sábado, 14 de outubro de 2017

Segura o Chucky

O PSV apostou alto para contratar Hirving Lozano. E o mexicano tem justificado plenamente (Maurice van Steen/VI Images)
Você está se aproximando dos 30 anos? Assistia ao “Piores clipes do mundo”, programa que o apresentador Marcos Mion popularizou na fase antiga da MTV brasileira, entre 2000 e 2002, espicaçando videoclipes pra lá de obscuros? Então talvez conheça uma das “vítimas” preferidas de Mion: “Segura o Chucky”, do duo Manymais, cujo refrão era “Alguém segura o Chucky, alguém amarra o Chucky/O boneco assassino ‘tá querendo me matar”. Bem, o mexicano Hirving Lozano talvez não seja tão perigoso quanto o personagem do cinema. Mas seu começo no PSV é tão fulgurante que o torna o grande protagonista da fase inicial do Campeonato Holandês.

Não é para menos. Apelidado “Chucky” pela imprensa de seu próprio país, exatamente por sua fisionomia evocar o brinquedo que protagoniza a série “Brinquedo Assassino”, Lozano foi responsável por seis gols nas seis partidas que fez pelo time de Eindhoven na Eredivisie, da qual já é um dos goleadores (junto de Steven Berghuis, do Feyenoord, e Wout Weghorst, do AZ). Mais do que isso: simboliza a reformulação inesperadamente exitosa feita por Phillip Cocu. Que resultou numa equipe que já ocupa a liderança do Campeonato Holandês – ainda que aos trancos e barrancos.

Por enquanto, Lozano vai pagando a aposta que o PSV fez nele. Aposta tão confiante que os Boeren mal pestanejaram: números não foram revelados, mas o mexicano foi contratado junto ao Pachuca, numa disputa com outros grandes clubes europeus, e assinou contrato para longos seis anos. De quebra, ambiente mais apropriado para despontar na Europa, “Chucky” não poderia encontrar: poucos times europeus têm mais tradição com mexicanos do que o PSV. Há pelo menos dez anos as equipes dos Eindhovenaren têm um compatriota fazendo sucesso: de Carlos Salcido a Francisco “Maza” Rodríguez, passando pelo destaque anterior, Andrés Guardado.

Lozano chegou ao PSV após ter disputado a Copa das Confederações pela seleção mexicana. E voltou das férias num ambiente que poderia ter estragado tudo: em meio à vexatória eliminação na terceira fase preliminar da Liga Europa, para o Osijek, da Croácia. Escalado imediatamente como titular na primeira rodada da Eredivisie, na ponta esquerda, contra o AZ, o camisa 11 já teria um respeitável desafio pela frente. Pois passou bem por ele. 

Na estreia pelo Campeonato Holandês, Lozano foi constante opção de desafogo das jogadas de ataque do PSV. Na primeira vez em que teve a bola nos pés, já teve espaço para seguir em velocidade e empatar um jogo que estava difícil. Minutos depois, ainda chutou a bola no travessão dos visitantes de Alkmaar. E se converteu num dos destaques da virada para 4 a 2 que diminuiu um pouco a crise que se avizinhava em Eindhoven, após a eliminação precoce que a deixou sem torneios continentais para jogar nesta temporada.

A velocidade de Lozano acabou oferecendo um caminho. E Phillip Cocu apostou nele para mudar a equipe. Sobrou para Luuk de Jong: após as más atuações contra o Osijek, foi para o banco e esteve a um passo de deixar o PSV (só não saiu porque o Bordeaux, à última hora, desistiu de negociação avançada). Seja como for, Luuk perdeu muito espaço nos Boeren – e quando o recuperou, começando como titular no clássico contra o Feyenoord, foi vitimado por um choque acidental numa dura dividida com Berghuis, na qual foi golpeado no peito pelo joelho do adversário, sofrendo lesões leves na região dos pulmões. Já retornou do retiro forçado, mas segue sem muitas chances de jogo.

Enquanto Luuk de Jong caiu, outros membros do PSV subiram de produção. Como Marco van Ginkel: em seu terceiro empréstimo do Chelsea, o meio-campista ficou com a braçadeira de capitão. E é titular absoluto: partindo do meio-campo para criar as jogadas e até finalizar, Van Ginkel é o coadjuvante perfeito para Lozano. Tanto que a dupla foi destaque em duas das goleadas que o líder da Eredivisie conseguiu até agora: o 4 a 1 fora de casa no NAC Breda, na segunda rodada, e outro 4 a 0, sobre o Roda JC, na rodada passada, há quase duas semanas.

Pela goleada mais extravagante – o 7 a 1 sobre o Utrecht, há duas rodadas -, foram responsáveis outros dois destaques nascentes no PSV. Enfim jogando na sua posição preferencial, como atacante no meio da área, Jürgen Locadia ganhou a preferência sobre Luuk de Jong. E a tem justificado: já são cinco gols em sete jogos, vivendo provavelmente a fase mais promissora da carreira (isso após quase ter se transferido para o Wolverhampton). Assim como Steven Bergwijn: o ponta-direita é um dos únicos jovens holandeses a merecer alguma atenção.

No entanto, o ocupante da outra ponta do PSV tem sido o destaque indubitável deste começo de Eredivisie: Lozano. Basta dizer que, ao marcar nas três primeiras rodadas, o mexicano igualou uma marca só conseguida antes por outro atacante que despontou em Eindhoven e hoje faz sucesso num campeonato maior da Europa: Dries Mertens. E só não marcou na quarta, talvez, por ter sido expulso na derrota por 2 a 0 para o Heerenveen, único revés do time nesta temporada.

Revés que, por sinal, mostrou algumas fragilidades da equipe. Assim como a atuação decepcionante no clássico contra o Feyenoord, quando até correu riscos de sofrer o empate, mesmo com um homem a mais. O miolo de zaga não tem oferecido muita resistência, com desconfianças sobre o nível técnico de Nicolas Isimat-Mirin e Daniel Schwaab. E a lateral esquerda ainda traz dúvidas. Contra o AZ, na estreia, Joshua Brenet (suposto ocupante, após a saída de Jetro Willems) foi tão mal que saiu no primeiro tempo, para a entrada de Kenneth Paal, vindo da base. Só nas últimas rodadas Brenet recupera a posição, aos poucos. Absolutos, só mesmo o goleiro Jeroen Zoet e o lateral direito Santiago Arias.

Ainda assim, com a reformulação continuando, o PSV consegue ser mais regular do que o Feyenoord e o Ajax. Por isso, lidera a Eredivisie. E também pelo promissor começo de Hirving Lozano. Que daria aos marcadores razão para cantarem, se português soubessem falar: “Alguém segura o Chucky, alguém amarra o Chucky/Cuidado com o boneco, ele pode te furar”.

Enfim, o sétimo gol

Em 16 de outubro de 2015, esta coluna comentou o vexame da Holanda nas Eliminatórias da Euro 2016. E terminou assim: “(...) A ausência da Euro 2016 não é o 7 a 1 holandês, ainda: o ‘sétimo gol’ seria ficar de fora da Copa de 2018. Mas a Holanda está, sim, perdendo de goleada. Um 6 a 0, digamos assim. E parafraseando o lema já histórico aqui no Brasil, 6 a 0 está sendo pouco”.

Pois bem: veio o “sétimo gol”. As razões para a crise do futebol holandês já foram tão debatidas aqui que citá-las novamente é ser repetitivo. Mas só fica um pensamento: é a oportunidade que falta para a Holanda se repensar. Ou então, viver do passado. E de um passado nem tão glorioso, já que só há a Euro 1988 na galeria de honra da KNVB.

(Coluna originalmente publicada pela Trivela, em 13 de outubro de 2017)

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Pelo menos isso

A tristeza em ficar fora da Copa foi indisfarçável. Mas pelo menos, a vitória e a atuação esforçada renderam respeito à Holanda (Pim Ras)

"Estas eliminatórias já estavam perdidas quando eu cheguei." Por essa frase de Dick Advocaat à NOS, emissora pública holandesa de tevê, já se nota como era baixa a autoconfiança da seleção da Holanda, antes da partida decisiva contra a Suécia, pela última rodada das Eliminatórias da Copa de 2018. Também não havia muita crença da capacidade da Laranja em vencer os suecos por sete gols de diferença. De fato, a Holanda não passou do sonho. E está fora de uma Copa do Mundo, após 16 anos. Se serve de consolo, pelo menos não terminou a qualificação com derrota, como para a Euro 2016. Ao contrário: a atuação na vitória por 2 a 0 mostrou esforço. E se houve um grande responsável por isso, foi Arjen Robben. Que parecia saber do caráter agridoce do jogo, ao lacrimejar durante o hino holandês.

Jogo começado, duas impressões vieram. A primeira era positiva: as mudanças na escalação que começou o jogo ajudaram a Holanda a mostrar mais ofensividade - tanto nas mudanças pelas laterais (Kenny Tete começou o jogo na direita; Nathan Aké, na esquerda), quanto no início de Daley Blind como volante, qualificando a saída de bola. Mas a segunda impressão neutralizava os efeitos da primeira: o começo de jogo deu a impressão de que a Holanda repetiria a irritante rotina vista nestas Eliminatórias. Contra uma Suécia tranquila e bem postada defensivamente, fechando-se num 4-4-2 sem a bola, restava apenas trocar passes no campo de defesa.

Até Robben começar a aparecer. Não só na direita, o seu setor preferencial, mas também vindo para o meio-campo, buscando jogo, chamando a responsabilidade. Assim, aos poucos, a Laranja foi encurralando a Suécia. Como aos 8', quando Robben puxou a bola para a esquerda, serviu a Aké, e o lateral cruzou para Granqvist tirar de cabeça. Aos 9', o camisa 11 protagonizou a primeira chance, com sua jogada habitual: dominou pela direita, cortou e chutou, mas o goleiro Robin Olsen defendeu sem problemas. Depois, aos 12', Robben perdeu mais uma boa chance, numa jogada atribulada. Aké cruzou, Jakob Johansson tirou da área, mas Tete ainda pegou a sobra e cruzou para o capitão da Oranje tentar o cabeceio, mandando a bola por cima do gol.

Junto de Robben, outros começavam a aparecer. Como Ryan Babel, que fez o que pôde pela esquerda, com jogadas individuais elogiáveis. Junto do apenas esforçado Vincent Janssen, ele provocou a jogada do pênalti que deu o primeiro gol à Holanda: Janssen desviou a bola tentando fazê-la alcançar Babel, e Victor Lindelöf tocou com a mão. Nada absurdo, mas o juiz Sergei Karasev julgou pênalti, apitou. E Robben arriscou uma cavadinha. Saiu mal feita, mas foi suficiente para o 1 a 0 que aumentou as esperanças.

Aliás, a vantagem aumentou também o volume ofensivo holandês, com o segundo gol quase vindo aos 20', num belo lançamento de Blind, do meio-campo, agarrado por Olsen antes que Babel pudesse finalizar. Aos 26', outra boa chance, numa cobrança de falta ensaiada: Robben tocou a Blind, recebeu de volta e lançou Wijnaldum, que só não fez pelo desvio providencial de Sebastian Larsson. E aos 31', em outra falta, Babel mandou a esférica rente à trave esquerda de Olsen.

A garra de Arjen Robben foi inspiradora. E fechou com dignidade seu tempo na seleção (Getty Images)

Avançando mais, obviamente a Holanda cedia espaços. E a traiçoeira Suécia quase os aproveitou duas vezes, graças a Marcus Berg. Aos 20' Larsson manda para a área em cobrança de falta, e Berg cabeceou para Jasper Cillessen defender. O goleiro holandês voltou a aparecer bem aos 35', ao defender outra testada perigosa de Berg (e ainda atrapalhado por Aké, diga-se). Mas o que impressionava era a velocidade e o esforço holandeses em busca do gol. Que quase veio aos 37', em chance perdida por Tete (Aké fez boa jogada pela esquerda, passou a Babel, o atacante cruzou para o lateral tocar por cima, livre na segunda trave). E aos 39', em sequência de duas defesas de Olsen (primeiro em arremate de Babel, depois no rebote de Janssen). Finalmente, aos 40', Robben reapareceu, com o segundo gol. Ou melhor, golaço: de primeira, da meia-lua, aproveitando passe de Babel.

Uma chance de Vincent Janssen, aos 43', simbolizava o único momento em que a Holanda ousou sonhar que a façanha era possível. Mas o placar, frio, estampava apenas 2 a 0. No segundo tempo, para aumentar a pressão e a referência na área, Bas Dost substituiu Janssen. Porém, não demorou muito para se ver que a pressão do primeiro tempo não se repetiria. A velocidade e o entusiasmo haviam ficado no primeiro tempo. Dost não conseguia finalizar - embora os cruzamentos se avolumassem, como aos 48' e aos 50'. Houve exceção aos 53', em boa triangulação de Vilhena com Babel e Aké, cujo cruzamento só foi afastado por Larsson. Mas as bolas altas só serviram para "consagrar" Olsen, que fez boas defesas aos 58 - desviando providencialmente cruzamento de Tete - e no minuto seguinte, em voleio de Wijnaldum.

Davy Klaassen e Janmaat ainda entraram, para que o toque de bola no meio-campo e os cruzamentos fossem fortalecidos. Mas já estava claro que o sonho dos sete gols estava encerrado. E nem a Suécia estava interessada em avançar - só teve uma chance real, em chute de Emil Forsberg após bola roubada de Blind por Marcus Berg, aos 70'. A oportunidade derradeira para aumentar a honra veio aos 87'. De Robben, como sói acontecer: recebendo de Janmaat e batendo para nova defesa de Olsen.

Nisso, a torcida já apenas gritava "Arjen, bedankt" (Arjen, obrigado), ao ver o esforço de um esfalfado e claudicante Robben. Que era quem mais merecia uma despedida com honra. Afinal de contas, como já se desconfiava, era o último dos 96 jogos que o nativo de Bedum fez pela seleção - terminado com 37 gols, como quarto maior goleador da história da seleção, empatado com Dennis Bergkamp. A dor ficou clara nas palavras do capitão, cumprimentado calorosamente por todos após o apito final: "Não dependia de mim, eu sabia que poderia ser a última [partida]. Foi lindo, mas foi difícil". Aliás, a dor foi tão grande quanto o bom humor: "E o 'Homem de Vidro' foi quem mais durou...".

Restava apenas a gratidão. E a consciência de que a Holanda está diante de um duro caminho para tentar ganhar o respeito de tempos idos. Algo expresso nas palavras também tristes de Bas Dost: "Não quero falar muito. Estou envergonhado. É muito duro". E na serenidade de Babel ("A federação precisa fazer um plano melhor definido") e Blind ("Será um longo verão"). Pelo menos, desta vez, a despedida teve mais honra. Agora, é hora da Holanda ruminar suas dores.

Eliminatórias para a Copa de 2018 - Europa
Holanda 2x0 Suécia
Data: 10 de outubro de 2017
Local: Amsterdam Arena (Amsterdã)
Juiz: Sergei Karasev (Rússia)
Gols: Arjen Robben, aos 16' e aos 40'

Holanda
Jasper Cillessen; Kenny Tete (Daryl Janmaat, aos 71'), Virgil van Dijk, Karim Rekik e Nathan Aké; Georginio Wijnaldum (Davy Klaassen, aos 71'), Tonny Vilhena e Daley Blind; Arjen Robben, Vincent Janssen (Bas Dost, no intervalo) e Ryan Babel. Técnico: Dick Advocaat

Suécia
Robin Olsen; Mikael Lustig, Andreas Granqvist, Victor Lindelöf e Ludwig Augustinsson; Viktor Claesson (Gustav Svensson, aos 68'), Sebastian Larsson (Martin Olsson, aos 82'), Jakob Johansson e Emil Forsberg; Marcus Berg e Ola Toivonen (Isaac Kiese Thelin, aos 76'). Técnico: Janne Andersson

domingo, 8 de outubro de 2017

Só o imponderável salva

O que era melhor, para a Holanda: perder as chances contra Belarus ou vencer, como venceu, mas ter perspectivas remotíssimas de repescagem? (ANP/Pro Shots)

"Eles não vão ganhar de 8 a 0. Que pergunta estúpida! De 8 a 0? Não, não acredito." Assim Dick Advocaat reagiu à pergunta de um repórter, na entrevista coletiva da sexta passada, comentando sobre as perspectivas para o resultado de Suécia x Luxemburgo. Pois é: o destino encarregou-se de fazer o técnico da seleção holandesa pagar com a língua. Pior ainda foi ver que a Laranja repetiu, contra Belarus, os seus erros crônicos: desorganização defensiva e desespero na hora de atacar. Quase houve o vexame supremo: perder neste sábado mesmo as escassas chances de classificação à repescagem das Eliminatórias europeias para a Copa de 2018. No final, ainda veio a vitória por 3 a 1. Mas não se sabe se vencer, no caso, foi ainda pior, por manter na teoria possibilidades que ninguém acredita que a equipe laranja tem.

Desde o começo, era possível ver: na Borisov Arena, os anfitriões se defenderiam com meio-campo e defesa atuando bem próximos, e apenas dois jogadores na frente. O antídoto clássico contra a lentidão holandesa. Sem espaço para avançar, foi necessário começar a trocar passes no campo de defesa. Ou então, acionar as pontas. Como aos 2', quando Daley Blind veio pela esquerda, cruzou, sem a bola alcançar Davy Pröpper. Ou aos 7': Arjen Robben tentou iniciar triangulação com Pröpper, mas o meio-campista falhou ao tentar tocar de calcanhar. E aos 12', quando Ryan Babel (voluntarioso em sua volta) dominou pela esquerda, driblou Alexei Rios e cruzou, mas Ivan Maevski conseguiu afastar a bola.

Mesmo com uma Holanda vulnerável, Belarus sequer tentava qualquer coisa. Quando tentava, sequer trazia perigo. Aos 8', por exemplo Rios cobrou falta de longe, para ainda mais longe. No minuto seguinte, Aleksandr Karnitski recebeu na entrada da área, mas chutou fraco, e Jasper Cillessen agarrou. Porém, a Oranje também errava na marcação por zona: cada tímido avanço bielorrusso puxava todos os defensores para o lado em que a bola estava. Foi assim que as chances para os contra-ataques apareceram - como aos 17', quando o gol só foi impedido por erro de passe de Ihar Stasevich.

Surpreendido pela realidade, Advocaat é o único que ainda acredita (ANP/Pro Shots)

Ainda assim, mesmo lenta e cedendo espaços, a Holanda tinha algumas atuações esforçadas. Como a de Vincent Janssen, sacrificando-se para segurar a bola e abrir os espaços. A aposta nas laterais começava a render, como aos 21', quando houve enfim uma tentativa (Robben serviu a bola a Blind, que bateu de primeira, para fora, até perto do gol de Sergei Chernik). Aos 24', Robben serviu a Janssen, e o camisa 9 arriscou da entrada da área, no travessão de Chernik. Finalmente, aos 25', o gol que uniu os únicos holandeses mais próximos de serem chamados de "destaques": Babel cruzou da esquerda, Robben ajeitou de cabeça, e Pröpper completou para as redes.

Um gol impedido de Janssen, aos 28', fez crer que a Oranje enfim desencantaria. Não só não aconteceu, como Belarus é que se insinuou mais. Como aos 30', num cruzamento de Stasevich que Blind precisou afastar para escanteio. Ou no minuto seguinte, em cruzamento de Sergei Balanovich afastado por Karim Rekik, de cabeça. Ou ainda aos 32', em jogada individual de Stanislav Dragun. A Laranja só tentou algo aos 38', em chute de Tonny Vilhena, de longe: a bola quicou no gramado e quase engana Chernik, que espalmou. O goleiro bielorrusso ainda apareceu bem em sequência: aos 42', defendendo um chute de Janssen - sozinho na área -, e aos 44', afastando providencialmente cruzamento de Daryl Janmaat que tomou o caminho do gol.

Todavia, o entusiasmo incipiente dos bielorrussos seguiu no começo do segundo tempo. Cillessen enfim trabalhou sério aos 53', espalmando pela linha de fundo o arremate de Balanovich. Na sequência, Dragun veio pela esquerda, cruzou rasteiro, e a bola passou pela área sem ninguém chegar. Finalmente, aos 55', o gol que premiou o esforço dos mandantes: Maksim Volodko veio pela esquerda, recebeu a bola sozinho e chutou cruzado para o 1 a 1.

Robben batalhou, se esforçou, fez gol. Mas também jogou a toalha (Maurice van Steen/VI Images)

Só aí se viu o pior lado holandês: a falta de um plano B, de alternativas táticas relativa e minimamente organizadas. Tão logo veio o empate, Dick Advocaat colocou Bas Dost em campo, deixando a Oranje num espaçado 4-1-1-4: Georginio Wijnaldum marcava no meio, Pröpper criava as jogadas, e quatro atacantes (Robben, Dost, Janssen e Babel) tentavam completar os cruzamentos frequentes. De volta à defesa, Belarus conseguia segurar a Holanda com sua compactação - como aos 61', quando Robben fez sua jogada tradicional, mas o arremate parou no zagueiro Sergei Politevich. Ou aos 63', quando Pröpper arriscou e Chernik defendeu. Ao mesmo tempo, avançando mais, a Holanda deixava espaços para os contra-ataques. Quase aproveitados aos 64', num cruzamento de Nikolai Signevich, pela esquerda.

O ataque holandês foi reorganizado com a alteração seguinte, aos 68' (saída de Janssen, entrada de Memphis Depay, com Babel indo para o meio da área). Ainda assim, os cruzamentos pelas pontas não davam frutos. Nem as esparsas chances - como um chute de Dost aos 72', na rede pelo lado de fora. Estava cada vez mais próximo o vexame de perder as chances em Borisov mesmo. De todo modo, de tanto tentar, uma hora os holandeses conseguiram. Imediatamente depois de reclamarem pênalti (aos 83', após cruzamento de Janmaat, Dost tentou o cabeceio com Rios, e pediu mão na bola do lateral), o juiz Michael Oliver assentiu no escanteio subsequente: Dost foi puxado na área, Robben bateu e fez 2 a 1. Os bielorrussos foram à frente no abafa, quase conseguiram empatar ainda (houve até cabeceio para fora, aos 90'), mas a cobrança de falta precisa de Memphis Depay, aos 90' + 3, manteve o fio de esperança: vencer a Suécia, por sete gols de diferença, colocará a Holanda na repescagem. Diferença que a Holanda não obtém desde 2013, quando fez 8 a 1 na Hungria, pelas Eliminatórias da Copa de 2014.

E mesmo esse fio de esperança está tênue a ponto de ser rompido. Robben saiu de campo com esperanças perdidas, conforme lamentou à NOS: "Eu deixaria a calculadora em casa. Claro que se deve lutar até o último minuto, mas é preciso ser realista. Não direi o que todos esperam. Não temos chances". Babel, de volta, fez bem ao lembrar que a crise não começou ontem: "No momento, este é nosso nível. Que as coisas melhorem no futuro". O único a ainda manter algum tipo de otimismo é Advocaat, que aprendeu a lição: "É possível. Não é provável? Ora, o 8 a 0 da Suécia também não era provável...".

A verdade é que a Holanda vive, na prática, a situação expressa numa frase de Millôr Fernandes: "O desespero, eu aguento. O que me mata é essa esperança...". Talvez fosse melhor nem ter chances, do que ter a chance microscópica que resta para a última rodada, em Amsterdã, às 15h45 da próxima terça. Só o imponderável, esta entidade que às vezes aparece no futebol, salva a Laranja.

Eliminatórias para a Copa de 2018 - Europa
Belarus 1x3 Holanda
Data: 7 de outubro de 2017
Local: Borisov Arena (Borisov)
Juiz: Michael Oliver (Inglaterra)
Gols: Davy Pröpper, aos 25'; Maksim Volodko, aos 55', Arjen Robben, aos 84', e Memphis Depay, aos 90' + 3

Holanda
Jasper Cillessen; Daryl Janmaat, Virgil van Dijk, Karim Rekik e Daley Blind; Georginio Wijnaldum, Davy Pröpper (Davy Klaassen, aos 83') e Tonny Vilhena (Bas Dost, aos 56'); Arjen Robben, Vincent Janssen (Memphis Depay, aos 68'). Técnico: Dick Advocaat

Belarus
Sergei Chernik; Aleksei Rios, Sergei Politevich, Aleksei Yanushkevich e Maksim Volodko; Ivan Maevski e Stanislav Dragun; Igor Stasevich, Aleksandr Karnitski e Sergei Balanovich (Igor Burko, aos 76'); Nikolai Signevich (Anton Saroka, aos 87'). Técnico: Igor Kriuschenko

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Preparada para a decepção

Seleção holandesa ficou tranquila nos treinos antes de decidir a sorte nas Eliminatórias. Talvez seja a paz da descrença (Pim Ras Fotografie)
Diante da situação desesperadora que vive no grupo A das Eliminatórias europeias para a Copa de 2018, era de se esperar um ambiente de alta ansiedade envolvendo a seleção da Holanda, antes das duas últimas rodadas que reservam tarefas dificílimas. Afinal de contas, ou a Laranja vence Belarus (neste sábado, às 15h45, em Borisov) e Suécia (próxima terça, também às 15h45, na Amsterdam Arena) – e supera os suecos no saldo de gols -, ou estará fora de uma Copa do Mundo, após 16 anos. Porém, o que se vê é uma melancólica tranquilidade. Como se a Holanda já não tivesse mais chances. 

A começar pelo próprio técnico. Dick Advocaat, 70 anos completados no dia 27 de setembro, cedeu entrevista inesperadamente calma à revista Voetbal International. Certo, a conversa falava sobre toda a carreira de Advocaat. Ainda assim, eram de se esperar palavras mais nervosas. Que nada: o treinador comentou sobre seu futuro na carreira (“Se eu parar e ninguém mais me telefonar, ficarei tranquilo. Mas telefonarão de novo. Sempre telefonam. (...) Eu já posso me aposentar, mas primeiro quero levar a Oranje à Copa. Depois? Não sei.”). E como se já estivesse de carreira terminada, até comentou sobre um hipotético substituto - o próprio auxiliar: “Ruud Gullit seria um excelente técnico da seleção. Os holandeses esquecem o tamanho do símbolo que ele é”. 

Nem mesmo a convocação causou celeuma. Talvez porque nem haja muito o que questionar, entre caras conhecidas (Arjen Robben, Daley Blind) e nomes que começam a ganhar espaço definitivo para os próximos anos, como Wesley Hoedt, Tonny Vilhena e... Davy Pröpper. Após a boa atuação contra a Bulgária, na rodada passada das Eliminatórias, o meio-campista deverá ocupar o lugar de Wesley Sneijder entre os titulares. 

Eis uma surpresa implícita: por mais que a importância histórica de Sneijder seja indiscutível, ninguém lamentou excessivamente sua ausência na convocação. Justo. Afinal de contas, o meio-campista já perde espaço para Allan Saint-Maximin no Nice (na Liga Europa, sequer é relacionado para algumas partidas). Diante dos perigos que a Holanda corre, e dependendo do que acontecer, pode ser que os 45 minutos jogados contra a França tenham sido os últimos momentos de Sneijder com a camisa laranja, após 14 anos e 132 partidas.

Se a história de um símbolo da seleção holandesa pode ter acabado, a história de um veterano recomeçou graças a uma surpreendente convocação. Certo, convocação merecida: Ryan Babel tem mostrado ótimo desempenho neste começo de temporada, no Besiktas. Mas já não jogava pela Laranja desde 15 de novembro de 2011 (derrota para a Alemanha em amistoso, 3 a 0), quando o técnico ainda era Bert van Marwijk. Babel sequer foi convocado pelos sucessores. Até o bom começo no Besiktas – e a lesão de Quincy Promes, habitual relacionado, possibilitando o retorno de Babel à seleção. Retorno tão imprevisto que o próprio se surpreendeu: “Seis anos é um longo tempo. Achei que todos tinham se esquecido de mim”.

Robben segue imperturbável na confiança da virada laranja (Pieter Stam de Jonge/VI Images)
Os 25 convocados chegaram já com o discurso decorado – e sintetizado nas palavras do capitão Robben à NOS, emissora pública holandesa: “Só vencer dois jogos já é uma tarefa muito difícil. E também precisar vencer por uma diferença de gols dessa... Nunca se deve dizer ‘nunca’, mas é muito, muito difícil. Vai depender muito do que acontecer nos jogos do final de semana. A diferença de saldo está em +6 [a favor dos suecos], e não pode ser maior do que isso depois de sábado”.

Num ambiente com tal obrigação, era de se esperar a contenção de quaisquer prejuízos em potencial. Não aconteceu (afinal, é a Holanda). Já antes da convocação definitiva, o lesionado Stefan de Vrij pediu à dupla Advocaat-Gullit para ficar de fora da lista. Pedido atendido. Mas nem o técnico, nem o auxiliar contavam com o que veriam no domingo: De Vrij jogando 67 minutos pela Lazio, até marcando gol nos 6 a 1 sobre o Sassuolo, pelo Campeonato Italiano. 

Gullit obviamente estranhou, como comentou à mesa redonda Rondo, do canal a cabo Ziggo Sport: “Telefonaram para nós, o médico disse que ele não poderia jogar, e era essa a informação que tínhamos. Aí se vê a escalação, e o nome dele está lá. E você pensa: como assim? Falamos com o jogador, e ele comentou que pôde jogar, mas que não se sentia bem o bastante para atuar pela seleção”. Nenhuma briga aconteceu, e De Vrij engrossou a voz contra as suspeitas de que não quis jogar pela Oranje, falando à NOS: “Joguei 67 minutos, mas não foi sem dor. A cada passe que eu dava, sentia dores. É absoluta besteira [que eu não quisesse jogar pela seleção]”. Mesmo assim, ficaram as desconfianças.

Dentro de campo (com Virgil van Dijk convocado para a zaga), a coisa piorou com o mau desempenho holandês nos treinos de finalização. Além do mais, com uma lesão muscular, Kevin Strootman foi cortado na quarta passada. O que não quer dizer que o ambiente é caótico. É apenas... melancólico. Cercado de opiniões quase unânimes: a Holanda não estará na Copa de 2018. Foi o que afirmou Ruud Gullit, entre um treino e outro: “Temos jovens talentosos, mas eles vão cedo para a Europa e ficam no banco”. Foi também o que escreveu Willem van Hanegem, em sua coluna no diário Algemeen Dagblad: “Naturalmente, seria lindo se alcançássemos o Mundial da Rússia, mas não acontecerá. Temo que os jogos contra Belarus e Suécia sejam os últimos de Robben com a seleção”.

Pois o dono da braçadeira de capitão na Oranje talvez seja o único a não dar o braço a torcer. Robben segue com uma ambição notável, pelas declarações emocionadas dadas à Voetbal International: “Claro que penso até quando aguentarei continuar na seleção. Mas não revelarei publicamente o que penso. Até porque, para mim, não acabou. A curto prazo, penso no cenário mais positivo: que nos classifiquemos para a Copa. Quero estar lá. Os outros cenários não entram na minha cabeça. Estar numa Copa é lindo. E a Oranje me traz algo muito bonito. Não pode terminar assim”.

A revelação sobre as perspectivas que a Holanda ainda pode ter surgirá até antes da equipe entrar no gramado da Borisov Arena, contra os bielorrussos. Afinal, a Suécia jogará antes contra Luxemburgo, às 13h do sábado. Enquanto um importante jogador da seleção da camisa amarela protestou (“É incrivelmente estranho que os dois jogos importantes da rodada não sejam disputados simultaneamente”, lamentou Sebastian Larsson), Robben advertiu: “O resultado [da Suécia] poderá nos impulsionar, saberemos o que será esperado de nós”.

Por enquanto, o que é esperado da Holanda é a confirmação da crise no futebol do país. Até pela baixa expectativa, e pelos maus resultados, ninguém espera que a sorte ajude. Enfim: torcida e imprensa já estão preparadas para a previsível decepção de ficar fora da Copa. A ver se a atitude terá sido precipitada ou previdente.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 6 de outubro de 2017)

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

810 minuten: como foi a 7ª rodada da Eredivisie

Falta cobrada com precisão, Holla saiu para celebrar: Twente consegue a segunda vitória (fctwente.nl)
Twente 2x1 Heracles Almelo (sexta-feira, 29 de setembro)

No "dérbi do Twenthe" (região onde ficam as cidades dos dois clubes, Almelo e Enschede), o Twente comportou-se com a rapidez eficiente de uma equipe que sabe bem do que precisa - escapar do rebaixamento. Aos dois minutos de jogo, já fez 1 a 0. Haris Vuckic cruzou para a área, o goleiro Bram Castro deixou a bola escapar, e antes que Lerin Duarte evitasse, Fredrik Jensen correu para fazer a bola entrar, de carrinho. Todavia, o Heracles não desistiu: tentou o empate ainda no primeiro tempo, com uma finalização de Paul Gladon como o momento mais perigoso.

No começo do segundo tempo, aos 52', a pressão dos Heraclieden deu resultado, justamente com quem mais tinha tentado: Brahim Darri cruzou, e Gladon empatou o jogo de cabeça. Porém, uma das apostas do Twente deu a segunda vitória dos Tukkers na Eredivisie. Aos 76', Danny Holla (vindo do banco) cobrou falta com precisão, no ângulo, para o 2 a 1 dos mandantes em Enschede. Voltou a busca incessante dos rivais regionais pelo empate, nos últimos minutos. Mas, por fim, o Twente conseguiu a vitória.

"Tommie" Beugelsdijk já é ídolo da torcida no ADO Den Haag. Com o que fez contra o NAC Breda, ainda mais: num dos únicos avanços, fez o gol da vitória (ANP/Pro Shots)
NAC Breda 0x1 ADO Den Haag (sábado, 30 de setembro)

O NAC Breda tinha uma razão suficiente para entrar animado no gramado do Rat Verlegh: afinal, na rodada passada vencera nada menos que o atual campeão Feyenoord - sendo que era a segunda vitória consecutiva no campeonato. Assim, o time aurinegro pressionou o ADO Den Haag como pôde. E só não fez 1 a 0 aos 10' por puro azar, numa jogada inacreditável: Mounir El Allouchi bateu colocado, a bola ricocheteou na trave e no travessão, e a sobra ficou para Giovanni Korte, que... carimbou a trave que faltava! Depois, aos 19', James Horsfield tentou uma bicicleta, mandando a bola para defesa difícil de Robert Zwinkels. Enquanto o Den Haag só deu sinal de vida aos 41', com Lex Immers, os Bredanaren saíram para o intervalo lamentando não terem a vantagem merecida.

No segundo tempo, enquanto os visitantes de Haia precisaram mudar o ataque (Erik Falkenburg entrou no lugar de Bjorn Johnsen, com o nariz fraturado), o NAC Breda seguiu atacando. Aos 54', Thierry Ambrose quase fez 1 a 0, em bonita jogada individual. Depois, Korte voltou a ação, e Arno Verschueren teve também sua oportunidade para balançar as redes. Mas nenhum deles deu a vantagem que a "Pérola do Sul" merecia. E aí, o clichê que mais fundo de verdade tem no futebol reapareceu: quem não fez, tomou. E tomou no fim: aos 80', em cobrança de escanteio, Nasser El Khayati desviou, e Tom Beugelsdijk escorou para a vitória deliciosamente imerecida do ADO Den Haag.

Com belo chute, Ryan Thomas começou a virada do Zwolle contra o Groningen, numa partida movimentada (ANP/Pro Shots)
Zwolle 3x2 Groningen (sábado, 30 de setembro)

O Zwolle quis mostrar logo no começo porque merece respeito pelo começo promissor de campanha. Já aos 3', Stef Nijland forçou o goleiro Sergio Padt a fazer defesa difícil. Aos 6', a chance foi ainda mais perigosa: Youness Mokhtar bateu para Padt rebater com os pés, e na sobra aproveitada por Nijland, Ruben Yttegaard Jenssen tirou em cima da linha. Com tanta pressão dos Zwollenaren, quem abriu o placar? Isso mesmo: o Groningen - aos 15', o japonês Ritsu Doan chutou, a bola passou por baixo das pernas do zagueiro Dirk Marcellis e do goleiro Diederik Boer, e os visitantes tiveram o primeiro gol. A sorte dos "Dedos Azuis" é que o empate também foi rápido: aos 19', Nijland estava próximo para aproveitar um rebote de Padt e fez 1 a 1.

Após os movimentados 45 minutos iniciais, o segundo tempo ficou quente graças a um gol polêmico: aos 54', após escanteio, Tom van Weert cabeceou, e Boer defendeu - para o juiz Pol van Boekel, já depois da bola passar da linha. O Zwolle reclamou, mas como não havia tecnologia "hawk-eye" para sanar a dúvida, ficou o decidido por Van Boekel, e o Groningen fez 2 a 1. Mas a reação dos mandantes foi a melhor possível: virar o jogo. Logo aos 60', de novo um empate rápido: Ryan Thomas aproveitou escanteio ensaiado e chutou firme para empatar. Aos 87', o jogo ficou dramático: por um carrinho em Marcellis, por trás, Van Weert levou o vermelho. E o Zwolle chegou à virada nos acréscimos: aos 90' + 3, Mokhtar fez o gol que tornou o time da casa vencedor de um jogo acelerado.


Lozano sobe para fazer o terceiro gol: o jovem mexicano já desponta como um dos protagonistas do campeonato (Pro Shots)
PSV 4x0 Willem II (sábado, 30 de setembro)

Com tarjas pretas na camisa (pelo falecimento de Tjaarda Weber, ex-médico do clube), o PSV até começou tentando. Aos 4', aproveitando lançamento pelo alto, Jürgen Locadia dominou em posição legal. Porém, o atacante chutou para a defesa de Timon Wellenreuther. E o Willem II contra-atacou no minuto seguinte: em outra bola alta mandada para a área, Thom Haye superou a marcação de Daniel Schwaab, dominou na grande área pela esquerda e chutou cruzado. A bola passou por baixo de Jeroen Zoet, e os anfitriões só se salvaram porque Joshua Brenet tirou na pequena área. Aos 8', Haye arriscou de fora da área, e o chute mandou a bola relativamente perto do gol.

O time anfitrião só voltou a arriscar aos 9', quando Wellenreuther saiu bem do gol para espalmar cruzamento de Brenet. Aos 13', numa batida inofensiva de Santiago Arias. Aos 18': Locadia cabeceou para o goleiro alemão do Willem II encaixar a defesa. E aos 20', quando Arias alcançou a linha de fundo e cruzou para Steven Bergwijn concluir (a bola resvalou em Jordens Peters, saindo pela linha de fundo). No entanto, os visitantes de Tilburg conseguiam neutralizar as tentativas, jogando com a área protegida - cinco defensores e dois volantes - e truncando o jogo.

Uma nova jogada de perigo só aconteceu quando a estratégia do Willem II quase deu certo, aos 32'. Pela direita, Haye driblou Brenet, entrou na área e bateu colocado para o gol. Zoet rebateu, e Ben Rienstra desperdiçou a sobra: mandou uma chance valiosa por cima da meta. Aos 34', Haye reapareceu, cruzando da direita para o complemento de Etien Velikonja, facilmente defendido por Zoet. Já o PSV só voltou a fazer qualquer coisa a partir dos 37', em chute de Hirving Lozano facilmente defendido por Wellenreuther, após desvio num defensor. Depois, aos 38', em cruzamento de Arias, Locadia fez um "corta-luz" involuntário ao furar o chute, e a bola ficou à feição para Gastón Pereiro mandar perto do ângulo, à esquerda de Wellenreuther. Ainda assim, a torcida terminou vaiando em Eindhoven, e o primeiro tempo terminou num 0 a 0 sem graça. Ficava a pergunta: seria a vez dos Boeren fracassar em casa neste Campeonato Holandês?

Além de Lozano, Van Ginkel (direita) também apareceu de novo, para transformar uma atuação monótona em goleada (ANP/Pro Shots)
Lozano disse "não", tão logo o segundo tempo começou. Foi do mexicano o gol que abriu o placar, enfim: aos 49', após roubar a bola de Pedro Chirivella, Locadia fez o pivô, Bergwijn recebeu e já lançou em profundidade. Após leve desvio, a bola ficou à feição para que Lozano entrasse na área e tocasse na saída de Wellenreuther para o 1 a 0. E só para dar a certeza de que aqueles 45 minutos não seriam iguais àqueles que haviam passado, já veio o segundo gol, aos 55', em cobrança ensaiada de escanteio. Arias passou a Lozano, o camisa 11 mandou a bola para a área, Van Ginkel escorou na segunda trave, Pereiro entrou pelo meio da pequena área para finalizar livre.

Como se não bastasse, o terceiro gol demorou pouquíssimo, numa jogada com poucos toques. Aos 58', Arias mandou a bola para a área, Locadia escorou, Van Ginkel dominou e mandou da direita, e Lozano cabeceou no contrapé de Wellenreuther. Era a prova definitiva da importância de "Chucky" para os Boeren, atualmente: seis gols em seis jogos para o jovem mexicano, que já desponta como um candidato a nome desta Eredivisie.

O quarto gol já poderia ter vindo aos 60', em cabeceio de Pereiro que mandou a bola nas mãos do goleiro. Ou aos 20', quando o atacante uruguaio arrematou de fora da área, rente à trave direita, deixando o arqueiro do Willem II sem ação. Mas veio aos 70', num pênalti controverso. A bola sobrou na área após dividida na meia-lua, e Wellenreuther saiu do gol para defender. Locadia foi rápido, e arriscou um mergulho na área simultaneamente ao momento em que o goleiro alemão tirava a esférica da área. "Colou": o juiz Jeroen Manschot marcou o penal duvidoso (para ira dos jogadores do Willem II), deu cartão amarelo a Wellenreuther, e Marco van Ginkel bateu com tranquilidade - bola na direita, goleiro na esquerda - para definir a goleada que manteve o PSV na liderança da liga.

Leemans foi esperto, aproveitou a falha da defesa do Excelsior para fazer 1 a 0, e o VVV-Venlo seguiu o bom começo (ANP/Pro Shots)
Excelsior 0x2 VVV-Venlo (sábado, 30 de setembro)

A partida em Roterdã colocava frente a frente dois clubes elogiáveis. O Excelsior, por conseguir se manter na Eredivisie, mesmo com orçamento minúsculo e sempre sofrendo na fase final; o VVV-Venlo, pelo bom começo de temporada. Que foi comprovado pela superioridade dos visitantes, mesmo fora de casa. O primeiro gol poderia ter vindo num chute de Lennart Thy, logo aos dez minutos, já defendido pelo goleiro Ögmundur Kristinsson. Depois, aos 21', o próprio Thy passou a bola a Torino Hunte, que arrematou perto da meta.

Mas foi por um erro da defesa do Excelsior que o primeiro gol aconteceu, aos 32': Kristinsson foi tentar repor a bola rapidamente em jogo com Ryan Koolwijk. Saiu errado: passou nos pés de Clint Leemans, que mandou a esférica por cobertura para o 1 a 0 do VVV. Na etapa complementar, com Mike van Duinen, o Excelsior teve o ataque fortalecido, teoricamente. Na prática, não só o time de Venlo seguiu controlando o jogo, mas também fez 2 a 0, aos 70': Leemans cobrou falta mandando a bola na cabeça de Ralf Seuntjens, que mandou para as redes. E os Venlonaren saíram com mais motivos para elogio: chegaram ao quinto lugar, e ao quarto jogo de invencibilidade fora de casa.

Berghuis aponta para o céu. Ele é que mereceu ser apontado: foi o catalisador da atuação que levou o Feyenoord à goleada (EPA)
AZ 0x4 Feyenoord (domingo, 1º de outubro)

O Feyenoord chegou abatido para a 7ª rodada. Nem era para menos: não bastava a atuação cheia de falhas contra o Napoli, pela Liga dos Campeões, o Stadionclub vinha do vexame ainda dolorido contra o NAC Breda, na rodada anterior. E as lesões forçaram mais alterações entre os titulares: Jean-Paul Boëtius jogando no meio do ataque, enquanto Sam Larsson ocupou a ponta-esquerda. Na zaga, estavam Renato Tapia e Jeremiah "Jerry" St. Juste, substituindo os lesionados Eric Botteghin e Jan-Arie van der Heijden.

Também tendo o que melhorar (desperdiçara a chance de igualar o PSV na liderança, com a derrota para o Excelsior, o AZ começou mais vivo no gramado do AFAS Stadion. Mantendo a posse de bola, os mandantes de Alkmaar pressionavam. Tanto que Wout Weghorst chegou até a fazer um gol corretamente anulado, aos 8'. Porém, na primeira vez que o Stadionclub chegou em condições de fazer o gol, já o fez, aos 11'. E em rápida jogada: Sofyan Amrabat cobrou um lateral, Boëtius dominou a bola, passou-a a Tonny Vilhena, que já lançou a esférica para a área. Jens Toornstra ainda desviou com a coxa, e Steven Berghuis apareceu livre para tocar na saída do goleiro Marco Bizot. A bola bateu no travessão e quicou dentro do gol - Vilhena ainda chegou rápido para tocá-la de vez para dentro. De todo modo, Berghuis teve o gol confirmado para si.

O AZ quase virou sua sorte aos 13', em mais uma jogada rápida. Joris van Overeem lançou a bola em contra-ataque, Guus Til saiu da linha de impedimento e chegou livre à área. Na finalização, porém, o meio-campista tocou em cima de Brad Jones, que salvou com as pernas. Todavia, o 1 a 0 virou o jogo: o Feyenoord ganhou confiança e espaço para trocar mais passes. E a rapidez, somada à maior qualidade técnica do Stadionclub, rendeu o segundo gol, já aos 17'. Vilhena puxou a jogada no meio-campo, e passou a bola a Larsson. Mesmo com Boëtius e Berghuis à disposição para passar, o sueco seguiu e arriscou de fora da área. A trajetória da bola enganou Bizot, e ela balançou as redes no 2 a 0.

Larsson (à direita) diminuiu de vez o ânimo com que o AZ começara o jogo, ao fazer 2 a 0 (feyenoord.nl)
Alireza Jahanbakhsh ainda tentou aos 19' (chute que passou perto da meta de Jones), mas o Feyenoord tomara o controle do jogo para não mais perdê-lo. Ainda houve um susto aos 31': Weghorst aproveitou escanteio chutando na pequena área, e Amrabat tirou a bola em cima da linha. Mas a situação dos Alkmaarders ficou definitivamente precária aos 34': em dividida com Vilhena, Marko Vejinovic torceu o joelho direito. E não só deixou o jogo, substituído por Dabney dos Santos, mas também a temporada, revelado que foi o rompimento do ligamento cruzado anterior.

E uma falha defensiva dos anfitriões daria o terceiro gol aos Feyenoorders. Stijn Wuytens falhou na saída de bola, deixando-a nos pés de Berghuis. O ponta-direita não pestanejou: dominou, saiu da marcação de Wuytens e bateu com classe, no canto direito de Bizot, para o 3 a 0 - seu sexto gol no campeonato, unindo-se no topo da artilharia a Hirving Lozano (e mostrando como é importante ao time, no jogo seguinte à derrota para o NAC Breda, no qual não esteve, cumprindo suspensão).

Vitória encaminhada, no segundo tempo, nem o Feyenoord precisava se esforçar muito (só criou uma chance em cruzamento de Toornstra, aos 51'), nem o AZ conseguia fazer frente e acelerar o jogo para buscar o empate. Além do mais, deixava espaços para o contra-ataque. E foi numa ocasião assim que o time chegou ao quarto gol, aos 57'. Em ritmo de treino: Toornstra passou a Berghuis, o ponta cruzou da direita, a bola encontrou Vilhena na segunda trave, e o meio-campista concluiu o 4 a 0 que devolveu o atual campeão holandês à vice-liderança, minorando um pouco o abatimento. Mais chances vieram: aos 65', em chute colocado de Boëtius que passou perto, e no minuto seguinte, com Berghuis recebendo livre na área para fazer seu terceiro gol, mas tocando para fora. Pelo menos, já estava garantido o placar que recompôs um pouco da tranquilidade em Varkenoord.


Kerk (esquerda) e Büttner disputam a bola: Vitesse e Utrecht correram demais e jogaram "de menos" (ANP/Pro Shots)
Vitesse 1x1 Utrecht (domingo, 1º de outubro)

Dois dos melhores clubes "médios" do campeonato chegavam abatidos para o jogo. O Vitesse, pela derrota inapelável para o Nice na Liga Europa; o Utrecht, pior ainda, sentindo as dores do vexaminoso 7 a 1 sofrido em casa para o PSV, na rodada passada. E pelo que se viu no primeiro tempo em Arnhem, os impactos foram sérios: poucas jogadas ofensivas, quase nenhuma emoção. O "quase" vem porque, aos 4', as duas torcidas fizeram bonitas homenagens por ícones que já não estão mais visíveis. O Vitesse celebrou o ex-jogador e ex-técnico Theo Bos (1965-2013), que só trabalhou no clube; os torcedores do Utrecht gritaram para rememorar o meio-campista francês David di Tommaso (1983-2005), vitimado por um infarto enquanto dormia, quando era jogador dos Utregs.

No segundo tempo, as coisas foram mais animadas. O Utrecht deu a primeira estocada num chute de Rico Strieder, enquanto o Vitesse reagiu com Bryan Linssen, em desvio defendido pelo goleiro David Jensen. Trocando oportunidades aqui e ali, ambas as equipes aceleraram o ritmo, até que uma jogada de sorte rendeu o 1 a 0 aos visitantes: Zakaria Labyad completou cruzamento errado, Gyrano Kerk tentou consertar de calcanhar e apenas deixou a bola quicando, mas Cyriel Dessers deu o rumo certo a ela, aos 69'. Para sorte do Vitesse, um substituto mostrou valor dois minutos após entrar: aos 76', Mason Mount fez 1 a 1. No fim, Luc Castaignos ainda teve grande chance aos 80', mas o placar ficou mesmo num empate apagado. Pelo menos, o ponto ganho manteve o Vites na terceira posição.

David Neres chamou a responsabilidade. E tirou o Ajax do sufoco, abrindo caminho para a goleada (ajax.nl/Pro Shots)

Heerenveen 0x4 Ajax (domingo, 1º de outubro)

A pressão sob o técnico Marcel Keizer resumia-se a uma frase: ou ganhava do Heerenveen, ou a demissão poderia passar da ameaça para o fato. Seja como for, no campo, apenas uma mudança digna de nota na equipe: com Mitchell Dijks lesionado, Nick Vierever foi deslocado para a lateral esquerda, com a estreia do zagueiro austríaco Maximilian Wöber, 19 anos, entre os titulares. No mais, Klaas-Jan Huntelaar novamente levou a preferência no meio do ataque - assim como David Neres, escolhido ao invés de Justin Kluivert para a direita. O time da casa tinha um desfalque notável: sem Arber Zeneli, com o pé fraturado, o neozelandês Marco Rojas foi titular pela primeira vez. Mas com a torcida lotando o estádio Abe Lenstra e a boa campanha - era o único clube sem derrotas no campeonato quando o jogo começou -, o Fean começou pressionando com tudo, se aproveitando das desatenções ofensivas dos visitantes.

Aos 5', Martin Odegaard roubou bem a bola de Wöber, e só não finalizou porque Lasse Schöne apareceu na hora exata para o corte. O Ajax chegou pela primeira vez aos 9'. Bem, tentou, na verdade: da esquerda, Hakim Ziyech lançou a bola na área, mas o goleiro Martin Hansen estava atento e saiu para agarrar. Depois, voltou a pressão do time da Frísia. Aos 12', - Denzel Dumfries cruzou da direita, e Reza Ghoochannejhad cabeceou a bola rente à trave esquerda de André Onana. O juiz Serdar Gözübüyük já apontara impedimento, mas de todo modo, a jogada trouxera muito perigo à defesa Ajacied. E aos 15', a desatenção dos visitantes na defesa quase causaria coisa pior - e válida. David Neres dominou a bola no campo de defesa, e recuou a bola a Onana. Recuou curto demais, e Odegaard conseguiu dominar, ficando frente a frente com o goleiro camaronês. Que foi decisivo: fechou bem o ângulo e defendeu o chute.

Com a defesa bem fechada, o Heerenveen só deixava o Ajax com uma opção: tentar passes em profundidade, que quase sempre davam em impedimento. E seguia com mais chances ofensivas. Aos 21', Kik Pierie chutou do campo de defesa, e a bola alta se converteu num lançamento para Reza. Novamente, só um desarme preciso salvou o Ajax - agora, de Wöber, que tirou a bola do atacante iraniano do Heerenveen na hora certa. No minuto seguinte, Morten Thorsby cruzou da esquerda, e só o pé de Viergever impediu a chegada de Reza para finalizar. Estava claro: o Ajax precisaria de lampejos individuais para pensar no gol. Estes começaram a aparecer aos 28': David Neres inverteu o jogo com Ziyech. Já na área, o marroquino cortou para a direita e bateu para providencial defesa de Hansen. No minuto seguinte, o camisa 10 dos Godenzonen cobrou escanteio, que Wöber desviou para fora. E aos 31', Ziyech mandou a esférica perto do gol, em cobrança de falta.

Wöber estreou entre os titulares. E abrilhantou a atuação com o gol para fechar a vitória (Pro Shots)
O Heerenveen seguiu perdendo as chances. Aos 34', Odegaard cobrou falta mandando a bola para a área, Stijn Schaars ajeitou e Pierie concluiu em diagonal. A bola bateu na trave, sem chances para Onana, e a jogada só não seguiu porque Reza desviou na bola, em posição irregular. Mais um minuto, outra falta, Schaars cobrou, a bola passou da barreira e bateu de novo no poste esquerdo de Onana. Haveria motivos para lamentar tamanho azar. Até porque outro indivíduo começaria a decidir o jogo para os visitantes: David Neres, com sua velocidade. Aos 38', o brasileiro fez 1 a 0 para o Ajax: ajeitou a bola após lateral cobrado, tabelou com Huntelaar, recebeu de volta na área e tocou na saída de Hansen. Pouco? Pois bastaram mais três minutos para o paulistano se credenciar como o nome do jogo na Frísia, marcando o segundo gol, em jogada semelhante: tiro de meta cobrado por Onana, Huntelaar escorou de cabeça, David Neres dominou já na área, tocou por baixo de Hansen, 2 a 0.

Vendo a defesa mais ameaçada, o Heerenveen já teve uma substituição no começo do segundo tempo, com Nicolai Naess substituindo Pierie (que já tinha cartão amarelo). Aos 51', o Ajax mostrou que a preocupação tinha razão de ser aos 51', com outra grande chance. Amin Younes acelerou pela esquerda, cruzou, e Donny van de Beek escorou no travessão. Ziyech chutou a bola da sobra, mas David Neres caiu antes de chegar a ela, na pequena área. O brasileiro reclamou de pênalti, mas nada foi apitado. Os mandantes da Frísia deram sinal de vida aos 54': Veltman cometeu falta sobre Thorsby, na entrada da área. Mas Schaars cobrou em cima da barreira, e o Ajax continuou tranquilo. É verdade que os visitantes cometiam faltas que rendiam cartões amarelos e chances ao Fean - a melhor delas, aos 61', quando Onana teve de espalmar a bola forte vinda da falta de Yuki Kobayashi. Mas logo passou. E os visitantes voltaram a chegar, em contra-ataques. Como aos 64', quando Younes desviou cruzamento que passou rente à trave.

Mas a tranquilidade definitiva veio aos 75', com o terceiro gol. Em escanteio, Huntelaar foi agarrado por Lucas Woudenberg na área, o juiz deu o pênalti (justo), e Schöne converteu para o 3 a 0. O Heerenveen ainda deu leve susto aos 81', em voleio de Henk Veerman para fora. Mas o alívio transformou-se em goleada aos 83', quando Wöber coroou sua estreia entre os titulares, marcando o quarto gol (seu primeiro no Ajax) após um bate-rebate na área. Jogando com mais eficiência do que brilho, o Ajax conseguiu diminuir o calor da crise que vivia. Terá a pausa das datas FIFA para se pacificar.


Alívio: depois de seis rodadas, enfim o Roda JC saiu de campo com os três pontos na bagagem (ANP/Pro Shots)
Sparta Rotterdam 1x2 Roda JC (domingo, 1º de outubro)

Passadas seis rodadas, 17 das equipes da Eredivisie já haviam conseguido sair com a vitória pelo menos uma vez. Só faltava o Roda JC, lanterna da liga. Pelo começo da partida em Het Kasteel, o Sparta parecia capaz de novamente frustrar os visitantes de Kerkrade, tendo mais a bola. Aos 8', Thomas Verhaar fez o goleiro Hidde Jurjus trabalhar pela primeira vez. E aos 23', quase Ryan Sanusi colocou os mandantes na frente: após Ragnar Ache escorar de cabeça, o meio-campista completou para outra boa defesa de Jurjus. Mas justamente quando corria mais perigo, o Roda abriu o placar. Em cobrança de escanteio, aos 29', Adil Auassar cobrou, e Tsiy William Ndenge completou de cabeça para o 1 a 0 dos Koempels.

A empolgação rendeu logo o segundo gol, aos 35': após rápido passe, Dani Schahin saiu livre pelo meio da zaga e ampliou a vantagem dos visitantes aurinegros. No segundo tempo, atrás no placar, o Sparta teve o ataque fortalecido pela entrada de Loris Brogno, criando as jogadas. Já no final, aos 78', uma meia-bicicleta de Robert Mühren diminuiu a vantagem do Roda. Que temeu, mas se segurou e teve prêmio duplo: deixou a última posição da tabela ao Willem II e conquistou a primeira vitória. Só faltava o Roda. Não falta mais.