A segunda divisão do futebol masculino da Holanda (Países Baixos) é aparentemente mais equilibrada. Mas só aparentemente: se a emoção é maior, pela abertura de uma das três vagas na Eredivisie para a repescagem dos quatro "campeões de período" ao longo das 38 rodadas - sempre bom lembrar: mata-mata entre os melhores de 1ª a 10ª, 11ª a 19ª, 20ª a 29ª e 30ª a 38ª rodadas, mais os dois melhores colocados da tabela regular e, entrando na segunda fase, o 16º colocado da primeira divisão -, quase sempre ela acaba caindo na mão de um clube já acostumado à elite. Claro, há exceções: o Telstar que o diga, promovido via repescagem em 2024/25 após 47 anos na Eerste Divisie. Só que o grupo dos que sonham com o acesso parece cada vez menor e mais restrito. E deve ser assim também a partir desta sexta-feira, quando começa a temporada 2026/27, agora exibida no Brasil desde o princípio - como em 2025/26, um jogo por rodada - no Link Alviverde, canal do YouTube habituado a debates sobre as coisas do Palmeiras, além de exibir outros campeonatos.
Até pelas trajetórias recentes, é compreensível imaginar que, entre os 20 participantes da Eerste Divisie (pois é: com os problemas do Vitesse resolvidos em definitivo, agora são 20 times desde o começo), os rebaixados já chegam como favoritos ao acesso. Um deles sabe bem o que é este sobe-e-desce: o Volendam, não à toa apelidado "Heen-en-weer" - gíria holandesa equivalente a "ioiô" -, já que são 11 descensos em sua história. Após a queda traumática da temporada passada (em casa, nos pênaltis, na decisão da repescagem, para o Willem II), os Volendammers foram às compras. Trouxeram bons nomes para o padrão da Eerste Divisie: o goleiro Hidde Jurjus chegou do Groningen, o ala Nick Doodeman veio do próprio Willem II, o ídolo Henk Veerman segue no clube... e um adversário na disputa do acesso, até: o De Graafschap viu seu principal jogador, o meio-campo Reuven Niemeijer, rumar para o Volendam.
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| O Volendam, rebaixado via repescagem, trouxe Niemeijer, destacado pelo De Graafschp, para tentar fazer mais um bate-e-volta, como está habituado (Divulgação/fcvolendam.nl) |
Assim como o Volendam, certamente NAC Breda e Heracles Almelo também sonham com (e têm capacidade técnica para) disputarem uma das duas vagas diretas de acesso à Eredivisie, ao campeão e ao vice da segunda divisão, ou mesmo via repescagem. Até mesmo os grupos de jogadores são parecidos. Apenas a sensação de ambos será diferente. Os Heraclieden ainda têm na cabeça as atuações apáticas, quase deprimidas, do rebaixamento em 2025/26, e para isso contam com a recuperação - até mental - de nomes como o atacante Luka Kulenovic e o lateral direito Mimeirhel Benita. Já o time aurinegro de Breda até perdeu os nomes experientes que o defenderam na temporada passada da Eredivisie - André Ayew, Lewis Holtby (que até encerrou carreira) -, mas compensou contratando Mats Seuntjens e Paul Gladon, ambos experientes, e repatriando o zagueiro e ídolo Jan van den Bergh, além de trazer o goleiro Michael Verrips para preencher a lacuna aberta pela saída de Daniel Bielica ao Portsmouth-ING. E seguem por lá boa parte dos nomes que já fizeram o time que disputou a Eredivisie. E que pode voltar a ela.
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| Desde 2019 na Eerste Divisie, o De Graafschap tenta voltar, com o meio-campo Leemans como a grande novidade (Divulgação/degraafschap.nl) |
O Vitesse pode sonhar com menos freios, agora: com a Justiça Comum tendo definido (trânsito em julgado) que o clube de Arnhem segue na ativa, o técnico Rüdiger Rehm já tem uma certa base, com nomes como o experientíssimo Alexander Büttner - além de lateral esquerdo, auxiliar técnico simultâneo -, o meio-campo Marco Schikora e o atacante Naoufal Bannis. Lembrando que quase conseguiu vaga na repescagem de acesso, como melhor do "4º período", o Vites pode tentar a volta à Eredivisie, após quatro anos, por meio dela. Com o título, sonham o De Graafschap (se perdeu Niemeijer, trouxe o meio-campo Clint Leemans), o Dordrecht (com reforços até mais notáveis na defesa, com o goleiro Calvin Raatsie e o lateral Adil Lechkar, mais o atacante Nick Venema merecendo atenção), o RKC Waalwijk (agora sem o atacante Michiel Kramer, de carreira encerrada, mas com Finn Stokkers vindo do Go Ahead Eagles), o FC Eindhoven (contando com os gols de Kevin van Veen para tentar a volta à primeira divisão após 50 anos), o Den Bosch (com a experiência de Kévin Felida e os gols de Kévin Monzialo), o Almere City (apostando no meio-campo Mees Hoedemakers)...
Agora, é ver quais desses conseguirão superar o funil e estar a sério na disputa do acesso, seja pelas 38 rodadas regulares, seja pela repescagem de acesso. E isso porque nem se falou dos quatro times B (Jong Ajax, Jong PSV, Jong AZ e Jong Utrecht), todos precisando revelar bons jogadores mesmo sem a possibilidade de jogarem a Eredivisie...



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