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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Guia da Eredivisie 2026/27: Heerenveen

No meio-campo, Dirk Proper tenta auxiliar o Heerenveen que espera seguir dentro da tranquilidade à qual voltou nas últimas temporadas (Divulgação/sc-heerenveen.nl)

Sportclub Heerenveen

Cidade: Heerenveen   
Estádio: Abe Lenstra (capacidade para 26.100 torcedores) 
Apelido: Fean (corruptela de "Hearrenfean", nome do time no idioma frísio - falado na província de Frieslândia, onde fica a cidade de Heerenveen), Frísios, Time da Frísia, "De Superfriezen" ("os superfrísios") 
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (1 Copa da Holanda)
Ranking histórico: 15º
Patrocínio: Effektief (empresa de limpeza)
Técnico: Robin Veldman
Destaques: Jacob Trenskow (meio-campista) e Ringo Meerveld (meio-campista)
Fique de olho: Maxence Rivera (atacante)
Temporada passada: 8º colocado
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: meio de tabela/vaga nos play-offs pela Conference League
Amistosos de pré-temporada:
25 de junho - Gaasterlân Sleat (amador e regional) 0x19 Heerenveen
28 de junho - Steenwijkerland United (amador) 0x11 Heerenveen
3 de julho - Heerenveen 7x2 De Graafschap
11 de julho - Heerenveen 3x2 Heracles Almelo
17 de julho - Club Brugge-BEL 2x3 Heerenveen
25 de julho - OH Leuven-BEL 4x4 Heerenveen
1º de agosto - Wolverhampton-ING x Heerenveen - ADIADO
1º de agosto - Heerenveen 3x2 Volos-GRE
Principais chegadas: Darling Bladi (D, Real Betis-ESP), Dirk Proper (M, NEC)
Principais saídas: Nordin Bakker (G, Midtjylland-DIN), Joris van Overeem (M, Utrecht), Eser Gürbüz (A, Willem II), [Lasse Nordas (A, Luton Town-ING)] e [Amourricho van Axel-Dongen (A, Ajax)]

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
[transferência em definitivo após empréstimo]

Assim como o Groningen que o precede neste guia, o Heerenveen já chegaria para esta temporada num ambiente mais tranquilo, só por ter disputado a repescagem por vaga na Conference League. Após tanto tempo de incertezas internas, após alguns anos de inconstância na tabela - às vezes até escorregando para a metade de baixo da tabela -, já são duas temporadas seguidas disputando tal repescagem. E o técnico Robin Veldman, com a confiança da torcida, já tem um benefício de antemão nos trabalhos de pré-temporada: não perdeu muitos nomes de confiança. De titulares absolutos, só deixaram o clube da Frísia o experiente meio-campista Joris van Overeem e o atacante Lasse Nordas, que ajudou bastante no returno.

No mais, seguem no Fean Jacob Trenskow e Ringo Meerveld, talvez os dois principais responsáveis pela boa campanha de 2025/26. Na defesa, o goleiro Bernt Klaverboer, uma das revelações da temporada passada, tem à frente um quarteto defensivo bastante entrosado: já são pelo menos dois anos em que o lateral direito Oliver Braude e o zagueiro Sam Kersten são titulares em suas posições, já tendo passado uma temporada com o lateral esquerdo Vasilis Zagaritis, e Maas Willemsen a dividir o miolo de zaga com Kersten - agora tendo o francês Darling Bladi, reforço para a temporada, como opção. No meio-campo, Dirk Proper chegou do NEC para ser o nome a iniciar as jogadas, o nome a dar o "primeiro passe". Mais à frente, caberá a Maxence Rivera, de desempenho satisfatório na ponta esquerda, mais Dylan Vente, a referência da grande área, a responsabilidade principal dos gols. Por enquanto, sob clima de tranquilidade. O Heerenveen conhece os jogadores que tem.

domingo, 24 de maio de 2026

Análise da temporada: Heerenveen

O Heerenveen voltou a ser estável na parte de cima da tabela - e Trenskow foi um dos destaques responsáveis por isso em campo (Andre Weening / BSR Agency/Getty Images)


Colocação final: 8º lugar, com 51 pontos (14 vitórias, 9 empates e 11 derrotas - atrás pelo pior saldo de gols)
No turno havia sido: 9º lugar, com 23 pontos
Time-base: Klaverboer; Braude, Kersten, Willemsen (Petrov) e Zagaritis; Linday e Van Overeem; Trenskow, Meerveld (Brouwers) e Rivera; Vente (Nordås)
Técnico: Robin Veldman
Maior vitória: Heerenveen 4x1 Heracles Almelo (29ª rodada)
Maior derrota: Twente 5x0 Heerenveen (22ª rodada)
Principais jogadores: Jacob Trenskow (meio-campista/atacante) e Ringo Meerveld (meio-campo)
Artilheiro: Jacob Trenskow (meio-campista/atacante), com 12 gols  
Quem deu mais passes para gol: Joris van Overeem (meio-campista), com 9 passes
Quem mais partidas jogou: Vasilis Zagaritis (defensor), com 35 partidas - as 34 da temporada regular, mais uma da repescagem pela Conference League
Copa nacional: eliminado pelo PSV, nas quartas de final
Competições continentais: nenhuma

O começo do Heerenveen foi péssimo, vale lembrar: vitória no Campeonato Holandês, só na sexta rodada. Ainda assim, já no primeiro turno também ficou a impressão de que o time da Frísia começava a encontrar a sua escalação preferencial. Mais do que isso: começava a encontrar os destaques que o ajudariam a melhorar. No meio-campo, o experiente Joris van Overeem, agora como um volante que sabia iniciar bem as jogadas. Mais à frente, Ringo Meerveld, seguramente um dos melhores armadores da Eredivisie, tendo ao lado direito Jacob Trenskow, constante ameaça aos adversários, ponta bom nas finalizações. Já foi o suficiente para se estabilizar no turno. Às vezes subindo ao oitavo lugar, às vezes caindo ao décimo lugar, mas sempre rondando a zona de repescagem por um lugar na Conference League. Era, até, a mesma coisa das temporadas recentes, algo que confirma o trabalho regular do técnico Robin Veldman no Fean. E isso só melhoraria no returno.

Porque o jovem Bernt Klaverboer, feito titular no gol após má fase de Andries Noppert (titular da Holanda/Países Baixos na Copa de 2022, sempre vale lembrar), evoluiu na segunda metade da temporada, a ponto de ser considerado o melhor da posição no campeonato. Porque até posições que estavam ainda sem titulares claros ficaram firmes: por exemplo, na ponta-esquerda, o francês Maxence Rivera foi outro a crescer de produção no returno. Porque algumas contratações se saíram bem, como o norueguês Lasse Nordås, com razoável marca - seis gols em 15 jogos. Tudo isso rendeu, em campo, um time que sabia sair de situações adversas (como na 29ª rodada, quando o Heerenveen saiu atrás do Heracles Almelo, mas conseguiu não só virar, como também golear - 4 a 1). E que fez por merecer chegar aos play-offs por vaga na Conference League. Neles, até pressionou vez por outra o Utrecht, até sucumbir pela maior ofensividade dos Utregs. Ainda assim, o Fean se acostuma a ficar onde prefere e pode na tabela: a metade de cima. Já é alguma coisa, após alguns anos de dificuldades.

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Guia da Eredivisie 2025/26: Heerenveen

Van Overeem é contratação experiente para o meio-campo do Heerenveen, que tem condições de fazer uma temporada mais equilibrada (Heerenveen/Divulgação)

Sportclub Heerenveen

Cidade: Heerenveen   
Estádio: Abe Lenstra (capacidade para 26.100 torcedores) 
Apelido: Fean (corruptela de "Hearrenfean", nome do time no idioma frísio - falado na província de Frieslândia, onde fica a cidade de Heerenveen), Frísios, Time da Frísia, "De Superfriezen" ("os superfrísios") 
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (1 Copa da Holanda)
Ranking histórico: 15º
Patrocínio: Wolkom (conglomerado de empresas da Frieslândia)
Técnico: Robin Veldman
Destaque: Luuk Brouwers (meio-campista)
Fique de olho: Dylan Vente (atacante) e Amourricho van Axel Dongen (atacante)
Temporada passada: 9º colocado
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: meio de tabela/vaga nos play-offs pela Conference League
Amistosos de pré-temporada:
26 de junho - Regioselectie Gaasterland/Sloten (combinado regional) 0x11 Heerenveen
29 de junho - Regioselectie Steenwijkerland (seleção regional) 0x11 Heerenveen
3 de julho - Heerenveen 4x5 Almere City (segunda divisão)
11 de julho - Heerenveen 1x1 Telstar
18 de julho - Heerenveen 1x0 Charleroi-BEL
26 de julho - Queens Park Rangers-ING 2x2 Heerenveen
2 de agosto - Heerenveen 1x1 Olympiacos-GRE
3 de agosto - Heerenveen 3x0 Team VVCS (associação holandesa de jogadores profissionais)
Principais chegadas: Nordin Bakker (G, Almere City), Vasilis Zagaritis (D, Almere City), Maxence Rivera (M, Dunkerque-FRA), Ringo Meerveld (M, Willem II), Joris van Overeem (M, Maccabi Tel Aviv-ISR), Amourricho van Axel Dongen (A, Ajax), Maxence Rivera (A, Dunkerque-FRA), Dylan Vente (A, Zwolle) e Vaclav Sejk (A, Sparta Praga-TCH)
Principais saídas: Mickey van der Hart (G, Cape Town City-AFS), Denzel Hall (D, Rotherham-ING), Mats Köhlert (D, Brondby-DIN), Milos Lukovic (M, Strasbourg-FRA), Amara Condé (M, Elversberg-ALE), Alireza Jahanbakhsh (A, fim de contrato), Ché Nunnely (A, fim de contrato), Dimitris Rallis (A, Jagiellonia Bialystok-POL) e Ion Nicolaescu (A, Maccabi Tel Aviv-ISR)

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
[transferência em definitivo após empréstimo]

Como o Groningen, o Heerenveen é outro clube que deseja fazer uma temporada mais segura do que em 2024/25. Não que tenha sofrido tanto assim: afinal, ficou só a uma posição da repescagem por vaga na Conference League. Entretanto, os tantos solavancos da campanha na liga passada (a goleada por 9 a 1 sofrida para o AZ, pior da história do Fean na Eredivisie em jogos fora de casa; a própria campanha como visitante, a pior dos 18 clubes; a decisão do técnico Robin van Persie em largar o trabalho no meio do caminho e ir para o Feyenoord) afligiram a torcida. Mas o trabalho do técnico Robin Veldman, sucessor de Van Persie, pelo menos estabilizou as coisas. Mais do que isso: o Heerenveen foi o quarto melhor mandante da Eredivisie passada, vale lembrar (no Abe Lenstra, ganhou até do bicampeão PSV). 

Justiça seja feita, as contratações para esta temporada são promissoras. Pelo menos, no meio-campo, onde Joris van Overeem traz a experiência dos tempos de AZ e Utrecht e pode ajudar os destaques Luuk Brouwers e Levi Smans. E no ataque também, já que Dylan Vente, surgido no Feyenoord, conseguiu sequência de jogo e boas atuações no Zwolle, enquanto Amourricho van Axel Dongen foi emprestado pelo Ajax para também ter tempo de jogo no clube da Frísia. Entre velhos conhecidos da torcida, como o goleiro Andries Noppert e o zagueiro Pawel Bochniewicz (recuperado de grave lesão no joelho), e revelações, como o atacante Eser Gürbüz, o Heerenveen tem condições de fazer uma temporada com menos turbulências. Se servir para ficar em posição tranquila desde o começo, já será melhor para a torcida que sempre lota o Abe Lenstra.

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Análise da temporada: Heerenveen

O Heerenveen sofreu do começo ao fim na temporada. Mas soube superar tudo e, pelo menos, terminar mais sossegado (Pieter van der Woude/BSR Agency/Getty Images)

Colocação final: 9º colocado, com 43 pontos (12 vitórias, 7 empates e 15 derrotas - atrás pelo menor número de gols, 42)
No turno havia sido: 11º lugar, com 21 pontos
Time-base: Noppert (Van der Hart); Braude, Hopland, Kersten e Köhlert; Van Ee e Brouwers; Trenskow (Jahanbakhsh), Smans e Sebaoui; Nicolaescu (Rallis)
Técnico: Robin van Persie (até a 23ª rodada), Henk Brugge (interino, da 24ª a 26ª rodada) e Robin Veldman (a partir da 27ª rodada)
Maior vitória: Heerenveen 4x0 NAC Breda (4ª rodada)
Maior derrota: AZ 9x1 Heerenveen (5ª rodada)
Principal jogador: Levi Smans (meio-campista)
Artilheiro: Ion Nicolaescu (atacante), com 8 gols    
Quem deu mais passes para gol: Mats Köhlert (lateral esquerdo), com 5 passes
Quem mais partidas jogou: Oliver Braude (lateral direito) e Levi Smans (meio-campista), ambos com 34 partidas - 33 na temporada regular, mais uma na repescagem pela Conference League
Copa nacional: eliminado pelo Quick Boys (terceira divisão), nas oitavas de final
Competições continentais: nenhuma

O Heerenveen foi um clube que sofreu ao longo desta temporada. No primeiro turno, sofreu com a inconstância de seus resultados: tanto podia vencer o futuro campeão PSV (1 a 0, 16ª rodada), quanto podia perder para o futuro rebaixado Almere City (3 a 0, 17ª rodada). Sofreu antes, ainda, tomando 9 a 1 do AZ na 5ª rodada - a maior derrota do Fean como visitante em sua história no Campeonato Holandês. Sofria com fatores como a inconstância de titulares, no gol - Andries Noppert ou Mickey van der Hart? - ou no ataque - Ion Nicolaescu, indo e vindo do banco, ou Dimitris Rallis? Sofreu no começo de 2025, ao ser eliminado pelo amador Quick Boys na Conference League, mais uma sequência de duas derrotas e três empates no início do returno. Haveria mais razões para o sofrimento: se Robin van Persie aprendia, mesmo pelejando, na sua primeira temporada como técnico de uma equipe adulta, preferiu magoar torcida e diretoria do Heerenveen ao ouvir a proposta do Feyenoord para antecipar o "destino traçado" de sua carreira (comandar o Stadionclub), deixando um trabalho pela metade.

Pois foi justamente neste momento baixo, com o auxiliar Henk Brugge precisando ficar algumas rodadas, que o time se firmou. Ganhou do AZ (3 a 1, 24ª rodada), que o goleara no turno, e conseguiu ficar à espreita, no "bolo" da metade de baixo da tabela, tentando se aproximar da zona da repescagem por vaga na Conference League. Após um tempo treinando times de base no Club Brugge-BEL, Robin Veldman voltou ao clube em que já fora também comandante das equipes inferiores, agora para treinar o time adulto. Nomes como Levi Smans e o citado Nicolaescu cresciam. Duas vitórias sobre Almere City (2 a 1, 31ª rodada, antecipada) e NEC (1 a 0, 30ª rodada) levaram o time de vez para o meio da tabela. E uma "vingança" sobre o Feyenoord treinado por Van Persie (2 a 0, na 34ª e última rodada) possibilitou a entrada na repescagem pela vaga na Conference League. Nela, o time da Frísia sofreu de novo: não foi páreo para o AZ, que lhe goleou (4 a 1). E teve a prova de sua inconstância na temporada ao ser, simultaneamente, o quarto melhor time jogando em casa e... o pior visitante, pior até do que os dois rebaixados. Mas é bem "melhor" sofrer na nona posição do que mais abaixo...

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Parada obrigatória: Heerenveen

Sob o comando de Robin van Persie, o Heerenveen até conseguiu vitórias importantes. Mas precisa de mais estabilidade em campo para ganhar confiança (Pieter van der Woude/BSR Agency/Getty Images)


Posição: 11º lugar, com 21 pontos
Técnico: Robin van Persie
Time-base: Van der Hart (Noppert); Hall (Braude), Hopland, Kersten e Köhlert; Van Ee e Brouwers; Olsson (Jahanbakhsh), Smans e Sebaoui; Nicolaescu (Rallis)
Maior vitória: Heerenveen 4x0 NAC Breda (4ª rodada)
Maior derrota: AZ 9x1 Heerenveen (5ª rodada)
Copa da Holanda: enfrentará o Quick Boys (terceira divisão), nas oitavas de final
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Ion Nicolaescu (atacante), com 5 gols
Objetivo do início: meio de tabela/vaga nos play-offs pela Conference League
Avaliação: A fragilidade defensiva e a inconstância são tamanhos a ponto de ainda causar desconfiança sobre o Fean. Mas a reação no final do turno deixa a promessa de que dias melhores venham

Campeonato Holandês, 16ª rodada, a penúltima do primeiro turno. O Heerenveen recebe o líder PSV... e joga bem, terminando por impor a segunda derrota ao líder da Eredivisie nesta temporada (1 a 0). O resultado foi tão importante que trouxe à torcida do time da Frísia a promissora sensação de que "agora ia". Ainda mais porque o adversário da 17ª rodada seria o Almere City, último colocado da Eredivisie. Resultado: Almere City 3 a 0, saindo da lanterna. Eis a inconstância que torna o Fean um alvo de desconfiança de todos na temporada, até agora. E essa desconfiança tem algumas razões de ser. A primeira: o excessivo apego de Robin van Persie a um estilo de jogo ofensivo. Nem haveria nada tão ruim nisso, não fosse o desapego diretamente proporcional aos resultados (importantes num futebol competitivo). A prova mais gritante disso foi os 9 a 1 sofridos para o AZ, na 5ª rodada: era simplesmente a pior derrota sofrida pelo Heerenveen em sua história no Campeonato Holandês, mas ainda assim Van Persie se dizia "orgulhoso" dos jogadores terem persistido num jeito de jogar, e que quedas assim "faziam parte". 

Paciência tinha limite. Ainda mais porque os resultados práticos diziam que o Heerenveen só tinha três vitórias após dez rodadas, sofria com a persistência dos maus desempenhos de goleiros (nem Andries Noppert nem Mickey van der Hart conseguiam ter uma longa sequência confiável, e o rodízio segue até agora). Por sinal, a décima rodada marcou o ponto mais baixo do Fean: a 16ª colocação, que leva à repescagem de acesso/descenso. Melhorar era preciso, e urgente. E até que a equipe melhorou: teve três vitórias - inclua-se aí o inesperado triunfo sobre o PSV -, viu o crescimento de alguns jogadores (como Levi Smans, no meio-campo), conseguiu respirar um pouco indo até uma região segura da tabela. Mesmo assim, a desconfiança continua, pela distorção dos resultados. Para dar um exemplo, o Heerenveen é o quarto melhor mandante e o terceiro pior visitante do campeonato. Só mesmo ficando no meio da tabela, só mesmo se estabilizando, é que a torcida dará algum respaldo ao primeiro trabalho de Robin van Persie "para valer" como treinador. Resultados não são tudo, mas são 100%...

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Guia da Eredivisie 2024/25: Heerenveen

Van Persie aceitou o desafio. E tentará fazer do Heerenveen uma equipe mais atraente, em sua primeira experiência de fato como treinador (Pro Shots)

Sportclub Heerenveen

Cidade: Heerenveen   
Estádio: Abe Lenstra (capacidade para 26.100 torcedores) 
Apelido: Fean (corruptela de "Hearrenfean", nome do time no idioma frísio - falado na província de Frieslândia, onde fica a cidade de Heerenveen), Frísios, Time da Frísia, "De Superfriezen" ("os superfrísios") 
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (1 Copa da Holanda)
Patrocínio: Wolkom (conglomerado de empresas da Frieslândia)
Técnico: Robin van Persie
Destaque: Luuk Brouwers (meio-campista)
Fique de olho: Ilias Sebaoui (atacante)
Temporada passada: 11º colocado
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: meio de tabela/vaga nos play-offs pela Conference League
Amistosos de pré-temporada:
3 de julho - Gaasterland/Sleat Regio (combinado regional) 0x9 Heerenveen
6 de julho - SV Steenwijkerwold 0x10 Heerenveen
9 de julho - Heerenveen 4x1 FC Dordrecht
12 de julho - Heerenveen 1x0 Almere City FC
19 de julho - Heerenveen 5x2 Zwolle
26 de julho - Heerenveen 5x0 Rayo Vallecano-ESP 
3 de agosto - Middlesbrough-ING 1x0 Heerenveen
Principais chegadas: Sam Kersten (D, Zwolle), Nikolai Hopland (D, Aalesund-NOR), Danilo Al-Saed (M, Sandesfjord-NOR), Levi Smans (M, VVV-Venlo), [Luuk Brouwers (M, Utrecht)], Jacob Trenskow (A, Kalmar-SUE) e Ilias Sebaoui (A, Feyenoord)
Principais saídas: Syb van Ottele (D, Fortuna Sittard), Sven van Beek (D, Al Shahania-CAT), Anas Tahiri (M, contrato terminou), Thom Haye (M, contrato terminou), [Charlie Webster (M, Chelsea-ING)], [Patrik Walemark (A, Feyenoord)] e Osame Sahraoui (A, Lille-FRA)

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
[transferência em definitivo após empréstimo]

Quer a atração do Heerenveen? Pois ela não é nenhum dos contratados para jogar. Ela está no banco de reservas: cinco anos após encerrar a carreira de jogador, já sabendo levemente como é ser técnico pela experiência rala no sub-19 do Feyenoord, Robin van Persie enfim se testará, enfim iniciará a carreira de treinador para valer. Só isso já sacudiu o ambiente do Fean - de certa forma, algo desejado pela torcida, cansada da morosidade vista dentro de campo nos últimos anos (e de problemas internos fora das quatro linhas). Mas pela postura vista na pré-temporada, Van Persie deseja montar uma equipe tão ofensiva quanto ele era na área. Pode parecer algo temerário. 

Ainda mais pensando em opções polêmicas do técnico, como começar a temporada sem escolher um goleiro titular, preferindo e assumindo a alternância entre Andries Noppert e Mickey van der Hart (que se tornou titular no decorrer de 2023/24). Além disso, os amistosos já indicaram que talvez a defesa jogue adiantada demais para um time que chegou a atuar com três nomes na defesa com o técnico anterior, Kees van Wonderen. E no duro, o grupo de jogadores não mudou tanto assim para poder fazer Van Persie sonhar. Além do mais, a saída de Osame Sahraoui pesará um pouco. Ainda assim, com o técnico fazendo questão de trazer por empréstimo o jovem Ilias Sebaoui, da base do Feyenoord que conhece tão bem; com a permanência de nomes como Luuk Brouwers e Simon Olsson; com o respeito que atrairá um técnico que segue como o maior goleador da história da seleção masculina holandesa, convém esperar que o Heerenveen seja uma fonte de entretenimento na temporada. E que faça uma boa campanha, claro, senão a torcida vai reclamar.

segunda-feira, 3 de junho de 2024

Análise da temporada: Heerenveen

Osame Sahraoui foi um dos raros jogadores a ajudar ofensivamente, numa temporada apagada do Heerenveen (Patrick Goosen/BSR Agency/Getty Images)

Colocação final: 11º lugar, com 37 pontos (10 vitórias, 7 empates e 17 derrotas
No turno havia sido: 9º lugar, com 19 pontos (na frente pelo maior número de gols pró)
Time-base: Van der Hart (Noppert); Braude, Van Beek, Bochniewicz e Köhlert; Olsson e Haye; Nunnely (Walemark), Brouwers (Tahiri) e Sahraoui; Van Amersfoort
Técnico: Kees van Wonderen
Maior vitória: Volendam 0x4 Heerenveen (23ª rodada)
Maior derrota: Heerenveen 0x8 PSV (31ª rodada)
Principal jogador: Osame Sahraoui (atacante) 
Artilheiro: Pelle van Amersfoort (atacante), com 10 gols  
Quem deu mais passes para gol: Thom Haye (meio-campista) e Osame Sahraoui (atacante), ambos com 4 passes
Quem mais partidas jogou: Simon Olsson (meio-campista), que jogou todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado pelo Vitesse, na segunda fase
Competições continentais: nenhuma

Pode um time terminar a temporada em condição tranquila na tabela e, ainda assim, causar aborrecimento e até irritação na torcida? Sim, no caso do Heerenveen. Se o primeiro turno do Campeonato Holandês ainda foi oscilante, entre o perigo das primeiras rodadas (quando o time da Frísia chegou a passar a 9ª rodada na 16ª posição, a da repescagem de acesso/descenso) e o ar promissor do transcorrer do primeiro turno (chegou a ter três vitórias seguidas, indo para a oitava posição, que lhe deixaria na repescagem pelo lugar na Conference League), o segundo turno foi tediosamente estável. "Tediosamente" porque o Fean fracassou ao tentar evitar a má sequência com que terminara 2023 (duas derrotas, mais a eliminação na Copa da Holanda): já começou 2024 com três empates e uma derrota, só voltando a ganhar do Ajax (3 a 2, 21ª rodada). Na mesma época, por sinal, um bode expiatório foi encontrado em campo: falhando constantemente, o goleiro Andries Noppert - titular da Holanda (Países Baixos) na Copa do Mundo masculina passada - perdeu sua vaga para Mickey van der Hart.

Aqui e ali, de fato, houve jogadores com boas atuações na temporada, como Luuk Brouwers, no meio-campo, e Osame Sahraoui, no ataque - este, principalmente, sendo driblador e ofensivo, colaborando para ajudar Pelle van Amersfoort a marcar seus gols. Ainda assim, o Heerenveen empolgou pouco o seu torcedor, ao longo da temporada. Reforços que atraíam alguma expectativa, como o atacante Patrik Walemark, emprestado pelo Feyenoord, não saíram a contento. A defesa começou a falhar constantemente, culminando no vexame da 31ª rodada: não por perder para o campeão PSV, mas por ser goleado por ele em pleno estádio Abe Lenstra (8 a 0). O final ainda teve mais um ponto baixo (derrota para o rebaixado Vitesse, por 3 a 1, na penúltima rodada, também em casa). E a torcida do Heerenveen, mesmo sem sofrer com ameaças de rebaixamento e coisas assim, terminou a temporada contando as rodadas para a saída do técnico Kees van Wonderen, já anunciada em meio ao returno. Outras virão, até pela necessidade de dinheiro - a de Sahraoui, por exemplo. Mas pelo menos, só a chegada de Robin van Persie, para seu primeiro trabalho para valer como treinador, já anima um pouco mais as perspectivas para o que vem por aí.

domingo, 7 de janeiro de 2024

Parada obrigatória: Heerenveen

Sahraoui foi o único jogador regular do Heerenveen, que sofreu com o sobe-e-desce ao longo das 16 rodadas da Eredivisie (NESimages/Michael Bulder/DeFodi Images/Getty Images)

Posição: 9º lugar, com 19 pontos (na frente pelo maior número de gols pró)
Técnico: Kees van Wonderen
Time-base: Noppert; Ali, Van Beek (Bochniewicz), Van Ottele e Köhlert; Olsson, Brouwers e Tahiri (Haye); Nunnely, Van Amersfoort (Nicolaescu) e Sahraoui
Maiores vitórias: Heerenveen 3x0 Heracles Almelo (10ª rodada), Heerenveen 3x0 Fortuna Sittard (13ª rodada) e Heerenveen 3x0 Almere City (14ª rodada) 
Maior derrota: Feyenoord 6x1 Heerenveen (5ª rodada)
Copa da Holanda: eliminado pelo Vitesse, na segunda fase
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Ion Nicolaescu (atacante) e Osame Sahraoui (atacante), ambos com 4 gols
Objetivo do início: meio de tabela/vaga nos play-offs pela Conference League
Avaliação: É o caso de dizer "quem te viu e quem te vê". No começo da Eredivisie, os maus resultados até colocaram o técnico Van Wonderen sob risco de demissão. Mas alguns jogadores melhoraram, o Fean teve bons resultados nas últimas rodadas do ano passado, e está em mais condições de cumprir suas metas

Difícil haver algum clube com maior montanha-russa no Campeonato Holandês até agora do que o Heerenveen. No começo, tudo bem: duas vitórias nas duas primeiras rodadas, e o time da Frísia ocupando a quarta posição. A partir daí, queda brusca: entre a 3ª e a 9ª rodadas, seis derrotas e um empate. Pior: nada de rendimento no ataque, com os reforços Pelle van Amersfoort e Ion Nicolaescu sem balançarem as redes. Na torcida, só se escutava um grito: "Kees, rot op!" (a versão holandesa do "ei, Kees, vai tomar...") - claro, críticas ao técnico Kees van Wonderen, cada vez mais pressionado. Na 9ª rodada, após cair para o AZ (3 a 0), o Fean chegou a ficar em 16º lugar, o que o "joga" na repescagem contra o rebaixamento. Melhoras eram necessárias. E urgentes.

Aconteceram. Van Wonderen conseguiu variar mais a equipe, que passou a experimentar uma dupla de volantes de vez em quando. Alguns nomes, como o meio-campo Luuk Brouwers, cresceram de produção. O ponta-esquerda Osame Sahraoui, o único destaque técnico, seguiu com boas atuações. E o Heerenveen viveu um bom momento: da 10ª à 14ª rodada, três vitórias (e a derrota foi previsível, para o Ajax). Com a inconstância dos times do meio de tabela, o time até alcançou a oitava posição na tabela. A torcida, antes crítica, já comemorava mais. Só que 2023 terminou com baixa de novo. Na Eredivisie, duas derrotas; na Copa da Holanda, eliminação para um Vitesse em crise. Se não quiser preocupar os adeptos de novo, será bom o Heerenveen já retomar a temporada com uma boa sequência.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Guia da Eredivisie 2023/24: Heerenveen

Osame Sahraoui virará uma referência para um Heerenveen que perdeu várias delas. E que, embora ainda siga sendo um bom time, terá um pouco mais de dificuldades (Pro Shots)

Sportclub Heerenveen

Cidade: Heerenveen   
Estádio: Abe Lenstra (capacidade para 26.100 torcedores) 
Apelido: Fean (corruptela de "Hearrenfean", nome do time no idioma frísio - falado na província de Frieslândia, onde fica a cidade de Heerenveen), Frísios, Time da Frísia, "De Superfriezen" ("os superfrísios") 
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (1 Copa da Holanda)
Patrocínio: Ausnutria (empresa de alimentos infantis à base de leite de cabra)
Técnico: Kees van Wonderen
Destaques: Andries Noppert (goleiro)
Fique de olho: Osame Sahraoui (atacante)
Temporada passada: 8ª colocado
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: meio de tabela/vaga nos play-offs pela Conference League
Amistosos de pré-temporada:
3 de julho - FC Wolvega (amador) 0x14 Heerenveen
6 de julho - Gaasterland/Sleat Combinatie (amador) 0x11 Heerenveen
9 de julho - Kickers Emden-ALE 0x6 Heerenveen
12 de julho - Heerenveen 0x2 Westerlo-BEL
20 de julho - Heerenveen 2x0 OFI Creta-GRE
29 de julho - Huddersfield Town-ING 1x0 Heerenveen
5 de agosto - Heerenveen 0x1 Metz-FRA
Principais chegadas: Mickey van der Hart (G, Emmen), Denzel Hall (D, Feyenoord), Luuk Brouwers (M, Utrecht), Charlie Webster (M, Chelsea-ING), Patrik Walemark (A, Feyenoord) e Ion Niculaescu (A, Beitar Jerusalém-ISR)
Principais saídas: Xavier Mous (G, não renovou contrato), Milan van Ewijk (D, Coventry City-ING), Joost van Aken (D, não renovou contrato), Jeffrey Bruma (D, RKC Waalwijk), Rami Kaib (D, Djurgardens-SUE), Rami Al-Hajj (D/M, Odense-DIN), Alex Timossi (A, Brommapojkarna-SUE), [Antoine Colassin (A, Anderlecht-BEL)] e [Sydney van Hooijdonk (A, Bologna-ITA)]

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
[transferência em definitivo após empréstimo]

O Heerenveen mostrou a firmeza desejada pela torcida na temporada passada, não só voltando à parte de cima da tabela, como também disputando os play-offs por vaga na Conference League. Tem condições de repetir isso, agora? Até tem, mas certamente terá mais dificuldades para fazê-lo. Nem tanto pela concorrência, mas pelas perdas que a janela de transferências trouxe até agora. A mais sentida delas, Sydney van Hooijdonk: será difícil ver o time da Frísia repôr facilmente a lacuna do seu goleador máximo nas duas temporadas recentes. Assim como será difícil repôr a perda de Milan van Ewijk, desafogo do ataque pela lateral direita.

Pelo menos, para esta lacuna o Fean já tem reposição, com a vinda de Denzel Hall. O excesso de opções para o miolo de zaga foi amenizado com algumas saídas, como as de Joost van Aken e Jeffrey Bruma. E de qualquer forma, alguns jogadores já formam uma base conhecida do técnico Kees van Wonderen: Andries Noppert no gol (sairá ou não?), Pawel Bochniewicz na zaga, Thom Haye e Simon Olsson no meio-campo, Osame Sahraoui (seus dribles crescerão de importância para o time). Ficar no meio da tabela é novamente possível. Porém, repetir a temporada passada é que será o grande desafio.

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Análise da temporada: Heerenveen

Com seus gols, Van Hooijdonk simbolizou um Heerenveen que quis ficar mais ofensivo no decorrer da temporada - e conseguiu cumprir assim sua missão (Bart Stoutjesdijk/ANP/Getty Images)

Colocação final: 8º lugar, com 46 pontos
No turno havia sido: 7º lugar, com 27 pontos
Time-base: Mous (Noppert); Van Ewijk, Bochniewicz, Van Ottele (Van Beek) e Köhlert; Haye, Olsson e Tahiri; Colassin (Van Amersfoort), Van Hooijdonk e Sahraoui
Técnico: Kees van Wonderen
Maior vitória: Vitesse 0x4 Heerenveen (3ª rodada)
Maior derrota: Ajax 5x0 Heerenveen (6ª rodada)
Principal jogador: Sydney van Hooijdonk (atacante)
Artilheiro: Sydney van Hooijdonk (atacante), com 16 gols
Quem deu mais passes para gol: Anas Tahiri (meio-campista), com 6 passes
Quem mais partidas jogou: Milan van Ewijk (lateral direito), com 36 partidas - as 34 da temporada regular, mais duas da repescagem pela vaga na Conference League
Copa nacional: eliminado pelo Feyenoord, nas quartas de final
Competições continentais: nenhuma

Faltava algo. Não que o Heerenveen estivesse ruim na temporada - inclusive, chamou atenção o fato do time da província da Frísia passar as cinco primeiras rodadas sem tomar gols. A invencibilidade terminou com o 5 a 0 imposto pelo Ajax na 6ª rodada, mas o Fean continuava satisfazendo no aspecto defensivo, tendo três zagueiros a proteger um goleiro surpreendente. Andries Noppert, afinal, tinha tanto destaque, fazia defesas tão boas (que o diga a vitória por 2 a 1 no Twente, na 9ª rodada), que coroou sua fase esplendorosa não só sendo convocado para a Copa do Mundo, mas estreando pela Holanda justamente nela - sendo titular com atuações bem decentes no Catar. No ataque, Sydney van Hooijdonk justificava plenamente a renovação do empréstimo junto ao Bologna italiano, sendo referência para os gols que o time fazia. Mesmo com tudo isso... faltava algo. Para o técnico Kees van Wonderen, respeitado pela solidez defensiva desde a passagem pelo Go Ahead Eagles, esse "algo" era justamente o contrário: faltava ataque ao Heerenveen.

Entre o turno e o returno, o técnico decidiu arriscar mudança no esquema tático: ao invés dos três zagueiros, no 5-3-2, preferiu o 4-3-3 velho de guerra na Holanda (Países Baixos). Teve consequências esperadas. Negativas: o time tomou mais gols no returno - 25, contra 19 no turno -, e sentiu falta de Noppert, que sofreu lesão muscular logo após a Copa, em janeiro, e precisou de longa recuperação. E positivas também: com mais espaço para dar vazão às suas qualidades no avanço, Milan van Ewijk se transformou num dos melhores laterais-direitos da temporada. E Van Hooijdonk não só seguiu fazendo gols (para "orgulho" do pai, o ex-atacante Pierre), como teve mais nomes de ataque a ajudá-lo, como Osame Sahraoui, que ajudou na ponta e no meio campo, o belga Antoine Colassin, que evoluiu na reta final da temporada, e Pelle van Amersfoort, de volta ao clube. Boa sequência nas últimas rodadas - dois empates e duas vitórias - fizeram o time superar adversários mais inconstantes e conseguir a última vaga nos play-offs pelo lugar na Conference League. Não foi páreo para o Twente, mesmo com a volta de Noppert ao gol. Contudo, o Heerenveen terminou a temporada com a serena sensação de missão cumprida. Kees van Wonderen chegou, afinal, para comandar um time que fosse mais sólido. E fez isso. Ainda que tenha querido mudar justamente essa solidez no decorrer da temporada.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Parada obrigatória: Heerenveen

Enquanto o time faz gols e faz jogo duro com os adversários, Noppert é o símbolo da segurança que o Heerenveen ostenta nesta temporada (Andre Weening/Orange Pictures/BSR Agency/Getty Images)

Posição: 8ª colocação, com 23 pontos
Técnico: Kees van Wonderen
Time-base: Noppert; Van Ewijk, Van Aken, Van Beek, Bochniewicz e Kaib; Tahiri, Haye (Halilovic) e Olsson; Van Hooijdonk e Sarr
Maior vitória: Vitesse 0x4 Heerenveen (2ª rodada)
Maior derrota: Ajax 5x0 Heerenveen (6ª rodada)
Copa da Holanda: enfrentará o Volendam, na segunda fase
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Sydney van Hooijdonk (atacante), com 6 gols
Objetivo do início: meio de tabela/vaga nos play-offs pela Conference League
Avaliação: Com firmeza defensiva, o Fean conseguiu ver a dupla de ataque se virar bem. Mesmo sem um time brilhante, fica na zona da tabela em que todos esperavam até aqui

Kees van Wonderen chegou ao Heerenveen com um objetivo: fazer um time defensivamente seguro, tendo em vista o ótimo trabalho dele no Go Ahead Eagles em 2021/22. Quase simultaneamente ao técnico, chegou outro responsável pela boa temporada das Águias: o goleiro Andries Noppert, que voltava ao clube em que se iniciara no futebol. Pois bem: rapidamente, o Fean exibiu o que se desejava. Nas quatro primeiras partidas, segurança acima de tudo: o clube da Frísia só tomou um gol. Está certo que, na quinta rodada, veio um duro lembrete da realidade pelo Ajax, na forma de uma goleada por 5 a 0. Ainda assim, o Heerenveen exibe a segunda melhor defesa da temporada, só abaixo do Twente: 13 gols sofridos em 14 jogos, mesma marca do líder Feyenoord. Previsível, para uma defesa firme pelo alto - simbolizada por Noppert, o melhor goleiro da Eredivisie até agora, ostentando atuações como nos 2 a 1 sobre o Twente (7ª rodada), premiado surpreendente mas justamente como o goleiro titular da Holanda na Copa - e se mostrando um goleiro firme no Catar.

Nem só de defesa vive um time, claro. E o Heerenveen também se firmou nisso. Entre os três do meio-campo, Thom Haye se consolidou como um razoável armador. Mas se tornou coadjuvante, diante do bom entrosamento que a dupla de ataque ostenta. O sueco Amin Sarr traz rapidez, ao mesmo tempo em que é ótimo nas finalizações. E Sydney van Hooijdonk justifica, de novo, o esforço que o Fean fez para consegui-lo de novo, por empréstimo junto ao Bologna: a presença de área e a habilidade foram aproveitadas para torná-lo o goleador do time no Campeonato Holandês. Não que sejam muitos gols: se é a segunda melhor defesa, o Heerenveen é o quarto pior ataque da liga. Mas já serve para tornar o time alviazul um dos mais duros de serem superados. Que o diga o Feyenoord, que empatou sem gols na segunda rodada. Ou o PSV, que só o superou com um gol a quinze minutos do fim (1 a 0, 9ª rodada). Na primeira metade da temporada, as expectativas estão sendo cumpridas. Com toda a segurança.

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Guia da Eredivisie 2022/23: Heerenveen

 
Van Hooijdonk ajudou o Heerenveen no ótimo fim da temporada passada. Agora, com um ano de empréstimo garantido, pode ser ainda mais importante (Pro Shots)

Sportclub Heerenveen

Cidade: Heerenveen   
Estádio: Abe Lenstra (capacidade para 26.100 torcedores) 
Apelido: Fean (corruptela de "Hearrenfean", nome do time no idioma frísio - falado na província de Frieslândia, onde fica a cidade de Heerenveen), Frísios, Time da Frísia, "De Superfriezen" ("os superfrísios") 
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (1 Copa da Holanda)
Patrocínio: Ausnutria (empresa de alimentos infantis à base de leite de cabra)
Técnico: Kees van Wonderen
Destaques: Thom Haye (meio-campista) e Sydney van Hooijdonk (atacante)
Fique de olho: Andries Noppert (goleiro)
Temporada passada: 8ª colocado
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: meio de tabela/vaga nos play-offs pela Conference League
Amistosos de pré-temporada:
28 de junho - Seleção regional Gaasterlân 0x14 Heerenveen
2 de julho - Heerenveense Boys 0x7 Heerenveen
5 de julho - Heerenveen 4x1 TOP Oss
8 de julho - Heerenveen 0x1 Utrecht
15 de julho - Zwolle 0x2 Heerenveen (um tempo com 75 minutos, outro tempo com 60 minutos)
22 de julho - Heerenveen 1x1 RWDM-BEL
30 de julho - Heerenveen 3x1 Excelsior
Principais chegadas: Andries Noppert (G, Go Ahead Eagles), Alex Timossi (M, Bayern de Munique-ALE), Simon Olsson (M, Elfsborg-SUE), Hussein Ali (A, Örebrö-SUE), Mats Köhlert (A, Willem II), Antoine Colassin (A, Anderlecht-BEL) e Sydney van Hooijdonk (A, Bologna-ITA)
Principais saídas: Erwin Mulder (G, Go Ahead Eagles), Ibrahim Dresevic (D, Karagümrük-TUR), Nick Bakker (D, Al Arabi-SAU), Lucas Woudenberg (D, Willem II), [Nicolas Madsen (M, Midtjylland-DIN)], [Filip Stevanovic (M, Manchester City-ING)], Siem de Jong (A, De Graafschap) e [Anthony Musaba (A, Monaco-FRA)] 
Grupo de jogadores

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo]

Para um time que passou boa parte da temporada anterior em marcha lenta - até temendo, levemente, as últimas posições -, a reta final do Heerenveen foi surpreendentemente agradável, com arrancada nas rodadas finais e disputa de lugar na Conference League, via play-offs. E o time da província da Frísia está se preparando para a temporada atual tentando manter esse clima otimista de reformulação. Que ganhou impulso já na escolha do novo técnico: após o trabalho estabilizador do dinamarquês Ole Tobiasen, Kees van Wonderen chega ao Fean para fazer ali o que já fez com grande competência no Go Ahead Eagles. Ou seja: criar um time firme, estável na defesa e bastante rápido nos contra-ataques.

Para a defesa, até agora, apenas uma transferência digna de nota. Para o gol, após o veterano Erwin Mulder ser dispensado ao fim de contrato, Andries Noppert chegou respaldado por Van Wonderen: afinal, Noppert teve grande mérito na campanha do Go Ahead Eagles, com agilidade e segurança debaixo das três traves. No meio, onde Thom Haye seguirá como responsável pela criação das jogadas, o sueco Alex Timossi chega do time B do Bayern de Munique para ser uma aposta. Mas é no ataque a grande aposta do Heerenveen. Primeiro, pela permanência de Amin Sarr, um dos que mais ajudaram na reação da Eredivisie que passou. Depois, com a confirmação que a torcida mais desejava: novamente, Sydney van Hooijdonk, o destaque absoluto das rodadas derradeiras, o nome com técnica suficiente para fazer a diferença, foi emprestado novamente pelo Bologna. Agora cedido por um ano, o filho de Pierre tem tudo para ser o símbolo de uma equipe que possa fazer uma campanha mais regular desde o princípio da liga.

domingo, 19 de junho de 2022

Análise da temporada: Heerenveen

Van Hooijdonk chegou no meio de um caminho tortuoso para o Heerenveen. Na reta final da Eredivisie, o atacante embalou. E seus gols ajudaram num fim de temporada melhor do que o esperado (Pro Shots)

Colocação final: 8º lugar, com 41 pontos 
No turno havia sido: 9º colocado, com 25 pontos
Time-base: Mulder (Mous); Van Ewijk, Van Beek, Dresevic, Bakker e Kaib (Woudenberg); Madsen (Tahiri), Halilovic e Haye (Siem de Jong); Van Hooijdonk e Sarr (Musaba/Van der Heide)
Técnico: Johnny Jansen (até a 20ª rodada) e Ole Tobiasen (interino, a partir da 21ª rodada)
Maior vitória: Heerenveen 3x1 Groningen (29ª rodada) e Heerenveen 3x1 Go Ahead Eagles (34ª rodada) 
Maior derrota: Ajax 5x0 Heerenveen (33ª rodada)
Principais jogadores: Tibor Halilovic (meio-campo) e Sydney van Hooijdonk (atacante) 
Artilheiro: Sydney van Hooijdonk (atacante), com 7 gols
Quem deu mais passes para gol: Thom Haye (meio-campo), com 5 passes
Quem mais partidas jogou: Milan van Ewijk (lateral direito), com 35 partidas - 33 pela temporada regular, mais duas na repescagem pela Conference League
Copa nacional: eliminado nas oitavas de final, pelo Go Ahead Eagles
Competições continentais: nenhuma

O Heerenveen viveu dois momentos muito distintos, na temporada. Um deles durou bem mais do que o outro, a bem da verdade. E foi o momento ruim. Por boa parte do campeonato, o time alviazul da Frísia mostrou fragilidade defensiva, sem empolgar no ataque. A única razão para entusiasmo vinha dos dois destaques já conhecidos: os "dois Veerman", Joey no meio-campo, Henk no ataque. E coube à dupla, indiretamente, sinalizar que as coisas estavam ruins no Fean: em janeiro, ambos preferiram um outro rumo. Joey Veerman enfim conseguiu a transferência que tanto desejava, para o PSV; já Henk Veerman foi para o Utrecht, um pouco mais regular do que o Heerenveen. E uma sequência de três rodadas com derrotas sem gol marcado - mais a eliminação para o Go Ahead Eagles, na Copa da Holanda - foi o ponto final para o técnico Johnny Jansen, demitido em fevereiro. O dinamarquês Ole Tobiasen chegou para conduzir o time até o fim da temporada, e teria algumas contratações úteis: Thom Haye no meio, a dupla Sydney van Hooijdonk-Amin Sarr na frente, todos vindos em janeiro.

Mas o início do trabalho de Tobiasen continuou altamente preocupante: da 21ª à 26ª rodada, foram quatro derrotas e dois empates, totalizando uma série de dez rodadas sem vitória. Chegando a figurar na 13ª posição, o Heerenveen chegou mesmo a temer levemente o rebaixamento. Aí as coisas mudaram. Uma alteração tática de Tobiasen protegeu mais o time: ao invés de quatro, cinco jogadores na defesa. A vitória do desafogo - 2 a 0 no Heracles Almelo, na 27ª rodada - enfim minorou a pressão que já começava. O time foi se entrosando, os lançamentos de Thom Haye se tornaram fundamentais nas jogadas, a dupla Sarr-Van Hooijdonk se entrosou... e os frísios embalaram na reta final, até inesperadamente. Nas sete rodadas finais da temporada, quatro vitórias, grande parte delas com os gols de Van Hooijdonk. Graças à inconstância dos concorrentes, o Heerenveen subiu e abiscoitou a vaga restante na repescagem por vaga na Conference League. Chegou mesmo a sonhar com ela, vencendo o AZ na ida das "semifinais" e só sendo eliminado aos 88', na volta. Mas para um time que sofreu em boa parte da Eredivisie, o fim da temporada foi bem razoável para o Heerenveen. Agora, o técnico Kees van Wonderen chega, para tentar fazer um trabalho que seja mais seguro desde o início.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Parada obrigatória: Heerenveen

Henk Veerman já não terá mais o "xará de sobrenome" Joey Veerman a seu lado no Heerenveen. Mas tem capacidade para liderar um time que precisa tomar algum impulso (Pro Shots)

Posição: 10ª colocação, com 25 pontos (atrás pelo pior saldo de gols)
Técnico: Johnny Jansen
Time-base: Mous (Mulder); Van Ewijk, Van Beek, Dresevic (Bakker) e Kaib; Madsen, Halilovic e Joey Veerman; Nygrén (Musaba), Henk Veerman e Siem de Jong (Stevanovic)
Maior vitória: Heerenveen 3x2 RKC Waalwijk (2ª rodada)
Maior derrota: Heerenveen 0x3 Feyenoord (18ª rodada)
Copa da Holanda: classificado para as oitavas de final, nas quais enfrentará o Go Ahead Eagles
Competição europeia: nenhuma
Artilheiros: Henk Veerman (atacante), com 8 gols
Objetivo do início: meio de tabela/vaga nos play-offs pela Conference League
Avaliação: Até agora, o Fean cumpre seu objetivo sem muito brilho. Mesmo com os destaques de sempre correspondendo, o time aparentemente está repetitivo. É um fator a ser cuidado no returno

Até agora, o Heerenveen é o clube responsável por passar despercebido neste Campeonato Holandês. O time da Frísia não brilha, mas também não passa sufoco. Não chama a atenção nem ofensivamente, nem defensivamente. E nenhum de seus jogadores pode ser considerado destaque a ponto de chamar a atenção na Eredivisie. Bem que os "Veerman" tentaram se sobressair no começo - com destaque para os 3 a 2 diante do RKC Waalwijk, já na 2ª rodada, quando Joey brilhou no meio-campo e Henk, no ataque. Mas o decorrer das primeiras 18 rodadas indicaram que a equipe alviazul das folhas de lírio na camisa se valeria muito mais do coletivo, como um todo, do que de um destaque, como foi com a dupla dos Veerman na temporada passada.

É claro que mudanças aconteceram no time, aqui e ali. A lesão no polegar de Erwin Mulder abriu espaço para Xavier Mous entrar no gol - e fazer algumas boas partidas); no ataque, Benjamin Nygrén perdeu espaço para a velocidade (e algum excesso de vontade) do jovem Anthony Musaba; e Rami Kaib tomou a posição de Lucas Woudenberg na lateral esquerda. Ainda assim, os destaques se repetiram - além dos citados Joey Veerman e Henk Veerman, Siem de Jong, Tibor Halilovic, Rodney Kongolo. E a falta de capacidade de conseguir surpresas (contra os três grandes, só mesmo o empate por 1 a 1 contra o PSV, na 14ª rodada, saltou aos olhos) indicou que o Heerenveen anda um time... manjado. Por enquanto, apenas fica seguro no meio da tabela. Quem sabe a saída de Joey Veerman, que conseguiu enfim a sonhada transferência - já é do PSV -, seja o chacoalhão que o Fean precisa para se fazer notar no Campeonato Holandês. De preferência, no aspecto positivo, é claro.


quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Guia da Eredivisie 2021/22: Heerenveen

O zagueiro Van Beek é um raro reforço, num Heerenveen que parece ter uma base estável (Pro Shots/VI Images)
 
Sportclub Heerenveen

Cidade: Heerenveen   
Estádio: Abe Lenstra (capacidade para 26.100 torcedores) 
Apelido: Fean (corruptela de "Hearrenfean", nome do time no idioma frísio - falado na província de Frieslândia, onde fica a cidade de Heerenveen), Frísios, Time da Frísia, "De Superfriezen" ("os superfrísios") 
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (1 Copa da Holanda)
Patrocínio: Ausnutria (empresa de alimentos infantis à base de leite de cabra)
Técnico: Johnny Jansen
Destaque: Henk Veerman (atacante)
Fique de olho: Filip Stevanovic (meio-campista)
Temporada passada: 12ª colocado
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: meio de tabela/vaga nos play-offs pela Conference League
Amistosos de pré-temporada:
3 de julho - Heerenveen 3x1 Jong Utrecht
10 de julho - Kortrijk-BEL 2x2 Heerenveen
13 de julho - Heerenveen 0x2 Maccabi Tel Aviv-ISR
17 de julho - Heerenveen 3x2 TOP Oss
23 de julho - Groningen 2x1 Heerenveen
31 de julho - Zwolle 0x2 Heerenveen
1º de agosto - Heerenveen 5x2 Team VVCS
7 de agosto - Heerenveen x Lecce-ITA (suspenso pelo mau tempo)
Principais chegadas: Xavier Mous (G, Zwolle), Milan van Ewijk (D, ADO Den Haag), Sven van Beek (D, Feyenoord), Nicolas Madsen (M, Midtjylland-DIN)Filip Stevanovic (M, Manchester City-ING) e Anthony Musaba (A, Monaco-FRA)
Principais saídas: Sherel Floranus (D, Antalyaspor-TUR), [Jan Paul van Hecke (D, Brighton-ING)], [Oliver Batista Meier (M, Bayern de Munique-ALE)], Lasse Schöne (M, NEC) e Mitchell van Bergen (A, Reims-FRA)
Grupo de jogadores

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo]

O Heerenveen é um time com poucas preocupações, por enquanto. Para cada perda que veio, já houve uma pronta reposição a fortalecer o grupo à disposição do técnico Johnny Jansen. No gol, Xavier Mous é uma ótima opção ao titular Erwin Mulder, levando-se em consideração os padrões do Campeonato Holandês. Na zaga, se Jan Paul van Hecke voltou ao Brighton, Sven van Beek chega para ser o titular, tendo tanto Pawel Bochniewicz como Ibrahim Dresevic (mais técnico, e bom nas bolas paradas) a serem opções na dupla de defesa. Milan van Ewijk, um raro destaque no rebaixado ADO Den Haag, chega para tentar se confirmar como promessa da lateral direita, no lugar de Sherel Floranus. E no meio-campo, se Lasse Schöne preferiu cuidar da carreira retornando ao NEC, Filip Stevanovic tem técnica para se confirmar como um bom armador.

Além do mais, ficaram no clube nomes capazes de estabilizar a situação, com a experiência que possuem. Os citados Mulder no gol e Dresevic na defesa, Tibor Halilovic no meio-campo, Siem de Jong e o goleador Henk Veerman na frente, todos eles podem auxiliar o Fean em uma boa campanha. Bem que Joey Veerman quis sair: rumores o ligaram ao Verona-ITA, ao Wolverhampton-ING, até ao Feyenoord, o meio-campista se irritou pelo Fean não liberá-lo, mas o clube o manteve sob contrato. Talvez por saber que já tem uma base capaz de ser mais constante desde o início do campeonato, sem oscilar como fez no returno passado, resultando numa temporada mais tranquila.

terça-feira, 25 de maio de 2021

Análise da temporada: Heerenveen

Joey Veerman à esquerda, Henk Veerman à direita: eles podem não ser parentes, mas foram destaques no Heerenveen. Só que foi insuficiente para evitar a queda de produção (Jeroen Putmans/ANP/Getty Images)

Colocação final: 12º lugar, com 39 pontos
No turno havia sido: 8º colocado, com 20 pontos
Time-base: Mulder; Floranus, Van Hecke (Dresevic), Bochniewicz e Woudenberg (Kaib); Rodney Kongolo, Halilovic (Schöne) e Joey Veerman; Van Bergen, Henk Veerman e Siem de Jong
Técnico: Johnny Jansen 
Maior vitória: Heerenveen 4x0 Emmen (6ª rodada)
Maior derrota: Ajax 5x1 Heerenveen (5ª rodada)
Principal jogador: Joey Veerman (meio-campista)
Artilheiro: Henk Veerman (atacante), com 14 gols
Quem deu mais passes para gol: Joey Veerman (meio-campista), com 10 passes para gol
Quem mais partidas jogou: Erwin Mulder (goleiro), que jogou todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado nas semifinais, pelo Ajax
Competições continentais: nenhuma

Para um time que não vencera nenhum amistoso de pré-temporada antes do Campeonato Holandês começar, e cuja zaga começaria a jogar junta praticamente na primeira rodada, até que o começo do Heerenveen foi extremamente promissor. Invicto nas quatro primeiras rodadas - com três vitórias -, o time da Frísia começou embalando para um primeiro turno promissor. Em grande parte, graças a dois nomes de sobrenome igual e importância idem, mesmo sem parentesco. No meio-campo, Joey Veerman foi um dos melhores da Eredivisie: rápido, não só fazia bons lançamentos como era costumeiramente o "homem-surpresa" no ataque. Por várias vezes, tabelou com... Henk Veerman, que retornou ao clube mostrando capacidade de finalização e usando o porte físico para "fazer o pivô" com muita competência. Somados a nomes como Mitchell van Bergen e a zaga rapidamente entrosada (Jan Paul van Hecke e Pawel Bochniewicz), eles ajudavam o Fean a ter boas perspectivas.

Só que elas foram caindo com o decorrer do campeonato. Já na reta final do primeiro turno, uma sequência ruim (dez jogos sem vitória, entre a 8ª e a 17ª rodadas, com quatro derrotas e seis empates) deixou claras as limitações. Alguns nomes ganharam chance para tentar minorar os danos, como Rami Kaib, na lateral esquerda. O técnico Johnny Jansen passou a tentar fortalecer a defesa, passando a escalar três zagueiros. Vieram ainda Lasse Schöne e Siem de Jong, para trazerem mais experiência à equipe. Na Copa da Holanda, serviu para que o time alviazul fosse às semifinais. Mas na Eredivisie, nada disso serviu para que o Heerenveen ganhasse força para uma nova arrancada. Inclusive, o fim de campeonato foi ruim, sem vencer nas cinco rodadas derradeiras. De todo modo, talvez tenha sido um returno mais condizente com as expectativas que se tinha para o Heerenveen. O começo é que foi anormal.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Parada obrigatória: Heerenveen

Nomes como Joey Veerman ajudaram o Heerenveen a reverter as expectativas ruins da pré-temporada. Mas o time já perdeu fôlego, e precisa retomá-lo para continuar bem (Pro Shots/VI Images)


Posição: 8ª colocação, com 20 pontos
Técnico: Johnny Jansen
Time-base: Mulder; Floranus, Van Hecke, Bochniewicz e Woudenberg; Kongolo, Batista Meier (Hajal) e Joey Veerman; Nygrén, Henk Veerman e Van Bergen
Maior vitória: Heerenveen 4x0 Emmen (6ª rodada)
Maior derrota: Ajax 5x1 Heerenveen (5ª rodada)
Copa da Holanda: classificado para as oitavas de final, nas quais enfrentará o Emmen
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Henk Veerman (atacante), com 9 gols
Objetivo do início: meio de tabela
Avaliação: O ótimo começo de temporada do Fean impressionou, após uma pré-temporada de resultados preocupantes. Entretanto, no equilibrado meio de tabela, a má sequência na reta final de 2020 prejudicou. Se não quiser escorregar de vez, precisará de um bom retorno e dos destaques

O Heerenveen não ganhara nenhum amistoso na preparação para o Campeonato Holandês. Tinha o atacante Mitchell van Bergen como único destaque absoluto no time, em termos técnicos. Chegadas como Oliver Batista Meier, Jan Paul van Hecke e Henk Veerman (este de volta ao clube) eram pontos de interrogação. Sobravam motivos para preocupação no time alviazul da Frísia - e justamente no 2020 do seu centenário. Pois bem: como se fosse um presente de aniversário do destino, bastou a Eredivisie começar para o entrosamento se fazer notar, num ótimo começo de campeonato. Foram três vitórias e um empate. Até mesmo quando sofreu a primeira derrota - e foi logo uma goleada: 5 a 1 para o Ajax -, o Fean mostrou qualidades aqui e ali.

Tais qualidades vieram principalmente de uma dupla de "xarás de sobrenome" - que não são irmãos, mas ficaram conhecidos como os "Veerman Brothers". No meio-campo, Joey trouxe muita qualidade à saída de bola, fazendo jogadas ensaiadas e mostrando capacidade nos chutes de fora. No ataque, Henk foi um nome muito útil: valioso como "pivô", bom nas finalizações, fisicamente resistente. Mais atrás, a dupla Van Hecke-Bochniewicz se entendeu inesperadamente rápido no miolo de zaga. Todavia, após o bom começo, foi inegável que o Heerenveen perdeu fôlego nas últimas rodadas de 2020: foram três derrotas e quatro empates. Aqui e ali, as boas atuações seguem - por exemplo, no 2 a 2 com o PSV (11ª rodada). Mas a equipe perdeu terreno para Twente, Groningen, AZ... precisará voltar a vencer, se não quiser escorregar na tabela e trazer de volta os temores que existiam antes do campeonato começar.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Guia da Eredivisie 2020/21: Heerenveen

Num Heerenveen necessitado de dinheiro e de referências - Van Bergen é o único destaque técnico -, a volta do goleiro Erwin Mulder pode ser útil (Divulgação/sc-heerenveen.nl)

 Sportclub Heerenveen

Cidade: Heerenveen
Estádio: Abe Lenstra (capacidade para 26.100 torcedores)
Apelido: Fean (corruptela de "Hearrenfean", nome do time no idioma frísio - falado na província de Frieslândia, onde fica a cidade de Heerenveen), Frísios, Time da Frísia, "De Superfriezen" ("os superfrísios")
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (1 Copa da Holanda)
Patrocínio: Ausnutria (empresa de alimentos infantis à base de leite de cabra)
Técnico: Johnny Jansen
Destaque: Mitchell van Bergen (atacante)
Fique de olho: Oliver Batista Meier (meio-campista)
Quando a temporada passada foi interrompida, estava na... 10ª colocação
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: meio de tabela
Amistosos de pré-temporada:
1º de agosto - NAC Breda 1x0 Heerenveen
4 de agosto - Team VVCS x Heerenveen - CANCELADO
7 de agosto - Heerenveen 1x2 Vitesse
15 de agosto - De Graafschap 5x1 Heerenveen
20 de agosto - Utrecht 4x1 Heerenveen
29 de agosto - VfL Osnabrück-ALE 2x0 Heerenveen
5 de setembro - Heerenveen 0x1 Zwolle
Principais chegadas: Erwin Mulder (G, Swansea-GAL), Pawel Bochniewicz (D, Gornik Zabrze-POL),  [Jan Paul van Hecke (D, Brighton-ING)], Joaquín Fernández (D, River Plate-URU), Oliver Batista Meier (M, Bayern de Munique-ALE)Sieben Dewaele (M, Anderlecht-BEL), Benjamin Nygrén (Racing Genk-BEL), Stanislav Shopov (A, Botev Plovdiv-BUL) e Henk Veerman (A, St. Pauli-ALE)
Principais saídas: Warner Hahn (G, dispensado), Filip Bednarek (G, Lech Poznan-POL), Ricardo van Rhijn (D, dispensado), Daniel Hoegh (D, dispensado), [Sven Botman (D, Ajax)], Jordy Bruijn (A, NEC), Chidera Ejuke (A, CSKA Moscou-RUS), [Jens Odgaard (A, Sassuolo-ITA)] e [Alen Halilovic (A, Milan-ITA)]
Grupo de jogadores
Valor de mercado: 21,7 milhões de euros (via Transfermarkt)

Legenda
Jogador (posição, clube)
Transferência definitiva
[Transferência definitiva após empréstimo]
Empréstimo

Para uns, esperanças, mesmo em tempos de pandemia. E para outros, a realidade fica ainda mais nebulosa. Este é o caso do Heerenveen, justamente na temporada de seu centenário completado em julho. O clube da Frísia já dependia de empréstimos (de nomes, não de dinheiro) para turbinar o seu grupo de jogadores. Veio a pandemia, encurtou ainda mais a verba de que o Fean dispunha... e vieram as consequências temidas: boa parte dos titulares da temporada passada se foi, voltando aos clubes de origem após os empréstimos ou por venda, mesmo.

Pelo menos, houve uma boa contratação, com a volta de Erwin Mulder para trazer alguma garantia ao gol, posição mais afetada (o titular Warner Hahn e o reserva Filip Bednarek deixaram o clube). Henk Veerman, outro que volta, será o "homem de referência no ataque" com o qual o Fean é tão acostumado. O meio-campista Oliver Batista Meier, alemão de ascendência brasileira que passou por seleções de base da Alemanha, é uma aposta promissora. E alguns destaques ficaram, como o lateral direito Sherel Floranus e Mitchell van Bergen, o único nome digno de nota no ataque. O que não quer dizer que a situação seguirá assim: para fazer caixa, vendas ainda são possíveis no Heerenveen - Chidera Ejuke, agora no CSKA Moscou, que o diga. Enfim, se há um clube aonde a crise financeira causada pela pandemia já bateu, é o deste texto aqui. A torcida só espera que as consequências não sejam tão pesadas.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Para conhecer o clube: Heerenveen, 100 jier (ou melhor, 100 anos)

Falar em Heerenveen é ter imediatamente na memória esta imagem: a bandeira da Frísia denota bem como o clube centenário está ligado à sua província
Dentre as 12 províncias que formam os Países Baixos (ou Holanda, se você estiver acostumado), a Frísia, situada ao norte do país, é uma das províncias mais ciosas de si: já teve sua independência, mantém ativo seu dialeto - o frísio, tão presente nas cidades quanto o holandês -, valoriza os itens que a tornam conhecida. Pois um desses itens, no esporte, vindo da cidade de Heerenveen, completa 100 anos neste 20 de julho. E por mais que seja um clube médio no cenário do futebol holandês, o Sportclub Heerenveen já teve seus momentos que o tornaram inconfundível para os acompanhantes.

A começar pelo uniforme, que traz nele a bandeira da Frísia: não só as cores azul e branca, mas também as folhas de lírio (as pomperbladen, como são chamadas na região), flor comum na Frísia, costumeiramente confundidas com corações. É para curiosidades como essas que o Heerenveen é o merecedor do primeiro texto de uma seção deste Espreme a Laranja, para apresentar rapidamente os pontos mais importantes da história do Fean, no dia de celebração dos 100 jier - 100 anos, em frísio - do "Ûs Hearrenfean", o "nosso Heerenveen". No dialeto frísio, como a torcida gosta.

A torcida do Heerenveen enche a boca para dizer: Abe Lenstra, um dos melhores jogadores holandeses pré-Cruyff, era só do Heerenveen (Reprodução)

Um craque

Poderiam ser nomes como Klaas-Jan Huntelaar, Ruud van Nistelrooy ou Hakim Ziyech, que despontaram na Frísia antes de viverem as grandes fases de suas carreiras em outros clubes. Poderia ser Afonso Alves, que viveu o melhor momento de sua trajetória nos campos vestindo a camisa alviazul com as folhas de lírio, indo até à Seleção Brasileira campeã da Copa América em 2007. Poderiam ser o goleiro Hans Vonk ou o atacante Jeffrey Talan, símbolos do momento mais marcante desses 100 anos (a ida à Liga dos Campeões, em 2000/01). No entanto, diante de um clube tão apegado à sua província quanto o Heerenveen, é até previsível imaginar que o mais importante jogador de sua história tenha nascido e crescido ali, futebolística e geograficamente: o atacante Abe Lenstra (1920-1985).

Justiça seja feita: não é só por ter saído de e do Heerenveen que Lenstra é o mais notável jogador a ter vestido aquele alviazul. É por seu talento: atacante veloz, habilidoso pelas pontas, ele foi um dos melhores jogadores que a Holanda revelou, antes de Johan Cruyff. E só não teve reconhecimento maior na Europa (como teve um contemporâneo e amigo, Faas Wilkes) porque raramente quis deixar seu Heerenveen. O Ajax o quis; reza a lenda que a Internazionale até lhe estendeu um cheque em branco para comprá-lo; mas Abe Lenstra sempre se manteve apegado ao clube. Prova disso foram os 18 anos passados ali, entre 1936 e 1954, tendo sido até "jogador-treinador" entre 1946 e 1947 - e destaque nos títulos regionais do norte da Holanda, entre 1941/42 e 1949/50, num futebol ainda amador. Ou então, por ser um dos raros destaques da seleção holandesa de então: foram 47 jogos e 33 gols, entre 1940 e 1959.

Na reta final da carreira, Lenstra até se mudou de cidade, indo para Enschede. Entre 1954 e 1960, jogando pelo SC Enschede, um dos originadores do Twente atual; entre 1960 e 1963, parou no Enschedese Boys, justamente o outro. Depois de parar, morou em Almelo, vizinha a Enschede. Mas quando sofreu um AVC, em 1977, Lenstra voltou à sua Heerenveen. Lá foi homenageado antes e após sua morte, em 1985, aos 64 anos. E continua sendo. Por fatos como o estádio do Heerenveen, que leva seu nome. E pelo apelido carinhoso como a torcida sempre o chama: "Ûs Abe". Nosso Abe.

Na foto, Foppe de Haan treinava o Heerenveen numa rápida volta, no resto da temporada 2015/16. Mas ele já ajudara o clube definitivamente, nos 12 anos em que o ajudou a se transformar de pequeno em "médio" na Holanda (sc-heerenveen.nl)

Um técnico

Aqui, não há muito questionamento. Quando Foppe de Haan chegou ao Heerenveen, o clube até tivera uma participação na primeira divisão, em 1990/91, mas estava novamente na divisão de acesso, querendo subir para ficar. E De Haan recebeu respaldo para comandar o time, sem muita pressão, a partir de 1992. De parte a parte, não houve razões para arrependimento. Do lado do Heerenveen, a sonhada promoção para a Eredivisie veio em 1992/93 - desde então, o clube nem passou perto de cair. Foppe de Haan teve importância decisiva na construção dos "alicerces" que fizeram o Fean deixar de ser um clube pequeno para virar médio na Holanda.

Nos 12 anos em que treinou o clube da Frísia, ele se notabilizou por ser um técnico que conseguia manter pulso firme sem autoritarismos. Se não era taticamente inventivo, conseguia cativar grupos, manter bons ambientes. Até por isso, levou o Heerenveen além, treinando o time no vice-campeonato holandês em 1999/2000 - e na Liga dos Campeões que se seguiu. Também por isso, De Haan só saiu do clube em 2004 porque fora contratado para treinar a seleção sub-21 da Holanda - na qual também teve êxito, treinando a Jong Oranje bicampeã europeia da categoria (2006 e 2007) e quadrifinalista no torneio olímpico de futebol masculino, em Pequim-2008.

Depois, já às vésperas dos 70 anos, Foppe diminuiu o ritmo da carreira. Ainda assim, de um modo ou de outro, o futebol holandês sempre buscou seus respeitosos serviços quando necessário. Inclusive no futebol feminino: quando Sarina Wiegman foi promovida à treinadora da seleção, em 2017, ele foi chamado para ser auxiliar de Sarina - e discretamente, foi considerado pela própria como fundamental no trabalho que levou ao histórico título da Euro 2017 pelas Leoas Laranjas. No masculino, quando o Heerenveen passava por algumas dificuldades em 2015, Foppe aceitou voltar só para conduzir o time mais calmamente até o fim da temporada 2015/16. Conseguiu, aumentando ainda mais a gratidão da torcida. Que até hoje, se alegra ao ver Foppe de Haan, frequentemente, nas tribunas do Abe Lenstra, assistindo aos jogos do Heerenveen que ajudou a erguer no futebol do país.

Riemer van der Velde foi decisivo na estruturação do Fean - e mesmo após passar 23 anos presidindo o clube, ainda teve a ajuda pedida pela torcida (Pics United)

Um dirigente

Desde 1970, quando foi promovido à segunda divisão, o Heerenveen seguiu regular, apenas à espera de uma estrutura maior que o permitisse sonhar em dar o salto definitivo. O nome fundamental para isso acontecer se tornou presidente do clube em 1983, vindo da direção de uma empresa de atacados: Riemer van der Velde. Em seu período (23 anos!) à frente do clube, o Heerenveen deu o salto decisivo em sua história.Sob a presidência de Riemer, o Fean subiu pela primeira vez para a primeira divisão, em 1989/90.

Ainda sob sua presidência, subiu de novo (para não cair mais desde então, vale lembrar), em 1992/93. Com ele no comando segurando as pontas fora de campo para Foppe de Haan formar o time dentro - sem contar os bons jogadores -, o Heerenveen chegou à Liga dos Campeões, em 2000/01. E mesmo após deixar a presidência, Van der Velde ainda tem o respaldo da torcida. A tal ponto que, quando os adeptos exigiram mudanças na gestão de Robert Veenstra, em 2013, ele foi o condutor escolhido por eles para monitorar o balanço de uma auditoria, que deu a medida da crise interna vivida então.

Sim, você não está vendo errado: o Heerenveen jogou a Liga dos Campeões - e foi a fase de grupos, em 2000/01 (Reprodução)

Um momento

Seria até óbvio citar o único título da história do Heerenveen: a Copa da Holanda, na temporada 2008/09, ganha de modo dramático: na decisão por pênaltis contra o Twente, após 2 a 2 em 120 minutos de jogo, o goleiro sul-africano Hans Vonk se consolidou como o grande nome da posição na história do clube, ao pegar uma cobrança e ajudar na vitória por 5 a 4. Todavia, se ainda hoje imaginar o Heerenveen disputando a fase de grupos da Liga dos Campeões é algo muito difícil, no começo do milênio era ainda mais. E no entanto, o clube conseguiu: em 2000/01, esteve na Champions League, sua primeira - e única, até agora - experiência no mais importante torneio continental.

Em 1999/2000, Foppe de Haan tinha um time seguro atrás, com nomes como o citado Hans Vonk e o zagueiro e capitão Johan Hansma. Mais à frente, o finlandês Mika Nurmela ajudava na criação das jogadas, para que Anthony Lurling fosse ao ataque, onde já estava Jeffrey Talan. Na Eredivisie, com uma equipe simples, mas embalada, vieram resultados como uma vitória por 1 a 0 sobre o PSV, futuro campeão holandês daquela temporada, em plena Eindhoven. Ou então, um 3 a 0 categórico no Feyenoord, campeão de 1998/99. Sim, o time terminou longe do PSV na tabela, 16 pontos atrás. Mas se valendo de um Feyenoord inconstante, de um Ajax sem muito rumo e de uma ótima reta final (nas últimas sete rodadas, cinco vitórias e dois empates), o Fean conseguiu o vice-campeonato neerlandês.

Claro, seria difícil pensar em classificação no grupo C: além do Valencia, vice-campeão da Champions na temporada anterior (e seria novamente em 2000/01), os adversários do Heerenveen seriam um Olympiacos mais experiente e um Lyon também no caminho para dominar o futebol francês naquela década. Previsivelmente, o clube holandês terminou na lanterna, com quatro pontos. Ainda assim, teve boas memórias daquela experiência única. Como a vitória sobre o Olympiacos, por 1 a 0. Ou o empate com o Valencia, já classificado para a segunda fase, fora de casa: 1 a 1. Valeu.

Um rival

Se o Heerenveen ainda tem apego à Frísia onde está, nada mais esperado de seu rival também estar próximo: o Cambuur, de Leeuwarden, cidade próxima a Heerenveen. Está certo que, há algum tempo, o clube alviazul está em posição superior aos Leeuwarders, que já não jogam a primeira divisão desde 2015/16. Ainda assim, quando ele ocorre, o "dérbi da Frísia" é garantia de casa cheia, em Leeuwarden e Heerenveen.

E mesmo com toda a rivalidade, o Cambuur fez questão de dar os seus parabéns ao rival pelo centenário. Mas deixou o alerta: "Até o próximo dérbi da Frísia". Quando será? Poderia ser em 2020/21, já que o clube auriazul liderava a segunda divisão. Mas a pandemia não deixou.