sexta-feira, 27 de novembro de 2015

O médico e o monstro

Luuk de Jong voltou à Holanda e voltou a marcar. Sorte do PSV (Rene Bouwman)
Dr. Jekyll. Mr. Hyde. A maioria das pessoas que saiba o básico de literatura já ouviu falar da história escrita por Robert Louis Stevenson (lançada em 1886, e mais conhecida aqui no Brasil como “O médico e o monstro”). Na história, um advogado amigo de Dr. Jekyll investiga ocorrências incomuns entre este e a misteriosa figura de Mr. Hyde – para, depois, a história enveredar pelo assunto da dupla personalidade. Eis a principal descrição do PSV na temporada atual do futebol holandês: dupla personalidade.


A equipe de Eindhoven vive dois momentos claramente distintos, embora tenha um elenco de capacidade técnica reconhecidamente razoável. No Campeonato Holandês, por desatenções várias (principalmente na defesa), tropeçou duas vezes nas últimas quatro rodadas, e está na terceira posição, um ponto atrás do Feyenoord. Na Liga dos Campeões, de nível técnico bem mais difícil do que a Eredivisie, os Eindhovenaren não enchem os olhos, propriamente. Mas mostram precisão e segurança suficientes para só dependerem deles na disputa por uma vaga nas oitavas de final do torneio continental.

Claro, a situação da equipe é até desejável na liga nacional. Contudo, não só os tropeços são prejudiciais, por serem contra equipes do meio ou da parte de baixo da tabela. Por exemplo: sábado passado, pela 13ª rodada, houve empate em 2 a 2 com o Willem II, 16º colocado. Na rodada anterior, a vitória sobre o Utrecht (3 a 1, em Eindhoven) teve períodos de incerteza. E nada simboliza mais essa montanha russa do que os 6 a 3 sobre o De Graafschap, vistos na 11ª rodada.

Jogando contra o último colocado do campeonato, em 31 minutos os Boeren fizeram 3 a 0. Partida definida, certo? Errado: no minuto final do primeiro tempo, o escocês Andrew Driver fez o primeiro do De Graafschap. Está certo que Driver empurrou Andrés Guardado antes de dominar a bola e marcar o gol, mas o árbitro deixou passar. E o PSV não teria desculpas diante do que se viu no segundo tempo: motivado pela boa atuação de outro atacante, o belga Nathan Kabasele, os Superboeren foram à frente e conseguiram o empate em menos de vinte minutos. Em jogadas que tiveram participação (melhor dizendo, não tiveram) horrível do miolo de zaga dos PSV’ers.

O desastroso empate só foi evitado porque o ataque do time treinado por Phillip Cocu apareceu. Dois minutos após os mandantes fazerem 3 a 3, Luuk de Jong marcou o quarto gol, e depois Luciano Narsingh e Gastón Pereiro definiram o alívio. O triunfo fora conseguido, mas a impressão deixada fora bem preocupante. E Cocu expressou isso à FOX Sports holandesa, após aquele jogo maluco: “É inacreditável que às vezes nos coloquemos em situações tão ruins”.

Não era a primeira vez em que desatenções haviam cobrado o preço: na rodada anterior, recebendo o Excelsior, a equipe vencia por 1 a 0, mas tomou o gol de empate dos Kralingers no último lance do jogo, aos 49 minutos do segundo tempo. E nem seria a última: na rodada posterior, contra o Utrecht, a equipe levou o empate logo no início da etapa final. Passou de novo à frente, mas isso não significou que as falhas haviam acabado: Luuk de Jong perdeu o sétimo dos últimos onze pênaltis que o time já teve em 2015. Pelo menos, amenizou o erro da melhor maneira possível, fazendo o gol que definiu os 3 a 1.

Contra o Willem II, foi quase a mesma coisa. No primeiro tempo, atuação segura e placar aberto rapidamente (com Pereiro, aos 11 minutos). No segundo tempo, um período de “apagão”, e os Tricolores viraram para 2 a 1, com Erik Falkenburg marcando duas vezes. Novamente, De Jong teve de salvar a pátria, igualando de novo o placar. Ainda assim, o tropeço permitiu que o Feyenoord retomasse a segunda posição da Eredivisie, ao golear o Twente no domingo (5 a 0).

Por isso, quando se vê o PSV jogando pela Liga dos Campeões, salta aos olhos a alternância de desempenho. Na primeira parte da fase de grupos, excetuando-se a vitória sobre o Manchester United (que ainda teve a lesão de Luke Shaw como atenuante), os resultados foram “esperados”: derrotas para CSKA Moscou e Wolfsburg. Mas nos jogos “de volta”, o que se vê é um time seguro, que não quer jogar mais do que sabe. Concentrado ao extremo, para evitar erros bobos como os vistos no Holandês. E eficiente, para aproveitar as raras chances que tem.  Foi assim ao receber o Wolfsburg no Philips Stadion: jogando nos contra-ataques, o PSV aproveitou os espaços que os Lobos deram para fazer 2 a 0 e reanimar-se na disputa por um lugar nas oitavas de final.

Finalmente, na quarta passada, em Old Trafford, o time não só aguentou muito bem os momentos de pressão do Manchester United no ataque (com o goleiro Jeroen Zoet como destaque), mas animou-se mais nos contra-ataques do segundo tempo, e talvez até pudesse ter vencido. Seja como for, o 0 a 0 manteve a condição de só depender de uma vitória simples contra o CSKA para garantir a vaga.

E o mais curioso é que as atuações dos Boeren na Liga dos Campeões dão até mostra mais fiel das qualidades da equipe, no 4-3-3. Zoet, considerado goleiro de atuações irregulares durante a temporada, fechou o gol contra o United; Jeffrey Bruma e Héctor Moreno fazem uma dupla de zaga dura, que pode sofrer quando pressionada, mas que cumpre seu papel quando concentrada; Joshua Brenet, improvisado pela esquerda após lesão de Jetro Willems, aos poucos se acostuma mais à posição; e Santiago Arias oferece constante opção ofensiva pela lateral direita - às vezes, ofensiva até demais.

No meio-campo, Jorrit Hendrix aos poucos desenvolve bem sua capacidade de marcação, enquanto Andrés Guardado continua sendo o centro do time. Não há jogada que não passe pelos pés do mexicano, para começar a organizar as ações. E o auxílio de Guardado na marcação libera Davy Pröpper para ser o “elemento-surpresa”, chegando ao ataque e armando bem as jogadas e os contragolpes - coisa que fez contra o United, quando foi eleito um dos melhores do jogo. 

No ataque, lamentáveis problemas particulares ainda tiram Maxime Lestienne do elenco: após a morte repentina da mãe, poucas horas antes do clássico contra o Ajax, pela Eredivisie, o belga voltou a seu país, para cuidar da família. E no início desta semana, após longa enfermidade, foi a vez do pai falecer. Ainda assim, Lestienne já prometeu que retorna na próxima semana, após a justa liberação que recebeu do PSV. 

Com relação aos que ficaram, Luuk de Jong cumpre muito bem o papel de goleador: é o artilheiro da Eredivisie, com 11 gols. E sua eficiência nos cabeceios e na função de pivô fazem crer que ele passa pelo mesmo processo que Klaas-Jan Huntelaar encontrou quando chegou ao Schalke 04: após fracassar em campeonatos maiores, De Jong voltou a um torneio mais adequado a seu nível técnico. E faz gols a ponto de sonhar com uma boa e necessária competição com Bas Dost pelo posto de atacante nas convocações da seleção holandesa - posto que deve ser de titular em pouco tempo, dada a idade avançada de Robin van Persie e de Huntelaar.

Pelas pontas, na direita, o uruguaio Gastón Pereiro superou o período de adaptação. E desde a ótima atuação na vitória sobre o Ajax, cresceu a ponto de já ser o titular, desbancando Luciano Narsingh. Na esquerda, uma experimentação deu certo: brigado com Phillip Cocu no início da temporada, Jürgen Locadia quase deixou o PSV. Já tinha até um sonho: tomar o mesmo caminho de Memphis Depay, rumo ao Manchester United ("É minha primeira opção", comentou à revista Voetbal International). Só que o tempo passou, Locadia se acertou com a direção e com o técnico, e recebeu uma chance na ponta. E ali está se dando bem, com porte físico avantajado e habilidade decisiva, como na vitória por 3 a 1 sobre o Twente.

Ao fim e ao cabo, além de vencer o AZ pela 14ª rodada, no próximo domingo, o PSV tem uma obrigação maior na temporada. Manter na Eredivisie a concentração vista na Liga dos Campeões. Que o tem colocado muito perto de ser o primeiro holandês a chegar às oitavas de final da Champions desde 2006/07. Aliás, nunca esteve tão perto.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 27 de novembro de 2015)

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A conta chegou

Não faltam motivos para o Twente estar de cabeça baixa (VI Images)

Um fim turbulento na temporada passada, incluindo perda de três pontos durante o último Campeonato Holandês, por fracassar no cumprimento de um plano de reestruturação financeira. Vendas de vários jogadores durante a janela de transferências do verão europeu, para minorar o peso das dívidas. Início péssimo de temporada: é o 15º colocado da Eredivisie. Na última rodada, uma goleada inapelável aplicada pelo Feyenoord (5 a 0). Enfim, não podia estar pior a situação atual do Twente.

Mas ficou. Na terça-feira, a história da decadência veloz que vive o clube de Enschede ganhou mais um capítulo. O site Football Leaks vazou um contrato entre a agremiação e a Doyen Sports Investments, fundo de investimentos com sede em Malta. O acordo fechado em fevereiro de 2014 (que você pode ler aqui na íntegra, em inglês) diz que a Doyen teria, e tem, direito à comissão na venda de alguns jogadores do elenco dos Tukkers. Dois deles se transferiram ainda em 2014: Quincy Promes e Dusan Tadic. Mais três foram vendidos na última janela: Luc Castaignos, Bilal Ould-Chikh e Younes Mokhtar.

O problema está nos dois que seguem sob contrato com o Twente: os volantes Shadrach Eghan e Kyle Ebecilio. Caso não sejam vendidos, o clube teria de pagar à Doyen uma multa por cada um: Ebecilio, atualmente emprestado ao Nottingham Forest, valeria 780 mil euros ao grupo de investimentos, enquanto Eghan, reserva na equipe holandesa, custaria 650 mil euros ao Twente. Porém, o regulamento da FIFA para transferências é claro: um fundo de investimentos não pode ter direitos sobre jogador algum. 

Resultado: a comissão de licenciamento da KNVB, a federação holandesa, já advertiu que investigará os procedimentos surgidos do contrato. Dependendo das conclusões, em caso de punição, o Twente pode perder pontos no campeonato atual, no mínimo. Ou pode até ter cassada a licença profissional para disputar competições, no máximo. O vazamento do contrato com a Doyen foi tão destrutivo para a diretoria do clube que Aldo van der Laan, presidente interino, renunciou ao cargo na mesma terça da revelação.

A história mal explicada com a Doyen é mais um capítulo numa história que começou a eclodir ainda em 2014. Mas que se iniciara ainda antes, desde o título holandês da temporada 2009/10. Na verdade verdadeira, aliás, vem desde 2003: neste ano, o Twente correu sério risco de falir. Foi quando o empresário Joop Munsterman comprou o clube. Aos poucos, modernizou-o. O antigo Arke Stadion foi reformado, teve a capacidade ampliada, e virou o Grolsch Veste atual, com capacidade de 30 mil espectadores. 

Os resultados em campo também foram crescendo de 2003 em diante. Em 2007/08, houve um primeiro grande salto: nos play-offs vigentes à época para a Liga dos Campeões, a equipe de Enschede eliminou o Ajax, vice-campeão na temporada regular, e classificou-se para a fase de play-offs preliminares da Liga dos Campeões 2008/09. Nesta temporada, ainda foi à final da Copa da Holanda - perdeu para o Heerenveen -, e conseguiu o vice-campeonato na Eredivisie. Finalmente, em 2009/10, o apogeu: a conquista do primeiro título holandês da história do clube, num time em que brilharam o goleiro Sander Boschker (jogador com mais partidas na história do clube, que defendeu entre 1989 e 2003, e 2004 a 2014), o zagueiro brasileiro Douglas (hoje, naturalizado holandês), o meio-campista Kenneth Perez e os atacantes Bryan Ruiz e Blaise Nkufo (este, o maior goleador da história dos Tukkers).

O problema é que com os títulos e o crescimento, também veio a ilusão de grandeza. Ilusão expressa em números colocados numa primorosa matéria do site catenaccio.nl, que sinalizaram dois grandes erros para qualquer clube que pretenda ter as finanças saneadas. O primeiro: gastar muito em compras sem tentar lucro nas vendas. Foi o que aconteceu em alguns casos. Por exemplo: em 2011, o clube gastou 3,5 mi de euros no sueco Emir Bajrami; 7 mi no atacante austríaco Marc Janko; 2 mi no lateral direito venezuelano Roberto Rosales… e só teve lucro ao vender Nacer Chadli ao Tottenham, por 8,15 mi, após compra por 300 mil euros. De resto, o dinheiro gasto não foi reposto. Janko, por exemplo, foi cedido ao Porto por 3 mi. Ou seja, prejuízo de 4 milhões com o austríaco.

O segundo pecado capital do Twente foi oferecer altos salários, fora do padrão do futebol holandês. Em 2009/10, o clube gastou cerca de 20 milhões de euros com pagamentos aos atletas do elenco. Em 2011/12, o gasto foi de cerca de 30 milhões. O que representava… mais de 60 por cento do orçamento do clube. Para que se tenha uma ideia do exagero, em 2011/12, o Ajax bancava os salários dos jogadores com 43,2% do dinheiro. O Feyenoord, 44,5%.

Pior: os investimentos na base não renderam lucros em vendas futuras. Tanto que só Ola John e Quincy Promes renderam algum interesse em mercados mais aquinhoados financeiramente. E outras compras em mercados alternativos também fracassaram, deixando o clube posteriormente. Casos não faltam: o atacante sul-africano Bernard Parker, o atacante australiano Nikita Rukavytsya, o goleiro português Daniel Fernandes...

Resultado: sabendo o tamanho do furo no barco dos Tukkers (furo causado por várias decisões suas, diga-se de passagem), Joop Munsterman renunciou à presidência ainda no final da temporada 2014/15. E já na última janela de transferências, o Twente implorava por negociações de gente que aliviassem a folha salarial. O supracitado Ebecilio foi cedido ao Nottingham Forest. Sem espaço nos titulares, Younes Mokhtar foi para o Al Nassr, da Arábia Saudita, a preço de banana (1 milhão de euros). Jesús Corona, cada vez mais titular na seleção mexicana, era cobiçado pelo Porto. E por 10 milhões, lá se foi o meio-campista para o Dragão, vestir a alviazul tripeira. Castaignos, destaque na temporada passada, foi quem mais rendeu: 2,5 milhões, na transferência para o Eintracht Frankfurt. 

Já pressionado desde a Eredivisie passada, o treinador Alfred Schreuder não aguentou ter três derrotas nas quatro primeiras rodadas, e foi demitido. Em seu lugar, René Hake (interino logo efetivado) tem um elenco atual com muita gente vinda direta da base. Principalmente na defesa. As lesões de Nick Marsman e Sonny Stevens abriram caminho para o goleiro Joël Drommel, 19 anos. Há ainda o lateral direito Hidde ter Avest, 18 anos (titular da seleção holandesa sub-19); os zagueiros Peet Bijen (20 anos), Joachim Andersen (19 anos) e Jeroen van der Lely (19 anos).

Ainda há novatos emprestados de outros clubes, como os atacantes Thomas Agyepong (ganês vindo do Manchester City) e Michael Olaitan (nigeriano cedido pelo Olympiacos). Para constar, um dos membros do elenco é brasileiro: o zagueiro Bruno Uvini, emprestado pelo Napoli, que foi para o banco de reservas.

Ainda há os titulares absolutos. Como o meio-campista chileno Felipe Gutiérrez, presença frequente nas convocações e jogos da seleção campeã sul-americana. E Hakim Ziyech, um caso à parte: o meio-campista marroquino (chegou a ser convocado para treinar com a seleção holandesa, mas escolheu defender os magrebinos) é o destaque absoluto do Twente na temporada. Dos 13 gols da equipe na temporada da Eredivisie, esteve envolvido em 11 - marcou sete, e fez a assistência em quatro.

Sabendo de seu valor e da situação do Twente, Ziyech já anunciou à FOX Sports holandesa: "Estou aberto [a ofertas]. Se surgir uma oferta para a qual o clube não diga não, eu saio". Talvez isso ocorra em janeiro. Será mais um baque neste momento que justifica o que disse o diretor Gerard van der Belt, em nota divulgada pelo clube: "O Twente se encontra na fase mais difícil de seus cinquenta anos de história". Completados neste 2015. A conta dos anos de glória chegou. E de maneira impiedosa.

domingo, 22 de novembro de 2015

810 minuten: como foi a 13ª rodada da Eredivisie

Kramer ajudou, e Gustafson brilhou na goleada do vice-líder Feyenoord (feyenoord.nl)

AZ 3x1 Heerenveen

Na 12ª rodada, o AZ tivera a reestreia de Mounir El Hamdaoui. E o atacante marroquino, principal destaque do título holandês de 2008/09, teve destaque já no segundo jogo da volta aos Alkmaarders. E era necessário, já que o Heerenveen abrira o placar cedo, com gol de Mitchell te Vrede. Pois bem: no empate, El Hamdaoui chutou na trave, e Vincent Janssen (despontando como grande destaque no AZ) fez 1 a 1.  E para virar o jogo, o próprio El Hamdaoui tabelou, novamente com Janssen, recebeu de volta e bateu na saída do goleiro Erwin Mulder. No segundo tempo, ainda houve tempo para Janssen marcar pela segunda vez, fechando o placar em 3 a 1. Mas o destaque já era de El Hamdaoui, provando que ainda pode ser útil ao AZ, cinco anos depois. E o Heerenveen, enfim, sofreu sua primeira derrota sob o comando interino de Foppe de Haan. 

Roda JC 0x5 Zwolle

Com cinco minutos da etapa inicial, Wouter Marinus já fazia 1 a 0 para os Zwollenaren. Podia ser o sinal de uma vitória tranquila, ou uma oportunidade para os Koempels virarem o jogo em casa. Felizmente, para os Dedos Azuis, a primeira hipótese se confirmou facilmente. Já aos 15 minutos, após o lateral Henk Dijkhuizen empurrá-lo dentro da área, o neozelandês Ryan Thomas (prestes a renovar contrato) cobrou o pênalti subsequente para fazer 2 a 0. E no primeiro minuto da etapa complementar, a vitória se sacramentou: um erro de marcação de Arjan Swinkels deu a Kingsley Ehizibue a chance de fazer um passe e deixar Thomas livre para marcar pela segunda vez no jogo. Outra falha de marcação do Roda JC - no caso, do zagueiro Gibril Sankoh - resultou no quarto gol, de Lars Veldwijk. E já no fim da partida, Stef Nijland deu números finais a uma goleada que serviu não só para encerrar a sequência de três jogos sem vitória, mas também para manter o time de Ron Jans firme na quinta posição, logo abaixo dos ponteiros.

Ajax 5x1 Cambuur

"As bolas paradas foram nossa arma", comentou Frank de Boer, logo após o fim do jogo, à FOX Sports holandesa. Tinha toda a razão. Afinal de contas, foi com elas que o ambiente na Amsterdam Arena esquentou, após um início enfraquecido em função do boicote de parte da torcida do Ajax (justificado pela crise na diretoria). E as bolas cruzadas foram úteis a um lado e ao outro, no espaço de apenas três minutos, no primeiro tempo. Aos 25, Joël Veltman, livre na segunda trave, desviou perfeitamente escanteio de Nemanja Gudelj para abrir o placar; aos 27, foi a vez de Jaïro Riedewald falhar, deixando Sander van de Streek se deslocar na área para completar o cruzamento e empatar para o penúltimo colocado do Campeonato Holandês. 

Seria o ânimo necessário para o Cambuur partir rumo à tentativa de uma surpresa... se no instante seguinte, em novo escanteio ensaiado, "Arek" Milik não se desmarcasse e cabeceasse para recolocar os Godenzonen na frente. Aí as coisas ficaram em seus devidos lugares: não demorou muito para dois gols de Davy Klaassen, aos 38 (outra cabeçada!) e 45, praticamente definirem a vitória dos anfitriões. No segundo tempo, o Ajax até foi mais ofensivo, mas só fez mais um gol, com o alemão Amin Younes. A bem da verdade, nem precisava. Mas a goleada manteve o "controle" sobre as turbulências internas no clube da estação Bijlmer Arena, além de garantir mais uma rodada na liderança da Eredivisie. 

Willem II 2x2 PSV

Que a defesa do PSV andava frágil e desatenta quando não podia, já se vira nas duas últimas partidas. Contra o Excelsior, o empate por 1 a 1, sofrido num dos últimos lances dos 90 minutos; contra o lanterna De Graafschap, uma vantagem de 3 a 0 jogada fora no início do segundo tempo (pelo menos, veio a vitória final por 6 a 3). Contra os Tricolores, em Tilburg, um gol precoce de Gastón Pereiro - e um gol até bonito, tocando sutil na saída do goleiro Kostas Lamprou - fazia crer numa vitória tranquila. Mas novamente, o miolo de zaga fraquejou num momento crucial: na metade do segundo tempo, com dois gols em sete minutos, o meio-campista Erik Falkenburg virou para o Willem II, reforçando sua importância como goleador da equipe na temporada. Aí surgiu outro protagonista, não só do PSV, mas do Campeonato Holandês em geral: Luuk de Jong fez seu 11º gol no torneio. E salvou um ponto para os Eindhovenaren. Ainda assim, foi um tropeço nada auspicioso para um clube que tem jogo fundamental no meio de semana, pela Liga dos Campeões, contra o Manchester United, em Old Trafford. E Phillip Cocu expressou seu descontentamento: "Falaremos sobre isso". 

De Graafschap 1x2 Groningen

De Graafschap, pobre De Graafschap. Time esforçado, considerado dono de um dos estádios onde a torcida mais faz barulho e apoia (o De Vijverberg, em Doetinchem), teve reação comovente contra o PSV... mas vitória que é boa, nada, ainda. A equipe chegou à 13ª rodada com apenas dois pontos, para enfrentar o atual campeão da Copa da Holanda. E no fim de um primeiro tempo equilibrado, a maior qualidade técnica dos Groningers se sobressaiu: Albert Rusnák completou para as redes, após desvio de Jesper Drost, e fez 1 a 0. No segundo tempo, após um drible seco, Michael de Leeuw - que passou pelo De Graafschap - fez aquele que é o gol mais bonito da rodada: encobriu sutilmente o goleiro Hidde Jurjus, da entrada da área. Já aos 33 minutos, Nathan Kabasele ainda converteu pênalti para diminuir a vantagem da equipe do norte holandês, e houve certa pressão. Mas o Groningen saiu com a vitória, e a pontuação igualada à do Zwolle. Enquanto isso, o De Graafschap segue com dois pontos. Em 14 rodadas. Jamais na história do Campeonato Holandês um lanterna tivera pontuação tão fraca.

Heracles Almelo 0x0 Excelsior

Com o tropeço do PSV no sábado, o Heracles tinha ótima chance de colocar mais brilho na sua já boa campanha nesta temporada da Eredivisie. Era ganhar do Excelsior e igualar a pontuação à do time de Eindhoven, terceiro colocado. Só que os Kralingers impediram isso. E mais: impediram sendo melhores ao longo da partida. Já no primeiro tempo, a melhor chance de gol veio do time visitante, com Daryl van Mieghem chutando para boa defesa do goleiro Heraclied, Bram Castro, e perdendo o rebote. Na segunda etapa, Oussama Tannane voltou a campo, após uma lesão que o tirou de algumas rodadas. Ainda assim, nem o principal destaque do Heracles conseguiu movimentar o ataque. Com o armador Iliass Bel Hassani em mau dia, mais a diminuição do ritmo do Excelsior, o único empate sem gols da rodada foi inevitável - para gáudio de Zwolle, Vitesse, NEC e Groningen, agora mais perto dos Almelöers. Pelo menos, manteve-se a distância de dois pontos para o PSV. 

Feyenoord 5x0 Twente


A atuação do Feyenoord no Klassieker contra o Ajax rendeu o que pensar ao técnico Giovanni van Bronckhorst. Por um lado, Eric Botteghin ganhou a vaga de Sven van Beek no miolo de zaga; por outro, Simon Gustafson voltou ao  meio-campo após ser barrado no clássico. E o meio-campista sueco retribuiu da melhor maneira possível a escolha de Van Bronckhorst: aos seis minutos, abriu o placar com bonito chute colocado, da entrada da área. A fragilidade da defesa do Twente possibilitava ao Stadionclub trocar passes como e quando quisesse, e só Hakim Ziyech e Thomas Agyepong, pelas pontas, tentavam algo para os Tukkers. Com muito mais rapidez e habilidade nas jogadas coletivas, não demorou para o Feyenoord ampliar: aos 26 minutos, Gustafson aproveitou o rebote de chute de Michiel Kramer.

No segundo tempo, foi até mais massacrante. Já no primeiro minuto, a tradicional fragilidade da defesa dos Enschedese em bolas aéreas atacou novamente: Dirk Kuyt cruzou e Kramer se antecipou e cabeceou para fazer 3 a 0. Mais quatro minutos, e a falha foi mais gritante ainda: Elia puxou a marcação no meio da área, e Karim El Ahmadi entrou livre para escorar cruzamento de Rick Karsdorp e fazer o quarto. O jogo já poderia ter acabado aí. Mas o Twente ainda viu um ato simbolizar sua atuação desastrosa: um minuto após entrar em campo, substituindo Jelle van der Heyden, o atacante Tim Hölscher cometeu falta e foi expulso diretamente. Nos acréscimos, ainda houve tempo de Bilal Basaçikoglu fazer o quinto. Quase igualando a maior vitória que já conseguira sobre o Twente (6 a 0, na temporada 1967/68), o Feyenoord venceu tão facilmente que Kuyt nem brilhou. E os Rotterdammers seguem firmes atrás do Ajax. Ao Twente, resta continuar amargando o desespero em que a crise financeira lhe jogou nesta temporada.

NEC 1x0 Utrecht

Luuk de Jong. Dirk Kuyt, Arek Milik. Esta temporada da Eredivisie mostra como nunca a responsabilidade que os goleadores dos times ponteiros têm nas boas campanhas deles. E outro exemplo vem de um clube que está na briga logo abaixo. É Christian Santos, do NEC. Após um primeiro tempo equilibrado, em que o Utrecht até teve mais chances para abrir o placar, o venezuelano apareceu na mais própria das horas para definir o placar: após pênalti de Yassin Ayoub em Navarone Foor, Santos bateu no ângulo. Foi seu nono gol na temporada (apenas Kuyt e Luuk de Jong marcaram mais). E foi a vitória que manteve o NEC na disputa para ver quem é o melhor do resto no Campeonato Holandês.

ADO Den Haag 2x2 Vitesse

Mal começou o jogo em Haia, e o ADO Den Haag partiu para o ataque. O que aconteceu? Isso mesmo: o Vitesse fez 1 a 0 logo aos seis minutos. Um passe em profundidade de Maikel van der Werff pegou a defesa dos Hagenaren toda desprevenida, e o israelense Sheran Yeini só teve o trabalho de tocar na saída do goleiro Martin Hansen. Só que a desvantagem precoce não inibiu os mandantes, que logo conseguiram o empate: aos 33 minutos, Ruben Schaken aproveitou erro de Guram Kashia na saída de bola, dominou e tocou no canto baixo do arqueiro Eloy Room. Ainda assim, o Vites novamente foi preciso. Logo aos 38 minutos, Kelvin Leerdam subiu sozinho, para cabecear e recolocar os visitantes na frente. Só restava ao Den Haag atacar no segundo tempo. E o empate surgiu já aos cinco minutos, num lance controverso: Leerdam disputou bola aérea com Mike Havenaar na área, e o jogo de corpo levou o japonês ao chão. Havenaar valorizou, e na interpretação do árbitro, o pênalti foi marcado. O zagueiro Timothy Derijck converteu, e ainda teve grande chance de virar o jogo, em cabeceio aos 25 minutos, para grande defesa de Room. Mas o último jogo da rodada ficou mesmo no 2 a 2.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Um fim tristemente apropriado

Ao invés do estádio, a volta para o hotel. O pesadelo também chocou o ônibus da Oranje (Vincent Jannink/ANP)
"Queríamos estar aqui, como uma afirmação. Até hoje à noite, conseguimos manter isso, mas infelizmente esta ordem precisou ser seguida. Não queríamos abaixar a cabeça para o terror, triste que as coisas tenham sido deste jeito. (...) Após a sexta-feira, o mundo parece totalmente diferente." Enquanto a delegação holandesa chegava ao aeroporto de Hannover, para viajar sã e salva de volta, Bert van Oostveen, diretor de futebol profissional da federação holandesa, lamentou desta forma o cancelamento do amistoso entre Holanda e Alemanha, nesta terça.

De fato, o cenário antes do jogo era de reanimação. Tanto pela vitória contra Gales, quanto pela mensagem simpática lida por Danny Blind, na segunda, ainda sob a gigantesca e justificada consternação pelos atentados terroristas vistos em Paris. Vale repetir trechos dela aqui: "Num momento como esse, você se toca mais uma vez que há coisas mais importantes do que o futebol. E automaticamente vem a pergunta sobre se o jogo deveria ser realizado. Sabemos todos que a seleção alemã teve um fim de semana de muita comoção. Também respeitamos muito o fato de que eles queiram jogar amanhã [terça]. E é o que nós queremos, também".

Até pela proximidade entre holandeses e alemães nos clubes, o clima de ajuda era mútuo. Notou-se isso nas palavras de Klaas-Jan Huntelaar, ao diário De Telegraaf, comentando contato com um colega de Schalke 04 que estava no Stade de France, durante as duas explosões no estádio: "No dia, eu tinha falado com Leroy [Sané] por mensagem de texto sobre a ameaça de bomba no hotel deles. Ele disse que passaram a noite no estádio, e só queria uma coisa: voltar para casa o mais rápido possível. (...) Nunca se pode baixar a cabeça para o terror, mas compreendo se a federação alemã decidir cancelar o jogo. Agora o futebol é um assunto secundário".

Afinal, a confirmação do jogo veio no domingo. O que até dificultou o trabalho de Danny Blind. Pois logo após o 3 a 2 sobre os galeses em Cardiff, Riechedly Bazoer (dores musculares na coxa) e Virgil van Dijk (lesão no joelho) foram mais duas baixas na delegação holandesa, e não tiveram substitutos exatamente pela incerteza quanto à realização da partida na HDI-Arena de Hannover. Também no domingo, foi a vez de Eljero Elia ser dispensado. Aí, Jürgen Locadia foi chamado às pressas, em sua primeira convocação para a seleção principal.

Seria curioso vê-lo recebendo uma chance durante os 90 minutos - mesmo caso de Marko Vejinovic.. Com relação aos titulares, com a ausência de Arjen Robben já prevista, como Memphis Depay voltaria a campo? Bas Dost, surpresa agradável em Cardiff, daria lugar a Huntelaar - mostraria o veterano faro de gol? E Joël Veltman, como substituiria Van Dijk como "líbero" no 5-3-2? Do lado alemão, seria curioso ver o escolhido para substituir Manuel Neuer, entre Kevin Trapp, Bernd Leno e Ron-Robert Zieler. Assim como seria de bom tom ter visto Holanda e Alemanha abrindo mão da execução de "Het Wilhelmus" e "Deutschland über alles", os respectivos hinos, em favor da execução única d'A Marselhesa, antes do jogo - algo combinado pelas duas federações.

Só que nada disso aconteceu, pela ameaça crescente descoberta na HDI-Arena, pouco antes do jogo. Pouco antes mesmo: a delegação já estava a caminho do estádio quando o cancelamento foi anunciado. A mudança brusca de caminho chocou os jogadores, primeiro levados a uma delegacia, e depois trazidos de volta ao hotel - em cuja entrada, policiais armados fizeram a ronda. Até agora, não está certo se realmente havia explosivos, muito menos se estavam numa ambulância, como informou Volker Kluwe, chefe de polícia da cidade (Thomas de Maizière, ministro alemão de assuntos internos, negou os explosivos na ambulância, mesmo alertando que não podia dar mais detalhes).

Restou a Veltman acalmar, em mensagem de texto enviada à AT5, emissora de tevê local em Amsterdã: "Estamos seguros agora! Esperando rápido pelo que acontecerá". Restaram as declarações de Bert van Oostveen, citadas no primeiro parágrafo. Restaram os agradecimentos à federação alemã, em nota da federação holandesa, que lamentou por "um jogo tão bonito não ter sido realizado". Restou a decepção pela Oranje não ter podido tentar a primeira vitória desde 2002, contra uma das grandes adversárias. E ficou, acima de tudo, a sensação depressiva de que um jogo perturbado e cancelado por razões lamentáveis foi um fim tristemente apropriado para o péssimo 2015 que a seleção holandesa teve em campo.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Um pequeno ânimo

Robben prestou muita atenção às jogadas de ataque, e as aproveitou duas vezes. Sorte da Holanda (AFP)
Manter o esquema tático da seleção da Holanda num 4-3-3 espaçado demais entre os setores foi uma das principais razões para o fracasso da equipe nas eliminatórias da Euro 2016, tanto sob Guus Hiddink como sob Danny Blind. Pelo menos, após o vexame, Blind teve tempo para reconsiderar seus erros. Tratou de proteger mais a defesa. E bastou uma atuação mais acelerada e relativamente entrosada no ataque para a Oranje conseguir vencer o País de Gales, por 3 a 2, no amistoso desta sexta, em Cardiff.

E já após os treinos na capital galesa, na quinta, o treinador indicou que precisaria se preocupar mais com a parte de trás da equipe. Só não sabia qual alternativa escolher. Uma delas era clara: o 5-3-2 com que Louis van Gaal pensou a equipe terceira colocada na Copa do Mundo passada. A outra foi indicada pelo próprio Danny Blind: "Uma outra possibilidade seria jogar com dois meio-campistas mais defensivos [no 4-3-3]". De qualquer modo, ele reconhecia: "Precisamos fortalecer mais nossa defesa. Só que ainda guardarei em segredo o que farei".

Por fim, a equipe foi escalada no 5-3-2. E ainda se viram algumas experiências nos titulares: Daley Blind ficou na zaga, pela esquerda, enquanto Terence Kongolo era o lateral propriamente dito. No meio-campo, Quincy Promes foi experimentado, enquanto Bas Dost superou a escolha previsível de Klaas-Jan Huntelaar e começou jogando ao lado de Arjen Robben. Essas mudanças geraram um estilo interessante. Sim, sem a bola via-se claramente a linha de cinco defensores. Mas com a bola, não só a Holanda jogava mais num 3-4-1-2, com Quincy Promes às vezes avançando mais, como também tinha mais volume ofensivo.

No início do jogo, os galeses ainda se aproveitaram da falta de prática holandesa no novo-velho esquema tático para conseguirem algumas chances. Por duas vezes Virgil van Dijk avançou demais até para um líbero, e o espaço ficou aberto para que Tom Lawrence aproveitasse essas duas vezes com a bola e arriscasse chutes a gol. Mas após esse período de "adaptação", os holandeses se recompuseram. Jogando mais atrás, como armador, Wesley Sneijder começou a fazer bons lançamentos. Robben, enfim, voltou a atuar como "líder técnico": sempre se apresentava como opção de jogadas, e não só pela esquerda, sua faixa tradicional. Bas Dost, por sua vez, saía de suas características: ao invés de esperar as jogadas para finalizar, também participava das tabelas. 

Bastou um dos vários avanços de Daryl Janmaat (boa atuação) dar certo, para uma jogada bem tramada resultar no gol de Dost que abriu o placar. E a Oranje até merecia sair do primeiro tempo com a vantagem. Mas uma "imprudência" levou ao pênalti que empatou a partida, já nos acréscimos: Kongolo levantou as mãos para se livrar de um chute que lhe pegaria em cheio. Involuntário? Talvez. Mas cada vez mais árbitros marcam as penalidades em lances assim. Joe Allen bateu, e Jasper Cillessen teria um grande momento de glória, ao defender uma cobrança pela primeira vez em sua carreira... se Joe Ledley não tivesse aproveitado o rebote para empatar.

Acertadamente, Danny Blind não alterou demais a equipe logo na volta para os vestiários: apenas o lesionado Van Dijk deu lugar a Joël Veltman. Mais do que isso: continuaram os bons lançamentos de Sneijder. E principalmente, continuou a movimentação de Robben. Que aproveitou rápido contra-ataque para fazer o que sabe de melhor: cortar para a esquerda, sem marcação, e chutar a gol. Fez 2 a 1 e deu razões para que o jornalista Willem Vissers, do diário De Volkskrant, colocasse em seu perfil no Twitter: "Mais importante do que escolher entre 5-3-2 e 4-3-3 é ter um jogador como Robben em forma". De fato, ainda não dá para prescindir do nativo de Bedum na Oranje.

Mas novas falhas de posicionamento da defesa resultaram em empate dos galeses: após cruzamento para a área, o trio de zagueiros deixou alguns adversários livres ao sair para cortar. Um deles, Emyr Huws, cabeceou livre para as redes de Cillessen. A decepção só não foi maior porque, novamente, um contra-ataque acelerado (por um rápido passe de Dost, no caso) pegou Robben livre. E ele não errou, garantindo a vitória por 3 a 2. Só então Danny Blind pôde experimentar por alguns minutos na equipe - por exemplo, promovendo a estreia de Riechedly Bazoer no meio-campo

Na saída de campo, Danny Blind ainda alertou: "Só é chato termos sofridos dois gols em bolas paradas. Nas eliminatórias, sofremos três ou quatro gols de escanteios e bolas paradas. Isso precisa melhorar". Mas também afagou: "Estou razoavelmente feliz. Não cedemos muitas chances e jogamos compactos". Cillessen também se alternou entre a lamentação ("Eu ainda estava na bola, no rebote [do pênalti], mas foi muito frustrante. Legal que eu tenha defendido um pênalti, e nada mais. No fim, foi um gol que sofremos") e o otimismo ("Espero que da próxima vez eu defenda sem dar rebote"). E Arjen Robben, de novo o salvador da Holanda, também se alegrou: "Estamos recomeçando, com um sistema antigo. Por isso, precisamos trabalhar. Mas estou com um bom sentimento para o futuro". 

Exatamente por isso a Holanda precisava da vitória: para recuperar o bom sentimento. Obviamente, a vitória desta sexta não quer dizer que a equipe virou favorita para o jogo de terça, contra a Alemanha. Mas, pelo menos, deu um pequeno ânimo. Já é algo, na situação atual da Oranje.