Mostrando postagens com marcador pausa de inverno. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pausa de inverno. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Eredivisie feminina: chegou mais gente?

O Ajax lidera, o Twente pode voltar a liderar... mas PSV, Feyenoord e Zwolle tornam o Campeonato Holandês feminino bem equilibrado em 2025/26 (Photo Prestige/Soccrates/Getty Images)

Twente e Ajax. Quem sabe, o PSV. Assim vem sendo a disputa pelo título do Campeonato Holandês, há algumas temporadas. E continua sendo assim nesta temporada 2025/26, que será retomada neste sábado, 17, com a abertura da 10ª rodada. Por sinal, será retomada justamente com um... Twente x Ajax. A única diferença está do lado dominante: se o clube de Enschede vem de um bicampeonato nacional na Vrouwen Eredivisie, agora a liderança é do clube de Amsterdã. Pelo menos, por enquanto, já que o Twente teve um jogo atrasado - contra o AZ, na 9ª rodada, em razão de dar mais tempo de preparação para uma rodada que haveria na fase de liga da Liga dos Campeões de mulheres.

Mas a curiosidade, até agora, está ao se olhar abaixo de Ajax e Twente na tabela de classificação. Sim, o PSV está lá, na terceira posição. Só que estão relativamente perto o Feyenoord, em quarto lugar, e o Zwolle, em quinto. E nem estão tão longe assim da dupla que lidera o campeonato (Ajax com 25 pontos, Twente com 23, PSV com 22 tendo saldo de gols maior, Feyenoord com 22, Zwolle com 21). Não significa que o nível técnico da liga holandesa de mulheres tenha ficado maior. Mas talvez signifique mais equilíbrio. Que poderá ser um bom sinal, se continuar assim na metade final da temporada, que começa neste sábado.

Enquanto não começa, é bom ver como estão cada um dos 12 clubes do Campeonato Holandês de mulheres - agora com transmissão da televisão brasileira, com os jogos do Ajax exibidos pela N Sports.

Danique Tolhoek (à frente) se responsabiliza pelos gols. E o Ajax, com ataque poderoso e um time jovem e focado, está firme na disputa do título (Remko Kool/Soccrates/Getty Images)

1º - AJAX

Pontuação e campanha: 25 pontos (8 vitórias, 1 empate e 1 derrota)
Time-base: Van Eijk; De Klonia, Noordermeer, Visscher (Van Asten) e Van de Velde; Van Koppen, Noordman (Colin) e Spitse (Van Hensbergen); Van Egmond, Tolhoek e Derks
Técnica: Anouk Bruil
Destaques: Danique Noordman (meio-campista) e Bo van Egmond (atacante) 
Goleadora: Danique Tolhoek (atacante), com 8 gols
Competição europeia: Europa Cup (eliminado pelo Hammarby-SUE, nas oitavas de final)
Comentário: Com as perdas decorrentes - e esperadas... - do mercado de transferências (Lily Yohannes e Lotte Keukelaar à frente), o Ajax poderia correr algum risco de ver o Twente, velho concorrente, abrir alguma vantagem. Para tentar evitar isso, a aposta foi em talentos internos, do próprio Campeonato Holandês, somados às que ficaram em Amsterdã. Pelo menos por enquanto, está dando certo. Porque, na defesa, a experiência da goleira Regina van Eijk é acrescentada de nomes como a zagueira Daniëlle Noordermeer e a polivalente (joga no miolo de zaga e na lateral esquerda) Amber Visscher, que facilitam até a liberação de Sherida Spitse para voltar a jogar no meio-campo - pelo menos quando voltar, já que um problema estomacal tirou Spitse dos últimos jogos de 2025. Ainda no meio, Isa Colin vinha ajudando bastante até sofrer a grave lesão no joelho que a tirará do restante da temporada. E Danique Noordman se consolida como "a próxima candidata" a deixar Amsterdã: vai muito bem na criação de jogadas, e até na finalização. 

Por falar nela, o Ajax pode contar tanto com nomes mais conhecidos - Bo van Egmond, Danique Tolhoek - como com a revelação Ranneke Derks, que voltou do vice-campeonato da Holanda (Países Baixos) no Mundial sub-17 de mulheres para ser titular e a recordista de passes para gol na temporada, até aqui. Certo, houve pelo menos um tremendo escorregão, com a goleada por 7 a 1 sofrida para o Zwolle (8ª rodada), pior derrota na história do time feminino de Amsterdã. Mas ela foi contrabalançada com as goleadas sobre Utrecht (8 a 0, 9ª rodada) e NAC Breda (5 a 1, 10ª rodada) - que tornaram as Ajacieden o melhor ataque do campeonato (35 gols!) e às levaram à liderança, com o jogo a menos que o Twente ainda tem. Mesmo assim, o Ajax tem plenas condições de voltar a ser campeão, com o time jovem e focado que mostra.

Os desafios aumentaram para o Twente manter sua sequência vencedora, mas Ravensbergen é um dos nomes que mantêm o atual bicampeão holandês em alta (Marcel ter Bals/DeFodi Images/DeFodi/ Getty Images)

2º - TWENTE

Pontuação e campanha: 23 pontos (7 vitórias, 2 empates e nenhuma derrota - um jogo a menos) 
Time-base: Lemey; Vliek, Knol, Carleer e Tuin; Groenewegen, Van Ginkel e Proost (Te Brake); Roord; Ivens (Oude Elberink) e Ravensbergen
Técnica: Corina Dekker
Destaques: Alieke Tuin (lateral esquerdo) e Jaimy Ravensbergen (atacante) 
Goleadora: Jaimy Ravensbergen (atacante), com 7 gols
Competição europeia: Liga dos Campeões (eliminadas na fase de grupos)
Comentário: Foi até engraçado de ver: na seleção da primeira metade da temporada divulgada pelas próprias mídias sociais do Campeonato Holandês feminino, o líder Ajax só tinha uma jogadora (Danique Noordman), contra três do Twente (Lieske Carleer, Alieke Tuin e Jaimy Ravensbergen). De certa forma, exemplifica bem como o poder das Tukkers é estabelecido na Vrouwen Eredivisie. Também, pudera: o técnico Joran Pot saiu - após a vitoriosa passagem -, entrou Corina Dekker, e as vitórias não pararam. Começou com o título da Supercopa da Holanda feminina, e continuou com as fases preliminares da Liga dos Campeões e as quatro primeiras rodadas da liga nacional. Até mesmo o primeiro tropeço na temporada deu razão para as Tukkers comemorarem: na primeira rodada da Liga dos Campeões, surpreender o Chelsea, semifinalista da Champions passada (1 a 1), foi uma prova de respeito. Claro, depois vieram algumas oscilações. No Campeonato Holandês, os empates contra Utrecht (1 a 1, 5ª rodada) e HERA United (0 a 0, 10ª rodada) permitiram a chegada de Ajax e PSV na disputa pela ponta. Na Champions, teria sido possível sonhar com avançar à segunda fase, caso fossem evitados tropeços como o visto contra o OH Leuven-BEL: o Twente vencia por 1 a 0, mas tomou a virada nos últimos dez minutos de jogo. 

De todo modo, há razões para otimism. Jill Roord, o mais badalado reforço da temporada, consegue ser a referência que se esperava: que o digam os 3 a 2 no Feyenoord (7ª rodada), um jogo difícil, que Roord decidiu com gol nos acréscimos. E o coletivo altamente entrosado - e seguro: é a defesa menos vazada, com 7 gols, ao lado do PSV - faz com que nomes novos despontem, como a zagueira Lieske Carleer e a volante Lynn Groenewegen, convocadas para a seleção feminina holandesa. Além disso, mantém os destaques em alta: Alieke Tuin voltou a render bem na lateral esquerda, ofensiva, e Jaimy Ravensbergen já se credencia a voos mais altos, seguindo como goleadora. O Twente pode até tropeçar no jogo a menos que ainda tem. Pode até ter no Ajax um fortíssimo e renovado adversário. Mas ele tem a experiência e um bom time, mais "cascudo", para tentar o tricampeonato. Ainda é favorito.

O PSV tem um time inegavelmente talentoso. Mas isso tem adiantado pouco, com tropeços sucessivos nos jogos decisivos (Photo Prestige/Soccrates/Getty Images)

3º - PSV

Pontuação e campanha: 22 pontos (7 vitórias, 1 empate e 2 derrotas - na frente pelo melhor saldo de gols)
Time-base: Evrard; Bross, Kemper-Moorhees, Chibani (Haentjens) e Frijns; Lacroix (Strik), Nijstad e Ripa; Rijsbergen, Jacobs (Renate Jansen) e Xhemaili
Técnico: Roeland ten Berge 
Destaques: Nina Nijstad (meio-campista) e Chimera Ripa (atacante)
Goleadora: Riola Xhemaili (meio-campista/atacante), com 9 gols
Competições europeias: Liga dos Campeões (eliminado pelo Manchester United-ING, na segunda fase preliminar) e Europa Cup (eliminado pelo Eintracht Frankfurt-ALE, nas oitavas de final)
Comentário: Sábado, 8 de novembro de 2025, 7ª rodada do Campeonato Holandês de mulheres. Num clássico na Johan Cruyff Arena, Ajax e PSV empatavam em 1 a 1. Era um resultado para o time de Eindhoven festejar e se fortalecer na disputa pela liderança, até que, nos acréscimos, um cruzamento da esquerda, a zagueira Myrthe Kemper-Moorhees tentou desviar... e cometeu o gol contra da vitória do Ajax (2 a 1). Tamanho azar simboliza o que tem sido esta temporada para o time de Eindhoven: bom nível técnico, capacidade para estar na disputa pela liderança e sonhar com o título da Vrouwen Eredivisie, mas na hora de "tirar o dez", na hora de se afirmar como merecedor de respeito, as Boeren fraquejam. Foi assim na Supercopa da Holanda, abrindo a temporada com derrota de virada para o Twente, após abrir 2 a 0 de vantagem. Foi assim na liga holandesa, na 4ª rodada, permitindo a vitória do Twente em casa (3 a 1, no estádio que agora tem até nome patrocinado). Foi assim na citada vitória do Ajax, na infelicidade de Kemper-Moorhees. Foi assim até na eliminação na Europa Cup: o PSV chegou a sonhar em vencer o jogo de ida em casa, mas permitiu a virada do Eintracht Frankfurt, que resolveu sua classificação posteriormente.

Talvez não precisasse ser assim, porque o PSV tem um time capacitado, bem organizado em campo. Se a questão são as novatas, a zagueira Anissa Chibani e a lateral Emma Frijns já ganham experiência com pouca idade. Se a questão é experiência, estão aí Melanie Bross, Liz Rijsbergen e a suíça Riola Xhemaili, das melhores jogadoras do campeonato - para nem falar de Renate Jansen, que ainda pode ser útil na última temporada de sua carreira. Se a questão é capacidade técnica, além de todas já faladas, saltam aos olhos Nina Nijstad e Chimera Ripa, duas das melhores jogadoras desta edição da Vrouwen Eredivisie, que voltam a ser cotadas para as convocações da seleção de mulheres dos Países Baixos. Entretanto, de nada adianta o talento ser visível se o PSV continua mal em horas decisivas. Que o diga o último tropeço de 2025: empate em 1 a 1 contra o Feyenoord, em casa. Tais resultados ruins acabam anulando o efeito de goleadas como os 5 a 0 no NAC Breda (5ª rodada) ou os 6 a 0 no Heerenveen (8ª rodada). Enfim: se o PSV quiser se credenciar como postulante ao título holandês feminino, tem de vencer os jogos decisivos. Até porque Feyenoord e Zwolle, embalados, estão à espreita. Quem sabe a veterana Shanice van de Sanden, chegando para o ataque, possa ajudar nisso.

O Feyenoord consolida o projeto de seu time feminino, e a boa campanha até aqui comprova isso em campo (Pim Waslander/Soccrates/Getty Images)

4º - FEYENOORD

Pontuação e campanha: 22 pontos (7 vitórias, 1 empate e 2 derrotas - atrás pelo pior saldo de gols)
Time-base: Dinkla (Weimar); Van Bentem (Van der Sluijs), Takeshige, Obispo e Brandau; Hulswit, Iwasaki e Van de Westeringh; Hulswit (Van de Lavoir), De Graaf (Van Kerkhoven) e Itamura
Técnica: Jessica Torny
Destaques: Mao Itamura (atacante) e Kirsten van de Westeringh (meio-campista)
Goleadora: Mao Itamura (atacante), com 5 gols
Competição europeia: nenhuma
Comentário: Talvez seja cedo falar em título, pelo menos na liga neerlandesa (na copa das mulheres, o Feyenoord está nas quartas de final). Mas certamente é possível dizer que o Feyenoord deu um salto importante na consolidação de seu time feminino, na quinta temporada dentro da primeira divisão. Enfim, o Stadionclub parece ter força para sonhar com mais do que o meio de tabela. Prestigiada mesmo em momentos ruins, como o mau início em 2024/25, a técnica Jessica Torny retribui com um time entrosado. Já é possível, por exemplo, decorar a linha de quatro defensoras: sempre são Tess van Bentem - ou Noëlle van der Sluijs, ponta-direita improvisada - na lateral direita, a japonesa Akari Takeshige (muito bem na temporada) e Celainy Obispo (experiente) como dupla de zaga, e Justine Brandau na lateral esquerda. Também favoreceu o bom rendimento de meio-campo e ataque: a dupla japonesa - Kokona Iwasaki, meio-campista, e Mao Itamura, atacante - chegou muito bem, Esmee de Graaf e Ella van Kerkhoven ajudam com gols, Kirsten van de Westeringh enfim dá seu talento ofensivo após sofrer com lesões de ligamento cruzado nos dois joelhos, nas duas últimas temporadas. Só assustou a lesão da goleira Jacintha Weimar, na reta final do ano passado - pelo menos, foi mais leve do que se supunha.

Até mesmo as derrotas mantêm algum ânimo para o Feyenoord seguir. Se o Ajax antes era capaz de golear o arquirrival no feminino, agora foi "só" 1 a 0 (2ª rodada). Contra o Twente, o time de Roterdã segurava o empate fora de casa, e só perdeu nos acréscimos (3 a 2, 7ª rodada). No mais, os resultados são promissores. Contra adversários do "mesmo tamanho" no feminino, vitórias: 2 a 1 no Utrecht, na 4ª rodada, e 4 a 1 no AZ, na 5ª rodada. Contra times menores, goleadas (como os 6 a 1 no Heerenveen, na 6ª rodada). E terminar 2025 empatando com o PSV, por 1 a 1, deixa a boa impressão de que o Feyenoord está ganhando corpo, para sonhar com objetivos mais ousados nas próximas temporadas. Até porque o vice-campeonato da seleção feminina holandesa no Mundial sub-17 de mulheres mostrou duas novatas reveladas no clube de Roterdã: a defensora Kim Rietveld e a meio-campista Jayda Vinckers.

A histórica goleada sobre o Ajax simboliza a boa campanha que o Zwolle faz (Jeroen van den Berg/Soccrates/Getty Images)

5º - ZWOLLE

Pontuação e campanha: 21 pontos (7 vitórias, nenhum empate e 3 derrotas)
Time-base: Szymczak; Dijsselhof, Rutgers, Lindner e Weiman; Pruim e Ishida; Roosjen, Van Vugt (Jonsdóttir) e Iedema; Huizenga
Técnico: Gert Peter van de Gunst 
Destaque: Hanna Huizenga (atacante)
Goleadoras: Judith Roosjen (meio-campista/atacante), Sophie van Vugt (meio-campista), Hanna Huizenga (atacante) e Ilvy Zijp (atacante), todas com 4 gols
Comentário: Diante de uma nascente tradição de ser time "revelador" de talentos (até de técnicos: foi no Zwolle que Olivier Amelink despontou para comandar a seleção feminina sub-20, quarta colocada no Mundial feminino da FIFA em 2024, e a seleção sub-17 de mulheres campeã europeia e vice-campeã mundial em 2025), os maus resultados na temporada passada haviam decepcionado. Por isso, era necessário fazer uma melhor campanha em 2025/26, para não perder terreno em relação a clubes com mais condições financeiras. É exatamente o que as Zwollenaren estão fazendo: com um time jovem, de nível aceitável para os (baixos) padrões da Eredivisie feminina, fazem campanha consistente a ponto de sonharem com a terceira colocação. 

O começo nem inspirava tanta confiança assim, com duas derrotas em três rodadas. Contudo, aos poucos nomes que chegaram, dentro da Eredivisie (a meia-direita Judith Roosjen, a atacante Lyanne Iedema) ou não (a islandesa Ragnheidur Jonsdóttir, a japonesa Chihiro Ishida), foram se entrosando com as remanescentes - a atacante Hanna Huizenga à frente -, e aumentaram o nível técnico das alviazuis em campo. Bastou para uma ótima sequência de cinco viórias seguidas, entre a 4ª e a 8ª rodadas, que culminou na maior surpresa da temporada até aqui, talvez o maior momento dos 16 anos de história do time de mulheres do Zwolle: os 7 a 1 no Ajax. Atípicos, sim. Mas com um time altamente eficiente, se aproveitando das chances e do maior costume ao gramado cheio de neve do MAC³Park Stadion para empilhar gols no atual líder, com Sophie van Vugt brilhando (três gols dela). Dali o Zwolle se catapultou para o meio da tabela. E quer continuar aproveitando este impulso. Por sinal, com mais uma revelação esperando sua vez: na reserva da goleira polonesa Oliwia Szymczak, está Maren Groothoff, destaque holandês no Mundial feminino sub-17 do ano passado, com defesas em cobranças de pênalti contra Estados Unidos e França.

A jovem Rosalie Renfurm pode ajudar o Utrecht a conseguir sair da inconstância e retomar a força no Campeonato Holandês feminino (Milan Rinck/Soccrates/Getty Images)

6º - UTRECHT

Pontuação e campanha: 14 pontos (4 vitórias, 2 empates e 3 derrotas)
Time-base: Bastiaen; Paliama, Weerelts, Op den Kelder e Koopman; Munsterman, Renfurm e Mahieu; Loonen, Tromp e De Keijzer
Técnica: Linda Helbling 
Destaque: Rosalie Renfurm (meio-campista)
Goleadora: Lobke Loonen (atacante), com 7 gols
Comentário: Se nas suas primeiras temporadas de Eredivisie feminina o Utrecht até ousou desafiar o trio Twente-Ajax-PSV, em 2025/26 o desempenho das Utregs é um pouco mais tímido. Não exatamente ruim, mas tímido. Até aqui, a equipe não conseguiu desenvolver uma sequência de vitórias que a embalasse na tabela: sempre intercala com derrotas ou empates. E pelo menos uma derrota depôs (até injustamente) contra o talento da equipe: os 8 a 0 sofridos para o Ajax, na 9ª rodada, "pagando" pela goleada que as Amsterdammers tinham sofrido para o Zwolle na rodada anterior. O time do Utrecht tem qualidades, principalmente no ataque, com o trio Lobke Loonen-Nikita Tromp-Lotje de Keijzer se responsabilizando pelos gols. Tem uma goleira muito ágil, na belga Femke Bastiaen. E tem vários nomes que despontaram na Holanda vice-campeã mundial feminina sub-17: a zagueira Aline Weerelts, a meio-campista Rosalie Renfurm, Bola de Bronze (terceira melhor jogadora) no torneio, e a veloz atacante Rochelity Dap. Elas podem ajudar o Utrecht, que tem um jogo a menos - a partida contra o ADO Den Haag, pela 8ª rodada, foi adiada pela neve - e pode recuperar terreno no meio da tabela. Só precisa conseguir uma sequência de vitórias.

Van Lunteren segue comandando o AZ em campo, mas está faltando um desempenho melhor (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images

7º - AZ

Pontuação e campanha: 12 pontos (3 vitórias, 3 empates e 3 derrotas)
Time-base: "Netty" Booms; Mol, Woons, Stoop e Caprino; De Vette, Van Lunteren e Van Uden (Van Bentum); Dessing, Ellouzi (Van Beijeren) e Kroese
Técnico: Wouter de Vogel 
Destaque: Desirée van Lunteren (meio-campista)
Goleadora: Desirée van Lunteren (meio-campista), com 10 gols
Competição europeia: nenhuma
Comentário: Igual ao Utrecht, mas um pouco pior: assim está o time de Alkmaar nesta temporada. Tem um time entrosado - que o diga a defesa, que da temporada passada para cá só teve a mudança de goleiras, de Femke Liefting para Trinette "Netty" Booms. Tem jogadoras talentosas, até jovens (como a atacante Fieke Kroese), todas comandadas pela meio-campista e capitã Desirée van Lunteren, seguindo na carreira após reativá-la. Porém, as Alkmaarders não conseguem uma sequência de resultados que as catapulte para mais perto de Feyenoord e Zwolle. E o "um pouco pior" da análise se justifica porque, se houve sequência, foi de derrotas: duas seguidas (Feyenoord 4 a 1, na 5ª rodada; PSV 2 a 0, na 6ª rodada). Mas o talento foi exemplificado numa goleada (8 a 1 no NAC Breda, na 8ª rodada). E assim como o Utrecht, o AZ também tem um jogo a menos. Ele é desafiador: afinal, o adversário será o Twente. Além do mais, uma opção relativamente experiente do grupo de jogadoras já não está mais disponível: a atacante Floor Jolijn Spaan decidiu parar com a carreira no futebol, pelo menos por enquanto. Mas a equipe de Alkmaar também precisa de uma boa sequência para se impulsionar na temporada.

O HERA United começou com os problemas esperados de um estreante na Eredivisie feminina, mas foi melhorando (Jeroen van den Berg/Soccrates/Getty Images)

8º - HERA UNITED

Pontuação e campanha: 7 pontos (1 vitória, 4 empates e 5 derrotas - na frente pelo melhor saldo de gols)
Time-base: Steen; Donker, Tanaka (Tiebie), Stoop e Daalman; Kleef, Kira, Khanchouch e Vis; Nottet (Lagcher) e Van Belen 
Técnico: Ed Engelkes 
Destaques: Chinatsu Kira (meio-campista) e Jannette van Belen (atacante)
Goleadora: Jannette van Belen (atacante), com 4 gols
Competição europeia: nenhuma
Comentário: Era até esperado que um time estreante na primeira divisão tivesse lá suas dificuldades para conseguir os resultados e se manter nela. E o HERA United já tem lá suas goleadas sofridas para amargar (PSV 4 a 0, na 3ª rodada; Ajax 5 a 0, na 6ª rodada). Porém, vale lembrar que o time de Amsterdã também conseguiu pontuar logo na primeira rodada, empatando com o AZ (2 a 2). E a campanha na primeira metade da temporada mostrou certa evolução. Houve a demora natural pela primeira vitória, mas afinal ela veio, contra um adversário direto contra o rebaixamento: 1 a 0 no ADO Den Haag (7ª rodada). Bem ou mal, pontuou-se contra os outros que tentam escapar das últimas posições (1 a 1 com o NAC Breda, na 4ª rodada, e com o Excelsior, na 9ª rodada). Algumas jogadoras despontaram, como a meio-campista Chinatsu Kira - bem desde que o time que defende o HERA United defendia o Telstar - e a atacante Jannette van Belen. E 2025 terminou com a equipe segurando um 0 a 0 contra o Twente, em casa. Se é só um começo, é um começo muito digno. Quem sabe melhore com as contratações que chegam, como as meio-campistas experientes Dominique Bruinenberg e Inessa Kaagman.

Evi Maatman (à frente) tenta ajudar, mas o Heerenveen precisa tomar cuidado (Pim Waslander/Soccrates/Getty Images)

9º - HEERENVEEN

Pontuação e campanha: 7 pontos (2 vitórias, 1 empate e 7 derrotas - atrás pelo pior saldo de gols)
Time-base: Badenhop (Resink); Nassette, Meijer, Vermeer e Van Vilsteren; Maass e Kerkhof; Algra, Kroezen e Altena (Boukakar); Maatman
Técnico: Niklas Tarvajärvi 
Destaque: Aymée Altena (atacante)
Goleadoras: Aymée Altena (atacante) e Evi Maatman (atacante), ambas com 3 gols
Competição europeia: nenhuma
Comentário: O Heerenveen até venceu mais do que os três últimos colocados: dois triunfos. Mas foram apenas contra adversários diretos na disputa para fugir do rebaixamento (1 a 0 no HERA United, na 5ª rodada; 2 a 0 no NAC Breda, na 9ª rodada). De resto, são algumas goleadas amargadas: os 4 a 1 do Ajax (4ª rodada), os 6 a 1 do Feyenoord (6ª rodada), os 6 a 0 aplicados pelo PSV (8ª rodada). Para a defesa, pior ainda foi a perda da goleira Jasmijn Resink, gravemente lesionada no cotovelo, precisando dar lugar à reserva Brenda Badenhop. Por mais que algumas jogadoras tenham talento, como as atacantes Aymée Altena - presente no vice-campeonato mundial sub-17 da Holanda (Países Baixos) - e Evi Maatman, o Heerenveen ronda as últimas posições com menos margem de evolução do que o Excelsior. Perdeu duas jogadoras até úteis no grupo, as meio-campistas Britt Udink (foi para o Zwolle) e Inessa Kaagman (foi para o HERA United). Numa palavra: o time da Frísia precisa tomar cuidado.

Isa Gomez, um dos raros nomes a conseguir fazer algo ofensivamente no Excelsior, que melhorou levemente (Jeroen van den Berg/Soccrates/Getty Images)

10º - EXCELSIOR

Pontuação e campanha: 5 pontos (1 vitória, 2 empates e 7 derrotas)
Time-base: Van der Klooster; Burgers, Westerink, Helderman e Cherif  (De With); Verheijen, Katelyn Hendriks, Gomez e Van der Vlist; Hilhorst e Homan
Técnico: Mathijs Kreugel 
Destaque: Katelyn Hendriks (meio-campista)
Goleadora: Katelyn Hendriks (meio-campista), com 4 gols
Competição europeia: nenhuma
Comentário: Diante das temporadas passadas, em que as vitórias demoravam tanto e deixavam o time de Roterdã na última posição, até que não está tão ruim: o triunfo já veio contra o Heerenveen (3 a 1, na 3ª rodada). Além do mais, a defesa faz o que pode: com certo entrosamento na linha de quatro defensoras - e até alguma capacidade, no caso da goleira Anouk van der Klooster e da lateral-direita June Burgers -, são "apenas" 20 gols sofridos. Menos do que o Utrecht. Porém, a falta de gols perturba o Excelsior: são só 10 gols feitos, o terceiro pior ataque da temporada. Pelo menos, não houve nenhuma goleada sofrida. E dois empates em 1 a 1 (contra HERA United e Excelsior) fecharam 2025. Mais aquela vitória em cima do Heerenveen, dão a leve esperança de que o Excelsior pode ficar mais seguro na segunda metade da temporada.

O NAC Breda, amargando mais um gol sofrido: as aurinegras têm dificuldade com as goleadas sofridas, somente com uma vitória (Photo Prestige/Soccrates/Getty Images)

11º - NAC BREDA

Pontuação e campanha: 4 pontos (1 vitória, 1 empate e 8 derrotas)
Time-base: De Haan; Heshof, Verhoef, Van Houwelingen, Van Goch e Heijblom; Coelho Aurélio, Kim Hendriks e Van Dalen; Franken e Van der Vliet. 
Técnico: Jan de Hoon 
Destaque: Brigitte Franken (atacante)
Goleadora: Brigitte Franken (atacante), com 3 gols
Competição europeia: nenhuma
Comentário: Também estreante, o NAC Breda feminino pode ser assemelhado ao masculino. Sobra esforço a ambos, mas a dificuldade é inegável. Para as Bredanaren, dificuldades até maiores: afinal, trata-se da estreia do time na primeira divisão de mulheres. E elas ficam claras nos problemas defensivos, que tornam o time aurinegro a defesa mais vazada desta Vrouwen Eredivisie (38 gols, 11 a mais do que a segunda defesa que mais gols tomou). Também, pudera: as goleadas se sucederam - Twente 6 a 0 na 2ª rodada, PSV 5 a 0 na 5ª rodada, Zwolle 4 a 0 na 6ª rodada, AZ 8 a 1 na 8ª rodada, Ajax 5 a 1 na 10ª rodada. E o ataque não consegue contrabalançar tantos gols sofridos, em que pese o esforço de Brigitte Franken, que marcou três gols - um deles, na única vitória na temporada, os 2 a 1 no Excelsior, pela 7ª rodada. Pouco, para um estreante. Esforço ajuda, mas não basta.

Floortje Bol, dos raros nomes a tentar animar o lanterna ADO Den Haag, combalido (Angelo Blankespoor/Soccrates/Getty Images)

12º - ADO DEN HAAG

Pontuação e campanha: 2 pontos (nenhuma vitória, 2 empates e 7 derrotas)
Time-base: Lorsheyd; Vonk, Van Mierlo (Pijnacker Hordijk), Koeleman e Blom; Mulder e Dupon; Remmers, Van Egmond (Henry) e Prins; Bol
Técnicos: Marten Glotzbach (até a 7ª rodada) e Sandra van Tol (interina, a partir da 8ª rodada) 
Destaque: Floortje Bol (atacante)
Goleadora: Senna Koeleman (zagueira), com 2 gols
Competição europeia: nenhuma
Comentário: Esta temporada está sendo igual àquela que passou, para o lamento do time de Haia. As dificuldades já vistas no 7º lugar da temporada passada foram ampliadas em 2025/26. Se o começo era até administrável (uma goleada por 6 a 0 sofrida para o Ajax, na estreia, e um empate em 2 a 2 com o Heerenveen, na segunda rodada), a sequência de cinco derrotas entre a 3ª e a 7ª rodadas deixou clara a fragilidade ofensiva do Den Haag - são só quatro gols marcados, o pior ataque de toda a liga. Deixou claros os problemas do time sob o comando do técnico Marten Glotzbach, sem conseguir achar alternativas mesmo com nomes de relativo talento, como as atacantes Anne van Egmond, Iris Remmers e Floortje Bol. E a gota d'água foi perder por 1 a 0 para o estreante HERA United, jogo que marcou a demissão de Marten Glotzbach. Sem achar outro(a) treinador(a), a interina Sandra van Tol vai ficando. Até houve mais um ponto ganho, no 1 a 1 com o Excelsior, na 10ª rodada. Mas o ADO Den Haag precisa melhorar urgentemente. Não só para evitar o rebaixamento, mas principalmente para que o clube, de tanta tradição no futebol feminino da Holanda (Países Baixos) - vale lembrar que de lá vieram Sarina Wiegman e Victoria Pelova -, reverta a sensação de que está ficando para trás.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Parada obrigatória: a história se repete

Como nas duas últimas temporadas, o PSV chegou à pausa de retorno com amplo domínio na liderança do Campeonato Holandês (ProShots/Getty Images)

Temporada 2023/24: chegou a pausa de inverno do Campeonato Holandês, e o PSV era líder destacado, após um primeiro turno com impressionantes 100% de aproveitamento, 17 vitórias em 17 jogos, indicando um título conquistado com certa facilidade - e de fato isso aconteceu, mesmo com derrotas no returno. Temporada 2024/25: chegou a pausa de inverno do Campeonato Holandês, e o PSV era líder destacado - daquela vez, com "apenas" nove pontos de vantagem, antes de sofrer com lesões, ver o Ajax superá-lo, abrir ele mesmo outros nove pontos de vantagem, sofrer uma incrível derrocada final, e ser superado pelo... PSV, que conseguiu reagir para o bicampeonato. Pois chegou a parada de inverno nesta temporada 2025/26, e adivinhem? A história se repete.

De novo, o PSV lidera a Eredivisie. E de novo, com facilidade: já são 11 pontos de vantagem na liderança para o time de Eindhoven. Dentro de campo, é até fácil explicar porque ocorre isso. Peter Bosz já tem três anos de trabalho, e obviamente consegue convencer o grupo de jogadores que tem a seguir sua linha. Por falar em jogadores, mesmo com as saídas que ocorrem a cada temporada (cenário típico com que o futebol holandês tem de lidar), alguns nomes mantêm uma base sólida e entrosada. Sergiño Dest, Mauro Júnior, Jerdy Schouten, Joey Veerman, Ismael Saibari, Guus Til: são seis nomes no PSV já há algum tempo. Sem dúvida, isso facilita o entrosamento, a criação de jogadas, a imposição de um jeito de jogar - e até de um time. Fora de campo, esse cenário de tranquilidade é possibilitado por uma dupla: Marcel Brands, diretor geral do clube, e Earnie Stewart, diretor de futebol, dois nomes que conseguem manter um trabalho consolidado.

Técnico prestigiado, time entrosado, diretoria tranquila: três fatores que facilitam o novo domínio dos Boeren. Ainda mais tendo em vista que o Feyenoord, que também começou bem e poderia ser o adversário mais cotado na disputa do título dos Países Baixos, está sofrendo com lesões aqui e ali, bem como com resultados decepcionantes e queda de produção na reta final do turno. E que o Ajax, que recomeçou do zero um trabalho, novamente pena com inconstâncias, maus resultados e um time de qualidade mediana. Tanto que o destaque desta Eredivisie, fora o PSV, é o NEC, que supera os clubes habituais do "subtopo" para ser ocupante digno da quarta posição, com um time muito ofensivo.

Como as lesões não pegaram o PSV de jeito (por enquanto...), como Joey Veerman preferiu não trocar o certo pela duvidosa negociação com o Fenerbahçe, como até os destaques ausentes têm data para voltar - Ismael Saibari e Anass Salah-Eddine logo retornarão da Copa Africana de Nações em que ainda estão com Marrocos... o Campeonato Holandês segue com o domínio dos Eindhovenaren. Que estão bem encaminhados para tentarem o tricampeonato. Mas se ele vier, será com facilidade, como em 2024, ou com  emoção na reta final, como em 2025? 

Só o returno mostrará - começaria nesta sexta, mas a neve nos Países Baixos forçou o adiamento de NEC x Utrecht, então será com os jogos de sábado (embora haja a possibilidade de adiamento). E como os 18 clubes estão no início dela, retomando a Eredivisie em 2026? Só clicar em cada um dos links abaixo para ver.


Parada obrigatória: NAC Breda

Sydney van Hooijdonk faz gols aqui e ali, só que o NAC Breda caiu de produção na reta final do turno. E está novamente ameaçado de queda, terminando 2025 jogado para a última posição (Marcel van Dorst/EYE4images/NurPhoto via Getty Images)

Posição: 18º lugar, com 13 pontos (3 vitórias, 4 empates e 10 derrotas)
Técnico: Carl Hoefkens
Time-base: Bielica; Valerius, Lucassen, Hillen e Kemper; Holtby, Balard e Leemans (Nassoh); Talvitie, Van Hooijdonk e Sowah
Maior vitória: NAC Breda 2x1 Fortuna Sittard (2ª rodada) e NAC Breda 2x1 Heracles Almelo (6ª rodada) 
Maior derrota: NEC 3x0 NAC Breda (3ª rodada)
Copa da Holanda: eliminado pelo Heracles Almelo, na primeira fase
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Sydney van Hooijdonk (atacante), com 5 gols
Objetivo do início: escapar do rebaixamento
Avaliação: O esforço está lá, o apoio da torcida também, mas de nada adianta se os resultados não ajudam. Para piorar, uma derrota para o Telstar, adversário direto, na última rodada de 2025, jogou o time de Breda na última posição. Só resta correr atrás de reforços, antes que a situação piore

O NAC Breda começou a temporada atual como terminara a passada: mostrando esforço, com a torcida aurinegra lotando os jogos no estádio Rat Verlegh... e pouca coisa mais. Já tinha sido assim em 2024/25, quando o clube se segurou na 15ª posição, a primeira com direito à salvação direta, vindo numa sequência de derrotas. Não foi bem o caso no começo da temporada: a derrota na estreia (Feyenoord 2 a 0, em Roterdã) foi seguida por um 2 a 1 no Fortuna Sittard. Contudo, outra vitória só viria na 6ª rodada - e contra adversário direto nas últimas posições: 2 a 1 no Heracles Almelo. Àquela altura, Carl Hoefkens apostava numa dupla de volantes no meio-campo. Um deles, um veterano que chegou com a temporada já iniciada: o alemão Lewis Holtby.

As coisas começaram a piorar na 12ª rodada, com outra derrota (Volendam 2 a 1). Ali, sim, começou uma sequência preocupante de derrotas. Até mesmo em atuações que poderiam ter melhor resultado, os aurinegros saíam de campo perdendo. Que o diga o 1 a 0 sofrido para o PSV, na 13ª rodada: o NAC atacou bastante, mas parou numa boa atuação do goleiro tcheco Matej Kovar - e na única chance que os visitantes de Eindhoven tiveram, Guus Til fez o gol único. Voltar a conquistar pontos, só na 16ª rodada, com o empate em 1 a 1 com o Utrecht. Talvez o sinal tenha deixado de ser amarelo para ser definitivamente vermelho no time de Breda na última rodada do turno e do ano passado: no jogo contra o Telstar, adversário direto contra o rebaixamento, os Bredanaren começaram pressionando, criaram chance, foram amainando, diminuindo o ritmo... e terminaram novamente derrotados, por 1 a 0, caindo para a última posição. Já correndo contra a pressão, anunciaram a contratação de outro veterano, o ganês André Ayew. É bom que o time retome a temporada vencendo. Esforço não é tudo.

Parada obrigatória: Heracles Almelo

Jizz Hornkamp bem que tentou ajudar o Heracles Almelo. Só que ele deixou o clube, o medo de rebaixamento continua, e a pressão seguirá sobre os Heraclieden (Wart Brinkerhof/Marcel ter Bals/DeFodi Images/DeFodi via Getty Images)

Posição: 17º lugar, com 14 pontos (4 vitórias, 2 empates e 11 derrotas) - atrás pelo pior saldo de gols
Técnico: Bas Sibum (até a 10ª rodada), Hendrie Krüzen (interino, entre a 11ª e a 14ª rodada) e Ernest Faber (a partir da 15ª rodada) 
Time-base: Jansink (De Keijzer); Te Wierik (Benita), Mirani, Van Hoorenbeeck (Van der Kust) e Mesik; Hrustic e Zamburek; Limbombe (Engels), Kulenovic e Ould-Chikh (Bruns); Hornkamp. 
Maior vitória: Heracles Almelo 8x2 Zwolle (11ª rodada)
Maior derrota: Heracles Almelo 0x7 Feyenoord (9ª rodada)
Copa da Holanda: enfrentará o Go Ahead Eagles nas oitavas de final
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Jizz Hornkamp (atacante), com 10 gols
Objetivo do início: escapar do rebaixamento/meio de tabela
Avaliação: Mais do que o rebaixamento em si, o medo da queda ainda é um trauma gigante em Almelo. Diante de um começo tão péssimo, até demorou a troca de técnico. E mesmo com a reação na reta final do turno, a reação definitiva ainda está demorando. E ainda se perdeu Jizz Hornkamp...

Mesmo após ter voltado à primeira divisão, em 2022/23, o Heracles Almelo ainda joga parecendo que está sob o trauma de um dos rebaixamentos mais surpreendentes dos últimos anos do futebol holandês. Nesta atual temporada, então... já começou com uma goleada sofrida na primeira rodada (Utrecht 4 a 0). Depois, mesmo em casa, o NEC fez mais 4 a 1, na segunda rodada. Seguiu com 2 a 0 sofridos para o Ajax, na 3ª. E de derrota em derrota, foram seis rodadas sem que os Heraclieden fizessem nenhum ponto. Até ali, um bode expiatório já fora "vitimado": o goleiro Fabian de Keijzer, perdendo a posição para Timo Jansink. E bem ou mal, a primeira vitória da temporada - 3 a 0 no Sparta Rotterdam, na 7ª rodada - poderia ser um sinal de vida. Sinal ilusório. Porque, na 8ª rodada, veio a derrota no clássico regional contra o Twente (2 a 1). Na 9ª rodada, então... a pior das derrotas, com o Feyenoord goleando por 7 a 0 em ritmo de treino. E na 10ª rodada, com o Volendam aplicando 3 a 0, foi demais para manter a paciência com o técnico Bas Sibum, trazido para a temporada atual, e enfim demitido.

Uma reação só começou na 11ª rodada, contra o Zwolle. Curiosamente, o time visitante fez 1 a 0 logo aos 9', e parecia que a via-crúcis seguiria. Mas de repente, Jizz Hornkamp fez três gols, e catapultou os Almelöers para a maior goleada da Eredivisie até agora (8 a 2). Bastou para uma sequência de duas vitórias. Bastou para Jizz Hornkamp se responsabilizar pelos gols, para algumas mudanças táticas (Alec van Hoorenbeeck entrou no miolo de zaga, por exemplo)... e os Heraclieden evoluíram. Contudo, pesava muito ser o pior saldo de gols da liga - consequência de ser a pior defesa, com 44 gols tomados. Assim, nem mesmo vencendo, o time conseguiu sair das últimas duas posições, que causam o rebaixamento direto. Pior: a reta final do turno e de 2025 não foi das melhores, com dois empates e duas derrotas. Pior ainda: destaque absoluto, agora Jizz Hornkamp partiu para o AZ. Caberá ao técnico Ernest Faber, e a um time cada vez mais pressionado pela torcida, tentarem diminuir o trauma de um rebaixamento passado. E jogar para longe o medo de um rebaixamento futuro.

Parada obrigatória: Volendam

Henk Veerman segue se esforçando para merecer a confiança que a torcida do Volendam tem nele, mas é necessário mais para escapar da queda (Andre Weening/BSR Agency/Getty Images)

Posição: 16º lugar, com 14 pontos (3 vitórias, 5 empates e 9 derrotas) - na frente pelo melhor saldo de gols
Técnico: Rick Kruys
Time-base: Van Oevelen; Payne, Amevor (Ugwu), Verschuren e Leliendal; Bukala e Yah; Oehlers, Kökcü e Kuwas; Veerman 
Maior vitória: Volendam 3x0 Heracles Almelo (10ª rodada)
Maiores derrotas: Go Ahead Eagles 3x0 Volendam (5ª rodada) e PSV 3x0 Volendam (14ª rodada)
Copa da Holanda: enfrentará o Sparta Rotterdam, nas oitavas de final
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Henk Veerman (atacante), com 4 gols
Objetivo do início: escapar do rebaixamento
Avaliação: Mesmo com um time entrosado, mesmo com bons resultados em seu estádio, mesmo até saindo das últimas posições vez por outra, os Volendammers terminaram 2025 em baixa, sofrendo com a falta de referências ofensivas

Foi até engraçado: na volta à primeira divisão, como campeão da segunda, o Volendam começou a temporada atual... sem ganhar nenhuma partida em quatro rodadas. Nem perder: foram quatro empates. Dois deles, aliás, animadores para a torcida: no seu próprio estádio, 2 a 2 contra o AZ (2ª rodada) e 1 a 1 com o Ajax (4ª rodada). Era um início que permitia ao técnico Rick Kruys aprimorar uma escalação já habitual, com uma dupla de volantes, um trio com muita velocidade nas pontas, e a aposta no veterano Henk Veerman para os gols. Aliás, tudo isso eram apostas. Que estão dando errado.

Em que pesem boas atuações - o melhor exemplo foi os 3 a 0 no Heracles Almelo, na 10ª rodada -, em que pesem os desempenhos dignos em casa (13º lugar, considerando apenas jogos no KRAS Stadion), faltam os gols: são só 19, em 17 rodadas - e o goleador, Veerman, só fez quatro vezes. Mesmo sem sofrer goleadas extravagantes como o Zwolle já sofreu, os Volendammers são os piores visitantes do campeonato (nenhum triunfo fora de casa) e venceram pouco: só três partidas neste primeiro turno. Tomaram derrotas até azaradas, como os 3 a 2 para o NEC (16ª rodada), quando perdiam por 2 a 1, empataram já nos acréscimos... e ainda neles tomaram mais um gol do NEC. Então, por mais que Henk Veerman se esforce, a "Outra Laranja" precisa voltar melhor no returno. Porque o Heracles Almelo mostra muita vontade de reagir, o NAC Breda também, o Zwolle tem mais opções defensivas, o esforço do Telstar é inegável... o perigo de fazer jus ao apelido de "Heen-en-Weer" (gíria para "clube ioiô", que sobe e desce entre divisões) é real.

Parada obrigatória: Telstar

Esta comemoração toda foi só por uma vitória. Mas a vitória que fez o Telstar passar a virada de ano fora da zona de rebaixamento da Eredivisie. Símbolo de um time muito esforçado (Marcel van Dorst/EYE4images/NurPhoto via Getty Images)

Posição: 15º lugar, com 15 pontos (3 vitórias, 6 empates e 8 derrotas)
Técnico: Anthony Correia
Time-base: Koeman Jr.; Neville Ogidi (Koswal), Offerhaus e Bakker; Noslin, Rossen, Owusu e Hardeveld; Van de Kamp, Hetli e Brouwer
Maior vitória: Telstar 4x2 Go Ahead Eagles (7ª rodada)
Maior derrota: Telstar 1x3 Fortuna Sittard (5ª rodada)
Copa da Holanda: enfrentará o Almere City (segunda divisão), nas oitavas de final
Competição europeia: nenhuma
Artilheiros: Jeff Hardeveld (ala esquerdo), Jochem Ritmeester van de Kamp (meio-campista), Patrick Brouwer (atacante) e Soufiane Hetli (atacante), todos com 4 gols 
Objetivo do início: escapar do rebaixamento
Avaliação: Mesmo com as dificuldades até óbvias para um estreante na primeira divisão holandesa, os Leões Brancos mostram inegável esforço, e já até surpreenderam. Com o "presente de Natal" de terminar 2025 fora da zona de repescagem/rebaixamento, deixam o recado: não se entregarão sem luta

Só de voltar à primeira divisão, após 47 anos, o Telstar já era considerado um clube que passaria a temporada inteira do Campeonato Holandês tentando não cair. Este seria o seu "título". Ver as três primeiras rodadas já davam duas impressões: tratava-se de uma equipe altamente esforçada (contra o Ajax, na estreia, chutou até mais a gol do que os Amsterdammers), mas seria difícil conseguir a permanência, com duas derrotas e um empate. Pois bem: os "Leões Brancos" começaram a mudar isso do melhor jeito possível. Na 4ª rodada, fora de casa, contra o atual bicampeão PSV, uma vitória por 2 a 0 já se garantiu como uma das maiores zebras da temporada. Mas não ficou só nisso: ao esforço habitual dos jogadores, se somou um toque de qualidade técnica, com a chegada do emprestado Jochem Ritmeester van de Kamp ao meio, mais o esquema com três zagueiros, permitindo o avanço de Jeff Hardeveld na esquerda.

E assim o Telstar seguiu. Sofrendo muito (entre a 5ª e a 10ª rodadas, cinco derrotas), amargando ser o pior mandante da competição, mas vendo uma defesa saltar aos olhos, com o goleiro Ronald Koeman Jr. fazendo algumas atuações notáveis, com boas intervenções. A partir da 11ª rodada, ao empatar em 2 a 2 com o Excelsior, começou uma onda de empates - cinco, até a 16ª rodada, com destaque para os 2 a 2 com o NEC, na 16ª rodada. Pelo menos, a sequência rendia pontos e permitia ao time conter a reação do lanterna Heracles Almelo e, por quê não, sonhar em superar NAC Breda e Volendam, ambos também ameaçados. Eis que na última rodada de 2025, antes mesmo do Natal, o time foi buscar seu "presente": em jogo direto contra as últimas posições, pegando o NAC Breda fora de casa, o Telstar aguentou a pressão do time da casa, foi contragolpeando aos poucos... e na reta final, fez o gol da vitória por 1 a 0. Vitória que o tirou até da zona de repescagem/rebaixamento: o time terminou o ano em 15º lugar, a primeira posição salva diretamente. Vitória comemorada como se fosse o "título" particular. E que deixou claro: o Telstar pode até cair, poderá seguir sufocado até o último minuto... mas vai se esforçar para ficar na Eredivisie. Ah, vai.

Parada obrigatória: Zwolle

Koen Kostons faz os gols que ajudam o Zwolle a minorar os problemas defensivos e manter o perigo de rebaixamento sob controle. Pelo menos, por enquanto (Dennis Bresser/BSR Agency/Getty Images)

Posição: 14º lugar, com 19 pontos (5 vitórias, 4 empates e 8 derrotas) - atrás pelo pior saldo de gols
Técnico: Henry van der Vegt
Time-base: De Graaff; Aertssen, Graves, MacNulty e Floranus; Monteiro, Oosting e Ryan Thomas; Shoretire (Mbayo), Kostons e De Rooij
Maior vitória: Telstar 0x2 Zwolle (2ª rodada)
Maior derrota: Feyenoord 6x1 Zwolle (15ª rodada)
Copa da Holanda: eliminado pelo AZ, na segunda fase
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Koen Kostons (atacante), com 8 gols
Objetivo do início: meio de tabela/escapar do rebaixamento
Avaliação: Mesmo sofrendo com uma defesa frágil, os Zwollenaren contam com um ataque confiável o bastante para sonharem em desgarrar da disputa contra a repescagem/rebaixamento e subirem ao meio de tabela

Primeira rodada, 1 a 0 no Twente, em casa; na segunda rodada, 2 a 0 no Telstar, que voltava à Eredivisie. Pelo bom começo, a torcida dos Zwollenaren começou a sonhar com uma temporada mais tranquila. O sonho acabou no jogo seguinte, quando o Utrecht fez 2 a 0. Começava ali uma sequência duríssima para os "Dedos Azuis": entre agosto e novembro, pelo Campeonato Holandês, foram seis derrotas e três empates, descontado o "respiro" do avanço na primeira fase da Copa da Holanda. Só o fato de haver equipes sofrendo ainda mais é que explica o fato do Zwolle só ter estado na zona de repescagem/rebaixamento em duas rodadas - e ainda assim, na 16ª rodada, a posição da repescagem. Bem, não é só isso, a bem da verdade. 

A defesa do Zwolle é frágil, verdade: mesmo com os jogadores habituados - a torcida já decorou: Tom de Graaff no gol, e a linha de quatro com Oliver Aertssen, Simon Graves, Anselmo García MacNulty e Sherel Floranus, nesta ordem -, trata-se da segunda zaga mais vazada desta Eredivisie (38 gols, só melhor que a defesa do Heracles Almelo). Entretanto, o meio-campo e o ataque têm nomes que não são de todo ruins. O meia-direita Jamiro Monteiro irá à Copa do Mundo, titular de Cabo Verde que é; e o atacante Koen Kostons tem uma marca razoável, com oito gols no campeonato, sendo satisfatório como referência no trio de ataque. Contudo, já são pelo menos duas goleadas pesadas sofridas (uma delas, contra adversário direto para fugir da queda: o Heracles Almelo aplicou 8 a 2 nos Zwollenaren, na 11ª rodada, enquanto Ayase Ueda fez quatro gols para o Feyenoord castigar com 6 a 1, na 15ª rodada). E entre o ataque que permite algumas vitórias predominantemente em casa e a defesa fraca, o Zwolle ainda consegue escapar das últimas posições. Até quando?

Parada obrigatória: Go Ahead Eagles

Milan Smit fez um gol ou outro, mas isso é insuficiente para fazer o Go Ahead Eagles superar os desgastes que tem encarado durante a temporada (Jeroen van den Berg/Soccrates/Getty Images)

Posição: 13º lugar, com 19 pontos (4 vitórias, 7 empates e 6 derrotas) - na frente pelo pior saldo de gols
Técnico: Melvin Boel
Time-base: De Busser; Deijl, Van Zwam (Nauber), Kramer e James (Adelgaard); Meulensteen e Linthorst (Salah Rahmouni); Margaret (Breum), Goudmijn (Edvardsen) e Suray; Smit.
Maior vitória: Go Ahead Eagles 3x0 Volendam (5ª rodada)
Maiores derrotas: Telstar 4x2 Go Ahead Eagles (7ª rodada) e Heracles Almelo 4x2 Go Ahead Eagles (13ª rodada)
Copa da Holanda: enfrentará o Heracles Almelo, nas oitavas de final
Competição europeia: Liga Europa (28º colocado na fase de liga)
Artilheiro: Mathis Suray (meio-campista), com 6 gols
Objetivo do início: meio de tabela/vaga de repescagem pela Conference League
Avaliação: Sofrendo com lesões aqui e ali, sem ter no estádio De Adelaarshorst o "caldeirão" que foi, oscilante demais, desgastado com os jogos da Liga Europa: o Go Ahead Eagles inspira cuidados nesta Eredivisie

Seria até esperado ver uma espécie de "ressaca" no Go Ahead Eagles, após uma temporada histórica em 2024/25, com o título da Copa da Holanda como ápice. De certa forma, é o que acontece. Mas talvez o começo de temporada já sinalizasse que cuidados são necessários, porque a primeira vitória veio somente na 5ª rodada da Eredivisie (3 a 0 no Volendam). Até ali, foram três empates e uma derrota - em casa (o Sparta Rotterdam fez 3 a 0 em Deventer). Aliás, só o desempenho mais frágil no estádio De Adelaarshorst - o Go Ahead é só o nono mandante da Eredivisie - já exemplifica a queda técnica que o time aurirrubro vive. Até porque certos ajustes precisaram ser feitos. Principalmente na defesa: com o alemão Gerrit Nauber fora por grave lesão na perna, ora o técnico Melvin Boel coloca o jovem Giovanni van Zwam, ora recua Melle Meulensteen. Mas ainda não houve uma decisão firme sobre como joga a defesa das Águias.

Se houve momentos em que o "Kowet" evocou a máquina competitiva que incendiava a torcida na temporada passada, foi somente quando conseguiu a grande surpresa de vencer o Aston Villa, na Liga Europa (aliás, só manter chances de classificação à segunda fase - é o único holandês em condições um pouco melhores disso - já mostra como a campanha do time é digna), e quando venceu o Feyenoord na Eredivisie (2 a 1, 12ª rodada). Essas duas façanhas foram conseguidas quando os nomes de meio-campo/ataque não só foram fixos - Richonell Margaret e Mathis Suray nos lados, Kenzo Goudmijn criando as jogadas, Milan Smit finalizando -, como também jogaram bem. Falta mais isso ao Go Ahead Eagles: superar o cansaço. Senão, não só o sonho possível da Liga Europa se acabará, como será necessário olhar cautelosamente para as últimas posições do Campeonato Holandês. Até porque o time já não vence pela Eredivisie desde a 12ª rodada em que superou o Feyenoord (três empates e duas derrotas)...

Parada obrigatória: Excelsior

O Excelsior teve péssimo começo, e não se pode considerar plenamente recuperado ainda. Mas momentos como a vitória contra o Ajax, empurrado por Naujoks (foto), animam para que o time se segure na Eredivisie (Ben Gal/BSR Agency/Getty Images)

Posição: 12º lugar, com 19 pontos (6 vitórias, 1 empate e 9 derrotas) - um jogo a menos
Técnico: Ruben den Uil
Time-base: Van Gassel; Bronkhorst, Widell, Meissen e Zagré; Carlén e Naujoks; Sanches Fernandes, Yegoian e De Regt; Van Duinen (Bergraaf)
Maiores vitórias: Volendam 1x2 Excelsior (6ª rodada), Ajax 1x2 Excelsior (13ª rodada) e Excelsior 2x1 Zwolle (17ª rodada)
Maior derrota: NEC 5x0 Excelsior (1ª rodada)
Copa da Holanda: eliminado pelo Excelsior Maassluis (terceira divisão), na primeira fase
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Noah Naujoks (meio-campista), com 5 gols
Objetivo do início: escapar do rebaixamento
Avaliação: Os Kralingers começaram a temporada, de fato, tentando escapar das últimas posições. Chegaram até a ser lanternas, mesmo. Porém, com o ataque fazendo algumas boas partidas (e uma vitória histórica sobre o Ajax), o time de Roterdã ensaia subir para tentar se estabilizar no meio de tabela

Até agora, a história do Excelsior neste Campeonato Holandês é de uma reação ainda cercada de dificuldades. A começar pela primeira rodada: nela, sofreu 5 a 0 do NEC. Era só o começo para um time que perdeu as três primeiras rodadas, ficando entre a última e a penúltima posições (ambas, causando o rebaixamento). Só deu sinal de vida na quarta rodada: venceu o Twente (1 a 0), viu Heracles Almelo e Heerenveen caírem para as duas últimas posições e foi para a 16ª posição, que ainda garante uma "segunda chance" na repescagem. Não melhorava muito, mas já era um pouco mais confortável. Ainda que nada fosse garantido, como lembram duas derrotas na 7ª (PSV 2 a 1) e 8ª (Heerenveen 2 a 1) que jogaram os Kralingers de volta à penúltima posição. Também, pudera: se defensivamente até que o Excelsior está se aguentando - 27 gols sofridos, menos do que o NEC, quarto colocado -, trata-se do pior ataque do campeonato até agora, somente tendo 16 gols em 17 rodadas.

Até curioso, porque nomes como Gyan de Regt têm lá sua técnica. Jerolldino Bergraaf, mais veloz, começou até a ser experimentado no ataque. Contudo, momentos como a eliminação para o homônimo Excelsior - só que da cidade de Maassluis, na terceira divisão - deixavam claro que as dificuldades seguiam ali. Se houve um momento em que o Excelsior ganhou mais autoconfiança, e até fez história, ele veio na 13ª rodada, sem dúvida: com altíssima eficiência nos contra-ataques, os Kralingers fizeram 2 a 1 no Ajax em plena Johan Cruyff Arena, vencendo o time de Amsterdã fora de casa pela primeira vez na história do Campeonato Holandês. Se tivesse ficado só nisso, já seria algo para a torcida se lembrar. Ficou melhor ainda com duas vitórias sobre outros dois times que tentam escapar das últimas posições (1 a 0 no NAC Breda, na 14ª rodada, e 2 a 1 no Zwolle, na 17ª). Foi aí que o Excelsior se desgarrou um pouco das três últimas posições, ficando no 12º lugar, com um jogo a menos. Será difícil ganhar do AZ, mas se conseguir - e retomar a campanha mantendo a reação -, a equipe terá esperanças de que seu final de Eredivisie não será difícil como foi o começo.

Parada obrigatória: Fortuna Sittard

Ihattaren está aproveitando sua chance. E o Fortuna Sittard, embora inconstante na temporada, tem qualidades e tem algum tempo para reagir (Joris Verwijst/BSR Agency/Getty Images)

Posição: 11º lugar, com 21 pontos (6 vitórias, 3 empates e 8 derrotas)
Técnico: Danny Buijs
Time-base: Branderhorst; Ivo Pinto, Márquez, Adewoye e Dahlhaus; Brittijn e Fosso; Lonwijk (Limnios), Ihattaren e Peterson; Sierhuis
Maior vitória: Fortuna Sittard 4x3 AZ (17ª rodada)
Maior derrota: PSV 5x2 Fortuna Sittard (11ª rodada)
Copa da Holanda: eliminado pelo Almere City (segunda divisão), na segunda fase
Competição europeia: nenhuma 
Artilheiro: Kaj Sierhuis (atacante), com 5 gols
Objetivo do início: meio de tabela/escapar do rebaixamento
Avaliação: Ainda falta algo ao time de Sittard. Mas, com bom desempenho ofensivo (e um destaque indubitável, Ihattaren), os Fortunezen têm chance de se firmarem de vez no returno

Abrindo a temporada 2025/26 com um empate com o Go Ahead Eagles - 2 a 2, no primeiro jogo do campeonato -, o Fortuna Sittard terminou aquela rodada até mesmo na zona de repescagem pela vaga na Conference League. Só que era, obviamente, cedo demais para ver até onde o clube de Sittard poderia ir. E o decorrer do primeiro turno mostrou mais uma equipe de altos e baixos. Que tinha a seu lado um trabalho já afirmado do técnico Danny Buijs - já é sua terceira temporada no comando dos Fortunezen. Até por isso, o time já tinha uma formação tática muito consolidada, assim como os nomes (basta dizer que o goleiro Mattijs Branderhorst é quem mais minutos em campo nesta temporada, entre todos os times). Contudo, não havia uma sequência de resultados que o catapultasse para cima - nunca o Fortuna conseguiu mais de duas vitórias seguidas. Para a sorte dele, nem para baixo: também não sofreu mais de duas derrotas seguidas.

Além do mais, para o nível técnico do Campeonato Holandês, até que o ataque dos Fortunezen é aceitável, com nomes como Justin Lonwijk, Kristoffer Peterson, Kaj Sierhuis (este ganhou a sequência de jogos de que precisava, após a grave lesão no joelho em 2024)... e Mohamed Ihattaren. Este merece destaque: após tanto sofrer com problemas de saúde física e mental, deixando a Juventus e parecendo até perto de largar o futebol, o ponta-de-lança já mostrara certa reação na passagem pelo RKC Waalwijk, em 2024/25. Ihattaren foi contratado pelo Fortuna (preferia ficar na Eredivisie), e até agora, sai plenamente a contento, criando jogadas e sempre tentando aparecer. Talvez, até demais: em certo jogo, Ihattaren até reclamou que os colegas não lhe passavam a bola. Coletivamente, em alguns momentos o Fortuna até teve incrível azar: na 15ª rodada, chegou a jogar melhor do que o Ajax, mas dois gols contra impuseram a derrota em casa (3 a 1). Pelo menos, 2025 terminou melhor, com uma ótima vitória de virada, fazendo 4 a 3 no AZ e se firmando no meio de tabela. Se se aprumar e se os destaques ofensivos seguirem bem, quem sabe o Fortuna Sittard possa sonhar com coisa até melhor.

Parada obrigatória: Sparta Rotterdam

O goleiro Drommel tem feito o seu papel. Mas o Sparta Rotterdam precisa crescer também no ataque para poder aspirar a mais coisas nesta temporada (Broer van den Boom/BSR Agency/Getty Images)

Posição: 10º lugar, com 23 pontos (7 vitórias, 2 empates e 8 derrotas) - atrás pelo pior saldo de gols
Técnico: Maurice Steijn 
Time-base: Drommel; Sambo (Bakari), Young, Quintero (Martins Indi) e Van Aanholt (Kleijn); Kitolano e Baas (Duijvestijn); Mito, Clement (Toornstra/Santos) e Van Bergen (Oufkir); Lauritsen
Maior vitória: Go Ahead Eagles 0x3 Sparta Rotterdam (3ª rodada)
Maior derrota: PSV 6x1 Sparta Rotterdam (1ª rodada)
Copa da Holanda: enfrentará o Volendam, nas oitavas de final
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Tobias Lauritsen (atacante), com 8 gols
Objetivo do início: play-offs por vaga na Conference League/meio de tabela
Avaliação: De um jeito ou de outro, o Sparta vai cumprindo seu objetivo até aqui. Só precisa ser mais regular. E, talvez, mais ofensivo, porque seu destaque até agora é o goleiro Joël Drommel

Para um time que chegou a voltar às posições perto de repescagem/rebaixamento na temporada passada, começar esta temporada 2024/25 do Campeonato Holandês sendo goleado pelo atual bicampeão PSV (6 a 1, fora de casa) não era o melhor dos augúrios. Pelo menos, isso foi seguido por duas vitórias (2 a 1 no Utrecht e, mais notavelmente, 3 a 0 no Go Ahead Eagles, fora de casa). Por esse começo, aí, sim, os sinais do que têm sido os Spartanen nesta Eredivisie foram mais sólidos. De um lado, há uma defesa que muda em alguns nomes, mas só tem real segurança mesmo no goleiro Joël Drommel, dos melhores desta posição no campeonato. Na lateral direita, o comorense Saïd Bakari perdeu o lugar paulatinamente para o curaçauense Shurandy Sambo; no miolo de zaga, se alternaram Marvin Young, o venezuelano Teo Quintero e até o veterano Bruno Martins Indi. No meio-campo e no ataque, até há jogadores com boas atuações - Ayoni Santos, Ayoub Oufkir, o sempre confiável Tobias Lauritsen -, mas ninguém que catalise uma reação coletiva do time.

Por isso, o Sparta ainda patina na temporada. Conseguiu bons resultados, é verdade (quase venceu o Ajax na 8ª rodada, tomando o empate em 3 a 3 nos acréscimos), mas também teve maus momentos (por exemplo, no clássico citadino, levou 4 a 0 do Feyenoord, em casa, na 4ª rodada). A inconstância também se nota nas estatísticas. Trata-se do quinto melhor visitante e do terceiro pior mandante da Eredivisie. Nos gols a favor, é o terceiro pior ataque, com somente 18 gols marcados; nos gols contra, a terceira pior defesa, com 31 sofridos. O pior é que, no ataque, terá de se remodelar sem o promissor Oufkir, que se transferiu para o AZ ainda antes de 2025 acabar. Por tudo isso, mesmo já tendo frequentado a zona que leva aos play-offs pela vaga holandesa na Conference League, o Sparta Rotterdam não conseguiu ficar nela. Está no meio de tabela. Mas precisa de mais regularidade e de crescimento no ataque, para que o goleiro Joël Drommel não seja tão exigido a cada rodada.

Parada obrigatória: Heerenveen

O Heerenveen teve medo no começo de temporada, mas conseguiu se aprumar a tempo e terminou a primeira parte da temporada com uma boa sensação (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Posição: 9º lugar, com 23 pontos (6 vitórias, 5 empates e 6 derrotas) - atrás pelo pior saldo de gols
Técnico: Robin Veldman
Time-base: Klaverboer; Braude, Kersten, Willemsen (Hopland) e Zagaritis; Van Overeem e Linday (Meerveld); Trenskow, Brouwers e Rivera; Vente (Sejk)
Maiores vitórias: Sparta Rotterdam 0x3 Heerenveen (16ª rodada) e Heracles Almelo 0x3 Heerenveen (17ª rodada) 
Maiores derrotas: Fortuna Sittard 2x0 Heerenveen (12ª rodada) e Heerenveen 0x2 PSV (15ª rodada) 
Copa da Holanda: enfrentará o RKC Waalwijk (segunda divisão), nas oitavas de final
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Jacob Trenskow (atacante) e Dylan Vente (atacante), ambos com 6 gols
Objetivo do início: meio de tabela/vaga nos play-offs pela Conference League
Avaliação: O Fean reagiu paulatinamente, após um mau começo. Com os reforços se encaixando e atendendo o que se esperava deles, mais duas vitórias na Eredivisie para terminar 2025, as expectativas da torcida foram aumentadas para o returno

O Heerenveen é mais uma equipe que tem sofrido nas temporadas recentes do Campeonato Holandês. Não sofre exatamente com ameaças de rebaixamento - embora, de vez em quando, olhe para as posições baixas da tabela -, mas também deixa a torcida com a incômoda impressão de que poderia render mais em campo. Quando a temporada começou, o alarme foi grande: nas cinco primeiras rodadas, três derrotas e dois empates. Pelo menos no time do Fean, um nome famoso virou bode expiatório: recomeçando como titular nesta temporada, o goleiro Andries Noppert (titular da Holanda na Copa de 2022, sempre vale lembrar) voltou ao banco de reservas que anda frequentando desde 2023. A primeira vitória na temporada - 3 a 2 no badalado NEC, na 6ª rodada - foi amplamente comemorada. Não só pelos jogadores, mas também pelo técnico Robin Veldman, que é cria do clube da região da Frísia (começou a treinar nas categorias de base, para depois seguir carreira em outros lugares), mas já estava pressionado, porque o time estava na penúltima posição àquela altura.

Se o Heerenveen não embalou definitivamente desde então, foi subindo paulatinamente. Entre a 7ª e a 11ª rodadas, foram três empates (um deles contra o Ajax, em Amsterdã - 1 a 1, na 11ª rodada) e duas vitórias. Alguns nomes começaram a superar as desconfianças do começo da temporada: o meia-direita Jacob Trenskow, o meio-campo Joris van Overeem - bem, como volante -, o recuperado ponta-de-lança Luuk Brouwers, o atacante Dylan Vente. Se houve preocupação com duas derrotas (tomar 2 a 1 do Zwolle, na 14ª rodada, e ver o PSV ser eficiente e fazer 2 a 0, na rodada seguinte), o time da Frísia encerrou 2025 com duas vitórias fora de casa - dois 3 a 0, no Sparta Rotterdam e no Heracles Almelo, avançando à nona posição na tabela. De quebra, no meio delas, eliminou o Feyenoord da Copa da Holanda, fazendo 3 a 2 em pleno De Kuip. E deixou a torcida com a positiva impressão de que o pior já passou. Uma boa retomada de Eredivisie não só confirmará isso, como também deixará o Heerenveen com a sensação de que é possível voltar à repescagem por vaga na Conference League.