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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Os holandeses na Champions 2026/27: reagir é necessário

Começa a temporada 2026/27 das competições europeias. Claro, com a Liga dos Campeões como carro-chefe, como sempre. Também como de hábito, os dois clubes da Holanda (Países Baixos) participantes à fase de liga começam como coadjuvantes, mais focados em ficarem na zona de clubes entre o 9º e o 24º postos, que terão uma chance de seguirem, na segunda fase. E precisam disso, por vários motivos. 

Em primeiro lugar, a razão mais urgente: porque pelo coeficiente da UEFA, não só os Países Baixos já foram superados por Portugal e Bélgica, como já veem a Turquia ameaçando superá-los. Aliás, a temporada atual será a última em que campeão e vice da Eredivisie terão vagas diretas na fase de liga - literalmente, longe se vão temporadas como a de 2018/19, quando a campanha que levou o Ajax às semifinais da Liga dos Campeões "turbinou" o coeficiente holandês. Agora, ela já está descartada para o coeficiente.

Em segundo lugar, exatamente para apagar a má impressão da temporada passada. O Ajax conseguiu até chegar à última rodada com chances de avançar, mas teve uma das piores participações de sua história no principal torneio europeu, somadas Copa e Liga dos Campeões, com cinco derrotas nos cinco primeiros jogos; o PSV teve até bons resultados - goleadas contra Napoli e Liverpool (esta, fora de casa) -, mas estes foram contrabalançados por maus momentos (derrotas para Union Saint-Gilloise, em pleno Philips Stadion, e para o Newcastle), e o time de Eindhoven amargou a eliminação na fase de liga.

É para redimir isso que PSV e Feyenoord tentarão fazer papel melhor na Liga dos Campeões. A ver como ambos chegam, para as estreias nesta semana.

Mauro Júnior esteve na decepcionante participação do PSV na temporada 2025/26 da Liga dos Campeões. Estará nesta, em que os Eindhovenaren podem e precisam ir melhor (GSI/Icon Sport/Getty Images)



Muitos dos destaques do PSV estiveram na decepcionante participação na fase de liga em 2025/26: Sergiño Dest, Mauro Júnior, Guus Til, Ivan Perisic, Ricardo Pepi... somente Joey Veerman e Ismael Saibari deixaram Eindhoven. Bem, em termos de Champions, vale citar a saída de Couhaib Driouech, o grande destaque nos 6 a 2 no Napoli, um grande momento dos Boeren na fase de liga passada. E um dos únicos, por sinal. Porque foi uma das únicas vitórias, ao lado dos 4 a 1 no Liverpool (em Anfield). De resto, a eliminação precoce - até demais, para o que era bicampeão holandês e se tornaria tricampeão - se deveu à inconstância vista em resultados como a derrota para o Union Saint Gilloise, na estreia, em casa; o empate contra Olympiacos; e, por fim, as derrotas para Newcastle e Bayern de Munique.

Então, antes de mais nada, a intenção do time de Eindhoven é fazer uma campanha mais digna, se sobressair um pouco mais. Para tanto, além da manutenção da maioria dos destaques, vieram algumas contratações. Na defesa, Lutsharel Geertruida veio para diminuir a fragilidade vista na pré-temporada. No meio-campo, Kodai Sano é boa opção para ajudar Guus Til (e Paul Wanner, se for o caso), no começo das jogadas de ataque. E no ataque, não só há contratações - Sam Lammers e Filip Kostic -, mas a recuperação de Ruben van Bommel, vindo de grave lesão de ligamento cruzado anterior no joelho, pode ajudar a criar chances e a fazer gols. Se é difícil imaginar vitórias contra Real Madrid ou Atlético de Madrid, quem sabe ser mais eficiente contra adversários de nível semelhante - RB Leipzig, Porto, Stuttgart - já ajude o PSV a passar desta vez.

A cara de Van Bronckhorst, novamente técnico do Feyenoord, já indica a complicação que o Stadionclub terá na fase de liga (Javier Borrego/Europa Press/Getty Images)


"É a primeira partida desse tipo para vários jogadores aqui", reconheceu o técnico Giovanni van Bronckhorst - de volta ao Stadionclub após sete anos - na entrevista coletiva pré-jogo de estreia na Liga dos Campeões. Também, pudera: é jogo contra o Barcelona, considerado um candidato praticamente vitalício, esteja como estiver, ao principal título europeu de clubes. E se passar da fase de liga já será complicado para o rival PSV, talvez será até mais para o time holandês de Roterdã. Em primeiro lugar, porque os adversários de vulto virão em maior quantidade, sejam eles outros grandes europeus (o supracitado Barcelona, Porto, Galatasaray e Internazionale - esta eliminou o Feyenoord nas oitavas de final de 2024/25, última aparição do time na Champions) ou times badalados (como o Real Betis, espanhol, ou o Como, da Itália).

Parece demais para um time que, embora tenha começado bem a temporada no Campeonato Holandês - invicto após cinco rodadas, com três vitórias e dois empates -, ainda está em meio a uma reformulação. Tem bons jogadores, como o zagueiro japonês Tsuyoshi Watanabe, o meio-campista Gjivai Zechiël - candidato a revelação na Holanda (Países Baixos) - e o atacante Anis Hadj-Moussa. Mas este, por sinal, bem preferia ter saído rumo ao Al-Ittihad, da Arábia Saudita, que fez proposta por ele. Seguiria até o exemplo do grande destaque do Feyenoord na temporada passada, Ayase Ueda, que até jogará a Champions, mas pelo Lille (até gol já fez pelo time francês, aliás). Resta confiar num rápido entrosamento, e em alguns talentos da lista B inscritos na Liga dos Campeões, como o lateral direito Givairo Read e o atacante Shaquille van Persie - sim, como se sabe, filho do ex-atacante Robin. 
 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Guia da Eredivisie 2026/27: Feyenoord

O espanhol Ignacio "Nacho" Ferri chega para ser opção de um Feyenoord que mantém seus destaques, por ora. E que parece mais animado para tentar voltar a ser campeão (Jeroen van den Berg/Soccrates/Getty Images)

Feyenoord Rotterdam

Cidade: Roterdã
Estádio: De Kuip (capacidade para 51.137 torcedores)
Apelidos: Stadionclub (em holandês, "o clube do estádio" - referência a De Kuip, considerado o mais tradicional estádio do país); Feyenoorders; Rotterdammers
Títulos: 16 Campeonatos Holandeses (merecem citação um título mundial, uma Copa dos Campeões, duas Copas da UEFA e 12 Copas da Holanda)
Ranking histórico: 3º
Patrocínio: Media Markt (rede de lojas de eletroeletrônicos)
Técnico: Giovanni van Bronckhorst
Destaque: Anis Hadj-Moussa (atacante)
Fique de olho: Givairo Read (lateral direito) 
Brasileiros no elenco: nenhum
Temporada passada: vice-campeão
Copas europeias: Liga dos Campeões (fase de liga)
Objetivo: título
Amistosos de pré-temporada:
4 de julho - Dordrecht (segunda divisão) 0x6 Feyenoord
11 de julho - Feyenoord 3x1 Club Brugge-BEL
17 de julho - Feyenoord 3x1 Charleroi-BEL
19 a 25 de julho - Viagem de pré-temporada à Bélgica
26 de julho - Feyenoord 2x1 Rayo Vallecano-ESP
2 de agosto - Feyenoord 2x1 Atalanta-ITA
Principais chegadas: Tjark Ernst (G, Hertha Berlin-ALE), [Neraysho Kasanwirjo (D, Fortuna Sittard)], [Jan Plug (D, Dordrecht)], Mika Màrmol (D, Las Palmas-ESP), Javi López (D, Real Sociedad-ESP), [Gjivai Zechiël (M, Utrecht)], [Luka Ivanusec (M, PAOK-GRE)], Charles Vanhoutte (M, Nice-FRA), [Calvin Stengs (A, Pisa-ITA)], [Jaden Slory (A, Go Ahead Eagles)], Reiss Nelson (A, Arsenal-ING) e Nacho Ferri (A, Westerlo-BEL)
Principais saídas: Timon Wellenreuther (G, Wolfsburg-ALE), Gernot Trauner (D, encerrou a carreira), Jan Plug (D, Excelsior), [Ramiz Zerrouki (M, Twente)], Hwang In-beom (M, Porto-POR), Calvin Stengs (A, AZ), Luka Ivanusec (M, Dinamo Zagreb-CRO), Leo Sauer (A, Stuttgart-ALE), Ayase Ueda (A, Lille-FRA), Casper Tengstedt (A, Toulouse-FRA), Aymen Sliti (A, Excelsior), Jaden Slory (A, Willem II), Shiloh 't Zand (A, Fortuna Sittard)

Legenda
Jogador (posição, clube) 
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
[transferência em definitivo após empréstimo]

"Se eu pudesse escolher, certamente Gio seria um dos nomes." Foi assim que Shaqueel van Persie, recuperado de lesão no joelho que o tirou da segunda metade da temporada passada, saudou o início dos trabalhos do "novo-velho" treinador do Feyenoord para esta temporada, sucessor de seu pai, Robin, muito contestado como técnico. Nem poderia ser diferente: afinal de contas, por mais que sua carreira de técnico jamais tenha embalado até agora, Giovanni van Bronckhorst sempre terá De Kuip como um porto seguro, ídolo histórico do clube que é, treinador do celebradíssimo título holandês de 2016/17 (fim de jejum de 18 anos) que foi. O peso simbólico foi uma das razões que o fez ser escolhido para treinar o Stadionclub, sob pressão após muitas decepções da temporada passada: ser eliminado na fase de grupos da Liga Europa, ver o PSV ser o campeão mais precoce da história do futebol profissional dos Países Baixos pontos e pontos à frente - nunca o vice-campeão teve desvantagem tão grande em 70 anos de Campeonato Holandês -, ter o cenário interno perdido em falta de rumo.

Pelo menos no começo da temporada, passos foram dados para evitar isso. Fora de campo, contratação tão celebrada quanto a de Van Bronckhorst foi a de Robert Eenhoorn, novo diretor geral do Feyenoord, considerado um dos grandes responsáveis na estabilização do AZ como o mais próximo dos grandes do futebol holandês. Ao lado do belga Dévy Rigaux, novo diretor de futebol, Eenhoorn já teve uma boa nova: De Kuip foi comprado do grupo de administração, e agora é posse do clube. Outra boa nova (temporária, pelo menos) é que nomes como Tsuyoshi Watanabe e Anis Hadj-Moussa, ambos presentes à Copa do Mundo, seguem em Roterdã, e poderão ser extremamente destacados se continuarem por lá (como Ayase Ueda foi, até que a oferta do Lille satisfizesse às partes). Mesmo se não continuarem, atletas como Sem Steijn e Luciano Valente podem ajudar bastante, junto a recém-chegados como Charles Vanhoutte e Ignacio "Nacho" Ferri. Os bons resultados de pré-temporada também mantêm bons augúrios. E o Feyenoord chega para tentar mais um título com o clima de renovação que era tão desejado. Agora, é sustentá-lo - e até ampliá-lo - em campo.

domingo, 24 de maio de 2026

Análise da temporada: Feyenoord

Ayase Ueda fez gols a ponto de ser o goleador desta Eredivisie, mas o Feyenoord sofreu muitas críticas pela falta de competitividade em relação ao PSV. Pelo menos, foi vice e tem a vaga na Champions (Hans van der Valk/BSR Agency/Getty Images)

Colocação final: 2º lugar, com 65 pontos (19 vitórias, 7 empates e 8 derrotas)
No turno havia sido: 2º lugar, com 35 pontos
Time-base: Wellenreuther; Deijl (Nieuwkoop/Read), Watanabe, Ahmedhodzic e Lotomba; Kraaijeveld (Móder), Valente e Targhalline (Steijn); Hadj-Moussa, Ueda e Bos (Sauer)
Técnico: Robin van Persie
Maior vitória: Heracles Almelo 0x7 Feyenoord (9ª rodada)
Maior derrota: PSV 3x0 Feyenoord (21ª rodada)
Principal jogador: Ayase Ueda (atacante) 
Artilheiro: Ayase Ueda (atacante), com 25 gols  
Quem deu mais passes para gol: Jordan Bos (atacante), com 7 passes
Quem mais partidas jogou: Timon Wellenreuther (goleiro), com 33 partidas
Copa nacional: eliminado pelo Heerenveen (segunda fase)
Competições continentais: Liga Europa (eliminado na fase de liga)

O Feyenoord até começara bem a temporada. Mas a queda vivida a partir dos últimos meses de 2025 já deixara a torcida com a impressão incômoda de que o PSV estava escapando irremediavelmente na liderança, e que o Stadionclub de Roterdã não teria estofo para conseguir alcançá-lo e sonhar com o título. Assim terminou o ano passado, com eliminação precoce na Copa da Holanda e já 11 pontos atrás do rival de Eindhoven. E assim começou 2026: com muitos machucados que faziam falta - na defesa, Givairo Read e Gernot Trauner; no meio-campo, Hwang In-beom e Sem Steijn; e até Ayase Ueda, o goleador do Campeonato Holandês, andou sem chances de jogar por lesão. Com pelo menos uma saída antecipada: Quinten Timber, que provavelmente já deixaria o Feyenoord rumo a um centro mais competitivo, começou a ser colocado no banco de reservas pelo técnico Robin van Persie (estava sendo considerado sem foco após perder a braçadeira de capitão), reclamou após uma derrota no clássico municipal - Sparta Rotterdam 4 a 3, na 19ª rodada -... e antes que a coisa ficasse pior, Quinten rumou ao Olympique de Marselha.

Para o Feyenoord, a coisa ficou pior mesmo. Só uma vitória nas quatro primeiras rodadas do returno, o PSV se distanciando mais e mais... e quando, no jogo direto da 21ª rodada, os Boeren pespegaram 3 a 0 já no primeiro tempo, ficou claro que os Rotterdammers teriam de esquecer o título. E se preocupar em manter a segunda posição - e a consequente vaga na Liga dos Campeões -, até porque ela corria risco com a ascensão do NEC e a leve reação do Ajax. Podia piorar? Claro: mais lesões (como a do jovem atacante Shaqueel van Persie, filho de Robin), a eliminação desnecessária na Liga Europa. Sob altíssima pressão, a diretoria impôs ao técnico a vinda de Dick Advocaat - então fora da seleção de Curaçao -, como um "conselheiro" para Robin van Persie. Coincidência ou não, o Feyenoord se aprumou, deixando de ter atuações tão preocupantes, como nos 2 a 0 sofridos para o Twente (25ª rodada). Ficou defensivamente mais firme. Claro, os problemas seguiram - contra o Volendam, na 29ª rodada, mesmo ainda com chances de título, o Stadionclub pareceu nunca ser capaz de fugir do 0 a 0 que fez do PSV campeão. Entretanto, mesmo com tantos empates, mesmo sendo apenas o quinto time do returno... o Feyenoord conseguiu impedir a passagem do NEC. Conseguiu uma virada importante (2 a 1 no Fortuna Sittard, na 32ª rodada). E ao empatar com o AZ na penúltima rodada, conseguiu garantir o vice-campeonato e a vaga direta na Liga dos Campeões. Há muita coisa a mudar para 2026/27 - já começará fora de campo, com a saída do diretor geral Dennis te Kloese -. E o fato de ser o "pior" vice-campeão da história da Eredivisie desde 1994/95, quando começou a contagem de três pontos por vitória, constrange. Mas... podia ter sido pior.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Parada obrigatória: Feyenoord

 
Ayase Ueda é o único ponto que seguiu bom do começo à metade da temporada, num Feyenoord que inspirava otimismo, mas decaiu (Thomas Bakker/EYE4images/NurPhoto via Getty Images)

Posição: 2º lugar, com 35 pontos (11 vitórias, 2 empates e 4 derrotas)
Técnico: Robin van Persie
Time-base: Wellenreuther; Nieuwkoop (Read), Ahmedhodzic, Watanabe e Smal (Bos); Targhalline (Steijn), Valente e Timber; Hadj-Moussa, Ueda e Sauer
Maior vitória: Heracles Almelo 0x7 Feyenoord (9ª rodada)
Maior derrota: Feyenoord 2x4 NEC (13ª rodada)
Copa da Holanda: eliminado pelo Heerenveen (segunda fase)
Competição europeia: Liga Europa (30º colocado na fase de liga)
Artilheiro: Ayase Ueda (atacante), com 18 gols
Objetivo do início: título
Avaliação: No começo, parecia tudo encaminhado para o Feyenoord disputar o título ponto a ponto com o PSV. Contudo, na hora mais imprópria (reta final do turno), maus resultados e queda de produção levaram o Stadionclub a terminar 2025 em crise. Só Ayase Ueda escapa da pressão crescente

O bom fim de temporada passada já atraía expectativas positivas para o que seria o Feyenoord sob o comando de Robin van Persie, que começaria sua primeira temporada completa como treinador do Stadionclub. Sim, a queda na 3ª fase prelimnar da Liga dos Campeões, para o Fenerbahçe, prejudicou um pouco. Mas nada que afetasse o bom clima de pré-temporada. Até porque haveria ainda a Liga Europa, e o começo na Eredivisie foi bem promissor. Grande contratação para a temporada, Sem Steijn já se entrosou e mostrou importância rapidamente (que o diga seu gol nos 2 a 0 contra o NAC Breda, logo na 1ª rodada). A mesma coisa fez Luciano Valente, vindo para o meio-campo. E Ayase Ueda, enfim recebendo sequência de jogos como nunca tivera em De Kuip, começou a fazer gols. Duas goleadas (4 a 0 no clássico contra o Sparta Rotterdam, fora de casa, na 4ª rodada, e 7 a 0 no Heracles Almelo, na 9ª rodada) simbolizavam isso. O Feyenoord era líder, e prometia ficar forte na disputa do título.

Mas o tempo passou. Na 10ª rodada, no clássico contra o PSV, em casa, a chance de confirmar o favoritismo foi perdida junto com o jogo (PSV 3 a 2). Depois, mais duas derrotas (Go Ahead Eagles 2 a 1, na 12ª rodada; NEC 4 a 2 em pleno De Kuip, na 13ª rodada) fizeram o PSV passar e abrir vantagem na liderança. Algumas lesões inoportunas apareceram: Givairo Read (muito bem na lateral direita) tinha de ficar fora, o tornozelo causou a ausência de Sem Steijn na reta final de 2025. Algumas opções de Robin van Persie na escalação causavam polêmica, principalmente na Liga Europa, em que a campanha era altamente decepcionante (em casa e fora, derrotas para Aston Villa, Celtic, Stuttgart, culminando na incrível virada sofrida para o FCSB na Romênia - o Feyenoord ganhava por 3 a 1 e tomou o 4 a 3). E em que pesassem as atuações de Ueda, cada vez mais esplendorosas - com quatro gols nos 6 a 1 no Zwolle, na 15ª rodada, o japonês disparou como goleador da Eredivisie, com 18 gols -, terminar 2025 tomando 2 a 0 do Ajax no Klassieker e eliminado na Copa da Holanda (Heerenveen 3 a 2, em De Kuip) deu a impressão incômoda de que o Feyenoord perdeu o gás. Para alguns, até, não fosse o técnico Robin van Persie, já teria sido demitido. Será preciso muito mais do que os gols de Ueda para reagir.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Menos otimismo

Desde a temporada 2008/09, a Holanda (Países Baixos) não tinha tantos clubes em fases introdutórias (então, fase de grupos; agora, fase de liga) de competições europeias. Agora, são seis. Além do mais, são boas as chances do país se manter à frente de Portugal e Bélgica no ranking de coeficientes da UEFA, tendo em vista que o português Santa Clara e o belga Charleroi já foram eliminados nos play-offs por lugar na fase de liga da Conference League. Caso algum clube neerlandês consiga uma boa campanha em Liga dos Campeões, Liga Europa ou Conference, já serviria para talvez, até, perturbar a França no ranking. Contudo, está aí o problema: algum holandês fazer uma campanha notável, ir longe.

É impossível? Claro que não. Afinal de contas, PSV e Feyenoord alcançaram as oitavas de final da Champions em 2024/25. Entretanto, também não puderam sonhar muito em passar delas - assim como Ajax e AZ, ambos despachados também nas oitavas da Liga Europa passada. E pelo modo como esta temporada começou, por incrível que possa parecer, só Utrecht e AZ mostram alguma consistência em campo. O Go Ahead Eagles tem um "caldeirão" em seu estádio, tem alguns jogadores, mas ficam fortes dúvidas sobre o que poderá fazer com a concorrência mais forte da Liga Europa. E os três grandes do país ainda oscilam demais dentro de campo, o que lhes pode prejudicar nas competições continentais. Se é bom ver tantos holandeses chegando a elas, melhor ainda seria voltar a ver um deles indo longe - o último foi o AZ, semifinalista da Conference em 2022/23. A ver quais são as perspectivas.

Liga dos Campeões

O PSV pode até avançar na Liga dos Campeões, mas terá adversários mais difíceis (Getty Images)

PSV (lista de inscritos e tabela de jogos)

O atual bicampeão da Eredivisie terá agora desafios maiores do que teve na fase de liga da Champions passada. Nela, inclusive, oscilou: se conseguiu algumas vitórias notáveis - como a virada sobre o Shakhtar Donetsk, na fase de liga (de 2 a 0 contra para 3 a 2, com o terceiro gol nos acréscimos do 2º tempo), ou a eliminação sobre a Juventus, na segunda fase, num Philips Stadion que carregou a equipe para a classificação -, amargou a maior derrota de sua história em torneios europeus, na ida das oitavas de final, com os marcantes 7 a 1 do Arsenal. 

Contudo, agora, os adversários na fase inicial parecem um pouco mais exigentes para os Boeren do que em 2024/25: nada menos do que cinco campeões nacionais - Bayern de Munique, Liverpool, Napoli, Olympiacos e Union Saint-Gilloise (estes últimos, mais acessíveis, verdade) -, equipes exigentes em Newcastle e Bayer Leverkusen (este, mesmo com a turbulência da demissão de Erik ten Hag)... além disso, o time de Eindhoven teve perdas sensíveis: Olivier Boscagli, Johan Bakayoko, Malik Tillman, Luuk de Jong. E seu início de Eredivisie mostra algumas fragilidades, ainda. Pelo menos, há alguns destaques remanescentes: Sergiño Dest, Joey Veerman, Guus Til, Ismael Saibari, Ricardo Pepi. Eles precisarão aparecer, para que o PSV possa sonhar em entrar no "bolo" da segunda fase. Talvez, aparecer até mais do que na temporada passada.

O Ajax começa a temporada oscilante, terá adversários difíceis no começo da fase de Liga dos Campeões... mas pode reagir para ir à segunda fase (Patrick Goosen/BSR Agency/Getty Images)

Ajax (lista de inscritos e tabela de jogos)

Até que o Ajax teve bom desempenho na Liga Europa passada. Num certo momento, teve até chances de ir diretamente para as oitavas de final. Entretanto, o fim traumático da temporada passada no Campeonato Holandês - perder um título muito próximo para o PSV, após ter vantagem de nove pontos na frente, a cinco rodadas do fim - foi a gota d'água para o técnico Francesco Farioli sair, já em meio a muitas discordâncias com a direção de futebol do clube. Ainda assim, pelo menos, restava um minúsculo prêmio de consolação: voltar à fase de liga da Champions, após três anos. Já era um primeiro passo para sair do mau momento vivido pelo clube. 

Mas só um primeiro passo, porque o técnico John Heitinga voltou ao clube que tão bem conhece, para treinar um time de volta à estaca zero: muitos jogadores saindo (Jorrel Hato, Jordan Henderson, Bertrand Traoré, Brian Brobbey), a pressão por um Ajax mais ofensivo em campo, as inconstâncias que o time ainda mostra em campo (já são dois empates em cinco rodadas na Eredivisie), um começo complicado de fase de liga. Internazionale e Chelsea são adversários exigentes; Galatasaray e Benfica até trazem mais equilíbrio, mas entram por cima atualmente. Mas o fim de fase de liga oferece mais possibilidades: Qarabag-AZE, Villarreal-ESP... quem sabe, a essas alturas, o Ajax já esteja mais estabilizado em campo, para poder avançar ao mata-mata.

Liga Europa

O Feyenoord sonhou em estar na Champions. Estará na Liga Europa. Não é de todo ruim, o time tem condições, mas precisa de alguma melhoria (Joris Verwijst/BSR Agency/Getty Images)

Feyenoord (lista de inscritos e tabela de jogos)

O Feyenoord sonhou com a Liga dos Campeões, na qual entrou na terceira fase preliminar. Mas este sonho já acabou contra o Fenerbahçe-TUR: mesmo vencendo o jogo de ida (2 a 1, com gol da vitória no último minuto), mesmo abrindo o placar na volta em Istambul, a má atuação defensiva foi prato cheio para o Fener aproveitar, virar, golear (5 a 2) e ir aos play-offs. Frustração? Mais ou menos: ir à Champions seria melhor, mas o Stadionclub já tinha uma vaga assegurada na Liga Europa - e logo na fase de liga. Certo, já não haverá Igor Paixão, o dínamo ofensivo do clube nos últimos anos. Nem Dávid Hancko, o principal nome da defesa. Nem mesmo revelações que poderiam ajudar, como Antoni Milambo. 

Ainda assim, a impressão que ficou é de que a janela de transferências poderia trazer mais perdas do que trouxe - tanto que Quinten Timber, cotado para sair até o fim, ficou no Stadionclub. E vindas como as de Sem Steijn e Luciano Valente, que já ajudam num começo 100% no Campeonato Holandês, podem ajudar o time a passar pela maioria dos adversários na fase de liga (incluindo aí, contra o Celtic-ESC, um reencontro numa tradicional rivalidade). Há coisas a corrigir, sim, como a falta de um atacante confiável. Mas a impressão que a equipe treinada por Robin van Persie passa é que, dos três grandes neerlandeses, é a que começou mais sólida a temporada. Isso pode ajudar a seguir na Liga Europa.

O Utrecht voltou a onde queria estar, após 15 anos: uma competição europeia. Se os adversários mais fortes vêm quentes, os Utregs estão fervendo (Joris Verwijst/BSR Agency/Getty Images)

Utrecht (lista de inscritos e tabela de jogos)

Enfim, o Utrecht está onde queria estar havia muito tempo. Mais precisamente, há 15 anos: a última participação dos Utregs num torneio europeu fora na temporada 2010/11, ainda num formato antigo da Liga Europa, com fase de grupos. Desde então, o clube virou habitué da repescagem da Holanda (Países Baixos) por lugar no torneio - depois, na Conference League. Às vezes, até vencia esta repescagem. Mas nunca chegava ao espaço mais visto, a fase de grupos/fase de liga: sempre ficava nas preliminares. Pois bem: a ótima campanha na liga holandesa em 2024/25, com a quarta posição, enfim levava o clube à Liga Europa sem precisar de repescagem. 

Ah, seria nas fases preliminares? Sem problemas: dois jogos na segunda fase preliminares, duas vitórias (sobre o Sheriff Tiraspol moldavo). Na terceira fase preliminar, mais dois triunfos, diante do Servette-SUI. E nos play-offs que levavam à fase de liga, uma revanche: despachar com mais duas vitórias o Zrinjski Mostar, da Bósnia, justamente o algoz do Utrecht numa dessas fases preliminares (a segunda fase da Liga Europa, em 2018/19). Chegando 100% à fase de liga, agora a pergunta é outra: ah, a tabela dos Utregs não é difícil demais, contra clubes contra Porto, Betis e Nottingham Forest? Pode até ser. Mas o time tem uma mescla interessante de juventude (vale ver o lateral esquerdo Souffian El Karouani) e experiência (na zaga, com Mike van der Hoorn e Nick Viergever - este, ex-AZ, PSV e Ajax, pode virar o jogador holandês com mais partidas por torneios europeus na história; no ataque, com Sébastien Haller, de volta). Tem em Ron Jans um técnico holandês que sabe jogar pelo resultado. Se o Utrecht, enfim, está num torneio europeu a sério, sonhar não custa nada...

    Tabela difícil? O Go Ahead Eagles não se importa: já curte a experiência europeia na Liga Europa, inédita em sua história (Gerrit van Keulen/ANP/Getty Images)

Go Ahead Eagles (lista de inscritos e tabela de jogos)

As estatísticas dizem: ao lado do SK Brann (Noruega), o Go Ahead Eagles é o clube mais frágil desta fase de liga da Liga Europa. Francamente, a torcida das Águias não está se importando muito com o que as estatísticas apontam. Sim, é verdade que o "Kowet" talvez seja o mais frágil representante dos Países Baixos nos torneios continentais. Mas para um clube que, há cinco anos, estava na segunda divisão, figurar numa competição europeia pela primeira vez em sua história é prova inequívoca de uma grande evolução. Dentro e fora de campo. Dentro de campo, isso já se via desde 2023/24, quando o clube da cidade de Deventer já conquistou a repescagem que leva a um lugar na Conference League. Falhou nela: já caiu para o supracitado SK Brann, na segunda fase preliminar. 

Mas o temor de que aquilo fosse sorte de principiante foi superado com um 2024/25 brilhante, que seguiu com boa campanha na Eredivisie e terminou com o título da Copa da Holanda, inédito na história do clube. Por mais que alguns responsáveis pela façanha já tenham deixado o clube, como o técnico Paul Simonis (agora no Wolfsburg) e o meio-campo finlandês Oliver Antman (agora no Rangers-ESC), a lua-de-mel com a torcida segue. E mesmo que as perspectivas sejam pequenas, vale esperar para ver o que podem fazer nomes como o goleiro Jari de Busser, o lateral direito Mats Deijl e o meio-campo Jakob Breum, todos de nível técnico digno. Valerá esperar para ver clubes como o Aston Villa e o Stuttgart irem jogar no "caldeirão" tão acanhado quanto empolgado que é o estádio De Adelaarshorst. E os torcedores já devem estar ansiosos para viagens aventureiras fora de casa, contra Lyon, Panathinaikos, Red Bull Salzburg-AUT... pode até ser clichê, mas mesmo caindo na fase de liga, o Go Ahead Eagles já comemora a presença na Liga Europa. Um ponto alto em sua história.

Conference League

Com um time bem entrosado e talentos como Kees Smit, o AZ pode sonhar na Conference (IconSport)

AZ (lista de inscritos e tabela de jogos)

Pois é: se a fama da Champions League é justificável, se a Liga Europa oferece mais tradição, é o AZ, representante holandês na fase de liga da Conference League (novamente tendo um time dos Países Baixos, aliás), que está mais otimista sobre sua sequência na temporada 2025/26. Nem era para ser tão otimista assim: afinal de contas, chegar à Conference foi duro. Primeiro, um desempenho algo decepcionante na Eredivisie 2024/25, causando a necessidade de disputar os play-offs pela vaga europeia. Neles, conquistar a vaga foi difícil: na decisão, contra o Twente, o time de Alkmaar tomava 2 a 0 em casa, e só virou no segundo tempo, com o 3 a 2 da vitória marcado nos acréscimos do 2º tempo. 

Sossego, então? Que nada: a estreia na segunda fase preliminar já teve uma surpresa ruim, com os 4 a 3 sofridos para o Ilves Tampere (Finlândia), no jogo de ida, fora de casa. Só assim o AZ tomou jeito: reverteu a vantagem do Ilves na volta (5 a 0); passou facilmente pelo FC Vaduz (Liechtenstein) na terceira fase preliminar, com duas vitórias; e despachou o Levski Sofia (Bulgária) nos play-offs. Na fase de liga, o sorteio só trouxe algumas dificuldades nas perspectivas sobre o jogo contra o Crystal Palace inglês. No mais, não só são boas as chances de ir às oitavas de final, diretamente, como o clube parece ter capacidade para isso em seu time. Principalmente, pelo crescimento dos jovens jogadores: Rome-Jayden Owusu-Oduro no gol, Kees Smit e Zico Buurmeester no meio-campo, Ibrahim Sadiq e Mexx Meerdink no ataque (onde também está o irlandês Troy Parrott e o recém-chegado brasileiro Weslley Patati). Se o time for mais constante, pode ser uma boa chance do AZ repetir a chegada à semifinal, como fez em 2022/23.



quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Guia da Eredivisie 2025/26: Feyenoord

Sem Steijn, goleador da Eredivisie passada, já se integrou bem ao Feyenoord. E pode ajudar o time a entrar mais na disputa do título (Bart Stoutjesdijk/ANP/Getty Images)

 Feyenoord Rotterdam

Cidade: Roterdã
Estádio: De Kuip (capacidade para 51.137 torcedores)
Apelidos: Stadionclub (em holandês, "o clube do estádio" - referência a De Kuip, considerado o mais tradicional estádio do país); Feyenoorders; Rotterdammers
Títulos: 16 Campeonatos Holandeses (merecem citação um título mundial, uma Copa dos Campeões, duas Copas da UEFA e 12 Copas da Holanda)
Ranking histórico: 3º
Patrocínio: Media Markt (rede de lojas de eletroeletrônicos)
Técnico: Robin van Persie
Destaque: Sem Steijn (meio-campista)
Fique de olho: Givairo Read (lateral direito) e Luciano Valente (meio-campista)
Brasileiros no elenco: nenhum
Temporada passada: 3º colocado
Copas europeias: Liga dos Campeões (enfrenta o Fenerbahçe-TUR, na terceira fase preliminar)
Objetivo: título
Amistosos de pré-temporada:
5 de julho - Cambuur 1x4 Feyenoord
12 de julho - Feyenoord 1x1 Union Saint Gilloise-BEL
19 de julho - Feyenoord 1x2 Gent-BEL
26 de julho - Feyenoord 1x2 Nice-FRA
26 de julho - FC Liefering-AUT 2x0 Feyenoord (escalação diferente do amistoso contra o Nice)
2 de agosto - Feyenoord 4x0 Wolfsburg-ALE
Principais chegadas: Tsuyoshi Watanabe (D, Gent-BEL), Anel Ahmedhodzic (D, Sheffield United-ING), Jordan Bos (D, Westerlo-BEL), Sem Steijn (M, Twente), Luciano Valente (M, Groningen), [Gjivai Zechiël (M, Sparta Rotterdam)], Casper Tengstedt (A, Benfica-POR), [Leo Sauer (A, NAC Breda)], Gonçalo Borges (A, Porto-POR), Gaoussou Diarra (A, Istambulspor-TUR), Cyle Larin (A, Mallorca-ESP) e [Ezequiel Bullaude (A, Fortuna Sittard)]
Principais saídas: [Mimeirhel Benita (D, Heracles Almelo)], Dávid Hancko (D, Atlético de Madrid-ESP), Thomas van den Belt (D, Twente), Quilindschy Hartman (D, Burnley-ING), Gjivai Zechiël (M, Utrecht), Ramiz Zerrouki (M, Twente), Antoni Milambo (M, Brentford-ING), Calvin Stengs (M, Pisa-ITA), [Ibrahim Osman (A, Brighton-ING)], Zépiqueno Redmond (A, Aston Villa-ING), Igor Paixão (A, Olympique de Marselha-FRA), Julián Carranza (A, Leicester City-ING) e Luka Ivanusec (A, PAOK-GRE)

Legenda
Jogador (posição, clube) 
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
[transferência em definitivo após empréstimo]

É bem verdade que o Feyenoord terminou a temporada passada distante da disputa que PSV e Ajax travaram pelo título. O que não significa que a impressão deixada pelo Stadionclub foi completamente ruim ao fim da temporada passada. Se o time não embalava sob o comando do dinamarquês Brian Priske (até por isso, a troca durante a temporada), Robin van Persie mostrou aos poucos que já tem um realismo que não possuiu nos primeiros meses de seu trabalho - largado no meio... - pelo Heerenveen. Contando com os destaques técnicos, enquanto eles ficaram em De Kuip, já valeu para alcançar a terceira posição e poder tentar voltar à Liga dos Campeões, na qual o clube esteve nas oitavas de final em 2024/25. Só que muitos desses destaques técnicos saíram, como era até esperado: Dávid Hancko, Antoni Milambo e, principalmente, Igor Paixão, o grande nome do Feyenoord na atualidade.

Terra arrasada? Nem tanto. Se nomes importantes deixaram o clube de De Kuip, outros seguem e devem ter importância ainda maior nesta temporada: três meio-campistas (Quinten Timber, Jakub Móder, Hwang In-beom), Ayase Ueda e Anis Hadj-Moussa no ataque. Na lateral direita, valerá prestar a atenção no ofensivo Givairo Read, já um candidato a revelação na temporada passada, fortalecido nesta como titular e capitão da Holanda campeã europeia sub-19. E as chegadas qualificam tecnicamente o Feyenoord. Que o diga Sem Steijn, goleador da Eredivisie passada (24 gols - desde Jari Litmanen em 1993/94 um meio-campo não fazia tantos gols numa só temporada da liga holandesa), que já entrou bem na pré-temporada. Que o diga Luciano Valente, também promissor no meio-campo. Que o digam nomes como o defensor japonês Tsuyoshi Watanabe e o atacante português Gonçalo Borges, que têm aposta de Van Persie. Enfim, o Feyenoord precisará se remontar. Corre o risco de perder tempo com isso. Mas deverá ser mais fácil, com um trabalho iniciado como o de Van Persie já está.

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Análise da temporada: Feyenoord

Igor Paixão já vinha crescendo. Precisava se afirmar como o principal nome do Feyenoord. E se afirmou, numa temporada que começou mediana e terminou até bem para o Stadionclub (ProShots/Icon Sport/Getty Images)

Colocação final: 3º lugar, com 68 pontos (20 vitórias, 8 empates e 6 derrotas)
No turno havia sido: 4º lugar, com 35 pontos
Time-base: Wellenreuther (Bijlow); Read, Beelen (Trauner), Hancko e Smal (Hugo Bueno/Hartman); Zerrouki (Hwang), Milambo e Móder (Timber); Hadj-Moussa, Ueda (Carranza/Giménez) e Igor Paixão
Técnico: Brian Priske (até a 22ª rodada), Pascal Bosschaart (interino, em jogos da 23ª e da 20ª rodadas) e Robin van Persie (a partir da 24ª rodada)
Maior vitória: Twente 2x6 Feyenoord (26ª rodada)
Maior derrota: PSV 3x0 Feyenoord (17ª rodada)
Principal jogador: Igor Paixão (atacante) 
Artilheiro: Igor Paixão (atacante), com 15 gols  
Quem deu mais passes para gol: Igor Paixão (atacante), com 9 passes
Quem mais partidas jogou: Igor Paixão (atacante), com 32 partidas
Copa nacional: eliminado pelo PSV, nas quartas de final
Competições continentais: Liga dos Campeões (eliminado pela Internazionale-ITA, nas oitavas de final)

Bons jogadores: Dávid Hancko, Antoni Milambo, Igor Paixão e Santiago Giménez (pelo menos, na primeira parte da temporada). Um título para começar a temporada, com a Supercopa da Holanda vencida nos pênaltis sobre o PSV. Diante disso, a boa vontade foi grande com o técnico dinamarquês Brian Priske, chegando com a pesada responsabilidade de ocupar a lacuna deixada por Arne Slot, de passagem tão vitoriosa em De Kuip. Ainda mais com o bom começo, muito ofensivo, na estreia contra o Willem II. Só que o resultado foi um inesperado empate: 1 a 1, em De Kuip. Que foi seguido por mais quatro empates nas sete primeiras rodadas. Já incomodava. Mesmo que Igor Paixão desse sinais de que faria o que tinha de fazer para se destacar (ou seja, ser o destaque absoluto do Stadionclub), que alguns reforços saíssem a contento (ênfase no sul-coreano Hwang In-beom, incansável no meio-campo)... já crescia a impressão de que o Feyenoord não brilhava nem brilharia sob Brian Priske. O técnico dinamarquês era atrapalhado pelo campo - em fatores como a velha inconstância dos goleiros (Justin Bijlow seguiu se machucando, ficando fora da temporada por lesão no joelho; Timon Wellenreuther, titular a princípio, chegou a ser barrado após falhar nos dois gols do Ajax no Klassieker do turno).

Quase Brian Priske foi demitido em janeiro. Salvou-se por uma vitória ótima sobre o Bayern de Munique, na Liga dos Campeões, que mostrava um Feyenoord digno (como esquecer aquele 3 a 3 contra o Manchester City, na fase de liga, após estar com 3 a 0 atrás?!). Mas uma sequência de três derrotas - incluindo aí o Klassieker do returno, Ajax 2 a 1 na 21ª rodada - tornou inevitável sua demissão. Priske foi vítima dos problemas do campo (as lesões de Bijlow e Quinten Timber, a saída de Santiago Giménez). Mas diante do que aconteceu, talvez tenha sido melhor. Porque o Feyenoord contou com a sorte - e o esforço - para superar o Milan, na segunda fase da Champions. Porque a vaga de técnico ficou para alguém que estava destinado a ela desde que anunciou a intenção de ser treinador: Robin van Persie, que já aceitou deixar o trabalho no Heerenveen pela metade para colocar sua idolatria à prova em De Kuip. E até deu certo. Não pela participação na Champions, encerrada nas oitavas de final, para uma Internazionale mais eficaz (não à toa é finalista). Mas pela sequência de vitórias na Eredivisie, que afastou o medo de perder até a terceira posição para o Utrecht; pela ofensividade que a torcida gostou de ver; pelas excepcionais atuações de Igor Paixão, pela afirmação de Dávid Hancko como um dos melhores zagueiros da Eredivisie (o eslovaco certamente está de saída), pela revelação de Givairo Read na lateral direita... tudo mostrado por resultados como os 6 a 2 no Twente (26ª rodada). Já valeu para ser o terceiro melhor do returno. Bem atrás de PSV e Ajax, é verdade. Mas dando a promissora impressão de que o Feyenoord virá forte na próxima temporada.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Parada obrigatória: Feyenoord

O Feyenoord oscilou no começo da temporada. Ainda tem pontos a resolver. Ainda assim, a volta promissora de Santiago Giménez indica que dias melhores virão (Broer van den Boom/BSR Agency/Getty Images)

Posição: 4º lugar, com 35 pontos
Técnico: Brian Priske
Time-base: Wellenreuther (Bijlow); Read (Nieuwkoop), Hancko, Beelen e Smal (Hugo Bueno); Zerrouki (Hwang), Milambo e Timber; Hadj-Moussa, Giménez (Carranza) e Igor Paixão
Maior vitória: Zwolle 1x5 Feyenoord (2ª rodada) e Almere City 1x4 Feyenoord (12ª rodada)
Maior derrota: PSV 3x0 Feyenoord (17ª rodada)
Copa da Holanda: enfrentará o Rijnburgse Boys (terceira divisão), nas oitavas de final
Competição europeia: Liga dos Campeões (18º colocado na fase de liga)
Artilheiro: Santiago Giménez (atacante), com 6 gols
Objetivo do início: Título
Avaliação: O trabalho de Brian Priske demorou um pouco a engrenar. O Stadionclub tem certas coisas a resolver, como um problema com os goleiros. Mas já mostra mais solidez, graças aos nomes que crescem

A primeira rodada do Campeonato Holandês indicou um pouco o que foi o Feyenoord nesta primeira metade de Eredivisie - como, de resto, na primeira parte da temporada em si. Contra o Willem II, um primeiro tempo primoroso, com vantagem por 1 a 0, que poderia ser até maior. Porém, o segundo tempo trouxe queda de produção, um Stadionclub apenas controlando a vantagem... e veio o castigo: empate em 1 a 1, a oito minutos do fim. A goleada por 5 a 1 no Zwolle (2ª rodada) relembrou: o Feyenoord tinha seus talentos, muitos, até. Na zaga, Dávid Hancko; no meio-campo, Quinten Timber, recebendo o reforço da vitalidade do sul-coreano Hwang In-beom, e da técnica do jovem Antoni Milambo, enfim recebendo sequência de jogos; e no ataque, Igor Paixão aparecendo cada vez mais, se credenciando como o grande nome do clube na temporada, até agora. Porém, uma sequência de dois empates na Eredivisie (e a péssima estreia na Liga dos Campeões - 4 a 0 inapeláveis do Bayer Leverkusen) fizeram o time de Roterdã perder terreno em relação aos líderes. Mesmo após uma sequência de cinco vitórias - incluído aí um 3 a 1 no Benfica, em pleno Estádio da Luz, na Liga dos Campeões -, veio a derrota para o Ajax, em De Kuip, em jogo atrasado da 4ª rodada. No gol, Timon Wellenreuther fora escolhido como titular, mas falhava, dando lugar a Justin Bijlow, que logo se machucou, com Wellenreuther retornando. Para piorar, uma grave lesão muscular parecia afastar Santiago Giménez dos campos até este 2025 que começa. Estava tudo perdido?

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Desde seu trabalho no Sparta Praga, o técnico Brian Priske deixava claro: seu trabalho costumava passar por um começo de altos e baixos, mas quando se estabilizava, recuperava a força. Dito e feito: se faltava Giménez, Anis Hadj-Moussa começou a se destacar na ponta direita, ajudando bastante Igor Paixão, enquanto Julián Carranza e Zépiqueno Redmond tinham suas chances. Na defesa, o jovem Givairo Read recebia chances e saía a contento na lateral direita, aproveitando chances após a lesão de Bart Nieuwkoop - coisa semelhante acontecia na esquerda, com Gijs Smal se firmando, pelo espanhol Hugo Bueno estar machucado. Duas vitórias estabilizaram o time na Eredivisie, mas o símbolo da relativa reação veio na Liga dos Campeões: perdendo por 3 a 0 para o Manchester City, fora de casa, o Stadionclub foi atrás das fragilidades do City, teve a surpresa agradável da volta de Santiago Giménez... e buscou o 3 a 3. E na Eredivisie, mais algumas vitórias vieram, recolocando o Feyenoord numa condição mais confiável. Os problemas estão no excesso de empates (5, o segundo maior). E em perder um jogo direto sem muita reação: na última partida do turno, o PSV impôs categóricos 3 a 0, distanciando os Rotterdammers da disputa pela ponta. Ainda assim, a sensação é de que o time ainda pode entrar a sério nessa disputa. Caberá ver como será o retorno, após os dias de treinos, no balneário espanhol de Marbella.

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Guia da Eredivisie 2024/25: Feyenoord

Ao lado dos reforços do Feyenoord, o novo técnico Brian Priske (vestido de preto) terá de remontar algumas coisas sem desviar o Stadionclub do rumo vitorioso. Até começou bem, com o título da Supercopa da Holanda (ProShots/Icon Sport/Getty Images)

 Feyenoord Rotterdam

Cidade: Roterdã
Estádio: De Kuip (capacidade para 51.137 torcedores)
Apelidos: Stadionclub (em holandês, "o clube do estádio" - referência a De Kuip, considerado o mais tradicional estádio do país); Feyenoorders; Rotterdammers
Títulos: 16 Campeonatos Holandeses (merecem citação um título mundial, uma Copa dos Campeões, duas Copas da UEFA e 12 Copas da Holanda)
Patrocínio: Media Markt (rede de lojas de eletroeletrônicos)
Técnico: Brian Priske
Destaque: Santiago Giménez (atacante)
Fique de olho: Antoni Milambo (meio-campo) e Gjivai Zechiel (meio-campo)
Brasileiros no elenco: Igor Paixão (atacante)
Temporada passada: Vice-campeão
Copas europeias: Liga dos Campeões (fase de grupos)
Objetivo: título
Amistosos de pré-temporada:
6 de julho - Dordrecht 0x4 Feyenoord
13 de julho - Feyenoord 3x1 Gent-BEL
20 de julho - Feyenoord 1x0 Cercle Brugge-BEL
28 de julho - Feyenoord 0x5 Benfica-POR
31 de julho - Feyenoord 1x3 Monaco-FRA
Principais chegadas: Plamen Andreev (G, Levski Sofia-BUL), Gijs Smal (D, Twente), Hugo Bueno (D, Wolverhampton-ING), Facundo González (D, Juventus-ITA), Jeyland Mitchell (D, Alajuelense-CRC), Jordan Lotomba (D, Nice-FRA), [Ondrej Lingr (M, Slavia Praga-TCH)], [Neraysho Kasanwirjo (D/M, Rapid Viena-AUT)], Chris-Kévin Nadje (M, Versailles-FRA), [Patrik Walemark (A, Heerenveen)], Ibrahim Osman (A, Brighton-ING), [Shiloh 't Zand (A, Dordrecht)], Julián Carranza (A, Philadelphia Union-EUA) e Anis Hadj-Moussa (A, Vitesse)
Principais saídas: Thijs Jansen (G, Cambuur), Lutsharel Geertruida (D, RB Leipzig-ALE), Ramon Hendriks (D, Stuttgart-ALE), Mimeirhel Benita (D, Heracles Almelo), Leo Sauer (M, NAC Breda), Neraysho Kasanwirjo (M, Rangers-ESC), Mats Wieffer (M, Brighton-ING), Thomas van den Belt (M, Castellón-ESP), Patrik Walemark (A, Lech Poznan-BUL), Alireza Jahanbakhsh (A, contrato terminou), [Yankuba Minteh (A, Newcastle-ING)], Ezequiel Bullaude (A, Fortuna Sittard) e Shiloh 't Zand (A, Heracles Almelo)

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
[transferência em definitivo após empréstimo]

Vida que segue. A temporada passada terminou com um digno vice-campeonato holandês (só não foi possível alcançar o PSV pela larga vantagem construída no começo), mais um título de Copa da Holanda... e a despedida a Arne Slot, um técnico que simbolizou a retomada de grandeza do Feyenoord como talvez nenhum nos últimos anos. Necessidade de reconstrução colocada, ela tinha de começar obviamente pelo técnico. A escolha precisava ser tão rápida quanto cuidadosa, por mais contraditório que isso pudesse parecer. De certa forma, aconteceu: vindo de bons trabalhos no Sparta Praga tcheco, técnico que também prefere equipes intensas (sem se descuidar da defesa), o dinamarquês Brian Priske foi o escolhido para comandar o Stadionclub. Priske já assumiu os trabalhos sabendo que perderia Mats Wieffer, volante fundamental nos últimos dois anos de Feyenoord. Assumiu tendo uma disputa gigante a tourear no gol: Justin Bijlow, titular nas temporadas recentes, cria do clube, teria um Timon Wellenreuther de contrato renovado, vindo de aparições elogiáveis nos períodos em que Bijlow se machucou, querendo virar titular. 

Por esse desejo, inclusive, Bijlow quase deixou o clube: sua transferência para o Southampton-ING só não se consumou por problemas nos exames médios. Lutsharel Geertruida, outro nascido e criado futebolisticamente no Feyenoord, efetivamente se transferiu - para nem citar quem esteve cotado para sair até o fim da janela de transferências (Dávid Hancko e Santiago Giménez). E as contratações que vieram são mais apostas - principalmente para o ataque, com Julián Carranza e Anis Hadj-Moussa. Além disso, na pré-temporada, já ficou claro que Brian Priske dará preferência a um esquema com três zagueiros, mudando o jeito como o Feyenoord normalmente jogava. Por um lado, os resultados em amistosos mais exigentes foram preocupantes. Por outro, no primeiro jogo competitivo, o Feyenoord conseguiu vencer a Supercopa da Holanda (ainda que nos pênaltis). Nomes como Quinten Timber, Calvin Stengs e Igor Paixão seguem em Roterdã. E o Feyenoord, apesar de algumas perdas, segue uma boa equipe. Que pode sonhar com o título.

segunda-feira, 3 de junho de 2024

Análise da temporada: Feyenoord

Certo, o bi não veio. Mas mesmo assim, o Feyenoord fez outra ótima temporada, e mereceu elogios (Jeroen van den Berg/Soccrates/Getty Images)

Colocação final: 2º lugar, com 84 pontos (26 vitórias, 6 empates e 2 derrotas)
No turno havia sido: 2º lugar, com 39 pontos
Time-base: Wellenreuther (Bijlow); Geertruida, Nieuwkoop (Trauner), Hancko e Hartman (López); Wieffer (Zerrouki), Stengs e Timber; Igor Paixão, Giménez e Minteh (Ivanusec)
Técnico: Arne Slot
Maior vitória: Feyenoord 6x0 Ajax (29ª rodada)
Maiores derrotas: Twente 2x1 Feyenoord (10ª rodada) e Feyenoord 1x2 PSV (14ª rodada) 
Principais jogadores: Calvin Stengs (meio-campista) e Santiago Giménez (atacante) 
Artilheiro: Santiago Giménez (atacante), com 23 gols  
Quem deu mais passes para gol: Calvin Stengs (meio-campista), com 12 passes
Quem mais partidas jogou: Lutsharel Geertruida (lateral direito/zagueiro) e Dávid Hancko (zagueiro/lateral esquerdo), que jogaram todas as 34 partidas
Copa nacional: campeão
Competições continentais: Liga dos Campeões (eliminado na fase de grupos) e Liga Europa (eliminado pela Roma-ITA, na segunda fase)

Está certo que há um gosto levemente amargo na boca de cada torcedor do Feyenoord. Afinal de contas, perdeu-se a chance do bicampeonato holandês que o Stadionclub não tem desde 1962 - e a equipe manteve nível técnico para sonhar com isso, desde o título de 2022/23. Mas as críticas eventuais devem ser leves, sem perturbar o bom clima que continua em De Kuip. Afinal, pelo menos, o clube terminará a temporada atual com mais um título, na Copa da Holanda. Mais do que isso: de novo, estará numa fase de grupos da Liga dos Campeões. Além do mais, como já comentado, o nível técnico da equipe teve ótimos momentos. E ótimos jogadores. Para começar da defesa: mesmo quando as lesões impediam Justin Bijlow de ficar no gol, o alemão Timon Wellenreuther voltava a colaborar com destaque. Lutsharel Geertruida consolidou sua vontade e sua versatilidade (na lateral direita e na zaga, até se dando ao luxo de avançar mais), enquanto o eslovaco Dávid Hancko mostrou técnica a ponto de ser deslocado da zaga, onde era quase um líbero, para a lateral esquerda, quando Quilindschy Hartman (útil e bom a ponto de ter virado titular da Holanda/Países Baixos) machucou seriamente o joelho. No meio-campo, então, a dupla Mats Wieffer-Quinten Timber mostrou entrosamento cada vez maior: Timber cresceu em combatividade na marcação sem ser violento (até por isso, tem boas chances de ir à Eurocopa com a Holanda/Países Baixos), enquanto Wieffer seguiu com qualidade na saída de bola até machucar o músculo posterior da coxa (senão, estaria na pré-convocação, como Timber está). 

Calvin Stengs justificou plenamente a contratação: se nos tempos de AZ era "só" um ponta-direita promissor, treinado por Arne Slot agora se mostrou mais versátil, podendo ser escalado no meio-campo, criando jogadas para o ataque conferir. E como conferiu: Santiago Giménez passou boa parte da temporada repetindo o que fizera em 2022/23 (ou seja, gols e mais gols), até se cansar, ficando mais longe da artilharia. Pelo menos, Igor Paixão compensou, mostrando a regularidade que lhe faltara na temporada passada e sendo bem mais presente e ousado na ponta-esquerda, com o gambiano Yankuba Minteh se mostrando como uma das revelações do campeonato. É bem certo que alguns tropeços fizeram a diferença para acabar com o sonho do bicampeonato: os empates nas duas primeiras rodadas (0 a 0 com o Fortuna Sittard, na estreia, e 2 a 2 com o Sparta Rotterdam, partindo de 2 a 0 atrás), a derrota para o Twente (2 a 1, na 10ª rodada), permitir o empate do PSV quando vencia em Eindhoven (2 a 2, na 24ª rodada) e, talvez o pior de todos, o empate sem gols com o Volendam (0 a 0, na 28ª rodada), praticamente decretando que o PSV seria campeão. Também doeram um pouco a eliminação na fase de grupos da Liga dos Campeões, perdendo o gás quando mais precisava tê-lo, e mais uma queda para a Roma, na Liga Europa, mesmo levando um jogo equilibrado aos pênaltis, mas falhando neles. Dores que ficam menores, quando se lembra da deliciosa goleada sobre o arquirrival Ajax - 6 a 0, na 29ª rodada (nunca o time de Amsterdã ficara sem marcar gols no Feyenoord em toda uma temporada). E outra goleada, fechando a temporada - 4 a 0 no Excelsior, na última rodada -, deixou claro: mesmo sem o título, o Feyenoord foi um bom time, que fez bonito na temporada. Não fosse assim, e Arne Slot nem passaria perto de ir ao Liverpool, como irá...


domingo, 7 de janeiro de 2024

Parada obrigatória: Feyenoord

As perspectivas de conquistar o bicampeonato ficaram pequenas, é verdade. Mas o Feyenoord está bem no atual Campeonato Holandês (ProShots/Icon Sport/Getty Images)

Posição: 2º lugar, com 38 pontos
Técnico: Arne Slot
Time-base: Bijlow; Geertruida, Trauner, Hancko e Hartman; Wieffer, Stengs e Timber; Igor Paixão, Giménez e Minteh (Ivanusec)
Maiores vitórias: Feyenoord 6x1 Almere City (3ª rodada) e Feyenoord 6x1 Heerenveen (5ª rodada)
Maior derrota: Twente 2x1 Feyenoord (10ª rodada) e Feyenoord 1x2 PSV (14ª rodda)
Copa da Holanda: enfrentará o vencedor de PSV x Twente, nas oitavas de final
Competição europeia: Liga dos Campeões (eliminado na fase de grupos) e Liga Europa (enfrentará a Roma-ITA, na segunda fase)
Artilheiro: Santiago Giménez (atacante), com 18 gols
Objetivo do início: Título
Avaliação: O Stadionclub continua bem. Tem alguns jogadores fazendo ótima temporada. Em alguns aspectos, está até melhor do que na temporada do título. Porém, sofre alguns tropeços que o líder PSV não sofre

Após 16 rodadas, o atual campeão holandês já vê o líder PSV dez pontos à frente. Será difícil alcançá-lo. Então, a temporada do Feyenoord é decepcionante? Longe disso, muito longe. Para começo de conversa, está no Stadionclub o melhor atacante do Campeonato Holandês - desde a temporada do título, aliás: Santiago "Bebote" Giménez até oscilou, passou alguns jogos sem balançar as redes, mas logo voltou à doce rotina de ser garantia de gols no time de Roterdã. Principal contratação para a temporada atual, Calvin Stengs justificou plenamente a confiança de Arne Slot: não só oferece experiência e habilidade na ponta direita, posição de origem, como se mostrou capaz de minorar o impacto da ausência de Orkun Kökcü no meio. Em 15 jogos, Stengs deu sete passes para gol: índice só menor do que a dupla do PSV, Joey Veerman-Johan Bakayoko. Além disso, a defesa já mostra o entrosamento da temporada passada, com Quilindschy Hartman crescendo a ponto de virar titular da seleção masculina da Holanda (Países Baixos). A mesma coisa no meio: Mats Wieffer seguiu bem, e Quinten Timber cresceu a ponto de já ousar mais avanços. Assim fez o gol da vitória no AZ (1 a 0, 12ª rodada). E no ataque, se Igor Paixão caiu de produção, Yankuba Minteh subiu, após um começo preocupante.

Além do mais, vendo os dados estatísticos, o Feyenoord tem alguns aspectos até melhores do que na temporada passada, que terminou com o título: após 16 rodadas, são tantos pontos quanto a mesma altura em 2022/23 (38), e o saldo de gols é melhor (+34 agora, contra +25). Por quê, então, já parece difícil conseguir o bicampeonato? Por causa dos poucos tropeços. Vale lembrar que a campanha na Eredivisie começou com um 0 a 0 contra o Fortuna Sittard, em pleno De Kuip, tendo um jogador expulso (Bart Nieuwkoop). Depois, só mais duas derrotas no campeonato, mas ambas contra adversários diretos na ponta: Twente (2 a 1, fora, 10ª rodada) e PSV (2 a 1, em casa, 14ª rodada). De certa forma, tais falhas explicam também a queda na fase de grupos da Liga dos Campeões: o Feyenoord foi adversário valoroso contra Lazio e Atlético de Madrid, mas estes foram mais eficientes e venceram jogos decisivos (Atlético 3 a 2, em Madri, na 2ª rodada, e Lazio 1 a 0 em Roma, na 4ª rodada). Mesmo assim, não há como chamar de ruim uma temporada em que o Feyenoord humilhou o arquirrival Ajax (4 a 0 na Johan Cruyff Arena, na 6ª rodada, com interrupção e tudo). E embora seja difícil, não é impossível eliminar a Roma na segunda fase da Liga Europa. Nem mesmo é impossível alcançar o PSV (vai saber...). O Feyenoord faz uma temporada elogiável. O sonho do bicampeonato só é pequeno porque o adversário que está à frente simplesmente não falha.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Guia da Eredivisie 2023/24: Feyenoord

A vinda de Calvin Stengs simboliza: apesar de algumas perdas, o Feyenoord segue bem e otimista na defesa de seu título (Pro Shots)

Feyenoord Rotterdam

Cidade: Roterdã
Estádio: De Kuip (capacidade para 51.137 torcedores)
Apelidos: Stadionclub (em holandês, "o clube do estádio" - referência a De Kuip, considerado o mais tradicional estádio do país); Feyenoorders; Rotterdammers
Títulos: 16 Campeonatos Holandeses (merecem citação um título mundial, uma Copa dos Campeões, duas Copas da UEFA e 12 Copas da Holanda)
Patrocínio: Euro Parcs (rede de hotéis)
Técnico: Arne Slot 
Destaque: Santiago Giménez (atacante)
Fique de olho: Ramiz Zerrouki (meio-campo)
Brasileiros no elenco: Igor Paixão (atacante)
Temporada passada: Campeão
Copas europeias: Liga dos Campeões (fase de grupos)
Objetivo: título
Amistosos de pré-temporada:
8 de julho - Feyenoord 3x1 Zwolle
12 de julho - Feyenoord 2x0 Club Brugge-BEL
15 de julho - Feyenoord 0x0 Union Sint Gillis-BEL
22 de julho - Feyenoord 2x4 Hoffenheim-ALE
27 de julho - Feyenoord 1x1 Villarreal-ESP
30 de julho - Feyenoord 2x1 Benfica-POR
5 de agosto - Dordrecht 0x2 Feyenoord
Principais chegadas: [Timon Wellenreuther (G, Anderlecht-BEL)], Kostas Lamprou (G, Willem II), Bart Nieuwkoop (D, Union Saint Gilloise-BEL), [Denzel Hall (D, ADO Den Haag)], Ramiz Zerrouki (M, Twente), Ondrej Lingr (M, Slavia Praga-TCH), Thomas Beelen (M, Zwolle), Luka Ivanusec (M, Dinamo Zagreb-CRO), Thomas van den Belt (M, Zwolle), [Marouan Azarkan (M, Excelsior)], Calvin Stengs (A, Nice-FRA), Ayase Ueda (A, Cercle Brugge-BEL) e Yankuba Minteh (A, Newcastle-ING)
Principais saídas: Ofir Marciano (G, Hapoel Be'er Sheva-ISR), Denzel Hall (D, Heerenveen), Mimeirhel Benita (D, Excelsior), Neraysho Kasanwirjo (D, Rapid Viena-ALE), [Jacob Rasmussen (D, Fiorentina-ITA)], Orkun Kökcü (M, Benfica-POR), [Sebastian Szymanski (M, Dynamo Moscou-RUS - repassado em definitivo ao Fenerbahçe-TUR)], Lennard Hartjes (M, Excelsior), Mark Diemers (M, não renovou contrato - se transferiu para o Cambuur), Marouan Azarkan (M, Excelsior), Ezequiel Bullaude (A, Boca Juniors-ARG), Danilo (A, Rangers-ESC), [Oussama Idrissi (A, Sevilla-ESP)] e [Róbert Bozeník (A, Boavista-POR)]

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
[transferência em definitivo após empréstimo]

Nem mesmo no título do fim do jejum (2016/17) o Feyenoord foi tão dominante, tão seguro, tão merecedor de elogios e do título que conquistou na Eredivisie quanto em 2022/23. Os motivos para alegria eram tantos e tão grandes quanto os temores que a pré-temporada costuma trazer a times holandeses, na forma da perda de nomes fundamentais dentro do mercado de transferências. E a perda veio rápido, embora fosse até prevista: Orkun Kökcü, que já poderia ter saído antes da temporada do título, enfim teve a negociação que desejava - embora o Benfica tenha sido destino até inesperado. Pouco depois, Sebastian Szymanski, também importantíssimo na campanha passada, teve o empréstimo encerrado, chegou a negociar uma volta em definitivo... mas o Stadionclub não teve condições de desafiar a oferta que o Fenerbahçe fez. Depressão? Nem tanto. Porque, ao ver Arne Slot negar a proposta para comandar uma reformulação do Tottenham e preferir seguir com seu trabalho de tanto sucesso em De Kuip, tanto diretoria quanto torcida Feyenoorders tiveram uma verdadeira massagem no ego. Além do mais, as contratações também são promissoras. A começar pelo gol, em que o alemão Timon Wellenreuther (muito útil no empréstimo na temporada passada, ao jogar numa lesão do titular Justin Bijlow - e ser decisivo nos históricos 3 a 2 sobre o Ajax, em Amsterdã) volta, agora para ficar. 

No meio-campo, então... Ramiz Zerrouki, enfim, chegou do Twente, concretizando uma transferência há muito desejada, e tem tudo para se entrosar com Mats Wieffer. Do Zwolle, promovido, vieram outros dois nomes que podem ajudar na criação de jogadas: Thomas van den Belt, meia goleador na segunda divisão passada, e Thomas Beelen. No ataque, vale a aposta no japonês Ayase Ueda, que fez ótima temporada no Cercle Brugge belga (22 gols na liga, em 2022/23). Mas a contratação de quem mais se espera é Calvin Stengs: após passagem (decepcionante) pelo Nice francês e (um pouco melhor) pelo Royal Antwerp belga, o atacante volta a trabalhar com Arne Slot que fez dele grata revelação nos tempos de AZ, esperando até retomar a forma que fez dele convocado constante para a seleção masculina da Holanda entre 2019 e 2021. Além do mais, boa parte da base sólida do título ficou: Justin Bijlow, Lutsharel Geertruida (este, por enquanto - o RB Leipzig se interessa), Dávid Hancko, Gernot Trauner, Quilindschy Hartman, Igor Paixão (com tudo para crescer ainda mais), Santiago "Bebote" Giménez (de contrato renovado)... enfim, o Feyenoord sofreu algumas perdas. Notou que ainda tem o que melhorar, com a derrota na Supercopa da Holanda. Mas segue bem e confiante de que pode ganhar o bicampeonato holandês, após 62 anos.

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Análise da temporada: Feyenoord

O abraço de Arne Slot, o melhor técnico desta Eredivisie, em Orkun Kökcü, o melhor jogador, mostra como o Feyenoord esteve sólido, na disputa do título que tanto mereceu (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Colocação final: Campeão, com 82 pontos em 34 rodadas
No turno havia sido: 1º lugar, com 38 pontos
Time-base: Bijlow (Wellenreuther); Pedersen, Geertruida, Hancko e Hartman; Wieffer, Szymanski e Kökcü; Igor Paixão (Jahanbakhsh), Giménez e Idrissi (Dilrosun) 
Técnico: Arne Slot
Maiores vitórias: Feyenoord 5x1 Excelsior (14ª rodada) e Feyenoord 5x1 RKC Waalwijk (28ª rodada)
Maior derrota: PSV 4x3 Feyenoord (7ª rodada)
Principais jogadores: Orkun Kökcü (meio-campista) e Santiago Giménez (atacante)
Artilheiro: Santiago Giménez (atacante), com 15 gols
Quem deu mais passes para gol: Alireza Jahanbakhsh (atacante), com 7 passes para gol
Quem mais partidas jogou: Danilo (atacante), que jogou todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado pelo Ajax, na semifinal
Competições continentais: Liga Europa (eliminado pela Roma-ITA, nas quartas de final)

A temporada passada deixara uma impressão das mais honrosas na torcida do Feyenoord. Afinal, mais do que o terceiro lugar no Campeonato Holandês, chegar à final da Conference League foi uma massagem inesperada no ego do Stadionclub, animando a torcida. Só ficava a dúvida: com tantas saídas (de Marcos Senesi a Cyriel Dessers, passando por Tyrell Malacia, Fredrik Aursnes, Guus Til...), seria possível continuar sonhando? Pois foi. Vieram vários reforços: Dávid Hancko, Sebastian Szymanski, Quinten Timber, Mats Wieffer (sofreu com lesão no começo da temporada), Danilo, Santiago "Bebote" Giménez, Oussama Idrissi... e o Feyenoord fez um começo de Eredivisie mais correto do que propriamente promissor. Ganhava as partidas, mas a defesa ainda procurava a sua melhor forma. Que o digam o susto contra o Go Ahead Eagles, na 5ª rodada, virando de 2 a 0 contra para 4 a 3, e a derrota no clássico contra o PSV (4 a 3, na 7ª rodada). Mais à frente, se Sebastian Szymanski se entrosava rapidamente, se Orkun Kökcü parecia um meio-campista mais completo, Danilo e Santiago Giménez ainda disputavam posição no ataque.

Contudo, cada vez mais o time de Roterdã se mostrava consistente. Obtinha vitórias convincentes (2 a 0 no Twente, na 9ª rodada, em De Kuip, e 3 a 1 no AZ, fora, na rodada seguinte). Exatamente na rodada final de 2022, assumiu a liderança, ao golear o Excelsior - 5 a 1 - e ver tropeços de Ajax e PSV. 2023 chegou, a Eredivisie voltou, e o Feyenoord se estabilizou de vez. Posições que estavam instáveis, como o ataque, tiveram seus titulares definidos - Santiago Giménez foi o grande exemplo disso, ao rumar para ser o homem-gol Feyenoorder. Quando os resultados não vinham na competência, vinham na raça, como exemplificou bem o 2 a 2 contra o PSV (20ª rodada), obtido nos últimos minutos. Nomes que tiveram de entrar às pressas mostraram merecer a confiança, como o goleiro Timon Wellenreuther, substituindo o lesionado titular Justin Bijlow. Para falar de brasileiros, após um período de adaptação, Igor Paixão cresceu no returno - e Danilo, mesmo ficando mais no banco, foi quase um "12º jogador". E o Feyenoord, entrando nos eixos na hora certa, demonstrou autoridade de campeão com os históricos 3 a 2 no Klassieker contra o Ajax, a primeira vitória em Amsterdã pelo Holandês desde 2005. A segurança tão buscada no começo tinha sido alcançada, em que pesassem as eliminações em Liga Europa e Copa da Holanda. Era mostrada no fato do time ser o melhor visitante da Eredivisie (13 vitórias em 17 jogos). No jogo do título: 3 a 0 inapeláveis diante do Go Ahead Eagles, na 32ª rodada. Nas opiniões quase unânimes de que Arne Slot foi o melhor técnico do campeonato, e Orkun Kökcü, o melhor jogador. Ainda é mostrada na festa que a torcida Feyenoorder faz até agora. E, principalmente, na sensação de que o Feyenoord está estruturado para tentar o bicampeonato.

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