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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Guia da Eredivisie 2026/27: PSV

Sven Mijnans chegou como o principal reforço de um PSV que tem grandes condições de ser tetracampeão, mas já encontrou erros a serem corrigidos (Marcel Bonte/Soccrates/Getty Images)

Philips Sport Vereniging

Cidade: Eindhoven   
Estádio: Philips Stadion (capacidade para 36.500 torcedores)
Apelidos: Boeren (em holandês, "fazendeiros" - referência ao grande número de fazendas e áreas verdes na região onde fica Eindhoven); Eindhovenaren (nativos de Eindhoven) 
Títulos: 26 Campeonatos Holandeses (merecem destaque 1 Copa dos Campeões, 1 Copa da UEFA e 10 Copas da Holanda)
Ranking histórico:
Patrocínio: Brainport Eindhoven (conglomerado formado por cinco empresas de Eindhoven)
Técnico: Peter Bosz
Destaque: Ivan Perisic (atacante)
Fique de olho: Ruben van Bommel (atacante) e Noah Fernandez (atacante)
Brasileiros no elenco: Mauro Júnior (ala esquerdo)
Temporada passada: Campeão
Copas europeias: Liga dos Campeões (fase de liga)
Objetivo: Título
Amistosos de pré-temporada:
4 de julho - PSV 1x1 Royal Antwerp
11 de julho - PSV 3x2 Raków Częstochowa-POL
18 de julho - PSV 7x3 Union Saint Gilloise-BEL
20 a 24 de julho - Viagem para treinos de pré-temporada em Marienfeld-ALE
25 de julho - PSV 1x3 Villarreal-ESP
28 de julho - PSV 3x0 FC Eindhoven (amistoso com o Jong PSV escalado)
Principais chegadas: [Joël Drommel (G, Sparta Rotterdam)], [Adamo Nagalo (D, Konyaspor-TUR)], Sven Mijnans (M, AZ) e [Isaac Babadi (A, Royal Antwerp-BEL)]
Principais saídas: Joël Drommel (G, Twente), Niek Schiks (G, RKC Waalwijk), [Anass Salah-Eddine (D, Roma-ITA)], Tygo Land (M, Groningen), Ismael Saibari (M, Bayern de Munique-ALE) e Myron Boadu (A, liberado)

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
[transferência em definitivo após empréstimo]

O PSV está por cima, no futebol da Holanda (Países Baixos). Mas está com a insatisfação crescente. Explica-se: tricampeão, com um técnico plenamente respaldado pela diretoria - Peter Bosz renovou contrato até 2028, até porque a federação holandesa nada quis com ele -, com um grupo de jogadores badalado, plenamente capaz de conseguir o terceiro tetracampeonato nacional da história dos Boeren, também capaz de fazer algo melhor do que a temporada passada, em termos de Liga dos Campeões. De perda sensível, até agora, na equipe de Eindhoven, só mesmo Ismael Saibari. No mais, pelo menos para o começo da temporada, ficam no Philips Stadion Sergiño Dest, Mauro Júnior (agora capitão, enquanto Jerdy Schouten, dono da braçadeira, está fora pela lesão no ligamento cruzado do joelho), Joey Veerman (este até deseja sair, mas enquanto um clube de Espanha ou Inglaterra não se interessa, vai ficando), Guus Til, Ivan Perisic, Ricardo Pepi, todos nomes que tiveram importância - maior ou menor - no tricampeonato e na fase de domínio que os Eindhovenaren têm, atualmente.

Porém (ai, porém...) a equipe não tem brilhado muito na pré-temporada. A derrota contra o Villarreal assustou, pela fragilidade defensiva, e aí ela já inclui o goleiro tcheco Matej Kovar, presente na Copa. De reforços, também, nada que impressione: o único foi Sven Mijnans, que pode colaborar no meio-campo - e até se tornar convocável para a seleção da Holanda (Países Baixos) -, mas não aumenta muito o nível que o PSV já tem, assim como as voltas de Ruben van Bommel e Alassane Pléa, ambos recuperados de lesões sérias na temporada passada. Além do mais, é notável que a concorrência já se prepara para tentar impedir que o tetracampeonato venha. E o que se viu até agora indica que a diferença para o PSV está menor do que a temporada passada mostrou, até por nunca um campeão holandês ter tamanha diferença de pontos ao conquistar o título. Será bom começar a temporada com tudo, para lembrar qual é (ainda) o maior favorito a levar a salva de prata. Até porque a derrota - pesada, com goleada - na Supercopa da Holanda deixou claro: o PSV precisa trabalhar para manter o crédito.

domingo, 24 de maio de 2026

Análise da temporada: PSV

Saibari (à esquerda) e Veerman foram os principais símbolos técnicos de um PSV que dominou rodada a rodada, até o tricampeonato - e mesmo depois dele (Tobias Kleuver/ANP/Getty Images)

Colocação final: Campeão, com 84 pontos (27 vitórias, 3 empates e 4 derrotas)
No turno havia sido: 1º lugar, com 46 pontos
Time-base: Kovar; Dest (Sildillia), Schouten (Flamingo), Yarek e Mauro Júnior (Salah-Eddine); Veerman, Saibari e Wanner; Bajraktarevic (Man), Til (Pepi) e Perisic
Técnico: Peter Bosz
Maiores vitórias: PSV 6x1 Sparta Rotterdam (1ª rodada) e PSV 6x1 Zwolle (31ª rodada) 
Maior derrota: Telstar 3x1 PSV (28ª rodada)
Principal jogador: Ismael Saibari (meio-campo) 
Artilheiro: Ricardo Pepi (atacante), com 16 gols
Quem deu mais passes para gol: Joey Veerman (meio-campista), com 14 passes
Quem mais partidas jogou: Ryan Flamingo (defensor), com 33 partidas
Copa nacional: eliminado pelo NEC, na semifinal
Competições continentais: Liga dos Campeões (eliminado na fase de liga)

Quando o primeiro turno terminou, uma das únicas preocupações do PSV - já então líder absoluto do Campeonato Holandês - se resumia numa pergunta: havia perigo de uma queda brusca, como a que chegou a deixar a equipe longe do título na temporada passada antes da arrancada para ganhá-lo? Até ali, não havia motivos para temores. Afinal de contas, a história praticamente se repetia: em que pesasse pelo menos um vexame (a derrota para o Telstar, na 4ª rodada, em casa), o time de Eindhoven já abria 11 pontos de vantagem na liderança, tinha o melhor ataque e a melhor defesa, vários destaques apareciam para o campeonato (de Sergiño Dest a  Ivan Perisic, passando por Mauro Júnior, Ismael Saibari, Joey Veerman e Ricardo Pepi)... enfim, prontos para seguir sem solavancos rumo ao título, os Boeren estavam. Seguiriam assim? Bastou o returno começar para que a torcida dos Eindhovenaren pudesse comemorar a resposta positiva: 2026 já começou com uma goleada por 5 a 1 sobre o Excelsior. Até mesmo em partidas nas quais o time ia mal, se dedicava e insistia até pontuar. Dois exemplos já vieram logo no começo do returno: os 2 a 1 no Fortuna Sittard (19ª rodada) e o empate em 2 a 2 com o NAC Breda (20ª rodada - Armando Obispo empatou nos acréscimos). 

Quando veio o 3 a 0 no clássico contra o Feyenoord, na 21ª rodada, já eram 17 pontos de vantagem na primeira posição - e desde então, o PSV entrou em contagem regressiva para o título. Houve momentos ruins, sim: a queda decepcionante na Liga dos Campeões, cair para o NEC (3 a 2 sofridos em casa, na 27ª rodada, sem contar a derrota na semifinal da Copa da Holanda), outra vez perder para o Telstar (3 a 2, na rodada seguinte). Chegou até a parecer que o PSV fracassaria na tentativa de bater o recorde de título mais precoce da história do Campeonato Holandês. Aí, entrou a qualidade: na 29ª rodada, contra o Utrecht, o time saiu atrás, mas Saibari - talvez o craque do campeonato - insistiu, Couhaib Driouech marcou o gol da vitória por 4 a 3 no minuto final dos acréscimos... e no dia seguinte, com o 0 a 0 entre Volendam e Feyenoord, a festa do tri pôde começar cedo, como nunca antes ocorrera em 70 anos de Eredivisie, a seis rodadas do fim. E o mais incrível foi notar: nem a ausência de Jerdy Schouten, machucado justamente na vitória contra o Utrecht, nem uma viagem "de festa" ao balneário espanhol de Ibiza, nem o título garantido tiraram o PSV do foco na reta final da temporada. Tanto que veio mais uma goleada na 31ª rodada (6 a 1 no Zwolle). Tanto que veio mais um recorde: com 19 pontos de vantagem, nunca um campeão ficou tão distante para o segundo colocado na história da Eredivisie. E o que já se tinha no fim do turno foi mantido: melhor mandante, melhor visitante, melhor ataque... também foi mantida a certeza: sim, o PSV continua sendo o melhor da Holanda (Países Baixos). 

domingo, 5 de abril de 2026

A análise do campeão: melhoria contínua

Antes mesmo de poder erguer a taça em campo, o PSV já é o campeão holandês. Ou melhor: tricampeão. Dando toda a impressão de que está pronto para mais (Dean Mouhtaropoulos/Getty Images)

Exagero falar que o PSV é o "campeão da pobreza", apelido pejorativo dado no futebol da Holanda (Países Baixos) a um time que seja campeão nacional com a concorrência em má fase. Desde a chegada de Peter Bosz, há quase três anos, o clube da "Cidade das Luzes" voltou a dominar o Campeonato Holandês, e ser o clube com mais títulos da Eredivisie neste século - o 13º foi confirmado com cinco rodadas de antecipação, como se sabe, neste domingo, 5 de abril - só mostra a constância maior que os Eindhovenaren têm até agora. E tendo em vista que o clube já teve um tetracampeonato neste século, de 2005 a 2008, é muito plausível pensar que isso pode acontecer de novo. 

Basta ter em vista todo o seu ambiente interno, com a dupla Marcel Brands (diretor geral) e Earnie Stewart (diretor de futebol) dando respaldo e condições de trabalho ao técnico Peter Bosz - que tem pleno respeito do grupo, ainda mais com contrato renovado até 2028. Além do mais, o ambiente do PSV costuma ser, e está, bem menos turbulento do que os dos arquirrivais Ajax (preso ao velho dilema do "DNA Ajax", tentando se reconstruir sob o novo diretor geral, Jordi Cruyff) e Feyenoord (com as escolhas cada vez mais criticadas de Dennis te Kloese, acumulando as direções gerais e de futebol, e do técnico Robin van Persie - a permanência de ambas será muito bem avaliada no fim da temporada).

Earnie Stewart (diretor de futebol) e Marcel Brands (diretor geral) deixam o caminho plano, o técnico Peter Bosz sabe o que fazer, os jogadores têm clareza... e o PSV segue no rumo certo (Joris Verwijst/BSR Agency/Getty Images)

Contudo, se o título de 2023/24 teve uma dominância até maior do que agora (vale lembrar do melhor primeiro turno dos 69 anos de profissionalismo do futebol neerlandês, 17 vitórias em 17 jogos) e o bicampeonato de 2024/25 teve a grande emoção como seu trunfo (o PSV chegou a abrir nove pontos de vantagem na liderança, despencou e ficou nove pontos atrás do Ajax, mas arrancou e viu o Ajax cair para confirmar a conquista na última rodada), inegavelmente o 27º título holandês chega à sala de troféus do Philips Stadion com sorrisos amarelos e a sensação de que falta alguma coisa.  Talvez, o que falte seja uma ocasião que mostre esse domínio fora do nicho que acompanha o futebol holandês. Afinal, o PSV até chegou às semifinais da Copa da Holanda, mas caiu para o NEC, já considerado a surpresa mais agradável da temporada holandesa de futebol antes mesmo do fim dela. E na Liga dos Campeões, mostrando fragilidades defensivas e inconstância, ficou na fase de liga - queda decepcionante, para um clube que conseguira ir às oitavas de final na temporada passada. Se é tão dominante na liga, fica a impressão de que poderia tentar a "dupla coroa" que não consegue desde a temporada 2024/25. E se é tão dominante no futebol holandês, falta ao PSV uma campanha marcante em torneio europeu.

Porque, se o bicampeonato teve uma dose de drama tão tormentoso quanto gostoso a qualquer torcedor, o tricampeonato chegou ao natural. Mesmo que a pré-temporada tenha trazido saídas esperadas - Malik Tillman, Noa Lang, Johan Bakayoko, o ídolo Luuk de Jong -, as reposições trouxeram jogadores de qualidade inquestionável para o nível técnico do futebol holandês, como o atacante marfinense Alassane Pléa e o ponta-direita romeno Dennis Man (este, vindo por empréstimo). E de quebra, nomes fundamentais permaneceram em Eindhoven, como a dupla Joey Veerman-Jerdy Schouten, Mauro Júnior, Sergiño Dest (este, de contrato renovado mesmo após séria lesão no joelho), Guus Til, Ismael Saibari. Foi o suficiente para já abrir a temporada vencendo a Supercopa da Holanda, fazendo 2 a 1 no Go Ahead Eagles. Foi o suficiente para estrear no Campeonato Holandês já pespegando 6 a 1 no Sparta Rotterdam. Foi o suficiente para vencer três jogos nas três primeiras rodadas. Nem mesmo o sério problema de perder o recém-contratado Pléa logo na segunda rodada - no 2 a 0 no Twente, fora de casa, o marfinense sofreu grave lesão na cartilagem do joelho - tirou o PSV do prumo.

Entretanto, a primeira derrota da temporada já deixou claro o principal problema do PSV dentro de campo: suas desatenções defensivas, e a dificuldade para encarar equipes boas no contra-ataque. O Telstar, que não jogava a Eredivisie desde 1978, deixou tudo isso a nu em pleno Philips Stadion, na quarta rodada, fazendo 2 a 0 em 30 de agosto de 2025, no que foi considerado o jogo mais surpreendente da temporada atual. Pelo menos, o PSV contrabalançou sobrepujando, fora de casa, o supracitado NEC: em jogo muito ofensivo, digno dos dois melhores ataques do campeonato, os visitantes de Eindhoven fizeram 5 a 3 em Nijmegen, controlando o tranco na quinta rodada da Eredivisie, em 13 de setembro. Contudo, o começo na fase de liga da Champions exemplificou até melhor este PSV inconstante: o mesmo time que estreava tomando 3 a 1 do Union Saint-Gilloise belga em casa impunha 6 a 2 ao Napoli, também em Eindhoven.

Momentos como as duas derrotas para o Telstar deixam claro que o PSV ainda tem problemas a melhorar. Isso, sem contar a eliminação precoce na Liga dos Campeões... (ProShots/Getty Images)

Pelo menos no Campeonato Holandês, o PSV logo deixou esse problema para trás no decorrer da campanha. Se permitiu o empate do Ajax na 6ª rodada - 2 a 2, em 21 de setembro de 2025 -, fazer 3 a 2 no Feyenoord, outro clássico, na 10ª rodada, em 26 de outubro, já indicou a abertura de vantagem na liderança. Assim como já fora na temporada passada, golear de novo o AZ em Alkmaar - 5 a 1, na 12ª rodada, em 9 de novembro - deixou claro que o Campeonato Holandês tinha um favorito ao título. E mesmo em jogos com atuações inferiores, o PSV fazia o que um time campeão precisa fazer: vencer, compensar dias ruins com o resultado. Exemplos assim sobraram: na 13ª rodada, na única chance fora de casa contra o NAC Breda, 1 a 0, e assim o placar ficou. Nas duas últimas partidas de 2025 pela Eredivisie, o PSV também superou suas dificuldades (fez 2 a 0 no Heracles Almelo, tomou o empate e ainda fez 4 a 3, na 16ª rodada, em 13 de dezembro; e virou para 2 a 1 no Utrecht, fora de casa, na 17ª rodada, fechando o turno).

2025 terminou, 2026 começou, e ficava a dúvida lembrando de 2025: se o PSV despencara na virada de temporada passada ao perder muitos jogadores machucados, como seria agora, vendo nomes como Ricardo Pepi novamente fora de combate (vítima de fratura no braço)? Simples: seria melhor. A primeira rodada do returno começou com 5 a 1 no Excelsior, fora de casa, em 10 de janeiro. Em 17 de janeiro, fora de casa, um jogo mais difícil do que se pensava contra o Fortuna Sittard teve vitória (2 a 1). Mesmo quando a vitória não vinha, pelo menos um ponto acontecia - contra o NAC Breda, em casa, na 20ª rodada, o zagueiro Armando Obispo foi buscar o gol do empate em 2 a 2 nos acréscimos.

Paralelamente, tentativas do técnico Peter Bosz tinham mais sucesso. Se os atacantes "de ofício" (Alassane Pléa, Ricardo Pepi, Myron Boadu) estavam machucados, Guus Til era improvisado no meio da área... e chegava a 11 gols. Se o miolo de defesa sofria, Jerdy Schouten era recuado para ele - e dava certo. Assim como dava certo contar com os avanços de Ismael Saibari, forte candidato a melhor jogador do Campeonato Holandês. E se dava certo, era pela segurança habitual que traziam nomes como Mauro Júnior (o brasileiro com mais partidas na história do PSV, um ídolo do clube) e Perisic. Enquanto o NEC oscilava, enquanto Feyenoord e Ajax mergulhavam na crise, o PSV seguia. E quando fez 3 a 0 ainda no primeiro tempo do clássico contra o Feyenoord, na 21ª rodada, em 1º de fevereiro, abrindo dezessete pontos de vantagem na liderança, o título virou questão de tempo. E pouco tempo: começou a se falar da possibilidade de quebrar o recorde de maior precocidade na conquista do título holandês, coisa que o PSV mesmo fizera, em abril de 1978.

Ismael Saibari - talvez o melhor do campeonato - brilhou nos 3 a 0 contra o Feyenoord, na 21ª rodada. E o tricampeonato virou questão de pouco tempo (Marcel ter Bals/DeFodi Images/DeFodi via Getty Images)

Se as eliminações na Liga dos Campeões e na Copa da Holanda decepcionavam, também deixavam mais tempo para o PSV se concentrar no título que viria. Se havia mais derrotas no caminho - 2 a 1 tomados do Volendam, na 23ª rodada; 3 a 2 do NEC, na 27ª rodada, em outro jogo altamente equilibrado; e os 3 a 1 do Telstar, na 28ª rodada, que já poderia ter terminado com o título -, elas pareciam apenas adiar um pouco a conquista.

Mas o PSV fez sua parte para que ela viesse com o recorde. Contra o Utrecht, ficou com 2 a 0 atrás, buscou a virada, e ainda tomou mais um empate antes de que Couhaib Driouech - coadjuvante útil sempre - fizesse o gol do 4 a 3. No dia seguinte, o Feyenoord fracassou contra o Volendam (0 a 0). E o título veio. Como provavelmente viria, tamanha era a confiança interna no PSV. Em campo, segundo disse Jerdy Schouten - ausência nesta reta final e nos próximos meses, com lesão ligamentar no joelho: "Em nenhum momento pensei que não seríamos campeões". Fora dele também, com o diretor de futebol Earnie Stewart apregoando: "Trabalho todos os dias é para isso mesmo".

Vêm aí mais desafios: as prováveis saídas de Schouten, de Veerman, de Saibari. Mas o PSV parece estar pronto para elas. Típico de um campeão em melhoria contínua, em que todo mundo - diretoria, técnico, jogadores - parece saber exatamente o que fazer. Para fazer o que sempre dá prazer: erguer a taça.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Parada obrigatória: PSV

Ah, o PSV começou a temporada rateando? Pois ninguém se desesperou, e o time de Eindhoven já recuperou o domínio nesta Eredivisie, afirmando seu favoritismo ao título (Kevin Senders/Marcel ter Bals/DeFodi Images/DeFodi via Getty Images)

Posição: 1º lugar, com 46 pontos (15 vitórias, 1 empate e 1 derrota)
Técnico: Peter Bosz 
Time-base: Kovar; Dest, Schouten, Yarek e Salah-Eddine; Mauro Júnior, Saibari e Veerman; Man, Til (Pepi) e Perisic
Maior vitória: PSV 6x1 Sparta Rotterdam (1ª rodada)
Maior derrota: PSV 0x2 Telstar (4ª rodada)
Copa da Holanda: enfrentará o Den Bosch (segunda divisão), nas oitavas de final
Competição europeia: Liga dos Campeões (21º colocado na fase de liga)
Artilheiro: Guus Til (meio-campista), com 11 gols
Objetivo do início: Título
Avaliação: Após alguns percalços no início, logo o time de Eindhoven se encontrou, e aproveitou as falhas dos adversários para abrir grande vantagem na liderança. Nada está garantido, mas os Boeren têm excelentes condições para tentarem o tricampeonato

Para o atual bicampeão holandês, começar a temporada 2025/26 conquistando a Johan Cruyff Schaal (Supercopa da Holanda) e já colocando 6 a 1 no Sparta Rotterdam, na rodada de abertura da liga, era uma prova de força. Mas uma prova de força... frágil. Afinal de contas, o PSV tinha de lidar com as perdas habituais a times neerlandeses na janela de transferências - Noa Lang, Johan Bakayoko, Luuk de Jong -, com algumas perdas repentinas (mal foi contratado para o ataque, Alassane Pléa já machucou gravemente o joelho nos 2 a 0 no Twente, pela 2ª rodada da Eredivisie), o goleiro tcheco Matej Kovar falhava aqui e ali... o sinal amarelo acendeu quando a 4ª rodada trouxe a maior surpresa da temporada até aqui, com o Telstar fazendo 2 a 0 em pleno Philips Stadion, e a participação na Liga dos Campeões trouxe uma queda para o Union Saint Gilloise belga também em casa (3 a 1). O PSV fraquejaria? Para a sorte do ambiente ali, o técnico Peter Bosz estava tranquilo, assim como o diretor geral Marcel Brands e o diretor de futebol Earnie Stewart (estes formam a dupla que manda no clube). Os três sabiam: a reação era só questão de tempo. Bons jogadores não faltavam, para o padrão da Eredivisie: de Sergiño Dest a Ricardo Pepi, passando por Guus Til, Joey Veerman, Mauro Júnior, Ismael Saibari, Ivan Perisic... 

E a calma deu resultado. Logo os novos contratados se estabeleceram - Yarek Gasiorowski na zaga e Dennis Man no ataque, por exemplo. Mudanças táticas forçosas resultaram melhor do que a encomenda: escalado no ataque enquanto Ricardo Pepi se recuperava de lesão, Guus Til (meia de origem) já fez 11 gols na liga, e quando Pepi voltou, também fez os dele (7 gols). Na Champions, foram provas reais de força os 6 a 2 no Napoli e os 4 a 1 no Liverpool. E na Eredivisie, quando foi necessário, os Boeren afirmaram seu favoritismo. O Feyenoord era líder? Pois no clássico da 10ª rodada, PSV 3 a 2 em De Kuip. Havia más atuações? Mesmo assim, as vitórias vinham, como contra o NAC Breda, na 13ª rodada (uma chance do PSV, 1 a 0). Até em momentos difíceis, como na 17ª rodada, quando o Utrecht chegou a fazer 1 a 0, os Eindhovenaren viraram para 2 a 1. E já têm 11 pontos de vantagem na liderança da Eredivisie, sem contar as chances de avançarem na Champions. Nada está definido (a temporada 2024/25 que o diga). Mas o PSV é o líder, com melhor ataque (52 gols), melhor defesa (21 tomados), melhor visitante, melhor mandante... enfim, está em excelentes condições para partir em busca do tricampeonato.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Menos otimismo

Desde a temporada 2008/09, a Holanda (Países Baixos) não tinha tantos clubes em fases introdutórias (então, fase de grupos; agora, fase de liga) de competições europeias. Agora, são seis. Além do mais, são boas as chances do país se manter à frente de Portugal e Bélgica no ranking de coeficientes da UEFA, tendo em vista que o português Santa Clara e o belga Charleroi já foram eliminados nos play-offs por lugar na fase de liga da Conference League. Caso algum clube neerlandês consiga uma boa campanha em Liga dos Campeões, Liga Europa ou Conference, já serviria para talvez, até, perturbar a França no ranking. Contudo, está aí o problema: algum holandês fazer uma campanha notável, ir longe.

É impossível? Claro que não. Afinal de contas, PSV e Feyenoord alcançaram as oitavas de final da Champions em 2024/25. Entretanto, também não puderam sonhar muito em passar delas - assim como Ajax e AZ, ambos despachados também nas oitavas da Liga Europa passada. E pelo modo como esta temporada começou, por incrível que possa parecer, só Utrecht e AZ mostram alguma consistência em campo. O Go Ahead Eagles tem um "caldeirão" em seu estádio, tem alguns jogadores, mas ficam fortes dúvidas sobre o que poderá fazer com a concorrência mais forte da Liga Europa. E os três grandes do país ainda oscilam demais dentro de campo, o que lhes pode prejudicar nas competições continentais. Se é bom ver tantos holandeses chegando a elas, melhor ainda seria voltar a ver um deles indo longe - o último foi o AZ, semifinalista da Conference em 2022/23. A ver quais são as perspectivas.

Liga dos Campeões

O PSV pode até avançar na Liga dos Campeões, mas terá adversários mais difíceis (Getty Images)

PSV (lista de inscritos e tabela de jogos)

O atual bicampeão da Eredivisie terá agora desafios maiores do que teve na fase de liga da Champions passada. Nela, inclusive, oscilou: se conseguiu algumas vitórias notáveis - como a virada sobre o Shakhtar Donetsk, na fase de liga (de 2 a 0 contra para 3 a 2, com o terceiro gol nos acréscimos do 2º tempo), ou a eliminação sobre a Juventus, na segunda fase, num Philips Stadion que carregou a equipe para a classificação -, amargou a maior derrota de sua história em torneios europeus, na ida das oitavas de final, com os marcantes 7 a 1 do Arsenal. 

Contudo, agora, os adversários na fase inicial parecem um pouco mais exigentes para os Boeren do que em 2024/25: nada menos do que cinco campeões nacionais - Bayern de Munique, Liverpool, Napoli, Olympiacos e Union Saint-Gilloise (estes últimos, mais acessíveis, verdade) -, equipes exigentes em Newcastle e Bayer Leverkusen (este, mesmo com a turbulência da demissão de Erik ten Hag)... além disso, o time de Eindhoven teve perdas sensíveis: Olivier Boscagli, Johan Bakayoko, Malik Tillman, Luuk de Jong. E seu início de Eredivisie mostra algumas fragilidades, ainda. Pelo menos, há alguns destaques remanescentes: Sergiño Dest, Joey Veerman, Guus Til, Ismael Saibari, Ricardo Pepi. Eles precisarão aparecer, para que o PSV possa sonhar em entrar no "bolo" da segunda fase. Talvez, aparecer até mais do que na temporada passada.

O Ajax começa a temporada oscilante, terá adversários difíceis no começo da fase de Liga dos Campeões... mas pode reagir para ir à segunda fase (Patrick Goosen/BSR Agency/Getty Images)

Ajax (lista de inscritos e tabela de jogos)

Até que o Ajax teve bom desempenho na Liga Europa passada. Num certo momento, teve até chances de ir diretamente para as oitavas de final. Entretanto, o fim traumático da temporada passada no Campeonato Holandês - perder um título muito próximo para o PSV, após ter vantagem de nove pontos na frente, a cinco rodadas do fim - foi a gota d'água para o técnico Francesco Farioli sair, já em meio a muitas discordâncias com a direção de futebol do clube. Ainda assim, pelo menos, restava um minúsculo prêmio de consolação: voltar à fase de liga da Champions, após três anos. Já era um primeiro passo para sair do mau momento vivido pelo clube. 

Mas só um primeiro passo, porque o técnico John Heitinga voltou ao clube que tão bem conhece, para treinar um time de volta à estaca zero: muitos jogadores saindo (Jorrel Hato, Jordan Henderson, Bertrand Traoré, Brian Brobbey), a pressão por um Ajax mais ofensivo em campo, as inconstâncias que o time ainda mostra em campo (já são dois empates em cinco rodadas na Eredivisie), um começo complicado de fase de liga. Internazionale e Chelsea são adversários exigentes; Galatasaray e Benfica até trazem mais equilíbrio, mas entram por cima atualmente. Mas o fim de fase de liga oferece mais possibilidades: Qarabag-AZE, Villarreal-ESP... quem sabe, a essas alturas, o Ajax já esteja mais estabilizado em campo, para poder avançar ao mata-mata.

Liga Europa

O Feyenoord sonhou em estar na Champions. Estará na Liga Europa. Não é de todo ruim, o time tem condições, mas precisa de alguma melhoria (Joris Verwijst/BSR Agency/Getty Images)

Feyenoord (lista de inscritos e tabela de jogos)

O Feyenoord sonhou com a Liga dos Campeões, na qual entrou na terceira fase preliminar. Mas este sonho já acabou contra o Fenerbahçe-TUR: mesmo vencendo o jogo de ida (2 a 1, com gol da vitória no último minuto), mesmo abrindo o placar na volta em Istambul, a má atuação defensiva foi prato cheio para o Fener aproveitar, virar, golear (5 a 2) e ir aos play-offs. Frustração? Mais ou menos: ir à Champions seria melhor, mas o Stadionclub já tinha uma vaga assegurada na Liga Europa - e logo na fase de liga. Certo, já não haverá Igor Paixão, o dínamo ofensivo do clube nos últimos anos. Nem Dávid Hancko, o principal nome da defesa. Nem mesmo revelações que poderiam ajudar, como Antoni Milambo. 

Ainda assim, a impressão que ficou é de que a janela de transferências poderia trazer mais perdas do que trouxe - tanto que Quinten Timber, cotado para sair até o fim, ficou no Stadionclub. E vindas como as de Sem Steijn e Luciano Valente, que já ajudam num começo 100% no Campeonato Holandês, podem ajudar o time a passar pela maioria dos adversários na fase de liga (incluindo aí, contra o Celtic-ESC, um reencontro numa tradicional rivalidade). Há coisas a corrigir, sim, como a falta de um atacante confiável. Mas a impressão que a equipe treinada por Robin van Persie passa é que, dos três grandes neerlandeses, é a que começou mais sólida a temporada. Isso pode ajudar a seguir na Liga Europa.

O Utrecht voltou a onde queria estar, após 15 anos: uma competição europeia. Se os adversários mais fortes vêm quentes, os Utregs estão fervendo (Joris Verwijst/BSR Agency/Getty Images)

Utrecht (lista de inscritos e tabela de jogos)

Enfim, o Utrecht está onde queria estar havia muito tempo. Mais precisamente, há 15 anos: a última participação dos Utregs num torneio europeu fora na temporada 2010/11, ainda num formato antigo da Liga Europa, com fase de grupos. Desde então, o clube virou habitué da repescagem da Holanda (Países Baixos) por lugar no torneio - depois, na Conference League. Às vezes, até vencia esta repescagem. Mas nunca chegava ao espaço mais visto, a fase de grupos/fase de liga: sempre ficava nas preliminares. Pois bem: a ótima campanha na liga holandesa em 2024/25, com a quarta posição, enfim levava o clube à Liga Europa sem precisar de repescagem. 

Ah, seria nas fases preliminares? Sem problemas: dois jogos na segunda fase preliminares, duas vitórias (sobre o Sheriff Tiraspol moldavo). Na terceira fase preliminar, mais dois triunfos, diante do Servette-SUI. E nos play-offs que levavam à fase de liga, uma revanche: despachar com mais duas vitórias o Zrinjski Mostar, da Bósnia, justamente o algoz do Utrecht numa dessas fases preliminares (a segunda fase da Liga Europa, em 2018/19). Chegando 100% à fase de liga, agora a pergunta é outra: ah, a tabela dos Utregs não é difícil demais, contra clubes contra Porto, Betis e Nottingham Forest? Pode até ser. Mas o time tem uma mescla interessante de juventude (vale ver o lateral esquerdo Souffian El Karouani) e experiência (na zaga, com Mike van der Hoorn e Nick Viergever - este, ex-AZ, PSV e Ajax, pode virar o jogador holandês com mais partidas por torneios europeus na história; no ataque, com Sébastien Haller, de volta). Tem em Ron Jans um técnico holandês que sabe jogar pelo resultado. Se o Utrecht, enfim, está num torneio europeu a sério, sonhar não custa nada...

    Tabela difícil? O Go Ahead Eagles não se importa: já curte a experiência europeia na Liga Europa, inédita em sua história (Gerrit van Keulen/ANP/Getty Images)

Go Ahead Eagles (lista de inscritos e tabela de jogos)

As estatísticas dizem: ao lado do SK Brann (Noruega), o Go Ahead Eagles é o clube mais frágil desta fase de liga da Liga Europa. Francamente, a torcida das Águias não está se importando muito com o que as estatísticas apontam. Sim, é verdade que o "Kowet" talvez seja o mais frágil representante dos Países Baixos nos torneios continentais. Mas para um clube que, há cinco anos, estava na segunda divisão, figurar numa competição europeia pela primeira vez em sua história é prova inequívoca de uma grande evolução. Dentro e fora de campo. Dentro de campo, isso já se via desde 2023/24, quando o clube da cidade de Deventer já conquistou a repescagem que leva a um lugar na Conference League. Falhou nela: já caiu para o supracitado SK Brann, na segunda fase preliminar. 

Mas o temor de que aquilo fosse sorte de principiante foi superado com um 2024/25 brilhante, que seguiu com boa campanha na Eredivisie e terminou com o título da Copa da Holanda, inédito na história do clube. Por mais que alguns responsáveis pela façanha já tenham deixado o clube, como o técnico Paul Simonis (agora no Wolfsburg) e o meio-campo finlandês Oliver Antman (agora no Rangers-ESC), a lua-de-mel com a torcida segue. E mesmo que as perspectivas sejam pequenas, vale esperar para ver o que podem fazer nomes como o goleiro Jari de Busser, o lateral direito Mats Deijl e o meio-campo Jakob Breum, todos de nível técnico digno. Valerá esperar para ver clubes como o Aston Villa e o Stuttgart irem jogar no "caldeirão" tão acanhado quanto empolgado que é o estádio De Adelaarshorst. E os torcedores já devem estar ansiosos para viagens aventureiras fora de casa, contra Lyon, Panathinaikos, Red Bull Salzburg-AUT... pode até ser clichê, mas mesmo caindo na fase de liga, o Go Ahead Eagles já comemora a presença na Liga Europa. Um ponto alto em sua história.

Conference League

Com um time bem entrosado e talentos como Kees Smit, o AZ pode sonhar na Conference (IconSport)

AZ (lista de inscritos e tabela de jogos)

Pois é: se a fama da Champions League é justificável, se a Liga Europa oferece mais tradição, é o AZ, representante holandês na fase de liga da Conference League (novamente tendo um time dos Países Baixos, aliás), que está mais otimista sobre sua sequência na temporada 2025/26. Nem era para ser tão otimista assim: afinal de contas, chegar à Conference foi duro. Primeiro, um desempenho algo decepcionante na Eredivisie 2024/25, causando a necessidade de disputar os play-offs pela vaga europeia. Neles, conquistar a vaga foi difícil: na decisão, contra o Twente, o time de Alkmaar tomava 2 a 0 em casa, e só virou no segundo tempo, com o 3 a 2 da vitória marcado nos acréscimos do 2º tempo. 

Sossego, então? Que nada: a estreia na segunda fase preliminar já teve uma surpresa ruim, com os 4 a 3 sofridos para o Ilves Tampere (Finlândia), no jogo de ida, fora de casa. Só assim o AZ tomou jeito: reverteu a vantagem do Ilves na volta (5 a 0); passou facilmente pelo FC Vaduz (Liechtenstein) na terceira fase preliminar, com duas vitórias; e despachou o Levski Sofia (Bulgária) nos play-offs. Na fase de liga, o sorteio só trouxe algumas dificuldades nas perspectivas sobre o jogo contra o Crystal Palace inglês. No mais, não só são boas as chances de ir às oitavas de final, diretamente, como o clube parece ter capacidade para isso em seu time. Principalmente, pelo crescimento dos jovens jogadores: Rome-Jayden Owusu-Oduro no gol, Kees Smit e Zico Buurmeester no meio-campo, Ibrahim Sadiq e Mexx Meerdink no ataque (onde também está o irlandês Troy Parrott e o recém-chegado brasileiro Weslley Patati). Se o time for mais constante, pode ser uma boa chance do AZ repetir a chegada à semifinal, como fez em 2022/23.



quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Guia da Eredivisie 2025/26: PSV

Ruben van Bommel recebeu a camisa do PSV do pai Mark. E será um dos símbolos da mudança por que o atual bicampeão passará, para tentar continuar a ótima fase (PSV/Divulgação)

Philips Sport Vereniging

Cidade: Eindhoven   
Estádio: Philips Stadion (capacidade para 36.500 torcedores)
Apelidos: Boeren (em holandês, "fazendeiros" - referência ao grande número de fazendas e áreas verdes na região onde fica Eindhoven); Eindhovenaren (nativos de Eindhoven) 
Títulos: 25 Campeonatos Holandeses (merecem destaque 1 Copa dos Campeões, 1 Copa da UEFA e 10 Copas da Holanda)
Ranking histórico:
Patrocínio: Brainport Eindhoven (conglomerado formado por cinco empresas de Eindhoven)
Técnico: Peter Bosz
Destaque: Ricardo Pepi (atacante)
Fique de olho: Ruben van Bommel (atacante)
Brasileiros no elenco: Mauro Júnior (ala esquerdo)
Temporada passada: Campeão
Copas europeias: Liga dos Campeões (fase de liga)
Objetivo: Título
Amistosos de pré-temporada:
5 de julho - PSV 1x0 Union Saint Gilloise-BEL
12 de julho - PSV 3x1 SV Elversberg-ALE
19 de julho - Stuttgart-ALE 4x4 PSV
26 de julho - PSV 2x1 Athletic Bilbao-ESP
30 de julho - PSV 2x1 FC Eindhoven
Principais chegadas: Matej Kovar (G, Bayer Leverkusen-ALE), Nick Olij (G, Sparta Rotterdam), Anass Salah-Eddine (D, Roma-ITA), Yarek Gasiorowski (D, Valencia-ESP), Kiliann Sildillia (D, Freiburg-ALE), Paul Wanner (M, Bayern de Munique-ALE), Ruben van Bommel (A, AZ), Dennis Man (A, Parma-ITA), Myron Boadu (A, Monaco-FRA) e Alassane Pléa (A, Borussia Mönchengladbach-ALE)
Principais saídas: Walter Benítez (G, Crystal Palace-ING), Joël Drommel (G, Sparta Rotterdam), Richard Ledezma (D, Chivas Guadalajara-MEX), Rick Karsdorp (D, dispensado), Olivier Boscagli (D, Brighton-ING), Tygo Land (D, Groningen), Malik Tillman (M, Bayer Leverkusen-ALE), Isaac Babadi (A, Royal Antwerp-BEL), Noa Lang (A, Napoli-ITA), Johan Bakayoko (A, RB Leipzig-ALE) e Luuk de Jong (A, Porto-POR)

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
[transferência em definitivo após empréstimo]

Atual bicampeão holandês, com o segundo título ganho de maneira inesperadamente deliciosa na temporada passada (com uma grande vantagem jogada fora, vendo o Ajax abrir outra grande vantagem também desperdiçada, e a conquista do bi na última rodada), clube embalado internamente (o diretor geral Marcel Brands e o diretor de futebol Earnie Stewart formam parceria entrosada), técnico absolutamente respaldado - Peter Bosz até já sinalizou que o PSV pode ser seu último trabalho em clubes, e até é cogitado como sucessor de Ronald Koeman na seleção holandesa masculina... bem, o time de Eindhoven deveria ser, em tese, o retrato do ditado "em time que está ganhando não se mexe", certo? Mais ou menos. É quase impossível que um clube holandês consiga manter seu grupo intocado de uma temporada para outra em condições normais, mas independentemente disso, mesmo num time campeão, o próprio treinador já sinalizara que precisava mudar algumas coisas. E esses dois traços estão presentes na preparação dos Boeren para esta temporada.

No lado das saídas, algumas já eram previsíveis durante a temporada passada mesmo: Walter Benítez, Richard Ledezma, Olivier Boscagli... Outras eram ocorrências previsíveis durante a janela de transferências que está acontecendo: aqui entram os casos de Noa Lang, Malik Tillman e Johan Bakayoko. E mesmo Luuk de Jong, talvez o grande ídolo dos Eindhovenaren neste século, tinha saída previsível, quando se supunha que seu espaço seria encurtado ao se saber que Ricardo Pepi - recuperado de grave lesão, mais jovem e com tanta capacidade goleadora quanto De Jong - já pedia a titularidade (até literalmente). Pois bem: é o que acontecerá nesta temporada. De resto, foram as reposições esperadas. E muito boas, para os padrões da Eredivisie. No gol, Nick Olij tem sua grande chance, após anos de destaque no Sparta Rotterdam (e o posto de terceiro goleiro nas convocações da Holanda/Países Baixos), mas tem concorrência forte no tcheco Matej Kovar, vindo do Bayer Leverkusen. Na zaga, o espanhol (descendente de poloneses) Yarek Gasiorowski tem condições de trazer segurança, como Boscagli fazia. No ataque, se Pepi ratear, Alassane Pléa é opção experiente e confiável. E Ruben van Bommel, se ficar livre das lesões, tem plenas condições de deslanchar no ataque e ser acarinhado pela torcida, como o pai Mark um dia foi. Sem contar os tantos que ficam: Mauro Júnior, Guus Til, Joey Veerman, o agora capitão Jerdy Schouten, Ismael Saibari, Ivan Perisic (de contrato renovado)... Enfim, o PSV mudou um pouco. Para tentar continuar igual: vitorioso.

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Análise da temporada: PSV

Ao invés da trajetória sem tropeços em 2023/24, o PSV viveu uma tremenda montanha-russa nesta temporada. Mas ela terminou, afinal, com o título (Hans van der Valk/BSR Agency/Getty Images)

Colocação final: Campeão, com 79 pontos (25 vitórias, 4 empates e 5 derrotas)
No turno havia sido: 1º lugar, com 45 pontos
Time-base: Benítez; Ledezma (Dest), Flamingo, Boscagli e Mauro Júnior; Saibari, Til e Veerman (Tillman); Bakayoko (Perisic), De Jong e Lang
Técnico: Peter Bosz
Maior vitória: Almere City 1x7 PSV (3ª rodada)
Maior derrota: Zwolle 3x1 PSV (19ª rodada)
Principais jogadores: Ismael Saibari (meio-campista) e Malik Tillman (meio-campista)
Artilheiro: Luuk de Jong (atacante), com 13 gols
Quem deu mais passes para gol: Ismael Saibari (meio-campista), com 11 passes
Quem mais partidas jogou: Walter Benítez (goleiro) e Ryan Flamingo (zagueiro), ambos com 32 partidas
Copa nacional: eliminado na semifinal, pelo Go Ahead Eagles
Competições continentais: Liga dos Campeões (eliminado pelo Arsenal-ING, nas oitavas de final)

Como se sabe, a temporada do bicampeão pode ser dividida em três partes. Na primeira - que, de certa forma, durou por todo o primeiro turno -, os destaques sempre apareciam: de Mauro Júnior a Luuk de Jong, passando por todo o meio-campo (Joey Veerman, Jerdy Schouten, Guus Til, Malik Tillman, Ismael Saibari), e incluindo colaborações no ataque (Noa Lang, Ivan Perisic, Couhaib Driouech e, enquanto esteve em Eindhoven, Hirving Lozano). Somente duas derrotas, goleadas a granel (começando com um 5 a 1 no RKC Waalwijk, depois um 7 a 1 no Almere City, 6 a 0 no Zwolle, 5 a 0 no Groningen, 5 a 2 no Utrecht, 6 a 1 no Twente...), primeiro lugar destacado - nove pontos à frente do Ajax -, enfim, parecia que a campanha na Eredivisie seria outro passeio do clube de Eindhoven rumo ao 26º título nacional de sua história. Porém, esse passeio logo teria grandes solavancos. A começar pelos machucados, já na reta final de 2024: Olivier Boscagli, Jerdy Schouten e Ricardo Pepi (um reserva com 11 gols...) ficaram ausentes. Pepi, inclusive, fora da temporada.

Com as lesões, os Boeren se desestruturaram no começo de 2025. Pela Eredivisie, apenas uma vitória entre janeiro e março, no meio de empates (3 a 3 com o NEC, 1 a 1 com o Willem II) e derrotas (3 a 2 para o Go Ahead Eagles) sofridos nos últimos minutos. Pela Liga dos Campeões, uma trajetória que era digna foi atingida duramente com os 7 a 1 que decretaram a eliminação nas oitavas de final, para o Arsenal, ainda no jogo de ida. E até a Copa da Holanda trouxe um incômodo, com a queda nas semifinais para o Go Ahead Eagles em pleno Philips Stadion (dias antes de também perder, pela Eredivisie). E a derrota para o Ajax - 2 a 0, na 27ª rodada - parecia decretar que o fim de temporada seria decepcionante, sem título nenhum. Só restava vencer e se aprumar para manter a segunda posição. Àquela altura, muitos dos machucados já tinham voltado a campo. E o PSV foi vencendo, vencendo, viu o Ajax começar a fraquejar, seguiu sua trajetória... até conseguir voltar à liderança, na penúltima rodada. E mantê-la, com o 3 a 1 do título, no Sparta Rotterdam. Fecho feliz numa temporada em que o PSV, ao invés de uma simples reta, fez um caminho cheio de idas e vindas. Mas o final foi o que todos querem - e o que o PSV era o mais capaz de conseguir: o título.

terça-feira, 20 de maio de 2025

A análise do campeão: quem diria? E quem não diria?

O PSV tinha tudo para terminar como terminou: bicampeão holandês. Só não se imaginava que o caminho até o título seria tão tortuoso (ProShots/Getty Images)

Antes mesmo do Campeonato Holandês desta temporada começar, era relativamente unânime que o PSV tinha o melhor e mais técnico grupo de jogadores do futebol da Holanda (Países Baixos). Diante de um Feyenoord que passaria por reformulações com novo técnico e de um Ajax em plena reestruturação, o time de Eindhoven partiria do começo como franco favorito ao bicampeonato, ao 26º título de liga da sua história. E isso aconteceu, de fato. O surpreendente foi que o título tenha acontecido com tantas reviravoltas. Ainda mais quando a referência é o que se viu no primeiro turno. Está certo que o PSV teve duas derrotas nas primeiras 17 rodadas - o 3 a 2 sofrido no clássico para o Ajax (11ª rodada) e 1 a 0 para o Heerenveen (16ª rodada). Ainda assim, de resto, foram 16 vitórias, num domínio quase tão avassalador quanto o da temporada passada, em que o aproveitamento no turno foi 100%. 

Sobravam goleadas, aqui e ali: a campanha já começara com um 5 a 1 no RKC Waalwijk, seguiu-se depois um 7 a 1 no Almere City (3ª rodada), um 6 a 0 no Zwolle (10ª rodada), 5 a 0 no Groningen (13ª rodada)... e a ofensividade típica dos times treinados por Peter Bosz era notável. Já começava nas laterais: pela direita, se Sergiño Dest se machucou, o ponta improvisado Richard Ledezma (outro norte-americano) assumiu o lugar, enquanto Mauro Júnior tinha na esquerda a utilidade muito elogiada por Peter Bosz ("Não é todo time que tem um polivalente como ele"). Num time com a dupla de volantes cada vez mais entrosada - Joey Veerman e Jerdy Schouten eram daqueles pares que se completavam dentro de campo -, as opções de ataque sobravam. Ismael Saibari e Guus Til já eram conhecidos; Malik Tillman ficou de vez para, enfim, começar a cumprir as expectativas sobre ele; Noa Lang, enfim, deixava as lesões que o vitimaram em 2023/24 para ser o nome de técnica insinuante (e de comportamento provocador) que se previa desde que pisou em Eindhoven; se Hirving Lozano ficava em segundo plano, à beira da saída já anunciada para quando 2025 começasse (rumo ao San Diego FC-EUA), o croata Ivan Perisic foi contratação fortuita - sem contrato após deixar o Hajduk Split, Perisic pôde chegar com a temporada já em andamento.

Se havia problema, estava em Ricardo Pepi. Não que o atacante norte-americano estivesse em má fase. Longe, mas muito longe disso: afinal de contas, mesmo vindo da reserva na maioria das vezes, Pepi acumulava 11 gols na Eredivisie. Exatamente por isso, ele queria ser titular. Mas Peter Bosz, embora compreensivo, deixava claro: seu titular era Luuk de Jong. De fato, como deixar de fora aquele que, talvez, seja o mais representativo jogador do PSV até agora no século XXI - e ainda marcando gols (foram sete)? Acabou até sendo providencial, diante da séria lesão no joelho que tirou Pepi de combate pelo resto da temporada. De todo modo, com duas categóricas vitórias no final do 1º turno - 6 a 1 no Twente (15ª rodada) e 3 a 0 no Feyenoord (17ª rodada) -, classificação assegurada na segunda fase da Liga dos Campeões, o PSV parecia rumar para um bicampeonato tranquilo.

Aí tudo mudou.

Porque mais nomes ficaram machucados na virada do ano: Olivier Boscagli (lesão muscular), Jerdy Schouten (lesão no joelho), Malik Tillman (lesão ligamentar), a já citada ausência de Pepi... e a queda foi brusca no começo de 2025. A retomada da Eredivisie teve um empate com o AZ Alkmaar (2 a 2, 18ª rodada). Depois, uma derrota para o Zwolle (3 a 1, 19ª rodada). Aí, um refresco: 3 a 2 no NAC Breda (20ª rodada). Seguido por mais quedas, com o péssimo "hábito" de sofrer gols nos minutos finais: empate em 3 a 3 com o NEC após vencer por 3 a 1 (21ª rodada), empate em casa com o Willem II (1 a 1, gol sofrido aos 38 minutos do segundo tempo), derrota de virada para o Go Ahead Eagles (3 a 2, na 24ª rodada, com dois gols após os 30 minutos da etapa final)... a queda era incontrolável. 

A crise na Eredivisie foi exemplificada na Liga dos Campeões: 7 a 1 sofridos para o Arsenal em plena Eindhoven. Àquela altura, a reviravolta parecia impossível (Marcel ter Bals/DeFodi Images/DeFodi via Getty Images)

E o "estabaco" no chão talvez tenha vindo com os 7 a 1 sofridos do Arsenal, em pleno Philips Stadion, na ida das oitavas de final da Liga dos Campeões, igualando a maior derrota que um clube holandês sofreu por competições europeias. Àquela altura, as críticas se avolumavam a Peter Bosz, pela falta de cuidados defensivos. Sem Schouten, Joey Veerman sofria. Assim como Ledezma, que tinha suas fragilidades na marcação, e Ryan Flamingo, falhando vez por outra nas saídas de bola. Com o Ajax sólido dentro de campo, fazendo 2 a 0 no clássico direto (27ª rodada) e abrindo nove pontos de vantagem na liderança da Eredivisie, parecia que o PSV veria os rivais de Amsterdã, com um grupo mais humilde, conquistarem o título. Só restava manter o vice-campeonato holandês.

Mas só parecia.

Àquela altura, Tillman e Boscagli já estavam de volta. Logo, Dest voltaria. Perisic assumia protagonismo valioso. Por mais que o Feyenoord engatasse uma sequência de vitórias e até sonhasse em tomar a segunda posição, o PSV mantinha em controle. Tinha uma tabela mais difícil do que o Ajax nas sete rodadas restantes, mas foi vencendo: 3 a 1 no Groningen (28ª rodada, fora), 5 a 0 no lanterna Almere City (29ª rodada)... e o 3 a 1 no Twente, primeiro adversário difícil na reta final (30ª rodada), somada a uma surpreendente goleada tomada pelo Ajax em jogo adiantado da 31ª rodada (Utrecht 4 a 0), fez a desvantagem cair para seis pontos. Não era muito, mas era algo - e ficou maior ainda com a goleada por 4 a 1 sobre o Fortuna Sittard, no jogo atrasado da 31ª rodada, fazendo a desvantagem cair para três pontos. O Ajax ainda tinha controle. Mas foi se atrapalhando: 1 a 1 com o Sparta Rotterdam na 30ª rodada, derrota para o NEC na 32ª rodada... e nesta, aliás, o PSV mostrou que estava vivo: no clássico contra o Feyenoord, o desafio mais respeitável, um péssimo começo - 2 a 0 sofridos em De Kuip, em dez minutos do 1º tempo - foi revertido num segundo tempo voluptuoso, com Noa Lang catalisando a reação, concretizada no último minuto dos acréscimos, quando houve a virada (3 a 2).

A goleada no Heracles Almelo já seria celebrada. Foi ainda mais: com o empate do Ajax, a liderança estava retomada. E a reviravolta, consolidada (ProShots/Getty Images)

Àquela altura, o péssimo meio de temporada já estava "perdoado". O time já voltara a ser ofensivo como se sabia que podia ser. Mesmo se a goleada sobre o Heracles Almelo na penúltima rodada (4 a 1) houvesse sido infrutífera, o bom clima já se restabelecera. Só que não foi infrutífera: como os torcedores presentes ao Philips Stadion naquela tarde/noite de 14 de maio de 2025 se lembrarão, o Ajax tomou o empate do Groningen nos acréscimos do 2º tempo (2 a 2). O PSV voltava a ser líder. Só perderia o título se tropeçasse no Sparta Rotterdam, e o Ajax vencesse o Twente, na última rodada. Houve esse risco. Mas o ataque trabalhou quando precisava - com gols de Perisic, o veterano que virou fundamental; de Luuk de Jong, o ídolo confiável de sempre; de Malik Tillman, para muitos o melhor jogador da temporada, mesmo perdendo parte dela. E o PSV fez 3 a 1. E foi campeão.

Quem diria, diante da queda vivida no começo do ano? E quem não diria, diante do fato de que em Eindhoven está o grupo de jogadores mais técnico do futebol da Holanda (Países Baixos) na atualidade?

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Parada obrigatória: PSV

Ricardo Pepi (de frente), Malik Tillman (encoberto parcialmente por Hirving Lozano)... dois símbolos de um PSV menos imponente, mas ainda destacado no Campeonato Holandês (Broer van den Boom/BSR Agency/Getty Images)

Posição: 1º lugar, com 45 pontos
Técnico: Peter Bosz
Time-base: Benítez; Ledezma (Karsdorp), Flamingo, Boscagli e Mauro Júnior; Til (Schouten), Saibari (Veerman) e Tillman; Bakayoko, Luuk de Jong (Pepi) e Noa Lang
Maior vitória: Almere City 1x7 PSV (3ª rodada)
Maior derrota: Ajax 3x2 PSV (11ª rodada)
Copa da Holanda: enfrentará o Excelsior (segunda divisão), nas oitavas de final
Competição europeia: Liga dos Campeões (23º colocado na fase de liga)
Artilheiro: Ricardo Pepi (atacante), com 10 gols
Objetivo do início: Título
Avaliação: Embora o domínio não seja tão soberano quanto na temporada passada, o atual campeão ainda está com a liderança sob controle, e se vale de um poderoso ataque para ter boas condições de ser bicampeão

A torcida do PSV ainda se deliciava com o título holandês do ano passado, conquistado com somente uma derrota em 34 rodadas, quando começou esta temporada da Eredivisie. Em que pese ter começado com a perda da Supercopa da Holanda (em grande partida - 4 a 4 com o Feyenoord, vencida nas cobranças de pênalti pelo time de Roterdã), o time de Eindhoven começou a liga do mesmo jeito que terminara a anterior: vencendo. Já começou com goleada - 5 a 1 no RKC Waalwijk. Depois, veio um 7 a 1 no Almere City (3ª rodada). Em 10 rodadas, 10 vitórias. Também, pudera: para os padrões do Campeonato Holandês, o ataque dos Boeren era mais do que adequado: era ótimo, mesmo. Só no meio-campo, estão Ismael Saibari e Malik Tillman, talvez os dois melhores jogadores da atual Eredivisie. Pelos lados, Johan Bakayoko seguiu com o bom nível na direita, enquanto Noa Lang deixou as lesões musculares para trás na esquerda (sem contar as opções experientes, com Ivan Perisic e, somente no turno, Hirving Lozano, agora já indo para o San Diego FC, estreante na MLS). E na frente, Luuk de Jong começou com gols como sempre - e quando precisou entrar após De Jong se machucar, Ricardo Pepi virou simplesmente o goleador do PSV no campeonato. E nem se mencionaram Guus Til e Couhaib Driouech...

Só que o primeiro turno foi passando. E as fragilidades dos Eindhovenaren apareceram um pouco mais do que na temporada passada. Em primeiro lugar, a lesão da dupla fundamental no meio-campo (primeiro Joey Veerman, depois Jerdy Schouten) atrapalhou a montagem tática no local. Em segundo lugar, na defesa, a dupla do miolo de zaga, Rick Karsdorp-Olivier Boscagli, revelou alguns problemas na saída de bola. Foi em erros nela que surgiram as duas derrotas tidas no turno. Uma delas, em clássico: 3 a 2 para o Ajax, de virada, na 11ª rodada. Além do mais, a participação na Liga dos Campeões, deixa a desejar, com algumas dificuldades inesperadas (empate em casa com o Sporting-POR, virada suada contra o Shakhtar Donetsk-UCR, derrota para o Brest-FRA). Mesmo assim, também na defesa, houve pontos positivos: na lateral direita, sem o machucado Sergiño Dest, outro norte-americano, Richard Ledezma (Ledezma, Dest, Tillman, Pepi... quantos norte-americanos no PSV!), foi experimentado na posição e se deu bem, sem contar a opção vinda com Rick Karsdorp. Mauro Júnior segue com a utilidade de sempre, na esquerda e no meio. E as tantas vantagens seguem: líder com seis pontos de vantagem, melhor ataque, defesa menos vazada, melhor time em casa e fora... o PSV continua em excelente condição para tentar ser bicampeão. Se houvesse qualquer dúvida, a vitória categórica no último jogo do primeiro turno (3 a 0 no Feyenoord) a eliminou.

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Guia da Eredivisie 2024/25: PSV

Driouech era um nome desejado faz tempo, e enfim chega ao PSV. Que tem alguns ajustes a fazer, mas tem nomes e condição de se manter favorito ao bi (Pro Shots)

Philips Sport Vereniging

Cidade: Eindhoven   
Estádio: Philips Stadion (capacidade para 36.500 torcedores)
Apelidos: Boeren (em holandês, "fazendeiros" - referência ao grande número de fazendas e áreas verdes na região onde fica Eindhoven); Eindhovenaren (nativos de Eindhoven) 
Títulos: 25 Campeonatos Holandeses (merecem destaque 1 Copa dos Campeões, 1 Copa da UEFA e 10 Copas da Holanda) 
Patrocínio: Brainport Eindhoven (conglomerado formado por cinco empresas de Eindhoven)
Técnico: Peter Bosz
Destaque: Luuk de Jong (atacante)
Fique de olho: Couhaib Driouech (atacante)
Brasileiros no elenco: Mauro Júnior (ala esquerdo)
Temporada passada: Campeão
Copas europeias: Liga dos Campeões (fase de grupos)
Objetivo: Título
Amistosos de pré-temporada:
6 de julho - PSV 0x3 Anderlecht-BEL
13 de julho - PSV 1x1 Club Brugge-BEL
20 de julho - Paderborn-ALE 1x2 PSV
20 de julho - Paderborn 2x1 PSV
24 de julho - PSV 3x2 FC Eindhoven
27 de julho PSV 2x1 Valencia-ESP
Principais chegadas: [Sergiño Dest (D, Barcelona-ESP)], Rick Karsdorp (D, Roma-ITA), Adamo Nagalo (D, Nordsjaelland-DIN), Ryan Flamingo (D/M, Utrecht), [Fredrik Oppegard (D, Heracles Almelo)], [Malik Tillman (M/A, Bayern de Munique-ALE)], Couhaib Driouech (M/A, Excelsior) e [Jason van Duiven (A, Almere City)]
Principais saídas: Boy Waterman (G, encerrou carreira), Jordan Teze (D, Monaco-FRA), Shurandy Sambo (D, Burnley-ING), André Ramalho (D, Corinthians-BRA), [Armel Bella-Kotchap (D, Southampton-ING)], [Patrick van Aanholt (D, Galatasaray-TUR)], Mohamed Nassoh (A, Sparta Rotterdam) e Hirving Lozano (A, San Diego-EUA - transferência só ocorrerá em janeiro de 2025)

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
[transferência em definitivo após empréstimo]

Está tudo bem com o PSV? Quase tudo bem. Tudo bem porque, em boa parte, os responsáveis pela campanha quase irretocável do 25º título holandês da história do clube de Eindhoven continuam por lá. No banco, Peter Bosz, agora com pleno domínio do grupo que tem em mãos. Na defesa, Olivier Boscagli; no meio-campo, a dupla dinâmica Joey Veerman-Jerdy Schouten, que teve caminhos diferentes na Eurocopa pela Holanda (Veerman saiu enfraquecido; Schouten começou mal mas terminou bem). Mais à frente, Johan Bakayoko, Malik Tillman, Guus Til, Ismael Saibari, Noa Lang - este, recuperado do grave problema muscular que o afligiu em 2023/24 -, Hirving Lozano (que sai em janeiro de 2025), Ricardo Pepi. E no ataque, entronizado há muito tempo como um dos grandes ídolos da história do clube, Luuk de Jong. Nada mal. Contudo-todavia-entretanto, há que se atentar para possíveis problemas que os Boeren possa ter.

Para começo de conversa, a lateral direita: Rick Karsdorp foi buscado nos últimos dias da janela de transferências, já que Jordan Teze saiu, e Sergiño Dest, que poderia quebrar galho por ali, segue se recuperando de grave lesão no joelho (ainda assim, é tão importante para o time que foi comprado em definitivo - elogiável voto de confiança). Na zaga, André Ramalho fará alguma falta - embora Ryan Flamingo, muito bem e versátil no Utrecht (pode ser zagueiro ou volante, pela direita), chegue bem encaminhado para ser titular. Até conseguirem se equilibrar defensivamente, os Eindhovenaren podem sofrer - por sinal, já sofreram na Supercopa da Holanda, com sérias dificuldades para conter bolas longas do Feyenoord. Além do mais, nomes como Schouten e Bakayoko ainda podem sair. De todo modo, o atual campeão vai se preparando, com contratações como a de Couhaib Driouech, mais um meia com capacidade de jogar pelas pontas. Assim, mesmo com os pontos de interrogação, mesmo que não esteja tudo 100% bem... o PSV segue em condições de comprovar seu favoritismo e defender seu título conquistando outro.

segunda-feira, 3 de junho de 2024

Análise da temporada: PSV

O PSV foi campeão holandês, como há um campeão a cada temporada. Só que o domínio do clube de Eindhoven neste 2023/24 será comemorado pela torcida por muito tempo (ProShots/Getty Images)

Colocação final: Campeão, com 91 pontos em 34 rodadas (29 vitórias, 4 empates e 1 derrota)
No turno havia sido: 1º lugar, com 51 pontos
Time-base: Benítez; Teze, André Ramalho, Boscagli e Dest; Schouten e Veerman; Bakayoko, Til e Tillman (Lozano/Noa Lang); De Jong
Técnico: Peter Bosz
Maior vitória: Heerenveen 0x8 PSV (31ª rodada)
Maior derrota: NEC 3x1 PSV (27ª rodada)
Principais jogadores: Joey Veerman (meio-campo) e Luuk de Jong (atacante)  
Artilheiro: Luuk de Jong (29 gols)  
Quem deu mais passes para gol: Joey Veerman (16 passes)
Quem mais partidas jogou: Luuk de Jong (atacante), que jogou todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado pelo Feyenoord, nas oitavas de final
Competições continentais: Liga dos Campeões (eliminado nas oitavas de final, pelo Borussia Dortmund-ALE)

Por que o PSV desta temporada 2023/24 será recordado com tanta saudade pela torcida? Será porque a temporada já começou boa, com o título da Supercopa da Holanda? Ou, quem sabe, porque a vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões já veio com o indicativo (goleada sobre o Rangers-ESC, por 5 a 1) de que um ótimo time se formava em Eindhoven, mesmo com o pouco tempo de trabalho que Peter Bosz tinha como técnico? Ou ainda porque, já no começo da campanha vitoriosa na Eredivisie, goleadas como os 4 a 0 no RKC Waalwijk (4ª rodada) ou outros 4 a 0, desta vez no NEC (5ª rodada), indicavam que os jogadores tinham se encaixado rapidamente? E como ignorar que golear o rival Ajax (5 a 2, 8ª rodada), e deixá-lo momentaneamente na última posição do Campeonato Holandês, é um grande motivo? E também não é uma razão considerável vencer com tranquilidade os três jogos mais desafiadores do primeiro turno, entre a 13ª e a 16ª rodada (3 a 0 no Twente, fora de casa; 2 a 1 no Feyenoord, na 14ª; 4 a 0 no AZ, na 16ª, a última do ano passado)? Aliás, há alguma razão maior do que o PSV ter igualado o seu desempenho de 1987/88, fazendo o melhor primeiro turno que o Campeonato Holandês já viu (17 jogos em 17 vitórias)?

E os jogadores? Será que a torcida se lembrará, daqui a alguns anos, de como as laterais eram poderosas válvulas de escape para o ataque, com Jordan Teze (direita, menos ofensivo) e Sergiño Dest (esquerda, bem mais ofensivo - até a lesão grave no joelho, já após o título)? E da dupla Jerdy Schouten-Joey Veerman, das grandes duplas de volante que a Eredivisie viu nas últimas temporadas - Schouten dando segurança à zaga a ponto de até jogar recuado de vez em quando, e Veerman ditando o ritmo do jogo, sendo simplesmente o melhor do campeonato? E os tantos destaques no ataque - Johan Bakayoko, Guus Til, Malik Tillman, Hirving Lozano, Noa Lang (quando as lesões deixaram)? E Ricardo Pepi, que mesmo na reserva fez 7 gols? E Luuk de Jong, este goleador que parece ter nascido para vestir a camisa 9 do PSV? Ah, mas o PSV foi eliminado na Liga dos Campeões com menos resistência do que poderia oferecer ao Borussia Dortmund? Perdeu a chance do título invicto ao ser derrotado pelo NEC (3 a 1, 27ª rodada, a única derrota)? Começou a encarar dificuldades contra os times mais fortes no returno - empatou com o Ajax (1 a 1, 20ª rodada), com o Feyenoord (2 a 2, 24ª rodada), arrancou a vitória contra o Twente a duríssimas penas (1 a 0, 26ª rodada)? E daí? Como pedir para a torcida diminuir a empolgação, ao ver que o time voltava a golear justo na reta final da Eredivisie (6 a 0 no Vitesse na 30ª rodada, 8 a 0 no Heerenveen, na 31ª - simplesmente a maior vitória fora de casa da história do PSV na liga!)? E como esquecer o êxtase com o título, na 32ª rodada (3 a 2 no Sparta Rotterdam)? Ah, quer saber? O PSV campeão holandês, após seis anos, será recordado por tudo isso. E principalmente - e como sempre -, pela salva de prata que já está na sala de troféus. Salva ainda mais brilhante, por todos os fatores acima.

domingo, 5 de maio de 2024

A análise do campeão: deu match

O PSV enfim pôde fazer a festa do título holandês que tanto mereceu. E mereceu, principalmente, pela coesão das partes: diretoria inteligente, técnico adequado, jogadores que cumpriram expectativas (PSV/Divulgação)
 
"Das trevas se fez a luz." Certo, certo, é exagerado escrever isso sobre o PSV: o clube de Eindhoven passava longe da crise antes do 25º título holandês conquistado neste domingo. Quando nada, porque vinha de um bicampeonato na Copa da Holanda. Entretanto, é justo dizer que os Boeren sentiam falta de ter a salva de prata dada ao campeão dos Países Baixos na sala de troféus do museu dentro do Philips Stadion, em Eindhoven. E voltarão a tê-la, depois de seis anos, porque a formação de uma equipe que fez temporada tão dominante na Eredivisie começou antes mesmo que a temporada passada acabasse. Talvez por isso, o que se viu e se vê do PSV em campo foi tão encaixado.

É possível dizer que essa formação surgiu a partir da escolha dos dois "cabeças" que comandam os rumos atuais do PSV. Para começo de conversa, o diretor geral Marcel Brands fora o diretor de futebol do clube entre 2010 e 2018, período que contou com três títulos nacionais (2014/15, 2015/16 e 2017/18). Após a passagem - algo malograda - pelo Everton, Brands voltou a Eindhoven em 2022. Desta vez, para ser o diretor geral. E coube a ele uma escolha pacificadora para dirigir o futebol. Afinal de contas, o antecessor John de Jong entrara em rota de colisão com o Conselho Deliberativo do PSV, em relação à venda de Cody Gakpo, ainda em 2022 - o conselho recomendava a venda, De Jong queria manter Gakpo. Manteve-o, é verdade. Mas foi demitido naquele ano mesmo. Para trabalhar com Marcel Brands, chegou o ex-atacante norte-americano (nascido nos Países Baixos) Earnie Stewart, então diretor de seleções da federação dos Estados Unidos. 

Earnie Stewart (à esquerda) como diretor de futebol, Marcel Brands como diretor geral: enfim, o PSV teve uma diretoria remando para o mesmo lado (Maurice van Steen/ANP/Getty Images)

Quando Stewart foi anunciado no PSV, ainda em janeiro do ano passado, já sabia que teria o generoso montante - 37 milhões de euros - da venda de Gakpo ao Liverpool, logo após a Copa de 2022, para montar um grupo de jogadores. Àquela altura, já chegara um jogador fundamental para o que se vê atualmente nos Eindhovenaren: o meio-campo Joey Veerman, vindo do Heerenveen também em janeiro de 2023. E o PSV terminou aquela temporada até razoavelmente: bicampeão da Copa da Holanda, vice-campeão holandês. Entretanto, ruídos com o grupo de jogadores quanto ao método de trabalho levaram à saída abrupta do técnico Ruud van Nistelrooy. Abatido por perder quem mais o inspirava dentro do PSV (Van Nistelrooy era considerado por ele um "tutor", um conselheiro), Xavi Simons - o grande destaque de 2022/23 em Eindhoven, um dos goleadores da Eredivisie - preferiu voltar ao Paris Saint-Gérmain. 

Problemas? Nem tanto. Porque, além do dinheiro de Cody Gakpo, chegava também o dinheiro da venda de Noni Madueke ao Chelsea - mais 40 milhões de euros. Se as transferências fossem bem pensadas, era um valor considerável. Até porque a dupla Marcel Brands-Earnie Stewart já sabia o que desejava antes dos jogadores: um técnico ofensivo, que fizesse o PSV se impor dentro de campo. Aproveitou a chance da disponibilidade de Peter Bosz, a hesitação do Ajax (que teria até mais chances de trazer Bosz de volta a Amsterdã, já que o próprio até se colocara à disposição quando a temporada passada acabou), e apostou no treinador de 60 anos, que já deixou claro na coletiva de apresentação, em julho: iria querer ofensividade. As contratações do PSV que o dissessem: se foi impossível manter Xavi Simons, o PSV conseguiu seu grande objetivo - Noa Lang, badalado pela boa passagem pelo Club Brugge belga. Era necessário mais um ponta confiável? Oras, voltou mais um ídolo, Hirving Lozano, com experiência para estar a postos, mesmo sem ser titular como foi em sua primeira passagem. Havia uma lacuna de um ponta-de-lança rápido, que pudesse jogar pelo meio e pelos lados e até ajudar o ataque? Pois bem: o norte-americano Malik Tillman foi emprestado pelo Bayern de Munique.

Peter Bosz foi trazido para fazer do PSV um time ofensivo. Teve os jogadores que desejava para isso. E... fez isso (Pieter van der Woude/BSR Agency/Getty Images)

E o PSV começava a mostrar uma de suas principais qualidades: a inteligência para atender aos desejos de Peter Bosz, sem gastar excessivamente com transferências. Lateral esquerdo? Pois bem: Sergiño Dest veio emprestado do Barcelona, e Patrick van Aanholt teve o empréstimo prolongado junto ao Galatasaray-TUR. Um atacante que pudesse ser opção confiável caso Luuk de Jong estivesse impossibilitado? Que viesse outro promissor norte-americano, Ricardo Pepi, encostado no Augsburg alemão. Joey Veerman estava sobrecarregado como volante - e nem era tão defensivo quanto necessário? Muito bem: Jerdy Schouten sinalizou que desejava voltar a jogar na Holanda (Países Baixos), para ficar mais perto de uma convocação à seleção, o PSV "captou" esses sinais e o repatriou. Já foi o suficiente para que, mesmo com a temporada em início, viessem o título da Supercopa da Holanda e a vaga na fase de grupos de 2022/23. Criou-se, então, um círculo virtuoso. Porque, ao verem que as contratações eram ambiciosas e fortaleciam o time, os remanescentes preferiam ficar em Eindhoven a aceitarem ofertas de centros mais competitivos. Que o diga Johan Bakayoko: o ponta-direita belga foi cortejado pelo Brentford-ING, foi cortejado até pelo PSG... mas preferiu apostar em mais um ano jogando pelos alvirrubros de Eindhoven.

Veio, então, a prova definitiva do citado círculo virtuoso. Qual foi o resultado da equação "dupla de diretores precavida em contratações + técnico atendido em seus desejos pela dupla de diretores + jogadores que se encaixaram no que o técnico desejava"? O melhor primeiro turno da história do Campeonato Holandês, igualando o que o próprio PSV fizera em 1987/88: cem por cento de aproveitamento - em 17 jogos, 17 vitórias, goleadas a granel (incluindo um 5 a 2 no Ajax, na 10ª rodada, deixando os rivais de Amsterdã momentaneamente na última posição da Eredivisie), atuações primorosas (contra o AZ, na 16ª rodada, o placar estava em 3 a 0 já nos primeiros 15 minutos de jogo - fora de casa). Ao vencer o Feyenoord, também fora - 2 a 1, na 14ª rodada -, disparando na liderança, já ficava a impressão de que o PSV seria o time a ser batido nos Países Baixos. Até no grupo B da Liga dos Campeões, vieram bons augúrios: se a equipe começou sendo goleada pelo Arsenal - 4 a 0 -, conseguiu a classificação às oitavas de final já na quinta rodada, numa partida marcante. Afinal, fora de casa, o Sevilla fazia 2 a 0... até que Lucas Ocampos foi expulso aos 66', logo depois o PSV diminuiu, e Peter Bosz colocou o time como prefere: atacando incessantemente. Veio o empate, e nos acréscimos, Ismael Saibari fez o gol da comemorada virada por 3 a 2, que classificou o time às oitavas. Com tudo isso, era até previsível que Peter Bosz falasse repetidas vezes que era "o melhor grupo com quem já havia trabalhado".

Está certo que Luuk de Jong se confirmou como ídolo eterno em Eindhoven, mas foi Joey Veerman o melhor do PSV na temporada, comandando plenamente o meio-campo (Soccrates/Getty Images)

2023 acabou, 2024 chegou, e com ele alguns solavancos. O sonho de Tríplice Coroa acabaria em 24 de janeiro, com a eliminação nas quartas de final da Copa da Holanda, para o Feyenoord. O sonho de conseguir a maior sequência de vitórias da história da Eredivisie também: na 18ª rodada, a primeira do returno, o primeiro empate (1 a 1 com o Utrecht). Algumas lesões começaram a perturbar jogadores importantes, como Lozano, Noa Lang ou até o novato Isaac Babadi. Nada que atrapalhasse muito um time seguro e confiante. Por sinal, Jordan Teze exibia essa confiança: ainda jovem, enfim desabrochava, virando nome versátil na direita da defesa (na lateral ou na zaga). Mas o grande símbolo disso tudo em campo era a primorosa dupla de volantes, entrosada a não mais poder - enquanto Jerdy Schouten ajudava muito a diminuir o trabalho da defesa (às vezes, até, era recuado para o miolo de zaga, em detrimento de André Ramalho), Joey Veerman ditava o ritmo da equipe, criando jogadas, tendo qualidade nos passes e lançamentos. E Luuk de Jong, livre de lesões, sem precisar defender a seleção da Holanda (anunciara o abandono definitivo dela logo após a Copa de 2022), vivia o esplendor de sua carreira, reforçando o status de ídolo em Eindhoven, subindo para disputar a artilharia da Eredivisie e entrando na lista dos dez maiores goleadores da história da liga. Mesmo em momentos mais difíceis, como os clássicos - 1 a 1 contra o Ajax na 20ª rodada, 2 a 2 contra o Feyenoord na 24ª, chegando a ficar atrás no placar -, o PSV parecia nunca perder a confiança.

Disputando a artilharia do Campeonato Holandês, quarto título nacional pelo PSV, entrando na lista dos dez maiores goleadores da Eredivisie, subindo na lista de maiores goleadores do PSV: Luuk de Jong tem em Eindhoven o porto seguro de sua carreira (Getty Images)

Se houve um período de mais dificuldade, este foi em março. Mesmo tendo sido adversário valoroso para o Borussia Dortmund nas oitavas de final da Liga dos Campeões, um mau começo no jogo de volta, saindo atrás logo aos quatro minutos e perdendo chances, pesou demais para a eliminação. Dias depois, em jogo árduo pela 26ª rodada (contra o Twente, em Eindhoven), o 1 a 0 da vitória veio só nos acréscimos. Porém, na rodada seguinte, contra um NEC que evoluía, o PSV se deixou levar pelo cansaço, pelo desleixo, talvez por uma certa "arrogância" criticada por Peter Bosz - e tomou sua primeira, e até agora única, derrota na Eredivisie: 3 a 1, de virada. O choque seria pesado, diante de um Feyenoord que também fazia bom papel? Nada disso: dali por diante, só três gols sofridos nas cinco rodadas seguintes. Uma sequência de goleadas: 5 a 1 no AZ (29ª rodada), 6 a 0 no Vitesse (30ª rodada), 8 a 0 no Heerenveen (31ª rodada - simplesmente a maior vitória fora de casa que o PSV teve em sua história na Eredivisie). E até mesmo no susto do jogo do título, ao sair atrás diante do Sparta Rotterdam, o time se aprumou e impôs sua superioridade técnica, para fazer 4 a 2 e confirmar o título.

Confirmar de fato, bem entendido. Porque, de direito, o PSV já provara havia muito tempo que era o melhor time do Reino dos Países Baixos nesta temporada. Ainda pode se tornar, em termos numéricos, o melhor campeão da história da Eredivisie (mais pontos, mais gols marcados, menos gols sofridos). Porque, entre diretores, técnico e jogadores, "deu match" no PSV. Deu título. Deu show.