domingo, 24 de maio de 2026

Análise da temporada: Heracles Almelo

Kulenovic (centro) foi o único destaque restante, num Heracles Almelo que pareceu condenado ao rebaixamento (que afinal aconteceu) por todo o returno (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images)

Colocação final: 18º lugar, com 19 pontos (5 vitórias, 4 empates e 24 derrotas)
No turno havia sido: 17º lugar, com 14 pontos
Time-base: Jansink (Pasveer); Benita (Te Wierik/Wieckhoff), Mirani, Van Hoorenbeeck (Van der Kust) e Mesik; Hrustic e Zamburek; Limbombe (Ahlstrand), Engels e Ould-Chikh (Bruns); Kulenovic
Técnicos: Bas Sibum (até a 10ª rodada), Hendrie Krüzen (interino, entre a 11ª e a 14ª rodada) e Ernest Faber (a partir da 15ª rodada)  
Maior vitória: Heracles Almelo 8x2 Zwolle (11ª rodada) 
Maior derrota: Heracles Almelo 0x7 Feyenoord (9ª rodada)
Principal jogador: Luka Kulenovic (atacante)
Artilheiro: Luka Kulenovic (atacante), com 5 gols  
Quem deu mais passes para gol: Ajdin Hrustic (meio-campista), com 6 passes
Quem mais partidas jogou: Damon Mirani (defensor), com 33 partidas
Copa nacional: eliminado pelo Go Ahead Eagles, nas oitavas de final
Competições continentais: nenhuma

O Heracles Almelo já dava sinais do que ocorreria desde o primeiro turno: se não era o último colocado, era o penúltimo. Sofria com maus resultados, precisou trocar de técnico para tentar reverter o terrível início (seis derrotas nas seis primeiras rodadas)... mas nada adiantava. Nem mesmo fazer jogo duro para cima do PSV, na 16ª rodada, tirou os Heraclieden do mau caminho: o time saiu atrás com dois gols, buscou o empate, novamente ficou atrás, empatou de novo, mas tomou o 4 a 3 da derrota final. E na pausa de inverno, a coisa piorou: único destaque técnico no ataque, autor de 10 gols pelo clube de Almelo, Jizz Hornkamp tomou o rumo do AZ. Restava tentar melhorar no returno, com poucas perspectivas de que isso acontecesse. Aqui e ai, o Heracles tentou. 

Houve a volta do veteraníssimo Remko Pasveer, 42 anos, para o gol, tentando ajudar. Houve mudanças táticas para três zagueiros. Houve outra contratação, de Lequincio Zeefuik, tentando fazer um ataque menos estática. Houve até uma alteração frustrada de técnico: Ernest Faber se restringiria a ser diretor de futebol, com Vincent Hellmann (trabalhando na base da federação holandesa) Nada adiantou. E a queda literal dos Almelöers foi gradativa e apática, como indicaram algumas derrotas - um bom exemplo foram os 3 a 0 sofridos para o Ajax, na 30ª rodada. Quase todos os piores índices foram empurrados ao clube alvinegro: último colocado, pior do returno, pior mandante, pior visitante, pior ataque - junto a NAC Breda e Volendam -, pior defesa... O rebaixamento deixou a impressão de que o Heracles Almelo ainda não conseguiu se livrar do trauma de outro rebaixamento, anterior, em 2021/22. Terá a passagem pela segunda divisão para tentar começar a fazer isso. É altamente necessário.

Análise da temporada: NAC Breda

O NAC Breda se esforçou, buscou veteranos como André Ayew (foto), mas... o esforço não foi tudo. Na temporada passada, ainda houve como se salvar; agora, o rebaixamento (Olaf Kraak/ANP/Getty Images)

Colocação final: 17º lugar, com 28 pontos (6 vitórias, 10 empates e 17 derrotas)
No turno havia sido: 18º lugar, com 13 pontos
Time-base: Bielica; Valerius, Odoi, Leemans, Hillen e Kemper; Balard (Paula), Holtby (Nassoh) e Sowah; Talvitie e Brym (Reulen/Soumano)
Técnico: Carl Hoefkens
Maior vitória: NAC Breda 2x0 Heerenveen (33ª rodada)
Maior derrota: Go Ahead Eagles 6x0 NAC Breda (27ª rodada)
Principal jogador: Boy Kemper (defensor) 
Artilheiro: Boy Kemper (defensor), com 5 gols  
Quem deu mais passes para gol: Charles-Andreas Brym (atacante), com 4 passes
Quem mais partidas jogou: Daniel Bielica (goleiro), Boy Kemper (defensor) e Kamal Sowah (meio-campista), que jogaram todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado pelo Heracles Almelo, na primeira fase
Competições continentais: nenhuma

O NAC Breda estava avisado: terminara a temporada 2024/25 numa sequência sem vitórias, ficando parado na 15ª posição. E de quebra, fora o pior time do primeiro turno. Tudo o que o time aurinegro de Breda tinha a seu favor era o esforço, o apoio inesgotável da torcida que lotava o estádio Rat Verlegh. Isso ficou notável nas derrotas: a maioria delas, por apenas um gol de diferença. E mesmo quando o time tomava mais gols, se esforçava. Só que o fim, invariavelmente, era triste. Prova disso foi o jogo contra o NEC, pela 19ª rodada: o NAC saiu atrás com 2 a 0, buscou o empate em 2 a 2, tomou o terceiro gol, ainda conseguiu empatar... mas tomou o 4 a 3 dos visitantes de Nijmegen, nos acréscimos. Ou, então, o empate em 2 a 2 com o tricampeão PSV, na rodada seguinte: em Eindhoven, o time do norte aproveitou falhas defensivas dos Boeren, vencia por 2 a 1... até tomar o empate, também nos descontos.

Dentro de campo, o NAC Breda era isso: um time esforçado, mas deficiente tecnicamente, e até sem sorte. Fora de campo, teve problemas como a ação suspeita do ex-jogador Pierre van Hooijdonk na intermediação da venda do filho Sydney (que teve segunda passagem menos destacada) para o Estrela da Amadora (Portugal) - consultor técnico, Van Hooijdonk pai se desligou do clube. Aí, o NAC se desesperou. Apostou em veteranos como Denis Odoi, Lewis Holtby e André Ayew, sem muito sucesso. Houve ainda a tentativa do clube de ir à Justiça Comum holandesa pedindo a anulação dos 6 a 0 tomados do Go Ahead Eagles, pelas incertezas quanto ao passaporte do lateral esquerdo adversário, Dean James (indonésio ou neerlandês?). Quando o veredito deu ganho de causa à federação holandesa, os "Bredanaren" foram olhados de lado, como se tivessem querido melar o campeonato. Aí, já era tarde. E mesmo ganhando na penúltima rodada - 2 a 0 no Heerenveen -, os resultados de Excelsior, Volendam e Telstar decretaram o rebaixamento, com uma rodada de antecipação. Na temporada passada, o NAC Breda já tivera uma advertência; agora, não houve piedade.

Análise da temporada: Volendam

Robert Mühren se despediu dos campos - e o Volendam se despediu da primeira divisão, perdendo as chances que teve de permanecer (Ron Baltus/Soccrates/Getty Images)

Colocação final: 16º lugar, com 32 pontos (8 vitórias, 8 empates e 17 derrotas)
No turno havia sido: 16º lugar, com 14 pontos
Time-base: Van Oevelen; Ugwu, Amevor, Verschuren e Leliendal; Bukala e Yah; Oehlers, Kökcü (Mühren) e Kuwas; Veerman
Técnico: Rick Kruys
Maior vitória: Volendam 3x0 Heracles Almelo (10ª rodada)
Maior derrota: Go Ahead Eagles 3x0 Volendam (5ª rodada), PSV 3x0 Volendam (14ª rodada) e NEC 3x0 Volendam (26ª rodada)
Principal jogador: Robert Mühren (atacante) 
Artilheiro: Robert Mühren (atacante), com 6 gols
Quem deu mais passes para gol: Brandley Kuwas (atacante), com 4 passes
Quem mais partidas jogou: Aurelio Oehlers (atacante), com 33 partidas
Copa nacional: eliminado pelo NEC, nas quartas de final
Competições continentais: nenhuma

Talvez só dois dados expliquem o Volendam precisar jogar sua permanência na primeira divisão: ter feito poucos gols. Pouco? Então, vale lembrar: o time começou a temporada com quatro empates. Depois, duas derrotas (Go Ahead Eagles 3 a 0, na 5ª rodada; Excelsior 2 a 1, na 6ª rodada). E ao longo das 34 rodadas, foi um dos times com menos gols feitos neste Campeonato Holandês: só 35 gols, ao lado de dois outros - talvez não por acaso, os rebaixados NAC Breda e Heracles Almelo. De quebra, foi o segundo clube com mais derrotas na temporada (18). Tudo isso, mesmo tendo sido um dos raros times a ter vencido o tricampeão PSV - 2 a 1, na 23ª rodada. E tendo sido um time que se esforçou, inegavelmente, para ter destino diferente. Afinal, as condições para a equipe eram distantes de um cenário de crise. Para começo de conversa, havia um técnico que teve tempo e prestígio para trabalhar (Rick Kruys), o esquema de jogo era bem conhecido. 

Entre os jogadores, havia regularidade. E até nomes promissores, como o lateral direito Precious Ugwu, campeão europeu sub-19 com a Holanda (Países Baixos) no ano passado. Outros eram um pouco mais experientes, e conheciam o clube, como o goleiro Kayne van Oevelen - sua saída nas últimas rodadas, por lesão, fez falta - Brandley Kuwas e Juninho Bacuna - esses dois irão à Copa do Mundo com Curaçao. Outros, ainda, eram veteranos e confiáveis, como Henk Veerman, a referência ofensiva, e Robert Mühren, que anunciou o fim da carreira ainda durante a temporada, não sem antes ser o goleador da "Outra Laranja" nesta edição da liga. E até seria possível para o Volendam mudar seu destino: afinal, os dois adversários nas duas últimas rodadas eram Excelsior e Telstar, justamente os dois contendentes para escapar da repescagem de acesso/permanência/descenso. E os Volendammers não se ajudaram. Contra o primeiro, na penúltima rodada, empate em 1 a 1; contra o Telstar, jogando em casa, mesmo saindo na frente do placar, o time tomou a virada por 2 a 1. Teve de jogar a repescagem contra o rebaixamento. E o roteiro foi até parecido: na decisão contra o Willem II, ganhou o jogo de ida, fora de casa, mas perdeu chances demais. Castigo: no segundo jogo, o Willem II reverteu a vantagem, levou a decisão às cobranças da marca do pênalti... e nelas rebaixou o Volendam. Que aprendeu a lição, do jeito mais duro.

Análise da temporada: Excelsior

Yegoian (à esquerda) e Naujoks ajudaram o Excelsior a evitar excessivas sequências negativas, vencer adversários diretos e se garantir na primeira divisão (Hans van der Valk/BSR Agency/Getty Images)

Colocação final: 13º lugar, com 38 pontos (10 vitórias, 8 empates e 16 derrotas - atrás pelo pior saldo de gols)
No turno havia sido: 12º lugar, com 19 pontos
Time-base: Van Gassel; Bronkhorst, Widell, Meissen e Zagré (Schouten); Carlén (Hartjes), Yegoian e Naujoks; Sanches Fernandes, De Regt e Hansson (Bergraaf/Wlodarczyk)
Técnico: Ruben den Uil
Maior vitória: Excelsior 5x0 Utrecht (31ª rodada)
Maior derrota: NEC 5x0 Excelsior (1ª rodada)
Principal jogador: Noah Naujoks (meio-campista)
Artilheiro: Noah Naujoks (meio-campista), com 10 gols
Quem deu mais passes para gol: Gyan de Regt (atacante), com 7 passes
Quem mais partidas jogou: Casper Widell (zagueiro) e Gyan de Regt (atacante), que jogaram todas as 34 partidas 
Copa nacional: eliminado pelo Excelsior Maassluis (terceira divisão), na primeira fase
Competições continentais: nenhuma

Desde o começo da temporada, o Excelsior vivia as agruras a que já acostumado, na tentativa de escapar do rebaixamento. Às vezes, com momentos de baixa, como na queda precoce na Copa da Holanda, para o amador Excelsior Maassluis. Às vezes, com a alta - aqui, a vitória sobre o Ajax (2 a 1, na 13ª rodada), primeiro triunfo dos Kralingers em Amsterdã na história deles na Eredivisie, será sempre um ponto alto quando torcedores se lembrarem desta temporada 2025/26. Todavia, o time já começou o returno em 2026 tomando 5 a 1 do PSV. Mesmo numa sequência de quatro empates, a equipe de Roterdã se segurava nas posições acima da zona de repescagem/rebaixamento, apostando em alguns de seus destaques. Na defesa, o lateral esquerdo Arthur Zagré, praticamente um ala; no meio-campo, Noah Naujoks, sempre um destaque; e no ataque, Derensili Sanches Fernandes cresceu pouco a pouco na temporada.

Contudo, a sequência de cinco derrotas entre a 23ª e a 27ª rodadas jogou o Excelsior na 16ª posição, que forçaria a disputa da repescagem de acesso. Empatar com o Heracles Almelo, lanterna - 1 a 1, na 28ª rodada - e perder do NEC - 2 a 0, na rodada seguinte - mantinha a situação próximo do desesperador. Foi aí que os Kralingers reagiram. Para a sorte deles, a tabela tinha dois jogos contra adversários diretos contra a queda, Zwolle e Volendam. Porém, no meio do caminho das cinco rodadas finais, o Excelsior pegaria dois times na parte de cima da tabela, Utrecht e Excelsior. Pois os Rotterdammers passaram invictos por tudo isso. Contra o Zwolle (30ª rodada), 2 a 2; contra o Utrecht, impuseram incrível goleada por 5 a 0, em grande dia de Sanches Fernandes, aumentando o otimismo da torcida; contra o Groningen, então, vitória eletrizante por 3 a 2, com Gyan de Regt fazendo o gol decisivo nos acréscimos; e ao chegar ao Volendam, na penúltima rodada, o 1 a 1 garantiu mais uma temporada na primeira divisão. Tarefa cumprida, ela foi celebrada com uma vitória em clássico citadino na última rodada (3 a 2 no Sparta Rotterdam). E o Excelsior conseguiu manter sua inconstância - segundo pior mandante, um digno 10º lugar como visitante - sob controle. É preparar os nervos para 2026/27, provavelmente outra temporada de sufoco.

Análise da temporada: NEC

Ofensividade extrema, grandes revelações como Ouaissa, reabilitação de veteranos como Chery e Linssen, o melhor técnico da temporada holandesa (Dick Schreuder): o NEC foi, de longe, a melhor surpresa desta Eredivisie. Teve o prêmio: vaga na Liga dos Campeões (Jeroen Meuwsen/BSR Agency/Getty Images)

Colocação final: 3º lugar, com 59 pontos (16 vitórias, 11 empates e 7 derrotas)
No turno havia sido: 4º lugar, com 29 pontos 
Time-base: Gonzalo; Dasa, Kaplan e Sandler; Nejasmic, Sano, Ouaissa e Önal; Chery, Linssen (Koki Ogawa) e Lebreton (El Kachati/Danilo)
Técnico: Dick Schreuder 
Maior vitória: NEC 5x0 Excelsior (1ª rodada)
Maior derrota: NEC 3x5 PSV (5ª rodada)
Principais jogadores: Sami Ouaissa (meio-campista) e Bryan Linssen (atacante)
Artilheiro: Bryan Linssen (atacante), com 11 gols
Quem deu mais passes para gol: Kodai Sano (meio-campo) e Bryan Linssen (atacante), ambos com 7 passes
Quem mais partidas jogou: Kodai Sano (meio-campo), que jogou todas as 34 partidas
Copa nacional: Vice-campeão
Competições continentais: nenhuma

Antes mesmo que o primeiro turno acabasse, já se sabia: o NEC era a grande surpresa positiva da temporada, pelo menos até ali. Até houvera uma sequência ruim entre a 4ª e a 10ª rodadas - só uma vitória -, mas logo os Nijmegenaren se recompuseram. A torcida logo deu ao estilo ousado em campo o apelido engraçado de "Dick-taka", celebrando que o treinador Dick Schreuder cumprisse exatamente aquilo para que foi contratado: tentar fazer um time mais ofensivo. Era o que possibilitavam nomes como os zagueiros Ahmetcan Kaplan e Philippe Sandler, quase sempre jogando como líberos, avançando para ajudarem na criação das jogadas. Ou mesmo a dupla Basar Önal-Sami Ouaissa, muito criativa e veloz nas subidas para o ataque, vindos do meio-campo. Ou, finalmente, os veteranos redivivos: Tjaronn Chery na ponta-direita, Bryan Linssen no meio do ataque, cada um a seu modo, simbolizando o tamanho da ofensividade do NEC, que teve na dupla dois dos melhores jogadores do campeonato. Como já dito, isso já se vira em jogos das primeiras 17 rodadas, como a derrota por 5 a 3 para o PSV (5ª rodada) ou a vitória por 4 a 2 sobre o Feyenoord, em pleno De Kuip (14ª rodada).

E continuaria se vendo essa ousadia em Nijmegen no restante da temporada. Talvez até maior: a sequência de quatro vitórias com que 2026 começou - e o returno também - impulsionou o time de vez para a terceira posição. Diante das oscilações do Feyenoord, impulsionou até para o sonho do vice-campeonato, e do que seria vaga histórica e inédita na Liga dos Campeões. Também não surpreende que o NEC tenha sido o segundo melhor visitante da Eredivisie, diante de vitórias cheias de reviravoltas fora de casa, como os 4 a 3 no NAC Breda (19ª rodada), ou mesmo os 3 a 2 no campeão PSV, em pleno Philips Stadion (27ª rodada). Por falar em PSV, este chegou até a estar na frente do placar antes de tomar a virada na semifinal da Copa da Holanda. E os Nijmegenaren, impulsionados pela dupla Chery-Linssen, sonhavam, empolgavam a torcida. Mas o sonho começou a acabar no empate com o Feyenoord (1 a 1, na 30ª rodada), dificultando alcançar o vice-campeonato. Depois, a goleada sofrida na final da Copa da Holanda (AZ 5 a 1) impactou bastante. Ainda assim, o NEC conseguiu ser o terceiro melhor clube do returno. Foi o segundo melhor visitante. E com a segunda vitória nas últimas cinco rodadas (2 a 1 no Go Ahead Eagles, na última rodada), está classificado para a Liga dos Campeões pela primeira vez em sua história. Temporada tão impressionante em Nijmegen merecia um prêmio. E ele veio.