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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Parada obrigatória: Volendam

Henk Veerman segue se esforçando para merecer a confiança que a torcida do Volendam tem nele, mas é necessário mais para escapar da queda (Andre Weening/BSR Agency/Getty Images)

Posição: 16º lugar, com 14 pontos (3 vitórias, 5 empates e 9 derrotas) - na frente pelo melhor saldo de gols
Técnico: Rick Kruys
Time-base: Van Oevelen; Payne, Amevor (Ugwu), Verschuren e Leliendal; Bukala e Yah; Oehlers, Kökcü e Kuwas; Veerman 
Maior vitória: Volendam 3x0 Heracles Almelo (10ª rodada)
Maiores derrotas: Go Ahead Eagles 3x0 Volendam (5ª rodada) e PSV 3x0 Volendam (14ª rodada)
Copa da Holanda: enfrentará o Sparta Rotterdam, nas oitavas de final
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Henk Veerman (atacante), com 4 gols
Objetivo do início: escapar do rebaixamento
Avaliação: Mesmo com um time entrosado, mesmo com bons resultados em seu estádio, mesmo até saindo das últimas posições vez por outra, os Volendammers terminaram 2025 em baixa, sofrendo com a falta de referências ofensivas

Foi até engraçado: na volta à primeira divisão, como campeão da segunda, o Volendam começou a temporada atual... sem ganhar nenhuma partida em quatro rodadas. Nem perder: foram quatro empates. Dois deles, aliás, animadores para a torcida: no seu próprio estádio, 2 a 2 contra o AZ (2ª rodada) e 1 a 1 com o Ajax (4ª rodada). Era um início que permitia ao técnico Rick Kruys aprimorar uma escalação já habitual, com uma dupla de volantes, um trio com muita velocidade nas pontas, e a aposta no veterano Henk Veerman para os gols. Aliás, tudo isso eram apostas. Que estão dando errado.

Em que pesem boas atuações - o melhor exemplo foi os 3 a 0 no Heracles Almelo, na 10ª rodada -, em que pesem os desempenhos dignos em casa (13º lugar, considerando apenas jogos no KRAS Stadion), faltam os gols: são só 19, em 17 rodadas - e o goleador, Veerman, só fez quatro vezes. Mesmo sem sofrer goleadas extravagantes como o Zwolle já sofreu, os Volendammers são os piores visitantes do campeonato (nenhum triunfo fora de casa) e venceram pouco: só três partidas neste primeiro turno. Tomaram derrotas até azaradas, como os 3 a 2 para o NEC (16ª rodada), quando perdiam por 2 a 1, empataram já nos acréscimos... e ainda neles tomaram mais um gol do NEC. Então, por mais que Henk Veerman se esforce, a "Outra Laranja" precisa voltar melhor no returno. Porque o Heracles Almelo mostra muita vontade de reagir, o NAC Breda também, o Zwolle tem mais opções defensivas, o esforço do Telstar é inegável... o perigo de fazer jus ao apelido de "Heen-en-Weer" (gíria para "clube ioiô", que sobe e desce entre divisões) é real.

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Guia da Eredivisie 2025/26: Volendam

 
Kuwas, Oehlers e Mühren (da esquerda para a direita): o Volendam volta à primeira divisão mais pacificado do que na época do rebaixamento (Volendam/Divulgação)


Football Club Volendam

Cidade: Volendam  
Estádio: Kras Stadion (7.384 torcedores) 
Apelidos: Volendammers (nome dado aos habitantes/nativos da cidade de Volendam), "Het Andere Oranje" (em holandês, "A Outra Laranja", referência à cor laranja do uniforme, semelhante à da seleção holandesa), "Heen en weer" (semelhante a "clube ioiô", em holandês, pela grande quantidade de rebaixamentos e acessos)
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (7 títulos da segunda divisão)
Ranking histórico: 20º
Patrocínio: HSB (construtora)
Técnico: Rick Kruys
Destaque: Robert Mühren (atacante)
Fique de olho: Gibson Yah (meio-campo/zagueiro)
Temporada passada: Campeão da segunda divisão
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Copas europeias: nenhuma 
Objetivo: escapar do rebaixamento
Amistosos de pré-temporada:
5 de julho - VPV Purmersteijn (amador) 1x7 FC Volendam 1-7
8 de julho - VV Katwijk (amador) 1x1 Volendam
12 de julho - RKAV Volendam (amador) 1x2 Volendam
16 de julho - Regioteam Schouwen-Duiveland (combinado regional) 1x3 Volendam
19 de julho - Norwich City-ING 1x1 Volendam
26 de julho - NAC Breda 6x1 Volendam
28 de julho - Beemster selectie (seleção regional) 0x17 Volendam
2 de agosto - VVV-Venlo 2x1 FC Volendam
Principais chegadas: Precious Ugwu (D, Ajax), Aaron Meijers (D, RKC Waalwijk), [Bram van Driel (M, Lecce-ITA)], Gibson Yah (M, Jong Utrecht), Ozan Kökcü (M, HJK Helsinque-FIN), Anthony Descotte (A, Charleroi-BEL)
Principais saídas: Barry Lauwers (G, dispensado), Imram Nazih (M, dispensado), Quincy Hoeve (A, Sparta Rotterdam), Vurnon Anita (A, dispensado), Jamie Jacobs (A, Almere City) e Bilal Ould-Chikh (A, Raja Casablanca-MAR)

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
[transferência em definitivo após empréstimo]

O que o Volendam poderia fazer, após o rebaixamento em 2023/24, em campanha tão perturbada pelos problemas entre a diretoria (Wim Jonk, diretor de futebol, à frente) e o técnico da época, Matthias Kohler? Simples: fazer a melhor campanha de sua história na segunda divisão. O sétimo título na Eerste Divisie veio em grande estilo: 82 pontos, a melhor pontuação da "Outra Laranja" em sua história na divisão de acesso, com 87 gols, também o melhor desempenho ofensivo que o clube já teve na segunda divisão. Não por acaso, o artilheiro da temporada era do time: Henk Veerman, ídolo do clube, surgido por lá, sempre voltando.

Aliás, o Volendam volta à Eredivisie (10º acesso - não é à toa o apelido de "Heen-en-weer", gíria holandesa para "ioiô", sobe-e-desce) cercado de ídolos. No banco, o técnico Rick Kruys, com passagem pelo clube do balneário como jogador. Em campo, o citado Henk Veerman e Robert Mühren, dois centroavantes veteranos que nasceram futebolisticamente no clube. É em torno deles que o time girará. E se perdeu nomes importantes, como Bilal Ould-Chikh, terá um nome experiente no ataque (Brandley Kuwas), e pelo menos um defensor digno de nota: o zagueiro Precious Ugwu, vindo da base do Ajax, titular na Holanda (Países Baixos) campeã europeia sub-19. Pacificado, o Volendam está. Mais do que há alguns anos. A ver se isso serve para mantê-lo na primeira divisão.

segunda-feira, 3 de junho de 2024

Análise da temporada: Vitesse

O técnico Edward Sturing tentou, os jogadores também, mas o Vitesse caiu. Pior: o Vitesse corre risco de ser extinto. E a torcida está se mobilizando para que a derrota não seja definitiva (Getty Images)

Colocação final: 18º lugar, com 6 pontos (6 vitórias, 6 empates e 22 derrotas - punido pela federação com a perda de 18 pontos, em razão de dívidas) - rebaixado diretamente
No turno havia sido: 18º lugar, com 11 pontos (atrás pelo menor número de gols pró)
Time-base: Room; Arcus, Oroz (Isimat-Mirin/Cornelisse), Hendriks e Mica Pinto; Aaronson e Meulensteen (Tielemans); De Regt (Hadj-Moussa), Kozlowski e Boutrah; Van Ginkel
Técnicos: Phillip Cocu (até a 12ª rodada) e Edward Sturing (interino, depois efetivado, desde a 13ª rodada) 
Maior vitória: Heerenveen 1x3 Vitesse (33ª rodada)
Maior derrota: PSV 6x0 Vitesse (30ª rodada)
Principais jogadores: Paxten Aaronson (meio-campista) e Anis Hadj-Moussa (atacante) 
Artilheiro: Marco van Ginkel (atacante), com 7 gols  
Quem deu mais passes para gol: Kacper Kozlowski (meio-campista), com 5 passes)
Quem mais partidas jogou: Eloy Room (goleiro), que jogou todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado pelo Cambuur (segunda divisão), nas quartas de final
Competições continentais: nenhuma

Dor. Se fosse possível resumir a temporada 2023/24 do Campeonato Holandês para o Vitesse em uma só palavra, foi esta. Claro que havia irritação da torcida - como não se irritar, ao ver que o time nunca embalava sob o comando de Phillip Cocu, ao ver derrotas constrangedoras como os 5 a 1 sofridos para o Go Ahead Eagles (11ª rodada), ao ver na última posição um time que, há dois anos, desafiou na segunda fase da Conference League a Roma, que seria campeã do torneio? Porém, mais do que se irritar, a torcida sofria. Afinal de contas, não era só a temporada péssima que era motivo de sofrimento. Havia algo pior: com o time vendido pelo empresário ucraniano Valeriy Oyf em 2022, sem nunca achar comprador, vendo a proposta do fundo do norte-americano Coley Parry travar no processo burocrático da federação holandesa - e, no fim, ser negada -, as dívidas começavam a se acumular sem pagamento. E a KNVB começava a sinalizar com o perigo da perda da licença profissional para disputar campeonatos. Algo muito pior do que qualquer rebaixamento. Diante disso, conseguir uma campanha razoável na Copa da Holanda, chegando às quartas de final, foi até elogiável. Porque, na Eredivisie, a via-crúcis aumentava a dor da torcida. A começar pela 18ª rodada, a primeira do returno: tomando 2 a 1 do Feyenoord em casa, alguns torcedores até invadiram o campo, contra uma decisão da arbitragem. 

Era só o começo de uma sequência de cinco derrotas seguidas, que mergulharam de vez o Vites na última posição. Chegou a haver alguma esperança na 22ª rodada (empate com o Volendam, 1 a 1) e na 23ª (vitória sobre o Excelsior - 2 a 1). Mas logo ela acabava. Por mais que o técnico Edward Sturing se esforçasse, por mais que houvesse leves esperanças nas boas atuações do ponta-direita Anis Hadj-Moussa, tudo isso se esboroava - Hadj-Moussa logo brigou com Sturing, e logo anunciou sua transferência para o Feyenoord. Entre a 27ª e a 30ª rodadas, mais quatro derrotas: a última delas, 6 a 0 para o PSV, praticamente sacramentando que o clube de Arnhem seria rebaixado, após 35 anos. Era melhor um fim trágico ou uma tragédia sem fim? A federação decidiu pelo clube: puniu as dívidas e a falta de um planejamento financeiro confiável ao tirar 18 pontos, antecipando o rebaixamento antes da 31ª rodada, ao tornar a pontuação negativa. Se servia de consolo, houve vitórias que a impediram (na 31ª, 3 a 2 no Fortuna Sittard, em grande jogo de Paxten Aaronson, dos raros destaques; na 33ª, 3 a 1 no Heerenveen, em grande atuação do velho ídolo Marco van Ginkel; e na última rodada, 2 a 2 com o Ajax, tendo jogado até melhor. Àquela altura, já havia se iniciado uma "vaquinha virtual" para arrecadar o valor da licença profissional, para a segunda divisão. O técnico Edward Sturing brincou, com o apoio da torcida: "Parece até que somos campeões". Mas a dívida ainda não foi paga, e o prazo já tem data de validade: 17 de junho. A torcida só espera pelo pagamento, e o ajuda, para que possa continuar vendo o Vitesse dentro de campo. Algo que, para ela, supera qualquer dor.

Análise da temporada: Volendam

O Volendam de Damon Mirani sofreu desde o começo. Esforçou-se para tentar escapar de seu destino. Mas no fim, sempre dava errado. E o rebaixamento foi inevitável (Gerrit van Keulen/ANP/Getty Images)

Colocação final: 17º colocado, com 19 pontos (4 vitórias, 7 empates e 23 derrotas - rebaixado diretamente)
No turno havia sido: 17º lugar, com 11 pontos (na frente pelo maior número de gols pró)
Time-base: Mio Backhaus; Plat (Buur), Mirani, Benamar e Flint (Cox); Twigt, De Haan e Le Roux (Maulun); Booth (Semedo), Mühren e Ould-Chikh (Johnson)
Técnicos: Matthias Kohler (até a 14ª rodada), Michael Dingsdag (interino, na 15ª, 16ª e 33ª rodadas) e Regillio Simons (a partir da 17ª rodada)  
Maior vitória: Volendam 3x1 Excelsior (10ª rodada)
Maior derrota: Twente 7x2 Volendam (33ª rodada)
Principal jogador: Robert Mühren (atacante) 
Artilheiro: Robert Mühren (atacante), com 8 gols  
Quem deu mais passes para gol: Bilal Ould-Chikh (atacante), com 7 passes
Quem mais partidas jogou: Damon Mirani (zagueiro), que jogou todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado pelo Excelsior Maassluis (terceira divisão), na primeira fase
Competições continentais: nenhuma

Desde o começo da temporada 2023/24 do Campeonato Holandês, ficava claro que o Volendam teria muitas dificuldades de escapar do rebaixamento. Dentro de campo, só duas vitórias e um empate nas primeiras dez rodadas. Fora dele, a briga entre a diretoria de futebol e a diretoria geral rendeu a saída coletiva da primeira - o que incluiu a saída do técnico Matthias Kohler. E ser eliminado por um clube amador logo na primeira fase da Copa da Holanda não colaborou muito para melhorar a situação. O pior é que esforço não faltava. Nem do time, nem do técnico. Do primeiro lado, o goleiro nipoalemão Mio Backhaus até fazia boas defesas, a defesa bloqueava espaços, mas as derrotas invariavelmente vinham (foi bem assim contra o Feyenoord, na 15ª rodada, quando o time segurava empate em 1 a 1, em De Kuip, até tomar o 3 a 1 nos acréscimos). Do segundo, Regillio Simons - para informar, pai de Xavi Simons - tentava alterar o ataque, tentava variar o esquema (com dois ou três zagueiros)... e nada.

Continuou sendo nada no returno. O time só foi vencer de novo na 29ª rodada, num jogo que era até contra adversário direto contra o rebaixamento (3 a 2 no RKC Waalwijk). Porém, até ali, já tinham sido seis derrotas e três empates - um dos quais, aliás, praticamente decidiu o título, já que foi contra o Feyenoord (0 a 0, 28ª rodada), permitindo que o PSV consolidasse a vantagem que já tinha. Com essa sequência de um empate e uma vitória, o Volendam chegou a ter um pouco mais de esperança de empatar. Ainda mais porque o Vitesse foi vitimado pela punição da federação, perdendo pontos e caindo para a lanterna. Porém, a realidade logo se impôs: nas últimas cinco rodadas, cinco derrotas. Rebaixamento direto confirmado, com um 4 a 1 sofrido em casa para o Ajax (31ª rodada). E a incapacidade de mudar a situação expressa nos dois jogos finais da temporada. Contra o Twente, fora de casa, na penúltima rodada, a "Outra Laranja" até teve a vantagem duas vezes - 1 a 0 e 2 a 1 -, mas não só tomou a virada, como viu o Twente disparar para a goleada por 7 a 2. E contra o Go Ahead Eagles, em casa, na rodada derradeira, os Volendammers tiveram uma estreia boa (o goleiro Kayne van Oevelen), seguraram o empate... mas no fim, viram os visitantes de Deventer fazerem 2 a 1. É isso: o Volendam se esforçava. Mas tendo quase todos os piores desempenhos - pior mandante, pior visitante, pior no turno e no returno, defesa mais vazada -, nunca teve condições de evitar seu destino final: a queda, após dois anos de Eredivisie.

domingo, 7 de janeiro de 2024

Parada obrigatória: Volendam

O Volendam sofreu em boa parte do primeiro turno. Mas uma vitória no jogo final de 2023, com a ajuda do talento Zeefuik, serve de esperanças (Nesimages/Michael Bulder/DeFodi Images/Getty Images)

Posição: 17º lugar, com 11 pontos (na frente pelo maior número de gols pró)
Técnicos: Matthias Kohler (até a 14ª rodada), Michael Dingsdag (interino, na 15ª e 16ª rodadas) e Regilio Simons (treinará a partir da 17ª rodada) 
Time-base: Mio Backhaus; Plat (Buur), Mirani, Benamar e Flint (Cox); Twigt, De Haan e Booth (Mbuyamba); Ould-Chikh, Mühren e Kuol
Maior vitória: Volendam 3x1 Excelsior (10ª rodada)
Maior derrota: Volendam 0x5 Zwolle (14ª rodada) 
Copa da Holanda: eliminado pelo Excelsior Maassluis (terceira divisão), na primeira fase
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Robert Mühren (atacante), com 5 gols
Objetivo do início:  escapar do rebaixamento/meio de tabela
Avaliação: A crise interna acabou explodindo para dentro do campo, com rompimento entre diretoria e antiga comissão técnica. Além do mais, a fragilidade na defesa é maior. O Volendam precisará se esforçar muito para evitar o rebaixamento

Três nomes fundamentais para ajudar o Volendam a evitar o rebaixamento deixaram o clube entre a temporada passada e esta (o goleiro Filip Stankovic, os meio-campistas Carel Eiting e Gaetano Oristanio). Só por isso, o técnico Matthias Kohler já chegava com a tarefa de evitar o rebaixamento mais dificultada. Começou o Campeonato Holandês, e a sequência inicial deixou a impressão ainda mais pessimista em relação à "Outra Laranja": nas sete primeiras rodadas, só um ponto conquistado (no empate em 2 a 2 com o Heracles Almelo, na sexta rodada). Reforços vindos com expectativa, como Garang Kuol, negavam fogo. A ausência de nomes importantes - como o zagueiro Xavier Mbuyamba, machucado - só piorava o problema. A primeira vitória veio só na 8ª rodada: 1 a 0 no Utrecht. Todavia, o pior ainda estava por vir. E era do lado de fora do campo. 

Internamente, já havia discordâncias na diretoria. E sobrou para um dos principais membros dela: Jan Smit (cantor de sucesso na Holanda/Países Baixos), que deixou o cargo no Volendam. Como resposta, o diretor de futebol Wim Jonk e toda a comissão técnica - incluindo, obviamente, o técnico Matthias Kohler - se demitiu, em solidariedade a Jan Smit. Se o clube já vinha em queda, com duas derrotas na Eredivisie e a eliminação na Copa da Holanda (para o Excelsior Maassluis, da terceira divisão), a tormenta prejudicou em campo. Veio a pior goleada sofrida - os 5 a 0 para o Zwolle, na 14ª rodada, que aprofundou a defesa como a mais vazada da Eredivisie, com 40 gols sofridos. Até mesmo atuações de resistência, como contra o Feyenoord (15ª rodada), terminavam com derrota - 3 a 1, com dois gols sofridos nos acréscimos. Ainda assim, sob o interino Michael Dingsdag, a primeira metade do campeonato terminou com uma vitória - fora de casa: 2 a 1 no Heerenveen. Com o goleiro nipoalemão Mio Backhaus fazendo grandes defesas. Com a ajuda de Robert Mühren, velho conhecido, e da revelação Lequincio Zeefuik, no ataque. E com a esperança de que dias melhores virão, sob o comando de Regilio Simons (para informar e constar: pai de Xavi) como técnico.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Guia da Eredivisie 2023/24: Volendam

Matthias Kohler já vinha ajudando o técnico Wim Jonk no Volendam. Com Jonk passando à direção técnica, fora de campo, Kohler é que será o técnico a tentar manter o time na primeira divisão (Divulgação/fcvolendam.nl)

Football Club Volendam

Cidade: Volendam  
Estádio: Kras Stadion (7.384 torcedores) 
Apelidos: Volendammers (nome dado aos habitantes/nativos da cidade de Volendam), "Het Andere Oranje" (referência à cor laranja do uniforme, semelhante à da seleção holandesa), "Heen en weer" (semelhante a "clube ioiô", pela grande quantidade de rebaixamentos e acessos)
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (6 títulos da segunda divisão) 
Patrocínio: Betcity.nl (site de apostas online)
Técnico: Matthias Kohler 
Destaque: Robert Mühren (atacante)
Fique de olho: Lequincio Zeefuik (atacante)
Temporada passada: 14º colocado
Brasileiros no grupo de jogadores: Diego Gustavo (atacante)
Copas europeias: nenhuma 
Objetivo: escapar do rebaixamento/meio de tabela
Amistosos de pré-temporada:
8 de julho - SVZW (amador) 1x6 Volendam
15 de julho - Volendam 1x2 Gent-BEL
22 de julho - Kortrijk-BEL 2x1 Volendam
29 de julho - Volendam 2x0 PAS Lamia-GRE
1º de agosto - Volendam 1x1 Alanyaspor-TUR
5 de agosto - Heracles Almelo 1x3 Volendam
Principais chegadas: Mio Backhaus (G, Werder Bremen-ALE), Garang Kuol (A, Newcastle-ING) e Koen Blommestijn (A, Telstar)
Principais saídas: [Filip Stankovic (G, Internazionale-ITA)], Dean James (D, Go Ahead Eagles), Derry John Murkin (D, Schalke 04-ALE), [Florent Sanchez da Silva (M, Lyon-FRA)], [Gaetano Oristanio (M, Internazionale-ITA)], Carel Eiting (M, Twente), [Francesco Antonucci (M, Feyenoord)], Walid Ould-Chikh (A, Roda JC) e Henk Veerman (A, ADO Den Haag)

Legenda
Jogador (posição, clube)
Empréstimo
[retorno de empréstimo] 
[transferência em definitivo após empréstimo]

A temporada da volta à primeira divisão foi problemática para os Volendammers. Dentro de campo (com as naturais dificuldades para escapar do rebaixamento) e fora também (discussões entre diretoria e conselho deliberativo, sobre os desejos para o time - uns queriam mais contratações, outros queriam foco nas categorias de base). Entre mortos e feridos, salvaram-se todos. E mais ainda o Volendam, que emplacou outra temporada na Eredivisie. Mas para 2023/24, o técnico Wim Jonk preferiu exercer mais influência do lado de fora do campo, passando a ser diretor técnico do clube - e abrindo a vaga no comando da equipe, preenchida pelo alemão Matthias Kohler, seu auxiliar.

Kohler já sai com o problema de não ter o goleiro Filip Stankovic, fundamental na campanha passada, de volta à Internazionale após o empréstimo - bem como o meio-campo Gaetano Oristanio. O atacante Henk Veerman foi cedido e passará a temporada no ADO Den Haag, e talvez faça falta, por sua experiência. Além do mais, a saída de Carel Eiting, o grande destaque entre os jogadores de linha em 2022/23, foi traumática: uma sondagem do Twente evoluiu para uma negociação, Eiting alegou doença para se ausentar de amistosos do Volendam na pré-temporada, entrou na Justiça pedindo a liberação mediante multa rescisória... e acabou, enfim, saindo. Restará a nomes como o jovem atacante australiano Garang Kuol, que esteve na Copa do Mundo masculina passada, ajudar a "Outra Laranja" a tentar ir além das últimas posições da tabela.

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Análise da temporada: Volendam

Além da eficiência na frente, com nomes como Carel Eiting, as defesas de Stankovic (amarelo) ajudaram o Volendam a reagir no returno para conseguir escapar do rebaixamento com mais facilidade do que esperava (ProShots/IconSport/Getty Images)

Colocação final: 14º lugar, com 33 pontos
No turno havia sido: 17º lugar, com 12 pontos
Time-base: Stankovic; Plat, Mirani, Benamar, Mbuyamba e Murkin; Ould-Chikh (Twigt), Oristanio (Antonucci) e Eiting; Van Mieghem e Veerman (Mühren)
Técnico: Wim Jonk
Maior vitória: Volendam 3x1 Emmen (24ª rodada)
Maior derrota: PSV 7x1 Volendam (3ª rodada)
Principais jogadores: Filip Stankovic (goleiro) e Carel Eiting (meio-campista) 
Artilheiro: Daryl van Mieghem (atacante), com 7 gols
Quem deu mais passes para gol: Carel Eiting (meio-campista), com 10 passes
Quem mais partidas jogou: Carel Eiting (meio-campista), com 33 partidas
Copa nacional: eliminado pelo Heerenveen, na segunda fase
Competições continentais: nenhuma

Reza a lenda que Wim Jonk, técnico do Volendam, tem na sua sala de trabalho dentro do clube um quadro com a imagem de Johan Cruyff, de tanta influência que o principal nome da história do futebol da Holanda (Países Baixos) tem em seu trabalho. Entretanto, no primeiro turno da temporada, em que foi "cruyffista" assumido e tentou fazer um time mais ofensivo, Jonk fracassou. Sim, havia talentos aqui e ali: o goleiro Filip Stankovic - sim, filho do ex-meio-campo sérvio - se destacou desde o começo, tanto Carel Eiting quanto Gaetano Oristanio tinham talento mais à frente. Porém, a fragilidade defensiva da "Outra Laranja" saltava aos olhos no primeiro turno - foi o clube que mais gols tomou nas 17 primeiras rodadas (42). Teve até o seu "7 a 1", literalmente, para o PSV, na 3ª rodada. Previsível, pois, que os Volendammers terminassem o turno na penúltima posição, chegando até a estar na última. Se continuassem daquele jeito, o retorno à primeira divisão seria apenas para a temporada atual.

Mesmo sendo tão partidário do "jeito Cruyff" de jogar, Wim Jonk decidiu mudar seu time. Passou a escalá-lo com três zagueiros, para proteger mais Stankovic, tão exigido no gol. Começou a apostar nas jogadas em bolas paradas, como escanteios, e nos longos e bons lançamentos de Carel Eiting para os gols. Estes deveriam ser feitos por Henk Veerman ou Robert Mühren, atacantes mais altos, ou mesmo por Daryl van Mieghem, que traria mais técnica. E os resultados começaram a vir para o Volendam já no returno: a 15ª rodada, primeira de 2023, teve vitória contra adversário direto nas últimas posições (3 a 0 no Cambuur). Três rodadas adiante, o 1 a 1 contra o Ajax representou ponto valioso. O KRAS Stadion começou a ser lugar importante: com apoio da torcida, o time partiu da penúltima posição no turno para ser o 9º melhor do returno. Ofereceu dificuldades para AZ (1 a 1, na 20ª rodada) e até para o campeão Feyenoord (perdeu por 2 a 1, na 25ª rodada, mas saiu na frente). E entre vitórias e derrotas, conseguiu pontos valiosos para uma salvação na primeira divisão, garantida ainda na penúltima rodada. Nada mal para um clube com a fama de "iô-iô" no futebol holandês, que ainda teve a segunda pior defesa do campeonato. Wim Jonk pode até ser muito influenciado por Johan Cruyff, mas soube trabalhar com a realidade.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Parada obrigatória: Volendam

Stankovic fez algumas boas defesas pelo Volendam. Precisará fazer muitas mais, para evitar o rebaixamento (Jeroen Meuwsen/Orange Pictures/BSR Agency/Getty Images)

Posição: 18ª colocação, com 6 pontos 
Técnico: Wim Jonk
Time-base: Stankovic; Plat, Mbuyamba (Benamar), Mirani e Murkin; Walid Ould-Chikh, Oristanio e Eiting; El Kadiri (Bilal Ould-Chikh), Veerman e Van Mieghem (Mühren/Zeefuik) 
Maior vitória: Volendam 1x0 Twente (4ª rodada)
Maior derrota: PSV 7x1 Volendam (3ª rodada)
Copa da Holanda: enfrentará o Heerenveen, na segunda fase
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Robert Mühren (atacante), com 3 gols
Objetivo do início: escapar do rebaixamento
Avaliação: mesmo com esforço, a impressão que vigorou é de que o time laranja tem pouca qualidade técnica para a primeira divisão

Não que o Volendam não tenha se reforçado para fazer papel digno em sua volta à Eredivisie, 13 anos depois. Contratou nomes que podiam ajudar o ataque de um time pequeno: Carel Eiting, como principal criador de jogadas, e Henk Veerman, para o meio da área. Tinha já, no grupo, nomes que poderiam ajudar, como o goleiro Filip Stankovic, emprestado junto à Internazionale. Porém, bastou a temporada começar para que ficasse claro: a qualidade técnica do time, como um todo, ainda era e é reduzida para o Campeonato Holandês. Isso ficou claro, principalmente, com os 7 a 1 pespegados pelo PSV, na terceira rodada, quando a defesa teve desempenho fragílimo.

Claro que houve bons momentos - por exemplo, na única vitória (1 a 0 no Twente, na 4ª rodada, com o jovem Lequincio Zeefuik como destaque). Porém, o Volendam sempre mostrou fragilidades excessivas. Até mesmo em momentos nos quais quase surpreendeu. Na 9ª rodada, por exemplo, perdendo para o Ajax por 3 a 0, foi buscar dois gols - e teve um terceiro, anulado (corretamente). Mas se animou tanto buscando a igualdade no placar, que permitiu a vitória do Ajax, por 4 a 2. E chegou ao final da primeira parte como o pior em quase tudo no campeonato: menos pontos dentro e fora de casa, mais gols sofridos, último colocado (só não é o pior ataque porque há Cambuur e Emmen, mas é o terceiro pior). A pausa para a Copa deixou uma crise que quase levou à demissão do técnico Wim Jonk. Mas ele ainda acredita. Precisa acreditar, de fato. Porque a situação do Volendam indica pouca margem de melhora.

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Guia da Eredivisie 2022/23: Volendam

Stankovic (camisa verde) e Oristanio: a dupla de novatos cedidos pela Internazionale promete ajudar bastante o Volendam, em sua volta à primeira divisão (Pro Shots)

Football Club Volendam

Cidade: Volendam  
Estádio: Kras Stadion (7.384 torcedores) 
Apelidos: Volendammers (nome dado aos habitantes/nativos da cidade de Volendam), "Het Andere Oranje" (referência à cor laranja do uniforme, semelhante à da seleção holandesa), "Heen en weer" (semelhante a "clube ioiô", pela grande quantidade de rebaixamentos e acessos)
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (6 títulos da segunda divisão) 
Patrocínio: Betcity.nl (site de apostas online)
Técnico: Wim Jonk 
Destaques: Daryl van Mieghem (atacante) e Robert Mühren (atacante)
Fique de olho: Gaetano Oristanio (meio-campista)
Temporada passada: Vice-campeão da segunda divisão
Brasileiros no grupo de jogadores: Diego Gustavo (atacante)
Copas europeias: nenhuma 
Objetivo: escapar do rebaixamento
Amistosos de pré-temporada:
8 de julho - De Rijp (amador) 0x8 Volendam
9 de julho - Volendam 3x2 Racing Genk-BEL
15 de julho - NAC Breda 0x0 Volendam
22 de julho - Volendam 1x2 AEK-GRE
28 de julho - Panathinaikos-GRE 2x1 Volendam
Principais chegadas: Filip Stankovic (G, Internazionale-ITA), Benaissa Benamar (M, Utrecht), Diego Gustavo (M, Laranja Mecânica-BRA), Francesco Antonucci (M, Feyenoord)Gaetano Oristanio (M, Internazionale-ITA) e Henk Veerman (A, Utrecht)
Principais saídas: Mike Eerdhuijzen (D, Sparta Rotterdam) e Kevin Visser (M, AFC - clube amador) 
Grupo de jogadores

Legenda
Jogador (posição, clube) 
Transferência 
[Retorno de empréstimo] 
Empréstimo

Enfim, chegou a hora que o Volendam tanto esperou, há treze anos: a hora do "ioiô" se mexer de novo para o lado de cima, a hora em que o clube voltará a jogar a primeira divisão. E a "Outra Laranja" virá para a Eredivisie relativamente inalterada em relação à campanha do vice-campeonato na Eerste Divisie, a segunda divisão. Melhor para o ataque, principalmente: Daryl van Mieghem foi responsável pelos passes, Robert Mühren foi responsável pelos gols, e a dupla seguirá sendo protagonista na equipe à disposição do técnico Wim Jonk.

Jonk, aliás, nos seus tempos de (bom) meio-campista, teve passagem pela Internazionale. E será curioso ver o desempenho de dois nomes jovens, da base negra-azul, novamente emprestados pelo clube italiano ao Volendam: o goleiro Filip Stankovic - filho de um nome interista marcante, Dejan Stankovic - e o meio-campista Gaetano Oristanio. Junto a eles, mais um emprestado também seguirá no clube laranja sendo muito útil: o ítalo-belga Francesco Antonucci, principal criador de jogadas para a dupla Van Mieghem-Mühren. Esta, aliás, terá uma ajuda valiosa em Henk Veerman: sem espaço no Utrecht após a chegada de Bas Dost, só meio ano após sua ida para aquele clube, Veerman preferiu o retorno ao Volendam, após sete anos. E esses três atacantes terão de trabalhar bem, para amenizar as dificuldades que os Volendammers terão para se manterem na Eredivisie. Coisa que querem demais, após tanto tempo de segunda divisão.

sábado, 7 de maio de 2022

Segunda divisão - análise: a volta rápida e a volta lenta

O Emmen demorou a engrenar na segunda divisão, após cair na temporada passada. Mas quando engrenou, embalou até o retorno rápido à Eredivisie (Pro Shots)

Fundado em 1925 como clube amador, profissionalizado em 1985, o Emmen tivera o ponto alto de sua história no seu primeiro acesso à divisão de elite do futebol da Holanda (Países Baixos), em 2018. E justificou isso, mantendo-se dignamente na divisão de elite por dois anos. Mesmo em 2020/21, o esforço para ficar na Eredivisie foi notável: de lanterna sem vitórias até a 23ª rodada, os Emmenaren reagiram até conseguirem a "segunda chance" de permanência na repescagem. Nela, só foram rebaixados para o NAC Breda, nos pênaltis. Foi um trauma, que poderia ter impactado nesta temporada 2021/22 - até em termos financeiros. Que nada: o Emmen nem conseguiu "sentir falta" da Eredivisie. Porque já está de volta a ela. E numa maneira bem mais nobre que a repescagem: como campeão da Eerste Divisie, no primeiro título de sua história longa no futebol amador e ainda recente no profissional.

De certa forma, o bate-e-volta do Emmen após uma temporada começou já durante a queda. Treinador ali desde 2016, considerado o grande responsável em campo pela fase de sucesso do clube, Dick Lukkien recebeu respaldo mesmo durante a queda ("99% dos clubes teriam me demitido numa situação assim"). Continuou desenvolvendo o trabalho pacientemente - não, o Emmen não foi daqueles clubes que esteve nas primeiras posições desde o começo da segunda divisão, sofrendo nas primeiras rodadas. E teve a compensação na reta final: uma equipe absolutamente regular, que rendeu o título. E fez Lukkien retomar o status que teve nas participações na Eredivisie: um técnico, talvez, tarimbado o suficiente para ter uma chance num clube médio do futebol holandês. E o clube sabe disso, como o diretor técnico Michel Jansen reconheceu à revista Voetbal International, sem preocupações (ainda): "Claro que pensamos numa situação da saída de Dick, mas só nos prepararemos se recebermos uma proposta de um clube. Ainda não aconteceu".

Mas de nada adiantaria o trabalho regular (no melhor sentido) de Dick Lukkien se não houvesse jogadores capazes de render em campo. Aí também ajudou o entrosamento. Porque muitos nomes do time-base das aparições na primeira divisão seguiram no clube mesmo na Eerste Divisie. Mesmo cogitado como provável saída, o zagueiro peruano Miguel Araujo ficou em Emmen. Perturbado por lesões na temporada passada, o meio-campista Lucas Bernadou enfim teve forma e sequência de jogos para se tornar nome certo entre os titulares. Em torno deles, o clube aproveitou a experiência que as participações na Eredivisie lhe deram para ter eficiência notável nas contratações. Do Go Ahead Eagles, promovido no ano passado, veio o lateral Jeroen Veldmate; da Dinamarca, foi repatriado outro lateral, Lorenzo Burnet, com passagens por NEC e Excelsior; caso semelhante foi o meio-campo Peter van Ooijen, de volta da Alemanha após trajetória no VVV-Venlo; o atacante Reda Kharchouch surgiu do Sparta Rotterdam, e o meia Jari Vlak, do Volendam; e o Heracles Almelo cedeu dois nomes titulares, o goleiro Michael Brouwer e o meio-campo Teun Bijleveld.

Todos eles foram titulares na campanha do acesso. Bem como o goleador do time: o português Rui Mendes, vindo do time B do Hoffenheim-ALE, 15 gols nesta Eerste Divisie (mesmo longe dos 32 gols do goleador Thijs Dallinga, do Excelsior - que tem a chance de ascender à Eredivisie, via repescagem). E após um começo titubeante, os Emmenaren cresceram a partir da 11ª rodada, quando chegaram à quarta posição. O impulso final rumo ao título surgiu na 20ª rodada: começava ali uma sequência de cinco vitórias seguidas, estabilizando o time na segunda posição, que já daria vaga na Eredivisie. Até houve derrota para o Helmond Sport (2 a 1, em jogo atrasado da 22ª rodada), mas a caminhada do Emmen para o título seguiu impávida. E em outra partida retardada do campeonato - o confronto direto contra o Volendam, goleada por 4 a 1, pela 27ª rodada -, o clube tomou a liderança da segunda divisão para não perder mais. Garantiu o acesso vencendo o Dordrecht (1 a 0, fora de casa, na 35ª rodada). E o título, com o 2 a 0 no Roda JC, na semana seguinte.

Pensando bem, pode ter parecido que o Emmen nem sentiu falta da Eredivisie, já que voltou tão rápido. Talvez isso possa ser dito de outro modo: talvez o Emmen tenha sentido tanta falta do gosto da primeira divisão, que preferiu voltar rapidamente. E o fez com méritos. Como campeão.

Só uma comemoração intensa para extravasar o drama: o Volendam chegou a temer mais um fracasso, mas está de volta à primeira divisão, treze anos depois (Pro Shots)


Volendam: o "ioiô" subiu de novo

Se o campeão Emmen demorou pouco a retornar à primeira divisão, o caso do Volendam foi mais dramático. Para um clube conhecido nos Países Baixos como "Heen-en-Weer" (traduzindo para o português, seria algo como "clube ioiô", que vai e volta entre primeira e segunda divisões), ficar 13 anos seguidos na Eerste Divisie incomodava. Ainda mais porque a "Outra Laranja" - mais um apelido, em razão da cor do uniforme, semelhante à da seleção nacional - rondava o retorno havia um bom tempo, fracassando numa repescagem aqui, ficando no meio de tabela ali. Basta citar a temporada passada, quando os Volendammers foram aos play-offs de acesso/descenso, mas já caíram na primeira fase, para o NAC Breda. Era demais, para um time que dava respaldo ao técnico Wim Jonk - que fazia trabalho confiável, de fato.

A temporada atual já começou sob a pecha do "é agora ou nunca". E Jonk teve reforços de peso à disposição. Um dos maiores goleadores da história da segunda divisão numa só temporada, Robert Mühren preferiu voltar ao clube em que começou a carreira a ir para a Eredivisie com o Cambuur em que estava. E justificou a volta: 29 gols em 37 jogos, sendo o nome dos gols na campanha do acesso. Teve um bom parceiro de ataque em Daryl van Mieghem, mais veloz na frente, líder de passes para gol (14), também colocando a bola na rede (foram 11 gols). Outro auxílio veio da base da Internazionale - onde Wim Jonk jogou na carreira: do clube italiano vieram o goleiro sérvio Filip Stankovic (filho do ex-jogador Dejan), titular a partir de meados da temporada, e o meio-campista italiano Gaetano Oristanio. Todos se somaram a nomes já conhecidos da torcida, como os meio-campistas Kevin Visser e Francesco Antonucci - este, emprestado pelo Feyenoord.

E o Volendam foi com tudo em boa parte da temporada. A partir da 9ª rodada, tomou a liderança da Eerste Divisie. Por muito tempo, foi o dono dela. Até tomar a goleada para o Emmen, na 27ª rodada, cedendo também a primeira posição. Diante da pressão de clubes como FC Eindhoven, Excelsior e ADO Den Haag; cedendo uma sequência de seis jogos sem vitória - três empates e três derrotas; tudo isso fazia supor que o Volendam fraquejaria de novo na reta final. Mas duas vitórias na 34ª e 35ª rodadas (3 a 1 no time B do Ajax, 2 a 1 no Den Bosch) decretaram o alívio. Após 13 anos, o ioiô voltou a subir. O Volendam está de volta - e espera demorar mais na descida.