Começa a temporada 2026/27 das competições europeias. Claro, com a Liga dos Campeões como carro-chefe, como sempre. Também como de hábito, os dois clubes da Holanda (Países Baixos) participantes à fase de liga começam como coadjuvantes, mais focados em ficarem na zona de clubes entre o 9º e o 24º postos, que terão uma chance de seguirem, na segunda fase. E precisam disso, por vários motivos.
Em primeiro lugar, a razão mais urgente: porque pelo coeficiente da UEFA, não só os Países Baixos já foram superados por Portugal e Bélgica, como já veem a Turquia ameaçando superá-los. Aliás, a temporada atual será a última em que campeão e vice da Eredivisie terão vagas diretas na fase de liga - literalmente, longe se vão temporadas como a de 2018/19, quando a campanha que levou o Ajax às semifinais da Liga dos Campeões "turbinou" o coeficiente holandês. Agora, ela já está descartada para o coeficiente.
Em segundo lugar, exatamente para apagar a má impressão da temporada passada. O Ajax conseguiu até chegar à última rodada com chances de avançar, mas teve uma das piores participações de sua história no principal torneio europeu, somadas Copa e Liga dos Campeões, com cinco derrotas nos cinco primeiros jogos; o PSV teve até bons resultados - goleadas contra Napoli e Liverpool (esta, fora de casa) -, mas estes foram contrabalançados por maus momentos (derrotas para Union Saint-Gilloise, em pleno Philips Stadion, e para o Newcastle), e o time de Eindhoven amargou a eliminação na fase de liga.
É para redimir isso que PSV e Feyenoord tentarão fazer papel melhor na Liga dos Campeões. A ver como ambos chegam, para as estreias nesta semana - Liga Europa e Conference League só começarão em outubro.
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| Mauro Júnior esteve na decepcionante participação do PSV na temporada 2025/26 da Liga dos Campeões. Estará nesta, em que os Eindhovenaren podem e precisam ir melhor (GSI/Icon Sport/Getty Images) |
PSV (lista de inscritos e tabela de jogos)
Muitos dos destaques do PSV estiveram na decepcionante participação na fase de liga em 2025/26: Sergiño Dest, Mauro Júnior, Guus Til, Ivan Perisic, Ricardo Pepi... somente Joey Veerman e Ismael Saibari deixaram Eindhoven. Bem, em termos de Champions, vale citar a saída de Couhaib Driouech, o grande destaque nos 6 a 2 no Napoli, um grande momento dos Boeren na fase de liga passada. E um dos únicos, por sinal. Porque foi uma das únicas vitórias, ao lado dos 4 a 1 no Liverpool (em Anfield). De resto, a eliminação precoce - até demais, para o que era bicampeão holandês e se tornaria tricampeão - se deveu à inconstância vista em resultados como a derrota para o Union Saint Gilloise, na estreia, em casa; o empate contra Olympiacos; e, por fim, as derrotas para Newcastle e Bayern de Munique.
Então, antes de mais nada, a intenção do time de Eindhoven é fazer uma campanha mais digna, se sobressair um pouco mais. Para tanto, além da manutenção da maioria dos destaques, vieram algumas contratações. Na defesa, Lutsharel Geertruida veio para diminuir a fragilidade vista na pré-temporada. No meio-campo, Kodai Sano é boa opção para ajudar Guus Til (e Paul Wanner, se for o caso), no começo das jogadas de ataque. E no ataque, não só há contratações - Sam Lammers e Filip Kostic -, mas a recuperação de Ruben van Bommel, vindo de grave lesão de ligamento cruzado anterior no joelho, pode ajudar a criar chances e a fazer gols. Se é difícil imaginar vitórias contra Real Madrid ou Atlético de Madrid, quem sabe ser mais eficiente contra adversários de nível semelhante - RB Leipzig, Porto, Stuttgart - já ajude o PSV a passar desta vez.
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| A cara de Van Bronckhorst, novamente técnico do Feyenoord, já indica a complicação que o Stadionclub terá na fase de liga (Javier Borrego/Europa Press/Getty Images) |
Feyenoord (lista de inscritos e tabela de jogos)
"É a primeira partida desse tipo para vários jogadores aqui", reconheceu o técnico Giovanni van Bronckhorst - de volta ao Stadionclub após sete anos - na entrevista coletiva pré-jogo de estreia na Liga dos Campeões. Também, pudera: é jogo contra o Barcelona, considerado um candidato praticamente vitalício, esteja como estiver, ao principal título europeu de clubes. E se passar da fase de liga já será complicado para o rival PSV, talvez será até mais para o time holandês de Roterdã. Em primeiro lugar, porque os adversários de vulto virão em maior quantidade, sejam eles outros grandes europeus (o supracitado Barcelona, Porto, Galatasaray e Internazionale - esta eliminou o Feyenoord nas oitavas de final de 2024/25, última aparição do time na Champions) ou times badalados (como o Real Betis, espanhol, ou o Como, da Itália).
Parece demais para um time que, embora tenha começado bem a temporada no Campeonato Holandês - invicto após cinco rodadas, com três vitórias e dois empates -, ainda está em meio a uma reformulação. Tem bons jogadores, como o zagueiro japonês Tsuyoshi Watanabe, o meio-campista Gjivai Zechiël - candidato a revelação na Holanda (Países Baixos) - e o atacante Anis Hadj-Moussa. Mas este, por sinal, bem preferia ter saído rumo ao Al-Ittihad, da Arábia Saudita, que fez proposta por ele. Seguiria até o exemplo do grande destaque do Feyenoord na temporada passada, Ayase Ueda, que até jogará a Champions, mas pelo Lille (até gol já fez pelo time francês, aliás). Resta confiar num rápido entrosamento, e em alguns talentos da lista B inscritos na Liga dos Campeões, como o lateral direito Givairo Read e o atacante Shaquille van Persie - sim, como se sabe, filho do ex-atacante Robin.





