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terça-feira, 25 de maio de 2021

Análise da temporada: VVV-Venlo

Giakoumakis brilhou em alguns momentos, mas foi a andorinha que não fez verão: uma goleada histórica e uma sequência de derrotas a fio na reta final rebaixaram o VVV-Venlo (Geert van Erven/BSR Agency/Getty Images)

Colocação final: 17º lugar, com 23 pontos - rebaixado diretamente
No turno havia sido: 16º colocado, com 9 pontos
Time-base: Kirschbaum; Pachonik, Gelmi (Kum), Da Graça (Swinkels) e Guwara (Dekker); Van Crooij, Post e Machach; Joshua John, Giakoumakis e Arias
Técnico: Hans de Koning (até a 26ª rodada) e Jos Luhukay
Maior vitória: VVV-Venlo 4x1 Vitesse (24ª rodada)
Maior derrota: VVV-Venlo 0x13 Ajax (6ª rodada)
Principal jogador: Giorgos Giakoumakis (atacante)
Artilheiro: Giorgos Giakoumakis (atacante), com 26 gols
Quem deu mais passes para gol: Vito van Crooij (meio-campista), com 8 passes para gol
Quem mais partidas jogou: Danny Post (meio-campista) e Vito van Crooij (meio-campista), ambos com 30 partidas
Copa nacional: eliminado nas semifinais, pelo Vitesse
Competições continentais: nenhuma

De certa forma, o VVV-Venlo sabia: em termos práticos, o pior malefício que trouxeram os 13 a 0 do Ajax nele, na 6ª rodada, foi a desvantagem imensa no saldo de gols, primeiro critério de desempate no Campeonato Holandês (fora, óbvio, o enorme constrangimento de ser a vítima da maior goleada dos 65 anos de história profissional da Eredivisie). A partir dali, o time de Venlo precisaria evitar estar na zona de repescagem/rebaixamento - quase sempre estaria em desvantagem. Por um tempo, isso pareceu possível. Ainda mais contando com os gols de Giorgos Giakoumakis: forte e rápido, o atacante grego não virou só artilheiro do campeonato, mas também quem mais gols fez pelo time de Venlo numa só temporada. Basta citar duas vitórias por 4 a 1, contra ADO Den Haag (16ª rodada) e Vitesse (19ª rodada): em ambas, Giakoumakis marcou os quatro da equipe aurinegra.

Além do destaque absoluto de Giakoumakis, coadjuvantes como Vito van Crooij e Zinedine Machach se esforçavam, no meio-campo. E Thorsten Kirschbaum fazia o que podia, no gol, com bons reflexos. Dentro de uma sequência invicta (quatro vitórias e um empate, entre a 15ª e a 19ª rodadas), a esperança de ficar na primeira divisão cresceu. Houve até a campanha de semifinalista, na Copa da Holanda. Mas logo veio o que o VVV-Venlo mais temia: uma terrível sequência que o jogasse na zona de rebaixamento. Entre a 21ª  e a 31ª rodadas, onze derrotas seguidas. A saída prevista do técnico Hans de Koning foi antecipada, e a fonte de gols de Giakoumakis ajudou menos (só dois gols nesse período). O técnico Jos Luhukay chegou fortalecendo a defesa para tentar o socorro, um empate contra o RKC Waalwijk na antepenúltima rodada ainda deu uma sobrevida (3 a 3), mas os 3 a 1 sofridos para o Ajax - logo o Ajax... - na penúltima rodada selaram o rebaixamento. Talvez houvesse escapatória, não fosse a queda de desempenho logo na reta final. E certa goleada em 24 de outubro de 2020... 

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Parada obrigatória: VVV-Venlo

O VVV-Venlo tem muitos fatores a atrapalhar sua campanha - mas conta com Giakoumakis (centro) e seus gols para ajudá-lo a se manter na primeira divisão (Pro Shots/VI Images)

Posição: 16ª colocação, com 9 pontos (atrás pelo pior saldo de gols)
Técnico: Hans de Koning
Time-base: Kirschbaum (Delano van Crooij); Pachonik, Kum, Gelmi e Schmitz (Schäfer); Post, Linthorst e Vito van Crooij; Joshua John, Giakoumakis e Arias
Maior vitória: Emmen 3x5 VVV-Venlo (1ª rodada)
Maior derrota: VVV-Venlo 0x13 Ajax (6ª rodada)
Copa da Holanda: classificado para as oitavas de final, nas quais enfrentará o Go Ahead Eagles (segunda divisão)
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Georgios Giakoumakis (atacante), com 10 gols
Objetivo do início: escapar do rebaixamento
Avaliação: Sim, ainda é possível que os Venlonaren fujam da queda. No entanto, precisam se cuidar para não empatarem em pontos com os adversários diretos: uma certa goleada os prejudica demais nos critérios de desempate.

Quando, na sexta rodada, em 24 de outubro de 2020, o VVV-Venlo foi vítima da maior goleada da história profissional do Campeonato Holandês, tal resultado foi um prato feito para que se pudesse pensar que os Venlonaren eram um bando de peladeiros de várzea. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Sim, naquele dia, o VVV teve uma atuação extremamente infeliz, "potencializada" pela expulsão do zagueiro Christian Kum, que abriu caminho para o festim de 13 gols do Ajax. Entretanto, ao se ver toda a campanha, notam-se aqui e ali elementos que podem evitar a queda da equipe aurinegra. O principal deles: os gols de Georgios Giakoumakis. Já em sua primeira partida no VVV, o atacante grego fez três gols nos 5 a 3 diante do Emmen. Com dez gols, Giakoumakis disputa o topo da tabela de goleadores do campeonato. E ainda tem um parceiro de ataque razoável em Jafar Arias. A goleada sofrida distorceu os desempenhos defensivos - sem o 13 a 0, o time de Venlo seria "só" a sexta pior defesa da Eredivisie. Além do mais, ora bolas, pelo menos o time está no mata-mata da Copa da Holanda.

Dito tudo isso... sim, o VVV-Venlo é uma equipe ruim. Tem lá suas fragilidades defensivas, ao contrário do que vinha mostrando nas temporadas anteriores. Só ganhou uma partida nas últimas sete rodadas. Basta tomar um gol para desmoronar e se abrir aos adversários, falha que nem os gols de Giakoumakis conseguem esconder - um indício disso veio até na última rodada de 2020, quando o time chegou a abrir o placar diante do PSV, mas se desmilinguiu após tomar o empate, abrindo caminho para a goleada dos Boeren. Para piorar, já até perderam para adversários diretos contra o rebaixamento (a primeira vitória do ADO Den Haag, penúltimo colocado, foi justamente sobre o VVV - 2 a 1). Mesmo assim, com tudo isso, se conseguirem uma sequência razoável, ainda podem desgarrar um pouco da zona de repescagem/rebaixamento. Só não podem empatar em pontos - porque aí, o primeiro critério de desempate é o saldo de gols, e nisso, sim, a situação dos Venlonaren é insolúvel. Culpa dos 13 a 0...

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Guia da Eredivisie 2020/21: VVV-Venlo

O VVV-Venlo trouxe nomes como Jafar Arias (foto) para tentar seguir sendo osso duro de roer, com alguma capacidade ofensiva e defesa bem fechada (Divulgação/vvv-venlo.nl)

Venlose Voetbal Vereniging

Cidade: Venlo
Estádio: De Koel (capacidade para 8.000 torcedores) - também chamado "Seacon Stadion", pelo patrocínio do clube
Apelido: Venlonaren
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (1 Copa da Holanda, em 1958/59)
Patrocínio: Seacon (empresa de logística)
Técnico: Hans de Koning
Destaque: Peter van Ooijen (meio-campista)
Fique de olho: Jafar Arias (atacante)
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Quando a temporada passada foi interrompida, estava na... 13º colocação
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento
Amistosos de pré-temporada:
21 de julho - Sporting ST 0x19 VVV-Venlo
26 de julho - EVV Echt 0x2 VVV-Venlo
14 de agosto - Willem II 2x1 VVV-Venlo
18 de agosto - Jong PSV x Fortuna Sittard - CANCELADO
22 de agosto - Team VVCS 2x2 VVV-Venlo
26 de agosto - Fortuna Sittard 2x1 VVV-Venlo
29 de agosto - VVV-Venlo 0x1 SV Straelen-ALE
4 de setembro - VVV-Venlo 0x4 Borussia Mönchengladbach-ALE
Principais chegadas: [Roy Gelmi (D, Thun-SUI)], Arjan Swinkels (D, Mechelen-BEL), Ante Coric (M/A, Roma-ITA), Guus Hupperts (A, Lokeren-BEL), Jafar Arias (A, Emmen), Joshua John (A, sem clube) e Vito van Crooij (A, Zwolle)
Principais saídas: Nils Röseler (D, SV Sandhausen-ALE), Roel Janssen (D, Fortuna Sittard), Lee Cattermole (M, encerrou a carreira), [Thomas Bruns (M, Vitesse)], [Oussama Darfalou (A, Vitesse)], Haji Wright (A, Sonderjyske-DIN), [John Yeboah (A, Wolfsburg-ALE)], [Jerome Sinclair (A, Watford-ING)] e Johnatan Opoku (A, De Graafschap)
Valor de mercado: 8,1 milhões de euros (via Transfermarkt)

No decorrer da temporada passada, 
Legenda
Jogador (posição, clube) 
Transferência definitiva
[Transferência definitiva após empréstimo]
Empréstimo
[retorno de empréstimo]

Desde antes da temporada ser interrompida pela pandemia, o time aurinegro de Venlo já sofria (de novo...) com a ameaça do rebaixamento. Até por isso, já passara por uma troca de técnicos - Robert Maaskant dera lugar a Hans de Koning -, já trouxera uma barca de reforços em janeiro para tentar salvar o que poderia nos meses finais de temporada. O destino acabou livrando os Venlonaren das últimas posições e garantiu mais um ano na primeira divisão. Todavia, isso não significa que a temporada a se iniciar será de respiro para o VVV. Até porque vários dos nomes que causavam algum raro perigo ao adversário deixaram Venlo: uns por retorno de empréstimo - Haji Wright, John Yeboah, Jerome Sinclair -, outro por venda (Johnatan Opoku, talvez o melhor). 

Para piorar, os dois laterais titulares numa defesa entrosada, Nils Röseler e Roel Janssen, também são defecções sentidas. Pelo menos, Hans de Koning ficou, e isso tem alguma importância, técnico acostumado a trabalhar com clubes pequenos no futebol holandês como ele é. Assim como raros nomes que ajudam no estilo habitualmente fechado que o VVV-Venlo mostra em campo: bons exemplos são o goleiro Thorsten Kirschbaum e o zagueiro Christian Kum. Outros reforços podem ter alguma utilidade, como o zagueiro Arjan Swinkels (com muitos anos de Willem II antes da passagem pela Bélgica) e os atacantes Jafar Arias (um bom nome no Emmen) e Vito van Crooij (de volta). Mas o fato é que as perspectivas são negativas. Não negativas como as de outros clubes, mas fazem imaginar outra temporada de dificuldades. Só o transcorrer dela revelará se o VVV-Venlo está preparado para se salvar.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Parada obrigatória: VVV-Venlo

Linthorst (à frente) teve um pouco de destaque, mas o VVV-Venlo precisará de bem mais para fugir das últimas posições (Pro Shots)
Posição: 16º colocado, com 15 pontos
Técnico: Robert Maaskant (até a 13ª rodada) e Jay Driessen (interino, entre a 14ª e a 18ª rodada - Hans de Koning assume a partir de 1º de janeiro)
Time-base: Kirschbaum; Pachonik, Röseler, Kum e Janssen; Van Ooijen, Linthorst e Neudecker (Post); Sinclair (Yeboah), Soriano e Wright.
Maior vitória: VVV-Venlo 3x1 RKC Waalwijk (1ª rodada)
Maior derrota: Heracles Almelo 6x1 VVV-Venlo (13ª rodada)
Copa da Holanda: eliminado na primeira fase, pelo RKSV Groene Ster (quarta divisão)
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Peter van Ooijen (meio-campista/atacante), com 5 gols
Objetivo do início: escapar do rebaixamento/ficar no meio da tabela
Avaliação: O técnico anterior saiu, os destaques também, e o time de Venlo ficou à deriva no primeiro turno. Pelo menos, às vezes consegue algumas vitórias, que o fazem sonhar em subir para se segurar na primeira divisão.
Fará os treinos da pausa de inverno em... Venlo, mesmo
E amistosos? Contra o Kortrijk-BEL, em 10 de janeiro

De certa forma, o VVV-Venlo sofreu do mesmo mal que o ADO Den Haag, uma posição abaixo da dele: os destaques da temporada passada se foram, e a equipe estava despreparada para a vida após eles. Aliás, nem mesmo o técnico ficou: conhecido por ser o arquiteto de um esquema pouco técnico, defensivo, mas que fez dos Venlonaren ossos duros de roer (ainda mais no gramado sintético de De Koel, o estádio do clube), Maurice Steijn tomou o caminho do Al Wahda, dos Emirados Árabes - time que já o demitiu, aliás. Mais tragicômica ainda foi a perda de Peniel Mlapa: o atacante alemão de ascendência togolesa havia sido emprestado na temporada 2018/19, pelo Dynamo Dresden germânico. Mlapa foi o artilheiro do VVV na temporada, foi comprado em definitivo para 2019/20... mas o Al-Ittihad, outro clube emiratense, chegou com um lucrativo contrato de dois anos, sendo imediatamente revendido e frustrando o clube holandês.

Restou apostar em quem chegava - na maioria das vezes, vindo de graça após fim de contrato, como Elia Soriano, Haji Wright e Lee Cattermole (este, transferência alternativa, após tanto tempo de Sunderland no Campeonato Inglês). E os três atacantes - Soriano, Haji Wright e Jerome Sinclair, mais o "reserva-titular" Yeboah - nem fizeram tão feio. O problema foi a fragilidade defensiva: afinal, tratou-se da pior defesa do Campeonato Holandês na primeira metade, com 44 gols sofridos. Fora de casa, a equipe mostrou fragilidade: só uma vitória. Entre a 7ª e a 13ª rodadas, sete derrotas seguidas. Pior ainda: na Copa da Holanda, foi o único da divisão de elite a ser eliminado por um clube amador, nos pênaltis. E por fim, a goleada do Heracles Almelo (6 a 1, na 13ª rodada) foi o ponto final do técnico Robert Maaskant em Venlo.

Restou colocar o interino Jay Driessen para conduzir o resto de 2019 sem problemas, enquanto os raros destaques - os remanescentes Peter van Ooijen e Evert Linthorst, mais o citado Soriano - tentavam alguma coisa em campo. Deu certo na primeira rodada após a demissão de Maaskant: uma vitória por 2 a 1 sobre o Twente. De quebra, na 16ª rodada, num duelo relativamente direto, o time perturbou o Emmen, algumas posições acima, ao fazer 2 a 0. Todavia, de resto, foram três derrotas. A sorte é que a região inferior da tabela está com equilíbrio, e tanto ADO Den Haag quanto RKC Waalwijk ainda estão piores. Caberá à equipe aurinegra tentar se firmar em campo, sob o comando de Hans de Koning, para buscar a reação que ainda é possível, rumo à permanência na Eredivisie.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Guia da Eredivisie 2019/20: VVV-Venlo

O VVV-Venlo perdeu quase todos os seus destaques. Caberá a nomes como o atacante Soriano (chutando) evitar preocupações para a torcida (vvv-venlo.nl)
Venlose Voetbal Vereniging

Cidade: Venlo
Estádio: De Koel (capacidade para 8.000 torcedores) - também chamado "Seacon Stadion", pelo patrocínio do clube
Apelido: Venlonaren
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (1 Copa da Holanda, em 1958/59)
Patrocínio: Seacon (empresa de logística)
Técnico: Robert Maaskant
Destaque: Johnatan Opoku (atacante)
Fique de olho: Elia Soriano (atacante)
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Temporada passada: 12º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento/ficar no meio da tabela
Amistosos de pré-temporada:
25 de junho - MVC '19 0x7 VVV-Venlo
29 de junho - SHH Herten 2x15 VVV-Venlo
2 de julho - Venlosche Boys 1x5 VVV-Venlo
5 de julho - VVV-Venlo 3x3 Sint Truiden-BEL
13 de julho - Wolfsburg-ALE 2x2 VVV-Venlo
16 de julho - SV Straelen 19-ALE 1x2 VVV-Venlo
20 de julho - VVV-Venlo 2x0 FC Eindhoven
27 de julho - VVV-Venlo 0x1 Panathinaikos-GRE
Principais chegadas: Thorsten Kirschbaum (G, Bayer Leverkusen-ALE), Samuel Scheimann (D, Beitar Jerusalém-ISR), Tobias Pachonik (D, Carpi-ITA), Richard Neudecker (M, St. Pauli-ALE), Lee Cattermole (M, Sunderland-ING), Elia Soriano (A, Korona Kielce-POL) e Jerome Sinclair (A, Watford-ING)
Principais saídas: [Lars Unnerstall (G, PSV)], Moreno Rutten (D, Crotone-ITA), [Sem Steijn (M, ADO Den Haag)], Ralf Seuntjens (M/A, De Graafschap), [Jay-Roy Grot (A, Leeds United-ING)], [Patrick Joosten (A, Utrecht)] e Peniel Mlapa (A, Al Ittihad-EAU)
Valor de mercado: 11,35 milhões de euros (via Transfer Markt)
Orçamento: 8 milhões de euros (via Voetbal International)

Legenda
Jogador (posição, clube) 
Transferência definitiva
[Transferência definitiva após empréstimo]
Empréstimo
[retorno de empréstimo]

Há pelo menos duas temporadas, o VVV-Venlo vivia situação parecida. Treinado por Maurice Steijn, se ancorava num estilo tático com bastante esforço defensivo, que exigia demais do goleiro Lars Unnerstall. Para marcar os gols, esperava-se que os corpulentos atacantes ajudassem, fossem eles mais rápidos pelas pontas (caso de Jay-Roy Grot) ou altos e finalizadores (caso de Peniel Mlapa). Com fatores externos - como a grama sintética do estádio De Koel -, o time aurinegro de Venlo conseguia fazer jogo duro contra várias equipes. E mesmo com baixo orçamento e algum sofrimento na reta final, se mantinha na primeira divisão holandesa.

Pois bem: ao que tudo indica, haverá mais dificuldades nesta temporada. Em primeiro lugar, praticamente todos os destaques deixaram os Venlonaren: de Unnerstall ao técnico Steijn, de Mlapa a Grot, passando pelo meio-campista Ralf Seuntjens, esses citados saíram do clube nesta temporada. Em segundo lugar, o novo técnico, Robert Maaskant, chegará tendo a missão de manter a equipe na primeira divisão. E em terceiro lugar, dos novos reforços, só chegam já como titulares o goleiro Thorsten Kirschbaum e o atacante Elia Soriano (este, de boas atuações nos amistosos de pré-temporada). Assim, a situação do VVV-Venlo anda merecendo desconfianças. Que só outra manutenção na Eredivisie apagará.

domingo, 16 de junho de 2019

Análise da temporada: VVV-Venlo

Peniel Mlapa (centro) ajudou o VVV-Venlo com seus gols. Faltou a defesa ajudar mais no segundo turno (VI Images)

Colocação final: 12º colocado, com 41 pontos (atrás pelo pior saldo de gols)
No turno havia sido: 8º colocado, com 23 pontos
Time-base: Unnerstall; Rutten, Röseler, Kum e Janssen; Van Ooijen, Post e Susic; Grot (Opoku), Mlapa e Joosten
Técnico: Maurice Steijn
Maior vitória: VVV-Venlo 4x1 De Graafschap (31ª rodada)
Maior derrota: Ajax 6x0 VVV-Venlo (20ª rodada) 
Principais jogadores: Lars Unnerstall (goleiro) e Peniel Mlapa (atacante)
Artilheiro: Peniel Mlapa (atacante), com 15 gols
Quem deu mais passes para gol: Johnatan Opoku (meio-campista/atacante) e Patrick Joosten (atacante), ambos com 5 passes para gol
Quem mais partidas jogou: Nils Röseler (zagueiro), que jogou todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado na segunda fase, pelo AZ
Competição continental: nenhuma

É possível abordar de duas maneiras a temporada feita pelo clube aurinegro de Venlo no Campeonato Holandês. A primeira maneira é positiva: tratou-se de um time com firmeza elogiável, em algumas rodadas. Em casa (com gramado sintético, diga-se de passagem), várias vezes ofereceu dificuldade a rivais mais fortes - em De Koel, só perdeu de Ajax e PSV com gols nos últimos minutos. No ataque, tinha em Peniel Mlapa um atacante com força física e capacidade de finalização, além de parceiros como Jay-Roy Grot e Patrick Joosten, que traziam alguma velocidade pelas pontas. Enfim, foi mais uma temporada que mostrou o trabalho sólido do técnico Maurice Steijn à frente dos Venlonaren.

Mas há uma segunda maneira. E ela é negativa. Aliás, já pode ser exemplificada pelo fato de um dos destaques do VVV na temporada do Holandês ter sido, novamente, o goleiro: já comprado pelo PSV e emprestado para ficar em Venlo por mais uma temporada, o alemão Lars Unnerstall teve de trabalhar muito de novo. Se goleiros de times pequenos precisam trabalhar, em geral, isso se deve à fragilidade da defesa - e a zaga do VVV ficou mais frágil no returno, após a séria lesão de Jerold Promes. Além do mais, se vendia caro as derrotas para os clubes mais fortes, às vezes a equipe permitia que adversários lhe fizessem de gato e sapato em casa - como fez o Utrecht, que virou um 2 a 1 contrário para 6 a 2 a favor na 28ª rodada, e o Emmen, que venceu por 3 a 2 com gol nos acréscimos. Além do mais, determinadas sequências negativas - como três jogos sem vitória, entre a 22ª e a 25ª derrotas - impediram aspirações mais altas no campeonato.

Se não teve um returno tão ruim quanto em 2017/18, o VVV-Venlo caiu de produção novamente na reta final do campeonato - só duas vitórias nas últimas seis rodadas. E terá de passar por reformulação rumo à próxima temporada: afinal, figuras-chaves, como Unnerstall e o próprio treinador Maurice Steijn, deixaram o clube. Diante das quedas bruscas, fica a dúvida se isso acontecerá sem impactos pesados demais.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Parada obrigatória: VVV-Venlo

Com os gols de Mlapa (na frente, à esquerda) e Ralf Seuntjens ajudando, o VVV-Venlo foi até além do que esperava (ANP/Pro Shots)

Posição: 8º lugar, com 23 pontos
Técnico: Maurice Steijn
Time-base: Unnerstall; Rutten, Promes, Röseler e Kum (Janssen); Seuntjens (Linthorst), Van Ooijen e Susic; Joosten, Mlapa e Grot
Maior vitória: VVV-Venlo 3x0 NAC Breda (6ª rodada)
Maior derrota: PSV 4x0 VVV-Venlo (8ª rodada)
Copa da Holanda: eliminado na segunda fase, pelo AZ
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Peniel Mlapa (atacante), com 6 gols
Destaques: Tino-Sven Susic (meio-campista) e Peniel Mlapa (atacante)
Objetivo do início: escapar do rebaixamento/ficar no meio da tabela
Avaliação: O estilo de jogo retraído pode até desagradar a muita gente. Mas o VVV-Venlo repetiu o que fez no turno de 2017/18: impressiona positivamente. Se não decair fortemente como no returno passado, é capaz de garantir vaga na repescagem pela Liga Europa. Time para isso, tem
Fará intertemporada em... Haia, na própria Holanda, de 7 a 11 de janeiro

Quando a temporada começou, tudo que o VVV-Venlo gostaria de fazer era repetir o que fez na primeira metade do campeonato da temporada 2017/18, e corrigir o que fez na segunda metade. Ou seja: seria ótimo ficar a uma distância segura das últimas posições, mostrando um time aguerrido (capaz até de engrossar para alguns grandes), mas também seria de bom tom evitar o desleixo das últimas rodadas da Eredivisie passada, quando, afastada a ameaça de rebaixamento, os Venlonaren decaíram até a 15ª posição, primeira fora da zona de repescagem/queda. Ficava apenas a dúvida se o time aurinegro conseguiria fazer isso sem dois destaques do ano passado: Lennart Thy e Clint Leemans.

Pois conseguiu. Com os poucos reforços que teve à disposição (o volante Peter van Ooijen, o meio-campo Tino-Sven Susic, os atacantes Jay-Roy Grot e Martin Samuelsen), Maurice Steijn conseguiu manter o estilo tático do VVV em campo. Os jogadores se esforçavam na defesa, e aceleravam o jogo na hora dos contra-ataques. Nas partidas em casa, então, o time se valia do fato de estar mais habituado à grama sintética para poder se impor. Foi assim até na 2ª rodada, quando o Ajax só fez 1 a 0 no final do jogo. De quebra, alguns remanescentes cresceram de produção, como Peniel Mlapa, que se transformou na referência do ataque, com seu porte físico e capacidade de finalização. Outros mantiveram a importância: já emprestado ao clube, na última temporada que passa em Venlo antes de se transferir para o PSV, o goleiro alemão Lars Unnerstall continuou seguro.

Então o VVV-Venlo é uma surpresa agradável na Eredivisie? Nem tanto: ao contrário de times como Heracles Almelo e Vitesse, ofensivos, às vezes a equipe causa oposição, por ser "reativa" demais (no popular, "retranqueira"). Só que, por enquanto, é isso que faz dela oitava colocada, muito firme na disputa por vaga na repescagem rumo à Liga Europa. Ou seja: é isso que fez com que ela superasse suas expectativas no primeiro turno. No segundo, fica a tarefa de manter a força para conseguir ficar na parte superior da tabela.

sábado, 28 de julho de 2018

Guia da Eredivisie 2018/19: VVV-Venlo

Unnerstall já está vendido. Mas terá mais uma temporada para dar segurança ao gol do VVV-Venlo (Pro Shots)
Venlose Voetbal Vereniging

Cidade: Venlo
Estádio: De Koel (capacidade para 8.000 torcedores) - também chamado "Seacon Stadion", pelo patrocínio do clube
Apelido: Venlonaren
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (1 Copa da Holanda, em 1958/59)
Patrocínio: Seacon (empresa de logística)
Técnico: Maurice Steijn
Destaque: Ralf Seuntjens (meio-campista)
Fique de olho: Jay-Roy Grot (atacante)
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Temporada passada: 15º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento/ficar no meio da tabela
Amistosos de pré-temporada:
30 de junho - SV Blerick 0x10 VVV-Venlo
3 de julho - Sparta '18 0x7 VVV-Venlo
7 de julho  - Veritas 1x7 VVV-Venlo
10 de julho  - SVEB 0x16 VVV-Venlo
18 de julho  - RKSV Wittenhorst 0x1 VVV-Venlo
21 de julho  - De Treffers 0x3 VVV-Venlo
27 de julho  - VVV-Venlo 2x1 Twente
30 de julho  - Werder Bremen-ALE x VVV-Venlo
4 de agosto - VVV-Venlo x Volendam
Principais chegadas: Lars Unnerstall (G, PSV), Christian Kum (D, Roda JC), Peter van Ooijen (M, Heracles Almelo), [Damian van Bruggen (M, PSV)]Martin Samuelsen (A, West Ham-ING), Peniel Mlapa (A, Dynamo Dresden-ALE) e Jay-Roy Grot (A, Leeds United-ING)
Principais saídas: Lars Unnerstall (G, PSV), Jens Janse (D, não renovou contrato), Clint Leemans (M/A, Zwolle), [Lennart Thy (A, Werder Bremen-ALE)], Vito van Crooij (A, Zwolle), Torino Hunte (A, não renovou contrato) e Romeo Castelen (A, não renovou contrato)
Valor de mercado: 11,3 milhões de euros (via Transfer Markt)

Legenda
Jogador (posição, clube) 
Transferência definitiva
[Transferência definitiva após empréstimo]
Empréstimo
[retorno de empréstimo]

Os Venlonaren poderiam ter encerrado a temporada passada de modo muito melhor. Durante boa parte do Campeonato Holandês, ficaram no meio da tabela, com uma campanha segura, alguns resultados surpreendentes (não perderam do Feyenoord, por exemplo - empate em Roterdã, vitória em Venlo) e jogadores que satisfizeram muito a torcida. Porém, garantida a permanência na primeira divisão, o VVV caiu muito nas últimas rodadas - e terminou exatamente na 15ª posição, primeira acima da zona de repescagem/rebaixamento. Para piorar, os dois principais destaques ofensivos do time aurinegro já não estarão no time neste campeonato: Clint Leemans tomou o caminho do Zwolle, enquanto Lennart Thy voltou ao Werder Bremen (e de lá foi vendido ao Erzurumspor, da Turquia) após o empréstimo.

O que não quer dizer, pelo menos por enquanto, que o VVV-Venlo se entregará às ameaças de rebaixamento. Elogiado pelo trabalho, o técnico Maurice Steijn terá alguns jogadores de certo talento, graças a empréstimos ao clube - destaque para Jay-Roy Grot, atacante que começou bem no NEC antes da venda ao Leeds United, e para Martin Samuelsen, cedido pelo West Ham. No meio-campo, Peter van Ooijen foi contratação útil para consolidar o setor. Finalmente, na defesa, mesmo já vendido ao PSV, o goleiro alemão Unnerstall (um dos destaques em 2017/18) ficará mais uma temporada em Venlo, e terá a sua frente um setor que, além de entrosado, ganhou boa contratação com Christian Kum. Assim, o VVV tentará repetir a campanha segura de boa parte do ano passado - tentando escapar do final desnecessariamente sofrido, claro.

sexta-feira, 2 de março de 2018

A redenção dos menores

El Khayati chegou ao ADO Den Haag para ficar seis meses. Ajudou muito a salvar o time, ficou, e é o destaque de uma boa campanha (ANP/Pro Shots)
Está disponível a quem tiver interesse: no guia para esta temporada do Campeonato Holandês, dividido em três partes, apostou-se que ADO Den Haag, Excelsior e VVV-Venlo estavam fadados apenas a tentar fugir das três últimas posições da tabela, cujos ocupantes são condenados a tentarem a manutenção na Eredivisie via repescagem – além, claro, da queda direta para o último colocado. E tal prognóstico não era desprovido de alguma razão. Antes de mais nada, porque são clubes médios/pequenos – o que significa que passam por esporádicos sufocos, ao contrário dos AZ e Utrecht da vida, mais acostumados à parte de cima da tabela.

Depois disso, cada clube tem o seu calvário próprio. Como campeão da segunda divisão e dono de orçamento ínfimo, o VVV provavelmente sofreria com a ameaça de fazer o bate-e-volta rumo à Eerste Divisie, por mais coeso que fosse o time. O ADO Den Haag até mostrava condições de ficar no meio da tabela, mas... e se novamente as incertezas do comando do empresário chinês Hui Wang perturbassem o ambiente e respingassem dentro do campo, como ocorreu na temporada passada? E o Excelsior, que passou duas temporadas seguidas escapando de raspão (em 2014/15 e 2015/16, terminara em 15º, primeira posição acima da zona de repescagem/queda) e só conseguiu escapar por uma arrancada inesperada nas últimas rodadas, chegando a vencer até o campeão Feyenoord?

Pois bem: pelo menos neste momento da temporada, com as coisas entrando na reta final, ADO Den Haag, VVV e Excelsior têm merecido unânimes elogios. Com nove rodadas para o encerramento, estão frequentando o meio da tabela, dando passos firmes para garantir a permanência na divisão de elite por mais um ano, com antecedência. No caso do Den Haag, então, a situação é ainda mais promissora: está em oitavo lugar, dois pontos atrás do Vitesse, o primeiro na zona da repescagem por vaga na Liga Europa – repescagem que parece bem acessível, já que o Feyenoord, como finalista da Copa da Holanda, está à frente na tabela (abrindo, pois, uma vaga, caso ganhe o torneio). Em 10º lugar, o Excelsior se vale de um desempenho até admirável fora de casa, com 32 pontos. Uma posição abaixo, está a equipe de Venlo, mostrando atuações regulares por todo o campeonato.

Mas o que aconteceu para essa mudança brusca? Aí entra o primeiro item em que talvez todos coincidam – talvez o mais importantes: ao contrário de temporadas anteriores, as contratações foram pontuais. Apostou-se numa base. Mais do que isso: apostou-se nos trabalhos dos técnicos. Nem sempre isso dá certo, claro. Mas nos três casos, não mexer no que dava certo (e buscar corrigir o errado) foi fundamental. Mesmo que, para isso, fosse necessário gastar um pouco mais – de dinheiro e de saliva. No caso do ADO Den Haag, isso foi fundamental para conseguir prolongar uma estadia que já dera certo na parte final da temporada passada: a do meio-campista Abdenasser El Khayati.

Ele chegara para a metade final da temporada 2016/17, cedido pelo Queens Park Rangers. E tomou conta do meio-campo, sendo protagonista nas vitórias que garantiram a salvação. “Nasser” voltaria aos Hoops tão logo a temporada se encerrasse, mas como o contrato com o clube já estava se encerrando, e o clube auriverde de Haia estava interessado... veio a solução: três anos de contrato. E ficando na Holanda, El Khayati manteve sua importância para o ADO Den Haag, com ótimos números (marcou sete gols, deu passes para outros sete). 

Como El Khayati sozinho não faria verão, aí entraram os outros jogadores a ajudá-lo. Um deles, outra contratação que deu certo: corpulento, Bjorn Johnsen (nascido em Nova Iorque, mas de nacionalidade norueguesa) tomou conta do ataque, e tem disputado o posto de goleador da Eredivisie, com dez gols. Com isso, os outros atacantes que já estavam lá, como Sheraldo Becker e Erik Falkenburg, tiveram os desempenhos maximizados. Do restante, já se falará.

Entre idas e vindas do clube, Ryan Koolwijk é figura admirada na torcida do Excelsior (Den Breejen/VI Images)

Até porque o restante do ADO Den Haag também tem a ver com o restante do Excelsior e do VVV-Venlo, no sentido de serem apostas em jogadores nos quais a torcida já confia – e dos quais, ela gosta. Tome-se por exemplo o caso do Excelsior: nas temporadas de agruras, o lateral esquerdo Khalid Karami era um dos únicos bálsamos, com desempenho ofensivo e veloz. Assim como o volante e capitão Ryan Koolwijk, de experiência valiosa para o clube do bairro de Kralingen, em Roterdã. Karami chegou a ficar sem contrato no fim da temporada passada, até deixando o grupo do Excelsior. Mas a diretoria correu atrás e acertou um novo compromisso com o lateral. 

Assim, permaneceu no clube a espinha dorsal que o técnico Alfons Groenendijk já tinha à disposição: Karami, Koolwijk, Luigi Bruins, Anouar Hadouir, Mike van Duinen, Stanley Elbers... se o final da temporada passada já dera a esperança de que dias melhores viriam (basta lembrar o 3 a 0 sobre o futuro campeão Feyenoord, na penúltima rodada, frustrando a primeira “festa do título”), 2017/18 tem impressionado. Entre desempenhos péssimos em casa – é o lanterna jogando em seu estádio – e fabulosos fora – é o quarto melhor visitante da Eredivisie, atrás de Ajax, PSV e AZ -, o Excelsior se baseou nessa estranha regularidade para ficar no meio de tabela. E com a rapidez do ataque, ainda sonha subir algumas posições.

Lennart Thy tem sido o responsável pelo protagonismo nos ataques do VVV-Venlo - logo, é um dos destaques da campanha regular (ANP/Pro Shots)
Ao fazê-lo, o Excelsior poderá superar outro clube de entrosamento exemplar na temporada: o VVV-Venlo. Ao contrário do que se poderia supor, o clube aurinegro foi bem conservador na sua volta à primeira divisão. O principal reforço foi manter a base de gente já conhecida dos frequentadores das arquibancadas do aprazível De Koel: a zaga com Jerold Promes e Moreno Rutten, o meio-campo com Ralf Seuntjens e Clint Leemans, o ataque com Torino Hunte... Reforços? Só dois. Mas muito úteis: Lars Unnerstall é o goleiro que o VVV desejava (seguro e regular, coisa rara em goleiros de times menores na Eredivisie), enquanto Lennart Thy, alemão emprestado pelo Werder Bremen, é o mais técnico jogador da equipe na temporada. Resultado: atuações esforçadas, e um time dedicado e focado a ponto de fazer seu técnico, Maurice Steijn, já ser olhado com interesse por clubes maiores.

Também colabora para a boa fase desses três clubes a sintonia existente entre clube e torcida. Aí entra o “restante” supracitado do ADO Den Haag: nele, estão jogadores como o meio-campista Lex Immers, o zagueiro Tom Beugelsdijk e o goleiro Robert Zwinkels. Todos eles, ídolos absolutos dos torcedores – mesmo que sejam mais raça do que técnica, caso de Beugelsdijk. Zwinkels, aliás, é o grande exemplo: não bastasse ser cria da casa, desde 2005 jogando, vive a melhor temporada da carreira (na rodada passada, se o Ajax amargou um 0 a 0 em plena Amsterdam Arena, o goleiro foi o responsável). No mesmo caso, estão figuras como Ryan Koolwijk, capitão que já voltou e saiu do Excelsior, mas tem ligação histórica com a torcida.

Paz para trabalhar, enfim. Medidas “simpáticas” à torcida sem deixarem de ser estimulantes ao clube. Jogadores de certa técnica. Com tudo isso, ADO Den Haag, Excelsior e VVV-Venlo subverteram as expectativas. De surpresas assim se fazem as temporadas, ora, como não?

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 3 de março de 2018)

domingo, 19 de março de 2017

Perto de "vvvoltar"


O VVV-Venlo já prepara a festa da volta à primeira divisão (Daniel van den Berg/vvv-venlo.nl)
Quick Boys, Achilles ’29, Go Ahead Eagles… vez por outra, há nomes pitorescos nos clubes do futebol holandês. Outro fenômeno comum nas nomenclaturas das agremiações daquele país é a “sopa de letrinhas”: PSV, NEC, NAC (Breda), MVV, ADO, o falido AGOVV Apeldoorn... Pois bem: geralmente, nessas siglas, as letras “V” são referentes a “voetbal” (futebol) e “vereniging” (união, associação). Bastou que fosse fundado um clube, na cidade de Venlo, em 7 de fevereiro de 1903, para que ficasse previsível o nome: Venlose Voetbal Vereniging, Associação de Futebol de Venlo. O tempo e a coincidência pitoresca encarregaram-se de tornar o VVV-Venlo um clube que conseguiu unir, em um só nome, a curiosidade e as letras.

E é justamente a equipe aurinegra que está às portas do retorno à Eredivisie. Assim como ocorreu com os últimos campeões da segunda divisão holandesa, o VVV conseguiu disparar num certo momento da temporada. E atualmente, com a Eerste Divisie já na 30ª rodada (a ser iniciada hoje), a oito do final, os Venlonaren já ostentam 69 pontos. Na teoria, uma vantagem já gigante para o segundo colocado: 11 pontos. Na prática, quase inalcançáveis 15 pontos para o único time que possa impedir o acesso direto à primeira divisão, luxo único para o campeão. “Como assim? Quem é o segundo colocado?”, há de perguntar o leitor. Calma, que ele já virará assunto. Sexta-feira, no Espreme a Laranja (sabe como é, piada sem graça e pênalti não se perdem...).

A curiosidade do VVV-Venlo em sua campanha já na rota do título é que o clube não possui muitos destaques individuais em sua equipe. Goleador? Longe disso: o topo da lista está com Tom Boere, do FC Oss, clube nas últimas posições da tabela, autor de 28 gols. Depois, vem Piotr Parzyszek, do De Graafschap (que caiu da Eredivisie, via repescagem), com 19 gols. E jogadores do VVV só aparecerão na sétima posição da lista, com os atacantes Ralf Seuntjens e Vito van Crooy, cada um com 13 gols. Clube com mais gols marcados? Não, também não é: é o segundo, com 65. O líder da Eerste Divisie só ponteia na defesa menos vazada (18 gols sofridos) e no número de chutes a gol (255).

Desta forma, é possível dizer que o principal mérito do VVV-Venlo em sua campanha está na coesão do time – e no equilíbrio entre experiência e juventude. Mesmo tendo se frustrado na busca do acesso, em 2015/16 (foi eliminado na segunda fase dos play-offs, pelo Go Ahead Eagles), a diretoria seguiu confiando no trabalho de Maurice Steijn como técnico. Manteve no elenco Ralf Seuntjens, o principal destaque da temporada passada. Algumas perdas foram contrabalançadas com contratações razoáveis para os baixos padrões técnicos da segunda divisão – os meio-campistas Clint Leemans e Joey Sleegers são bons exemplos.

E os reforços entrosaram-se bem com a base que já existia, fosse com os mais experientes no clube (o volante Danny Post e o zagueiro Jerold Promes), fosse com as novidades (das quais o atacante Vito van Crooy, 20 anos, é a mais satisfatória). Assim, o caminho foi aberto para a volta à primeira divisão, após quatro anos. Já se fala abertamente que é questão de tempo a comemoração da “vvvolta” do VVV-Venlo – onde, só para continuar com os “v”, já jogou VV...Vampeta, que passou o primeiro semestre de 1995 cedido ao clube de Venlo.

Contudo, se o VVV-Venlo é o destaque mais claro desta temporada na segunda divisão holandesa, o vice-líder supracitado também tem lá suas razões para merecer atenção. Não que também seja barbada para subir: afinal de contas, as equipes B que disputam a Eerste Divisie já sabem que a promoção à elite é proibida para elas. Até por isso, o Jong Ajax, time de aspirantes dos Amsterdammers, dá oportunidade constante a gente que logo aparecerá no time de cima. E o nível da geração tem sido bom o suficiente para ocupar a segunda posição, com 58 pontos – quatro à frente do MVV Maastricht, único clube a poder ameaçar na prática o título do VVV.

Van de Beek, Nouri, Kluivert, De Ligt e Sierhuis (de cima para baixo, da esquerda para direita): a nova geração do Ajax já dá capa de revista, é é considerada "o futuro" (Reprodução/Voetbal International)
Basta citar a lista de jogadores jovens que, nesta temporada, já atuaram no Jong Ajax e também receberam as primeiras oportunidades entre os comandados por Peter Bosz: o zagueiro Matthijs de Ligt, os meio-campistas Frenkie de Jong e Abdelhak Nouri, os atacantes Pelle Clement e Justin Kluivert – sem contar David Neres, que vai sendo “treinado” no Jong Ajax antes de ser mais usado no time de cima. Com mais ritmo de jogo, os novatos ganham mais confiança e preparação para serem opções imediatas para Peter Bosz, além de virarem apostas quase imediatamente. Nouri já esteve sob os holofotes nesta temporada; Kluivert também; e a “febre da vez” é De Ligt, 17 anos, que teve atuação primorosa contra o Copenhague, nesta quinta, pela Liga Europa – a ponto dos exagerados já pedirem sua presença na convocação de Danny Blind para os jogos contra Bulgária (eliminatórias da Copa) e Itália (amistoso). E até mesmo gente exclusiva do Jong Ajax, como o atacante Kai Sierhuis, tem merecido certa atenção.

Além dos novatos, já falados a ponto de merecerem capa da revista Voetbal International, há também o caso de gente mais velha que, para ganhar ritmo após se recuperar de lesão, joga algumas partidas antes de voltar ao time de cima. Ou mesmo ganha nos aspirantes as oportunidades que não recebe na equipe principal. O que já aconteceu com muita gente, nesta temporada, pelo Jong Ajax: Jaïro Riedewald, Davinson Sánchez, Heiko Westermann, Thulani Serero, Mateo Cassierra, Vaclav Cerny... aconteceu até mesmo com Tim Krul, que fez duas solitárias partidas pelo Jong Ajax na segunda divisão antes de deixar o clube. E também acontece com outro exemplo de equipe B que faz boa campanha: o Jong PSV, quarto colocado. Pelos aspirantes de Eindhoven, já estiveram Oleksandr Zinchenko, Siem de Jong, Steven Bergwijn, Jürgen Locadia...

O que não quer dizer que os Eindhovenaren também não desovem na equipe de jovens suas “cartas na manga”. Uma vez ou outra, Phillip Cocu já se valeu dos préstimos dos atacantes Sam Lammers e Ramon-Pascal Lundqvist. E já se fala que, para 2017/18, mais gente do Jong PSV aparecerá no grupo de cima para não sair mais: o zagueiro Jurich Carolina, o volante Pablo Rosario, o meio-campista Kenneth Paal, além dos citados. Pelo menos para isso, a inclusão das equipes B dos grandes clubes na segunda divisão tem servido: para dar ritmo de jogo aos novatos holandeses – que assim, quem sabe, rendam o que não têm rendido nas seleções de base.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 17 de março de 2017)