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quinta-feira, 9 de outubro de 2025

De ponto em ponto

Coube a Gakpo tranquilizar uma Holanda que, novamente, jogou mal. Mas pelo menos goleou, e se mantém perto da Copa de 2026 (ProShots)

Impossível dizer que a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) jogou bem: houve falhas, houve até riscos corridos do que seria um vexame contra Malta, que jamais marcou um gol na Laranja em oito partidas até agora. Só que também é impossível dizer que a Laranja jogou irremediavelmente mal e nada presta. Pelo menos, no segundo tempo, em campo, os gols rápidos deram alguma segurança ao time neerlandês, que no fim conseguiu uma goleada nas Eliminatórias da Copa de 2026. Se o time estivesse melhor, a goleada poderia ser maior. De todo modo, o placar por 4 a 0 é considerável, e aumenta um pouco o conforto no saldo de gols, primeiro critério de desempate do grupo. Trocando em miúdos: se não houver mais nenhum susto, a Holanda tem tudo para se garantir direto na Copa. 

Contudo, repita-se: as falhas de concentração seguiram na equipe neerlandesa. Que o diga o enorme susto visto aos dois minutos de jogo em Ta'Qali: Virgil van Dijk recuou errado (o goleiro Bart Verbruggen estava mal posicionado), Joseph Mbong dominou, e a Holanda só não ficou atrás no placar porque Mbong chutou para fora. Susto assimilado, pelo menos logo a Laranja - jogando de azul - passou a rondar mais o ataque. Porém, com tudo focado num só jogador: Cody Gakpo. Foi ele quem criou a primeira chance, aos 10'. Foi ele quem fez o primeiro gol, aos 12', num lance em que o juiz croata Duje Strukan se atrapalhou: Ryan Gravenberch (que começou bem o jogo) foi derrubado pelo volante Matthew Guillaumier, a bola sobrou para Wout Weghorst bater para o gol, só que Strukan se esqueceu do estereótipo do futebol - "jogada de pênalti e gol, é gol" - e manteve a marcação do pênalti. Pelo menos, confusão encerrada, Gakpo acertou. Assim como quase acertou aos 14', mandando a bola na trave. Depois, aos 22', o terceiro gol quase saiu duas vezes: primeiro num chute de Gravenberch, depois, num voleio de Micky van de Ven, para fora.

Mas nada disso apagava algumas falhas persistentes, e até irritantes, da Holanda em campo. De novo, pela direita, a dupla Denzel Dumfries-Jeremie Frimpong negava fogo: nem Dumfries atacava, e nem Frimpong (embora mais com a bola nos pés) trazia grande perigo aos malteses, que bloqueavam espaços para chutes. Pior: Gravenberch e Tijjani Reijnders, embora aparecessem muito no meio, quase sempre "esperavam a bola no pé", eram lentos nas divididas. Pior ainda: a lentidão na recomposição defensiva até abria espaços para Malta sonhar com o empate, em contra-ataques. No mais ofensivo deles, aos 34', Alexander Satariano carregou a bola até o ataque, passou para Ilyas Chouaref, e o chute só não trouxe consequências porque Dumfries, que voltou rápido, afastou de peito para escanteio. Certo, alguns lances de ataque poderiam ter trazido tranquilidade aos Países Baixos - como aos 38', num pênalti que Weghorst "ganhou no grito", mas que o VAR mostrou ser inexistente (a bola até bateu no braço do zagueiro Enrico Pepe, mas ele estava perto demais do corpo). Ainda assim, a Holanda novamente desagradava. 

Caso o segundo gol demorasse a sair no segundo tempo, poderia desagradar ainda mais. Pelo menos, bastou um minuto e cinquenta e dois segundos para que o terceiro pênalti do jogo fosse o segundo confirmado: Weghorst foi agarrado na área (aí, sem questionamentos), e Gakpo acertou sua segunda cobrança no jogo. Com uma vantagem menos magra, as chances começaram a aparecer para a Laranja: Weghorst cabeceando para fora aos 49', Frimpong forçando o goleiro maltês Henry Bonello a rebater chute colocado aos 53'... e o próprio Bonello, errando na saída de bola com os zagueiros, "entregou" o terceiro gol dos visitantes em Ta'Qali, aos 56', com Gakpo dominando e passando para Reijnders fazer 3 a 0.

Memphis Depay entrou durante o segundo tempo e ainda conseguiu seu gol (Alberto Pizzoli/AFP/Getty Images)

Só aí Ronald Koeman pôde trocar alguns jogadores. Se continuava com algum espaço para tentar o gol de honra - principalmente pelas pontas -, Malta tropeçava na pouca técnica. Chances mesmo, só holandesas: Bonello espalmou cabeceio de Dumfries aos 79’, Memphis Depay (que entrou no meio da etapa final) bateu rente à trave esquerda aos 88', segundos depois Donyell Malen finalizou para fora, com desvio num defensor de Malta... e houve tempo, nos acréscimos, para Memphis completar cruzamento de Dumfries e fazer 4 a 0.

Uma goleada que não matou as críticas (justas) à atuação dos Países Baixos. Mas que, pelo menos, cumpriu a tarefa. De gol em gol, de ponto em ponto, a Laranja segue perto da Copa. Só não pode ser relaxada no próximo domingo, contra a Finlândia, adversária mais exigente do que Malta...

Eliminatórias para a Copa de 2026 - Europa - Grupo G

Malta 0x4 Holanda
Data: 9 de outubro de 2025
Local: Estádio Nacional (Ta'Qali)
Juiz: Duje Strukan (Croácia)
Gols: Cody Gakpo, aos 12' e aos 49', Tijjani Reijnders, aos 56', e Memphis Depay, aos 90' + 3

MALTA
Henry Bonello; Juan Corbalan, Kurt Shaw, Enrico Pepe e Ryan Camenzuli; Matthew Guillaumier e Alexander Satariano (Yannick Yankam, aos 73'); Joseph Mbong (Adam Overend, aos 73'), Teddy Teuma (Kemar Reid, aos 84') e Ilyas Chouaref (Jodi Jones, aos 84'); Irvin Cardona (Basil Tuma, aos 87'). Técnico: Emilio de Leo

HOLANDA
Bart Verbruggen; Denzel Dumfries, Jurriën Timber, Virgil van Dijk e Micky van de Ven (Quilindschy Hartman, aos 84'); Tijjani Reijnders, Frenkie de Jong (Justin Kluivert, aos 67') e Ryan Gravenberch; Jeremie Frimpong (Donyell Malen, aos 67'), Wout Weghorst (Memphis Depay, aos 67') e Cody Gakpo (Xavi Simons, aos 84'). Técnico: Ronald Koeman


terça-feira, 7 de outubro de 2025

A coisa certa do jeito certo

Os olhares sobre a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) voltaram a ser desconfiados. Com motivo. Pelo menos, ela tem duas partidas para retomar a tranquilidade nas eliminatórias da Copa (Stefan Koops/EYE4images/NurPhoto/Getty Images)

Se o clima da seleção masculina da Holanda (Países Baixos) era até de otimismo antes das datas FIFA de setembro passado, isso acabou. Com certa razão: mesmo que a Laranja lidere o grupo G da Europa nas Eliminatórias da Copa de 2026, pegou mal ter um empate desnecessário contra a Polônia em casa e, principalmente, ter uma vitória mais difícil do que deveria ter sido contra a Lituânia. Então, torcida e imprensa apontaram: uma seleção de bons jogadores, como é a Laranja, sofrer para fazer 3 a 2 e terminar a partida recuada, protegendo a vantagem contra a 145º colocada do ranking da FIFA, depõe contra a equipe neerlandesa. Então, o que se espera é básico para as rodadas de outubro nas eliminatórias, contra Malta (quinta-feira, 9, em Ta'Qali, às 15h45 de Brasília) e Finlândia (domingo, 12, em Roterdã, às 13h de Brasília): vencer, sim, como até se venceu num dos jogos passados, para manter a vaga na Copa muito perto. Mas mostrando, no mínimo, menos displicência.

E o próprio técnico Ronald Koeman (cujo trabalho, mesmo sem risco de demissão, é cada vez mais questionado) reconheceu que o time relaxou além da conta ao enfrentar os lituanos: "Quando se joga pela seleção, não se precisa de motivação, mas um jogo é mais fácil do que outro. Eu sei, já fui jogador... nesse tipo de partida, você precisa resolver logo as coisas, [porque] o futebol é imprevisível. Na Lituânia, fizemos 2 a 0, fizemos o que tínhamos que fazer cedo demais, mas aí fomos para o intervalo com 2 a 2". O que fazer, então, para não perder essa intensidade contra malteses e finlandeses? "Não vou dizer. Vamos rever o jogo contra a Lituânia, em partes, e vamos nos preparar bem para quinta".

De fato, uma goleada contra Malta, como o 8 a 0 de junho passado, seria muito bem vinda, até porque abriria na liderança uma ligeira vantagem holandesa sobre a Polônia, seleção que mais pode ameaçar a vaga direta na Copa - os poloneses ficam sem jogar na rodada de quinta. Para tentar isso, contudo, a Holanda tem problemas em seu ataque. Não bastasse estar voltando de lesão muscular, Memphis Depay ainda teve o sumiço de seu passaporte, que o impediu de viajar na segunda, como esperado - o que fez Koeman já antecipar que Memphis não começará jogando nesta quinta. Wout Weghorst, outro convocável constante, também está voltando de lesão. Brian Brobbey, comumente reserva no Sunderland ao qual chegou, sequer foi convocado desta vez. Cody Gakpo anda brilhando pouco no Liverpool. 

Mesmo uma novidade muito pedida teve grande azar. Mexx Meerdink, 22 anos, atacante do AZ, é revelação sobre a qual se considerava havia muito tempo que merecia uma chance na Laranja (ainda mais após a ausência mal explicada na Euro sub-21, em junho passado). Nome que atua bem na área - em oito jogos, já tem três gols pelo AZ neste Campeonato Holandês -, Meerdink não só fora convocado, como se cogitava que poderia entrar, com os problemas de Memphis Depay. Tudo para uma lesão sofrida em treino, nesta terça, provocar o seu corte... só restará a Koeman, que não convocou substitutos para Meerdink, apostar num trio de ataque provavelmente tendo Donyell Malen, Wout Weghorst e Cody Gakpo como titulares, com Memphis Depay entrando no segundo tempo, mais a ajuda de quem pode "quebrar galho" no ataque, como Justin Kluivert ou Xavi Simons.

Hartman, de volta para tentar retomar na Laranja o espaço que ensaiava ganhar até a grave lesão no joelho (Pro Shots)

Se no ataque o problema é a falta, na defesa é o excesso, por incrível que pareça. A ponto da convocação ter deixado de fora um nome que, se não joga bem, não está decepcionando no começo inconstante do Manchester United: Matthijs de Ligt. O próprio Koeman lamentou não poder chamar todos os zagueiros que pode: "É uma dor de cabeça que tenho, é um lado ruim do meu trabalho". Pelo menos, há nomes presentes e crescentes. Como o goleiro Robin Roefs, que chegou fulgurante ao Sunderland (Inglaterra), mas ainda ficará como terceiro da posição para Koeman ("Agora ele [Roefs] será o terceiro, escolhemos Bart [Verbruggen], que também está bem, mas nunca se sabe do futuro"). Ou ainda como Quilindschy Hartman: lateral esquerdo recém-chegado ao Burnley, Hartman (surgido no Feyenoord) estreara bem pela Laranja em 2023, era até cotado para jogar a Euro passada, mas um rompimento de ligamento cruzado anterior no joelho direito atrapalhou seu caminho. Com ele agora retomado, Hartman retoma também as ambições: "Achei o caminho da subida de novo, e estou feliz por voltar. Perdi a Euro; agora, a Copa é a minha meta".

A Copa também é a meta da Holanda. Mas nestas duas partidas, a expectativa é que ela mostre isso de maneira mais forte dentro de campo. E que faça a coisa certa, como até tem feito: vencer. Mas do jeito certo, com autoridade e com a qualidade que pode ter.

Os 23 convocados da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

Goleiros: Bart Verbruggen (Brighton-ING), Mark Flekken (Bayer Leverkusen-ALE) e Robin Roefs (Sunderland-ING)

Defensores: Denzel Dumfries (Internazionale-ITA), Jeremie Frimpong (Liverpool-ING), Nathan Aké (Manchester City-ING), Quilindschy Hartman (Burnley-ING), Virgil van Dijk (Liverpool-ING), Jan Paul van Hecke (Brighton-ING), Jurriën Timber (Arsenal-ING), Micky van de Ven (Tottenham Hotspur-ING) e Stefan de Vrij (Internazionale-ITA)

Meio-campistas: Ryan Gravenberch (Liverpool-ING), Frenkie de Jong (Barcelona-ESP), Tijjani Reijnders (Manchester City-ING), Jerdy Schouten (PSV), Xavi Simons (Tottenham Hotspur-ING), Justin Kluivert (Bournemouth-ING) e Teun Koopmeiners (Juventus-ITA)

Atacantes: Memphis Depay (Corinthians), Cody Gakpo (Liverpool-ING), Donyell Malen (Aston Villa-ING) e Wout Weghorst (Ajax)

terça-feira, 10 de junho de 2025

Obrigação bem feita

Expectativas cumpridas: a Holanda (Países Baixos) goleou Malta, começa bem as eliminatórias para a Copa de 2026, e de quebra ainda teve Memphis Depay igualando recorde (Roy Lazet/Soccrates/Getty Images) 

Após o começo seguro contra Finlândia, nas eliminatórias da Copa de 2026, a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) tinha um jogo planejado para ter clima festivo. A volta a um estádio em Groningen, após 42 anos; Malta, um adversário facilmente superável; um time se mostrando promissor; com esses fatores, era praticamente obrigatório conseguir uma vitória - e quanto mais gols, melhor. Se era quase uma obrigação vencer, foi bem feita: a goleada por 8 a 0 deixa a Laranja em ótimas condições para a sequência das eliminatórias. Mais do que isso: dá a impressão de que a campanha de qualificação tem tudo para ser tranquila, ao contrário do fracasso rumo a Rússia-2018 e das turbulências até o final feliz rumo a Catar-2022.

Em algumas análises da imprensa holandesa, constava que Malta era uma seleção que não ficava somente na defesa, mas dava espaços generosos nas laterais. Algo temerário, contra uma Laranja com Denzel Dumfries na direita e (nesta terça) Micky van de Ven na esquerda. E a seleção neerlandesa já aproveitou no começo: logo aos 4', Xavi Simons cruzou e Justin Kluivert completou para fora. Mais alguns minutos, e em jogada iniciada por Van de Ven, Memphis Depay ajeitou, e Justin Kluivert foi atingido por trás pelo lateral Juan Corbolan. Pênalti - o VAR ainda chamou o juiz Ricardo de Burgos para rever, mas ele manteve a decisão -, e Memphis Depay fez seu 49º gol pela Laranja. Só um abaixo do recorde de Robin van Persie. As condições estavam postas para que a marca fosse igualada. Foi, e nem demorou tanto assim: aos 16', Dumfries cruzou, Xavi Simons fez o corta-luz, e o espaço ficou aberto para o camisa 10 holandês bater forte, fazer 2 a 0 e se tornar um dos maiores goleadores da história da Laranja.

Memphis Depay agradece os aplausos da torcida. Aplausos merecidos, não só pelo recorde, mas por sua boa atuação (Marcel ter Bals/DeFodi Images/DeFodi/Getty Images)

Vantagem aberta, bem que Malta ainda tentou avançar (chutes de fora da área, quase em sequência, por Alexander Satariano e Matthew Guillaumier). Mas essas tentativas foram neutralizadas pelo terceiro gol, aos 20', com um dos jogadores mais festejados do dia em Groningen: Virgil van Dijk, de volta ao estádio em que começou a carreira para valer, chutando de fora após passe de Frenkie de Jong, aproveitando a sobra de chute de Kluivert. Com tamanha velocidade pelas pontas, era só aproveitar as chances, para que a goleada já fosse estabelecida. Mas elas não foram aproveitadas: De Jong chutou por cima aos 26', Stefan de Vrij (titular nesta terça) cabeceou para fora aos 36', Denzel Dumfries completou para fora cruzamento de Van de Ven que passara por toda a área, aos 38'... e independente disso, o ritmo da Holanda ficou mais lento à medida que o primeiro tempo transcorria. A torcida em Groningen ainda estava satisfeita. Mas deixaria de estar, se a partida seguisse assim.

Mesmo com algumas mudanças no intervalo (Mats Wieffer e Noa Lang foram a campo), o começo do segundo tempo também não foi lá de se entusiasmar. Xavi Simons cabeceou para fora aos 47', Van de Ven mandou arremate perigoso aos 51', Wieffer quase marcou após bate-rebate em escanteio aos 54'... mas disso não se passava. Começou a passar somente aos 61', com o quarto gol completando jogada entrosada entre três (Kluivert ajeitou, Memphis Depay passou em profundidade, Xavi Simons chutou em diagonal na área - a alguns, a jogada lembrou até o gol decisivo de Marco van Basten na semifinal da Euro 1988).

Malen acelerou de novo o ritmo da Laranja (Koen van Weel/ANP/Getty Images)

Mas o ritmo da Holanda só voltou a ficar alto com a entrada de Donyell Malen, aos 73'. Até porque ele participou dos três gols seguintes. O primeiro, marcando, em seu primeiro toque na bola, após cruzamento de Van de Ven; o segundo, cruzando para Noa Lang fazer, aos 78'; e o terceiro, marcando de novo - e em grande estilo, driblando antes do chute que estufou as redes do goleiro Henry Bonello. A festa já estava completa, mas Van de Ven ainda quis colocar a cereja no bolo, marcando seu primeiro gol pela seleção, nos acréscimos.

Um fim digno da boa impressão que a Laranja causou, corroborada por ser este seu melhor começo de sempre em eliminatórias de Copas masculinas (dois jogos, duas vitórias, +10 gols de saldo). Tendo em vista que a Polônia foi vencida pela Finlândia (2 a 1 em Helsinque), que já caiu para a Laranja, a expectativa é de que, cumprido o bom começo, os neerlandeses cumpram o que é considerada a "obrigação" seguinte: alcançar a primeira posição do grupo G e ir à Copa de 2026.

Eliminatórias para a Copa de 2026 - Europa - Grupo G

Holanda 8x0 Malta
Data: 10 de junho de 2025
Local: Euroborg (Groningen)
Juiz: Ricardo de Burgos (Espanha)
Gols: Memphis Depay, aos 9' e aos 16', Virgil van Dijk, aos 20', Xavi Simons, aos 61', Donyell Malen, aos 74' e aos 80', Noa Lang, aos 78', e Micky van de Ven, aos 90' + 3

HOLANDA
Mark Flekken; Denzel Dumfries (Lutsharel Geertruida, aos 79'), Virgil van Dijk, Stefan de Vrij e Micky van de Ven; Ryan Gravenberch (Mats Wieffer, aos 46'), Justin Kluivert (Wout Weghorst, aos 62') e Frenkie de Jong; Xavi Simons, Memphis Depay (Donyell Malen, aos 73') e Cody Gakpo (Noa Lang, aos 46'). Técnico: Ronald Koeman

MALTA
Henry Bonello; Juan Corbolan (Basil Tuma, aos 46'), Gabriel Mentz, James Carragher e Ryan Camenzuli (Jake Azzopardi, aos 81'); Matthew Guillaumier e Alexander Satariano (Myles Beerman, aos 81'); Teddy Teuma (Jedi Felice Jones, aos 60'); Adam Overend (Kurt Shaw, aos 46'), Paul Mbong e Joseph Mbong. Técnico: Emilio de Leo


quarta-feira, 4 de junho de 2025

Futuro do passado

Malen, Frimpong, Noa Lang, Xavi Simons (da esquerda para a direita): a nova geração parece pedir passagem na Holanda, e é isso que muitos querem (KNVB Media/Divulgação)

A seleção masculina da Holanda (Países Baixos) terminou as datas FIFA de março deixando ótima impressão na torcida. Certo, perdeu as quartas de final da Liga das Nações para a Espanha. Ainda assim, jamais se rendeu: levou as duas partidas a empates, teve momentos de superioridade sobre os espanhóis, mostrou espírito ofensivo e promissor como poucas vezes se viu nesta segunda passagem de Ronald Koeman no comando da Laranja. E é assim que torcida e imprensa locais esperam ver a equipe neerlandesa no caminho das eliminatórias da Copa de 2026, que começa nestas datas FIFA, contra Finlândia (sábado, 7, às 15h45 de Brasília, em Helsinque) e Malta (terça, 10, também às 15h45 do horário brasileiro, em Groningen - que volta a receber uma partida da seleção masculina, após 42 anos). Porém, já há a desconfiança de que não será assim.

A convocação de Ronald Koeman já foi criticada antes mesmo da bola rolar, por algumas opções consideradas conservadoras demais. No gol, trouxe algum burburinho a chamada de Kjell Scherpen, que há algum tempo perdeu a aura de "revelação" que tinha anos atrás, quando titular da seleção holandesa sub-21 (e jogando aqui e ali pelo Ajax). Mas foi um burburinho menor, até porque Scherpen será o terceiro goleiro: com o titular usual Bart Verbruggen poupado, por lesão leve, terá chances Mark Flekken, como o coroamento de uma boa fase, com a confirmação da transferência para o Bayer Leverkusen e a inclusão entre os 10 melhores goleiros do mundo em lista da IFFHS (Federação Internacional de História e Estatística do Futebol) - lista que incluiu o brasileiro João Ricardo, do Fortaleza.

O alarido ficou maior nas opções de linha feitas por Koeman. Na lateral esquerda, nada de Ian Maatsen; no meio, nada de Kenneth Taylor ou mesmo o jovem Sem Steijn, jamais convocado, goleador do Campeonato Holandês (24 gols pelo Twente - desde Jari Litmanen pelo Ajax, em 1993/94, um meio-campista não fazia tantos gols pela Eredivisie), rumando agora para o Feyenoord. E no ataque, nada de chances a nomes como Mexx Meerdink (AZ), Joël Piroe ou Zian Flemming, destaques em dois clubes que acabam de subir à primeira divisão inglesa - Piroe no Leeds United, Flemming no Burnley. Por mais que mereçam - e até merecem, pois têm experiência que não pode ser descartada -, Memphis Depay ou Wout Weghorst não encantam mais a torcida.

Ainda assim, Koeman defende a continuidade já estabelecida em seu time, a partir da coletiva de imprensa da terça passada, se referindo especialmente ao caso de Steijn: "Não depende só de quantos gols se faz, mas também é importante que o pessoal saiba que temos um grupo fixo. Se eu convocasse novos nomes, como ficariam os convocados contra a Espanha [na Liga das Nações]? O desafio para Steijn é mostrar na próxima temporada o que mostrou nesta". A postura causa polêmicas. Ainda mais porque a seleção sub-21 da Holanda (Países Baixos) se prepara para a Euro da categoria, na Eslováquia, a partir do dia 11, com uma geração considerada muito promissora - tendo até nomes como os citados Maatsen e Taylor -, e vinda de 100% nas eliminatórias (10 jogos, 10 vitórias), sob o comando do técnico Michael Reiziger. Sim, a Laranja Jovem pode não ter jovens badalados como França ou Portugal, mas tem tudo para boa campanha nesta Eurocopa juvenil.

Mas as polêmicas ainda são controladas. Bem ou mal, Koeman deixou claro que quer o que todos quantos acompanhem a Laranja querem: a repetição do padrão visto nos jogos de março contra a Espanha ("Se conseguimos jogar assim contra uma das melhores seleções do mundo, isso dá muita confiança"). E sabe que isso é possível, tendo em vista que se a Holanda perdeu na Liga das Nações, ganhou ao cair num grupo dos mais acessíveis nas eliminatórias europeias da Copa - o G, com Polônia, Finlândia, Lituânia e Malta ("É obrigatório terminarmos o grupo [das eliminatórias] em primeiro lugar. Mas primeiro, não devemos subestimar ninguém. Agora, que jogamos bem contra a Espanha, parece fácil, mas precisamos mostrar o que mostramos nos últimos jogos").

Todos "amam" Tijjani Reijnders. O Manchester City, ainda mais: contratação próxima para o meio-campista, tão titular da Laranja quanto Frenkie de Jong (KNVB Media/Divulgação)

E a Holanda é capaz disso, de fato. Se antes a fartura de opções se via mais na defesa - e ela continua assim: Denzel Dumfries, Virgil van Dijk (estes dois, absolutos em suas posições), Nathan Aké (voltando de lesão), o veterano Stefan de Vrij, Micky van de Ven, Jan Paul van Hecke -, agora a Laranja também não reclama de meio-campo. Se antes o setor parecia depender demais de Frenkie de Jong (que sofria com lesões), agora ele não só se mostrou redivivo em boa temporada europeia do Barcelona, como tem mais nomes de boa qualidade a seu lado. Como Ryan Gravenberch, também recuperado no Liverpool - a ponto de ter sido eleito o melhor jovem da temporada na Inglaterra (mesmo já tendo sete anos desde sua aparição no Ajax, em 2018/19). Ou como o badalado Tijjani Reijnders, cada vez mais titular holandês, cada vez mais perto de uma transferência para o Manchester City ("Eles ainda estão conversando com o Milan, nem me importo muito, quem cuida disso é meu pai. Mas claro que jogar na Premier League seria um sonho de criança").

A impressão é de que só falta um atacante de alto nível, como os de tempos idos, para a Holanda subir de prateleira definitivamente entre as seleções europeias. E o pedido é de que Ronald Koeman passe cada vez mais a notar que pode ousar mais, para que a Laranja não tenha somente o futuro do passado entre seus jogadores

Os 23 convocados da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

Goleiros: Mark Flekken (Bayer Leverkusen-ALE), Nick Olij (Sparta Rotterdam) e Kjell Scherpen (Sturm Graz-AUT)

Defensores: Denzel Dumfries (Internazionale-ITA), Jeremie Frimpong (Liverpool-ING), Lutsharel Geertruida (RB Leipzig-ALE), Virgil van Dijk (Liverpool-ING), Jan Paul van Hecke (Brighton-ING), Stefan de Vrij (Internazionale-ITA), Micky van de Ven (Tottenham Hotspur-ING), Nathan Aké (Manchester City-ING) e Jorrel Hato (Ajax)

Meio-campistas: Frenkie de Jong (Barcelona-ESP), Tijjani Reijnders (Milan-ITA), Xavi Simons (RB Leipzig-ALE), Ryan Gravenberch (Liverpool-ING), Mats Wieffer (Brighton-ING) e Justin Kluivert (Bournemouth-ING)

Atacantes: Memphis Depay (Corinthians), Cody Gakpo (Liverpool-ING), Wout Weghorst (Ajax), Noa Lang (PSV) e Donyell Malen (Aston Villa-ING)