segunda-feira, 5 de março de 2018

Grandes jogadores holandeses de quem você nunca ouviu falar: Van Beveren

Brigas e discordâncias impediram Van Beveren de jogar uma Copa ou uma Euro pela Holanda. Para muitos, ele fez falta imensa (Ruud Hoff/arquivo ANP)

Ao ouvir a pergunta "qual foi o maior goleiro de todos os tempos na história do futebol holandês?", é quase automática a resposta ser Edwin van der Sar. Faz sentido: o nativo de Voorhout mostrou talento na saída de bola e nas defesas, marcou época em Ajax e Manchester United, foi símbolo da seleção holandesa por 13 anos, enfim, credenciou-se como um dos melhores arqueiros de sua geração. Outros talvez respondam Hans van Breukelen, de passagem marcante pelo PSV - sem contar o fato de ter sido o único guarda-metas holandês a poder dizer que foi campeão com a sua seleção. Os holandeses mais antigos ainda vivos se lembram de Frans de Munck, nos anos 1950, e Eddy Pieters Graafland, nos anos 1960. Quem sabe até valha citar Piet Schrijvers, nos anos 1970 e 1980. Todavia, se houve um nome capaz de rivalizar com Van der Sar no posto de camisa 1 da "seleção de todos os tempos", foi um cidadão cujo nascimento completa 70 anos nesta segunda. Ele não disputou torneios pela Laranja, por motivos que serão comentados aqui. Mas, pelo que jogou em clubes, tornou-se indispensável a lembrança dele: Jan van Beveren.

Van Beveren nasceu em Amsterdã, no dia 5 de março de 1948. Histórico esportivo familiar, não faltava: era filho de uma jogadora de hóquei e de Wil van Beveren, atleta que competira pela Holanda nos Jogos Olímpicos de 1936 (fora sexto colocado na final dos 200m do atletismo). E desde criança, batia bola na vizinhança com o irmão, homônimo do pai. No entanto, a trajetória esportiva do jovem Jan só tomou impulso quando a família se mudou para Emmen, em 1958 - após ser atleta, Wil se tornara jornalista, e foi trabalhar num diário esportivo da cidade. Poucos anos depois, em 1963, aos 15 anos, Jan começou a jogar no VV Emmen, clube amador da cidade. E rapidamente, Van Beveren revelou dois traços fortes de sua biografia: o talento que tinha para jogar no gol e a personalidade forte. Esta, aliás, foi a responsável pela mudança fundamental: em 1965, aos 17 anos, após uma lesão na mão, perdeu a vaga na equipe titular do VV Emmen. A irritação - e textos supostamente tendenciosos do diário onde o pai trabalhava - arruinou a relação de Van Beveren com o clube, e ele se foi para o Sparta Rotterdam, onde jogava seu irmão.

O começo: Van Beveren já impressiona pela capacidade de suas atuações no gol (Arquivo ANP)
A promessa de um craque no gol

No Sparta, enfim, começou a carreira profissional de Van Beveren, em 1965. E também não demorou para que ele virasse não só titular absoluto dos Spartanen, mas também a grande promessa dos goleiros holandeses. Com a carreira de Eddy Pieters Graafland dentro da Oranje se encaminhando para o fim, Van Beveren já se fazia notar pelas características típicas de um grande arqueiro: alto (o apelido "Lange Jan" - em holandês, "Grande Jan" - não era à toa), calmo, senso de posicionamento aguçado, capacidade de defesas espetaculares, capacidade de sair jogando com os dois pés. Enfim, se começava a aparecer em campo a geração que faria a Holanda ser respeitada no futebol mundial, Van Beveren certamente seria o primeiro nome dessa escalação. Até porque estreou precocemente pela seleção: em 29 de novembro de 1967, aos 19 anos, num amistoso contra a União Soviética - vitória holandesa, por 3 a 1.

No ano seguinte, 1968, Pieters Graafland já encerrara sua passagem pela Oranje. Caminho aberto para Van Beveren (já então, camisa 1 do Sparta, superando Willem "Pim" Doesburg") se consolidar como o titular da equipe, não só nos amistosos, mas também na campanha das Eliminatórias para a Copa de 1970. Entre os titulares habituais dos anos 1960 (Sjaak Swart, Coen Moulijn, Theo van Duivenbode, Henk Groot) e a nova geração (Johan Cruyff, Rob Rensenbrink, Willem van Hanegem, Theo Laseroms, Wim Suurbier), o goleiro novato já se estabelecia como garantia de segurança, impondo-se pelo espírito de liderança e pelo talento. Entrevistado pela NOS, emissora pública holandesa de tevê, em 2016, para um documentário sobre o ex-goleiro, Van Hanegem foi claro: "Era o melhor da Holanda - e o melhor do mundo". No mesmo documentário, o médico da seleção, Frits Kessel, foi claro: "Sua condição atlética era excepcional: além de alto, tinha impulsão extraordinária".

De certa forma, era uma opinião compartilhada por torcida e imprensa em todo o país. Por mais que a Holanda tivesse ficado de fora da Copa de 1970 (terceira colocada no grupo 8 da qualificação europeia - a Bulgária levou a vaga), já se supunha que aquela geração era altamente promissora. E se faltava a Europa saber dessas coisas, ela soube em 14 de janeiro de 1970. Num amistoso contra a Inglaterra, então campeã mundial, em Wembley, a Oranje teve atuação elogiada no empate em 0 a 0. E Van Beveren brilhou ao conter os ataques de gente como Bobby Charlton, Martin Peters e Geoff Hurst. A ponto de receber, ao final do jogo, a camisa amarela que Gordon Banks usara durante os noventa minutos daquele amistoso em Wembley. E de ouvir palavras altamente elogiosas do goleiro inglês - naquela época, considerado dos melhores da Europa e do planeta na posição.

Não surpreende, portanto, que ao final da temporada 1969/70, Van Beveren fosse cobiçado por Ajax e PSV - e até por outros gigantes europeus, como Real Madrid. Porém, o clube de Amsterdã preferiu apostar em Heinz Stuy como sucessor de outro veterano que terminava sua carreira, Gert Bals. Sorte dos Boeren, que gastaram tudo para contratar aquele talento já inquestionável na Holanda: por um milhão de florins (moeda holandesa pré-euro), recorde do país na época, Van Beveren tomou o caminho de Eindhoven para se tornar um dos grandes goleiros da história do clube, nos dez anos que passou lá.

Em 1969, ano desta foto, Van Beveren (à esquerda) e Cruyff ainda se davam bem. Quatro anos depois, foi diferente (ANEFO)
aA ausência na "Laranja Mecânica": azar ou brigas?

Naquele começo de década de 1970, além de ser obviamente conhecido pelo que fazia dentro de campo - já era titular absoluto da seleção -, Van Beveren já era observado fora de campo. Às vezes, pelo aspecto pitoresco, como o hábito da filatelia, seu principal passatempo. Mas principalmente, pelos posicionamentos tão firmes quanto os de outros destaques daquela geração. Em Rugnummer 1 (em holandês, "Camisa número 1"), minibiografia lançada em 1970, o goleiro já alfinetara o comportamento de alguns dos colegas, durante a campanha fracassada nas Eliminatórias da Copa: "Muitos jogadores se esquecem da importância de uma Copa. Eles só falam sobre dinheiro. Grana. Querem ver a grana no bolso deles. Se eles vissem a verdade, a importância de um Mundial, e tivessem assim se esforçado pelo melhor resultado possível na qualificação, o dinheiro viria por si só. Se tivéssemos ido com a seleção ao México, eu realmente acho que iríamos longe".

Pois Van Beveren logo ganhou motivos ainda mais fortes para discordar de tal comportamento. Durante a campanha nas Eliminatórias da Copa de 1974 (em cuja maior parte, foi titular da Laranja), o goleiro contestou fortemente a postura de Johan Cruyff - e de Cor Coster, sogro e agente de Cruyff. As críticas ficaram ainda mais fortes depois de Van Beveren saber que Cor Coster havia negociado uma campanha publicitária, pela qual quatro jogadores da seleção - além de Cruyff, Johan Neeskens, Van Hanegem e Piet Keizer - receberiam mais do que o restante do grupo.

Em Klem!, biografia de Van Beveren, escrita pelo jornalista Ruud Doevendans e lançada em 2007, o ex-goleiro comentou: "Começou tudo [a briga com Cruyff] ali. Eu disse aos outros que iria fiscalizar bem para onde aquele dinheiro iria. Então, se iniciou um clima de 'precisamos nos livrar desse cara, ele é perigoso para nós'". No documentário da NOS em 2016, Neeskens negou veementemente: "Eu tinha 22 para 23 anos na época da Copa de 1974, nem me preocupava com assuntos financeiros". Segundo outras fontes, o fato de Van Beveren se negar a ser agenciado pela Inter Football, a agência de Cor Coster, só dificultou as coisas.

Aí, ainda entrou o azar. Num amistoso contra a Polônia, em 1973 - 1 a 1, em 10 de novembro -, Van Beveren sofreu uma séria lesão na virilha. Perdeu o final da campanha de qualificação, substituído por Piet Schrijvers na equipe que levou a Holanda de volta à Copa do Mundo, após 36 anos. Todavia, treinando com firmeza, o goleiro já estava recuperado. Mesmo sem ritmo de jogo, se sabia: em forma, Van Beveren seria a escolha absoluta para defender o gol laranja naquela Copa. Tanto que foi inscrito na lista preliminar de 40 nomes relacionados por Rinus Michels para o torneio.

Contudo, uma opção polêmica de Rinus Michels tirou definitivamente Van Beveren da Copa de 1974. Após Schrijvers ter jogado as partidas de preparação, o técnico da seleção quis ver o seu goleiro titular atuando contra o Hamburgo, em outro amistoso, no dia 23 de maio, em Hengelo, justificando: "Nessa partida, quero ver como atua o time que jogará na Copa". Van Beveren se negou a jogar: por mais que a evolução da cura da lesão estivesse satisfatória, não queria correr o risco de agravá-la. Então, Michels foi definitivo: ou Van Beveren entraria em campo contra o Hamburgo, ou estaria fora da convocação final. E o próprio goleiro foi ainda mais definitivo: preferiu deixar a delegação.

Aparentemente, a lesão na virilha perturbou ainda mais a preparação de Van Beveren para a Copa em que brilharia. Todavia, para muitos, as circunstâncias levaram a crer que seu corte foi fruto das brigas que o tornaram desafeto de Cruyff. Estes (como o biógrafo Ruud Doevendans e outro jornalista, Matty Verkamman, amigo de Van Beveren) lembram que, no amistoso contra o time alemão, afinal, só jogaram quatro dos titulares absolutos da Holanda na Copa: Suurbier, Cruyff, Ruud Krol e Arie Haan. E confrontados com a opção de Rinus Michels, apoiada por Cruyff, de escalar um goleiro supostamente mais habilidoso com os pés (Jan Jongbloed), não são só eles que contestam. No documentário de 2016, Kees Rijvers, então treinador de Van Beveren no PSV, discordou: "Ele era atacante, nos treinos que eu dava".

Pelo azar da lesão ou pelas brigas, o fato é que Van Beveren ficou ausente da Copa em que, muito provavelmente, seria mais um jogador marcante. E não são poucas as vozes que dizem: com ele, o time holandês teria sido ainda mais forte. Talvez, o final conhecido tivesse sido diferente.

Van Beveren (à direita, com Van der Kuylen) perdeu a briga. E se desligou da seleção em 1975 (ANP)
Um respiro... e o rompimento definitivo

Pelo menos, no PSV tudo seguiu bem com Van Beveren. Seguia soberano no gol da equipe; os Boeren foram campeões holandeses, na temporada 1974/75; o time estava entrosado e fortalecido... e ficou impossível para George Knobel, técnico sucessor de Rinus Michels na Oranje, ignorar isso. Assim, muitos dos membros da espinha dorsal dos Eindhovenaren voltaram a frequentar as convocações: não só Van Beveren, mas também os zagueiros Cees Krijgh e Adrie van Kraay, o atacante Willy van der Kuylen, além dos gêmeos Van de Kerkhof (René e Willy), que haviam estado na Copa. Todavia, todos voltavam com um conselho do treinador Kees Rijvers: deveriam ser mais firmes, para evitar que "a turma do Ajax" dominasse completamente o espaço.

Quase dois anos após sua última partida pela seleção, Van Beveren voltou a vestir a camisa 1 holandesa, em 3 de setembro de 1975 (4 a 1 contra a Finlândia, pelas Eliminatórias da Euro 1976). Na partida seguinte, contra a Polônia, também pela qualificação para o torneio continental de seleções, Van Beveren e Cruyff se reencontraram. E eclodiu o conflito definitivo. Mais precisamente, dias antes do jogo contra os poloneses, 10 de setembro, uma quarta-feira, em Chorzow. Ainda atuando pelo Barcelona, Cruyff e Neeskens pediram a George Knobel liberação para se apresentarem mais tarde em relação ao resto do elenco, por terem uma partida contra o Elche, pelo Campeonato Espanhol 1975/76, no dia 6 de setembro. Querendo manter a todo custo uma boa relação com o "Nummer 14", indiscutível líder técnico da equipe, Knobel aceitou.

No dia 8, a 48 horas da partida, Knobel comandava o treino da Laranja, quando Cruyff e Neeskens chegaram. Com roupa social, ambos entraram no gramado e foram saudados pelo treinador. Mesmo sem uma interrupção ter sido apitada, aos poucos os colegas de grupo também vieram saudar a dupla. O que não evitou a frase altamente irônica que se ouviu no meio da rodinha formada: "Enfim, chegaram os reis da Espanha". A frase foi publicada em jornais, e um furioso Cruyff chamou Van Beveren às falas. Por mais que as fontes revelem que a frase saiu da boca de Van der Kuylen (outro jogador do PSV com certas aversões à ala de Amsterdã), nada tiraria da cabeça do capitão holandês que o observador sarcástico fora o goleiro. Ele negou, respondendo: "Não tenho culpa pelas palavras de outras pessoas". Mas o estrago estava feito.

Estrago que se veria dentro de campo: no jogo de 10 de setembro, a Polônia dominou completamente a Holanda - goleou por 4 a 1, e poderia até ter vencido por placar maior. Mas estrago que seria maior ainda fora: em 11 de outubro, quatro dias antes do jogo de volta contra os poloneses, Cruyff falou com George Knobel ao telefone, por uma hora. O assunto foi somente um ultimato do craque: Van Beveren e Van der Kuylen deveriam ser cortados, dando os lugares respectivos a Jongbloed e Van Hanegem. Ou isso, ou o próprio Cruyff (e os jogadores do Ajax) deixariam a delegação.

Submisso às preferências dos Amsterdammers, Knobel novamente aceitou o ultimato. Dois dias depois, Van Beveren e Van der Kuylen foram chamados para uma tensa reunião com a comissão técnica. Souberam de tudo, e mesmo sem o anúncio oficial do corte, decidiram deixar a concentração da seleção holandesa, em Zeist. Por pouco, alguns colegas de PSV não fizeram o mesmo, ficando em Zeist a pedido do próprio Van Beveren. De novo, Cruyff vencera. A Holanda superou a Polônia (3 a 0, em Amsterdã) e foi à Euro 1976, com Schrijvers como goleiro titular. Mas Van Beveren ainda teria uma terceira chance.

"Eu estou sendo manipulado"

Novamente, Van Beveren se valeu de suas atuações seguras num PSV que vivia bom momento em sua história (bicampeão holandês em 1975/76, campeão da Copa da Holanda na mesma temporada) para tornar irresistível a pressão por sua presença na seleção. E em 1977, a pedido do próprio técnico Jan Zwartkruis, novamente o arqueiro voltou a frequentar as convocações. Sua reestreia foi em 31 de agosto, no 4 a 1 contra a Islândia, pelas Eliminatórias da Copa de 1978. Nas duas partidas seguintes (empate sem gols contra a União Soviética, amistoso em 5 de outubro de 1977, e 1 a 0 contra a Irlanda do Norte, uma semana depois, pelas Eliminatórias), o goleiro foi poupado por lesão. Mas com a Copa chegando - e a negativa de Cruyff em estar na Argentina, por várias razões -, enfim Van Beveren estava perto de seu primeiro Mundial, aos 29 anos. Mas o "perto" virou "longe" rapidamente.

Em 26 de outubro de 1977, um "clássico" contra a Bélgica seria o último jogo da campanha holandesa pelas Eliminatórias - e a despedida de Cruyff com a camisa laranja. Na manhã daquele dia, Jan Zwartkruis foi ao quarto de Van Beveren no hotel em que a delegação estava, em Amsterdã. E informou: naquele dia, Jongbloed seria o goleiro titular. O arqueiro perguntou a razão. Zwartkruis foi claro: "Eu estou sendo manipulado. Se você jogar, 'Amsterdã' não joga" - sendo "Amsterdã" uma referência clara a Cruyff, a estrela da noite. Cruyff jogou, a Holanda venceu a Bélgica por 1 a 0, foi à Copa... mas aquela conversa com Zwartkruis fora o ponto final de Van Beveren na seleção holandesa, após somente 32 partidas em dez anos. Ele também ficaria fora da Copa de 1978. Não fora só a despedida de Cruyff, mas a sua também.

Novamente, alguns pensam se a sorte da Oranje seria diferente com Van Beveren no gol, ao invés de Schrijvers e Jongbloed, os arqueiros laranjas na Argentina. Impossível descartar também um complexo de perseguição do goleiro, como Neeskens comentou em 2016: "Talvez fosse um problema dele com Amsterdã, não um problema de Amsterdã com ele".

Nos Estados Unidos, pelo menos, Van Beveren achou o anonimato (Lex Schoenaker Jr./Twitter)
O porto seguro nos Estados Unidos

No PSV, a imagem de Van Beveren seguiu intacta. Além de mais um título holandês (1977/78), o goleiro foi um dos destaques do título dos Boeren na Copa da UEFA, primeira conquista continental da história do clube. Porém, durante a Copa de 1978, o jogador teve a certeza de que deveria sair da Holanda: além da decepção pela ausência no torneio, pouco antes de participar de uma mesa-redonda da NOS, recebeu uma carta, com ameaças de morte e de perseguição da família. Em pânico, Van Beveren foi impedido de participar do programa por Van Gelder, presidente do PSV à época.

Só em 1980, ao final do contrato com o clube, dez anos e 291 jogos após sua chegada, Van Beveren realizou seu desejo. Foi mais um holandês a atuar na NASL, a liga norte-americana da época, rumando para o Fort Lauderdale Strikers, no qual foi eleito algumas vezes o melhor goleiro do torneio. Seu técnico no PSV, Kees Rijvers se tornou treinador da seleção holandesa em 1981, e até pensou em convocá-lo, mas a Oranje era coisa do passado. E o guarda-valas ficou no time da Flórida até 1983, quando se transferiu para o Dallas Sidekicks. Lá, Van Beveren encerrou a carreira, em 1985.

Mesmo depois de parar, Van Beveren fixou residência nos Estados Unidos. Dono de uma loja de selos, também comandou times amadores no país. De quebra, ainda foi treinador de goleiros, no amadorismo e no profissionalismo (ocupou o cargo no FC Dallas, da MLS). Finalmente, foi o coordenador da Spindletop Select Soccer, escola de futebol para meninos e meninas em Beaumont, no Texas, a cidade em que morava - sem luxo nenhum, aliás, como lamentou o jornalista Matty Verkamman, que o visitou: "Eu fui jantar com ele, no melhor restaurante da cidade, e ele só comeu biscoitos, tomou café e sorvete, e fumou o dia todo. E nem um cachorro moraria no apartamento em que ele morava. Foi deprimente ver um homem viver os últimos anos, como ele viveu".

Quando morreu, em 26 de junho de 2011, aos 63 anos, vítima de um ataque cardíaco sofrido em casa, Van Beveren deixou aos americanos que o conheceram apenas a lembrança de um amável treinador, em escolinhas de futebol. Faltou um torneio grande, para tornar mais vívida a lembrança do grande goleiro que foi no futebol holandês - para muitos, superior até a Van der Sar. Talvez, a maior prova disso tenha vindo com o busto inaugurado pelo PSV, em 2011. Ou, principalmente, em 1999, quando a "Oranje do século XX" foi convocada a dedo por Cruyff para uma partida festiva. Um dos arqueiros convocados? Sim, Jan van Beveren. Quem sabe, um pedido tardio de desculpas. Uma prova, também tardia, da importância que ele teve - e que sempre terá.

Jan van Beveren
Nascimento: 5 de março de 1948, em Amsterdã, Holanda
Carreira: Sparta Rotterdam (1965 a 1970), PSV (1970 a 1980), Fort Lauderdale Strikers-EUA (1980 a 1983) e Dallas Sidekicks-EUA (1983 a 1985)
Seleção: 32 jogos, 25 gols sofridos


domingo, 4 de março de 2018

810 minuten: como foi a 26ª rodada da Eredivisie

Roda JC e Heracles tiveram níveis técnicos parecidos. Mas os visitantes de Almelo foram mais eficientes - e por isso, venceram (ANP/Pro Shots)
Roda JC 0x3 Heracles Almelo (sexta-feira, 2 de março)

Diante de um Roda JC frágil - e ainda reagindo à renovação, até surpreendente, do contrato com o técnico Robert Molenaar -, esperava-se que o Heracles se impusesse, mesmo fora de casa. Foi o que aconteceu, mais precisamente a partir dos 13', quando Brandley Kuwas fez 1 a 0, em cobrança de falta. No campo vitimado pela neve em Kerkrade (vitimado a ponto da bola ter sido trocada pela laranja típica), os Koempels mandantes tinham mais posse de bola e tentaram algumas vezes, mas pecaram pela falta de pontaria - como Mikhail Rosheuvel, que perdeu boas chances aos 28' e aos 33'.

E foi justamente a eficiência que dava mais perigo às chances dos visitantes de Almelo. Aos 39', por exemplo, Vincent Vermeij quase fez, chutando em diagonal para boa defesa de Hidde Jurjus. Porém, na sequência do lance, Kristoffer Peterson fez o segundo gol dos Heraclieden, num belo arremate colocado (diga-se de passagem: após cometer falta em Rosheuvel, ao empurrá-lo). No segundo tempo, as duas equipes tentaram algo: foi Bram Castro fazendo quatro defesas em sequência aos 68', enquanto Patrick Banggaard salvou o Roda tirando a bola de cima da linha aos 71'. Até que, no minuto final, em outra falta cobrada com precisão, Peter van Ooijen fez 3 a 0, garantindo a primeira vitória fora de casa do Heracles no campeonato - e aumentando os temores do Roda.

Alireza chutou a bola nos dois gols do AZ, mas só um deles foi para o seu nome. O outro foi contra. Tudo bem: de todo modo, ficou a vitória (ANP/Pro Shots)
Excelsior 1x2 AZ (sábado, 3 de março)

O AZ podia estar com campanha melhor, mas o Excelsior não tinha razões para temer os visitantes de Alkmaar (até porque os venceu no turno, em pleno AFAS Stadion - 2 a 0). E foi isso que se viu, num começo frenético de jogo. Exemplo disso se viu aos seis minutos: foi Ali Messaoud quase abrir o placar para os Kralingers mandantes, e logo na sequência Guus Til acertar a trave. Aos 14', Jonas Svensson tentou abrir o placar para o AZ, mas faltou direção a seu chute. Dois minutos depois, quem teve a bola nos pés foi Mike van Duinen, mas o goleiro Marco Bizot impediu o gol do Excelsior. Enfim, aos 19', alguém acertou o pé. Ou errou a mão, mesmo: porque Alireza Jahanbakhsh chutou quase sem ângulo, a bola bateu no goleiro Theo Zwarthoed e entrou para o 1 a 0 do AZ. O Excelsior manteve a postura ofensiva ainda durante o primeiro tempo: aos 28', Hicham Faik deixou Messaoud livre na área, e este bateu para outra grande defesa de Bizot.

Os Kralingers não fizeram, e tomaram, em lance parecido com o do gol contra de Zwarthoed: aos 44', Alireza finalizou, e desta vez o gol foi mesmo para a conta do atacante iraniano. No segundo tempo, restava aos anfitriões apenas tentar e tentar. Como aos 59', quando Jürgen Mattheij cabeceou a bola na área, e Wout Weghorst, habitual garantia de gols para o AZ, bancou o bom zagueiro tirando em cima da linha. Só aos 64' os Rotterdammers tiveram razões para comemorar: Levi Garcia deu a esférica a Messaoud, que enfim acertou o alvo e marcou o gol. Porém, ficou nisso a reação do Excelsior, diante de um AZ que segue com temporada esplendorosa: finalista da Copa da Holanda, sonhando até com o vice-campeonato na Eredivisie. Sonhar não custa nada, e o sonho do time de Alkmaar é real. De lamentação, só a lesão muscular que tirou Alireza do jogo, aos 89'.


O PSV era pressionado pelo Utrecht. Mas foi partir à frente, aproveitar chances como esta bonita puxeta de Luuk de Jong, e pronto: mais uma vitória (ANP/Pro Shots)
PSV 3x0 Utrecht (sábado, 3 de março)

Poucos times fora do Trio de Ferro poderiam desafiar o PSV em pleno Philips Stadion como o Utrecht, com seu bom time e a ótima sequência no returno (oito jogos sem perder - quatro vitórias, quatro empates). E os Utregs começaram o jogo impondo respeito. Já aos seis minutos, Sean Klaiber cruzou para Sander van de Streek finalizar com um voleio forte, pego com dificuldades por Jeroen Zoet. Aos 13', a oportunidade foi até mais concreta: Klaiber mandou para a área de novo, e o complemento de Mark van der Maarel acertou a trave de Zoet. Se a pressão adversária estava forte, restava aos Boeren serem eficientes. E isso começou com uma ajuda da sorte, aos 16': Joshua Brenet cobrou lateral, e Bart Ramselaar chegou dominando a bola, já na grande área. O meio-campo chutou de voleio, e ela desviou em Ramon Leeuwin, passando sobre o goleiro David Jensen e indo diretamente para as redes. Logo na primeira chance de gol que teve, o PSV fazia 1 a 0. Incrível.

Mais incrível ainda foi o segundo gol, aos 22 minutos. Afinal, se a sorte ajudara no primeiro, o segundo teve o mérito único do talento. Ramselaar passou a Santiago Arias, o colombiano cruzou da direita, e Luuk de Jong arriscou uma puxeta na finalização. Desajeitada, é verdade, até porque o atacante estava marcado. Mas o final foi o que ele queria: bola suave, no canto esquerdo de Jensen, que ficou parado, impotente, vendo o 2 a 0. Mesmo com a precisão dos donos da casa para transformarem chances em gols, os Utregs seguiram buscando o gol (com Urby Emanuelson, aos 34', e novamente Van de Streek, aos 39'). A torcida da casa se frustrou duas vezes: no gol anulado de Daniel Schwaab, aos 32' - o zagueiro alemão empurrara o adversário ao cabecear -, e no pênalti em Gastón Pereiro, que o juiz Kevin Blom marcou para voltar atrás após conversar com um auxiliar (e ainda dar cartão amarelo a Pereiro), aos 37'.

Se serve de consolo, pelo menos o Utrecht deu trabalho ao líder do Campeonato Holandês (fcutrecht.nl)
Já no começo do segundo tempo, a eficiência impressionante do líder da Eredivisie seguiu. Antes mesmo que o Utrecht pudesse pensar em voltar a pressionar, o PSV fez 3 a 0 para encaminhar definitivamente a vitória. Arias lançou a bola em profundidade do campo de defesa, após escanteio, e Bergwijn superou Sean Klaiber na corrida, com um drible da vaca. Chegou à área, mais um drible, tocou à esquerda de Jensen, 3 a 0. O resultado estava praticamente resolvido. E os Eindhovenaren poderiam jogar como gostam: deixando a bola com o adversário, apostando na velocidade dos contra-ataques.

Assim, o Utrecht seguiu buscando espaços. Ao tê-los, arriscou. Como aos 58', em chute de Yassin Ayoub, que mandou a bola perto do gol de Zoet, e aos 85', quando uma finalização colocada de Van de Streek saiu ainda mais próxima à trave. Todavia, os visitantes tiveram mesmo de suportar a primeira derrota pelo campeonato em 2018. E o PSV, sete pontos à frente, comemorou mais uma vitória baseada na constância e na eficiência - até aqui, tônicas de uma campanha que já começa a vislumbrar o doce fim com título. Ainda mais porque a conquista desse título pode ter uma delícia adicional: se ambos vencerem seus cinco jogos até o confronto direto, na 31ª rodada, o time de Eindhoven pode ser campeão holandês exatamente no clássico contra o Ajax, em casa.

Sadiq nem seria titular contra o Feyenoord. Pois não só foi, como converteu o pênalti para dar a vitória ao NAC Breda (ANP/Pro Shots)
NAC Breda 2x1 Feyenoord (sábado, 3 de março)

A "Avondje NAC" ("noite do NAC") foi animada no estádio Rat Verlegh. Começou logo no aquecimento: Mitchell te Vrede, que seria titular no ataque, se machucou e teve de dar a vaga para Sadiq Umar. Logo aos cinco minutos, Sadiq esteve em lance polêmico: após se chocar com Brad Jones na área, tentando alcançar a bola, e o juiz Bas Nijhuis nada marcar, o técnico Stijn Vreven protestou demais... e foi expulso (pela terceira vez na temporada!), deixando o banco. Ainda assim, o ritmo de jogo do NAC Breda era bem mais acelerado. E teve chance aos 14': Thomas Agyepong correu com a bola pela direita, cruzou, e lá estava Sadiq, que escorou fraco, para a defesa do goleiro do Feyenoord. Por outro lado, na primeira vez que teve o mínimo de velocidade e de espaço para sair jogando, aos 16', o Stadionclub trouxe perigo: Berghuis cruzou a bola da direita, e Jean-Paul Boëtius finalizou da entrada da área, para a defesa de Nigel Bertrams.

No minuto seguinte, já veio o prêmio aos visitantes de Roterdã: Boëtius fez a jogada pela esquerda, tabelou com Jens Toornstra e cruzou da linha de fundo. A zaga do NAC Breda ainda tentou rebater, mas a bola sobrou com Tonny Vilhena, e deste foi para o chute de Toornstra, no canto esquerdo de Bertrams, colocando o Stadionclub na frente. O que não quer dizer que os aurinegros de Breda desanimaram. Aos 23', graças a mais uma saída em velocidade, conseguiram o empate. Sadiq chegou à área entre três defensores, mas Jones saiu do gol e rebateu a bola antes mesmo dele tentar o chute. Sem problemas: pela esquerda, Thierry Ambrose acompanhava a jogada. E chutou a sobra para as redes, fazendo 1 a 1. Daí por diante, as duas equipes seguiram trocando chances, num ambiente fervilhante no estádio, com a torcida cantando a plenos pulmões.

Ao Feyenoord, outra vez, uma derrota inesperada e decepcionante (feyenoord.nl)
Com mais posse de bola, o Feyenoord já tentou ser mais efetivo desde o começo do segundo tempo - começando aos 47', num chute de Renato Tapia defendido por Bertrams. Mas aos 49', um momento de ingenuidade de Brad Jones pôs tudo a perder. Após dar um chutão para a frente, o goleiro se engalfinhou com Sadiq. Para se livrar do nigeriano, o empurrou. Nada forte, mas o suficiente para a torcida reclamar, o juiz Bas Nijhuis ser chamado pelo auxiliar de linha de fundo, ouvir o relato e marcar o pênalti (ainda dando cartão amarelo a Jones). Sadiq cobrou com perfeição: Jones num canto, bola no ângulo oposto, 2 a 1. Então, o O Stadionclub começou a buscar o empate em lances como um cabeceio de Tapia, à queima-roupa, mandando a bola por cima do gol, aos 51'. O cabeceio seguinte foi aos 54', com Kevin Diks, e Bertrams pegou a bola. Aos 61', Toornstra mandou a bola para a área em falta, e Sven van Beek evitou que ela saísse, puxando-a para a pequena área. Lá, Ambrose a tirou com um chutão. Ato contínuo, um contra-ataque quase rendeu o terceiro gol do NAC Breda: Angeliño cruzou da esquerda, e Sadiq completou escorando, rente à trave direita de Jones.

Os cruzamentos começavam a se suceder sobre a área do NAC Breda. Outro cabeceio perigoso do Feyenoord veio de um deles, aos 64': Boëtius desviou por cima do gol a bola alçada por Berghuis. Dois minutos depois, o cruzamento foi de Boëtius, para Toornstra mandar de voleio às mãos de Bertrams. Para fortalecer ainda mais a pressão, Robin van Persie entrou em campo, substituindo Eric Botteghin aos 69'. Aos 74', Berghuis tentou: um chute colocado dele, da entrada da área, mandou a bola a Bertrams. Depois, Bilal Basaçikoglu e Dylan Vente ainda foram mais dois substitutos a entrarem. Mas aos poucos, o ânimo ofensivo dos visitantes amainou, diante da concentrada defesa do NAC Breda. E outra vez, os Rotterdamers amargaram uma derrota. Pior: assim como perder do PSV significou ser derrotado em todos os clássicos da temporada, neste sábado, pela primeira vez na história da Eredivisie, um campeão foi derrotado duas vezes no campeonato por um time vindo da segunda divisão. De certa forma, um símbolo do ano decepcionante do Feyenoord.

Woudenberg teve sua reação: após falhar na rodada passada, abriu o caminho da vitória do Heerenveen (ANP/Pro Shots)
Heerenveen 2x0 Willem II (sábado, 3 de março)

As duas equipes tinham algo a justificar a busca pela vitória: o Heerenveen já estava sem vencer havia quatro rodadas, e o Willem II precisava se reanimar após a eliminação na Copa da Holanda. Todavia, apenas o time da casa pareceu ter esforço suficiente para conseguir concretizar o objetivo. O Fean foi francamente superior, e o 1 a 0 não demorou: aos 13 minutos, Lucas Woudenberg recebeu a bola de Morten Thorsby, e acertou chute de fora da área - boa recuperação para o lateral esquerdo, após ter falhado no lance do gol da derrota para o Excelsior, na rodada passada.

Mal havia começado o segundo tempo, e já veio o segundo gol do time da Frísia, com outro lateral: Denzel Dumfries cruzou, e Reza Ghoochannejhad desviou para completar o 2 a 0 da equipe da casa.  Reza ainda teve outra ótima chance aos 65', mas sua conclusão foi impedida pelo goleiro Mattijs Branderhorst. Ainda assim, salvo o contratempo da lesão que tirou Arber Zeneli de campo, nada mais ocorreria para impedir a volta aos triunfos. O Willem II? Sequer deu chutes a gol durante todo o jogo - só tentou algo aos 78', mas o espanhol Fran Sol bateu a bola em cima da zaga.

O Zwolle de Namli até dominou boa parte da partida, mas o VVV-Venlo conseguiu segurar o time da casa (Henry Dijkman/VI Images)
Zwolle 1x1 VVV-Venlo (domingo, 4 de março)

Da maneira como a partida começou no Mac³Park Stadion, supunha-se que o Zwolle colocaria fim à sequência de três derrotas seguidas. Com mais posse de bola, os "Dedos Azuis" dominaram plenamente o primeiro tempo. Só criaram poucas chances. A primeira delas, aos 23', quando Younes Namli saiu na cara do gol, mas seu chute colocado tirou o goleiro Lars Unnerstall da jogada... e a bola da meta, mandando-a para fora. Depois, Namli tentou outra vez, mas teve a conclusão interceptada por Jerold Promes.

Na etapa final, enfim, o VVV arriscou um pouco mais - e teve um pênalti não marcado aos 64', por empurrão de Philippe Sandler em Romeo Castelen, que passou em branco para o juiz Jeroen Manschot. Entre os 66' e os 67', chances seguidas: Ryan Thomas chutou para fora, perdendo a chance do Zwolle, enquanto Diederik Boer pegou do outro lado o cabeceio de Johnatan Opoku. Num jogo equilibrado, só o brilhantismo resolveria - e começou a resolver aos 68', na excepcional cobrança de falta com que Vito van Crooij fez 1 a 0 para os visitantes de Venlo. Aos 73', enfim o Zwolle empatou - Mustafa Saymak, de cabeça -, mas teve de amargar outro tropeço, o quarto seguido.

Mais importante do que a provocação de Kramer, na comemoração do gol do empate, foi a vitória do Sparta, tirando-o da última posição (Mischa Keemmink)
Sparta Rotterdam 2x1 ADO Den Haag (domingo, 4 de março)

A derrota do Roda JC na abertura da rodada abriu caminho para o Sparta deixar a lanterna. Era "só" vencer o ADO Den Haag - tarefa árdua, para um time que só vencera uma vez em 2018. E parecia que não seria desta vez. Mesmo em Het Kasteel, o Den Haag começou melhor. Poderia ter aberto o placar aos 5': Nasser El Khayati cobrou falta, e Nick Kuipers desviou de cabeça para o goleiro Jannik Huth pegar em cima da linha. No minuto seguinte, aí sim, a bola passou: Erik Falkenburg fez 1 a 0. De quebra, no final da primeira etapa, Falkenburg ainda mandou uma bola na trave. Dick Advocaat, então, mudou o ataque no intervalo, colocando Dabney dos Santos e Thomas Verhaar.

E este ajudou na jogada do empate do Sparta, aos 62': Verhaar lançou Michiel Kramer em profundidade, e o atacante tocou na saída do goleiro Robert Zwinkels para fazer 1 a 1 - sempre disposto a provocar, Kramer fingiu "comer um croquete" na comemoração (referência ao fato de efetivamente ter se alimentado no banco de reservas durante um jogo pelo Feyenoord, que pegou mal no clube e colaborou para sua saída). Kramer poderia ter virado o placar minutos depois, mas Zwinkels defendeu seu chute aos 64'. Na defesa, Huth salvou os Spartanen com ótima defesa, em cabeceio de Édouard Duplan. Finalmente, aos 82', os mandantes viraram: um chute de Robert Mühren rendeu o 2 a 1 fundamental, antes do confronto direto contra o Roda, na próxima rodada.


Bryan Linssen teve um grande dia, com dois gols. E o Vitesse impôs a segunda derrota sobre o Ajax na temporada (ANP/Pro Shots)
Vitesse 3x2 Ajax (domingo, 4 de março)

O Ajax teve de entrar com duas alterações em seu time titular. E coube justamente a um substituto ter a primeira chance de gol para o Ajax, aos três minutos: novamente ocupando o lugar aberto pela ausência de Klaas-Jan Huntelaar, ainda lesionado, Siem de Jong entrou na pequena área desviando a bola cobrada por Lasse Schöne em falta, e a mandou perto do gol de Remko Pasveer. O Vitesse só criou algo aos 11', na bola parada: um escanteio cabeceado por Guram Kashia, por cima do gol. Todavia, se a posse de bola era do Ajax (como esperado), o Vites foi bem mais eficiente para abrir o placar. E fez 1 a 0 em grande estilo, aos 16': após escanteio curto, Navarone Foor recebeu a bola na direita e bateu de longa distância. Na mira: chute certeiro e forte, no ângulo esquerdo de André Onana, mandando a esférica no filó Ajacied.

O gol motivou o Vitesse, que cresceu no jogo. Os visitantes só reapareceram numa jogada de bola parada, aos 23': David Neres sofreu falta de Faye na entrada da área, e Schöne a bateu com o perigo habitual, mas ela saiu à esquerda do gol. De outra bola parada, aos 25', Ziyech mandou um escanteio na cabeça de Matthijs de Ligt, que desviou para fora. Aos 33', os mandantes aurinegros voltaram à carga: Thulani Serero levou a bola até as proximidades da área, pelo meio, e passou a Bryan Linssen, que arrematou cruzado, para fora, com leve desvio. No escanteio seguinte, chance até mais concreta: novo escanteio, e Matt Miazga cabeceou forte no meio da área, para Joël Veltman tirar em cima da linha. Finalmente, aos 45', numa jogada aparentemente perdida, Tim Matavz dominou a bola após interceptação de Veltman. De volta após suspensão, o atacante esloveno finalizou da entrada da área, para Onana defender. O Vites coroava um primeiro tempo bem melhor, diante de um Ajax apático.

Cassierra melhorou o ataque com sua entrada. Mas o Ajax caiu - e pode ter perdido as chances de título que restavam (Jasper Ruhe/ajax.nl)
No começo do segundo tempo, a dinâmica do jogo seguiu a mesma: Ajax tinha a bola, mas chances que eram boas, só duas - e em chutes de longe, com Matthijs de Ligt, aos 48', e Justin Kluivert, aos 51'. A lentidão Ajacied foi duramente punida, aos 57'. Graças à desatenção da zaga: numa saída de bola, Onana serviu a De Ligt, e deste a bola foi para Wöber. Porém, o zagueiro austríaco (substituto do machucado Frenkie de Jong) dominou errado. E ela ficou limpa para Linssen entrar, dominar na grande área e bater cruzado para o 2 a 0. Quase ficou mais feio aos 58', em arremate de Linssen que quase traiu Onana - o goleiro camaronês precisou fazer a defesa em dois tempos. Com um ataque inapetente, só restavam a Erik ten Hag as mudanças. Assim, Justin Kluivert e Wöber saíram, para darem lugar a Amin Younes e Mateo Cassierra, respectivamente. Pois coube justamente a Cassierra reanimar os Ajacieden, com o gol para recolocar o time no jogo, aos 61': Ziyech cobrou escanteio da esquerda, e o atacante colombiano subiu sozinho na área, cabeceando à direita de Pasveer, que sequer tentou a defesa. Mais um minuto, e Younes quase completou o serviço: driblou três da esquerda para o meio, e chutou cruzado - a bola bateu levemente na trave.

Meio aturdido, o Vitesse reagiu aos 64': Matavz chutou, a bola desviou em De Ligt, e quase encobriu Onana, que tocou por cima da trave. E aos 67', um erro de Pasveer quase abriu o caminho do empate: David Neres cruzou, e o goleiro do Vitesse falhou ao tentar encaixar - Cassierra ainda tentou um voleio na sobra, mas a bola saiu. Todavia, uma cobrança de falta tranquilizou definitivamente os donos da casa em Arnhem, aos 70'. Mount mandou a bola para a área, Kashia subiu para escorar, e Linssen entrou na pequena área para completar de perto. Era o 3 a 1 do Vitesse. Cassierra ainda teve chance aos 76', chutando para Pasveer espalmar. E após uma sequência de chances, Siem de Jong até fez 3 a 2 aos 85', completando bola escorada por Younes e cruzada por Ziyech. Mas a derrota seguiu. E o Ajax ficou dez pontos atrás do PSV, com as esperanças de título ainda mais remotas. Pior: pela primeira vez desde 2012/13, perdendo as duas partidas da temporada para um time que não era nem PSV nem Feyenoord. Como agora, esse time era o Vitesse.

Twente e Groningen fizeram jogo equilibrado. E seguem em situação irregular com o empate (Pro Shots)
Twente 1x1 Groningen (domingo, 4 de março)

Para não perder terreno na disputa pela salvação da zona de repescagem/rebaixamento, o Twente começou ofensivo o jogo contra o Groningen. Aos nove minutos, Tom Boere ficou livre na área com a bola, após passe de Fredrik Jensen, mas sua finalização mandou a bola às mãos do goleiro Sergio Padt. Porém, aos poucos, a pressão dos Tukkers mandantes diminuiu: antes mesmo de outra chance de Boere, em cabeceio aos 22', o Groningen teve oportunidade com Tom van de Looi, que chutara em cima do goleiro Joël Drommel aos 15' - depois, aos 43', Ritsu Doan tentaria.

O começo do segundo tempo escancarou esse equilíbrio. Por um lado, os Groningers começaram melhor. Aos 53', Leandro Bacuna chutou forte, mas a bola saiu. Aos 58', contudo, veio a vantagem dos visitantes, num arremate de Doan. Só que, um minuto depois, quase o Twente empatou, em toque de Haris Vuckic por cima do gol - pouco depois, aos 66', quem ficou perto de marcar foi Mimoun Mahi, finalizando na saída de Drommel e mandando no travessão. Aos 70', os mandantes chegaram ao 1 a 1: Adam Maher cruzou, e Boere acertou as redes, de cabeça. Poderia ter virado o placar mais duas vezes - aos 75', na trave, e aos 84' -, mas o Twente saiu de campo apenas com um ponto. E segue sem vencer em casa.

sexta-feira, 2 de março de 2018

A redenção dos menores

El Khayati chegou ao ADO Den Haag para ficar seis meses. Ajudou muito a salvar o time, ficou, e é o destaque de uma boa campanha (ANP/Pro Shots)
Está disponível a quem tiver interesse: no guia para esta temporada do Campeonato Holandês, dividido em três partes, apostou-se que ADO Den Haag, Excelsior e VVV-Venlo estavam fadados apenas a tentar fugir das três últimas posições da tabela, cujos ocupantes são condenados a tentarem a manutenção na Eredivisie via repescagem – além, claro, da queda direta para o último colocado. E tal prognóstico não era desprovido de alguma razão. Antes de mais nada, porque são clubes médios/pequenos – o que significa que passam por esporádicos sufocos, ao contrário dos AZ e Utrecht da vida, mais acostumados à parte de cima da tabela.

Depois disso, cada clube tem o seu calvário próprio. Como campeão da segunda divisão e dono de orçamento ínfimo, o VVV provavelmente sofreria com a ameaça de fazer o bate-e-volta rumo à Eerste Divisie, por mais coeso que fosse o time. O ADO Den Haag até mostrava condições de ficar no meio da tabela, mas... e se novamente as incertezas do comando do empresário chinês Hui Wang perturbassem o ambiente e respingassem dentro do campo, como ocorreu na temporada passada? E o Excelsior, que passou duas temporadas seguidas escapando de raspão (em 2014/15 e 2015/16, terminara em 15º, primeira posição acima da zona de repescagem/queda) e só conseguiu escapar por uma arrancada inesperada nas últimas rodadas, chegando a vencer até o campeão Feyenoord?

Pois bem: pelo menos neste momento da temporada, com as coisas entrando na reta final, ADO Den Haag, VVV e Excelsior têm merecido unânimes elogios. Com nove rodadas para o encerramento, estão frequentando o meio da tabela, dando passos firmes para garantir a permanência na divisão de elite por mais um ano, com antecedência. No caso do Den Haag, então, a situação é ainda mais promissora: está em oitavo lugar, dois pontos atrás do Vitesse, o primeiro na zona da repescagem por vaga na Liga Europa – repescagem que parece bem acessível, já que o Feyenoord, como finalista da Copa da Holanda, está à frente na tabela (abrindo, pois, uma vaga, caso ganhe o torneio). Em 10º lugar, o Excelsior se vale de um desempenho até admirável fora de casa, com 32 pontos. Uma posição abaixo, está a equipe de Venlo, mostrando atuações regulares por todo o campeonato.

Mas o que aconteceu para essa mudança brusca? Aí entra o primeiro item em que talvez todos coincidam – talvez o mais importantes: ao contrário de temporadas anteriores, as contratações foram pontuais. Apostou-se numa base. Mais do que isso: apostou-se nos trabalhos dos técnicos. Nem sempre isso dá certo, claro. Mas nos três casos, não mexer no que dava certo (e buscar corrigir o errado) foi fundamental. Mesmo que, para isso, fosse necessário gastar um pouco mais – de dinheiro e de saliva. No caso do ADO Den Haag, isso foi fundamental para conseguir prolongar uma estadia que já dera certo na parte final da temporada passada: a do meio-campista Abdenasser El Khayati.

Ele chegara para a metade final da temporada 2016/17, cedido pelo Queens Park Rangers. E tomou conta do meio-campo, sendo protagonista nas vitórias que garantiram a salvação. “Nasser” voltaria aos Hoops tão logo a temporada se encerrasse, mas como o contrato com o clube já estava se encerrando, e o clube auriverde de Haia estava interessado... veio a solução: três anos de contrato. E ficando na Holanda, El Khayati manteve sua importância para o ADO Den Haag, com ótimos números (marcou sete gols, deu passes para outros sete). 

Como El Khayati sozinho não faria verão, aí entraram os outros jogadores a ajudá-lo. Um deles, outra contratação que deu certo: corpulento, Bjorn Johnsen (nascido em Nova Iorque, mas de nacionalidade norueguesa) tomou conta do ataque, e tem disputado o posto de goleador da Eredivisie, com dez gols. Com isso, os outros atacantes que já estavam lá, como Sheraldo Becker e Erik Falkenburg, tiveram os desempenhos maximizados. Do restante, já se falará.

Entre idas e vindas do clube, Ryan Koolwijk é figura admirada na torcida do Excelsior (Den Breejen/VI Images)

Até porque o restante do ADO Den Haag também tem a ver com o restante do Excelsior e do VVV-Venlo, no sentido de serem apostas em jogadores nos quais a torcida já confia – e dos quais, ela gosta. Tome-se por exemplo o caso do Excelsior: nas temporadas de agruras, o lateral esquerdo Khalid Karami era um dos únicos bálsamos, com desempenho ofensivo e veloz. Assim como o volante e capitão Ryan Koolwijk, de experiência valiosa para o clube do bairro de Kralingen, em Roterdã. Karami chegou a ficar sem contrato no fim da temporada passada, até deixando o grupo do Excelsior. Mas a diretoria correu atrás e acertou um novo compromisso com o lateral. 

Assim, permaneceu no clube a espinha dorsal que o técnico Alfons Groenendijk já tinha à disposição: Karami, Koolwijk, Luigi Bruins, Anouar Hadouir, Mike van Duinen, Stanley Elbers... se o final da temporada passada já dera a esperança de que dias melhores viriam (basta lembrar o 3 a 0 sobre o futuro campeão Feyenoord, na penúltima rodada, frustrando a primeira “festa do título”), 2017/18 tem impressionado. Entre desempenhos péssimos em casa – é o lanterna jogando em seu estádio – e fabulosos fora – é o quarto melhor visitante da Eredivisie, atrás de Ajax, PSV e AZ -, o Excelsior se baseou nessa estranha regularidade para ficar no meio de tabela. E com a rapidez do ataque, ainda sonha subir algumas posições.

Lennart Thy tem sido o responsável pelo protagonismo nos ataques do VVV-Venlo - logo, é um dos destaques da campanha regular (ANP/Pro Shots)
Ao fazê-lo, o Excelsior poderá superar outro clube de entrosamento exemplar na temporada: o VVV-Venlo. Ao contrário do que se poderia supor, o clube aurinegro foi bem conservador na sua volta à primeira divisão. O principal reforço foi manter a base de gente já conhecida dos frequentadores das arquibancadas do aprazível De Koel: a zaga com Jerold Promes e Moreno Rutten, o meio-campo com Ralf Seuntjens e Clint Leemans, o ataque com Torino Hunte... Reforços? Só dois. Mas muito úteis: Lars Unnerstall é o goleiro que o VVV desejava (seguro e regular, coisa rara em goleiros de times menores na Eredivisie), enquanto Lennart Thy, alemão emprestado pelo Werder Bremen, é o mais técnico jogador da equipe na temporada. Resultado: atuações esforçadas, e um time dedicado e focado a ponto de fazer seu técnico, Maurice Steijn, já ser olhado com interesse por clubes maiores.

Também colabora para a boa fase desses três clubes a sintonia existente entre clube e torcida. Aí entra o “restante” supracitado do ADO Den Haag: nele, estão jogadores como o meio-campista Lex Immers, o zagueiro Tom Beugelsdijk e o goleiro Robert Zwinkels. Todos eles, ídolos absolutos dos torcedores – mesmo que sejam mais raça do que técnica, caso de Beugelsdijk. Zwinkels, aliás, é o grande exemplo: não bastasse ser cria da casa, desde 2005 jogando, vive a melhor temporada da carreira (na rodada passada, se o Ajax amargou um 0 a 0 em plena Amsterdam Arena, o goleiro foi o responsável). No mesmo caso, estão figuras como Ryan Koolwijk, capitão que já voltou e saiu do Excelsior, mas tem ligação histórica com a torcida.

Paz para trabalhar, enfim. Medidas “simpáticas” à torcida sem deixarem de ser estimulantes ao clube. Jogadores de certa técnica. Com tudo isso, ADO Den Haag, Excelsior e VVV-Venlo subverteram as expectativas. De surpresas assim se fazem as temporadas, ora, como não?

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 3 de março de 2018)

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

810 minuten: como foi a 25ª rodada da Eredivisie

O Groningen já esperava ansioso pela primeira vitória em 2018, para se aliviar um pouco. Faltou impedir Te Vrede, que empatou o jogo para o NAC Breda (Maurice van Steen/VI Images)
Groningen 1x1 NAC Breda (sexta-feira, 23 de fevereiro)

Em meio a uma temporada cada vez mais caótica fora de campo (e preocupante dentro dele), o Groningen tentou fazer um bom ambiente em seu estádio, a partir de uma promoção: cada afiliado no programa de sócio-torcedor poderia levar duas pessoas de graça ao Noordlease Stadion para a partida. Até deu certo, já que o estádio ficou mais cheio. Mas dentro de campo, os Groningers trouxeram pouco perigo: só uma chance, aos 10', quando Mimoun Mahi aproveitou falha do volante Lucas Schoofs e mandou a bola na trave. De resto, os visitantes de Breda é que estiveram mais perto do gol: aos 20' (Manu García cruzou, e Samir Memisevic quase fez contra) e aos 45' (Thomas Agyepong foi outro a mandar a bola no poste).

Já no começo do segundo tempo, Agyepong teve outra valiosa oportunidade para colocar o NAC na frente: ficou livre na área após passe, cara a cara com o goleiro Sergio Padt, mas finalizou pessimamente. E o 0 a 0 seguia deixando a torcida da casa temerosa no norte holandês. Até que, aos 66', aparentemente, veio o alívio: Django Warmerdam cruzou da esquerda, e Pablo Marí desviou acidentalmente para o próprio gol, ao tentar cortar, no 1 a 0. Parecia, enfim, que viria a primeira vitória do Groningen em 2018 - tanto que vieram mais duas bolas na trave, de Ajdin Hrustic e Ritsu Doan. Não entraram. Sorte do NAC: aos 86', Mitchell te Vrede aproveitou um rebote para fazer 1 a 1 e garantir valioso ponto ao time aurinegro. Enquanto o Groningen segue preocupado - e preocupante.

O AZ atacou, atacou, atacou... e sofreu um gol. Atacou, atacou, atacou, empatou... e Idrissi fez o gol de uma difícil virada (AZ.nl)
AZ 2x1 Sparta Rotterdam (sábado, 24 de fevereiro)

O Sparta tentaria a surpresa em Alkmaar com um time tendo seis alterações, cinco defensores (jogou no 5-3-2) e uma estreia: o meio-campista Abdou Harroui. Não adiantou. Já aos 7', houve a primeira grande chance do AZ. Da direita, Alireza Jahanbakhsh lançou a bola em profundidade, e Thomas Svensson chegou à linha de fundo com ela. O sueco cruzou, e Michel Breuer evitou o gol, tirando da pequena área com um carrinho. Depois, aos 9', Sherel Floranus também tirou a bola da área, vinda de Thomas Ouwejan. No escanteio da sequência, a cobrança foi rasteira - e Alireza completou de primeira, mandando na trave. O domínio do AZ era indiscutível em campo. Então, o que aconteceu? Isso mesmo: o Sparta fez 1 a 0, aos 19'. Da direita, Ryan Sanusi cobrou escanteio. E Julian Chabot subiu mais alto do que qualquer um na área, para cabecear no ângulo esquerdo do goleiro Marco Bizot - que só pulou para constar, já que a bola veio indefensável para o gol dos visitantes.

Os Alkmaarders tentaram iniciar a reação aos 22'. Em cobrança de falta dos Alkmaarders, a bola foi rebatida, e Alireza tentou um voleio. Boa ação do iraniano: a bola quicou no chão, e o goleiro Jannik Huth rebateu. Só que o caminho do Sparta estava aberto: os contra-ataques. Num deles, os visitantes de Roterdã quase fizeram 2 a 0 aos 24': Michiel Kramer pegou livre a bola passada por Sanusi, chegou à área e concluiu cruzado. Bizot evitou o gol com os pés. Outra chance de empate para o AZ, só aos 36': Idrissi deixou Guus Til em boa posição para chutar na área, mas o arremate foi desviado por Huth. Na continuação, o goleiro do Sparta impediu que Idrissi cabeceasse, e Thomas Ouwejan terminou chutando para fora. Os Spartanen assustaram, aos 44', num chute cruzado de Fred Friday que passou perto da trave. Até que uma troca de passes rápida, típica do AZ nesta temporada, levou ao empate buscado, na sequência imediata. Teun Koopmeiners deixou a bola a Ouwejan, o lateral esquerdo já completou a triangulação com Til. Deste, a bola foi para Idrissi, que entrou na grande área pela esquerda, e só passou para o lado, onde Wout Weghorst já estava a postos para fazer 1 a 1.

Se o Sparta sonhou por muito tempo com um ponto, o goleiro Huth foi o grande responsável: ótima atuação (Tom Bode/VI Images)
No segundo tempo, o AZ voltou a impor seu domínio e a prensar o Sparta em seu próprio campo de defesa, buscando a virada. A primeira oportunidade para isso veio aos 53': Svensson cruzou da direita e Guus Til já entrou completando de voleio, mandando acima do gol. A bola seguia chegando ao ataque, em tabelas e cruzamentos - num deles, aos 57', a torcida reclamou de pênalti, após desvio da bola na mão de Frederik Holst. Aos 59', quase a sorte ajudou: Ouwejan cruzou, e o zagueiro Bart Vriends assustou ao tirar, com um desvio torto - a bola saiu pela linha de fundo. Teun Koopmeiners criou a chance seguinte, aos 61', num arremate de fora. Então, Huth se confirmou como um dos nomes do jogo. Aos 72', evitou o segundo gol: Svensson recebeu a bola livre na área, caminhou pela direita e bateu para a defesa do arqueiro, feita com os pés.  Dois minutos depois, o camisa 1 do Sparta fez um autêntico milagre: em cobrança de escanteio, Alireza cabeceou na pequena área e ele rebateu, à queima-roupa. Weghorst estava pronto para finalizar, com o gol aberto, mas Huth teve agilidade suficiente para pular e evitar a virada, levantando o pé direito e fazendo grande intervenção. 

O AZ martelava, com posse de bola e chutes a gol em número bem maior. E aí apareceu outro jogador decisivo na partida. Aos 80', Idrissi chutou sinuosamente, mandando a esférica pouco acima do travessão. Finalmente, aos 86', também veio de Idrissi uma grande chance: da esquerda, o atacante driblou três, chegou ao meio da área, mas bateu para fora. Na sequência, o camisa 22 insistiu. E conseguiu: novamente pela esquerda, novamente o drible (belíssimo corte seco em dois zagueiros), novamente a entrada na área, novamente um chute cruzado. Só o fim foi diferente. Sorte de Idrissi: a bola foi rasteira no canto esquerdo de Huth, que dessa vez nenhum milagre pôde fazer para impedir a tardia e difícil vitória do AZ.

Num jogo com várias chances das duas equipes, o Heracles foi mais eficiente e impôs outra derrota ao Zwolle (ANP/Pro Shots)
Heracles Almelo 2x1 Zwolle (sábado, 24 de fevereiro)

Sobraram chances, num primeiro tempo agradavelmente ofensivo de um lado e do outro em Almelo. Só Brandley Kuwas teve pelo menos duas oportunidades para marcar: aos 22', em chute colocado que mandou a bola na junção da trave com o travessão, e aos 39', quando desviou escanteio e a bola desviou no goleiro Diederik Boer antes de bater novamente no poste. Ao Zwolle, a bola quase foi à rede aos 12' (Piotr Parzyszek, titular no sábado, chegou atrasado a um cruzamento) e aos 26' (arremate de Younes Namli, rente ao gol). Enfim, aos 42', uma chance virou gol no placar: Kuwas cruzou - seu décimo passe para gol na temporada  -, e Kristoffer Peterson escorou fazendo 1 a 0 para os Heraclieden.

Kuwas continuou falhando na finalização: acertou novamente a bola na trave, ainda nos acréscimos do primeiro tempo, e já começou a etapa complementar forçando Boer (que em certo momento tomou um banho de cerveja de um torcedor do Heracles - e se irritou) a fazer ótima defesa, no reflexo. Todavia, também nos minutos iniciais, veio o empate dos visitantes: aos 50', Namli lançou Parzyszek, e o polonês bateu forte para o 1 a 1 dos Zwollenaren. Animados, os visitantes passaram a ser superiores, mas se passou mais um pouco e os mandantes Almelöers já recuperaram a frente: aos 62', após cruzamento, Peterson recuou de cabeça, e Vincent Vermeij voltou a marcar, para dar a vitória ao Heracles - e impor a quinta derrota seguida no returno a um Zwolle em ligeira queda.

O Heerenveen foi bem mais ofensivo. Mas numa das únicas chances que teve, o Excelsior definiu sua vitória (Ronald Bonestroo/VI Images)
Heerenveen 0x1 Excelsior (sábado, 24 de fevereiro)

Surpresas na rodada anterior, as duas equipes tentavam seguir uma boa sequência. E o Heerenveen esteve mais perto disso. Só teve incompetência num quesito fundamental: finalização. Já aos nove minutos, Reza "Gucci" Ghoochannejhad teve a primeira chance de gol do time da casa, mandando na trave. Aos 21', Arber Zeneli arrematou, e a esférica passou rente à trave defendida por Theo Zwarthoed. Finalmente, aos 30', outra bola do Fean no poste: da entrada da área, Michel Vlap arriscou, e Zwarthoed ainda desviou com a ponta dos dedos antes da bola atingir o ferro. Mas na única vez que cedeu espaço aos visitantes de Roterdã, o time da Frísia amargou a desvantagem. Aos 35', Lucas Woudenberg falhou na lateral esquerda, e Ryan Koolwijk tomou a bola, já a deixando para Ali Messaoud. Este passou de primeira, e Mike van Duinen completou com um chute colocado para o 1 a 0. 

No segundo tempo, além de continuar com as chances (um cabeceio de Kik Pierie defendido por Zwarthoed aos 51', uma jogada individual de Martin Odegaard também impedida pelo goleiro aos 83'), o Heerenveen fortaleceu os ataques com as entradas de Henk Veerman e Nemanja Mihajlovic. Mas fracassou ao tentar impedir outra vitória fora de casa do Excelsior, das campanhas mais surpreendentemente agradáveis da Eredivisie - em 10º lugar, com 32 pontos, sonhando até com a repescagem por vaga na Liga Europa da próxima temporada, distante do sufoco de outras temporadas.

Habitualmente adversário difícil em sua casa, o VVV-Venlo assustou o Vitesse. Mas os visitantes reagiram a tempo (ANP/Pro Shots)
VVV-Venlo 2x2 Vitesse (sábado, 24 de fevereiro)

Aos 10 minutos de jogo, o VVV já fazia 1 a 0: Moreno Rutten lançou a bola, para Torino Hunte ajeitar e finalizar sem chances para o goleiro Remko Pasveer. E aos 24', os Venlonaren colocaram o 2 a 0 no placar: o chute de Lennart Thy foi forte, mas também possível de defender para Pasveer. Avizinhava-se outro grande resultado para o time aurinegro, mais um pequeno a surpreender na temporada.

Todavia, aos 29', um erro de Nils Röseler devolveu o Vitesse ao jogo: Thomas Bruns cruzou a bola, e o zagueiro desviou acidentalmente, cometendo gol contra. E o Vites evitou de vez o tropeço logo no começo do segundo tempo, aos 47', com a cobrança de falta em que Mason Mount empatou a partida. A partir de então, as duas equipes tiveram chances para o terceiro gol: os mandantes com Ralf Seuntjens e Thy, os visitantes com Luc Castaignos e Mount. Mas ficou mesmo o 2 a 2 no placar.

A cena que simboliza as frustrações do Ajax no 0 a 0 contra Den Haag: atacantes chutam, Zwinkels defende (Maurice van Steen/VI Images)
Ajax 0x0 ADO Den Haag (domingo, 25 de fevereiro)

Como de praxe nos jogos mais recentes do Ajax, partiu de Justin Kluivert a primeira chance Ajacied. Aos 11 minutos, da esquerda, o atacante passou por Tyronne Ebuehi, arrematando para a defesa do goleiro Robert Zwinkels. Kluivert reapareceu aos 13', iniciando uma triangulação. Tocou para David Neres, que tabelou com Siem de Jong (substituto do lesionado Klaas-Jan Huntelaar) e entrou na área. Mas antes do brasileiro finalizar, Zwinkels saiu do gol para defender. Todavia, com uma defesa bem fechada (sem a bola, chegavam a ser seis na defesa), desacelerando o jogo, o Den Haag só dava ao Ajacieden espaços para cruzamentos. Como aos 19', quando Joël Veltman mandou a bola para a área, mas ela foi direto para Zwinkels.

Os Amsterdammers só tinham espaço nas bolas altas. O seguinte veio aos 25': um lançamento para a área, que deixou a bola nos pés de Donny van de Beek. Deste, ela foi para David Neres, que ajeitou, mas concluiu fraco, fácil para a defesa do arqueiro dos visitantes de Haia. No minuto seguinte, mais um arremate de longa distância pego pelo guarda-metas - desta vez, Matthijs de Ligt chutou. Aos 33', outro lançamento, em profundidade, tentou deixar Kluivert livre, mas Ebuehi se antecipou. Poucos segundos depois, Carel Eiting mandou a bola da direita, e Kluivert tentou o voleio, mas acertou apenas Tom Beugelsdijk. De resto, único momento de maior emoção no primeiro tempo foi apenas um começo de quiproquó após Nicolás Tagliafico cometer falta, iniciando uma sequência de empurrões - que resultou em cartões amarelos para o próprio argentino, para Trevor David (que retrucou, encarando-o) e para André Onana (que saiu de seu gol para seguir a discussão).

Tom Beugelsdijk (de amarelo) simbolizou a concentração da defesa, que rendeu valioso ponto aos visitantes de Haia (Laurens Lindhout/adodenhaag.nl)
Com a barreira de seis homens seguindo na defesa, também continuaram no segundo tempo os arremates de fora da área pelo Ajax. Aos 49', veio o primeiro perigoso. Eiting deixou a bola com Ziyech, que bateu da entrada da área. O chute saiu sem força, mas o quique da bola a tornou perigosa, e ela passou perto da trave esquerda de Zwinkels. Aos 51', Ziyech criou outra chance: um cruzamento do marroquino deixou Frenkie de Jong em frente ao gol, mas o zagueiro (elemento-surpresa) cabeceou para fora. Nos chutes de fora (como de Kluivert, aos 57', e Ziyech, no minuto seguinte), começava a se sobressair o goleiro Zwinkels. Avanços do Den Haag? Raros: só aos 60' o time tentou algo, num chute de Nasser El Khayati que mandou a bola fora. Depois, num contra-ataque aos 62', Elson Hooi ajeitou a bola para Bjorn Johnsen finalizar e Onana defender. Todavia, aos 66' o Ajax esteve muito perto de fazer o 1 a 0: Van de Beek aproveitou jogada perdida na direita da área, cruzou, e Siem de Jong cabeceou na trave - depois, a bola ainda bateu no rosto do goleiro.  Aos 68', outra vez a oportunidade apareceu:  David Neres tabelou com Siem de Jong e ficou de frente para o gol, mas Zwinkels saiu bem da meta para fechar o ângulo e rebater a bola. 

A chance seguinte veio aos 70': um chute colocado de Ziyech, que mandou a bola rente à trave. Mais um minuto, e novamente Zwinkels salvou o Den Haag: em outra tabela (desta vez, com Tagliafico), David Neres tentou outra finalização, mas o arqueiro da camisa 22 evitou com o peito - e ainda teve agilidade para pegar o chute de Tagliafico na sobra. Zwinkels teve outra aparição para confirmar seu nome como o principal do jogo, aos 74', espalmando o arremate de Frenkie de Jong. Cada vez mais concentrados em sair com um ponto, os visitantes tentaram o último chute aos 80', com Johnsen. Os Ajacieden fortaleceram o ataque, com as entradas de Mateo Cassierra (para os 14 minutos finais), Amin Younes e do estreante Dani de Wit. Teve a "bola do jogo" aos 90' + 3, quando Tagliafico cruzou, De Wit desviou tirando Zwinkels, e David Neres completou. Mas Beugelsdijk tirou em cima da linha. E o 0 a 0 ficou no placar, frustrando as perspectivas do Ajax reanimar a disputa do título - e abrilhantando ainda mais a grande campanha que faz o ADO Den Haag, firme disputando lugar na repescagem por Liga Europa.

Ainda havia equilíbrio em Feyenoord x PSV, até Arias (no centro) abrir o placar. Daí por diante, o líder da Eredivisie levou o clássico como quis, até a vitória (Pro Shots)
Feyenoord 1x3 PSV (domingo, 25 de fevereiro)

Aos quatro minutos, o PSV já mostrou a velocidade que teria o começo do jogo em De Kuip. Luuk de Jong escorou a bola para Gastón Pereiro (recebendo mais uma chance entre os titulares, no lugar de Mauro Júnior). O uruguaio deixou a bola a Steven Bergwijn, e o ponta esquerda arrematou colocado, para fora, perto do gol de Brad Jones. Com a velocidade empregada pelos Boeren, o Feyenoord só tentou o ataque aos 12': Steven Berghuis trouxe a bola pela direita, para o cruzamento, mas Schwaab rebateu. Na sobra, Sofyan Amrabat arrematou, mas Marco van Ginkel (de volta aos titulares, após lesão) espantou. Aos 14', uma triangulação rendeu boa chance: Bart Nieuwkoop também fez jogada pelo lado direito, passou a Jorgensen para este desviar, e Berghuis entrou cruzando. Mas a bola bateu em Brenet e saiu pela linha de fundo. De resto, pouco a pouco o PSV se impunha e tentava mais - como aos 17', quando Van Ginkel completou uma falta de voleio, mas pegou mal na bola. E aos 18': Bergwijn cobrou escanteio, e Arias cabeceou para tentar o gol, como fizera contra o Heerenveen - desta vez, o colombiano mandou por cima do gol.

Porém, da vez seguinte em que tentou surpreender na área, o lateral direito teve muito sucesso, aos 23'. Em cobrança curta de escanteio, Pereiro deixou a bola a Bergwijn. Este cruzou, a defesa do Feyenoord fez pessimamente a linha de impedimento, e Arias ficou livre e em condições para desviar de cabeça, no contrapé de Brad Jones, fazendo 1 a 0. Em vantagem, os Eindhovenaren passaram a jogar como gostam: esperando uma chance para o contra-ataque, enquanto o Feyenoord tentava ataques inócuos. Numa delas, apareceu o espaço, aos 34', a partir do desarme de Bart Ramselaar. A bola sobrou com Pereiro, e o uruguaio já lançou do meio-campo para Bergwijn. Bart Nieuwkoop falhou ao tentar o domínio, o atacante o superou na corrida, chegou à área e tocou na saída de Brad Jones - Van der Heijden ainda alcançou a bola, mas ela já tinha passado da linha. Já era o 2 a 0 do PSV. E poderia ter sido 3 a 0 aos 41': Pereiro roubou a bola na direita, veio com ela até a grande área e cruzou. A bola desviou na defesa, e Bergwijn ainda bateu sozinho, mas Van der Heijden desviou com a perna para a linha de fundo, evitando o gol. Também houve boa chance no minuto seguinte: Bergwijn cruzou rasteiro da esquerda, a bola passou pela área e terminou com Arias batendo acima do gol.

Sob desconfiança da torcida há algum tempo, Pereiro recebeu a chance de se redimir no clássico. E aproveitou: um gol e ótima atuação (Ronald Bonestroo/VI Images)
No segundo tempo, a entrada de Jean-Paul Boëtius visava aumentar a velocidade no ataque Feyenoorder, apático até ali. Mas não adiantou muito, a princípio: aos 52', Bergwijn tentou um cruzamento - e este quase virou gol: a bola passou perto da trave esquerda. Mas no minuto seguinte, a desatenção foi da defesa do PSV. Sorte do Feyenoord: Schwaab tentou afastar e deixou a bola nos pés de Malacia, que passou a Boëtius. O ponta cruzou da linha de fundo, e na área, Tonny Vilhena cabeceou meio fraco, mas a bola passou ao lado de Zoet, que viu inerte o gol do Stadionclub. Só que a tensão dos Eindhovenaren acabou rapidamente. Já aos 58', outra bola parada começou a jogada do terceiro gol: após lateral cobrado, a bola parou com Bergwijn, na esquerda. O atacante da camisa 19 trouxe a bola até a área, e arrematou cruzado. Brad Jones rebateu para a frente, na pequena área, e lá estava Pereiro, que completou para o gol vazio, marcando facilmente o 3 a 1.

Definitivamente batido, o Stadionclub só traria perigo de novo no reinício, quando Jorgensen ainda tentou o gol, numa finalização colocada da entrada da área, mas Zoet agarrou firme. Mas o domínio estava restabelecido, e o PSV continuou tendo chances - como aos 61', num contra-ataque em que Pereiro trouxe a bola pela esquerda, passou a Van Ginkel, e este deu a Ramselaar, que bateu cruzado para Jones pegar. Vez por outra, o time da casa insistiu nos chutes de fora (com Boëtius, aos 69', e Vilhena, aos 73'). Teve até gol anulado por impedimento, nos acréscimos. Mas nada disso apagou a má impressão deixada aos torcedores, com a atuação lenta do Feyenoord.  E nem evitou que o PSV saísse do clássico com o otimismo renovado: líder, de novo sete pontos à frente, sentindo-se definitivamente na rota do título.

Com o gol de Rienstra (segundo da esquerda para a direita), o Willem II garantiu a vantagem com firmeza (ANP/Pro Shots)
Willem II 1x0 Roda JC (domingo, 25 de fevereiro)


Logo no sexto minuto de jogo, o Willem II mostrou que partiria firme rumo à vitória em Tilburg, para abrir importante vantagem sobre o adversário da partida, na disputa contra a repescagem/rebaixamento: Ben Rienstra cruzou a bola, e Fran Sol por pouco chegou depois da bola. Então, aos 14', coube a Rienstra resolver tudo sozinho: um chute colocado do meio-campista mandou a esférica no canto esquerdo, sem dar chances de defesa a Hidde Jurjus para o 1 a 0. Em vantagem, os Tricolores mandantes também reduziram o ritmo, mesmo tentando finalizações aqui e ali.

Na volta dos vestiários, o Roda JC se mostrou mais ativo. Aos 48', Livio Milts só não conseguiu o empate para os Koempels porque seu chute saiu sem direção, enquanto Dani Schahin chutou pouco acima do travessão, aos 53'. Ainda assim, com a defesa firme, o time da casa manteve a vantagem. E conseguiu o triunfo que desejava, para aumentar um pouco o alívio e ter a distância aumentada em relação à zona de repescagem/queda: são seis pontos em relação ao Twente, antepenúltimo colocado - e ao próprio Roda vencido, que ficou na penúltima posição. Cresce a confiança dos Tilburgers para pegar o Feyenoord na próxima quarta, pela semifinal da Copa da Holanda.

Após um começo melhor do Twente, o Utrecht reagiu. E a virada de Van de Streek consolidou outra vitória (Pro Shots)
Utrecht 3x1 Twente (domingo, 25 de fevereiro)

No começo da partida no estádio Galgenwaard, pareceu que o Twente teria, enfim, uma rodada para comemorar: já aos 10 minutos, Danny Holla deixou Haris Vuckic livre na área com um passe, e o meio-campista tocou na saída do goleiro David Jensen para o 1 a 0 dos Tukkers visitantes. Aí, novamente, a dura realidade se impôs ao penúltimo colocado, em três momentos. O primeiro, aos 20': Adam Maher cruzou a bola para Vuckic, e o esloveno perdeu chance incrível, completando para fora a três metros do gol vazio. O segundo momento foi pior, até a longo prazo: lateral direito, Hidde ter Avest deixou o campo com suspeita de fratura na fíbula, aos 28'.

Enfim, nos acréscimos, o Utrecht impôs o terceiro momento difícil aos visitantes de Enschede: Sean Klaiber pegou a sobra de um bate-rebate e empatou o jogo. E no segundo tempo, os Utregs cresceram gradualmente até a virada, aos 67': de calcanhar, Cyriel Dessers deixou a bola para Sander van de Streek finalizar e fazer 2 a 1. Dez minutos depois, também de taquito, Van de Streek passou para Yassin Ayoub definir o placar, num belo chute de pé direito. Se o Twente começou bem, o Utrecht terminou melhor ainda: não só mantém a invencibilidade sob o comando do técnico Jean-Paul de Jong (quarta vitória seguida, oito jogos sem perder), como tirou o Feyenoord da quarta colocação.