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terça-feira, 2 de junho de 2026

Eredivisie feminina 2025/26: valeu pelo equilíbrio

O PSV se sagrou campeão, e o Campeonato Holandês feminino saiu ganhando em 2025/26, com mais equilíbrio na disputa, mesmo com muito a melhorar (Photo Prestige/Soccrates/Getty Images)

Ajax e Twente: durante muito tempo, a disputa pelo título do Campeonato Holandês feminino parecia coisa privada a estes dois clubes. Era até compreensível - tratam-se das esquadras mais tradicionais dedicadas ao futebol de mulheres no Reino dos Países Baixos, afinal -, mas traziam o risco de uma apatia, de uma acomodação, pouco recomendáveis a um campeonato em desenvolvimento, que pode ser porta de entrada interessante para as grandes ligas europeias, como a Vrouwen Eredivisie pode ser. Pois bem: a temporada 2025/26 reduziu este temor.

A disputa pelo título não só incluiu mais clubes, como também foi até a penúltima rodada. E premiou um clube que não só aposta na base, como também tem ousadia para mais contratações: o PSV, enfim campeão. De certa forma, o Feyenoord também foi premiado: a evolução lenta do Stadionclub terá a primeira chance numa competição europeia, com a terceira posição que lhe deu lugar na Women's Europa Cup. E mesmo Ajax e Twente, frustrados desta vez, ainda mantêm a força e a tradição para tentarem voltar a levantar a salva de prata.

Se há muito a melhorar - que o diga a preocupante retração do Utrecht nas rodadas finais -, se o nível técnico ainda é baixo, se haverá nova mudança no sistema de acesso (de doze times, com três rebaixados, a liga holandesa terá dez times, com dois caindo, a partir de 2026/27)... a temporada atual já valeu pelo equilíbrio. Vejamos como ela foi.

Devagar e sempre, o PSV manteve a paciência. Quando necessário, com um time equilibrado e experiente, arrancou para ser, enfim, campeão (Photo Prestige/Soccrates/Getty Images)

1º - PSV

Campanha: 54 pontos (17 vitórias, 3 empates e 2 derrotas - campeão)
Time-base: Evrard; Bross, Folkertsma, Cayman (Chibani) e Frijns; Strik (Lacroix), Nijstad e Jacobs; Ripa (Renate Jansen), Xhemaili e Rijsbergen
Técnico: Roeland ten Berge
Competição continental: Women's Europa Cup (eliminado pelo Eintracht Frankfurt-ALE, nas oitavas de final)
Copa nacional: vice-campeão
Artilheira: Riola Xhemaili (atacante), com 14 gols
Quem deu mais passes para gol: Liz Rijsbergen (atacante), com 7 passes
Quem mais jogou: Lore Jacobs (meio-campista), Nina Nijstad (meio-campista), Liz Rijsbergen (atacante) e Riola Xhemaili (atacante), que jogaram todas as 22 partidas
Destaques: Liz Rijsbergen (atacante) e Riola Xhemaili (atacante)

Um bom time, com jogadoras experientes - mas isso o PSV já era na temporada passada, e na retrasada também. A questão era ver se o time de Eindhoven manteria o fôlego que nunca chegara a ter, na disputa do título da liga - afinal de contas, nunca foi campeão dela - e que perdera na Copa da Holanda. Na fase inicial, pareceu que não, com derrotas para os dois principais adversários (Twente 3 a 1, em pleno De Herdgang, na 4ª rodada; Ajax 2 a 1, na 7ª rodada). Porém, o tempo passou. Jogadoras como Nina Nijstad, Riola Xhemaili e Liz Rijsbergen cresceram ainda mais de produção. Renate Jansen, encerramento da carreira previamente anunciado para o fim da temporada, seguia mostrando a liderança tão necessária às Eindhovenaren. Na virada do ano, duas grandes contratações, para trazer experiência (Shanice van de Sanden) e garantia de gols (Fenna Kalma). E enquanto Ajax e Twente começaram a perder pontos, o PSV embalou na hora certa. Depois da supracitada derrota para o Ajax, as Boeren não sofreram mais derrotas. Ao contrário: a não ser por três empates - um deles, 1 a 1 com o Ajax, na 18ª rodada -, só vitórias no caminho. Nem mesmo a neve, por exemplo, impediu os 3 a 0 no Zwolle, na 14ª rodada. Duas rodadas depois, liderança assumida com a derrota do Twente - e uma goleada (6 a 0 no Excelsior). Até que, na 21ª rodada, num De Herdgang renovado durante a temporada (reinaugurado como TenCate Stadion), e com boa lotação, vieram os 2 a 0 no ADO Den Haag, garantindo o primeiro título da história do time feminino de Eindhoven, com uma rodada de antecedência. Enfim, o PSV conseguiu o passo que tanto buscava. Agora, sob comando de novo técnico - vem aí o dinamarquês Kasper Kurland -, o objetivo é aumentar as perspectivas. Até porque a final da Copa da Holanda foi perdida nos pênaltis, e campeãs sempre querem mais.

Apostando em jovens como Xanne Kip (foto), o Ajax mostrou força. Caiu na hora de decisão, de novo, mas pelo menos agora termina mais animado (Marcel Bonte/Soccrates/Getty Images)

2º - AJAX

Campanha: 50 pontos (15 vitórias, 5 empates e 2 derrotas)
Time-base: Van Eijk; De Klonia, Van Asten, Visscher e Van de Velde; Spitse, Noordman e Van Hensbergen (Van Schoonhoven); Van Dijk (Van Egmond), Smits (Tolhoek) e Kip (Van Koppen) 
Técnica: Anouk Bruil
Competição continental: Women's Europa Cup (eliminado pelo Hammarby-SUE, nas oitavas de final)
Copa nacional: eliminado pelo AZ, nas oitavas de final
Artilheira: Danique Tolhoek (atacante), com 10 gols
Quem deu mais passes para gol: Bo van Egmond (atacante), com 5 passes
Quem mais jogou: Regina van Eijk (goleira) e Jonna van de Velde (ala esquerda), que jogaram todas as 22 partidas
Destaque: Danique Noordman (meio-campista)

Para apagar o clima de "terra arrasada" do fim da temporada passada, quando a técnica Hesterine de Reus fez declarações desanimadas ainda em meio à disputa do título, a nova treinadora, Anouk Bruil, apostou na juventude: foram várias novatas que ganharam espaço, em meio à experiência (maior) de Sherida Spitse e Joëlle Smits e (menor, mas considerável) de Regina van Eijk, Danique Noordman e Danique Tolhoek. E por algum tempo, deu certo. Renée van Asten, na defesa; Jade van Hensbergen, no meio; Bo van Egmond, Xanne Kip e Elisa van Dijk - titular a partir do returno, a mais jovem jogadora da história do time feminino Ajacied - no ataque; o Ajax conseguiu goleadas e mais goleadas (4 a 1 no Heerenveen, na 4ª rodada; 5 a 0 no HERA United, na 6ª rodada; 8 a 0 no Utrecht, na 9ª rodada; 5 a 1 no NAC Breda, na 10ª). Porém, tomou pelo menos uma goleada, na maior surpresa do campeonato - Zwolle 7 a 1, na 8ª rodada. E na reta final da Vrouwen Eredivisie, justamente quando não podia fraquejar se quisesse voltar a ser campeão... o Ajax negou fogo. Na 13ª rodada, outra derrota surpreendente: em casa, 2 a 1 sofridos para o HERA United, depois rebaixado. Contra os adversários pela disputa do título, nenhuma vitória no returno (0 a 0 com Twente, na 15ª rodada, e Feyenoord, na 19ª; 1 a 1 com o PSV, na 18ª). Perdeu seu principal destaque, Danique Tolhoek, machucada e fora da temporada. E assim, com tropeços e falhas em jogos diretos, o Ajax perdeu a chance do título. Pelo menos, terá uma vaga na Liga dos Campeões feminina. E deixa, ao contrário de 2024/25, uma última impressão promissora, de um time que pode evoluir mais, que está animado.

O Feyenoord nem esperava muito - só ficar em seu lugar já agradaria. Mas Mao Itamura cresceu, o time foi com ela... e o terceiro lugar deixa claro: o Stadionclub cresce no futebol feminino (feyenoord.nl/Divulgação)

3º - FEYENOORD

Campanha: 47 pontos (14 vitórias, 5 empates e 3 derrotas)
Time-base: Dinkla (Weimar); Van Bentem, Takeshige, Obispo e Brandau; Talia DellaPeruta e Iwasaki; Van de Lavoir (Van der Sluijs), Itamura e Hulswit (Van de Westeringh); De Graaf (Van Kerkhoven/Tori DellaPeruta)
Técnica: Jessica Torny
Competição continental: nenhuma
Copa nacional: eliminado pelo AZ, nas quartas de final
Artilheira: Mao Itamura (meio-campista), com 8 gols
Quem deu mais passes para gol: Mao Itamura (meio-campista), com 6 passes
Quem mais jogou: Celainy Obispo (zagueira), Kokona Iwasaki (meio-campista) e Esmee de Graaf (atacante), que jogaram todas as 22 partidas
Destaque: Mao Itamura (meio-campista)

Não parecia que o Feyenoord conseguiria um salto nesta temporada feminina na Holanda (Países Baixos). Não que isso significasse coisa ruim, longe disso: o Stadionclub voltou a ter um desempenho elogiável em casa, voltou para a parte de cima da tabela, e a técnica Jessica Torny enfim teve uma equipe entrosada e competitiva. Além de velhas conhecidas - Esmee de Graaf, Ella van Kerkhoven, uma Kirsten van de Westeringh enfim livre das lesões ligamentares nos joelhos -, reforços como as irmãs ítalo-americanas Talia e Victoria "Tori" DellaPeruta e as japonesas Kokona Iwasaki e Mao Itamura só acrescentaram à equipe de Roterdã. Que, além de ostentar suas goleadas - 4 a 1 no AZ, pela 5ª rodada, e 6 a 1 no Heerenveen, na 6ª rodada -, mostrou a segunda melhor defesa do campeonato (17 gols sofridos), sem oscilar nem mesmo com a lesão da goleira Jacintha Weimar abrindo caminho para Claire Dinkla assumir a titularidade. No returno, então, a vitória por 2 a 0 sobre o Twente (16ª rodada) ajudou, indiretamente, a mudar a disputa do título - e a fazer de Mao Itamura, além de revelação, uma das melhores jogadoras da temporada. Dois empates nas duas rodadas seguintes, contra AZ (3 a 3) e Ajax (0 a 0), tiraram as chances de título, é verdade. Mas três vitórias, somadas ao despencar do Twente, renderam um belo prêmio: a última vaga em torneios europeus, na Women's Europa Cup. Vaga corretamente comemorada: afinal, o projeto feminino do Feyenoord, enfim, decolou.

Depois de dominar o futebol feminino holandês por muito tempo, ficar fora até de competições europeias, após despencar na reta final da temporada, foi tombo dolorido para o Twente (Pro Shots)

4º - TWENTE

Campanha: 46 pontos (14 vitórias, 4 empates e 4 derrotas)
Time-base: Lemey; Vliek (Te Brake), Knol, Carleer (Wiefferink) e Tuin; Groenewegen, Van Ginkel e Van der Vegt; Roord; Oude Elberink (Ivens/Pennock) e Ravensbergen
Técnica: Corina Dekker
Competição continental: Liga dos Campeões (eliminado na fase de liga)
Copa nacional: Campeão
Artilheira: Jaimy Ravensbergen (atacante), com 16 gols
Quem deu mais passes para gol: Jill Roord (meio-campista), com 9 passes
Quem mais jogou: Diede Lemey (goleira), Anna Knol (zagueira), Alieke Tuin (ala esquerda), Lynn Groenewegen (meio-campista) e Jaimy Ravensbergen (atacante), que jogaram todas as 22 partidas
Destaques: Jill Roord (meio-campista) e Jaimy Ravensbergen (atacante)

A experiência de Danique van Ginkel e Alieke Tuin; a evolução de Lieske Carleer e Lynn Groenewegen, ambas convocadas constantes da seleção holandesa de mulheres; os gols em profusão de Jaimy Ravensbergen; a revelação Liv Pennock, já contratada pelo Barcelona; todas elas, lideradas pelo reforço de qualidade e trajetória respeitáveis que era Jill Roord. Com um grupo desses, não era de se impressionar que o Twente, atual bicampeão, começasse impondo força para dar a impressão de que era favorito para conquistar o terceiro título seguido da Vrouwen Eredivisie. Basta dizer que não perdeu, no primeiro turno (oito vitórias, três empates), mantendo-se em alta mesmo com uma eliminação algo decepcionante na fase de liga da Liga dos Campeões. Sempre ao enfrentar os adversários diretos, a competitividade era tamanha que, mesmo em dias de más atuações, pelo menos um empate aparecia, como na 15ª rodada, fora de casa, garantindo um ponto com o 0 a 0 junto ao Ajax. Só que na 16ª rodada, uma atuação esplendorosa de Mao Itamura, e o Feyenoord impôs às Tukkers a primeira derrota da temporada - um 2 a 0 com o qual elas não contavam. Dali para frente, o Twente foi só para trás. Dois reveses seguidos - ADO Den Haag 1 a 0 na 18ª rodada, Utrecht 2 a 0 na 19ª -, e se perdeu espaço para PSV e Ajax. As lesões que tiraram Jill Roord e Lieske Carleer da temporada foram problemas adicionais. Mesmo vitórias, como os 3 a 2 no Zwolle (20ª rodada), vinham em dificuldades - a citada veio numa virada. E na última rodada, a derrota para o PSV já campeão (2 a 1) decretou: nem mesmo uma vaga em competições europeias restaria ao Twente. Está certo que o título da Copa da Holanda manteve alguma força, mas foi um tremendo tombo.

Com seus gols, Lobke Loonen ajudou o Utrecht em mais uma boa temporada. Com sua saída, sinaliza uma diminuição de investimentos do clube em seu time feminino (Stan Oosterhof/Soccrates/Getty Images)

5º - UTRECHT

Campanha: 37 pontos (11 vitórias, 4 empates e 7 derrotas)
Time-base: Bastiaen; Koopman (Verhoeve), Hermans (Op den Kelder), Weerelts (Bormans) e Paliama; Mahieu e Renfurm; Van Straten, Munsterman (Snellenberg) e Tromp; Loonen (De Jong)
Técnica: Linda Helbling
Competição continental: nenhuma
Copa nacional: eliminado pelo PSV, nas quartas de final
Artilheira: Lobke Loonen (atacante), com 14 gols
Quem deu mais passes para gol: Nikita Tromp (atacante), com 7 passes
Quem mais jogou: Femke Bastiaen (goleira), Joni Paliama (lateral) e Nikita Tromp (atacante), que jogaram todas as 22 partidas
Destaque: Lobke Loonen (atacante) 

Como sempre desde que entrou na disputa do Campeonato Holandês feminino, o Utrecht foi um time firme. Revelou pelo menos duas boas jogadoras - a zagueira Aline Weerelts e a meio-campista Rosalie Renfurm, ambas presentes na Holanda vice-campeã mundial sub-17, no ano passado. E contou com os gols de Lobke Loonen para sempre ficar no meio de tabela, extremamente estável, sem problemas nem mesmo com um 8 a 0 sofrido para o Ajax (9ª rodada). Trabalho de tanta constância fez com que a treinadora Linda Helbling ganhasse chance para a próxima temporada, contratada que foi para ser auxiliar técnica no campeão PSV. O problema é que a reta final foi de preocupações. Mesmo com uma vitória fora de casa sobre o Twente - 2 a 0, 19ª dada -, começaram as impressões de que a diretoria das Utregs reduziria bastante o investimento na equipe feminina. Impressões fortalecidas com o anúncio da transferência de Lobke Loonen para o Bayer Leverkusen e, pior, o anúncio de nove dispensas ao fim da temporada. As jogadoras cumpriram bem sua tarefa ao fim da temporada: duas vitórias nas duas últimas rodadas. Mas na última - 2 a 1 no HERA United, nos minutos finais, de virada -, deixaram recado: primeiro, lamentando as dispensas em perfil no Instagram, e depois, antes da partida, usando camisas com os dizeres irônicos "Nós não cabemos no orçamento". Projeto tão consistente assim merece sequência.

Hanna Huizenga foi o principal destaque de um Zwolle que se estabilizou de novo (Jeroen van den Berg/Soccrates/Getty Images)

6º - ZWOLLE

Campanha: 34 pontos (11 vitórias, 1 empate e 10 derrotas)
Time-base: Szymczak; Dijsselhof, Rutgers, Lindner, Kemper e Weiman; Kemper, Van de Velde e Jonsdottir (Roosjen); Iedema e Huizenga
Técnico: Gert Peter van de Gunst
Competição continental: nenhuma
Copa nacional: eliminado pelo Feyenoord, nas oitavas de final
Artilheira: Hanna Huizenga (atacante), com 9 gols
Quem deu mais passes para gol: Hanna Huizenga (atacante), com 5 passes
Quem mais jogou: Mayke Lindner (zagueira), Chihiro Ishida (meio-campista), Sophie van Vugt (meio-campista) e Hanna Huizenga (atacante), que jogaram todas as 22 partidas
Destaque: Hanna Huizenga (atacante)

Quando se mudou o técnico para esta temporada, após o mau trabalho de Jim Brinkhof na temporada 2024/25, a expectativa dos "Dedos Azuis" era que Gert Peter van de Gunst conduzisse a equipe de mulheres por águas mais tranquilas nesta temporada. Conseguiu. O Zwolle voltou a ficar numa posição tranquila durante boa parte da temporada: na verdade, só perdeu a quinta posição na última rodada. Também, pudera: teve pelo menos um tremendo resultado ao impor 7 a 1 no Ajax (contando com um dia de neve, é verdade). Contou com um bom ataque, tendo em Hanna Huizenga o grande destaque. No gol, a polonesa Oliwia Szymczak aproveitou bem o empréstimo junto ao Feyenoord. Enfim, as Zwollenaren superaram o solavanco da temporada passada, voltando a estar bem.

O Heerenveen teve problemas defensivos, mas os gols de Aymée Altena (foto) ajudaram o time a seguir estável (Jeroen van den Berg/Soccrates/Getty Images)

7º - HEERENVEEN

Campanha: 26 pontos (8 vitórias, 2 empates e 12 derrotas)
Time-base: Resink (Badenhop); Van Vilsteren, Meijer, Appelmann e Venema; De Haas e Nassette; Kroezen, Maass e Maatman; Altena
Técnico: Niklas Tarvajärvi
Competição continental: nenhuma
Copa nacional: eliminado pelo Utrecht, nas oitavas de final
Artilheira: Aymée Altena (atacante), com 10 gols
Quem deu mais passes para gol: Sterre Kroezen (meio-campista), com 6 passes
Quem mais jogou: Ana Nassette (zagueira), Fenna Meijer (zagueira), Sterre Kroezen (meio-campista) e Elfi Maass (meio-campista), que jogaram todas as 22 partidas
Destaque: Aymée Altena (atacante)

Esta certo que o time da Frísia já mostrou mais fragilidades defensivas: notável ver que se o Zwolle, sexto colocado, tomou 32 vezes a bola na rede, o Fean amargou isso por 51 vezes. Ainda assim, tendo em vista o início preocupante de temporada que fez (só duas vitórias nas dez primeiras rodadas), até que o Heerenveen contornou bem seus problemas - como, por exemplo, a lesão que tirou a goleira Jasmijn Resink de boa parte da temporada, com Brenda Badenhop a substituindo. Na reta final, até mesmo venceu o Feyenoord (2 a 1, 17ª rodada). E teve pelo menos dois destaques ofensivos - talvez três: se Sterre Kroezen justificou a contratação junto ao Zwolle, se Evi Maatman seguiu bem com a camisa alviazul das folhas de lírio, é correto citar que Aymée Altena - destaque da Holanda vice-campeã mundial sub-17 - confirmou-se como atacante promissora. Um toque de juventude num Heerenveen que conseguiu reagir, e espera ter mais segurança na próxima temporada.

O AZ contou com a confiança da veterana Desirée van Lunteren... e quase que só com ela (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

8 º - AZ

Campanha: 24 pontos (6 vitórias, 6 empates e 10 derrotas)
Time-base: Copier (Booms); Caprino (De Ridder), Woons, Stoop (Groot) e Mol; Van Uden (De Vette), Van Lunteren e Van Beijeren; Kroese, Ellouzi (Dessing) e Thomas
Técnico: Wouter de Vogel
Competição continental: nenhuma
Copa nacional: eliminado pelo PSV, nas semifinais
Artilheira: Desirée van Lunteren (meio-campista/atacante), com 16 gols
Quem deu mais passes para gol: Manique de Vette (meio-campista), com 5 passes
Quem mais jogou: Karlijn Woons (zagueira) e Fieke Kroese (atacante), que jogou todas as 21 partidas
Destaque: Desirée van Lunteren (atacante)

Pode um time que teve uma das goleadoras do campeonato decepcionar ao longo das 22 rodadas? Até que pode, no caso do AZ. Porque, se Desirée van Lunteren, aos 33 anos, parece voltar à melhor fase de sua carreira após retomá-la, não só liderando um time com muitas novatas como também sendo a principal artilheira que ele tem, é bem verdade que poderia contar com mais colegas despontando a seu lado. Bem que Jet van Beijeren, Fieke Kroese e a tunisiana Sabrine Ellouzi tentaram, mas faltou ao AZ depender menos de Van Lunteren (já fora da seleção holandesa, pela qual foi campeã europeia em 2017 e vice mundial em 2019). Tanto que as Alkmaarders só venceram, no returno, os rebaixados HERA United e NAC Breda. Precisarão melhorar na próxima temporada, por mais entrosado que seja o time, até porque a carreira de Van Lunteren não durará para sempre. Não é à toa que a ex-zagueira Stefanie van der Gragt, diretora de futebol feminino, descerá do gabinete para o campo: será a nova treinadora, em substituição a Wouter de Vogel.

Floortje Bol (em pé) ajudou o ADO Den Haag a se salvar, no instante final da temporada (Pim Waslander/Soccrates/Getty Images)

9º - ADO DEN HAAG

Campanha: 22 pontos (6 vitórias, 4 empates e 12 derrotas)
Time-base: Lorsheyd; Blom (Den Turk), Boussatta, Van Mierlo, Koeleman e Van den Ende; Mulder, Dupon e Sonoda (De Bondt/Henry); Bol e Van Egmond
Técnicos: Morten Glotzbach (até a 7ª rodada) e Sandra van Tol (a partir da 8ª rodada)
Competição continental: nenhuma
Copa nacional: eliminado pelo Twente, nas oitavas de final
Artilheira: Floortje Bol (atacante), com 9 gols
Quem deu mais passes para gol: Nienke Mulder (meio-campista), com 3 passes
Quem mais jogou: Barbara Lorsheyd (goleira) e Jet van Mierlo (zagueira), que jogaram todas as 22 partidas
Destaque: Floortje Bol (atacante)

Estava difícil. Pelo primeiro turno péssimo que fez, alternado entre a última e a penúltima posições, o Den Haag - clube tradicionalíssimo no futebol feminino da Holanda (Países Baixos), celeiro que foi de nomes como Sarina Wiegman - corria sérios riscos de rebaixamento. A operação de socorro começou rápido, com a troca de Morten Glotzbach (marido de Sarina, inevitável citar) por Sandra van Tol, primeiro interina, depois confirmada. E até que no segundo turno, o Den Haag melhorou. Meio na marra, mas melhorou. Mesmo em jogos com derrota, não se entregava sem luta, como nos 3 a 0 sofridos para o Ajax, na 12ª rodada. Algumas contratações, como a japonesa Yuna Sonoda, colaboraram. Com a defesa mais protegida com três zagueiras, os problemas foram amenizados. E o alívio, afinal, veio: com cinco vitórias nas últimas sete rodadas - destaque para o 1 a 0 no Twente, na 18ª rodada -, o Den Haag escapou do rebaixamento exatamente na última rodada. Terá calma para a reformulação que virá, comandada pelo novo técnico (se é que é novo, já que Sjaak Polak conhece bem o clube - Sandra van Tol auxiliará Corina Dekker no Twente), com as saídas de nomes históricos como a goleira Barbara Lorsheyd, 350 jogos pelo clube depois. O time de Haia escapou de boa, mas precisa reagir.

O HERA United bem que se esforçou, teve bons momentos, mas caiu na última rodada (HERA United/Divulgação)

10º - HERA UNITED

Campanha: 20 pontos (5 vitórias, 5 empates e 12 derrotas - rebaixado)
Time-base: Steen; Tiebie (Donker/Van de Pol), Stoop, Tanaka e Kopp (Daalman); Kleef e Kira (Berrevoets); Oudejans (Khanchouch), Kaagman e Vis (Hassani); Van Belen.
Técnico: Ed Engelkes
Competição continental: nenhuma
Copa nacional: eliminado pelo Twente, na semifinal
Artilheira: Jannette van Belen (atacante), com 7 gols
Quem deu mais passes para gol: Samya Hassani (atacante), com 3 passes
Quem mais jogou: Kelly Steen (goleira), que jogou todas as 22 partidas
Destaque: Jannette van Belen (atacante)

Uma bela história com triste fim: assim foi a temporada inicial do HERA United, o primeiro clube profissional da Holanda (Países Baixos) dedicado exclusivamente ao futebol feminino. Herdando o departamento feminino do Telstar demorou a embalar - até porque nem se sabia, quando a temporada começou, se o clube sediado em Amsterdã iria jogar como HERA United ou como Telstar. Primeiro nome assegurado, aos poucos os resultados apareceram. A primeira vitória (1 a 0 no ADO Den Haag, na 7ª rodada). A primeira surpresa - e que surpresa: vencer o Ajax em Amsterdã - 2 a 1, 13ª rodada, com Ina Booms como o grande destaque. Algumas contratações até ajudaram destaques como Jannette van Belen: a meio-campista Inessa Kaagman e a atacante Eline Oudejans vieram na virada de ano e logo se tornaram titulares. Só que, na reta final, uma sequência de quatro derrotas. Interrompidas por vitórias contra Heerenveen (2 a 1, 18ª rodada) e NAC Breda (3 a 1, 19ª rodada), que pareciam a salvação. Só que "retomadas" com três derrotas. A última delas, na última rodada, com virada sofrida nos últimos minutos (2 a 1 Utrecht, com gols sofridos aos 88' e aos 90'), foi lamentada com lágrimas: era o rebaixamento, já que o De Graafschap tinha sido campeão da segunda divisão. Pelo menos, o triste fim do começo não é bem um fim. O futebol sempre dá a chance de retomadas, e o HERA United está apenas começando.

O Excelsior caiu. E agora, Yara Helderman sai do campo e vai para o gabinete ajudar, como diretora, na reformulação ( Jeroen van den Berg/Soccrates /Getty Images)

11º - EXCELSIOR

Campanha: 8 pontos (2 vitórias, 2 empates e 18 derrotas - rebaixado)
Time-base: Van der Klooster; Burgers, Helderman, Westerink e Cherif; Balkhir e Van der Vlist; Martina, Homan e Van Spijk; Verheijen (Gomez)
Técnico: Mathijs Kreugel
Competição continental: nenhuma
Copa nacional: eliminado pelo Twente, nas quartas de final
Artilheira: Janneke Verheijen (atacante), com 4 gols
Quem deu mais passes para gol: June Burgers (lateral direita), Veerle van Spijk (atacante) e Naomi Hilhorst (atacante), todas com 2 passes
Quem mais jogou: June Burgers (lateral direita) e Isa Gomez (atacante), que jogaram todas as 22 partidas
Destaque: Mare Westerink (defensora)

Se antes mesmo do rebaixamento ser instituído no Campeonato Holandês de mulheres, o Excelsior já sofria, era previsível que o time de Roterdã fosse um sério ameaçado a ser rebaixado. Não faltou esforço para evitar sua sina, como nunca faltou nas Kralingers. Aqui e ali, a goleira Anouk van der Klooster fez boas defesas; Shi-jona Martina já é convocada pela seleção feminina de Curaçao; Janneke Verheijen e Isa Gomez foram atacantes dedicadas. Só que, com apenas uma vitória no returno (2 a 0, na 18ª rodada, no... NAC Breda, também rebaixado), ficava difícil esperar destino diferente de precisar jogar a Eerste Divisie, a segunda divisão dos Países Baixos. Caberá a um nome que sairá do campo para o gabinete - Yara Helderman, agora ex-zagueira, escolhida para dirigir o futebol feminino do Excelsior - ajudar na reformulação.

Brigitte Franken, o único destaque, bem que se esforçou. Mas o NAC Breda já começou a temporada como provável rebaixado. E o provável se realizou (Caroline van Leusden/EYE4images/NurPhoto/Getty Images)

12º - NAC BREDA

Campanha: 7 pontos (2 vitórias, 1 empates e 19 derrotas)
Time-base: De Haan; Heshof (Van den Burg), Heijblom (Van Houwelingen), Verhoef e Van Goch; Coelho Aurelio e Van der Vliet; Visser, Schneijderberg e Hendriks; Franken
Técnico: Jan de Hoon
Competição continental: nenhuma
Copa nacional: eliminado pelo HERA United, nas oitavas de final
Artilheira: July Schneijderberg (meio-campista), com 5 gols
Quem deu mais passes para gol: Yentl van Goch (lateral esquerda), Stephanie Coelho Aurélio (meio-campista), Emely van der Vliet (meio-campista), Brigitte Franken (atacante) e Indi van Dalen (atacante), todas com 2 passes
Quem mais jogou: Lynn Verhoef (zagueira), Kim Hendriks (meio-campista), July Schneijderberg (meio-campista) e Brigitte Franken (atacante), que jogaram todas as 22 partidas
Destaque: Brigitte Franken (atacante)

Poucos rebaixamentos eram tão previsíveis quanto o do time de Breda. Estreante na Eredivisie feminina, o clube aurinegro começou mostrando sérias dificuldades já nas primeiras temporadas. No ataque, dependia demais de Brigitte Franken, seu único destaque, por mais que nomes experientes em termos de Vrouwen Eredivisie lá estivessem, como Kim Hendriks e Yentl van Goch, tentando ajudar. Com tamanha dependência, não surpreendeu que as únicas vitórias viessem contra o também rebaixado Excelsior (2 a 1, 7ª rodada) e o ADO Den Haag, então ainda em dificuldades (1 a 0, 11ª rodada). Nem surpreendeu que se tratasse do pior ataque - 17 gols - e da pior defesa - 71 gols sofridos - de todo o campeonato. Nem que o returno tivesse sido só de derrotas. Muito menos que o técnico Jan de Hoon tenha tido sua saída anunciada ainda antes do fim do campeonato. A única coisa surpreendente foi positiva: a diretoria do clube fez questão de confirmar que o projeto de futebol feminino seguirá. Quem sabe, com a experiência ganha neste ano, a queda seja apenas um bate-e-volta.

domingo, 24 de maio de 2026

Análise da temporada: sorrisos amarelos

O domínio do PSV foi tamanho que alguns até se queixaram de ter sido um dos fatores de tornar este Campeonato Holandês sem emoção. Ainda assim, o tricampeão merece todos os méritos (Photo Prestige/Soccrates/Getty Images)

Nesta temporada 2025/26 do Campeonato Holandês que se encerrou, nem mesmo o PSV, tricampeão dominante, escapou de um mau humor que domina algumas análises sobre o que se viu na Eredivisie. Afinal de contas, se não deu margem para competição pelo título - tanto que foi o mais precoce campeão que o futebol neerlandês já viu, a cinco rodadas do fim -, o time de Eindhoven decepcionou aqui e ali. Foi eliminado na semifinal da Copa da Holanda, caiu já na fase de liga da Liga dos Campeões, enfim, ficou apenas com a Eredivisie para tentar levantar uma salva de prata. Conseguiu, mas deixou sorrisos amarelos, sem graça, com uma impressão de que poderia (e precisaria) fazer mais para que fosse um time mais respeitado. Há mais motivos para que a temporada que se encerrou tenha sido vista de um jeito meio atravessado, com esses sorrisos amarelos espalhados

A disputa pelo título foi um "não-acontecimento", não só porque o PSV disparou - e sem despencar nenhum momento, como no bicampeonato de 2024/25 -, como porque nenhum dos possíveis concorrentes se revelou à altura. Nem o Feyenoord (o vice-campeão que menos pontuou desde que o sistema de três pontos por vitória foi adotado). Nem o Ajax. Nem o AZ. Nem o Twente (mesmo com a arrancada da reta final da temporada). Nem o NEC, grande surpresa que logo será abordada. E de certo modo, esse "engessamento" da tabela se espalhou por todas as 18 posições. Basta se ver a parte de baixo da tabela, com os ameaçados pelo rebaixamento. Antes mesmo do final, ficou claro que Go Ahead Eagles e Zwolle controlariam seus perigos e emplacariam mais um ano na primeira divisão; que Excelsior, Telstar e Volendam se esforçariam para escapar da repescagem de acesso onde se joga a permanência - sobrou para o Volendam; e que Heracles Almelo e NAC Breda seriam os dois rebaixados à segunda divisão.

Então, a Eredivisie 2025/26 não prestou e fim de papo? Não é bem assim, e nunca seria. Para começo de conversa, se o PSV foi soberano até garantir o tricampeonato, merece méritos simplesmente por isso, por ter mostrado um time que, além de ofensivo, nunca deixou de levar o campeonato a sério em nenhum momento (basta citar que, na última rodada, título já garantido havia quase um mês, goleou por 5 a 1). O NEC, terceiro colocado, foi dos mais atraentes e curiosos times nesta temporada europeia de futebol, com estilo ofensivo, sem recuar nenhum milímetro, sendo premiado com a primeira ida à Liga dos Campeões - ainda que em fases classificatórias - na sua história. E também, se reconheça, o calvário renitente do Ajax continua chamando a atenção, com o clube de Amsterdã tendo precisado disputar os play-offs pela Conference League para garantir vaga num torneio europeu, ainda que o menos prestigioso deles.

Enfim, o Campeonato Holandês 2025/26 teve lá seus atrativos, ainda que fossem poucos. Que sejam maiores em 2026/27. Abaixo, clube a clube, a retrospectiva.

Análise da temporada: Heracles Almelo

Kulenovic (centro) foi o único destaque restante, num Heracles Almelo que pareceu condenado ao rebaixamento (que afinal aconteceu) por todo o returno (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Colocação final: 18º lugar, com 19 pontos (5 vitórias, 4 empates e 24 derrotas - rebaixado diretamente)
No turno havia sido: 17º lugar, com 14 pontos
Time-base: Jansink (Pasveer); Benita (Te Wierik/Wieckhoff), Mirani, Van Hoorenbeeck (Van der Kust) e Mesik; Hrustic e Zamburek; Limbombe (Ahlstrand), Engels e Ould-Chikh (Bruns); Kulenovic
Técnicos: Bas Sibum (até a 10ª rodada), Hendrie Krüzen (interino, entre a 11ª e a 14ª rodada) e Ernest Faber (a partir da 15ª rodada)  
Maior vitória: Heracles Almelo 8x2 Zwolle (11ª rodada) 
Maior derrota: Heracles Almelo 0x7 Feyenoord (9ª rodada)
Principal jogador: Luka Kulenovic (atacante)
Artilheiro: Luka Kulenovic (atacante), com 5 gols  
Quem deu mais passes para gol: Ajdin Hrustic (meio-campista), com 6 passes
Quem mais partidas jogou: Damon Mirani (defensor), com 33 partidas
Copa nacional: eliminado pelo Go Ahead Eagles, nas oitavas de final
Competições continentais: nenhuma

O Heracles Almelo já dava sinais do que ocorreria desde o primeiro turno: se não era o último colocado, era o penúltimo. Sofria com maus resultados, precisou trocar de técnico para tentar reverter o terrível início (seis derrotas nas seis primeiras rodadas)... mas nada adiantava. Nem mesmo fazer jogo duro para cima do PSV, na 16ª rodada, tirou os Heraclieden do mau caminho: o time saiu atrás com dois gols, buscou o empate, novamente ficou atrás, empatou de novo, mas tomou o 4 a 3 da derrota final. E na pausa de inverno, a coisa piorou: único destaque técnico no ataque, autor de 10 gols pelo clube de Almelo, Jizz Hornkamp tomou o rumo do AZ. Restava tentar melhorar no returno, com poucas perspectivas de que isso acontecesse. Aqui e ai, o Heracles tentou. 

Houve a volta do veteraníssimo Remko Pasveer, 42 anos, para o gol, tentando ajudar. Houve mudanças táticas para três zagueiros. Houve outra contratação, de Lequincio Zeefuik, tentando fazer um ataque menos estática. Houve até uma alteração frustrada de técnico: Ernest Faber se restringiria a ser diretor de futebol, com Vincent Hellmann (trabalhando na base da federação holandesa) Nada adiantou. E a queda literal dos Almelöers foi gradativa e apática, como indicaram algumas derrotas - um bom exemplo foram os 3 a 0 sofridos para o Ajax, na 30ª rodada. Quase todos os piores índices foram empurrados ao clube alvinegro: último colocado, pior do returno, pior mandante, pior visitante, pior ataque - junto a NAC Breda e Volendam -, pior defesa... O rebaixamento deixou a impressão de que o Heracles Almelo ainda não conseguiu se livrar do trauma de outro rebaixamento, anterior, em 2021/22. Terá a passagem pela segunda divisão para tentar começar a fazer isso. É altamente necessário.

Análise da temporada: NAC Breda

O NAC Breda se esforçou, buscou veteranos como André Ayew (foto), mas... o esforço não foi tudo. Na temporada passada, ainda houve como se salvar; agora, o rebaixamento (Olaf Kraak/ANP/Getty Images)

Colocação final: 17º lugar, com 28 pontos (6 vitórias, 10 empates e 17 derrotas - rebaixado diretamente)
No turno havia sido: 18º lugar, com 13 pontos
Time-base: Bielica; Valerius, Odoi, Leemans, Hillen e Kemper; Balard (Paula), Holtby (Nassoh) e Sowah; Talvitie e Brym (Reulen/Soumano)
Técnico: Carl Hoefkens
Maior vitória: NAC Breda 2x0 Heerenveen (33ª rodada)
Maior derrota: Go Ahead Eagles 6x0 NAC Breda (27ª rodada)
Principal jogador: Boy Kemper (defensor) 
Artilheiro: Boy Kemper (defensor), com 5 gols  
Quem deu mais passes para gol: Charles-Andreas Brym (atacante), com 4 passes
Quem mais partidas jogou: Daniel Bielica (goleiro), Boy Kemper (defensor) e Kamal Sowah (meio-campista), que jogaram todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado pelo Heracles Almelo, na primeira fase
Competições continentais: nenhuma

O NAC Breda estava avisado: terminara a temporada 2024/25 numa sequência sem vitórias, ficando parado na 15ª posição. E de quebra, fora o pior time do primeiro turno. Tudo o que o time aurinegro de Breda tinha a seu favor era o esforço, o apoio inesgotável da torcida que lotava o estádio Rat Verlegh. Isso ficou notável nas derrotas: a maioria delas, por apenas um gol de diferença. E mesmo quando o time tomava mais gols, se esforçava. Só que o fim, invariavelmente, era triste. Prova disso foi o jogo contra o NEC, pela 19ª rodada: o NAC saiu atrás com 2 a 0, buscou o empate em 2 a 2, tomou o terceiro gol, ainda conseguiu empatar... mas tomou o 4 a 3 dos visitantes de Nijmegen, nos acréscimos. Ou, então, o empate em 2 a 2 com o tricampeão PSV, na rodada seguinte: em Eindhoven, o time do norte aproveitou falhas defensivas dos Boeren, vencia por 2 a 1... até tomar o empate, também nos descontos.

Dentro de campo, o NAC Breda era isso: um time esforçado, mas deficiente tecnicamente, e até sem sorte. Fora de campo, teve problemas como a ação suspeita do ex-jogador Pierre van Hooijdonk na intermediação da venda do filho Sydney (que teve segunda passagem menos destacada) para o Estrela da Amadora (Portugal) - consultor técnico, Van Hooijdonk pai se desligou do clube. Aí, o NAC se desesperou. Apostou em veteranos como Denis Odoi, Lewis Holtby e André Ayew, sem muito sucesso. Houve ainda a tentativa do clube de ir à Justiça Comum holandesa pedindo a anulação dos 6 a 0 tomados do Go Ahead Eagles, pelas incertezas quanto ao passaporte do lateral esquerdo adversário, Dean James (indonésio ou neerlandês?). Quando o veredito deu ganho de causa à federação holandesa, os "Bredanaren" foram olhados de lado, como se tivessem querido melar o campeonato. Aí, já era tarde. E mesmo ganhando na penúltima rodada - 2 a 0 no Heerenveen -, os resultados de Excelsior, Volendam e Telstar decretaram o rebaixamento, com uma rodada de antecipação. Na temporada passada, o NAC Breda já tivera uma advertência; agora, não houve piedade.

Análise da temporada: Volendam

Robert Mühren se despediu dos campos - e o Volendam se despediu da primeira divisão, perdendo as chances que teve de permanecer (Ron Baltus/Soccrates/Getty Images)

Colocação final: 16º lugar, com 32 pontos (8 vitórias, 8 empates e 17 derrotas - rebaixado via repescagem)
No turno havia sido: 16º lugar, com 14 pontos
Time-base: Van Oevelen; Ugwu, Amevor, Verschuren e Leliendal; Bukala e Yah; Oehlers, Kökcü (Mühren) e Kuwas; Veerman
Técnico: Rick Kruys
Maior vitória: Volendam 3x0 Heracles Almelo (10ª rodada)
Maior derrota: Go Ahead Eagles 3x0 Volendam (5ª rodada), PSV 3x0 Volendam (14ª rodada) e NEC 3x0 Volendam (26ª rodada)
Principal jogador: Robert Mühren (atacante) 
Artilheiro: Robert Mühren (atacante), com 6 gols
Quem deu mais passes para gol: Brandley Kuwas (atacante), com 4 passes
Quem mais partidas jogou: Aurelio Oehlers (atacante), com 33 partidas
Copa nacional: eliminado pelo NEC, nas quartas de final
Competições continentais: nenhuma

Talvez só dois dados expliquem o Volendam precisar jogar sua permanência na primeira divisão: ter feito poucos gols. Pouco? Então, vale lembrar: o time começou a temporada com quatro empates. Depois, duas derrotas (Go Ahead Eagles 3 a 0, na 5ª rodada; Excelsior 2 a 1, na 6ª rodada). E ao longo das 34 rodadas, foi um dos times com menos gols feitos neste Campeonato Holandês: só 35 gols, ao lado de dois outros - talvez não por acaso, os rebaixados NAC Breda e Heracles Almelo. De quebra, foi o segundo clube com mais derrotas na temporada (18). Tudo isso, mesmo tendo sido um dos raros times a ter vencido o tricampeão PSV - 2 a 1, na 23ª rodada. E tendo sido um time que se esforçou, inegavelmente, para ter destino diferente. Afinal, as condições para a equipe eram distantes de um cenário de crise. Para começo de conversa, havia um técnico que teve tempo e prestígio para trabalhar (Rick Kruys), o esquema de jogo era bem conhecido. 

Entre os jogadores, havia regularidade. E até nomes promissores, como o lateral direito Precious Ugwu, campeão europeu sub-19 com a Holanda (Países Baixos) no ano passado. Outros eram um pouco mais experientes, e conheciam o clube, como o goleiro Kayne van Oevelen - sua saída nas últimas rodadas, por lesão, fez falta - Brandley Kuwas e Juninho Bacuna - esses dois irão à Copa do Mundo com Curaçao. Outros, ainda, eram veteranos e confiáveis, como Henk Veerman, a referência ofensiva, e Robert Mühren, que anunciou o fim da carreira ainda durante a temporada, não sem antes ser o goleador da "Outra Laranja" nesta edição da liga. E até seria possível para o Volendam mudar seu destino: afinal, os dois adversários nas duas últimas rodadas eram Excelsior e Telstar, justamente os dois contendentes para escapar da repescagem de acesso/permanência/descenso. E os Volendammers não se ajudaram. Contra o primeiro, na penúltima rodada, empate em 1 a 1; contra o Telstar, jogando em casa, mesmo saindo na frente do placar, o time tomou a virada por 2 a 1. Teve de jogar a repescagem contra o rebaixamento. E o roteiro foi até parecido: na decisão contra o Willem II, ganhou o jogo de ida, fora de casa, mas perdeu chances demais. Castigo: no segundo jogo, o Willem II reverteu a vantagem, levou a decisão às cobranças da marca do pênalti... e nelas rebaixou o Volendam. Que aprendeu a lição, do jeito mais duro.

Análise da temporada: Zwolle

Kostons fez seus gols, e o Zwolle conseguiu a manutenção na Eredivisie. Mas tem de se cuidar demais para o próximo ano (Jeroen van den Berg/Soccrates/Getty Images)

Colocação final: 15º lugar, com 37 pontos (9 vitórias, 10 empates e 15 derrotas - atrás pelo pior saldo de gols) 
No turno havia sido: 14º lugar, com 19 pontos
Time-base: De Graaff; Aertssen (Gooijer), Graves, MacNulty e Floranus; Buurmeester (Monteiro/Fichtinger), Oosting e Thomas; De Rooij, Kostons e Velanas (Shoretire)
Técnico: Henry van der Vegt
Maior vitória: Zwolle 4x1 Telstar (21ª rodada)
Maior derrota: Heracles Almelo 8x2 Zwolle (11ª rodada)
Principal jogador: Koen Kostons (atacante) 
Artilheiro: Koen Kostons (atacante), com 11 gols  
Quem deu mais passes para gol: Koen Kostons (atacante), com 6 passes
Quem mais partidas jogou: Thijs Oosting (meio-campista) e Koen Kostons (atacante), que jogaram todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado pelo AZ, na segunda fase
Competições continentais: nenhuma

No texto para a parada obrigatória de inverno, as palavras sobre o Zwolle terminavam com uma pergunta: até quando? Até quando o Zwolle conseguiria se segurar, ficando diretamente na primeira divisão? Segurou-se até o fim das 34 rodadas, agora se sabe. Porque, se a defesa continuou frágil - 71 gols sofridos, a segunda pior do campeonato -, pelo menos só tomou uma goleada na reta final (o PSV fez 6 a 1, na 31ª rodada). Porque havia times inferiores: mesmo sempre bordejando as últimas posições, os "Dedos Azuis" conseguiam escapar delas. Somente passaram duas rodadas na 16ª posição, que ainda daria a "segunda chance" na repescagem. E bem ou mal, retomaram bem a campanha após a pausa de inverno, empatando com o Twente (1 a 1, 18ª rodada) e vencendo o AZ (3 a 1, 19ª rodada). Além do mais, contra adversários diretos nas últimas posições, os Zwollenaren conseguiram obter bons resultados: 4 a 1 no Telstar (21ª rodada), 2 a 1 no NAC Breda (28ª rodada), 2 a 2 com o Excelsior (29ª rodada), 3 a 0 no Heracles Almelo (32ª rodada).

Isso se devia à relativa qualidade técnica de alguns bons jogadores, como o meio-campo Thijs Oosting e o atacante Koen Kostons. Até mesmo perdas que impactaram o time, como a saída do machucado ponta-esquerda Shola Shoretire, foram minimizadas com a boa entrada de Odysseus "Ody" Velanas. De mais a mais, também ajudou a experiência de dois nomes que estarão na Copa do Mundo, o cabo-verdiano Jamiro Monteiro e o neozelandês Ryan Thomas, ambos no meio-campo. Assim, com méritos próprios e alguma sorte oferecida pelos contextos externos, o Zwolle conseguiu a manutenção na primeira divisão antes mesmo que as últimas rodadas chegassem. De todo modo, tendo em vista algumas saídas que vêm aí - como a de Monteiro -, é bom o clube se preparar para 2026/27. Não é toda temporada que oferece o "perdão".

Análise da temporada: Telstar

Ronald Koeman Jr. (verde) fez as defesas. Ritmeester van de Kamp, Hardeveld e tantos outros criaram as jogadas e fizeram os gols. E o esforço do Telstar rendeu a permanência na primeira divisão (Marcel van Plateringen/BSR Agency/Getty Images)

Colocação final: 14º lugar, com 37 pontos (9 vitórias, 10 empates e 15 derrotas - na frente pelo melhor saldo de gols)
No turno havia sido: 15º lugar, com 15 pontos
Time-base: Koeman Jr.; Neville Ogidi, Offerhaus e Bakker; Noslin, Rossen, Owusu (Hatenboer) e Hardeveld; Van de Kamp (Tejan), Hetli (Van Duijn) e Brouwer
Técnico: Anthony Correia
Maiores vitórias: Fortuna Sittard 1x4 Telstar (26ª rodada) e Telstar 4x1 Sparta Rotterdam (31ª rodada) 
Maior derrota: Zwolle 4x1 Telstar (21ª rodada) e Utrecht 4x1 Telstar (30ª rodada)
Principais jogadores: Ronald Koeman Jr. (goleiro) e Jochem Ritmeester van de Kamp (meio-campista/atacante)
Artilheiros: Patrick Brouwer (atacante) e Jochem Ritmeester van de Kamp (atacante), ambos com 7 gols 
Quem deu mais passes para gol: Jeff Hardeveld (defensor/meio-campista), com 7 passes
Quem mais partidas jogou: Tyrese Noslin (defensor/atacante) e Jeff Hardeveld (defensor/meio-campista), que jogaram todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado pelo AZ, na semifinal
Competições continentais: nenhuma

Qualquer dúvida de que o Telstar seria um time que se esforçaria demais para ficar na primeira divisão, à qual voltara após 47 anos, se acabou logo na quarta rodada, quando os "Leões Brancos" conseguiram, talvez, a maior surpresa da temporada, vencendo o PSV (2 a 0) em pleno Philips Stadion. Nem mesmo uma má sequência de empates tirou o ânimo do Telstar - que, além do esforço, se baseava no (raro) talento de nomes como o meio-campo Jochem Ritmeester van de Kamp e o ala esquerdo Jeff Hardeveld. Terminando o turno na primeira posição fora da zona de repescagem/rebaixamento, com vitória sobre rival direto contra ela - 1 a 0 no NAC Breda, fora de casa -, era um tremendo ânimo, ainda mais tendo em vista que o clube andava discretamente na Copa da Holanda, avançando fase a fase. Para tentar escapar, vieram mais nomes para dar leve evolução técnica, como o meio-campo Cédric Hatenboer e o atacante Sem van Duijn. Até que ajudavam, em campo. Com um time esforçado, até mesmo as derrotas eram "vendidas caro" - que o diga a queda por 3 a 2 para o Ajax, na 18ª rodada (primeira de 2026), quando o Telstar tomava 3 a 0 mas buscou dois gols. 

Porém, ainda afundado na disputa para evitar o rebaixamento direto, contra NAC Breda e Heracles Almelo, o Telstar precisava de vitórias que comprovassem os elogios ao trabalho do técnico Anthony Correia. Elas começaram a aparecer na 25ª rodada - por sinal, contra um adversário direto (3 a 0 no NAC Breda). Na rodada seguinte, goleada: 4 a 1 no Fortuna Sittard. De quebra, uma campanha digna na Copa da Holanda: a eliminação só veio nas semifinais, para o campeão AZ. Dali por diante, o estádio BUKO virou um "aliado": se não chegava a ser um caldeirão, ali cairam o campeão PSV (3 a 1, 28ª rodada - pois é, o PSV não ganhou do Telstar na temporada) e o Sparta Rotterdam (4 a 1, 31ª rodada). Além dos nomes supracitados, crescia de produção o seguro goleiro Ronald Koeman Jr. E na reta final, coroando a arrancada que fez da equipe branca a nona melhor do returno, um empate com o NEC (1 a 1, só sofrido no fim), uma vitória por 3 a 0 sobre o rebaixado Heracles Almelo na penúltima rodada... e o clímax, no jogo direto contra o Volendam pela última rodada, em que o Telstar saiu atrás, evoluiu, empatou, e teve Koeman Jr. ousando cobrar um pênalti - nunca experimentara - para garantir a virada e a permanência na Eredivisie. Anthony Correia, de saída já anunciada para o Utrecht, podia ir em paz. A torcida celebrava com direito. Afinal, o esforço do Telstar tinha sido premiado

Análise da temporada: Excelsior

Yegoian (à esquerda) e Naujoks ajudaram o Excelsior a evitar excessivas sequências negativas, vencer adversários diretos e se garantir na primeira divisão (Hans van der Valk/BSR Agency/Getty Images)

Colocação final: 13º lugar, com 38 pontos (10 vitórias, 8 empates e 16 derrotas - atrás pelo pior saldo de gols)
No turno havia sido: 12º lugar, com 19 pontos
Time-base: Van Gassel; Bronkhorst, Widell, Meissen e Zagré (Schouten); Carlén (Hartjes), Yegoian e Naujoks; Sanches Fernandes, De Regt e Hansson (Bergraaf/Wlodarczyk)
Técnico: Ruben den Uil
Maior vitória: Excelsior 5x0 Utrecht (31ª rodada)
Maior derrota: NEC 5x0 Excelsior (1ª rodada)
Principal jogador: Noah Naujoks (meio-campista)
Artilheiro: Noah Naujoks (meio-campista), com 10 gols
Quem deu mais passes para gol: Gyan de Regt (atacante), com 7 passes
Quem mais partidas jogou: Casper Widell (zagueiro) e Gyan de Regt (atacante), que jogaram todas as 34 partidas 
Copa nacional: eliminado pelo Excelsior Maassluis (terceira divisão), na primeira fase
Competições continentais: nenhuma

Desde o começo da temporada, o Excelsior vivia as agruras a que já acostumado, na tentativa de escapar do rebaixamento. Às vezes, com momentos de baixa, como na queda precoce na Copa da Holanda, para o amador Excelsior Maassluis. Às vezes, com a alta - aqui, a vitória sobre o Ajax (2 a 1, na 13ª rodada), primeiro triunfo dos Kralingers em Amsterdã na história deles na Eredivisie, será sempre um ponto alto quando torcedores se lembrarem desta temporada 2025/26. Todavia, o time já começou o returno em 2026 tomando 5 a 1 do PSV. Mesmo numa sequência de quatro empates, a equipe de Roterdã se segurava nas posições acima da zona de repescagem/rebaixamento, apostando em alguns de seus destaques. Na defesa, o lateral esquerdo Arthur Zagré, praticamente um ala; no meio-campo, Noah Naujoks, sempre um destaque; e no ataque, Derensili Sanches Fernandes cresceu pouco a pouco na temporada.

Contudo, a sequência de cinco derrotas entre a 23ª e a 27ª rodadas jogou o Excelsior na 16ª posição, que forçaria a disputa da repescagem de acesso. Empatar com o Heracles Almelo, lanterna - 1 a 1, na 28ª rodada - e perder do NEC - 2 a 0, na rodada seguinte - mantinha a situação próximo do desesperador. Foi aí que os Kralingers reagiram. Para a sorte deles, a tabela tinha dois jogos contra adversários diretos contra a queda, Zwolle e Volendam. Porém, no meio do caminho das cinco rodadas finais, o Excelsior pegaria dois times na parte de cima da tabela, Utrecht e Excelsior. Pois os Rotterdammers passaram invictos por tudo isso. Contra o Zwolle (30ª rodada), 2 a 2; contra o Utrecht, impuseram incrível goleada por 5 a 0, em grande dia de Sanches Fernandes, aumentando o otimismo da torcida; contra o Groningen, então, vitória eletrizante por 3 a 2, com Gyan de Regt fazendo o gol decisivo nos acréscimos; e ao chegar ao Volendam, na penúltima rodada, o 1 a 1 garantiu mais uma temporada na primeira divisão. Tarefa cumprida, ela foi celebrada com uma vitória em clássico citadino na última rodada (3 a 2 no Sparta Rotterdam). E o Excelsior conseguiu manter sua inconstância - segundo pior mandante, um digno 10º lugar como visitante - sob controle. É preparar os nervos para 2026/27, provavelmente outra temporada de sufoco.

Análise da temporada: Go Ahead Eagles

O Go Ahead Eagles correu riscos de escorregar na primeira metade da temporada, mas contou com Mathis Suray (e outros) para se recuperar da ressaca e emplacar mais um ano de Eredivisie (Dennis Bresser/BSR Agency/Getty Images)


Colocação final: 12º lugar, com 38 pontos (8 vitórias, 14 empates e 12 derrotas - na frente pelo melhor saldo de gols)
No turno havia sido: 13º lugar, com 19 pontos
Time-base: De Busser; Sampsted (Van Zwam), Dirksen (Nauber), Kramer e Adelgaard (James); Meulensteen e Linthorst; Breum (Baeten), Suray e Edvardsen (Tengstedt/Margaret); Sigurdarson (Stokkers)
Técnico: Melvin Boel
Maior vitória: Go Ahead Eagles 6x0 NAC Breda (27ª rodada)
Maior derrota: Go Ahead Eagles 1x4 Twente (26ª rodada) e Go Ahead Eagles 1x4 PSV (33ª rodada)
Principal jogador: Mathis Suray (meio-campista/atacante)
Artilheiro: Mathis Suray (meio-campista/atacante), com 12 gols  
Quem deu mais passes para gol: Victor Edvardsen (meio-campista/atacante), com 7 passes
Quem mais partidas jogou: Jari de Busser (goleiro), Joris Kramer (defensor) e Melle Meulensteen (meio-campista), que jogaram todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado nas quartas de final, pelo Telstar
Competições continentais: Liga Europa (eliminado na fase de liga)

O Go Ahead Eagles já sabia que teria uma certa "ressaca" a encarar ao longo da temporada - até natural, tendo sido 2024/25 a melhor temporada da história do clube de Deventer em muito tempo, com o título da Copa da Holanda (e a consequente vaga na Liga Europa). Ainda assim, a atuação no primeiro turno inspirou certos cuidados. Nada era muito desesperador, mas era preciso se cuidar para que a queda esperada nesta temporada não fosse demasiada. No primeiro turno, até que as Águias se cuidaram, mesmo com a perda de um nome importante: o zagueiro Gerrit Nauber, gravemente machucado na perna. Além do mais, a atuação na fase de liga da Liga Europa foi inesperadamente honrosa, com a vitória em casa (2 a 1) sobre o Aston Villa como grande momento. Mas o começo do returno deixou motivos para tensão: o Go Ahead já vinha de cinco rodadas sem vencer no final de 2025, e retomou os trabalhos na Eredivisie em 2026 com mais seis jogos sem os três pontos (quatro empates, duas derrotas). Caindo para a 15ª posição, primeira acima da zona de repescagem/rebaixamento, cogitou-se seriamente a demissão do técnico Melvin Boel.

Os jogadores, só eles, conseguiram minorar os problemas dali por diante: duas vitórias diretas contra dois ameaçados pelo rebaixamento (goleada por 4 a 0 no Heracles Almelo, na 24ª rodada; na seguinte, 1 a 0 no Excelsior) começaram a dissipar o cenário turvo que ameaçava o "Kowet". Aí, os destaques apareceram: Jari de Busser voltou a trazer segurança ao gol, Julius Dirksen estabilizou a zaga que sofria sem Nauber, Melle Meulensteen - defensor de origem - rendeu bem como volante, Mathis Suray ajudou bem na criação de jogadas (e nos gols), teve a seu lado os coadjuvantes entrosados (Victor Edvardsen, Thibo Baeten, Jakob Breum)... e o Go Ahead Eagles voltou a controlar os riscos que pudesse correr na temporada. Na 27ª rodada, aplicar 6 a 0 no NAC Breda deu à torcida a impressão de que nada mais daria errado. E, de fato, não deu: mesmo com a ressaca, o time aurirrubro emplaca mais uma temporada na Eredivisie.

Análise da temporada: Fortuna Sittard

O Fortuna Sittard contou com os gols de Sierhuis para fazer outra temporada estável (Gabriel Calvino Alonso/BSR Agency/Getty Images)

Colocação final: 11º lugar, com 39 pontos (11 vitórias, 6 empates e 17 derrotas)
No turno havia sido: 11º lugar, com 21 pontos
Time-base: Branderhorst; Ivo Pinto, Adewoye, Márquez e Dahlhaus (Hubner); Brittijn e Michut (Tunjic/Van Ottele); Limnios, Duijvestijn (Ihattaren) e Peterson; Sierhuis (Gladon)
Técnico: Danny Buijs
Maior vitória: Fortuna Sittard 4x3 AZ (17ª rodada)
Maior derrota: PSV 5x2 Fortuna Sittard (11ª rodada)
Principal jogador: Kaj Sierhuis (atacante)
Artilheiros: Kaj Sierhuis (atacante), com 12 gols  
Quem deu mais passes para gol: Mohamed Ihattaren (meio-campista), com 10 passes
Quem mais partidas jogou: Dimitris Limnios (meio-campista) e Kristoffer Peterson (atacante), que jogaram todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado pelo Almere City (segunda divisão), na segunda fase
Competições continentais: nenhuma

Nem a ambição de tempos idos (vale lembrar: o turco Burak Yilmaz chegou a defender o time de Sittard), nem o sofrimento de precisar se esforçar contra o rebaixamento. O Fortuna Sittard foi um clube médio na temporada - e para a torcida, nem foi nada de se queixar tanto. No primeiro turno, nunca conseguiu mais de duas vitórias seguidas, nem duas derrotas. Tinha como destaques então Mohamed Ihattaren, reavivando sua carreira com boas atuações no meio-campo (às vezes, no ataque mesmo), com Kaj Sierhuis crescendo pouco a pouco graças a seus gols. E assim, mesmo sem brilhar - longe disso: que o dissesse a eliminação precoce na Copa da Holanda -, os Fortunezen também mantinham a torcida tranquila. Até mesmo deixavam alguma esperança de entrar na zona de repescagem por vaga na Conference, algo sempre possível para um time que fica no meio da tabela do Campeonato Holandês, bastando uma sequência de bons resultados.

Só que essa sequência também não veio no returno: o máximo que o time auriverde conseguiu foram dois triunfos seguidos (2 a 1 no Excelsior, na 24ª rodada; e, surpresa boa, 3 a 2 no NEC, na 25ª rodada). Derrotas excessivas? Por mais que a queda nas 17 rodadas tenha sido clara - o Fortuna foi o 14º colocado da segunda metade da Eredivisie -, também não foi nada de preocupar a torcida: nada mais de duas derrotas seguidas. Ihattaren e Sierhuis seguiam se destacando, Lance Duijvestijn foi uma boa contratação para o meio-campo, o técnico Danny Buijs mantinha o time do mesmo jeito - o máximo que fazia era somente colocar um terceiro zagueiro, com Syb van Ottele, que passou a estar mais entre os titulares no returno. Com isso, o Fortuna ficou consolidado (e até um pouco acomodado) na tabela: às vezes caía para o 13º lugar, às vezes ia ao 10ª posto, mas sempre estável na metade, sem sofrer risco de rebaixamento. Tinha derrotas, por vezes, tardias: na 32ª rodada, ficou à frente do Feyenoord por um bom tempo, até tomar a virada (2 a 1) nos minutos finais. E, enfim, a temporada do Fortuna Sittard não foi um passo além do seu objetivo inicial para este campeonato: o meio de tabela. Para 2026/27, porém, será necessário mais atenção e prontidão. A começar fora do campo, já que o português Américo Branco, diretor de futebol do clube nas últimas temporadas, considerado importante na estabilização do Fortuna, está de saída.

Análise da temporada: Sparta Rotterdam

O Sparta Rotterdam (com os destaques Drommel e Lauritsen, terceiro e quarto da esquerda para a direita) viveu inconstante, e até por isso, não conseguiu ir muito além. Mudanças vêm aí em Roterdã (Iris van den Broek/ANP/Getty Images)

Colocação final: 10º lugar, com 43 pontos (12 vitórias, 7 empates e 15 derrotas)
No turno havia sido: 10º lugar, com 23 pontos
Time-base: Drommel; Martes (Sambo), Young, Martins Indi e Quintero; Kitolano, Santos e Clement (Baas); Van Bergen, Lauritsen e Mito
Técnico: Maurice Steijn
Maior vitória: Feyenoord 3x4 Sparta Rotterdam (19ª rodada)
Maior derrota: PSV 6x1 Sparta Rotterdam (1ª rodada)
Principais jogadores: Joël Drommel (goleiro) e Tobias Lauritsen (atacante) 
Artilheiro: Tobias Lauritsen (atacante), com 12 gols  
Quem deu mais passes para gol: Tobias Lauritsen (atacante), com 5 passes
Quem mais partidas jogou: Joël Drommel (goleiro) e Tobias Lauritsen (atacante), que jogaram todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado pelo Volendam, nas oitavas de final
Competições continentais: nenhuma

O Sparta Rotterdam passou boa parte do campeonato sofrendo com a inconstância. Principalmente no primeiro turno: era o quinto melhor mandante e o terceiro pior visitante, por exemplo. Contudo, nada como uma boa sequência de resultados para minimizar problemas: na retomada após a pausa de inverno, foram quatro vitórias (entre a 18ª e a 21ª rodadas) que devolveram a equipe à zona de repescagem por vaga na Conference League, em que pesasse a eliminação na Copa da Holanda. Entre essas vitórias, aliás, houve um triunfo no clássico citadino sobre o Feyenoord - 4 a 3, na 19ª rodada -, algo que sempre alegrava a torcida. Contudo, a reação parou por aí: desde então, só mais uma vitória até o fim das 34 rodadas regulamentares. Além disso, as atuações em casa foram inesperadamente decepcionantes: o Sparta foi o quinto pior mandante do campeonato. Então, por quê o clube não despencou na tabela? Simplesmente porque outros clubes foram piores e perderam as chances de superá-lo.

Com isso, mesmo com resultados decepcionantes, um empate aqui, outro ali, e os Spartanen conseguiam se manter na zona de repescagem por vaga na Conference League. Bem ou mal, mantinham alguns bons jogadores - Joël Drommel, confiável como de costume no gol; o jovem cabo-verdiano Ayoni Santos tomou a posição no meio-campo e se tornou protagonista a ponto de já poder ir à Copa do Mundo que vêm aí; e Tobias Lauritsen, mesmo há muito desejando uma transferência, ficou em Roterdã, e seguiu garantindo gols para o clube de Het Kasteel. Entretanto, a campanha seguia sem embalar, a tal ponto que o técnico Maurice Steijn preferiu anunciar, por antecipação, a sua saída ao fim da temporada. Nem isso resolveu: o Sparta seguiu oscilando. E a reta final não foi nem de oscilação: foi de queda, mesmo. Derrota para o campeão PSV (2 a 0, na 30ª rodada); duas goleadas sofridas (na 31ª rodada, Telstar 4 a 1; na 33ª e penúltima, Twente 4 a 0). Com isso, mesmo chegando até a última rodada com chances de retornar à repescagem por vaga na Conference League, o Sparta terminou perdendo a vaga. Nem teve tanta segurança defensiva (quarta pior defesa), nem compensou no ataque (quarto pior ataque). De certa forma, provas de que as coisas precisam mudar em Het Kasteel para 2026/27.