terça-feira, 9 de junho de 2026

Não era para ser assim

A seleção feminina da Holanda (Países Baixos) tinha plenas condições de já se garantir na Copa do Mundo de 2027. Desnecessariamente, se colocou em dificuldades, e terá de jogar sua sorte na repescagem (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

A seleção feminina da Holanda (Países Baixos) chegou às últimas rodadas das Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina de 2027 com a faca e o queijo na mão: bastariam duas vitórias para assegurar a vaga direta na competição, sem precisar da repescagem. Porém, as Leoas Laranjas, novamente, fizeram do jeito mais difícil: se jogaram bem na vitória final, os 3 a 1 na Polônia, ficou na memória a dura derrota por 3 a 2 para a Irlanda, na penúltima rodada, quando repetiram erros que se julgavam superados - lentidão, dificuldade de adaptação ao jogo, perda de chances - e perderam a condição de controlar o próprio destino nas Eliminatórias. Ficou a pesarosa impressão de que, por melhor que o time seja, não precisava ser assim.

Até porque já se sabia de antemão que o cenário do primeiro jogo seria adverso às holandesas: o estádio Páirc Uí Chaoimh teria suas dimensões diminuídas ao mínimo exigido pela FIFA, o gramado estaria afetado pelo mau tempo, a Irlanda mostraria o esforço e a força física de sempre (além do talento vindo de Katie McCabe). Mas as holandesas em campo pareceram ignorar tais problemas, com lentidão, com desatenção defensiva... tiveram o castigo rápido, aos 19', quando Lynn Wilms perdeu a bola para Abbie Larkin, esta passou a Kyra Carusa, e sua finalização, mesmo lenta, passou pela goleira Lize Kop para o 1 a 0 irlandês.

Mesmo lenta, a bola do primeiro gol da Irlanda passou pela goleira Lize Kop, considerada um dos "bodes expiatórios" da derrota por 3 a 2 (Brendan Moran/Sportsfile/Getty Images)

Só mesmo em desvantagem é que a Holanda começou a tentar. Vieram boas chances, como um cabeceio de Romée Leuchter que mandou a bola para fora, aos 23', ou um chute de Wieke Kaptein que mandou a bola na trave, pouco depois. Ainda assim, a lentidão e a pouca força nas disputas de bola mantinham as Leoas Laranjas abaixo no jogo, mesmo criando bem mais chances de ataque. Cenário pouco auspicioso, num ambiente que ganhava um fator complicador adicional: a fortíssima chuva que caiu sobre Cork no segundo tempo. Diante disso, entraram as veteranas: somaram-se a Dominique Janssen Daniëlle van de Donk e Jackie Groenen. Pois viria delas a efetividade. Jackie Groenen quase acertou, aos 65', num chute da entrada da área (a goleira Courtney Brosnan pegou). E aos 70', elas participaram da jogada do empate: Groenen recebeu a bola de Lineth Beerensteyn, foi derrubada por Aoife Mannion na área, pênalti marcado, e Dominique Janssen cobrou para o 1 a 1. 

Seria aliviante... se a Holanda não cometesse o pecado crônico da desatenção: Groenen era atendida e demoraria um minuto para voltar a campo - são as novas regras da FIFA -, Larkin recebeu cruzamento logo na saída de bola, superou Janssen na corrida e fez o 2 a 1 irlandês. Talvez o baque tivesse sido definitivamente superado com a excelente entrada de Victoria Pelova: vinda do banco, superando o terrível drama particular da morte da mãe no começo da semana, a meio-campista fez boa jogada individual para empatar. E a Holanda, cercando o ataque diante da fechada defesa irlandesa, seguia rondando o gol. Porém, num escanteio no minuto final, a defesa fracassou ao rebater a bola, um cruzamento, e a atacante Amber Barrett coroou a impressionante eficiência irlandesa: três arremates a gol, três gols, 3 a 2, o sonho holandês de manter a liderança do grupo virava queda para o terceiro lugar.

E pelo menos no primeiro tempo, as Leoas Laranjas passaram algum sufoco contra a Polônia. É verdade que tinham mais a posse de bola, e rondavam mais o ataque. Às vezes, até tentavam, como em dois chutes sequenciais, de Romée Leuchter e Lynn Wilms, logo aos 4'. Ainda assim, o espaço para contra-ataques era aproveitado por nomes como Paulina Tomasiak (que tentou o gol aos 17', com Lize Kop defendendo) e Ewelina Kamczyk, que arriscou chute de fora aos 27'. Pelo menos, a essa altura, a Holanda já tinha 1 a 0 no placar, graças a Wieke Kaptein, a melhor da partida em Almelo, que cabeceou para as redes o cruzamento de Esmee Brugts. Ainda assim, sem aproveitar as chances, o risco de empate existia. Está certo que a vitória não adiantaria para a vaga direta, já que a França vencia a Irlanda e garantia a liderança do grupo e a vaga direta na Copa. Mas tropeçar de novo seria pior.

Contra a Polônia, as Leoas Laranjas se recompuseram. E Kaptein se destacou na vitória por 3 a 1 (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Quase piorou para as neerlandesas, mesmo, aos 48', quando só o impedimento de Kamczyk causou a anulação do gol que marcaria o empate. Só então o time deslanchou. Se Kaptein seguia bem, Romée Leuchter enfim fazia boa atuação novamente vestindo laranja. Quase levou a um gol contra, aos 53', quando seu cruzamento levou a zagueira polonesa Oliwia Wos a "espirrar o taco". E enfim, aos 61', Leuchter fez o gol do desafogo holandês, em grande estilo, num belo voleio, após cruzamento de Kerstin Casparij.

Só aí a Holanda ficou leve em campo. Os espaços para atacar surgiram, com a Polônia aberta. Lineth Beerensteyn, por exemplo, quase fez seu gol, aos 73'. E Liz Rijsbergen, em sua segunda partida pelas Leoas Laranjas, conseguiu o terceiro gol, aos 81'. Nem mesmo o gol de honra polonês - Kamczyk, aos 83', de pênalti surgido de falta de Damaris Egurrola Wienke sobre Tomasiak - abalou as donas da casa em Almelo. Que deixaram claro: podem jogar bem, como se ouviu em quase todas as entrevistas pós-jogo. 

Além de jogar bem, será preciso ter mais atenção e competitividade em cenários adversos na repescagem de outubro. Porque a Holanda já poderia ter se livrado do trabalho de tentar a vaga na Copa do Mundo Feminina.

Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina da FIFA - Europa - Grupo A2

Irlanda 3x2 Holanda
Data: 5 de junho de 2026
Local: Páirc Uí Chaoimh (Cork)
Árbitra: Katalin Kulcsár (Hungria)
Gols: Kyra Carusa, aos 19', Dominique Janssen, aos 70', Abbie Larkin, aos 71', Victoria Pelova, aos 80', e Amber Barrett, aos 90'

IRLANDA
Courtney Brosnan; Aoife Mannion, Anne Patten, Caitlin Hayes, Megan Connolly (Saoirse Noonan, aos 85') e Chloe Mustaki; Abbie Larkin (Leanne Kiernan, aos 76'), Marissa Sheva, Ruesha Littlejohn (Jessica Ziu, aos 46') e Katie McCabe; Kyra Carusa (Amber Barrett, aos 76'). Técnica: Carla Ward

HOLANDA
Lize Kop; Lynn Wilms, Veerle Buurman, Dominique Janssen e Janou Levels (Marisa Olislagers, aos 56'); Damaris Egurrola Wienke (Jackie Groenen, aos 56'), Wieke Kaptein (Victoria Pelova, aos 74') e Ella Peddemors (Daniëlle van de Donk, aos 56'); Lineth Beerensteyn, Romée Leuchter (Liz Rijsbergen, aos 74') e Esmee Brugts. Técnico: Arjan Veurink


Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina da FIFA - Europa - Grupo A2

Holanda 3x1 Polônia
Data: 9 de junho de 2026
Local: Polman/Asito Stadion (Almere)
Árbitra: Fabienne Michel (Alemanha)
Gols: Wieke Kaptein, aos 24', Romée Leuchter, aos 61', Liz Rijsbergen, aos 81', e Ewelina Kamczyk, aos 83'

HOLANDA
Lize Kop; Lynn Wilms (Kerstin Casparij, aos 60'), Veerle Buurman, Dominique Janssen (Renée van Asten, aos 46') e Marisa Olislagers; Damaris Egurrola Wienke, Wieke Kaptein e Daniëlle van de Donk (Victoria Pelova, aos 60'); Lineth Beerensteyn (Liz Rijsbergen, aos 75'), Romée Leuchter e Esmee Brugts. Técnico: Arjan Veurink

POLÔNIA
Kinga Seweryn (Kinga Szemik, aos 67'); Wiktoria Zieniewicz, Paulina Dudek, Oliwia Wos e Jagoda Cyraniak (Julia Walentowicz, aos 79'); Adriana Achcínska (Wiktoria Zawistowka, aos 46'), Patrycja Sarapata (Gabriela Grzybowska, aos 67') e Milena Kokosz; Paulina Tomasiak, Ewelina Kamcyzk e Nadia Krezyman (Claudia Macjaska, aos 67'). Técnica: Nina Patalon

segunda-feira, 8 de junho de 2026

A desconfiança cresce

A Holanda até conseguiu vencer o Uzbequistão, no último amistoso antes da estreia da Copa. Mas foi insuficiente para amenizar o baixo astral que impactou a Laranja. Na verdade, até aumentou a desconfiança (Maurice van Steen/ANP/Getty Images)

Não se pode falar que a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) chegará em crise para a sua estreia na Copa do Mundo, no próximo domingo, contra o Japão. Ainda assim, a vitória por 2 a 1 sobre o Uzbequistão, em amistoso tão leve que passou a impressão de jogo-treino, aumentou ainda mais as desconfianças sobre o que a Laranja pode fazer no Mundial. Diante de um clima obviamente abalado pelo corte de Jurriën Timber, anunciado cerca de uma hora antes do início do jogo, a repetição de alguns erros vistos na derrota para a Argélia, bem como outro susto de gol sofrido no final, só aprofundaram os olhares cada vez mais tortos de torcida e imprensa para a seleção neerlandesa.

Também como na partida contra os argelinos, a Laranja começou bem. Com escalação prévia bem próxima ao que se pretende para o enfrentamento contra o Japão (com o par Denzel Dumfries-Crysencio Summerville como o mais esperado pelo técnico Ronald Koeman), até que o começo foi seguro. Sem sofrer na defesa, houve velocidade no ataque, e dela surgiu a primeira chance, aos 9', quando Donyell Malen lançou e Crysencio Summerville só não finalizou porque o goleiro Utkir Yusupov saiu da meta. 

Com isso, surgiram as chances. E também os problemas, porque todas elas foram perdidas. Aos 10', logo após Yusupov impedir a finalização de Summerville, Cody Gakpo cruzou e Donyell Malen (outra partida em que não deu sequência à fase esplendorosa na Roma...), na pequena área, desviou pessimamente para fora. Aos 13', outra boa chance perdida: Gakpo cruzou da esquerda, Dumfries ajeitou já na área e Tijjani Reijnders completou por cima do gol. Depois, vieram dois chutes para fora (Ryan Gravenberch, aos 21', e Reijnders, aos 28'). Até que, finalmente, viesse o gol. De bola parada: aos 32', Summerville só teve a corrida parada por um carrinho do zagueiro Jakhongir Urozov. Pênalti marcado, que Gakpo transformou no 1 a 0.

Gakpo, com dois pênaltis e dois gols, novamente se mostrou decisivo no ataque (Maurice van Steen/ANP/Getty Images)

No segundo tempo, mesmo com o Uzbequistão chegando mais, mesmo lenta, a Laranja seguiu mais perigosa. Aos 51', Reijnders cobrou escanteio, e Virgil van Dijk cabeceou perto do gol; aos 55', Malen ajeitou, e Gakpo mandou a bola por cima da meta. Só que os problemas, pouco a pouco, aumentaram. Numa queda brusca aos 54', ao defender a bola pelo alto e se chocar com Abdukodir Khusanov, Bart Verbruggen sentiu dores lombares - e só aguentou mais alguns minutos, antes de ser substituído por Mark Flekken. Aos 62', outra chance de gol perdida: Malen cruzou, e Summerville escorou mal. Até mesmo o azar apareceu, num gol anulado de Brian Brobbey, aos 69'.

Os problemas seguiram, com o calor afetando mais e mais o ritmo de jogo. Ampliaram-se mais ainda com outra inesperada expulsão em amistoso: aos 85', Guus Til (substituto de Frenkie de Jong) desviou um longo lançamento com a mão, e tomou o cartão vermelho da juíza Alyssa Pennington. Se o que poderia ter sido pênalti virou falta fora da área - e desperdiçada por Otabek Shukurov -, o Uzbequistão conseguiu empatar, já nos acréscimos, quando um passe de Akmal Mozgovoy, dividido acidentalmente com Summerville, deixou a bola à feição para Igor Sergeev empatar. Seria um impacto a aumentar o baixo astral - só não piorado porque ainda houve tempo para mais uma chance (aos 90' + 4, cruzamento de Van de Ven, Summerville escorou na pequena área, Reijnders completou e Khusanov conseguiu bloquear). E também houve tempo para Gakpo, em outro pênalti surgido, conseguir garantir uma vitória para os holandeses antes da Copa do Mundo.

Mas até a estreia no próximo domingo, há muito a fazer para que as desconfianças não cresçam ainda mais do que já cresceram com os últimos amistosos.

Amistoso

Holanda 2x1 Uzbequistão
Data: 8 de junho de 2026
Local: Icahn Stadium (Nova Iorque)
Juíza: Alyssa Pennington (Estados Unidos)
Gol: Cody Gakpo, aos 32' e aos 90' + 8, e Igor Sergeev, aos 90' + 2

HOLANDA
Bart Verbruggen (Mark Flekken, aos 67'); Denzel Dumfries, Jan Paul van Hecke, Virgil van Dijk e Micky van de Ven; Ryan Gravenberch, Tijjani Reijnders e Frenkie de Jong (Guus Til, aos 71'); Crysencio Summerville, Donyell Malen (Brian Brobbey, aos 65') e Cody Gakpo. Técnico: Ronald Koeman

UZBEQUISTÃO
Utkir Yusupov; Abdukodir Khusanov, Jakhongir Urozov e Rustam Ashurmatov; Farrukh Sayfiev, Otabek Shukurov, Akmal Mozgovoy e Sherzod Nasrullayev; Abbosbek Fayzullaev (Djamshid Iskandarov, aos 77'), Eldor Shomurodov (Igor Sergeev, aos 77') e Oston Urunov (Dostonbek Khamdamov, aos 54'). Técnico: Fabio Cannavaro

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Duas gerações por uma vaga

A Holanda (ou os Países Baixos) está focada na Copa do Mundo masculina. Mas a seleção feminina, contando com as veteranas junto às novatas, está muito perto da vaga no Mundial feminino (KNVB/Divulgação)

Está certo que o foco, para quem acompanha futebol na Holanda (Países Baixos), já está na seleção masculina que caminha para disputar a Copa do Mundo, na América do Norte. Entretanto, um pouco do foco está na seleção feminina neerlandesa, também. Afinal de contas, a vaga direta na Copa do Mundo de 2027 está mais perto do que se pensava. Em primeiro lugar no grupo A2 das Eliminatórias Europeias, bastará que as Leoas Laranjas vençam Irlanda (sexta-feira, 5, às 15h45 de Brasília, na cidade irlandesa de Cork) e Polônia (próxima terça, 9, às 16h de Brasília, em Almelo) - no caso do jogo contra a Irlanda, uma vitória holandesa e outra da Polônia, contra a França, também resolve tudo por antecipação - para garantirem a vinda ao Brasil no ano que vem. E elas estão divididas claramente em duas gerações, na convocação para as duas decisões.

Se os grandes resultados contra a França nas duas rodadas passadas - vitória em 2 a 1 e empate por 1 a 1 - dependeram em grande parte das novatas (a estreante Renée van Asten na defesa; Wieke Kaptein no meio; Esmee Brugts no ataque), agora várias das veteranas estão de volta. E várias delas, superando problemas pessoais. Se Dominique Janssen retornou naturalmente ao se recuperar de lesão, Daniëlle van de Donk reconheceu o quanto a demora para voltar de problemas físicos no London City Lionesses, clube em que joga, a afetou mentalmente: "Na última vez [em que me machuquei], estava com minha esposa quando ouvi a notícia. Eu não aguentava mais, só queria chorar, foi muito duro, acho que foi o período mais duro da minha vida". Mesmo mais alegre, Jackie Groenen - também de volta à seleção - reconheceu os problemas com lesões no Paris Saint Germain: "Eu precisava passar tempo na academia, não entrava em campo. Então, isso me fazia sentir menos parte do grupo. Mas estou em forma, posso jogar". Além delas, também voltaram - e também podem jogar - Kerstin Casparij e Caitlin Dijkstra.

O técnico Arjan Veurink celebrou o retorno dos nomes experientes. Mas alertou, diante do ótimo resultado com as novatas contra a França: elas precisarão garantir a vaga (KNVB/Divulgação)

O técnico Arjan Veurink comemorou os retornos: "Experiência sempre é importante, que dirá para os jogos desta semana. Jogadoras acostumadas com partidas importantes podem ajudar. Daí, o valor de nomes como Van de Donk". Ao mesmo tempo, o treinador se valeu das grandes atuações das mais novas - e da boa fase delas, que o diga Veerle Buurman, eleita revelação da temporada na Inglaterra - para alertar: "Elas [veteranas] não estão todas garantidas de seus lugares, não importa o quanto sejam experientes". Além do mais, dois nomes importantes para as Leoas Laranjas ficarão fora dos jogos. Ainda sofrendo com dores renitentes no tornozelo, Daphne van Domselaar passou por cirurgia no local, e novamente desfalcará a Holanda (Países Baixos). E Vivianne Miedema, às voltas com problemas particulares - acompanha a mãe, em tratamento de problema de saúde -, falou com Arjan Veurink e foi liberada pelo próprio: "Se teve uma coisa que aprendi nos últimos anos, é que boa forma física e mental são importantes em jogos cruciais".

De fato, são jogos cruciais. Ainda mais a partida contra a Irlanda, nesta sexta: também podendo ter a vaga direta na Copa (está em terceiro lugar no grupo, com 6 pontos, só dois abaixo da Holanda), a equipe anfitriã conta com o destaque absoluto de Katie McCabe - a capitã fez cinco gols nos últimos sete jogos pelas irlandesas. Foi adversária dura nas rodadas de março, quando a Holanda só fez 2 a 1 nos minutos finais. E tentará impor seu jogo até em medidas pequenas, como reduzir as dimensões do estádio Páirc Uí Chaoimh, em Cork, ao mínimo exigido pela FIFA. O técnico Arjan Veurink minimizou tal medida ("Se elas acham que conseguem ganhar assim, tudo bem"), mas também manteve o alerta alto: "A Irlanda é um time com muita velocidade pelo meio, e muito difícil de ser superado quando recua". Parte de uma conclusão básica do técnico da Holanda: "Não há mais seleções pequenas, não na Europa. O que é ótimo, mostra como o futebol feminino se desenvolveu. Não há mais jogos fáceis".

Se é assim, é com as veteranas e as novatas que as Leoas Laranjas vão para as duas rodadas finais. Todas por uma vaga direta na Copa. Até para que continuem ouvindo elogios como os que o técnico ouviu de alguém que conhece bem: Sarina Wiegman, de quem foi auxiliar entre 2017 e 2025. "Ela tem achado a campanha ótima. Mandou uma mensagem e disse que está orgulhosa de mim".

As 23 convocadas da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

GOLEIRAS: Lize Kop (Tottenham Hotspur-ING), Daniëlle de Jong (Juventus-ITA) e Regina van Eijk (Ajax)

DEFENSORAS: Lynn Wilms (Aston Villa-ING), Kerstin Casparij (Manchester City-ING), Veerle Buurman (Chelsea),  Dominique Janssen (Manchester United-ING), Renée van Asten (Ajax), Ilse van der Zanden (Fiorentina-ITA), Caitlin Dijkstra (Wolfsburg-ALE, se transferindo para o Tottenham Hotspur-ING), Janou Levels (Wolfsburg-ALE) e Marisa Olislagers (Brighton-ING)

MEIO-CAMPISTAS: Damaris Egurrola Wienke (OL Lyonnes-FRA), Wieke Kaptein (Chelsea-ING), Victoria Pelova (Arsenal-ING), Ella Peddemors (Wolfsburg-ALE), Lotte Keukelaar (Real Madrid-ESP), Daniëlle van de Donk (London City Lionesses-ING), Jackie Groenen (Paris Saint Germain-FRA) e Nina Nijstad (PSV)

ATACANTES: Lineth Beerensteyn (Wolfsburg-ALE), Romée Leuchter (Paris Saint Germain-FRA), Esmee Brugts (Barcelona-ESP) e Liz Rijsbergen (PSV)

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Problemas desnecessários

A Holanda criou boas chances de gol ao longo de seu amistoso de despedida. Perdeu todas. E Hadj-Moussa, fazendo o que tantas vezes faz pelo Feyenoord no mesmo estádio, deu a vitória à Argélia, trazendo mais dúvidas sobre a Laranja (Joris Verwijst/Soccrates/Getty Images)

"Não foi a melhor maneira de pegar o avião [para viajar à Copa]." Foi uma das primeiras frases que o capitão Virgil van Dijk falou na entrevista pós-jogo, após a derrota da Holanda (Países Baixos) por 1 a 0, para a Argélia, no amistoso de despedida do país antes da viagem aos Estados Unidos para a Copa do Mundo que começará daqui a oito dias. E não precisava ser assim, porque a Laranja até jogou bem, criando chances. Porém, a primeira derrota da Laranja em território neerlandês após 32 meses aumentou as desconfianças - e até as razões para pessimismo - quanto às chances dela no Mundial.

E não se esperava que fosse assim. Afinal de contas, o primeiro tempo foi de uma Laranja que só viu perigo argelino aos três minutos, quando Riyad Mahrez tentou um chute quase sem ângulo para fora. Dominando a bola, começando a ser veloz, aos poucos as chances apareceram, diante de uma Argélia que estava fechada, apostando nos contra-ataques. A maior delas, já aos 8': Jan Paul van Hecke lançou a bola da defesa, Crysencio Summerville (estreante na Laranja, e estreou bem) tocou, e Donyell Malen - como titular no meio da área - completou na trave. Pouco depois, Summerville participou impedido da jogada de um gol anulado de Reijnders.

Seria este o principal problema holandês no jogo: acertar a finalização. Ora Malen errava - como aos 19', quando Summerville cruzou e ele errou a conclusão. Ora Luca aparecia, e o goleiro argelino (usando máscara, ainda em recuperação de fratura na mandíbula) talvez tenha sido o grande destaque do jogo: aos 19', espalmou bem o chute de Ryan Gravenberch. Um minuto depois, foi ainda mais elástico para espalmar a finalização de Cody Gakpo. Aos 40', foi esperto para impedir que Gakpo se aproveitasse do erro de Aïssa Mandi na saída de bola. Todas defesas que destacaram Luca, como o goleiro é identificado, para não ser excessivamente vinculado ao sobrenome: Luca Zidane, como o pai Zinedine.

Luca Zidane, com máscara para proteger a mandíbula ainda em recuperação de fratura, fez algumas grandes defesas (Bas Czerwinski/ANP/Getty Images)

Além do mais, a Argélia seguia pronta para o contra-ataque. Num deles, aos 27', Mahrez passou a Mohammed Amoura, que só não acertou porque Van Hecke o bloqueou no instante do chute (no escanteio que se seguiu, Nabil Bentaleb bateu de fora, e o goleiro Bart Verbruggen pegou). Na volta do intervalo, algumas alterações feitas, Amoura reapareceria, chutando a bola perto da trave esquerda de Robin Roefs - o goleiro substituiu Verbruggen apenas para ter a chance da estreia na Laranja. Só que, depois, a Holanda já retomou o protagonismo - e Malen retomou o mau hábito das chances perdidas, finalizando para fora aos 51'.

Se Amoura ainda deu um susto aos 54' (outra tentativa bloqueada por Van Hecke, atento no jogo), foi a vez de Justin Kluivert, vindo a campo também para o segundo tempo, ver a capacidade de Luca Zidane como goleiro: ele chutou aos 61', e Luca espalmou. Mas quatro minutos depois, o erro foi do próprio Justin, em boa jogada: tabelou com Gakpo, entrou na área, mas arrematou fraco, para fora. E parecia que nada mais aconteceria no jogo, depois que Memphis Depay - mais um a entrar no intervalo - chutou forte, para a defesa de Luca encaixando a bola, aos 84'.

Só que aconteceu, dois minutos depois. Anis Hadj-Moussa, que saiu do banco pela Argélia, fez pela seleção o que está tão acostumado a fazer no time, naquele mesmo espaço, no mesmo estádio: recebeu a bola pela direita, trouxe a bola para o meio se livrando do marcador, bateu da entrada da área e acertou o ângulo direito do goleiro, marcando belo gol. O 1 a 0 fez os muitos argelinos presentes a De Kuip gritarem alegres o "1,2,3 (One, two, three)/Vive l'Algérie!" E fez a Laranja atrair problemas desnecessários para si, a 11 dias da estreia na Copa. Torcida e imprensa esperam que tenha sido só uma "chamada para acordar", como se falou muito ao final do amistoso...

Amistoso

Holanda 0x1 Argélia
Data: 3 de junho de 2026
Local: De Kuip (Roterdã)
Juiz: Jakob Semler (Áustria)
Gol: Anis Hadj-Moussa, aos 86'

HOLANDA
Bart Verbruggen (Robin Roefs, aos 46'); Mats Wieffer (Lutsharel Geertruida, aos 69'), Virgil van Dijk (Nathan Aké, aos 46'), Jan Paul van Hecke (Brian Brobbey, aos 87') e Micky van de Ven (Jorrel Hato, aos 46'); Ryan Gravenberch (Memphis Depay, aos 46'), Tijjani Reijnders (Marten de Roon, aos 69') e Frenkie de Jong (Quinten Timber, aos 69'); Crysencio Summerville (Justin Kluivert, aos 46'), Donyell Malen (Teun Koopmeiners, aos 69') e Cody Gakpo (Wout Weghorst, aos 81'). Técnico: Ronald Koeman

ARGÉLIA
Luca Zidane; Achref Abada (Rafik Belghali, aos 46'), Aïssa Mandi (Anis Hadj-Moussa, aos 46'), Belaïd e Rayan Aït-Nouri (Jaouen Hadjam, aos 46'); Nabil Bentaleb, Ramiz Zerrouki (Mohamed Amine Tougai, aos 46') e Hossem Aouar (Fares Chaibi, aos 46'); Riyad Mahrez, Amine Gouiri (Nadhir Benbouali, aos 63') e Mohammed Amoura (Adil Boulbina, aos 69'). Técnico: Vladimir Petkovic

terça-feira, 2 de junho de 2026

Eredivisie feminina 2025/26: valeu pelo equilíbrio

O PSV se sagrou campeão, e o Campeonato Holandês feminino saiu ganhando em 2025/26, com mais equilíbrio na disputa, mesmo com muito a melhorar (Photo Prestige/Soccrates/Getty Images)

Ajax e Twente: durante muito tempo, a disputa pelo título do Campeonato Holandês feminino parecia coisa privada a estes dois clubes. Era até compreensível - tratam-se das esquadras mais tradicionais dedicadas ao futebol de mulheres no Reino dos Países Baixos, afinal -, mas traziam o risco de uma apatia, de uma acomodação, pouco recomendáveis a um campeonato em desenvolvimento, que pode ser porta de entrada interessante para as grandes ligas europeias, como a Vrouwen Eredivisie pode ser. Pois bem: a temporada 2025/26 reduziu este temor.

A disputa pelo título não só incluiu mais clubes, como também foi até a penúltima rodada. E premiou um clube que não só aposta na base, como também tem ousadia para mais contratações: o PSV, enfim campeão. De certa forma, o Feyenoord também foi premiado: a evolução lenta do Stadionclub terá a primeira chance numa competição europeia, com a terceira posição que lhe deu lugar na Women's Europa Cup. E mesmo Ajax e Twente, frustrados desta vez, ainda mantêm a força e a tradição para tentarem voltar a levantar a salva de prata.

Se há muito a melhorar - que o diga a preocupante retração do Utrecht nas rodadas finais -, se o nível técnico ainda é baixo, se haverá nova mudança no sistema de acesso (de doze times, com três rebaixados, a liga holandesa terá dez times, com dois caindo, a partir de 2026/27)... a temporada atual já valeu pelo equilíbrio. Vejamos como ela foi.

Devagar e sempre, o PSV manteve a paciência. Quando necessário, com um time equilibrado e experiente, arrancou para ser, enfim, campeão (Photo Prestige/Soccrates/Getty Images)

1º - PSV

Campanha: 54 pontos (17 vitórias, 3 empates e 2 derrotas - campeão)
Time-base: Evrard; Bross, Folkertsma, Cayman (Chibani) e Frijns; Strik (Lacroix), Nijstad e Jacobs; Ripa (Renate Jansen), Xhemaili e Rijsbergen
Técnico: Roeland ten Berge
Competição continental: Women's Europa Cup (eliminado pelo Eintracht Frankfurt-ALE, nas oitavas de final)
Copa nacional: vice-campeão
Artilheira: Riola Xhemaili (atacante), com 14 gols
Quem deu mais passes para gol: Liz Rijsbergen (atacante), com 7 passes
Quem mais jogou: Lore Jacobs (meio-campista), Nina Nijstad (meio-campista), Liz Rijsbergen (atacante) e Riola Xhemaili (atacante), que jogaram todas as 22 partidas
Destaques: Liz Rijsbergen (atacante) e Riola Xhemaili (atacante)

Um bom time, com jogadoras experientes - mas isso o PSV já era na temporada passada, e na retrasada também. A questão era ver se o time de Eindhoven manteria o fôlego que nunca chegara a ter, na disputa do título da liga - afinal de contas, nunca foi campeão dela - e que perdera na Copa da Holanda. Na fase inicial, pareceu que não, com derrotas para os dois principais adversários (Twente 3 a 1, em pleno De Herdgang, na 4ª rodada; Ajax 2 a 1, na 7ª rodada). Porém, o tempo passou. Jogadoras como Nina Nijstad, Riola Xhemaili e Liz Rijsbergen cresceram ainda mais de produção. Renate Jansen, encerramento da carreira previamente anunciado para o fim da temporada, seguia mostrando a liderança tão necessária às Eindhovenaren. Na virada do ano, duas grandes contratações, para trazer experiência (Shanice van de Sanden) e garantia de gols (Fenna Kalma). E enquanto Ajax e Twente começaram a perder pontos, o PSV embalou na hora certa. Depois da supracitada derrota para o Ajax, as Boeren não sofreram mais derrotas. Ao contrário: a não ser por três empates - um deles, 1 a 1 com o Ajax, na 18ª rodada -, só vitórias no caminho. Nem mesmo a neve, por exemplo, impediu os 3 a 0 no Zwolle, na 14ª rodada. Duas rodadas depois, liderança assumida com a derrota do Twente - e uma goleada (6 a 0 no Excelsior). Até que, na 21ª rodada, num De Herdgang renovado durante a temporada (reinaugurado como TenCate Stadion), e com boa lotação, vieram os 2 a 0 no ADO Den Haag, garantindo o primeiro título da história do time feminino de Eindhoven, com uma rodada de antecedência. Enfim, o PSV conseguiu o passo que tanto buscava. Agora, sob comando de novo técnico - vem aí o dinamarquês Kasper Kurland -, o objetivo é aumentar as perspectivas. Até porque a final da Copa da Holanda foi perdida nos pênaltis, e campeãs sempre querem mais.

Apostando em jovens como Xanne Kip (foto), o Ajax mostrou força. Caiu na hora de decisão, de novo, mas pelo menos agora termina mais animado (Marcel Bonte/Soccrates/Getty Images)

2º - AJAX

Campanha: 50 pontos (15 vitórias, 5 empates e 2 derrotas)
Time-base: Van Eijk; De Klonia, Van Asten, Visscher e Van de Velde; Spitse, Noordman e Van Hensbergen (Van Schoonhoven); Van Dijk (Van Egmond), Smits (Tolhoek) e Kip (Van Koppen) 
Técnica: Anouk Bruil
Competição continental: Women's Europa Cup (eliminado pelo Hammarby-SUE, nas oitavas de final)
Copa nacional: eliminado pelo AZ, nas oitavas de final
Artilheira: Danique Tolhoek (atacante), com 10 gols
Quem deu mais passes para gol: Bo van Egmond (atacante), com 5 passes
Quem mais jogou: Regina van Eijk (goleira) e Jonna van de Velde (ala esquerda), que jogaram todas as 22 partidas
Destaque: Danique Noordman (meio-campista)

Para apagar o clima de "terra arrasada" do fim da temporada passada, quando a técnica Hesterine de Reus fez declarações desanimadas ainda em meio à disputa do título, a nova treinadora, Anouk Bruil, apostou na juventude: foram várias novatas que ganharam espaço, em meio à experiência (maior) de Sherida Spitse e Joëlle Smits e (menor, mas considerável) de Regina van Eijk, Danique Noordman e Danique Tolhoek. E por algum tempo, deu certo. Renée van Asten, na defesa; Jade van Hensbergen, no meio; Bo van Egmond, Xanne Kip e Elisa van Dijk - titular a partir do returno, a mais jovem jogadora da história do time feminino Ajacied - no ataque; o Ajax conseguiu goleadas e mais goleadas (4 a 1 no Heerenveen, na 4ª rodada; 5 a 0 no HERA United, na 6ª rodada; 8 a 0 no Utrecht, na 9ª rodada; 5 a 1 no NAC Breda, na 10ª). Porém, tomou pelo menos uma goleada, na maior surpresa do campeonato - Zwolle 7 a 1, na 8ª rodada. E na reta final da Vrouwen Eredivisie, justamente quando não podia fraquejar se quisesse voltar a ser campeão... o Ajax negou fogo. Na 13ª rodada, outra derrota surpreendente: em casa, 2 a 1 sofridos para o HERA United, depois rebaixado. Contra os adversários pela disputa do título, nenhuma vitória no returno (0 a 0 com Twente, na 15ª rodada, e Feyenoord, na 19ª; 1 a 1 com o PSV, na 18ª). Perdeu seu principal destaque, Danique Tolhoek, machucada e fora da temporada. E assim, com tropeços e falhas em jogos diretos, o Ajax perdeu a chance do título. Pelo menos, terá uma vaga na Liga dos Campeões feminina. E deixa, ao contrário de 2024/25, uma última impressão promissora, de um time que pode evoluir mais, que está animado.

O Feyenoord nem esperava muito - só ficar em seu lugar já agradaria. Mas Mao Itamura cresceu, o time foi com ela... e o terceiro lugar deixa claro: o Stadionclub cresce no futebol feminino (feyenoord.nl/Divulgação)

3º - FEYENOORD

Campanha: 47 pontos (14 vitórias, 5 empates e 3 derrotas)
Time-base: Dinkla (Weimar); Van Bentem, Takeshige, Obispo e Brandau; Talia DellaPeruta e Iwasaki; Van de Lavoir (Van der Sluijs), Itamura e Hulswit (Van de Westeringh); De Graaf (Van Kerkhoven/Tori DellaPeruta)
Técnica: Jessica Torny
Competição continental: nenhuma
Copa nacional: eliminado pelo AZ, nas quartas de final
Artilheira: Mao Itamura (meio-campista), com 8 gols
Quem deu mais passes para gol: Mao Itamura (meio-campista), com 6 passes
Quem mais jogou: Celainy Obispo (zagueira), Kokona Iwasaki (meio-campista) e Esmee de Graaf (atacante), que jogaram todas as 22 partidas
Destaque: Mao Itamura (meio-campista)

Não parecia que o Feyenoord conseguiria um salto nesta temporada feminina na Holanda (Países Baixos). Não que isso significasse coisa ruim, longe disso: o Stadionclub voltou a ter um desempenho elogiável em casa, voltou para a parte de cima da tabela, e a técnica Jessica Torny enfim teve uma equipe entrosada e competitiva. Além de velhas conhecidas - Esmee de Graaf, Ella van Kerkhoven, uma Kirsten van de Westeringh enfim livre das lesões ligamentares nos joelhos -, reforços como as irmãs ítalo-americanas Talia e Victoria "Tori" DellaPeruta e as japonesas Kokona Iwasaki e Mao Itamura só acrescentaram à equipe de Roterdã. Que, além de ostentar suas goleadas - 4 a 1 no AZ, pela 5ª rodada, e 6 a 1 no Heerenveen, na 6ª rodada -, mostrou a segunda melhor defesa do campeonato (17 gols sofridos), sem oscilar nem mesmo com a lesão da goleira Jacintha Weimar abrindo caminho para Claire Dinkla assumir a titularidade. No returno, então, a vitória por 2 a 0 sobre o Twente (16ª rodada) ajudou, indiretamente, a mudar a disputa do título - e a fazer de Mao Itamura, além de revelação, uma das melhores jogadoras da temporada. Dois empates nas duas rodadas seguintes, contra AZ (3 a 3) e Ajax (0 a 0), tiraram as chances de título, é verdade. Mas três vitórias, somadas ao despencar do Twente, renderam um belo prêmio: a última vaga em torneios europeus, na Women's Europa Cup. Vaga corretamente comemorada: afinal, o projeto feminino do Feyenoord, enfim, decolou.

Depois de dominar o futebol feminino holandês por muito tempo, ficar fora até de competições europeias, após despencar na reta final da temporada, foi tombo dolorido para o Twente (Pro Shots)

4º - TWENTE

Campanha: 46 pontos (14 vitórias, 4 empates e 4 derrotas)
Time-base: Lemey; Vliek (Te Brake), Knol, Carleer (Wiefferink) e Tuin; Groenewegen, Van Ginkel e Van der Vegt; Roord; Oude Elberink (Ivens/Pennock) e Ravensbergen
Técnica: Corina Dekker
Competição continental: Liga dos Campeões (eliminado na fase de liga)
Copa nacional: Campeão
Artilheira: Jaimy Ravensbergen (atacante), com 16 gols
Quem deu mais passes para gol: Jill Roord (meio-campista), com 9 passes
Quem mais jogou: Diede Lemey (goleira), Anna Knol (zagueira), Alieke Tuin (ala esquerda), Lynn Groenewegen (meio-campista) e Jaimy Ravensbergen (atacante), que jogaram todas as 22 partidas
Destaques: Jill Roord (meio-campista) e Jaimy Ravensbergen (atacante)

A experiência de Danique van Ginkel e Alieke Tuin; a evolução de Lieske Carleer e Lynn Groenewegen, ambas convocadas constantes da seleção holandesa de mulheres; os gols em profusão de Jaimy Ravensbergen; a revelação Liv Pennock, já contratada pelo Barcelona; todas elas, lideradas pelo reforço de qualidade e trajetória respeitáveis que era Jill Roord. Com um grupo desses, não era de se impressionar que o Twente, atual bicampeão, começasse impondo força para dar a impressão de que era favorito para conquistar o terceiro título seguido da Vrouwen Eredivisie. Basta dizer que não perdeu, no primeiro turno (oito vitórias, três empates), mantendo-se em alta mesmo com uma eliminação algo decepcionante na fase de liga da Liga dos Campeões. Sempre ao enfrentar os adversários diretos, a competitividade era tamanha que, mesmo em dias de más atuações, pelo menos um empate aparecia, como na 15ª rodada, fora de casa, garantindo um ponto com o 0 a 0 junto ao Ajax. Só que na 16ª rodada, uma atuação esplendorosa de Mao Itamura, e o Feyenoord impôs às Tukkers a primeira derrota da temporada - um 2 a 0 com o qual elas não contavam. Dali para frente, o Twente foi só para trás. Dois reveses seguidos - ADO Den Haag 1 a 0 na 18ª rodada, Utrecht 2 a 0 na 19ª -, e se perdeu espaço para PSV e Ajax. As lesões que tiraram Jill Roord e Lieske Carleer da temporada foram problemas adicionais. Mesmo vitórias, como os 3 a 2 no Zwolle (20ª rodada), vinham em dificuldades - a citada veio numa virada. E na última rodada, a derrota para o PSV já campeão (2 a 1) decretou: nem mesmo uma vaga em competições europeias restaria ao Twente. Está certo que o título da Copa da Holanda manteve alguma força, mas foi um tremendo tombo.

Com seus gols, Lobke Loonen ajudou o Utrecht em mais uma boa temporada. Com sua saída, sinaliza uma diminuição de investimentos do clube em seu time feminino (Stan Oosterhof/Soccrates/Getty Images)

5º - UTRECHT

Campanha: 37 pontos (11 vitórias, 4 empates e 7 derrotas)
Time-base: Bastiaen; Koopman (Verhoeve), Hermans (Op den Kelder), Weerelts (Bormans) e Paliama; Mahieu e Renfurm; Van Straten, Munsterman (Snellenberg) e Tromp; Loonen (De Jong)
Técnica: Linda Helbling
Competição continental: nenhuma
Copa nacional: eliminado pelo PSV, nas quartas de final
Artilheira: Lobke Loonen (atacante), com 14 gols
Quem deu mais passes para gol: Nikita Tromp (atacante), com 7 passes
Quem mais jogou: Femke Bastiaen (goleira), Joni Paliama (lateral) e Nikita Tromp (atacante), que jogaram todas as 22 partidas
Destaque: Lobke Loonen (atacante) 

Como sempre desde que entrou na disputa do Campeonato Holandês feminino, o Utrecht foi um time firme. Revelou pelo menos duas boas jogadoras - a zagueira Aline Weerelts e a meio-campista Rosalie Renfurm, ambas presentes na Holanda vice-campeã mundial sub-17, no ano passado. E contou com os gols de Lobke Loonen para sempre ficar no meio de tabela, extremamente estável, sem problemas nem mesmo com um 8 a 0 sofrido para o Ajax (9ª rodada). Trabalho de tanta constância fez com que a treinadora Linda Helbling ganhasse chance para a próxima temporada, contratada que foi para ser auxiliar técnica no campeão PSV. O problema é que a reta final foi de preocupações. Mesmo com uma vitória fora de casa sobre o Twente - 2 a 0, 19ª dada -, começaram as impressões de que a diretoria das Utregs reduziria bastante o investimento na equipe feminina. Impressões fortalecidas com o anúncio da transferência de Lobke Loonen para o Bayer Leverkusen e, pior, o anúncio de nove dispensas ao fim da temporada. As jogadoras cumpriram bem sua tarefa ao fim da temporada: duas vitórias nas duas últimas rodadas. Mas na última - 2 a 1 no HERA United, nos minutos finais, de virada -, deixaram recado: primeiro, lamentando as dispensas em perfil no Instagram, e depois, antes da partida, usando camisas com os dizeres irônicos "Nós não cabemos no orçamento". Projeto tão consistente assim merece sequência.

Hanna Huizenga foi o principal destaque de um Zwolle que se estabilizou de novo (Jeroen van den Berg/Soccrates/Getty Images)

6º - ZWOLLE

Campanha: 34 pontos (11 vitórias, 1 empate e 10 derrotas)
Time-base: Szymczak; Dijsselhof, Rutgers, Lindner, Kemper e Weiman; Kemper, Van de Velde e Jonsdottir (Roosjen); Iedema e Huizenga
Técnico: Gert Peter van de Gunst
Competição continental: nenhuma
Copa nacional: eliminado pelo Feyenoord, nas oitavas de final
Artilheira: Hanna Huizenga (atacante), com 9 gols
Quem deu mais passes para gol: Hanna Huizenga (atacante), com 5 passes
Quem mais jogou: Mayke Lindner (zagueira), Chihiro Ishida (meio-campista), Sophie van Vugt (meio-campista) e Hanna Huizenga (atacante), que jogaram todas as 22 partidas
Destaque: Hanna Huizenga (atacante)

Quando se mudou o técnico para esta temporada, após o mau trabalho de Jim Brinkhof na temporada 2024/25, a expectativa dos "Dedos Azuis" era que Gert Peter van de Gunst conduzisse a equipe de mulheres por águas mais tranquilas nesta temporada. Conseguiu. O Zwolle voltou a ficar numa posição tranquila durante boa parte da temporada: na verdade, só perdeu a quinta posição na última rodada. Também, pudera: teve pelo menos um tremendo resultado ao impor 7 a 1 no Ajax (contando com um dia de neve, é verdade). Contou com um bom ataque, tendo em Hanna Huizenga o grande destaque. No gol, a polonesa Oliwia Szymczak aproveitou bem o empréstimo junto ao Feyenoord. Enfim, as Zwollenaren superaram o solavanco da temporada passada, voltando a estar bem.

O Heerenveen teve problemas defensivos, mas os gols de Aymée Altena (foto) ajudaram o time a seguir estável (Jeroen van den Berg/Soccrates/Getty Images)

7º - HEERENVEEN

Campanha: 26 pontos (8 vitórias, 2 empates e 12 derrotas)
Time-base: Resink (Badenhop); Van Vilsteren, Meijer, Appelmann e Venema; De Haas e Nassette; Kroezen, Maass e Maatman; Altena
Técnico: Niklas Tarvajärvi
Competição continental: nenhuma
Copa nacional: eliminado pelo Utrecht, nas oitavas de final
Artilheira: Aymée Altena (atacante), com 10 gols
Quem deu mais passes para gol: Sterre Kroezen (meio-campista), com 6 passes
Quem mais jogou: Ana Nassette (zagueira), Fenna Meijer (zagueira), Sterre Kroezen (meio-campista) e Elfi Maass (meio-campista), que jogaram todas as 22 partidas
Destaque: Aymée Altena (atacante)

Esta certo que o time da Frísia já mostrou mais fragilidades defensivas: notável ver que se o Zwolle, sexto colocado, tomou 32 vezes a bola na rede, o Fean amargou isso por 51 vezes. Ainda assim, tendo em vista o início preocupante de temporada que fez (só duas vitórias nas dez primeiras rodadas), até que o Heerenveen contornou bem seus problemas - como, por exemplo, a lesão que tirou a goleira Jasmijn Resink de boa parte da temporada, com Brenda Badenhop a substituindo. Na reta final, até mesmo venceu o Feyenoord (2 a 1, 17ª rodada). E teve pelo menos dois destaques ofensivos - talvez três: se Sterre Kroezen justificou a contratação junto ao Zwolle, se Evi Maatman seguiu bem com a camisa alviazul das folhas de lírio, é correto citar que Aymée Altena - destaque da Holanda vice-campeã mundial sub-17 - confirmou-se como atacante promissora. Um toque de juventude num Heerenveen que conseguiu reagir, e espera ter mais segurança na próxima temporada.

O AZ contou com a confiança da veterana Desirée van Lunteren... e quase que só com ela (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

8 º - AZ

Campanha: 24 pontos (6 vitórias, 6 empates e 10 derrotas)
Time-base: Copier (Booms); Caprino (De Ridder), Woons, Stoop (Groot) e Mol; Van Uden (De Vette), Van Lunteren e Van Beijeren; Kroese, Ellouzi (Dessing) e Thomas
Técnico: Wouter de Vogel
Competição continental: nenhuma
Copa nacional: eliminado pelo PSV, nas semifinais
Artilheira: Desirée van Lunteren (meio-campista/atacante), com 16 gols
Quem deu mais passes para gol: Manique de Vette (meio-campista), com 5 passes
Quem mais jogou: Karlijn Woons (zagueira) e Fieke Kroese (atacante), que jogou todas as 21 partidas
Destaque: Desirée van Lunteren (atacante)

Pode um time que teve uma das goleadoras do campeonato decepcionar ao longo das 22 rodadas? Até que pode, no caso do AZ. Porque, se Desirée van Lunteren, aos 33 anos, parece voltar à melhor fase de sua carreira após retomá-la, não só liderando um time com muitas novatas como também sendo a principal artilheira que ele tem, é bem verdade que poderia contar com mais colegas despontando a seu lado. Bem que Jet van Beijeren, Fieke Kroese e a tunisiana Sabrine Ellouzi tentaram, mas faltou ao AZ depender menos de Van Lunteren (já fora da seleção holandesa, pela qual foi campeã europeia em 2017 e vice mundial em 2019). Tanto que as Alkmaarders só venceram, no returno, os rebaixados HERA United e NAC Breda. Precisarão melhorar na próxima temporada, por mais entrosado que seja o time, até porque a carreira de Van Lunteren não durará para sempre. Não é à toa que a ex-zagueira Stefanie van der Gragt, diretora de futebol feminino, descerá do gabinete para o campo: será a nova treinadora, em substituição a Wouter de Vogel.

Floortje Bol (em pé) ajudou o ADO Den Haag a se salvar, no instante final da temporada (Pim Waslander/Soccrates/Getty Images)

9º - ADO DEN HAAG

Campanha: 22 pontos (6 vitórias, 4 empates e 12 derrotas)
Time-base: Lorsheyd; Blom (Den Turk), Boussatta, Van Mierlo, Koeleman e Van den Ende; Mulder, Dupon e Sonoda (De Bondt/Henry); Bol e Van Egmond
Técnicos: Morten Glotzbach (até a 7ª rodada) e Sandra van Tol (a partir da 8ª rodada)
Competição continental: nenhuma
Copa nacional: eliminado pelo Twente, nas oitavas de final
Artilheira: Floortje Bol (atacante), com 9 gols
Quem deu mais passes para gol: Nienke Mulder (meio-campista), com 3 passes
Quem mais jogou: Barbara Lorsheyd (goleira) e Jet van Mierlo (zagueira), que jogaram todas as 22 partidas
Destaque: Floortje Bol (atacante)

Estava difícil. Pelo primeiro turno péssimo que fez, alternado entre a última e a penúltima posições, o Den Haag - clube tradicionalíssimo no futebol feminino da Holanda (Países Baixos), celeiro que foi de nomes como Sarina Wiegman - corria sérios riscos de rebaixamento. A operação de socorro começou rápido, com a troca de Morten Glotzbach (marido de Sarina, inevitável citar) por Sandra van Tol, primeiro interina, depois confirmada. E até que no segundo turno, o Den Haag melhorou. Meio na marra, mas melhorou. Mesmo em jogos com derrota, não se entregava sem luta, como nos 3 a 0 sofridos para o Ajax, na 12ª rodada. Algumas contratações, como a japonesa Yuna Sonoda, colaboraram. Com a defesa mais protegida com três zagueiras, os problemas foram amenizados. E o alívio, afinal, veio: com cinco vitórias nas últimas sete rodadas - destaque para o 1 a 0 no Twente, na 18ª rodada -, o Den Haag escapou do rebaixamento exatamente na última rodada. Terá calma para a reformulação que virá, comandada pelo novo técnico (se é que é novo, já que Sjaak Polak conhece bem o clube - Sandra van Tol auxiliará Corina Dekker no Twente), com as saídas de nomes históricos como a goleira Barbara Lorsheyd, 350 jogos pelo clube depois. O time de Haia escapou de boa, mas precisa reagir.

O HERA United bem que se esforçou, teve bons momentos, mas caiu na última rodada (HERA United/Divulgação)

10º - HERA UNITED

Campanha: 20 pontos (5 vitórias, 5 empates e 12 derrotas - rebaixado)
Time-base: Steen; Tiebie (Donker/Van de Pol), Stoop, Tanaka e Kopp (Daalman); Kleef e Kira (Berrevoets); Oudejans (Khanchouch), Kaagman e Vis (Hassani); Van Belen.
Técnico: Ed Engelkes
Competição continental: nenhuma
Copa nacional: eliminado pelo Twente, na semifinal
Artilheira: Jannette van Belen (atacante), com 7 gols
Quem deu mais passes para gol: Samya Hassani (atacante), com 3 passes
Quem mais jogou: Kelly Steen (goleira), que jogou todas as 22 partidas
Destaque: Jannette van Belen (atacante)

Uma bela história com triste fim: assim foi a temporada inicial do HERA United, o primeiro clube profissional da Holanda (Países Baixos) dedicado exclusivamente ao futebol feminino. Herdando o departamento feminino do Telstar demorou a embalar - até porque nem se sabia, quando a temporada começou, se o clube sediado em Amsterdã iria jogar como HERA United ou como Telstar. Primeiro nome assegurado, aos poucos os resultados apareceram. A primeira vitória (1 a 0 no ADO Den Haag, na 7ª rodada). A primeira surpresa - e que surpresa: vencer o Ajax em Amsterdã - 2 a 1, 13ª rodada, com Ina Booms como o grande destaque. Algumas contratações até ajudaram destaques como Jannette van Belen: a meio-campista Inessa Kaagman e a atacante Eline Oudejans vieram na virada de ano e logo se tornaram titulares. Só que, na reta final, uma sequência de quatro derrotas. Interrompidas por vitórias contra Heerenveen (2 a 1, 18ª rodada) e NAC Breda (3 a 1, 19ª rodada), que pareciam a salvação. Só que "retomadas" com três derrotas. A última delas, na última rodada, com virada sofrida nos últimos minutos (2 a 1 Utrecht, com gols sofridos aos 88' e aos 90'), foi lamentada com lágrimas: era o rebaixamento, já que o De Graafschap tinha sido campeão da segunda divisão. Pelo menos, o triste fim do começo não é bem um fim. O futebol sempre dá a chance de retomadas, e o HERA United está apenas começando.

O Excelsior caiu. E agora, Yara Helderman sai do campo e vai para o gabinete ajudar, como diretora, na reformulação ( Jeroen van den Berg/Soccrates /Getty Images)

11º - EXCELSIOR

Campanha: 8 pontos (2 vitórias, 2 empates e 18 derrotas - rebaixado)
Time-base: Van der Klooster; Burgers, Helderman, Westerink e Cherif; Balkhir e Van der Vlist; Martina, Homan e Van Spijk; Verheijen (Gomez)
Técnico: Mathijs Kreugel
Competição continental: nenhuma
Copa nacional: eliminado pelo Twente, nas quartas de final
Artilheira: Janneke Verheijen (atacante), com 4 gols
Quem deu mais passes para gol: June Burgers (lateral direita), Veerle van Spijk (atacante) e Naomi Hilhorst (atacante), todas com 2 passes
Quem mais jogou: June Burgers (lateral direita) e Isa Gomez (atacante), que jogaram todas as 22 partidas
Destaque: Mare Westerink (defensora)

Se antes mesmo do rebaixamento ser instituído no Campeonato Holandês de mulheres, o Excelsior já sofria, era previsível que o time de Roterdã fosse um sério ameaçado a ser rebaixado. Não faltou esforço para evitar sua sina, como nunca faltou nas Kralingers. Aqui e ali, a goleira Anouk van der Klooster fez boas defesas; Shi-jona Martina já é convocada pela seleção feminina de Curaçao; Janneke Verheijen e Isa Gomez foram atacantes dedicadas. Só que, com apenas uma vitória no returno (2 a 0, na 18ª rodada, no... NAC Breda, também rebaixado), ficava difícil esperar destino diferente de precisar jogar a Eerste Divisie, a segunda divisão dos Países Baixos. Caberá a um nome que sairá do campo para o gabinete - Yara Helderman, agora ex-zagueira, escolhida para dirigir o futebol feminino do Excelsior - ajudar na reformulação.

Brigitte Franken, o único destaque, bem que se esforçou. Mas o NAC Breda já começou a temporada como provável rebaixado. E o provável se realizou (Caroline van Leusden/EYE4images/NurPhoto/Getty Images)

12º - NAC BREDA

Campanha: 7 pontos (2 vitórias, 1 empates e 19 derrotas)
Time-base: De Haan; Heshof (Van den Burg), Heijblom (Van Houwelingen), Verhoef e Van Goch; Coelho Aurelio e Van der Vliet; Visser, Schneijderberg e Hendriks; Franken
Técnico: Jan de Hoon
Competição continental: nenhuma
Copa nacional: eliminado pelo HERA United, nas oitavas de final
Artilheira: July Schneijderberg (meio-campista), com 5 gols
Quem deu mais passes para gol: Yentl van Goch (lateral esquerda), Stephanie Coelho Aurélio (meio-campista), Emely van der Vliet (meio-campista), Brigitte Franken (atacante) e Indi van Dalen (atacante), todas com 2 passes
Quem mais jogou: Lynn Verhoef (zagueira), Kim Hendriks (meio-campista), July Schneijderberg (meio-campista) e Brigitte Franken (atacante), que jogaram todas as 22 partidas
Destaque: Brigitte Franken (atacante)

Poucos rebaixamentos eram tão previsíveis quanto o do time de Breda. Estreante na Eredivisie feminina, o clube aurinegro começou mostrando sérias dificuldades já nas primeiras temporadas. No ataque, dependia demais de Brigitte Franken, seu único destaque, por mais que nomes experientes em termos de Vrouwen Eredivisie lá estivessem, como Kim Hendriks e Yentl van Goch, tentando ajudar. Com tamanha dependência, não surpreendeu que as únicas vitórias viessem contra o também rebaixado Excelsior (2 a 1, 7ª rodada) e o ADO Den Haag, então ainda em dificuldades (1 a 0, 11ª rodada). Nem surpreendeu que se tratasse do pior ataque - 17 gols - e da pior defesa - 71 gols sofridos - de todo o campeonato. Nem que o returno tivesse sido só de derrotas. Muito menos que o técnico Jan de Hoon tenha tido sua saída anunciada ainda antes do fim do campeonato. A única coisa surpreendente foi positiva: a diretoria do clube fez questão de confirmar que o projeto de futebol feminino seguirá. Quem sabe, com a experiência ganha neste ano, a queda seja apenas um bate-e-volta.