domingo, 12 de julho de 2026

A Holanda na Copa 2026: a análise sobre quem jogou

A foto da Holanda (Países Baixos) posada antes do jogo da eliminação na Copa do Mundo de 2026, contra Marrocos: a Laranja viveu de altos e baixos no Mundial, mas as más escolhas levaram a uma saída precoce (KNVB Media/Divulgação)

Já se passaram 13 dias desde que Ismael Saibari converteu a última cobrança de Marrocos, na série de chutes da marca do pênalti, fez 3 a 2 na série e decretou que a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) estava eliminada da Copa do Mundo de 2026 já nos 16-avos de final, a pior campanha da Laranja desde 2006. De certa forma, o abatimento pela queda precoce segue, já que a federação não se mexeu rapidamente - e nem dá sinais disso - para uma escolha criteriosa de técnico, como Alemanha e Portugal, também já eliminadas, fizeram tão logo foram vítimas das eliminações.

Então as quatro partidas da Laranja nos Estados Unidos não resultaram em nada? Em alguns momentos, resultaram, claro. Por incrível que possa parecer, nos quatro jogos da Laranja, houve jogadores correspondendo às expectativas, nomes que cresceram, sinais de que há possibilidade de crescimento para os próximos anos. O problema é que quase todos esses sinais foram eclipsados por escolhas erradas, por fragilidades vistas - e sinalizadas antes -, por convocações que se revelaram ruins na Copa, até mesmo pela crença distorcida, e vista nas últimas Copas com participação dos Países Baixos, de que o pragmatismo a qualquer custo levará às vitórias. Claro, não é nem nunca foi assim. Enquanto isso, França, Espanha e Inglaterra, semifinalistas na Euro 2024 como a Laranja foi, voltam à mesma fase na Copa de 2026. Mais do que isso: indicam que estão numa plataforma diferente dos neerlandeses.

E enquanto os holandeses ainda lambem suas feridas, com a incômoda sensação de que elas doerão por mais tempo, é hora de falar de como foram, ou não foram, os 26 convocados da Laranja nesta Copa do Mundo.
Antes da Copa, ainda havia certas desconfianças quanto a Verbruggen. O goleiro as minimizou com sua participação: agora, é titular absoluto da Holanda (Países Baixos) (Joe Buvid/ISI Photos/ISI Photos/Getty Images)

GOLEIROS

1-Bart Verbruggen (4 jogos, 5 gols sofridos): mesmo já vindo como titular da Laranja havia quase três anos, com uma Euro no currículo, Verbruggen ainda atraía certas desconfianças sobre sua segurança. Havia quem achasse - com alguns motivos - que Robin Roefs, mesmo jovem, já poderia ser titular. Além do mais, no amistoso derradeiro antes da estreia, contra o Uzbequistão, uma lesão no quadril fez com que sua preparação fosse encurtada nos treinos em Kansas City. E no 2 a 2 contra o Japão, finalmente, houve quem achasse que o camisa 1 da Laranja poderia ter ido melhor nos dois gols, principalmente no segundo, em que tentou rebater insuficientemente o cabeceio de Daichi Kamada. Pois Verbruggen já começou a minimizar essas desconfianças contra a Suécia: mesmo com a goleada holandesa por 5 a 1, algumas defesas dele impediram que os suecos colocassem dificuldades na vitória. Contudo, mesmo essa atuação já boa na fase de grupos ficou abaixo do que o arqueiro fez contra o Marrocos. Escanteios desviados, saídas providenciais de gol, reflexos em dia: Verbruggen mostrou tudo nos 16-avos de final, e coroou isso com a intervenção no chute à queima-roupa de Soufiane Rahimi, já na prorrogação, na pequena área, das melhores defesas desta Copa. Teve azar nos pênaltis - uma cobrança já tinha sido defendida, mas bateu no seu calcanhar e entrou. Mas se serve de consolo para a eliminação, Verbruggen deixou claro: atualmente, a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) tem um goleiro titular absoluto. E é ele.  

23-Mark Flekken: não jogou

13-Robin Roefs: não jogou

LATERAIS
 
22-Denzel Dumfries (4 jogos): impossível dizer que Dumfries brilhou nesta Copa: o lateral direito da camisa 22 teve lá suas dificuldades de marcação, principalmente, contra Japão e Marrocos. Além do mais, foi menos decisivo em sua segunda Copa do que foi, em alguns momentos de 2022. O que não quer dizer que Dumfries não ajudou. Como esperado, quando teve espaço para atacar, o ala pela destra teve sua marca em bons momentos holandeses nesta Copa. Contra a Suécia, cruzou a bola para um dos gols de Brian Brobbey nos 5 a 1, acelerou contra-ataques, enfim, foi a "válvula de escape" de que a Laranja tanto se beneficia. Além do mais, no decorrer da Copa - já após a eliminação holandesa - se confirmou a transferência dele para o Real Madrid, considerada um "prêmio" para um jogador de dedicação inquestionável em campo. Em suma: se Dumfries ainda quiser a seleção holandesa nos próximos tempos, tem seu espaço mantido. Até porque se considera que ele poderia ganhar a braçadeira de capitão, se Van Dijk deixar a Laranja.

12-Mats Wieffer: não jogou

15-Micky van de Ven (3 jogos): não adiantavam as críticas e alertas sobre Van de Ven ser um zagueiro de origem. Era como lateral esquerdo que ele vinha jogando nos últimos anos pela Laranja, e seria como lateral esquerdo que ele estaria nesta Copa do Mundo. Pois ele também teve suas dificuldades: se Jan Paul van Hecke, de quem se falará daqui a pouco, tinha de trabalhar tanto, era pelos espaços que Van de Ven deixava na esquerda. Certo, sua velocidade o ajudava a recompor rapidamente para defender. Mas nem sempre isso aconteceu. A prova foi contra o Marrocos, com Van de Ven costumeiramente superado por Achraf Hakimi, que criou muitos lances perigosos. Com a possível saída de cena de Nathan Aké, em termos de seleção, quem sabe Van de Ven - que continua convocável - possa atuar em sua posição original.

25-Jorrel Hato (1 jogo): o jovem lateral esquerdo teve sua convocação contestada aqui e ali, mas não causou prejuízos que trouxessem mais críticas. Nem foi o diferencial, justiça seja feita: afinal de contas, Hato só jogou 34 minutos nesta Copa. Tendo entrado aos 41 minutos do segundo tempo dos 90 minutos regulamentares contra Marrocos, não decepcionou, mas não resolveu muito os problemas da Laranja que lhe envolveram na partida da eliminação. Pela pouca idade, segue no radar das convocações holandesas, salvo problemas que ocorram.

Van Hecke foi outro nome a consolidar seu espaço na Laranja, no pouco tempo dela nesta Copa (BSR Agency/Getty Images)

ZAGUEIROS

4-Virgil van Dijk (4 jogos, 1 gol): até que o capitão da Holanda (Países Baixos) apareceu mais do que em 2022. Mas, como na primeira Copa de sua carreira, Van Dijk também teve altos e baixos. Os altos foram mais altos: para começo de conversa, o zagueiro marcou gol, abrindo o placar contra o Japão, além de ter sido o líder esperado para a equipe, em campo - tanto que, na fase de grupos, era apontado como um dos melhores zagueiros da Copa. Porém, os baixos foram tristemente previsíveis: cada vez mais lento, Virgil teve dificuldades ao conter adversários mais velozes, como se viu contra o Japão, ou até mesmo contra a Suécia (no gol de honra na goleada neerlandesa por 5 a 1, Anthony Elanga passou facilmente pelo camisa 4). Teve dificuldades até, vejam só, pelo alto, como se notou no gol de empate do Japão... e no ponto final, uma baixa, quando foi desatento na marcação e permitiu que Issa Diop, vindo de trás, cabeceasse para empatar nos acréscimos do tempo normal a partida dos 16-avos de final para Marrocos. Sem condições físicas - tinha cãibras -, Van Dijk também precisou deixar de lado a cobrança dos pênaltis, no jogo da eliminação. E por mais que tenha se esforçado, por mais que tenha mantido o respeito merecido que tem, talvez tenha chegado ao fim de seu caminho vestindo laranja.

6-Jan Paul van Hecke (4 jogos, 1 gol): não é só por causa da transferência para o Tottenham, confirmada durante a Copa, que Van Hecke fica do lado dos (poucos) holandeses que se saíram bem e têm boas perspectivas para o pós-Copa. Sem perder nenhum minuto da Laranja na Copa, como o colega de defesa Virgil van Dijk, o zagueiro da camisa 6 mostrou vitalidade. Mostrou esforço - e até foi vítima dele: que o digam o hematoma abaixo do olho com que ficou após o empate com o Japão, ou mesmo ter sofrido um corte na cabeça, ainda no primeiro tempo contra Marrocos. Van Hecke mostrou até capacidade para marcar gols - contra a Tunísia, fez seu primeiro pela Laranja na Copa, justo num momento de relativa tensão (os tunisianos tinham acabado de diminuir o placar para 3 a 1). Tudo isso foi reconhecido com seu nome muito presente entre os melhores zagueiros da fase de grupos da Copa. A eliminação precoce pôs um fim nisso, mas com a segurança mostrada em campo, o zagueiro também surge como um forte candidato a titular para os tempos que virão.

5-Nathan Aké (3 jogos): Se em 2022, Aké deu sequência à boa fase que vivia então no Manchester City com boas atuações na Copa do Mundo, agora ele... fez a mesma coisa, mas num cenário mais discreto da carreira. Já na reserva do City, perto da saída - afinal confirmada, dias após a eliminação holandesa, com a ida para o Fenerbahçe também anunciada -, Aké começou a Copa na reserva. E contra o Japão, teve dificuldades ao entrar, a nove minutos do fim: sem conseguir frear a velocidade de Kento Shiogai e Yukinari Sugawara, acabou recuando mais e mais, simbolizando uma Holanda que ficou mais defensiva e foi punida com o empate. Já contra a Tunísia, Aké começou como titular (Van de Ven foi poupado, para não ficar "pendurado" com o cartão amarelo que tinha), e não comprometeu. Contra Marrocos, surpreendentemente escalado para um trio de zagueiros, também passou em branco, sem grandes falhas, mas sem conseguir deter os marroquinos em campo. Enfim, se foi destaque há quatro anos, Aké sai da Copa discretamente agora. Assim como em seu clube.

2-Lutsharel Geertruida: não jogou

De Jong teve atuações oscilantes na Copa do Mundo, mas até que terminou bem. E tem tudo para liderar a seleção holandesa (Joe Buvid/ISI Photos/ISI Photos via Getty Images)

MEIO-CAMPISTAS

21-Frenkie de Jong (4 jogos): eis um nome da Laranja que teve atuações controversas durante a Copa. Na estreia contra o Japão, o camisa 21 nem jogou tão mal assim, mas torcida e imprensa consideraram De Jong defensivo e lento demais - talvez reflexo do empate tardio do Japão. O jogador ficou insatisfeito, até mesmo devolveu as críticas ("Há gente que vê o jogo, mas não enxerga nada"), mas por fim, respondeu como se devia: em campo. Contra a Suécia, fez o que melhor sabe: controlou a saída de bola da Holanda (Países Baixos), acelerou o jogo com passes precisos, enfim, foi um dos melhores em campo nos 59 minutos que atuou. O problema é que a substituição até precoce sinalizou problemas físicos. Vistos novamente contra a Tunísia, quando De Jong, mesmo após outra boa atuação, ficou 72 minutos em campo. Especula-se que ele tenha jogado com dores no joelho, mas nada confirmado. Certo mesmo, só o fato de que, sabedora de que o meio-campista era um dos que mais controlavam o jogo da Holanda, a seleção de Marrocos procurou anulá-lo na segunda fase. E conseguiu: De Jong saiu já com a prorrogação em andamento - foram 110 minutos em campo -, sem se destacar tanto quanto na fase de grupos. Ainda assim, as críticas que começavam foram aplacadas. De Jong deve ter seu papel de líder até mais preponderante nos próximos anos.

14-Tijjani Reijnders (3 jogos): Reijnders saiu desta Copa podendo ser considerado uma vítima - mais pela partida em que não atuou, a bem da verdade. Na fase de grupos, começando todas as partidas da Holanda (Países Baixos) como titular, o camisa 14 oscilou mais do que se esperava. Até ajudava no toque de bola, mas não conseguia avançar ao ataque como costuma fazer, precisando se focar mais na ajuda à marcação, que não é seu forte. Resultado: o meio-campista ficou sem se destacar muito na fase de grupos, nem contra Japão, nem contra Suécia, nem contra Tunísia, substituído nas três partidas, embora tivesse lá sua utilidade, mantendo a posse de bola e cadenciando mais o ritmo quando necessário. Porém, com a citada falta de destaque e a preocupação em não tomar gols, Ronald Koeman fez de Reijnders uma "vítima" algo exagerada: não só o tirou do jogo contra Marrocos, como o deixou no banco pelos 120 minutos de bola rolando, como um espectador. E aí, até que Reijnders saiu "ganhando", se é que é possível numa eliminação. Porque saiu como "vítima", como um nome com quem as coisas da Laranja dentro de campo poderiam ter sido menos defensivas, menos medrosas. Sai com seu espaço na seleção mantido, mesmo que sua Copa tenha sido mediana.

8-Ryan Gravenberch (4 jogos): Dos três meio-campistas titulares habituais da Holanda (Países Baixos), Gravenberch foi quem mais mudou seu nível de jogo no decorrer da participação neerlandesa na Copa. E mudou para melhor. O crescimento holandês no empate com o Japão foi creditado à aparição maior do camisa 8 no segundo tempo - que o diga sua ótima jogada no gol de Crysencio Summerville, tirando dois japoneses da jogada com um só drible. De certa forma, quando tinha espaço, Gravenberch fazia o que se esperava que Tijjani Reijnders fizesse até mais: acelerava as jogadas, dava bom ritmo ao ataque da Laranja. Bem marcado contra Marrocos, rendeu pouco, até por isso sendo substituído. Mas, na primeira Copa de sua carreira (e no primeiro torneio em que teve importância real pela Laranja - foi reserva na Euro 2024), Gravenberch ocupou bem seu espaço.

20-Teun Koopmeiners (4 jogos): e não é que Koopmeiners, de atuações relativamente desinteressantes na passagem pela Juventus, ajudou um pouquinho a Laranja? Pelo menos, foi ele o meio-campista preferencial para as substituições de Ronald Koeman: jamais começou como titular, mas sempre entrou. E foi útil quando seus pontos positivos foram potencializados, coisa que não aconteceu na estreia contra o Japão: substituindo um Crysencio Summerville que vinha muito bem, Koopmeiners reduziu o ritmo de jogo, e possibilitou que os nipônicos começassem a pressionar mais no ataque, até conquistarem o empate. Porém, em contextos mais favoráveis, contra Suécia e Tunísia, o camisa 20 conseguiu manter a ajuda e até trazer auxílio, nas faltas e pênaltis que cobra tão bem. Contra Marrocos, ao vir a campo no lugar de Aké, até mesmo tornou o time menos defensivo, como era altamente necessário. De quebra, converteu sua cobrança na série de chutes. "Koop" não chegou a fazer boa Copa, mas foi mais útil do que se esperava.

7-Justin Kluivert (2 jogos): ao correr contra o tempo para se recuperar de uma lesão e ir à Copa do Mundo, o choro de Justin - defendendo o Bournemouth-ING na partida da volta, com o pai Patrick a assisti-lo - parecia um final feliz de um capítulo, quem sabe para abrir outro de possibilidade de ajuda no decorrer da Copa do Mundo. Não foi. O meio-campista até veio a campo em dois jogos, contra Tunísia e Marrocos. No entanto, ao entrar nos 3 a 1 frente aos tunisianos, a vitória da Laranja já estava encaminhada. E no tenso 1 a 1 contra os marroquinos, ao vir a campo já aos 113', no lugar de um Cody Gakpo esgotado, a intenção era que Kluivert fosse incluído entre os cobradores na disputa da marca do pênalti. Até foi. Mas mandou seu chute, que poderia ampliar uma vantagem nascente da Holanda (Países Baixos), na trave. Se o capítulo da tentativa de ir à Copa foi feliz, o de disputá-la teve um triste fim.

26-Quinten Timber (2 jogos): impossível dizer que a Laranja teve um "vilão" nesta sua participação na Copa do Mundo. Mas Quinten Timber sai da primeira Copa de sua carreira com poucas razões para se lembrar bem dela. A primeira razão saiu antes mesmo da bola rolar em Estados Unidos/México/Canadá: o corte de seu irmão Jurriën Timber, sem condições de se recuperar plenamente de problemas na virilha, inviabilizando que a Laranja tivesse irmãos gêmeos numa mesma Copa, após 28 anos. As segundas vieram em campo. Timber saiu do banco contra Japão (aos 70', substituindo Reijnders) e Marrocos (aos 86', no lugar de Gravenberch), com a ideia de poder ajudar a conter os adversários no meio-campo, mantendo a posse de bola. Nos dois casos, ideia frustrada, com o empate nos acréscimos. Para piorar, contra Marrocos, Timber perdeu sua cobrança, na decisão que acarretou a eliminação. Somente uma sequência poderá deixar as más lembranças para trás. Agora, de preferência, com o irmão Jurriën ao lado.

16-Guus Til (1 jogo): Til foi outro nome que "jogou, mas não jogou". Ao pé da letra, nesta Copa do Mundo, o meio-campo entrou aos 14 minutos do segundo tempo da goleada contra a Suécia. Mas não só não chamou a atenção, apenas cumprindo seu papel tático, como os 31 minutos em campo naquela partida foram seus únicos minutos jogando no Mundial. A ver como Til segue na Laranja, quando outro técnico chegar. Ajudará se a boa fase no PSV seguir.

3-Marten de Roon (1 jogo): o próprio meio-campista comemorou a convocação para a segunda Copa de sua carreira com certa surpresa: afinal de contas, De Roon já não aparecia defendendo a Laranja havia mais de dois anos. Pela experiência e pela disposição para ajudar, ele poderia ser útil, e foi com esse pensamento que Ronald Koeman o incluiu entre os 26 da Copa. Mas De Roon não ajudou muito. Antes mesmo do Mundial começar, a má entrada no amistoso de preparação contra a Argélia o colocou sob foco de algumas críticas. Copa iniciada, o meio-campo só saiu do banco para substituir Frenkie de Jong, nos dez minutos finais da prorrogação contra Marrocos. Sem conseguir tirar em campo o ar de surpresa que ficou por sua convocação.

Summerville era aposta de Ronald Koeman para a Copa do Mundo. Aposta plenamente paga: o atacante foi bem quase sempre que jogou, e nem mesmo a cobrança perdida na eliminação tirou a boa impressão (Stefan Koops/EYE4IMAGES/NurPhoto/Getty Images)

ATACANTES

11-Cody Gakpo (4 jogos, 3 gols): foi até engraçado. Do jeito como começou a Copa, sem empolgar contra o Japão - foi bem marcado, e suas tentativas individuais pela esquerda só trouxeram perigo no segundo tempo -, parecia que Gakpo seria coadjuvante, com a reação de Brian Brobbey, a confirmação de Crysencio Summerville e as expectativas existentes sobre Donyell Malen. Nada mais apressado... já contra a Suécia, o camisa 11 relembrou como cresce em torneios grandes usando a camisa laranja. Teve espaço para driblar, teve precisão para finalizar, teve dois gols marcados na goleada por 5 a 1, reafirmou o seu destaque na seleção. A evolução, porém, sofreu o mais cruel dos golpes, vindo no âmbito privado: a perda de Elijah Rafael, o segundo filho que sua companheira, Noa, esperava, a dois dias do jogo contra Marrocos. Talvez por isso, mais provavelmente pela inanição a que o ataque holandês foi forçado na partida de sua eliminação, Gakpo teve atuação mediana. Mas na única chance que lhe surgiu para finalizar, ele fez o gol holandês - e protagonizou uma das cenas mais emocionantes da Copa, sendo abraçado e acarinhado por todo o grupo de convocados da Laranja, indo às lágrimas. Só não ficou 120 minutos em campo pelas cãibras que o esgotaram completamente, forçando a substituição por Justin Kluivert. Ainda assim, ainda com tanto drama, ficou claro: se não é craque, Cody Gakpo é dos mais importantes jogadores que a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) tem na atualidade. Mais do que isso: com seis gols pela Laranja em Mundiais, está só um abaixo do recordista no quesito, Johnny Rep. Quem duvida que, se nada de errado ocorrer, Gakpo tem condições de buscar o recorde em 2030 - e como um líder da Laranja?

19-Brian Brobbey (4 jogos, 3 gols): com as condições habituais de Cody Gakpo, a história de Memphis Depay, o esforço de Wout Weghorst, Brian Brobbey conseguiria cavar seu espaço na Laranja nesta Copa do Mundo? Nada levava a crer que sim, até porque sua entrada contra o Japão, para os cinco minutos finais, foi anônima. Mas na segunda partida, contra a Suécia... já com Donyell Malen alvo de desconfianças pelo que não fizera contra os japoneses, Brobbey teve a chance de começar jogando. Melhor não poderia ser: em 17 minutos de primeiro tempo, a Holanda (Países Baixos) tinha 2 a 0 no placar, com os dois gols dele, se mexendo na área, sendo veloz, pressionando os marcadores, sendo enfim a referência de área que tanto se esperava desde seu surgimento no Ajax. Atuação tão surpreendentemente boa lhe garantiu nova titularidade, contra a Tunísia - e nela, novamente Brobbey garantiu seu gol, além de ter ajudado até no primeiro gol (sua pressão sobre Ellyes Skhiri fez com que o tunisiano se precipitasse e desviasse contra o próprio patrimônio). Sua atuação contra Marrocos foi prejudicada pela própria postura defensiva da Laranja, e Brobbey foi substituído. Mas nem isso tirou a impressão de que, mais do que os gols, a Copa foi importante para que o atacante recuperasse seu espaço, se consolidasse como uma real opção de ataque dos Países Baixos. A ver se isso será confirmado na sequência, porque agora Brobbey terá a expectativa que tanto buscou.

24-Crysencio Summerville (4 jogos, 2 gols): Tratava-se do grande candidato a revelação que a Laranja trazia para esta Copa. Vale lembrar, agora: mesmo sendo desfalque nos amistosos de março, por estar machucado, Summerville teve a convocação para a Copa praticamente assegurada por Ronald Koeman. Ela veio, de fato, e o atacante já começou a causar boa impressão nos amistosos contra Argélia e Uzbequistão, embora também perdesse muitos gols. Nada que certas conversas e certos trabalhos com Ruud van Nistelrooy, auxiliar técnico - e exímio atacante em tempos idos - não ajudasse. A consequência, "Cry" mostrou quando mais importava: na Copa. Ajudou a Laranja a melhorar no segundo tempo da estreia contra o Japão, coroando a melhora com o seu gol. No segundo jogo, contra a Suécia, ainda começou na reserva, mas bastou vir a campo no intervalo para impulsionar vários contra-ataques holandeses, coroados com o seu gol, que fechou a goleada por 5 a 1. E nem precisou brilhar tanto nos 3 a 1 contra a Tunísia, nos quais também veio do banco (aí, por cautela: estava com um cartão amarelo), para confirmar o acerto de Koeman ao convocá-lo. Contra Marrocos, mesmo na eliminação, Summerville se esforçou: era o único jogador a trazer alguma chance de contra-ataques rápidos, passou para o gol de Cody Gakpo, nem mesmo a cobrança perdida na série de chutes da marca do pênalti apagou a impressão de que há mais reservado para ele, em termos de seleção. Summerville fez por merecer: é outro nome holandês que sai bem da Copa.

10-Memphis Depay (3 jogos): a certa altura de sua entrada na estreia holandesa na Copa, contra o Japão, substituindo Donyell Malen, Memphis recebeu um lançamento alto. Em condições normais, poderia aproveitá-lo e criar uma chance. Porém, ainda voltando de lesão na panturrilha, Memphis recolheu a perna, e a bola se perdeu. De certa forma, o lance simbolizou o que foi a participação discretíssima do camisa 10 no terceiro Mundial de sua carreira. Ainda voltando da lesão, ainda sem garantir a confiança de Ronald Koeman, Memphis servia mais como uma opção para a reta final das partidas, estivessem elas como estivessem, do que um nome que poderia mudar a cara holandesa. Às vezes, deu certo: na goleada contra a Suécia, Depay se integrou relativamente bem, e até deu passe para o segundo gol de Crysencio Summerville. Noutras, deu errado: contra a Tunísia, vindo a campo no lugar de Brobbey para os 13 minutos finais, o atacante foi mais gozado por torcida e imprensa, pela tentativa infrutífera de um voleio. E no momento final, por mais que pudesse ajudar na cobrança de pênaltis, passar os 120 minutos contra Marrocos no banco deu o sinal da falta de confiança de Ronald Koeman na (falta de) intensidade que o atacante poderia oferecer, mesmo sendo o maior goleador que a Laranja tem em 121 anos de história. Mais coadjuvante do que poderia desejar em sua terceira Copa, Memphis até pode seguir sua trajetória na Laranja. Mas será difícil.

18-Donyell Malen (3 jogos): Vindo de (metade de) temporada fulgurante na Roma - agora é difícil lembrar, mas Malen se tornou vice-goleador do Campeonato Italiano passado em apenas cinco meses -, Malen atraía expectativa grande antes da Copa começar. Até pela falta de condições físicas de Memphis Depay, recaiu sobre ele a responsabilidade de ser o titular no meio da área, no trio de atacantes da Holanda (Países Baixos). Condições técnicas para isso, Malen tinha e mostrava em campo. Até os amistosos de preparação... tanto na derrota para a Argélia quanto na vitória sobre o Uzbequistão, Malen já começou a falhar nas finalizações, perdendo muitas chances de gol. A desconfiança já aumentou, mas não era nada que uma boa estreia na Copa não resolvesse. Só que não resolveu, porque Malen seguiu desperdiçando possibilidades contra o Japão, e já foi substituído por Brian Brobbey aos 70'. Na segunda rodada da fase de grupos, uma mudança de posicionamento poderia ajudá-lo, com o deslocamento para a ponta direita. Mas Malen perdeu outras chances de gol, viu Brian Brobbey marcar dois, saiu no intervalo, viu o substituto Crysencio Summerville (que já marcara na estreia) fazer mais um gol... e ali a paciência com Malen baixou bastante. E se acabou definitivamente após os 3 a 1 contra a Tunísia, quando ele novamente saiu sem gols, com Brobbey marcando mais um. De novo decepcionando num grande torneio, o camisa 18 da Laranja certamente seguirá sendo convocado. Mas agora, terá de recuperar todo o crédito que ganhara no primeiro semestre.

17-Noa Lang (2 jogos): Na Copa de 2022, a primeira de sua carreira, Lang apareceu pouco: só veio a campo para os sete minutos finais da prorrogação contra a Argentina, nas quartas de final. E nesta segunda Copa, o atacante também foi opção muito periférica (aliás, literalmente): mesmo sendo opção pelos lados, Noa Lang viu Crysencio Summerville aproveitar bem suas chances, Cody Gakpo melhorar com a pequena sequência... e ficou para trás. Contra a Suécia, veio a campo apenas nos acréscimos, substituindo Gakpo; e mesmo contra a Tunísia, adversário mais fraco, Lang jogou apenas os últimos seis minutos regulamentares, também no lugar de Gakpo. Nada mais fez na Copa, e nem se fez valer como opção nos treinos. A ver se o retorno ao Napoli, após o empréstimo ao Galatasaray, o faz se mobilizar. Está precisando. A concorrência na Laranja aumentou.

9-Wout Weghorst (1 jogo): ah, se ele fosse técnico... isso é o que vários holandeses pensaram (pensam, ainda, de certa forma) sobre Weghorst, porque já se sabia antes da Copa que o atacante é menos técnico, mas tem um esforço indubitável dentro de campo. Até por isso, mesmo perdendo espaço para Brian Brobbey ou Donyell Malen, o veterano atacante era considerado um dos mais esforçados em treinos da Holanda (Países Baixos) - chegava até a correr após os trabalhos com o grupo. De certa forma, sua única entrada em campo na Copa do Mundo confirmou isso. Vindo a campo no lugar de Brian Brobbey para ser o pivô e ajudar um ataque absolutamente inativo contra Marrocos até aquele momento, Weghorst participou da jogada do gol da Laranja em seu primeiro ato em campo, desviando a bola para Crysencio Summerville conduzir a jogada. Na hora da disputa da marca do pênalti, assim como fizera contra a Argentina em 2022, Weghorst converteu sua cobrança. E até com a eliminação consumada, o seu choro deixou claro como sua dedicação o fez merecedor da convocação. Já aos 34 anos, com a transferência para o Twente assegurada durante a Copa, Weghorst deve sair da seleção. Mas sai de cabeça erguida, com a torcida pensando "ah, se ele fosse técnico"... porque dedicação nunca lhe faltou.

As escolhas de Ronald Koeman fizeram a Laranja ter altos e baixos na Copa. Mas o último capítulo foi de baixos: o exagero defensivista contra Marrocos fez com que o técnico saísse da seleção sob muitas críticas (Alex Pantling/FIFA/Getty Images)

Ronald Koeman (técnico)

Antes mesmo da Copa começar, a convocação de Ronald Koeman já causou polêmicas: foram altamente questionadas escolhas como deixar Jeremie Frimpong de fora, em detrimento de Mats Wieffer, para a lateral direita (Wieffer, meio-campo de origem, tem jogado assim no Brighton), ou mesmo a surpreendente convocação de Marten de Roon. As atuações apagadas nos dois amistosos de preparação - tanto na derrota por 1 a 0 para a Argélia quanto na vitória por 2 a 1 sobre o Uzbequistão - aumentaram a pressão. As escolhas de Koeman ditariam como esta Copa seria lembrada na Holanda (Países Baixos). E o começo não foi dos melhores para o técnico: contra o Japão, a Laranja vinha bem, tinha até chances do terceiro gol, mas se considerou que as entradas de Brian Brobbey e Memphis Depay tiraram chances de contra-ataque, e as de Nathan Aké e Teun Koopmeiners exageraram o recuo defensivo, fazendo o Japão buscar o 2 a 2 que terminou conquistando. Koeman reagiu contra a Suécia: a escolha de Brian Brobbey como atacante de área deu muito certo, Crysencio Summerville também veio bem da reserva, e os 5 a 1 restabeleceram a paz - mantida com os 3 a 1 na Tunísia já previamente eliminada. Porém, tinham sido quatro gols sofridos durante a fase de grupos. Diante de Marrocos, o exigente adversário dos 16-avos de final, Koeman quis tomar cuidados, algo até recomendável. Mas exagerou no remédio: colocar um time com três zagueiros, esquema com que a Laranja não era escalada desde março de 2024, num amistoso contra a Alemanha. Pior: não deu certo. Nem a defesa impedia a superioridade marroquina no ataque, e nem os contra-ataques eram frequentes, pois raramente Summerville e Gakpo tinham a bola, já que o meio-campo estava totalmente neutralizado. As escolhas erradas foram punidas com a eliminação. E Koeman anunciou sua saída da seleção, no dia seguinte, sem vencer nenhuma equipe entre as 25 primeiras colocadas do ranking da FIFA, com a pesarosa impressão de ter feito uma segunda passagem bem pior do que a primeira. 

terça-feira, 30 de junho de 2026

Antes de ser, já era (ou: tradição enferrujada)

Antes mesmo da Copa do Mundo ficar mais competitiva, a Holanda (Países Baixos) já está fora. E está fora de uma maneira constrangida: ao longo dos 16-avos de final, indiretamente assumiu sua inferioridade em relação a Marrocos (Robin van Lonkhuijzen/ANP/Getty Images)

Neste prolongamento da fase de grupos que é a segunda fase (16-avos de final), novidade desta Copa do Mundo masculina com 48 seleções, a impressão que fica é que uma eliminação separa as seleções capazes das incapazes de crescer no decorrer do Mundial. E a seleção masculina da Holanda (Países Baixos), antes de ser uma candidata realmente forte, já era. Já está destinada a voltar à terra natal, eliminada por Marrocos. E eliminada de um jeito que deixa claro, dentro de tanta contestação às seleções europeias: enquanto equipes nacionais do Velho Continente, como Portugal e Croácia, cresceram, e seleções de outros continentes se afirmam mais e mais (Marrocos, um dos países-sedes da Copa de 2030, que o diga), a Laranja fica apegada à tradição e às lembranças de 1974, de 1998, de grandes participações em Copas, cada vez mais enferrujadas por um pragmatismo tosco. Na verdade, beirando a covardia, como se assumisse a inferioridade ao adversário.

A decisão de colocar Nathan Aké como um "falso volante" (na prática, um terceiro zagueiro, com Tijjani Reijnders e Donyell Malen indo para o banco) deixou claro o tamanho da preocupação holandesa em evitar os contra-golpes marroquinos, com Brahim Díaz lançando para Ismael Saibari finalizar. E até que deu certo: os cruzamentos marroquinos eram infrutíferos, como um de Achraf Hakimi, aos 5', para fora. Contido o ataque dos "Leões do Atlas", a questão era aproveitar as pouquíssimas chances que viriam, com o meio-campo totalmente neutralizado. A única tentativa holandesa, aos 16', foi inválida: Crysencio Summerville passou a Brian Brobbey, que chutou para fora - mas Summerville estava impedido.

Se não deu nos lançamentos longos para Marrocos, quase deu nas bolas paradas. Só o goleiro Bart Verbruggen impediu o 1 a 0 adversário em Monterrey, aos 20', quando Azzedine Ounahi cabeceou - e na sequência, também mandou para fora a bola, após chute de Hakimi. Sem conseguir dominar o meio-campo, sem fazer a bola chegar ao ataque, a Laranja sofria. Só deu sinal de vida para tentar o gol aos 37', num desvio de Denzel Dumfries para fora, e aos 43', num chute de Micky van de Ven de fora da área, e para fora. Contudo, o respiro acabou nos acréscimos do 1º tempo. Primeiro, no único erro holandês que levou a contragolpe adversário, com Azzedine Ounahi finalizando para fora. Depois, com Saibari desviando levemente falta de Hakimi, para fora. A pressão era gigante, em campo e nas arquibancadas, com os marroquinos deixando claro que a "micareta laranja" era do estádio para fora.

Se já era gigante, a pressão ficou, talvez, algo acima disso logo que o segundo tempo começou. Nem tanto no chute de Ayyoub Bouaddi, para fora, aos 48'. Mas sim no chute de Hakimi que mandou a bola no travessão, aos 52'. No arremate de Bilal El Khannouss que Verbruggen pegou, aos 58'. E principalmente, aos 62', quando um desvio acidental de Dumfries em escanteio só não foi às redes porque Verbruggen estava atento e afastou. Tudo isso, sem contar as interceptações em momentos cruciais, como Micky van de Ven fez com Hakimi aos 56', e Van Dijk com Saibari, aos 61'.

O gol de Gakpo, alívio após o gigantesco drama pessoal, poderia ter sido o símbolo de uma vitória superando várias adversidades. Mas... (Martín Fonseca/Eurasia Sport Images/Getty Images)

A Holanda não tinha saída para o contra-ataque, não ficava com a bola, nada. Até para melhorar isso, Teun Koopmeiners e Wout Weghorst vieram a campo. Mas aos 72', antes mesmo de agirem, imediatamente depois da pausa para hidratação, Summerville enfim teve espaço para correr, além da bola nos pés. Chegou à grande área e foi derrubado, mas ainda conseguiu desviar a bola para que Cody Gakpo fizesse um dos gols mais marcantes da Copa até aqui, caindo em justas lágrimas com a lembrança de Elijah, filho que a companheira Noa perdeu na semana passada. O esforço holandês era inegável, como mostrava a comemoração de Van Dijk num desarme de Saibari, aos 85'. Só que a fragilidade defensiva holandesa fazia crer que, uma hora, a Laranja não aguentaria. E não aguentou: com apenas 20 segundos passados do tempo regulamentar, um cruzamento, e o zagueiro Issa Diop fez o gol pelo qual Marrocos lutou tanto.

E Marrocos seguiu lutando bem mais pelo gol na prorrogação que se seguiu. Porém, de jeito mais cadenciado e menos intenso do que nos 90 minutos. Ainda assim, se houve uma única chance de gol nos 30 minutos extras, ela foi dos "Leões do Atlas". E Soufiane Rahimi só não fez o gol da virada porque Verbruggen fez uma das grandes defesas da Copa do Mundo. Só que a Holanda voltava a atuar temerariamente, até porque nenhuma das alterações teve sucesso. Quinten Timber não protegeu bem o meio-campo, Jorrel Hato não ajudou muito a marcação na esquerda, Marten de Roon foi menos esforçado do que Frenkie de Jong, Justin Kluivert entrou para substituir um esgotado Gakpo. Restava confiar que, nas cobranças da marca do pênalti, fosse tudo diferente.

A Holanda perdeu, Verbruggen ganhou: o goleiro da Laranja fez excelentes defesas. Mesmo com o azar numa das cobranças, se consolidou (Cesar Gomez/Jam Media/Getty Images)

Do jeito como começou, com Koopmeiners convertendo seu chute e Neil El Aynaoui mandando a bola no travessão, parecia que seria diferente. Mas vieram as sucessivas cobranças desperdiçadas: Justin Kluivert, Quinten Timber, Summerville... e a Holanda, antes de ser qualquer coisa nesta Copa do Mundo, já era. E enquanto outras seleções europeias - e de outros continentes - crescem historicamente nos últimos anos, a Laranja se apega a uma tradição cada vez mais enferrujada.

COPA DO MUNDO FIFA 2026 - 16-AVOS DE FINAL (SEGUNDA FASE)

Holanda 1x1 Marrocos - Marrocos 3x2 nos pênaltis

Data: 29 de junho de 2026
Local: Estádio de Monterrey/Estadio BBVA (Monterrey, México)
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (Brasil)
Gols: Cody Gakpo, aos 72', e Issa Diop, aos 90' + 1
Ordem dos pênaltis: Koopmeiners (1 a 0), El Aynaoui (no travessão, 1 a 0), Justin Kluivert (na trave, 1 a 0), Rahimi (1 a 1), Weghorst (2 a 1), Taibi (2 a 2), Quinten Timber (2 a 2, para fora), Hakimi (2 a 2, na trave), Summerville (2 a 2, Bono pegou) e Saibari (3 a 2)

HOLANDA
Bart Verbruggen; Denzel Dumfries, Jan Paul van Hecke, Virgil van Dijk, Micky van de Ven (Jorrel Hato, aos 86') e Nathan Aké (Teun Koopmeiners, aos 70'); Ryan Gravenberch (Quinten Timber, aos 86'), Frenkie de Jong (Marten de Roon, aos 110') e Cody Gakpo (Justin Kluivert, aos 113'); Crysencio Summerville e Brian Brobbey (Wout Weghorst, aos 70'). Técnico: Ronald Koeman

MARROCOS
Yassine "Bono" Bounou; Issa Diop, Chadi Riad (Anass Salah-Eddine, aos 75') e Noussair Mazraoui; Achraf Hakimi, Neil El Aynaoui, Ayyoub Bouaddi (Samir El Mourabet, aos 79') e Bilal El Khannouss (Chemsdine Taibi, aos 86'); Brahim Díaz (Gessime Yassine, aos 79') e Azzedine Ounahi Soufiane Rahimi, aos 86'); Ismael Saibari. Técnico: Mohamed Ouahbi

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Uma última facilidade

A seleção da Holanda (Países Baixos) teve poucos sustos, e dominou a Tunísia como se esperava. Vitória tranquila, antes do desafio grande contra Marrocos, nos 16-avos de final da Copa do Mundo (Robin van Lonkhuijzen/ANP/Getty Images)

A seleção masculina da Holanda (Países Baixos) já estava tranquila antes mesmo da bola rolar, nesta última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. Estava praticamente classificada para os 16-avos de final, com os quatro pontos que já tinha. Enfrentaria a Tunísia, alquebrada por problemas dentro e fora de campo, já eliminada previamente. Facilitou ainda mais sua tarefa ao abrir vantagem precoce, como já fizera contra a Suécia. E conseguiu terminar o grupo F ainda tranquila, na liderança, com vitória por 3 a 1, com certo "respiro" para consertar os problemas que precisam de arrumação até a próxima segunda-feira, quando a exigência será bem maior. Primeiro, por já ser jogo eliminatório na Copa. Segundo, porque o adversário é altamente capacitado para causar problemas: Marrocos.

Quando Ismael Gharbi recebeu a bola, em cruzamento rasteiro, e finalizou para fora, por cima do gol, aos 3', pareceu que a lentidão insistente holandesa no recuo para contra-ataques adversários anteciparia esses problemas. Mas só pareceu, porque no minuto seguinte, a rapidez da Laranja em ataques fez outra vítima - e nem foi necessário finalizar: Donyell Malen ajeitou, Denzel Dumfries cruzou, e antes que a bola chegasse a Brian Brobbey, Ellyes Skhiri desviou e cometeu gol contra. Mais quatro minutos, e outro gol, surgido de bola parada - Tijjani Reijnders cobrou falta, Virgil van Dijk ajeitou de cabeça, e Brobbey arrematou firme para o 2 a 0. Tranquilidade muito bem vinda para a Laranja.

Até porque, fragilizada, a Tunísia só trouxe perigo relativo aos 12', num cabeceio de Anis Ben Slimane. No mais, as possibilidades maiores de gol foram neerlandesas. Só poderiam ter sido melhor aproveitadas: o gol só esteve perto, de verdade, aos 19' (Reijnders tentou, após lançamento de Dumfries, e o goleiro Aymen Dahmen espalmou para escanteio), aos 28' (Malen - outra má atuação, sem conseguir superar a marcação -, arrematou para fora, após escanteio) e aos 41' (Reijnders deixou Cody Gakpo em boas condições para finalizar, mas Dahmen desviou a bola e impediu que o atacante holandês o driblasse).

De novo colaborando com gol (além de estar na jogada do gol contra de Skhiri que abriu o placar), Brian Brobbey cada vez mais atrai confiança (Richard Pelham/Getty Images)

Não, os Países Baixos não sofriam, nem mesmo após a pausa para hidratação. Mas tantas chances perdidas voltaram a trazer desconforto no começo do segundo tempo, pior momento neerlandês no gramado do estádio Arrowhead. Porque, se Brobbey e Dumfries tentaram aos 51', a Tunísia teve espaço para tentar avançar, com a bola nos pés, aos 53'. Foi quando Yan Valery avançou, chutou, a bola foi bloqueada para escanteio... e na cobrança da sequência, Hazem Mastouri (titular nesta quinta) subiu sozinho para cabecear e diminuir a vantagem holandesa. Que estava segura, mas precisava de cuidados, até porque o Japão saíra na frente do placar contra a Suécia - e, com mais um gol, ou mesmo com o empate tunisiano, "empurraria" a Laranja para o segundo lugar, com o Brasil a esperar nos 16-avos de final.

Contudo, essa complicação foi mitigada quando a Holanda "pagou na mesma moeda", aos 62': escanteio cobrado por Reijnders, e Jan Paul van Hecke desviou de cabeça - Ben Slimane tentou afastar, sem sucesso -, para fazer seu primeiro gol com a camisa da seleção. A partir dali, a Tunísia estava abatida: só teve chances em chutes de fora, com Mastouri, aos 65', e Hannibal Mejbri, aos 76', ambos defendidos por Verbruggen. Mais soltos, os holandeses cresceram, até. Reijnders teve a chance de minimizar sua frágil atuação defensiva ao finalizar com toque sutil, por cobertura, aos 66', mandando a bola no travessão (na sequência, Dumfries perdeu a chance em cabeceio). Aos 78', Van Dijk quase fez de cabeça - Dahmen pegou. Até mesmo Memphis Depay, ainda retomando o ritmo de jogo, quase marcou em estiloso voleio.

Momentos relaxados, numa vitória holandesa previsivelmente tranquila. Uma última facilidade, antes do desafio gigante que a espera com Marrocos, adversário da próxima segunda-feira.

COPA DO MUNDO FIFA 2026 - GRUPO F

Holanda 3x1 Tunísia

Data: 25 de junho de 2026
Local: Kansas City Stadium/Arrowhead Stadium (Kansas City, Missouri)
Árbitra: Katia García (México)
Gols: Ellyes Skhiri (contra), aos 3', Brian Brobbey, aos 7', Hazem Mastouri, aos 54', e Jan Paul van Hecke, aos 62'

HOLANDA
Bart Verbruggen; Denzel Dumfries, Virgil van Dijk, Jan Paul van Hecke e Nathan Aké; Ryan Gravenberch, Tijjani Reijnders (Justin Kluivert, aos 72') e Frenkie de Jong (Teun Koopmeiners, aos 72'); Donyell Malen (Crysencio Summerville, aos 72'), Brian Brobbey (Memphis Depay, aos 77') e Cody Gakpo (Noa Lang, aos 84'). Técnico: Ronald Koeman

TUNÍSIA
Aymen Dahmen; Yan Valery, Montassar Talbi, Rani Khedira (Mohamed Hadj Mahmoud, aos 67'), Mohamed Amine Ben Hmida (Mortadha Ben Ouanes, aos 67') e Ali Abdi; Anis Ben Slimane  (Elias Achouri, aos 67'), Ellyes Skhiri, Hannibal Mejbri e Ismael Gharbi (Firas Chaouat, aos 76'); Hazem Mastouri (Sebastian Tounekti, aos 90'). Técnico: Hervé Renard

sábado, 20 de junho de 2026

Um dia bestial e eficiente

Brobbey (camisa 19) foi uma mudança de Ronald Koeman que, desta vez, deu certo. E o ataque holandês aproveitou as chances para a goleada contra a Suécia, que motiva de vez para a Copa (Julian Finney/FIFA/Getty Images)

Oto Glória (1917-1986), técnico brasileiro de sucesso aqui e em Portugal - foi o treinador do terceiro lugar dos Tugas em 1966, estreia portuguesa em Copas -, tinha uma frase até conhecida no meio do futebol: "Técnico, quando ganha, é um bestial [em Portugal, gíria para "genial"]; quando perde, é uma besta". Ronald Koeman viveu seu dia de "besta", após a estreia da Holanda (Países Baixos) na Copa do Mundo, domingo passado: suas alterações foram consideradas dramáticas para a queda holandesa e o empate sofrido contra o Japão. Pois Koeman fez mais algumas mudanças para o jogo contra a Suécia, neste sábado. Elas deram muito certo, desta vez, tornando-o "bestial" no dia. E com a eficiência que o ataque da Laranja teve, veio a goleada por 5 a 1 que motiva os neerlandeses para o resto da Copa.

Se a escalação de Brian Brobbey causou certa surpresa quando ela foi anunciada, bastaram cinco minutos de bola rolando para ela se justificar: o atacante fez o gol precoce, participando de jogada encaixada (ajeitou no meio-campo, Tijjani Reijnders lançou, Cody Gakpo cruzou da esquerda e o camisa 19 alcançou para o complemento na pequena área). Claro, logo na saída de bola, os suecos "lembraram" do perigo que poderiam trazer - Viktor Gyökeres recebeu a bola na área, se virou finalizando, e o goleiro Bart Verbruggen espalmou. Mas o começo era o melhor possível para a Laranja.

E continuou assim por vários minutos. Com Frenkie de Jong dominando o meio-campo, sem muitas chances perdidas, as chances de gol apareceram. Um cabeceio fraco de Ryan Gravenberch aos 11' (o goleiro Kristoffer Nordfeldt pegou), um chute prensado de Reijnders para fora aos 15'... mas uma delas virou bola na rede, como se buscava. Aos 17', Donyell Malen ajeitou a bola, Denzel Dumfries cruzou da direita, e Brobbey, novamente, desviou para as redes. O 2 a 0 simbolizava bem o domínio holandês em Houston. Até a pausa para hidratação...

Até que a Suécia atacou. Mas quando ela o fez, Verbruggen estava a postos para boas defesas (Molly Darlington/Getty Images)

Na volta, com algumas mudanças táticas, os suecos passaram a ter mais a bola. E a criarem mais chances. A primeira dlas, séria, aos 33': Alexander Isak passou, e Gyökeres finalizou fraco, com Verbruggen pegando firme. Minutos depois, aos 37', Gabriel Gudmundsson lançou, Gyökeres novamente bateu, e Verbruggen rebateu. Chance holandesa, só aos 40' - e uma ótima chance, com Donyell Malen chutando cruzado para fora após De Jong roubar a bola. De resto, os suecos deixavam claro o crescimento, em lances como o chute de Yasin Ayari (evoluiu bem no 1º tempo) aos 41'. Aos 44', quando Gustaf Lagerbielke só não teve seu gol validado por impedimento. E nos acréscimos, Gyökeres forçou Verbruggen a trabalhar seguidamente, aos 45' + 3, em falta espalmada, e aos 45' + 4, passando para Ayari finalizar e o goleiro holandês rebater.
 
A Laranja precisava mudar. Mudou, com Crysencio Summerville vindo a campo no lugar de Malen. E os resultados vieram com apenas dois minutos de bola rolando na etapa final: o camisa 24, pela direita, ajeitou para Denzel Dumfries cruzar, a bola bateu em Cody Gakpo, e era o 3 a 0 para tranquilizar as coisas laranjas. Só restou aos suecos tentarem novamente o ataque. Porém, aos 54', uma bola perdida perto do ataque abriu o campo para o contra-ataque neerlandês. O resultado foi o desejado: Summerville ajeitou, Gakpo dominou, trouxe a bola da esquerda para o meio, chutou rasteiro, Países Baixos 4 a 0.

Summerville veio a campo depois do intervalo. E ajudou a Laranja a garantir de vez a vitória (Ronaldo Schemidt/AFP/Getty Images)

A Suécia mudou imediatamente depois, com três nomes vindo a campo para acelerar o ataque. E um deles conseguiu o gol: Anthony Elanga, aos 59', aproveitando passe de Isak e acelerando a jogada até chegar à área e tocar na saída de Verbruggen. E Elanga seguiu com boa atuação - tendo pelo menos um excelente drible em Micky van de Ven. Mas foi só, diante de uma Laranja que já tinha o placar sob controle e nunca deixava a Suécia à vontade. Quando os suecos tentavam, logo havia quem impedisse - como Verbruggen impediu novamente, aos 84', em ótima defesa num arremate colocado de Isak. E para completar o bom dia, Summerville conseguiu marcar o quinto gol, com velocidade no contra-ataque, como tem jogado.

Na entrevista pós-jogo, Virgil van Dijk repetiu uma frase já dita após os 2 a 2 contra o Japão: "Agora, é continuar". E agora, num tom bem mais aliviado. Graças à grande eficiência do ataque holandês, e ao dia "bestial" do técnico.

COPA DO MUNDO FIFA 2026 - GRUPO F

Holanda 5x1 Suécia

Data: 20 de junho de 2026
Local: Houston Stadium/NRG Stadium (Houston, Texas)
Árbitro: Michael Oliver (Inglaterra)
Gols: Brian Brobbey, aos 5' e aos 17', Cody Gakpo, aos 47' e aos 54', Anthony Elanga, aos 59', e Crysencio Summerville, aos 89'

HOLANDA
Bart Verbruggen; Denzel Dumfries, Virgil van Dijk, Jan Paul van Hecke e Micky van de Ven; Ryan Gravenberch, Tijjani Reijnders (Guus Til, aos 59') e Frenkie de Jong (Teun Koopmeiners, aos 59'); Donyell Malen (Crysencio Summerville, aos 46'), Brian Brobbey (Memphis Depay, aos 72') e Cody Gakpo (Noa Lang, aos 90' + 2). Técnico: Ronald Koeman

SUÉCIA
Kristoffer Nordfeldt; Alexander Bernhardsson (Antony Elanga, aos 55'), Gustav Lagerbielke, Isak Hien, Victor Nilsson Lindelöf e Gabriel Gudmundsson (Elliot Stroud, aos 90' + 3); Benjamin Nygrén (Lucas Bergvall, aos 55'), Jesper Karlstrom (Besfort Zeneli, aos 55') e Yasin Ayari (Taha Ali, aos 78'); Alexander Isak e Viktor Gyökeres. Técnico: Graham Potter

domingo, 14 de junho de 2026

Se mudar, estraga

Na equilibrada estreia na Copa, contra o Japão, a Holanda mostrou capacidade técnica, evoluiu e chegou a ter a vantagem. Mas as mudanças do técnico Ronald Koeman deram errado, e o castigo foi duro, com o empate japonês (Jose Breton/Pics Action/NurPhoto/Getty Images)

O empate por 2 a 2 com o Japão, marcando a estreia da Holanda (Países Baixos) nesta Copa do Mundo, pode ser visto de duas maneiras. Há o lado positivo: ao contrário das preocupações que os amistosos trouxeram, a Laranja cresceu em ambiente competitivo, melhorou, até fez por merecer a vitória. Mas há o lado negativo visto no estádio de Dallas (mais precisamente, de Arlington, subúrbio): ele está focado nas alterações do técnico Ronald Koeman, que tiraram a velocidade neerlandesa e permitiram que o Japão crescesse na reta final, até o empate que conquistou.

Como se pensava, a Laranja começou tendo mais a bola nos pés. Mas como não se pensava, a primeira chance veio rapidamente: Cody Gakpo fez sua jogada habitual pela esquerda aos 3', passou a Donyell Malen, e este só não fez o gol pela excepcional defesa de Zion Suzuki. Além do mais, a equipe neerlandesa logo impôs seu ritmo: não tinha muito espaço para atacar, mas também não dava espaço para os temidos e velozes contragolpes do Japão. Que no início, só teve qualquer coisa parecida com uma oportunidade de gol aos 15', quando Shogo Taniguchi avançou e cruzou, e Daizen Maeda (opção nova no ataque) desviou para fora, acossado por Jan Paul van Hecke. Ou aos 27', quando Hiroki Ito, outro defensor a ter avançado, aproveitou um chute e mandou muito acima do gol.

Só que os holandeses só voltariam a chegar perto do gol aos 30', sem muito perigo (cabeceio desajeitado de Denzel Dumfries). O perigo veio, sim, aos 34': num escanteio, Malen cabeceou e Suzuki rebateu - na sequência da jogada, ainda, Tijjani Reijnders mandou a bola para fora. Aos 36', a chance poderia ter sido perigosa, mas Gakpo escorregou na hora de finalizar, errando a meta. O Japão se continha, ficava nos contra-ataques... mas só ficou perto do gol quando "cortou caminho", com lançamentos longos. Foi assim aos 43', quando Daichi Kamada cruzou, e Keito Nakamura dominou bem, mas chutou para fora. Ou aos 45': a bola saiu dos pés de Taniguchi, chegou a Ayase Ueda, mas o atacante finalizou na rede pelo lado de fora. As duas seleções se protegiam bastante. Faltava alguma ser mais aguda em campo.

Summerville e Gravenberch (de frente) foram responsáveis por fazerem a Holanda crescer de produção no segundo tempo. Poderiam ter ficado em campo... (Jose Breton/Pics Action/NurPhoto/Getty Images)

A Holanda decidiu ser isso, tão logo o segundo tempo começou. Com menos de um minuto de segundo tempo, Summerville tentou uma jogada, cruzou a bola para a área, mas ninguém finalizou. Virgil van Dijk fez isso, da melhor maneira possível para os holandeses: aos 50', Ryan Gravenberch cruzou, e o capitão da Laranja cabeceou para o primeiro gol dela nesta Copa do Mundo. Claro que o Japão teria mais espaço e obrigação para atacar, e também não demorou muito para empatar: já aos 57', com a bola circulando perto da defesa holandesa, Nakamura bateu de média distância, a bola desviou em Daizen Maeda (ou terá sido em Van Hecke?), e o 1 a 1 japonês estava garantido.

De todo modo, mesmo com o empate, a Laranja seguiu calma, sem se abalar. Gravenberch, especialmente, seguia como desafogo na direita. Assim como... Summerville. E os dois teriam participação decisiva no segundo gol holandês, com bola no pé, aos 64'. Primeiro, o meio-campo fez excelente jogada, e deu sequência a ela entregando a pelota para que o camisa 24, praticamente novato - só dois jogos pela Laranja - fizesse 2 a 1, aos 64'. Desde então, a seleção europeia começou a se recuar, gradativamente, para jogar com três zagueiros. Mostras disso foram as alterações no segundo tempo, logo após a pausa para hidratação na etapa final: mesmo jogando bem, ambos, Reijnders e Summerville foram substituídos. E Memphis Depay, enfim entrando em campo, reduziu a velocidade que o ataque tinha com Malen.

O excessivo recuo holandês fez com que o Japão crescesse na etapa final. Até conseguir o empate que tanto buscou (Charlotte Wilson/Getty Images)

Resultado: o Japão voltou a atacar, na reta final do jogo. Começou a criar mais chances, com nomes conhecidos do Campeonato Holandês que vieram a campo. Como o ala Yukinari Sugawara, que chutou para a defesa de Verbruggen, aos 79'. E como, finalmente, Koki Ogawa: no penúltimo minuto do tempo regulamentar, em escanteio, o atacante que se destacou pelo NEC na temporada recente do Campeonato Holandês, sozinho na área, desviou escanteio de cabeça. Daichi Kamada também completou. E o Japão conseguiu o 2 a 2 que buscou bem mais na reta final.

E buscou bem mais porque as mudanças de Ronald Koeman estragaram o que poderia ter sido uma vitória. Mas "agora é continuar", como Van Dijk completou após a partida.

COPA DO MUNDO FIFA 2026 - GRUPO F

Holanda 2x2 Japão

Data: 14 de junho de 2026
Local: Dallas Stadium/AT&T Stadium (Arlington, Dallas)
Árbitro: Ismail Elfath (Estados Unidos)
Gols: Virgil van Dijk, aos 51', Keito Nakamura, aos 57', Crysencio Summerville, aos 64', e Daichi Kamada, aos 89'

HOLANDA
Bart Verbruggen; Denzel Dumfries, Virgil van Dijk, Jan Paul van Hecke e Micky van de Ven; Ryan Gravenberch (Nathan Aké, aos 81'), Tijjani Reijnders (Quinten Timber, aos 68') e Frenkie de Jong; Crysencio Summerville (Teun Koopmeiners, aos 68'), Donyell Malen (Memphis Depay, aos 68') e Cody Gakpo (Brian Brobbey, aos 84'). Técnico: Ronald Koeman

JAPÃO
Zion Suzuki; Tsuyoshi Watanabe (Takehiro Tomiyasu, aos 75'), Shogo Taniguchi e Hiroki Ito; Ritsu Doan (Yukinari Sugawara, aos 75'), Kaichi Sano, Daichi Kamada e Keito Nakamura; Takefusa Kubo (Koki Ogawa, aos 75'), Ayase Ueda (Kento Shiogai, aos 84') e Daizen Maeda (Junya Ito, aos 66'). Técnico: Hajime Moriyasu