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terça-feira, 13 de outubro de 2026

Faltam só ajustes

A seleção feminina da Holanda (Países Baixos) foi tão dominante contra a Hungria, na primeira fase da repescagem por vaga na Copa do Mundo, que ficou a impressão de que apenas alguns ajustes são necessários para a decisão contra a Eslovênia (Dijks Media/MB Media/Getty Images)

É difícil imaginar que uma seleção que tenha vencido sua adversária por 11 a 0, no "placar agregado" (8 a 0 na ida, 3 a 0 na volta), precise de muitas correções. É precisamente o caso da seleção feminina da Holanda (Países Baixos), na primeira fase da repescagem europeia por vaga na Copa do Mundo Feminina de 2027. Nos dois jogos contra a Hungria, as Leoas Laranjas foram muito bem, fazendo a disputa ser menos difícil para elas do que se pensava. Só o técnico Arjan Veurink colocou alguns ajustes necessários para a disputa final que virá, na segunda fase, contra a Eslovênia. Após a goleada da ida, Veurink elogiou alertando: "Foi mais fácil do que eu pensava. Só precisamos ser mais constantes". E depois da nova vitória da volta, manteve o alerta: "Podíamos ter marcado mais gols no segundo tempo, criamos muitas chances".

Com a Hungria sem sua principal jogadora, a atacante Anna Csiki, esperava-se que as magiares tivessem uma postura muito defensiva, com quatro zagueiras, mais uma volante - possivelmente sempre recuando para ser uma "quinta zagueira". Só que ficou muito claro, desde o primeiro minuto de bola rolando na Pancho Arena de Felcsút, que a Holanda poderia superar isso facilmente, com a rapidez na troca de passes e na chegada ao ataque. Esmee Brugts quase abriu o placar aos 8', de cabeça. E quando Lineth Beerensteyn fez o primeiro de seus três gols no jogo, aos 12', completando passe de Damaris Egurrola Wienke em profundidade... foi como o próprio técnico Arjan Veurink comentou após o jogo, à emissora NOS: "O jogo já acabou depois do 1 a 0". Até porque, dois minutos depois, num bonito voleio de primeira, Beerensteyn já fez 2 a 0.

Estava aberto um caminho amplamente aproveitado por Victoria Pelova, que logo faria o terceiro gol (chute desviado na zagueira Hanna Németh, aos 26'), faria mais dois, seria muito criativa e rápida nas jogadas de ataque, seria talvez a melhor do jogo, levando uma bola para casa com seus três gols, assim como Beerensteyn, novamente tendo o esforço recompensado pela seleção. Mesmo coadjuvantes, também deixaram seus gols Esmee Brugts (aos 45' + 1, aproveitando rebote de chute de Pelova) e Damaris Egurrola Wienke (aos 49', logo após o intervalo, de cabeça). Nomes vindos do banco, como Lotte Keukelaar, também ajudaram na postura massiva e ofensiva das Leoas Laranjas - foram 20 chutes a gol. E a goleada por 8 a 0 abriu caminho para que testes fossem feitos no jogo de volta, em Tilburg, praticamente um "amistoso de luxo" com vantagem tão grande.

Pelova e Beerensteyn, três gols cada uma na ida contra as húngaras, se sobressaíram na goleada por 8 a 0 (Marcel Bonte/Soccrates/Getty Images)

Essa vantagem grande ficou maior ainda já aos oito minutos do primeiro tempo do jogo de volta, quando Van de Donk cruzou, e Esmee Brugts cabeceou para fazer 1 a 0. Foi um jeito de achar espaço, diante de uma defesa húngara, aí sim, bem fechada, tentando bloquear de todo jeito os chutes. Restavam às Leoas Laranjas os cruzamentos, principalmente pela direita - como aos 15', quando Lynn Wilms cruzou e Beerensteyn cabeceou para fora. A seleção da casa cedeu até espaço para um único contra-ataque, aos 16', terminado num chute de Emöze Pápai, para fora. No mais, a ofensividade holandesa se mantinha constante, em jogadas até repetitivas, agora mais alternadas nos dois lados: ir à linha de fundo e, a partir daí, ou chutar (como Janou Levels fez, para fora, aos 26'), ou cruzar para que alguém viesse de trás e finalizasse (como Wieke Kaptein fez, também errando o alvo, aos 37').

As bolas aéreas deram certo de novo aos 40', quando Wilms cruzou da direita e Beerensteyn completou para fazer 2 a 0. Ainda antes do intervalo, Victoria Pelova arriscou o chute de fora da área, a goleira Lauren Brzykcy espalmou para escanteio, e na cobrança subsequente, Damaris Egurrola Wienke mostrou sua habitual competência nos cabeceios, fazendo 3 a 0. Já com três alterações no intervalo, as Leoas Laranjas se deram ao luxo até de nem buscarem mais gols, mesmo com oportunidades como um chute de Pelova, defendido por Brzykcy logo aos 51'. 

As neerlandesas só cercaram o ataque húngaro. Até tiveram Ella Peddemors mandando uma bola no travessão. Mas já não precisavam mais de gols. A boa impressão já estava garantida na primeira fase. Agora, é esperar algumas semanas até disputar a vaga na Copa contra a Eslovênia, a partir do fim de novembro. A viagem ao Brasil em 2027 está muito próxima das Leoas Laranjas, ainda mais se os pequenos ajustes derem certo.

Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina da FIFA - Europa - Repescagem (primeira fase)

Hungria 0x8 Holanda
Data: 9 de outubro de 2026
Local: Pancho Arena (Felcsút)
Árbitra: Olga Blotskaya (Belarus)
Gols: Lineth Beerensteyn, aos 12', aos 14' e aos 90' + 1, Victoria Pelova, aos 26', aos 58' e aos 62', Esmee Brugts, aos 45' + 1, e Damaris Egurrola Wienke, aos 49'

HUNGRIA
Lauren Brzykcy; Viktória Nagy (Luca Papp, aos 70'), Hanna Németh, Laura Palakovics e Borbála Vincze; Fanni Nagy, Henrietta Csiszar e Sára Pusztai (Evelin Fenyvesi, aos 80'); Zsófia Mayer (Cecília Meszaros, aos 80'), Vanessza Nagy (Emöke Pápai, aos 46') e Zsanett Kaján (Dóra Zeller, aos 70'). Técnica: Alexandra Szarvas

HOLANDA
Lize Kop; Lynn Wilms (Kerstin Casparij, aos 62'), Veerle Buurman, Dominique Janssen (Caitlin Dijkstra, aos 72') e Marisa Olislagers; Damaris Egurrola Wienke, Wieke Kaptein (Ella Peddemors, aos 62') e Daniëlle van de Donk (Lotte Keukelaar, aos 62'); Victoria Pelova, Lineth Beerensteyn e Esmee Brugts (Jill Roord, aos 62'). Técnico: Arjan Veurink


Holanda 3x0 Hungria
Data: 13 de outubro de 2026
Local: Koning Willem II (Tilburg)
Árbitra: Franziska Wildfeuer (Alemanha)
Gols: Esmee Brugts, aos 8', Lineth Beerensteyn, aos 40', e Damaris Egurrola Wienke, aos 45' + 4

HOLANDA
Lize Kop; Lynn Wilms (Kerstin Casparij, aos 46'), Veerle Buurman (Isa Kardinaal, aos 70'), Dominique Janssen e Janou Levels; Damaris Egurrola Wienke (Ella Peddemors, aos 46'), Wieke Kaptein e Daniëlle van de Donk (Lotte Keukelaar, aos 55'); Victoria Pelova, Lineth Beerensteyn e Esmee Brugts (Jill Roord, aos 46'). Técnico: Arjan Veurink

HUNGRIA
Lauren Brzykcy; Viktória Nagy (Bárbára Zágonyi, aos 46'), Fanni Nagy, Laura Palakovics e Georgina Pataki (Csilla Savanya, aos 77'); Evelin Fenyvesi (Dóra Zeller, aos 66'), Luca Papp e Henrietta Csiszar; Sára Pusztai (Cecilia Meszáros, aos 66'), Emöke Pápai (Vanessza Nagy, aos 66') e Borbála Vincze. Técnica: Alexandra Szarvas


quarta-feira, 7 de outubro de 2026

O futuro nas mãos das jovens

Algumas veteranas, várias jovens: com ausências de nomes estratégicos, a Holanda (Países Baixos) terá de ver várias novatas se sobressaindo, no começo da repescagem para tentar ir à Copa de 2027 (Pro Shots)

"A realidade é que, nestas datas FIFA, não temos tempo para cuidar da recuperação da forma física das jogadoras." Assim Arjan Veurink, técnico da seleção feminina da Holanda (Países Baixos), justificou algumas ausências da convocação para os dois jogos decisivos contra a Hungria - nesta sexta, 9, às 15h de Brasília, na cidade húngara de Felcsút, e na próxima terça, 13, às 15h45 de Brasília, em Tilburg, no estádio do Willem II -, válidos pela primeira fase da repescagem europeia por vaga na Copa do Mundo de 2027. Tais ausências abriram espaço para várias jovens, e a elas caberá a importante tarefa de ampliar as chances das Leoas Laranjas emplacarem presença no quarto Mundial seguido.

Também, pudera. As ausências começam no gol, em que Daphne van Domselaar ainda se recupera de lesão no joelho. Seguem na zaga, onde Renée van Asten até já retornou aos trabalhos no Barcelona, mas foi poupada - assim como no meio-campo, com Jackie Groenen, também fora dos primeiros jogos da repescagem. Arjan Veurink até comentou que Van Asten "ficou muito triste", mas foi firme na justificativa: "Elas [Van Asten e Groenen] não estão completamente em condições, e por isso ficaram de fora. Elas se machucaram no fim de agosto, e não estão prontas para jogarem noventa minutos, que dirá duas partidas". Finalmente, no ataque, estão fora Romée Leuchter e Vivianne Miedema.

Para cada jogadora, as perspectivas são diferentes. Van Domselaar atrai mais otimismo do técnico: "Ela está no bom caminho, no caminho de volta. Dizem [Arsenal] que será em outubro. Espero que seja". Leuchter, idem: "Espero que ela esteja à disposição nas próximas datas FIFA [novembro/dezembro]". Só o estado de Miedema causa mais desconfiança: "Neste momento, me parece que [a volta dela] demorará mais um pouco". De todo modo, diante das rodadas regulares das Eliminatórias da Copa, até que Veurink se disse mais tranquilo, na coletiva de imprensa concedida na segunda-feira passada: "Em abril [jogos contra a França], a gente estava contente só por ter um time para jogar. Agora, estamos até numa situação de luxo, contando com todas as convocadas em 100% de condições".

Sophie Proost (à frente) é uma das estreantes na convocação das Leoas Laranjas (ANP/Pro Shots)

Entre as várias jovens presentes nas lacunas abertas, duas estreantes. Nome que nem aparecia tanto no Twente, a atacante (pelas pontas) Sophie Proost chamou a atenção do Bayern de Munique, foi-se para o clube alemão... e lá recebeu a primeira convocação. Claro, muito comemorada: "Eu recebi um telefonema no avião [com a delegação do Bayern]. Quando eu vi quem era - Arjan Veurink -, eu comecei a tremer. Foi um momento especial, ainda tive tempo de ligar para falar com a minha família uns dois minutos (...) Eu sempre via os vídeos das convocadas se apresentando no bosque [do KNVB Campus, concentração da federação, na cidade de Zeist], e agora é bem legal que seja eu mesma". Outra estreante, a zagueira Isa Kardinaal (sólida desde os tempos do Ajax, agora no London City Lionesses) brincou sobre uma colega mais experiente: Daniëlle van de Donk. "Numa brincadeira lá no clube, eu tive de dizer que era fã dela... mas talvez eu seja, mesmo".

Por falar em Van de Donk, ela ampliou a satisfação expressada por Arjan Veurink sobre a frequência de lesões. Até porque, depois de vários problemas, a meio-campista de 35 anos está (até surpreendentemente) muito bem no London City Lionesses, com três gols e dois passes para gol nas primeiras rodadas da Super League, o campeonato inglês de mulheres: "Em relação à temporada passada, é um mundo de diferença. Estou muito feliz por poder treinar e jogar regularmente. Na primeira vez em que completei 90 minutos de novo, minhas colegas de time nem entenderam porque eu estava tão feliz". Sobraram até elogios para uma colega de seleção, também jogando bem na liga inglesa, embora num time (Tottenham) com mais dificuldades: "Acho que Viccy [Pelova] deve jogar. É bom que ela tenha sido convocada".

Van de Donk, a capitã Dominique Janssen, Jill Roord (também de volta às convocações, após o problema estomacal que a tirou da reta final da temporada passada com o Twente), a supracitada Pelova, Lineth Beerensteyn, até mesmo Kerstin Casparij (embalada pela indicação à Bola de Ouro feminina). São as poucas veteranas, diante de tantas jovens - Veerle Buurman, Wieke Kaptein, Ella Peddemors, Lotte Keukelaar, Esmee Brugts... - que terão de tomar a responsabilidade de justificar o favoritismo diante da Hungria, para manter o sonho da vaga na Copa, indo à próxima fase da repescagem, contra a vencedora de Turquia x Eslovênia.

As 24 convocadas da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

GOLEIRAS: Lize Kop (Tottenham Hotspur-ING), Daniëlle de Jong (Juventus-ITA), Femke Liefting (Ajax) e Regina van Eijk (Bayern de Munique-ALE)

DEFENSORAS: Lynn Wilms (Aston Villa-ING), Kerstin Casparij (Manchester City-ING), Veerle Buurman (Chelsea-ING),  Dominique Janssen (Manchester United-ING), Isa Kardinaal (London City Lionesses-ING), Caitlin Dijkstra (Tottenham Hotspur-ING), Janou Levels (Wolfsburg-ALE) e Marisa Olislagers (Brighton-ING)

MEIO-CAMPISTAS: Damaris Egurrola Wienke (OL Lyonnes-FRA), Wieke Kaptein (Chelsea-ING), Victoria Pelova (Tottenham Hotspur-ING), Ella Peddemors (Wolfsburg-ALE), Lotte Keukelaar (Real Madrid-ESP) e Daniëlle van de Donk (London City Lionesses-ING)

ATACANTES: Lineth Beerensteyn (Wolfsburg-ALE), Jill Roord (Twente), Esmee Brugts (Barcelona-ESP), Lotte Keukelaar (Real Madrid-ESP), Chasity Grant (Aston Villa-ING), Sophie Proost (Bayern de Munique-ALE) e Liz Rijsbergen (PSV)

domingo, 4 de outubro de 2026

Os reabilitados

Van Dijk, à direita, era o destaque prévio, chegando a 100 jogos pela Holanda (Países Baixos). Mas Koopmeiners, à esquerda, ajudou bem na vitória sobre a Sérvia pela Liga das Nações (Roy Lazet/Soccrates/Getty Images)

Antes do jogo contra a Sérvia, último destas datas FIFA pela Liga das Nações, começar, o destaque inicial da seleção masculina da Holanda (Países Baixos) para este domingo era Virgil van Dijk, completando 100 partidas vestindo laranja. Van Dijk até seguiu sendo destaque na vitória por 2 a 1 sobre os sérvios, pois jogou bem, com segurança. Mas o triunfo que levou a Laranja à liderança do grupo 2 da Liga A - até porque Grécia e Alemanha ficaram no 0 a 0 - saiu com gols de dois nomes reabilitados para a seleção neerlandesa: Teun Koopmeiners, titular que abriu o placar, e Joshua Zirkzee, convocado após dois anos, que veio da reserva, entrou bem e fechou o placar de uma vitória difícil.
 
A Holanda começou tentando ter rapidez nas jogadas de ataque. Tanta rapidez que a primeira jogada de ataque foi logo aos 2', quando, após cruzmento, Noa Lang perdeu chance, e Mexx Meerdink (novamente titular) chutou por cima. Velocidade maior ainda vinha de Crysencio Summerville, na direita: aos 11', ele passou, Joey Veerman bateu, e Meerdink foi bloqueado ao tentar aproveitar a sobra dada pelo rebote do goleiro Vanja Milinkovic-Savic. De quebra, aos 18', Meerdink passou e Noa Lang finalizou para fora.

Só restava à Laranja tentar ser rápida na troca de passes, mesmo, diante de uma Sérvia muito fechada, com cinco na defesa (a tal ponto que o zagueiro Strahinja Pavlovic bloqueou o chute de Tijjani Reijnders, aos 24'). De quebra, nos raros contragolpes que tiveram, os sérvios até começaram a trazer perigo, como aos 26', quando Lazar Samardzic e Dusan Tadic (titular neste domingo) tabelaram, Tadic passou a Mihailo Cvetkovic, e este bateu para fora. Se não dava com a troca de passes, foi possível na bola parada: aos 31', Teun Koopmeiners - titular improvisado na zaga, onde já jogou na carreira vez por outra - cobrou falta na direita, a bola passou direto por todos, e foi ao canto direito de Vanja, no 1 a 0. 

Só que os sérvios aproveitaram a lentidão de Van Dijk e o improviso de Koopmeiners no setor para logo empatarem: aos 34', Tadic passou, Aleksa Terzic cruzou, e Cvetkovic cabeceou para o 1 a 1. De quebra, aos 43', num lançamento do camisa 10 sérvio, Pavlovic saiu da zaga, superou Van Dijk na corrida, mas chegou desajeitado para finalizar e mandou a bola para fora. O primeiro tempo terminou, o segundo tempo começou, e a lentidão defensiva holandesa seguiu atraindo perigos: logo no primeiro minuto, Cvetkovic recebeu a bola, chegou à área, driblou Koopmeiners com um corte seco, mas chutou para fora.

Zirkzee, de volta à Laranja após dois anos, foi muito útil para ajudar a fazer a equipe melhorar. E coroou isso com o gol da vitória (Koen van Weel/ANP/AFP/Getty Images)

A Laranja até voltou a trazer perigo aos 50': em falta à beira da área, numa cobrança ensaiada com Joey Veerman, Koopmeiners bateu, houve desvio na área, e Vanja conseguiu pegar antes que ela entrasse. Mas a Sérvia estava cada vez mais pronta para contragolpes, cada vez mais perto da virada, e mostrou isso aos 56', com duas chances em sequência: primeiro Samardzic chutou para o rebote de Verbruggen, depois Aleksa Terzic aproveitou a sobra, e só não trouxe perigo porque Dumfries bloqueou. Precisou Xavi mudar (com entradas de Gjivai Zechiël e Ruben van Bommel) para a Laranja recuperar alguma força no ataque. Mesmo com a insistência sérvia - Cvetkovic tentou chute para fora, aos 61' -, foi possível para a Laranja trocar passes, com Zechiël, Summerville e Zirkzee aumentando a posse de bola. Assim, Reijnders recebeu lançamento em profundidade, e chutou para fora, aos 58'. Assim, quase veio o segundo gol, aos 61': Zechiël cruzou, Zirkzee ajeitou, Reijnders finalizou desajeitado, e Dumfries, na pequena área, só não marcou o gol por ter cometido falta de ataque em Vanja Milinkovic-Savic.

Tanta troca de passes, que teve o mérito de acuar de novo a Sérvia, enfim teve como recompensa o 2 a 1, quando Dumfries cruzou da direita, Reijnders conseguiu buscar a bola na pequena área, cruzou, e Zirkzee completou na pequena área, coroando sua volta à Laranja. A vitória quase foi assegurada aos 73', num chute de Reijnders rebatido por Vanja. Mas... não foi. A Sérvia voltou a pressionar, acuou os holandeses... e a pressão final dos visitantes culminou num chute de Stefan Gudelj, já nos acréscimos (90' + 3), forçando o goleiro Bart Verbruggen a uma ótima defesa.

 O ponto final para o alívio, numa vitória que chegou graças a Koopmeiners e Zirkzee, dois reabilitados.



Liga das Nações da UEFA - Liga A - Grupo 2

Holanda 2x1 Sérvia

Data: 4 de outubro de 2026
Local: Philips Stadion (Eindhoven)
Árbitro: Donatas Rumsas (Lituânia)
Gols: Teun Koopmeiners, aos 31', Mihailo Cvetkovic, aos 34', e Joshua Zirkzee, aos 71'

HOLANDA
Bart Verbruggen; Denzel Dumfries, Virgil van Dijk, Teun Koopmeiners e Micky van de Ven; Ryan Gravenberch (Gjivai Zechiël, aos 58'), Tijjani Reijnders (Quinten Timber, aos 82') e Joey Veerman (Jorrel Hato, aos 58'); Crysencio Summerville, Mexx Meerdink (Joshua Zirkzee, aos 46') e Noa Lang (Ruben van Bommel, aos 58'). Técnico: Xavi Hernández

SÉRVIA
Vanja Milinkovic-Savic; Nemanja Gudelj (Stefan Gudelj, aos 79'), Srdjan Babic, Strahinja Pavlovic e Aleksa Terzic (Filip Kostic, aos 72'); Kosta Nedeljkovic, Sasa Lukic, Aleksandar Stankovic (Nemanja Maksimovic, aos 66') e Lazar Samardzic (Andrija Zivkovic, aos 72'); Dusan Tadic (Luka Jovic, aos 66') e Mihajlo Cvetkovic. Técnico: Veljko Paunovic

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Erro consertado

A Holanda (Países Baixos) ficou em dificuldades contra a Grécia, após o mau primeiro tempo. Teve de se esforçar no segundo tempo, até conseguir o empate (Dijks Media/MB Media/Getty Images)

"A culpa foi minha. Coloquei jogadores em posições erradas, confundi o time", lamentou o técnico Xavi Hernández, na entrevista rápida que deu após o empate em 2 a 2 com a Grécia. "Isso não pode acontecer, é inaceitável", criticou o capitão Virgil van Dijk, ainda no gramado. Tais declarações deixaram claro: a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) cometeu um erro, diante de uma seleção grega que começa muito bem a Liga das Nações. E só conseguiu o empate porque houve tempo para corrigir o erro, no segundo tempo.

O ânimo com a boa fase da Grécia se via desde a torcida que lotava o estádio Toumba, em Tessalônica. Seguiu com a rápida primeira chance da seleção da casa, logo aos dois minutos, num cruzamento de Vangelis Pavlidis que Jurriën Timber afastou. E a boa organização tática que a seleção helênica já ostenta ficou clara aos 6': um erro de Joey Veerman já foi o suficiente para Manolis Saliakas tentar de novo, chutando para fora. De quebra, aos 13', Pavlidis chegou a marcar o gol, anulado por impedimento de Fotis Ioannidis. A Holanda, se vendo diante de um time eficiente na frente e rápido para voltar e bloquear espaços atrás, só (quase) trouxe perigo aos 10', num chute de Crysencio Summerville.

Duas defesas de Bart Verbruggen em sequência, em chutes de Thanasis Androutsos (15') e Kostas Tsimikas (17'), deixavam cada vez mais visível como a Grécia era superior em campo, a partir da boa atuação de seus meio-campistas - logo, a partir também da má atuação de Guus Til e Quinten Timber, titulares do meio da Laranja. Nem mesmo a saída precoce de Giorgios Masouras, machucado, inibiu os gregos. E o "Navio Pirata" atingiu os holandeses, enfim, aos 23': um erro de Jurriën Timber deixou Masouras livre para passar a bola, Ioannidis bateu em diagonal, e veio o 1 a 0 que a Grécia fazia por merecer. A rapidez para voltar e avançar fez com que Verbruggen tivesse de trabalhar duas vezes de novo, aos 38', em chutes de Konstantinos Karetsas e Ntinos Mavropanos. Além de ser lenta para voltar, a Holanda tinha dificuldades para finalizar diante de defesa tão fechada - Mavropanos exemplificou aos 40', fechando o espaço que Ruben van Bommel (começando como titular) tinha para chutar. E um erro de Van Bommel, nos acréscimos, deixou a bola para Ioannidis cruzar e Masouras fazer 2 a 0.

Rápida e eficiente para atacar, bem compacta para defender, a Grécia teve Ioannidis como seu destaque no ataque, quando sonhou vencer de novo (Dijks Media/MB Media/Getty Images)

Da má atuação holandesa no primeiro tempo, Til e Quinten Timber foram dois bodes expiatórios, já dando lugar aos titulares Ryan Gravenberch e Tijjani Reijnders - enquanto Noa Lang foi à ponta esquerda, tentando achar mais espaços. Ficando mais com a bola desde o primeiro tempo, aí a Laranja começou a rondar mais o ataque. E chegou gradativamente perto do gol, até consegui-lo. Primeiro, em tentativas de Summerville e Lang. Depois, aos 58', Gravenberch chutou para fora, mas a bola desviou. No escanteio subsequente, o primeiro gol holandês, aos 59', com Virgil van Dijk cabeceando para as redes após a cobrança de Joey Veerman.

A melhora holandesa foi visível, com Reijnders e Gravenberch em campo. Cercando mais o ataque, sem oferecer tanto espaço para contragolpes, o empate poderia ter vindo até antes, aos 64', quando Denzel Dumfries (bem atacando no dia, nem tanto defendendo) até marcou, mas teve impedimento apontado -embora holandeses tenham reclamado que a jogada "recomeçara" com toque do zagueiro Panagiotis Retsos. Joshua Zirkzee, reabilitado pela convocação após o corte de Brian Brobbey, entrou em campo e ajudou em tabelas, como aos 71', numa triangulação que começou com Summerville e terminou com arremate de Gravenberch, bloqueado por Mavropanos. Aos 73', Dumfries marcou de novo - e o gol foi anulado de novo, também novamente por impedimento, este sem questionamentos.

Também com boas participações desde sua entrada, causando problemas aos gregos pela esquerda, Noa Lang fez boa jogada aos 80', cruzando para Zirkzee cabecear e forçando o goleiro Konstantinos Tzolakis a espalmar. E finalmente, houve tempo para o empate, aos 89', com Gjivai Zechiël (estreando na Laranja principal, vindo da Laranja Jovem) desviando para Reijnders fazer 2 a 2, de voleio. 

Erro consertado, a Laranja saiu do campo em Tessalônica sabendo: precisa ser melhor desde o começo no próximo domingo, quando fechará as datas FIFA contra a Sérvia.



Liga das Nações da UEFA - Liga A - Grupo 2

Grécia 2x2 Holanda

Data: 1º de outubro de 2026
Local: Toumba (Tessalônica)
Árbitro: Marco Guida (Itália)
Gols: Fotis Ioannidis, aos 23', Giorgos Masouras, aos 45' + 2, Virgil van Dijk, aos 59', e Tijjani Reijnders, aos 89

GRÉCIA
Konstantinos Tzolakis; Manolis Saliakas, Ntinos Mavropanos, Panagiotis Retsos e Kostas Tsimikas; Konstantinos Karetsas (Giannis Michaillidis, aos 83'), Dimitris Kourbelis, Thanasis Androutsos (Anastasios Douvikas, aos 83') e Christos Tzolis (Giorgos Masouras, aos 18'); Vangelis Pavlidis (Christos Zafeiris, aos 71') e Fotis Ioannidis (Andreas Tetteh, aos 70'). Técnico: Ivan Jovanovic

HOLANDA
Bart Verbruggen; Denzel Dumfries, Jurriën Timber (Gjivai Zechiël, aos 78'), Virgil van Dijk e Micky van de Ven; Quinten Timber (Ryan Gravenberch, aos 46'), Guus Til (Tijjani Reijnders, aos 46') e Joey Veerman; Crysencio Summerville, Mexx Meerdink (Joshua Zirkzee, aos 70') e Ruben van Bommel (Noa Lang, aos 46'). Técnico: Xavi Hernández

domingo, 27 de setembro de 2026

A juventude apareceu

Meerdink começou como titular da Holanda (Países Baixos) pela primeira vez. E aproveitou muito bem a chance: fez os dois gols de uma vitória contra a Sérvia, que exigiu algo (Roy Lazet/Soccrates/Getty Images)

Já na estreia pela Liga das Nações, na quinta-feira passada, embora nomes como Denzel Dumfries e Cody Gakpo tenham sido importantes, dois novatos da seleção masculina da Holanda (Países Baixos) tiveram lá sua colaboração no empate em 1 a 1: os atacantes Mexx Meerdink, pelo meio da área, e Ruben van Bommel, pelas pontas. Por razões diferentes, ambos foram protagonistas nos difíceis 2 a 1 na Sérvia, a primeira vitória da Laranja sob o comando de Xavi Hernández, e na Liga das Nações em si.

Considerada uma seleção que usaria mais ligações diretas para o ataque, seria mais imediata, a Sérvia tentou primeiro, até pressionada pela derrota em casa para a Grécia: Sergej Milinkovic-Savic tentou o chute cruzado para fora, aos 6'. Minutos mais tarde, teve chance até mais perigosa: aos 20', Kosta Nedeljkovic cruzou, Dejan Joveljic desviou na pequena área, e Bart Verbruggen pegou, já tendo de trabalhar. Só que a Holanda já teve Meerdink aparecendo. Primeiro, num chute fora da área, aos 17', defendido em dois tempos por Vanja Milinkovic-Savic. Depois, ajeitando para outros: foi assim aos 26', quando ele tocou a bola para Ryan Gravenberch, vindo de trás, arrematar para fora aos 26'. Na ponta esquerda, se começou no banco de reservas, Ruben van Bommel logo teve de entrar: aos 17', veio para o lugar de Cody Gakpo, mancando desde que seu tornozelo fora atingido em falta de Sasa Lukic.

Com a Sérvia muito fechada, deixando visível sua linha de cinco marcadores (quatro na defesa, e Lukic sempre voltando do meio), estava difícil para a Laranja ter espaços. Restava começar a chutar de fora da área - o que fizeram Gravenberch, como já citado, e Tijani Reijnders, que arriscou aos 19', para a defesa de Vanja, após desvio em Nemanja Gudelj. E esperar por uma jogada individual. Ela veio e abriu caminho para o primeiro gol, quando Crysencio Summerville tentou o ataque aos 30', foi derrubado por Aleksa Terzic, e o juiz marcou pênalti. Convertido por... Meerdink, já fazendo seu primeiro gol pela Laranja. De quebra, Joey Veerman - já comandando a criação de jogadas, muito bem em campo - quase fez gol olímpico, aos 35'. E Dumfries teve sua chance, chutando para Vanja defender aos 38', após tabelar com... Meerdink.

Desta vez, Van Bommel teve de sair mais cedo do banco de reservas, substituindo o machucado Gakpo. E de novo, entrou bem em campo (Roy Lazet/Soccrates/Getty Images)

Apenas defensiva, sem fazer Verbruggen trabalhar, a Sérvia tentou mudar isso no segundo tempo, com as entradas de Dusan Tadic (voltando à seleção sérvia após dois anos) e Luka Jovic. Bastaram alguns segundos da etapa final para eles aproveitarem o "cochilo" da defesa holandesa e empatarem. Jovic tentou uma primeira vez, e Verbruggen rebateu; aí, Andrija Zivkovic chutou, e novamente o goleiro holandês espalmou; na sobra, Tadic cruzou, e Jovic fez 1 a 1 na pequena área. Foi o momento mais tenso da Holanda/dos Países Baixos no jogo, mais acuados na defesa, embora a Sérvia não chutasse muito.
 
A coisa só começou a melhorar quando o meio-campo voltou a participar, com mais "intensidade", como Xavi comentou nas entrevistas pós-jogo. De quebra, os laterais começaram a aparecer mais. Principalmente Dumfries, na direita. Aos 53', ele cruzou para Reijnders, livre, perder boa chance, chutando por cima. Aos 65', recebendo passe de Van Bommel, Gravenberch chutou de fora, para nova defesa de Vanja. Foi só aos 69' que, pela esquerda, saiu o gol holandês, numa tabela em que Meerdink tocou para Guus Til, que ajeitou para o jovem arrematar em diagonal e fazer 2 a 1.

A Holanda precisou tomar cuidado com cabeceios perigosos de Jovic, para fora, aos 76' e 78' (o segundo, após escanteio). Aos 88', Filip Kostic chutou meio torto, mas Verbruggen precisou espalmar. E na única chance que teve para resolver o placar, no último minuto, Til veio livre em contragolpe puxado por Summerville, mas passou para Van Bommel, e o jovem perdeu a chance (Milinkovic-Savic pegou). De todo modo, a Laranja saiu de Belgrado com a vitória. Porque, com Van Bommel e Meerdink, a juventude apareceu.



Liga das Nações da UEFA - Liga A - Grupo 2

Sérvia 1x2 Holanda

Data: 27 de setembro de 2026
Local: Rajko Mitic (Belgrado)
Árbitro: Szymon Marciniak (Polônia)
Gols: Mexx Meerdink, aos 30' e aos 69', e Luka Jovic, aos 46'

SÉRVIA
Vanja Milinkovic-Savic; Kosta Nedeljkovic (Strahinja Erakovic, aos 59'), Srdjan Babic, Strahinja Pavlovic (Filip Kostic, aos 71') e Aleksa Terzic; Nemanja Gudelj e Sasa Lukic; Andrija Zivkovic, Aleksandar Stankovic (Nemanja Maksimovic, aos 59') e Sergej Milinkovic-Savic (Dusan Tadic, aos 46'); Dejan Joveljic (Luka Jovic, aos 46'). Técnico: Veljko Paunovic

HOLANDA
Bart Verbruggen; Denzel Dumfries (Jurriën Timber, aos 80'), Virgil van Dijk, Jan Paul van Hecke e Micky van de Ven; Ryan Gravenberch (Guus Til, aos 67'), Joey Veerman e Tijjani Reijnders (Kenneth Taylor, aos 67'); Crysencio Summerville, Mexx Meerdink (Quinten Timber, aos 80') e Cody Gakpo (Ruben van Bommel, aos 17'). Técnico: Xavi Hernández

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Começando a cumprir a promessa

Xavi cumprimenta alguns jogadores da Holanda (Países Baixos): de fato, a Laranja mereceu cumprimentos no empate com a Alemanha (Dean Mouhtaropoulos/Getty Images)

Ao ser apresentado em entrevista(s) coletiva(s) como novo técnico da seleção masculina da Holanda (Países Baixos), Xavi Hernández já avisara: ganhando ou perdendo, queria ver uma seleção intensa, gostando de jogar com a bola, buscando o ataque, se movimentando. E mesmo com erros aqui e ali, mesmo ainda ineficiente nas finalizações, até que a Laranja começou a cumprir a promessa. Na estreia pela Liga das Nações - e estreia do próprio técnico espanhol -, o time holandês foi ofensivo, criou chances, diminuiu a má impressão com que terminou a Copa do Mundo, e ajudou o empate em 1 a 1 com a Alemanha a ser uma partida entre seleções atraente.

E até que os holandeses demoraram para se assentar diante da Alemanha, também com uma badalada estreia de técnico (Jürgen Klopp), que teve a primeira chance logo aos 2' (um chute de Karim Adeyemi, para fora) e começou tendo mais a bola. A partir do momento em que a Laranja segurou mais a bola - começando aos 7', num pivô de Brian Brobbey, completado por cruzamento de Crysencio Summerville que Marc ter Stegen pegou -, aí ela também passou a ser mais perigosa. Aos 10', Brobbey só não fez o gol por ter chutado fraco; aos 12', o arremate de Tijjani Reijnders foi bloqueado, saiu para escanteio... e na cobrança, aos 13', Virgil van Dijk até fez gol, de cabeça, mas ele foi anulado pela alegação do VAR (Brobbey teria bloqueado Ter Stegen de se movimentar na pequena área). O bom começo seguia, em lances como arremate de Quinten Timber - titular, até inesperadamente - para fora, aos 30'

Só que, se a Holanda vinha bem, a Alemanha também tinha espaços - só não tinha mais Kai Havertz, machucado. Coube a seu substituto, Younes Ebnoutalib, fazer Bart Verbruggen trabalhar, rebatendo uma bola aos 31'. No minuto seguinte, um azar holandês - Brobbey caiu em campo, machucado na parte posterior da coxa -, uma hesitação do juiz espanhol Alejandro Hernández (que não parou o jogo), e a Alemanha seguiu o jogo até fazer 1 a 0, com Felix Nmecha aproveitando o rebote dado por Jan Paul van Hecke, após chute de Adeyemi. A falta de, digamos, delicadeza alemã - talvez pela falta em Havertz ter vindo de Quinten Timber - causou muita irritação de Denzel Dumfries e Van Dijk em campo. Talvez tenha desconcentrado os holandeses, porque quase a Alemanha fez o segundo aos 38', não perdesse Adeyemi uma chance com o gol vazio, após Nadien Amiri cruzar. Faltou concentração também nas sucessivas falhas de Ter Stegen. Aos 42', Micky van de Ven chutou, e ele pegou em dois tempos. Ato contínuo, cobrou o tiro de meta errado, Cody Gakpo dominou a bola, chutou... mas Ter Stegen pegou.

Ruben van Bommel teve suas tentativas, na pressão holandesa no segundo tempo. E foi decisivo no lance do empate (Maurice van Steen/ANP/Getty Images)

Se tinha errado algumas vezes no primeiro tempo, o goleiro da Alemanha consertou no segundo. Já nos primeiros segundos, ele pegou a bola, após tentativa de Summerville finalizar; aos 59', após tabelar com Mexx Meerdink, Dumfries chutou e Ter Stegen fez ótima defesa. Tais finalizações eram sinais de que a Holanda iria insistir. Ainda mais após a entrada de Joey Veerman, que tornou os ataques mais rápidos, com passes longos e precisos. Só faltava alguma calma, como numa falta de Van Dijk em Kimmich que causou algumas escaramuças, aos 62'. E faltava, principalmente, eficiência nas finalizações. Como aos 66', quando Dumfries cruzou e Meerdink, na pequena área, com o gol vazio, "retribuiu" Adeyemi e errou a mira do carrinho. De quebra, aos 72', o camisa 9 chutou e Ter Stegen fez nova defesa. De quebra, a Alemanha, até então acanhada na etapa final, voltou a trazer perigo, aos 70', num chute de Philipp Treu (estreante na Mannschaft, na lateral direita), para fora. Ou até num cabeceio de Ebnoutalib, aos 83', para fora.

Àquela altura, já tinham entrado na Holanda Guus Til - que poderia ajudar no meio-campo, e até quebrar galho na frente, como já faz no PSV de vez em quando - e Ruben van Bommel. A insistência seguia, num cabeceio de Van Hecke aos 86' (Ter Stegen, de novo) e num arremate colocado de Van Bommel, aos 88', espalmado pelo goleiro alemão para escanteio. Só no segundo minuto dos acréscimos, enfim, a resistência alemã caiu, num belo cruzamento de trivela e de pé trocado de Van Bommel, mandando assim a bola para Gakpo completar de primeira e empatar.

No fim, Til ainda cabeceou para fora, aos 90' + 4. Mas o empate já tinha mostrado: a Holanda, mesmo sem vencer, começou a cumprir a promessa. É continuar melhorando no próximo domingo, contra a Sérvia.



Liga das Nações da UEFA - Liga A - Grupo 2

Holanda 1x1 Alemanha

Data: 24 de setembro de 2026
Local: Johan Cruyff Arena (Amsterdã)
Árbitro: Alejandro Hernández Hernández (Espanha)
Gols: Felix Nmecha, aos 32', e Cody Gakpo, aos 90' + 2

HOLANDA
Bart Verbruggen; Denzel Dumfries, Virgil van Dijk, Jan Paul van Hecke e Micky van de Ven; Tijjani Reijnders (Guus Til, aos 83'), Ryan Gravenberch e Quinten Timber (Joey Veerman, aos 57'); Crysencio Summerville (Ruben van Bommel, aos 83'), Brian Brobbey (Mexx Meerdink, aos 35') e Cody Gakpo. Técnico: Xavi Hernández

ALEMANHA
Marc ter Stegen; Philipp Treu, Nico Schlottebeck, Jonathan Tah e Nathaniel Brown; Joshua Kimmich, Nadien Amiri (Yannik Engelhardt, aos 80') e Felix Nmecha (Anton Stach, aos 64'); Karim Adeyemi (Serge Gnabry, aos 80'), Kai Havertz (Younes Ebnoutalib, aos 30') e Kevin Schade (Chris Führich, aos 64'). Técnico: Jürgen Klopp

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Para manter a boa vontade

Xavi Hernández começa seu trabalho na seleção masculina da Holanda (Países Baixos) tendo, ainda, boa vontade. E a retribuindo. Resta vencer para que isso siga, nas primeiras rodadas da Liga das Nações (Jeroen van den Berg/Soccrates/Getty Images)

Em julho passado, dias antes da final da Copa do Mundo, Xavi Hernández i Creus foi claro à rádio espanhola RNE: "Tenho que respeitar todos os treinadores que estão em atividade por seleções, mas eu gostaria muito de treinar uma seleção. Quero participar de uma Copa do Mundo, uma Eurocopa, uma Copa Africana de Nações ou uma Copa da Ásia como treinador. Teria que ser um projeto bonito e que pudesse trabalhar com calma". Pois bem: no mês seguinte, a chance surgiu. Uma grande chance. E será como o primeiro técnico estrangeiro que a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) tem, após 48 anos, que Xavi iniciará o desafio de fazer a Laranja voltar a ser uma competidora real nos torneios que disputa. 

A começar pela fase de grupos da Liga das Nações, que já terá desafios grandes nestas datas FIFA "turbinadas". Primeiro, o maior clássico que os neerlandeses podem imaginar: contra a Alemanha - também em estreia badalada de técnico, Jürgen Klopp -, às 15h45 de Brasília desta quinta, 24, na Johan Cruyff Arena de Amsterdã. Aí vem a Sérvia, no domingo, 27, às 13h de Brasília, em Belgrado. Depois, a Grécia, às 15h45 do dia 1º de outubro, outra quinta, em Tessalônica. E finalmente, a quarta rodada, no "jogo de volta" contra os sérvios, em Eindhoven, às 15h45 de mais um domingo, 4 de outubro.

Xavi não tem lá uma carreira de técnico que tenha decolado. Começou no Al-Sadd catarense, e no Barcelona em que marcou época como meio-campo, embora tenha um título espanhol e uma Supercopa da Espanha (ambos em 2022/23), além de dar a primeira chance no time principal a Lamine Yamal e Pau Cubarsì, entre outros, o trabalho de Xavi foi considerado defensivo demais. Não exatamente ruim, mas mediano. 

Ainda assim, o nativo da cidade espanhola de Terrassa foi saudado com alguma boa vontade por torcida e imprensa. Primeiro, por ter sido simpático, saudando a memória de Johan Cruyff e a importância de Louis van Gaal (quem lhe deu a primeira chance no Barcelona), se dizendo até um “filho do futebol holandês”. Depois, por interromper o ciclo repetitivo de treinadores que a seleção masculina neerlandesa tinha. E finalmente, por ser, principalmente dentro de campo, um símbolo do “jeito espanhol” de jogar. Um jeito que fez a Espanha se tornar uma seleção definitivamente grande, desde 2008. E um jeito que a Holanda quer recuperar para sua seleção masculina, que mesmo tendo alguns bons momentos na Copa recém-passada, saiu por baixo, eliminada após ser exagerada e desnecessariamente defensiva contra Marrocos, nos 16-avos de final.

Van Dijk: sentindo-se prestigiado por Xavi, o capitão da Laranja decidiu continuar (Jeroen van den Berg/Soccrates/Getty Images)

Pois Xavi quis manter essa boa vontade, a princípio, em sua primeira convocação, sem mudanças bruscas. Dos 26 jogadores chamados, 20 estiveram na Copa. As alterações foram todas elogiadas por ele. Joey Veerman, de bom começo no Borussia Dortmund, de volta à Laranja após ser excluído nos tempos de Ronald Koeman? “Ele joga. Tem muitas qualidades táticas, pode nos ajudar, é ótimo na construção de jogadas”. Gjivai Zechiël, convocação que estreia na Laranja, meio-campo promissor, vindo de ótimo começo de temporada no Feyenoord? “Ele tem potencial.” Mexx Meerdink, novamente convocado para o ataque após uma leve lesão causar o corte de Donyell Malen? “Quero vê-lo jogar.” Virgil van Dijk, que decidiu seguir na Laranja, pelo menos, até a Euro 2028, aos 35 anos? “Viajei a Liverpool para falar com ele. Foi uma boa conversa. Ele é um líder por natureza, então, não havia por quê ele deixar de ser o capitão. Precisamos dele.”

Até mesmo nos assuntos mais espinhosos, Xavi manteve a amenidade de um início cuidadoso. Por exemplo, ao falar sobre a ausência de Memphis Depay - ausência que, para muitos holandeses que o julgam displicente, deveria ser definitiva, antes até que os corintianos se magoassem com ele após o pênalti perdido nas quartas de final da Copa Libertadores da América: “O mais difícil foi falar com Memphis [sobre a ausência]. Mas tenho uma ótima relação com ele, ele entendeu bem, e quero deixar claro que a porta não está fechada definitivamente nem para ele, nem para Weghorst, nem para ninguém”. Ou mesmo ao ser perguntado sobre o trabalho do antecessor Ronald Koeman: “Respeito Ronald. Não vou falar sobre o passado aqui”.

Joey Veerman (centro): de volta às convocações da Laranja, o meio-campo quer esquecer a relação turbulenta com o técnico anterior, Ronald Koeman, e começar nova fase (Stefan Koops/Eye4Images/NurPhoto/Getty Images)

Se o novo técnico dos Países Baixos ainda age com simpatia, tem a retribuição dos convocados. A começar por Van Dijk: “Para continuar, eu precisava sentir confiança, uma combinação de respeito e satisfação, era o que eu queria. Desde o primeiro segundo da conversa com ele, foi o caso. Foi muito bom, e estou motivado”. Joey Veerman, enfim prestigiado, também minimizou as turbulências com Ronald Koeman (“Não faz sentido pensar no que já foi”) e foi otimista com o novo período (“Não conversei com Xavi individualmente, mas se ele me convocou, é pelo que viu de mim. Espero ter chance contra a Alemanha”). Também otimista foi Brian Brobbey, provável titular no ataque, vindo de bom começo de temporada no Sunderland. Ao ouvir a lembrança das ausências de Malen, Memphis e de outro veterano, Wout Weghorst, Brobbey foi curto e grosso: “Eu estou aqui”. E o estreante Zechiël creditou sua convocação, grato, a um “plano de Deus”.

Cabe à Holanda jogar para vencer. Até porque, se as datas FIFA passarem com maus resultados, a boa vontade com Xavi passará rapidamente.

Os 26 convocados da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

GOLEIROS: Bart Verbruggen (Brighton-ING), Mark Flekken (Bayer Leverkusen-ALE) e Robin Roefs (Sunderland-ING)

DEFENSORES: Denzel Dumfries (Real Madrid-ESP), Jurriën Timber (Arsenal-ING), Virgil van Dijk (Liverpool-ING), Jan Paul van Hecke (Tottenham Hotspur-ING), Micky van de Ven (Tottenham Hotspur-ING), Nathan Aké (Fenerbahçe-TUR) e Jorrel Hato (Chelsea-ING)

MEIO-CAMPISTAS: Tijjani Reijnders (Al Qadsiah-SAU), Ryan Gravenberch (Liverpool-ING), Quinten Timber (Crystal Palace-ING), Teun Koopmeiners (Juventus-ITA), Guus Til (PSV), Joey Veerman (Borussia Dortmund-ALE), Kenneth Taylor (Lazio-ITA) e Gjivai Zechiël (Feyenoord)

ATACANTES: Cody Gakpo (Liverpool-ING), Crysencio Summerville (Al Hilal-SAU), Jeremie Frimpong (Liverpool-ING), Noa Lang (Napoli-ITA), Mexx Meerdink (AZ) e Ruben van Bommel (PSV)

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Nos 30 anos da Johan Cruyff Arena, um encontro Brasil-Holanda: o estádio chamou mais a atenção

Brasil e Holanda (Países Baixos) fizeram vários jogos marcantes na década de 1990. Este amistoso de 1996, o primeiro jogo da Laranja na Amsterdam Arena (atual Johan Cruyff Arena), acabou ficando meio apagado na memória, mas até que teve sua animação (Steve Bardens/Offside/Getty Images)

Embora ainda seja um estádio controverso (há ainda quem prefira o clima dos estádios antigos - mesmo os torcedores mais idosos do Ajax, ainda saudosos do velho De Meer -, e De Kuip, menos falado, é também um templo do futebol europeu), a Johan Cruyff Arena, antiga Amsterdam Arena, é inegavelmente marcante no futebol europeu e mundial, tendo sido um dos primeiros estádios a trazer o conceito hoje comum de "arena multiuso", com lanchonetes, lojas e até estacionamentos internos. Pois bem: sua existência tem sido celebrada neste 2026, ao completar 30 anos, desde a inauguração com um amistoso em 14 de agosto de 1996, entre Ajax e Milan (Milan 3 a 0). Contudo, foi outro amistoso de seu início que teve participação brasileira. Mais precisamente, da Seleção Brasileira. E aquele 2 a 2, que completa 30 anos exatamente nesta segunda-feira, teve traços interessantes.

Para a Laranja, era um recomeço, sendo o primeiro jogo após a turbulenta participação na Euro 1996 (e, em aspectos mais genéricos, era a primeira partida da Laranja usando uniformes da Nike, parceria que segue 30 anos depois, anterior até à parceria com o Brasil). A Euro 1996 deixava marcas: Edgar Davids, principal protagonista de toda a confusão, estava ainda punido pelo técnico Guus Hiddink, sem ser convocado, e assim seguiria por todas as Eliminatórias da Copa de 1998. No entanto, Hiddink - que divulgara pouco antes uma cartilha de comportamento, tentando mitigar os riscos de problemas internos explodirem como haviam explodido na Euro - seguia contando com boa parte dos jogadores que fariam bonito no Mundial de dois anos depois. Alguns deles ficaram no caminho daquele trabalho da qualificação, como o meio-campo Jean-Paul van Gastel e o atacante Jordi Cruyff (desnecessário dizer de quem ele é filho, certo?). Outros já eram titulares absolutos, e assim seguiriam, como Edwin van der Sar, Frank de Boer e Dennis Bergkamp. E outros, ainda, foram chegando e já estiveram na Copa. Como um certo Giovanni van Bronckhorst, que fez naquele amistoso contra o Brasil a primeira das 106 partidas de sua carreira pela Laranja.

O amistoso contra a Seleção foi a primeira das 106 partidas de Van Bronckhorst pela Laranja (Richard Sellers/Sportsphoto/Allstar/Getty Images)

Se o Brasil, tetracampeão mundial que era então, não precisava se preocupar com as eliminatórias da Copa - até 2002, quem vencia o Mundial ganhava automaticamente a vaga na edição seguinte -, também tinha o que mudar. Se não tinha a ver com a seleção principal, o fim lamentável da campanha da Seleção no torneio olímpico daquele 1996 aumentava a pressão sobre Zagallo (1931-2024). Com relação à equipe principal, a intenção do "Velho Lobo", dita à televisão holandesa no pré-jogo, era iniciar definitivamente "o trabalho de preparação para a Copa de 1998". 

O amistoso era parte de uma pequena "turnê europeia" da Seleção, iniciada três dias antes, com outro 2 a 2, contra a Rússia, em Moscou. E o Brasil chegava à novíssima Amsterdam Arena, vestindo ainda uniformes da Umbro (a parceria com a Nike começou em 1997), com alguns titulares absolutos que o seriam no vice mundial de 1998, como Cafu e Ronaldo; com gente que até iria à Copa, mas como coadjuvante (casos do goleiro Carlos Germano - Taffarel estava afastado da Seleção, por vontade própria, até o ano seguinte -, do ponta-de-lança Giovanni, substituído por Leonardo, outro presente, e dos zagueiros Gonçalves e André Cruz); e, finalmente, com nomes até experimentados, mas logo deixados de lado, como o lateral esquerdo André Luis, o volante Zé Elias - estes, titulares no bronze dos Jogos Olímpicos daquele ano -, o meio-campo Sérgio Manoel, e os atacantes Donizete (o célebre "Pantera") e Jardel.

Num Brasil começando a preparação para a Copa de 1998 no amistoso, Carlos Germano acabou ficando daquele 31 de agosto de 1996 até o Mundial, mesmo sendo reserva (Mark Thompson/Allsport/Getty Images)

E, em tempos pré-data FIFA - não existia esse conceito -, obter a liberação de jogadores era coisa complicada. Mauro Silva que o dissesse: o meio-campo estava convocado, mas foi impedido de jogar pela FIFA, por ter pedido a liberação, já que o Deportivo tinha, no mesmo dia, partida contra o Real Madrid, pelo Campeonato Espanhol (o jogo terminou empatado em 1 a 1). Ronaldinho e Giovanni, então, teriam de fazer sacrifícios: jogariam pelo Brasil, e pegariam o avião imediatamente depois do amistoso, para voarem à Espanha e defenderem o Barcelona no dia seguinte, contra o Oviedo, também por La Liga. Não era a única complicação brasileira: outro remanescente do tetracampeonato de 1994, o zagueiro Márcio Santos, estava retornando aos poucos do rompimento do tendão de Aquiles, sofrido em setembro de 1995. Jogando justamente pelo Ajax, estava sem muito espaço. Em visita à delegação brasileira, até ouviu crítica leve de Zagallo: "Gosto do futebol dele, mas não posso chamar um defensor de um time, que, há poucos dias atrás, tomou de 6 a 0 da Juventus, da Itália [pelo Troféu Teresa Herrera, torneio amistoso]. Além disso, estou gostando dos meus beques".

Contudo, mais até do que o amistoso, a Amsterdam Arena era uma novidade gigante - uma "coisa de século XXI", nas palavras com que Galvão Bueno, então narrador da TV Globo, abriu a transmissão daquele jogo, ocorrido num sábado, às 15h de Brasília. Por mais que fossem visíveis problemas como o gramado ainda problemático, com tufos saindo a cada chute - o gramado seria um problema da Amsterdam/Johan Cruyff Arena por muito tempo, ainda -, ver um estádio sendo um centro de entretenimento geral e não só algo para a prática de esportes impressionava os brasileiros. Basta citar o destaque dado à abertura do estádio (também citando a questão do gramado) na matéria de Arnaldo Ribeiro, para a Folha de S. Paulo no dia do jogo. 

Ou então, lembrar a matéria "Campo dos Sonhos", publicada pela revista Placar na edição de outubro de 1996. Nela, Paulo Vinícius Coelho - sim, o repórter hoje estabelecido como comentarista -, o fotógrafo Alexandre Battibugli e o infografista Mario Kanno destrinchavam como funcionava a Amsterdam Arena. Para o trabalho, tiveram sorte. Inicialmente, chegaram poucos dias antes do 31 de agosto de 1996, e sabiam que o Ajax não seria muito colaborativo na visita guiada permitida para que conhecessem o estádio. Até que, em certo momento, dando a volta no estádio, encontraram um portão entreaberto. Encostaram na porta, ela se abriu, nenhum segurança apareceu barrando, Battibugli (apelidado "Batti") começou a tirar fotos, Mario Kanno mediu as cadeiras com trenas, PVC fez suas anotações, assim ficaram mais alguns dias... e o trio praticamente destrinchou todo o estádio novo. Quando o Ajax comandou a visita guiada de uma hora, sem permitir acesso a muitos lugares, nada de problemas: o trio já tinha apurado o suficiente para a matéria que rendeu a PVC o Prêmio Abril de Jornalismo, premiação cedida pela editora homônima a reportagens de suas revistas.

A matéria da Placar sobre a Amsterdam Arena dava boa mostra de como o estádio novo interessava (Reprodução)

Jogo iniciado, após os dois hinos serem cantados por um casal de cantores líricos e um pianista - a cantora entoou o Hino Nacional Brasileiro, e o cantor, "Het Wilhelmus", o hino holandês -, a Holanda começou assustando mais: logo aos dois minutos de jogo, Jonk chutou de longe, e Carlos Germano rebateu. Com avanços dos laterais Michael Reiziger e Arthur Numan, a ofensividade holandesa era maior. Porém, praticamente no primeiro ataque brasileiro, o primeiro gol: aos 13', Zé Elias lançou a bola do meio-campo, Giovanni dominou na área e finalizou. Edwin van der Sar ainda desviou, mas insuficiente para evitar o 1 a 0 do Brasil.

Foi aí que a Seleção cresceu. Enquanto Donizete marcava a saída de bola holandesa, Giovanni encaminhava as jogadas, Ronaldo se mexia mais para finalizar, e as chances apareciam. Às vezes, em bolas paradas, como na cobrança de falta de André Cruz, aos 19', por cima do gol. Às vezes, em iniciativas individuais, como a de Ronaldo aos 35': ao receber lançamento de Giovanni, ele ajeitou de cabeça, passou por Van der Sar, e só não fez o gol porque, ao finalizar, Stam afastou a bola em cima da linha.

Só que a Laranja seguia ativa. Terminou o primeiro tempo reagindo em um chute de Michael Reiziger (boa atuação), para fora. Passou por uma alteração no intervalo, com Gaston Taument substituindo Jordi Cruyff, que mais fez faltas do que criou chances de ataque. E o crescimento holandês foi premiado com um empate até rápido: logo aos 51', Bergkamp cruzou da direita, e Ronald de Boer entrou finalizando para fazer 1 a 1. Só não foi mais rápido do que a reação brasileira: três minutos depois, escanteio ensaiado, Leonardo cruzou a bola, e Gonçalves fez 2 a 1 com um leve desvio, que tirou a bola do alcance de Van der Sar.

Só que a Laranja seguiu tendo mais a bola, sem que o Brasil aproveitasse as chances de contra-atacar (chance perigosa brasileira, só aos 81', quando Ronaldo recebeu de Leonardo, chegou à área e bateu para Van der Sar defender). Os holandeses é que tentaram, como aos 64', num cruzamento de Taument que Van Bronckhorst completou para fora. Contudo, só nos acréscimos veio o empate. E num pênalti suspeito: André Luís derrubou Bergkamp, na linha divisória da área, e o juiz escocês Hugh Dallas apitou o pênalti convertido por outro estreante: o meio-campo Jean-Paul van Gastel, que substituiu Ronald de Boer.

E assim terminou o Brasil x Holanda que inaugurou a então Amsterdam Arena (hoje, Johan Cruyff Arena) na história da seleção masculina dos Países Baixos. Aliás, o esadio chamou mais a atenção do que o jogo.

(Os melhores momentos de Holanda 2x2 Brasil, amistoso em 31 de agosto de 1996, na transmissão da TV Globo, com a narração de Galvão Bueno. Postado no YouTube por Dane)

FICHA DO JOGO

Amistoso

Holanda 2x2 Brasil

Data: 31 de agosto de 1996
Local: Johan Cruyff Arena/Amsterdam Arena (Amsterdã)
Árbitro: Hugh Dallas (Escócia)
Gols: Giovanni, aos 12', Ronald de Boer, aos 51', Gonçalves, aos 54', e Jean-Paul van Gastel, aos 90' + 3

HOLANDA
Edwin van der Sar; Michael Reiziger, Jaap Stam, Frank de Boer e Arthur Numan; Wim Jonk (Jean-Paul van Gastel, aos 77'), Ronald de Boer, Clarence Seedorf e Giovanni van Bronckhorst; Jordi Cruyff (Gaston Taument, aos 46') e Dennis Bergkamp. Técnico: Guus Hiddink

BRASIL
Carlos Germano; Cafu, Gonçalves, André Cruz e André Luis; Zé Elias, Amaral e Leonardo; Giovanni; Donizete (Sérgio Manoel, aos 83') e Ronaldo (Jardel, aos 86'). Técnico: Zagallo

domingo, 12 de julho de 2026

A Holanda na Copa 2026: a análise sobre quem jogou

A foto da Holanda (Países Baixos) posada antes do jogo da eliminação na Copa do Mundo de 2026, contra Marrocos: a Laranja viveu de altos e baixos no Mundial, mas as más escolhas levaram a uma saída precoce (KNVB Media/Divulgação)

Já se passaram 13 dias desde que Ismael Saibari converteu a última cobrança de Marrocos, na série de chutes da marca do pênalti, fez 3 a 2 na série e decretou que a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) estava eliminada da Copa do Mundo de 2026 já nos 16-avos de final, a pior campanha da Laranja desde 2006. De certa forma, o abatimento pela queda precoce segue, já que a federação não se mexeu rapidamente - e nem dá sinais disso - para uma escolha criteriosa de técnico, como Alemanha e Portugal, também já eliminadas, fizeram tão logo foram vítimas das eliminações.

Então as quatro partidas da Laranja nos Estados Unidos não resultaram em nada? Em alguns momentos, resultaram, claro. Por incrível que possa parecer, nos quatro jogos da Laranja, houve jogadores correspondendo às expectativas, nomes que cresceram, sinais de que há possibilidade de crescimento para os próximos anos. O problema é que quase todos esses sinais foram eclipsados por escolhas erradas, por fragilidades vistas - e sinalizadas antes -, por convocações que se revelaram ruins na Copa, até mesmo pela crença distorcida, e vista nas últimas Copas com participação dos Países Baixos, de que o pragmatismo a qualquer custo levará às vitórias. Claro, não é nem nunca foi assim. Enquanto isso, França, Espanha e Inglaterra, semifinalistas na Euro 2024 como a Laranja foi, voltam à mesma fase na Copa de 2026. Mais do que isso: indicam que estão numa plataforma diferente dos neerlandeses.

E enquanto os holandeses ainda lambem suas feridas, com a incômoda sensação de que elas doerão por mais tempo, é hora de falar de como foram, ou não foram, os 26 convocados da Laranja nesta Copa do Mundo.
Antes da Copa, ainda havia certas desconfianças quanto a Verbruggen. O goleiro as minimizou com sua participação: agora, é titular absoluto da Holanda (Países Baixos) (Joe Buvid/ISI Photos/ISI Photos/Getty Images)

GOLEIROS

1-Bart Verbruggen (4 jogos, 5 gols sofridos): mesmo já vindo como titular da Laranja havia quase três anos, com uma Euro no currículo, Verbruggen ainda atraía certas desconfianças sobre sua segurança. Havia quem achasse - com alguns motivos - que Robin Roefs, mesmo jovem, já poderia ser titular. Além do mais, no amistoso derradeiro antes da estreia, contra o Uzbequistão, uma lesão no quadril fez com que sua preparação fosse encurtada nos treinos em Kansas City. E no 2 a 2 contra o Japão, finalmente, houve quem achasse que o camisa 1 da Laranja poderia ter ido melhor nos dois gols, principalmente no segundo, em que tentou rebater insuficientemente o cabeceio de Daichi Kamada. Pois Verbruggen já começou a minimizar essas desconfianças contra a Suécia: mesmo com a goleada holandesa por 5 a 1, algumas defesas dele impediram que os suecos colocassem dificuldades na vitória. Contudo, mesmo essa atuação já boa na fase de grupos ficou abaixo do que o arqueiro fez contra o Marrocos. Escanteios desviados, saídas providenciais de gol, reflexos em dia: Verbruggen mostrou tudo nos 16-avos de final, e coroou isso com a intervenção no chute à queima-roupa de Soufiane Rahimi, já na prorrogação, na pequena área, das melhores defesas desta Copa. Teve azar nos pênaltis - uma cobrança já tinha sido defendida, mas bateu no seu calcanhar e entrou. Mas se serve de consolo para a eliminação, Verbruggen deixou claro: atualmente, a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) tem um goleiro titular absoluto. E é ele.  

23-Mark Flekken: não jogou

13-Robin Roefs: não jogou

LATERAIS
 
22-Denzel Dumfries (4 jogos): impossível dizer que Dumfries brilhou nesta Copa: o lateral direito da camisa 22 teve lá suas dificuldades de marcação, principalmente, contra Japão e Marrocos. Além do mais, foi menos decisivo em sua segunda Copa do que foi, em alguns momentos de 2022. O que não quer dizer que Dumfries não ajudou. Como esperado, quando teve espaço para atacar, o ala pela destra teve sua marca em bons momentos holandeses nesta Copa. Contra a Suécia, cruzou a bola para um dos gols de Brian Brobbey nos 5 a 1, acelerou contra-ataques, enfim, foi a "válvula de escape" de que a Laranja tanto se beneficia. Além do mais, no decorrer da Copa - já após a eliminação holandesa - se confirmou a transferência dele para o Real Madrid, considerada um "prêmio" para um jogador de dedicação inquestionável em campo. Em suma: se Dumfries ainda quiser a seleção holandesa nos próximos tempos, tem seu espaço mantido. Até porque se considera que ele poderia ganhar a braçadeira de capitão, se Van Dijk deixar a Laranja.

12-Mats Wieffer: não jogou

15-Micky van de Ven (3 jogos): não adiantavam as críticas e alertas sobre Van de Ven ser um zagueiro de origem. Era como lateral esquerdo que ele vinha jogando nos últimos anos pela Laranja, e seria como lateral esquerdo que ele estaria nesta Copa do Mundo. Pois ele também teve suas dificuldades: se Jan Paul van Hecke, de quem se falará daqui a pouco, tinha de trabalhar tanto, era pelos espaços que Van de Ven deixava na esquerda. Certo, sua velocidade o ajudava a recompor rapidamente para defender. Mas nem sempre isso aconteceu. A prova foi contra o Marrocos, com Van de Ven costumeiramente superado por Achraf Hakimi, que criou muitos lances perigosos. Com a possível saída de cena de Nathan Aké, em termos de seleção, quem sabe Van de Ven - que continua convocável - possa atuar em sua posição original.

25-Jorrel Hato (1 jogo): o jovem lateral esquerdo teve sua convocação contestada aqui e ali, mas não causou prejuízos que trouxessem mais críticas. Nem foi o diferencial, justiça seja feita: afinal de contas, Hato só jogou 34 minutos nesta Copa. Tendo entrado aos 41 minutos do segundo tempo dos 90 minutos regulamentares contra Marrocos, não decepcionou, mas não resolveu muito os problemas da Laranja que lhe envolveram na partida da eliminação. Pela pouca idade, segue no radar das convocações holandesas, salvo problemas que ocorram.

Van Hecke foi outro nome a consolidar seu espaço na Laranja, no pouco tempo dela nesta Copa (BSR Agency/Getty Images)

ZAGUEIROS

4-Virgil van Dijk (4 jogos, 1 gol): até que o capitão da Holanda (Países Baixos) apareceu mais do que em 2022. Mas, como na primeira Copa de sua carreira, Van Dijk também teve altos e baixos. Os altos foram mais altos: para começo de conversa, o zagueiro marcou gol, abrindo o placar contra o Japão, além de ter sido o líder esperado para a equipe, em campo - tanto que, na fase de grupos, era apontado como um dos melhores zagueiros da Copa. Porém, os baixos foram tristemente previsíveis: cada vez mais lento, Virgil teve dificuldades ao conter adversários mais velozes, como se viu contra o Japão, ou até mesmo contra a Suécia (no gol de honra na goleada neerlandesa por 5 a 1, Anthony Elanga passou facilmente pelo camisa 4). Teve dificuldades até, vejam só, pelo alto, como se notou no gol de empate do Japão... e no ponto final, uma baixa, quando foi desatento na marcação e permitiu que Issa Diop, vindo de trás, cabeceasse para empatar nos acréscimos do tempo normal a partida dos 16-avos de final para Marrocos. Sem condições físicas - tinha cãibras -, Van Dijk também precisou deixar de lado a cobrança dos pênaltis, no jogo da eliminação. E por mais que tenha se esforçado, por mais que tenha mantido o respeito merecido que tem, talvez tenha chegado ao fim de seu caminho vestindo laranja.

6-Jan Paul van Hecke (4 jogos, 1 gol): não é só por causa da transferência para o Tottenham, confirmada durante a Copa, que Van Hecke fica do lado dos (poucos) holandeses que se saíram bem e têm boas perspectivas para o pós-Copa. Sem perder nenhum minuto da Laranja na Copa, como o colega de defesa Virgil van Dijk, o zagueiro da camisa 6 mostrou vitalidade. Mostrou esforço - e até foi vítima dele: que o digam o hematoma abaixo do olho com que ficou após o empate com o Japão, ou mesmo ter sofrido um corte na cabeça, ainda no primeiro tempo contra Marrocos. Van Hecke mostrou até capacidade para marcar gols - contra a Tunísia, fez seu primeiro pela Laranja na Copa, justo num momento de relativa tensão (os tunisianos tinham acabado de diminuir o placar para 3 a 1). Tudo isso foi reconhecido com seu nome muito presente entre os melhores zagueiros da fase de grupos da Copa. A eliminação precoce pôs um fim nisso, mas com a segurança mostrada em campo, o zagueiro também surge como um forte candidato a titular para os tempos que virão.

5-Nathan Aké (3 jogos): Se em 2022, Aké deu sequência à boa fase que vivia então no Manchester City com boas atuações na Copa do Mundo, agora ele... fez a mesma coisa, mas num cenário mais discreto da carreira. Já na reserva do City, perto da saída - afinal confirmada, dias após a eliminação holandesa, com a ida para o Fenerbahçe também anunciada -, Aké começou a Copa na reserva. E contra o Japão, teve dificuldades ao entrar, a nove minutos do fim: sem conseguir frear a velocidade de Kento Shiogai e Yukinari Sugawara, acabou recuando mais e mais, simbolizando uma Holanda que ficou mais defensiva e foi punida com o empate. Já contra a Tunísia, Aké começou como titular (Van de Ven foi poupado, para não ficar "pendurado" com o cartão amarelo que tinha), e não comprometeu. Contra Marrocos, surpreendentemente escalado para um trio de zagueiros, também passou em branco, sem grandes falhas, mas sem conseguir deter os marroquinos em campo. Enfim, se foi destaque há quatro anos, Aké sai da Copa discretamente agora. Assim como em seu clube.

2-Lutsharel Geertruida: não jogou

De Jong teve atuações oscilantes na Copa do Mundo, mas até que terminou bem. E tem tudo para liderar a seleção holandesa (Joe Buvid/ISI Photos/ISI Photos via Getty Images)

MEIO-CAMPISTAS

21-Frenkie de Jong (4 jogos): eis um nome da Laranja que teve atuações controversas durante a Copa. Na estreia contra o Japão, o camisa 21 nem jogou tão mal assim, mas torcida e imprensa consideraram De Jong defensivo e lento demais - talvez reflexo do empate tardio do Japão. O jogador ficou insatisfeito, até mesmo devolveu as críticas ("Há gente que vê o jogo, mas não enxerga nada"), mas por fim, respondeu como se devia: em campo. Contra a Suécia, fez o que melhor sabe: controlou a saída de bola da Holanda (Países Baixos), acelerou o jogo com passes precisos, enfim, foi um dos melhores em campo nos 59 minutos que atuou. O problema é que a substituição até precoce sinalizou problemas físicos. Vistos novamente contra a Tunísia, quando De Jong, mesmo após outra boa atuação, ficou 72 minutos em campo. Especula-se que ele tenha jogado com dores no joelho, mas nada confirmado. Certo mesmo, só o fato de que, sabedora de que o meio-campista era um dos que mais controlavam o jogo da Holanda, a seleção de Marrocos procurou anulá-lo na segunda fase. E conseguiu: De Jong saiu já com a prorrogação em andamento - foram 110 minutos em campo -, sem se destacar tanto quanto na fase de grupos. Ainda assim, as críticas que começavam foram aplacadas. De Jong deve ter seu papel de líder até mais preponderante nos próximos anos.

14-Tijjani Reijnders (3 jogos): Reijnders saiu desta Copa podendo ser considerado uma vítima - mais pela partida em que não atuou, a bem da verdade. Na fase de grupos, começando todas as partidas da Holanda (Países Baixos) como titular, o camisa 14 oscilou mais do que se esperava. Até ajudava no toque de bola, mas não conseguia avançar ao ataque como costuma fazer, precisando se focar mais na ajuda à marcação, que não é seu forte. Resultado: o meio-campista ficou sem se destacar muito na fase de grupos, nem contra Japão, nem contra Suécia, nem contra Tunísia, substituído nas três partidas, embora tivesse lá sua utilidade, mantendo a posse de bola e cadenciando mais o ritmo quando necessário. Porém, com a citada falta de destaque e a preocupação em não tomar gols, Ronald Koeman fez de Reijnders uma "vítima" algo exagerada: não só o tirou do jogo contra Marrocos, como o deixou no banco pelos 120 minutos de bola rolando, como um espectador. E aí, até que Reijnders saiu "ganhando", se é que é possível numa eliminação. Porque saiu como "vítima", como um nome com quem as coisas da Laranja dentro de campo poderiam ter sido menos defensivas, menos medrosas. Sai com seu espaço na seleção mantido, mesmo que sua Copa tenha sido mediana.

8-Ryan Gravenberch (4 jogos): Dos três meio-campistas titulares habituais da Holanda (Países Baixos), Gravenberch foi quem mais mudou seu nível de jogo no decorrer da participação neerlandesa na Copa. E mudou para melhor. O crescimento holandês no empate com o Japão foi creditado à aparição maior do camisa 8 no segundo tempo - que o diga sua ótima jogada no gol de Crysencio Summerville, tirando dois japoneses da jogada com um só drible. De certa forma, quando tinha espaço, Gravenberch fazia o que se esperava que Tijjani Reijnders fizesse até mais: acelerava as jogadas, dava bom ritmo ao ataque da Laranja. Bem marcado contra Marrocos, rendeu pouco, até por isso sendo substituído. Mas, na primeira Copa de sua carreira (e no primeiro torneio em que teve importância real pela Laranja - foi reserva na Euro 2024), Gravenberch ocupou bem seu espaço.

20-Teun Koopmeiners (4 jogos): e não é que Koopmeiners, de atuações relativamente desinteressantes na passagem pela Juventus, ajudou um pouquinho a Laranja? Pelo menos, foi ele o meio-campista preferencial para as substituições de Ronald Koeman: jamais começou como titular, mas sempre entrou. E foi útil quando seus pontos positivos foram potencializados, coisa que não aconteceu na estreia contra o Japão: substituindo um Crysencio Summerville que vinha muito bem, Koopmeiners reduziu o ritmo de jogo, e possibilitou que os nipônicos começassem a pressionar mais no ataque, até conquistarem o empate. Porém, em contextos mais favoráveis, contra Suécia e Tunísia, o camisa 20 conseguiu manter a ajuda e até trazer auxílio, nas faltas e pênaltis que cobra tão bem. Contra Marrocos, ao vir a campo no lugar de Aké, até mesmo tornou o time menos defensivo, como era altamente necessário. De quebra, converteu sua cobrança na série de chutes. "Koop" não chegou a fazer boa Copa, mas foi mais útil do que se esperava.

7-Justin Kluivert (2 jogos): ao correr contra o tempo para se recuperar de uma lesão e ir à Copa do Mundo, o choro de Justin - defendendo o Bournemouth-ING na partida da volta, com o pai Patrick a assisti-lo - parecia um final feliz de um capítulo, quem sabe para abrir outro de possibilidade de ajuda no decorrer da Copa do Mundo. Não foi. O meio-campista até veio a campo em dois jogos, contra Tunísia e Marrocos. No entanto, ao entrar nos 3 a 1 frente aos tunisianos, a vitória da Laranja já estava encaminhada. E no tenso 1 a 1 contra os marroquinos, ao vir a campo já aos 113', no lugar de um Cody Gakpo esgotado, a intenção era que Kluivert fosse incluído entre os cobradores na disputa da marca do pênalti. Até foi. Mas mandou seu chute, que poderia ampliar uma vantagem nascente da Holanda (Países Baixos), na trave. Se o capítulo da tentativa de ir à Copa foi feliz, o de disputá-la teve um triste fim.

26-Quinten Timber (2 jogos): impossível dizer que a Laranja teve um "vilão" nesta sua participação na Copa do Mundo. Mas Quinten Timber sai da primeira Copa de sua carreira com poucas razões para se lembrar bem dela. A primeira razão saiu antes mesmo da bola rolar em Estados Unidos/México/Canadá: o corte de seu irmão Jurriën Timber, sem condições de se recuperar plenamente de problemas na virilha, inviabilizando que a Laranja tivesse irmãos gêmeos numa mesma Copa, após 28 anos. As segundas vieram em campo. Timber saiu do banco contra Japão (aos 70', substituindo Reijnders) e Marrocos (aos 86', no lugar de Gravenberch), com a ideia de poder ajudar a conter os adversários no meio-campo, mantendo a posse de bola. Nos dois casos, ideia frustrada, com o empate nos acréscimos. Para piorar, contra Marrocos, Timber perdeu sua cobrança, na decisão que acarretou a eliminação. Somente uma sequência poderá deixar as más lembranças para trás. Agora, de preferência, com o irmão Jurriën ao lado.

16-Guus Til (1 jogo): Til foi outro nome que "jogou, mas não jogou". Ao pé da letra, nesta Copa do Mundo, o meio-campo entrou aos 14 minutos do segundo tempo da goleada contra a Suécia. Mas não só não chamou a atenção, apenas cumprindo seu papel tático, como os 31 minutos em campo naquela partida foram seus únicos minutos jogando no Mundial. A ver como Til segue na Laranja, quando outro técnico chegar. Ajudará se a boa fase no PSV seguir.

3-Marten de Roon (1 jogo): o próprio meio-campista comemorou a convocação para a segunda Copa de sua carreira com certa surpresa: afinal de contas, De Roon já não aparecia defendendo a Laranja havia mais de dois anos. Pela experiência e pela disposição para ajudar, ele poderia ser útil, e foi com esse pensamento que Ronald Koeman o incluiu entre os 26 da Copa. Mas De Roon não ajudou muito. Antes mesmo do Mundial começar, a má entrada no amistoso de preparação contra a Argélia o colocou sob foco de algumas críticas. Copa iniciada, o meio-campo só saiu do banco para substituir Frenkie de Jong, nos dez minutos finais da prorrogação contra Marrocos. Sem conseguir tirar em campo o ar de surpresa que ficou por sua convocação.

Summerville era aposta de Ronald Koeman para a Copa do Mundo. Aposta plenamente paga: o atacante foi bem quase sempre que jogou, e nem mesmo a cobrança perdida na eliminação tirou a boa impressão (Stefan Koops/EYE4IMAGES/NurPhoto/Getty Images)

ATACANTES

11-Cody Gakpo (4 jogos, 3 gols): foi até engraçado. Do jeito como começou a Copa, sem empolgar contra o Japão - foi bem marcado, e suas tentativas individuais pela esquerda só trouxeram perigo no segundo tempo -, parecia que Gakpo seria coadjuvante, com a reação de Brian Brobbey, a confirmação de Crysencio Summerville e as expectativas existentes sobre Donyell Malen. Nada mais apressado... já contra a Suécia, o camisa 11 relembrou como cresce em torneios grandes usando a camisa laranja. Teve espaço para driblar, teve precisão para finalizar, teve dois gols marcados na goleada por 5 a 1, reafirmou o seu destaque na seleção. A evolução, porém, sofreu o mais cruel dos golpes, vindo no âmbito privado: a perda de Elijah Rafael, o segundo filho que sua companheira, Noa, esperava, a dois dias do jogo contra Marrocos. Talvez por isso, mais provavelmente pela inanição a que o ataque holandês foi forçado na partida de sua eliminação, Gakpo teve atuação mediana. Mas na única chance que lhe surgiu para finalizar, ele fez o gol holandês - e protagonizou uma das cenas mais emocionantes da Copa, sendo abraçado e acarinhado por todo o grupo de convocados da Laranja, indo às lágrimas. Só não ficou 120 minutos em campo pelas cãibras que o esgotaram completamente, forçando a substituição por Justin Kluivert. Ainda assim, ainda com tanto drama, ficou claro: se não é craque, Cody Gakpo é dos mais importantes jogadores que a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) tem na atualidade. Mais do que isso: com seis gols pela Laranja em Mundiais, está só um abaixo do recordista no quesito, Johnny Rep. Quem duvida que, se nada de errado ocorrer, Gakpo tem condições de buscar o recorde em 2030 - e como um líder da Laranja?

19-Brian Brobbey (4 jogos, 3 gols): com as condições habituais de Cody Gakpo, a história de Memphis Depay, o esforço de Wout Weghorst, Brian Brobbey conseguiria cavar seu espaço na Laranja nesta Copa do Mundo? Nada levava a crer que sim, até porque sua entrada contra o Japão, para os cinco minutos finais, foi anônima. Mas na segunda partida, contra a Suécia... já com Donyell Malen alvo de desconfianças pelo que não fizera contra os japoneses, Brobbey teve a chance de começar jogando. Melhor não poderia ser: em 17 minutos de primeiro tempo, a Holanda (Países Baixos) tinha 2 a 0 no placar, com os dois gols dele, se mexendo na área, sendo veloz, pressionando os marcadores, sendo enfim a referência de área que tanto se esperava desde seu surgimento no Ajax. Atuação tão surpreendentemente boa lhe garantiu nova titularidade, contra a Tunísia - e nela, novamente Brobbey garantiu seu gol, além de ter ajudado até no primeiro gol (sua pressão sobre Ellyes Skhiri fez com que o tunisiano se precipitasse e desviasse contra o próprio patrimônio). Sua atuação contra Marrocos foi prejudicada pela própria postura defensiva da Laranja, e Brobbey foi substituído. Mas nem isso tirou a impressão de que, mais do que os gols, a Copa foi importante para que o atacante recuperasse seu espaço, se consolidasse como uma real opção de ataque dos Países Baixos. A ver se isso será confirmado na sequência, porque agora Brobbey terá a expectativa que tanto buscou.

24-Crysencio Summerville (4 jogos, 2 gols): Tratava-se do grande candidato a revelação que a Laranja trazia para esta Copa. Vale lembrar, agora: mesmo sendo desfalque nos amistosos de março, por estar machucado, Summerville teve a convocação para a Copa praticamente assegurada por Ronald Koeman. Ela veio, de fato, e o atacante já começou a causar boa impressão nos amistosos contra Argélia e Uzbequistão, embora também perdesse muitos gols. Nada que certas conversas e certos trabalhos com Ruud van Nistelrooy, auxiliar técnico - e exímio atacante em tempos idos - não ajudasse. A consequência, "Cry" mostrou quando mais importava: na Copa. Ajudou a Laranja a melhorar no segundo tempo da estreia contra o Japão, coroando a melhora com o seu gol. No segundo jogo, contra a Suécia, ainda começou na reserva, mas bastou vir a campo no intervalo para impulsionar vários contra-ataques holandeses, coroados com o seu gol, que fechou a goleada por 5 a 1. E nem precisou brilhar tanto nos 3 a 1 contra a Tunísia, nos quais também veio do banco (aí, por cautela: estava com um cartão amarelo), para confirmar o acerto de Koeman ao convocá-lo. Contra Marrocos, mesmo na eliminação, Summerville se esforçou: era o único jogador a trazer alguma chance de contra-ataques rápidos, passou para o gol de Cody Gakpo, nem mesmo a cobrança perdida na série de chutes da marca do pênalti apagou a impressão de que há mais reservado para ele, em termos de seleção. Summerville fez por merecer: é outro nome holandês que sai bem da Copa.

10-Memphis Depay (3 jogos): a certa altura de sua entrada na estreia holandesa na Copa, contra o Japão, substituindo Donyell Malen, Memphis recebeu um lançamento alto. Em condições normais, poderia aproveitá-lo e criar uma chance. Porém, ainda voltando de lesão na panturrilha, Memphis recolheu a perna, e a bola se perdeu. De certa forma, o lance simbolizou o que foi a participação discretíssima do camisa 10 no terceiro Mundial de sua carreira. Ainda voltando da lesão, ainda sem garantir a confiança de Ronald Koeman, Memphis servia mais como uma opção para a reta final das partidas, estivessem elas como estivessem, do que um nome que poderia mudar a cara holandesa. Às vezes, deu certo: na goleada contra a Suécia, Depay se integrou relativamente bem, e até deu passe para o segundo gol de Crysencio Summerville. Noutras, deu errado: contra a Tunísia, vindo a campo no lugar de Brobbey para os 13 minutos finais, o atacante foi mais gozado por torcida e imprensa, pela tentativa infrutífera de um voleio. E no momento final, por mais que pudesse ajudar na cobrança de pênaltis, passar os 120 minutos contra Marrocos no banco deu o sinal da falta de confiança de Ronald Koeman na (falta de) intensidade que o atacante poderia oferecer, mesmo sendo o maior goleador que a Laranja tem em 121 anos de história. Mais coadjuvante do que poderia desejar em sua terceira Copa, Memphis até pode seguir sua trajetória na Laranja. Mas será difícil.

18-Donyell Malen (3 jogos): Vindo de (metade de) temporada fulgurante na Roma - agora é difícil lembrar, mas Malen se tornou vice-goleador do Campeonato Italiano passado em apenas cinco meses -, Malen atraía expectativa grande antes da Copa começar. Até pela falta de condições físicas de Memphis Depay, recaiu sobre ele a responsabilidade de ser o titular no meio da área, no trio de atacantes da Holanda (Países Baixos). Condições técnicas para isso, Malen tinha e mostrava em campo. Até os amistosos de preparação... tanto na derrota para a Argélia quanto na vitória sobre o Uzbequistão, Malen já começou a falhar nas finalizações, perdendo muitas chances de gol. A desconfiança já aumentou, mas não era nada que uma boa estreia na Copa não resolvesse. Só que não resolveu, porque Malen seguiu desperdiçando possibilidades contra o Japão, e já foi substituído por Brian Brobbey aos 70'. Na segunda rodada da fase de grupos, uma mudança de posicionamento poderia ajudá-lo, com o deslocamento para a ponta direita. Mas Malen perdeu outras chances de gol, viu Brian Brobbey marcar dois, saiu no intervalo, viu o substituto Crysencio Summerville (que já marcara na estreia) fazer mais um gol... e ali a paciência com Malen baixou bastante. E se acabou definitivamente após os 3 a 1 contra a Tunísia, quando ele novamente saiu sem gols, com Brobbey marcando mais um. De novo decepcionando num grande torneio, o camisa 18 da Laranja certamente seguirá sendo convocado. Mas agora, terá de recuperar todo o crédito que ganhara no primeiro semestre.

17-Noa Lang (2 jogos): Na Copa de 2022, a primeira de sua carreira, Lang apareceu pouco: só veio a campo para os sete minutos finais da prorrogação contra a Argentina, nas quartas de final. E nesta segunda Copa, o atacante também foi opção muito periférica (aliás, literalmente): mesmo sendo opção pelos lados, Noa Lang viu Crysencio Summerville aproveitar bem suas chances, Cody Gakpo melhorar com a pequena sequência... e ficou para trás. Contra a Suécia, veio a campo apenas nos acréscimos, substituindo Gakpo; e mesmo contra a Tunísia, adversário mais fraco, Lang jogou apenas os últimos seis minutos regulamentares, também no lugar de Gakpo. Nada mais fez na Copa, e nem se fez valer como opção nos treinos. A ver se o retorno ao Napoli, após o empréstimo ao Galatasaray, o faz se mobilizar. Está precisando. A concorrência na Laranja aumentou.

9-Wout Weghorst (1 jogo): ah, se ele fosse técnico... isso é o que vários holandeses pensaram (pensam, ainda, de certa forma) sobre Weghorst, porque já se sabia antes da Copa que o atacante é menos técnico, mas tem um esforço indubitável dentro de campo. Até por isso, mesmo perdendo espaço para Brian Brobbey ou Donyell Malen, o veterano atacante era considerado um dos mais esforçados em treinos da Holanda (Países Baixos) - chegava até a correr após os trabalhos com o grupo. De certa forma, sua única entrada em campo na Copa do Mundo confirmou isso. Vindo a campo no lugar de Brian Brobbey para ser o pivô e ajudar um ataque absolutamente inativo contra Marrocos até aquele momento, Weghorst participou da jogada do gol da Laranja em seu primeiro ato em campo, desviando a bola para Crysencio Summerville conduzir a jogada. Na hora da disputa da marca do pênalti, assim como fizera contra a Argentina em 2022, Weghorst converteu sua cobrança. E até com a eliminação consumada, o seu choro deixou claro como sua dedicação o fez merecedor da convocação. Já aos 34 anos, com a transferência para o Twente assegurada durante a Copa, Weghorst deve sair da seleção. Mas sai de cabeça erguida, com a torcida pensando "ah, se ele fosse técnico"... porque dedicação nunca lhe faltou.

As escolhas de Ronald Koeman fizeram a Laranja ter altos e baixos na Copa. Mas o último capítulo foi de baixos: o exagero defensivista contra Marrocos fez com que o técnico saísse da seleção sob muitas críticas (Alex Pantling/FIFA/Getty Images)

Ronald Koeman (técnico)

Antes mesmo da Copa começar, a convocação de Ronald Koeman já causou polêmicas: foram altamente questionadas escolhas como deixar Jeremie Frimpong de fora, em detrimento de Mats Wieffer, para a lateral direita (Wieffer, meio-campo de origem, tem jogado assim no Brighton), ou mesmo a surpreendente convocação de Marten de Roon. As atuações apagadas nos dois amistosos de preparação - tanto na derrota por 1 a 0 para a Argélia quanto na vitória por 2 a 1 sobre o Uzbequistão - aumentaram a pressão. As escolhas de Koeman ditariam como esta Copa seria lembrada na Holanda (Países Baixos). E o começo não foi dos melhores para o técnico: contra o Japão, a Laranja vinha bem, tinha até chances do terceiro gol, mas se considerou que as entradas de Brian Brobbey e Memphis Depay tiraram chances de contra-ataque, e as de Nathan Aké e Teun Koopmeiners exageraram o recuo defensivo, fazendo o Japão buscar o 2 a 2 que terminou conquistando. Koeman reagiu contra a Suécia: a escolha de Brian Brobbey como atacante de área deu muito certo, Crysencio Summerville também veio bem da reserva, e os 5 a 1 restabeleceram a paz - mantida com os 3 a 1 na Tunísia já previamente eliminada. Porém, tinham sido quatro gols sofridos durante a fase de grupos. Diante de Marrocos, o exigente adversário dos 16-avos de final, Koeman quis tomar cuidados, algo até recomendável. Mas exagerou no remédio: colocar um time com três zagueiros, esquema com que a Laranja não era escalada desde março de 2024, num amistoso contra a Alemanha. Pior: não deu certo. Nem a defesa impedia a superioridade marroquina no ataque, e nem os contra-ataques eram frequentes, pois raramente Summerville e Gakpo tinham a bola, já que o meio-campo estava totalmente neutralizado. As escolhas erradas foram punidas com a eliminação. E Koeman anunciou sua saída da seleção, no dia seguinte, sem vencer nenhuma equipe entre as 25 primeiras colocadas do ranking da FIFA, com a pesarosa impressão de ter feito uma segunda passagem bem pior do que a primeira.