O Campeonato Holandês feminino de futebol teve leves mudanças na forma. Sim, ele continua como uma liga. Mas agora, não mais com 12 times, como era até a temporada 2025/26: a Vrouwen Eredivisie que começa neste domingo (na televisão do Brasil, o N Sports exibirá os jogos do Ajax) contará com dez times, tentando estabelecer um sistema contínuo de acesso e descenso, até para aumentar o equilíbrio e a competitividade, ainda muito inferiores em relação a outras ligas pelo mundo. Isto começou na temporada passada, com três caindo (Excelsior, NAC Breda e HERA United foram os infelicitados da vez), para apenas um ser rebaixado a partir desta temporada. O que abre chances para que clubes holandeses desenvolvendo suas equipes de mulheres ganhem uma perspectiva de ascensão - que o digam, além do promovido De Graafschap, Groningen e Go Ahead Eagles, também montando seus times de mulheres, além do HERA United, primeiro clube profissional dos Países Baixos dedicado apenas ao futebol feminino.
Se a forma mudou um pouco, o conteúdo também. Afinal, entre os dez participantes do campeonato, AZ, Zwolle e Utrecht desenvolvem bom trabalho nas categorias de base, e o Feyenoord viveu um bom sinal de que seu projeto feminino é consistente, ao garantir vaga numa competição europeia pela primeira vez em sua história. Só que nada disso mudou a ponto de ameaçar o trio que monopoliza, temporada após temporada, a disputa do título: de novo, PSV, Ajax e Twente partem como os principais favoritos.
Claro que tal "monopólio" não é lá muito benéfico. Além do mais, a falta de equilíbrio ainda depõe demais contra a liga holandesa: não é à toa que Vivianne Miedema, um ícone da bola no pé entre as mulheres neerlandesas, vive a comentaa sobre a necessidade que as jogadoras de lá têm para sair rumo a centros mais competitivos, se o objetivo é se colocarem entre as melhores do mundo. Entretanto, se serve de consolo, cada vez mais isso acontece entre as holandesas. Basta citar dois exemplos: a zagueira Renée van Asten e a atacante Liv Pennock, que já foram sem escalas para o Barcelona campeão europeu, antes mesmo de completarem 20 anos. Basta evocar, também, os bons resultados holandeses na base feminina, ainda (quarta posição no Mundial sub-20 feminino de 2024, vice-campeonato mundial sub-17 no ano passado). E se as quatro grandes ligas europeias - Inglaterra, Espanha, Alemanha e França - já parecem estáveis, a Holanda tem tudo para se tornar um bom campeonato de "aclimatação" europeia a quem deseje jogar no Velho Continente, antes de um ambiente mais exigente e competitivo.
ADO Den Haag
Cidade: Haia
Equipe feminina fundada em: 2007
Estádio: Werktalent Stadion (capacidade para 15.000 torcedores), em Haia
Apelidos: Hagenaren (nome dado aos habitantes e nativos da cidade de Haia)
Títulos: 1 Campeonato Holandês (três Copas da Holanda)
Patrocínio: Girl Power Radio (webrádio)
Técnicos: Sjaak Polak
Destaque: Floortje Bol (atacante)
Fique de olho: Victoria Boerboom (meio-campista/atacante)
Principais chegadas: Brenda Badenhop (G, Heerenveen), June Burgers (D, Excelsior), [Deau den Turk (D, Ajax)], Tami Groenendijk (M/A, Utrecht), Elisha Kruize (A, Utrecht), Ilse van Walsem (A, Westerlo-BEL) e Romaïssa Boukakar (A, Heerenveen)
Principais saídas: Barbara Lorsheyd (G, encerrou a carreira), Bo Vonk (D, Ter Leede), Pleun Raaijmakers (D, encerrou a carreira), Jet van Mierlo (D/M, La Louvière-BEL), Jill van den Ende (D/M, Zwolle), Yuna Sonoda (M, dispensada), Gina Viehoff (A, dispensada) e Femke Prins (A, encerrou a carreira)
Temporada passada: 9º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento/terminar entre os seis primeiros
Legenda
[transferência em definitivo após empréstimo]
Depois de uma temporada tão turbulenta, com troca de treinadores e proximidade do rebaixamento durante todas as 22 rodadas, tudo que o ADO Den Haag quer para 2026/27 é sossego. Só que o clube de Haia precisou fazer algumas mudanças forçadas. Afinal de contas, a treinadora Sandra van Tol preferiu subir de nível na carreira, abrindo mão do comando para ser auxiliar de Corina Dekker no forte Twente. Então, restou aos Hagenaren irem atrás de um velho e exitoso conhecido: Sjaak Polak, comandante dos últimos bons momentos do time auriverde de mulheres, de volta após três anos. Polak terá de comandar uma equipe que perdeu pelo menos uma referência: a goleira Barbara Lorsheyd, de carreira encerrada após nove anos e 370 partidas pelo Den Haag. Pelo menos, os reforços são promissores. Para o ataque, Tami Groenendijk, Elisha Kruize e Romaïssa Boukakar podem qualificar tecnicamente um setor que já conta com Floortje Bol e Anne van Egmond, as destaques no difícil 2025/26. Mais atrás, a goleira Brenda Badenhop pode se desenvolver tecnicamente. Tudo para que o ADO Den Haag consiga a paz digna de um dos clubes mais tradicionais do futebol feminino holandês.
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| Katja Snoeijs tem um pouco mais de idade. E se somará a outras veteranas, mais algumas jovens já vividas em campo, para tentar fazer o Ajax sair do "quase" (Divulgação/ajax.nl) |
Ajax
Cidade: Amsterdã
Equipe feminina criada em: 2012
Estádio: De Toekomst (capacidade para 2.250 torcedores). Para jogos maiores, é usada a Johan Cruyff Arena (56.120 lugares), também em Amsterdã
Apelidos: Ajacieden (nome dado a torcedores e jogadores do clube); Amsterdammers
Títulos: 3 Campeonatos Holandeses (cinco Copas da Holanda)
Patrocínio: ABN-Amro (banco)
Técnica: Anouk Bruil
Destaque: Sherida Spitse (atacante)
Fique de olho: Lina Touzani (atacante)
Principais chegadas: Femke Liefting (G, Chelsea-ING), Anna Knol (D, Twente), Sari Kees (M, Leicester City-ING), Nadine Noordam (M, Brighton-ING), Kealyn Thomas (M/A, AZ) e Katja Snoeijs (A, Everton-ING)
Principais saídas: Regina van Eijk (G, Bayern de Munique-ALE), Jonna van de Velde (D, Hoffenheim-ALE), [Deau den Turk (D, ADO Den Haag)], Renée van Asten (D, Barcelona-ESP), Nayomi Buikema (M, Heerenveen), Danique Noordman (M/A, Juventus-ITA), Ilayah Dostmohamed (A, Feyenoord) e Danique Tolhoek (A, Eintracht Frankfurt-ALE)
Temporada passada: Vice-campeão
Copas europeias: Liga dos Campeões (enfrentará o Real Madrid-ESP, na terceira fase preliminar)
Objetivo: Título
Legenda
[transferência em definitivo após empréstimo]
Empréstimo
De novo, o Ajax começa perseguindo o título da liga feminina que busca há anos - chegou perto em 2025/26, mas perdeu fôlego nas rodadas finais, e foi menos eficiente do que o campeão PSV. Como seus habituais concorrentes à taça, também precisará se reformular, porque velhas conhecidas - Regina van Eijk, Danique Noordman, Danique Tolhoek, até mesmo a revelação Renée van Asten - deixaram o clube. Mas a diferença das Godenzonen em relação aos outros que disputarão a salva de prata das campeãs é de que, talvez, a reformulação já tenha começado implicitamente. Afinal de contas, já são frequentes entre as titulares Ajacieden jogadoras como as atacantes Xanne Kip (20 anos), Elisa van Dijk (16 anos - a mais jovem jogadora da história do time de mulheres de Amsterdã) e Lina Touzani (18 anos). Aliás, a atacante Ranneke Derks poderia estar entre elas, mas é perda dura antes mesmo da temporada começar, tendo sido outra vítima de rompimento do ligamento cruzado anterior num dos joelhos. Mesmo entre as contratadas do Ajax, há jogadoras jovens, como a goleira Femke Liefting (21 anos), emprestada para ganhar ritmo de jogo após lesões a atrapalharem em Chelsea e Newcastle. Só que também chegaram nomes experientes, como Nadine Noordam - de volta ao Ajax - e Katja Snoeijs - retornando à Holanda após passagens por França e Inglaterra -, para se somarem a outras veteranas, como Sherida Spitse e Joëlle Smits. É com esta mescla de jovens e veteranas, todas já experientes, que o Ajax espera, enfim, voltar a ser campeão holandês feminino.
AZ
Cidade: Alkmaar
Equipe feminina criada em: 2007, reativada em 2023
Estádio: AFAS Trainingscomplex/Sportcomplex Kalverhoek (Wijdewormer)
Apelidos: Alkmaarders
Títulos: 3 títulos holandeses (1 Copa da Holanda)
Patrocínio: Innova (empresa de energia)
Técnico: Joël Titaley/Stefanie van der Gragt
Destaque: Desirée van Lunteren (meio-campista)
Fique de olho: Donna Vos (atacante)
Principais chegadas: Amber Verspaget (D, Feyenoord) e Donna Vos (A, Jong PSV)
Principais saídas: Karlijn Woons (D, Twente), Kealyn Thomas (M/A, Ajax) e Fieke Kroese (A, De Graafschap)
Temporada passada: 8º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: Meio de tabela/vaga na Europa Cup
O AZ passou longe de fazer uma boa campanha, mas - justiça seja feita - também conseguiu manter os eventuais perigos de rebaixamento sob controle. Mesmo assim, chamou um pouco a atenção o anúncio precoce da saída do técnico Wouter de Vogel, antes mesmo que a temporada 2025/26 acabasse. Ficou a impressão de que a diretora do departamento feminino, Stefanie van der Gragt (em formação como treinadora, na UEFA), queria exercer influência um pouco além da conta no time de Alkmaar - quem sabe, até, acumulando o cargo de treinadora. Não foi bem assim, mas Joël Titaley, o treinador que chega - foi auxiliar no PSV nos anos recentes -, terá a ex-zagueira e diretora a seu lado no banco. Em campo, um time que perdeu, de titular, somente Karlijn Woons. Mas que precisa deixar de ser tão dependente de Desirée van Lunteren. Tarefa para ser acumulada entre novatas (Angel Harting, Donna Vos, Nikita Harting) e conhecidas (Sabrine Ellouzi, Jet van Beijeren, Manique de Vette). Disso dependerá o AZ para fazer temporada melhor.
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| O De Graafschap estreia na primeira divisão feminina - querendo ficar nela, graças às boas contratações que fez (Divulgação/degraafschap.nl) |
De Graafschap
Cidade: Doetinchem
Equipe feminina criada em: 2024
Estádio: De Vijverberg (capacidade para 12.600 torcedores)
Apelidos: Superboeren
Títulos: nenhum
Patrocínio: Trots Achterhoek (empresa de venda de produtos da região de Doetinchem)
Técnico: Timo Kleinhesselink
Destaque: Fieke Kroese (atacante)
Fique de olho: Samya Hassani (atacante)
Principais chegadas: Dionne van der Wal (G, HERA United), Gera op den Kelder (D, Utrecht), Lena Mahieu (M/D, Utrecht), Tabitha Heinsdijk (M, Utrecht), Samya Hassani (M, HERA United), Fieke Kroese (A, AZ) e Bente Jansen (A, Brisbane Roar-AUS)
Principais saídas: Lotte Jansen (D, Zulte Waregem-BEL), Bonny Lammers (A, Schalke 04-ALE), Sanne Peereboom (A, encerrou a carreira)
Temporada passada: Campeão da segunda divisão
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento
O clube de Doetinchem se tornou protagonista do novo sistema de acesso. Afinal de contas, se tornou campeão da segunda divisão feminina, ao vencer o time B do Ajax na decisão. Promovidas à elite após apenas dois anos com a equipe de mulheres, as Superboeren até se reforçaram bem para tentarem a permanência. Com a desaceleração do Utrecht, várias das dispensadas, como a volante Lena Mahieu, tomaram o rumo do clube alviazul. E a atacante Fieke Kroese tem condições de ser a referência técnica do time que estreia na Vrouwen Eredivisie. Estreia esperando não fazer o bate-e-volta para a segunda divisão.
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| Sterre Kroezen chegou para ajudar o Feyenoord a seguir a evolução notável da temporada passada (Divulgação/Feyenoord.nl) |
Feyenoord
Cidade: Roterdã
Equipe feminina fundada em: 2021
Estádio: Varkenoord (capacidade para 2.000 torcedores). Para jogos maiores, há o De Kuip (47.500 lugares)
Apelidos: Stadionclub (em holandês, "o clube do estádio" - referência a De Kuip, considerado o mais tradicional estádio do país); Feyenoorders; Rotterdammers
Títulos: nenhum
Patrocínio: Prijsvrij (agência de viagens)
Técnica: Marc Pieters
Destaque: Esmee de Graaf (atacante)
Fique de olho: Rio Sasaki (defensora)
Principais chegadas: [Oliwia Szymczak (G, Zwolle)], Joni Paliama (D, Utrecht), Avani Brandt (D, HB Køge-DIN), Rio Sasaki (D/M, Mynavi Sendai-JAP), Sterre Kroezen (M, Heerenveen), [Victoria "Tori" DellaPeruta (M, Fiorentina-ITA)] e Ilayah Dostmohamed (A, Ajax)
Principais saídas: Jacintha Weimar (G, Servette-SUI), Celainy Obispo (D, Hamburgo-ALE), Justine Brandau (D, Bayer Leverkusen-ALE), Amber Verspaget (D, AZ), Mao Itamura (M, Liverpool-ING), Sanne Koopman (M, St. Gallen-SUI), Talia DellaPeruta (M, fim de contrato) e Ella van Kerkhoven (A, Twente)
Temporada passada: 3º colocado
Copas europeias: Europa Cup (enfrentará o Anderlecht-BEL, na primeira fase)
Objetivo: Vaga na Europa Cup/título
Legenda
[retorno de empréstimo]
[transferência em definitivo após empréstimo]
O terceiro lugar no Campeonato Holandês feminino passado - rendendo vaga na Europa Cup desta temporada 2026/27, primeira participação da equipe de mulheres do Feyenoord numa competição europeia em sua história - parecia ser o "fim do começo", um auge, um ponto que o Stadionclub poderia usar para se catapultar no futebol feminino da Holanda (Países Baixos). Só que o anúncio da saída da técnica Jessica Torny (nome experiente no futebol holandês de mulheres) foi muito surpreendente. E, de certa forma, fez o clube de Roterdã dar alguns passos atrás. É certo que talvez algumas saídas dentro do grupo de jogadoras já fizessem isso: deixaram o clube a goleira Jacintha Weimar, a capitã Celainy Obispo, a experiente Justine Brandau, a goleadora Ella van Kerkhoven, e Mao Itamura, premiada como a melhor jogadora do campeonato passado. Mas a saída de Jessica simbolizou essa perda de terreno. Para tentar mantê-lo (e até ganhar mais), o técnico Marc Martens teve reforços, sim. E até capazes, em termos de Vrouwen Eredivisie, como a meio-campista Sterre Kroezen e a atacante Ilayah Dostmohammed. Alguns nomes úteis ficarão, como Kirsten van de Westeringh e Esmee de Graaf. E cabe ver se a defensora Rio Sasaki dará sequência à saudável tendência de japonesas encontrarem um porto seguro em Roterdã, como já fizeram Toko Koga, a citada Itamura, e fazem agora a defensora Akari Takeshige e a volante Kokona Iwasaki. Enfim, o Feyenoord tem condições de continuar evoluindo. Mas poderia estar até mais à frente...
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| Buikema passará a temporada emprestada de volta ao Heerenveen, tentando ajudar o clube a fazer outra temporada sem problemas (Divulgação/sc-heerenveen.nl) |
Heerenveen
Cidade: Heerenveen
Equipe feminina criada em: 2007
Estádio: Sportpark Skoatterwâld (capacidade para 3.000 torcedores). Para jogos maiores, é usado o Abe Lenstra (26.100 lugares)
Apelidos: Fean (corruptela de "Hearrenfean", nome do time no idioma frísio - falado na província de Frieslândia, onde fica a cidade de Heerenveen), Frísios, Time da Frísia, "De Superfriezen" ("os superfrísios")
Títulos: nenhum
Patrocínio: Moofpeople (empresa de pagamentos)
Técnico: Niklas Tarvajärvi
Destaque: Aymée Altena (atacante)
Fique de olho: Brigitte Franken (atacante)
Principais chegadas: Nayomi Buikema (M, Ajax), Veerle van Spijk (A, Excelsior) e Brigitte Franken (A, NAC Breda)
Principais saídas: Brenda Badenhop (G, ADO Den Haag), Fenna Meijer (D, Twente), Sterre Kroezen (M, Feyenoord), Romaïssa Boukakar (A, ADO Den Haag), Evi Maatman (A, Go Ahead Eagles) e Eef Kerkhof (A, Warbeyen-ALE)
Brasileiras no grupo de jogadoras: nenhuma
Temporada passada: 7º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: meio de tabela/escapar do rebaixamento
Se o objetivo do Heerenveen era escapar do rebaixamento em 2025/26, foi conseguido com êxito: a temporada do clube da Frísia na liga feminina foi bastante tranquila. A tal ponto que vários nomes atraíram a atenção de outros clubes, saindo nesta janela de transferências. Umas, como a goleira Brenda Badenhop e a atacante Romaïssa Boukakar, foram tentar ajudar o ADO Den Haag a alcançar a mesma tranquilidade que o Fean teve; outras, como a zagueira Fenna Meijer e a meio-campista Sterre Kroezen, rumaram para equipes mais competitivas. O problema é que o técnico finlandês Niklas Tarvajärvi ainda não teve muitos reforços. Só valem menção a meio-campista Nayomi Buikema, voltando ao Fean emprestada pelo Ajax para recuperar ritmo de jogo após lesão grave na temporada passada, e a atacante Brigitte Franken, talvez o único destaque do rebaixado NAC Breda. A ver se, ao lado de destaques como a talentosa atacante Aymée Altena, é suficiente para outra temporada sossegada.
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| A promissora meio-campista Renfurm é uma contratação para o entrosado time do PSV sonhar com o bicampeonato (Divulgação/PSV.nl) |
PSV
Cidade: Eindhoven
Equipe feminina criada em: 2012
Estádio: Sportcomplex De Herdgang (capacidade para 2.500 lugares). Para jogos maiores, é usado o Philips Stadion (35.000 lugares)
Apelidos: Boeren (em holandês, "fazendeiros" - referência ao grande número de fazendas e áreas verdes na região onde fica Eindhoven); Eindhovenaren (nativos de Eindhoven)
Títulos: 1 Campeonato Holandês (uma Copa da Holanda)
Patrocínio: Brainport Eindhoven (conglomerado formado por cinco empresas de Eindhoven)
Técnico: Kasper Kurland
Destaque: Liz Rijsbergen (atacante) e Chimera Ripa (atacante)
Fique de olho: Rosalie Renfurm (meio-campista)
Principais chegadas: [Lisan Alkemade (G, Slavia Praga-TCH)], Maud Rutgers (D, Zwolle), Julia Hickelsberger (M, Galatasaray-TUR), Rosalie Renfurm (M, Utrecht), Josefine Funch (M, Nordsjaelland-DIN) e Princess Marfo (A, Nordsjaelland-DIN)
Principais saídas: Moon Biegel-Esteves (G, Twente), Myrthe Kemper-Moorhees (D, encerrou a carreira), Nina Nijstad (M, Portland Thorns-EUA), Laura Strik (M, Servette-SUI), Riola Xhemaili (A, Como-ITA) e Renate Jansen (A, encerrou a carreira)
Temporada passada: Campeão
Copas europeias: Liga dos Campeões (enfrentará o HB Køge-DIN, na terceira fase classificatória)
Objetivo: Título
Enfim, depois de tanto investimento, tantas contratações, o PSV pôde comemorar o título do Campeonato Holandês feminino em 2025/26. "Unificando" conquistas com o time masculino, tricampeão em sua liga, a festa foi tanta em Eindhoven que a mudança de técnico - Roeland ten Berge deu lugar ao dinamarquês Kasper Kurland - foi recebida com tranquilidade. Assim como as saídas, até esperadas, de alguns destaques do time campeão: Nina Nijstad, Renate Jansen, Riola Xhemaili. Talvez isso tenha acontecido pelo natural relaxamento que um título traz. Talvez porque, mesmo com essas perdas, o PSV continua muito bem preparado e entrosado. A começar pela defesa: seguem lá a goleira belga Nicky Evrard, a lateral dinamarquesa Sara Thrige, a experiente zagueira Janice Cayman. Também continuam em Eindhoven outros tantos destaques da "espinha dorsal": Robine Lacroix, Chimera Ripa, Liz Rijsbergen. Shanice van de Sanden é o toque de experiência - Fenna Kalma, no ataque, poderia ser, não fosse outra vítima de rompimento de ligamento cruzado anterior num dos joelhos. E a meio-campista Rosalie Renfurm, recém-chegada, Bola de Bronze no Mundial Sub-17 feminino de 2025, é a promessa com todas as chances de virar realidade. Afinal de contas, nenhum time poderia ter clima melhor para o desenvolvimento de uma jovem do que o atual campeão. Que já começou vencendo a Supercopa da Holanda, abrindo a temporada. E tem todas as condições de ser bicampeão.
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| Ella van Kerkhoven vem de temporadas fazendo gols pelo Feyenoord. O Twente aposta nela para voltar a ser campeão, após o traumático fim de temporada 2025/26 (Divulgação/fctwente.nl) |
Twente
Cidade: Enschede
Equipe feminina criada em: 2007
Estádio: Het Sportpark Schreurserve (2.000 lugares). Para jogos maiores, é usado o De Grolsch Veste (30.000 lugares)
Apelidos: Tukkers (gíria para nativos do Twenthe, região da província de Overijssel onde fica a cidade de Enschede)
Títulos: 9 Campeonatos Holandeses (cinco Copas da Holanda, uma Supercopa da Holanda e duas BeNeLigas)
Patrocínio: Reggeborgh (fundo de investimentos)
Técnica: Corina Dekker
Destaque: Jill Roord (meio-campista/atacante)
Fique de olho: Ella van Kerkhoven (atacante)
Principais chegadas: Moon Biegel-Esteves (G, PSV), Karlijn Woons (D, AZ), Fenna Meijer (D, Heerenveen), Inessa Kaagman (M, HERA United), Marthe Munsterman (M, Utrecht), Nikita Tromp (A, Utrecht) e Ella van Kerkhoven (A, Feyenoord)
Principais saídas: Inge Tijink (G, Zwolle), Anna Knol (D, Ajax), Lieske Carleer (D, Wolfsburg-ALE), Alieke Tuin (D, RB Leipzig-ALE), Sophie te Brake (M/D, Ajax), Charlotte Hulst (A, RB Leipzig-ALE), Sophie Proost (A, Bayern de Munique-ALE) e Liv Pennock (A, Barcelona-ESP)
Temporada passada: 4º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: Título
Só perder o título, após o bicampeonato (2023/24 e 2024/25), já teria doído - o Twente até poderia ter buscado o tetra, mas é unanimidade que as lesões de Jill Roord e Lieske Carleer, nas rodadas finais, impactaram negativamente. Doeu ainda mais ficar sem nenhuma vaga em torneios europeus, para o maior campeão do futebol de mulheres na Holanda (Países Baixos). E as Tukkers entram para esta temporada sob uma reformulação até incomum nas temporadas recentes. Primeiro, porque, das jogadoras destacadas, só ficou a líder Jill Roord: saíram do Twente tanto as conhecidas Alieke Tuin e Lieske Carleer quanto as novatas Sophie Proost, Charlotte Hulst e Liv Pennock (esta foi para o Barcelona antes mesmo de ter uma sequência como titular). Segundo, porque as contratações foram um pouco mais humildes do que em anos recentes. O que não quer dizer que tenham sido ruins: Fenna Meijer é um bom ganho para o miolo de zaga, Inessa Kaagman é outro sinônimo de experiência (após a maternidade, Kaagman retomou plenamente a carreira), Nikita Tromp e Ella van Kerkhoven têm plenas condições de sustentarem a fama de time ofensivo que o Twente tem - ainda mais porque, por ora, Jaimy Ravensbergen, a goleadora do campeonato passado, segue por lá. O Twente pode até estar um pouco mais humilde, mas mantém condições de retomar o título.
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| Sam de Jong é uma rara remanescente, num Utrecht que terá de vencer o clima de desconfiança sobre sua capacidade de investimento no time feminino (Divulgação/fcutrecht.nl) |
Utrecht
Cidade: Utrecht
Equipe feminina criada em: 2023
Estádio: Sportcomplex Zoudenbalch (1.000 lugares). Para jogos maiores, é usado o De Galgenwaard (23.750 lugares)
Apelidos: Utregs
Títulos: nenhum
Patrocínio: T-Mobile (empresa de telefonia e comunicações)
Técnica: Sylvia Smit
Destaque: Sam de Jong (atacante)
Fique de olho: Esra Neter (defensora)
Principais chegadas: Kiki Heshof (D, NAC Breda), Ziva Henry (M, Feyenoord) e Moisa Verkuijl (M, Warbeyen-ALE)
Principais saídas: Joni Paliama (D, Feyenoord), Gera op den Kelder (D, De Graafschap), Lena Mahieu (M/D, De Graafschap), Tabitha Heinsdijk (M, De Graafschap), Rosalie Renfurm (M, PSV), Marthe Munsterman (M, Utrecht), Tami Groenendijk (M/A, ADO Den Haag), Elisha Kruize (A, ADO Den Haag) e Nikita Tromp (A, Twente)
Temporada passada: 5º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: meio de tabela/vaga na Europa Cup
Na preparação para o campeonato, as Utregs são protagonistas - indesejavelmente - do lado que mostra como o futebol feminino, embora respeitado, ainda tem muito o que evoluir na Holanda (Países Baixos). Na temporada passada, a massiva quantidade de dispensas anunciadas antes mesmo do fim do campeonato indicava queda brusca de investimentos do clube na sua equipe de mulheres. Queda até injustificada, para um clube que vinha tendo evolução consistente dentro da liga, até desafiando os favoritos. As jogadoras deixaram clara a insatisfação com a situação, ao vestirem antes da última rodada uma camiseta com a frase irônica "Wij passen niet in de budget" (em holandês, "nós não cabemos no orçamento"). O fato é que vários destaques - Rosalie Renfurm, Marthe Munsteman, Elisha Kruize, Nikita Tromp, a própria treinadora Linda Helbling - deixaram o Utrecht. E caberá à nova treinadora, Sylvia Smit (ex-jogadora de carreira respeitável na seleção feminina holandesa - como meia, Smit foi a 8ª jogadora com mais gols pelas Leoas Laranjas), tentar recompor o ânimo com os novos reforços, como a meio-campista Ziva Henry. Também caberá às remanescentes, como a atacante Rochelity Dap e a zagueira Aline Weerelts, se sobressaírem, para, quem sabe, o Utrecht conseguir evitar a queda de desempenho.
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| A ganesa Persis Oteng é a novidade no ataque do Zwolle, dependente demais de Hanna Huizenga, para tentar outra temporada estável (Divulgação/peczwolle.nl) |
Zwolle
Cidade: Zwolle
Equipe feminina criada em: 2010
Estádio: Sportpark De Vegtlust (2.000 lugares). Para jogos maiores, é usado o MAC³Park (13.250 torcedores)
Apelidos: Zwollenaren, Dedos Azuis (em holandês, "Blauwvingers")
Títulos: nenhum
Patrocínio: Zonneplan (fornecedora de energia sustentável)
Técnico: Gert Peter de Gunst
Destaque: Hanna Huizenga (atacante)
Fique de olho: Persis Oteng (atacante)
Principais chegadas: Inge Tijink (G, Twente), Mare Westerink (D, Excelsior), Aniek Janssen (D, PSV), Jill van den Ende (D/M, ADO Den Haag), Jill Diekman (M, Twente) e Persis Oteng (A, RB Leipzig-ALE)
Principais saídas: [Oliwia Szymczak (G, Feyenoord)], Ilse Kemper (D/M, Hoffenheim-ALE), Maud Rutgers (D, PSV), Senne van de Velde (M, dispensada), Ragnheidur Jónsdóttir (M/A, Valur Reykjavik-ISL), Lyanne Iedema (A, Groningen) e Britt Udink (A, encerrou a carreira)
Temporada passada: 6º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: ficar entre os seis primeiros/escapar do rebaixamento
[Retorno de empréstimo]
Depois de uma temporada até digna, na qual se restabeleceu como um time estável (e apropriado para jovens se desenvolverem), o Zwolle deverá passar por uma temporada mais oscilante em 2026/27. Várias das jogadoras que ajudaram na sexta colocação do campeonato passado deixaram as Zwollenaren, como a islandesa Jonsdóttir, a atacante Iedema e a experiente zagueira Rutgers. Pelo menos, o técnico Gert Peter de Gunst poderá contar com reforços igualmente vividos em termos de Vrouwen Eredivisie. A começar pelo gol, onde Inge Tijink está de volta para preencher a lacuna aberta pelo retorno da polonesa Oliwia Szymczak ao Feyenoord. Em outras posições, Jill van den Ende e Jill Diekman, vindas da reserva de seus respectivos clubes anteriores, poderão ter mais ritmo e sequência de jogo. E a ganesa Persis Oteng é uma aposta no ataque, para tentar deixar menos sobrecarregada Hanna Huizenga. Se ela fizer gols na mesma proporção da temporada passada, quem sabe o Zwolle consiga outra temporada tranquila no meio da tabela.













