quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Um fim tristemente apropriado

Ao invés do estádio, a volta para o hotel. O pesadelo também chocou o ônibus da Oranje (Vincent Jannink/ANP)
"Queríamos estar aqui, como uma afirmação. Até hoje à noite, conseguimos manter isso, mas infelizmente esta ordem precisou ser seguida. Não queríamos abaixar a cabeça para o terror, triste que as coisas tenham sido deste jeito. (...) Após a sexta-feira, o mundo parece totalmente diferente." Enquanto a delegação holandesa chegava ao aeroporto de Hannover, para viajar sã e salva de volta, Bert van Oostveen, diretor de futebol profissional da federação holandesa, lamentou desta forma o cancelamento do amistoso entre Holanda e Alemanha, nesta terça.

De fato, o cenário antes do jogo era de reanimação. Tanto pela vitória contra Gales, quanto pela mensagem simpática lida por Danny Blind, na segunda, ainda sob a gigantesca e justificada consternação pelos atentados terroristas vistos em Paris. Vale repetir trechos dela aqui: "Num momento como esse, você se toca mais uma vez que há coisas mais importantes do que o futebol. E automaticamente vem a pergunta sobre se o jogo deveria ser realizado. Sabemos todos que a seleção alemã teve um fim de semana de muita comoção. Também respeitamos muito o fato de que eles queiram jogar amanhã [terça]. E é o que nós queremos, também".

Até pela proximidade entre holandeses e alemães nos clubes, o clima de ajuda era mútuo. Notou-se isso nas palavras de Klaas-Jan Huntelaar, ao diário De Telegraaf, comentando contato com um colega de Schalke 04 que estava no Stade de France, durante as duas explosões no estádio: "No dia, eu tinha falado com Leroy [Sané] por mensagem de texto sobre a ameaça de bomba no hotel deles. Ele disse que passaram a noite no estádio, e só queria uma coisa: voltar para casa o mais rápido possível. (...) Nunca se pode baixar a cabeça para o terror, mas compreendo se a federação alemã decidir cancelar o jogo. Agora o futebol é um assunto secundário".

Afinal, a confirmação do jogo veio no domingo. O que até dificultou o trabalho de Danny Blind. Pois logo após o 3 a 2 sobre os galeses em Cardiff, Riechedly Bazoer (dores musculares na coxa) e Virgil van Dijk (lesão no joelho) foram mais duas baixas na delegação holandesa, e não tiveram substitutos exatamente pela incerteza quanto à realização da partida na HDI-Arena de Hannover. Também no domingo, foi a vez de Eljero Elia ser dispensado. Aí, Jürgen Locadia foi chamado às pressas, em sua primeira convocação para a seleção principal.

Seria curioso vê-lo recebendo uma chance durante os 90 minutos - mesmo caso de Marko Vejinovic.. Com relação aos titulares, com a ausência de Arjen Robben já prevista, como Memphis Depay voltaria a campo? Bas Dost, surpresa agradável em Cardiff, daria lugar a Huntelaar - mostraria o veterano faro de gol? E Joël Veltman, como substituiria Van Dijk como "líbero" no 5-3-2? Do lado alemão, seria curioso ver o escolhido para substituir Manuel Neuer, entre Kevin Trapp, Bernd Leno e Ron-Robert Zieler. Assim como seria de bom tom ter visto Holanda e Alemanha abrindo mão da execução de "Het Wilhelmus" e "Deutschland über alles", os respectivos hinos, em favor da execução única d'A Marselhesa, antes do jogo - algo combinado pelas duas federações.

Só que nada disso aconteceu, pela ameaça crescente descoberta na HDI-Arena, pouco antes do jogo. Pouco antes mesmo: a delegação já estava a caminho do estádio quando o cancelamento foi anunciado. A mudança brusca de caminho chocou os jogadores, primeiro levados a uma delegacia, e depois trazidos de volta ao hotel - em cuja entrada, policiais armados fizeram a ronda. Até agora, não está certo se realmente havia explosivos, muito menos se estavam numa ambulância, como informou Volker Kluwe, chefe de polícia da cidade (Thomas de Maizière, ministro alemão de assuntos internos, negou os explosivos na ambulância, mesmo alertando que não podia dar mais detalhes).

Restou a Veltman acalmar, em mensagem de texto enviada à AT5, emissora de tevê local em Amsterdã: "Estamos seguros agora! Esperando rápido pelo que acontecerá". Restaram as declarações de Bert van Oostveen, citadas no primeiro parágrafo. Restaram os agradecimentos à federação alemã, em nota da federação holandesa, que lamentou por "um jogo tão bonito não ter sido realizado". Restou a decepção pela Oranje não ter podido tentar a primeira vitória desde 2002, contra uma das grandes adversárias. E ficou, acima de tudo, a sensação depressiva de que um jogo perturbado e cancelado por razões lamentáveis foi um fim tristemente apropriado para o péssimo 2015 que a seleção holandesa teve em campo.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Um pequeno ânimo

Robben prestou muita atenção às jogadas de ataque, e as aproveitou duas vezes. Sorte da Holanda (AFP)
Manter o esquema tático da seleção da Holanda num 4-3-3 espaçado demais entre os setores foi uma das principais razões para o fracasso da equipe nas eliminatórias da Euro 2016, tanto sob Guus Hiddink como sob Danny Blind. Pelo menos, após o vexame, Blind teve tempo para reconsiderar seus erros. Tratou de proteger mais a defesa. E bastou uma atuação mais acelerada e relativamente entrosada no ataque para a Oranje conseguir vencer o País de Gales, por 3 a 2, no amistoso desta sexta, em Cardiff.

E já após os treinos na capital galesa, na quinta, o treinador indicou que precisaria se preocupar mais com a parte de trás da equipe. Só não sabia qual alternativa escolher. Uma delas era clara: o 5-3-2 com que Louis van Gaal pensou a equipe terceira colocada na Copa do Mundo passada. A outra foi indicada pelo próprio Danny Blind: "Uma outra possibilidade seria jogar com dois meio-campistas mais defensivos [no 4-3-3]". De qualquer modo, ele reconhecia: "Precisamos fortalecer mais nossa defesa. Só que ainda guardarei em segredo o que farei".

Por fim, a equipe foi escalada no 5-3-2. E ainda se viram algumas experiências nos titulares: Daley Blind ficou na zaga, pela esquerda, enquanto Terence Kongolo era o lateral propriamente dito. No meio-campo, Quincy Promes foi experimentado, enquanto Bas Dost superou a escolha previsível de Klaas-Jan Huntelaar e começou jogando ao lado de Arjen Robben. Essas mudanças geraram um estilo interessante. Sim, sem a bola via-se claramente a linha de cinco defensores. Mas com a bola, não só a Holanda jogava mais num 3-4-1-2, com Quincy Promes às vezes avançando mais, como também tinha mais volume ofensivo.

No início do jogo, os galeses ainda se aproveitaram da falta de prática holandesa no novo-velho esquema tático para conseguirem algumas chances. Por duas vezes Virgil van Dijk avançou demais até para um líbero, e o espaço ficou aberto para que Tom Lawrence aproveitasse essas duas vezes com a bola e arriscasse chutes a gol. Mas após esse período de "adaptação", os holandeses se recompuseram. Jogando mais atrás, como armador, Wesley Sneijder começou a fazer bons lançamentos. Robben, enfim, voltou a atuar como "líder técnico": sempre se apresentava como opção de jogadas, e não só pela esquerda, sua faixa tradicional. Bas Dost, por sua vez, saía de suas características: ao invés de esperar as jogadas para finalizar, também participava das tabelas. 

Bastou um dos vários avanços de Daryl Janmaat (boa atuação) dar certo, para uma jogada bem tramada resultar no gol de Dost que abriu o placar. E a Oranje até merecia sair do primeiro tempo com a vantagem. Mas uma "imprudência" levou ao pênalti que empatou a partida, já nos acréscimos: Kongolo levantou as mãos para se livrar de um chute que lhe pegaria em cheio. Involuntário? Talvez. Mas cada vez mais árbitros marcam as penalidades em lances assim. Joe Allen bateu, e Jasper Cillessen teria um grande momento de glória, ao defender uma cobrança pela primeira vez em sua carreira... se Joe Ledley não tivesse aproveitado o rebote para empatar.

Acertadamente, Danny Blind não alterou demais a equipe logo na volta para os vestiários: apenas o lesionado Van Dijk deu lugar a Joël Veltman. Mais do que isso: continuaram os bons lançamentos de Sneijder. E principalmente, continuou a movimentação de Robben. Que aproveitou rápido contra-ataque para fazer o que sabe de melhor: cortar para a esquerda, sem marcação, e chutar a gol. Fez 2 a 1 e deu razões para que o jornalista Willem Vissers, do diário De Volkskrant, colocasse em seu perfil no Twitter: "Mais importante do que escolher entre 5-3-2 e 4-3-3 é ter um jogador como Robben em forma". De fato, ainda não dá para prescindir do nativo de Bedum na Oranje.

Mas novas falhas de posicionamento da defesa resultaram em empate dos galeses: após cruzamento para a área, o trio de zagueiros deixou alguns adversários livres ao sair para cortar. Um deles, Emyr Huws, cabeceou livre para as redes de Cillessen. A decepção só não foi maior porque, novamente, um contra-ataque acelerado (por um rápido passe de Dost, no caso) pegou Robben livre. E ele não errou, garantindo a vitória por 3 a 2. Só então Danny Blind pôde experimentar por alguns minutos na equipe - por exemplo, promovendo a estreia de Riechedly Bazoer no meio-campo

Na saída de campo, Danny Blind ainda alertou: "Só é chato termos sofridos dois gols em bolas paradas. Nas eliminatórias, sofremos três ou quatro gols de escanteios e bolas paradas. Isso precisa melhorar". Mas também afagou: "Estou razoavelmente feliz. Não cedemos muitas chances e jogamos compactos". Cillessen também se alternou entre a lamentação ("Eu ainda estava na bola, no rebote [do pênalti], mas foi muito frustrante. Legal que eu tenha defendido um pênalti, e nada mais. No fim, foi um gol que sofremos") e o otimismo ("Espero que da próxima vez eu defenda sem dar rebote"). E Arjen Robben, de novo o salvador da Holanda, também se alegrou: "Estamos recomeçando, com um sistema antigo. Por isso, precisamos trabalhar. Mas estou com um bom sentimento para o futuro". 

Exatamente por isso a Holanda precisava da vitória: para recuperar o bom sentimento. Obviamente, a vitória desta sexta não quer dizer que a equipe virou favorita para o jogo de terça, contra a Alemanha. Mas, pelo menos, deu um pequeno ânimo. Já é algo, na situação atual da Oranje.

Tentando recomeçar

Como a vaga para a Euro não veio, a Holanda tem de baixar a cabeça e treinar para os amistosos (Bas van Lonkuijsen/ANP)
“São jogos estranhos. Você faz amistosos como preparação para a Euro, ou a Copa – se necessário, até para jogos de repescagem. Mas faremos jogos de preparação só para setembro do ano que vem. Até o final desta Euro eu me lembrarei de que a gente não está lá. Não jogaremos uma Euro na França, que é tão perto [da Holanda]. Teria sido um grande torneio”.

Essas palavras de Arjen Robben, na última segunda-feira, no diário “Algemeen Dagblad”, exemplificaram com perfeição o clima com que a seleção holandesa se reúne nesta semana, para amistosos contra País de Gales - nesta sexta, em Cardiff - e Alemanha - próxima terça, em Hannover. A Laranja ainda se envergonha do vexame da ausência no torneio continental. E chega aborrecida ao limbo em que ficará até o início das eliminatórias europeias para a Copa de 2018. Mais ou menos como aquele estudante que gazeteou quando não devia, ficou em recuperação (com justiça) e agora tem de amargar o início das férias sentado, estudando para as provas, enquanto os colegas que fizeram tudo direitinho já entram com todo o gás no período da diversão.

E não é por falta de ação que o elenco holandês está meio desanimado. Primeiramente, houve novidades entre os jogadores. Na convocação definitiva, feita na última sexta, Terence Kongolo enfim retornou à seleção, para a qual não era convocado desde a Copa do Mundo, quando só jogou os segundos finais contra o Chile. Se fora chamado às pressas para substituir o lesionado Davy Klaassen, na última rodada das eliminatórias da Euro 2016, agora o volante Riechedly Bazoer recebe uma chance mais concreta.

Caso semelhante ao de Bazoer é o de Maarten Stekelenburg: relacionado apenas para substituir Tim Krul no banco de reservas na partida derradeira da qualificação, o goleiro está de volta à Oranje para valer. E o bom início de Eredivisie, oferecendo qualidade na saída de bola e na marcação pelo meio-campo do Feyenoord, rendeu a primeira convocação à seleção adulta para o volante Marko Vejinovic (nascido e criado em Amsterdã, apesar do nome entregar a ascendência sérvia).

Todavia, mais surpreendentes do que as presenças foram as ausências. Já na pré-convocação, há duas semanas, Danny Blind abriu mão de Robin van Persie. O jornal “De Telegraaf” já havia vazado a notícia no dia anterior, mas ainda assim a confirmação causou espanto. Blind esclareceu tudo na entrevista coletiva, abrindo o novo “ciclo” de seu trabalho com declarações mais carregadas: “Acho que Robin não está no seu ritmo normal, desde que se transferiu para a Turquia. Ainda não jogou uma partida completa. Isso não é um bom sinal. Acho que ele não está jogando bem. Não está afiado, não está em boa forma”.

Está certo que Blind colocou panos quentes quase imediatamente após as justificativas (“Se ele estiver bem para os próximos jogos, provavelmente será convocado”). E Wesley Sneijder lembrou de situação semelhante que viveu na Oranje, sob Louis van Gaal, em 2013, ao site NUSport: “É a mesma situação. Primeiro eu perdi a faixa de capitão, e já saquei onde iria terminar. Dói muito quando não se é convocado. (...) Eu senti o que ele deve estar sentindo. Mas num momento assim, você tem dois caminhos. Ou não pensa mais no assunto, ou trabalha ainda mais duro”.

O próprio barrado minimizou sua ausência: “Não muda nada, eu não abandono a seleção. Estou à disposição. Sim, foram palavras duras [de Blind], mas isso não é relevante”. No entanto, pela má fase inegável no Fenerbahçe, e pelas situações nos últimos dois jogos (contra o Cazaquistão, o atacante ficou no banco, e teria brigado com Memphis Depay; contra a República Tcheca, também começou na reserva, e ainda teve o gol contra), muito se cogita que Danny Blind talvez tenha encerrado abruptamente a carreira de Robin van Persie com a camisa laranja, após 101 jogos e 50 gols – ninguém marcou mais pela Oranje, bom lembrar. As próximas convocações responderão.

Outra ausência foi “alarme falso”, mas ainda repercute. Na pré-convocação, o treinador também deixou de fora Memphis Depay. E ainda passou uma carraspana leve no atacante: “Ele é um jogador para o futuro. Mas há outras coisas em questão. No futebol de alto nível, você deve funcionar dentro do coletivo. E ele nem sempre faz isso”. Curiosamente, quem saiu em defesa de Memphis foi justamente quem o colocou no banco no Manchester United: seu “tutor” Louis van Gaal. “Eu já disse que ele é o maior talento [no futebol] de sua faixa etária, mas ele só tem 21 anos e não podemos esperar regularidade dele. (...) Tenho certeza de que voltará, e mais forte do que antes, mas precisamos lhe dar tempo”.

Seja como for, Blind deu um voto de confiança após o puxão de orelhas e incluiu Memphis na convocação definitiva para os amistosos. E justiça seja feita: o alerta do técnico veio ao encontro do que torcida e imprensa, em sua maioria, pensam do jovem. Depay anda sofrendo críticas na Holanda pelos mesmos motivos por que Neymar era (ainda é, um pouco) olhado com desagrado por alguns, no Brasil: excessivo individualismo dentro de campo, maior preocupação com a badalação e com o vestuário fora dele. Porém, o nível das atuações do brasileiro no Barcelona anda a tal ponto que minora até as lembranças dos processos judiciais que correm contra ele e sua família, no Brasil e na Espanha.

Já o holandês não tem conseguido responder dentro de campo. Pior: a imprensa do país se desagradou com algumas atitudes suas (como não parar na zona de entrevistas, após a derrota para a República Tcheca, nas eliminatórias da Euro). E sua apresentação à comissão técnica, na última segunda, não mudou muito as coisas: Depay chegou ao hotel com um chapelão que chamou mais a atenção dos jornalistas do que a própria situação da Oranje. Aí o jogador decidiu reagir: “Sim, é um chapéu. O que um homem faz com um chapéu? Eu visto. É só um chapéu. Eu achei bonito. (...) Não é estrelismo, não tem nada a ver, porque eu sou a mesma pessoa que era nos tempos de PSV. As pessoas leem muita coisa. Quem faz parte do meu círculo sabe da verdade, o resto do mundo, não”. E o próprio Danny Blind também não ligou muito para o alarido, brincando: “[O chapéu] não faz meu tipo... se achei um outro mau sinal dele? Não, eu presto atenção em outras coisas”.

E os problemas não pararam em Van Persie e Depay. Ao chamar inicialmente cinco atletas do Ajax para os amistosos (Cillessen, Tete, Veltman, Riedewald e Klaassen), Blind novamente ouviu críticas de um suposto favorecimento excessivo a jogadores dos Amsterdammers. Mas não foi apenas de torcida e imprensa: foi de um jogador. Em declarações à emissora de tevê Omroep Brabant, o lateral Joshua Brenet, do PSV, não economizou: "Como ele [Blind] é alguém com história no clube, pode-se dizer que talvez isso interfira". Brenet ainda acrescentou dúvidas sobre os critérios do técnico: "Alguns caras jogam bem três jogos, e ele já chama". O treinador ignorou: "Eu li algo sobre [as críticas de Brenet], mas não posso me preocupar muito com isso".

Outra polêmica veio quando Blind revelou que pedira a Dirk Kuyt que aceitasse voltar à Oranje para os últimos dois jogos das eliminatórias, mas que o atacante teria respondido que só atenderia convocações caso tivesse garantida a titularidade. Kuyt negou veementemente: “Soou estranho ouvir que eu teria exigido ser titular. Não exigi nada. Nem eu ao técnico e nem ele a mim. Pronto”. Mas antes que a frase se tornasse outro foco exagerado de crise, o atacante do Feyenoord tranquilizou: “Falei com o técnico durante a semana, e minimizamos a ‘tempestade’”.

Bom para o técnico, que viu as contusões diminuírem sua convocação pouco a pouco. Na semana passada, Anwar El Ghazi (tornozelo) já fora cortado. Após a rodada da Eredivisie, o goleiro Kenneth Vermeer foi mais um descartado. Jaïro Riedewald mal se apresentou e também foi dispensado, com dores no joelho – o que promoveu mais um retorno à seleção, o de Erik Pieters. E finalmente, nesta quinta Davy Klaassen deixou o elenco, também por causa do joelho. Tendo saído de Feyenoord x Ajax com dores musculares, Bazoer quase engrossou a lista, mas se recuperou aos poucos. E se já tem jogado após a distensão na virilha que o tirou da fase final das eliminatórias da Euro, Arjen Robben ainda prefere jogar num ritmo um pouco menor, e por isso só estará em campo contra País de Gales.

Com tantos incidentes, a seleção da Holanda poderia estar em séria turbulência. Nada disso. O ambiente é calmo, mas melancólico. A lembrança da ausência da Euro ainda incomoda, mas é uma realidade inescapável. E Danny Blind está tentando inserir algumas mudanças no grupo de jogadores. Contudo, nem mesmo vencer os dois amistosos vai tirar o clima macambúzio e as desconfianças que ainda cercam a Oranje após o vexame. 

A revolução não é mais aveludada

Desprestigiado pela diretoria, Wim Jonk quis sair. E criou mais um capítulo na crise do Ajax (Jeffrey van Bakel/Pro Shots)
Era 20 de setembro de 2010. Dias depois do Ajax ser derrotado inapelavelmente pelo Real Madrid, na estreia pela fase de grupos da Liga dos Campeões: fora 2 a 0 para os Merengues, e ficara muito barato. O desnível entre os Ajacieden e os madridistas foi tamanho que motivou uma coluna bastante ácida de Johan Cruyff (quem mais?), no diário De Telegraaf. Para citar somente o título: "Este não é mais o Ajax". Tudo bem, mais um trecho: "Após o apito final, todos estavam felizes pela derrota ter sido 'somente' por 2 a 0, enquanto ela podia ter sido de 8 ou 9".

Não se passaram mais de dois meses: em 15 de novembro, Cruyff escreveu outra coluna no De Telegraaf. Título: "Mensagem a todos os Ajacieden". Ali pedia que antigos jogadores do clube se candidatassem a cargos no Conselho Deliberativo, para que assim, personagens importantes de sua história estivessem de volta à condução dos destinos. Bastou: Marc Overmars, Tscheu La Ling, Peter Boeve, Keje Molenaar... enfim, todos estes foram eleitos conselheiros. Estava iniciada a "Fluwelen Revolutie", a "Revolução de Veludo" no Ajax, assim nomeada por não ocorrer com grandes conflitos internos. 

Também mudaram os personagens em campo. Um triunvirato de ex-jogadores formou-se para trazer de volta o estilo técnico que fizera o clube famoso pelo mundo: Wim Jonk, diretor das categorias de base; Dennis Bergkamp, técnico da equipe de juvenis; e Frank de Boer, então técnico dos juniores. Sentindo que seu espaço e seu método tático não caberiam mais na Amsterdam Arena, o técnico Martin Jol pediu o boné, no início de dezembro. Frank de Boer assumiu imediatamente, e até com um resultado positivo: vitória por 2 a 0 sobre o Milan, em San Siro, na última partida da fase de grupos da Liga dos Campeões.  A mudança pretendia ter resultados para dali a algum tempo. Mas baseado num final de temporada fulgurante - sete vitórias nos últimos sete jogos -, o Ajax conseguiu ser campeão holandês em 2010/11, após sete anos de jejum.

Desde então, a revolução de veludo conseguira trazer o Ajax de volta ao posto de grande clube do futebol holandês. Até agora. Porque, se dentro de campo a equipe ainda lidera a Eredivisie desta temporada, fora dele a crise está cada vez mais aberta. E um novo capítulo aconteceu nesta semana: o pedido de demissão de Wim Jonk - que seguia desde 2010 dirigindo as categorias de base em De Toekomst, o afamado centro de treinamento da base dos Amsterdammers.

O anúncio da saída de Jonk (ex-meia, com duas Copas pela seleção no currículo) foi o capítulo mais dramático num racha que já se aprofunda há pelo menos dois anos. De um lado, o próprio Jonk, que defende o plano original de Cruyff, com a continuação do uso frequente de egressos da base na equipe adulta do Ajax - cabe citar aqui: do atual time-base que Frank de Boer normalmente escala, sete dos onze titulares são formados no próprio clube. Do outro lado, há Marc Overmars: hoje diretor de futebol, cada vez mais o ex-atacante acredita que o Ajax precisa contratar, caso ainda sonhe com campanhas honrosas nos torneios continentais. Com o leve apoio de Frank de Boer, Overmars foi o idealizador das chegadas de Arkadiusz "Arek" Milik e John Heitinga, por exemplo. Aos poucos, o conflito cresceu, e Jonk passou a não se reunir mais com os outros integrantes da diretoria técnica - último passo antes de pedir demissão, que era a intenção real dos que o escanteavam.

O pior é que o racha não tem mediadores confiáveis. Para tentar solucioná-lo, no final do ano passado, Cruyff já aconselhara a vinda de Tscheu La Ling, como supervisor técnico. Mas La Ling não durou mais do que alguns meses, desprestigiado pela dupla Overmars-Frank. O diretor geral Dolf Collee tem nome discreto demais para exercer destaque; e a outra opção, se tem destaque, também mostra fraqueza. Edwin van der Sar, na diretoria desde 2012 (era o diretor de marketing, e assumiu o posto de diretor técnico há pouco) é criticadíssimo por não mostrar pulso firme na situação.

Para muitos, uma prova disso foi vista na última quarta-feira, dia da demissão de Jonk. Van der Sar estava treinando em campo, junto de André Onana e Diederik Boer, goleiros reservas de Cillessen na equipe adulta. Ao invés de estar no ambiente frenético e turbulento dos gabinetes, o ex-goleiro agia como se ainda fosse profissional dentro de campo. Pouco recomendável para quem foi pensado por Johan Cruyff para ser o futuro diretor-geral do clube, exercendo no Ajax um papel semelhante ao de Karl-Heinz Rummenigge no Bayern de Munique, por exemplo.

Pelo menos, Van der Sar não precisou aguentar dúvidas sobre sua conduta, como Overmars precisou: na última segunda, o diário De Volkskrant publicou que uma empresa pertencente ao cunhado do diretor de futebol fora contratada para construir uma escola dentro de De Toekomst, neste ano, e que em 2013, uma reforma nos vestiários dos campos da base fora feita por uma empresa que já fizera trabalhos a outros negócios do dirigente. Overmars defendeu-se dizendo que avisou a direção do clube sobre seus contatos anteriores com a empresa, e que a contratação não tivera sua participação. O Ajax confirmou as palavras do ex-atacante, e as acusações caíram no esquecimento.

Ainda assim, no aspecto técnico, o pedido de demissão de Jonk (e, antes ainda, o fracasso no trabalho de Tschen La Ling) seguiram esquentando a crise. As duas saídas foram vistas como um projeto da direção atual para minimizar a influência de Johan Cruyff no Ajax. Resultado: mesmo no início do tratamento contra o câncer no pulmão, Cruyff precisou falar ao De Telegraaf para criticar a saída do diretor da base: "Jonk naturalmente tem muita razão. Ele se afastou das reuniões. É que ele não me falou nada, senão eu teria observado isso. As coisas não podem ser assim, em que ninguém fala nada, depois as coisas dão errado, e colocam tudo nas minhas costas. Digam, então, 'a sua visão não nos serve mais'".

Eis que, nesta quinta, não só Jonk voltou normalmente ao trabalho, como uma carta aberta da equipe técnica de De Toekomst à diretoria manifestou-se contrária à saída dele: "A partir do nosso comprometimento com o Plano Cruyff e nossa crença na missão e na visão que Wim Jonk trouxe ao clube com esse plano, achamos completamente ilógico e portanto incompreensível que vocês o tenham ameaçado".

Nesta sexta, haverá a reunião dos acionistas do Ajax. Certamente, a situação não será aveludada. Johan Cruyff já colocou um ultimato, na entrevista supracitada: "Os acionistas precisam parar o que a diretoria e o conselho estão fazendo. Ou então, digam que acabou o Plano Cruyff. Que sejam honestos e não usem indevidamente o meu nome". Diante das manifestações contrárias à saída de Jonk, partidário de Cruyff, fica a dúvida sobre a coragem dos diretores para dizerem que o Ajax mudará, de novo. E agora, sem tanta simplicidade.

domingo, 8 de novembro de 2015

810 minuten: como foi a 12ª rodada da Eredivisie

Vilhena e Gudelj disputam a bola: divididas ficaram maiores do que o jogo em Feyenoord x Ajax (feyenoord.nl)
Roda JC 1x1 ADO Den Haag 

Os Koempels tiveram o melhor dos começos para se recuperarem da goleada sofrida para o Ajax, na 11ª rodada: abriram o placar já aos nove minutos, com Tom van Hyfte. Na verdade, já poderiam até estar ganhando por 2 a 0, mas o gol do atacante Tomi Juric fora anulado, por suposta falta no zagueiro Gianni Zuiverloon. No entanto, o Den Haag foi melhorando progressivamente no ataque. Até que Mike Havenaar fez o que já está acostumado: gol. O nipônico empatou o jogo para os Hagenaren, sendo o dono de uma façanha: era a 2000ª vez que o ADO Den Haag balançava as redes em sua história no Campeonato Holandês. No segundo tempo, os visitantes cresceram ainda mais, principalmente depois da expulsão de Juric, aos 18 minutos. Até poderiam ter vencido, tantas foram as chances criadas - na principal, o lateral direito Ard van Peppen tirou a bola em cima da linha, salvando o Roda JC. Mas a partida em Kerkrade ficou mesmo no 1 a 1.

Twente 1x4 Heerenveen

Antes da primeira partida de sábado se iniciar, o Twente já sabia: era o pior início de temporada do clube em 40 anos (bem, em seis anos, considerando o tempo em que vitórias valem três pontos), com apenas nove pontos em 11 jogos. E pouco depois do começo dos 90 minutos no Grolsch Veste, já estava claro que seria novamente uma tarde frustrante para os Tukkers. Logo aos seis minutos de jogo, aproveitando rebote, Luciano Slagveer abriu o placar para os frísios. Pior: aos 15 minutos, Hakim Ziyech, sempre a chance de desafogo para o time vermelho, cobrou pênalti, mas mandou a bola para fora. Custou caro: ainda na etapa inicial, após falha do goleiro Joël Drommel em bola aérea, o zagueiro Kenny Otigba fez 2 a 0 para o Heerenveen. 

Amenizando ligeiramente sua falha no pênalti perdido, Ziyech novamente destacou-se pelo Twente, diminuindo com um chute de fora da área, já no segundo tempo. Só que novo erro defensivo praticamente definiu a vitória dos visitantes: aos 33 minutos, Drommel rebateu uma bola nas costas do zagueiro Joachim Andersen, e ela foi mansa para as redes. E Sam Larsson aproveitou outra falha de Andersen para fazer o segundo 4 a 1 de um visitante em Enschede, na temporada. Uma goleada que consolida a reação do Heerenveen sob o técnico interino Foppe de Haan (que anunciou: só fica até a pausa de inverno): já são três jogos sem derrota, com duas vitórias e um empate, afastando o perigo da zona de repescagem/rebaixamento. E uma goleada que só aumenta a aflição que se vive no Twente.

NEC 2x0 De Graafschap

Se o leitor não se lembra, o venezuelano Christian Santos foi o autor do gol da "Vinotinto" na goleada da Seleção Brasileira, por 4 a 1, nas eliminatórias para a Copa do Mundo. Pois bem: Santos joga no NEC. E ele foi o principal destaque da vitória que consolida a reação que já leva o atual campeão da segunda divisão holandesa à sexta posição (melhor campanha de um time promovido à elite desde o Haarlem, em 1976). Uma falha do volante Alexander Bannink levou ao primeiro gol. Tentando tirar a bola da área após cruzamento, Bannink furou o chute e tocou a mão na bola. Richard Liesveld apitou o pênalti, e Santos abriu o placar, aos 32 minutos do primeiro tempo. O comportamento dos Superboeren foi o mesmo das últimas rodadas: um time esforçado ao extremo em busca de gols, e até causando problemas. Mas um contra-ataque bem feito resultou no segundo gol de Santos na partida (nono na temporada), já aos 35 minutos da etapa final. Uma vitória que intensifica o despontar dos Nijmegenaren - e também afunda o lanterna De Graafschap (em 12 jogos, dois pontos!) na fama de time esforçado, mas ruim e quase fadado ao rebaixamento direto.

Willem II 2x3 Excelsior

Jogos malucos e frenéticos no ataque são frequentes no Campeonato Holandês. E a partida em Tilburg foi o exemplo da vez. Já aos 41 segundos da etapa inicial, Richairo Zivkovic abria o placar para os anfitriões; e aos dois minutos, Tom van Weert desviou para as redes cruzamento de Daryl van Mieghem, fazendo 1 a 1. Depois, novamente os Tricolores marcaram, em jogada dos irmãos Wuytens (Stijn tocou, e Dries completou), aos 19 minutos. Sem problemas: o Excelsior obteve o empate aos 29 minutos, em pênalti convertido por Jeff Stans. Aí, a partida diminuiu um pouco o ritmo. Ainda assim, com times semelhantes em nível técnico, quem errasse cederia a vitória ao outro. E o infeliz da vez foi Dries Wuytens: aos 12 minutos do segundo tempo, o zagueiro perdeu um recuo de bola, e abriu caminho para Van Mieghem chegar livre à área, virar o jogo e garantir a vitória dos Kralingers, que saltaram para a 10ª posição. Falha dura para o Willem II: com só uma vitória na Eredivisie, o time sofre no antepenúltimo lugar.

Zwolle 1x1 Heracles

Já com duas derrotas consecutivas em casa (e três no campeonato), os Dedos Azuis precisavam reavivar a campanha, enquanto cabia ao Heracles manter o contato bem próximo com o Trio de Ferro na ponta da tabela. E os Heraclieden conseguiam fazer isso à perfeição no estádio Ijsseldelta: já no primeiro tempo, o zagueiro Thomas Lam falhou ao tentar deter um ataque, e a bola sobrou limpa para Wout Weghorst fazer seu sexto gol na temporada, colocando os visitantes na frente. Durante o restante do jogo, os Almelöers mantinham a vitória sob controle, e os Zwollenaren eram ineficazes na frente, mesmo chutando mais a gol. Quem resolveu foi Stef Nijland: saído do banco aos 39 minutos do segundo tempo, o ponta-de-lança bateu firme de fora da área, aos 49 minutos, para empatar o jogo e manter o Zwolle próximo do NEC. E mesmo perdendo a vitória nos acréscimos, o Heracles segue a par e passo com Ajax, Feyenoord e PSV.

PSV 3x1 Utrecht


Já no início da partida em Eindhoven (precisamente, aos dois minutos do primeiro tempo), Héctor Moreno abriu o placar para o PSV. O que não quer dizer que a vitória final dos Boeren foi fácil. Já no primeiro tempo, a equipe da casa se mostrou desatenta e dispersa. E no início da etapa final, os Utregs tiveram muito mais volume ofensivo, tendo a recompensa no empate de Bart Ramselaar: após chute de Timo Letschert que mandou a bola na trave, e Nacer Barazite cabecear o rebote para grande defesa de Jeroen Zoet, o meio-campista dos visitantes bateu da entrada da área, a bola desviou em Joshua Brenet e tirou Zoet do lance. Parecia que o time de Utrecht colocaria fogo no jogo.


Mas Phillip Cocu decidiu agir: substituiu de uma vez só Adam Maher e Luciano Narsingh, que estiveram mal em campo, para colocar Jorrit Hendrix e Gastón Pereiro. Mudanças bem vindas: Hendrix fechou melhor o meio-campo, ajudando a evitar os ataques adversários. E Pereiro, que normalmente atua pela direita, ficou inteligentemente no meio-campo. Puxou a marcação e abriu espaço para Santiago Arias. E numa das jogadas em que chegou livre pela direita, o lateral colombiano fez 2 a 1. Luuk de Jong até poderia ter ampliado o placar antes (chutou um pênalti nas mãos de Robbin Ruiter, na sétima cobrança desperdiçada pelo PSV das últimas onze que teve), mas aproveitou um contra-ataque para fazer seu décimo gol na Eredivisie. 3 a 1, numa vitória daquelas em que o técnico, enfim, teve certa participação.

Feyenoord 1x1 Ajax

O Klassieker foi relativamente decepcionante. Porque não entregou o que chegou a prometer durante o primeiro tempo, que foi tenso, mas aberto. É verdade que nenhum dos dois goleiros teve preocupações constantes, mas também é verdade que os dois arquirrivais foram a campo com esquemas de jogo ofensivos. O Feyenoord estava pensando em se impor mais pela força física, com a escalação de Eric Botteghin na zaga; já o Ajax preferiu a segurança na armação de jogadas, com a opção por Viktor Fischer e Arkadiusz "Arek" Milik iniciando como reservas, ao passo que Davy Klaassen começou como "falso centroavante", no 4-3-3 tradicional. Porém, a falha comum dos Amsterdammers foi submeter-se à marcação por zona da defesa do Stadionclub. Bastou apenas uma desatenção da defesa (que até jogava bem, com Jaïro Riedewald como destaque) para Sven van Beek escorar cruzamento de Dirk Kuyt e apagar a lembrança de seu gol contra na rodada passada do melhor modo possível: abrindo o placar no grande clássico do futebol holandês.

E o Ajax já sofreu com a necessidade de fazer duas alterações forçadas. Milik voltou a campo substituindo Lasse Schöne, ainda no fim da etapa inicial; e Riechedly Bazoer, que já sofrera com dores musculares nos primeiros 45 minutos, deu lugar a Fischer, a partir do intervalo. Parecia que o planejamento tático inicial de Frank de Boer estava arruinado. Bom para ele: as mudanças aceleraram os Ajacieden, que foram encurralando aos poucos a defesa Feyenoorder até o empate muito comemorado, num lance de sorte de Klaassen (seu chute de fora da área resvalou em Terence Kongolo, encobrindo o goleiro Kenneth Vermeer). A igualdade no placar prometia um resto de segundo tempo empolgante. Mas numa jogada pela lateral direita, Eljero Elia e Kenny Tete disputaram a bola com alguma violência, e sobraram alguns safanões. A punição amena do árbitro Bas Nijhuis a ambos (cartão amarelo) foi suficiente para tornar o jogo mais pegado do que propriamente empolgante, algo que seguiu até o apito final. Por isso, a decepção. A qualidade satisfatória do primeiro tempo poderia ter se repetido. Se alguém saiu satisfeito, foi o Ajax, que manteve a liderança; ao Feyenoord, restou lamentar a "oportunidade perdida", nas palavras de Dirk Kuyt após a partida, e também restou ver o PSV se fixar na segunda posição.

Cambuur 2x2 Groningen

Não havia muita dúvida sobre quem era o favorito. Afinal, mesmo jogando em casa, o Cambuur não vencera uma partida na temporada (e fizera apenas três gols jogando em seu estádio), contra um time que não perdia. E no entanto, eram os Leeuwarders que estavam com 2 a 0 aos 15 minutos do primeiro tempo, por obra e graça de dois gols de Martijn Barto. Porém, a ilusão da primeira vitória para os auriazuis foi atingida duramente no segundo tempo. Primeiro, Johan Kappelhof diminuiu. Aos 11 minutos, Barto fez um gol, mas o árbitro Serdar Gözübüyük o anulou. E dois minutos depois, Jesper Drost empatou para o time do norte holandês, em chute de fora da área. E assim, os Groningers seguiram junto a NEC e Zwolle como times de campanha honrosa, logo abaixo dos ponteiros, enquanto o Cambuur amargou uma grande decepção no que podia ter sido um grande dia.

Vitesse 0x2 AZ

Nem parecia que o AZ fora derrotado em casa pelo NEC, na rodada passada. E nem parecia que o Vitesse era um time que mantinha contato próximo como o Heracles - logo, estava um andar abaixo dos líderes da Eredivisie. Desde o início do jogo, os Alkmaarders mandaram e desmandaram em pleno Gelredome de Arnhem. Criaram mais chances de gol e tiveram mais posse de bola. De quebra, a expulsão do meio-campista Marvelous Nakamba, aos 42 minutos do primeiro tempo, tornou as coisas ainda mais perigosas para a defesa do Vites. Com todo esse cenário, os gols de Vincent Janssen e Markus Henriksen, que definiram o jogo, até demoraram: surgiram apenas aos 30 e 33 minutos do segundo tempo, respectivamente. Seja como for, o AZ conseguiu subir para a 10ª posição, numa temporada em que ainda tenta preencher seu potencial, ganhando tempo para evitar crises. E o Vitesse nem perdeu tanto: apenas ficou com a mesma pontuação do NEC, mas segue no quinto lugar.