sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Tentando recomeçar

Como a vaga para a Euro não veio, a Holanda tem de baixar a cabeça e treinar para os amistosos (Bas van Lonkuijsen/ANP)
“São jogos estranhos. Você faz amistosos como preparação para a Euro, ou a Copa – se necessário, até para jogos de repescagem. Mas faremos jogos de preparação só para setembro do ano que vem. Até o final desta Euro eu me lembrarei de que a gente não está lá. Não jogaremos uma Euro na França, que é tão perto [da Holanda]. Teria sido um grande torneio”.

Essas palavras de Arjen Robben, na última segunda-feira, no diário “Algemeen Dagblad”, exemplificaram com perfeição o clima com que a seleção holandesa se reúne nesta semana, para amistosos contra País de Gales - nesta sexta, em Cardiff - e Alemanha - próxima terça, em Hannover. A Laranja ainda se envergonha do vexame da ausência no torneio continental. E chega aborrecida ao limbo em que ficará até o início das eliminatórias europeias para a Copa de 2018. Mais ou menos como aquele estudante que gazeteou quando não devia, ficou em recuperação (com justiça) e agora tem de amargar o início das férias sentado, estudando para as provas, enquanto os colegas que fizeram tudo direitinho já entram com todo o gás no período da diversão.

E não é por falta de ação que o elenco holandês está meio desanimado. Primeiramente, houve novidades entre os jogadores. Na convocação definitiva, feita na última sexta, Terence Kongolo enfim retornou à seleção, para a qual não era convocado desde a Copa do Mundo, quando só jogou os segundos finais contra o Chile. Se fora chamado às pressas para substituir o lesionado Davy Klaassen, na última rodada das eliminatórias da Euro 2016, agora o volante Riechedly Bazoer recebe uma chance mais concreta.

Caso semelhante ao de Bazoer é o de Maarten Stekelenburg: relacionado apenas para substituir Tim Krul no banco de reservas na partida derradeira da qualificação, o goleiro está de volta à Oranje para valer. E o bom início de Eredivisie, oferecendo qualidade na saída de bola e na marcação pelo meio-campo do Feyenoord, rendeu a primeira convocação à seleção adulta para o volante Marko Vejinovic (nascido e criado em Amsterdã, apesar do nome entregar a ascendência sérvia).

Todavia, mais surpreendentes do que as presenças foram as ausências. Já na pré-convocação, há duas semanas, Danny Blind abriu mão de Robin van Persie. O jornal “De Telegraaf” já havia vazado a notícia no dia anterior, mas ainda assim a confirmação causou espanto. Blind esclareceu tudo na entrevista coletiva, abrindo o novo “ciclo” de seu trabalho com declarações mais carregadas: “Acho que Robin não está no seu ritmo normal, desde que se transferiu para a Turquia. Ainda não jogou uma partida completa. Isso não é um bom sinal. Acho que ele não está jogando bem. Não está afiado, não está em boa forma”.

Está certo que Blind colocou panos quentes quase imediatamente após as justificativas (“Se ele estiver bem para os próximos jogos, provavelmente será convocado”). E Wesley Sneijder lembrou de situação semelhante que viveu na Oranje, sob Louis van Gaal, em 2013, ao site NUSport: “É a mesma situação. Primeiro eu perdi a faixa de capitão, e já saquei onde iria terminar. Dói muito quando não se é convocado. (...) Eu senti o que ele deve estar sentindo. Mas num momento assim, você tem dois caminhos. Ou não pensa mais no assunto, ou trabalha ainda mais duro”.

O próprio barrado minimizou sua ausência: “Não muda nada, eu não abandono a seleção. Estou à disposição. Sim, foram palavras duras [de Blind], mas isso não é relevante”. No entanto, pela má fase inegável no Fenerbahçe, e pelas situações nos últimos dois jogos (contra o Cazaquistão, o atacante ficou no banco, e teria brigado com Memphis Depay; contra a República Tcheca, também começou na reserva, e ainda teve o gol contra), muito se cogita que Danny Blind talvez tenha encerrado abruptamente a carreira de Robin van Persie com a camisa laranja, após 101 jogos e 50 gols – ninguém marcou mais pela Oranje, bom lembrar. As próximas convocações responderão.

Outra ausência foi “alarme falso”, mas ainda repercute. Na pré-convocação, o treinador também deixou de fora Memphis Depay. E ainda passou uma carraspana leve no atacante: “Ele é um jogador para o futuro. Mas há outras coisas em questão. No futebol de alto nível, você deve funcionar dentro do coletivo. E ele nem sempre faz isso”. Curiosamente, quem saiu em defesa de Memphis foi justamente quem o colocou no banco no Manchester United: seu “tutor” Louis van Gaal. “Eu já disse que ele é o maior talento [no futebol] de sua faixa etária, mas ele só tem 21 anos e não podemos esperar regularidade dele. (...) Tenho certeza de que voltará, e mais forte do que antes, mas precisamos lhe dar tempo”.

Seja como for, Blind deu um voto de confiança após o puxão de orelhas e incluiu Memphis na convocação definitiva para os amistosos. E justiça seja feita: o alerta do técnico veio ao encontro do que torcida e imprensa, em sua maioria, pensam do jovem. Depay anda sofrendo críticas na Holanda pelos mesmos motivos por que Neymar era (ainda é, um pouco) olhado com desagrado por alguns, no Brasil: excessivo individualismo dentro de campo, maior preocupação com a badalação e com o vestuário fora dele. Porém, o nível das atuações do brasileiro no Barcelona anda a tal ponto que minora até as lembranças dos processos judiciais que correm contra ele e sua família, no Brasil e na Espanha.

Já o holandês não tem conseguido responder dentro de campo. Pior: a imprensa do país se desagradou com algumas atitudes suas (como não parar na zona de entrevistas, após a derrota para a República Tcheca, nas eliminatórias da Euro). E sua apresentação à comissão técnica, na última segunda, não mudou muito as coisas: Depay chegou ao hotel com um chapelão que chamou mais a atenção dos jornalistas do que a própria situação da Oranje. Aí o jogador decidiu reagir: “Sim, é um chapéu. O que um homem faz com um chapéu? Eu visto. É só um chapéu. Eu achei bonito. (...) Não é estrelismo, não tem nada a ver, porque eu sou a mesma pessoa que era nos tempos de PSV. As pessoas leem muita coisa. Quem faz parte do meu círculo sabe da verdade, o resto do mundo, não”. E o próprio Danny Blind também não ligou muito para o alarido, brincando: “[O chapéu] não faz meu tipo... se achei um outro mau sinal dele? Não, eu presto atenção em outras coisas”.

E os problemas não pararam em Van Persie e Depay. Ao chamar inicialmente cinco atletas do Ajax para os amistosos (Cillessen, Tete, Veltman, Riedewald e Klaassen), Blind novamente ouviu críticas de um suposto favorecimento excessivo a jogadores dos Amsterdammers. Mas não foi apenas de torcida e imprensa: foi de um jogador. Em declarações à emissora de tevê Omroep Brabant, o lateral Joshua Brenet, do PSV, não economizou: "Como ele [Blind] é alguém com história no clube, pode-se dizer que talvez isso interfira". Brenet ainda acrescentou dúvidas sobre os critérios do técnico: "Alguns caras jogam bem três jogos, e ele já chama". O treinador ignorou: "Eu li algo sobre [as críticas de Brenet], mas não posso me preocupar muito com isso".

Outra polêmica veio quando Blind revelou que pedira a Dirk Kuyt que aceitasse voltar à Oranje para os últimos dois jogos das eliminatórias, mas que o atacante teria respondido que só atenderia convocações caso tivesse garantida a titularidade. Kuyt negou veementemente: “Soou estranho ouvir que eu teria exigido ser titular. Não exigi nada. Nem eu ao técnico e nem ele a mim. Pronto”. Mas antes que a frase se tornasse outro foco exagerado de crise, o atacante do Feyenoord tranquilizou: “Falei com o técnico durante a semana, e minimizamos a ‘tempestade’”.

Bom para o técnico, que viu as contusões diminuírem sua convocação pouco a pouco. Na semana passada, Anwar El Ghazi (tornozelo) já fora cortado. Após a rodada da Eredivisie, o goleiro Kenneth Vermeer foi mais um descartado. Jaïro Riedewald mal se apresentou e também foi dispensado, com dores no joelho – o que promoveu mais um retorno à seleção, o de Erik Pieters. E finalmente, nesta quinta Davy Klaassen deixou o elenco, também por causa do joelho. Tendo saído de Feyenoord x Ajax com dores musculares, Bazoer quase engrossou a lista, mas se recuperou aos poucos. E se já tem jogado após a distensão na virilha que o tirou da fase final das eliminatórias da Euro, Arjen Robben ainda prefere jogar num ritmo um pouco menor, e por isso só estará em campo contra País de Gales.

Com tantos incidentes, a seleção da Holanda poderia estar em séria turbulência. Nada disso. O ambiente é calmo, mas melancólico. A lembrança da ausência da Euro ainda incomoda, mas é uma realidade inescapável. E Danny Blind está tentando inserir algumas mudanças no grupo de jogadores. Contudo, nem mesmo vencer os dois amistosos vai tirar o clima macambúzio e as desconfianças que ainda cercam a Oranje após o vexame. 

A revolução não é mais aveludada

Desprestigiado pela diretoria, Wim Jonk quis sair. E criou mais um capítulo na crise do Ajax (Jeffrey van Bakel/Pro Shots)
Era 20 de setembro de 2010. Dias depois do Ajax ser derrotado inapelavelmente pelo Real Madrid, na estreia pela fase de grupos da Liga dos Campeões: fora 2 a 0 para os Merengues, e ficara muito barato. O desnível entre os Ajacieden e os madridistas foi tamanho que motivou uma coluna bastante ácida de Johan Cruyff (quem mais?), no diário De Telegraaf. Para citar somente o título: "Este não é mais o Ajax". Tudo bem, mais um trecho: "Após o apito final, todos estavam felizes pela derrota ter sido 'somente' por 2 a 0, enquanto ela podia ter sido de 8 ou 9".

Não se passaram mais de dois meses: em 15 de novembro, Cruyff escreveu outra coluna no De Telegraaf. Título: "Mensagem a todos os Ajacieden". Ali pedia que antigos jogadores do clube se candidatassem a cargos no Conselho Deliberativo, para que assim, personagens importantes de sua história estivessem de volta à condução dos destinos. Bastou: Marc Overmars, Tscheu La Ling, Peter Boeve, Keje Molenaar... enfim, todos estes foram eleitos conselheiros. Estava iniciada a "Fluwelen Revolutie", a "Revolução de Veludo" no Ajax, assim nomeada por não ocorrer com grandes conflitos internos. 

Também mudaram os personagens em campo. Um triunvirato de ex-jogadores formou-se para trazer de volta o estilo técnico que fizera o clube famoso pelo mundo: Wim Jonk, diretor das categorias de base; Dennis Bergkamp, técnico da equipe de juvenis; e Frank de Boer, então técnico dos juniores. Sentindo que seu espaço e seu método tático não caberiam mais na Amsterdam Arena, o técnico Martin Jol pediu o boné, no início de dezembro. Frank de Boer assumiu imediatamente, e até com um resultado positivo: vitória por 2 a 0 sobre o Milan, em San Siro, na última partida da fase de grupos da Liga dos Campeões.  A mudança pretendia ter resultados para dali a algum tempo. Mas baseado num final de temporada fulgurante - sete vitórias nos últimos sete jogos -, o Ajax conseguiu ser campeão holandês em 2010/11, após sete anos de jejum.

Desde então, a revolução de veludo conseguira trazer o Ajax de volta ao posto de grande clube do futebol holandês. Até agora. Porque, se dentro de campo a equipe ainda lidera a Eredivisie desta temporada, fora dele a crise está cada vez mais aberta. E um novo capítulo aconteceu nesta semana: o pedido de demissão de Wim Jonk - que seguia desde 2010 dirigindo as categorias de base em De Toekomst, o afamado centro de treinamento da base dos Amsterdammers.

O anúncio da saída de Jonk (ex-meia, com duas Copas pela seleção no currículo) foi o capítulo mais dramático num racha que já se aprofunda há pelo menos dois anos. De um lado, o próprio Jonk, que defende o plano original de Cruyff, com a continuação do uso frequente de egressos da base na equipe adulta do Ajax - cabe citar aqui: do atual time-base que Frank de Boer normalmente escala, sete dos onze titulares são formados no próprio clube. Do outro lado, há Marc Overmars: hoje diretor de futebol, cada vez mais o ex-atacante acredita que o Ajax precisa contratar, caso ainda sonhe com campanhas honrosas nos torneios continentais. Com o leve apoio de Frank de Boer, Overmars foi o idealizador das chegadas de Arkadiusz "Arek" Milik e John Heitinga, por exemplo. Aos poucos, o conflito cresceu, e Jonk passou a não se reunir mais com os outros integrantes da diretoria técnica - último passo antes de pedir demissão, que era a intenção real dos que o escanteavam.

O pior é que o racha não tem mediadores confiáveis. Para tentar solucioná-lo, no final do ano passado, Cruyff já aconselhara a vinda de Tscheu La Ling, como supervisor técnico. Mas La Ling não durou mais do que alguns meses, desprestigiado pela dupla Overmars-Frank. O diretor geral Dolf Collee tem nome discreto demais para exercer destaque; e a outra opção, se tem destaque, também mostra fraqueza. Edwin van der Sar, na diretoria desde 2012 (era o diretor de marketing, e assumiu o posto de diretor técnico há pouco) é criticadíssimo por não mostrar pulso firme na situação.

Para muitos, uma prova disso foi vista na última quarta-feira, dia da demissão de Jonk. Van der Sar estava treinando em campo, junto de André Onana e Diederik Boer, goleiros reservas de Cillessen na equipe adulta. Ao invés de estar no ambiente frenético e turbulento dos gabinetes, o ex-goleiro agia como se ainda fosse profissional dentro de campo. Pouco recomendável para quem foi pensado por Johan Cruyff para ser o futuro diretor-geral do clube, exercendo no Ajax um papel semelhante ao de Karl-Heinz Rummenigge no Bayern de Munique, por exemplo.

Pelo menos, Van der Sar não precisou aguentar dúvidas sobre sua conduta, como Overmars precisou: na última segunda, o diário De Volkskrant publicou que uma empresa pertencente ao cunhado do diretor de futebol fora contratada para construir uma escola dentro de De Toekomst, neste ano, e que em 2013, uma reforma nos vestiários dos campos da base fora feita por uma empresa que já fizera trabalhos a outros negócios do dirigente. Overmars defendeu-se dizendo que avisou a direção do clube sobre seus contatos anteriores com a empresa, e que a contratação não tivera sua participação. O Ajax confirmou as palavras do ex-atacante, e as acusações caíram no esquecimento.

Ainda assim, no aspecto técnico, o pedido de demissão de Jonk (e, antes ainda, o fracasso no trabalho de Tschen La Ling) seguiram esquentando a crise. As duas saídas foram vistas como um projeto da direção atual para minimizar a influência de Johan Cruyff no Ajax. Resultado: mesmo no início do tratamento contra o câncer no pulmão, Cruyff precisou falar ao De Telegraaf para criticar a saída do diretor da base: "Jonk naturalmente tem muita razão. Ele se afastou das reuniões. É que ele não me falou nada, senão eu teria observado isso. As coisas não podem ser assim, em que ninguém fala nada, depois as coisas dão errado, e colocam tudo nas minhas costas. Digam, então, 'a sua visão não nos serve mais'".

Eis que, nesta quinta, não só Jonk voltou normalmente ao trabalho, como uma carta aberta da equipe técnica de De Toekomst à diretoria manifestou-se contrária à saída dele: "A partir do nosso comprometimento com o Plano Cruyff e nossa crença na missão e na visão que Wim Jonk trouxe ao clube com esse plano, achamos completamente ilógico e portanto incompreensível que vocês o tenham ameaçado".

Nesta sexta, haverá a reunião dos acionistas do Ajax. Certamente, a situação não será aveludada. Johan Cruyff já colocou um ultimato, na entrevista supracitada: "Os acionistas precisam parar o que a diretoria e o conselho estão fazendo. Ou então, digam que acabou o Plano Cruyff. Que sejam honestos e não usem indevidamente o meu nome". Diante das manifestações contrárias à saída de Jonk, partidário de Cruyff, fica a dúvida sobre a coragem dos diretores para dizerem que o Ajax mudará, de novo. E agora, sem tanta simplicidade.

domingo, 8 de novembro de 2015

810 minuten: como foi a 12ª rodada da Eredivisie

Vilhena e Gudelj disputam a bola: divididas ficaram maiores do que o jogo em Feyenoord x Ajax (feyenoord.nl)
Roda JC 1x1 ADO Den Haag 

Os Koempels tiveram o melhor dos começos para se recuperarem da goleada sofrida para o Ajax, na 11ª rodada: abriram o placar já aos nove minutos, com Tom van Hyfte. Na verdade, já poderiam até estar ganhando por 2 a 0, mas o gol do atacante Tomi Juric fora anulado, por suposta falta no zagueiro Gianni Zuiverloon. No entanto, o Den Haag foi melhorando progressivamente no ataque. Até que Mike Havenaar fez o que já está acostumado: gol. O nipônico empatou o jogo para os Hagenaren, sendo o dono de uma façanha: era a 2000ª vez que o ADO Den Haag balançava as redes em sua história no Campeonato Holandês. No segundo tempo, os visitantes cresceram ainda mais, principalmente depois da expulsão de Juric, aos 18 minutos. Até poderiam ter vencido, tantas foram as chances criadas - na principal, o lateral direito Ard van Peppen tirou a bola em cima da linha, salvando o Roda JC. Mas a partida em Kerkrade ficou mesmo no 1 a 1.

Twente 1x4 Heerenveen

Antes da primeira partida de sábado se iniciar, o Twente já sabia: era o pior início de temporada do clube em 40 anos (bem, em seis anos, considerando o tempo em que vitórias valem três pontos), com apenas nove pontos em 11 jogos. E pouco depois do começo dos 90 minutos no Grolsch Veste, já estava claro que seria novamente uma tarde frustrante para os Tukkers. Logo aos seis minutos de jogo, aproveitando rebote, Luciano Slagveer abriu o placar para os frísios. Pior: aos 15 minutos, Hakim Ziyech, sempre a chance de desafogo para o time vermelho, cobrou pênalti, mas mandou a bola para fora. Custou caro: ainda na etapa inicial, após falha do goleiro Joël Drommel em bola aérea, o zagueiro Kenny Otigba fez 2 a 0 para o Heerenveen. 

Amenizando ligeiramente sua falha no pênalti perdido, Ziyech novamente destacou-se pelo Twente, diminuindo com um chute de fora da área, já no segundo tempo. Só que novo erro defensivo praticamente definiu a vitória dos visitantes: aos 33 minutos, Drommel rebateu uma bola nas costas do zagueiro Joachim Andersen, e ela foi mansa para as redes. E Sam Larsson aproveitou outra falha de Andersen para fazer o segundo 4 a 1 de um visitante em Enschede, na temporada. Uma goleada que consolida a reação do Heerenveen sob o técnico interino Foppe de Haan (que anunciou: só fica até a pausa de inverno): já são três jogos sem derrota, com duas vitórias e um empate, afastando o perigo da zona de repescagem/rebaixamento. E uma goleada que só aumenta a aflição que se vive no Twente.

NEC 2x0 De Graafschap

Se o leitor não se lembra, o venezuelano Christian Santos foi o autor do gol da "Vinotinto" na goleada da Seleção Brasileira, por 4 a 1, nas eliminatórias para a Copa do Mundo. Pois bem: Santos joga no NEC. E ele foi o principal destaque da vitória que consolida a reação que já leva o atual campeão da segunda divisão holandesa à sexta posição (melhor campanha de um time promovido à elite desde o Haarlem, em 1976). Uma falha do volante Alexander Bannink levou ao primeiro gol. Tentando tirar a bola da área após cruzamento, Bannink furou o chute e tocou a mão na bola. Richard Liesveld apitou o pênalti, e Santos abriu o placar, aos 32 minutos do primeiro tempo. O comportamento dos Superboeren foi o mesmo das últimas rodadas: um time esforçado ao extremo em busca de gols, e até causando problemas. Mas um contra-ataque bem feito resultou no segundo gol de Santos na partida (nono na temporada), já aos 35 minutos da etapa final. Uma vitória que intensifica o despontar dos Nijmegenaren - e também afunda o lanterna De Graafschap (em 12 jogos, dois pontos!) na fama de time esforçado, mas ruim e quase fadado ao rebaixamento direto.

Willem II 2x3 Excelsior

Jogos malucos e frenéticos no ataque são frequentes no Campeonato Holandês. E a partida em Tilburg foi o exemplo da vez. Já aos 41 segundos da etapa inicial, Richairo Zivkovic abria o placar para os anfitriões; e aos dois minutos, Tom van Weert desviou para as redes cruzamento de Daryl van Mieghem, fazendo 1 a 1. Depois, novamente os Tricolores marcaram, em jogada dos irmãos Wuytens (Stijn tocou, e Dries completou), aos 19 minutos. Sem problemas: o Excelsior obteve o empate aos 29 minutos, em pênalti convertido por Jeff Stans. Aí, a partida diminuiu um pouco o ritmo. Ainda assim, com times semelhantes em nível técnico, quem errasse cederia a vitória ao outro. E o infeliz da vez foi Dries Wuytens: aos 12 minutos do segundo tempo, o zagueiro perdeu um recuo de bola, e abriu caminho para Van Mieghem chegar livre à área, virar o jogo e garantir a vitória dos Kralingers, que saltaram para a 10ª posição. Falha dura para o Willem II: com só uma vitória na Eredivisie, o time sofre no antepenúltimo lugar.

Zwolle 1x1 Heracles

Já com duas derrotas consecutivas em casa (e três no campeonato), os Dedos Azuis precisavam reavivar a campanha, enquanto cabia ao Heracles manter o contato bem próximo com o Trio de Ferro na ponta da tabela. E os Heraclieden conseguiam fazer isso à perfeição no estádio Ijsseldelta: já no primeiro tempo, o zagueiro Thomas Lam falhou ao tentar deter um ataque, e a bola sobrou limpa para Wout Weghorst fazer seu sexto gol na temporada, colocando os visitantes na frente. Durante o restante do jogo, os Almelöers mantinham a vitória sob controle, e os Zwollenaren eram ineficazes na frente, mesmo chutando mais a gol. Quem resolveu foi Stef Nijland: saído do banco aos 39 minutos do segundo tempo, o ponta-de-lança bateu firme de fora da área, aos 49 minutos, para empatar o jogo e manter o Zwolle próximo do NEC. E mesmo perdendo a vitória nos acréscimos, o Heracles segue a par e passo com Ajax, Feyenoord e PSV.

PSV 3x1 Utrecht


Já no início da partida em Eindhoven (precisamente, aos dois minutos do primeiro tempo), Héctor Moreno abriu o placar para o PSV. O que não quer dizer que a vitória final dos Boeren foi fácil. Já no primeiro tempo, a equipe da casa se mostrou desatenta e dispersa. E no início da etapa final, os Utregs tiveram muito mais volume ofensivo, tendo a recompensa no empate de Bart Ramselaar: após chute de Timo Letschert que mandou a bola na trave, e Nacer Barazite cabecear o rebote para grande defesa de Jeroen Zoet, o meio-campista dos visitantes bateu da entrada da área, a bola desviou em Joshua Brenet e tirou Zoet do lance. Parecia que o time de Utrecht colocaria fogo no jogo.


Mas Phillip Cocu decidiu agir: substituiu de uma vez só Adam Maher e Luciano Narsingh, que estiveram mal em campo, para colocar Jorrit Hendrix e Gastón Pereiro. Mudanças bem vindas: Hendrix fechou melhor o meio-campo, ajudando a evitar os ataques adversários. E Pereiro, que normalmente atua pela direita, ficou inteligentemente no meio-campo. Puxou a marcação e abriu espaço para Santiago Arias. E numa das jogadas em que chegou livre pela direita, o lateral colombiano fez 2 a 1. Luuk de Jong até poderia ter ampliado o placar antes (chutou um pênalti nas mãos de Robbin Ruiter, na sétima cobrança desperdiçada pelo PSV das últimas onze que teve), mas aproveitou um contra-ataque para fazer seu décimo gol na Eredivisie. 3 a 1, numa vitória daquelas em que o técnico, enfim, teve certa participação.

Feyenoord 1x1 Ajax

O Klassieker foi relativamente decepcionante. Porque não entregou o que chegou a prometer durante o primeiro tempo, que foi tenso, mas aberto. É verdade que nenhum dos dois goleiros teve preocupações constantes, mas também é verdade que os dois arquirrivais foram a campo com esquemas de jogo ofensivos. O Feyenoord estava pensando em se impor mais pela força física, com a escalação de Eric Botteghin na zaga; já o Ajax preferiu a segurança na armação de jogadas, com a opção por Viktor Fischer e Arkadiusz "Arek" Milik iniciando como reservas, ao passo que Davy Klaassen começou como "falso centroavante", no 4-3-3 tradicional. Porém, a falha comum dos Amsterdammers foi submeter-se à marcação por zona da defesa do Stadionclub. Bastou apenas uma desatenção da defesa (que até jogava bem, com Jaïro Riedewald como destaque) para Sven van Beek escorar cruzamento de Dirk Kuyt e apagar a lembrança de seu gol contra na rodada passada do melhor modo possível: abrindo o placar no grande clássico do futebol holandês.

E o Ajax já sofreu com a necessidade de fazer duas alterações forçadas. Milik voltou a campo substituindo Lasse Schöne, ainda no fim da etapa inicial; e Riechedly Bazoer, que já sofrera com dores musculares nos primeiros 45 minutos, deu lugar a Fischer, a partir do intervalo. Parecia que o planejamento tático inicial de Frank de Boer estava arruinado. Bom para ele: as mudanças aceleraram os Ajacieden, que foram encurralando aos poucos a defesa Feyenoorder até o empate muito comemorado, num lance de sorte de Klaassen (seu chute de fora da área resvalou em Terence Kongolo, encobrindo o goleiro Kenneth Vermeer). A igualdade no placar prometia um resto de segundo tempo empolgante. Mas numa jogada pela lateral direita, Eljero Elia e Kenny Tete disputaram a bola com alguma violência, e sobraram alguns safanões. A punição amena do árbitro Bas Nijhuis a ambos (cartão amarelo) foi suficiente para tornar o jogo mais pegado do que propriamente empolgante, algo que seguiu até o apito final. Por isso, a decepção. A qualidade satisfatória do primeiro tempo poderia ter se repetido. Se alguém saiu satisfeito, foi o Ajax, que manteve a liderança; ao Feyenoord, restou lamentar a "oportunidade perdida", nas palavras de Dirk Kuyt após a partida, e também restou ver o PSV se fixar na segunda posição.

Cambuur 2x2 Groningen

Não havia muita dúvida sobre quem era o favorito. Afinal, mesmo jogando em casa, o Cambuur não vencera uma partida na temporada (e fizera apenas três gols jogando em seu estádio), contra um time que não perdia. E no entanto, eram os Leeuwarders que estavam com 2 a 0 aos 15 minutos do primeiro tempo, por obra e graça de dois gols de Martijn Barto. Porém, a ilusão da primeira vitória para os auriazuis foi atingida duramente no segundo tempo. Primeiro, Johan Kappelhof diminuiu. Aos 11 minutos, Barto fez um gol, mas o árbitro Serdar Gözübüyük o anulou. E dois minutos depois, Jesper Drost empatou para o time do norte holandês, em chute de fora da área. E assim, os Groningers seguiram junto a NEC e Zwolle como times de campanha honrosa, logo abaixo dos ponteiros, enquanto o Cambuur amargou uma grande decepção no que podia ter sido um grande dia.

Vitesse 0x2 AZ

Nem parecia que o AZ fora derrotado em casa pelo NEC, na rodada passada. E nem parecia que o Vitesse era um time que mantinha contato próximo como o Heracles - logo, estava um andar abaixo dos líderes da Eredivisie. Desde o início do jogo, os Alkmaarders mandaram e desmandaram em pleno Gelredome de Arnhem. Criaram mais chances de gol e tiveram mais posse de bola. De quebra, a expulsão do meio-campista Marvelous Nakamba, aos 42 minutos do primeiro tempo, tornou as coisas ainda mais perigosas para a defesa do Vites. Com todo esse cenário, os gols de Vincent Janssen e Markus Henriksen, que definiram o jogo, até demoraram: surgiram apenas aos 30 e 33 minutos do segundo tempo, respectivamente. Seja como for, o AZ conseguiu subir para a 10ª posição, numa temporada em que ainda tenta preencher seu potencial, ganhando tempo para evitar crises. E o Vitesse nem perdeu tanto: apenas ficou com a mesma pontuação do NEC, mas segue no quinto lugar.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

À procura da tática perfeita

Fischer voltou a jogar bem. Mas isso não é o suficiente num incerto Ajax (Olaf Kraak/ANP)
Durante algumas vezes nesta temporada, o Ajax viveu momentos de turbulência em campo. Lidera o Campeonato Holandês, mas não dá confiança alguma à sua torcida – e ela tem lá suas razões, tendo em vista a campanha ruim dos Amsterdammers na Liga Europa. Além do mais, várias vitórias conseguidas na temporada foram bem ilusórias. E quando a equipe enfrentou adversários de maior nível técnico, saiu de campo com empate ou derrotada. Foi assim contra o PSV, no primeiro clássico deste Campeonato Holandês; contra o Feyenoord, pela Copa da Holanda; e contra Celtic e Fenerbahçe, pela fase de grupos da Liga Europa.

Agora, neste final de semana, enfim os Ajacieden têm nova chance para comprovarem a justiça de sua primeira posição na Eredivisie. Enfrentam o Feyenoord, na segunda edição do Klassieker em onze dias, agora pela 12ª rodada da liga. E se valerão de uma boa rodada passada: goleando o Roda JC por 6 a 0, viram no domingo o Stadionclub novamente ter seu embalo quebrado, por uma atuação ruim e pela derrota para o ADO Den Haag (1 a 0) – aliás, comprovando o “dedo podre” desta coluna, que elogiara o Stadionclub e destacava Dirk Kuyt, no texto da sexta anterior. Com isso, abriram três pontos de vantagem na liderança. 

Ainda assim, não se sabe direito a cara tática com que o Ajax irá a campo. E essa indecisão se deve até à própria irregularidade dos resultados. Nesta temporada, o Ajax já jogou no 4-3-3 velho de guerra – e os resultados não agradaram, principalmente com a eliminação vexatória na terceira fase preliminar da Liga dos Campeões. Então, Frank de Boer decidiu fortalecer um pouco mais a defesa, mesmo seguindo no 4-3-3. Começou bem (basta lembrar dos quatro jogos sem sofrer gols no Holandês), mas a derrota no clássico contra o PSV – e a má atuação, deixando os Boeren dominarem o jogo em plena Amsterdam Arena – também deu sinais de que aquele esquema não poderia ser usado a ferro e fogo.

Assim, contra o Roda JC, Frank de Boer decidiu arriscar. E a equipe foi a campo num 3-4-3, esquema que não era visto no time Ajacied havia muito tempo. Pois deu muito certo: tudo bem que era contra o 10º colocado do Campeonato Holandês, mas a velocidade exibida nos ataques e, principalmente, nos contra-ataques do Ajax foi bastante elogiável. Bastou mostrar um pouco de técnica nas finalizações, e estava feito o 6 a 0 – maior goleada da temporada na Eredivisie, igualando o mesmo placar do PSV contra o Cambuur.

Mas o que aconteceu para essa mudança, ainda mais lembrando que a vitória anterior (3 a 1 no Vitesse, pela 10ª rodada) fora suada? Provavelmente, uma pista foi a mudança no meio-campo. O volante Riechedly Bazoer até chega ao ataque e mostra mais técnica, mas também tem mais lentidão. Assim, foi trocado por Thulani Serero. E o sul-africano, com seu estilo “motorzinho” já conhecido, jogou mais à frente da defesa e deu mais tranquilidade para que Nemanja Gudelj e Davy Klaassen chegassem ao ataque, oferecendo mais opções de jogada e de finalização.

O que não quer dizer que Bazoer está condenado ao banco. Exatamente pelos fatores supracitados (poder chegar ao ataque e mostrar mais técnica com a bola nos pés), o camisa 6 já se destacou em algumas partidas, como nas vitórias contra Heracles e Vitesse – nesta, foi o melhor em campo, ao marcar o gol da virada e participar da maioria das jogadas de ataque. Pode-se dizer, até, que Bazoer desponta como outra grande revelação do campeonato, além de Anwar El Ghazi. A ponto de já ter sido chamado por Danny Blind para a seleção holandesa, ainda nas eliminatórias da Euro - e de estar novamente na relação de jogadores da Oranje para os amistosos contra País de Gales e Alemanha.

Outra pista para responder as perguntas sobre a razão do sucesso do 3-4-3 no Ajax está nos atacantes. Principalmente em Viktor Fischer. Enfim livre da séria lesão muscular que o tirou de grande parte das duas últimas temporadas, Fischer rapidamente recuperou o ritmo de jogo e o destaque que ganhava quando apareceu, na temporada 2012/13. Com três gols nas últimas duas rodadas, além da velocidade que traz pela esquerda do ataque, o dinamarquês já desponta como protagonista no ataque da equipe, apagando até o bom começo de Anwar El Ghazi. Não impressiona que Morten Olsen já o tenha convocado para a seleção dinamarquesa que disputará as duas partidas da repescagem pela vaga na Euro 2016. Continuando assim, o camisa 7 Ajacied rapidamente voltará a ser cobiçado em janelas de transferências.

É bom destacar também que a maior chance que os meio-campistas de ataque têm para avançar ameniza aquela que ainda é a principal lacuna ofensiva: a falta de um atacante confiável, de um “finalizador” nato. Arkadiusz “Arek” Milik até começou bem em sua chegada, mas já perdeu o crédito de confiança que a torcida lhe dava, tanto que até já frequentou o banco de reservas. O polonês até voltou a marcar contra o Roda JC, por duas vezes, mas ainda tem o que recuperar. Outros dois atacantes que tiveram o espaço diminuído nas últimas partidas foram Amin Younes (previsível demais pela esquerda) e Daley Sinkgraven (já no olho do furacão, após as falhas que cometeu ao ajudar a defesa, resultando em alguns gols contra o Ajax, em partidas anteriores).

Aliás, a defesa também foi “ajudada” nos últimos tempos. Joël Veltman já não é tão afoito em suas saídas para o ataque; enfim, cumpre bem a função primordial de um zagueiro. Com isso, dá mais segurança até ao parceiro de zaga, Jaïro Riedewald. Kenny Tete também tem dosado melhor seus avanços ao ataque. Bastou Mitchell Dijks ter algumas boas atuações para que os danos defensivos fossem menores. E mesmo com os problemas físicos de Dijks, Riedewald foi deslocado para a esquerda com sucesso, com Nick Viergever formando a zaga com Veltman.

Todavia, nem mesmo essas evoluções fizeram as desconfianças sumirem da Amsterdam Arena. Afinal de contas, pela Liga Europa, nesta quinta passada, o empate sem gols contra o Fenerbahçe voltou a mostrar a falta de um finalizador confiável: Milik novamente passou em branco, sumindo do jogo aos poucos. E se a defesa conseguiu controlar os perigos trazidos pelo time turco, novamente o 4-3-3 mostrou seu problema crônico no Ajax. Não só houve falta de gente que pudesse finalizar, mas também se viu um espaçamento excessivo entre meio-campo e ataque. Prato cheio para a defesa mais compactada do Fener. Além disso, as lesões de Fischer e El Ghazi atrapalharam, e às vezes o egoísmo matou jogadas promissoras: caso exemplar ocorreu com Younes, que preferiu chutar para fora a cruzar para um Klaassen que estava livre, já no final da partida. E a má atuação jogou o time à beira da eliminação na fase de grupos do torneio continental. 

No domingo, o Ajax irá a De Kuip ainda tendo em mente a dura derrota no Klassieker da terceira fase da Copa da Holanda, quando o Feyenoord marcou o gol da vitória no último lance do jogo. Além disso, não terá El Ghazi, que lesionou o tornozelo e ficará fora por algumas semanas. Mesmo assim, uma vitória em Roterdã lhe dará vantagem de seis pontos na frente. E aí os Ajacieden poderão começar a pensar em despontar como os favoritos definitivos à Eredivisieschaal. Isso, com Frank de Boer ainda à procura da tática perfeita.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 6 de novembro de 2015)

domingo, 1 de novembro de 2015

810 minuten: como foi a 11ª rodada da Eredivisie

Livre das lesões, Fischer já desponta novamente. Foi o destaque na goleada do Ajax (ajax.nl)
Heracles Almelo 2x1 Willem II

Os Heraclieden até tiveram um revés inesperado antes do jogo: adoentado, o meio-campista Mark-Jan Fledderus ficou de fora da equipe. Sem problemas: não só o entrosamento seguiu, como o time de Almelo mostrou atenção e perspicácia suficientes para vencer sua oitava partida. Isso ficou claro no primeiro gol, logo aos três minutos do primeiro tempo: Thomas Bruns cobrou falta rapidamente, quando a defesa dos Tricolores ainda se organizava na barreira, e mandou a bola para Jaroslav Navrátil, livre, tocar na saída do goleiro Kostas Lamprou. Bruns apareceu de novo no segundo gol, cobrando escanteio para Ramon Zomer fazer 2 a 0. Na etapa complementar, o Willem II ainda fez seu gol, com Erik Falkenburg, e até teve maior posse de bola. Mas a maior esperteza possibilitou aos Almelöers seguirem como a mais agradável surpresa do 1º turno do Campeonato Holandês, até agora.

Groningen 2x0 Zwolle

As alterações do técnico Ron Jans no time visitante surpreenderam: os Dedos Azuis começaram o jogo com os dois goleadores do clube na temporada (o ponta-de-lança Sheraldo Becker e o atacante Lars Veldwijk) no banco. Não deu certo: na primeira jogada de ataque dos anfitriões, Michael de Leeuw cabeceou para as redes, abrindo o placar logo aos cinco minutos de jogo. A eficiência dos Groningers continuou: segunda jogada de ataque, e o lateral esquerdo Lorenzo Burnet fez 2 a 0. Para o segundo tempo, Becker voltou a campo junto de outro meia-atacante, Wouter Marinus. Desde então, o Zwolle manteve mais posse de bola e até chutou mais a gol. Mas ou parou no goleiro Sergio Padt, ou teve azar - como no último lance do jogo, quando o lateral direito Bram van Polen mandou a bola, de cabeça, para a trave. Com a vitória, o "Orgulho do Norte" alcançou em pontos o adversário deste sábado. E o Zwolle amargou a terceira derrota seguida, se afastando mais e mais dos ponteiros.

Excelsior 0x3 Vitesse

Mais uma partida cujo resultado ficou bem claro ainda nos minutos iniciais. Precisamente, no quinto minuto do primeiro tempo, quando o zagueiro Sander Fischer cometeu pênalti ao colocar a mão na bola. Dominic Solanke bateu, fez 1 a 0 para os Arnhemmers, e praticamente definiu o rumo do jogo. Mesmo que as chances de gol tenham rareado durante boa parte dos 90 minutos, o Vites não correu mais riscos no estádio Woudestein. Até que Kevin Diks aliviou de vez o perigo de um empate dos Kralingers, fazendo 2 a 0 em chute de longe, com falha do goleiro belga Tom Muyters. Posteriormente, Milot Rashica ainda fez mais um gol, para confirmar a vitória que manteve o time aurinegro na quinta posição da Eredivisie, encerrando sequência do Excelsior: três jogos sem derrotas.

Ajax 6x0 Roda JC

Seguindo à procura de um esquema com o qual o Ajax possa decolar, Frank de Boer escalou a equipe num 3-4-3, com Riechedly Bazoer dando lugar a Thulani Serero, enquanto Arkadiusz "Arek" Milik voltou ao centro do ataque. A julgar pelo início do jogo, a aposta do treinador Ajacied deu muito certo: aos cinco minutos do primeiro tempo, o Ajax já vencia por 2 a 0. E cada jogada ofensiva dos donos da casa, além de veloz, tinha opções à farta para seguir: pelas pontas, Anwar El Ghazi ou Viktor Fischer (que abriu o placar, aproveitando rebote de cabeceio de Joël Veltman). Pelo meio, Milik, que fez 2 a 0. E do meio-campo vinham Nemanja Gudelj e Davy Klaassen - este, autor do terceiro gol, surgido em falha do lateral Henk Dijkhuizen que abriu o contra-ataque.

Jogo definido, o Ajax até relaxou mais no segundo tempo. A ponto de poder, enfim, colocar em campo John Heitinga: até este sábado frequentador assíduo do banco de reservas, o zagueiro substituiu Gudelj e jogou seus primeiros minutos no Campeonato Holandês desde a transferência para o Atlético de Madrid, em 2008. Com o Roda JC oferecendo espaços à vontade pelas laterais, os Amsterdammers aceleraram o jogo de novo, chegando até com facilidade à maior goleada do torneio nesta temporada, com mais dois gols em contra-ataques (Fischer e Klaassen), além do gol de falta de Milik. Numa semana com eliminação traumática para o arquirrival Feyenoord na Copa da Holanda, o triunfo manteve a liderança da liga e reanimou o time para a semana árdua que terá (na quinta, recebe o Fenerbahçe, pela Liga Europa; no domingo, reencontra o Feyenoord, pela 12ª rodada).

De Graafschap 3x6 PSV

O jogo no estádio De Vijverberg, em Doetinchem, parecia repetir as vitórias de Ajax e Vitesse: resultado já definido no começo. Já aos três minutos, após falha da defesa do De Graafschap na saída de bola, o meio-campista Davy Pröpper fez 1 a 0 para o PSV. Numa cobrança de falta perfeita, Andrés Guardado marcou o segundo; e aproveitando rebote do arqueiro Hidde Jurjus, após chute de Jürgen Locadia, Pröpper fez outro gol, justamente contra o time onde joga seu irmão, o zagueiro Robin Pröpper. No final do primeiro tempo, o escocês Andrew Driver ainda diminuiu para o último colocado da Eredivisie, após lance polêmico: ficou claro um empurrão de Driver em Guardado durante o desarme, antes de chutar. 3 a 1 estava de bom tamanho, né? Não, bem longe disso.

Num começo frenético e arrasador na etapa final, os Superboeren empataram em casa. No segundo gol, após grande jogada de Nathan Kabasele pela esquerda, Alexander Bannink aproveitou rebote de grande defesa de Jeroen Zoet, aos cinco minutos; finalmente, Kabasele escorou cruzamento - a bola mais bateu no belga, a bem da verdade - e fez 3 a 3, aos 19 minutos, enlouquecendo os torcedores em Doetinchem. Mas a alegria durou pouco, porque aí os destaques do PSV entraram em cena: já aos 22 minutos, em bonito voleio, Luuk de Jong fez 4 a 3. O De Graafschap seguiu pressionando, o que incluiu incrível bate-rebate na área, aos 30 minutos. Mas depois o time da casa cansou. E em dois contra-ataques, com Luciano Narsingh e Gastón Pereiro (este, nos acréscimos), os Eindhovenaren garantiram uma vitória maluca. Novamente, o De Graafschap mostrou uma garra elogiável. Novamente, não merecia a derrota. Mas novamente, também, perdeu para um time que tem mais gente capaz de fazer a diferença. E segue sem vitórias no Campeonato Holandês.

ADO Den Haag 1x0 Feyenoord

Em crise (desde a segunda rodada estava sem vitórias), o ADO Den Haag recebeu o Feyenoord apostando numa defesa populosa e em ataques esparsos, principalmente pelas pontas, onde está a grande fragilidade defensiva dos Rotterdammers. E conseguiu o que desejava. Escalada num 4-3-3, não raro os Hagenaren passavam para um 4-4-2 - em determinados momentos, até para um 5-4-1. Congestionando o meio-campo, evitaram os ataques do Feyenoord. Que também teve falhas próprias: desde o jogo contra o PSV o ataque não fazia jogo tão ruim. Eljero Elia foi discretíssimo na ponta esquerda; na direita, Dirk Kuyt foi ainda pior; pelo meio, nem Michiel Kramer nem seu substituto, Colin Kazim-Richards, fizeram coisa melhor. Simon Gustafson e até o zagueiro Jan-Arie van der Heijden tentavam avançar, mas ficavam presos na forte marcação do time auriverde. Este, por sua vez, não esteve muito melhor em campo. Ainda assim, trazia perigos esporádicos, vez por outra. Pelas pontas, com Ruben Schaken e Édouard Duplan; pelo meio, com Mike Havenaar.

E assim ele chegou ao gol, que teve dois momentos de sorte. Primeiro, o auxiliar mal posicionado não flagrou o claro impedimento de Schaken, que cruzou para a área. E aí, após duas disputas aéreas, o zagueiro Sven van Beek tentou afastar, mas pegou tão mal na bola que seu chute de "rosca" mandou-a para as próprias redes, num gol contra bizarro (o quinto de sua carreira!). Nem mesmo jogando com um a mais, após a expulsão de Duplan, o Feyenoord conseguiu ameaçar a segunda vitória do Den Haag no campeonato. Atuação ruim a ponto de merecer farpas afiadas do técnico Giovanni van Bronckhorst ("Eu achava que nosso nível técnico estaria maior, mas vi que não é assim. (...) Dizer que merecemos a derrota hoje ainda é pegar leve", criticou à FOX Sports holandesa). Agora três pontos atrás do Ajax na vice-liderança, o Stadionclub precisa vencer o confronto direto, no Klassieker da próxima semana, para não ver o arquirrival de Amsterdã disparar na ponta.

Utrecht 4x2 Twente

Tanto Utregs como Tukkers não jogaram tão bem assim para proporcionar uma partida agradável no estádio De Galgenwaard, como pode parecer pelos seis gols marcados. Estes vieram principalmente de falhas das duas defesas. No gol de Thomas Agyepong, que abriu o placar para o Twente, o guarda-metas Robbin Ruiter poderia ter ido melhor na bola; no empate do zagueiro Timo Letschert para os donos da casa, os marcadores na área deixaram a bola aérea passar facilmente; na virada do Utrecht, duas falhas do goleiro dos Tukkers. Primeiro, Joël Drommel repôs mal a bola, nos pés do lateral direito Sean Klaiber, e depois desviou para dentro o chute de Nacer Barazite que saiu da jogada subsequente. No segundo tempo, o Twente até empatou com Hakim Ziyech (quem mais?), só que Barazite marcou pela segunda vez na partida, após boa jogada com Yassin Ayoub. No fim, o atacante Sébastien Haller fez seu quarto gol nas últimas três partidas. E enquanto o Utrecht comemora sua segunda vitória extravagante na semana (na quarta, fez 5 a 3 e eliminou o Groningen da Copa da Holanda), além de se aproximar de Zwolle e Groningen, o Twente segue sua via-crúcis na liga holandesa.

Heerenveen 2x0 Cambuur

Ainda em fase de recuperação interna (o presidente Jelko van der Wiel e toda a diretoria renunciaram durante a semana), o Heerenveen esperava vencer o "Clássico da Frísia" para manter a pressão da torcida em níveis ainda aceitáveis. E superou o Cambuur, de maneira até mais fácil do que se esperava. Já aos três minutos da etapa inicial, um gol contra de Wessel Dammers abriu o placar para o Fean. Os visitantes de Leeuwarden ainda criaram uma boa chance com Sander van de Streek, mas seus atacantes tiveram um dia ruim. Assim, o time da casa nem precisou de muito esforço para fazer o 2 a 0 no estádio Abe Lenstra, em pênalti convertido por Mitchell te Vrede. A 14ª posição ainda inspira cuidados, mas em campo o Heerenveen começa a exibir novamente lampejos do time razoável que ainda é, a despeito dos problemas fora das quatro linhas. Já o Cambuur segue na penúltima posição, sofrendo com um time que parece se perder quando não tem Bartholomew Ogbeche em campo.

AZ 2x4 NEC

Marcando a volta ao AZ do atacante Mounir El Hamdaoui (grande destaque do título holandês do clube em 2008/09), o último jogo da rodada engrenou a partir da metade do primeiro tempo. Rapidamente os gols vieram, dali por diante: aos 29 minutos, Anthony Limbombe abriu o placar para os visitantes em bela cobrança de falta. Aos 33, num chute colocado, não menos bem feito, Markus Henriksen empatou para os Alkmaarders. Só que no minuto seguinte, o venezuelano Christian Santos recolocou os Nijmegenaren na frente. A partir daí, forçosamente, o ritmo caiu: a neblina espessa encobriu grande parte do AFAS Stadion, impedindo a torcida de ver o jogo. No intervalo, a coisa se resolveu com a troca de bolas: entrou a laranja, normalmente usada em casos assim. E aí, no segundo tempo, bastaram dois gols, de Lucas Woudenberg e Limbombe, para a vitória se definir, mesmo com Henriksen diminuindo para os AZ'ers. Importante triunfo, que coloca o NEC em sexto lugar e começa a delinear uma campanha mais de acordo com o respaldo que a ótima campanha do título na segunda divisão lhe deu. Ao AZ, resta consertar a irregularidade que o seu algoz desta rodada parece ter encerrado.