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terça-feira, 16 de julho de 2024

Ela voltou

Pela falta de eficiência no ataque, a Holanda garantiu a duras penas a vaga na Euro feminina. Mas pôde contar com a melhor de suas atacantes, Miedema, na hora necessária (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Foi com emoção que a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) garantiu a sua vaga na Eurocopa feminina, a ser disputada na Suíça, em 2025. Nem tanto por ter jogado mal nas duas últimas rodadas das eliminatórias para o torneio continental de seleção: criou chances, foi ofensiva, foi até mais intensa do que Itália e Noruega. Ainda assim, perdeu todas as oportunidades de gol que criava, e esteve muito arriscada de precisar disputar a repescagem. A rigor, só assegurou o lugar direto na Euro por causa da novidade mais agradável que as Leoas Laranjas tiveram nestas datas FIFA: Vivianne Miedema parece ter voltado definitivamente. E com ela, a equipe nacional neerlandesa fica melhor.

Isso já foi visível no jogo da sexta passada, em Sittard, contra a Itália. Para começo de conversa, o ataque holandês se mostrou um pouco mais intenso, após as semanas de treino. As trocas de passes levaram a chances - como aos 7', na triangulação entre Esmee Brugts, Daniëlle van de Donk e Lineth Beerensteyn (que só não fez o gol porque a zagueira Martina Lenzini bloqueou seu chute). Ou aos 25', quando Brugts cruzou, a goleira Laura Giuliani rebateu, e Miedema ficou em boas condições para o chute, mas perdeu o tempo da bola. Contudo, quando as italianas tinham a bola, traziam mais perigo, se aproveitando da lentidão do trio de defensoras holandesas. Como aos 20', quando Sherida Spitse bloqueou na hora exata o arremate de Arianna Caruso. Ou aos 29', quando Caruso voltou a tentar, superando Dominique Janssen, mas a goleira Lize Kop rebateu - e voltou a pegar, firmemente, o chute de Valentina Giacinti.

E foi até curioso que Miedema começasse a se destacar num lance de... defesa: aos 42', quando Lisa Boattin cobrou escanteio, Barbara Bonansea cabeceou, e a camisa 9 evitou o gol italiano em cima da linha, afastando a bola de cabeça. No segundo tempo, uma alteração melhorou a defesa dos Países Baixos - Lynn Wilms veio para o lugar de Kerstin Casparij, estabilizando mais o trio de zagueiras. E o ataque ficou mais fluido, sem tantas preocupações com a marcação. Foi a hora de Miedema aparecer. Primeiro, aos 49', cabeceando para fora o cruzamento de Chasity Grant (das novatas que melhor aproveitaram as datas FIFA). Depois, aos 55', quando "Viv" bateu de fora da área e Giuliani defendeu. E finalmente, aos 65', na chance mais perigosa que o jogo da sexta passada teve, quando Miedema arriscou e mandou a bola ao travessão. Era o símbolo de que, pelo menos, a Holanda tentava bem mais o gol do que a Itália. E tentou com Wieke Kaptein (cabeceio para fora, aos 79'), com as entradas de Katja Snoeijs e Romée Leuchter... mas faltou o gol. O 0 a 0 decretava: as Leoas Laranjas teriam de conquistar a vaga na Eurocopa de mulheres contra a Noruega - decepcionante, mas difícil -, fora de casa. Ainda assim, ficava um lado doce: notar que Miedema aguentara os 90 minutos em campo. E bem.

Lize Kop teve mais uma partida no gol, com a lesão de Van Domselaar - e fez defesas importantes nestas datas FIFA (Joris Verwijst/BSR Agency/Getty Images)

E de fato, no começo do jogo em Bergen, o ataque norueguês se fez sentir. Lize Kop - digna substituta da machucada Daphne van Domselaar no gol - já pegou a bola aos 5', em chute de Karina Saevik. Aos 15', Kop trabalhou bem de novo, espalmando chute de Caroline Graham Hansen. E aos 19', Frida Maanum (aniversariante deste 16 de julho) só não comemorou o gol que fez porque estava impedida. Só depois é que a Holanda se aprumou em campo. Novamente rápida e intensa no ataque, mas novamente pecando na hora de "tirar o dez" com as finalizações: Van de Donk chutou mal aos 35', após triangulação, Jackie Groenen arriscou de fora - e para fora - aos 42', Casparij também errou sua tentativa aos 44'. De tanto perder gols, a Holanda corria risco de tomá-los, ainda que terminasse o primeiro tempo classificada para a Eurocopa - junto da Itália, que goleou a Finlândia (4 a 0).

E a Noruega "alertou" sobre esses perigos logo que o segundo tempo começou, aos 47', em dois chutes em sequência: primeiro Guro Reiten (dentro da área), depois Frida Maanum (fora da área), ambos impedidos por Lize Kop. Contudo, aos 61', não houve jeito: num escanteio cobrado por Vilde Boe Risa, Casparij rebateu apenas parcialmente, e Graham Hansen fez o gol do 1 a 0 que colocaria a Noruega na Eurocopa - e os Países Baixos, tendo de disputar a repescagem por uma vaga. Só restou ao time laranja - jogando de azul - tentar atacar. Primeiro, com a entrada de Katja Snoeijs. Depois, cercando a seleção norueguesa pelas pontas. Mas faltava... acertar o gol. Quem o acertou? A única jogadora neerlandesa diferenciada da atualidade: Miedema, aos 80', completou cruzamento de Chasity Grant, de cabeça, para fazer seu primeiro gol pelas Leoas Laranjas desde 2022.

E deixar claro: está de volta, pronta para deixar para trás a difícil recuperação da lesão no ligamento cruzado anterior. Uma notícia que talvez seja melhor para a Holanda até do que a própria vaga na Euro.

Eliminatórias da Euro feminina 2025 - Grupo 1 - Liga A

Holanda 0x0 Itália
Data: 12 de julho de 2024
Local: Fortuna Sittard Stadion (Sittard)
Árbitra: Tess Olofsson (Suécia)

HOLANDA
Lize Kop; Kerstin Casparij (Lynn Wilms, aos 46'), Sherida Spitse e Dominique Janssen; Chasity Grant, Jackie Groenen, Daniëlle van de Donk (Damaris Egurrola Wienke, aos 90' + 7), Wieke Kaptein e Esmee Brugts (Romée Leuchter, aos 90' + 1); Lineth Beerensteyn (Katja Snoeijs, aos 86') e Vivianne Miedema. Técnico: Andries Jonker

ITÁLIA
Laura Giuliani; Lucia di Guglielmo, Martina Lenzini, Elena Linari e Lisa Boattin; Arianna Caruso e Giada Greggi (Giulia Dragoni, aos 62'); Sofia Cantore (Michela Cambiagi, aos 62'), Manuela Giugliano (Emma Severini, aos 84') e Barbara Bonansea (Cecilia Salvai, aos 71'); Valentina Giacinti (Agnese Bonfantini, aos 72'). Técnico: Andrea Soncin


Noruega 1x1 Holanda
Data: 16 de julho de 2024
Local: Brann Stadium (Bergen)
Árbitra: Alina Pesu (Romênia)
Gols: Caroline Graham Hansen, aos 61', e Vivianne Miedema, aos 80'

NORUEGA
Cecilie Fiskerstrand; Thea Bjelde (Maria Thorisdóttir, aos 75'), Guro Bergsvand, Mathilde Harivken e Tuva Hansen (Marit Lund, aos 85'); Frida Maanum, Lisa Naalsand e Vilde Boe Risa (Sophie Haug, aos 86'); Caroline Graham Hansen, Karina Saevik e Guro Reiten. Técnica: Gemma Grainger

HOLANDA
Lize Kop; Kerstin Casparij (Lynn Wilms, aos 71'), Sherida Spitse e Dominique Janssen; Chasity Grant, Jackie Groenen, Daniëlle van de Donk (Damaris Egurrola Wienke, aos 86'), Wieke Kaptein e Esmee Brugts (Katja Snoeijs, aos 71'); Lineth Beerensteyn e Vivianne Miedema (Romée Leuchter, aos 86'). Técnico: Andries Jonker

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Com emoção ou sem emoção?

A Euro masculina acabou para a Holanda (Países Baixos). Para a feminina, a vaga pode chegar - e as jogadoras esperam que seja o quanto antes... (Soccrates Images)

Se a Eurocopa acabou para os homens (com uma razoável campanha), para as mulheres da Holanda (Países Baixos) ela pode chegar nestas datas FIFA de julho, que trazem as últimas rodadas das eliminatórias do torneio continental de seleções da Europa, contra a Itália (nesta sexta, às 15h45 de Brasília, em Sittard) e a Noruega (na próxima terça, na cidade norueguesa de Bergen, às 14h de Brasília). E as Leoas Laranjas podem chegar de dois modos: com emoção ou sem emoção. Se ganharem da Itália, já estarão na Euro feminina - na Suíça, no ano que vem -, garantindo um dos dois primeiros lugares do grupo 1. Se houver empate ou derrota, contudo, será necessário vencer as norueguesas.

Independente do resultado, a preparação para os jogos foi longa. E irritada. Com um motivo decorrente do outro. O primeiro, mais um drama de lesão no ligamento cruzado anterior do joelho: agora, foi Victoria Pelova a machucada que ficará por longo tempo distante da seleção. Para muitos, dentro e fora do ambiente da seleção de mulheres, foi mais uma vítima do calendário quase incessante do futebol delas. Tão incessante que terá as últimas rodadas em... julho, em meio às férias das jogadoras. Crítico habitual do comportamento da FIFA e da UEFA no assunto, o técnico Andries Jonker foi irônico, à revista Voetbal International: "Jogaremos entre a semifinal e a final da Eurocopa masculina. Bacana...". Antes, tinha sido raivoso ao diário De Telegraaf: "Nos planos da UEFA, eles definiram que teríamos quatro semanas de férias após 4 de junho, em 8 de julho nos apresentaríamos, e quatro dias depois jogaríamos uma partida dura. Mas isso é tão impossível quanto irresponsável! Eu me preocupo com a saúde das jogadoras". Uma delas, por sinal, se uniu às reclamações: Jackie Groenen. "Houve poucas paradas para todas. A gente se lembra disso. Se interfere no mental? Sim, talvez. Nós sabemos bem que ainda temos partidas importantes".

De todo modo, Andries Jonker fez o que podia. Em dois períodos de junho (dias 19 a 21, e 24 a 28), convocou um grande grupo de jogadoras, entre titulares e novatas, para se aclimatarem e se habituarem, em um período de treinos. Na hora da convocação definitiva, algumas estreantes ficaram para os jogos. Na zaga, Veerle Buurman, do PSV; e no ataque, tanto Chanté-Mary Dompig, bem no Milan pelo Campeonato Italiano, quanto Chimera Ripa, ponta do PSV, um dos destaques da seleção sub-21 dos Países Baixos. Tudo isso, sem contar nomes já convocados - algumas das quais, até com partidas jogadas -, mas ainda com ar de novidades: a goleira Daniëlle de Jong, a zagueira Gwyneth Hendriks, a meio-campista Nina Nijstad...

Já nas mais conhecidas jogadoras, as novidades ficam por conta dos novos clubes. Começa por Dominique Janssen, de volta à Inglaterra após a passagem pelo Wolfsburg alemão, chegando ao Manchester United. No meio-campo, a jovem Wieke Kaptein está chegando ao Chelsea-ING, após o começo no Twente ("Estou pronta, como jogadora e como pessoa", prometeu Kaptein à Voetbal International), enquanto Jill Baijings será mais uma holandesa no Aston Villa inglês - talvez a única, com a provável transferência da goleira Daphne van Domselaar para o Arsenal. Mas a surpresa maior vem no ataque: após nove anos, Renate Jansen deixou o Twente, esperava-se que ela tivesse uma experiência no exterior... mas a veterana avante é um reforço do PSV. Sem esquecer Lineth Beerensteyn, de volta ao Bayern de Munique após um tempo na Juventus.

Clube novo: Vivianne Miedema ainda começará seu caminho no Manchester City. E na seleção, vida nova, após tanto sofrimento nos últimos dois anos? (BSR Agency)

Mas é óbvio que a transferência mais comentada viria da jogadora mais conhecida que a Holanda tem. Após uma saída comentada do Arsenal, Vivianne Miedema terá espaço no Manchester City para "encontrar o prazer, e também a forma, de volta", após o joelho perturbá-la nos últimos dois anos, desde o rompimento do ligamento cruzado, em dezembro de 2022. Com Lieke Martens sendo capítulo encerrado nas Leoas Laranjas - e outras experientes, como Jill Roord, machucadas -, Miedema se converteu numa autêntica líder nos treinamentos. Se ela poderá jogar noventa minutos, no mínimo, contra a Itália? O técnico Andries Jonker deixou em aberto: "Faz muito tempo que ela não joga noventa minutos. Mas ela já passou da fase de jogar só dez, ou vinte minutos. Agora é diferente". Quem não jogará nada são dois desfalques: a supracitada Van Domselaar e Caitlin Dijkstra (esta, também mudando de clube, chegando ao Wolfsburg). Bem, talvez "DVD" ainda possa voltar contra a Noruega, se estiver em melhores condições - a cirurgia lombar por que passou ainda inspira cuidados. "Ainda é incerto, mas nesta sexta, ela realmente não pode", esclareceu Andries Jonker.

De um jeito ou de outro, a Holanda tentou minimizar os problemas que o calendário do futebol feminino lhe causa. E deseja garantir seu lugar na Eurocopa de mulheres sem emoção...

As 26 convocadas da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

Goleiras: Lize Kop (Leicester City-ING), Jacintha Weimar (Feyenoord) e Daniëlle de Jong (Twente)

Defensoras: Kerstin Casparij (Manchester City-ING), Lynn Wilms (Wolfsburg-ALE), Sherida Spitse (Ajax), Dominique Janssen (Manchester United-ING), Gwyneth Hendriks (PSV), Veerle Buurman (PSV), Ilse van der Zanden (Utrecht) e Merel van Dongen (Rayadas de Monterrey-MEX) 

Meio-campistas: Daniëlle van de Donk (Lyon-FRA), Jackie Groenen (Paris Saint Germain-FRA), Damaris Egurrola Wienke (Lyon-FRA), Nina Nijstad (PSV), Jill Baijings (Aston Villa-ING) e Wieke Kaptein (Chelsea-ING) 

Atacantes: Romée Leuchter (Paris Saint Germain-FRA), Lineth Beerensteyn (Juventus-ITA), Vivianne Miedema (Manchester City-ING), Esmee Brugts (Barcelona-ESP), Chanté-Mary Dompig (Milan-ITA), Renate Jansen (PSV), Katja Snoeijs (Everton-ING), Chimera Ripa (PSV) e Chasity Grant (Ajax)

terça-feira, 9 de abril de 2024

Por enquanto, elas ficam

O gol da vitória da Holanda (Países Baixos) contra a Noruega saiu de uma velha conhecida, Beerensteyn. E a pressão sobre as veteranas foi amenizada (Roy Lazet/Soccrates/Getty Images)

Impossível dizer que houve alguém, individualmente, que saiu perdendo, nestas datas FIFA da seleção feminina da Holanda (Países Baixos). Todavia, é possível dizer que houve uma perda num grupo. Para imprensa e torcida, muitas veteranas entraram na mira das críticas, principalmente após a péssima atuação das Leoas Laranjas na derrota por 2 a 0 para a Itália, na sexta-feira passada, pelas eliminatórias da Eurocopa feminina (que será no ano que vem, na Suíça). Pelo menos, a vitória por 1 a 0 contra a Noruega, nesta terça, amenizou as críticas e indicou que, por enquanto, elas ainda ficarão entre as titulares. Dentro destas, nenhuma das veteranas ocupou papel tão central nas críticas quanto Sherida Spitse - até porque Lieke Martens, outra criticada há algum tempo, estava ausente desta vez. 

Isso aconteceu porque a zagueira (e capitã da seleção) cometeu um erro logo aos quatro minutos da etapa inicial, contra a Itália - jogo em que a grande aposta foi a estreia de Chasity Grant na equipe laranja. Voltando ao momento, foi quando Manuela Giugliano lançou a bola do meio-campo, em profundidade, e Spitse foi superada com facilidade por Valentina Giacinti, que chutou cruzado para já fazer 1 a 0. Era só o começo de uma atuação defensivamente desastrosa dos Países Baixos. Sem muito espaço para atacar (só houve uma chance aos 42' - Grant cruzou, Daniëlle van de Donk chutou, e uma defensora italiana bloqueou a bola), a Holanda trocava passes no campo de defesa. Às vezes, errava. E a Itália aproveitava para criar chances, como aos 32': Dominique Janssen errou a saída de bola, Giugliano - talvez a melhor do jogo - dominou, avançou à área e chutou, para a defesa de Lize Kop. Tudo isso, sem contar a bola parada: aos 21', Giugliano já tinha cobrado escanteio, e Elena Linari errou o cabeceio.

No segundo tempo, o erro foi de Lize Kop. Mesmo sem ser tão exigida assim, a goleira titular (Daphne van Domselaar estava machucada) falhou no lance do segundo gol italiano, aos 59': o cruzamento de Michela Cambiaghi, que acabara de entrar, foi alto demais, Kop errou o tempo e soltou a bola nos pés de Agnese Bonfantini, que ampliou. Bem que alterações tentaram melhorar a Holanda, mas nada de êxito nisso. No ataque, só Van de Donk e Esmee Brugts (que tentou em chute, aos 62') tinham alguma velocidade para tentar superar a forte marcação da Itália; na defesa, o espaço cedido pela Holanda e os erros eram tantos que, aos 84', as Azzurre tiveram duas chances em sequência. De novo Janssen errou na saída de bola, Giugliano dominou a sobra, exigindo boa defesa de Kop, que segundos depois espalmaria por cima o arremate de Aurora Galli.

Na estreia pelas eliminatórias, a Itália comemorou, a Holanda amargou péssima atuação, e Spitse entrou na mira das críticas (Roy Lazet/Soccrates/Getty Images)

Até houve críticas e reconhecimento de má atuação por parte das mais jovens. Wieke Kaptein, por exemplo, reconheceu sua timidez em campo contra a Itália: "Preciso ter mais autoconfiança, e tenta acertar meus passes. E continuar jogando. É algo em que tenho de melhorar". No entanto, a crítica recaiu mais nas veteranas. Assim como nas derrotas pela Liga das Nações, a queda para a Itália trouxe comentários sobre ser o momento para uma renovação definitiva nas Leoas Laranjas. Aí, Sherida Spitse tomou a palavra para reagir. Já no pós-jogo contra a Itália, ainda na cidade de Cosenza, a capitã amenizou, falando à emissora NOS: "Acho que não tem nada demais acontecendo. Sempre falam isso, mas discordo". E de volta aos treinos no centro da federação neerlandesa, na cidade de Zeist, Spitse foi mais crítica: "E nos treinos na cidade de Zeist, de volta ao território neerlandês, a capitã foi até mais crítica, apregoando: "Vocês [jornalistas] acharam a mesma coisa na Liga das Nações: perdemos o primeiro jogo, mas no fim vencemos o grupo. Por quê já somos péssimas ao perdermos só um jogo? Sei que faz parte do trabalho de vocês, mas não consigo aguentar".

O técnico Andries Jonker até concordou indiretamente com as opiniões de Spitse, mas por via das dúvidas, preferiu um novo esquema tático contra a Noruega: voltaram as três atacantes, com Kerstin Casparij e Romée Leuchter sendo titulares na direita (Casparij na defesa, Leuchter no ataque). E se o começo contra a Itália foi desastroso, foi bom contra as norueguesa, na cidade holandesa de Breda. Numa jogada de veteranas, saiu o que seria o único gol do jogo: em avanço rápido, Van de Donk passou, e Lineth Beerensteyn (bem melhor jogando no meio do ataque) chutou colocado para fazer um belo gol. E se não brilhou, a Holanda também passou longe de sofrer no primeiro tempo contra a Noruega.

Na etapa final, os problemas já foram maiores. Mesmo fragilizada pelas ausências (as machucadas Caroline Graham Hansen e Ada Hegerberg), a Noruega ficou mais ofensiva com as alterações no intervalo. Aí Lize Kop mostrou seu valor: aos 48', defendeu um chute de Celin Bizet Ildhusoy à queima-roupa, evitando o empate. Aos 78', voltaria a aparecer, pegando firme um chute de Elisabeth Terland. E a Holanda, mais nos contra-ataques, só teve grande chance com Katja Snoeijs, aos 80'. O último susto norueguês veio aos 89': Guro Reiten completou cruzamento na área, mas a bola desviou em Dominique Janssen e saiu para escanteio.

E ficou no placar o 1 a 0. Que mantém a necessidade da Holanda melhorar, é verdade: mesmo com todas as seleções do grupo A tendo três pontos, as Leoas Laranjas estão em terceiro lugar, pelo menor saldo de gols. Ainda assim, há perspectivas de melhora para os próximos jogos - dupla contra a Finlândia, o primeiro em casa (31 de maio), o segundo fora (4 de junho). E Sherida Spitse pôde se aliviar, à NOS: "O sentimento não acabou. Tanto nas veteranas, quanto nas jovens. Estamos nisso juntas". As veteranas estão em paz. Pelo menos, por enquanto...

Eliminatórias da Euro feminina 2025 - Grupo A

Itália 2x0 Holanda
Data: 5 de abril de 2023
Local: San Vito (Cosenza)
Árbitra: Ivana Martinicic (Croácia)
Gols: Valentina Giacinti, aos 4', e Agnese Bonfantini, aos 59'

ITÁLIA
Laura Giuliani; Elisa Bartoli (Cecilia Salvai, aos 68'), Martina Lenzini, Elena Linari e Lisa Boattin; Agnese Bonfantini (Valentina Bergamaschi, aos 68'), Arianna Caruso, Manuela Giugliano e Giada Greggi (Aurora Galli, aos 57'); Valentina Giacinti (Chiara Beccari, aos 81') e Barbara Bonansea (Michela Cambiaghi, aos 57'). Técnico: Andrea Soncin

HOLANDA
Lize Kop; Caitlin Dijkstra, Sherida Spitse e Dominique Janssen; Victoria Pelova (Katja Snoeijs, aos 74'), Damaris Egurrola Wienke (Kerstin Casparij, aos 81'), Daniëlle van de Donk (Romée Leuchter, aos 63'), Wieke Kaptein e Esmee Brugts; Chasity Grant (Renate Jansen, aos 74') e Lineth Beerensteyn. Técnico: Andries Jonker


Holanda 1x0 Noruega
Data: 9 de abril de 2023
Local: Rat Verlegh (Breda)
Árbitra: Cheryl Foster (País de Gales)
Gol: Lineth Beerensteyn, aos 6'

HOLANDA
Lize Kop; Kerstin Casparij, Sherida Spitse, Caitlin Dijkstra e Dominique Janssen; Victoria Pelova, Daniëlle van de Donk e Damaris Egurrola Wienke; Romée Leuchter (Katja Snoeijs, aos 63'), Lineth Beerensteyn (Renate Jansen, aos 90' + 4) e Esmee Brugts (Chasity Grant, aos 63'). Técnico: Andries Jonker

NORUEGA
Cecilie Fiskerstrand; Thea Bjelde, Guro Bergsvand, Mathilde Harivken e Tuva Hansen; Lisa Naalsand, Ingrid Engen e Karina Saevik (Emilie Haavi, aos 69'); Celin Bizet Ildhusoy (Elisabeth Terland, aos 69'), Sophie Haug (Cathinka Tandberg, aos 88') e Guro Reiten. Técnica: Gemma Grainger


domingo, 18 de junho de 2023

Nem assim adiantou

A seleção da Holanda esperava, pelo menos, que o entrosamento levasse a uma melhor atuação contra a Itália. Só viu uma desorganização que preocupa ainda mais para o futuro (Getty Images)

Já decepcionada pela derrota na semifinal da Liga das Nações, a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) tinha apenas uma única intenção: tentar ganhar um pouco de entrosamento, diante da Itália, na decisão de 3º e 4º lugares do torneio, para quem sabe minorar um pouco a impressão de desorganização deixada na semifinal contra a Croácia. Por isso, o técnico Ronald Koeman escalou time titular. Nem assim adiantou: mesmo com a melhora progressiva no decorrer do jogo, os erros gritantes cometidos no primeiro tempo - até piores do que contra a Croácia - cobraram o preço. E a derrota por 3 a 2 só aumenta a intensidade das dúvidas sobre o trabalho de Koeman.

Quando a partida começou, a curiosidade seria ver se Noa Lang, de entrada elogiada na quarta passada, mostraria a mesma habilidade e a mesma autoconfiança vistas contra os croatas. Uma chance perdida por Denzel Dumfries (cabeceio para fora, aos 3', após escanteio de Gakpo) pareceu indicar isso. Mas só pareceu, mesmo. Se Ronald Koeman alertou, na entrevista coletiva do sábado, que queria mais esforço na marcação entre os zagueiros, viu exatamente o contrário. Pela esquerda, Federico Dimarco teve espaço total, com as falhas de Dumfries e também de Donyell Malen, no começo. Cruzou, os italianos puderam trocar passes, Wilfred Gnonto cruzou, Mateo Retegui tentou uma puxeta... mas o próprio Dimarco fez 1 a 0, em chute preciso e forte, logo aos 6'. Este, sim, foi um sinal forte do que seria - e foi - o primeiro tempo em Enschede. 

No ataque, pouquíssima criatividade holandesa: Noa Lang desperdiçava sua chance entre os titulares, Xavi Simons era inapetente na esquerda, novamente Frenkie de Jong tinha pouco espaço para seus avanços e passes em profundidade, Mats Wieffer aparecia menos do que fez contra a Croácia. Pior ainda era ver uma defesa frágil, lenta, deixando campo livre para constantes avanços da Itália. Principalmente na lateral esquerda. Foi onde Dimarco, o destaque dos primeiros 45 minutos, apareceu de novo para cruzar. Gnonto tentou finalizar, a bola não ficou para ninguém na disputa dele com Mats Wieffer na entrada da área, e Davide Frattesi entrou livre e em posição legal para fazer o segundo gol (primeiro dele pela Azzurra). De quebra, Dimarco chutou perigosamente, aos 27'. Mesmo com um time misto, a Itália mostrava velocidade e eficiência bem maiores do que uma apática Holanda - que só teve chance real com uma bola que Cody Gakpo recebeu na área e mandou para fora, aos 40'.

Ou algo mudava no segundo tempo, ou a derrota holandesa poderia ser pior do que a de quarta-feira. Mudou, de fato. Com Georginio Wijnaldum entrando em campo no lugar de Lutsharel Geertruida, o meio-campo ganhou alguém mais acostumado àquela posição, para ajudar Wieffer e De Jong. E se foi estranho ver Dumfries recuando de vez para a zaga, as entradas de Steven Bergwijn e Wout Weghorst tornaram o ataque, pelo menos, mais movimentado - como mostraram chances que Gakpo perdeu, aos 47' e aos 52', além de tentativa de Bergwijn bloqueada por Dimarco, aos 51'. Claro que a defesa deixava espaços, claro que a Holanda estava desorganizada - e a Itália lembrou isso ao tentar vez por outra, como num arremate de Gnonto aos 49'. Contudo, a Laranja buscava mais o gol. E afinal o conseguiu, por Bergwijn, aos 68', até driblando bem Dimarco antes de concluir.

As entradas de Wijnaldum e Bergwijn ajudaram, pelo menos, a acelerar um pouco mais a Laranja no segundo tempo (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

O ânimo crescia... só que a Holanda estava desorganizada. E poucos momentos exemplificaram isso tão bem quanto o terceiro gol italiano. Federico Chiesa, recém-entrado em campo, já tivera uma boa chance aos 70', ao passar por Dumfries, cruzar para o meio e ver Virgil van Dijk afastando a bola. Aos 73', Dumfries avançou, caiu após disputa... e reclamou, pedindo falta. Enquanto o lateral da camisa 22 reclamava, havia um espaço gigante à esquerda da defesa da Holanda. Espaço que Chiesa teve para avançar com a bola, driblar Van Dijk e tocar no canto para o 3 a 1, devolvendo a calma à Itália. E ainda teve boa chance, aos 78', chutando por cima. À Holanda, só restou ampliar a tentativa do "abafa". Quase deu certo no gol anulado de Weghorst, aos 82' - estava impedido, em cobrança de falta de Koopmeiners que desviou num defensor. Deu certo com Wijnaldum, que diminuiu para 3 a 2 aos 89' após triangulação que contou com Joey Veerman, enfim estreante na seleção. Mas... ficou nisso.

A Holanda (Países Baixos) sonhava em conquistar um título, após 35 anos. Termina a Liga das Nações assustando com a desorganização vista em campo. Não, Ronald Koeman não será demitido - até porque não há nenhuma opção imediata e capacitada para o seu lugar. Porém, já há motivos para preocupação, como Van Dijk reconheceu na entrevista pós-jogo. Se voltar em setembro, nas eliminatórias da Euro 2024, para enfrentar Grécia e Irlanda (seleções tradicionalmente aguerridas, mesmo sem brilho técnico), a Laranja pode se colocar em apuros ainda mais sérios. 

Liga das Nações da UEFA - Decisão de 3º/4º lugares

Holanda 2x3 Itália

Data: 18 de junho de 2023
Local: De Grolsch Veste (Enschede)
Árbitro: Glenn Nyberg (Suécia)
Gols: Federico Dimarco, aos 6', Davide Frattesi, aos 20', Steven Bergwijn, aos 68', Federico Chiesa, aos 72', e Georginio Wijnaldum, aos 89'

HOLANDA
Justin Bijlow; Denzel Dumfries, Lutsharel Geertruida (Georginio Wijnaldum, aos 46'), Virgil van Dijk e Nathan Aké; Mats Wieffer (Joey Veerman, aos 76'), Frenkie de Jong e Noa Lang (Wout Weghorst, aos 46'); Donyell Malen (Steven Bergwijn, aos 46'), Cody Gakpo e Xavi Simons (Teun Koopmeiners, aos 63'). Técnico: Ronald Koeman

ITÁLIA
Gianluigi Donnarumma; Rafael Tolói, Francesco Acerbi, Alessandro Buongiorno e Federico Dimarco (Leonardo Spinazzola, aos 74'); Davide Frattesi, Bryan Cristante e Marco Verratti (Nicolò Barella, aos 85'); Wilfred Gnonto (Nicolò Zaniolo, aos 64'), Mateo Retegui (Lorenzo Pellegrini, aos 86') e Giacomo Raspadori (Federico Chiesa, aos 63'). Técnico: Roberto Mancini

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Achou-se um caminho

A Holanda ainda teve dificuldades contra a Itália. Mas a expressão de Van de Beek exemplifica bem a evolução da Laranja, mais valente e ofensiva no empate (Getty Images)

Enfrentar a Itália - ofensiva, motivada, entrosada, há 18 jogos sem perder - era algo temerário para uma seleção da Holanda (Países Baixos) lenta e desatenta, como se mostrara nos dois primeiros jogos sob o comando de Frank de Boer. E obviamente, o técnico da Laranja sabia disso. Arriscou mudanças importantes para o quarto jogo pela Liga das Nações, fora de casa, contra um adversário de respeito. E se a vitória ainda não veio sob o novo técnico, pelo menos a seleção neerlandesa mostrou no 1 a 1 desta quarta-feira que nem tudo está perdido para ela.

Está certo que a principal mudança no esquema holandês de jogo - voltar a usar três zagueiros, com cinco homens na defesa, algo que não acontecia desde 2018 - causou algumas dificuldades no começo. Havia espaço para a Itália avançar. Isso se viu já no primeiro minuto, quando Jasper Cillessen já teve de trabalhar, num chute de Lorenzo Pellegrini. Viu-se, principalmente, na jogada do gol da Azzurra, aos 16', quando um lançamento perfeito de Nicolò Barella (outra boa partida) pegou Nathan Aké e Stefan de Vrij mal posicionados, e Pellegrini ficou livre para entrar na área e fazer 1 a 0. Viu-se pouco depois, aos 23', quando Cillessen fez defesa até mais difícil, num chute de Ciro Immobile.

Entretanto, se se viam problemas, também se notavam crescimentos na Holanda, à medida que a etapa inicial progredia. Frenkie de Jong fazia mais uma de suas ótimas atuações, saindo sempre com segurança e dando o passe certo para desenvolver contra-ataques. Se Georginio Wijnaldum começou falho, Donny van de Beek enfim justificou uma escalação sua, chegando ao ataque como sempre fazia. Até mesmo Daley Blind, "liberado" para avançar com a escalação de Aké (melhorou após o lance do gol italiano), foi opção mais visível no jogo. E o gol do empate sintetizou tudo isso: Frenkie de Jong "achou" Blind na esquerda, este cruzou, Memphis concluiu, e Van de Beek conseguiu acertar o rebote de Gianluigi Donnarumma nas redes.

Se a Holanda chegou mais ao ataque em Bérgamo, boa parte disso se deveu às saídas de bola sempre precisas de Frenkie de Jong. Só faltou acertar as chances de gol (BSR Agency)


Porém, é claro, houve coisas a consertar, mesmo numa atuação promissora como a que viu da Oranje em Bérgamo. Na defesa, Hans Hateboer novamente deixou a desejar: lento, o lateral direito errou muito em suas tentativas de ajudar a defesa - o pior erro, no segundo tempo, deixou Immobile na cara do gol aos 57', e a Itália só não fez 2 a 1 pela providencial saída de Cillessen, que defendeu com os pés. Aliás, com esta e mais duas boas defesas no primeiro tempo (aos 39', em chutes de Leonardo Spinazzola e Danilo D'Ambrosio), o goleiro valorizou um pouco seu nome, que andou questionado. No ataque, Luuk de Jong até apareceu mais do que contra a Bósnia. Mas aparecer mais não quis dizer "jogar bem": quis dizer apenas que o De Jong "mais velho" perdeu boas chances de gol - principalmente no primeiro tempo, de cabeça, aos 36'.

Finalmente, houve os momentos que fizeram crer que nem tudo está perdido para a Holanda. O início do segundo tempo foi um desses, com chances se empilhando (Wijnaldum aos 49', Depay aos 55') e um time com muita gente no ataque. A Holanda conseguiu trocar passes, ser perigosa, pressionar a Itália. Faltou só a "eficiência", um velho problema neerlandês: ter gente capaz de acertar o gol - algo necessário, diante de outra atuação segura dos destaques italianos na zaga (Gianluigi Donnarumma e, principalmente, Giorgio Chiellini). E, na reta final do jogo, talvez tenha faltado mais ambição de Frank de Boer para ganhar um jogo que poderia ter sido ganho. O técnico demorou para mudar - e quando o fez, preferiu proteger a defesa com a entrada de Joël Veltman. Ryan Babel só entrou quando já quase não havia tempo para mais nada.

E ficou no placar o 1 a 1. Que dificulta a Holanda de repetir o vice-campeonato na Liga das Nações. Que faz crescer ainda mais a importância dos jogos contra Bósnia (em casa) e Polônia (fora), em novembro, nos quais nem mesmo vencer pode ser suficiente, tendo em vista a superioridade da Itália na tabela do embolado grupo 1 da Liga A. Mas a médio prazo, pelo menos o empate em Bérgamo deu a aliviante impressão de que a Laranja achou um caminho promissor de jogo. Que invista nele, então. 

Liga das Nações da UEFA - Liga A - Grupo 1

Itália 1x1 Holanda
Data: 14 de outubro de 2020
Local: Atleti Azzurri d'Italia (Bérgamo)
Árbitro: Anthony Taylor (Inglaterra)
Gols: 
Lorenzo Pellegrini, aos 16', e Donny van de Beek, aos 25'

Itália
Gianluigi Donnarumma; Danilo D'Ambrosio, Leonardo Bonucci, Giorgio Chiellini e Leonardo Spinazzola; Marco Verratti (Manuel Locatelli), Jorginho e Nicolò Barella; Federico Chiesa (Moise Kean), Ciro Immobile e Lorenzo Pellegrini (Alessandro Florenzi). Técnico: Roberto Mancini

Holanda
Jasper Cillessen; Hans Hateboer, Virgil van Dijk, Stefan de Vrij, Daley Blind (Joël Veltman) e Nathan Aké; Donny van de Beek, Frenkie de Jong e Georginio Wijnaldum; Luuk de Jong e Memphis Depay (Ryan Babel). Técnico: Frank de Boer

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

É boa mas não são duas

A Itália foi bem mais rápida, assumiu o destaque... e deixou a Holanda de Van Dijk para trás, bem para trás (European Press Agency)

A seleção (masculina) da Itália vive sob desconfiança constante, desde a ausência na Copa de 2018. A da Holanda (Países Baixos) também, após as ausências na Euro 2016 e também no Mundial de dois anos atrás. Mas a Laranja conseguiu minorar as desconfianças de lá para cá, porque tem uma boa geração que desabrochou: Virgil van Dijk, Matthijs de Ligt, Frenkie de Jong, Memphis Depay, Steven Bergwijn... só que a Itália também tem uma geração capaz de fazer uma seleção decente. E a Azzurra lembrou isso, da pior maneira possível para os holandeses, sobrepujados até com facilidade no 1 a 0 transalpino em Amsterdã, na segunda rodada da Liga das Nações da UEFA.

Para a partida, o técnico Dwight Lodeweges fez uma alteração pedida por muitos: enfim, Donny van de Beek começaria um jogo como titular, com Georginio Wijnaldum destinado para a ponta-direita, "sacrificando" Steven Bergwijn, iniciando entre os reservas. Poderia ter sido ofensivamente atraente... se desse certo. Porque a Itália começou a partida na Johan Cruyff Arena muito bem definida no que desejava fazer. Primeiro, manteve mais a posse de bola. Se tinha mais a bola, trocava mais passes. E se trocava mais passes, não só impedia os Países Baixos de jogarem como gostam (principalmente em relação a destaques neerlandeses, como Frenkie de Jong), mas também conseguia atacar mais. E estar mais atenta às falhas holandesas - como a que Joël Veltman cometeu na saída de bola, aos 12', dando ao meio-campista Nicolò Barella espaço para dominar e arrematar, para fora (com desvio). Barella, por sinal, já despontava como destaque, chegando com velocidade ao ataque.

Mais perigoso ainda era ver que, na esquerda, com Van de Beek e Wijnaldum - ou mesmo Marten de Roon no lugar de qualquer um dos dois - tendo de acompanhar Manuel Locatelli. Com dois meio-campistas perdendo na marcação e Hans Hateboer mal escalado (o ala da Atalanta vai bem melhor no apoio do que na marcação, coisa que teria de fazer como lateral), havia espaço à farta na esquerda para a Itália atacar. E a dupla Leonardo Spinazzola-Ciro Immobile percebeu isso. Spinazzola, aos 17', cruzando para Nicolò Zaniolo tentar um gol de voleio (para fora); Immobile, aos 19', quando chutou cruzado, perto do gol.

Sem espaço nem tempo para impor a pressão na marcação nem para atacar, a Holanda estava presa. No primeiro tempo, só um lance digno de nota - aos 32', quando Wijnaldum recebeu de Nathan Aké, trouxe a bola até a entrada da área e chutou rasteiro, para Gianluigi Donnarumma pegar. De resto, a superioridade da Itália era clara. Lorenzo Insigne se uniu a Spinazzola, Barella e Immobile como destaque, chutando novamente perto do gol, aos 35'. Nem mesmo a lesão (aparente e lamentavelmente grave) no joelho de Zaniolo, forçando a primeira alteração da Azzurra já aos 42', minorou o ânimo e a superioridade italianos. Que chegaram ao 1 a 0 no fim do primeiro tempo, em jogada que exemplificou como os dois times estavam em velocidades diferentes: a defesa holandesa foi totalmente envolvida pela troca de passes de Immobile e Insigne, e Aké só viu Barella subir sozinho na pequena área para fazer 1 a 0, de cabeça.

Memphis Depay tentou, como sempre tenta. Mas a defesa italiana se aguentou bem (Pro Shots)


Pelo menos no começo do segundo tempo, a Itália continuou francamente superior. Teve pelo menos duas chances boas para ampliar. Uma por erro holandês, aos 53', quando Hateboer errou na saída de bola e Immobile dominou (Hateboer conseguiu voltar à área a tempo e desarmou o "Chuteira de Ouro" na hora certa); outra por mérito italiano, momentos depois (Insigne arriscou chute de fora, e Cillessen espalmou bem). Até que os italianos cansaram, passando a apostar mais nos contra-ataques - natural, num cenário de longa inatividade.

Só por isso a Holanda melhorou. Já aos 55' o empate poderia ter vindo, num desvio de Van de Beek espalmado por Donnarumma. Depois, tentando reeditar a escalação e o jeito de jogar contra a Polônia, Bergwijn veio ao lugar de Van de Beek (meio despercebido neste jogo). Memphis Depay seguiu chamando a responsabilidade, com domínios e chutes (como aos 61', que passou por cima, perto do travessão). Mas a criatividade da Holanda não ia muito longe: nem a entrada de Denzel Dumfries na lateral direita - um pouco melhor do que Hateboer -, nem a força de Luuk de Jong no jogo aéreo, nem a já previsível ida de Virgil van Dijk ao ataque no "abafa final", nada disso perturbou a vitória da Itália. Que até perdeu chances de ampliar - como aos 67' e nos acréscimos, ambas com Moise Kean.

Porque a Itália pode até ter empatado contra a Bósnia, mas tem um time tão promissor quanto a Laranja. Que é capacitada, mas ainda não é uma seleção tão forte quanto possa parecer. Trocando em miúdos: a Holanda é boa, sim. Mas não são duas.

Liga das Nações da UEFA - Liga A - Grupo 1

Holanda 0x1 Itália
Data: 7 de setembro de 2020
Local: Johan Cruyff Arena (Amsterdã)
Árbitro: Felix Brych (Alemanha)
Gols: Nicolò Barella, aos 45'  + 1

Holanda
Jasper Cillessen; Hans Hateboer (Denzel Dumfries), Joël Veltman, Virgil van Dijk e Nathan Aké (Luuk de Jong); Marten de Roon, Donny van de Beek (Steven Bergwijn) e Frenkie de Jong; Georginio Wijnaldum, Memphis Depay e Quincy Promes. Técnico: Dwight Lodeweges

Itália
Gianluigi Donnarumma; Danilo D'Ambrosio, Giorgio Chiellini, Leonardo Bonucci e Leonardo Spinazzola; Nicolò Barella, Jorginho e Manuel Locatelli (Bryan Cristante); Nicolò Zaniolo (Moise Kean), Ciro Immobile e Lorenzo Insigne (Federico Chiesa). Técnico: Roberto Mancini

sábado, 29 de junho de 2019

Já ganhou (o respeito)

O gol de Van der Gragt fechou o placar - e abriu o caminho das semifinais para uma Holanda que merece respeito (FIFA/Getty Images)

A seleção feminina da Holanda avançava na Copa do Mundo. Mas, mesmo seguindo no torneio, com quatro vitórias em quatro jogos, era notável que as Leoas Laranjas tinham problemas preocupantes. É certo que não há seleções que não sigam com erros, mesmo durante uma Copa do Mundo. No entanto, há um momento em grandes torneios em que a equipe necessita impor respeito, mostrar por que chegou tão longe. Na melhor hora possível, a Oranje mostrou isso: teve sua melhor atuação na Copa, superou a Itália, e chegou aos seus objetivos iniciais - a semifinal do torneio, e à vaga no torneio olímpico de futebol feminino, nos Jogos de Tóquio, em 2020.

A rigor, desde que a bola rolou em Valenciennes, a Holanda já fazia por merecer elogios. Por opção tática da Itália (deixando deliberadamente a posse de bola nos pés laranjas) e por mérito próprio, as holandesas tiveram mais força ofensiva. Os méritos próprios residiram, principalmente, no meio-campo. Nem tanto por Daniëlle van de Donk: a camisa 10 seguiu aparecendo bastante no ataque, mas quase sempre fez opções erradas de jogada no primeiro tempo - com exemplo claro nos acréscimos do 1º tempo, quando um erro de passe de Elena Linari abriu espaço para um contra-ataque de quatro holandesas contra três italianas, e Van de Donk escolheu a jogada individual. Entretanto, Jackie Groenen e Sherida Spitse compensavam plenamente no meio. Groenen era precisa nos desarmes, e mostrava velocidade na direita, enquanto Spitse ditava o ritmo do jogo: ora recuava para ajudar a defesa, ora avançava para auxiliar o ataque.

Porém, algo ainda preocupava, na Holanda. O ataque tinha a bola nos pés, mas raramente causava problemas à goleira da Itália, Laura Giuliani - que, a rigor, só apareceu aos 29', num arremate fraco de Vivianne Miedema, e aos 43', numa cobrança de falta de Spitse, que mandou a bola diretamente às suas mãos. Shanice van de Sanden tentava as jogadas individuais, mas não tinha espaço - ou era precipitada nos avanços. Miedema mostrava lentidão. O único ponto notável do trio ofensivo da Laranja era Lieke Martens: superando dores num dedo do pé que quase a tiraram do jogo, a camisa 11 buscava a bola, tentava jogadas pela esquerda, ia para o meio-campo ajudar Van de Donk. Ainda assim, cabia prestar muita atenção ao ataque italiano. Mesmo enfraquecidas pela ausência de Cristiana Girelli, as Azzurre começaram a bloquear o espaço da Holanda. E em poucos passes, tiveram chances mais perigosas - como aos 18', quando Valentina Bergamaschi cabeceou fracamente para a defesa de Sari van Veenendaal, e aos 36', num chute cruzado de Valentina Giacinti, que passou rente à trave.

O calor fortíssimo em Valenciennes (33º, forçando duas paradas técnicas para refresco) deixava o jogo mais lento. Mas era também muito equilibrado. Quem acertasse mais no segundo tempo, provavelmente levaria a vaga nas semifinais. E a Holanda começou a se aproximar disso, com muita velocidade. Só que as chances perdidas se avolumavam: era Miedema cabeceando fraco após cruzamento de Van de Sanden aos 49',  era um chute de Groenen que batia em duas italianas - e nela própria - e saía aos 51', era um cruzamento de Desiree van Lunteren (bem no jogo) que Miedema furava aos 52', era a bola na travessão de Daniëlle van de Donk aos 58'. Tantas chances perdidas poderiam custar caríssimo.

A Holanda perdia chances demais contra a Itália, mesmo superior no segundo tempo. Até que Miedema aproveitou e acalmou o time (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)


Só restava a Sarina Wiegman fazer as mudanças que podia: por exemplo, colocar Lineth Beerensteyn no lugar da cansada Van de Sanden, aos 56'. E só restava à Holanda ter a paciência que a treinadora pedira na entrevista pré-jogo, e manter a posse de bola. Vinham as chances - como outro chute de Spitse, mandando a bola rente à trave, aos 66'. Mas faltava aproveitá-las. Não faltou mais a partir dos 70', com o gol do alívio: Miedema, desviando de cabeça para marcar seu terceiro gol na Copa.

Ainda cabia ter todo o cuidado com as italianas, até pela entrada de Anna Maria Serturini, veloz meio-campista. Mas a Holanda nem precisava desse conselho: mostrava serenidade, mantinha a posse de bola no campo de ataque (méritos a Van de Donk, boa na retenção), tinha superioridade clara. E o gol de Van der Gragt, aos 80', em outra bola aérea - sexto gol de bola alta da Holanda na Copa - foi o início da festa e da comemoração.

Sim, comemoração. Porque a Holanda já alcançou coisas neste Mundial, termine em quarto lugar ou seja campeã. Já ganhou o respeito de quem acompanha o futebol feminino no mundo. Já provou que o título da Euro 2017 não foi sorte de principiante. Só não ganhou ainda a semifinal, seja contra Alemanha ou contra Suécia. E talvez, saber que não ganhou nada seja a chave para as Leoas Laranjas fazerem ainda mais história do que já fizeram.

Copa do Mundo feminina - quartas de final
Holanda 2x0 Itália
Data: 29 de junho de 2019
Local: Stade du Hainaut (Valenciennes)
Árbitro: Claudia Umpierrez (Uruguai)
Gols: Vivianne Miedema, aos 70', e Stefanie van der Gragt, aos 80'

Holanda
Sari van Veenendaal; Desiree van Lunteren, Dominique Bloodworth, Stefanie van der Gragt (Anouk Dekker) e Merel van Dongen; Jackie Groenen, Daniëlle van de Donk e Sherida Spitse; Shanice van de Sanden (Lineth Beerensteyn), Vivianne Miedema (Jill Roord) e Lieke Martens. Técnica: Sarina Wiegman

Itália
Laura Giuliani; Alia Guagni, Sara Gama, Elena Linari e Elisa Bartoli (Lisa Boattin); Valentina Bergamaschi (Anna Maria Serturini), Aurora Galli, Manuela Giugliano e Valentina Cernoia; Valentina Giacinti e Barbara Bonansea (Daniela Sabatino). Técnica: Milena Bertolini


quarta-feira, 6 de junho de 2018

Pouco tempo, muito a resolver

O empate de Aké (15) foi bom. E melhor ainda será a Holanda ter rapidez para melhorar, após a atuação deficiente contra a Itália (AFP)
Quando a seleção da Holanda superou Portugal, fazendo 3 a 0 num amistoso em março, deu para pensar que a Laranja estava diante de um caminho promissor, na fase inicial sob o comando de Ronald Koeman. Não que as atuações nestas datas FIFA tenham mudado muita coisa: dá para a seleção batava reagir. No entanto, se havia alguma dúvida do quanto ainda há para melhorar, ela se acabou com a má atuação no 1 a 1 contra a Itália, em Turim. E o pior é que só haverá mais um teste, antes da estreia na Liga das Nações: o amistoso contra o Peru, em 6 de setembro.

De novo, o primeiro tempo demonstrou que o 5-3-2, embora seja um esquema que contemple melhor o nível técnico da Oranje, não significa impedir o adversário de atacar. Por mais que tenha sido (corretamente) anulado por impedimento, o gol que Andrea Belotti marcou logo aos três minutos de jogo já exibiu o espaço que Virgil van Dijk e Matthijs de Ligt deixavam no meio da área. Pelas laterais, Domenico Criscito deu o que trabalhar a Hans Hateboer, tão mal quanto Daryl Janmaat fora nos 45 minutos iniciais contra a Eslováquia, enquanto Simone Verdi, atacando pela direita, aproveitava os espaços que Tonny Vilhena deixava às suas costas.

Por sinal, se fora escalado na lateral tentando acelerar os avanços, Vilhena fracassou. Pela má atuação de quem poderia fazer algo - Memphis Depay, Ryan Babel, Georginio Wijnaldum, Ruud Vormer - e também por causa da rapidez italiana na recomposição defensiva, ficando num compactado 4-4-2, a Holanda tinha seríssimas dificuldades em criar jogadas de ataque. Aliás, até para chutar: só experimentou fazer o goleiro Mattia Perin trabalhar aos 37 minutos, num chute de longe de Memphis Depay. Antes disso, a Itália já tivera pelo menos duas ótimas chances de abrir o placar: com Belotti, aos 32', num chute à queima-roupa pego firmemente por Jasper Cillessen (por sinal, outra boa atuação do goleiro, que começa a despontar como titular da Oranje), e no minuto seguinte, com Verdi chutou por cima do gol, após desvio de Lorenzo Insigne. Depois, aos 42', Cillessen desviou arremate de Verdi para escanteio. E na cobrança deste, o cabeceio do camisa 20 foi tirado em cima da linha por Ruud Vormer. Era claro: mais veloz no ataque e firme na defesa, a Azzurra merecia marcar o primeiro gol. Até porque a Holanda era frouxa na marcação: ganhou apenas 30% das divididas.

Van Dijk voltou do descanso. E foi lento no gol italiano, de Zaza (Getty Images)
Também como na quinta passada, a situação melhorou para a Holanda no segundo tempo. Janmaat veio para a lateral direita, após Hateboer sair no intervalo com dores num dos dedos anelares, e trouxe mais agilidade. Foi dele o cruzamento desviado aos 52', forçando Perin a espalmar para escanteio. Três minutos depois, o mesmo Janmaat cruzou de novo, e a bola passou por Memphis Depay. Aos 60', a esférica saiu de Vormer, e Vilhena foi quem finalizou num bonito voleio, para fora. Àquela altura, as mudanças comuns em amistosos já haviam começado, mas a melhora holandesa era sensível. Só que os espaços nas laterais seguiam. Num deles, Federico Chiesa veio pela direita e cruzou para Simone Zaza abrir o placar, se antecipando a Van Dijk.

Pareceu o golpe definitivo no jogo. Porque as alterações que Koeman fez na seleção deixaram o time estranho. Poderia até parecer 4-3-3, mas Steven Berghuis, Wout Weghorst e Quincy Promes são e jogam como atacantes - assim, não raro se viam quatro avantes a tentar o gol, diante de uma defesa italiana que fechava bem o espaço aberto pela expulsão de Criscito, logo após Zaza fazer 1 a 0. Tanto que a Holanda só tivera mais três chances: a cobrança de falta de Memphis, após a expulsão, bem espalmada por Perin aos 68', o chute de longe de Vilhena aos 79', rente à trave esquerda, e o arremate colocado de Berghuis aos 81', também aparado com estilo pelo goleiro italiano.

No final, ainda veio o gol de empate, com Nathan Aké (bem melhor na lateral esquerda), aos 88'. Entretanto, o alívio não apagou a impressão: a Holanda ainda tem muito a resolver, se ainda quer desafiar dignamente França e Alemanha em seu grupo na Liga das Nações. E o tempo para isso é cada vez menor.

Amistoso
Itália 1x1 Holanda
Data: 4 de junho de 2018
Local: Allianz Stadium, em Turim
Árbitro: Vladislav Bezborodov (Rússia).
Gols: Simone Zaza, aos 67', e Nathan Aké, aos 88'

Itália: Mattia Perin; Davide Zappacosta (Mattia de Sciglio), Daniele Rugani, Alessio Romagnoli e Domenico Criscito; Bryan Cristante, Jorginho (Daniele Baselli) e Giacomo Bonaventura (Lorenzo Pellegrini); Simone Verdi (Federico Chiesa), Andrea Belotti (Simone Zaza) e Lorenzo Insigne (Leonardo Bonucci). Técnico: Roberto Mancini.

Holanda: Jasper Cillessen; Hans Hateboer (Daryl Janmaat), Matthijs de Ligt (Nathan Aké), Virgil van Dijk, Daley Blind (Wout Weghorst) e Tonny Vilhena; Georginio Wijnaldum, Marten de Roon (Quincy Promes) e Ruud Vormer (Steven Berghuis); Ryan Babel (Eljero Elia) e Memphis Depay. Técnico: Ronald Koeman.


quarta-feira, 30 de maio de 2018

Últimos ajustes

Pröpper, Van Dijk, Aké, De Roon: a Holanda já tem novas caras sob Ronald Koeman. A hora é de ajustes finais rumo à Liga das Nações, nos últimos amistosos antes dela (ANP)
"Eu sempre disse que quero ter uma imagem muito bem definida [do time] após os quatro amistosos antes da Liga das Nações começar." Foi o que Ronald Koeman disse, há dez dias, na entrevista em que anunciou a convocação da Holanda para as datas FIFA desta semana. E é este o seu objetivo: deixar a Laranja pronta para o começo da disputa do torneio europeu de amistosos/qualificação - ainda mais tendo em vista os adversários que a esperam no grupo, França e Alemanha. Alguns passos foram dados em março, tanto na derrota para a Inglaterra quanto na vitória sobre Portugal. E os últimos ajustes serão feitos tanto nesta quinta, 31 de maio, contra a Eslováquia, em Trnava, quanto no esperado amistoso da próxima segunda: a "final da não-Copa do Mundo", contra a Itália, em Turim.

Uma definição, Koeman já tem: pelo menos por enquanto, a Laranja jogará com três zagueiros, no 5-3-2 que deu certo nos 3 a 0 sobre Portugal - e, principalmente, na Copa de 2014. O técnico reconheceu: "Isso ficou melhor definido para mim, após os amistosos de março". O que não impede o treinador de mudar a abordagem tática caso necessário: "De qualquer modo, escalarei entre três e cinco defensores, essa escalação pode mudar de acordo com o adversário". No entanto, a opção pela linha de cinco jogadores na defesa é o natural - até porque dois dos raros jogadores holandeses badalados neste momento são zagueiros, Matthijs de Ligt e Virgil van Dijk (ambos obviamente convocados).

Embora estes dois nomes sejam mais previsíveis, a convocação trouxe novidades entre os 25 membros dela. Algumas novidades nem são tão novas assim, mas conseguiram ritmo de jogo suficiente para enfim serem chamadas de novo - caso de Terence Kongolo, enfim recebendo mais chances após chegar ao Huddersfield Town, e Eljero Elia, que teve lá seu destaque na boa campanha do Basaksehir, terceiro colocado no Campeonato Turco. 

Já outras novidades realmente são inéditas. É o caso do meio-campista Ruud Vormer, 30 anos, convocado pela primeira vez após o sucessivo destaque no Club Brugge, recém-consagrado campeão belga. Claro, contribuiu para a chance que Vormer receberá o fato do treinador que o chamou já o conhecer há tempos. E Koeman relembrou: "Eu o conheço desde os tempos em que o treinei no Feyenoord. Continuei acompanhando, é assim com jogadores que comandei. Ele cresceu muito no clube atual, era o momento certo para chamá-lo".

Com a temporada europeia praticamente encerrada, os jogadores foram chegando sucessivamente, e Koeman já pôde trabalhar com o grupo completo há praticamente duas semanas - óbvias exceções, Van Dijk e Georginio Wijnaldum chegaram na segunda passada, após a derrota pelo Liverpool na final da Liga dos Campeões. De resto, o clima tem sido bom, com Elia até fazendo piadas após a volta à seleção: "Eu já tinha até marcado a minha viagem de férias". 

E nesta quarta, Koeman já antecipou: todas as novidades serão testadas contra Eslováquia e/ou Itália: "É claro que se você convoca algumas caras novas, você dará alguns minutos a eles - seja em um dos jogos, seja em ambos". Vormer, por exemplo, é um nome que será observado - até porque Wijnaldum deverá ser poupado contra os eslovacos, segundo o treinador deu a entender (o mesmo acontecerá com Van Dijk). No ataque, já experimentado contra a Inglaterra, Wout Weghorst será escalado num experimento com o 4-3-3, servindo de referência para Memphis Depay e Quincy Promes. Boa oportunidade para o atacante do AZ, agora única referência de ataque, após a saída definitiva e voluntária de Bas Dost.

A única dúvida de Koeman ainda é o gol. Assim como nas datas FIFA passadas, tanto Jeroen Zoet quanto Jasper Cillessen terão um jogo cada um. O goleiro do PSV foi figura de destaque na campanha do título, mas atua num campeonato menos exigente. Já o arqueiro do Barcelona está sem ritmo de jogo, mesmo que se comporte de modo cada vez mais seguro e que tenha ido bem contra Portugal. Em entrevistas, Cillessen comentou: até queria buscar um novo clube onde fosse titular, "mas o Barcelona não quer me liberar".

É a única incerteza. A Holanda já parece ter um estilo sob o comando de Ronald Koeman. E a única intenção dos amistosos desta semana é fortalecer este estilo.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Top 10: holandeses na Serie A

Quando éramos reis: o domínio do trio Gullit-Van Basten-Rijkaard no Milan simbolizou grande momento do futebol holandês (AP)
Em fevereiro deste 2017, o autor deste Espreme a Laranja teve a honra de colaborar para uma verdadeira referência: o então Quattro Tratti, hoje Calciopédia, site em português sobre futebol italiano. E se o tema do texto laranja foi uma descrição da decepcionante passagem de Edwin van der Sar pela Juventus, entre 1999 e 2001, hoje o tema é azul - ou melhor, "azzurro": o blog reproduz na íntegra um texto de Caio Dellagiustina para o Calciopédia, publicado em setembro de 2014, com a relação dos dez holandeses de maior destaque na história do Campeonato Italiano. É o início de uma série sobre holandeses em outros campeonatos conhecidos da Europa. Confira - e aproveite para entrar no sempre recomendável Calciopédia!

Por Caio Dellagiustina

Laranja e azul são cores complementares, dizem os artistas e designers mundo afora. Ao todo 43 jogadores holandeses jogaram na Itália – hoje, sete holandeses atuam na Serie A, com destaque para Kevin Strootman, Nigel de Jong, Stefan de Vrij e Urby Emanuelson. Antes deles, porém, alguns marcaram época e viraram até referência de uma época. Foi o que aconteceu com Marco van Basten, Frank Rijkaard e Ruus Gullit, que formaram o “Milan dos holandeses”, no final dos anos 1980 e início dos anos 1990.Os holandeses começaram a marcar presença na Itália a partir do fim da década de 1940. O primeiro deles, Faas Wilkes, fez sucesso (e consta na nossa listagem) e abriu as portas para outros. No entanto, seus compatriotas começaram a ser vistos com frequência em campos da Bota a partir da década de 1980, logo após o final da “Geração Total” e com o sucesso dos jogadores campeões europeus de 1988.

Grandes jogadores, alguns até os maiores da história da seleção laranja, já desfilaram seu talento por palcos italianos. De Van Basten a Seedorf, de Wilkes a Sneijder, muitos foram os talentos. Se azul e laranja se complementam, no entanto, no que diz respeito ao futebol, o laranja da Holanda nem sempre se deu bem com o azul da Itália. Muitos dos jogadores laranjas chegaram com muitas expectativas, mas não renderam o que deles se esperava e fracassaram. Casos como os de Michael Reiziger e Patrick Kluivert, que não deram certo no Milan, simbolizam o fato de que mesmo bons jogadores da Oranje não conseguiram se firmar na Serie A e tiveram vida curta na Itália – isso sem falar em outros fracassos, como Andy van der Meyde, Klaas-Jan Huntelaar e Maarten Stekelenburg. Até mesmo Johan Cruyff, o maior jogador holandês da história, fracassou no Belpaese. No final da carreira, foi avaliado em um jogo-teste com o Milan, teve atuação horrorosa, foi vaiado pela torcida e nem foi contratado.

Os fracassos tinham diversas razões. Boa parte deles, por uma característica negativa de muitos jogadores holandeses: a de se lesionarem muitas vezes. Foi o que aconteceu com Marciano Vink, fera do Elifoot 98. O atacante de origem surinamesa atuou apenas 13 vezes no Genoa, por exemplo.Outros, por sua vez, não fracassaram, mas tiveram passagem discreta, como Edwin van der Sar, Wim Jonk e Mark van Bommel. Até mesmo aqueles que aparecem nesse Top 10 tiveram momentos bem ruins ou pouco brilhantes na Itália. São os casos de Edgar Davids, em suas passagens por Milan e Inter, ou Dennis Bergkamp, que criou expectativas em sua chegada à Inter, mas foi tornar-se ídolo no Arsenal. Para montar as listas, o Calciopédia levou em consideração a importância de determinado jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe, desempenho por seleções nacionais e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Além do “top 10”, com detalhes sobre os jogadores, suas conquistas e motivos que os credenciam a figurar em nossa listagem, damos espaço para mais alguns jogadores de destaque. Quem não atingiu o índice necessário para entrar no top 10 é mostrado no ranking a seguir.

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período na Itália. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores no período em questão.

Top 20 Holandeses na Itália
11º - Jaap Stam; 12º - Bryan Roy; 13º - Nigel de Jong; 14º - Edwin van der Sar; 15º - Kevin Strootman, 16º - Wim Jonk; 17º - Mark van Bommel; 18º - Patrick Kluivert; 19º - John van ‘t Schip; 20º - Wim Kieft.

Bergkamp até ganhou Copa da UEFA pela Inter, mas não deixou em Milão tantas saudades quanto no Arsenal (Bob Thomas/Getty Images)

10º – Dennis Bergkamp

Posição: atacante
Clube em que atuou: Internazionale (1993 a 1995)
Títulos conquistados: 1 Copa da UEFA (1993/94)
Prêmios individuais: Bola de Bronze na disputa de melhor
jogador do ano (1993) e artilheiro da Copa da Uefa (1993/94)

Após ser destaque no Ajax, Bergkamp teve propostas de vários times da Europa, como Real Madrid e Barcelona, mas acabou escolhendo a Inter, por querer jogar na Itália, “a maior liga” da época, segundo o holandês. Chegou juntamente com um compatriota, o meia Wim Jonk, também do Ajax. Porém, demorou a se acertar. Foram seis meses sem marcar e alguns problemas físicos, mas conseguiu ajudar a equipe a conquistar a Copa da Uefa, coroando-o como artilheiro da competição, com oito gols em onze partidas.

Mesmo com o título e o prêmio de goleador, Bergkamp não conseguiu engrenar. Seu estilo de dribles curtos e chutes de média distância não encaixou no futebol italiano e o holandês acabou cedido ao Arsenal, onde jogou por onze anos, até encerrar a carreira – curiosamente, Jonk também deixou a Inter na mesma época, transferindo-se ao PSV. Na Itália, deixou apenas 22 gols e modestas 72 aparições com a camisa nerazzurra, além de conflitos com colegas de equipe e imprensa, e uma homenagem. O prêmio “Burro da Semana”, oferecido ao pior jogador da rodada acabou se tornando “Bergkamp da Semana”. Nos Gunners, se tornou um dos maiores jogadores da história do futebol inglês, contrariando àqueles que não esperaram pelo seu sucesso na Itália.

Winter viveu relação de amor e ódio na Lazio, e encontrou a paz na Inter (inter.it)
9º – Aron Winter

Posição: meio-campista
Clubes em que atuou: Lazio (1992 a 1996) e Internazionale (1996 a 1999)
Títulos conquistados: 1 Copa da UEFA (1997/98)
Prêmios individuais: nenhum

Winter viveu uma relação de amor e ódio com a Lazio, mais especificamente com sua torcida. Desde sua chegada, teve muito medo, pois sofreu com atos racistas quase constantemente – Winter é negro e judeu, algo que não foi aceito pela ala mais conservadora da torcida da Lazio. Mesmo com a contrariedade de setores da torcida biancoceleste, foi titular por quatro anos. Seu chute potente e sua força física lhe rendeu espaço nos times de Dino Zoff e Zdenek Zeman. Marcou 21 gols em sua passagem por Roma.

Após o período na capital, trocou a Lazio pela Inter, onde foi de vilão a herói. Disputou duas finais de Copa da Uefa seguidas. Na primeira a Beneamata foi derrotada pelo Schalke 04 com Winter errando o pênalti decisivo. No ano seguinte, foi um dos pilares da equipe campeã, vencendo a Lazio na decisão. Em Milão, Winter jogou de forma mais recuada em relação aos tempos de laziale e marcou apenas uma vez vestindo nerazzurro. Em 1999, retornou para a Holanda, onde voltou a jogar no mesmo Ajax que o projetou.

Dá para cravar: antes de Maradona, Krol foi o mais conhecido nome da história do Napoli (spazionapoli.it)

8º – Ruud Krol

Posição: lateral esquerdo e zagueiro
Clube em que atuou: Napoli (1980 a 1984)
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: Guerin d’Oro (1981)

Após dois vices-campeonatos mundiais com a Holanda e a conquista da soberania europeia com o Ajax (vencendo duas Copas dos Campeões contra times italianos, Inter e Juventus, respectivamente), Ruud Krol chegou ao Napoli após uma passagem um tanto quanto frustrada pelo ainda amador futebol canadense. Já em fase final de carreira, o polivalente defensor foi líder de uma equipe sem tanto destaque.

Na equipe partenopea, comandava a defesa e se arriscava com qualidade ao ataque, jogando como líbero, apesar de lateral esquerdo de origem. Nos 107 jogos, no período de 1980 a 1984, fez apenas um gol, contra o Brescia, em sua primeira temporada, levando o clube à terceira colocação da Serie A. Mas, deixou na lembrança da torcida um futebol elegante e envolvente, sendo considerado um dos mais importantes jogadores do Napoli. Sua saída abriu espaço para um certo Diego Maradona.

Faas Wilkes teve de escolher entre clube italiano e seleção holandesa. Ficou com a Inter (alchetron.com)


7º – Faas Wilkes

Posição: meio-campista
Clubes em que atuou: Internazionale (1949 a 1952) e Torino (1952 e 1953)
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

Um dos melhores jogadores da década de 1950, Faas Wilkes ganhou destaque por sua habilidade e por seus movimentos extravagantes. Foi apelidado de Mona Lisa de Rotterdam, devido a seus dribles, que lembravam uma obra de arte. Wilkes começou no pequeno Xerxes, de sua terra natal, e aos 26 anos – ainda não como profissional e após ter sua transferência para o Milan vetada pela federação holandesa – chegou à Inter, onde atuou durante três anos e conquistou os torcedores nerazzurri, mesmo não vencendo nenhum título. Conhecido por ser o popular “fominha” e com ares galanteadores – para alguns, o Cristiano Ronaldo da época –, marcou 47 gols em 95 jogos, sendo lembrado até hoje no Giuseppe Meazza. Transferiu-se para o Torino, onde, por conta de uma série lesão, não teve o mesmo desempenho, marcando apenas um gol em 12 jogos.

Após um ano no Piemonte, mudou-se para a Espanha, para atuar no Valencia, e ser considerado um dos três melhores estrangeiros do país, ao lado de Di Stefano e Kubala. Foi o ídolo e inspiração do grande jogador holandês de todos os tempos, Johan Cruyff. Até hoje, com 35 gols em 38 jogos, é o quarto maior artilheiro da seleção holandesa, atrás de Van Persie, Kluivert e Bergkamp.

Davids ensaiou um fracasso no Milan. Mas na Juventus, tornou-se um dos grandes volantes de seu tempo (Reuters)

6º – Edgar Davids

Posição: volante
Clubes em que atuou: Milan (1996 e 1997), Juventus (1997 a 2004) e Inter (2004 e 2005)
Títulos conquistados: 3 Campeonatos Italianos (1997/98, 2001/02 e 2002/03); 1 Copa da Itália (2004/05), 2 Supercopas da Itália (2001/02 e 2002/03) e 1 Copa Intertoto (1999)
Prêmios individuais: Integrante da equipe de melhores na Copa de 1998 e na Euro 2000

Após despontar no Ajax, na geração campeã europeia na década de 1990, Davids foi contratado pelo Milan, a custo zero. Ficou quase um ano e meio em Milão e não deixou saudades. Transferiu-se para a Juventus – para ser o primeiro holandês da equipe –, onde comprovou tudo o que dele se esperava. Em Turim, apesar de ter ficado um ano parado por doping, se transformou em peça fundamental do meio campo, com seu futebol agressivo, implacável, mas de muita qualidade. Chamado de "Pitbull", pelo seu poder de marcação, roubadas de bola e muitas faltas, Davids também era um volante técnico, que se aventurava pelo ataque e caía pelo lado esquerdo, ajudando a armar jogadas.

Davids foi pilar das principais conquistas juventinas enquanto lá esteve, ao lado de Antonio Conte, Didier Deschamps, Zinedine Zidane, Pavel Nedved, Alessandro del Piero e David Trezeguet. O "Pitbull" perdeu espaço na Juve quando se desentendeu com o treinador Marcello Lippi e foi cedido, por empréstimo, para o Barcelona. Menos de seis meses depois voltava à Itália, dessa vez para jogar na Inter, que comprou seu passe. Tornou-se, assim, um dos 10 jogadores na história a terem vestido as camisas dos três gigantes italianos. Mas, novamente em Milão, teve atuações a serem esquecidas e, ao final da temporada, foi cedido gratuitamente ao Tottenham e encerrou seu ciclo na Itália.

Quando era um dos melhores jogadores do mundo, Sneijder estava na Internazionale (US Presswire)

5º – Wesley Sneijder

Posição: meio-campista
Clube em que atuou: Inter (2009 a 2013)
Títulos conquistados: Campeonato Italiano (2009/10); 2 Copas da Itália (2009/10 e 2010/11), 1 Supercopa da Itália (2010), Liga dos Campeões (2009/10) e Mundial de Clubes (2010)
Prêmios individuais: Bola de Prata da Copa do Mundo (2010), artilheiro da Copa do Mundo (2010), Jogador do ano para a UEFA (2009/10), Meio-campista do ano na seleção da UEFA (2009/10), e Integrante da Seleção da Copa do Mundo (2010), da equipe do ano da UEFA (2009/10), da seleção do Campeonato Italiano (2009/10) e da FIFPro (2009/10).

Sem muito destaque no Real Madrid com as chegadas de Kaká e Cristiano Ronaldo, Sneijder trocou os merengues pela Inter de Milão, a fim de retomar o bom momento na carreira e ser o cara da equipe de José Mourinho. E em sua primeira temporada carregou a Inter até o título europeu, que não vinha desde 1965, levando o prêmio de melhor jogador da competição. Ao lado de Milito, foi o jogador mais decisivo na campanha da Tríplice Coroa nerazzurra – feito inédito entre clubes italianos e ainda não igualado. Durante a temporada, teve como pontos altos as boas partidas nos dois dérbis de Milão, um gol decisivo sobre o CSKA Moscou nas quartas de final da LC, um gol e uma assistência na partida mais lembrada pelo torcedor azul e preto na história recente (o 3 a 1 na ida das semifinais, contra o Barcelona), e também uma assistência na final, contra o Bayern de Munique.

Manteve o bom desempenho durante a Copa do Mundo, comandando a Holanda com cinco gols até a final, quando a Oranje foi derrotada pela Espanha. Para muitos, mereceria o prêmio de melhor jogador do mundo, mas acabou em terceiro, atrás de Messi, Xaxi e Iniesta. Venceu tudo o que podia, com exceção da Supercopa da Europa, mas teve sua relação com o clube desgastada a partir de 2012, quando o clube queria que ele reduzisse o salário para renovar seu contrato. Afastado do time por questões disciplinares e pelos problemas contratuais, ficou sem jogar do final de setembro do mesmo ano ao final de janeiro de 2013. Especulado em outros gigantes, acabou preferindo o Galatasaray, mas até hoje faz falta ao meio campo da Inter um cérebro como o do ex-camisa 10. Até a chegada de Hernanes, a Inter também sofreu com a falta de um batedor de faltas do seu nível. Ao todo, Wes vestiu a camisa da Beneamata em 116 oportunidades e marcou 22 gols.

Seedorf viveu mais uma história de recuperação: ruim na Inter, virou antológico no Milan (AP)


Posição: meio-campista
Clubes em que atuou: Sampdoria (1995 e 1996), Inter (2000 a 2002) e Milan (2002 a 2012)
Títulos conquistados: 2 Campeonatos Italianos (2003/04 e 2010/11); 1 Copa da Itália (2002/03), 2 Supercopas da Itália (2004 e 2011), 2 Ligas dos Campeões (2002/03 e 2006/07), 2 Supercopas Europeias (2003 e 2007) e 1 Mundial de Clubes (2007)
Prêmios individuais: Melhor meia-direita e melhor jogador do Campeonato Italiano (2003/04); Melhor meio-campista da Liga dos Campeões (2002/03 e 2006/07), Melhor meio-campista da Europa (2007), Bola de Prata do Mundial de Clubes (2007) e Integrante do Dream Team do Campeonato Italiano, da Liga dos Campeões e da lista Fifa 100.

Após destaque no brilhante time do Ajax no início dos anos 1990, Seedorf iniciou sua trajetória na Itália atuando pela Sampdoria. Depois de apenas um ano nos Blucerchiati, chamou a atenção do Real Madrid, clube pelo qual atuou durante quatro anos antes de retornar à Bota, para jogar na Inter. Com a credencial de meia habilidoso, que armava com precisão, marcava com qualidade e ainda tinha um excelente chute de longa distância, não embalou na equipe nerazzurra, visto que era utilizado como meia aberto pela direita – apesar de atuar em todas as posições do meio-campo, Seedorf sempre se saiu melhor atuando centralizado. Acabou sendo trocado por Francesco Coco, com o rival Milan, em um dos piores negócios da história da Inter.

No lado rossonero de Milão, Seedorf viveu seu melhor momento na carreira, destacando-se na Itália e na Europa, formando o meio-campo ao lado de Andrea Pirlo, Gennaro Gattuso e Kaká durante vários anos, conquistando especialmente a Liga dos Campeões, com propriedades. A conquista da orelhuda também o consagrou como um dos únicos jogadores que venceu a competição por três clubes diferentes. Em um time que teve alguns holandeses como grandes craques, Seedorf não fez feio – muito pelo contrário – e se tornou um dos maiores jogadores da história recente do Diavolo. Em dez anos de clube, disputou 432 partidas pelo clube, superando o mito Liedholm como o estrangeiro com mais partidas vestindo vermelho e preto. Dois anos depois de deixar o clube, largou o Botafogo prestes a disputar a Copa Libertadores e sua carreira como jogador para se tornar técnico do Milan. Porém, sofreu com a impaciência de Silvio Berlusconi e foi demitido menos de seis meses depois.

A força física se aliava à qualidade técnica. E Gullit brilhou no Milan (acmilan.it)

3º – Ruud Gullit

Posição: atacante
Clubes em que atuou: Milan (1987 a 1993 e 1994) e Sampdoria (1993 e 1994 e 1994 a 1995).
Títulos conquistados: 3 Campeonatos Italianos (1987/88, 1991/92 e 1992/93), 3 Supercopas da Itália (1988,  1992 e 1994), Copa da Itália (1993/94), 2 Copas dos Campeões (1988/89 e 1989/90), 2 Supercopas Europeias (1989 e 1990), 2 Mundiais Interclubes (1989 e 1990) e 1 Eurocopa (1988)
Prêmios individuais: Esportista Holandês do ano (1987), Bola de Ouro para a revista France Football (1987), Bola de Prata para a revista France Football (1988), Jogador do ano da World Soccer Magazine (1987 e 1989), 3º Melhor jogador do ano da IFFHS (1988 e 1989) e inserido na lista Fifa 100 (2004)

Um dos maiores jogadores holandeses da história, Gullit desembarcou em Milão no auge de sua carreira, com um valor recorde em transferências do Milan, no ano em que venceria o prêmio de melhor jogador do mundo. Versátil, formou o trio de ataque – embora as vezes jogasse como meia – ao lado de seu conterrâneo Van Basten, também recém-chegado, e de Pietro Paolo Virdis. E já em sua primeira temporada ajudou o rossonero a destronar o Napoli de Diego Maradona e ficar com o título italiano. Gullit ajudou com muita técnica com a bola nos pés, habilidade e nove gols marcados. Logo depois, capitaneou a Holanda de Rinus Michels no título europeu e fez um dos gols na final contra a União Soviética.

Multicampeão e adorado pela torcida, que praticava a “Gullitmania”, usando perucas rastafári como o cabelo do ídolo (foto), perdeu espaço e foi emprestado à Sampdoria. Com o título da Copa da Itália, destaque e artilharia no time de Sven-Göran Eriksson, retornou ao Milan, mas pouco jogou. Voltou à Samp ainda na metade da temporada, mas já não parecia tão empolgado com a vida e o assédio na Bota e escolheu a Inglaterra para jogar seus últimos anos como atleta profissional.

Quando jogava pelo Milan, Rijkaard parecia cobrir todos os cantos do campo: volante ou meio-campista (Leo Vogelzang)


Posição: meio-campista
Clube em que atuou: Milan (1988 a 1993)
Títulos conquistados: 2 Campeonatos Italianos (1991/92 e 1992/93), 2 Supercopas da Itália (1988 e 1992), 2 Copas dos Campeões (1988/89 e 1989/90), 2 Supercopas Europeias (1989 e 1990), 2 Mundiais Interclubes (1989 e 1990) e 1 Eurocopa (1988)
Prêmios individuais: Bola de Bronze para a revista France Football (1988 e 1989), melhor estrangeiro do Campeonato Italiano (1991/92), melhor jogador do Campeonato Italiano (1991/92) e inserido na lista Fifa 100 (2004)

Último do histórico trio holandês a chegar e o primeiro a sair. Porém a participação de Rijkaard no Milan é tão lembrada quanto de seus conterrâneos com a camisa rossonera. Vencedor dos principais títulos dessa geração, Rijkaard foi um dos pilares do meio-campo – mesmo com o início como zagueiro – tanto do Milan quanto da seleção holandesa. Após ser revelado pela famosa escola do Ajax e passar rapidamente por Sporting e Zaragoza, a chegada ao Milan reergueu seu futebol e fez dele um dos melhores jogadores da Europa.

Atuou durante cinco temporadas, jogando 201 vezes e marcando 26 gols. Comandou o meio-campo com marcação e movimentação e, sob o comando de Arrigo Sacchi, levantou a Copa dos Campeões de 1989 com propriedade, o que lhe proporcionou disputar o prêmio da Bola de Ouro da revista France Football, dominado pelo Milan – além de Rijkaard, Franco Baresi ficou em segundo e van Basten venceu. Em 1990, fez o gol do título da Copa dos Campeões sobre o Benfica. Rijkaard, aliás, encerrou esta temporada com chave de ouro e realizou a façanha de marcar gols em todas as finais disputadas pelos rossoneri. Nos dois anos seguintes, já sob o comando de Capello, faturou o Italiano, título que ainda não tinha. Após trocar o Milan pelo Ajax, onde se aposentaria, pregaria uma peça no antigo time: na final da Liga dos Campeões em 1995, deu assistência para Kluivert fazer o gol do título holandês sobre o Diavolo, no mesmo estádio em que marcara contra o Benfica, em Viena.

Van Basten quase alcançou a unanimidade no Milan: para a maioria, era o melhor atacante do mundo na época (Getty Images)


Posição: atacante
Clube em que atuou: Milan (1987 a 1995)
Títulos conquistados: 4 Campeonatos Italianos (1987/88, 1991/92, 1992/93 e 1993/94), 4 Supercopas da Itália (1988, 1992, 1993 e 1994), 3 Copas dos Campeões/Liga dos Campeões (1988/89, 1989/90 e 1993/94), 3 Supercopas Europeias (1989, 1990 e 1994), 2 Mundiais Interclubes (1989 e 1990) e 1 Eurocopa (1988)
Prêmios individuais: 3 Bolas de Ouro para a revista France Football (1988, 1989 e 1992), 1 vez melhor jogador do mundo para a FIFA (1992), artilheiro da Eurocopa (1988), artilheiro da Copa dos Campeões (1988/89), artilheiro do Campeonato Italiano (1989/90 e 1991/92) e inserido na lista Fifa 100 (2004)

Para muitos, o grande craque holandês depois de Johan Cruyff. Se Rijkaard e Gullit eram os príncipes laranjas, Marco van Basten era o rei. E o jogadoraço foi um dos personagens que conduziram o futebol holandês aos tempos áureos, após a década de 70. Fundamental no título europeu com a Oranje, em 1988, foi responsável também pelo reaparecimento do Milan no cenário italiano e europeu. Destinado a marcar gols e conquistar títulos, formou o trio holandês que deu suporte ao Milan durante o final da década de 1980 e o início da década de 90, ao lado de Gullit e Rijkaard. Gols, golaços, passes e dribles geniais. Marco van Basten era o melhor jogador do mundo à época, com sobras.

Nos oito anos de Milan, conquistou tudo, até mesmo o título intercontinental, inédito na história do Diavolo, e a Copa dos Campeões, que não vinha há 20 anos. Mas, em seu auge, uma lesão no tornozelo o obrigou a encerrar a carreira, ainda aos 28 anos – ainda que o anúncio definitivo tenha acontecido apenas dois anos após sua última partida, quando van Basten já tinha 30. Em sua despedida, fez até Capello se emocionar e deixou como grande lembrança as 201 aparições com a camisa rossonera e os 125 gols. E, até hoje, nenhum jogador holandês o superou em solo italiano.