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terça-feira, 28 de outubro de 2025

Uma coisa de cada vez

A despedida de Sherida Spitse já dava um tom agradável às datas FIFA femininas da Holanda (Países Baixos). Ver a seleção de mulheres mais organizada, no 0 a 0 contra a Polônia e no 1 a 0 contra o Canadá, melhorou a sensação (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Seria exagerado achar que a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) já tinha a obrigação de esbanjar talento e mostrar atuações soberanas, nas primeiras datas FIFA sob o comando do novo técnico, Arjan Veurink. Contudo, seria bom que algumas características aparecessem nos amistosos contra Polônia e Canadá. E até que elas apareceram, tanto no 0 a 0 contra as polonesas, na sexta passada, quanto na vitória por 1 a 0 sobre as canadenses, nesta terça: inegavelmente, as Leoas Laranjas mostraram mais organização. Não brilharam, mas é um começo.

E pelo menos do jeito como a partida contra a Polônia começou, parecia que seria novo tempo com velhos erros: logo aos 3', um cruzamento rasteiro passou por toda a defesa holandesa, só sendo afastado na a pequena área, por Veerle Buurman. Tentando atacar pelo chão, as Leoas Laranjas tinham dificuldades, contra uma defesa bem posicionada. Restavam, então, as jogadas pelos lados. Como aos 10', quando Lineth Beerensteyn (novamente bem no jogo) cruzou, a lateral Wiktoria Zieniewicz errou ao tentar afastar, mas a goleira Kinga Szemik pegou.

Depois, começaram os lançamentos altos. Por exemplo, aos 24', quando Jill Roord tocou por cima, e Vivianne Miedema tocou na saída de Szemik, mas a zagueira Emilia Szymczak afastou - como fez aos 25', em outro lançamento pelo alto, no qual a bola chegou a Kerstin Casparij, que cruzou da direita para Beerensteyn completar. Depois, as chances escassearam. Do lado polonês, só um chute de Nadia Krezyman, aos 29'; aos 36', um chute de Roord para fora, após tabelar com Miedema.

No segundo tempo é que as chances vieram: uma cobrança de falta de Miedema aos 53', um arremate de Brugts aos 56', ambos defendidos por Szemik. Curiosamente, até, as chances mais concretas vieram na reta final. Do lado laranja (aos 80', num escanteio, Szemik saiu mal do gol, a capitã Dominique Janssen cabeceou, e só a zagueira Oliwia Wos evitou o gol, tirando em cima da linha) e do polonês (em rápido contra-ataque aos 84', Wiktoria Zawistowska saiu cara a cara com a goleira Lize Kop, mas Kop evitou o gol). 

As Leoas Laranjas atacaram contra a Polônia, mas também sofreram (Mateusz Slodkowski/Getty Images)

Enfim, mesmo com o 0 a 0, se viu tranquilidade holandesa, nas palavras de Jill Roord ("No segundo tempo, fomos melhores, mais calmas") e do próprio técnico Arjan Veurink ("Eu sabia que seria difícil hoje"). E a tranquilidade foi respondida pela melhor atuação das Leoas Laranjas. Principalmente no primeiro tempo, com velocidade pela direita, com Lynn Wilms e Wieke Kaptein começando bem no jogo. Aos 16', Marisa Olislagers - titular na lateral esquerda - cobrou escanteio e quase fez gol olímpico; Lineth Beerensteyn teve chances aos 22' (cabeceou para fora) e aos 25' (completou para fora cruzamento de Kaptein). Rondando o gol, uma hora ele saiu, aos 28', quando Esmee Brugts cruzou, a bola passou por Beerensteyn, mas não por Lynn Wilms, que fez seu primeiro gol com a camisa laranja.

Houve coisas a consertar, claro. Tantos avanços pelos lados abriram chance para o Canadá contra-atacar, ainda antes do intervalo (aos 38', Adriana Leon cabeceou e Lize Kop defendeu no gol; aos 44', Julia Simis carregou a bola pela esquerda, chegou à área, mas chutou para fora). Mas o importante era homenagear Sherida Spitse, substituída aos 48' - referência a 248 jogos - por Veerle Buurman, na zaga, sendo saudada pelo "corredor de honra" para não voltar mais às Leoas Laranjas das quais se transformou em símbolo. Jogo retomado, com algumas alterações, o ritmo da Holanda caiu, o Canadá cresceu um pouco (Jordyn Huitema teve boa chance aos 66', num cabeceio). Mas logo a seleção laranja se restabeleceu, teve mais chances - Damaris Egurrola Wienke cabeceando para fora aos 70', Lotte Keukelaar tentando o arremate aos 80' para a defesa da goleira canadense Sabrina D'Angelo...

E a Holanda terminou sem sofrer gols em dois jogos seguidos, pela primeira vez desde 2023. Não é nada demais, mas dá a mostra saudável da organização que Arjan Veurink quer ver nas Leoas Laranjas, além de certas medidas táticas como colocar Vivianne Miedema mais recuada, quase como uma "armadora", mesmo escalada no ataque. De fato, houve motivos para Veurink dizer que tem "uma boa sensação para o sorteio das eliminatórias europeias da Copa de 2027 [no próximo dia 5]". Mas há o que melhorar. Uma coisa de cada vez...

Amistosos

Polônia 0x0 Holanda
Data: 24 de outubro de 2025
Local: Plus Arena (Gdansk)
Árbitra: Debora Anex (Suíça)

POLÔNIA
Kinga Szemik; Wiktoria Zieniewicz, Emilia Szymczak, Oliwia Woś e Martyna Wiankowska (Aleksandra Zaremba, aos 90' + 2); Milena Kokosz, Adriana Achcińska e Ewelina Kamczyk (Patrycja Sarapata, aos 90' + 2); Natalia Padilla-Bidas (Gabriela Grzybowska, aos 80'), Paulina Tomasiak e Nadia Krezyman (Weronika Zawistowska, aos 80'). Técnica: Nina Patalon

HOLANDA
Lize Kop; Kerstin Casparij, Veerle Buurman (Caitlin Dijkstra, aos 46'), Dominique Janssen e Janou Levels (Marisa Olislagers, aos 46'); Jackie Groenen (Damaris Egurrola Wienke, aos 62'), Wieke Kaptein (Ella Peddemors, aos 77') e Jill Roord; Lineth Beerensteyn, Vivianne Miedema (Lotte Keukelaar, aos 62') e Esmee Brugts (Victoria Pelova, aos 62'). Técnico: Arjan Veurink


Holanda 1x0 Canadá
Data: 28 de outubro de 2025
Local: De Goffert (Nijmegen)
Árbitra: Rasa Grigone (Lituânia)
Gol: Lynn Wilms, aos 28'

HOLANDA
Lize Kop; Lynn Wilms, Sherida Spitse (Veerle Buurman, aos 48'), Dominique Janssen (Caitlin Dijkstra, aos 81') e Marisa Olislagers; Jackie Groenen, Wieke Kaptein (Damaris Egurrola Wienke, aos 62') e Jill Roord; Lineth Beerensteyn (Romée Leuchter, aos 46'), Vivianne Miedema (Victoria Pelova, aos 62') e Esmee Brugts (Lotte Keukelaar, aos 62'). Técnico: Arjan Veurink

CANADÁ
Sabrina D'Angelo; Jade Rose, Shelina Zadorski, Ashley Lawrence (Gabrielle "Gabby" Carle, aos 66') e Jayde Riviére (Marie Levasseur, aos 85'); Jessie Fleming (Marie Yasmine "Mimi" Alidou, aos 66'), Emma Regan (Évelyne Viens, aos 85') e Julia Grosso; Janine Sonis (Holly Ward, aos 74'), Jordyn Huitema e Adriana Leon (Nichelle Prince, aos 66'). Técnica: Casey Stoney


quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Ainda é só o começo

Nas primeiras datas FIFA após a eliminação precoce na Euro, a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) terá uma saída cheia de homenagens a Sherida Spitse. E um começo ainda tranquilo para o novo ciclo (Stan Oosterhof/Soccrates/Getty Images) 

Só o fato de ser a primeira convocação (e serem as primeiras partidas) sob o comando do novo técnico, Arjan Veurink, já atrairia mais atenção para a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) nestas datas FIFA. A insinuação de tempos de mais renovação, após a má campanha na Euro de mulheres - que indicou inevitáveis fins de ciclo -, também atrairia alguma ansiedade pelo que as Leoas Laranjas podem fazer neste novo ciclo. E de fato, a renovação já começou. Só que ainda é só um início, pelo que se verá nos amistosos contra Polônia (na próxima sexta, 24, às 13h de Brasília, na cidade polonesa de Gdansk) e Canadá (na terça, dia 28, às 16h45 de Brasília, em Nijmegen). 

Até porque a maior atração entre os dois amistosos - na verdade, em apenas um deles, ao pé da letra - é uma despedida. Pois é: antes mesmo da convocação sair, na quarta-feira, 15, os perfis oficiais da seleção feminina neerlandesa divulgaram um vídeo em que Sherida Spitse oficializava o fim de sua história como jogadora pelas Leoas Laranjas, após 19 anos e 247 jogos (sempre vale lembrar: nenhum outro profissional europeu de futebol, homem ou mulher, jogou tanto por uma seleção). A meio-campista/zagueira se integrará à delegação apenas para a partida contra as canadenses, mas foi o principal tema das declarações surgidas na apresentação das 24 convocadas ao centro de treinamentos da federação, na cidade de Zeist - eram 26, mas Daphne van Domselaar (problema leve no joelho) e Chasity Grant (contusão sofrida no domingo passado) foram cortadas. E todas, declarações elogiosas.

Começou com o próprio Arjan Veurink: "Após quase 20 anos de seleção com ela, vai ficar um buraco (...) Ela merece uma saída pela porta da frente, com pódio e tudo". O técnico, inclusive, teve de se defender, na entrevista coletiva, das suspeitas de que suas conversas particulares com Spitse teriam um "leve empurrão" para que ela decidisse parar de jogar pela Holanda: "Ela mesma tomou a decisão. Tivemos boas conversas, sempre foram abertas e honestas. Vimos o curto e o longo prazo, e ela decidiu parar com base nisso". Tudo esclarecido, a homenagem seguiu com Jackie Groenen, cotada para ser uma das líderes da nova geração que terá espaço na seleção: "Vou sentir falta dela, das brincadeiras dela, é um ícone. Aproveitei todos esses anos com ela, e aprendi muito. Não sei se conseguirei preencher a lacuna que ela deixará". Kerstin Casparij acrescentou as suas loas, ao site Sportnieuws: "Quando eu comecei na seleção, ela já era famosa. Ela definiu os padrões". E a própria Spitse, entrevistada pelo site oficial das seleções holandesas, foi previsível sobre seu maior momento nesses 19 anos: "2017. Nunca nada será tão bonito quanto este ano. Fomos campeãs europeias, e meu filho Jens nasceu".

O técnico Arjan Veurink já mudou algumas coisas em sua estreia nas Leoas Laranjas. E mudará ainda mais (Divulgação/KNVB Media)

Só que, Spitse à parte, há outros fatores importantes nestas datas FIFA. Arjan Veurink já indicara em sua apresentação o que deseja ver nas jogadoras: "Há muita criatividade neste time, mas precisamos trazer mais intensidade e espírito de luta sem a bola. Isso pode melhorar, sem dúvida". Falando ao diário Trouw, foi ainda mais enfático: "A Holanda precisa ter uma defesa difícil de ser superada. E as jogadoras precisam merecer estar aqui, esta seleção não é de base". Até por isso, já começaram algumas mudanças. Na própria defesa, por exemplo, oferecendo a estreia em convocações a Lieske Carleer, zagueira do Twente ("É uma honra estar aqui", celebrou Carleer na apresentação), e trazendo de volta duas laterais esquerdas havia muito não convocadas, Janou Levels e Marisa Olislagers ("Vou fazer o meu melhor esta semana, tentar agarrar a minha chance", celebrou Olislagers, que já tem até a Euro feminina de 2022 no currículo). A chamada de Levels e Olislagers, inclusive, abre a possibilidade de Esmee Brugts, em grande começo de temporada no Barcelona, poder jogar na sua posição original, a ponta-esquerda, no ataque. Outro nome mais novo que volta é a ponta-de-lança Lotte Keukelaar, badalada desde a chegada ao Real Madrid, como a mais cara transferência que o futebol feminino dos Países Baixos já teve ("Lá eu vou precisar ir ainda melhor do que ia no Ajax, não posso bobear", reconheceu Keukelaar ao diário De Telegraaf).

Mas Veurink, mesmo olhando para a frente, deixa uma porta entreaberta atrás. Não para Renate Jansen, na última temporada da carreira, também anunciando o fim de sua era na seleção ("Fora de campo, ela sempre foi um nome de força, um elo de ligação, sempre tentou unir todo mundo", elogiou Arjan Veurink a atacante que, mesmo na reserva, esteve em todos os momentos das Leoas Laranjas nos últimos 10 anos, com 15 anos de passagem). Mas, talvez, para Daniëlle van de Donk. Após a eliminação na Euro, a meio-campista indicou que tinha sido seu último grande torneio pelos Países Baixos, mas não se opôs a seguir convocada nos momentos posteriores. Arjan Veurink deixou a continuidade de "Daan" nas Leoas Laranjas em suspenso, aproveitando uma dificuldade atual da meio-campista do London City Lionesses: "Nesse momento, ela não está em condições [contundida], e está fazendo de tudo para voltar a campo o mais rápido possível. Logo, está sem condições de pensar bem se ainda quer jogar pela seleção". Se quiser, porém, Veurink já alertou: "Para mim, é importante ter jogadoras em condições de irem à Copa de 2027. Combinamos que, assim que ela estiver em condições, voltamos a conversar".

Mas isso é para depois. Agora, em campo, a seleção feminina da Holanda quer boas atuações contra Polônia e Canadá. Para homenagear Sherida Spitse. E para comprovar o que Jackie Groenen comentou na entrevista coletiva: "Estamos sentindo algo muito novo. É sempre legal sentir a energia de uma nova fase". Que ainda está só no começo. Haverá muitas mudanças nas Leoas Laranjas, ainda.

As 24 convocadas da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

Goleiras: Lize Kop (Tottenham Hotspur-ING), Daniëlle de Jong (Juventus-ITA) e Regina van Eijk (Ajax)

Defensoras: Kerstin Casparij (Machester City-ING), Lynn Wilms (Aston Villa-ING), Sherida Spitse (Ajax - só se integrará para o jogo contra o Canadá), Ilse van der Zanden (Fiorentina-ITA), Veerle Buurman (Chelsea-ING), Dominique Janssen (Manchester United-ING), Caitlin Dijkstra (Wolfsburg-ALE), Lieske Carleer (Twente), Marisa Olislagers (Brighton-ING) e Janou Levels (Wolfsburg-ALE)

Meio-campistas: Jackie Groenen (Paris Saint Germain-FRA), Victoria Pelova (Arsenal-ING), Wieke Kaptein (Chelsea-ING), Damaris Egurrola Wienke (Lyon-FRA) e Ella Peddemors (Wolfsburg-ALE)

Atacantes: Vivianne Miedema (Manchester City-ING), Lineth Beerensteyn (Wolfsburg-ALE), Esmee Brugts (Barcelona-ESP), Jill Roord (Twente), Romée Leuchter (Paris Saint Germain-FRA) e Lotte Keukelaar (Real Madrid-ESP)

quinta-feira, 6 de junho de 2024

Até que valeu

Memphis Depay (à esquerda) e Frimpong tiveram motivos para festa: foram os destaques do amistoso contra o Canadá (ProShots)

Ao longo da semana - principalmente na entrevista coletiva antes do amistoso contra o Canadá, primeiro jogo de preparação para a Euro 2024 que vem aí -, o técnico Ronald Koeman elogiou: os treinos da seleção masculina da Holanda (Países Baixos) estavam rendendo bem. E se faltava mostrar isso em campo, isso foi mostrado, com a goleada da Laranja por 4 a 0. Um teste que até valeu, ainda que sem garantia de que alguns nomes que entraram em campo também serão titulares na estreia na Euro, contra a Polônia, no próximo dia 16. Por isso, o jogo desta quinta-feira foi mais para testes.

Tantos testes, aliás, que permitiram a Koeman fazer experiências pedidas há muito. Como Micky van de Ven, jogando na lateral esquerda; Brian Brobbey, ao lado de Memphis Depay, no ataque; e... Jeremie Frimpong, enfim jogando como ala pela direita, num esquema com três zagueiros. Demorou um pouco para que os Países Baixos se impusessem, porque a seleção canadense (em preparação para a Copa América, na primeira partida sob o comando do técnico norte-americano Jesse Marsch) começou marcando a saída de bola, impedindo a troca neerlandesa de passes. Mesmo sem criar chances, bastou até para alguns chutes a gol - como o de Liam Millar, aos 9', mandando a bola na rede pelo lado de fora.

Só que, aos poucos, os espaços apareceram. Primeiro em jogadas de bolas paradas - como aos 16', quando Daley Blind cobrou falta e Georginio Wijnaldum (atuação questionada) cabeceou para fora. Depois, com a bola rolando. Principalmente pela direita, porque Frimpong logo começou a mostrar o nível de atuação que se esperava (e se desejava) dele pela direita. O camisa 12 tentou um chute para fora, aos 21'; passou a bola para Memphis Depay aos 29', mas o goleiro Dayne St. Clair pegou; quase fez aos 32', num arremate só bloqueado pelo zagueiro Moïse Bombito (assim como Derek Cornelius evitou que Wijnaldum marcasse, aos 38'); e tentou de novo aos 42', após Brian Brobbey ajeitar, para nova defesa de St. Clair. De quebra, nos acréscimos, Depay criou boa chance, lançando a bola em profundidade para Brobbey, que falhou na finalização. 

Brian Brobbey teve sua primeira chance como titular da Laranja (desta vez, de azul). Perdeu alguns gols, mas ajudou (Koen van Weel/ANP/Getty Images)

Mesmo com o 0 a 0 no placar, a Holanda já passava uma boa impressão. Consolidada no começo do segundo tempo, com mais uma tentativa (chute de Ryan Gravenberch, aos 49'). Só faltava um gol. Que veio logo no minuto seguinte, em jogada dos dois destaques da partida: Frimpong cruzando, Memphis Depay concluindo na pequena área. Confirmava-se ali o brilho de Frimpong, que fez o segundo gol como tantas vezes mostrou no Bayer Leverkusen ao longo da temporada 2023/24: avançando com campo livre pela direita, e finalizando, após uma primeira tentativa bloqueada. Vitória encaminhada, Ronald Koeman pôde fazer algumas alterações. Duas delas, inclusive, participaram do lance do terceiro gol, aos 63': Donyell Malen chutando, e Wout Weghorst aproveitando o rebote do goleiro St. Clair. No fim, Virgil van Dijk (vindo do banco pela primeira vez, em suas 67 partidas defendendo a seleção laranja) transformou a vitória em goleada.

Uma goleada que foi relativizada, mas que, ao mesmo tempo, confirmou os motivos de elogio de Ronald Koeman. E que indica: pelo menos na preparação para a Euro, a Laranja está bem.

Amistoso
Holanda 4x0 Canadá
Data: 6 de junho de 2023
Local: De Kuip (Roterdã)
Juiz: Rohit Saggi (Noruega)
Gols: Memphis Depay, aos 50', Jeremie Frimpong, aos 57', Wout Weghorst, aos 63', e Virgil van Dijk, aos 83'

HOLANDA
Bart Verbruggen; Lutsharel Geertruida, Matthijs de Ligt (Stefan de Vrij, aos 71') e Daley Blind (Virgil van Dijk, aos 71'); Jeremie Frimpong (Steven Bergwijn, aos 62'), Jerdy Schouten, Georginio Wijnaldum, Ryan Gravenberch (Joey Veerman, aos 85') e Micky van de Ven; Memphis Depay (Donyell Malen, aos 62') e Brian Brobbey (Wout Weghorst, aos 62'). Técnico: Ronald Koeman

CANADÁ
Dayne St. Clair; Alistair Johnston (Dominick Zator, aos 56'), Moïse Bombito, Derek Cornelius e Alphonso Davies; Tajon Buchanan (Charles-Andreas Brym, aos 56'), Ismael Koné (Samuel Piette, aos 78'), Stephen Eustáquio (Mathieu Choiniere, aos 71') e Liam Millar (Jacob Shaffelburg, aos 46'); Jonathan David e Cyle Larin (Junior Hoilett, aos 71'). Técnico: Jesse Marsch

terça-feira, 3 de março de 2020

Para experimentar... e ganhar

O ar do quarteto Roord-Van de Sanden-Spitse-Van de Donk deixa claro: ganhar é importante, mas o torneio amistoso é encarado tranquilamente para a Holanda. Intenção maior é experimentar algumas novas caras (AFP)

A impressão agradável que a seleção feminina da Holanda deixou na Copa do Mundo, ano passado, faz com que seja grande a expectativa sobre o que as Leoas Laranjas podem fazer no torneio amistoso da França, iniciado nesta quarta - com a estreia laranja contra o Brasil, em Valenciennes, às 15h de Brasília. Expectativa talvez maior do que os objetivos claros para o quadrangular com Brasil, Canadá e França. Claro, ganhá-lo será bom, será uma mostra de que a equipe continua confiável. No entanto, um objetivo tão importante quanto as vitórias serão as experiências feitas com vistas aos jogos contra Kosovo e Estônia, em abril, pelas Eliminatórias da Euro 2021, e para o próprio torneio olímpico.

Foi exatamente o que a treinadora Sarina Wiegman comentou à emissora NOS, na segunda-feira de apresentação das 24 convocadas antes da viagem à França: "É uma ótima chance para desenvolvermos o time, tentarmos coisas". E foi exatamente com essas intenções que ela convocou quatro jogadoras pouco habituais nas convocações. O quadrangular na França será a oportunidade para que possam despontar a zagueira Lynn Wilms, do Twente; a lateral Aniek Nouwen, do PSV; e as atacantes Ashleigh Weerden, também do Twente, e Joëlle Smits, do PSV.

Por sinal, Nouwen é a primeira tentativa de Sarina para resolver um problema inexistente durante a Copa: quem será a lateral direita das Leoas Laranjas em Tóquio? Afinal, Van Lunteren, a titular no vice-campeonato mundial, deixou a seleção no fim do ano passado, preferindo se focar somente no Ajax. Sua reserva imediata, Liza van der Most, estava pronta para ocupar a posição, mas uma séria lesão no joelho tirou Van der Most da temporada - e muito provavelmente, dos Jogos Olímpicos. À NOS, Wiegman reconheceu: "É um desafio. É tentar mexer aqui e ali, até as coisas darem certo de novo". Assim como também reconheceu que "não esperava" ver a goleira e capitã Sari van Veenendaal, de atuações estupendas na Copa, na reserva do Atlético de Madrid.

Após a lesão renitente no pé, Lieke Martens está otimista (BSR Agency)

Se umas foram, outras voltaram. E outras importantes. Enfim recuperada dos problemas no joelho após cirurgia, Stefanie van der Gragt retornou às convocações - e imediatamente deverá voltar ao miolo de zaga, para a parceria com Anouk Dekker. E retornando bem ao Barcelona após a cirurgia no pé que tanto a atrapalhou durante a Copa, Lieke Martens já mostrou nas palavras o quanto está entusiasmada para voltar a jogar vestindo laranja: "Estou com muita vontade. É muito bom ver as meninas de novo". Falando ao jornal De Telegraaf nesta terça, Martens se lembrou dos problemas que o dedo do pé operado lhe causava: "Foi um período duro, eu sentia dores em todo jogo. Mesmo quando andava normalmente pela cidade, sentia um incômodo. Estou feliz que tenha acabado. Eu me sinto bem, já joguei partidas: no começo vinha do banco, e agora estou começando como titular". Começando bem, vale lembrar: foram dois gols pelo Barcelona, nas últimas semanas do Campeonato Espanhol feminino.

E entre preocupações e confianças (Vivianne Miedema, titularíssima no ataque, já tem 14 gols em 12 jogos pelo Arsenal, na Women Super League inglesa), a seleção feminina da Holanda está confiante e tranquila. Mesmo a ameaça do coronavírus, preocupando a Europa, é monitorada com calma, como Sarina Wiegman comentou: "Ouvimos conselhos do RIVM (instituto de saúde pública) e do comitê olímpico holandês. Recebemos a recomendação de evitarmos abraços, talvez até recusar presentinhos como bichos de pelúcia. E se alguém se sentir mal, terá imediatamente um quarto isolado".

Assim, o torneio amistoso é encarado de modo até feliz, numa França que tão boas lembranças deixou às Leoas Laranjas em 2019. Sarina Wiegman celebra: "Jogaremos contra seleções que também estarão nos Jogos Olímpicos. E se perdermos, não haverá consequências". Exatamente por isso, a treinadora deu a certeza: "Ganhar é legal, mas quero experimentar acima de tudo". As experiências serão ainda mais aceitas em caso de vitórias...

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Resultado ótimo. O desempenho, pode melhorar

A pressão sobre a seleção feminina estava forte, por causa do desempenho apenas razoável na Copa. Mas a Holanda conseguiu terminar a primeira fase com três vitórias, e tem a resposta: resultados excelentes (Zhizhao Wu/Getty Images)

Sabe-se que resultado e desempenho são coisas diferentes no futebol. Nem sempre um desempenho bom leva às vitórias, assim como nem sempre um campeão é um time irrepreensível. De certa forma, é o que tem acontecido com a seleção da Holanda nesta Copa do Mundo feminina. O que se viu nesta fase de grupos deixa claro que as Leoas Laranjas ainda têm coisas a melhorar nas atuações - agora, ainda mais, já que começará a fase eliminatória do torneio. No entanto, é justo dizer que os resultados conseguidos pela Laranja são irrepreensíveis. E a vitória por 2 a 1 no Canadá, primeira da história da seleção feminina holandesa sobre o país da América do Norte, mostrou: a Holanda está na Copa a sério.

No começo, parecia que as falhas se sobressairiam, pelo susto logo no primeiro minuto em Reims, quando uma desatenção fez com que Desiree van Lunteren derrubasse Janine Beckie, em jogada que teve pênalti inicialmente apontado pela juíza francesa Stéphanie Frappart - só cancelado quando Frappart foi chamada pelo VAR e notou que Van Lunteren derrubara Beckie ainda fora da área. Pior ainda aos 22', quando a linha de impedimento das holandesas quase foi iludida, com Jordyn Huitema fazendo o gol, no que seria falha da goleira Sari van Veenendaal. Mas a jogada foi anulada. E aos poucos, a Holanda se assentou em campo. Anouk Dekker mostrou imposição física valiosa no miolo de zaga, enquanto Merel van Dongen justificou plenamente a opção da técnica Sarina Wiegman por sua escalação na lateral esquerda, deixando Kika van Es no banco: mantendo bem a posse de bola e precisa nos desarmes, Van Dongen deu mais segurança à defesa.

A defesa da Holanda continuou com dificuldades - mas Van Dongen, com boa atuação, trouxe mais segurança (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

A partir dessa segurança, o time laranja cresceu. Após um momento de superioridade canadense, houve crescimento. Com mais espaço, Sherida Spitse e Jackie Groenen conseguiram avançar e ajudar o ataque - coisa que Daniëlle van de Donk continua fazendo, se consolidando como uma das melhores da Holanda na Copa (e quase tendo seu desempenho premiado com um gol de bicicleta, aos 34'). Shanice van de Sanden teve pouco espaço - mas quando teve, trouxe perigo. Como aos 30', num cruzamento rebatido com dificuldades pela goleira Stéphanie Labbé, antes que a zagueira Shelina Zadorsky impedisse o gol. E também aos 33', quando a camisa 7 da Holanda criou uma jogada que fez com que Vivianne Miedema mandasse a bola na trave. Mesmo que fosse vulnerável, a Holanda comprovou no primeiro tempo: quanto mais espaço tem para jogar, melhor joga. A única a destoar disso era justamente a jogadora de quem mais se esperava: Lieke Martens, outra vez submissa à marcação.

E o gol de Anouk Dekker, aos 54', premiou tudo isso: o crescimento de nível da seleção, a boa atuação de Dekker, a superioridade diante do Canadá. Mas sempre era bom lembrar: apesar de seu nível técnico elogiável, a seleção feminina mantém problemas a serem resolvidos. Dois deles são o espaço dado às adversárias no campo de defesa e a falta de firmeza nas divididas (raras vezes as jogadoras holandesas ficam com a sobra). O primeiro foi visível no gol de empate do Canadá, aos 60': as canadenses tiveram todo o espaço para trocarem passes, até Ashley Lawrence chegar pela direita, cruzar, e Christine Sinclair superar Van Lunteren para marcar gol na quinta Copa consecutiva de sua carreira.

Mas se as falhas ficaram claras, as qualidades holandesas também ficaram. A começar pela coragem de Sarina Wiegman nas substituições: já vista na troca de Van Es por Van Dongen, foi novamente exposta quando Martens deu lugar a Lineth Beerensteyn. E a atacante da camisa 21 mostrou pela esquerda a velocidade que Van de Sanden já não conseguia dar na direita. Outra qualidade: a técnica. Se o Canadá podia trocar passes com eficiência, a Holanda também podia. E fez isso no gol da vitória, somando individualidade e coletividade: Beerensteyn passou por duas canadenses e passou a Miedema, que fez o pivô para Groenen aparecer na direita, cruzar para Beerensteyn, e esta fazer o 2 a 1 que premiou sua excelente entrada.

Beerensteyn teve no gol da vitória que marcou um prêmio justo à sua boa entrada em campo (Reuters)

A Holanda seguiu sofrendo nos quinze minutos restantes: seguiu perdendo divididas, viu Adriana Leon trazer qualidade técnica ao ataque do Canadá, que quase empatou aos 83', com Beckie (talvez, a melhor canadense em campo). Mas, por fim, segurou a vitória, e tem resultados irrepreensíveis para poder conter as queixas em relação ao desempenho mediano. Se Sherida Spitse se dizia "de saco cheio" das críticas, na coletiva pré-jogo, Van de Donk pôde se gabar, dizendo que o triunfo "calou um pouco a boca dos críticos". Não é bem assim. Mas, pelo menos, ficou claro: a Holanda pode superar o Japão, rival das oitavas de final, como na Copa de 2015. E Lieke Martens já prometeu, na zona mista: "Não perderemos novamente das japonesas".

Motivação e capacidade técnica: dois fatores que ajudam um time a crescer. E a Holanda mostrou que pode crescer, nesta terça, com sua melhor atuação na Copa. Não veio à França a passeio.

Copa do Mundo feminina - fase de grupos - 3º jogo
Holanda 2x1 Canadá
Data: 20 de junho de 2019
Local: Auguste-Delaune (Reims)
Árbitra: Stéphanie Frappart (França)
Gols: Anouk Dekker, aos 54', Christine Sinclair, aos 60', e Lineth Beerensteyn, aos 75'

Holanda
Sari van Veenendaal; Desiree van Lunteren, Dominique Bloodworth, Anouk Dekker e Merel van Dongen; Jackie Groenen, Daniëlle van de Donk (Renate Jansen) e Sherida Spitse (Jill Roord); Shanice van de Sanden, Vivianne Miedema e Lieke Martens (Lineth Beerensteyn). Técnica: Sarina Wiegman

Canadá
Stephanie Labbé; Ashley Lawrence, Kadeisha Buchanan, Shelina Zadorsky e Allysha Chapman (Jayde Rivière); Jessie Fleming, Desirée Scott (Rebecca Quinn) e Sophie Schmidt; Jordyn Huitema, Christine Sinclair (Adriana Leon) e Janine Beckie. Técnico: Kenneth Heiner-Moller