quinta-feira, 4 de junho de 2026

Duas gerações por uma vaga

A Holanda (ou os Países Baixos) está focada na Copa do Mundo masculina. Mas a seleção feminina, contando com as veteranas junto às novatas, está muito perto da vaga no Mundial feminino (KNVB/Divulgação)

Está certo que o foco, para quem acompanha futebol na Holanda (Países Baixos), já está na seleção masculina que caminha para disputar a Copa do Mundo, na América do Norte. Entretanto, um pouco do foco está na seleção feminina neerlandesa, também. Afinal de contas, a vaga direta na Copa do Mundo de 2027 está mais perto do que se pensava. Em primeiro lugar no grupo A2 das Eliminatórias Europeias, bastará que as Leoas Laranjas vençam Irlanda (sexta-feira, 5, às 15h45 de Brasília, na cidade irlandesa de Cork) e Polônia (próxima terça, 9, às 16h de Brasília, em Almelo) - no caso do jogo contra a Irlanda, uma vitória holandesa e outra da Polônia, contra a França, também resolve tudo por antecipação - para garantirem a vinda ao Brasil no ano que vem. E elas estão divididas claramente em duas gerações, na convocação para as duas decisões.

Se os grandes resultados contra a França nas duas rodadas passadas - vitória em 2 a 1 e empate por 1 a 1 - dependeram em grande parte das novatas (a estreante Renée van Asten na defesa; Wieke Kaptein no meio; Esmee Brugts no ataque), agora várias das veteranas estão de volta. E várias delas, superando problemas pessoais. Se Dominique Janssen retornou naturalmente ao se recuperar de lesão, Daniëlle van de Donk reconheceu o quanto a demora para voltar de problemas físicos no London City Lionesses, clube em que joga, a afetou mentalmente: "Na última vez [em que me machuquei], estava com minha esposa quando ouvi a notícia. Eu não aguentava mais, só queria chorar, foi muito duro, acho que foi o período mais duro da minha vida". Mesmo mais alegre, Jackie Groenen - também de volta à seleção - reconheceu os problemas com lesões no Paris Saint Germain: "Eu precisava passar tempo na academia, não entrava em campo. Então, isso me fazia sentir menos parte do grupo. Mas estou em forma, posso jogar". Além delas, também voltaram - e também podem jogar - Kerstin Casparij e Caitlin Dijkstra.

O técnico Arjan Veurink celebrou o retorno dos nomes experientes. Mas alertou, diante do ótimo resultado com as novatas contra a França: elas precisarão garantir a vaga (KNVB/Divulgação)

O técnico Arjan Veurink comemorou os retornos: "Experiência sempre é importante, que dirá para os jogos desta semana. Jogadoras acostumadas com partidas importantes podem ajudar. Daí, o valor de nomes como Van de Donk". Ao mesmo tempo, o treinador se valeu das grandes atuações das mais novas - e da boa fase delas, que o diga Veerle Buurman, eleita revelação da temporada na Inglaterra - para alertar: "Elas [veteranas] não estão todas garantidas de seus lugares, não importa o quanto sejam experientes". Além do mais, dois nomes importantes para as Leoas Laranjas ficarão fora dos jogos. Ainda sofrendo com dores renitentes no tornozelo, Daphne van Domselaar passou por cirurgia no local, e novamente desfalcará a Holanda (Países Baixos). E Vivianne Miedema, às voltas com problemas particulares - acompanha a mãe, em tratamento de problema de saúde -, falou com Arjan Veurink e foi liberada pelo próprio: "Se teve uma coisa que aprendi nos últimos anos, é que boa forma física e mental são importantes em jogos cruciais".

De fato, são jogos cruciais. Ainda mais a partida contra a Irlanda, nesta sexta: também podendo ter a vaga direta na Copa (está em terceiro lugar no grupo, com 6 pontos, só dois abaixo da Holanda), a equipe anfitriã conta com o destaque absoluto de Katie McCabe - a capitã fez cinco gols nos últimos sete jogos pelas irlandesas. Foi adversária dura nas rodadas de março, quando a Holanda só fez 2 a 1 nos minutos finais. E tentará impor seu jogo até em medidas pequenas, como reduzir as dimensões do estádio Páirc Uí Chaoimh, em Cork, ao mínimo exigido pela FIFA. O técnico Arjan Veurink minimizou tal medida ("Se elas acham que conseguem ganhar assim, tudo bem"), mas também manteve o alerta alto: "A Irlanda é um time com muita velocidade pelo meio, e muito difícil de ser superado quando recua". Parte de uma conclusão básica do técnico da Holanda: "Não há mais seleções pequenas, não na Europa. O que é ótimo, mostra como o futebol feminino se desenvolveu. Não há mais jogos fáceis".

Se é assim, é com as veteranas e as novatas que as Leoas Laranjas vão para as duas rodadas finais. Todas por uma vaga direta na Copa. Até para que continuem ouvindo elogios como os que o técnico ouviu de alguém que conhece bem: Sarina Wiegman, de quem foi auxiliar entre 2017 e 2025. "Ela tem achado a campanha ótima. Mandou uma mensagem e disse que está orgulhosa de mim".

As 23 convocadas da Holanda (Países Baixos) para as datas FIFA

GOLEIRAS: Lize Kop (Tottenham Hotspur-ING), Daniëlle de Jong (Juventus-ITA) e Regina van Eijk (Ajax)

DEFENSORAS: Lynn Wilms (Aston Villa-ING), Kerstin Casparij (Manchester City-ING), Veerle Buurman (Chelsea),  Dominique Janssen (Manchester United-ING), Renée van Asten (Ajax), Ilse van der Zanden (Fiorentina-ITA), Caitlin Dijkstra (Wolfsburg-ALE, se transferindo para o Tottenham Hotspur-ING), Janou Levels (Wolfsburg-ALE) e Marisa Olislagers (Brighton-ING)

MEIO-CAMPISTAS: Damaris Egurrola Wienke (OL Lyonnes-FRA), Wieke Kaptein (Chelsea-ING), Victoria Pelova (Arsenal-ING), Ella Peddemors (Wolfsburg-ALE), Lotte Keukelaar (Real Madrid-ESP), Daniëlle van de Donk (London City Lionesses-ING), Jackie Groenen (Paris Saint Germain-FRA) e Nina Nijstad (PSV)

ATACANTES: Lineth Beerensteyn (Wolfsburg-ALE), Romée Leuchter (Paris Saint Germain-FRA), Esmee Brugts (Barcelona-ESP) e Liz Rijsbergen (PSV)

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