Mostrando postagens com marcador NEC. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador NEC. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Guia da Eredivisie 2026/27: NEC

Só pela perspectiva de poder estar na fase de liga da Champions, o NEC já começaria entusiasmado esta temporada. A chegada de Dusan Tadic (à esquerda) - e outros bons reforços - aumentam a esperança da torcida em, no mínimo, repetir o marcante 2025/26 (Divulgação/nec-nijmegen.nl)

Nijmegen Eendracht Combinatie

Cidade: Nijmegen   
Estádio: De Goffertstadion (capacidade para 12.080 torcedores)
Apelidos: Nijmegenaren
Títulos: 2 títulos da segunda divisão holandesa
Ranking histórico: 14º
Patrocínio: Nexperia (fabricante de semicondutores)
Técnico: Dick Schreuder
Destaques: Tjaronn Chery (atacante) e Bryan Linssen (atacante)
Fique de olho: Dusan Tadic (meio-campista/atacante)
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum 
Temporada passada: 3º colocado 
Copas europeias: Liga dos Campeões (enfrenta o Olympiacos-GRE, na terceira fase classificatória)
Objetivo: meio de tabela/vagas nas competições europeias
Amistosos de pré-temporada:
1º de julho - De Treffers 1x1 NEC
8 de julho - NEC 2x3 MSV Duisburg (Dui)
11 de julho - Anderlecht-BEL 3x2 NEC
13 a 18 de julho - Viagem para treinos de pré-temporada em Garderen (Holanda/Países Baixos)
14 de julho - NEC 3x1 V-Varen Nagasaki-JAP
18 de julho - NEC 7x0 Al Fayah-SAU
25 de julho - NEC 0x1 SV Elversberg-ALE 
31 de julho - NEC x Sevilla-ESP
Principais chegadas: Perr Schuurs (D, Torino-ITA), Tobias Storm (D, Lyngby-DIN), Jamiro Monteiro (M, Zwolle), [Yousri Sbai (M, VVV-Venlo)], Adam Tahaui (M, Vitesse), Kaj Sierhuis (A, Fortuna Sittard), [Vito van Crooij (A, Sparta Rotterdam)], Emre Mor (A, Fenerbahçe-TUR) e Dusan Tadic (M/A, Al Wahda-EAU)
Principais saídas: Jasper Cillessen (G, contrato rescindido), Rijk Janse (G, Groningen), Eli Dasa (D, dispensado), Jetro Willems (D, dispensado), [Ahmetcan Kaplan (D, Ajax)], Basar Önal (M, Lille-FRA), Róber Gonzalez (M, dispensado), Virgil Misidjan (A, dispensado) e Youssef El Kachati (A, Stade Reims-FRA)

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
[transferência em definitivo após empréstimo]

A princípio, se poderia dizer que a torcida do NEC nem poderia pedir muito mais do clube nesta temporada. Afinal de contas, 2025/26 foi um período de emoções como poucas vezes (talvez nunca) se viu em Nijmegen: o terceiro lugar como a melhor campanha da história do clube no Campeonato Holandês, a consequente vaga inédita na Liga dos Campeões, uma final da Copa da Holanda - certo, a goleada sofrida na decisão contra o AZ doeu um pouco -, um estilo de jogo altamente atraente (para o bem e para o mal), com o técnico Dick Schreuder comandando a ofensividade quase suicida que a diretoria esperava e que divertiu os torcedores. Tudo isso, sem contar os vários destaques em campo: Ahmetcan Kaplan e Philippe Sandler na defesa, Kodai Sano e Basar Önal no meio, Tjaronn Chery e Bryan Linssen (uma dupla de veteranos) no ataque. Pois bem: o primeiro temor, pelo menos, foi contornado - o badalado Dick Schreuder ficou no time, apesar de boatos aqui e ali.

Em que pesem resultados decepcionantes na pré-temporada, até que Schreuder terá um grupo relativamente inalterado. Está certo que os titulares Dasa e Önal partiram - Önal, como a maior venda da história do NEC. Mas Ahmetcan Kaplan é o típico caso que "foi, mas pode voltar" (cogita-se venda definitiva junto ao Ajax). Sami Ouaissa, Darko Nejasmic, Kodai Sano, Koki Ogawa, Chery, Linssen: todos eles continuam. Além do mais, vieram boas opções para o caso de lacunas serem abertas, como Perr Schuurs, com chance de recompor a carreira após lesões no Torino; Kaj Sierhuis, atacante capaz de fazer gols - mostrou isso no Fortuna Sittard; e Adam Tahaui, que mostrou velocidade na remodelação do Vitesse dentro da segunda divisão, ao longo da temporada passada. Mas a cereja do bolo veio mesmo com um nome para atiçar os sonhos da torcida: aos 37 anos, Dusan Tadic vem para ser o nome experiente, aquele a abrir os caminhos, aquele a, quem sabe, simbolizar a chegada à fase de liga da Champions. Ou, quem sabe, simbolizar feito até maior do que a surpresa de 2025/26. Só sonhos? Ora, e chegar à Champions também não era sonho na temporada passada? 

domingo, 24 de maio de 2026

Análise da temporada: NEC

Ofensividade extrema, grandes revelações como Ouaissa, reabilitação de veteranos como Chery e Linssen, o melhor técnico da temporada holandesa (Dick Schreuder): o NEC foi, de longe, a melhor surpresa desta Eredivisie. Teve o prêmio: vaga na Liga dos Campeões (Jeroen Meuwsen/BSR Agency/Getty Images)

Colocação final: 3º lugar, com 59 pontos (16 vitórias, 11 empates e 7 derrotas)
No turno havia sido: 4º lugar, com 29 pontos 
Time-base: Gonzalo; Dasa, Kaplan e Sandler; Nejasmic, Sano, Ouaissa e Önal; Chery, Linssen (Koki Ogawa) e Lebreton (El Kachati/Danilo)
Técnico: Dick Schreuder 
Maior vitória: NEC 5x0 Excelsior (1ª rodada)
Maior derrota: NEC 3x5 PSV (5ª rodada)
Principais jogadores: Sami Ouaissa (meio-campista) e Bryan Linssen (atacante)
Artilheiro: Bryan Linssen (atacante), com 11 gols
Quem deu mais passes para gol: Kodai Sano (meio-campo) e Bryan Linssen (atacante), ambos com 7 passes
Quem mais partidas jogou: Kodai Sano (meio-campo), que jogou todas as 34 partidas
Copa nacional: Vice-campeão
Competições continentais: nenhuma

Antes mesmo que o primeiro turno acabasse, já se sabia: o NEC era a grande surpresa positiva da temporada, pelo menos até ali. Até houvera uma sequência ruim entre a 4ª e a 10ª rodadas - só uma vitória -, mas logo os Nijmegenaren se recompuseram. A torcida logo deu ao estilo ousado em campo o apelido engraçado de "Dick-taka", celebrando que o treinador Dick Schreuder cumprisse exatamente aquilo para que foi contratado: tentar fazer um time mais ofensivo. Era o que possibilitavam nomes como os zagueiros Ahmetcan Kaplan e Philippe Sandler, quase sempre jogando como líberos, avançando para ajudarem na criação das jogadas. Ou mesmo a dupla Basar Önal-Sami Ouaissa, muito criativa e veloz nas subidas para o ataque, vindos do meio-campo. Ou, finalmente, os veteranos redivivos: Tjaronn Chery na ponta-direita, Bryan Linssen no meio do ataque, cada um a seu modo, simbolizando o tamanho da ofensividade do NEC, que teve na dupla dois dos melhores jogadores do campeonato. Como já dito, isso já se vira em jogos das primeiras 17 rodadas, como a derrota por 5 a 3 para o PSV (5ª rodada) ou a vitória por 4 a 2 sobre o Feyenoord, em pleno De Kuip (14ª rodada).

E continuaria se vendo essa ousadia em Nijmegen no restante da temporada. Talvez até maior: a sequência de quatro vitórias com que 2026 começou - e o returno também - impulsionou o time de vez para a terceira posição. Diante das oscilações do Feyenoord, impulsionou até para o sonho do vice-campeonato, e do que seria vaga histórica e inédita na Liga dos Campeões. Também não surpreende que o NEC tenha sido o segundo melhor visitante da Eredivisie, diante de vitórias cheias de reviravoltas fora de casa, como os 4 a 3 no NAC Breda (19ª rodada), ou mesmo os 3 a 2 no campeão PSV, em pleno Philips Stadion (27ª rodada). Por falar em PSV, este chegou até a estar na frente do placar antes de tomar a virada na semifinal da Copa da Holanda. E os Nijmegenaren, impulsionados pela dupla Chery-Linssen, sonhavam, empolgavam a torcida. Mas o sonho começou a acabar no empate com o Feyenoord (1 a 1, na 30ª rodada), dificultando alcançar o vice-campeonato. Depois, a goleada sofrida na final da Copa da Holanda (AZ 5 a 1) impactou bastante. Ainda assim, o NEC conseguiu ser o terceiro melhor clube do returno. Foi o segundo melhor visitante. E com a segunda vitória nas últimas cinco rodadas (2 a 1 no Go Ahead Eagles, na última rodada), está classificado para a Liga dos Campeões pela primeira vez em sua história. Temporada tão impressionante em Nijmegen merecia um prêmio. E ele veio.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Parada obrigatória: NEC

Embora o NEC fosse até razoável nas últimas temporadas, a torcida já pedia mais ofensividade. Foi plenamente atendida, com um ótimo primeiro turno (Olaf Kraak/ANP/Getty Images)

Posição: 4º lugar, com 29 pontos (8 vitórias, 5 empates e 4 derrotas)
Técnico: Dick Schreuder
Time-base: Gonzalo; Dasa (Pereira), Kaplan e Sandler (Fonville); Proper, Nejasmic, Ouaissa e Önal; Chery e Linssen; Koki Ogawa
Maior vitória: NEC 5x0 Excelsior (1ª rodada)
Maior derrota: NEC 3x5 PSV (5ª rodada)
Copa da Holanda: enfrentará o De Treffers (terceira divisão), nas oitavas de final
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Koki Ogawa (atacante), com 6 gols
Objetivo do início: meio de tabela/vaga nos play-offs por vaga na Conference League
Avaliação: As contratações e o próprio estilo de jogo do técnico Dick Schreuder já traziam boas perspectivas à torcida antes da temporada começar. Perspectivas mais do que confirmadas: com ofensividade absoluta - às vezes até demais -, o NEC é a maior e mais agradável surpresa da temporada

Fazia algum tempo que a torcida do NEC andava meio aborrecida com o time. Não exatamente por ter sofrido com ameaça de rebaixamento, mas por ser um time que não parecia cumprir totalmente com seu potencial. Até vinha fazendo boas campanhas (disputou a repescagem por vaga na Conference League nas duas últimas temporadas, só que parecia faltar algo. Foi exatamente para trazer esse "algo" que o técnico Dick Schreuder chegou: o "algo" era mais ofensividade, mais ataque. Bastaram as três primeiras rodadas para que a torcida em Nijmegen se alegrasse imensamente. Logo na estreia, a maior goleada do "Enêissêi" (N-E-C soletrado em holandês) no turno: 5 a 0 no Excelsior. Na segunda rodada, 4 a 1 no Heracles Almelo. E na terceira, "só" 3 a 0 no NAC Breda. Àquela altura, início de Eredivisie, o time de Nijmegen até ocupava o primeiro lugar. Isso acontecia porque Dick Schreuder não só fazia o NEC jogar como ele queria, bem mais ofensivo (com três zagueiros, e um meio-campo só com "meias", sem alas), mas também porque os reforços se entrosavam rapidamente. 

No gol, o argentino naturalizado espanhol Gonzalo Crettaz mostrava agilidade com as mãos e bom jogo com os pés. Emprestado pelo Ajax, o turco Ahmetcan Kaplan ia bem como "líbero" no trio de zaga. No meio, Kodai Sano, Sami Ouaissa e Basar Önal se revezavam bem na criação de jogadas, com Darko Nejasmic e Dirk Proper esforçados na marcação. E no ataque, o japonês Koki Ogawa tinha parceiros experientes e confiáveis em Bryan Linssen e Tjaronn Chery - sem falar em outro japonês, o reserva Kento Shiogai, 7 gols em 12 jogos. Nem mesmo uma sequência em que as fragilidades defensivas foram mais sentidas (entre a 4ª e a 10ª rodadas, só uma vitória - três empates e três derrotas) fizeram a paciência acabar. E quando o NEC voltou ao prumo, justificou o brincalhão apelido de "Dick-taka" que a torcida usa para apelidar o jeito do time sob Dick Schreuder: quatro vitórias seguidas - incluído aí um 4 a 2 no Feyenoord em De Kuip - para trazer o time de volta às primeiras posições. Nas últimas duas rodadas de 2025, dois empates fizeram o time perder a terceira posição (2 a 2 com o Telstar, na 16ª rodada, e com o Ajax, na 17ª). Sem problemas: em quarto lugar, jogando bem, segundo melhor ataque da Eredivisie (43 gols), o NEC é a surpresa da vez. A torcida aguarda ansiosa pelo jogo contra o Utrecht, que marca a retomada da campanha em 2026: é diversão quase garantida.

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Guia da Eredivisie 2025/26: NEC

 
Entre uma base já estabelecida e reforços promissores, o NEC tem boas chances de ser a surpresa desta Eredivisie (NEC/Divulgação) 

Nijmegen Eendracht Combinatie

Cidade: Nijmegen   
Estádio: De Goffertstadion (capacidade para 12.080 torcedores)
Apelidos: Nijmegenaren
Títulos: 2 títulos da segunda divisão holandesa
Ranking histórico: 14º
Patrocínio: Nexperia (fabricante de semicondutores)
Técnico: Dick Schreuder
Destaque: Vito van Crooij (atacante)
Fique de olho: Youssef El Kachati (atacante)
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum 
Temporada passada: 8º colocado 
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: meio de tabela/vaga nos play-offs por vaga na Conference League
Amistosos de pré-temporada:
5 de julho - NEC 2x1 Sportfreunde Lotte-ALE
11 de julho - NEC 27x0 SC NEC (amador)
12 de julho - NEC 1x0 Kaizer Chiefs-AFS
19 de julho - Groningen 1x2 NEC
23 de julho - De Treffers 0x3 NEC
26 de julho - NEC 2x3 PAOK-GRE
1º de agosto - NEC 7x2 Team VVCS (associação holandesa de jogadores)
2 de agosto - NEC 3x1 Blackburn Rovers-ING
Principais chegadas: Gonzalo Crettaz (G, Castellón-ESP), Jasper Cillessen (G, Las Palmas-ESP), Ahmetcan Kaplan (D, NEC), Jetro Willems (D, Castellón-ESP), [Róber González (M, Racing Santander-ESP)], Tjaronn Chery (A, Royal Antwerp-BEL), Youssef El Kachati (A, Telstar) e Virgil Misidjan (A, Ferencvaros-TUR)
Principais saídas: Robin Roefs (G, Sunderland-ING), Stijn van Gassel (G, Excelsior), [Lefteris Lyratzis (D, PAOK-GRE)], [Iván Márquez (D, 1. FC Nürnberg-ALE)], Calvin Verdonk (D, Lille-FRA), Mees Hoedemakers (M, Viborg-DIN), Lasse Schöne (M, encerrou a carreira) e Sontje Hansen (A, Middlesbrough-ING)

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
[transferência em definitivo após empréstimo]

A torcida já pedia a saída do técnico Rogier Meijer havia algumas temporadas, e ela veio. Mas veio de uma maneira mais tranquila do que se esperava: com uma arrancada final, o time de Nijmegen conseguiu estar na repescagem por vaga na Conference League. Foi eliminado nela, mas o clima de trabalho já ficou melhor para o sucessor, que já estava anunciado. E Dick Schreuder, ex-Zwolle, vindo do Castellón (terceira divisão espanhola), não só trouxe nomes confiáveis e experientes, como vê boa parte do grupo de jogadores permanecer para 2025/26. Algumas saídas foram inevitáveis: a mais notável foi a do goleiro Robin Roefs, revelação da temporada passada, que até titular da Holanda (Países Baixos) foi na Euro sub-21, e rendeu a maior quantia por uma transferência que o NEC teve em sua história. Mas os reforços foram notáveis. 

A começar pelo próprio gol, com o segundo retorno - desta vez, inesperado - de Jasper Cillessen ao clube, recuperado da grave lesão sofrida nos últimos tempos de Las Palmas. Outros veteranos de Eredivisie, como o meio-campista Tjaronn Chery e o atacante Virgil Misidjan, também disseram "presente" aos Nijmegenaren. Houve ainda a contratação de aposta: mais um atacante, Youssef El Kachati, o grande destaque do Telstar no acesso à primeira divisão. Isso, sem contar quem fica: Philippe Sandler e o capitão Bram Nuytinck na zaga, Kodai Sano no meio, Sontje Hansen, Koki Ogawa e Vito van Crooij no ataque... enfim, Dick Schreuder tem opções promissoras para trabalhar. Se houver entrosamento rápido, quem sabe os Nijmegenaren possam ser a surpresa desta Eredivisie. Não seria nada mal, no aniversário de 125 anos do clube.

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Análise da temporada: NEC

O NEC se preocupou no turno. Seguiu preocupado no começo do returno. Mas nomes como Van Crooij (foto) ajudaram, o clube reagiu e terminou melhor a temporada (Rene Nijhuis/MB Media/Getty Images)

Colocação final: 8º lugar, com 43 pontos (12 vitórias, 7 empates e 15 derrotas)
No turno havia sido: 12º lugar, com 17 pontos (na frente pelo maior número de gols)
Time-base: Roefs; Pereira, Nuytinck (Sandler), Márquez e Verdonk; Hoedemakers e Proper (Sano); Hansen, Ouaissa e Van Crooij; Ogawa (Shiogai)
Técnico: Rogier Meijer
Maior vitória: NEC 6x0 Groningen (11ª rodada)
Maior derrota: Go Ahead Eagles 5x0 NEC (15ª rodada)
Principal jogador: Vito van Crooij (atacante)  
Artilheiro: Vito van Crooij (atacante), com 9 gols  
Quem deu mais passes para gol: Thomas Ouwejan (ponta-esquerda), com 5 passes
Quem mais partidas jogou: Calvin Verdonk (lateral esquerdo), Sami Ouaissa (meio-campista) e Basar Önal (meio-campista), todos com 34 partidas - 33 na temporada regular, mais uma pela repescagem pela Conference League
Copa nacional: eliminado na segunda fase, pelo Heracles Almelo
Competições continentais: nenhuma

Tinha tudo para ser uma temporada melancólica em Nijmegen. Nem tanto por excesso de empates, como foi em temporadas anteriores (2021/22, por exemplo). Mas, até pior, por fatores como goleadas sofridas no final do primeiro turno, como os 5 a 0 do Go Ahead Eagles (15ª rodada), indicando queda que precisava ser revertida na segunda metade da temporada. Impossível dizer que o clube de Nijmegen não correu atrás: trouxe nomes como o atacante Vito van Crooij e o (agora) ala esquerdo Thomas Ouwejan. E a segunda metade da temporada até começou com duas vitórias (1 a 0 no Zwolle, 18ª rodada; 4 a 1 no Fortuna Sittard, 19ª rodada). Só que uma sequência ruim - seis jogos sem vitória, entre a 20ª e a 25ª rodadas, três empates e três derrotas - fez com que o clube já antecipasse o anúncio da saída do técnico Rogier Meijer ao final da temporada, após cinco anos.

Para sorte do NEC, porém, o equilíbrio no meio da tabela era tamanho que permitia tanto a preocupação de não escorregar para as últimas posições como a perspectiva de ir à repescagem pela vaga na Conference League. Jogadores bons, o NEC tinha: o goleiro Robin Roefs, o ponta-direita Sontje Hansen, e os atacantes Kento Shiogai, Koki Ogawa e Bryan Linssen (de volta aos Países Baixos, após passar pelo Urawa Red Diamonds). A vitória sobre o Utrecht - 1 a 0, 26ª rodada - começou a apaziguar tudo. Nas três rodadas finais, o êxtase: três vitórias seguidas (incluído aí marcantes 3 a 0 no Ajax, a primeira vitória como visitante sobre o time de Amsterdã na história do NEC pela Eredivisie), e o clube superou a disputa e garantiu lugar pela segunda vez na repescagem pela Conference. Perdeu para o Twente, verdade. Mas vendeu caro a derrota por 3 a 2. Bem melhor que tenha sido assim a despedida de Rogier Meijer - e do veterano Lasse Schöne, o jogador estrangeiro com mais partidas na história do Campeonato Holandês, encerrando sua carreira. Pelo menos, o time chegará mais animado ao novo técnico, Dick Schreuder.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Parada obrigatória: NEC

Koki Ogawa faz seus gols, mas não só o NEC não embala, como mostrou piora preocupante no final da primeira metade da temporada (Broer van den Boom/BSR Agency/Getty Images)

Posição: 12º lugar, com 17 pontos (na frente pelo maior número de gols)
Técnico: Rogier Meijer
Time-base: Roefs; Pereira, Márquez, Nuytinck e Verdonk; Proper (Schöne) e Hoedemakers; Önal (Hansen), González e Ouaissa (Sano); Ogawa
Maior vitória: NEC 6x0 Groningen (11ª rodada)
Maior derrota: Go Ahead Eagles 5x0 NEC (15ª rodada)
Copa da Holanda: eliminado pelo Heracles Almelo, na segunda fase
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Koki Ogawa (atacante), com 6 gols
Objetivo do início: meio de tabela/vaga nos play-offs por vaga na Conference League 
Avaliação: Até que a equipe de Nijmegen tem bom nível técnico. Entretanto, o final da primeira metade da temporada foi péssimo, aumentando a pressão da torcida. O NEC precisa melhorar, rápido

O NEC é outro time que sofre com a inconstância na atual temporada do Campeonato Holandês. Nem era para ser assim: afinal de contas, a base do time segue relativamente igual à da (boa) temporada passada. Entretanto, o time de Nijmegen não consegue ter uma boa sequência de resultados que seja em sua campanha na liga. Começou perdendo as duas primeiras rodadas; depois, ganhou as duas seguintes; daí perdeu mais duas partidas seguidas; e assim foi. Tendo em vista a qualidade técnica, não precisava ser assim. Há bons jogadores: os meio-campistas Dirk Proper e Mees Hoedemakers, os pontas Sontje Hansen e Kodai Sano, Koki Ogawa também faz seus gols no ataque, Vito van Crooij foi contratação das mais úteis para a ponta esquerda. Mas não adianta: os Nijmegenaren não embalam. Não embalam nem mesmo após bons resultados, como os 6 a 0 sobre o Groningen (11ª rodada).

Talvez porque o NEC só consiga suas vitórias quando tem capacidade de se impor sobre o adversário. Se encontra problemas para atacar com velocidade pelas pontas, seja com os pontas, seja com os alas, o time se amua, fica sem poder de reação. E isso se viu na perigosa queda de produção na reta final da temporada. Desde a 12ª rodada, a equipe está sem vitórias no campeonato. Não que não compita, mas sempre perde - foi o que se viu, por exemplo, nos 2 a 1 sofridos para o Ajax (14ª rodada). Pior ainda foi notar fragilidade defensiva nos 5 a 0 sofridos para o Go Ahead Eagles (15ª rodada) e nos 4 a 1 pespegados pelo Willem II (17ª rodada). Resultados que já fazem o time ser o quarto com mais derrotas na liga. Que fizeram a ala de "ultras" da torcida até ir conversar sob tensão com o técnico Rogier Meijer. E que fazem o NEC precisar voltar da pausa de inverno já melhorando.

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Guia da Eredivisie 2024/25: NEC

Emprestado, Koki Ogawa já teve boa aparição no NEC. Agora, em definitivo, o atacante japonês poderá seguir ajudando uma equipe que parece bem pronta (Pro Shots)

Nijmegen Eendracht Combinatie

Cidade: Nijmegen   
Estádio: De Goffertstadion (capacidade para 12.080 torcedores)
Apelidos: Nijmegenaren
Títulos: 2 títulos da segunda divisão holandesa
Patrocínio: Nexperia (fabricante de semicondutores)
Técnico: Rogier Meijer
Destaque: Koki Ogawa (atacante)
Fique de olho: Robin Roefs (goleiro)
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum 
Temporada passada: 6º colocado 
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: meio de tabela/vaga nos play-offs por vaga na Conference League
Amistosos de pré-temporada:
6 de julho - Schouwse Elftal (combinado regional) 0x5 NEC
13 de julho - NEC 1x2 Standard Liège-BEL
20 de julho - NEC 0x1 Hertha Berlim-ALE
27 de julho - NEC 0x2 Olympiakos-GRE
30 de julho - NEC 4x0 VVCS (time da associação holandesa de jogadores profissionais)
2 de agosto - NEC 1x1 Le Havre-FRA
Principais chegadas: Stijn van Gassel (G, Excelsior), [Brayann Pereira (D, Le Havre-FRA)], Iván Márquez (D, Nürnberg-ALE), Lefteris Lyratis (D, PAOK-GRE), Thomas Ouwejan (D, Schalke 04-ALE), [Sami Ouaissa (M, Roda JC)], [Koki Ogawa (A, Yokohama-JAP)], [Rober González (A, Real Betis-ESP)] e Basar Önal (A, De Graafschap)
Principais saídas: Jasper Cillessen (G, Las Palmas-ESP), Bart van Rooij (D, Twente), [Mathias Ross (D, Galatasaray-TUR)], [Youri Baas (M, Ajax)], Lars Olden Larsen (M, BK Häcken-SUE)[Tjaronn Chery (M, Maccabi Haifa-ISR - cedido ao Royal Antwerp-BEL)], Sylla Sow (A, Al Sajfa-SAU) e Bas Dost (A, contrato terminou)

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
[transferência em definitivo após empréstimo]

Para um time que começou a temporada 2022/23 novamente empatando em excesso, terminá-la como vice-campeão da Copa da Holanda e disputando vaga em Conference League foram tremendos empurrões no NEC. Porém, mesmo com a forte impressão de que o caminho a seguir está correto, cair nos play-offs da Conference para o Go Ahead Eagles, em casa, foi um anticlímax indisfarçável. Pelo menos, aparentemente, o impacto para a preparação rumo à temporada atual foi nulo. Afinal de contas, de titulares absolutos, só deixaram o clube Jasper Cillessen, Bart van Rooij e Tjaronn Chery. E essas saídas foram plenamente compensadas.

Para o gol, por exemplo: na falta de Cillessen, Stijn van Gassel fez por merecer a sua chance, sendo dos goleiros mais exigidos da Eredivisie passada no Excelsior - o Excelsior caiu, mas Van Gassel foi "mantido" na primeira divisão ao ir para o NEC. Tanto Koki Ogawa quanto Róber González aprovaram plenamente em seus empréstimos, e foram comprados em definitivo. Isso, sem contar a base da temporada passada, que segue muito fixa e entrosada: Bram Nuytinck e Philippe Sandler na zaga, Mees Hoedemakers no meio-campo, Kodai Sano e Sontje Hansen nas pontas... enfim, o NEC já começa a temporada atual mostrando plenas condições de seguir em boa fase.

segunda-feira, 3 de junho de 2024

Análise da temporada: NEC

Koki Ogawa (à esquerda) e Kodai Sano: a dupla japonesa ajudou muito um hesitante NEC a deslanchar e fazer ótimo returno na temporada (Broer van den Boom/BSR Agency/Getty Images)


Colocação final: 6º lugar, com 53 pontos (14 vitórias, 11 empates e 9 derrotas) 
No turno havia sido: 8º lugar, com 21 pontos
Time-base: Cillessen; Van Rooij (Pereira), Nuytinck, Sandler e Verdonk; Proper (Baas) e Hoedemakers; Hansen, Rober (Chery) e Sano; Koki
Técnico: Rogier Meijer
Maior vitória: Volendam 2x5 NEC (24ª rodada)
Maior derrota: PSV 4x0 NEC (5ª rodada)
Principal jogador: Mees Hoedemakers (meio-campista) 
Artilheiro: Koki Ogawa (atacante), com 11 gols  
Quem deu mais passes para gol: Mees Hoedemakers (meio-campista), com 7 passes
Quem mais partidas jogou: Calvin Verdonk (lateral esquerdo), com 35 partidas - as 34 da temporada regular, mais uma na repescagem pela Conference League
Copa nacional: vice-campeão
Competições continentais: nenhuma

Novamente tendo excesso de empates (eram seis no 1º turno), vendo o principal destaque técnico da primeira metade da temporada saindo em janeiro - o atacante dinamarquês Magnus Mattsson aceitou a grande chance de voltar ao país natal para defender o FC Copenhague, que iria às oitavas de final da Conference League -, ainda sofrendo com o enorme susto da parada cardiorrespiratória de Bas Dost, reanimado às pressas: o NEC tinha enormes razões para temer o restante da temporada. Alas da torcida seguiam pedindo a demissão do técnico Rogier Meijer. Alguns jogadores experientes mostravam inconstância indesejável, como o goleiro Jasper Cillessen, que até chegara a perder a vaga por alguns jogos para o jovem Robin Roefs. E uma enorme pergunta ficava: como seria o returno para o NEC? Pois seria o melhor momento do clube de Nijmegen em muito tempo. Já na primeira rodada do returno, empatar em 2 a 2 com o Feyenoord foi um sinal de que dias melhores viriam. Vieram.

Nas dez primeiras rodadas da segunda parte do Campeonato Holandês, seis vitórias que fizeram o time se estabilizar de vez na zona da repescagem por vaga na Conference League. Sem Mattson nem Dost, os Nijmegenaren se reorganizaram muito bem. Começando pela dupla de volantes, com Mees Hoedemakers organizando o time de boa maneira, fazendo parceria produtiva com Dirk Proper, nascido e crescido futebolisticamente no NEC. Na frente, era até difícil escolher tantas opções rápidas pelas pontas: Sontje Hansen, Rober González, a dupla japonesa que acabou ganhando a preferência - Kodai Sano-Koki Ogawa. Em meados do returno, com passe livre, chegou o experiente Tjaronn Chery, que seria decisivo no auxílio ofensivo. Tudo isso, sem contar Lasse Schöne, mesmo caindo para o banco de reservas, se tornando o jogador estrangeiro com mais partidas pelo Campeonato Holandês, sempre estabilizando as coisas no meio-campo. E o NEC conseguiu ser o único time a vencer o campeão PSV em toda esta Eredivisie (3 a 1, 27ª rodada). Mais do que isso: alcançou a final da Copa da Holanda, pela primeira vez desde 2000. Mesmo perdendo a decisão para o Feyenoord, chegou à repescagem por vaga na Conference League. Aí, doeu um pouco mais a decepção: o time saiu na frente, mas viu o Go Ahead Eagles virar o placar, por erros defensivos. E a temporada terminará sem muita coisa. Ainda assim, o time deverá ser menos criticado do que era na primeira metade. As desconfianças foram vencidas, em grande parte.

domingo, 7 de janeiro de 2024

Parada obrigatória: NEC

Sontje Hansen (à direita, com Calvin Verdonk) sempre fez a sua parte. Mas demorou para o NEC conseguir resultados mais consistentes. Pelo menos, conseguiu (Gerrit van Keulen/ANP/Getty Images)

Posição: 8º lugar, com 21 pontos
Técnico: Rogier Meijer
Time-base: Cillessen; Van Rooij, Nuytinck, Sandler e Verdonk; Schöne e Proper; Hansen, Hoedemakers (Olden Larsen) e Mattsson; Ogawa
Maior vitória: NEC 4x1 Fortuna Sittard (16ª rodada)
Maior derrota: PSV 4x0 NEC (5ª rodada)
Copa da Holanda: enfrentará o Go Ahead Eagles, nas oitavas de final
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Magnus Mattsson (atacante), com 9 gols
Objetivo do início: meio de tabela
Avaliação: De novo, o excesso de empates foi ameaçador para o time de Nijmegen. Mas a boa sequência na reta final de 2023 impulsionou o clube para tentar ir além de seu objetivo

Durante boa parte da primeira metade do Campeonato Holandês, o NEC preocupou sua torcida. Também, pudera. O principal problema da temporada passada se repetiu: o excesso de empates - foram seis ao longo das 16 rodadas já disputadas, só menos do que o Excelsior (8). Se fosse só isso, ainda se contornava. Porém, as vitórias demoraram a aparecer: foram só duas ao longo das primeiras sete rodadas. E de nada adiantava o bom desempenho de nomes como o meia/atacante Magnus Mattsson e o ponta-direita Sontje Hansen na frente, se a defesa falhava. E falhava a tal ponto que o mais experiente nome dela até perdeu posição: mesmo recuperado após machucar o músculo posterior da coxa, o goleiro Jasper Cillessen chegou a ficar no banco, com o jovem Robin Roefs tendo algumas chances antes de Cillessen voltar.

Justamente no jogo que começou a mudar isso, o NEC teve o maior susto da temporada: vencendo o AZ fora de casa (2 a 1, 10ª rodada), viu Bas Dost - autor dos dois gols dos visitantes - sofrer uma parada cardiorrespiratória aos 89', trazendo óbvios medos sobre sua vida e forçando a interrupção do jogo. Felizmente, Dost já saiu do gramado consciente. E mesmo sem o seu atacante titular, em tratamento por razões óbvias, os Nijmegenaren se refizeram, com o japonês Koki Ogawa se estabilizando na frente. Superou uma sequência ruim entre a 11ª e a 14ª rodada (três empates e uma derrota), para terminar 2023 com avanço: duas vitórias, acesso à oitava posição, estar na zona de repescagem por vaga na Conference League. O miolo de zaga já parece mais entrosado, com os experientes Bram Nuytinck e Philippe Sandler. Lasse Schöne e Dirk Proper formam dupla firme no meio-campo - tendo ganho adicional com a experiência de Schöne, o jogador estrangeiro com mais partidas na história da Eredivisie. A impressão é de que o NEC só precisa deixar de "empatar" (literalmente) sua vida para se manter estável na temporada, e até melhorar seus objetivos.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Guia da Eredivisie 2023/24: NEC

Hansen terá no NEC um espaço para ganhar ritmo de jogo e ajudar a equipe a manter o nível razoável, após algumas saídas (Broer van den Boom)

Nijmegen Eendracht Combinatie

Cidade: Nijmegen   
Estádio: De Goffertstadion (capacidade para 12.080 torcedores)
Apelidos: Nijmegenaren
Títulos: 2 títulos da segunda divisão holandesa
Patrocínio: KlokGroep (empresa de logística)
Técnico: Rogier Meijer
Destaque: Elayis Tavsan (atacante)
Fique de olho: Sontje Hansen (atacante)
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum 
Temporada passada: 12º colocado 
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: meio de tabela
Amistosos de pré-temporada:
8 de julho - DIO'30 (amador) 0x15 NEC
15 de julho - RKC Waalwijk 0x1 NEC
22 de julho - NEC 4x0 Altrincham-ING
28 de julho - NEC 3x1 Al Taawoun-SAU
4 de agosto - NEC 3x1 Venezia-ITA
Principais chegadas: Bram Nuytinck (D, Sampdoria-ITA), Brayann Pereira (D, Auxerre-FRA)Mathias Ross (D, Galatasaray-TUR), Mees Hoedemakers (M, Cambuur), Youri Baas (M, Ajax), Róber González (M, Real Betis-ESP), Bas Dost (A, Utrecht), Sontje Hansen (A, Ajax), Alexis Tibidi (A, Troyes-FRA) e Koki Ogawa (A, Yokohama FC-JAP)
Principais saídas: Mattijs Branderhorst (G, Utrecht), Iván Márquez (D, Nürnberg-ALE), Joris Kramer (D, Go Ahead Eagles), Terry Lartey Sanniez (D, não renovou contrato), Souffian El Karouani (D, Utrecht), Oussama Tannane (M/A, Umm Salal-QAT), Jordy Bruijn (M/A, Safa SC-LIB), Ibrahim Cissoko (A, Toulouse-FRA) e [Anthony Musaba (A, Monaco-FRA)]

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
[transferência em definitivo após empréstimo]

Ao mesmo tempo em que o NEC terminou sossegado a temporada passada, também terminou sabendo que tinha o que melhorar - talvez não tenha aspirado a coisa melhor do que o meio de tabela em 2022/23 pelo excesso de empates. As perdas no mercado de transferências também trouxeram itens adicionais para melhora. Por exemplo, o meio-campo, em que deixou o clube Oussama Tannane, o principal criador de jogadas do time de Nijmegen. A defesa, que tão entrosada já estava nos últimos anos, foi atingida duplamente, com as saídas do zagueiro Iván Márquez e do lateral esquerdo Souffian El Karouani. Opções que costumavam vir do banco de reservas, como Ibrahim Cissoko e Anthony Musaba, também saíram.

Porém, é preciso reconhecer que os Nijmegenaren conseguiram opções que mantêm o nível técnico aceitável que a equipe tem. Por exemplo: na zaga, Bram Nuytinck volta ao clube após onze anos, para ser mais um veterano a indicar atalhos dentro de campo, junto a Jasper Cillessen e Lasse Schöne. No meio-campo, Mees Hoedemakers foi trazido do Cambuur, rebaixado na temporada passada, e tem possibilidades na criação de jogadas. Finalmente, o ataque tem um nome merecedor de atenção. Goleador do Mundial Sub-17 de 2019, Sontje Hansen surgiu na base do Ajax, mas ficou sem muitas chances no clube, tanto por grave lesão quanto por uma depressão. E os Ajacieden até desejavam mantê-lo por lá, mas o NEC apostou em trazê-lo. Tendo a seu lado bons nomes como Elayis Tavsan e Magnus Mattsson, Hansen poderá recuperar a boa forma que o fez despontar há quatro anos. Seu novo local de trabalho conta com isso, para ser mais ousado na temporada - e vencer mais do que empatar.

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Análise da temporada: NEC

Tannane trouxe técnica ao meio-campo do NEC. Pouco, para um time que sofreu com o excesso de empates e ficou longe do que poderia na temporada (Pro Shots/IconSport/Getty Images)

Colocação final: 12º lugar, com 39 pontos
No turno havia sido: 9º lugar, com 22 pontos
Time-base: Cillessen; Van Rooij, Márquez, Sandler e El Karouani; Schöne e Proper; Tavsan, Tannane (Bruijn) e Mattsson; "Nany" Dimata (Pedro Marques)
Técnico: Rogier Meijer
Maior vitória: NEC 6x1 RKC Waalwijk (14ª rodada)
Maior derrota: Twente 4x0 NEC (32ª rodada)
Principal jogador: Oussama Tannane (meio-campista) 
Artilheiro: Landry "Nany" Dimata (atacante), com 9 gols
Quem deu mais passes para gol: Oussama Tannane (meio-campista), com 9 passes
Quem mais partidas jogou: Bart van Rooij (lateral direito) e Souffian El Karouani (lateral esquerdo), ambos com 33 partidas
Copa nacional: eliminado pelo Feyenoord, nas oitavas de final
Competições continentais: nenhuma

O time de Nijmegen tinha condições de estar mais acima, no meio de tabela. Jogadores experientes (Lasse Schöne e Jasper Cillessen, que voltou ao clube só para ter ritmo de jogo e ir à Copa do Mundo - sem conseguir). Contudo, só a sequência que viveu, já no começo da temporada, indicou o que os Nijmegenaren efetivamente deram: a impressão de ser uma equipe que nunca conseguia alcançar o seu real potencial. Foram sete empates em sequência entre a 3ª e a 9ª rodada, ficando a poucos de ser o clube com a maior sequência de igualdades em 67 anos de história do Campeonato Holandês. Pior: o resultado a encerrar a fieira de empates foi... uma derrota (2 a 0 para o Sparta Rotterdam, na 10ª rodada). Além do mais, o NEC sofria com a falta de bons resultados em casa - jogando em De Goffert, seu estádio, só foi melhor do que Emmen, Cambuur e Groningen, os três últimos colocados da temporada.

De nada adiantava ter uma defesa bastante entrosada (há pelo menos duas temporadas, a zaga foi Bart van Rooij na lateral direita, Souffian El Karouani na esquerda, com Iván Márquez no miolo de zaga - agora tendo Philippe Sandler como parceiro). De nada adiantava ter jogadores talentosos, fossem experientes, como Oussama Tannane, ou jovens, como o promissor Elayis Tavsan. O NEC seguia sem empolgar, sendo previsivelmente o time que mais empatou na temporada (15!). Pior do que isso foi fazer um segundo turno até pior, com mais derrotas (8, em 17 rodadas). Vindo com óbvias expectativas, Cillessen piorou no gol após o impacto da ausência na Copa. E o clube tricolor, de certa forma, decepcionou. Terá o que melhorar para 2023/24. Até porque certos titulares comuns, como El Karouani, estão saindo.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Parada obrigatória: NEC

Os veteranos continuam respaldados no NEC: Cillessen (à esquerda) tem feito boas defesas, e Lasse Schöne já garantiu mais um ano de contrato (Bart Stoutjedijk/ANP/Getty Images)

Posição: 9º colocado, com 17 pontos (na frente pelo melhor saldo de gols) 
Técnico: Rogier Meijer
Time-base: Cillessen; Van Rooij, Márquez, Sandler (Verdonk) e El Karouani; Schöne, Proper e Duelund; Tavsan, Pedro Marques (Dimata) e Tannane (Mattson)
Maior vitória: NEC 6x1 RKC Waalwijk (14ª rodada)
Maior derrota: PSV 3x0 NEC (12ª rodada)
Copa da Holanda: enfrentará o Almere City (segunda divisão), na segunda rodada
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Pedro Marques (atacante), com 3 gols
Objetivo do início: meio de tabela/vaga nos play-offs pela Conference League
Avaliação: o excesso de empates dificultou um pouco as coisas para a equipe de Nijmegen. Mas o bom término na primeira metade a levou à zona dos play-offs, dando a esperança de que dias melhores virão

O começo do NEC teve o placar esperado: uma derrota para o Twente, na primeira rodada (1 a 0). Na segunda rodada, um susto rápido logo tranquilizado pela goleada: de virada, 4 a 1 no Volendam. A partir daí, uma sequência típica de ser vista de duas maneiras: sete empates seguidos da 3ª à 9ª rodada, a segunda maior sequência de placares iguais que o clube de Nijmegen já teve em sua história no Campeonato Holandês. Algumas vezes, o empate era um alívio: contra o Fortuna Sittard (6ª rodada), o time perdia até o português Pedro Marques empatar nos acréscimos. Noutras, ainda, era até pouco: contra o líder Feyenoord (8ª rodada), o 1 a 1 ficou barato para os visitantes de Roterdã, diante da boa atuação do NEC. Porém, aquela sequência de 0 a 0 e 1 a 1 era de exasperar qualquer torcedor.

Quando ela acabou, foi do pior jeito possível: derrota para o Sparta Rotterdam (2 a 0 fora de casa, na 10ª rodada). Contudo, o nível técnico do NEC era plenamente capaz de segurar a peteca. No gol, Jasper Cillessen justificou sua volta: exibiu atuações seguras, ganhou liderança perante o time, alegrou a torcida (que retribuiu com um apoio até comovente na última rodada de 2022, quando Cillessen já amargava a ausência da convocação para a Copa do Mundo). No meio-campo, aos 36 anos, Lasse Schöne segue com sua importância inquestionável - e tem um parceiro firme no ainda jovem Dirk Proper. E no ataque, Elayis Tavsan já não é um destaque isolado: tem a ajudá-lo nomes como Landry "Nany" Dimata, Magnus Mattson e, principalmente, Oussama Tannane. Vindo sob desconfiança - tem histórico no Vitesse, arquirrival do NEC -, o ponta-de-lança é o terceiro nome com mais passes para gol na temporada (6, só atrás de Steven Bergwijn e do agora ausente Cody Gakpo). Com isso, os Nijmegenaren seguem capazes de sonhar. Só precisam sair do caminho dos empates...

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Guia da Eredivisie 2022/23: NEC

O NEC já tinha uma contratação de impacto, com Oussama Tannane. Animou ainda mais a torcida com uma inesperada ousadia: onze anos depois, o goleiro Jasper Cillessen voltou (Pro Shots)


 Nijmegen Eendracht Combinatie

Cidade: Nijmegen   
Estádio: De Goffertstadion (capacidade para 12.080 torcedores)
Apelidos: Nijmegenaren
Títulos: 2 títulos da segunda divisão holandesa
Patrocínio: KlokGroep (empresa de logística)
Técnico: Rogier Meijer
Destaque: Elayis Tavsan (atacante)
Fique de olho: Oussama Tannane (atacante) e Jasper Cillessen (goleiro)
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum 
Temporada passada: 11º colocado 
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: meio de tabela/vaga nos play-offs pela Conference League
Amistosos de pré-temporada:
2 de julho - SC NEC (amador) 0x11 NEC (três tempos de 30 minutos)
6 de julho - Dio '30 (amador) 0x7 NEC
9 de julho - NEC 3x1 RKC Waalwijk
16 de julho - NEC 4x0 FC Bocholt-ALE
19 de julho - De Treffers x NEC - CANCELADO (altas temperaturas)
22 de julho - 1.FC Köln-ALE 5x0 NEC
29 de julho - Heracles Almelo 1x3 NEC
Principais chegadas: Jasper Cillessen (G, Valencia-ESP), Joris Kramer (D, NEC), Philippe Sandler (D, Feyenoord), [Calvin Verdonk (D, Famalicão-POR)], Andri Baldursson (M, Bologna-ITA), Oussama Tannane (A, Göztepe-TUR), Landry Dimata (A, Espanyol-ESP) e Pedro Marques (A, Sporting-POR)
Principais saídas: Cas Odenthal (D, fim de contrato), Rens van Eijden (D, encerrou a carreira), [Rodrigo Guth (D, Atalanta-ITA)], Cas Odenthal (D, Como-ITA), Javier Vet (M, fim de contrato), Edgar Barreto (M, encerrou a carreira), [Mikkel Duelund (M, Dynamo Kiev-UCR)], Wilfried Bony (A, fim de contrato), [Ali Akman (A, Eintracht Frankfurt-ALE)] e Jonathan Okita (A, FC Zürich-SUI)

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo]

A rigor, pouca coisa mudou no time de Nijmegen. Porém, o que mudou talvez piore a equipe. Para começar, dois dos principais nomes do ataque partiram: Ali Akman retornou ao Eintracht Frankfurt que o emprestara, e Jonathan Okita - talvez o melhor do NEC no campeonato passado, com velocidade e habilidade - conseguiu a transferência mais lucrativa. E a defesa, de tanto entrosamento na temporada passada, perdeu dois nomes titulares em Cas Odenthal (que já perdera espaço na reta final da Eredivisie, em desacertos com a diretoria) e Rodrigo Guth (que voltou à Atalanta que o emprestara - e, por sua vez, o vendeu a outro clube holandês, o Fortuna Sittard). Para tentar manter o entrosamento e a sequência longa que o time titular teve em 2021/22, o técnico Rogier Meijer teve duas contratações notáveis à disposição. 

Mesmo após um passado vitorioso no Vitesse, o arquirrival regional do NEC, o atacante Oussama Tannane vem para tentar ser em Nijmegen a mesma referência ofensiva que um dia foi em Arnhem. Na defesa, Joris Kramer, ex-Go Ahead Eagles, vem para tentar ajudar Iván Márquez como um nome de comando. Valeria ainda citar o destaque passado para Elayis Tavsan, titular da seleção sub-21 da Holanda, capaz de minorar o impacto das saídas de Akman e Okita. E também a permanência de Lasse Schöne, ídolo veterano. Porém, todas essas permanências e contratações ficaram pequenas diante de um impacto inesperado: com a força de um mecenas (o investidor Marcel Boekhoorn), houve o convencimento da diretoria, e eis que o goleiro Jasper Cillessen, onze anos depois, voltou a Nijmegen, para ser titular e manter ritmo de jogo até a Copa do Mundo - afinal de contas, Cillessen disputa firme vaga como um dos três goleiros da Holanda. Com tudo isso, se conseguir rápidos resultados após a reformulação, o NEC pode ter nesta temporada a mesma segurança que teve na passada.

domingo, 19 de junho de 2022

Análise da temporada: NEC

O NEC teve alguns bons momentos na temporada, fez uma campanha sem muitos sofrimentos... mas terminou com o gosto amargo de um time que poderia ter ido além (Pro Shots)

Colocação final: 11º lugar, com 38 pontos 
No turno havia sido: 10º colocado, com 22 pontos
Time-base: Branderhorst; Van Rooij, Odenthal, Iván Márquez, Rodrigo Guth e El Karouani; Schone, Bruijn (Proper) e Vet (Duelund); Okita, Akman e Tavsan
Técnico: Rogier Meijer
Maior vitória: NEC 3x0 Groningen (11ª rodada)
Maior derrota: Ajax 5x0 NEC (1ª rodada)
Principal jogador: Jonathan Okita (atacante)
Artilheiro: Jonathan Okita (atacante), com 7 gols
Quem deu mais passes para gol: Jonathan Okita (atacante), com 6 passes
Quem mais partidas jogou: Mattijs Branderhorst (goleiro), que jogou todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado pelo Go Ahead Eagles, nas quartas de final
Competições continentais: nenhuma

A goleada sofrida para o Ajax logo na reestreia na primeira divisão, após quatro anos - 5 a 0 em Amsterdã - causou um forte susto na torcida do NEC. Foi alarme falso: o time teve alguns bons momentos no turno. Até demorou para vencer no turno (engatou duas vitórias seguidas - 2 a 0 no Zwolle na 2ª rodada, 1 a 0 no Heracles Almelo na 3ª -, mas depois só voltou a triunfar na 8ª rodada, com 3 a 1 no Fortuna Sittard), mas tomou um impulso na reta final de 2021, com duas vitórias seguidas, se estabilizando no meio da tabela. Além do mais, havia nomes de qualidade na equipe. Nem tanto com o veterano Lasse Schöne - embora ele ditasse o ritmo no meio-campo, como se esperava. Mas principalmente com o trio de ataque: Jonathan Okita, Ali Akman e Elayis Tavsan se destacavam, com rapidez nos contragolpes e habilidade na frente - principalmente Tavsan, que até mesmo titular da seleção sub-21 da Holanda virou.

Porém, mesmo sem nunca temer o rebaixamento, os Nijmegenaren tiveram outro motivo de sofrimento, que vitimou boa parte dos times do meio de tabela nesta Eredivisie: a inconstância. Nos bons momentos, o time conseguia sonhar com a repescagem pelo lugar na Conference League, ocupando a 9ª ou até a 8ª posição; nos maus, despencava para a 11ª ou 12ª posição. E sofria com os problemas do estádio: De Goffert não só ficou fechado em parte da temporada - por um período de restrições para evitar as contaminações por COVID-19 -, como teve parte da arquibancada visitante interditada após desabamento sem vítimas (na derrota para o Vitesse, 1 a 0 num clássico, 9ª rodada). E o NEC sofreu: foi o pior mandante da temporada. O fim foi triste: na penúltima rodada, mesmo perdendo para o PSV, o time de Nijmegen ainda estava na 8ª posição, indo à repescagem. Bastava vencer o Fortuna Sittard, em casa, na última rodada, para ser um dos quatro a buscar vaga na Conference League. Mas o NEC perdeu: 1 a 0. E terminou a temporada no limbo, de mãos vazias. Não que houvesse motivos para excesso de críticas: foi uma campanha segura. Mas poderia ter sido melhor.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Parada obrigatória: NEC

Veteranos como Schöne e Barreto ajudam muito, mas é a juventude da foto que faz gols - e ajuda o NEC a fazer campanha estável (Pro Shots)

Posição: 9ª colocação, com 28 pontos (na frente pelo melhor saldo de gols)
Técnico: Rogier Meijer
Time-base: Branderhorst; Van Rooij, Iván Márquez, Odenthal e El Karouani; Barreto (Proper), Schöne e Mattson; Tavsan, Akman e Bruijn (Okita)
Maior vitória: NEC 3x0 Groningen (11ª rodada)
Maior derrota: Ajax 5x0 NEC (1ª rodada)
Copa da Holanda: classificado para as oitavas de final, nas quais enfrentará o Groningen
Competição europeia: nenhuma
Artilheiros: Ali Akman (atacante), com 5 gols
Objetivo do início: escapar do rebaixamento
Avaliação: No começo, o time de Nijmegen assustou a torcida. Mas logo se aprumou, e se valeu de uma escalação sólida e de um ataque veloz para rumar à posição segura que ocupa, por ora

É possível dizer que o NEC protagoniza uma história semelhante à do Cambuur que vem acima dele na tabela. O time de Nijmegen também vive sua temporada de volta à divisão de honra do Campeonato Holandês. E também teve as expectativas perturbadas por uma goleada sofrida para o Ajax: logo na primeira rodada, os 5 a 0 tomados para o time de Amsterdã foram tão acachapantes (e a atuação foi tão ruim) que se suspeitou se a qualidade do NEC seria suficiente para o resto da Eredivisie. Nada como o tempo para aquietar ansiedades excessivas e mostrar: sim, o time tricolor tinha capacidade para uma campanha decente. Não exatamente brilhante - até porque a discrepância entre os resultados dentro de casa (um fraco 15º lugar) e fora (um 6º lugar elogiável). Mas capaz de passar o turno sem maiores sustos.

Até porque o mérito do time de Rogier Meijer esteve centrado em três palavras. Na defesa, a continuidade: o goleiro Mattijs Branderhorst e a linha de zaga Van Rooij-Iván Márquez-Cas Odenthal-Souffian El Karouani já são conhecidas de cor e salteado pela torcida, tal foi a frequência nas atuações - no máximo, Rodrigo Guth entra para aumentar o número de defensores, ou Calvin Verdonk vem para a lateral esquerda. No meio-campo, a experiência: lá estão Edgar Barreto (37 anos) e Lasse Schöne (35), verdadeiros estandartes do NEC, que são bons exemplos a ajudar os novatos de algum talento, como Dirk Proper mostra no setor. E no ataque, a velocidade: Jonathan Okita, Ali Akman, Elayis Tavsan, Jordy Bruijn... todos eles têm na rapidez a mais notável qualidade. Para aumentar a segurança na tabela, talvez seja só o caso de resolver a inconstância na tabela (são sete vitórias e sete derrotas nos 18 jogos até agora) para ficar na primeira divisão com tranquilidade.

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Guia da Eredivisie 2021/22: NEC

Lasse Schöne teve sua primeira passagem holandesa no NEC, foi marcar época no Ajax... e agora, na reta final da carreira, volta a Nijmegen para simbolizar o retorno à Eredivisie (Pro Shots)

Nijmegen Eendracht Combinatie

Cidade: Nijmegen   
Estádio: De Goffertstadion (capacidade para 12.080 torcedores)
Apelidos: Nijmegenaren
Títulos: 2 títulos da segunda divisão holandesa
Patrocínio: KlokGroep (empresa de logística)
Técnico: Rogier Meijer
Destaque: Jonathan Okita (atacante) 
Fique de olho: Dirk Proper (meio-campista) e Lasse Schöne (meio-campista)
Brasileiros no grupo de jogadores: Rodrigo Guth (zagueiro, também com a nacionalidade alemã)
Temporada passada: 7º colocado da segunda divisão (promovido na repescagem, ao superar o NAC Breda) 
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento/meio de tabela
Amistosos de pré-temporada:
1º de julho - SC NEC (amador) 1x13 NEC
3 de julho - AZ 4x1 NEC
10 de julho - AFC (amador) 2x1 NEC
14 de julho - TOP Oss x NEC - ADIADO
17 de julho - NEC 3x0 RKC Waalwijk
24 de julho - Heracles Almelo 0x1 NEC 
30 de julho - NEC 2x0 OFI Creta-GRE
Principais chegadas: Danny Vukovic (G, sem clube), Calvin Verdonk (D, Famalicão-POR), Ilias Bronkhorst (D, Telstar), Rodrigo Guth (D, Atalanta-ITA), Lasse Schöne (M, Heerenveen), [Ole Romeny (A, Willem II)] e Ali Akman (A, Eintracht Frankfurt)
Principais saídas: Norbert Alblas (G, TOP Oss), Job Schuurman (G, Go Ahead Eagles), Terry Lartey Sanniez (D, dispensado), Thibo Baeten (A, Torino-ITA)[Rangelo Janga (A, Astana-CAZ)], [Terell Ondaan (A, Grenoble-FRA)] 

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo]

O clube de Nijmegen chegou à repescagem pelo acesso já planejado. Para o bem e para o mal: se conseguisse a vaga para voltar à Eredivisie após quatro anos, os pensamentos e as contratações seguiriam um plano. Se continuasse na segunda divisão, outro plano seria seguido. Para a sorte dos Nijmegenaren, o destino mostrou um time altamente eficiente - para despachar Almere City e Roda JC nas duas primeiras fases dos play-offs de promoção, e para garantir o 2 a 1 da vitória e da volta em cima do NAC Breda, fora de casa, com um gol aos 44 minutos do segundo tempo. A festa era merecida. Até porque possibilitaria um pouco mais de ambição. Não que a ambição seja descontrolada: sob o técnico Rogier Meijer, os cuidados defensivos serão grandes. 

Ainda assim, estar na Eredivisie já serviu para contratações que realmente fortalecem o grupo. Para começo de conversa, nove anos depois de partir rumo ao Ajax, Lasse Schöne voltou ao NEC, para ser a experiência no meio-campo, junto ao paraguaio Edgar Barreto (outro que saiu do clube, correu Europa afora e voltou já veterano). Mas há espaço para promessas: o meio-campo Dirk Proper e o atacante Ole Romeny são novatos que deverão ter tempo de jogo generoso no NEC. Até para ajudarem nomes de destaque, como o atacante Jonathan Okita, destaque na obtenção da vaga na primeira divisão. Há problemas, sim: lesionado no joelho, o zagueiro e capitão Rens van Eijden será ausência nos primeiros meses da temporada. Mas o NEC chega otimista para tentar evitar o rebaixamento. Afinal, planejou-se para chegar à Eredivisie - e o destino o ajudou.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Emoção de sobra

O Fortuna Sittard mantém a turbulência do lado de fora do campo: está perto do título e do retorno à primeira divisão (Gerrit van Keulen/VI Images)
Na primeira divisão do Campeonato Holandês, o PSV já se prepara timidamente para a festa do título que se aproxima (timidamente por causa de razões que serão explicadas no final deste texto). Então, acabou-se a emoção que o futebol holandês possa ter para oferecer em 2017/18? Muito longe disso. Porque, na segunda divisão, também restando apenas cinco rodadas, Fortuna Sittard, Jong Ajax e NEC protagonizam uma disputa pelo título – e pelo consequente acesso direto – como havia tempos a Eerste Divisie não via. Apenas um ponto separa as três equipes.

A equipe B Ajacied está na terceira posição, com 64 pontos e saldo de gols menor do que o time de Nijmegen, rebaixado na temporada passada, atual ocupante da segunda posição, com pontuação igual. E ambos estão abaixo do Fortuna Sittard, que viu a sorte lhe sorrir há duas rodadas, na sexta passada: não só viu derrotas dos adversários diretos – no “clássico dos times B”, o Jong PSV fez 3 a 0 no Jong Ajax, enquanto o NEC sucumbiu ao FC Eindhoven (3 a 2) -, mas cumpriu sua tarefa ao golear o Almere City (4 a 1) para voltar à primeira colocação. E a situação se manteve como tal na 33ª rodada, ocorrida na segunda passada, quando todos venceram. O NEC fez 3 a 0 no Telstar; o Jong Ajax superou o Dordrecht (3 a 2); e o Fortuna também ostentou 3 a 0, no Helmond Sport.

Conseguir a liderança na reta final, ainda que longe de ser definitiva, é bastante surpreendente para o Fortuna. Não pelo clube ter vivido uma ascensão vertiginosa: como a coluna citou no fim de janeiro, já então o time auriverde de Sittard estava presente na disputa pela liderança, sonhando com a volta à Eredivisie após 16 anos. Porém, coincidentemente, naquela semana a equipe fora derrotada pelo Dordrecht (3 a 0). E o nigeriano Sunday Oliseh, ainda técnico, já começara a pedir mais apoio da diretoria – o que incluía contratações.

Foi o início da fase mais turbulenta que o Fortuna Sittard viveu em sua campanha. Primeiro, porque no começo de fevereiro, alguns jornais e sites divulgaram suposta demissão de Oliseh, por suas declarações criticando a diretoria. O clube rapidamente desmentiu – e, de fato, o ex-jogador seguiu comandando a equipe. Mas estava claro que o clima era o pior possível entre as partes. Seguiram-se mais dois jogos sem vitória. E aí, sim, não só Oliseh foi demitido, no meio de março, como o conflito se tornou aberto.

O nigeriano deu a primeira estocada, à revista Voetbal International: “Eu não queria continuar. Não queria fazer parte de práticas ilegais”. O clube – leia-se o proprietário Isitan Gün – quis ouvir quais eram tais práticas. E levou o ex-comandante à Justiça Comum holandesa, onde ambas as partes estão até agora. Em audiência acalorada no dia 20 de março, Oliseh acusou o clube de pagar irregularmente jogadores e treinadores; Gün vociferou contra os métodos e comportamentos do técnico. O veredito veio nesta sexta: a comissão independente decidiu que a razão estava com o Fortuna Sittard, e Oliseh ficou sem direito a indenização pela demissão.

Em meio a tal tormenta, parece incrível que o português Cláudio Braga, que passou de técnico dos juvenis a interino do principal sem escalas, conseguisse blindar a equipe. Blindou. Paralelamente, os destaques voltaram a se sobressair, em figuras como Finn Stokkers e Lisandro Semedo. E mesmo após a demissão, o Fortuna se manteve próximo da primeira posição. Está invicto desde então, com três empates e sete vitórias. Na última, como já dito, retomou a liderança. Não que as dificuldades tenham cessado. Longe disso – no supracitado triunfo contra o Almere City, o clube perdeu um dos destaques na campanha, o atacante Djibril Dianessy, fora da temporada após romper o ligamento cruzado anterior. Mas está claro que o sonho do retorno à Eredivisie segue muito vivo.

Assim como segue vivo para o NEC, também disputando firmemente a liderança. Como ocorreu com outros campeões da segunda divisão, o clube de Nijmegen tenta retornar rapidamente à primeira divisão com a mesma base que sofreu o rebaixamento. Ainda seguem no time treinado por Pepijn Lijnders o goleiro Joris Delle, o zagueiro Wojciech Golla, o volante Janio Bikel, o atacante Mohamed Rayhi. Uma contratação até inesperada – Anass Achahbar, que era promissor no Feyenoord – também tem mostrado talento: é o goleador da equipe na temporada.

Além do mais, jovens que eram apenas promessas em 2016/17 já amadureceram suficientemente para tomarem conta de suas posições e se destacarem na campanha. É o caso do meio-campista Ferdi Kadioglu e do atacante Arnaut Groeneveld. Todavia, um hábito da segunda divisão holandesa bem conhecido de brasileiros tem perturbado a campanha: a ausência de paralisação do campeonato nas datas Fifa. Há três rodadas, com Kadioglu e Groeneveld na seleção holandesa sub-21, o NEC tropeçou contra o De Graafschap (1 a 1). A derrota para o FC Eindhoven devolveu a ponta ao Fortuna Sittard. E agora, os Nijmegenaren apenas esperam tropeços – possíveis – do primeiro colocado.

E o terceiro colocado da Eerste Divisie poderia estar muito tranquilo na disputa. Afinal, o Jong Ajax não será promovido caso seja campeão, por motivos óbvios. Porém, a temporada decepcionante da equipe principal coloca uma certa pressão na equipe B dos Amsterdammers. Pressão que às vezes prejudica, como na derrota para o Jong PSV. De mais a mais, os jogadores às vezes sofrem com o vai-e-volta entre o banco do time de cima e a titularidade absoluta na equipe B. É o caso de vários jogadores: Luis Orejuela, Noussair Mazraoui, Carel Eiting e, acima de tudo, Mateo Cassierra, goleador da equipe na temporada. Além do mais, até pelo investimento que o Ajax faz em sua base (muito mais alto que o dos rivais, obviamente), considera-se que ganhar a segunda divisão seria um 
certo prêmio de consolação. E perdê-la, mais uma decepção.

Está certo que Fortuna Sittard e NEC, mesmo perdendo o título, continuariam na disputa pelo acesso – afinal, como “campeões de período”, estão garantidos na repescagem. Ainda assim, a mobilização na disputa pelo título da segunda divisão os faz esquecer tal possibilidade. Afinal, viria o acesso direto junto da taça. E a ansiedade da reta final foi expressa justamente por quem tem menos “obrigação” de ser campeão: Michael Reiziger, técnico do Jong Ajax. “Está uma competição legal. E está surpreendente, todo mundo pode perder pontos”. Após a 34ª rodada ser jogada nesta sexta, a vitória do Jong Ajax sobre o NEC (2 a 0) fortaleceu o time de Amsterdã - e também o Fortuna, que venceu o Go Ahead Eagles (1 a 0) e segue na ponta. Mas quem garante que isso durará?


Se há um time que pode impedir o sonho apoteótico do PSV, é o AZ, com a dupla Alireza-Weghorst (Tom Bode/VI Images)
PSV: a decisão antes da decisão

Sete pontos à frente do Ajax, com cinco rodadas para o final do Campeonato Holandês: a torcida do PSV já esfrega as mãos pensando em comemorar o título. Se tudo der certo para os Boeren, a comemoração seria deliciosa: precisando de duas vitórias, os três pontos decisivos viriam justamente no clássico contra o vice-líder de Amsterdã, na 31ª rodada, no próximo dia 15. Aí mora o perigo. Porque, antes do clássico, neste sábado, a partida da 30ª rodada traz justamente uma visita contra... o AZ, terceiro colocado. E não será nada fácil vencer a equipe altamente ofensiva e rápida que vem de Alkmaar.

Seja nas laterais, com Jonas Svensson e Thomas Ouwejan; no meio, com Guus Til e Teun Koopmeiners; no ataque, com Alireza Jahanbakhsh, Wout Weghorst e Oussama Idrissi; as opções ofensivas não faltam a John van den Brom. E a organização tática dá aos Alkmaarders franca superioridade sobre a maioria dos rivais – como provou o fácil 3 a 0 sobre o ADO Den Haag, na rodada passada. Não à toa, o AZ chega à final da Copa da Holanda pela segunda temporada consecutiva. Menos à toa, sonha até com o vice-campeonato – desvantagem ainda reversível de cinco pontos, para o Ajax, que será enfrentado na penúltima rodada. Menos à toa ainda foi ver alguns destaques (o goleiro Marco Bizot, Til, Weghorst) lembrados por Ronald Koeman na convocação da seleção.

Se há algum álibi com que os Eindhovenaren podem contar, é o péssimo retrospecto do AZ na temporada contra os grandes. Ao enfrentar o Feyenoord, o mais decepcionante do trio, foram duas derrotas – incluindo aí um 4 a 0 em plena Alkmaar. Contra o Ajax, numa partida que poderia dar a vice-liderança, fez-se o 1 a 0, mas foi tomada a virada. E contra o PSV, na primeira rodada, o AZ até saiu na frente, mas levou o 3 a 2. Ainda assim, num momento decisivo da temporada, e diante de um time elogiável tecnicamente (nem que seja para chegar na Liga Europa e passar vexame – quem esquece os 7 a 1 do Lyon?), o PSV precisa de atenção. Afinal, ainda há esta decisão contra o AZ antes da sonhada “decisão” contra o Ajax.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 6 de abril de 2018)