deu ao ataque do Bayern (bayernforum.com)
2º - Roy Makaay

Posição: atacante
Clube em que atuou: Bayern de Munique (2003 a 2007)
Títulos conquistados: 2 Campeonatos Alemães (2004/05 e 2005/06), 2 Supercopas da Alemanhas (2004/05 e 2005/06) e 1 Copa da Liga Alemã (2004)
Prêmios individuais: nenhum

Roy Makaay apareceu menos do que merecia durante sua carreira. De todo modo, quando fala aos atacantes que treina nas categorias de base do Feyenoord, Rudolphus Antonius Makaay pode lembrar um fato que mostra como sabia colocar a esférica no filó adversário. Pouco acima, foi citado o jogo de ida das oitavas na Liga dos Campeões 2006/07, quando Van Bommel marcou um gol de honra no 3 a 2 contra o Real Madrid e se exaltou na comemoração. Pois na volta, Makaay foi o responsável pelo gol mais rápido da história da Champions League: na Allianz Arena, em dez segundos, aproveitou falha de Roberto Carlos e passe de Hasan Salihamidzic para fazer 1 a 0 e encaminhar a classificação do Bayern, com o 2 a 1.

Tal gol foi uma das várias mostras de como o Bayern acertou ao tirar Makaay de uma passagem já elogiável pelo Deportivo, pagando 18 milhões de euros em novembro de 2003. E o atacante foi titular durante toda a sua passagem pelos bávaros, recheando-a de momentos marcantes - como marcar o 3000º gol da história do Campeonato Alemão, em 21 de agosto de 2006. Ou quando fez seu 100º gol pelo clube, contra o Schalke 04, em 31 de março de 2007, pela 27ª rodada da Bundesliga 2006/07 - ficaria em 102 gols, nas 178 partidas pelos Roten. Com tal desempenho, Roy nem precisou ter sido goleador de qualquer torneio para marcar época na Alemanha. Se teve menos oportunidades do que merecia na seleção holandesa, tão grande (em quantidade e qualidade) era a concorrência, Makaay mereceu o apelido ganho na Alemanha: "Das Phantom", o fantasma que atormentava as defesas.

A final da Liga dos Campeões 2012/13 foi o ponto de virada para Robben virar o símbolo de um Bayern vencedor (Alex Livesey/Getty Images)
1º - Arjen Robben

Posição: atacante
Clube em que atuou: Bayern de Munique (desde 2009)
Títulos conquistados: 1 Mundial de Clubes (2013), 1 Liga dos Campeões da Europa (2012/13), 1 Supercopa da Europa (2013), 6 Campeonatos Alemães (2009/10, 2012/13, 2013/14, 2014/15, 2015/16 e 2016/17), 4 Copas da Alemanha (2009/10, 2012/13, 2013/14 e 2015/16) e 1 Supercopa da Alemanha (2012)
Prêmios individuais: Jogador do ano na Alemanha (2010)

Desde que despontou em clubes (no PSV) e na seleção holandesa (com as ótimas atuações que teve na Euro 2004, com apenas 20 anos), sabia-se: Arjen Robben era um craque... quando tinha espaço e tempo para tanto. Até 2009, não havia achado nem um, nem outro. Tanto no Chelsea quanto no Real Madrid, Robben ficou devendo - e um motivo considerável para a falta de sequências satisfatórias em Stamford Bridge e Santiago Bernabéu era a inacreditável frequência de lesões sofridas. Fosse como fosse, a técnica estava lá, naquela perna esquerda. E o Bayern de Munique decidiu apostar em Robben, contratando-o em 2009, nos últimos dias da janela de transferência, tirando-o de um Real Madrid que já se cansara dele. Já na primeira temporada, 2009/10, Robben deixou claras duas coisas.

A primeira: felizmente, o time bávaro acertara na mosca. O nativo de Bedum foi o protagonista nas conquistas da copa e campeonato alemães - e também na campanha do vice-campeonato na Liga dos Campeões (como esquecer aquele voleio de fora da área, em Old Trafford, marcando o gol que o time precisava para superar o Manchester United nos tentos fora de casa e avançar às semifinais?). Todavia, a segunda coisa clara era prejudicial: as lesões continuariam até sabe-se lá quando - um problema muscular tratado paliativamente permitiu que Robben disputasse - muito bem - a Copa de 2010, mas o tirou do Bayern pelo segundo semestre inteiro de 2010. Pior ainda: justamente no momento em que o Rekordmeister mais esperava brilhar (a final da Liga dos Campeões 2011/12, em plena Allianz Arena), Robben negou fogo. Perdeu um pênalti fundamental na prorrogação, sequer cobrou na disputa de chutes da marca penal, viu o Chelsea fazer a festa do título. Com outra decepção na Euro 2012, parecia a prova de que a decadência estava próxima. Pior: a prova de que era "amarelão".  Mas o mundo deu suas voltas, o Bayern ganhou mais algumas Bundesligas... e chegou outra final de Liga dos Campeões, em 2012/13. E ali, em Wembley, no dia 25 de maio de 2013, veio a grande virada da carreira de Robben.

Num "clássico alemão" equilibradíssimo contra o Borussia Dortmund, o camisa 10 dos Roten já perdera muitos gols. Certo, até participara da jogada em que Mario Mandzukic abrira o placar, mas era pouco para o protagonismo que sempre se esperou dele. Até os 44 minutos do segundo tempo, quando num leve toque à esquerda do goleiro Roman Weidenfeller, Robben começou a se livrar dos azares e das desconfianças. Marcava ali o gol do quinto título europeu do Bayern, mostrando que não era "amarelão". Ali começava o apogeu do homem da canhota, seguido de uma Copa do Mundo irretocável em 2014. Certo, a queda já começou, com uma lesão aqui e outra ali. Mas se na seleção holandesa Robben já não pôde mudar o destino, ninguém questiona como ele ainda é importante para o Bayern, mesmo às portas dos 34 anos que fará em 23 de janeiro. E se houver questionamentos, basta lembrar que ele, agora, é o holandês com mais gols pela Bundesliga (93). Mais do que isso: ninguém questiona que, quando for preciso lembrar desta década em que o Bayern de Munique voltou a ser time de ponta no futebol mundial, Robben será um dos grandes símbolos dessa fase.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Top 10: holandeses na Serie A

Quando éramos reis: o domínio do trio Gullit-Van Basten-Rijkaard no Milan simbolizou grande momento do futebol holandês (AP)
Em fevereiro deste 2017, o autor deste Espreme a Laranja teve a honra de colaborar para uma verdadeira referência: o então Quattro Tratti, hoje Calciopédia, site em português sobre futebol italiano. E se o tema do texto laranja foi uma descrição da decepcionante passagem de Edwin van der Sar pela Juventus, entre 1999 e 2001, hoje o tema é azul - ou melhor, "azzurro": o blog reproduz na íntegra um texto de Caio Dellagiustina para o Calciopédia, publicado em setembro de 2014, com a relação dos dez holandeses de maior destaque na história do Campeonato Italiano. É o início de uma série sobre holandeses em outros campeonatos conhecidos da Europa. Confira - e aproveite para entrar no sempre recomendável Calciopédia!

Por Caio Dellagiustina

Laranja e azul são cores complementares, dizem os artistas e designers mundo afora. Ao todo 43 jogadores holandeses jogaram na Itália – hoje, sete holandeses atuam na Serie A, com destaque para Kevin Strootman, Nigel de Jong, Stefan de Vrij e Urby Emanuelson. Antes deles, porém, alguns marcaram época e viraram até referência de uma época. Foi o que aconteceu com Marco van Basten, Frank Rijkaard e Ruus Gullit, que formaram o “Milan dos holandeses”, no final dos anos 1980 e início dos anos 1990.Os holandeses começaram a marcar presença na Itália a partir do fim da década de 1940. O primeiro deles, Faas Wilkes, fez sucesso (e consta na nossa listagem) e abriu as portas para outros. No entanto, seus compatriotas começaram a ser vistos com frequência em campos da Bota a partir da década de 1980, logo após o final da “Geração Total” e com o sucesso dos jogadores campeões europeus de 1988.

Grandes jogadores, alguns até os maiores da história da seleção laranja, já desfilaram seu talento por palcos italianos. De Van Basten a Seedorf, de Wilkes a Sneijder, muitos foram os talentos. Se azul e laranja se complementam, no entanto, no que diz respeito ao futebol, o laranja da Holanda nem sempre se deu bem com o azul da Itália. Muitos dos jogadores laranjas chegaram com muitas expectativas, mas não renderam o que deles se esperava e fracassaram. Casos como os de Michael Reiziger e Patrick Kluivert, que não deram certo no Milan, simbolizam o fato de que mesmo bons jogadores da Oranje não conseguiram se firmar na Serie A e tiveram vida curta na Itália – isso sem falar em outros fracassos, como Andy van der Meyde, Klaas-Jan Huntelaar e Maarten Stekelenburg. Até mesmo Johan Cruyff, o maior jogador holandês da história, fracassou no Belpaese. No final da carreira, foi avaliado em um jogo-teste com o Milan, teve atuação horrorosa, foi vaiado pela torcida e nem foi contratado.

Os fracassos tinham diversas razões. Boa parte deles, por uma característica negativa de muitos jogadores holandeses: a de se lesionarem muitas vezes. Foi o que aconteceu com Marciano Vink, fera do Elifoot 98. O atacante de origem surinamesa atuou apenas 13 vezes no Genoa, por exemplo.Outros, por sua vez, não fracassaram, mas tiveram passagem discreta, como Edwin van der Sar, Wim Jonk e Mark van Bommel. Até mesmo aqueles que aparecem nesse Top 10 tiveram momentos bem ruins ou pouco brilhantes na Itália. São os casos de Edgar Davids, em suas passagens por Milan e Inter, ou Dennis Bergkamp, que criou expectativas em sua chegada à Inter, mas foi tornar-se ídolo no Arsenal. Para montar as listas, o Calciopédia levou em consideração a importância de determinado jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe, desempenho por seleções nacionais e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Além do “top 10”, com detalhes sobre os jogadores, suas conquistas e motivos que os credenciam a figurar em nossa listagem, damos espaço para mais alguns jogadores de destaque. Quem não atingiu o índice necessário para entrar no top 10 é mostrado no ranking a seguir.

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período na Itália. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores no período em questão.

Top 20 Holandeses na Itália
11º - Jaap Stam; 12º - Bryan Roy; 13º - Nigel de Jong; 14º - Edwin van der Sar; 15º - Kevin Strootman, 16º - Wim Jonk; 17º - Mark van Bommel; 18º - Patrick Kluivert; 19º - John van ‘t Schip; 20º - Wim Kieft.

Bergkamp até ganhou Copa da UEFA pela Inter, mas não deixou em Milão tantas saudades quanto no Arsenal (Bob Thomas/Getty Images)

10º – Dennis Bergkamp

Posição: atacante
Clube em que atuou: Internazionale (1993 a 1995)
Títulos conquistados: 1 Copa da UEFA (1993/94)
Prêmios individuais: Bola de Bronze na disputa de melhor
jogador do ano (1993) e artilheiro da Copa da Uefa (1993/94)

Após ser destaque no Ajax, Bergkamp teve propostas de vários times da Europa, como Real Madrid e Barcelona, mas acabou escolhendo a Inter, por querer jogar na Itália, “a maior liga” da época, segundo o holandês. Chegou juntamente com um compatriota, o meia Wim Jonk, também do Ajax. Porém, demorou a se acertar. Foram seis meses sem marcar e alguns problemas físicos, mas conseguiu ajudar a equipe a conquistar a Copa da Uefa, coroando-o como artilheiro da competição, com oito gols em onze partidas.

Mesmo com o título e o prêmio de goleador, Bergkamp não conseguiu engrenar. Seu estilo de dribles curtos e chutes de média distância não encaixou no futebol italiano e o holandês acabou cedido ao Arsenal, onde jogou por onze anos, até encerrar a carreira – curiosamente, Jonk também deixou a Inter na mesma época, transferindo-se ao PSV. Na Itália, deixou apenas 22 gols e modestas 72 aparições com a camisa nerazzurra, além de conflitos com colegas de equipe e imprensa, e uma homenagem. O prêmio “Burro da Semana”, oferecido ao pior jogador da rodada acabou se tornando “Bergkamp da Semana”. Nos Gunners, se tornou um dos maiores jogadores da história do futebol inglês, contrariando àqueles que não esperaram pelo seu sucesso na Itália.

Winter viveu relação de amor e ódio na Lazio, e encontrou a paz na Inter (inter.it)
9º – Aron Winter

Posição: meio-campista
Clubes em que atuou: Lazio (1992 a 1996) e Internazionale (1996 a 1999)
Títulos conquistados: 1 Copa da UEFA (1997/98)
Prêmios individuais: nenhum

Winter viveu uma relação de amor e ódio com a Lazio, mais especificamente com sua torcida. Desde sua chegada, teve muito medo, pois sofreu com atos racistas quase constantemente – Winter é negro e judeu, algo que não foi aceito pela ala mais conservadora da torcida da Lazio. Mesmo com a contrariedade de setores da torcida biancoceleste, foi titular por quatro anos. Seu chute potente e sua força física lhe rendeu espaço nos times de Dino Zoff e Zdenek Zeman. Marcou 21 gols em sua passagem por Roma.

Após o período na capital, trocou a Lazio pela Inter, onde foi de vilão a herói. Disputou duas finais de Copa da Uefa seguidas. Na primeira a Beneamata foi derrotada pelo Schalke 04 com Winter errando o pênalti decisivo. No ano seguinte, foi um dos pilares da equipe campeã, vencendo a Lazio na decisão. Em Milão, Winter jogou de forma mais recuada em relação aos tempos de laziale e marcou apenas uma vez vestindo nerazzurro. Em 1999, retornou para a Holanda, onde voltou a jogar no mesmo Ajax que o projetou.

Dá para cravar: antes de Maradona, Krol foi o mais conhecido nome da história do Napoli (spazionapoli.it)

8º – Ruud Krol

Posição: lateral esquerdo e zagueiro
Clube em que atuou: Napoli (1980 a 1984)
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: Guerin d’Oro (1981)

Após dois vices-campeonatos mundiais com a Holanda e a conquista da soberania europeia com o Ajax (vencendo duas Copas dos Campeões contra times italianos, Inter e Juventus, respectivamente), Ruud Krol chegou ao Napoli após uma passagem um tanto quanto frustrada pelo ainda amador futebol canadense. Já em fase final de carreira, o polivalente defensor foi líder de uma equipe sem tanto destaque.

Na equipe partenopea, comandava a defesa e se arriscava com qualidade ao ataque, jogando como líbero, apesar de lateral esquerdo de origem. Nos 107 jogos, no período de 1980 a 1984, fez apenas um gol, contra o Brescia, em sua primeira temporada, levando o clube à terceira colocação da Serie A. Mas, deixou na lembrança da torcida um futebol elegante e envolvente, sendo considerado um dos mais importantes jogadores do Napoli. Sua saída abriu espaço para um certo Diego Maradona.

Faas Wilkes teve de escolher entre clube italiano e seleção holandesa. Ficou com a Inter (alchetron.com)


7º – Faas Wilkes

Posição: meio-campista
Clubes em que atuou: Internazionale (1949 a 1952) e Torino (1952 e 1953)
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

Um dos melhores jogadores da década de 1950, Faas Wilkes ganhou destaque por sua habilidade e por seus movimentos extravagantes. Foi apelidado de Mona Lisa de Rotterdam, devido a seus dribles, que lembravam uma obra de arte. Wilkes começou no pequeno Xerxes, de sua terra natal, e aos 26 anos – ainda não como profissional e após ter sua transferência para o Milan vetada pela federação holandesa – chegou à Inter, onde atuou durante três anos e conquistou os torcedores nerazzurri, mesmo não vencendo nenhum título. Conhecido por ser o popular “fominha” e com ares galanteadores – para alguns, o Cristiano Ronaldo da época –, marcou 47 gols em 95 jogos, sendo lembrado até hoje no Giuseppe Meazza. Transferiu-se para o Torino, onde, por conta de uma série lesão, não teve o mesmo desempenho, marcando apenas um gol em 12 jogos.

Após um ano no Piemonte, mudou-se para a Espanha, para atuar no Valencia, e ser considerado um dos três melhores estrangeiros do país, ao lado de Di Stefano e Kubala. Foi o ídolo e inspiração do grande jogador holandês de todos os tempos, Johan Cruyff. Até hoje, com 35 gols em 38 jogos, é o quarto maior artilheiro da seleção holandesa, atrás de Van Persie, Kluivert e Bergkamp.

Davids ensaiou um fracasso no Milan. Mas na Juventus, tornou-se um dos grandes volantes de seu tempo (Reuters)

6º – Edgar Davids

Posição: volante
Clubes em que atuou: Milan (1996 e 1997), Juventus (1997 a 2004) e Inter (2004 e 2005)
Títulos conquistados: 3 Campeonatos Italianos (1997/98, 2001/02 e 2002/03); 1 Copa da Itália (2004/05), 2 Supercopas da Itália (2001/02 e 2002/03) e 1 Copa Intertoto (1999)
Prêmios individuais: Integrante da equipe de melhores na Copa de 1998 e na Euro 2000

Após despontar no Ajax, na geração campeã europeia na década de 1990, Davids foi contratado pelo Milan, a custo zero. Ficou quase um ano e meio em Milão e não deixou saudades. Transferiu-se para a Juventus – para ser o primeiro holandês da equipe –, onde comprovou tudo o que dele se esperava. Em Turim, apesar de ter ficado um ano parado por doping, se transformou em peça fundamental do meio campo, com seu futebol agressivo, implacável, mas de muita qualidade. Chamado de "Pitbull", pelo seu poder de marcação, roubadas de bola e muitas faltas, Davids também era um volante técnico, que se aventurava pelo ataque e caía pelo lado esquerdo, ajudando a armar jogadas.

Davids foi pilar das principais conquistas juventinas enquanto lá esteve, ao lado de Antonio Conte, Didier Deschamps, Zinedine Zidane, Pavel Nedved, Alessandro del Piero e David Trezeguet. O "Pitbull" perdeu espaço na Juve quando se desentendeu com o treinador Marcello Lippi e foi cedido, por empréstimo, para o Barcelona. Menos de seis meses depois voltava à Itália, dessa vez para jogar na Inter, que comprou seu passe. Tornou-se, assim, um dos 10 jogadores na história a terem vestido as camisas dos três gigantes italianos. Mas, novamente em Milão, teve atuações a serem esquecidas e, ao final da temporada, foi cedido gratuitamente ao Tottenham e encerrou seu ciclo na Itália.

Quando era um dos melhores jogadores do mundo, Sneijder estava na Internazionale (US Presswire)

5º – Wesley Sneijder

Posição: meio-campista
Clube em que atuou: Inter (2009 a 2013)
Títulos conquistados: Campeonato Italiano (2009/10); 2 Copas da Itália (2009/10 e 2010/11), 1 Supercopa da Itália (2010), Liga dos Campeões (2009/10) e Mundial de Clubes (2010)
Prêmios individuais: Bola de Prata da Copa do Mundo (2010), artilheiro da Copa do Mundo (2010), Jogador do ano para a UEFA (2009/10), Meio-campista do ano na seleção da UEFA (2009/10), e Integrante da Seleção da Copa do Mundo (2010), da equipe do ano da UEFA (2009/10), da seleção do Campeonato Italiano (2009/10) e da FIFPro (2009/10).

Sem muito destaque no Real Madrid com as chegadas de Kaká e Cristiano Ronaldo, Sneijder trocou os merengues pela Inter de Milão, a fim de retomar o bom momento na carreira e ser o cara da equipe de José Mourinho. E em sua primeira temporada carregou a Inter até o título europeu, que não vinha desde 1965, levando o prêmio de melhor jogador da competição. Ao lado de Milito, foi o jogador mais decisivo na campanha da Tríplice Coroa nerazzurra – feito inédito entre clubes italianos e ainda não igualado. Durante a temporada, teve como pontos altos as boas partidas nos dois dérbis de Milão, um gol decisivo sobre o CSKA Moscou nas quartas de final da LC, um gol e uma assistência na partida mais lembrada pelo torcedor azul e preto na história recente (o 3 a 1 na ida das semifinais, contra o Barcelona), e também uma assistência na final, contra o Bayern de Munique.

Manteve o bom desempenho durante a Copa do Mundo, comandando a Holanda com cinco gols até a final, quando a Oranje foi derrotada pela Espanha. Para muitos, mereceria o prêmio de melhor jogador do mundo, mas acabou em terceiro, atrás de Messi, Xaxi e Iniesta. Venceu tudo o que podia, com exceção da Supercopa da Europa, mas teve sua relação com o clube desgastada a partir de 2012, quando o clube queria que ele reduzisse o salário para renovar seu contrato. Afastado do time por questões disciplinares e pelos problemas contratuais, ficou sem jogar do final de setembro do mesmo ano ao final de janeiro de 2013. Especulado em outros gigantes, acabou preferindo o Galatasaray, mas até hoje faz falta ao meio campo da Inter um cérebro como o do ex-camisa 10. Até a chegada de Hernanes, a Inter também sofreu com a falta de um batedor de faltas do seu nível. Ao todo, Wes vestiu a camisa da Beneamata em 116 oportunidades e marcou 22 gols.

Seedorf viveu mais uma história de recuperação: ruim na Inter, virou antológico no Milan (AP)


Posição: meio-campista
Clubes em que atuou: Sampdoria (1995 e 1996), Inter (2000 a 2002) e Milan (2002 a 2012)
Títulos conquistados: 2 Campeonatos Italianos (2003/04 e 2010/11); 1 Copa da Itália (2002/03), 2 Supercopas da Itália (2004 e 2011), 2 Ligas dos Campeões (2002/03 e 2006/07), 2 Supercopas Europeias (2003 e 2007) e 1 Mundial de Clubes (2007)
Prêmios individuais: Melhor meia-direita e melhor jogador do Campeonato Italiano (2003/04); Melhor meio-campista da Liga dos Campeões (2002/03 e 2006/07), Melhor meio-campista da Europa (2007), Bola de Prata do Mundial de Clubes (2007) e Integrante do Dream Team do Campeonato Italiano, da Liga dos Campeões e da lista Fifa 100.

Após destaque no brilhante time do Ajax no início dos anos 1990, Seedorf iniciou sua trajetória na Itália atuando pela Sampdoria. Depois de apenas um ano nos Blucerchiati, chamou a atenção do Real Madrid, clube pelo qual atuou durante quatro anos antes de retornar à Bota, para jogar na Inter. Com a credencial de meia habilidoso, que armava com precisão, marcava com qualidade e ainda tinha um excelente chute de longa distância, não embalou na equipe nerazzurra, visto que era utilizado como meia aberto pela direita – apesar de atuar em todas as posições do meio-campo, Seedorf sempre se saiu melhor atuando centralizado. Acabou sendo trocado por Francesco Coco, com o rival Milan, em um dos piores negócios da história da Inter.

No lado rossonero de Milão, Seedorf viveu seu melhor momento na carreira, destacando-se na Itália e na Europa, formando o meio-campo ao lado de Andrea Pirlo, Gennaro Gattuso e Kaká durante vários anos, conquistando especialmente a Liga dos Campeões, com propriedades. A conquista da orelhuda também o consagrou como um dos únicos jogadores que venceu a competição por três clubes diferentes. Em um time que teve alguns holandeses como grandes craques, Seedorf não fez feio – muito pelo contrário – e se tornou um dos maiores jogadores da história recente do Diavolo. Em dez anos de clube, disputou 432 partidas pelo clube, superando o mito Liedholm como o estrangeiro com mais partidas vestindo vermelho e preto. Dois anos depois de deixar o clube, largou o Botafogo prestes a disputar a Copa Libertadores e sua carreira como jogador para se tornar técnico do Milan. Porém, sofreu com a impaciência de Silvio Berlusconi e foi demitido menos de seis meses depois.

A força física se aliava à qualidade técnica. E Gullit brilhou no Milan (acmilan.it)

3º – Ruud Gullit

Posição: atacante
Clubes em que atuou: Milan (1987 a 1993 e 1994) e Sampdoria (1993 e 1994 e 1994 a 1995).
Títulos conquistados: 3 Campeonatos Italianos (1987/88, 1991/92 e 1992/93), 3 Supercopas da Itália (1988,  1992 e 1994), Copa da Itália (1993/94), 2 Copas dos Campeões (1988/89 e 1989/90), 2 Supercopas Europeias (1989 e 1990), 2 Mundiais Interclubes (1989 e 1990) e 1 Eurocopa (1988)
Prêmios individuais: Esportista Holandês do ano (1987), Bola de Ouro para a revista France Football (1987), Bola de Prata para a revista France Football (1988), Jogador do ano da World Soccer Magazine (1987 e 1989), 3º Melhor jogador do ano da IFFHS (1988 e 1989) e inserido na lista Fifa 100 (2004)

Um dos maiores jogadores holandeses da história, Gullit desembarcou em Milão no auge de sua carreira, com um valor recorde em transferências do Milan, no ano em que venceria o prêmio de melhor jogador do mundo. Versátil, formou o trio de ataque – embora as vezes jogasse como meia – ao lado de seu conterrâneo Van Basten, também recém-chegado, e de Pietro Paolo Virdis. E já em sua primeira temporada ajudou o rossonero a destronar o Napoli de Diego Maradona e ficar com o título italiano. Gullit ajudou com muita técnica com a bola nos pés, habilidade e nove gols marcados. Logo depois, capitaneou a Holanda de Rinus Michels no título europeu e fez um dos gols na final contra a União Soviética.

Multicampeão e adorado pela torcida, que praticava a “Gullitmania”, usando perucas rastafári como o cabelo do ídolo (foto), perdeu espaço e foi emprestado à Sampdoria. Com o título da Copa da Itália, destaque e artilharia no time de Sven-Göran Eriksson, retornou ao Milan, mas pouco jogou. Voltou à Samp ainda na metade da temporada, mas já não parecia tão empolgado com a vida e o assédio na Bota e escolheu a Inglaterra para jogar seus últimos anos como atleta profissional.

Quando jogava pelo Milan, Rijkaard parecia cobrir todos os cantos do campo: volante ou meio-campista (Leo Vogelzang)


Posição: meio-campista
Clube em que atuou: Milan (1988 a 1993)
Títulos conquistados: 2 Campeonatos Italianos (1991/92 e 1992/93), 2 Supercopas da Itália (1988 e 1992), 2 Copas dos Campeões (1988/89 e 1989/90), 2 Supercopas Europeias (1989 e 1990), 2 Mundiais Interclubes (1989 e 1990) e 1 Eurocopa (1988)
Prêmios individuais: Bola de Bronze para a revista France Football (1988 e 1989), melhor estrangeiro do Campeonato Italiano (1991/92), melhor jogador do Campeonato Italiano (1991/92) e inserido na lista Fifa 100 (2004)

Último do histórico trio holandês a chegar e o primeiro a sair. Porém a participação de Rijkaard no Milan é tão lembrada quanto de seus conterrâneos com a camisa rossonera. Vencedor dos principais títulos dessa geração, Rijkaard foi um dos pilares do meio-campo – mesmo com o início como zagueiro – tanto do Milan quanto da seleção holandesa. Após ser revelado pela famosa escola do Ajax e passar rapidamente por Sporting e Zaragoza, a chegada ao Milan reergueu seu futebol e fez dele um dos melhores jogadores da Europa.

Atuou durante cinco temporadas, jogando 201 vezes e marcando 26 gols. Comandou o meio-campo com marcação e movimentação e, sob o comando de Arrigo Sacchi, levantou a Copa dos Campeões de 1989 com propriedade, o que lhe proporcionou disputar o prêmio da Bola de Ouro da revista France Football, dominado pelo Milan – além de Rijkaard, Franco Baresi ficou em segundo e van Basten venceu. Em 1990, fez o gol do título da Copa dos Campeões sobre o Benfica. Rijkaard, aliás, encerrou esta temporada com chave de ouro e realizou a façanha de marcar gols em todas as finais disputadas pelos rossoneri. Nos dois anos seguintes, já sob o comando de Capello, faturou o Italiano, título que ainda não tinha. Após trocar o Milan pelo Ajax, onde se aposentaria, pregaria uma peça no antigo time: na final da Liga dos Campeões em 1995, deu assistência para Kluivert fazer o gol do título holandês sobre o Diavolo, no mesmo estádio em que marcara contra o Benfica, em Viena.

Van Basten quase alcançou a unanimidade no Milan: para a maioria, era o melhor atacante do mundo na época (Getty Images)


Posição: atacante
Clube em que atuou: Milan (1987 a 1995)
Títulos conquistados: 4 Campeonatos Italianos (1987/88, 1991/92, 1992/93 e 1993/94), 4 Supercopas da Itália (1988, 1992, 1993 e 1994), 3 Copas dos Campeões/Liga dos Campeões (1988/89, 1989/90 e 1993/94), 3 Supercopas Europeias (1989, 1990 e 1994), 2 Mundiais Interclubes (1989 e 1990) e 1 Eurocopa (1988)
Prêmios individuais: 3 Bolas de Ouro para a revista France Football (1988, 1989 e 1992), 1 vez melhor jogador do mundo para a FIFA (1992), artilheiro da Eurocopa (1988), artilheiro da Copa dos Campeões (1988/89), artilheiro do Campeonato Italiano (1989/90 e 1991/92) e inserido na lista Fifa 100 (2004)

Para muitos, o grande craque holandês depois de Johan Cruyff. Se Rijkaard e Gullit eram os príncipes laranjas, Marco van Basten era o rei. E o jogadoraço foi um dos personagens que conduziram o futebol holandês aos tempos áureos, após a década de 70. Fundamental no título europeu com a Oranje, em 1988, foi responsável também pelo reaparecimento do Milan no cenário italiano e europeu. Destinado a marcar gols e conquistar títulos, formou o trio holandês que deu suporte ao Milan durante o final da década de 1980 e o início da década de 90, ao lado de Gullit e Rijkaard. Gols, golaços, passes e dribles geniais. Marco van Basten era o melhor jogador do mundo à época, com sobras.

Nos oito anos de Milan, conquistou tudo, até mesmo o título intercontinental, inédito na história do Diavolo, e a Copa dos Campeões, que não vinha há 20 anos. Mas, em seu auge, uma lesão no tornozelo o obrigou a encerrar a carreira, ainda aos 28 anos – ainda que o anúncio definitivo tenha acontecido apenas dois anos após sua última partida, quando van Basten já tinha 30. Em sua despedida, fez até Capello se emocionar e deixou como grande lembrança as 201 aparições com a camisa rossonera e os 125 gols. E, até hoje, nenhum jogador holandês o superou em solo italiano.