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O técnico Andries Jonker voltou a ter os destaques da seleção feminina da Holanda (Países Baixos) à disposição. Agora, é definir as coisas contra a Áustria - e para a Euro (KNVB Media/Divulgação) |
Nas duas primeiras rodadas da Liga das Nações feminina, ainda se podia cogitar que a seleção feminina da Holanda (Países Baixos) hesitava sobre qual caminho seguir - não só na escalação em si, mas na preparação para a Eurocopa de mulheres que vem aí. Pois bem: nestas datas FIFA de abril, com dois encontros contra a Áustria pela Nations League (a ida, na cidade holandesa de Almelo, nesta sexta, 4, às 15h de Brasília; a volta, na austríaca Altach, na terça, 8, às 13h55 de Brasília), o clima é de definição nas Leoas Laranjas. A começar pelo comportamento do técnico Andries Jonker.
Se começou os trabalhos de fevereiro lamentando o anúncio da sua saída após a Euro, com o fim de seu contrato, agora Jonker até cita, de leve, os pensamentos para a sequência de sua carreira ("Precisa ser algo que tenha significado, que me faça sentir algo. (...) Se é treinar um clube ou uma seleção? Isso está completamente em aberto. Em todo caso, não penso em ir trabalhar do outro lado do mundo. Já recusei algumas oportunidades"). Principalmente, Jonker prefere se focar num fator muito importante para a reta final de seu trabalho com a seleção de mulheres: "No fim de semana passado, eu pensei 'quando poderemos ter todas à disposição?'. Conforme o momento [da apresentação] foi chegando, comecei a acreditar cada vez mais. E por fim, aconteceu. É a primeira vez [que tenho todas à disposição] desde a Copa de 2023. Passei 2024 inteiro pensando 'quem é que eu vou escalar?'. Agora, estão todas em forma. E às vésperas da Eurocopa".
De fato. Vivianne Miedema, por exemplo, está aí de novo, deixando cada vez mais as lesões decorrentes da recuperação do rompimento de seu ligamento cruzado anterior para fora. Damaris Egurrola Wienke, ausente das primeiras rodadas da Liga das Nações, está de volta. Assim como o principal destaque da convocação: Victoria Pelova. É bem certo que o retorno da meio-campista à seleção, quase um ano depois de também romper ligamento cruzado anterior, tem algo de precipitação: quando nada, porque Pelova voltou a campo pelo Arsenal há somente duas semanas.
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Após dez meses, Victoria Pelova está de volta às Leoas Laranjas. Por mais precipitado que possa parecer, ela queria isso (BSR Agency) |
Entretanto, a própria deixou clara sua vontade com o retorno: "Sempre quero jogar pela seleção". Pelova foi além, comentando a dificuldade comum na recuperação de contusões longas como a que teve ("Os últimos meses foram os mais difíceis, porque você já voltou [a treinar], mas ainda não está de volta, ainda precisa jogar") e a gratidão por duas colegas de seleção que viveram o mesmo drama ("Convivi muito com Jill [Roord] e Viv [Miedema]. Elas me ajudaram demais (...) Jill e eu tivemos o mesmo problema, até o mesmo cirurgião nos operou. E 'Viv' até viajou de avião para me visitar".
Só que, mesmo com todas as principais jogadoras à disposição, Jonker ainda tem coisas a resolver na equipe que vai a campo. Principalmente no miolo de zaga. Na estreia pela Liga das Nações, contra a Alemanha, jogaram juntas Caitlin Dijkstra e Veerle Buurman; nos 2 a 1 contra a Escócia, a defesa foi formada por Sherida Spitse e Dominique Janssen. Tais escalações geraram algumas questões: Buurman, jovem promissora, chegará à Euro como titular? E Spitse, de tanta experiência, começará o torneio continental no banco? O treinador desconversou: "O miolo de zaga que vocês verão na sexta-feira não será necessariamente o miolo de zaga titular na Euro. Nestas datas FIFA, veremos também se as jogadoras estão cansadas. Mas concordo que é um quebra-cabeça".
Outras dúvidas estão na tática: "Se pode ser um 3-5-2, para termos mais gente no meio? Pode ser. Mas também precisamos de jogadoras que façam o serviço sujo. Devemos ter equilíbrio". Nisso, Esmee Brugts causa dúvidas: será ponta ou ala, na esquerda ("Claro que sou mais uma atacante, mas está tudo bem [se eu jogar] como lateral esquerda. Ainda sou muito jovem e tenho muito a aprender")? E a convocação final para a Eurocopa feminina, terá veteranas como Merel van Dongen ("Nunca direi não para a seleção", prometeu a lateral esquerda à NOS) ou voltará a lembrar jovens como a meia Nina Nijstad ("Ainda sou levada em conta", comentou Nijstad ao diário Leeuwarder Courant)? Os jogos contra a Áustria devem ser vencidos, por se tratar de competição. Mas também devem ser usados para definir as coisas.
As 24 convocadas da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA
Goleiras: Daphne van Domselaar (Arsenal-ING), Lize Kop (Tottenham Hotspur-ING) e Daniëlle de Jong (Twente)
Defensoras: Kerstin Casparij (Manchester City-ING), Lynn Wilms (Wolfsburg-ALE), Sherida Spitse (Ajax), Dominique Janssen (Manchester United-ING), Caitlin Dijkstra (Wolfsburg-ALE), Veerle Buurman (PSV), Ilse van der Zanden (Utrecht) e Merel van Dongen (Rayadas de Monterrey-MEX)
Meio-campistas: Daniëlle van de Donk (Lyon-FRA), Jackie Groenen (Paris Saint Germain-FRA), Damaris Egurrola Wienke (Lyon-FRA), Wieke Kaptein (Chelsea-ING), Jill Roord (Manchester City-ING) e Victoria Pelova (Arsenal-ING)
Atacantes: Lineth Beerensteyn (Wolfsburg-ALE), Vivianne Miedema (Manchester City-ING), Esmee Brugts (Barcelona-ESP), Renate Jansen (PSV), Katja Snoeijs (Everton-ING), Chasity Grant (Aston Villa-ING) e Romée Leuchter (Paris Saint Germain-FRA).