Dominique Janssen, escolhida como capitã? Está fora, machucada. Daniëlle van de Donk, de volta? Nada: também lesionada. Vivianne Miedema? Novamente e lamentavelmente, com problemas físicos. Assim como Jackie Groenen e Jill Roord, também veteranas. Dias depois da apresentação das convocadas no centro de treinamentos da federação, na cidade de Zeist, Caitlin Dijkstra também foi cortada. E a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) terá várias jogadoras jovens - não necessariamente inexperientes, mas jovens - para se provarem justamente nos dois momentos mais cruciais de seu grupo nas Eliminatórias Europeias da Copa do Mundo Feminina de 2027: os jogos contra a França, considerada favorita à vaga direta, em casa (na próxima terça, 14, às 15h45 de Brasília, em Breda) e fora (no sábado, 18, às 16h10 de Brasília, na cidade francesa de Auxerre).
Ter tantas jogadoras importantes e experientes machucadas foi um fator obviamente lamentado pelo técnico Arjan Veurink, na entrevista coletiva da quarta-feira passada: "Toda vez que a médica da comissão me telefonava, eu me arrependia de atender. O fato de perdermos nomes experientes e precisarmos de novas convocações fala por si. Mas tento seguir calmo, e manter o foco nas jogadoras que estão aqui, porque isso abre espaço para elas". E Veurink repetiu uma queixa feita muitas vezes por seu antecessor, Andries Jonker: o perigo de lesões a que o suposto excesso de jogos leva. "Há jogadoras que, a estas alturas, já jogaram mais minutos do que na temporada passada inteira. O calendário está se desenvolvendo muito rápido (..) Temos pouca influência nisso. Precisamos ser ouvidos, porque é pelo bem estar das jogadoras. Não que não nos ouçam, mas podemos ser mais ouvidos".
De todo modo, antes mesmo das ausências (ou até por causa delas), Veurink abre caminho para mais jovens nas convocações. Como duas estreantes nelas, a defensora Renée van Asten, do Ajax - joga como zagueira, mas pode ser colocada na lateral esquerda - e a atacante Liz Rijsbergen, do PSV (ainda estreia a zagueira Linde Veefkind, do OH Leuven belga, chamada com o corte de Dijkstra). Van Asten mostrou o tamanho de sua alegria com uma frase na chegada: "É realmente uma sensação maravilhosa. Quando recebi a ligação do técnico, atendi com a mão tremendo. Foi incrível. Ainda é difícil acreditar, mas estou muito grata". Já Rijsbergen, um pouco mais experiente, vinda de passagem pelo Twente para o PSV líder da liga holandesa feminina, foi mais serena em sua celebração: "Claro que é um sonho realizado. Ao ver que estou indo bem, só me dá mais autoconfiança".
Porém, se há jogadoras jovens estreantes, há outras que, mesmo ainda com tempo pela frente, já começam a ocupar lugar de destaque por força das lesões. Será o caso de Veerle Buurman: cada vez mais elogiada por suas atuações no Chelsea, a zagueira deve ter papel importante nos jogos contra as francesas. Aliás, segundo Buurman opinou à ESPN holandesa, o peso está nas próprias partidas em si: "Acho que são os jogos mais importantes sob o novo técnico, até agora. A França é uma das principais seleções que se tem". Outra jovem que já tem grande experiência pelas Leoas Laranjas, Esmee Brugts, ainda mantém reservas quanto a ser uma líder: "Não sou muito de falar, prefiro deixar que meus pés falem por mim". Mas reconheceu que sua importância e suas condições cresceram, com a boa fase que vive no Barcelona: "Fui escalada três vezes, e nas três joguei os noventa minutos [em sequência de três jogos do Barcelona contra o Real Madrid, por Liga dos Campeões e Campeonato Espanhol feminino]. É pesado. Mas estou um pouco mais forte para isso".
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| Em boa fase no Barcelona, Esmee Brugts pode ser uma das líderes, muito embora se defina como de poucas palavras (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images) |
É com Brugts e com outras "jovens experientes" em ótima fase, como a goleira Daphne van Domselaar (ficou um dia sem treinar, adoentada, mas já voltou aos treinos e já está em ritmo de jogo no Arsenal), a lateral direita Lynn Wilms (em grande momento no Aston Villa) e a atacante Romée Leuchter (ainda no Paris Saint-Germain, mas já cogitada em outros clubes competitivos), que as Leoas Laranjas contam para tentarem superar as más memórias de jogos recentes contra a França, como Brugts reconheceu, lembrando os 5 a 2 pespegados pelas francesas que selaram a eliminação na fase de grupos da Euro feminina passada. Até porque Arjan Veurink sinalizou confiança: "Quero mostrar a essas jogadoras que também podemos desafiar a França com este grupo". Pois bem: é a hora da provação para todas elas.
As 24 convocadas da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA
GOLEIRAS: Lize Kop (Tottenham Hotspur-ING), Daphne van Domselaar (Arsenal-ING) e Daniëlle de Jong (Juventus-ITA)
DEFENSORAS: Lynn Wilms (Arsenal-ING), Kerstin Casparij (Manchester City-ING), Veerle Buurman (Chelsea), Linde Veefkind (OH Leuven-BEL), Ilse van de Zanden (Fiorentina-ITA), Marisa Olislagers (Brighton-ING), Janou Levels (Wolfsburg-ALE) e Renée van Asten (Ajax)
MEIO-CAMPISTAS: Damaris Egurrola Wienke (OL Lyonnes-FRA), Wieke Kaptein (Chelsea-ING), Victoria Pelova (Arsenal-ING), Ella Peddemors (Wolfsburg-ALE), Lotte Keukelaar (Real Madrid-ESP), Lynn Groenewegen (Twente), Kayleigh van Dooren (Milan-ITA) e Nina Nijstad (PSV)
ATACANTES: Lineth Beerensteyn (Wolfsburg-ALE), Romée Leuchter (Paris Saint Germain-FRA), Esmee Brugts (Barcelona-ESP), Chasity Grant (Aston Villa-ING) e Liz Rijsbergen (PSV)









