Mostrando postagens com marcador Eerste Divisie. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eerste Divisie. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Segunda divisão: o sonho será para poucos?

O ADO Den Haag já estava, faz tempo, no restrito grupo dos que disputavam o acesso à Eredivisie pela segunda divisão. Conseguiu ser campeão dela, em 2025/26. E agora, quem estará no seleto grupo dos sonhadores? (Angelo Blankespoor/Soccrates/Getty Images)

A segunda divisão do futebol masculino da Holanda (Países Baixos) é aparentemente mais equilibrada. Mas só aparentemente: se a emoção é maior, pela abertura de uma das três vagas na Eredivisie para a repescagem dos quatro "campeões de período" ao longo das 38 rodadas - sempre bom lembrar: mata-mata entre os melhores de 1ª a 10ª, 11ª a 19ª, 20ª a 29ª e 30ª a 38ª rodadas, mais os dois melhores colocados da tabela regular e, entrando na segunda fase, o 16º colocado da primeira divisão -, quase sempre ela acaba caindo na mão de um clube já acostumado à elite. Claro, há exceções: o Telstar que o diga, promovido via repescagem em 2024/25 após 47 anos na Eerste Divisie. Só que o grupo dos que sonham com o acesso parece cada vez menor e mais restrito. E deve ser assim também a partir desta sexta-feira, quando começa a temporada 2026/27, agora exibida no Brasil desde o princípio - como em 2025/26, um jogo por rodada - no Link Alviverde, canal do YouTube habituado a debates sobre as coisas do Palmeiras, além de exibir outros campeonatos.

Até pelas trajetórias recentes, é compreensível imaginar que, entre os 20 participantes da Eerste Divisie (pois é: com os problemas do Vitesse resolvidos em definitivo, agora são 20 times desde o começo), os rebaixados já chegam como favoritos ao acesso. Um deles sabe bem o que é este sobe-e-desce: o Volendam, não à toa apelidado "Heen-en-weer" - gíria holandesa equivalente a "ioiô" -, já que são 11 descensos em sua história. Após a queda traumática da temporada passada (em casa, nos pênaltis, na decisão da repescagem, para o Willem II), os Volendammers foram às compras. Trouxeram bons nomes para o padrão da Eerste Divisie: o goleiro Hidde Jurjus chegou do Groningen, o ala Nick Doodeman veio do próprio Willem II, o ídolo Henk Veerman segue no clube... e um adversário na disputa do acesso, até: o De Graafschap viu seu principal jogador, o meio-campo Reuven Niemeijer, rumar para o Volendam.

 O Volendam, rebaixado via repescagem, trouxe Niemeijer, destacado pelo De Graafschp, para tentar fazer mais um bate-e-volta, como está habituado (Divulgação/fcvolendam.nl)

Assim como o Volendam, certamente NAC Breda e Heracles Almelo também sonham com (e têm capacidade técnica para) disputarem uma das duas vagas diretas de acesso à Eredivisie, ao campeão e ao vice da segunda divisão, ou mesmo via repescagem. Até mesmo os grupos de jogadores são parecidos. Apenas a sensação de ambos será diferente. Os Heraclieden ainda têm na cabeça as atuações apáticas, quase deprimidas, do rebaixamento em 2025/26, e para isso contam com a recuperação - até mental - de nomes como o atacante Luka Kulenovic e o lateral direito Mimeirhel Benita. Já o time aurinegro de Breda até perdeu os nomes experientes que o defenderam na temporada passada da Eredivisie - André Ayew, Lewis Holtby (que até encerrou carreira) -, mas compensou contratando Mats Seuntjens e Paul Gladon, ambos experientes, e repatriando o zagueiro e ídolo Jan van den Bergh, além de trazer o goleiro Michael Verrips para preencher a lacuna aberta pela saída de Daniel Bielica ao Portsmouth-ING. E seguem por lá boa parte dos nomes que já fizeram o time que disputou a Eredivisie. E que pode voltar a ela.

Desde 2019 na Eerste Divisie, o De Graafschap tenta voltar, com o meio-campo Leemans como a grande novidade (Divulgação/degraafschap.nl)

O Vitesse pode sonhar com menos freios, agora: com a Justiça Comum tendo definido (trânsito em julgado) que o clube de Arnhem segue na ativa, o técnico Rüdiger Rehm já tem uma certa base, com nomes como o experientíssimo Alexander Büttner - além de lateral esquerdo, auxiliar técnico simultâneo -, o meio-campo Marco Schikora e o atacante Naoufal Bannis. Lembrando que quase conseguiu vaga na repescagem de acesso, como melhor do "4º período", o Vites pode tentar a volta à Eredivisie, após quatro anos, por meio dela. Com o título, sonham o De Graafschap (se perdeu Niemeijer, trouxe o meio-campo Clint Leemans), o Dordrecht (com reforços até mais notáveis na defesa, com o goleiro Calvin Raatsie e o lateral Adil Lechkar, mais o atacante Nick Venema merecendo atenção), o RKC Waalwijk (agora sem o atacante Michiel Kramer, de carreira encerrada, mas com Finn Stokkers vindo do Go Ahead Eagles), o FC Eindhoven (contando com os gols de Kevin van Veen para tentar a volta à primeira divisão após 50 anos), o Den Bosch (com a experiência de Kévin Felida e os gols de Kévin Monzialo), o Almere City (apostando no meio-campo Mees Hoedemakers)...

Agora, é ver quais desses conseguirão superar o funil e estar a sério na disputa do acesso, seja pelas 38 rodadas regulares, seja pela repescagem de acesso. E isso porque nem se falou dos quatro times B (Jong Ajax, Jong PSV, Jong AZ e Jong Utrecht), todos precisando revelar bons jogadores mesmo sem a possibilidade de jogarem a Eredivisie...


sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Guia da segunda divisão: o destaque veio antes

Antes mesmo da segunda divisão da Holanda (Países Baixos) começar, a torcida do Vitesse teve o que comemorar: o clube segue, mesmo com dificuldades (Vitesse/Divulgação)


A temporada 2024/25 da segunda divisão na Holanda (Países Baixos) já traz algumas novidades antes mesmo que qualquer bola role nela. A primeira é meramente curiosa. Se geralmente a Eerste Divisie se inicia uma semana antes do Campeonato Holandês começar, agora ela tem sua primeira rodada simultânea à Eredivisie. A segunda, no entanto, foi tão dramática quanto as repescagens pós-temporada pelo acesso costumam ser (elas decidem uma das três vagas à Eredivisie: as outras duas são de acesso direto, para campeão e vice). E essa segunda novidade envolveu um dos clubes rebaixados para ela: o Vitesse, que já teria de encarar o trauma natural da queda, após 35 anos. Teve de encarar coisa pior.

Com as dívidas vultosas que ficaram de anos de ambição (em 2012/13, o clube de Arnhem chegou a sonhar com o título holandês), o Vites procurou desesperadamente um dono, após a saída do empresário ucraniano Valeriy Oyf, que o largou apressado com a eclosão da guerra Rússia-Ucrânia, em 2022. Achou tê-lo encontrado no empresário norte-americano Coley Parry, ainda no ano passado, só que a federação holandesa preferiu verificar cuidadosamente os planos de Parry para comprar as ações do Vitesse... e neste ano, reprovou a negociação. Começava o desespero: as dívidas impediam o pagamento da licença profissional, que por sua vez ameaçava a existência do clube em si. O diretor geral Edwin Reijntjes até conseguiu um respiro com a federação: o clube perderia pontos pelas dívidas, seria rebaixado por antecipação, mas teria tempo para procurar manter a licença profissional.

Foi duro, as negociações com Coley Parry (que exigia o reembolso do que investira na fracassada tentativa de compra do clube) tiveram muitas complicações, o fim do Vitesse esteve próximo. Mas o empresário Guus Franke se interessou, quis assumir tudo, pagou as dívidas com Parry, a federação demorou para se convencer dos planos de Franke para o Vitesse... mas se convenceu. Aceitou a aquisição do clube, concedeu a licença profissional, e o segundo clube mais antigo da história do Reino dos Países Baixos (1892) ainda em atividade no futebol conseguiu manter sua existência, para a festa da maltratada torcida, que afluiu em peso para comprar planos de sócio-torcedor. Agora, "só" terá de se preocupar em tentar o acesso. O que já será difícil...

Será um primeiro lugar, por todos os nomes que saíram do Vitesse, deixando praticamente só jovens: Mats Egbring na zaga, Gyan de Regt no meio, Simon van Duivenbooden e Miliano Jonathans no ataque. É com eles que o técnico John van den Brom aceitou voltar ao clube em que jogou (1996 a 2001) e treinou (2011 a 2012), para tentar ajudar na superação dos maus momentos. Para piorar, a concorrência será enorme. A começar por um outro rebaixado: o Excelsior. Tendo caído para o NAC Breda, o clube de Roterdã ainda continua com vários nomes que estiveram na Eredivisie, como o atacante Derensili Sanches Fernandes e o ala esquerdo Arthur Zagré. De quebra, até contratou nomes capazes de fazê-lo dar o bate-e-volta para a primeira divisão, como o goleiro Calvin Raatsie e o lateral esquerdo Django Warmerdam.

Livre de problemas de saúde, o técnico Henk de Jong treina um Cambuur que promete ser forte na tentativa do acesso (Cambuur/Divulgação)

Há ainda o ADO Den Haag, que bateu na trave pela segunda vez seguida na repescagem - caiu para o próprio Excelsior, na segunda fase. Agora com um novo técnico, também experiente em futebol holandês (Darije Kalezic), a principal aposta dos auriverdes de Haia está com o atacante Alex Schalk. O Emmen teve lá suas chances, entrou na repescagem até contra as expectativas, mas trocou de técnico (o alemão Robin Peter está no comando agora) e tentará ser um pouco mais regular desta vez. O Cambuur, por sua vez, merece olhar especial: nas partidas em nova casa, o Kooi Stadion, o técnico Henk de Jong, enfim recuperado plenamente de um tumor cerebral, comandará um time cheio de nomes experientes em Eredivisie - só no ataque, há Michael de Leeuw e Silvester van der Water (este, de volta ao clube auriazul) -, e parte como outro favorito para ocupar uma das vagas de acesso direto à primeira divisão.

A segunda divisão teve um destaque antes, com a salvação do Vitesse. Quais serão os destaques ao fim das 38 rodadas?

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Guia da segunda divisão: alguém evitará o bate-e-volta?

O Groningen ainda está machucado pelo rebaixamento. E terá em Leandro Bacuna, de volta após dez anos, um nome a ajudá-lo a tentar voltar à primeira divisão o mais rápido possível (Pro Shots)

O Emmen foi rebaixado em 2020/21, para já subir à primeira divisão da Holanda (Países Baixos) em 2021/22. Nesta, foi a vez de Heracles Almelo e Zwolle prantearem a queda - para já comemorarem o retorno em 2022/23, com os Heraclieden celebrando o retorno à Eredivisie, e os Zwollenaren também subindo como vice-campeões. No sentido oposto, o Groningen terminou como uma das imagens mais melancólicas da temporada anterior no futebol holandês: ser rebaixado, após 23 anos seguidos de primeira divisão. E agora, o time do norte dos Países Baixos será o alvo principal da temporada 2023/24 da Eerste Divisie, a segunda divisão holandesa, que começa nesta sexta. Os outros 15 participantes (fora os quatro "times B" de clubes da Eredivisie, que não têm direito ao acesso, por razões óbvia) querem impedir o "bate-e-volta" dos Groningers.

E o Groningen se preparou para tentar isso. A começar pelo técnico, tirado de outro rebaixado - portanto, concorrente direto nesta segunda divisão: após trabalho histórico no Emmen (tirado de ser um antigo clube amador, em 2016, para um clube com passagens pela Eredivisie), Dick Lukkien volta ao clube em que começou em comissões técnicas, com a grande responsabilidade de tentar curar as feridas do rebaixamento ainda recente. É certo que Lukkien não terá o único destaque da equipe na temporada malograda da queda: o atacante Ricardo Pepi voltou ao Augsburg-ALE - e ao ser vendido pelo clube alemão, tomou o rumo do PSV. Só que há alguns nomes plenamente capazes de ajudar na tentativa da volta rápida. Alguns nomes de certos talentos na linha, vindos da temporada passada, seguirão nesta: o zagueiro Thijmen Blokzijl, o lateral esquerdo Isak Määttä, o meia-esquerda Tomas Suslov, o atacante Paulos Abraham... e tudo isso foi coroado por duas contratações excelentes para os (baixos) padrões da segunda divisão holandesa. Se o gol foi uma posição cheia de desconfianças no rebaixamento, poucas contratações poderiam ser tão boas quanto Hidde Jurjus, ex-De Graafschap, nome experiente. E Leandro Bacuna, de experiência considerável na Premier League, é aquele retorno querido: após dez anos, está de volta para tentar ajudar o Groningen a retornar rapidamente à Eredivisie.

Também rebaixado (caiu para o Almere City na decisão da vaga na primeira divisão dentro da repescagem de acesso), o Emmen também passou por mudanças. Certamente o grande técnico da história dos alvirrubros, como já comentado, Dick Lukkien agora está no Groningen. Foi apenas um de vários fins dentro de campo - cara conhecida, o zagueiro peruano Miguel Araújo partiu para o Portland Timbers-EUA - e fora também (o diretor técnico Richard Lubbens também saiu). Pelo menos, os Emmenaren contarão com um técnico experiente em Fred Grim. A defesa continua relativamente inalterada, em que pese a saída de Araujo: seguem lá nomes como Mike te Wierik e Julius Dirksen. E no ataque, se Mark Diemers e Ole Romeny farão falta, o polonês Piotr Parzyszek pode ajudar com os gols. Outro rebaixado, o Cambuur já virá com um trabalho em andamento - afinal, o técnico Sjors Ultee já chegou em 2022/23. E em que pese a perda de Mees Hoedemakers, principal criador de jogadas, Fedde de Jong (emprestado pelo AZ) tem ótima chance para ganhar ritmo de jogo - além de vários nomes seguirem no time de Leeuwarden: o ala Alex Bangura, o citado Mark Diemers no meio-campo, os atacantes Silvester van der Water e Roberts Uldrikis...

Há ainda os habituais nomes mencionados como candidatos a acesso. Alguns, conhecidos das passagens pela Eredivisie. O NAC Breda parece, enfim, com um trabalho estável de técnico (o alemão Peter Hyballa), e apostará nos ataques comandados por Tom Boere e Elias Mar Omarsson; já rondando faz tempo a volta à primeira divisão após 46 anos, o FC Eindhoven terá um novo técnico (Willem Weijs), com o destaque continuando a ser o atacante Joey Sleegers. E se o VVV-Venlo já teve um bom atacante grego - Georgios Giakoumakis foi artilheiro da Eredivisie justamente na campanha do rebaixamento passado, 2020/21 -, repete a aposta no jovem Michalis Kosidis, que se une a nomes com relativa experiência de segunda divisão (o goleiro Jan de Boer, o zagueiro Simon Janssen, o meio-campo Robert Klassen). O ADO Den Haag? Embora tenha uma vinda útil com o atacante Henk Veerman, emprestado pelo Volendam, terá a crise econômica que vive ainda a lhe perturbar - e o técnico bósnio Darije Kalezic, recém-chegado após a passagem do veterano Dick Advocaat, tentará tourear tudo isso.

Nos times B dos clubes da Eredivisie, o AZ merece mais atenção: boa parte da equipe campeã da Liga Jovem da UEFA irá a campo na Eerste Divisie (Pro Shots)

E os times B? Estes terão sua responsabilidade - afinal de contas, só haverá rebaixamento na segunda divisão para eles (o pior dos quatro times B cairá para a Tweede Divisie, a terceira divisão, já amadora). Valerá a pena prestar atenção no Jong PSV: a equipe de aspirantes de Eindhoven trocou de técnico - o marroquino Adil Ramzi deu lugar a Wil Boessen -, mas pode contar com gente que já tem merecido confiança no time de cima, como o atacante Isaac Babadi (há outros, como o também atacante Fodé Fofana e o lateral direito Livano Comenencia). No Jong Ajax, dentro de um clube que passará por reformulação tão profunda, os jovens que se destacarem sob o comando de Dave Vos certamente serão olhados por Maurice Steijn no time principal (e aí os nomes se avolumam: o goleiro Charlie Setford, o zagueiro Oliver Aertssen, o meio-campo islandês Kristian Hlynsson, os atacantes Mika Godts e Gabriel Misehouy). O time B do Utrecht também tem nomes que já pedem passagem, como o goleiro Kevin Gadellaa. No entanto, talvez nenhum time de aspirantes seja tão merecedor de olhar atento quanto o time B do AZ. Vários dos talentos campeões da Liga Jovem da UEFA darão o próximo passo na segunda divisão holandesa: o goleiro Rome-Jayden Owusu Oduro, o zagueiro Wouter Goes, o lateral esquerdo Finn Stam, os meio-campistas Lewis Schouten e Kees Smit, vários atacantes (Jayden Addai, Mexx Meerdink, Ernest Poku)... todos treinados por Jan Sierksma, o comandante do título europeu juvenil.

Mas os times B ficam em segundo plano, até por não subirem. A segunda divisão da Holanda começa com uma pergunta: alguém evitará que o Groningen seja mais um clube a fazer o bate-e-volta para a Eredivisie?

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Guia da segunda divisão: o equilíbrio só aumenta

Dirk Kuyt começará a ser técnico para valer no ADO Den Haag. E tem uma tremenda responsabilidade: ajudar o time de Haia a voltar à primeira divisão (Pro Shots)

Bastaria lembrar a decisão da repescagem de acesso, entre Excelsior e ADO Den Haag, na temporada passada - 4 a 4 após 120 minutos, Excelsior garantindo o retorno à Eredivisie nos pênaltis -, para se ter uma ideia da emoção e do equilíbrio que normalmente rege a Eerste Divisie (com o patrocinador, uma empresa que produz móveis de cozinha, Keuken Kampioen Divisie), a segunda divisão dos Países Baixos. Pode até faltar técnica, em alguns momentos: emoção, jamais. E o que se verá a partir desta sexta, quando os 20 participantes começam a busca pelo título e pelas três vagas de promoção - uma para o campeão, mais uma para o vice-campeão, e a última via repescagem -, é um equilíbrio ainda maior. Tanto pelos clubes já tradicionais na disputa, que não sobem há um bom tempo, quanto pelos três rebaixados, que obviamente disputam o retorno mais rápido possível.

Dentre os tradicionais, o ADO Den Haag talvez seja o clube mais falado. Em primeiro lugar, por ter chegado tão perto e fracassado na repescagem passada - dor tão grande que foi extravasada com violência de alguns torcedores, detidos em campo. Em segundo lugar, e até principalmente, pelo clube de Haia dar a primeira chance a Dirk Kuyt como treinador de uma equipe adulta. Egresso do Feyenoord (onde esperava que a chance inicial viesse, diga-se de passagem), o ex-atacante de 42 anos foi trazido por outro nome com passagem pelo Stadionclub - mas que surgiu no Den Haag, lá parou de jogar, e lá também começa em outra função: o diretor técnico Daryl Janmaat. Com o clube mais pacificado externamente por um novo dono, Kuyt terá como destaques o goleiro Luuk Koopmans e os atacantes Amar Catic e Thomas Verheydt, além de alguns nomes com passagem pelo... Feyenoord, como o lateral Denzel Hall (emprestado) e o meio-campo Jordy Wehrmann (com passagem por De Kuip).

Porém, os rebaixados chegam com volúpia ainda maior para tentarem o acesso. O Heracles Almelo, então, teve sua preparação até perturbada pela queda que lhe foi inesperada. Afinal, já estava programada a vinda de Carles Vicens, auxiliar de "Pep" Guardiola no Manchester City, para comandar os Heraclieden após a saída de Frank Wormuth para o Groningen. Veio o rebaixamento, e o negócio foi desfeito, em comum acordo. Caberá a John Lammers ser o treinador do time de Almelo, que pelo menos tem a vantagem de obter um grupo relativamente entrosado de jogadores (só saíram o goleiro Janis Blaswich, o lateral direito Noah Fadiga e o zagueiro Mats Knoester). Além do mais, Thomas Bruns é uma contratação que traz ganhos técnicos inegáveis para os Almeloers.

O rebaixamento foi inesperado e dolorido para o Heracles Almelo. A manutenção de uma base, mais a vinda de Bruns (foto), são as apostas para tentar voltar rápido à Eredivisie (Heracles Almelo/Divulgação)

Willem II Zwolle, os outros que caíram, têm receitas parecidas: alguns remanescentes que tentarão devolver os respectivos times à primeira divisão, com contratações até mesmo da Eredivisie. Foi o caso do Zwolle, que mantém velhos conhecidos (o defensor e capitão Bram van Polen, os meio-campistas Thomas van den Belt e Dean Huiberts, o atacante Gervane Kastaneer), com algumas contratações tecnicamente qualificadas (no caso dos "Dedos Azuis", o atacante Lennart Thy, de volta após passar pelo Sparta Rotterdam), com Dick Schreuder - irmão de Alfred, hoje treinando o Ajax - se mantendo como treinador, após o rebaixamento. Do Zwolle, por sinal, veio um goleiro para o Willem II: o grego Kostas Lamprou, de volta aos Tricolores de Tilburg. Que apostam nos atacantes Jizz Hornkamp e Elton Kabangu, mas também conseguiram nomes que preferiram a disputa árdua pelo acesso a ficar na Eredivisie: o zagueiro Erik Schouten e o atacante Nick Doodeman, ambos vindos do Cambuur. E Kevin Hofland, vindo para tentar a salvação na Eredivisie (sem sucesso), ganhou a chance de ser o técnico na tentativa de volta à divisão de elite.

O que não quer dizer que a concorrência e o favoritismo se restringem ao ADO Den Haag, que quase chegou, e aos três rebaixados. Há o FC Eindhoven, apostando na repetição da boa campanha do ano passado - esteve na repescagem de acesso -, com o atacante Naoufal Bannis emprestado pelo Feyenoord. O NAC Breda, já há alguns anos na Eerste Divisie, busca sair dela com alguns nomes experientes, como o defensor Ruben Ligeon e o atacante Jarchinio Antonia. Roteiro semelhante vive o Roda JC, que desfalcou o De Graafschap, concorrente potencial, ao trazer o zagueiro Ted van de Pavert, e ter nomes como o atacante Mohamed Mallahi. E não se pode esquecer dos times B: mesmo sem poderem disputar o acesso à Eredivisie, por razões óbvias, Jong Ajax (treinado por John Heitinga), Jong PSV (Adil Ramzi sucederá Ruud van Nistelrooy no comando), Jong AZ e Jong Utrecht sempre darão vazão às categorias de base respectivas.

Como se vê, muito clube para apenas três vagas. Será uma disputa tremendamente equilibrada. Nesta temporada que começa, isso raramente ficou tão claro.

sábado, 7 de maio de 2022

Segunda divisão - análise: a volta rápida e a volta lenta

O Emmen demorou a engrenar na segunda divisão, após cair na temporada passada. Mas quando engrenou, embalou até o retorno rápido à Eredivisie (Pro Shots)

Fundado em 1925 como clube amador, profissionalizado em 1985, o Emmen tivera o ponto alto de sua história no seu primeiro acesso à divisão de elite do futebol da Holanda (Países Baixos), em 2018. E justificou isso, mantendo-se dignamente na divisão de elite por dois anos. Mesmo em 2020/21, o esforço para ficar na Eredivisie foi notável: de lanterna sem vitórias até a 23ª rodada, os Emmenaren reagiram até conseguirem a "segunda chance" de permanência na repescagem. Nela, só foram rebaixados para o NAC Breda, nos pênaltis. Foi um trauma, que poderia ter impactado nesta temporada 2021/22 - até em termos financeiros. Que nada: o Emmen nem conseguiu "sentir falta" da Eredivisie. Porque já está de volta a ela. E numa maneira bem mais nobre que a repescagem: como campeão da Eerste Divisie, no primeiro título de sua história longa no futebol amador e ainda recente no profissional.

De certa forma, o bate-e-volta do Emmen após uma temporada começou já durante a queda. Treinador ali desde 2016, considerado o grande responsável em campo pela fase de sucesso do clube, Dick Lukkien recebeu respaldo mesmo durante a queda ("99% dos clubes teriam me demitido numa situação assim"). Continuou desenvolvendo o trabalho pacientemente - não, o Emmen não foi daqueles clubes que esteve nas primeiras posições desde o começo da segunda divisão, sofrendo nas primeiras rodadas. E teve a compensação na reta final: uma equipe absolutamente regular, que rendeu o título. E fez Lukkien retomar o status que teve nas participações na Eredivisie: um técnico, talvez, tarimbado o suficiente para ter uma chance num clube médio do futebol holandês. E o clube sabe disso, como o diretor técnico Michel Jansen reconheceu à revista Voetbal International, sem preocupações (ainda): "Claro que pensamos numa situação da saída de Dick, mas só nos prepararemos se recebermos uma proposta de um clube. Ainda não aconteceu".

Mas de nada adiantaria o trabalho regular (no melhor sentido) de Dick Lukkien se não houvesse jogadores capazes de render em campo. Aí também ajudou o entrosamento. Porque muitos nomes do time-base das aparições na primeira divisão seguiram no clube mesmo na Eerste Divisie. Mesmo cogitado como provável saída, o zagueiro peruano Miguel Araujo ficou em Emmen. Perturbado por lesões na temporada passada, o meio-campista Lucas Bernadou enfim teve forma e sequência de jogos para se tornar nome certo entre os titulares. Em torno deles, o clube aproveitou a experiência que as participações na Eredivisie lhe deram para ter eficiência notável nas contratações. Do Go Ahead Eagles, promovido no ano passado, veio o lateral Jeroen Veldmate; da Dinamarca, foi repatriado outro lateral, Lorenzo Burnet, com passagens por NEC e Excelsior; caso semelhante foi o meio-campo Peter van Ooijen, de volta da Alemanha após trajetória no VVV-Venlo; o atacante Reda Kharchouch surgiu do Sparta Rotterdam, e o meia Jari Vlak, do Volendam; e o Heracles Almelo cedeu dois nomes titulares, o goleiro Michael Brouwer e o meio-campo Teun Bijleveld.

Todos eles foram titulares na campanha do acesso. Bem como o goleador do time: o português Rui Mendes, vindo do time B do Hoffenheim-ALE, 15 gols nesta Eerste Divisie (mesmo longe dos 32 gols do goleador Thijs Dallinga, do Excelsior - que tem a chance de ascender à Eredivisie, via repescagem). E após um começo titubeante, os Emmenaren cresceram a partir da 11ª rodada, quando chegaram à quarta posição. O impulso final rumo ao título surgiu na 20ª rodada: começava ali uma sequência de cinco vitórias seguidas, estabilizando o time na segunda posição, que já daria vaga na Eredivisie. Até houve derrota para o Helmond Sport (2 a 1, em jogo atrasado da 22ª rodada), mas a caminhada do Emmen para o título seguiu impávida. E em outra partida retardada do campeonato - o confronto direto contra o Volendam, goleada por 4 a 1, pela 27ª rodada -, o clube tomou a liderança da segunda divisão para não perder mais. Garantiu o acesso vencendo o Dordrecht (1 a 0, fora de casa, na 35ª rodada). E o título, com o 2 a 0 no Roda JC, na semana seguinte.

Pensando bem, pode ter parecido que o Emmen nem sentiu falta da Eredivisie, já que voltou tão rápido. Talvez isso possa ser dito de outro modo: talvez o Emmen tenha sentido tanta falta do gosto da primeira divisão, que preferiu voltar rapidamente. E o fez com méritos. Como campeão.

Só uma comemoração intensa para extravasar o drama: o Volendam chegou a temer mais um fracasso, mas está de volta à primeira divisão, treze anos depois (Pro Shots)


Volendam: o "ioiô" subiu de novo

Se o campeão Emmen demorou pouco a retornar à primeira divisão, o caso do Volendam foi mais dramático. Para um clube conhecido nos Países Baixos como "Heen-en-Weer" (traduzindo para o português, seria algo como "clube ioiô", que vai e volta entre primeira e segunda divisões), ficar 13 anos seguidos na Eerste Divisie incomodava. Ainda mais porque a "Outra Laranja" - mais um apelido, em razão da cor do uniforme, semelhante à da seleção nacional - rondava o retorno havia um bom tempo, fracassando numa repescagem aqui, ficando no meio de tabela ali. Basta citar a temporada passada, quando os Volendammers foram aos play-offs de acesso/descenso, mas já caíram na primeira fase, para o NAC Breda. Era demais, para um time que dava respaldo ao técnico Wim Jonk - que fazia trabalho confiável, de fato.

A temporada atual já começou sob a pecha do "é agora ou nunca". E Jonk teve reforços de peso à disposição. Um dos maiores goleadores da história da segunda divisão numa só temporada, Robert Mühren preferiu voltar ao clube em que começou a carreira a ir para a Eredivisie com o Cambuur em que estava. E justificou a volta: 29 gols em 37 jogos, sendo o nome dos gols na campanha do acesso. Teve um bom parceiro de ataque em Daryl van Mieghem, mais veloz na frente, líder de passes para gol (14), também colocando a bola na rede (foram 11 gols). Outro auxílio veio da base da Internazionale - onde Wim Jonk jogou na carreira: do clube italiano vieram o goleiro sérvio Filip Stankovic (filho do ex-jogador Dejan), titular a partir de meados da temporada, e o meio-campista italiano Gaetano Oristanio. Todos se somaram a nomes já conhecidos da torcida, como os meio-campistas Kevin Visser e Francesco Antonucci - este, emprestado pelo Feyenoord.

E o Volendam foi com tudo em boa parte da temporada. A partir da 9ª rodada, tomou a liderança da Eerste Divisie. Por muito tempo, foi o dono dela. Até tomar a goleada para o Emmen, na 27ª rodada, cedendo também a primeira posição. Diante da pressão de clubes como FC Eindhoven, Excelsior e ADO Den Haag; cedendo uma sequência de seis jogos sem vitória - três empates e três derrotas; tudo isso fazia supor que o Volendam fraquejaria de novo na reta final. Mas duas vitórias na 34ª e 35ª rodadas (3 a 1 no time B do Ajax, 2 a 1 no Den Bosch) decretaram o alívio. Após 13 anos, o ioiô voltou a subir. O Volendam está de volta - e espera demorar mais na descida.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Guia da segunda divisão: maior, sim, melhor, nem tanto

O De Graafschap do recém-chegado Danzell Gravenberch já passou duas temporadas seguidas de decepção. Quer acabar com isso e, enfim, superar a segunda divisão (Pro Shots)


NAC Breda, Excelsior, Volendam, Roda JC, De Graafschap... sobram clubes tradicionais na segunda divisão do futebol dos Países Baixos. Quis o destino que clubes como ADO Den Haag e VVV-Venlo também fossem rebaixados para a Eerste Divisie. Bastou para que despontasse o discurso comum nessas situações, dando conta de que a temporada 2021/22 do campeonato de acesso seria "o maior", ou "o melhor" da história da Eerste Divisie. Maior, no sentido de esbanjar tradição, ele pode até ser. Mas no sentido de ser o melhor, de indicar uma disputa ainda mais empolgante do que já existe pelas duas vagas diretas à primeira divisão (campeão e vice), talvez não seja bem assim. Há favoritos claros. Dois deles são clubes que tiveram a pior decepção que se pode imaginar no futebol neerlandês: chegar perto do acesso à Eredivisie, via repescagem, e morrer na praia. São eles De Graafschap e NAC Breda

O De Graafschap talvez seja o principal candidato ao título da segunda divisão holandesa. Até pela vontade de superar o drama: já são duas temporadas seguidas de decepções. Em 2019/20, os Superboeren vinham perto do acesso, na vice-liderança, quando a pandemia de COVID-19 eclodiu, tornando impossível que o campeonato continuasse. Na temporada passada, foi ainda pior para o clube de Doetinchem. Por 37 das 38 rodadas, ficou na segunda posição, que garantia a subida à elite. Porém, tropeços nas rodadas finais permitiram a chegada do Go Ahead Eagles - e na última rodada, o drama absoluto: o Go Ahead Eagles o superou em pontos, virou o vice-campeão. Ficaria pior: logo na primeira fase da repescagem de acesso/descenso, o Roda JC o eliminou. Sobrou para o técnico Mike Snoei, treinador nessas duas decepções, demitido. Caberá a Reinier Robbemond treinar um time que tem dois símbolos do De Graafschap (o goleiro Hidde Jurjus e o zagueiro Ted van de Pavert), mais alguns bons reforços - principalmente no ataque, com Danzell Gravenberch, Joey Konings e Giovanni Korte.

O NAC Breda perdeu dois destaques. Passou por turbulências. Mas tem um time sólido, que tentará de novo o acesso (Pro Shots)

O NAC Breda também foi outro clube a sentir a dor de perder a chance de voltar à Eredivisie, após dois anos: perdeu a decisão da vaga para o NEC, em casa. Depois, perdeu até mais destaques da equipe: o meio-campista Lex Immers encerrou sua carreira, e o atacante Sydney van Hooijdonk (sim, filho de Pierre) conseguiu a transferência que tanto desejava - no caso, para o Bologna-ITA. Além do mais, a decepção da torcida foi tamanha que a virulência dos protestos levou o técnico Maurice Steijn e o diretor técnico Ton Lokhoff (ídolo do clube enquanto jogador) a deixarem o clube aurinegro do sul neerlandês. Ex-jogador da equipe, Edwin de Graaf receberá no NAC Breda sua primeira chance como treinador. E terá uma base relativamente inalterada para dar uma das duas vagas na elite ao time de Breda: o goleiro Nick Olij, o meia Thom Haye, o atacante Mario Bilate. Além do mais, alguns reforços trazem qualidade técnica - como o atacante Ralf Seuntjens, tirado do... De Graafschap.

E dos times que caíram? Segundo questionamento da revista Voetbal International com os técnicos dos 18 clubes da segunda divisão, o Emmen é o maior candidato ao bate-e-volta rumo à primeira divisão. É até compreensível que se pense assim, pela ótima impressão que o time causou nas três temporadas em que ficou na Eredivisie. De mais a mais, o técnico Dick Lukkien, considerado o maior responsável pela boa fase dos Emmenaren, segue por lá. Mas o grupo de jogadores se reformulará à força: afinal, destaques como Michael de Leeuw e Sergio Peña já não estarão mais lá. Assim, convém não ter muitas expectativas com o time alvirrubro. 

Pior ainda é a situação do ADO Den Haag: o importante para o clube tradicional de Haia nem é disputar o acesso, mas continuar existindo. E nem se sabe qual será o comprador do clube, já que a empresa chinesa United Vansen quer vendê-lo. Enquanto um grupo norte-americano e um grupo de advogados (liderados por Martin Jol, bandeira do clube, ex-jogador e ex-treinador) disputam o comando, nomes como Michiel Kramer e Nasser El Khayati deixaram o clube de Haia. Restará a nomes como o goleiro Luuk Koopmans e o atacante Vicente Besuijen manterem as esperanças.

Por enquanto, o VVV-Venlo segura Giakoumakis. Se o grego ficar, pode ser muito útil na tentativa de voltar à Eredivisie (Pro Shots)

Se há um clube rebaixado da Eredivisie que tem mais chance de subir imediatamente, é o VVV-Venlo. Não só por ter um técnico acostumado a trabalhar em campanhas de acesso na Alemanha (Jos Luhukay, que chegou já nas últimas rodadas do Holandês passado), mas também por manter nomes experientes, como o meio-campista Danny Post. Principalmente, talvez, por ter segurado o grande destaque na campanha do rebaixamento. Não que falte vontade de vender Georgios Giakoumakis, mas enquanto ninguém chega com dinheiro, os Venlonaren mantêm o grego, artilheiro da primeira divisão no ano passado, com 26 gols. 

Robert Mühren foi o destaque do campeão Cambuur em 2020/21. Ficará na segunda divisão para tentar o destaque de novo, no Volendam (fcvolendam.nl)

Por falar em artilheiro, um goleador é o principal candidato a catapultar o Volendam a, enfim, conseguir o retorno à elite, após 13 anos. Desde a temporada passada, a "Outra Laranja" é considerada um dos times mais agradáveis de serem vistos na segunda divisão, pelo estilo ofensivo pregado pelo técnico Wim Jonk. Aí, não bastassem nomes como o zagueiro Micky van de Ven (cogitado pelo... Olympique de Marselha) e o meio-campo Kevin Visser, quem chegou foi simplesmente o goleador da Eerste Divisie passada. E não é um simples goleador: Robert Mühren foi o segundo jogador a deixar mais bolas na rede numa só temporada, em toda a história da segunda divisão neerlandesa, com 38 gols em 37 jogos. Preferiu deixar o Cambuur na Eredivisie e retornar ao Volendam, para tentar levá-lo de volta à primeira divisão, para possibilitar que o apelido "Heen-en-Weer" (mal traduzindo, "clube iô-iô", sobe e desce) pelo menos possa ser lembrado. Nessas possíveis surpresas, também são passíveis de serem citados Excelsior - em que pese ter perdido seu destaque, Elias Mar Ómarsson - e Roda JC, que jogou a repescagem de acesso.

Nos times B dos clubes grandes, Van Nistelrooy terá a primeira chance como treinador, com a equipe de aspirantes do PSV (psv.nl)

E os times B? De certa forma, os técnicos deles são mais badalados do que os jogadores. Que o digam Jong Ajax e Jong PSV, tendo como respectivos treinadores John Heitinga e Ruud van Nistelrooy, no que será a primeira experiência de ambos no comando de uma equipe profissional. No time B Ajacied, os destaques - Calvin Raatsie, Youri Regeer, Kenneth Taylor, Kian Fitz-Jim, os brasileiros Danilo e Giovanni - devem se alternar com o grupo do time principal. Na equipe de aspirantes em Eindhoven, convirá prestar atenção em nomes como o zagueiro brasileiro Luis Felipe e o atacante Fodé Fofana. Sem contar os times B de AZ e Utrecht, também em disputa.

No entanto, até por serem proibidos de jogar a primeira divisão, os times B de clubes grandes são meros coadjuvantes da segunda divisão. E mesmo na disputa do título e do acesso, em que pesem os vários clubes tradicionais, a possibilidade é menos democrática do que parece. Será a maior "segunda divisão", sim. A melhor, nem tanto.

segunda-feira, 31 de maio de 2021

Segunda divisão - análise: justiça seja feita

O Cambuur liderava a segunda divisão em 2019/20, quando a pandemia interrompeu o futebol. Teve de se reanimar, e fez justiça com as próprias mãos: campeão e promovido à Eredivisie de modo inquestionável (Pro Shots)

Poucos clubes lamentaram tanto a interrupção do futebol na Europa, durante a temporada 2019/20, quanto Cambuur e De Graafschap. Tiveram razões para isso: quando a segunda divisão da Holanda foi interrompida, após 29 rodadas (faltando dez para o final), o time de Leeuwarden liderava, os Superboeren vinham em segundo lugar, e ambos estavam muito bem encaminhados para retornarem à primeira divisão. Tiveram de engolir o adiamento, deixarem de lado os recursos contra a federação... e esperarem pela Eerste Divisie 2020/21. Ela chegou. E mostrou a justiça sendo feita, para contentamento do Cambuur - e descontentamento do De Graafschap.

No caso do Cambuur, após a frustração com o recurso na Justiça dos Países Baixos contra a federação, restou apostar na continuidade: Henk de Jong continuou sendo o técnico no clube auriazul, o atacante Robert Mühren seguiu como grande destaque do time, continuou a aposta numa base que mesclasse experiência em clubes médios/pequenos da Eredivisie (Doke Schmidt, Calvin MacIntosch, Issa Kallon... todos eles já atuaram na primeira divisão) com certos privilégios aos destaques (no ataque, por exemplo, Kallon e Jarchinio Antonia vinham pelas pontas, criando as jogadas para Mühren finalizar). Deu muito certo. Já no primeiro período, entre a 1ª e a 9ª rodadas, o Cambuur foi o melhor time, garantindo desde então um lugar na repescagem de acesso/descenso. 

Mas nem isso seria necessário: a equipe mostrou melhorar à medida que a segunda divisão transcorria. Foi também a melhor do segundo período (entre 10ª e 19ª rodadas). A partir da 20ª rodada, engatilhou sequência invicta de nove jogos, com sete vitórias, e o título virou questão de tempo. A comemoração começou na 34ª rodada, com goleada em casa no Helmond Sport (4 a 1), e foi confirmada com os 4 a 2 no time B do AZ, fora de casa. De quebra, nem o relaxamento pós-título trouxe tropeços: foram mais quatro vitórias e um empate. Com 92 pontos, quinze à frente do vice-campeão, o Cambuur ostenta um título inquestionável, voltando à elite do futebol da Holanda após cinco anos. Personificado em Robert Mühren: goleador da temporada, sendo simplesmente o segundo nome com mais bolas na rede numa só temporada da Eerste Divisie - 38 gols, em 38 jogos. Só não mostrará isso na Eredivisie: Mühren ficará na segunda divisão, contratado que foi pelo Volendam.

Alicerçado na excelente defesa (destaque para o goleiro Gorter, de verde), o Go Ahead Eagles embalou, surpreendeu o De Graafschap e conseguiu o melhor prêmio: o acesso (Pro Shots)

Se o Cambuur nadou de braçada durante praticamente toda a temporada da segunda divisão, o De Graafschap pareceu por muito tempo destinado a completar a história que fora interrompida em 2019/20. Desde a oitava rodada, o time de Doetinchem se alternou entre a segunda e a terceira posições (ocupando a quarta, na 14ª e na 18ª rodadas). Mesmo em meio a uma equilibrada disputa com o Almere City - e quem mais quisesse entrar no meio, como ensaiaram NAC Breda, NEC, Volendam... -, os Superboeren se amparavam na experiência do zagueiro Ted van de Pavert e nos gols da dupla Daryl van Mieghem-Ralf Seuntjens para serem o melhor clube do terceiro período, entre a 20ª e a 28ª rodadas, e chegarem à reta final na vice-liderança.

Mas o Go Ahead Eagles veio. Devagar e sempre. Após começo estacionado no meio da tabela, a equipe aurirrubra de Deventer entrou nos eixos. Nem tanto pelo desempenho ofensivo, mas sim por dois nomes de destaque na defesa: o zagueiro Sam Beukema (já contratado pelo AZ) e o goleiro Jay Gorter. Eles simbolizaram uma façanha do Kowet: 25 jogos sem gols sofridos, recorde histórico na segunda divisão neerlandesa. Uma derrota justamente para o De Graafschap - 1 a 0, na 33ª rodada - pareceu acabar com o sonho da volta à primeira divisão. Que nada: nas cinco rodadas seguintes, o adversário de Doetinchem emperrou - quatro empates e uma derrota. 

O Go Ahead Eagles empilhou cinco vitórias. E terá razões para se lembrar da última rodada. Cumpriu sua parte na busca do acesso, vencendo o Excelsior fora de casa (1 a 0). Mas teve de esperar pelo resultado de De Graafschap x Helmond Sport, iniciado no mesmo horário, interrompido pela chuva aos 38 minutos do primeiro tempo. O jogo voltou, o De Graafschap foi incompetente para fazer gols, os jogadores do Go Ahead Eagles acompanharam o segundo tempo sentados no gramado em Roterdã... e o 0 a 0 completou o êxtase do Kowet: vice-campeão pelo melhor saldo de gols (ambos tiveram 77 pontos), retornado à Eredivisie. De certa forma, justiça também, premiando a solidez da equipe treinada por Kees van Wonderen. Pior para o De Graafschap, já eliminado na primeira fase da repescagem de acesso/descenso, perdendo de virada para o Roda JC (3 a 2).

O NEC foi bastante inconstante na temporada regular da Eerste Divisie. Sem problemas: na hora necessária, usou da eficiência para voltar à Eredivisie via repescagem (Pro Shots)

Aliás, "injustiça" mesmo, só se viu na repescagem: mesmo inconstante por toda a temporada, sétimo colocado após as 38 rodadas regulares, o NEC apostou no chamado "cateNECcio": proteção à defesa e eficiência nos contra-ataques puxados por Jonathan Okita. Foi assim que superou o Almere City, goleando na primeira fase dos play-offs (4 a 0); que sobrepujou facilmente o Roda JC (3 a 0); e, finalmente, foi assim que entristeceu o NAC Breda - fora de casa, o NEC teve Okita fazendo 2 a 1 no último minuto, para garantir a volta à Eredivisie, após quatro anos.

Injustiça? Melhor seria dizer competência. De todos os três promovidos.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Guia da segunda divisão: a pandemia permitirá o sonho?

O Cambuur liderava a segunda divisão, o De Graafschap era o vice-líder... mas a pandemia (e a decisão da federação) acabaram com o sonho do acesso. Ele recomeça agora para ambos (degraafschap.nl)

Março de 2020. Adiantada em relação à primeira divisão, como sempre, a segunda divisão do futebol na Holanda (Países Baixos) já ia pela sua 29ª rodada - nove antes do final da temporada regular. E dois clubes já se destacavam para ficarem com as vagas de campeão e vice - que dariam, pela primeira vez, direito ao acesso direto à Eredivisie (sem contar a terceira vaga, que seria disputada na repescagem de famigerado regulamento). Eram o Cambuur, líder da Eerste Divisie, e o De Graafschap, então segundo colocado. Faziam por merecer - principalmente o Cambuur, que já contava dez pontos acima do Volendam, o terceiro colocado. Mas a COVID-19, já tomando a Europa à força entre o fim de fevereiro e o começo do citado março, forçou a parada de tudo. 

O futebol não pôde ficar imune a isso: nos Países Baixos, os eventos públicos foram proibidos - a princípio, até setembro - por ordem do governo. A federação "lavou as mãos", deixou aos clubes a responsabilidade da decisão sobre os rumos da temporada interrompida, estes obviamente não quiseram comprometer os futuros dos co-irmãos... e a KNVB retomou a frente para tomar o polêmico caminho: a temporada 2019/20 estava encerrada, em todos os níveis. No caso da segunda divisão, a resolução era ainda mais dramática: sem acesso, sem descenso, os 20 clubes de 2019/20 seriam os mesmos para 2020/21. Claro, a queixa foi gigante por parte de Cambuur e De Graafschap: o sonho do retorno à primeira divisão (para aquele, após quatro anos; para este, o "bate-e-volta" após a queda em 2018/19) estava perto de acontecer... e foi encerrado, pelo menos por enquanto, após a canetada da federação. 

Houve ameaças de protesto aqui e ali - principalmente do Cambuur -, mas aos poucos as ameaças foram diminuindo previsivelmente: afinal, alguma resolução para a temporada 2019/20 a federação tinha de tomar (e ela estava de mãos atadas, pelas medidas do governo holandês). Tomou do jeito errado, mas tomou. E só o tempo permitiu alguma retomada. Antecipada a partir de julho, com a abertura de clubes. Aprofundada com os treinos. E que será completa a partir desta sexta-feira, quando dois jogos - o time B do Utrecht contra o FC Eindhoven, Cambuur contra NEC - abrirão a Keuken Kampioen Divisie, o "nome patrocinado" da Eerste Divisie, a segunda divisão da Holanda. Cinco meses depois da pandemia ser decretada e jogar o futebol (e o mundo) num monte de incertezas, a primeira delas na Eerste Divisie é óbvia: quem são os favoritos ao acesso? 

Robert Mühren era o nome dos gols no Cambuur até a COVID-19 interromper o futebol. Continuará sendo, pelo menos enquanto a segunda divisão puder ocorrer (Pics United)

Os favoritos

De certa forma, nem mesmo a pandemia mudou o cenário. O Cambuur desponta, novamente, como o grande favorito ao título. Não só pela vantagem que a equipe de Leeuwarden já ostentava na temporada passada, mas porque o grupo de jogadores dos Leeuwarders, treinado por Henk de Jong, passou relativamente incólume pela pandemia. Os destaques são os mesmos, com experiência em times menores da Holanda: o goleiro Sonny Stevens, o zagueiro Calvin MacIntosch, o ponta-de-lança Mitchel Paulissen e, principalmente, o atacante Robert Mühren. Autor de 26 gols em 2019/20, Mühren teve seu empréstimo ao Cambuur prolongado pelo Zulte Waregem, da Bélgica, clube ao qual o centroavante pertence. É o centro do time. E se fizer em 2020/21 tantos gols como vinha fazendo, pode ser o dínamo de outra campanha que levaria a um eventual retorno do Cambuur à divisão de elite.

Se o Cambuur tem um time calejado nas profundezas dos pequenos do futebol holandês, o De Graafschap (vice-líder até a parada) aposta num time um pouco mais jovem para conseguir até posição melhor. Os Superboeren tiveram bons resultados na pré-temporada, e se valeram de negócios baratos para fortalecerem o grupo comandado pelo técnico Mike Snoei: chegaram ao clube da cidade de Doetinchem nomes como o goleiro Rody de Boer (emprestado pelo AZ), o lateral Julian Lelieveld (vindo do Vitesse, de graça) e o atacante Joey Konings (vindo do Heracles Almelo). Estes se somam a nomes mais experimentados que também chegaram - os atacantes Ralf Seuntjens e Johnatan Opoku sendo os principais.

Mas como se sabe, as duas primeiras posições não são o único caminho para se chegar à primeira divisão na Holanda: há a temida e emocionante repescagem após a temporada regular, valendo uma vaga. Lembrando rapidamente seu complicado regulamento: as 38 rodadas da Eerste Divisie são divididas em quatro "períodos" de nove rodadas, a partir da 3ª rodada. O melhor time de cada um desses períodos - o periodekampioen, literalmente "campeão de período" - já é garantido na repescagem. Estes quatro times, mais os dois melhores colocados da temporada regular sem terem sido "campeões de período" (podem ser mais, se um dos campeões de período tiver subido direto, como campeão ou vice), vão para a repescagem, esperando o 16º (antepenúltimo) colocado da Eredivisie. Num mata-mata simples, os seis se enfrentam na "primeira fase"; os três ganhadores vão para as "semifinais" junto do egresso da Eredivisie, em dois jogos; e os vencedores definem, enfim, a vaga.

O Volendam poderá contar com Francesco Antonucci por mais uma temporada (Pics United)

E se há times que podem ficar mais atrás na disputa do título da segunda divisão, a briga pelo "título" dos "períodos" tem muito mais concorrentes. Com um time jovem e pregando estilo ofensivo - bem ao gosto do técnico, o ex-volante Wim Jonk -, o Volendam aposta pesadamente no belga Francesco Antonucci, já emprestado na temporada passada, que ficará mais este campeonato na "Outra Laranja" (apelido do Volendam) antes de voltar ao Feyenoord. O NEC Nijmegen, velho conhecido da Eredivisie, tenta o retorno a ela após quatro anos, contando com o retorno de outro velho conhecido: o volante paraguaio Edgar Barreto, 36 anos, que passara pelos Nijmegenaren entre 2003 e 2007 antes de fazer carreira regular na Itália (Reggina, Atalanta, Palermo e Sampdoria). O NAC Breda, bem mais ambicioso, querendo voltar após três anos de ausência, já é mais ambicioso: não só conta com nomes promissores, como o goleiro Nick Olij e o atacante Sydney van Hooijdonk - sim, filho de Pierre -, mas também com vindas experientes, como a do lateral direito Dion Malone, tirado do ADO Den Haag.

E os "times B"?

Vale citar ainda que, mesmo sem direito a promoção para a primeira divisão nem a participação na repescagem de acesso/descenso, por motivos óbvios, os times B têm lá sua atratividade na Keuken Kampioen Divisie. Principalmente o único deles que já foi campeão dela, em 2017/18: o Jong Ajax, que vinha em quarto lugar na temporada suspensa. É até "covardia" citar a relação de nomes promissores que a equipe B dos Ajacieden tem. Os goleiros Daan Reiziger e Calvin Raatsie; os zagueiros Neraysho Kasanwirjo e Devyne Rensch; os meio-campistas Kenneth Taylor e Naci Ünüvar (este, um dos mais valorizados); os atacantes Sontje Hansen e Brian Brobbey... todos eles fizeram parte da geração holandesa bicampeã europeia sub-17 (e quarta colocada no Mundial do ano passado), todos eles marcaram presença no Ajax semifinalista da Liga Jovem da UEFA, todos eles são relacionados vez por outra no time principal. E todos eles jogarão a segunda divisão - com um brasileiro como colega: o atacante Giovanni Manson, vindo do Santos, que até protestou, contra suposto aliciamento do Ajax.

Sontje Hansen na esquerda, Naci Ünüvar na direita: os jovens do Jong Ajax continuam badalados (BSR Agency/Soccrates)

Mas o time B do PSV, outro a disputar a Eerste Divisie, também tem muitos jogadores jovens que se alternam com a equipe principal e também são promissores. O lateral direito Jordan Teze, o volante tcheco Michal Sadílek, o atacante Joël Piröe (retornando de empréstimo ao Sparta Rotterdam): todos eles já tiveram sua experiência no time de cima dos Boeren. E nem recai sobre eles a maior expectativa, mas sim sobre o atacante Noni Madueke, inglês de ascendência nigeriana, que já vinha tendo chances na equipe de Eindhoven antes da pandemia eclodir. Há até um brasileiro no Jong PSV: o zagueiro Luis Felipe, vindo do Coritiba.

O Jong Ajax pode até ser mais badalado, mas Noni Madueke também faz muitos gols pelo time B do PSV (BSR Agency)

Finalmente, há os times B de AZ e Utrecht, dois clubes cada vez mais cuidadosos com suas categorias de base, e cada vez mais ambiciosos em desafiarem o trio de ferro neerlandês. No time de Alkmaar, o meio-campista Mohamed Taabouni foi promovido ao grupo principal, mas há de participar de algumas rodadas - bem como o zagueiro Maxim Gullit (sim, filho de Ruud), 19 anos; nos Utregs B, há nomes como o atacante Tim Pieters, o meio-campista francês Zineddine Bourebbaba... e o zagueiro Ruben Kluivert (sim, filho de Patrick e irmão de Justin). Também podem fazer seu barulho.

Mas todas essas são perspectivas antes do começo da segunda divisão. Porque a pandemia ainda está aí. As incertezas que ela traz, também. Os jogos ainda serão com público diminuto, no mínimo. E os números da COVID-19 na Holanda (Países Baixos) voltam a crescer - ainda em patamares controlados, principalmente no número de internados e mortos, mas crescem, trazendo o temor da "segunda onda". A federação holandesa até já criou procedimentos para resolver o resultado do torneio, em casos extremos como o que se vive. Mas a "segunda onda" certamente interromperia de novo o campeonato. Interromperia o sonho do acesso também?

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Guia da segunda divisão: mais fácil ou mais difícil?

Na temporada passada, o Twente foi o único felizardo com acesso direto à Eredivisie, como campeão da segunda divisão. Agora, o vice-campeão também comemorará (Eric Verhoeven/Soccrates/Getty Images)

Se o Campeonato Holandês já começou (aliás, nesta sexta será aberta a segunda rodada da Eredivisie), este 9 de agosto marca o início da Eerste Divisie, a segunda divisão holandesa - ou falando o nome oficial do campeonato, a Keuken Kampioen Divisie, baseado na loja de móveis para cozinha que patrocina a liga. De certa forma, marca uma nova fase também no torneio. Afinal de contas, aparentemente, o caminho ficou mais fácil para chegar à primeira divisão. Mas pode ter ficado mais difícil, dependendo do ponto de vista.

Para quem acha que a trajetória rumo à Eredivisie ficou mais simples, há o que justifique tal opinião. Afinal, a partir desta temporada, são duas vagas diretas de acesso: o campeão da Eerste Divisie continua subindo diretamente, mas agora o vice-campeão também será promovido à primeira divisão. Faz sentido: se o vice-campeão em 2018/19 (Sparta Rotterdam) subiu via repescagem, e se o vice de 2017/18 (Fortuna Sittard) ganhou de presente a vaga direta - o campeão de então foi o Jong Ajax, a equipe B dos Ajacieden, que não subiria por razões óbvias -, é melhor já considerar que o segundo colocado da segunda divisão tem nível bom o suficiente para poder disputar a Eredivisie sem passar pela temível repescagem.

Aliás, a repescagem de acesso/descenso (temível não só pela dificuldade ou pela tensão, mas pelo regulamento complicado - já há um texto sobre ela aqui) também ficou um pouco mais simples de ser compreendida. Só um nome a vencerá e garantirá, ou manterá, a terceira vaga na primeira divisão. Pegando o que se disse no link citado há duas linhas, explique-se rapidamente: da 3ª à 38ª rodadas, a Eerste Divisie é dividida em quatro períodos. Os quatro "periodekampioenen" - literalmente, "campeões de período" em holandês - se garantem na repescagem, junto aos dois melhores colocados que não tenham sido "campeões de período" e ao 16º (antepenúltimo) colocado da Eredivisie. Aí, os seis que jogaram a segunda divisão se dividem em dois, para três decisões, em ida e volta. Os três classificados se unem ao egresso da Eredivisie que lutará para manutenção, e aí acontecerão as semifinais e finais pela vaga na divisão de elite. Ficou mais fácil, aparentemente.

Por outro lado, é possível dizer que a segunda divisão da Holanda também ficou mais difícil. Se há duas vagas diretas, a disputa por elas - e consequentemente, pelo título - será ainda mais árdua. Dos rebaixados da primeira divisão, o De Graafschap terá nomes bem vistos pela torcida (como o goleiro Hidde Jurjus e o zagueiro Ted van de Pavert) e outros que dão a técnica necessária (como o ponta-de-lança Youssef El Jebli e o atacante Ralf Seuntjens). No Excelsior, o técnico Ricardo Moniz, que chegara na reta final da temporada passada, ganhou um crédito de confiança - e se perdeu nomes como o zagueiro Jürgen Mattheij, mantém destaques como o meio-campista Luigi Bruins e o atacante Elias Mar Ómarsson. Além do rebaixamento, o NAC Breda perdeu vários destaques, e vive uma crise financeira, só podendo esperar de nomes como o meio-campista Mounir El Allouchi e o recém-chegado Finn Stokkers. Já o Roda JC, também tradicional, sofre com a crise financeira.

E há aqueles times que já estão na segunda divisão há algumas temporadas. Até por isso, andam cada vez mais sedentos pelo acesso. O Go Ahead Eagles já entra pressionado por sua torcida, depois da dramática perda da vaga na Eredivisie (contra o RKC, ganhava por 4 a 3 na repescagem, até os 88', e tomou a virada em casa nos acréscimos) Após uma temporada passada turbulenta, com três técnicos, o NEC vai para esta Eerste Divisie num clima de "agora ou nunca": um trio de técnicos (François Gesthuizen, Adrie Bogers e Rogier Meijer) terá de conduzir o time tricolor de Nijmegen ao acesso, com nomes como o zagueiro Rens van Eijden e o atacante Sven Braken. O Volendam ganha muitas apostas: o técnico Wim Jonk comandará um time promissor, com o atacante Zakaria El Azzouzi como destaque. Habituais nomes na repescagem das temporadas recentes, Almere City e MVV Maastricht seguem em busca do acesso: o time de Almere nunca esteve na Eredivisie, e a equipe de Maastricht já não a joga desde 2000.

Isso, sem contar os quatro times B de equipes da primeira divisão, que certamente darão tempo a jovens talentos, "preparados" para serem promovidos ao time principal. No Jong Ajax, os atacantes Lassina Traoré e Danilo Pereira (brasileiro, vindo da base do Santos) terão mais chances; no Jong PSV, as apostas principais irão para os atacantes Joël Piroe e Zakaria Aboukhlal; Jong AZ e Jong Utrecht também têm nomes que merecem atenção.

Por tudo isso, dá para dizer que a segunda divisão holandesa ficou mais difícil. Ou ficou mais fácil, por ter mais vagas diretas? A resposta começa a partir desta sexta.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Emoção de sobra

O Fortuna Sittard mantém a turbulência do lado de fora do campo: está perto do título e do retorno à primeira divisão (Gerrit van Keulen/VI Images)
Na primeira divisão do Campeonato Holandês, o PSV já se prepara timidamente para a festa do título que se aproxima (timidamente por causa de razões que serão explicadas no final deste texto). Então, acabou-se a emoção que o futebol holandês possa ter para oferecer em 2017/18? Muito longe disso. Porque, na segunda divisão, também restando apenas cinco rodadas, Fortuna Sittard, Jong Ajax e NEC protagonizam uma disputa pelo título – e pelo consequente acesso direto – como havia tempos a Eerste Divisie não via. Apenas um ponto separa as três equipes.

A equipe B Ajacied está na terceira posição, com 64 pontos e saldo de gols menor do que o time de Nijmegen, rebaixado na temporada passada, atual ocupante da segunda posição, com pontuação igual. E ambos estão abaixo do Fortuna Sittard, que viu a sorte lhe sorrir há duas rodadas, na sexta passada: não só viu derrotas dos adversários diretos – no “clássico dos times B”, o Jong PSV fez 3 a 0 no Jong Ajax, enquanto o NEC sucumbiu ao FC Eindhoven (3 a 2) -, mas cumpriu sua tarefa ao golear o Almere City (4 a 1) para voltar à primeira colocação. E a situação se manteve como tal na 33ª rodada, ocorrida na segunda passada, quando todos venceram. O NEC fez 3 a 0 no Telstar; o Jong Ajax superou o Dordrecht (3 a 2); e o Fortuna também ostentou 3 a 0, no Helmond Sport.

Conseguir a liderança na reta final, ainda que longe de ser definitiva, é bastante surpreendente para o Fortuna. Não pelo clube ter vivido uma ascensão vertiginosa: como a coluna citou no fim de janeiro, já então o time auriverde de Sittard estava presente na disputa pela liderança, sonhando com a volta à Eredivisie após 16 anos. Porém, coincidentemente, naquela semana a equipe fora derrotada pelo Dordrecht (3 a 0). E o nigeriano Sunday Oliseh, ainda técnico, já começara a pedir mais apoio da diretoria – o que incluía contratações.

Foi o início da fase mais turbulenta que o Fortuna Sittard viveu em sua campanha. Primeiro, porque no começo de fevereiro, alguns jornais e sites divulgaram suposta demissão de Oliseh, por suas declarações criticando a diretoria. O clube rapidamente desmentiu – e, de fato, o ex-jogador seguiu comandando a equipe. Mas estava claro que o clima era o pior possível entre as partes. Seguiram-se mais dois jogos sem vitória. E aí, sim, não só Oliseh foi demitido, no meio de março, como o conflito se tornou aberto.

O nigeriano deu a primeira estocada, à revista Voetbal International: “Eu não queria continuar. Não queria fazer parte de práticas ilegais”. O clube – leia-se o proprietário Isitan Gün – quis ouvir quais eram tais práticas. E levou o ex-comandante à Justiça Comum holandesa, onde ambas as partes estão até agora. Em audiência acalorada no dia 20 de março, Oliseh acusou o clube de pagar irregularmente jogadores e treinadores; Gün vociferou contra os métodos e comportamentos do técnico. O veredito veio nesta sexta: a comissão independente decidiu que a razão estava com o Fortuna Sittard, e Oliseh ficou sem direito a indenização pela demissão.

Em meio a tal tormenta, parece incrível que o português Cláudio Braga, que passou de técnico dos juvenis a interino do principal sem escalas, conseguisse blindar a equipe. Blindou. Paralelamente, os destaques voltaram a se sobressair, em figuras como Finn Stokkers e Lisandro Semedo. E mesmo após a demissão, o Fortuna se manteve próximo da primeira posição. Está invicto desde então, com três empates e sete vitórias. Na última, como já dito, retomou a liderança. Não que as dificuldades tenham cessado. Longe disso – no supracitado triunfo contra o Almere City, o clube perdeu um dos destaques na campanha, o atacante Djibril Dianessy, fora da temporada após romper o ligamento cruzado anterior. Mas está claro que o sonho do retorno à Eredivisie segue muito vivo.

Assim como segue vivo para o NEC, também disputando firmemente a liderança. Como ocorreu com outros campeões da segunda divisão, o clube de Nijmegen tenta retornar rapidamente à primeira divisão com a mesma base que sofreu o rebaixamento. Ainda seguem no time treinado por Pepijn Lijnders o goleiro Joris Delle, o zagueiro Wojciech Golla, o volante Janio Bikel, o atacante Mohamed Rayhi. Uma contratação até inesperada – Anass Achahbar, que era promissor no Feyenoord – também tem mostrado talento: é o goleador da equipe na temporada.

Além do mais, jovens que eram apenas promessas em 2016/17 já amadureceram suficientemente para tomarem conta de suas posições e se destacarem na campanha. É o caso do meio-campista Ferdi Kadioglu e do atacante Arnaut Groeneveld. Todavia, um hábito da segunda divisão holandesa bem conhecido de brasileiros tem perturbado a campanha: a ausência de paralisação do campeonato nas datas Fifa. Há três rodadas, com Kadioglu e Groeneveld na seleção holandesa sub-21, o NEC tropeçou contra o De Graafschap (1 a 1). A derrota para o FC Eindhoven devolveu a ponta ao Fortuna Sittard. E agora, os Nijmegenaren apenas esperam tropeços – possíveis – do primeiro colocado.

E o terceiro colocado da Eerste Divisie poderia estar muito tranquilo na disputa. Afinal, o Jong Ajax não será promovido caso seja campeão, por motivos óbvios. Porém, a temporada decepcionante da equipe principal coloca uma certa pressão na equipe B dos Amsterdammers. Pressão que às vezes prejudica, como na derrota para o Jong PSV. De mais a mais, os jogadores às vezes sofrem com o vai-e-volta entre o banco do time de cima e a titularidade absoluta na equipe B. É o caso de vários jogadores: Luis Orejuela, Noussair Mazraoui, Carel Eiting e, acima de tudo, Mateo Cassierra, goleador da equipe na temporada. Além do mais, até pelo investimento que o Ajax faz em sua base (muito mais alto que o dos rivais, obviamente), considera-se que ganhar a segunda divisão seria um 
certo prêmio de consolação. E perdê-la, mais uma decepção.

Está certo que Fortuna Sittard e NEC, mesmo perdendo o título, continuariam na disputa pelo acesso – afinal, como “campeões de período”, estão garantidos na repescagem. Ainda assim, a mobilização na disputa pelo título da segunda divisão os faz esquecer tal possibilidade. Afinal, viria o acesso direto junto da taça. E a ansiedade da reta final foi expressa justamente por quem tem menos “obrigação” de ser campeão: Michael Reiziger, técnico do Jong Ajax. “Está uma competição legal. E está surpreendente, todo mundo pode perder pontos”. Após a 34ª rodada ser jogada nesta sexta, a vitória do Jong Ajax sobre o NEC (2 a 0) fortaleceu o time de Amsterdã - e também o Fortuna, que venceu o Go Ahead Eagles (1 a 0) e segue na ponta. Mas quem garante que isso durará?


Se há um time que pode impedir o sonho apoteótico do PSV, é o AZ, com a dupla Alireza-Weghorst (Tom Bode/VI Images)
PSV: a decisão antes da decisão

Sete pontos à frente do Ajax, com cinco rodadas para o final do Campeonato Holandês: a torcida do PSV já esfrega as mãos pensando em comemorar o título. Se tudo der certo para os Boeren, a comemoração seria deliciosa: precisando de duas vitórias, os três pontos decisivos viriam justamente no clássico contra o vice-líder de Amsterdã, na 31ª rodada, no próximo dia 15. Aí mora o perigo. Porque, antes do clássico, neste sábado, a partida da 30ª rodada traz justamente uma visita contra... o AZ, terceiro colocado. E não será nada fácil vencer a equipe altamente ofensiva e rápida que vem de Alkmaar.

Seja nas laterais, com Jonas Svensson e Thomas Ouwejan; no meio, com Guus Til e Teun Koopmeiners; no ataque, com Alireza Jahanbakhsh, Wout Weghorst e Oussama Idrissi; as opções ofensivas não faltam a John van den Brom. E a organização tática dá aos Alkmaarders franca superioridade sobre a maioria dos rivais – como provou o fácil 3 a 0 sobre o ADO Den Haag, na rodada passada. Não à toa, o AZ chega à final da Copa da Holanda pela segunda temporada consecutiva. Menos à toa, sonha até com o vice-campeonato – desvantagem ainda reversível de cinco pontos, para o Ajax, que será enfrentado na penúltima rodada. Menos à toa ainda foi ver alguns destaques (o goleiro Marco Bizot, Til, Weghorst) lembrados por Ronald Koeman na convocação da seleção.

Se há algum álibi com que os Eindhovenaren podem contar, é o péssimo retrospecto do AZ na temporada contra os grandes. Ao enfrentar o Feyenoord, o mais decepcionante do trio, foram duas derrotas – incluindo aí um 4 a 0 em plena Alkmaar. Contra o Ajax, numa partida que poderia dar a vice-liderança, fez-se o 1 a 0, mas foi tomada a virada. E contra o PSV, na primeira rodada, o AZ até saiu na frente, mas levou o 3 a 2. Ainda assim, num momento decisivo da temporada, e diante de um time elogiável tecnicamente (nem que seja para chegar na Liga Europa e passar vexame – quem esquece os 7 a 1 do Lyon?), o PSV precisa de atenção. Afinal, ainda há esta decisão contra o AZ antes da sonhada “decisão” contra o Ajax.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 6 de abril de 2018)

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Guia da Eerste Divisie (segunda divisão)

Na curiosa segunda divisão holandesa, objetivo para os clubes "normais" é repetir VVV-Venlo: campeão e promovido diretamente (knvb.nl)
Datas FIFA. Semana para a maioria dos campeonatos europeus parar completamente (motivo de desgosto para alguns)... menos a Eerste Divisie, a segunda divisão holandesa. Mais uma característica pitoresca, num torneio já tão curioso - por motivos que logo serão citados aqui. O próximo final de semana já terá, aliás, a terceira rodada da liga de acesso, na qual 20 clubes sonham com três vagas de promoção à Eredivisie: uma direta, para o campeão, e duas via repescagem (que já foi descrita aqui, e não será descrita de novo, para evitar o nó no cérebro dos leitores).

Aliás, a iniciativa de não parar a segunda divisão enquanto as seleções europeias foi pedido... dos próprios clubes, por meio da CED (Cooperatie Eerste Divisie), entidade que une a maioria das agremiações. De acordo com Maarten van den Broek, porta-voz da CED, a mudança se deu "para tornar possível um começo mais tardio da liga, e para a tabela prever menos jogos às segundas. Foi um desejo forte, tanto de torcedores quanto de clubes. (...) As partidas de sexta são bem mais vistas do que as partidas das segundas. Uma vantagem que vem junto disso é o fato de que quatro jogos da segunda divisão serão transmitidos pela tevê no próximo fim de semana. Fazia tempo que não acontecia".

Se jogar mesmo nas datas FIFA facilita, fica ainda mais fácil chamar alguma atenção quando se joga contra as equipes B dos clubes da Eredivisie, mesmo que essas sejam obviamente impedidas de subirem. E tal fenômeno vai aumentando pouco a pouco na segunda divisão. Se no começo apenas Jong Ajax e Jong PSV eram aceitos, até por pressão da FOX Sports, emissora a cabo que mostra o campeonato - equipes B de clubes grandes já são chamarizes de mais audiência -, agora os méritos são até esportivos. Caso do Jong AZ, equipe B do clube de Alkmaar, campeã da Tweede Divisie (equivalente à terceira divisão) na temporada passada.

Enfim, sem mais delongas, hora de pequenos textos sobre dois tipos de clube: os "times B" dos grandes e aqueles que realmente sonham com um lugar na Eredivisie.

Os "Jong elftallen" (times B)

"Jong elftallen". Em holandês, "times de jovens". Exatamente para isso servem as equipes B dos clubes que jogam a Eredivisie: educarem atletas promissores a figurarem no ambiente de competição, antes de serem promovidos ao time principal. É o que acontece no Jong Ajax, em que o ex-lateral Michael Reiziger (técnico que sucede Marcel Keizer, inesperadamente "promovido" a treinador dos principais) terá as funções de seguir com boas campanhas, como no vice-campeonato de 2016/17, e encaminhar jovens ao time principal, como o zagueiro Damil Dankerlui - já promovido - e os atacantes Kaj Sierhuis e Robert Muric.

Caminho semelhante segue o PSV, no qual o técnico Dennis Haar terá até mais promessas que podem estrear/já estrearam na Eredivisie: o goleiro Yanick van Osch, o zagueiro Armando Obispo, o lateral Kenneth Paal, os meio-campistas Albert Gudmundsson e Mauro Júnior (brasileiro vindo do Desportivo Brasil), e o atacante Matthias Verreth. Capacidade para Haar não falta: afinal, ele vem justamente do Jong AZ, campeão da terceira divisão - e que jogará com destaques como o goleiro Nick Olij e o atacante Jeremy Helmer. No Jong Utrecht, a esperança é o atacante Nick Venema. De quebra, se algum jogador da equipe principal estiver lesionado... ele recupera ritmo de jogo no próprio time B.

Os de sempre

Em geral, time que cai da Eredivisie quase sempre disputa o acesso na temporada seguinte. A não ser algumas exceções - como o RKC Waalwijk, rebaixado em 2014/15 e vivendo grave crise atualmente. De resto, o NEC tem tudo para fazer o bate-e-volta rumo à Eredivisie - até por contar com bons jogadores, como o meio-campista Gregor Breinburg e o atacante Jordan Larsson (sim, filho do ex-atacante sueco Henrik). O Go Ahead Eagles manteve boa parte do time lanterna na temporada passada, com os atacantes Leon de Kogel e Sam Hendriks como destaques, mas terá mais dificuldades. Até porque times que disputaram a repescagem de acesso/descenso, como Volendam e MVV Maastricht, já buscam a volta à elite do futebol holandês há muito tempo. Quem sabe consigam... e ainda há o De Graafschap, também tradicional