sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Tudo bem


No Campeonato Holandês, o Feyenoord controla sua situação: único 100%, joga com tranquilidade (feyenoord.nl)

Era óbvio que o Manchester City era favoritíssimo a vencer o Feyenoord, na estreia de ambos pela fase de grupos da Liga dos Campeões, na quarta passada. E foi exatamente o que aconteceu. Bem, talvez o Stadionclub pudesse ter evitado a goleada por 4 a 0. E a defesa também não precisava ser tão frágil taticamente (como se viu, por exemplo, na jogada do gol de Gabriel Jesus, com todos pedindo impedimento inexistente). Mas diante do nível técnico dos grandes clubes ingleses da atualidade, uma vitória surpreenderia demais. Até por isso, embora meio sem graça, a torcida não se importou muito com a goleada do City. Vale mais o começo promissor do atual campeão nacional nesta temporada do Campeonato Holandês: líder e único com 100 por cento de aproveitamento – quatro jogos, quatro vitórias.

E assim como a primeira mostra de que o clube de Roterdã deveria ser encarado seriamente como candidato ao título da temporada passada foi uma vitória sobre o PSV em pleno Philips Stadion (1 a 0, na 6ª rodada), esse começo tranquilo dos Feyenoorders terá o primeiro grande teste novamente em Eindhoven, neste domingo, pela quinta rodada da Eredivisie. O teste só ficará mais difícil pela provável ausência daquele que segue como um dos grandes destaques do time: Nicolai Jorgensen, com lesão muscular na parte posterior da coxa. Ainda assim, pelo que já mostrou na liga, o clube alvirrubro tem mostrado algo que faltou em momentos cruciais de 2016/17: tranquilidade.

Se não fosse assim, talvez o Feyenoord tivesse falhado na rodada passada, por exemplo. Contra o Heracles Almelo, fora de casa, a equipe de Giovanni van Bronckhorst já encaminhou a vitória no primeiro tempo, fazendo 3 a 0. Porém, o time de Almelo melhorou no segundo tempo. Reuven Niemeijer já havia marcado o primeiro gol dos mandantes, e diminuiu para 3 a 2 a dez minutos do fim. Relaxar assim seria causa para desespero, em outros tempos. Com este Feyenoord, não foi: nos acréscimos, até o goleiro Bram Castro foi tentar o gol de empate num escanteio. Perdeu a chance, os visitantes foram rápidos no contra-ataque, e fizeram o 4 a 2 com o gol vazio.

Aliás, vale citar que dois dos reforços do Feyenoord para a temporada são os dois grandes destaques nesse bom começo no cenário doméstico. Jean-Paul Boëtius preenche completamente a lacuna aberta por Eljero Elia na ponta esquerda do ataque: o camisa 7 já fez três gols pelo Holandês, e sua velocidade o torna constante opção para as jogadas, como provam as duas assistências que já deu. Outro que merece citação é Steven Berghuis. Pela direita, o atacante justifica plenamente por que o clube se esforçou tanto para contratá-lo em definitivo junto ao Watford: já são quatro gols em quatro jogos, e muita capacidade para ajudar Jorgensen nas finalizações. Sem contar Sam Larsson: vindo de ótimas atuações pelo Heerenveen, entrou no final do jogo contra o Heracles, e foi justamente o autor do gol supracitado nos acréscimos.

A dura goleada sofrida para o Manchester City impôs a dura realidade ao atual campeão holandês (feyenoord.nl)

Não bastassem Boëtius e Berghuis, os reforços vindos para as laterais também mostram utilidade, além de algum equilíbrio. Pela direita, Kevin Diks tenta ajudar mais a marcação; na esquerda, Ridgeciano Haps (outro desfalque para o Feyenoord no domingo) começa muito promissor, também oferecendo a constante possibilidade de tabelas com Boëtius ou com os meio-campistas restantes. De resto, ficam os nomes conhecidos, que também seguem bem na Eredivisie: Tonny Vilhena, Jens Toornstra, Karim El Ahmadi – fez primeiro tempo estupendo contra o Heracles -, Eric Botteghin etc. 

A mescla de acertos nas transferências e manutenção da base com que Giovanni van Bronckhorst trabalhou no título rende até mais possibilidade para lançar jovens no time titular, sem tanta pressão. É o caso do goleiro Justin Bijlow, titular da seleção holandesa sub-21, que jogou na estreia do Feyenoord pela Eredivisie, contra o Twente. É o caso do atacante Cheick Touré, apenas 16 anos (nascido em 7 de fevereiro de 2001), que veio do banco na fácil goleada por 5 a 0 sobre o Willem II, na terceira rodada. E deverá ser o caso de mais dois jogadores: o atacante Dylan Vente, 18 anos (já entrou contra o Manchester City), e o zagueiro Lutsharel Geertruida, 17 anos, recém-promovido ao grupo principal.

Vale ressaltar: toda essa tranquilidade é vista somente na Eredivisie. Após a derrota da quarta passada, as declarações mostravam humildade e uma opinião em comum: o quanto o Feyenoord - e o futebol holandês, de certa forma - precisa melhorar em todos os aspectos para sonhar desafiar clubes de grandes centros. Foi o que falaram o zagueiro Jan-Arie van der Heijden (“Aprendemos uma dura lição”) e o próprio Van Bronckhorst (“Precisamos nos acostumar ao nível de uma Liga dos Campeões, e falar isso ainda é pouco. Eles jogaram num ritmo rápido demais para nós”).

Todavia, mesmo que o Feyenoord seja derrotado no clássico pelo PSV – que também só vencera, até o 2 a 0 para o Heerenveen na rodada passada -, é possível notar que o fim do jejum de 18 anos já rendeu um ganho. Sentem-se em De Kuip, hoje em dia, os doces gostos da tranquilidade e da autoconfiança. Incomum falar isso após um 4 a 0, mas é verdade.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

810 minuten: como foi a 4ª rodada da Eredivisie

A ótima atuação de Berghuis no primeiro tempo evitou que o susto do Heracles impedisse a vitória do Feyenoord (Ronald Bonestroo/VI Images)

Heracles Almelo 2x4 Feyenoord (sábado, 9 de setembro)

Giovanni van Bronckhorst já sinalizara: talvez pouparia jogadores do Feyenoord, com vistas à estreia pela Liga dos Campeões, contra o Manchester City, na próxima quarta. Dito e feito: Eric Botteghin ficou no banco, ao passo que Ridgeciano Haps, lesionado, nem foi relacionado (talvez nem contra o City esteja apto). Tentando se fechar num 4-2-3-1, desfalcado do destaque Brandley Kuwas, o Heracles até assustou no começo da partida. A primeira chance real de gol foi dos anfitriões: aos 8', num chute de Joey Pelupessy, que passou rente à trave esquerda do gol de Brad Jones. Trocando passes na defesa até achar espaço, o Feyenoord começou a chegar aos 10': Steven Berghuis partiu da direita, trocou passes com Jens Toornstra e Jean-Paul Boëtius, mas na hora de finalizar, bateu muito alto. Depois, aos 12', Toornstra arriscou de fora da área, trazendo certo perigo. Perigo que aumentou no minuto seguinte: pela esquerda, Boëtius chegou com a bola à área e passou a Tonny Vilhena, que chutou cruzado, forçando Castro a rebater.

Mesmo segurando suas forças, o Stadionclub teve péssima surpresa aos 22': com lesão muscular, Nicolai Jorgensen foi trocado por Michiel Kramer, transformando-se em ausência certa para o primeiro jogo pela Champions. O impacto só não foi maior porque, segundos depois, o atual campeão holandês abriu o placar. Karim El Ahmadi aproveitou desatenção de Pelupessy, roubou-lhe a bola no meio-campo e puxou rápido contra-ataque. Segurou a bola na beira da área, passando-a para Berghuis dominar e bater colocado, no canto direito de Castro, fazendo 1 a 0 em grande estilo.

E o Feyenoord não demorou a dar os golpes definitivos. Aos 29', em jogada quase igual à do 1 a 0, o Feyenoord marcou o segundo. Agora, El Ahmadi roubou a bola de Peter van Ooijen, puxando mais um contragolpe. Passou a Kramer, que tentou cruzar duas vezes. Da primeira, a defesa tirou; da segunda, deu certo, e tudo aconteceu de novo: a bola sobrou, Berghuis veio sozinho, chutou, balançou as redes. Se havia ainda alguma dúvida da vitória, ela acabou definitivamente aos 33', quando Boëtius contou com a sorte para fazer o terceiro gol: dominou a sobra de um cruzamento fora da área, finalizou, e o desvio no zagueiro Robin Pröpper tirou as chances de Castro, que só viu impotente a bola entrar.

Sam Larsson (à direita) estreou pelo Feyenoord. E já marcou seu primeiro gol, para confirmar a vitória (ANP/Pro Shots)

Afetado com a desvantagem (e já com Jamiro Monteiro em campo, no lugar de Peter van Ooijen, para fechar o meio-campo), o Heracles voltou a atacar aos poucos, no segundo tempo. Já no primeiro minuto, Reuven Niemeijer estava livre na área, após cruzamento de Brahim Darri. Mas cabeceou fraco, fácil para Jones. Aos 56', Darri bateu cruzado, forçando Brad Jones a desviar levemente para fora. O Feyenoord, então, reagiu aos 59': Berghuis chutou à queima-roupa, quase sem ângulo, e Castro tirou com os pés para fora. Tempo depois, aos 72', o estreante Sam Larsson (substituto de Boëtius) quase marcou, aproveitando rebote de Castro depois de Kramer tentar o quarto gol.

No minuto seguinte, o que parecia uma vitória tranquila começou a correr sérios perigos. De tanto pressionar, o Heracles Almelo conseguiu um merecido gol, aos 73'. Darri aproveitou erro de St. Juste na saída de bola e lançou Gladon em profundidade. O atacante dividiu com Brad Jones, que saía do gol, e a bola ficou no alto, pronta para Niemeijer enfim acertar o alvo e marcar o primeiro gol dos Heraclieden. Um tropeço Feyenoorder começou a ficar palpável aos 81': pela esquerda, Kristoffer Peterson chegou à área e tentou driblar Kevin Diks, que o derrubou. Niemeijer cobrou no meio do gol para o 3 a 2. A torcida visitante só se tranquilizou nos acréscimos, aos 90' + 3: com até Bram Castro na área tentando o empate num escanteio, a bola sobrou para um contra-ataque veloz do Feyenoord. A partir do meio-campo, Sam Larsson partiu livre, chegou à área e tocou para o gol vazio, abrilhantando sua estreia com o 4 a 2 que mantém o Feyenoord 100% na Eredivisie. Uma vitória que correu riscos desnecessários...

El Khayati chamou a responsabilidade e mostrou alguma técnica. Bastou para o ADO Den Haag vencer (Angelo Blankespoor/adodenhaag.nl)

Willem II 1x2 ADO Den Haag (sábado, 9 de setembro)

Sobrou motivação e faltou habilidade na partida em Tilburg, envolvendo duas equipes que ainda buscavam a primeira vitória no Campeonato Holandês. Duas provas disso vieram no primeiro tempo. Aos 16', o erro foi de Etien Velikonja, atacante que estreava pelo Willem II, comprado no último dia da janela de transferências: o esloveno aproveitou recuo mal feito de Tyronne Ebuehi, chegou livre à área, driblou o goleiro Robert Zwinkels, mas demorou tanto para chutar (e perdeu tanto o ângulo) que Zwinkels ainda conseguiu tirar a bola, de carrinho. Aos 32', Fernando Lewis cometeu a infelicidade: o lateral direito tentou tirar a esférica da defesa, errou, e tentou consertar derrubando Elson Hooi na área. Pênalti, que Nasser El Khayati cobrou para colocar o ADO Den Haag na frente.

Antes ainda do intervalo, um terceiro nome dos Tricolores também quase incorreu em falta: o goleiro Timon Wellenreuther, que saiu errado aos 40' - pior ainda fez Elson Hooi, que chutou por cima com o gol vazio. No segundo tempo, as duas equipes tiveram alterações ofensivas em busca do gol. E uma delas participou do empate, aos 77': Ismaïl Azzaoui (substituto de Lewis) cruzou, e Fran Sol se antecipou à marcação de Wilfried Kanon para o 1 a 1. Mas El Khayati reapareceu, aos 84': em jogada individual, chegou à área e finalizou para o 2 a 1 da primeira vitória dos visitantes de Haia nesta temporada. E o Willem II se preocupa: quatro jogos, quatro derrotas.


Huntelaar finaliza com estilo para abrir o caminho de uma vitória promissora do Ajax (Pro Shots)

Ajax 3x0 Zwolle (sábado, 9 de setembro)

Com duas semanas para treinar, Marcel Keizer pôde colocar em prática algo que já apregoava: um Ajax ainda mais ofensivo em tese, no 4-2-4, com Kasper Dolberg e Klaas-Jan Huntelaar jogando juntos no ataque. A partida na Amsterdam/Johan Cruyff Arena seria o primeiro teste do esquema. Azar de Lasse Schöne, colocado no banco; sorte de David Neres, que recebeu outra chance como titular. Porém, o início assustou de imediato, com a chegada do Zwolle aos 2'. Mustafa Saymak veio pela esquerda, marcado por Joël Veltman, e arriscou chute colocado, nas mãos de André Onana.

Mas a esperada superioridade do Ajax apareceu também rápida, para gáudio de Marcel Keizer. Aos 4', Amin Younes apareceu pela primeira vez, após uma jogada individual típica dele. Finalmente, aos 6', David Neres começou a pagar a aposta do técnico: ajeitou com classe um lançamento de Donny van de Beek, já deixando Saymak para trás, chegou à área e cruzou rasteiro. A finalização de Huntelaar foi melhor ainda: de letra, na pequena área, para fazer 1 a 0 - o gol fez com que o camisa 9 tenha marcado contra todas as 23 equipes que enfrentou jogando pelo Campeonato Holandês.

Com velocidade e troca de posições, os Ajacieden tiveram chances a granel para o segundo gol, em poucos minutos. Aos 8', Hakim Ziyech colocou a bola por baixo das pernas de Van Polen, serviu-a a David Neres, e o brasileiro cruzou. Huntelaar apareceu de novo, desviando de cabeça para fora. Depois, aos 10', Dolberg recebeu de Ziyech com campo livre para progredir, e ainda de fora da área, chutou forte, por cima da meta. Mais um cabeceio de Matthijs de Ligt, para fora, aos 13'. Aos 14', Dolberg ajeitou de calcanhar, e Huntelaar entrou batendo em diagonal, para a defesa de Diederik Boer. No minuto seguinte, a blitz Ajacied continuou: Neres apareceu pela direita, mandou para a área, e Dolberg escorou para fora.

Só aí, com os Godenzonen diminuindo o ritmo, os Zwollenaren apareceram mais no ataque. Aos 23', a primeira oportunidade: Younes Namli arrematou de fora, forçando Onana a espalmar. O camisa 7 do Zwolle fez o mesmo aos 27', mas o final foi diferente: ao invés de espalmar, o goleiro camaronês agarrou firme. Aos 30', Kingsley Ehizibue cruzou, e Saymak só não empatou porque, na hora exata do chute, Veltman apareceu por baixo para o corte. Os mandantes só tentaram novamente aos 35', em finalização de Younes, para fora.

Colega de Ziyech no Ajax durante a temporada passada, Boer pôde brincar após o jogo. Afinal, pegou pênalti (Reprodução/FOX Sports)

Os "Dedos Azuis" voltaram até mais ativos no segundo tempo. Logo aos 46', Saymak cruzou da esquerda, e Piotr Parzyszek completou por cima. Depois, aos 61', quem chegou perto do empate foi Dirk Marcellis, cabeceando para fora. O Ajax só tentara algo aos 53', quando Ziyech arriscou de fora, forçando Boer a espalmar a bola, que saiu pela linha de fundo. Para reavivar a velocidade do ataque vista no primeiro tempo, Marcel Keizer mudou o time aos 63', com as entradas de Frenkie de Jong e Justin Kluivert, nos lugares respectivos de Dolberg e David Neres. E não demorou muito para que Kluivert mostrasse utilidade: chegou com a bola pela direita, e foi derrubado por Bram van Polen na área. Serdar Gözübüyük marcou o pênalti, e Ziyech foi cobrar, aos 66'. Boer provocou antes (fez até sinal de uma cavadinha, como se soubesse que o camisa 10 do Ajax poderia tentá-la) e comemorou depois: Ziyech bateu fraco, no canto direito, e o goleiro do Zwolle defendeu o penal.

Porém, nem houve tempo para drama: logo o Ajax definiu a parada a seu favor, com o 2 a 0 aos 71'. E com os mesmos protagonistas da jogada do pênalti: após lançamento de Younes, que acelerou contra-ataque, Huntelaar dominou, e passou a Kluivert na área. O camisa 45 cruzou, e Ziyech veio livre para escorar na segunda trave e marcar o segundo gol. Mesmo com mais tentativas esparsas aqui e ali (para o Zwolle, aos 77', Ehizibue mandou para a área, e Marcellis completou de primeira, para fora), o jogo estava ganho. E o 3 a 0, aos 88', foi só uma nota adicional. Ziyech lançou Frenkie de Jong com perfeição. Ao camisa 21, livre da linha de impedimento, só restava cruzar para o meio da área - e para Huntelaar, ficou a tarefa ainda mais fácil de completar para o gol vazio, marcando pela terceira vez nesta temporada e confirmando a vitória que indicou no 4-2-4 um caminho tático possível para o Ajax.

No fim do primeiro tempo, Castaignos começou a construir a categórica vitória do Vitesse (Den Breejen/VI Images)

Excelsior 0x3 Vitesse (sábado, 9 de setembro)

Até que as coisas estavam equilibradas em Roterdã, durante o primeiro tempo. O Excelsior começou melhor - destaque para uma tentativa de Zakaria El Azzouzi, que parou na rede pelo lado de fora -, mas aos poucos o Vitesse foi se impondo, durante os 45 minutos iniciais. E os visitantes de Arnhem conseguiram o 1 a 0 num dos melhores momentos possíveis para isso: o último lance antes do intervalo. Alexander Büttner cobrou escanteio, o goleiro Ögmundur Kristinsson (estreando no Excelsior, substituto de Alessandro Damen, com séria lesão no joelho) saiu mal do gol, e Luc Castaignos conferiu de cabeça para seu primeiro gol pelo Vites.

No segundo tempo, antes que os Kralingers decidissem reagir em casa, o Vites fez 2 a 0 com um pênalti, aos 53': Büttner foi derrubado por Jeffry Fortes, Bas Nijhuis apitou a penalidade máxima, e Tim Matavz bateu para marcar seu quarto gol em quatro rodadas (só dois jogadores tinham feito algo assim em suas primeiras partidas pelo Vitesse). O Excelsior só se reanimou no ataque graças à chance incrivelmente perdida por El Azzouzi, que chutou para fora com o gol vazio, aos 63'. Mas foram os visitantes que marcaram no jogo. E que gol foi o terceiro, aos 74': de fora da área, Bryan Linssen arriscou e se deu bem, mandando a bola no ângulo de Kristinsson e fazendo um dos mais belos gols da rodada. Além de confirmar a vitória que mantém o ótimo começo do Vitesse na Eredivisie.

Zoet voa para tentar agarrar o chute de Zeneli. Sem sucesso: o Heerenveen começava a vencer o PSV (ANP/Pro Shots)

Heerenveen 2x0 PSV (domingo, 10 de setembro)

Com suas boas atuações pela seleção holandesa sub-21, Bart Ramselaar ganhou a vaga de Gastón Pereiro no time titular do PSV. E a equipe de Eindhoven foi à província da Frísia tentar continuar ao lado do Feyenoord como único time 100% no campeonato. Bastaram apenas seis minutos para tudo isso cair por terra, com o Heerenveen abrindo 2 a 0 freneticamente. O primeiro gol veio aos 4'. De fora da área, Arber Zeneli estava sozinho, com a bola, e decidiu arriscar o chute. Felicidade do atacante kosovar: a bola alta saiu fora do alcance de Jeroen Zoet, e bateu no travessão antes de entrar, para o 1 a 0 repentino do Heerenveen, praticamente mudando o destino do jogo. Aos 6', Denzel Dumfries recebeu a bola em profundidade, apareceu pela direita, driblou Kenneth Paal, cruzou, e Reza "Gucci" Ghoochannejhad desviou na pequena área para o 2 a 0 que jogou mais sal na ferida dos Eindhovenaren.

Com tamanho impacto, os Boeren só trouxeram algum perigo a partir dos 10 minutos - no caso, quando Santiago Arias arriscou, e a bola passou rente à trave direita de Martin Hansen (estreante no gol, após ser contratado no último dia de janela). A pressão dos Eindhovenaren foi aumentando: aos 18', em rápida triangulação, Hirving Lozano deixou a bola com Steven Bergwijn. Na meia-lua, o ponta passou a Jürgen Locadia, que apareceu pela direita e arrematou em diagonal, para fora, perto do gol defendido por Hansen. No minuto seguinte, Lozano tentou outra finalização, também pela linha de fundo. Porém, comandado por um Stijn Schaars onipresente no meio-campo, o Heerenveen mostrava rapidez e habilidade nas chances. Aos 21', Zeneli passou como quis por Derrick Luckassen, chegou à grande área, e tocou para fora na saída de Zoet, em outra grande chance. E aos 26', Schaars recebeu de Yuki Kobayashi, batendo para fora.

O PSV reapareceria aos 35', quando Locadia superou a marcação de Kik Pierie, e mesmo sem muito ângulo, arriscou, forçando a defesa de Hansen. Mas qualquer esperança de reação dos visitantes se esboroou aos 37': segundos após reclamar de falta não dada pelo juiz Kevin Blom, Lozano selou seu destino na partida: irritado, foi com os dois pés para cima de Dumfries numa dividida, e levou diretamente o cartão vermelho. Decisão até polêmica (o próprio Schaars disse que o atacante mexicano não merecia a expulsão), mas o fato era que, com dez homens em campo, uma reação do PSV ficava cada vez mais difícil. Os mandantes da Frísia quase fizeram o terceiro gol aos 44': Dumfries fez a jogada pela direita e passou a Martin Odegaard. O camisa 10 norueguês se virou e arrematou colocado, e Zoet espalmou para escanteio.

"Gucci" Ghoochannejhad fez o segundo gol com um PSV ainda aturdido (Dean Mouhtaropoulos/Getty Images)

No segundo tempo, o domínio do Heerenveen continuou tranquilo. Aos 55', "Gucci" tabelou com Odegaard, e finalizou da entrada da área, por cima do gol. O atacante dinamarquês apareceu de novo aos 59', em cobrança de falta que mandou a esférica perto da meta. Na sequência, uma troca de passes terminou com Zeneli cruzando para interceptação salvadora de Nicolas Isimat-Mirin, na pequena área. O PSV até tentou algo aos 62'. Luuk de Jong, que acabara de substituir Ramselaar, quase surpreendeu: o camisa 9 cabeceou forte, para boa defesa de Hansen. Mas logo no contra-ataque que se seguiu, o Heerenveen só não fez o terceiro gol porque a bola passou rápida demais por Morten Thorsby, que estava na pequena área.

A chance que o Fean esperava para resolver de vez o jogo surgiu aos 74': escanteio cobrado, Isimat-Mirin agarrou Daniel Hoegh, e Kevin Blom marcou o pênalti. Porém, ninguém contava com o erro de Reza: o atacante iraniano cobrou e Zoet segurou a barra do PSV, indo para o canto direito e rebatendo o penal. Sem problemas: nada ameaçaria mais a surpreendente (mas justa) vitória do time da Frísia. Enquanto isso, os Eindhovenaren tinham uma péssima surpresa. E isso, na rodada anterior ao clássico contra o Feyenoord, no próximo domingo...

Sendo abraçado ao abrir o placar, Helmer justificou a aposta para substituir o lesionado Alireza (ANP/Pro Shots)

AZ 2x1 NAC Breda (domingo, 10 de setembro)

Jogando em casa, o AZ estava desfalcado justamente de um dos seus destaques na temporada: Alireza Jahanbakhsh, vitimado por problemas na virilha. Seu substituto foi o jovem (20 anos) Jeremy Helmer - que até criou boas chances, como aos 22', fazendo trabalhar no gol do NAC Breda o estreante australiano Mark Birighitti. Só que os visitantes aurinegros também deram o que fazer à defesa do time de Alkmaar - e terminaram melhores o primeiro tempo, culminando numa jogada em que Manu García chutou a bola na rede pelo lado de fora, aos 44'. As vaias da torcida da casa deixavam claro: o AZ precisaria melhorar nos 45 minutos finais.

Não só melhorou, como também abriu o placar com rapidez. Aos 55', Helmer brilhou: com um chute colocado, fez 1 a 0 e justificou sua escolha para substituir Alireza. Mais três minutos, e o jogo estava encaminhado: Joris van Overeem cruzou para Guus Til cabecear e marcar o segundo dos Alkmaarders. Houve tempo ainda para um susto do NAC, aos 84': Ron Vlaar agarrou Thierry Ambrose na área, e Ed Janssen deu o pênalti - Ambrose até desperdiçou a cobrança, mas Giovanni Korte estava a postos para aproveitar o rebote e fazer o gol de honra. Mas ficou mais uma derrota para um NAC que ainda sofre com certos azares: mesmo com apenas um ponto em quatro jogos, sempre se mostra lutador. E o AZ se mantém perto das primeiras posições.

Com dois minutos de jogo, Van de Streek já fazia 1 a 0, prometendo goleada do Utrecht. Ficou só no 2 a 0, mas tudo bem (ANP/Pro Shots)

Utrecht 2x0 Roda JC (domingo, 10 de setembro)

O Roda JC já tivera sorte há duas semanas, na terceira rodada: perdera por apenas 2 a 0 contra o PSV, quando poderia ter sido facilmente goleado. Sorte que se repetiu contra o Utrecht. Porque, com apenas dois minutos (precisamente falando, um minuto e 19 segundos), os Utregs já balançavam as redes: após rápida troca de passes, Zakaria Labyad deixou Sander van de Streek na cara do gol, e o volante tocou na saída do goleiro Hidde Jurjus para o 1 a 0. Mais alguns segundos, e Cyriel Dessers quase fez mais um, forçando boa defesa de Jurjus. Ainda no primeiro tempo, Labyad mandou a esférica no travessão. Era 1 a 0 - e estava pouco, diante de um Roda desalentado.

Imponente na troca de passes, o Utrecht só não finalizava com eficiência. Era melhor do que os Koempels visitantes, mas convinha marcar mais um gol. Este veio, enfim, aos 58': Dessers ajeitou perto da área, e Labyad bateu com precisão para o 2 a 0 que manteve a boa campanha dos Utregs, após a derrota para o Groningen. Dava para ter sido mais - Jean-Christophe Bahebeck e Willem Janssen ainda perderam chances -, todavia não houve do que reclamar. Já o Roda JC, ainda sem pontos ganhos, se vê mais uma vez com a disputa para sair das últimas posições como objetivo primordial da temporada.

Brogno de costas, Goodwin de frente: ambos apareceram no gol da vitória do Sparta (ANP/Pro Shots)

Sparta Rotterdam 1x0 Twente (domingo, 10 de setembro)

Depois da honrosa atuação na temporada passada, o Twente esperava continuar seguro na Eredivisie, com um bom começo. Já não vinha conseguindo isso, com três derrotas em três jogos. E nem mesmo os estreantes Thomas Lam (meio-campo) e Luciano Slagveer (ataque) melhoraram a situação dos Tukkers. Dominante em campo, o Sparta fez 1 a 0 aos 18 minutos: Loris Brogno cruzou para Craig Goodwin fazer um belo gol, de voleio. Antes mesmo do gol, Brogno já tentara algo, aos 6'.

No segundo tempo, quem mais apareceu pelos Spartanen foi Robert Mühren. O atacante emprestado pelo Zulte Waregem belga esteve perto do gol aos 73', ao ficar livre com a bola após lançamento de Stijn Spierings, mas chutou e a bola resvalou no travessão. Mühren novamente fracassou ao tentar o gol aos 80', mas os Kasteelheren conseguiram a primeira vitória na temporada. Já o Twente, além de seguir sem ponto algum, amargou uma péssima marca: somando-se às três derrotas nas últimas rodadas de 2016/17, o time de Enschede está perdendo há sete jogos, o que não ocorria desde 1966.

O Groningen teve chances e mais chances para ampliar a vantagem que tinha. Não ampliou. Nwakali puniu no fim, com o empate do VVV-Venlo (ANP/Pro Shots)

Groningen 1x1 VVV-Venlo (domingo, 10 de setembro)

Pode-se dizer que o Groningen provou do próprio veneno no fechamento da 4ª rodada. Há duas semanas, os Groningers seguraram o Utrecht com eficiência nos contra-ataques - e uma estupenda atuação de Sergio Padt, no gol. Neste domingo, também em casa, a equipe alviverde começou fazendo o gol: aos 15', o lateral Django Warmerdam cruzou, e após leve desvio, Mimoun Mahi concluiu para o 1 a 0. O VVV-Venlo só foi dar sinal de vida a partir de meia hora de bola rolando, com oportunidades criadas por Lennart Thy e Torino Hunte - nesta, aos 32', Hunte perdeu o gol cara a cara com Padt.

A chance definitiva para o Groningen confirmar seu triunfo surgiu no segundo tempo, logo aos 48': Lars Veldwijk foi puxado pelo zagueiro Jerold Promes, e o juiz Allard Lindhout apontou para a marca da cal. Pênalti que Mahi cobrou... e o goleiro Lars Unnerstall defendeu. Mahi reapareceu aos 62', batendo no travessão - e Jesper Drost mandou a sobra fora. E quem não fez, tomou: nos acréscimos, aos 90' + 1, Kelechi Nwakali empatou de cabeça. Uma igualdade valiosa para a boa campanha que fazem os Venlonaren - e decepcionante para o time do norte holandês, que foi melhor o tempo todo, mas saiu de campo vaiado. Com certa justiça.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Poucas esperanças


A seleção holandesa sub-21 atual tem a pesada função de dar alguma esperança de renovação. E começou mal (Pro Shots)

Que a seleção principal da Holanda vive uma crise, isso o leitor já sabe há muito tempo. E ela teve nova prova incontestável na semana passada, com as rodadas das Eliminatórias da Copa de 2018. Se a seleção da França ainda tem muito o que provar, também (algo indicado pelo empate relativamente vexatório com Luxemburgo – que teve um destaque em Gerson Rodrigues, que atua no Telstar, da segunda divisão holandesa), foi incontestável o 4 a 0 dos Bleus na Oranje, quinta-feira retrasada. E ninguém, torcida ou imprensa, se deixou levar excessivamente pelos 3 a 1 sobre a Bulgária, que manteve as esperanças remotas de ir à repescagem da qualificação europeia. Com o cenário desalentador na equipe adulta, a equipe laranja sub-21 vira esperança de dias melhores. Mas mesmo essa esperança também caiu, com o mau começo holandês nas eliminatórias da Euro sub-21.

Pois é: na equipe adulta, o que se vê são más atuações de um time que se divide entre veteranos e novatos. Os de mais idade ora se esforçam e mostram que têm algo a dar (Arjen Robben), ora têm dificuldades para encontrar ritmo (Wesley Sneijder foi tão lento contra a França que tornou inevitável sua ida para o banco contra a Bulgária; Robin van Persie entrou para jogar contra os franceses, lesionou o joelho e foi cortado). Já os novatos têm desempenhos altamente irregulares, entre o promissor – Davy Pröpper, contra a Bulgária – e o preocupante – Wesley Hoedt, contra a França. E assim, à beira de ficar fora da Copa, já começa o discurso: “Daqui a pouco a Holanda reage, daqui a pouco os garotos crescem e ganham experiência”.

Por isso, merecia alguma atenção a seleção sub-21 que também atuou nas datas Fifa. Tanto por alguns jogadores que até já estiveram na equipe principal (caso do meio-campista Bart Ramselaar), como pelo fato dela começar a disputar a qualificação para a Euro da categoria. E tendo um desafio respeitável no grupo 4, com apenas uma vaga direta para a edição de 2019, na Itália: a seleção da Inglaterra, semifinalista da Euro sub-21 realizada há dois meses - e reforçada por muita gente campeã mundial sub-20, como bem apontou Art Langeler, técnico da Jong Oranje (a “Laranja Jovem”).

Estreando na sexta passada, em Doetinchem, justamente contra a Inglaterra, a equipe treinada por Langeler teve desempenho até elogiável. Foi ofensiva e veloz no primeiro tempo contra os Young Lions – e também insegura defensivamente, como mostrou o contragolpe sofrido que levou ao gol de Dominic Calvert-Lewin para os ingleses, aos 20 minutos do primeiro tempo. Pelo menos, a velocidade continuou, e a troca de passes levou ao gol de Ramselaar para o empate, ainda aos 32 minutos, na etapa inicial. Continuando com uma atuação promissora, não faltou quem visse um consolo para as mazelas da equipe de cima no 1 a 1 dos jovens. Sensação fortalecida pelas palavras de Art Langeler: “Mostramos que a Holanda realmente tem muitos talentos, e que podemos disputar seriamente [a vaga]”.

Pois se a Holanda principal recuperou-se ligeiramente no domingo passado, foi a vez da Jong Oranje dar motivos para preocupação, na terça. Contra a Escócia, fora de casa, foi insegura defensivamente, sem conseguir a rapidez ofensiva da estreia. Segurou-se quanto foi possível, mas terminou sofrendo o 2 a 0 – para piorar, com o segundo gol escocês, de Stevie Mallan, mostrando falha do zagueiro Pablo Rosario, do PSV. Resultado: queda para a penúltima posição na chave, com apenas um ponto.

Derrota da Jong Oranje na semifinal da Euro sub-21 de 2013 já foi dura. Mas diante do que se vê agora, é honrosa (ANP)
Obviamente, há muito tempo para a seleção sub-21 se recuperar. Mas caso isso não ocorra, será mais um sinal preocupante para o futebol holandês. Não que apenas títulos sejam importantes para equipes jovens, mas participar do Europeu da categoria sempre é um sinal de que a reposição de veteranos será feita. E das Euros sub-21 da atual década, a Holanda participou da fase final apenas em 2013. Pior: dos titulares daquela campanha elogiável (queda para a Itália, nas semifinais), apenas Kevin Strootman e Stefan de Vrij são titulares absolutos na equipe adulta – Jeroen Zoet e Bruno Martins Indi até aparecem nas convocações, mas não conseguem uma sequência de atuações entre os titulares.

A preocupação só aumenta ao lembrar de eliminações anteriores da seleção holandesa, nas eliminatórias da Euro sub-21 – com regulamento diferente e apenas oito equipes na fase final, a Jong Oranje terminava liderando seus grupos, mas decepcionava na repescagem que definia os classificados. Para 2011, com Tim Krul, Luuk de Jong e Bas Dost titulares, queda para a Ucrânia onde jogava Yevhen Konoplyanka (derrota por 3 a 1 na ida, em casa, e vitória insuficiente por 2 a 0 na volta). Na edição retrasada, de 2015, mesmo com jogadores experientes (Terence Kongolo, Jetro Willems, Wout Weghorst), as atuações péssimas da defesa colocaram tudo a perder na repescagem de qualificação contra Portugal, futuro vice-campeão da categoria, contando com gente como Renato Sanches e Bernardo Silva (2 a 0 sofridos na ida, incrível derrota por 5 a 4 na volta).

E agora, este mau começo nas eliminatórias. Que ainda pode ser consertado. Há apostas: Ramselaar, Justin Kluivert, Steven Bergwijn, o atacante Gervane Kastaneer, até mesmo gente que pode se alternar entre seleção principal e sub-21 - como Timothy Fosu-Mensah, até chamado por Art Langeler antes da “promoção” às pressas na convocação de Dick Advocaat. Mas um novo fracasso diminuirá ainda mais as esperanças, mostrando que não bastará a confiança de que a nova geração um dia explodirá para o biênio 2020/2022. E só ampliará o desalento que vive o futebol holandês, em relação às suas seleções.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 8 de setembro de 2017)

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Top 10: holandeses na Serie A

Quando éramos reis: o domínio do trio Gullit-Van Basten-Rijkaard no Milan simbolizou grande momento do futebol holandês (AP)
Em fevereiro deste 2017, o autor deste Espreme a Laranja teve a honra de colaborar para uma verdadeira referência: o então Quattro Tratti, hoje Calciopédia, site em português sobre futebol italiano. E se o tema do texto laranja foi uma descrição da decepcionante passagem de Edwin van der Sar pela Juventus, entre 1999 e 2001, hoje o tema é azul - ou melhor, "azzurro": o blog reproduz na íntegra um texto de Caio Dellagiustina para o Calciopédia, publicado em setembro de 2014, com a relação dos dez holandeses de maior destaque na história do Campeonato Italiano. É o início de uma série sobre holandeses em outros campeonatos conhecidos da Europa. Confira - e aproveite para entrar no sempre recomendável Calciopédia!

Por Caio Dellagiustina

Laranja e azul são cores complementares, dizem os artistas e designers mundo afora. Ao todo 43 jogadores holandeses jogaram na Itália – hoje, sete holandeses atuam na Serie A, com destaque para Kevin Strootman, Nigel de Jong, Stefan de Vrij e Urby Emanuelson. Antes deles, porém, alguns marcaram época e viraram até referência de uma época. Foi o que aconteceu com Marco van Basten, Frank Rijkaard e Ruus Gullit, que formaram o “Milan dos holandeses”, no final dos anos 1980 e início dos anos 1990.Os holandeses começaram a marcar presença na Itália a partir do fim da década de 1940. O primeiro deles, Faas Wilkes, fez sucesso (e consta na nossa listagem) e abriu as portas para outros. No entanto, seus compatriotas começaram a ser vistos com frequência em campos da Bota a partir da década de 1980, logo após o final da “Geração Total” e com o sucesso dos jogadores campeões europeus de 1988.

Grandes jogadores, alguns até os maiores da história da seleção laranja, já desfilaram seu talento por palcos italianos. De Van Basten a Seedorf, de Wilkes a Sneijder, muitos foram os talentos. Se azul e laranja se complementam, no entanto, no que diz respeito ao futebol, o laranja da Holanda nem sempre se deu bem com o azul da Itália. Muitos dos jogadores laranjas chegaram com muitas expectativas, mas não renderam o que deles se esperava e fracassaram. Casos como os de Michael Reiziger e Patrick Kluivert, que não deram certo no Milan, simbolizam o fato de que mesmo bons jogadores da Oranje não conseguiram se firmar na Serie A e tiveram vida curta na Itália – isso sem falar em outros fracassos, como Andy van der Meyde, Klaas-Jan Huntelaar e Maarten Stekelenburg. Até mesmo Johan Cruyff, o maior jogador holandês da história, fracassou no Belpaese. No final da carreira, foi avaliado em um jogo-teste com o Milan, teve atuação horrorosa, foi vaiado pela torcida e nem foi contratado.

Os fracassos tinham diversas razões. Boa parte deles, por uma característica negativa de muitos jogadores holandeses: a de se lesionarem muitas vezes. Foi o que aconteceu com Marciano Vink, fera do Elifoot 98. O atacante de origem surinamesa atuou apenas 13 vezes no Genoa, por exemplo.Outros, por sua vez, não fracassaram, mas tiveram passagem discreta, como Edwin van der Sar, Wim Jonk e Mark van Bommel. Até mesmo aqueles que aparecem nesse Top 10 tiveram momentos bem ruins ou pouco brilhantes na Itália. São os casos de Edgar Davids, em suas passagens por Milan e Inter, ou Dennis Bergkamp, que criou expectativas em sua chegada à Inter, mas foi tornar-se ídolo no Arsenal. Para montar as listas, o Calciopédia levou em consideração a importância de determinado jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe, desempenho por seleções nacionais e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Além do “top 10”, com detalhes sobre os jogadores, suas conquistas e motivos que os credenciam a figurar em nossa listagem, damos espaço para mais alguns jogadores de destaque. Quem não atingiu o índice necessário para entrar no top 10 é mostrado no ranking a seguir.

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período na Itália. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores no período em questão.

Top 20 Holandeses na Itália
11º - Jaap Stam; 12º - Bryan Roy; 13º - Nigel de Jong; 14º - Edwin van der Sar; 15º - Kevin Strootman, 16º - Wim Jonk; 17º - Mark van Bommel; 18º - Patrick Kluivert; 19º - John van ‘t Schip; 20º - Wim Kieft.

Bergkamp até ganhou Copa da UEFA pela Inter, mas não deixou em Milão tantas saudades quanto no Arsenal (Bob Thomas/Getty Images)

10º – Dennis Bergkamp

Posição: atacante
Clube em que atuou: Internazionale (1993 a 1995)
Títulos conquistados: 1 Copa da UEFA (1993/94)
Prêmios individuais: Bola de Bronze na disputa de melhor
jogador do ano (1993) e artilheiro da Copa da Uefa (1993/94)

Após ser destaque no Ajax, Bergkamp teve propostas de vários times da Europa, como Real Madrid e Barcelona, mas acabou escolhendo a Inter, por querer jogar na Itália, “a maior liga” da época, segundo o holandês. Chegou juntamente com um compatriota, o meia Wim Jonk, também do Ajax. Porém, demorou a se acertar. Foram seis meses sem marcar e alguns problemas físicos, mas conseguiu ajudar a equipe a conquistar a Copa da Uefa, coroando-o como artilheiro da competição, com oito gols em onze partidas.

Mesmo com o título e o prêmio de goleador, Bergkamp não conseguiu engrenar. Seu estilo de dribles curtos e chutes de média distância não encaixou no futebol italiano e o holandês acabou cedido ao Arsenal, onde jogou por onze anos, até encerrar a carreira – curiosamente, Jonk também deixou a Inter na mesma época, transferindo-se ao PSV. Na Itália, deixou apenas 22 gols e modestas 72 aparições com a camisa nerazzurra, além de conflitos com colegas de equipe e imprensa, e uma homenagem. O prêmio “Burro da Semana”, oferecido ao pior jogador da rodada acabou se tornando “Bergkamp da Semana”. Nos Gunners, se tornou um dos maiores jogadores da história do futebol inglês, contrariando àqueles que não esperaram pelo seu sucesso na Itália.

Winter viveu relação de amor e ódio na Lazio, e encontrou a paz na Inter (inter.it)
9º – Aron Winter

Posição: meio-campista
Clubes em que atuou: Lazio (1992 a 1996) e Internazionale (1996 a 1999)
Títulos conquistados: 1 Copa da UEFA (1997/98)
Prêmios individuais: nenhum

Winter viveu uma relação de amor e ódio com a Lazio, mais especificamente com sua torcida. Desde sua chegada, teve muito medo, pois sofreu com atos racistas quase constantemente – Winter é negro e judeu, algo que não foi aceito pela ala mais conservadora da torcida da Lazio. Mesmo com a contrariedade de setores da torcida biancoceleste, foi titular por quatro anos. Seu chute potente e sua força física lhe rendeu espaço nos times de Dino Zoff e Zdenek Zeman. Marcou 21 gols em sua passagem por Roma.

Após o período na capital, trocou a Lazio pela Inter, onde foi de vilão a herói. Disputou duas finais de Copa da Uefa seguidas. Na primeira a Beneamata foi derrotada pelo Schalke 04 com Winter errando o pênalti decisivo. No ano seguinte, foi um dos pilares da equipe campeã, vencendo a Lazio na decisão. Em Milão, Winter jogou de forma mais recuada em relação aos tempos de laziale e marcou apenas uma vez vestindo nerazzurro. Em 1999, retornou para a Holanda, onde voltou a jogar no mesmo Ajax que o projetou.

Dá para cravar: antes de Maradona, Krol foi o mais conhecido nome da história do Napoli (spazionapoli.it)

8º – Ruud Krol

Posição: lateral esquerdo e zagueiro
Clube em que atuou: Napoli (1980 a 1984)
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: Guerin d’Oro (1981)

Após dois vices-campeonatos mundiais com a Holanda e a conquista da soberania europeia com o Ajax (vencendo duas Copas dos Campeões contra times italianos, Inter e Juventus, respectivamente), Ruud Krol chegou ao Napoli após uma passagem um tanto quanto frustrada pelo ainda amador futebol canadense. Já em fase final de carreira, o polivalente defensor foi líder de uma equipe sem tanto destaque.

Na equipe partenopea, comandava a defesa e se arriscava com qualidade ao ataque, jogando como líbero, apesar de lateral esquerdo de origem. Nos 107 jogos, no período de 1980 a 1984, fez apenas um gol, contra o Brescia, em sua primeira temporada, levando o clube à terceira colocação da Serie A. Mas, deixou na lembrança da torcida um futebol elegante e envolvente, sendo considerado um dos mais importantes jogadores do Napoli. Sua saída abriu espaço para um certo Diego Maradona.

Faas Wilkes teve de escolher entre clube italiano e seleção holandesa. Ficou com a Inter (alchetron.com)


7º – Faas Wilkes

Posição: meio-campista
Clubes em que atuou: Internazionale (1949 a 1952) e Torino (1952 e 1953)
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

Um dos melhores jogadores da década de 1950, Faas Wilkes ganhou destaque por sua habilidade e por seus movimentos extravagantes. Foi apelidado de Mona Lisa de Rotterdam, devido a seus dribles, que lembravam uma obra de arte. Wilkes começou no pequeno Xerxes, de sua terra natal, e aos 26 anos – ainda não como profissional e após ter sua transferência para o Milan vetada pela federação holandesa – chegou à Inter, onde atuou durante três anos e conquistou os torcedores nerazzurri, mesmo não vencendo nenhum título. Conhecido por ser o popular “fominha” e com ares galanteadores – para alguns, o Cristiano Ronaldo da época –, marcou 47 gols em 95 jogos, sendo lembrado até hoje no Giuseppe Meazza. Transferiu-se para o Torino, onde, por conta de uma série lesão, não teve o mesmo desempenho, marcando apenas um gol em 12 jogos.

Após um ano no Piemonte, mudou-se para a Espanha, para atuar no Valencia, e ser considerado um dos três melhores estrangeiros do país, ao lado de Di Stefano e Kubala. Foi o ídolo e inspiração do grande jogador holandês de todos os tempos, Johan Cruyff. Até hoje, com 35 gols em 38 jogos, é o quarto maior artilheiro da seleção holandesa, atrás de Van Persie, Kluivert e Bergkamp.

Davids ensaiou um fracasso no Milan. Mas na Juventus, tornou-se um dos grandes volantes de seu tempo (Reuters)

6º – Edgar Davids

Posição: volante
Clubes em que atuou: Milan (1996 e 1997), Juventus (1997 a 2004) e Inter (2004 e 2005)
Títulos conquistados: 3 Campeonatos Italianos (1997/98, 2001/02 e 2002/03); 1 Copa da Itália (2004/05), 2 Supercopas da Itália (2001/02 e 2002/03) e 1 Copa Intertoto (1999)
Prêmios individuais: Integrante da equipe de melhores na Copa de 1998 e na Euro 2000

Após despontar no Ajax, na geração campeã europeia na década de 1990, Davids foi contratado pelo Milan, a custo zero. Ficou quase um ano e meio em Milão e não deixou saudades. Transferiu-se para a Juventus – para ser o primeiro holandês da equipe –, onde comprovou tudo o que dele se esperava. Em Turim, apesar de ter ficado um ano parado por doping, se transformou em peça fundamental do meio campo, com seu futebol agressivo, implacável, mas de muita qualidade. Chamado de "Pitbull", pelo seu poder de marcação, roubadas de bola e muitas faltas, Davids também era um volante técnico, que se aventurava pelo ataque e caía pelo lado esquerdo, ajudando a armar jogadas.

Davids foi pilar das principais conquistas juventinas enquanto lá esteve, ao lado de Antonio Conte, Didier Deschamps, Zinedine Zidane, Pavel Nedved, Alessandro del Piero e David Trezeguet. O "Pitbull" perdeu espaço na Juve quando se desentendeu com o treinador Marcello Lippi e foi cedido, por empréstimo, para o Barcelona. Menos de seis meses depois voltava à Itália, dessa vez para jogar na Inter, que comprou seu passe. Tornou-se, assim, um dos 10 jogadores na história a terem vestido as camisas dos três gigantes italianos. Mas, novamente em Milão, teve atuações a serem esquecidas e, ao final da temporada, foi cedido gratuitamente ao Tottenham e encerrou seu ciclo na Itália.

Quando era um dos melhores jogadores do mundo, Sneijder estava na Internazionale (US Presswire)

5º – Wesley Sneijder

Posição: meio-campista
Clube em que atuou: Inter (2009 a 2013)
Títulos conquistados: Campeonato Italiano (2009/10); 2 Copas da Itália (2009/10 e 2010/11), 1 Supercopa da Itália (2010), Liga dos Campeões (2009/10) e Mundial de Clubes (2010)
Prêmios individuais: Bola de Prata da Copa do Mundo (2010), artilheiro da Copa do Mundo (2010), Jogador do ano para a UEFA (2009/10), Meio-campista do ano na seleção da UEFA (2009/10), e Integrante da Seleção da Copa do Mundo (2010), da equipe do ano da UEFA (2009/10), da seleção do Campeonato Italiano (2009/10) e da FIFPro (2009/10).

Sem muito destaque no Real Madrid com as chegadas de Kaká e Cristiano Ronaldo, Sneijder trocou os merengues pela Inter de Milão, a fim de retomar o bom momento na carreira e ser o cara da equipe de José Mourinho. E em sua primeira temporada carregou a Inter até o título europeu, que não vinha desde 1965, levando o prêmio de melhor jogador da competição. Ao lado de Milito, foi o jogador mais decisivo na campanha da Tríplice Coroa nerazzurra – feito inédito entre clubes italianos e ainda não igualado. Durante a temporada, teve como pontos altos as boas partidas nos dois dérbis de Milão, um gol decisivo sobre o CSKA Moscou nas quartas de final da LC, um gol e uma assistência na partida mais lembrada pelo torcedor azul e preto na história recente (o 3 a 1 na ida das semifinais, contra o Barcelona), e também uma assistência na final, contra o Bayern de Munique.

Manteve o bom desempenho durante a Copa do Mundo, comandando a Holanda com cinco gols até a final, quando a Oranje foi derrotada pela Espanha. Para muitos, mereceria o prêmio de melhor jogador do mundo, mas acabou em terceiro, atrás de Messi, Xaxi e Iniesta. Venceu tudo o que podia, com exceção da Supercopa da Europa, mas teve sua relação com o clube desgastada a partir de 2012, quando o clube queria que ele reduzisse o salário para renovar seu contrato. Afastado do time por questões disciplinares e pelos problemas contratuais, ficou sem jogar do final de setembro do mesmo ano ao final de janeiro de 2013. Especulado em outros gigantes, acabou preferindo o Galatasaray, mas até hoje faz falta ao meio campo da Inter um cérebro como o do ex-camisa 10. Até a chegada de Hernanes, a Inter também sofreu com a falta de um batedor de faltas do seu nível. Ao todo, Wes vestiu a camisa da Beneamata em 116 oportunidades e marcou 22 gols.

Seedorf viveu mais uma história de recuperação: ruim na Inter, virou antológico no Milan (AP)


Posição: meio-campista
Clubes em que atuou: Sampdoria (1995 e 1996), Inter (2000 a 2002) e Milan (2002 a 2012)
Títulos conquistados: 2 Campeonatos Italianos (2003/04 e 2010/11); 1 Copa da Itália (2002/03), 2 Supercopas da Itália (2004 e 2011), 2 Ligas dos Campeões (2002/03 e 2006/07), 2 Supercopas Europeias (2003 e 2007) e 1 Mundial de Clubes (2007)
Prêmios individuais: Melhor meia-direita e melhor jogador do Campeonato Italiano (2003/04); Melhor meio-campista da Liga dos Campeões (2002/03 e 2006/07), Melhor meio-campista da Europa (2007), Bola de Prata do Mundial de Clubes (2007) e Integrante do Dream Team do Campeonato Italiano, da Liga dos Campeões e da lista Fifa 100.

Após destaque no brilhante time do Ajax no início dos anos 1990, Seedorf iniciou sua trajetória na Itália atuando pela Sampdoria. Depois de apenas um ano nos Blucerchiati, chamou a atenção do Real Madrid, clube pelo qual atuou durante quatro anos antes de retornar à Bota, para jogar na Inter. Com a credencial de meia habilidoso, que armava com precisão, marcava com qualidade e ainda tinha um excelente chute de longa distância, não embalou na equipe nerazzurra, visto que era utilizado como meia aberto pela direita – apesar de atuar em todas as posições do meio-campo, Seedorf sempre se saiu melhor atuando centralizado. Acabou sendo trocado por Francesco Coco, com o rival Milan, em um dos piores negócios da história da Inter.

No lado rossonero de Milão, Seedorf viveu seu melhor momento na carreira, destacando-se na Itália e na Europa, formando o meio-campo ao lado de Andrea Pirlo, Gennaro Gattuso e Kaká durante vários anos, conquistando especialmente a Liga dos Campeões, com propriedades. A conquista da orelhuda também o consagrou como um dos únicos jogadores que venceu a competição por três clubes diferentes. Em um time que teve alguns holandeses como grandes craques, Seedorf não fez feio – muito pelo contrário – e se tornou um dos maiores jogadores da história recente do Diavolo. Em dez anos de clube, disputou 432 partidas pelo clube, superando o mito Liedholm como o estrangeiro com mais partidas vestindo vermelho e preto. Dois anos depois de deixar o clube, largou o Botafogo prestes a disputar a Copa Libertadores e sua carreira como jogador para se tornar técnico do Milan. Porém, sofreu com a impaciência de Silvio Berlusconi e foi demitido menos de seis meses depois.

A força física se aliava à qualidade técnica. E Gullit brilhou no Milan (acmilan.it)

3º – Ruud Gullit

Posição: atacante
Clubes em que atuou: Milan (1987 a 1993 e 1994) e Sampdoria (1993 e 1994 e 1994 a 1995).
Títulos conquistados: 3 Campeonatos Italianos (1987/88, 1991/92 e 1992/93), 3 Supercopas da Itália (1988,  1992 e 1994), Copa da Itália (1993/94), 2 Copas dos Campeões (1988/89 e 1989/90), 2 Supercopas Europeias (1989 e 1990), 2 Mundiais Interclubes (1989 e 1990) e 1 Eurocopa (1988)
Prêmios individuais: Esportista Holandês do ano (1987), Bola de Ouro para a revista France Football (1987), Bola de Prata para a revista France Football (1988), Jogador do ano da World Soccer Magazine (1987 e 1989), 3º Melhor jogador do ano da IFFHS (1988 e 1989) e inserido na lista Fifa 100 (2004)

Um dos maiores jogadores holandeses da história, Gullit desembarcou em Milão no auge de sua carreira, com um valor recorde em transferências do Milan, no ano em que venceria o prêmio de melhor jogador do mundo. Versátil, formou o trio de ataque – embora as vezes jogasse como meia – ao lado de seu conterrâneo Van Basten, também recém-chegado, e de Pietro Paolo Virdis. E já em sua primeira temporada ajudou o rossonero a destronar o Napoli de Diego Maradona e ficar com o título italiano. Gullit ajudou com muita técnica com a bola nos pés, habilidade e nove gols marcados. Logo depois, capitaneou a Holanda de Rinus Michels no título europeu e fez um dos gols na final contra a União Soviética.

Multicampeão e adorado pela torcida, que praticava a “Gullitmania”, usando perucas rastafári como o cabelo do ídolo (foto), perdeu espaço e foi emprestado à Sampdoria. Com o título da Copa da Itália, destaque e artilharia no time de Sven-Göran Eriksson, retornou ao Milan, mas pouco jogou. Voltou à Samp ainda na metade da temporada, mas já não parecia tão empolgado com a vida e o assédio na Bota e escolheu a Inglaterra para jogar seus últimos anos como atleta profissional.

Quando jogava pelo Milan, Rijkaard parecia cobrir todos os cantos do campo: volante ou meio-campista (Leo Vogelzang)


Posição: meio-campista
Clube em que atuou: Milan (1988 a 1993)
Títulos conquistados: 2 Campeonatos Italianos (1991/92 e 1992/93), 2 Supercopas da Itália (1988 e 1992), 2 Copas dos Campeões (1988/89 e 1989/90), 2 Supercopas Europeias (1989 e 1990), 2 Mundiais Interclubes (1989 e 1990) e 1 Eurocopa (1988)
Prêmios individuais: Bola de Bronze para a revista France Football (1988 e 1989), melhor estrangeiro do Campeonato Italiano (1991/92), melhor jogador do Campeonato Italiano (1991/92) e inserido na lista Fifa 100 (2004)

Último do histórico trio holandês a chegar e o primeiro a sair. Porém a participação de Rijkaard no Milan é tão lembrada quanto de seus conterrâneos com a camisa rossonera. Vencedor dos principais títulos dessa geração, Rijkaard foi um dos pilares do meio-campo – mesmo com o início como zagueiro – tanto do Milan quanto da seleção holandesa. Após ser revelado pela famosa escola do Ajax e passar rapidamente por Sporting e Zaragoza, a chegada ao Milan reergueu seu futebol e fez dele um dos melhores jogadores da Europa.

Atuou durante cinco temporadas, jogando 201 vezes e marcando 26 gols. Comandou o meio-campo com marcação e movimentação e, sob o comando de Arrigo Sacchi, levantou a Copa dos Campeões de 1989 com propriedade, o que lhe proporcionou disputar o prêmio da Bola de Ouro da revista France Football, dominado pelo Milan – além de Rijkaard, Franco Baresi ficou em segundo e van Basten venceu. Em 1990, fez o gol do título da Copa dos Campeões sobre o Benfica. Rijkaard, aliás, encerrou esta temporada com chave de ouro e realizou a façanha de marcar gols em todas as finais disputadas pelos rossoneri. Nos dois anos seguintes, já sob o comando de Capello, faturou o Italiano, título que ainda não tinha. Após trocar o Milan pelo Ajax, onde se aposentaria, pregaria uma peça no antigo time: na final da Liga dos Campeões em 1995, deu assistência para Kluivert fazer o gol do título holandês sobre o Diavolo, no mesmo estádio em que marcara contra o Benfica, em Viena.

Van Basten quase alcançou a unanimidade no Milan: para a maioria, era o melhor atacante do mundo na época (Getty Images)


Posição: atacante
Clube em que atuou: Milan (1987 a 1995)
Títulos conquistados: 4 Campeonatos Italianos (1987/88, 1991/92, 1992/93 e 1993/94), 4 Supercopas da Itália (1988, 1992, 1993 e 1994), 3 Copas dos Campeões/Liga dos Campeões (1988/89, 1989/90 e 1993/94), 3 Supercopas Europeias (1989, 1990 e 1994), 2 Mundiais Interclubes (1989 e 1990) e 1 Eurocopa (1988)
Prêmios individuais: 3 Bolas de Ouro para a revista France Football (1988, 1989 e 1992), 1 vez melhor jogador do mundo para a FIFA (1992), artilheiro da Eurocopa (1988), artilheiro da Copa dos Campeões (1988/89), artilheiro do Campeonato Italiano (1989/90 e 1991/92) e inserido na lista Fifa 100 (2004)

Para muitos, o grande craque holandês depois de Johan Cruyff. Se Rijkaard e Gullit eram os príncipes laranjas, Marco van Basten era o rei. E o jogadoraço foi um dos personagens que conduziram o futebol holandês aos tempos áureos, após a década de 70. Fundamental no título europeu com a Oranje, em 1988, foi responsável também pelo reaparecimento do Milan no cenário italiano e europeu. Destinado a marcar gols e conquistar títulos, formou o trio holandês que deu suporte ao Milan durante o final da década de 1980 e o início da década de 90, ao lado de Gullit e Rijkaard. Gols, golaços, passes e dribles geniais. Marco van Basten era o melhor jogador do mundo à época, com sobras.

Nos oito anos de Milan, conquistou tudo, até mesmo o título intercontinental, inédito na história do Diavolo, e a Copa dos Campeões, que não vinha há 20 anos. Mas, em seu auge, uma lesão no tornozelo o obrigou a encerrar a carreira, ainda aos 28 anos – ainda que o anúncio definitivo tenha acontecido apenas dois anos após sua última partida, quando van Basten já tinha 30. Em sua despedida, fez até Capello se emocionar e deixou como grande lembrança as 201 aparições com a camisa rossonera e os 125 gols. E, até hoje, nenhum jogador holandês o superou em solo italiano.

domingo, 3 de setembro de 2017

Sobrevivendo no inferno

Robben foi um dos únicos a mostrar vontade, numa vitória insuficiente da Holanda (ANP/Pro Shots)

Depois da partida de quinta-feira revelar como a seleção da Holanda perdeu terreno no futebol europeu, graças aos 4 a 0 impostos pela França, a necessidade da Laranja nesta oitava rodada do grupo A das eliminatórias europeias para a Copa de 2018 era tão óbvia que é quase desnecessário citá-la: vencer a Bulgária. Pois bem, foi exatamente o que aconteceu, com os 3 a 1 vistos neste domingo, na Amsterdam Arena. O problema é que a Suécia também fez o óbvio: goleou Belarus fora de casa (4 a 0). E assim, seguem pequenas as chances da Holanda alcançar a repescagem para ainda tentar participar de um mundial pela 11ª vez.

Na entrevista coletiva dada no sábado, Dick Advocaat reconheceu a necessidade maior: "O jogo contra a França já foi. Precisamos de dedicação total contra a Bulgária. Precisamos vencer - e como isso será feito, não importa nada". Já na coletiva, o treinador antecipou algumas mudanças. Com a suspensão de Kevin Strootman, Tonny Vilhena já foi anunciado como titular no meio-campo. Recuperado das dores no joelho, Kenny Tete foi ocupar o lugar na lateral direita, como previsto. A surpresa veio pouco antes do jogo: Davy Pröpper receberia o voto de confiança como armador, enquanto Wesley Sneijder ia para o banco. À emissora pública NOS, Advocaat não fez rodeios: "Wesley não esteve na sua melhor forma contra a França. Então, é necessário tentar algo. Pröpper é bom com a bola nos pés, e se mexe mais. (...) Espero um time mais dinâmico, não podemos ficar tocando para lá e para cá".

Pelo menos no começo, deu muito certo. A Holanda mostrou mais velocidade pelas pontas - principalmente na esquerda, com Quincy Promes e Daley Blind aparecendo mais. E Pröpper justificou plenamente a aposta recebida, tentando não só criar, mas também aparecer na frente para a finalização. Símbolo disso tudo foi o primeiro gol, aos 7': Promes recebeu de Blind, tabelou com Vincent Janssen e cruzou para Pröpper finalizar na pequena área. Já significava algo: pelo menos, o desespero não seria tanto em busca do gol.

O que não quer dizer que a Oranje deslanchou a partir do 1 a 0. Longe disso. A Bulgária seguiu fechada em seu 4-1-4-1 (ou 4-4-2, quando não tinha a posse de bola), e a compactação impedia troca veloz de passes. Resultado: por várias vezes a bola tinha de ser recuada para Wesley Hoedt e Stefan de Vrij - e destes, até para Jasper Cillessen recomeçar as jogadas. Enquanto a Holanda atuava lentamente, a Suécia já encaminhava a vitória contra Belarus, fazendo 3 a 0 apenas na etapa inicial. E só para lembrar como a postura tática holandesa é deficiente, quase houve empate da Bulgária logo aos 17', quando Ivelin Popov cruzou e Georgi Kostadinov cabeceou na trave. Chance de gol para os holandeses? Só aos 34', quando Janssen enfim teve a bola nos pés, recuada por Pröpper, e arrematou rente à trave esquerda de Plamen Iliev. Ficava claro: a Holanda vencia, mas precisaria acelerar bem mais o jogo se quisesse diminuir a desvantagem no saldo de gols.

No segundo tempo, não só o marasmo seguiu, com a Holanda raramente achando espaços, como a Bulgária até começou a arriscar mais, com o espaço no meio-campo. Ainda assim, ficava demais depender apenas da dupla Popov-Kostadinov para fazer Cillessen trabalhar. Pelo lado laranja, de nada adiantava Janssen aparecer mais no jogo, se seus chutes invariavelmente saíam pela linha de fundo. Mais confiança mereciam Blind, Promes, Pröpper... e Robben. Três deles participaram da jogada do 2 a 0, aos 67': Promes passou, Blind cruzou, Robben escorou para fazer seu 34º gol pela seleção (sexto goleador na história, superando a marca dos 33, alcançada por Johan Cruyff e Abe Lenstra).

Novamente para lembrar a fragilidade crônica holandesa, a Bulgária diminuiu quase na sequência, quando Ivelin Popov cobrou falta e Kostadinov, quase imperceptivelmente, desviou a bola na área, fora do alcance de Cillessen - e sem marcação nenhuma. Tudo bem, a Holanda até merecia vencer - e assegurou os três pontos com o segundo gol de Pröpper, aos 80', de cabeça. Mas se sabia que era um triunfo com pouco significado. Primeiro, porque a goleada da Suécia ampliava a diferença no saldo de gols, primeiro critério de desempate nas eliminatórias da Copa (+11 para os suecos, +5 para os holandeses).

Em segundo lugar, porque a Oranje nunca deu a real impressão de que poderia golear os búlgaros - algo criticado pelo capitão Robben à NOS: "É necessário vencer, por muitos gols. Mas achei o time apático no segundo tempo. É necessário marcar. Há vontade, mas é necessário mais movimentação". Em terceiro lugar, porque algumas alterações pedidas não foram testadas, mesmo com a vitória garantida - como experimentar Bas Dost no lugar de Janssen.

E a única esperança holandesa é saber que ainda sobrevive ("Ainda estamos na briga", falou Robben; "Nada é impossível", apregoou Pröpper"). No entanto, o pessimismo é geral na Holanda: se o adversário da próxima rodada é Belarus, o da Suécia é Luxemburgo, que também oferece possibilidade de aumentar o saldo de gols. A Laranja sobrevive no inferno: segue em crise, longe de um lugar na Copa do Mundo. Nem mesmo o auxiliar técnico Ruud Gullit falando em "vitória fantástica", num vídeo que postou em seu perfil no Twitter, ilude mais.

Eliminatórias para a Copa de 2018 - Europa
Holanda 3x1 Bulgária
Data: 3 de setembro de 2017
Local: Amsterdam Arena (Amsterdã)
Juiz: Anastasios Sidiropoulos (Grécia)
Gols: Davy Pröpper, aos 7' e aos 80'; Arjen Robben, aos 67', Georgi Kostadinov, aos 69'

Holanda
Jasper Cillessen; Kenny Tete, Stefan de Vrij, Wesley Hoedt e Daley Blind; Georginio Wijnaldum e Tonny Vilhena; Arjen Robben, Davy Pröpper (Marco van Ginkel, aos 86') e Quincy Promes; Vincent Janssen. Técnico: Dick Advocaat

Bulgária
Plamen Iliev; Strahil Popov, Vasil Bozhikov, Georgi Terziev e Petar Zanev; Atanas Zehirov (Georgi Slavchev, aos 46'); Ivailo Chochev, Georgi Kostadinov, Aleksandar Tsvetkov (Simeon Slavchev, aos 24') e Stanislav Manolev (Andrei Galabinov, aos 60'); Ivelin Popov. Técnico: Petar Hubchev